Didática do Trauma nº6: Marconi Perillo ensina por que você não deve confundir este com esse

maio 19th, 2013

É assim:

Este, esta e isto são pronomes demonstrativos referentes à própria pessoa que está falando, ou a coisas de propriedade da pessoa que enuncia a frase. Exemplo:

Você aponta para o seu filho e diz: “Este é o meu filho”. 

Esse, essa e isso são pronomes demonstrativos referentes à pessoa a quem o enunciador da frase está falando. Exemplo:

Você aponta para o filho do seu amigo e diz: “Esse é o seu filho”.

(Tá, eu sei que existem várias outras hipóteses corretas a serem empregadas na frase acima com esse e este, mas atenhamo-nos por enquanto a essa observação genérica daí de cima.)

Ainda tá difícil? Complicado? OK, concordo contigo. Vamos pegar um exemplo mais prático.

Imagine que você é um advogado. E recebeu uma acusação contra a empresa que você defende. O texto, redigido pelo advogado de outra empresa, diz:

Esta empresa não cumpre com seus contratos! Esta empresa é corrupta! Esta empresa está inadimplente! etcetcetc.

Você redige sua defesa pura e simplesmente:

Sr. Juiz, nada temos a fazer se o  digníssimo advogado da outra empresa resolveu acusar a própria empresa para a qual ele trabalha.  Não tenho nem como encerrar minha defesa, posto que não foi necessário iniciá-la.

O que é mais ou menos o que aconteceu ontem com o digníssimo (cof, cof) governador goiano (que me perdoem os goianos se esse adjetivo soou pejorativo) Marconi Perillo.

perillo

Prezado governador Perillo: devemos convocar CPI pra apurar a sua denúncia contra seu próprio governo?

Por que o senhor se considera um canalha? Sua mãe concorda com o senhor?

Por que o senhor fala de si na terceira pessoa? O Sr. também vive a dicotomia Edson/Pelé? 

Enfim, não vou me dar ao trabalho de ofendê-lo. O senhor sabe fazer isso sozinho.

E você, ameba: traumatizou? Ah, vá! Mais um trauma didático! :D \o/

Então, lembre-se da cara do Perillo na hora de usar S ou T e falar/escrever este/esse de forma adequada.

De nada. (mas agradeço ao Luis Carlos pela imagem oferecida no fêice! :D )



Ginger ale, os morfemas e as formas livres, presas e dependentes (#poção de morfologia nº3)

maio 11th, 2013

Tarra mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d’água só (aprendi com Nardja Zulpério que é muito marpráteco e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d’água dicumforça nazidéia do que ficar usando cajados, que são pequenos, estreitos e pouco práticos.)

(SÉRIO QUE FAZ VINTE ANOS QUE EU VI NARDJA ZULPÉRIO?!?!!? E QUE PROVAVELMENTE MUITOS DOS MEUS COLHÉGAS NEM ERAM NASCIDOS QUANDO ESSA PEÇA TARRA EM CARTAZ?!?!?! AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH)

Mas deixemos os cajados e caixas d’água. Vamos então à nossa receita de ginger ale, que nada mais é do que um xarope de gengibre com club soda ( = água com gás) e suco de um limão. E, se você quiser, pode acrescentar vodka a gosto. Recomendo fortemente a vodka sabor vanilla (meu mote de 2013: #vodkavanillamelhoremtudo).

Morfemas! :DGinger Ale

Para o xarope de gengibre:

1 medida* de açúcar (pode ser mascavo. pode ser cristal. pode ser refinado.)

1 medida* de gengibre picado

1 medida* de água

(medida = se vc usar 1 xícara, será 1 xícara de tudo; se usar 200 xícaras, serão 200 xícaras de tudo)

Modo de preparo:

Levar os ingredientes para cozinhar em fogo alto. Quando levantar fervura, baixar o fogo e cozinhar por mais 15 minutos.

