Didática do trauma. Aula nº2: por que evitar “inovações”

julho 29th, 2010

Acho que o tranco funcionou da outra vez, e geral entendeu por que não se usar diferencial num texto.

Hoje a aula será para que se evite usar a palavra inovação.

Gente, nada contra inovações. Pelo contrário, elas são não apenas válidas como necessárias para nossa evolução.

Mas é que essa palavra vem sendo usada de forma tão vulgarmente frequente que enfraquece seu sentido.

Hoje em dia qualquer um diz que tá inovando. e, não raro, o substantivo inovação ou o verbo inovar são perfeitamente cortáveis e evitáveis na frase.

Quer um exemplo?

Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando (…) - 12 palavras para se iniciar uma frase sem nada dizer, apenas introduzir a grande novidade – e geralmente essa grande novidade não tem nada de mais.

Ah, dona Bruxa, eu gosto muito de inovar. Acho que essa palavra valoriza meu texto e vou continuar usando, dirá você, ameba.

E é neste momento que eu entro com minha didática do trauma.

Quer inovar, ameba? Fique à vontade. Mais uma vez, junte-se ao Ego (gente, o Ego tá se tornando meu parceiro de didática de traumas, hein?) :

Solange Gomes não para de inovar[Nuoooooooooooooooooooooossssaaaaaaaa! Ela não só inova como não para de fazer isso! Mal posso esperar pra ver qual a inovação implementada pela mocinha!]. Depois de participar de um reality show transmitido pela internet[Viram? Essa foi a inovação número um!] , a modelo ataca de atriz[GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH A MODELO ATACA DE ATRIIIIIIIIIIIIIIIIIZZZZZZZZZZZZZZZ!!!!!!!!!!! Mó inovação, hein? Hum?] . Ela foi convidada para participar do curta[trocadilhos com curta/longo? Não, deixa prá lá, não é o caso...] “Tensão Misteriosa”, dirigido pelo humorista Charles Daves. Nele, Solange vive Amália, uma empresária bem-sucedida que perde sua fortuna por ser viciada em jogos de azar.

Então, funcionou de novo?

Próxima vez que você escrever inovação ou qualquer palavrinha dessa família você vai se lembrar de Solange Gomes.

E aí, continua curtindo usar inovação de qualquer jeito? Ah, não? De nada.

(Pensar que ela foi aluna de química do Amedeo, e de matemática do Zilmar…)



UOL e a imigrantofagia

julho 27th, 2010

Gente, na boa… existe um limite entre duplo sentido e mau gosto na hora de se fazer uma manchete.

Dizer que limitação a imigrantes ameaça culinária britânica e ilustrar essa frase com carnes cruas penduradas dá a entender que a função dos imigrantes é alimentar com sua carne os britânicos…

Ou isso ou eu estou muito abalada com as manchetes policiais dos últimos dias….

Mas não posso perder o hábito: PORRA, UOL!!!



Quantas vezes campeão?

julho 26th, 2010

Graças a Bernardinho, geral se pergunta como se diz quando a gente consegue ser nove vezes campeão n’alguma coisa.

Resolvi fuçar (porque eu não sabia disso) web afora, e encontrei este site aqui. Conta tudo, explica direitinho e ainda bota os pingos nos is.

Abaixo, copio o conteúdo do link original fornecido:

Todos vêm dos advérbios numerais em grego:

01. απαξ – Apax (uma vez).
02 . δις – Dis (duas vezes – Di ou Bi*).
03. τρις – Tris (três vezes – Tri).
04. τετρακις – Tetrakis (quatro vezes – Tetra).
05. πεντακις – Pentakis (cinco vezes – Penta).
06. εξακις – Hexakis** (seis vezes – Hexa).
07. επτακις – Heptakis** (sete vezes – Hepta).
08. οκτακις – Oktakis (oito vezes – Octa***).
09. ενακις ou εννακις – En(n)akis (nove vezes – Ena ou Enea).
10. δεκακις – Dekakis (dez vezes – Deca).
11. ενδεκακις – Endekakis (onze vezes – Endeca).
12. δωδεκακις – Dodekakis (doze vezes – Dodeca).
13. τρισκαιδεκακις – Triskaidekakis (treze vezes – Trisdeca).
14. τετταρακαιδεκακις – Tettarakaidekakis (quatorze vezes – Tetaradeca).
15. πεντεκαιδεκακις – Pentekaidekakis (quinze vezes – Pentedeca).
16. εκκαιδεκακις – Hekkaidekakis (dezesseis vezes – Hecadeca).
17. επτακαιδεκακις – Heptakaidekakis (dezessete vezes – Heptadeca).
18. οκτωκαιδεκακις – Octokaidekakis (dezoito vezes – Octodeca).
19. εννεακαιδεκακις – Enneakaidekakis (dezenove vezes – Eneadeca).
20. εικοσακις – Eikosakis (vinte vezes – Eicosa).
30. τρισκοντακις – Triskontakis (trinta vezes – Trisconta).
40. τετταρακοντακις – Tettarakontakis (quarenta vezes – Tetaraconta).
50. πεντηκοντακις – Pentekontakis (cinqüenta vezes – Penteconta).
60. εξηκοντακις – Hexekontakis (sessenta vezes – Hexeconta).
70. εβδομηκοντακις – Hebdomekontakis (setenta vezes – Hebdomeconta).
80. ογδοηκοντακις – Ogdoekontakis (oitenta vezes – Ogdoeconta).
90. ενενηκοντακις – Enenekontakis (noventa vezes – Eneneconta).

Ou seja: é eneacampeão ou enecampeão.



Erro de revisão + ectoplasma suíno + deuses do print-screen = Serra do PT

julho 23rd, 2010

Erro de revisão = O pobrezinho do alimentador do site do PSDB que, ao digitar a frase do dia, identificou José Serra como candidato do PT e não viu a caca que fez

Ectoplasma suíno = Maurício Alves no twitter (@mauricioas)

Deuses do print screen = a prova foi registrada para a eternidade. Já foi corrigida no site.

Porque, né? Errinhos de revisão são perdoáveis. Mas nesse caso, algumas letrinhas foram capazes de fazer um estrago monumental…



Palavras do dia

julho 20th, 2010

Por falar em gente besta que empola o texto pra deixar o dito chique, deixemos que tio antônio explique dois verbetes usados por esta (besta) que vos fala no post abaixo.

Quiçá
n advérbio
possivelmente, mas não com certeza; talvez, porventura
Outrem
n pronome indefinido
pessoa que não participa do processo de comunicação e cuja menção é imprecisa ou indefinida (seja porque o falante não sabe, seja porque não lhe interessa dar a indicação precisa); outra pessoa
Ex.: não eram suas as frases, eram de o.
E se alguém souber como eu faço pra que o WordPress volte a me deixar riscar trechos dos meus textos, eu agradeço, viu? Haja malcriação!


Os encontros reflexivos, a bestificação da linguagem simples e a noiva que dá detalhe

julho 20th, 2010

Tá certo que aprazar é um verbinho metido a besta, que mais empola do que comunica quando usado num texto. É verbo para se usar em momentos de exceção, quiçá em poemas. Ainda assim, tem gente que curte usar o dito, e aproveita pra tirar onda de (cof, cof) linguagem técnica (cof, cof). Coisa de gente besta que,no afã de se exibir para outrem, empola o texto pra ficar chique, mas só consegue deixar o pobrezinho confuso.

O que eu gostaria de entender é por que o verbo encontrar foi incluído nessa… moda (porque tendência é o #$%$%¨$#%T#$%!) de bestificação verbal, em substituição ao verbo estar. Já repararam que Fulano não está no local, Fulano sempre encontra-se no local?

Aliás, eu só, não: a Ceci (nono comentário) também gostaria de entender isso.

Lembro que, numa de suas aulas, o professor Sérgio Nogueira Duarte chegou a brincar com o seguinte diálogo:

- Onde Fulano se encontra?

- No espelho. É lá que ele se encontra, todos os dias. Vai ver se ele está no espelho e ele está, invariavelmente!”

Aí começam as histórias de desavenças familiares.  Tio Antônio dá como certo o emprego do verbo encontrar no sentido de marcar presença. Espiem só o que esse tratante aprontou comigo:

Encontrar
verbo
transitivo direto
1 ver-se frente a frente com; deparar, achar
Exs.: encontrou a bolsa que procurava
a polícia encontrou os fugitivos
transitivo direto
2 passar a conhecer; descobrir, atinar
Exs.: não encontrou resposta para o enigma
fez as contas e encontrou o número exato
transitivo direto e pronominal
3 ir de encontro a; chocar-se
Exs.: o míssil encontrou o alvo
as motocicletas se encontraram em alta velocidade
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
4 ir ao encontro de
Exs.: iam e. a moça
encontrou com a moça na esquina
iam e.-se com ela
transitivo direto
5 deparar com (algo vantajoso ou desvantajoso)
Ex.: encontrou grandes obstáculos durante a carreira
transitivo direto predicativo
6 deparar com (algo ou alguém), percebendo seu estado, condição ou situação
Exs.: encontramo-lo bem melhor de saúde
encontrou a cidade natal muito mudada
pronominal
7 estar em determinado lugar, situação ou estado; achar-se, localizar-se
Exs.: no tórax encontram-se os pulmões e o coração
o inimigo encontra-se dentro da cidade
o país encontrava-se sob domínio estrangeiro
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
8 defrontar-se com (alguém ou algo) que representa obstáculo ou força hostil; enfrentar
Exs.: afinal, encontrava (com) o grande inimigo
encontrou-se com o adversário
transitivo direto
9 fazer entrar em união
Ex.: recuando, as águas encontraram as terras

Respeito tio Antônio, mas vou discordar. Ou pelo menos concordar com muita parcimônia.

Porque há verbos que comunicam uma idéia de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Com eles, seu interlocutor entende o que você quer dizer na hora, sem ter que gastar muita mufa pra isso, e não corre o risco de interpretações outras para a frase que você lhe proferiu.

Traduzindo:

prá quê dizer Fulano encontra-se no local

se você pode dizer Fulano está no local ?

São 11 caracteres contra 4 (seu dedo deixa de trabalhar 7 vezes na frase, pense nisso!), a pessoa que te lê/escuta vai entender sua mensagem muito mais rápido, e não vai ter margem para pensamentos outros, como Hein? Fulano encontrou com alguém? Quem? Por quê?

Mas já que o negócio é usar expressões da moda, vamos combinar o seguinte, então: o verbo encontrar, na voz voz reflexiva, deve ser usado em substituição ao verbo estar que nem sapatos de salto altíssimo na cor branca: permitido apenas para noivas (meu alter ego é uma perua, por isso a analogia. E acalmem-se, homens e desentendidos de plantão! Eu vou desenhar!)

Isto posto, temos os seguintes raciocínios:

1- Você é noiva? Não?

Então, não use o verbo encontrar em substituição ao verbo estar. Ponto.

2- Você é noiva? É? Que liiindo! Parabéns!

Mas me diga: que que o seu texto tem a ver com isso? Escreve direito e não enche o saco, bosta!
(Não me diga que você vai entrar de rosa na igreja?!?!?!?! Bafããããããoooo… ;) )



Aos trabalhos, companheiros!

julho 20th, 2010

Malzaê!

Tô com um monte de post pra escrever aqui, e não consigo parar pra redigi-los com calma. Mas vou botar as coisas em dia aqui.

Vamos lá!



Editora Abril demonstra seus conhecimentos “jeográficos”

julho 16th, 2010

Essa eu tive que correr, pra rezar pros deuses do print-screen.

A editora Abril revela seus notáveis conhecimentos jeográficos.

O site da supracitada afirmou que o goleiro Bruno esteve num motel na cidade de Contagem, na grande…. São Paulo!

Mal posso esperar pra saber qual cidade da Grande São Paulo foi acidentalmente transferida para a Grande Belo Horizonte…

Ainda bem que a editora Abril não está se aventurando no ramo de publicações pedagógicas, né?

Ah, sim! Muito obrigada ao Manoel por me enviar esta pérola por e-mail! :D



Acentos separados, por favor…

julho 16th, 2010

Comprei passagens aéreas pra primaiada vir me visitar aqui em Brasília. Porque, né? Ninguém na família sabe andar de vassoura e tals.

Em conversa pelo MSN com a prima, confirmei a compra das passagens. E ela me perguntou:

- Os acentos são juntos?

Fui obrigada a responder:

- De forma alguma! Acento é um por palavra! Num exagera, menina…

Tivesse ela me perguntado

- Os assentos são juntos?

Eu teria respondido, ato pronto:

- Claro que sim! Janelinha e corredor, fileiras 8 e 9, lado direito!

Mas eu sou uma mala, mesmo….



Interpretando textos com a Madrasta do texto Ruim – aula nº 2: objetivando analisar observações acadêmicas

julho 14th, 2010
Este post é um serviço público especialmente dedicado à Aninha Arantes.
Ela acaba de pedir auxílio para uma breve interpretação de texto. Que, como vocês poderão ver, deve ser analisado a partir de suas entrelinhas – até porque as linhas estão meio nebulosas.
Enfim, eis o que o diletíssimo orientador de nossa amiga lh’a escreveu:
(…) De qualquer modo, fica uma banca muito redundante. Já sabemos o que todas essas pessoas pensam e já dá até pra prever o que vão dizer [tradução: veja lá o que você vai escrever, hein? tu já sabe que tipo de bosta se passa pelos neurônios desses caras, é uma raça que pensa tudo ingoal, num vai provocar!] (…) mas imagino que os candidatos ficam mais tranquilos com bancas previsíveis do que com uma possível banca imprevisível [E tu ainda reclama? Jogue suas mãos para os céus e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que... (oops, né isso não, é outra coisa). jogue as mãos para os céus e agradeça a dádiva de ter lhe concedido uma banquinha de meia tigela! Agora vai ser facim, facim aprovar!]. E, além disso, não há muitas pessoas imprevisíveis que estejam disponíveis pra uma banca como essa. [só deu pra arranjar professor medíocre. Professor inteligente num quer saber de você, não! E não reclame! Também, com uma banca dessas cê queria o quê?]
Em outras palavras, zifia: os professores bons, que fazem você ralar até o tacho e te obrigam a pensar e fazer um bom trabalho ou não estão disponíveis ou fizeram pouco caso do seu trabalho. durma com um barulho desses.
Mas aproveite que com essa banquinha de meia pataca você será aprovada facim, facim! E não reclame, não! Levante as mãos aos céus e dê Graças a Deus porque, pelo visto, essa banca que ssuncê descolou foi o melhor que pôde lhe acontecer!
Mas seria o caso de perguntar ao prófi o que que ele pensa que se passa pelos seus neurônios…
Certa de ter colaborado para tão importante esclarecimento, subscrevo-me.


Somatório diferenciado traz novo conceito em pesquisa e inaugura um novo olhar matemático sobre as eleições presidenciais (Ah, eu não resisto) ou PORRA, IBOPE!

julho 3rd, 2010

NAONDE QUE 39+39+10+6+7 = 100 ?!?!!?!?!?!

Taqueopa… vou ter que dar aula de matemática de novo, é?

OK, crianças. Esta é mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa. Se você ainda não sabe o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. Último item. Mas volte logo, por favor.

Pra começo de conversa, jornalista deve ser isento. Se, por algum acaso, ele resolve não ser mais isento, deve pelo menos disfarçar a cara-de-pau de forma eficiente, eficaz e matematicamente confiável, ou a casa cai.

Ou isso ou ele deve ter competência o suficiente pra apontar possíveis erros de apuração, e descobrir onde está o erro, por que o erro foi cometido, e como corrigir.

Porque, né? Instituto de pesquisa é uma coisa (não achei palavra melhor pra definir. Se você achar, os comentários aí embaixo são a serventia da casa!) que se respalda por números. E número é outra coisa que não suscita muita dúvida (Se você pensou em dizer “Os números não mentem jamais”, faça-se o favor de parar de pensar em clichês!). Pra manipular números, é bom pelo menos saber o que e como fazer.

Daí eu digo que se o erro não foi do Ibope, os cabras do G1 precisam trabalhar com uma calculadorazinha dando um rélpi, sabe? (diquinha da bruxa: clique em “iniciar” no windows, e digite “calc” na linha “executar. Tcha-ram! uma calculadora con-fi-á-vel!!)

Senão, vejamos o que diz esta pesquisa aqui:

Pesquisa Ibope mostra empate entre Serra e Dilma, ambos com 39%
Tucano tinha 35% no levantamento anterior. Dilma estava com 40%.[tá. o legal aqui é mostrar o crescimento do Serra e a queda da Dilma. Um cresceu três pontos percentuais, e a outra caiu um. Então, tá. Mas com isso outro monte de número cai no meio deste melangê de jenessequá matemático. Há quem diga que esses números ajudam o leitor a entender (sic) e comparar o crescimento / queda dos candidatos blablabla whiskas sache blablabla. Eu acho que confunde. Se for pra esclarecer, faz um gráfico e não enche o saco, pô!]
Marina Silva (PV) aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos.
(…)
Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo[Tem sempre um mané pra endossar a esparrela...], aponta empate em 39% entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.[começaram a calcular? Seguinte: a soma de todos os percentuais aqui tem que dar 100, a despeito da margem de erro para mais ou para menos, OK?]
(…)
Marina Silva (PV) se manteve em 9% nas três pesquisas desde abril e agora tem 10%. Com a margem de erro, estaria entre 8% e 12% [quatro valores distintos aqui pra confundir inda mais nossas cabecinhas. Mas o número a ser anotado lá embaixo é 10. É quanto a Marina conseguiu nesta pesquisa. próximos números, por favor!]. Brancos e nulos somaram 6% e indecisos, 7%.[Ou seja, temos 39+39+10+6+7.]

Daí, a gente soma (pegue você também sua calculadora, pra ver se a soma sai diferente aí. Se sair, me avisa, por favor!!!!)

39+39+10+6+7 = 101 CENTO E UUUUUUUUUUUUUMMMMMMM

E se você ouvir o Ibope dizer que “esse resultado é perfeitamente factível (querem apostar quanto que a expressão factível estará no comunicado do Ibope?) dada a margem de erro de dois pontos percentuais”, esqueça. Essa margem de erro é a diferença entre o valor apurado pela pesquisa do Ibope e o suposto resultado de uma ainda mais suposta eleição que fosse realizada no período de apuração da pesquisa. Com margem de erro de dois pontos percentuais ou de cinquenta e nove pontos percentuais, os valores apurados no resultado de uma pesquisa eleitoral têm que somar 100 pontos percentuais. Porque os  números não mentem jamais (Pronto! Enfiei seu clichê aqui!).

Ou isso ou a álgebra foi comprada pelo mensalão do governo. Quer dizer, tá tudo dominado…

[Ai, que vergonha dos coleguinhas...]



Mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa: por que o jornalismo esportivo não precisa ser machista.

julho 3rd, 2010

Eu pensei em intitular este post “Porra, SporTV!”, mas lembrei-me a tempo de que trabalho em ambiente WordPress, e não Tumblr.

Enfim. Essa __ aula de jornalismo para a __ imprensa foi inspirada neste post daqui. Que, diga-se de passagem, é de um blog de altíssima estirpe. Recomendo. (Só não entendi o porquê de “Somos andando”. Mas acho que pouca gente entende o porquê de Objetivando Disponibilizar, então deixa prá lá, né?)

Tô aqui que sei nem por onde começar. O lead (aquelas seis perguntinhas que todo jornalista deveria responder para compor a história da notícia a ser relatada: quem, o quê, onde, quando, como e por quê) vai ajudar pouco, mas eu vou tentar seguir por esse caminho.

Vergonha. Muita vergonha. E o pior é que, quando esse “material” ficou pronto, o editor deve até ter elogiado. Mas vamos ao ocorrido: o SporTV não tinha mais o que fazer pra encher lingüiça em 24 horas de programação sobre Copa do Mundo em dois canais. Descobriu uma tal torcedora paraguaia que disse que se o Paraguai chegasse à semifinal da copa ela iria ficar pelada blablabla whiskas sachê blablabla. algo que nenhuma brasileira faz, né?

Daí um jênio do SporTV teve a brilhante idéia de fazer uma edição com o que o Paraguai tem de melhor. Taí em cima. Por sua conta e risco, tá? Ainda assim, eu lhe desafio a encontrar UMA notícia, UM fato concreto nesse vídeo repleto de preconceito , além do fato de dona moça paraguaia prometer ficar pelada.

O vídeo é um desfile de preconceito contra o país Paraguai. Se ainda houvesse a “licença poética” de que é um país com quem temos rivalidade de longa data no futebol, caso da Argentina, até passaria, com muitas ressalvas. Mas não. O vídeo é uma seqüência de estereótipos, preconceitos e arrogâncias montado por alguém que, com toda a certeza do mundo, jamais esteve no Paraguai.

E, para contrapor o preconceito nacional, o vídeo se vale de machismo. A única coisa que vale a pena no Paraguai, segundo o SporTV, são os fartos seios de dona moça que jurou peladices públicas. Isso em pleno século XXI.

Bom gosto? Não trabalhamos, não senhor!

Eu poderia continuar aqui com um discurso moralista, indignado e talz. Mas não. Se os jênios responsáveis por cometerem essa edição forem capazes de justificar de forma inteligente e racional o propósito desse vídeo, calo-me a boca. Afinal de contas, a dona juradora de peladices o fez por livre e espontânea vontade, etc. e talz.

Mas imagine você, brasileiro, se uma rede norte-americana de TVs dedicadas ao jornalismo esportivo resolvessem, por exemplo, fazer uma reportagem sobre a seleção brasileira de futebol americano e de sua campanha na copa do mundo do referido esporte, e justificassem a história mostrando mulher pelada, muitos brasileiros iriam se ofender, né?

Foi o que aconteceu com os paraguaios. Estão fulos da vida. com toda a razão.

No dia em que os engraçadinhos entenderem que jornalismo de qualidade é feito com respeito a seu público e à sociedade em gera, talvez o nível de seu raciocínio melhore. Talvez eles entendam que, em pleno século XXI, quem se interessa por futebol não necessariamente está interessado em ver mulher pelada – ou, pelo menos, entende que machismo é coisa do século passado. Não entender isso é ater-se ao passado, é não evoluir.

Além do quê, um vídeo desses só deixa claro que quem pensou nessa edição a fez com idéias tacanhas, restritas, menores, subdesenvolvidas. E antigas. Tão antigas que foi incapaz de vislumbrar a possibilidade de o vídeo em questão parar na Internet para ser fruto de lamentações, críticas e chacotas – coisa que só não acontecia no século passado.

E pensar que o Brasil já teve uma das melhores imprensas do mundo…. que vergonha, meu Deus, que vergonha!

Quero só saber NAONDE que isso é jornalismo. Ou NAONDE que isso é informação.



Quando os fatos aclamam a criação de uma nova categoria

julho 1st, 2010

Gente, foi maior que eu. Maior que minha opinião. Maior que o fato em si. Maior do que a cagada em si.

Eu vinha apenas ameaçando criar essa categoria. Mas, como diria Chrissie Hynde, foi uma circumstance beyond my control, quer dizer, um fato que escapou ao meu controle. Não me resta mais nenhuma alternativa.

Sou OBRIGADA a criá-la.

Eu ainda esperei UM DIA INTEIRO pra ver como é que a coisa iria se concluir. (O erramos nesses casos é extasiantemente divertido)

O curioso é que, desta vez, não houve nenhum erro de português. Nem de lógica redacional. Foi apenas um erro operacional. E que erro.

Pensando bem, o problema não foi nem o erro em si. Bostas acontecem.

O problema foi O PAÍS INTEIRO COMENTAR DO ERRO CRASSO E ELA NEM TCHUNS PRO QUE ACONTECEU.

O problema foi PUBLICAR ANÚNCIO DE UM PATROCINADOR OFICIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA LAMENTANDO UMA ELIMINAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU.

O problema foi O CLIENTE TER QUE FALAR MAL DA EMPRESA PRA DEFENDER A PRÓPRIA IMAGEM E ESSA EMPRESA NEM TCHUNS.

O problema foi O TWITTER INTEIRO COMENTAR O OCORRIDO E A EMPRESA NEM TCHUNS.

E, não satisfeita em publicar este anúncio

lamentando a eliminação do Brasil pelo Chile, quando o Brasil VENCEU O JOGO POR 3 X 0 E ELIMINOU O CHILE, ao invés de publicar este anúncio daqui

que comemora mais uma vitória da seleção brasileira, os JÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊNIOS responsáveis pelo ocorrido se dão por satisfeitos com a publicação, VINTE E QUATRO LONGAS E INTERMINÁVEIS HORAS DEPOIS de a desinteria ter ocorrido, do seguinte pedido de desculpas:

Comunicamos que erramos [Não diga! vocês erraram, é? Descobriram quando? O país INTEIRO DESCOBRIU UM DIA ANTES, CÁSPITA!!!!] na publicação do anúncio do Extra [e ainda fazem sem um mínimo de touché! "Erramos na publicação do anúncio dos supermercados Extra", Folha! Explica que Extra é esse, seja específica, clara, não dê mais margem a duplas interpretações!] , referente ao resultado do jogo entre Brasil e Chile, publicado por este veículo de comunicação no dia 29 de Junho de 2010, página D11[tá bom. Eu perdôo o excesso de vírgulas. Esperar que alguém leia esse texto de forma racional e pausada é pedir demais, né? 'Bora arfar até o ar faltar!] . Ao invés do anúncio de vitória do Brasil, foi publicado, equivocadamente, anúncio citando a derrota [que tal "anúncio citando uma derrota que não ocorreu"?]. Lamentamos o ocorrido.
Departamento Comercial da Folha de S.Paulo.”

Seres humanos são passíveis de cometer erros. A publicação equivocada de um anúncio, por mais desastrosa que seja, é fato a se lamentar e a se corrigir. Só que, em tempos como os d’hoje, em que os fatos são comentados por milhares de cidadãos anônimos na hora em que eles acontecem, o reconhecimento do erro e a retratação devem ocorrer o mais rápido possível, pra se reduzir ao extremo a repercussão negativa do erro. O Extra e o Abílio Diniz foram brilhantes no uso do Twitter para lamentar o ocorrido e preservar a imagem institucional da empresa. Ponto positivo.

O erro maior da Folha de SPaulo não foi ter publicado o anúncio que não devia. O problema foi demorar mais que demais para reagir ao erro lamentável e aos comentários negativos que seu nome e sua imagem institucional sofriam nos meios on-line. E, na hora de abrir a boca, o fazer de forma seca e fria, depois de o país on-line ter comentado o fato de forma bem calorosa. Ponto negativo.

E é por tudo isso que eu me limito a anunciar o nascimento espontâneo de mais uma categoria neste caldeirão:

PORRA, FOLHA!!!



O índio militar, ou o dia em que o R7 capitulou

julho 1st, 2010

Ó, tô de luto. Tô com desgosto da vida. Culpa do R7. E também do Serra. E do DEM. E do PSDB. Ah, do mundo!

Vocês sabem o quanto eu me orgulhava do portal da Rede Record, né?

Pois é. Hoje meu mundo caiu.

Olha a tetéia digna de UOL que o R7 me aprontou aí em cima!

Porra, R7! isso é coisa que se faça?!?!?!!? A formação é de CARTEL, CAR-TEL!!!

Quartel num tem nada a ver com isso daí de cima, não, pô!!!

Falaê, tio Antônio!

Cartel
n substantivo masculino
1 carta que se envia a alguém para desafiá-lo; provocação
2 mensagem pública; anúncio, aviso, cartaz
3 relação de vitórias, títulos ou premiações obtidos por uma pessoa, uma entidade ou uma obra
Ex.: o c. de um lutador de boxe
4 Rubrica: comércio.
acordo comercial entre empresas, visando à distribuição entre elas das cotas de produção e do mercado com a finalidade de determinar os preços e limitar a concorrência
5 Rubrica: termo militar.
acordo realizado entre chefes militares beligerantes relativo à troca de interesses, em particular à troca de prisioneiros

Quartel
substantivo masculino
1 a quarta parte de um todo; quarta
Ex.: poupa anualmente um q. de seu salário
1.1 Derivação: frequentemente.
a quarta parte do ano; trimestre
1.2 Derivação: frequentemente.
a quarta parte de uma semana de trabalho
2 qualquer espaço de tempo; período, época
Ex.: costumavam reunir-se no último q. do dia
3 Rubrica: metrologia. Regionalismo: São Paulo.
alqueire (‘unidade de medida agrária’)
4 Rubrica: termo de marinha.
cada uma das seções desmontáveis de assoalho, tampo ou plataforma de uma embarcação
5 Rubrica: termo de marinha.
seção de amarra, de 12 ou 15 braças de extensão
6 Rubrica: termo de marinha.
m.q. alheta (‘parte curva’)

Mas acho que isso é vingança de tucano, viu? Pô, tava aqui gargalhando com a saga brancaleônica dos tucanos em busca de um vice-presidente pra compor a chapa com o Serra! O festival de piada pronta fervia meus neurônios! Primeiro foi o vice Dias que durou algumas horas; depois, geral começou a dizer que não há vice como Rubinho Barrichello. Tava quase apostando que o PSDB iria desistir do Brasil e chegar a Aurocastro (Não entendeu a história de Aurocastro? então, clicaqui. Mas eu recomendo mesmo clicar aqui e ver o filme todo. Imperdível. Até porque eu tenho cer-te-za que, no final do filme, você vai gritar: “Gente, o Brancaleone é o meu chefe!!!”).

Daí os tucanos vêm e rogam praga pra eu ficar com desgosto.

Magoei.



As datas aprazadas e a efetuação da cópula

junho 29th, 2010

Daí que eu me lembrei desta historinha que aconteceu há algumas eras com um certo marido, e tenho que compartilhá-la por aqui…

Estava o tal do marido a atualizar o site da empresa onde ele trabalhava. Ele precisava incluir informações sobre pagamentos de dívidas blablabla whiskas sache blablabla. O público-alvo da e-missiva (adooooro essa e-xpressão! :D ) eram autoridades que, embora autoridades fossem, não eram lá muito amigas do vernáculo. Amebas, portanto.

E o que me abespinha nessas horas é perceber que ameba é uma raça que não sabe se inter-comunicar. Elas têm uma dificuldade de conversarem entre si que é uma coisa. Pensando bem, não fosse assim não seriam amebas, né?

Maseutavafalandode… ah, sim! O texto que o tal do marido recebeu! Foi sofrivelmente escrito por uma ameba escrevente, cheio de gerúndios e clichês e, lá pelas tantas, falava em pagamento dos títulos nas “datas aprazadas”.