Deixe esfriar, e coe para tirar os pedaços do gengibre (dica: há agora no mercado filtros descartáveis que podem ser reaproveitados. Use esses filtros ou um guardanapo para coar o xarope, pois você vai ter que apertar e espremer o filtro pra tirar todo o caldo do meio dos pedaços do gengibre).

Modo de preparo do ginger ale

Em um copo alto, ponha um dedo de xarope de gengibre, suco de meio limão e complete com água gasosa (ou club soda). É um santo remédio contra gripes e resfriados. Ah! Vodka a gosto acompanha esplendorosamente – e lembre-se: álcool mata os germes, portanto a vodka também ajuda a curar resfriados (a folhinha de hortelã da foto é só uma frescurinha. Pode usar, mas ela fica melhor num mojito. E pinguça é a mãe!) #HIC! :D

Aí você me diz: “ah, Madrasta, vou fazer um Ginger ale diferente: troco o xarope de gengibre por açúcar puro, e em vez de suco de limão eu ponho limão cortado e amasso os pedaços dentro do copo. E em vez de vodka, ponho cachaça e muito gelo!”

E eu lhe digo: “ora, ameba, você trocou os ingredientes, seu ginger ale deixou de ser ginger ale e virou caipirinha!” ;)

Isto posto, vamos pensar aqui um cadim sobre essa receita que eu acabei de publicar (por favor, deixe a vodka pra depois):

O ginger ale nada mais é do que uma bebida resultante do blending (= como os frescos chamam a mistura) de diversos ingredientes que, depois de misturados, tornam-se a bebida. Se os ingredientes forem outros, a receita final também será outra, certo? (taí o seu ginger ale adulterado que virou caipirinha que não me deixa mentir!)

E se eu te disser que os ingredientes de uma receita são comparáveis a morfemas, e a bebida pronta é a palavra final?

RÁ! TE ENSINEI RAPIDINHO! :D

Para provar minha tese, me empreste a palavra irrealizável. Repare que ela é composta de um monte de pedaço que se junta à raiz (real), e, ao final das contas, informa que não é possível que o real seja passível de se concretizar. Acompanhe:

Ir real izá vel
Prefixo de negação raiz da palavra Terminação de verbo de 1ª conjugação com caráter frequentativo ou causativo (quem me contou isso foi tio Antônio Houaiss) (= passível de)

Então, cada um desses pedacinhos, ou morfemas, é um ingrediente da palavra final. Lindo, não?

Agora eu te digo que, de acordo com Flávia Carone,  vocábulo é uma unidade constituída de morfemas, e o morfema é a menor unidade significativa, que tem a propriedade de se articular com outras unidades de seu próprio nível. A palavra é a maior unidade. (Ou: ingredientes diferentes se misturam para compor receitas diferentes – e o prato / bebida final é a maior unidade nessa minha analogia). E você nem sentiu que eu joguei um conceito teórico em cima de você! RÁ DE NOVO!

Antes de prosseguir com minha tese, eu te pergunto: você chupa limão puro? Toma vodka pura? Come gengibre puro? Então, faça o favor de morrer pra não comprometer minha linha de raciocínio a seguir. Grata.

Leonard Bloomfield (aproveita o link e faz o download!) começou a definir vocábulo formal (sério que você pensou que a saga em torno da definição de palavra já tinha terminado? Tolinho… :D ) a partir de como o trem funciona na frase. E propôs duas unidades formais numa língua:

formas livres – elas se bastam para realizar a comunicação.

formas presas – só funcionam atreladas às formas livres.

Isto posto, temos que uma palavra pode ser composta de:

- uma forma livre mínima, indivisível: lua, sol

- duas formas livres mínimas: beija-flor, couve-flor, vaivém

- Uma forma livre e uma ou mais presas: en-luar-ado, en-sol-ar-ado

- apenas formas presas: im-pre-vis-ível

Aí veio seu Joaquim Mattoso Câmara Jr. com a seguinte notícia: precisa de mais sal nesse molho do Bloomfield. E insere o conceito de

- formas dependentes – elas ficam num espécie de limbo entre as formas livres e as presas: têm mais vida própria que as presas, mas não tão suficientes para se tornarem formas livres. Nesse conceito entram os artigos, preposições, algumas conjunções e pronomes oblíquos átonos: 

A expressão disse-me é composta de uma forma livre (disse, que sozinha já expressa uma comunicação, uma informação) e uma forma dependente da livre, o pronome oblíquo átono me, que sozinho não significa lá grandes coisas.