Tá certo que aprazar é verbo registrado por tio Antônio, que diz que:

Aprazar
n verbo
transitivo direto
1 marcar (tempo ou prazo) para realização de alguma coisa
Ex.: resolveram a. imediatamente o encontro
transitivo direto e bitransitivo
2 restringir, delimitar (o prazo, a duração) de
Exs.: era preciso a. o fim da obra
aprazou um ano para o término da dissertação
Mas se você pensar direitinho, e com a cabeça do público-alvo do texto (/amebas), chegará à conclusão que esse verbim daí não é de muita felicidade, não. Inda mais se o leitor em questão tiver inteligência suficiente para  entender que a palavra em questão foi fruto de um erro de digitação: em vez de aprazadas, deveria ser atrazadas. Porque, claro, atrazado se escreve com zê, né? (NÃO! É COM ÉSSE!!)

Então, o marido em questão resolveu trocar a expressão “datas aprazadas” por “datas combinadas”. E o autor do texto, ao refazer a releitura da redação antes de a bendita ser carregada para a página da empresa, voltou para a expressão original: “datas aprazadas”. E justificou:

- Isso é uma expressão técnica. Quem lê tem a obrigação de entender isso.

Argumento falho, fraco e errado, por alguns poucos mas excelentes motivos:

1- A obrigação maior e principal para a compreensão do texto é a do autor da redação. É ele quem tem que se fazer entender, sem dar margens a duplos sentidos ou duplas interpretações. Se você disser “bolinhas amarelas” e o seu leitor entender “listras azuis”, o erro foi principalmente seu por não saber como fazer o seu leitor entender “bolinhas amarelas”.

2- Aprazar não é expressão técnica. É apenas um verbo metido a besta, que pode – e deve – ser substituído por outro de maior clareza sempre que possível.

Mas o marido em questão não tinha autonomia pra alterar o texto. E a missiva em questão foi levada à página web da empresa com a expressão rococó empolêixon “datas aprazadas”.

Cansado, triste e frustrado, o marido em questão desabafa com a mulher, que costuma exorcizar textos mal-escritos (disse que fui eu? Então, não conclua coisas que eu não disse, detetivões! :P ), e conta a história de “datas aprazadas” ter virado “linguagem técnica”.

A esposa do marido, então, ensinou-lhe o seguinte:

- Meu amor, da próxima vez que alguém insistir em enfiar linguagem técnica onde não deve, diga a essa pessoa: “Fulano, efetue cópula”. Daí, quando o Fulano perguntar o que é “efetuar cópula”, você explica que é “vá se foder” em linguagem técnica…

Infelizmente, o marido nunca disse isso pro autor das “datas aprazadas”. Ah, o excesso de educação….

;)



Azenha e o lugar-comum

junho 26th, 2010

Curti muito esse texto do Luiz Carlos Azenha. Foi originalmente publicado aqui. Reproduzo-o no caldeirão, devidamente autorizada (\o/)  pelo autor. Mas vou voltar à questão em outro post. Ainda há muito o que se escrever (e se exorcizar) de e sobre o lugar-comum!

Detonando o lugar comum: Camisa não ganha jogo
por Luiz Carlos Azenha
Minha carreira começou no esporte. Eu ainda era menino quando assinava uma coluna, chamada Síntese, no Jornal da Cidade de Bauru. Era um resumo dos resultados de competições que não cabiam na página principal de esportes: campeonato internacional de xadrez (nos tempos de Karpov e Mequinho), de automobilismo (Carlos Reutemann e Emerson Fittipaldi), de tênis (Martina Navratilova, Thomas Koch e Bjorn Borg). Meu grande prazer, nesta época, era entrar no quarto escuro para revelar as radiofotos que chegavam via United Press International. Era inacreditável ver aquelas imagens feitas algumas horas antes em Nova York, Moscou ou Berlim.
Experimentei na pele o desprezo dos “jornalistas sérios” em relação aos assim chamados “cronistas esportivos”. Voltei a atuar no ramo bem mais tarde, como repórter da Fórmula Indy, viajando o mundo. Reconheço que é uma luta evitar o lugar comum e que me rendi muitas vezes à cobertura esquemática, aquela em que você confunde o esporte com as emoções pessoais dos competidores, um truque conveniente quando se trata de atrair o público. É o que chamo de “personagismo”.
Ao olhar em retrospectiva, no entanto, fico pasmo de ver a longevidade de alguns destes lugares comuns da chamada “crônica esportiva”. Essa história de que camisa ganha jogo, por exemplo. Ouço isso desde a Copa do Mundo do México, em 1970, quando ainda não trabalhava no jornal. Ouvi isso nas copas que cobri pessoal ou indiretamente (1990, na Itália; 1994, nos Estados Unidos; 1998, na França; 2002, com reportagens especiais na Índia, Serra Leoa, El Salvador e Honduras; e 2006, em Gana).
Diz-se que esta ou aquela seleção ganha jogo por conta meramente da tradição. Do peso da camisa. Um lugar comum derrotado espetacularmente na Copa da África do Sul, quando a campeã mundial e a vice foram eliminadas ainda na primeira fase.
Aceito que existam “escolas de futebol” distintas e que a força destas escolas seja maior ou menor, dependendo da geração de jogadores. Há escolas, como a do Uruguai, que às vezes mergulham em sono profundo, para renascer mais adiante. Há escolas que surgem e se consolidam, como parece ser o caso agora dos Estados Unidos e do Japão.
Mas a ideia de que uma simples camisa ganha jogo é tão absurda que deveria pertencer à categoria do “sobrenatural de almeida”, o personagem de Nelson Rodrigues que salvava goleiros, defendia pênaltis e fazia gols no Maracanã. Só aceitamos este absurdo porque estamos anestesiados pela quantidade de idiotices e lugares comuns que nos são servidos cotidianamente sob o rótulo de “jornalismo esportivo”. Pelo menos lá atrás, no tempo do Nelson Rodrigues, os cronistas e narradores edulcoravam suficientemente os jogos a ponto de fazer um Juventus x Noroeste parecer um confronto de titãs na rua Javari.
A televisão acabou com os gols espetaculares, os dribles mágicos e os ataques infernais narrados pelo Fiori Gigliotti (“Conhaque Presidente, uma bebida quente, uma dilícia de conhaque”) e nos deu, em troca, estatísticas sobre quantas vezes o jogador cospe em campo. O lugar comum, este é o mesmo desde quando o Noroeste era escalado assim: Roque, China, Tecão, Araújo e Dé; Lorico e Zé Mário; Jáder, Zé Rubens, Rodrigues e Julinho. Se tradição ganhasse jogo o Noroeste, que é de 1910, seria campeão brasileiro.




Dez-classificação

junho 23rd, 2010

Sério….

às vezes eu fico pensando se os cabras do UOL fazem isso só pra aparecer aqui…

Dezclassificados? Desclassificados?

Tá certo que trocadilho não se cala, mas quando o dito leva a interpretações opostas, num rola, né?

PORRA, UOL! PORRA!



Mundial de futebol ou volta ao mundo?

junho 19th, 2010

Tá bom, eu sei que quando um evento é muito longo, todas as notícias por ele geradas tendem a ter as mesmas palavras, e é função do jornalista variar um pouquinho os verbos pra que o troço não fique ainda mais repetitivo do que já é.

Mas daí a

Parece que estamos falando de, sei lá, volta ao mundo de barco…

Claro, a manchete é do UOL…



The funhanhation

junho 16th, 2010

Dominada e rendida que estou com caixas de mudança em minha nova residência, agora no Planalto Central, eu meique deixo amebas escreventes e ectoplasmas suínos se digladiando por aí sem minha intermediação, porque como vocês já sabem, meus poderes limitam-se apenas ao exorcismo do português meia-boca. Quisera eu ser uma Samantha Stevens, mexer meu nariz e ter minha casa limpa, arrumada e em ordem. [Suspiro].

Mas deixemos divagações de mudança de lado, porque eu a-mei a expressão que a candidata do PT à presidência da República, Dilma Roussef, abiscoitou do locutor da Rádio Planeta Diário, de São José dos Campos. Como você podem ver neste link aqui (da folha, malzaê…), por inspiração do locutor da rádio (Planeta Diário, já é uma piada pronta…), dona ex-ministra disse que o presidente Lula assumiu um país funhanhado.

A sonoridade da palavra é deliciosa.  Bem brasileira mesmo. Mas que diabos esse troço significa? Tio Antônio fez cara de ué (outra expressão deliciosa e irretocável, também abiscoitada por dona ex-ministra do locutor da rádio) pra mim. Quem resolveu o dilema foi o senhor Google, que me forneceu este link.

Então, se funhanhado significa leso, estragado ou amasiado (Fulano está funhanhado com fulana), essa expressão é prima do trubisco e do fuzilico, lembram?

Daí que eu sou obrigada a defender dona Dilma neste meu caldeirão. Estou desde o início do ano torcendo por uma derrapada de dona candidata com a Língua Portuguesa, pra que ninguém me acuse de ser contra o Serra. Não tenho culpa se quando o candidato do PSDB fala ou ele é defendido por jornalistas smartões ou ele dá detalhe com a Flor do Lácio…

Por isso, tenho que discordar do Augusto Nunes, que afirmou que a “Dilma não domina nenhum nível do idioma”. Naonde que ele concluiu isso? Olha, a Dilma sabe, sim, falar português fluentemente… Não tenho provas contra ela, e olha que eu tô atrás, viu?

No mais, antes de falar mal do português dos outros, legal mesmo é fazer um título mais claro e com menos palavras, né não?

Porque o título

UOL explica que Dilma disse ‘funhanhado’ e Celso Arnaldo desvenda mais um mistério

Embaixo da “seção direto ao ponto” nada mais é que uma piada pronta… a notícia é sobre quem, zifio? UOL, Dilma, Celso Arnaldo, funhunhação, declaração  ou mistério? Escolhe, pô!

Título mais funhanhado, credo…. :D



Objetivando bater as tchecas (Oi?)

maio 29th, 2010

Daí você está quieto, calmo, tranquilo, na sua, navegando e respirando, com neurônios quase a zero, e dá de cara com essa manchete:

Juliana e Larissa batem tchecas e vencem a segunda na etapa de Roma

Tem como não pensar em besteira?

MasAntes que seus neurônios continuem a se inflamar em conjecturas de duplo, triplo, quádruplo sentido, você começa a ler a notícia. E descobre que…

As brasileiras Juliana e Larissa passaram por mais um desafio na etapa de Roma do Circuito Mundial de vôlei de praia. Na manhã desta quarta-feira, a dupla venceu as tchecas Klapalova e Hajeckova por 2 a 0 (parciais de 21-13 e 23-21) em 38 minutos de jogo.

…você tem a mente imunda.

Agora, adivinha de onde veio essa notícia? Dica: de um portal que começa com U e termina com OL…



Língua Portuguesa 0 X 0 Mancheteiro do UOL Esporte

maio 28th, 2010

Ah, o dialeto futebolês… inda vai me irritar muito este ano!

Ó só o que o  UOL esportes cabou de aprontar:

Vasco reage no 2º tempo, vira para cima do Inter e traz paz a São Januário

Vira pra cima? Traz paz?

NAONDE QUE ISSO É TEXTO BEM ESCRITO? NAONDE?!?!?!?!



…noves fora não chega a meia

maio 28th, 2010

Ainda da resenha do livro daí de baixo:

0,4 é a média de letras da palavra na frase de língua portuguesa.

Ou eu não entendi direito (grandes novidades! Texto da Folha, dona Bruxa! Parece que não aprende…) a coisa ou o texto diz que, em média, as palavras em frases escritas na Língua Portuguesa não conseguem chegar nem a meia letra!

Pobrezinha da Língua Portuguesa! Além de inculta é bela é incompleta? Ela não é nem maneta nem perneta, é… letreta?

Eu sei. Foi péssima.



(cof, cof) Fórmula mágica (cof, cof) para escrever um texto (cof, cof, cof) per-fei-to (morri de tuberculose)

maio 27th, 2010

Me lembrei na hora deste trecho do filme Sociedade dos Poetas Mortos (aos 2 minutos mais ou menos), em que o professor interpretado pelo Robin Williams manda os alunos rasgarem a parte do livro que ensina como identificar o nível de excelência de uma poesia. Tudo bem que a reação do personagem do Robin Wiliams é digna, mas se professora de português e literatura fosse, eu ensinaria meus alunos a rirem da cara do sujeito que escreveu tal baboseira.

É mais ou menos o que eu vou fazer aqui com meus diletos leitores. Porque é possível sempre absorver alguma coisa positiva deste livro, né?

Primeiro, vamos separar as dicas realmente aproveitáveis das autoras:

1- Frase curta é o que há. Deixa o texto simples e claro, e não embola azidéia no meio da frase.

Eu vou, inclusive, provar para vocês que um texto entremeado de vírgulas, dispostas de forma a separar as idéias de cada frase, não é uma boa idéia para se construir um texto, porque você vai acabar socando um monte de idéias e conceitos, todos juntos numa mesma frase e, lá pelas tantas, vai acabar precisando de um gerúndio pra ligar uma idéia à outra e, se bobear, você ainda caba falando, dentro da mesma frase, de coisas que não têm nada a ver, como o pênalti que o Baggio perdeu pro Brasil na copa de 1994, que deu o título de tetracampeã à seleção canarinha.

Entenderam que vírgula não é uma boa idéia? Prefira o ponto, zifio. O ponto diz pro seu leitor dar uma paradinha na leitura. Essa paradinha ajuda ele a processar a informação recém-lida. Algo comparável ao botão de enter do computador.  Com isso, ele apreende seu texto em doses homeopáticas. E não vai pensar que a vírgula do Baggio entremeada na construção do texto deu o tetracampeonato à seleção canarinha, por exemplo.

2- Adjetivo é legal quando o texto não é jornalístico. Mesmo assim, deve ser usado com parcimônia. Isso vale, por exemplo, pra textos corporativos.

Infelizmente, não tenho em mãos o exemplo mais genial de texto repleto de adjetivos. Está no meio dos caixotes da mudança. Trata-se da coletânea de tirinhas do Fagundes, o puxa-saco. Assim que eu encontrar esse texto, copio ele aqui. ele deixa bem claro que o abuso de adjetivos deixa seu texto (e sua idéia) um tanto ou quanto ridícula. Fico na dívida para com meus diletos leitores.

3- Assim como frase cheia de vírgula, frase cheia de polissílabos (palavras com quatro sílabas ou mais) também não ajuda. O exemplo clássico é a frase que motivou a criação deste blog: objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando, (blablabla wiskas sachê blablabla).

Escreva o texto de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Por mais que seu texto vá preencher as páginas de sua monografia de conclusão de curso, escrevê-lo de forma simples vai mostrar ao seu professor, por exemplo, que você não só domina o assunto sobre o qual está escrevendo como consegue explicá-lo sem grandes firulas. Fiz isso com uma prima que me pediu pra revisar a monografia do curso de ciências contábeis. O texto tava cheio de frases do tipo objetivando disponibilizar.  Expliquei a ela como simplificar o texto:  ”empregue na construção do seu texto as palavras que você usaria pra explicar o assunto para a sua sogra durante uma partida de canastra.”  Ela seguiu o meu conselho e, modéstia à parte, tirou dez no trabalho. (A vaca nem pra me convidar pra formatura, mas deixa prá lá. Sei que já espalhei o bem por aí.)