Como assim, madrasta?

Assim, ó:

Você pode tomar água apenas. Você pode até comer um pouquinho de açúcar (mas espera a sua mãe sair de perto, pra evitar bronca). Mas gengibre e limão, só acompanhados, sozinhos são intragáveis. Só presos a outros ingredientes limão e gengibre fazem sentido. Certo? (E lembre-se: quem consome limão puro e gengibre puro me fez o favor de morrer lá em cima pra não estragar minha teoria!)

E a vodka? Ah, a vodka sozinha não faz muito sentido. Ela depende sempre de algum trem pra se encher de formosura! \o/ ♥



Depois de ler a legenda dessa foto…

maio 3rd, 2013

… você vai poder dizer: “já li de tudo nessa vida”.

bonecotesticulo

 

… que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o repórti da Veja São Paulo anda frilando pros jornais de Viçosa…

De nada. (ou “Queira me desculpar pelo inconveniente”, o que você achar mais apropriado)



As palavras pelas línguas afora (#poção de morfologia nº 2)

abril 29th, 2013

Ideograms_3aDepois de lhe provar que esstrem de palavra não é assim tão simples de definir, vou lhe mostrar que o modo como as palavras se formam é ainda mais doido, e varia de língua para língua. Dois alemães, coincidentemente Augustos, um poeta e outro linguista   (senhor Schlegel e senhor Schleicher, respectivamente), começaram a tentar entender as línguas a partir de uma tipologia morfológica, ou seja, a partir da forma como as palavras /vocábulos vão se formando de língua para língua. E o negócio começou a…. eu ia dizer tomar forma, mas vou fugir do trocadilho fácil ;)

Vamos começar com as línguas que se valem de ideogramas, como o japonês. Já pensaram que um desenhinho só significa uma palavra ou conceito abstrato (daí o nome ideograma)?

Eis alguns exemplos de ideogramas chineses (de acordo com este site daqui, vamos partir do princípio de que essas traduções são confiáveis, e não significam, por exemplo, sorvete de creme, OK?)

 

 

Então, de acordo com a tipologia morfológica, o chinês seria um caso de língua isolante: todas as palavras são raízes, não podem ser segmentadas  ou elementos menores. Pra fazer uma diferenciação maior entre os vocábulos, essas línguas tendem a ser tonais (Reparem como um chinês fala cantando…). Vamos ver um exemplo de frase em chinês (fornecida em aula pela professora Roberta):

wo mai júzi chi zuótian
eu comprar laranjas comer ontem

Ou ontem, eu comprei laranjas para comer.

isoladas

 

Chegamos então no turco, tão em moda por causa da nuóvela Salve Jorge. Pois esse idioma é um caso de língua aglutinante, nas quais as palavras combinam raízes e afixos diferentes para explicar as relações gramaticais. Na língua que não é falada na nuóvela das nove,  podemos citar o exemplo de

kayik

lar

imiz

barco

plural

nosso

Ou nossos barcos.

Em outro caso, o das línguas flexionais ou sintéticas, as raízes das palavras se combinam com elementos gramaticais, que indicam a função das palavras e não podem ser segmentados  na base de um som e um significado ou afixo para cada significado (como é o caso do turco, aí em cima). Isso quer dizer que um pedacinho a mais na palavra traz muitas informações. Exemplo disso? O Latim é um. E o português também, se considerarmos o verbo conjugado cant-á-va-mos , um vocábulo que traz a raiz do verbo, a vogal temática, a desinência modo temporal e a desinência número pessoal (acredite, você já estudou tudo isso do português. Vá tomar um Fosfosol e volte logo! :D )

Tudo muito lindo, tudo muito legal. Mas essas definições daí de cima dão conta das línguas europeias. O que fazer com as línguas indígenas (já falei delas aqui, prestenção!), por exemplo?