Mas, oh, carambolas, este texto tá positivo e educativo purdimais. Vamos pro recreio, criançada!

Comecei este post pra falar do livro A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto. O livro é meio surtado, sabe? Lá pelas tantas, ele ensina como (cof, cof) mensurar (cof, cof)  a (cof, cof) excelência (cof, cof) de um texto. Vou citar a resenha do livro:

Um trecho interessante está na página 51 [piada pronta. O trecho interessante está na página 51. Mal posso esperar pra ler a página 24 - ou a 69...] , na qual as autoras ensinam como testar a legibilidade de um texto [caaaaaalma! Respira fundo e continua a ler a coisa! você vai rir mais!!!]. Elas reproduzem uma receita do jornalista Alberto Dines.
São seis passos: 1. Conte as palavras do parágrafo. 2. Conte as frases (cada frase termina por ponto) [viram, crianças? cada frase termina por ponto! Não confunda: o ponto é este sinal: .  Já a vírgula é este daqui: , Se aparecer este sinal, não é fim de frase, viu? OK, parei de zombar!] . 3. Divida o número de palavras pelo número de frases [Ah, você inda num pegou a calculadora?]. Assim, você terá a média de palavra/frase do texto. 4. Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos [Agora, comece a cantar: e todos dançam o pega, estica e puxa / e viva a festa da Xuxa! Melhor trilha sonora não há!] . 5. Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa). 6. O produto da multiplicação é o índice de legibilidade [A esta altura, você já chegou naquela parte que diz: O dengue conta de um até três, as brincadeiras começam de uma vez, e se perdeu na conta, né? Ah, puxa, que pena... malzaê por tirar a sua concentração, viu?].
[Pensa que acabou? Nãããããããããoooo!!! Aqui tem a análise dos resultados da sua conta: ] Possíveis resultados: 1 a 7: história em quadrinhos. 8 a 10: excepcional. 11 a 15: ótimo. 16 a 19: pequena dificuldade. 20 a 30: muito difícil. 31 a 40: linguagem técnica. Acima de 41: nebulosidade.
O livro dá exemplos práticos da eficácia desse teste: “Se o resultado ficou acima de 15, abra o olho. Facilite a vida do leitor. Você tem dois caminhos. Um: diminua o tamanho das frases. O outro: mande algumas proparoxítonas dar umas voltinhas por aí. O melhor: abuse de ambos.” [Eu indicaria mais dois caminhos: a) o texto ficou uma bosta. Joga fora e começa do zero, é o melhor a se fazer; b) esqueça a calculadora e abra um dicionário. Ele costuma ser um grande companheiro de redações e redatores. Outro excelente auxiliar na redação de um texto é o Manual de Redação e Estilo do Estado de SPaulo. A única coisa prestável produzida pela empresa do clã dos Mesquita.]

Mas esse texto prima mesmo é pelo conjunto da obra de piadas prontas. Pensa que o melhor do livro é o fato de ele começar a ficar bom na página 51 (hic! :D )? Claro que não! O melhor dele é descobrir que você pode comprá-lo na… Livraria da Folha – o Eliéser dos jornais impressos brasileiros…

É uma piada pronta atrás da outra…

Se a coisa continuar nesse nível serei obrigada a criar uma nova catiguria no caldeirão: PORRA, FOLHA!

Antes de terminar este post, mais duas observações. A primeira: PORRA, ALBERTO DINES!!! NAONDE QUE VOCÊ TIROU ESSA IDÉIA DOIDA DE CÁLCULO DE LEGIBILIDADE DE TEXTO? PÁRA DE TOMAR CHOPE COM ENGENHEIRO PORQUE ESSA RAÇA NÃO SABE ESCREVER DIREITO, CARA!!!!

A segunda: Meus agradecimentos ao Cardoso pelo link enviado.



Objetivando modernizar (ou Porra, Folha!)

maio 23rd, 2010

Gente, tadinha da Folha! O Eliézer Ambrósio dos jornais impressos tá perdidinho da silva! Num sabe quemcossô, oncotô, proncovô

Culpa dessa menina Internéte, que desvirtuou o belo caminho dos excelsos jornais impressos brasileiros. Agora, qualquer um tem acesso a qualquer tipo de notícias em qualquer lugar, a qualquer hor… CRISTORREIMESALVA! SAIPRALÁ, CLICHÊ!!!!

Ai, mals aê, galera! É que o texto de apresentação do novo (sic) formato da Folha de São Paulo é de uma ruindade contagiante. Ruindade não no sentido de maldade, é no sentido de troço ruim, mesmo!

As idéias estão concatenadas de forma a se desconectarem, e o texto se conclui num mega-chavão pra deixar bem claro que a Folha é e sempre será essa publicação… por assim dizer… smartona.

Senão, vejamos o texto disponível neste link aqui. E quando você se dá conta de que o autor é simplesmente o EDITOR-EXECUTIVO DO JORNAL a vontade de chorar só faz crescer. Mas vamos lá:

Informação exclusiva de cara nova [Tá bom. Então é só a informação exclusiva que vai ganhar roupagem nova? A informação que sair publicada na Folha e em todos os outros jornais do Brasil - quiçá do mundo - vai ficar com cara velha?]
SÉRGIO DÁVILA
EDITOR-EXECUTIVO [brrrrrrrrrrrrrrrr.... perdão, correu um arrepio por toda a minha espinha agora. só de pensar que o editor executivo do jornal escreve assim... brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]
A Folha mudou [Taí um verbinho perigoso de se usar assim, intransitivo... suscita interpretações mil! Mas deixemos minha ansiedade de lado, dotô Sérgio vai se explicar. (Vai?)]. O jornal que você tem em mãos neste domingo traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil [as entrelinhas dizem: Leitor, você é cego, disléxico e burro. Pra quebrar o seu lado, aumentamos a letra. Na próxima reforma, vamos usar apenas desenhinhos, combinado?]. Os títulos são mais fortes [donde se conclui que os títulos anteriores eram fracos (leia-se uma bosta)] , a hierarquização das reportagens é mais clara [ai, que lindo isso! hierarquização clara de reportagens! É de comer ou de beber? E QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PRO LEITOR, CÁSPITA?!?!?!?!?!?!?!?!?] , a identidade entre os cadernos [impressão minha ou ele disse aqui que todos os cadernos de diferentes editorias são idênticos entre si? ou seja: economia, política e cinema têm tratamento igual? Reparem que nós estamos na TERCEIRA FRASE DO TEXTO!!!] , mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos.[lido nas entrelinhas: já estamos ensaiando a próxima reforma, viu leitor? Os desenhinhos estão ganhando espaço!]
As mudanças também são editoriais. O noticiário político passa a ser agrupado sob o título de Poder, o caderno de economia é rebatizado como Mercado [aproveito para parafrasear Luis Fernando Verissimo e lembrar que os cadernos poderiam se chamar Maria Helena e Luíza Renata, não faria diferença. O que importa é o conteúdo. Cadê o conteúdo? qual a diferença do conteúdo antigo pro conteúdo atual?], Esporte ganha formato tabloide [e isso lá é mudança editorial? zifio, essa informação deveria estar no parágrafo anterior ou, então, retrabalhada aqui, porque você começou este parágrafo com ênfase nas mudanças editoriais - que, diga-se de passagem, inda num deram as caras no seu texto...], menor e mais ágil [COMO ASSIM UM CADERNO É MAIS ÁGIL? ELE CORRE? TEM PERNAS? DOMINA A ARTE DO TELETRANSPORTE?!?!?!?! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH, FUJAM PARA AS MONTANHAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSS], Tec reunirá às quartas-feiras tendências [TAVA DEMORANDOOOO!!! CHEGOU A TENDÊNCIAAAA!!! CADÊ O BONDE PRAS MONTANHAS QUE NÃO CHEGOU, DEUSDOCÉU?!?!?!?!?!] do mundo digital e o jornal estreia um novo suplemento, a Ilustríssima, que trará aos domingos o melhor em cultura, ensaios e reportagens de mais fôlego [é isso aí! Enquanto o caderno de esportes está mais ágil, o caderno Ilustríssima ganha mais fôlego! Mal posso esperar pra saber quem é o personal trainer dos cadernos da Folha!] .
Além disso, 29 novos colunistas passam a escrever no jornal. São nomes como o de Fabio Barbosa, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Banco Santander no Brasil, a atriz Fernanda Torres, que comentará as eleições presidenciais, a jovem escritora Vanessa Barbara, que resenhará programas de TV, e o cadeirante Jairo Marques, um sucesso do meio on-line.
O caçulinha João Montanaro, de 14 anos, levará o traço precoce de seu cartum à nobre página 2 do jornal, onde ocupará um espaço que já foi de Glauco (1957-2010), será vizinho de feras como Angeli e integrará um time de ilustradores que conta com Laerte, Adão Iturrusgarai e Caco Galhardo.
Eles vêm se juntar ao maior e mais eclético [vou poupar meus leitores de piadinhas e trocadilhos com este eclético daí, OK?] grupo de colunistas da imprensa brasileira, nomes conhecidos do leitor, gente como José Simão, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein, Janio de Freitas, Danuza Leão, Mônica Bergamo, Barbara Gancia e Tostão.
A nova forma e o conteúdo renovado são resultado do esforço [pode ser preconceito meu, mas esforço é uma palavra que sempre me remete a prisão de ventre...] de centenas de profissionais, que trabalharam por milhares de horas durante os últimos 12 meses, sob orientação de Otavio Frias Filho, diretor de Redação, seguindo o projeto visual da designer gráfica Eliane Stephan, com a coordenação de Fabio Marra, editor de Arte do jornal, e do jornalista Naief Haddad. [Tá. Mas CADÊ AS MUDANÇAS EDITORIAIS PROMETIDAS, CRISTORREI?!?!?!?!?! Ou vai me dizer que a grande novidade aqui é o personal trainer dos cadernos?!?!?!?!?!]
A mudança acontece num momento em que a Folha promove a fusão orgânica [Alguém desenha, por favor? Como a Folha promoveu esse troço de fusão orgânica? Estou com medo disso... meus neurônios fervilham com as imagens de José Simão se fundindo organicamente com Eliane Catanhêde, ou Gilberto Dimenstein fundindo-se organicamente com Barbara Gancia... tô quase apostando que a Folha misturou Activia nessa fusão! Lembrem-se que esse troço todo é resultado do esforço da galera...] entre suas equipes de jornalistas do meio on-line e do impresso, o primeiro grande jornal brasileiro a fazer isso de fato.[HEIN?!?!?!? OS OUTROS JORNAIS JÁ FUNDIRAM JORNALISTAS?!?!?!?! COMO? POR QUÊ? PRÁ QUÊ?]
A ideia é transformar a Redação num centro captador de notícias que funcione 24 horas por dia e produza informação de qualidade para qualquer plataforma [Grito nº1:  E A FOLHA CHAMA ISSO DE FUSÃO ORGÂNICA?!?!?!?! TRAGAM UM PROFESSOR DE FÍSICA QUÂNTICA, PELAMORDEDEUS!!!! Grito nº2: E SÓ AGORA A FOLHA RESOLVEU TER UMA REDAÇÃO QUE PRODUZ NOTÍCIAS DE QUALIDADE?!?!?!?!!?!?! Meu Deus, será que ela vai conseguir tal feito? Ah, tô aqui na torcida, viu?] , seja ela o papel, que é e continuará a ser a vitrine [#facepalm. Tio, vou desenhar: papel é feito de celulose. Vidro é ooooooooooooooooooutra coisa, feita de sílica. O papel não é vitrine. Aliás, qualquer vitrinista sabe que papel serve pra TAPAR VITRINES. Ai, gente, sério que o editor executivo da Folha de SPaulo escreve com essa clareza âmbar?] principal da marca Folha, o on-line, agora rebatizado de Folha.com, ou em smartphones e tablets, por torpedos e e-mails e o que mais for inventado [quer dizer que até agora o que a Folha vinha fazendo na Internet era obra de amadores?].
[Preparem-se porque o âmago do quemcossô-oncotô-proncovô está no parágrafo que começa agora:] Parte dos textos está mais enxuta, maneira de resumir os acontecimentos da véspera sem fazer o leitor perder tempo e paciência [hhmmmpfff... sério que vocês vão conseguir isso? Ó, na boua, tô torcendo aqui pra vocês, viu?]. Parte está mais analítica [EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPPPPPPPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! A Folha tá bipolar? O texto tá enxuto mas tá analítico? o texto enxuto é resumido e não irrita o leitor, daí vem o analítico pra irritar o leitor, e tirar tempo e paciência dele?!?!?!?!?! Doctor Jeckyll and Mr. Hyde? Ou caberia aqui uma explicação mais delongada, mais pormenorizada, sobre como, onde e por quê (olha o lead aí geeeente!) os textos serão assim e/ou assado, né, senhor-doutor-editor-executivo? Taqueopa....], um dos pilares [iiiiiiiihhhhhhh.... um dos pilares... olha a clichetaria grudando no texto!] do projeto novo, que priorizará a contextualização e a interpretação do fato conhecido. [contextualização e interpretação do fato conhecido! vinte sílabas em seis pomposas palavras pra dizer um troço que é pura obrigação de todo e qualquer jornalista, quer ele escreva prum jornal de renome nacional ou um bilhetinho pra namorada!]
O leitor escolherá seu caminho [Ai, jura? Puxa, obrigada, viu? Cês são legais paca!], o mais rápido, mas de qualidade, ou o mais profundo, mas compreensível [leitura das entrelinhas: caberá à Folha largar o leitor na encruzilhada! Eparrê-iansã!] ; ambos serão contemplados pelo jornal.
Uma coisa, porém, não muda: o compromisso diário da Folha de buscar a informação exclusiva [rufar de tambores... preparem-se para a retumbância tonitruante do chavão dos chavões de toda e qualquer reforma editorial ou visual de veículo de imprensa...] , o furo de reportagem [a expressão cláááááááááááássica que aparece cada vez que surge um novo veículo de comunicação na face da Terra. Não, não é o furo de reportagem.] , o enfoque único [Tá chegaaando! Olha o enfoque único abrindo alas pro Uber-Deus de todos os chavões jornalísticos, gente! (Ai, eu até me emociono nessas horas!) é ele, oooooooooooooooooooo....], o olhar diferenciado [YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! - NOT!]. A matéria-prima do jornalismo de qualidade é a informação única. Que você passa a receber de cara nova.
Novíssima! [Naonde, zifio? Naonde? Esse texto é espuma pura! Cadê o conteúdo?!?!?!?!?!?]
Tá pensando em acordar mais cedo pra comprar jornal com cara nova e notícia velha e bipolar? Dica: puxe o edredom pra cima da orelha, vire pro outro lado e estique o seu soninho. Vai por mim. Cê sai no lucro.
PORRA, FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!!!!


O ciso e o acordo celado

maio 22nd, 2010

Carambolas! Patavinas! Pantufas! Será possível que essas amebas celibritivas não me deixam nem fazer mudança em paz?

Eu tentei ignorar o ciso operado do Luciano Huck no twitter. Esse já é caso perdido, meus exorcismos não têm poder sobre a hortografia pobremática do narigudo marido de Angélica. Mas o fato é que perdi a imagem desse pio, esqueci de orar aos deuses do print-screen na ocasião.

Mas não dá pra ignorar um acordo celado, né?

e o negócio inda tá no ar, aqui!

Alguém avisa ao Yahoo Notícias da existência do verbo selar, por favor?

Selar
n verbo
transitivo direto
1 apor sinete em; marcar
transitivo direto
2 Derivação: por extensão de sentido.
colocar estampilha, selo ou carimbo em
Ex.: s. uma carta
transitivo direto
3 Derivação: por analogia.
reproduzir figuras, estampas etc. em; estampar, imprimir
Ex.: s. um tecido
transitivo direto
4 cerrar, fechar (hermeticamente)
Ex.: s. um cofre
transitivo direto
5 Derivação: por metáfora.
tornar efetivo por meio de um sinal qualquer; confirmar, validar
Ex.: s. um contrato
transitivo direto
6 Derivação: por metáfora.
concluir, pôr fim a
Ex.: s. a tese
transitivo direto e pronominal
7 tornar(-se) sujo; emporcalhar(-se), sujar(-se), manchar(-se)
Exs.: s. a roupa
s.-se com tinta fresca
pronominal
8 aceitar de bom ou mau grado; submeter-se, sujeitar-se
Ex.: s.-se à realidade de uma situação difícil
transitivo direto
9 Derivação: por analogia (da acp. 2). Rubrica: futebol.
m.q. carimbar

Porque, quando perguntei ao Tio Antônio sobre o verbo celar, ele foi bem educado:

Pronto!

Aproveito para agradecer à Gabriela, dileta ectoplasma suína que me enviou o link celado.

Agora, amebas, pelamordedeus, comportem-se, porque eu tenho que acabar a minha mudança!



Mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa: Cala a boca, Magda!, digo, Alexandre Garcia!

maio 13th, 2010

Ti vegônha, tio Alessândi! Ti vegônha!

O negócio foi tão feio que eu sou obrigada a confessar: fiquei com pena do Alexandre Garcia. Hummm… digamos que a raiva foi maior, mas agora deu pena, mesmo.

O ululante comentarista Dazorganizações Globo abriu a boca pra falar (ainda mais) besteira em sua coluna local na CBN Brasília (Aviso: este blog não é patrocinado por remédios contra enjôo e mal-estar. Ao clicares no link fornecido, estarás por tua conta e risco!) e resolveu desancar o parto humanizado defendido pelo governo do Distrito Federal. ele precisava falar mal de alguém, sei lá, acho que acordou com as ventas distorcidas, mas escolheu o alvo errado, e o fez da forma errada.

Disse que parto humanizado é sinônimo de parto de cócoras, e que o GDF não deveria permitir que pais barbudos e sujos de rua entrassem em sala de parto para acompanhar as esposas. Legal, né? Mas como é que ele chegou a essas (cof, cof) brilhantes (cof, cof) conclusões a respeito do parto? Ele é mulher para saber disso tudo? Não que eu saiba. Ah, ele leu e se informou a respeito pra falar sobre parto humanizado e parto de cócoras, né?

Então, vamos pensar aqui como um verdadeiro e responsável jornalista deveria fazer para tecer comentários pertinentes a respeito de saúde:

1- parto humanizado é coisa séria ou é mimimi de ameba natureba? Onde conseguir tal informação? Hummm… será que haveria uma instituição tipo que fosse assim uma Organização Mundial de Saúde, evinculada, por exemplo, à ONU? SIIIIIMM!! É a OMS – ou WHO, do inglês World Health Organization. Ao escolher o espanhol como língua oficial e fazer uma busqueda por parto humanizado, vem uma enxurrada de artigos… DEFENDENDO O PARTO HUMANIZADO!

Como resultado, o barbudo jornalista dazorganizações Globo só recebeu críticas pelo comentário mais que infeliz a respeito do parto humanizado.

Eu poderia citar aqui o mimimi sem conteúdo das amebas naturebas, que o acusam de ignorante, e preconceituoso e etc. e tal – só que o fazem de forma estúpida e preconceituosa. Farei melhor: forneço o link pra página da organização Parto do Princípio, que deu uma chulapada de forma extremamente elegante – com direito a links para artigos científicos sobre o assunto.

Que mais eu posso fazer? Rezar para que ele nunca mais abra a boca pra falar besteira. Melhor desistir, né?

[suspiro. suspiro profundo.]

Confiram a história completa da coluna do Alexandre Garcia neste post aqui – excelente, por sinal.



Tucanaram a mãe!

maio 9th, 2010

Peguei o dito no Blog da Ju há um ano. Esqueci de publicá-lo, então. Publico agora.

Já tinha recebido este texto em forma de Power Point. É bonitinho, lindinho, engraçadinho, tem mensagenzinha, etc, etc.

Mas depois de ler esse benedito, eu só consigo pensar numa coisa: Tucanaram a mãe!

Ainda assim, Feliz dia a todas as Mães! (*)

**********

Uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
“O que eu pergunto é se tem um trabalho”, insistiu o funcionário.
“Claro que tenho um trabalho”, exclamou . “Sou mãe”.
“Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar Dona de casa”, disse o funcionário friamente.
Não me lembrei dessa história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu, obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona da situação.
“Qual é a sua ocupação?” Perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:
“Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.”
A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
“Posso perguntar”, disse-me ela com novo interesse, “o que faz exatamente?”
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:
“Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24!!!).
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.
Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3 anos. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz.
Senti-me triunfante!
Maternidade… que carreira gloriosa!
Assim,
as avós deviam ser chamadas “Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas”.
As bisavós: “Doutora-Executiva-Sênior”.
E as tias: “Doutora-Assistente”.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras.
Doutoras na Arte de fazer a vida melhor !!!

(*)Repare, não… tô meio piegas, sim!
Ah, vá, dá um desconto! Meu primeiro dia das mães com o feiticeirinho fora da minha barriga, né?



Ectoplasma mesmítico não tem vez em Brasília

maio 5th, 2010

Sói qeria dizer isso pra vocês, tá?

É que aqui, no Planalto Central (Tô de mudança. Não queiram saber o porquê.), tudo quanto é tipo de assombração e de encosto pode ter vez, menos o ectoplasma mesmítico (sabem o mesmo, que encontra-se parado no andar quando você chama o elevador? É ele… mesmo! :D ).

Porque nesta cidade os caboclos podem não respeitar uma série de normas ou de leis, mas o bom texto pelo menos ainda tem vez na Capital Federal.

Ó só como ficou o aviso da plaquinha dos elevadores:

Viu? Não precisa usar o mesmo porque é feio – e errado. Para estes casos, os pronomes pessoais do caso reto (mais precisamente o ele da plaquinha daí de cima)  atendem perfeitamente às necessidades do cliente, como dizem algumas amebas por aí…

CQD – como queríamos demonstrar (o comando pra criar link não tá funcionando no wordpress. quando ele voltar a funcionar, eu arrumo o post. Por enquanto, basta clicar no link ao lado. Grata. http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=53).

Antes que falem: o pronome reflexivo se está muito bem à frente do encontra. A frase em questão está exatamente como os brasileiros falam no dia-a-dia. Pelas normas cultas, pode ser questionável – mas pelo uso cotidiano, está mais que natural.

E rezem pra que a minha mudança seja rápida e sem traumas. Ninguém merece mudança interestadual a toque de caixa, com um bebê de nove meses e um cachorro vira-latas a tiracolo (não perguntem. Apenas rezem. Obrigada.)



Pela ordem, companheiros! inveja x despeito x desdém

abril 29th, 2010

Com tanta gente dizendo por aí, por exemplo, que o Bruno Mazzeo chamou Luan Santanna (um zé qualquer estrábico) de vesgo porque ele – Bruno – é invejoso, ou que fulana que teve o filho em uma cesariana com toda a segurança de uma maternidade é invejosa porque no fundo, no fundo, queria ter parido em casa dentro de uma banheira de prástico nma singela companhia de um patinho de borracha por opção própria (acreditem que fui eu mesma quem viu isso acontecer!), não custa pedir pra Tio Antônio botar ordem no galinheiro e definir direitinho o que é inveja, né?

Faz favor, Tio Antônio!

Inveja
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo feminino
1    sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
2    desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem
3    Derivação: por extensão de sentido.
objeto da inveja
Ex.: os jovens liberados de preconceitos são a i. da velha geração
Etimologia
lat. invìdìa,ae ‘id.’, de invìdus,a,um ‘que tem ou lança mau-olhado, que tem inveja, invejoso’, de invidére ‘olhar de modo malévolo, lançar mau-olhado, donde invejar’; ver vid-; f.hist. sXIII enveja, sXIV ívega
Sinônimos
ciúme, invídia, zelotipia; ver tb. antonímia de desprendimento
Antônimos
ver sinonímia de desprendimento
Homônimos
inveja(fl.invejar)
************
Despeito
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
1    ressentimento produzido por desconsideração, desfeita, humilhação ou ofensa; pesar, melindre, amuo
2    desgosto motivado pela preferência dada a outrem ou por decepção; raiva, indignação, inveja, ciúme
Locuções
a d. de
não obstante, malgrado, apesar de
Etimologia
lat. despectus,ús ‘vista de alto para baixo, desprezo, desdém’, de despectum, supn. do v.lat. despicère ‘olhar de cima para baixo, desprezar’; ver espec; f.hist. sXIII despeito, sXIII despeyto, sXIV despeucto, sXIV despeto
Homônimos
despeito(fl.despeitar)
***************
Desdém
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
ato de desdenhar(-se)
1    desprezo arrogante; altivez, soberbia, sobranceria
2    Derivação: por extensão de sentido.
comportamento distanciado; indiferença
Ex.: considerava o d. do companheiro falta de maturidade
3    ação ou dito depreciativo, sem afabilidade ou polidez; desabrimento, grosseria
Ex.: acostumou-se com os d. do instrutor
4    falta de trato ou esmero (para com algo ou si mesmo); desalinho, negligência
Obs.: f. geral não pref.: desdenho
Ex.: mesmo para encontrar o namorado, vestia-se com d.
Locuções
ao d.
com displicência, sem afetação ou cuidado; negligentemente
Ex.: ele usava suas roupas ao d.
Etimologia
provç. desdenh, regr. de desdenhar < lat.vulg. *disdignáre por dedignári ‘id.’, cf. fr. dédain (sXII), regr. de dédaigner (sXII) < dé + daigner < lat. dignáre ‘julgar digno’; Corominas considera o voc. de direta procedência do provç., argumentando que não seria de esperar que do esp. desdeñar e do port. desdenhar, cujos radicais terminam em nasal palatal, se gerassem os subst. regr. com nasal não palatal desdén (esp.) ou desdém (port.); ver desden-; f.hist. sXIII, sXIV desdeno, sXIV desdenho
Então, acho que o Bruno Mazzeo tem desdém pelo Luan Santanna que, por sua vez, tem todo o direito de ter despeito pelo Bruno Mazzeo (é só os dois olhos do pobrezinho encontrarem o Bruno ao mesmo tempo [#eunãopresto]), enquanto que a moça do patinho de borracha na banheira de prástico tem… quer dizer, não tem: noção.


Suco de maracujá

abril 27th, 2010

Letra genial de João Donato e Martinho da Vila:

Pra me casar com você
Eu vou ter que me cuidar
Contratar um personal
Treiner pra me acelerar
Também vou ter de fazer
Uma dieta alimentar
Catuaba no almoço e ostras antes do jantar
Quando a gente for deitar
Um bom pó de guaraná
Se a quentura tiver morna
Come um ovo de codorna
E se a noite for infinda
Aí só Pau de Cabinda
Se ela quiser bis no fim
Pimenta no amendoim
E depois pra me acalmar
Suco de maracujá



[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (2)

abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 21:08

*********

Nos áureos tempos de escola, ensinou-nos tia Maricota sobre os modos verbais. Refresco-vos os neurônios, desta vez com o auxílio da Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:

Modo Verbal
As flexões de modo, tempo e voz são características do verbo. A flexão de modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia.
Quando a atitude é de certeza (eu amo/eu amei), o fato é ou foi uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo indicativo.
Quando a atitude é de incerteza, dúvida (se eu amasse/quando eu amar), exprime uma condição, uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo subjuntivo.
Nos casos em que se exprimem ordens (ame você/não amem), ou desejos, ou vontades, temos o modo imperativo.
Além desses três modos, os verbos apresentam as formas nominais: infinitivo (amar); gerúndio (amando) e particípio (amado).

<começa a ironia>

Este é o velho conceito. No novo conceito de modo verbal, o gerúndio rebelou-se. Deixou de ser forma nominal e revelou-se um novo modo verbal: o modo telemarketing. Esse novo conceito em modo verbal expressa atitudes de enrolação misturada com dúvida, desinformação, falta de noção, desculpas esfarrapadas e falta de compromisso total do falante com seu interlocutor (que pode ser um consumidor, uma pizza ou uma pedra, tanto faz).

O legal neste novo conceito em modo verbal é que você pode juntar quantos verbos auxiliares quiser para formar sua locução (capenga) verbal:

“Eu posso vir a estar tentando disponibilizar o serviço, senhor!” (quatro verbos!)

Senhora, a senhora poderia estar objetivando anotar o número de protocolo, por favor? (três verbos!)

Certa feita eu consegui juntar seis verbos numa locução só. Mas não me lembro mais como fiz tal aberração. Se você quiser, tente nos comentários produzir uma locução verbal com mais de quatro verbos juntos…

<acaba a ironia>

Sim, isso é errado. E não, crianças, não repitam isso na escola nem na vida real, porque é muito feio! E isso vale pros adultos também!

Mas há casos em que o futuro do gerúndio é possível, sim, na Língua portuguesa. Sabe a historinha da concomitância? É só jogar no futuro:

“No próximo domingo, enquanto o Corinthians estiver jogando contra o Santos, o Botafogo vai estar jogando contra o Flamengo”

Viu? Duas ações ocorrendo ao mesmo tempo, no futuro!



[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (1)

abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 20:41

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Nada contra o gerúndio. É um tempo verbal muito útil. Denota concomitância. OK, sei que denotar e concomitância são duas palavras que não constam dos dicionários das amebas escreventes, mas insisto na expressão. E explico: indica duas ações acontecendo ao mesmo tempo, ou ainda uma ação que ocorre neste exato momento: eu estou escrevendo. Das línguas latinas, o francês é o mais radical com relação ao gerúndio: só aceita no caso de concomitância, e ainda assim torce o nariz.

O problema é que, em inglês, o present progressive é usado pra lavar, passar, cozinhar, chuletar, serve o cafezinho no final e ainda pergunta se foi bom pra você também. Vai com tudo – e com todos, esse permissivo. O inglês é uma língua que junta trocentos auxiliar verbs, ou verbos auxiliares, pra modificarem o tempo e o modo de um único verbo principal. Coisa de língua bárbara. Mas tem lá (e não aqui) suas regras. É um tal de I would be going, I shall be released, I’d rather be going to Florida prá tudo quanto é lado. Um verdadeiro desfile verbal.

Daí, o caboclo escrevente que fala ingrêis resolve replicar em português todos esses casos em que o present progressive é usado na língua de seu William </Shakespeare> at the foot of the letter
(Desvio de prosa número 1: literalmente, ao pé da letra. Só que a expressão em português  ao pé da letra, traduzida corretamente para o inglês, é literally. At the foot of the letter é uma tradução típica de Falcão, mas quem cunhou essa expressão deliciosa foi meu amigo João Bonassis, o Boninha. Mas voltemos à minha defesa de tese.)