Humboldt entrou na parada e, em 1836, propôs outra configuração pra coisa toda (idiossincrasias de dona Wikipedia: o link com a biografia de Humboldt diz que ele morreu um ano antes de sua teoria ser formulada!). Para ele, haveria, ainda, as línguas polissintéticas ou incorporantes. São idiomas com morfologia complexa, que juntam numa só palavra  um sem-número de morfemas que, em línguas sintéticas, por exemplo, renderiam uma frase inteira. Exemplinho básico. Língua esquimó. A palavra é: angyaghllangyugtuo.

angya

ghlla

ng

yug

tuo

bote

aumentativo

adquirir

Volitivo
(Indicativo de vontade)

Indicativo de
3ª pess. singular

Ou ele quer adquirir um grande bote. <– ó que lindo! Temos sujeito, verbo e objeto direto numa única palavra!

Donde se conclui que as línguas não indoeuropeias deram um revertério em tudo e obrigaram os linguistas a revisarem o conceito de palavra e os mecanismos para sua identificação.

lhama1

Isso tudo para concluir que aqui nas poções de morfologia vamos falar da palavra e suas unidades mínimas (morfemas) com significados.

Mas não se preocupem: nos intervalos vou continuar a exorcizar os textos mal-escritos!

E antes de eu me despedir, vamos ruminar um pouquinho do que foi dito aqui com essa post delícia que traz uma aula de alemão – ou como aglutinar morfemas (e existem versões dela em inglês). Permitam-me copiar o texto abaixo:

A língua alemã é relativamente fácil. Quem sabe Latim e está habituado com as declinações, pode aprendê-la sem grandes dificuldades — ao menos é o que os professores de Alemão dizem em suas primeiras aulas.

Em seguida, quando começamos a estudar os der, des, den, dem, die, eles dizem que é moleza: tudo é apenas uma questão de lógica. Realmente é muito simples; podemos ver isso no exemplo que passamos a examinar.

Tomemos um honesto livro alemão: um volume magnífico, encadernado em couro, publicado em Dortmund, que descreve os usos e costumes dos hotentotes (em Alemão, hottentotten).

O livro nos conta que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas de um tecido (Lattengitter), para abrigá-los do mau tempo. Essas jaulas são chamadas, em Alemão, “jaulas cobertas de tecido” (Lattengitterkotter); assim que botam um canguru dentro delas, ele é chamado Lattengitterkotterbeutelratten, “o canguru da jaula coberta de tecido”.

Um dias os hotentotes capturaram um assassino (Attentater), acusado de ter matado uma mãe (Mutter) hotentote – Hottentottermutter -, que tinha um filho tonto e gago (stottertrottel). Essa pobre mãe se chama, em Alemão, Hottentottenstottertrottelmutter, e seu assassino é chamado de Hottentottenstottertrottelmutterattentater. A polícia prendeu o assassino e o enfiou provisoriamente numa gaiola de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter), mas o prisioneiro escapou. As buscas mal tinham começado, quando surgiu um guerreiro hotentote, gritando:

— Capturei o assassino! (Attentater).

— Sim? Qual? — perguntou o chefe.

— O Lattengitterkotterbeutelratterattentater! — respondeu o guerreiro.

— Como assim? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tecido? — perguntou o chefe dos hotentotes.

— É, sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentater (o assassino da mãe hotentote de um menino tonto e gago) — respondeu o nativo.

- Ora , respondeu o chefe, tu poderias ter dito desde o início que tinhas capturado o Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotter beutelrattenattentater.

Como dá para ver, o Alemão é uma língua fácil; basta a gente se interessar um pouquinho..