Pronto. Está feito o melangê de jenessequá*.
(Desvio de prosa número 2: sei que classifico isso de macaquice, mas é que essa é bonitinha… criei essa expressão de minha própria alcunha, a partir do francês melangé de je-ne-sais-quoi. Melangé é mistura; je ne sais quoi, “não-sei-o-quê”. Ficou bonitinho, né? Ah, vá… é melhor que “chiclete com banana” – com duplo sentido, por favor! )

Daí, um desses caboclos tradutores pegou manuais de telemarketing em inglês, salpicados de progressives pra tudo quanto é lado, e traduziu como gerúndio tudico de tudo. Fez-se a bosta. Foi um festival de vamos estar resolvendo, ou vamos estar falando, e danou-se o caldo. A coisa evoluiu pra esculhambação a ponto de muita gente achar chique falar no futuro do gerúndio.

Isso sem contar com as locuções verbais que mais parecem aqueles castelinhos de benjamin montados sobre uma tomada para aumentar o número de plugues da dita. O que me fez desenvolver uma teoria </ironia>. Explico-a. A seguir, porque este post tá muito longo!



Ricardo Noblat e o suposto moonwalking de dona candidata

abril 27th, 2010

Daí que o Noblat mandou essa no twitter dele e eu fui ver de que se tratava.

noblat

Me empolguei por dois motivos:

1- Volta do retrocesso é, no mínimo, um passo de dança típico de moonwalking. Creio que ela seja irmã da famosa virada de 360 graus que dizem que a vida dá de vez em quando.

2- OBA! Vou exorcizar a campanha da Dilma!!!

Daí eu fui ler o post no Blog do Noblat e vi que a Dilma só falou em volta “do atraso” e da “política da roda presa”. Volta do retrocesso foi por conta do Noblat.

É por isso que, com todo meu amor e carinho, eu dedico este singelo vídeo ao Ricardo Noblat:

E eu sou uma bruxa frustrada. Inda num consegui jogar a Dilma no meu caldeirão. Carambolas! Palafitas!



[OD 1 ano] O ectoplasma mesmítico

abril 26th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi oiriginalmente Publicado em: 23 de abril de 2009 às 22:41

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O problema da raça dos que não sabem escrever bem é que todos eles são cheeeios de boas intenções </inferno tá cheio>. Começam a elaborar o texto com a ideia de que não podem repetir uma só palavra porque repetir palavras em demasia fica feio. Vocês repararam no adendo? Repetir palavras EM DEMASIA fica feio. Se repetir só um pouquinho, não tem problema – muito pelo contrário, ajuda o texto a ficar mais claro. Já trabalhei com uma entidade que, para não repetir a preposição sobre, substituía a palavra por acerca. Que cerca, minha fia? Olha o cacófato!!!

Mas eles não param por aí. Esquecem-se das aulas de português que tiveram lááááááááá no primário, com a tia Maricota. Ela ensinou que, quando você não quer repetir o nome de alguém, mas quer referir-se a esse alguém, tem uma classe de palavras feita sob medida para as suas necessidades básicas: o pronome pessoal do caso reto! Lembra não? Ah, deixa eu ligar o nome à pessoa:  Eu, Tu, Ele; Nós, Vós, Eles.

Lembrou, né? Poi zé. Daí, no parágrafo:

João não foi à feira. João preferiu ir ao supermercado.

Fica feia a repetição, né? Este é o caso típico em que os pronomes pessoais do caso reto se aplicam como uma luva. Ó só:

João não foi à feira. Ele preferiu ir ao supermercado.

Você já tá imaginando como as amebas escreventes compõem essa frase, né? Isso mesmo:

João não foi à feira. O mesmo preferiu ir ao supermercado.

Agora, me digam: como classificar o mesmo? Pronome pessoal? É só conferir na listinha acima. Não, não é.
Pronome relativo? Também não. Eis a escalação desse time: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos, quantas, que, quem, onde.

Isto posto, para não ser obrigada a classificar o mesmo como “porra nenhuma“, porque não é bonito, sugiro uma nova classificação de palavras: o ectoplasma mesmítico!

Sua função é assombrar textos, expressões, pessoas e coisas com a ameaça de sua presença.



[OD 1 ano] A geladeira é inocente, OK?

abril 26th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi oiriginalmente Publicado em: 23 de abril de 2009 às 15:20

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Acabei de receber esta pérola de um, por assim dizer, ectoplasma suíno (/espírito de porco).

Atentem para o majestoso estilo e para a sublime utilização da expressão “mesma” em substituição a “geladeira”. Meus comentários seguem entre colchetes, em azul.

“Informamos a todos os funcionários que a geladeira localizada no 25º andar deste departamento[Por que a vírgula aqui? Em nenhuma língua do mundo a vírgula deve separar sujeito de predicado!!!] estará sendo desligada [Nossassenhora! O processo de desligamento da geladeira demora tanto tempo assim? Lá em casa basta puxar o fio da tomada...] no final do expediente desta quinta-feira (hoje), para que a mesma [aaaaaaaaaaahhhhhh!!! Olha a manifestação do ectoplasma mesmítico no textoooooo!!!!!] seja descongelada e limpa.

Portanto, solicitamos a todos que não tragam nada para guardar na mesma [reincidência de assombraçãããããããoooo!!!! Fujam para as montanhaaaaaaas!!!] durante o dia de amanhã, pois ela será religada somente após as 18h.

Agradecemos à compreensão.” [Uai, não entendi... o agradecimento foi para Dona Compreensão ou para os destinatários do texto? A crase destinou os "obrigados" para Dona Compreensão...]

Tem uma comunidade no Orkut da qual a pessoa que assassinou o texto deveria pelo menos tomar ciência: “Eu tenho medo do mesmo“. O mesmo do elevador deve ser um maníaco compulsivo, que se esconde nos andares dos prédios enquanto as pessoas aguardam a chegada do ascensor. Acho que a mesma desse texto daí de cima deve ser uma pessoa que, além de fria, é muito porca, suja e fedorenta, tanto que durante um dia inteiro “vai estar sendo” desligada,descongelada e limpa.
Já imaginaram quanto tempo vai levar pra limpar a porcalhona do vigésimo-quinto andar?

Sou só eu que entendo o futuro do gerúndio como uma forma de enrolar o seu interlocutor? Só eu entendo que o “vai estar sendo” limpa significa que o processo vai demorar horrores?

Não vou nem entrar no mérito da crase errada na última frase. Tudo bem que o autor do texto perdeu a oportunidade de eu dizer “pelo menos, a última frase está correta”.

Vamos ressuscitar o texto? Eu o deixaria assim:

Informamos a todos os funcionários que a geladeira localizada no 25º andar deste departamento será desligada hoje, quinta-feira, no final do expediente. Durante a sexta-feira, ela será descongelada e limpa.

Pedimos a todos, portanto, que não tragam nada para guardar na geladeira na sexta-feira, porque ela só será religada após as 18 h.

Agradecemos a compreensão.

Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Sem mais delongas. Nem mesmas.



Bandeiras desfraldadas, clubes sempre primeiros e sempre campeões: os hinos dos times de futebol

abril 25th, 2010

Antes de falar sobre os hinos dos clubes de futebol, venho aqui mais uma vez render minhas homenagens ao Adriano, que mantém o site www.hinosdefutebol.com Gente, esse site é uma preciosidade! O trabalho feito por ele é excelente, com um cuidado e atenção exemplares. No site do Adriano vocês encontram muito mais letras de hinos de futebol até do Real Madrid!), e arquivos .MP3 de boa parte das letras.

As letras dos hinos de clubes de segunda e terceira divisões do estão compiladas numa página à parte, disponível logo abaixo de minha singela imagem :D , sob a alcunha “Hinos de Clubes”. Neste post aqui eu vou apenas destacar um ou outro texto que me saltou aos olhos.

Pois o que tem de desfraldar de bandeira e bravos lutadores que na vitória ou na derrota dão o sangue pelo clube é uma coisa, viu? Há de se destacar que times como o América (MG) têm letras de fazer inveja a muito clube grande: foram compostas por Fernando Brandt e Tavinho Moura. E o hino da Portuguesa (SP) foi composto por ninguém menos do que o Rei d’Portugal, Roberto Leal!

No quesito exagero vai ser difícil bater a letra do hino primeiro do Coritiba (PR), cuja música foi composta pelo mesmo autor do hino do estado do Paraná. O Senhor Barros Cassal, autor da letra, evoca até a vitória da eugenia. Vou traduzir o dito aí embaixo para um português mais século XXI.

Hosana a ti, pugilo forte
Pelo triunfo que se liba
Glória imortal de nosso esporte
Nas oito letras: CORITIBA
Estribilho:
Teu nome luz
Como o cruzeiro
Teu sangue é novo
E é brasileiro
Sempre temido na refrega
Cohorte possante, audaz, de escol
Não cede um passo, nunca nega
A honra de nosso futebol
Estribilho
O armorial belo perpassa
E brilha em triunfos, dia a dia
Afirmação de nossa raça
Pela vitória da eugenia
Estribilho
Teu pavilhão que o vento beija
Assim escreve a tua história
Bravura e audácia na peleja
Para o triunfo, para a glória.

Hosana a ti, pugilo forte [Hosana = Salve; pugilo = punhado (!!!)]

Pelo triunfo que se liba [libar = brindar com bebidas alcoólicas, geralmente a uma divindade]

Glória imortal de nosso esporte

Nas oito letras: CORITIBA

Estribilho:

Teu nome luz [luz = verbo luzir = brilhar com luz própria]

Como o cruzeiro

Teu sangue é novo

E é brasileiro

Sempre temido na refrega [refrega = confronto]

Cohorte possante, audaz, de escol [cohorte - não encontrei no Houaiss; escol = elite]

Não cede um passo, nunca nega

A honra de nosso futebol

Estribilho

O armorial belo perpassa [perpassar = avançar]

E brilha em triunfos, dia a dia

Afirmação de nossa raça

Pela vitória da eugenia [eugenia = aperfeiçoamento da espécie via seleção genética e controle da reprodução]

Estribilho

Teu pavilhão que o vento beija

Assim escreve a tua história

Bravura e audácia na peleja

Para o triunfo, para a glória.

Os paranaenses são campeões em exagero, definitivamente. Confiram o hino do Paraná:

Paraná já nasceste gigante

És o fruto de luta e união

Tens a força, o arrojo, a imponência

E o poder da realização

Nas três cores do teu estandarte

Tão altiva está a gralha azul

Que plantou neste solo tão fértil

Esta grande potência do sul (…)


Exagero também encontra-se nas letras do Paysandu, de Belém (PA):

(…)Somos jovens e ousados paladinos,

E sempre achar-nos-hão de gladio nú, [achar-nos-hão é liiiiiiiindo! Mesóclise do tempo do onça, amey! E gládio = espada curta e de dois gumes]

Elevando nos prélios mais ferinos [prélio = luta, peleja, combate]

Com honra o pavilhão do Paysandu BIS

Cada um de nós guarda no peito(…)

Se o Coritiba e o Paraná pecam pelo exagero, o Brasiliense (DF), time cuja cor oficial é o amarelo, acerta em cheio na falta de noção:

Com muita raça e toda a nossa vibração

Salve o Brasiliense, futebol clube, meu irmão [o meu irmão precisou entrar aqui pra ajudar com a nossa vibração. Ou isso ou não tinha rima!]

No campo, uma pintura, uma aquarela

E na torcida explode essa febre amarela

Torcida com febre amarela é tuuuuuuuuuuuuudo, né? E o Atlético Clube Goianiense, que, modéstia à parte, tem a força quente de um dragão? A força do dragão tudo bem, o legal mesmo é o modésita à parte!!!

Já o Figueirense (SC) aposta na tática “sou rico, tenho posses e sou da elite” para concluir seu hino:

Meu FIGUEIRENSE adorado

Teu patrimônio é um mundo de riquezas

Com obras de emérito valor

Tens a torcida mais fiel do nosso Estado

Figueira, eu te amo com fervor

E a contradição entre termos da tradição do Juventude, de Caxias do Sul (RS)?

Nossas almas em festa saúdam

Esse clube de real tradição

Na mais sã alegria se escudam

Entoando esta marcha canção

Juventude, um passado de glórias

Teu nome querido tornou

És um clube de muitas vitórias

Que a cidade em orgulho deixou

Juventude, um passado de glórias… miacaaabo com o passado de glórias de qualquer clube! Geralmente traduz-se em presente de campanha complicada e futuro de time incerto. Falo isso de cadeira, pois sou Fluminense! Mas o legal mesmo é ver um clube com passado de glórias chamado… Juventude!!!

Da contradição entre termos caímos na contradição entre gêneros da Associação Desportiva Confiança, de Aracaju (SE):

Quem é o campeão dos campeões,

que no gramado mantém sua glória, [se você esperava por um clube com nome masculino...]

é a Desportiva Confiança,[...dançou! Quem mandou confiar?]

Até Padre Cícero Romão Batista virou personagem de hino! Confiram parte da letra do Icasa, de (claro…) Juazeiro do Norte (CE):

(…)Meu padim nos gramados do céu,

é mais um craque a orar meu Verdão,

a fé nos conduz a vitória,

Icasa eterno campeão.

O hino do Ituiutaba é uma coleção de não-sei-bem-o-quê, que começa com arroz e cita um bando de famílias. Tá mais pra fofoca de quermesse:

Foi nos tempos do arroz,

quando o futebol só tinha um aspecto romântico.

Foi com o Boa Vontade, descendente dos Cancella,

que nasceu altaneiro, do Triângulo Mineiro,

para Minas e outras Terras.

Teu nome é forte

pois é o baluarte do interior

da meiga mãe Minas Gerais.

Quer por altivo e puro

o pavilhão tricolor,

gravado na sina dos fortes Moraes.

Mas eu não consegui entender qual é a do Sampaio Corrêa, de São Luís (MA):

Sampaio Corrêa,

a “Bolívia” querida [er... perdão, mas não entendi por que a Bolívia foi parar no Maranhão!]

de maior torcida

deste Maranhão

Sampaio Corrêa,

do nosso esporte

o mais antigo esquadrão;

Sua camisa encarnada, verde e amarelo;

Veste gigante do esporte em constante duelo.

Sampaio Corrêa, time de Escol [Mais um escol!]

Maior torcida tradição no futebol.

Hino de clube de futebol é a maior curtição. Mas o que que a Bolívia foi fazer no Maranhão eu não sei!!!



[OD 1 ano] Ah, esses estagiários infrequentes….

abril 24th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente publicado em 24 de abril de 2009 às 15:32

*******

Os ectoplasmas suínos estabeleceram contato imediato com esta que vos fala. Desta vez, caiu em minha caixa de correio eletrônico esta belezura contra os estagiários de uma empresa qualquer. (Isso realmente não vem ao caso). Volto a me valer dos comentários entre colchetes, em azul:

Solicitamos informar a infrequência  [Cristorreimesalva...] dos estagiários .  [ã-rrã, sei... mas o que que é isso mesmo, hein?] , ou seja, ausências que impliquem em desconto da Bolsa-Auxílio [aaaaahhhh, tá!].

- Em caso de rescisão [ponto positivo! Escreve rescisão direitinho! Só por isso vou pegar leve...] informar imediatamente através de [ah, os atraveses...] e-mail informando [informar informando? Tá, sei.. mas por que você resolveu informar desinformando, meu fio?] qual o último dia estagiado [G-zuz! Os períodos de 24 horas ganharam estágio, é? Quando forem efetivados, viram o quê? Semanas ou meses?].

(…)

- licença saúde / auxílio doença [faltou o hífen aqui, mas como eu não tenho mais certeza depois de dona reforma ortográfica, deixa prá lá. Até dezembro passado o tracinho era obrigatório]:

(…)
- Informar somente infrequências

(…): não fazem jus a essas infrequências [ah, que lindo isso! Pense bem: você já pensou em acordar um dia e pedir a Deus algo do tipo: "Querido Papai do céu, hoje eu gostaria de não fazer jus a uma infrequência." Ah, isso beira o romantismo!] e os dias informados [dia informado é aquele que lê jornal todos os... er... dias?] com tais ocorrências serão considerados infrequências [ai,confundiu agora... o dia informado ser uma infrequência é bom ou ruim?] e consequentemente descontados no pagamento da Bolsa [é, acho que é ruim].
(…): fazem jus às ausências médicas e os dias de ausência com atestado não precisam ser informados
[que falta faz uma vírgula, meu padimciço! Eles fazem jus às ausências médicas e também aos dias de ausência com atestado, ou eles só fazem jus às ausências médicas -vírgula- e os dias de ausência com atestado (pobrezinhos, nasceram nublados, sujeitos a chuvas e trovoadas, foram parar no médico) não precisam ser informados (Ou seja: dias nublados não precisam ler jornal!)?] .

Obs: Nos casos em que o estagiário esteve frequente todo período
[vou parafrasear Stanislaw Ponte Preta: queremos crer que um estagiário frequente todo o período é uma revolução nos modernos códigos de conduta corporativos], a frequência não deve ser encaminhada, e estaremos providenciando o pagamento integral da Bolsa [mais uma vez o futuro do gerúndio... tadinho do estagiário que não é infrequente... já pensou quanto tempo ele vai levar pra receber a bolsa dele?].

[suspiro. suspiro profundo.]

Vamos lá que os estagiários de hoje sofreram mais que a geladeira de ontem. Tudo bem que o tio Antônio </Houaiss> diz que infrequência é falta de frequência ou baixa frequência, mas… o que que o autor do texto tem contra a ausência?!?!?! A ausência é tão clara, específica e direta…

O através é um caso sério, mas não é lá muito grave. Ocorre que essa preposição transmite a ideia de atravessar, mesmo. Adequada e correta de se usar é em casos como: Olhou através da janela. Há quem diga que a transmissão através da rede está errada, mas se um arquivo tem que atravessar a rede pra chegar do outro lado, acho que está certa, sim. Por isso, vou relevar. Isso é papo entre pasquales becharas. Mas, nesses casos, se não for pra dar ideia de atravessar, prefira a preposição por, que foi feita para atender às necessidades específicas do cliente.

Outra questão polêmica (pros outros, não pra mim) é a vírgula precedendo uma conjunção aditiva (o e). Há quem diga e defenda com unhas, dentes, canhões e baionetas que a vírgula nesse caso é errada, feia, boba, chata – pior que heresia. Mas o professor Pasquale provou, com Vinícius de Moraes, que a vírgula combina muito bem com o e. Eu nunca entendi o porquê de não poder vírgula depois do e: são duas frases distintas, dois sujeitos distintos, dois verbos distintos, a vírgula fica direitinho onde tem que ficar. E há casos em que ela é mais do que necessária, ou então pode dar margem a duplas interpretações – como no texto daí de cima, que, sinceramente, ficaria muito mais bem resolvido com um ponto e outra frase do que com uma vírgula e um e. Mas em geral, a vírgula é a solução customizada perfeita para separar ideias.

Observações quanto aos outros colchetes, que destacam casos específicos de falta de estilo do autor da peça, eu não vou nem falar nada. É dar murro em ponta de faca. Limito-me a (tentar) melhorar o texto, para deixá-lo mais claro. Vamos lá?:

Solicitamos informar as ausências dos estagiários.

(…)
- Informar somente as ausências que impliquem desconto da Bolsa.

- Em caso de rescisão, informar imediatamente por e-mail o último dia de trabalho do estagiário.

(…)

(…): não fazem jus a essas ausências. Os dias de estágio assim informados serão consequentemente descontados no pagamento da Bolsa.
(…): fazem jus às ausências médicas. Os dias em que o estagiário ausentou-se com apresentação de atestado não precisam ser informados .

Obs: em casos de frequência integral do estagiário não é necessário encaminhar informações sobre frequência. Será providenciado o pagamento integral da Bolsa.

Tudo bem que estagiário tem mais é que sofrer. Mas aí também já é esculhambação, né?



Disfunção erétil + falta de noção = duplo sentido idiota

abril 23rd, 2010
PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

Se tem uma raça que tem que entender direitinho o que, por que e, principalmente, como falar com seu público-alvo, essa raça é a dos urologistas (aqueles médicos que cuidam do… er… daquele órgão masculino que tem por hábito erigir-se). Urologistas e proctologistas (aqueles que cuidam do… er… lá de trás!). O público-alvo dos urologistas é preconceituoso, descuidado, desligado e foge desses médicos mais do que o diabo foge da cruz.

Então, toda comunicação dos urologistas com a sociedade tem que ser pensada direitinho. Há que se medir as palavras usadas para, principalmente, evitar o duplo sentido na frase – ou, pelo menos, amenizar esse duplo sentido. E, se o duplo sentido é inevitável, que ele seja trabalhado de forma a conquistar o público-alvo, e não afastá-lo, certo?

Daí vem a Sociedade Brasileira de Urologia e me lança esta campanha aqui, com o lema:

Não vire as costas para a disfunção erétil

Não percam o vídeo da campanha neste link aqui.

Sério mesmo que a SBU tá dizendo que homem brocha não deve ir ao proctologista? Tá, eu sei que não é isso que está escrito aí em cima, mas é isso que dá a entender a frase!!! Ora, carambolas e palafitas, esse troço daí de cima foi pensado por um publicitário, que deveria ter previsto essa dupla interpretação!!!

Aí vocês por favor me digam o que a SBU tá querendo dizer com isso, hein? O que a SBU quer com essa campanha? Atrair pacientes? A campanha diz, em outras palavras “Homem, se você brochou, não vire as costas que pode ser pior!” e ELES QUEREM ATRAIR PACIENTES?!?!?!?!

Que moral a SBU tem pra falar em conscientização da população, se não tem consciência do duplo sentido sem noção do lema da campanha?!?!?!?!

Eu me sinto tentada a arriscar um trocadilho com dedos, mas vou me abster. Deixo a SBU sozinha na tarefa de afastar pacientes dos consultórios.



Ufanismo contagiante – quando os hinos exageram na dose

abril 22nd, 2010

Antes de mais nada, muito obrigada a todos que estão a colaborar por e-mail, twitter e comentários por aqui.

Geral resolveu ajudar e eu estou recebendo uma série de hinos de escolas e clubes pequenos que são mini obras-primas da literatura em língua portuguesa.

Antes de eu começar a divagar sobre o assunto, aos costumes: vou criar duas páginas extras neste blog, que ficarão ali, à direita, pouco abaixo de minha singela foto :D . As páginas serão intituladas Hinos de Colégios e Hinos de Clubes. Vou listar todas as obras que receber lá, por ordem de chegada.

Isto posto, voltemos à divagação.

Nego quando senta pra escrever um hino, por definição, liga os neurônios em modo exagero. Quer ver só? O hino dos Estados Unidos termina com a pouco modesta afirmação de que o país é a terra dos livres e o lar dos bravos. Se isso não é exagero, não sei como classificar. E o nosso és belo, és forte, impávido colosso? Aliás, onde mais as palavras impávido e colosso apareceriam juntas, além da letra de nosso mui amado Hino Nacional?

Não estou aqui criticando a construção dos hinos, a idéia aqui é destacar o exagero das letras – característica primeira de quase todos os hinos em homenagem a alguma instituição.

Reparem, por exemplo, no hino do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, enviado pela Marianna Vilarino (ex-aluna orgulhosa):

Vivemos para o estudo
Soldados da ciência.
O livro é nosso escudo
E arma, a inteligência.
Estudaram aqui brasileiros
De um enorme e subido valor.
Vivemos para o estudo
Soldados da ciência.
O livro é nosso escudo
E arma, a inteligência.
Por isso sem temer
Foi sempre o nosso lema:
Buscarmos no saber
A perfeição suprema”.

“Nós levamos nas mãos o futuro

De uma grande e brilhante nação.

Nosso passo constante e seguro

Rasga estradas de luz na amplidão.

Nós sentimos, no peito,

O desejo de crescer, de lutar, de subir,

Nós trazemos no olhar o lampejo

De um risonho e fulgente porvir.


Vivemos para o estudo

Soldados da ciência.

O livro é nosso escudo

E arma, a inteligência.

Por isso sem temer

Foi sempre o nosso lema:

Buscarmos no saber

A perfeição suprema.


Estudaram aqui brasileiros

De um enorme e subido valor. (…)

Entenderam o exagero? Mas se não houvesse tal exagero, o hino do colégio jamais sairia dos neurônios do autor.

Outro exemplo, o hino do Colégio Santo Amaro, também do Rio de Janeiro:

“(…) Coragem e ânimo, alegria

Para o colégio nosso honrar

É necessário cada dia

Com mais estímulo estudar

Vamos valentes, sempre avantes

Para podermos conseguir

Uma instrução forte e brilhante

Que nos dê glória no porvir

E tu, colégio, da memória

Nossa jamais te apagarás

Nós te daremos honra e glória,

Tu honra e glória nos darás

Recebe o preito de ternura de nossa alegre infância em flor

A gratidão mais viva e pura

Junto ao mais vivo e puro amor

Recebe o preito de ternura. Preito, gente. Tem como não se encantar com esse exagero todo? Reparem no seguinte: dois hinos, dois colégios, e o mesmo porvir assinalado na letra… ;) – mas tenho pra mim que o porvir do PII é melhor, porque é fulgente:D

E o Colégio Militar de Brasília? Vejam que beleza:

Eu sou conquistador

Quando em defesa

Da justa lei da honra e do civismo

Das terras de pujante natureza

Q`herdei como nobreza

De um passado de heroísmo


Eu sou com muito orgulho um brasileiro

Que ostenta a nobre estrela tutelar

No alto do Planalto Maravilha

Na terra de Brasília

Sou Colégio Militar

Planalto Maravilha! Terras de pujante natureza!! Ah, como é legal praticar o exagero nos hinos! :D

Vou retomar este assunto aqui, tão logo me cheguem mais exemplos de hinos. Por favor, continuem a colaborar!



Campanha hinos brasileiros

abril 22nd, 2010

Fui acometida por uma inexplicável vontade de reunir exemplos de composições ufanistas. e peço mui humildemente sua colaboração.

Se você me lê e conhece a letra do hino de seu colégio, ou sabe a letra do hino de times de futebol (não vale os grandes!), por favor, envie um e-mail com esse pedacinho de literatura brasileira para objetivandodisponibilizar arroba gmail.com (não vou escrever o endereço aqui pra evitar vírus, OK? É só substituir o “arroba” pelo símbolo @.).

Vou publicar aqui os hinos em duas categorias: escolas e clubes de futebol.

Aguardo sua colaboração!



Síndica deveras controladora ou pense bem no seu público-alvo antes de escrever qualquer coisa

abril 21st, 2010

Mais um post originado na casa da sogra.

O prédio onde vive a mãe do meu marido é habitado basicamente por seres sexagenários de 80 anos, como diria a nonna Nair Bello. Tudo velhinho aposentado.

A própria síndica é uma sexagenária de 80 anos. Um contêiner, a mulher. “Favor trancar a porta após as 20 horas”, “é proibido mais de um carro por apartamento”, “o lixo deve ser recolhido em sacos pretos às segundas, quartas e sextas, sempre às 22 horas’ e por aí vai. Tem regra pra tudo. Ela controla as coisas nos mínimos detalhes. E os velhinhos seguem tudo à risca.

Daí, você lê esse aviso quando entra no prédio

DSC03924

e se pergunta se a supracitada síndica está a controlar o horário de visitas dos técnicos de TV a cabo ao telhado ou se no fundo, no fundo, o que ela quer mesmo é controlar a hora de os vizinhos baterem as botas.

Portanto, amiguinhos, deixo aqui mais uma lição importante: antes de escrever ou dizer qualquer coisa, pense no seu público-alvo, para não ser mal interpretado.

Porque vamos combinar: não é de bom tom fixar um aviso desse teor num prédio onde só moram velhinhos, né?

E o pior é que a tal da síndica mora no andar onde esse aviso foi fixado.

Qualquer dia desses eu vou perguntar o que ela quer controlar de fato com esse cartazete…



A criatividade dos escribas brasileiros

abril 20th, 2010

Copiado e colado da coluna de hoje da Monica Bergamo, aqui (só pra assinantes, mas não lamente, lembre-se que é a Folha de SPaulo…):

O CRIATIVO
O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.
O CRIATIVO 2
A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

O CRIATIVO

O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.

O CRIATIVO 2

A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

Me lembrou de três coisinhas:

1- Uma agência de publicidade que existia em priscas eras da Internet, a Plus Comunicação. O site deles (putz, não abre mais, que pena!) era um mafuá multimídia, tinha um olho (globo ocular, bem entendido!) que olhava pra tudo quanto era canto, pra cima, pra baixo e pros lados, e, ao fundo (juro por Deus! Eu vi e ouvi isso!!!) o arquivo midi de Missão Impossível tocando sem parar – e sem um botão de calabocapelamordedeus no site!) Justiça seja feita, a Plus Comunicação foi a pioneira no (mau) uso da palavra diferencial. Usava em T-U-D-O quanto era canto. Pra T-U-D-O quanto era cliente. Tenho cá pra mim que os irmãos Gonzalez Y Gonzalez trabalharam nessa agência de comunicação. Daí a reciclabilidade de seus slogans, né?

2- uma notinha lida Internet afora (acho que foi no Blue Bus, mas não encontrei nenhum link que me comprovasse a memória) sobre a concorrência que o IBGE fez para contratar uma agência de publicidade para divulgar seu trabalho etc. e tal, e quase todas as concorrentes fizeram algum trocadilho com o verbo contar para o slogan. algo como: “IBGE, conte com a gente!”

Eu sou a primeira a defender trocadilhos. Acho que um trocadilho calado pode fazer muito mal à pessoa, pois ele vira toxina. O negócio é falar logo e botar o trocadilho pra fora antes que ele te contamine. Mas também não é pra levar o trocadilho a sério, né, gente?

3- O Paulo Henrique Amorim comentou no site dele já ter trabalhado com um revisor (foi no Jornal do Brasil, Paulo Henrique?) que recomendava cautela ou até mesmo que se evitasse o uso da palavra poder, porque ‘o poder pode tudo’.* Aí vem o PSDB e… deixa prá lá.

Tudo isso pra dizer que eu ainda espero um mínimo de criatividade (da sinceridade já abri mão de há muito!) nessa campanha eleitoral que já se vislumbra ao horizonte….

* Pra quem não entendeu: no início do século passado, o fonema da letra F era produzido pelas letras “PH” (como em pharmacia). Agora, imaginem o poder com PH. Então, preciso desenhar ou tá de boa?


Interpretando textos com a Madrasta do Texto Ruim – um olhar realista para destacar as entrelinhas

abril 14th, 2010

O título daí de cima é pra ser lido com sarcasmo, fazfavô. Porque eu jamais, em sã consciência, começaria um título com um gerúndio, muito menos lançaria mão da expressão um olhar assim assado. Além de sarcasmo, o título acima ainda contém 3 taças de vinho. Favor dar o desconto.