 

Até breve! \o/



Palavra: que trem é esse? (#poção de morfologia Nº 1)

abril 29th, 2013

Salve!

palavralhama

Antes de mais nada, eu devo algumas explicações aos encostos de longa data: como vocês já devem saber, estou cursando Letras na UnB. Na cadeira de Morfologia, a professora Roberta Ribeiro (pupila do lindo do Dioney Moreira Gomes, de quem não me canso de falar aqui) propôs como um dos itens de avaliação que cada aluno criasse um Ambiente Virtual Multiletrado, ou AVM. Explicação vai, explicação vem e eu concluí: “Mas bah, que eu tri-faço isso desde 2009!” Então, vou fazer aqui no meu blog-caldeirão os posts sob temas determinados pela professora Roberta, que serão identificados no título como “Poções de Morfologia”. Afinal de contas, isto aqui é um caldeirão, né? Isso tudo pra lhe pedir humildemente que comente, questione e principalmente elogie bastante os textos das poções de morfologia, para que eu não lhe jure hemorroidas :P #numpresto #valhonada

Enfim. Vamos abrir os trabalhos falando das palavras.

E aí, como definir esse trem? RÁ!

Meu personagem preferido dos memes de Internet, a Lhama Linguista, aí do lado, já nos apresenta o drama que vai ser (“Tente definir a palavra “palavra” – o cérebro explode).

Valter Kehdi (nota mental: já que vou lincar mondilivro por aqui, ver como fazer pra ganhar uns troquinhos do Submarino ou de outra livraria) aceitou esse rojão (até porque ele não poderia fugir da raia, posto que é Doutor em Letras pela USP).  E olha que ele viu que o trem não ia ser fácil.

No livro acima lincado, doutor Kehdi cita a nomenclatura Gramatical Brasileira para definir

a palavra, considerada, do ponto de vista fonético, constituída de fonemas e sílabas e provida ou não de tonicidade, recebe a designação de vocábulo; palavra é a denominação mais adequada se enfocarmos o ponto de vista semântico. (página 10)

pra depois dizer que essa distinção não faz a menor diferença pra linha de raciocínio dele. A seguir, ele usa alguns critérios para caracterizar a palavra, e mostra, por A mais B, que o trem né fácil, não. Mas ele nos fornece os ingredientes pra nossa primeira poção de morfologia: como preparar  uma palavra. Vamos acompanhar.

- Critério fonético: Ah, a palavra é um conjunto marcado por um só acento tônico. Certo? Er… sim, até porque nesse critério encaixam-se perfeitamente os exemplos xícara, mármore, esôfago (não me perguntem de onde surgiu essa palavra). Mas o que fazer quando, por exemplo, a expressão com as amigas chega na porta da boate e diz que atende aos critérios do convite para a festa? (Agora imagine a expressão acima parada na porta da buátchy berrando com o leão-de-chácara: somos um conjunto marcado por um só acento tônico, e vamos entrar na buátchy! Sai da frente, recalcado! Pronto, de nada! :D ) E ao fugir da confusão na porta da buátchy (cuja grafia correta não é essa, e por isso foi marcada em vermelho), vamos ver outro caso em que o critério fonético faz MUITA (eu disse MUITA ) diferença na interpretação de um texto:

Mas adulterados ou adúlteros, voltemos a doutor Valter, que nos oferece outro critério para caracterizar as palavras:

- Critério Semântico (palavra e homonímia): Esse critério é tão lindo, mas tão lindo, que para derrubá-lo Kehdi se vale de uma mesóclise :D : (“Os casos de homonímia revelar-se-ão problemáticos”). Se você ainda não entendeu o entrave desse critério, pegue como exemplo a palavra manga. Agora decida se você está falando de uma fruta ou de uma parte de um item de vestuário. Beijinhos. :D

Só para ilustrar esse critério mais um cadim, como diriam os mineiros,  me lembrei de uma crônica deliciosa de Luis Fernando (O Verissimo, filho de seu Érico), em que ele conta o que um software de tradução automática fez com a letra do Hino Nacional Brasileiro (e se você clicar no link fornecido ainda ganha de brinde a tradução dessa crônica feita por um – adivinha – software de tradução automática! De saída, Jorge Furtado virou The Stolen George. Delícia! :D )