Mas não tô aqui pra justificar meus títulos. Vim para ajudar meus diletos leitores a lerem as entrelinhas dos textos que lhes chegam às mãos. Outro dia mesmo tava aqui aprovando um comentário que falava de texto em entrelinhas.

Enfim. Marido recebeu uma dileta cartinha da TIM(ganei) junto com a conta do celular. A missiva é simpática e educada, mas contém uma série de informações que não foram ditas com todas as palavras. Escancará-las-ei, portanto:

Prezado cliente,

Visando a melhoria constante nos processos de atendimento a você, cliente TIM, estamos aprimorando os nossos sistemas de faturamento, responsáveis pela geração de sua conta.[Achamos por bem mexer no sistema que gera nossas cobranças]

Diante disso, a conta deste mês (Abril/2010) não contempla as chamadas locais e de longa distância. [deu um pau ferrado no sistema, a gente perdeu um monte de coisa, mas se Deus quiser o backup vai funcionar] Estas chamadas serão apresentadas na próxima conta com vencimento em maio/2010. [Até o mês que vem a coisa tem que voltar aos eixos, com a ajuda dos deuses]

ATENÇÃO: Caso exista utilização de chamadas locais excedentes ao seu pacote de minutos, realizadas no período de 1/3/2010 a 31/03/2010 (Período do vencimento de Abril/2010), ou chamadas de longa distância deste mesmo período, estas serão cobradas e apresentadas na conta do mês de maio/2010. [aparentemente, perdemos os registros de suas chamadas excedentes e/ou de Longa distância. Mas estamos rezando pra recuperar tudo, viu? Aguarde notícias mês que vem!]

Essa reprogramação está sendo feita em caráter excepcional, não causará a cobrança de encargos financeiros adicionais e respeita os prazos determinados pela Anatel (Agência nacional de Telecomunicações). [Tamos virando noites e noites pra resolver o quiproquó, o chefe não larga do nosso cangote, e a gente tem que consertar a bosta homérica o mais rápido possível. Inda bem que a Anatel entende que esse tipo de bosta acontece, né?]

Adicionalmente, o vencimento da sua conta deste mês será prorrogado e o pagamento poderá ser realizado até 22/04/2010, sem incidência de multa e juros. [Tamos quebrando o teu galho. Reze por nós!]

Atenciosamente,

TIM Brasil.

Eu ri muito ao ler esta carta. Espero ter compartilhado os motivos de meus risos com vocês. E vamos ver o que vai acontecer mês que vem!



Contas erradas e gritarias no gerúndio

abril 7th, 2010

Nota-se que quem teve a idéia de jênio do site Dois Gritando, do jornal O Globo, nunca participou de movimento estudantil. No máximo vai protestar de vez em quando na orla carioca aos domingos. Se tivesse participado do movimento estudantil, teria o tique nervoso de aumentar sempre o número de participantes de protestos e passeatas, e não passaria por esta web-vergonha aqui:

doisgritando

Senão vejamos:

Nós = primeira pessoa do plural. E plural, até ontem à noite, era aquela coisinha que é sempre mais de um, né? (Tô numa fase meio tatibitati, reparem não). Isto significa que as pessoas do plural (nós, vós e eles) têm que ser, no mínimo, duas. Ou viram singular. Daí, a gente pode até chegar a esta mirabolante e elaboradíssima equação matemática, que obviamente confundiu a cabeça dos jênios do Globo:

Nós e você = nós + você = 2+1 = 3

Portanto, temos três gritando (esse gerúndio assusta… será que ao menos vão respeitar a lei do silêncio?!?! Será que esses três gritando param em algum momento? Putz, isso dá dor de garganta!!).

Mas o Globo não conta uma das três pessoas… seria essa terceira pessoa o mesmo, aquele ser que encontra-se no andar enquanto a gente espera o elevador?

De qualquer forma, por favor, providenciem uma calculadora p’a galera do Globo. Eles tão precisados…



O dia em que o revisor do R7 ficou com sono

abril 7th, 2010

Vocês sabem muito bem que eu forço a barra pra incluir alguma coisa do R7 aqui no caldeirão. Vou fazer de novo. Não sem antes agradecer ao Cardoso por mais uma cantada de bola.

Pô, foi só um errinho de dedo, coitado! Nada de grave, como erro de concordância ou erros ortográficos berrantes. Mas é que coisas desse tipo são raras de acontecer no R7, e têm que ser sorvidas como se fossem caviar.

Enfim, o erro tá aqui. Se, quando você clicar nesse link, não encontrar mais nada, eis aqui o presente dos deuses do printscreen:

Twem nem o que corrigir...

Tem nem o que corrigir...

Foi só um sobriviveu de nada, mais um notócias. Errinho bobo de digitação. Provavelmente obra de quem tá com sono, doido pra ir pra casa, e ainda tem que ficar falando de Glória Perez às onze da noite de uma terça-feira (coisa que ninguéééééééééééééééém merece!)

Pois vá em paz, zifio, cê tá perdoado! Nem sei se você vai gostar de meus votos, mas que Nossa Senhora da Boa Ortografia lhe ilumine os caminhos, inclusive na hora de muito sono, sim?

E, se quiser figurar neste caldeirão com toda a pompa e circunstância, sugiro um cursinho básico c’os povo daqui



A politização da vírgula (ou a teoria do Fagundes)

abril 3rd, 2010
As imagens acima também foram "adquiridas" no blog do Nassif. O link pro post tá aí embaixo no texto

As imagens acima também foram "adquiridas" (/cara de pau) no blog do Nassif. O link pro post original tá aí embaixo no texto

Daí que um dileto ectoplasma suíno passou por estas bandas e me avisou deste post no blog do Nassif. Tô com pressinha agora, depois eu baixo as imagens e copio aqui.

Mas, pra quem tá com preguiça de clicar no link, segue o resumo da ópera (bufona). Resumão bem tatibitati, porque, né, trata-se da Folha de São Paulo, o Eliéser dos jornais brasileiros. A história é a seguinte:

1- Folha de São Paulo faz manchete política para edição impressa.

2- Folha de São Paulo faz manchete sobre mesmo assunto para edição online.

3- Folha de São Paulo mexe mal nas vírgulas e faz lambança.

4- Folha de são Paulo remenda a lambança na edição online.

As manchetes das edições impressa e online ficaram, respectivamente, assim:

Serra critica roubalheira e Dilma, viúvas da estagnação (edição impressa)

Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação (edição online)

Se eu fosse preguiçosa, me limitaria a lincar aqui a explicação que o professor Pasquale já deu sobre a vírgula e a conjução e. Mas não vou me furtar a tecer minha própria teoria da conspiração. Vamlá.

Pra começo de conversa, vamos falar com base em dona Gramática. Essa manchete da Folha é a prova final, definitiva e indiscutível de que conjunção aditiva pede, sim, vírgula, pra não embananar a compreensão da frase. Então, galera, vamos cortar aquele papinho furado de que conjunção aditiva liga frase e por isso não pode jamais ser precedida por uma vírgula blablabla whiskas sachê blablabla. Como já disse, o Professor Pasquale concorda comigo.

A frase da edição impressa, sem a vírgula antes da conjunção aditiva, tem apenas um sujeito (Serra) e dois objetos diretos (Dilma e a roubalheira). Do jeito que ficou, a frase afirma que Serra criticou tanto a roubalheira quanto a Dilma,  e afirmou que ambas (Dilma e roubalheira) são viúvas da estagnação. Reparem no viúvAs, no feminino.

Já a frase da edição online conta com dois sujeitos, Serra e Dilma, que cometeram a mesma ação (criticar) contra objetos diretos diferentes (o de Serra é a roubalheira; o de Dilma, os viúvOs da estagnação. Viúvos, no masculino, reparou?).

Isto posto, minha teoria é de que esse texto foi feito às pressas, no meio da madrugada, no fechar de uma edição. O caboclo tava com sono, e tava mais preocupado com dona Gramática do que com dona Tendência Política. Aprendeu na escola que antes de conjunção aditiva não tem vírgula nunca, jamais, em tempo algum, e tirou a dita de lá. Apertou o print das rotativas, virou as costas e foi-se embora dormir, pra dar margem a toda sorte de interpretações escabrosas e maledicências por parte dos blogs petralhas (huahuahuahua, como é divertido zoar com todas as tendências políticas!), que começaram a imaginar até mesmo que, dadas suas ligações escusas com o prédio da Barão de Limeira, (aqui começa a viagem legal) foi o próprio Serra foi o autor dessa frase. Não seria de espantar. José Serra tem mesmo habilidade pra fazer cagadas desse tipo com a Língua Portuguesa. Daí os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

Mas eu tenho outra teoria: essa manchete foi feita de propósito, e pra sacanear a direção da Folha. Algo bem Fagundes, o Puxa-Saco: E aí chefinho, ficou boa a manchete? Viva o Serra, e abaixo a Dilma, né, chefinho? Daí, o cabra chutou o pau da barraca e fez essa lambança na edição impressa. Então, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

A terceira teoria é a menos plausível de todas: o autor da manchete é um jornalista sem conhecimentos básicos de Português. Mas nessa teoria eu não aposto, não. Naonde que a Folha de São Paulo se prestaria a publicar textos mal-escritos, né, gente? Pô, se tem um jornal que preza pela clareza dos textos e da concordância com as regras gramaticais da Língua Portuguesa é a Folha de São Paulo!!! (*) Ainda assim, ao lerem a magnífica manchete da edição impressa, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

(*) Pros desavisados de plantão: Esse parágrafo foi irônico, tá?


Frase do dia

abril 3rd, 2010

Cabei de ouvir essa frase genial do Ruy Castro:

Ler é a segunda melhor coisa do mundo. A primeira é escrever.
Aquela que você está pensando agora é hors-concours.



Sem as bênçãos de Nossa Senhora da Concordância Verbal…

abril 1st, 2010
É cultivam, Serra! Cultivam!!!

É cultivam, Serra! Cultivam!!!

Alguém avisa lá em cima pra algum santo abençoar e proteger a candidatura de José Serra à Presidência da República?

Nossa Senhora da Concordância Verbal já refugou, coitada…

Pô, primeiro dia de campanha, o ex-governador de São Paulo solta esta magavilha:

Aqui não se cultiva escândalos, mal-feitos, roubalheira…

Ô, Zé! O certo é cultivam, zifio! Vê se melhora seu entrosamento com os santos gramaticais, senão a coisa vai ficar feia pro seu lado!

Até porque as más línguas dizem que quem fala errado neste país é Lizinácio, e ele nem candidato mais é…

(Também, quem mandou o Paulo Henrique Amorim ficar reparando nas suas concordanças, né?)



Folha de São Paulo: Mais gente empregada, maior a taxa de desemprego (oi?)

março 31st, 2010

Eu sinceramente não sei o que pensar deste texto. Deve haver algum raciocínio oculto por trás desses índices, valores e taxas que não foi bem explicado pelo texto. Por isso a reportagem conclui que a taxa de desemprego alta é fruto do aumento da quantidade de pessoas… er… empregadas! (?!?!?!!?!)

Sabe o que é, gente? É que eu vivo ainda dentro do velhoconceito de taxa de desemprego alta, que pressupõe mais gente fora do mercado de trabalho. Se o novoconceito de índice de desemprego determina que quanto mais gente empregada, maior será a taxa de desemprego, ninguém me avisou. Por isso eu entendi patavinas da reportagem da Folha.

Portanto, eu venho humildemente pedir a vocês que me expliquem o raciocínio desse texto, pelo amor de Deus. E vou resistir bravamente a desancá-lo até que me provem que eu não devo fazer isso.

Ah, sim! O texto está aqui, e é esta pérola que vos copio abaixo:

31/03/2010 – 12h58
Otimismo com a economia aumenta entrada no mercado de trabalho

GIULIANA VALLONE
da Folha Online

A entrada atípica de pessoas no mercado de trabalho em fevereiro gerou um crescimento na taxa de desemprego do país no mês passado, de acordo com dados da Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O índice subiu para 13% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, acima dos 12,6% em janeiro.

Os números mostram que o aumento de 90 mil no número de desempregados no mês resultou da abertura de 25 mil vagas e da entrada de 116 mil pessoas na força de trabalho. “O clima é de relativo otimismo com a economia, então as pessoas vão para o mercado de trabalho”, afirmou Alexandre Loloian, coordenador técnico da equipe de análises da Fundação Seade. “Geralmente em fevereiro as pessoas estão saindo do mercado.”

Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego também subiu, passando de 11,8% em janeiro para 12,2% em fevereiro, ainda assim a menor taxa para o mês desde 1992. O nível de ocupação na região cresceu 0,5% no mês, registro praticamente inédito em meses de fevereiro, afirmou Loloian.

Para ele e Sérgio Mendonça, supervisor da pesquisa no Dieese, beneficiada pela melhora das condições neste ano, a taxa em São Paulo deve voltar a ter apenas um dígito até o final do ano, classificando-se como o melhor número em cerca de 20 anos. “Uma taxa em torno de 10% não é nada para se comemorar, ainda é alta. Mas é favorável”, afirmou Mendonça.

Carteira assinada

Loloian e Mendonça ressaltaram também a importância da geração de vagas com carteira assinada no país. “Em cada dez postos criados atualmente, oito são com carteira assinada”, afirmou o coordenador do Dieese. “As vagas com carteira crescem e as sem carteira caem. Está havendo uma troca.”

O número de trabalhadores com carteira assinada no país registrou crescimento de 1,5% em fevereiro ante janeiro, o equivalente a 127 mil pessoas. Já a quantidade de vagas informais caiu 2,3%, em 41 mil.

Aceitamos sugestões inclusive sob a forma de desenhos.

Grata,

Bruxa Malvada



O incrível caso do balde ninja que atravessou goteiras globais

março 31st, 2010

Agora vejam vocês como é poderosa essa Rede Globo! Palavras do Ricardo Feltrin, não minhas…

Eis que durante uma bela edição noturna do SP TV as câmeras da Globo flagraram um glorioso e retumbante baldimdiprástico a invadir a cena por elas captada (aparece ao lado do monitor que mostra a Flávia Freire). E o pobrezinho estava lá a trabalho: recolhia água que pingava duma goteira. Ou pelo menos deve ser isso, porque o texto da coluna Ooops, do Ricardo Feltrin (do UOL, claro! :D ), se embananou todim todim na hora de mostrar que sabe a diferença entre o através e o por meio de. Ó só a bananança:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água por meio de uma goteira.

Quer dizer, o balde vai lá, sobe até a goteira, se espreme feito um condenado, passa pela goteira e coleta a água que cai. Mó heróizão esse balde, né? Mas se o Feltrin tivesse escrito:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água que caía por uma goteira.

o balde não precisaria se espremer tanto pra passar pela goteira. E ainda executaria sua função de forma digna e honrada – e em rede estadual de televisão, olha que chique! :D Inda mais se levarmos em conta que ele (o baldinho) apareceu glorioso durante a matéria sobre a chuva que se precipitou sobre a cidade…

Ou isso ou eu contrato esse balde ninja pra trabalhar lá em casa. tô com uma goteirinha indigesta no quarto do feiticeirinho, viu? Se ele conseguir passar por ela e coletar a água antes que ela passe pela goteira, vai ser show!



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