Insolência (Crônica publicada no Jornal do Brasil em 1997, e encontrada aqui)

O Jorge Furtado comprou um programa de traduções para o seu computador e fez uma experiência. Digitou toda a letra do nosso Hino Nacional em português e pediu para o computador traduzi-la sucessivamente em inglês, francês, alemão, holandês etc. Do português para o inglês, do inglês para o francês e assim por diante até ser traduzida da última língua de volta para o português. Segundo o Jorge, a única palavra que fez todo o circuito e voltou intacta foi “fúlgidos”. Em inglês, “salve, salve” ficou “hurray, really hurray” e parece que em alemão o texto ficou irreconhecível como hino mas, em compensação, reformula todo o conceito kantiano de transcendentalismo enquanto categoria imanente do ser em si.
Vou sugerir ao Jorge que faça outro teste e peça para o computador traduzir um texto em que conste a expressão “barato estranho”, só para dar boas risadas. Confesso que o meu barato é ver computador ridicularizado. Um pequeno gesto de resistência, à beira da obsolescência. Não posso mais viver sem o computador, mas a antipatia cresce com o convívio. Agora comprei um programa de texto à prova de erro ortográfico. O computador não me deixa errar, por mais que eu tente. Subverte o que eu tenho de mais pessoal e enternecedor e sublinha a palavra errada em vermelho insolente. A palavra “agora”, aí em cima, apareceu na tela sublinhada. Ele está provavelmente sugerindo que talvez eu queira escrever “ágora”, praça das antigas cidades gregas. Não, “ágora” também saiu sublinhada. Sua mensagem é que eu tenho uma escolha entre as duas palavras, sua insinuação é que eu não sei a diferença. E quando não existe opção e o que eu escrevi está irremediavelmente errado – ele corrige sozinho! Eu tento repetir o erro, só para mostrar que alguns dos nossos ainda não se intimidaram, e ele não deixa.
Sei que não demora o programa que corrigirá sintaxe, pontuação e concordância e ainda fará comentários irônicos sobre o estilo. Que venha. Tradução eles não sabem fazer. Rá!

Mas voltemos a Kehdi. ele não desiste, e propõe um terceiro critério. Esse é o menos problemático de todos:

- Critério léxico: Bernard Pottier define lexia como a unidade lexical memorizada.

(Ih, Madrasta, entendi bulhufas!, dirá você. Aí eu lhe digo: pega aquele negóço que você abre pra se proteger da chuva. Agora pensa no nome desse troço. Guarda-chuva, né? Então, temos uma unidade lexical. Guarda-chuva está registrado nos seus neurônios como  a unidade lexical que você usa pra definir esse troço que você sempre esquece dentro do ônibus quando não está mais chovendo. Porque as unidades lexicais podem ser simples (pense naquele negócio que você usa pra tomar chá, a xícara) ou compostas, como é o caso do guarda-chuva).

Mas voltando à nossa unidade lexical. O seu Pottier amigo do doutor Valter explica que qualquer outro vagão que você tente enfiar nesse trem não vai mexer muito na composição final. você pode dizer guarda-chuva novo, ou novo guarda-chuva, que a compreensão vai se manter. E se alguém tentar dizer guarda-novo-chuva você vai entender que o zifio em questão tá falando um troço meio errado….

E mais uma vez a mesóclise entra em campo pra mostrar o calcanhar de aquiles desse critério de definição.

Peguemos, pois, o vocábulo obedecerei. Ao acrescentarmos um pronome oblíquo dentro desse vocábulo (obedecer-TE-ei), vemos a separação de seus elementos constitutivos. Mas seu Pottier dá conta dessa crise rapidinho e separa alhos de bugalhos: obedecerei não é uma lexia, embora seja reconhecido como palavra.

Algo me diz que muito em breve vamos voltar às conjugações verbais aqui nas poções de morfologia pra continuar definindo esstrem de palavra. (Desnecessário dizer que as mesóclises serão as vedétchys das poções de morfologia, né?)

Aí eu fui catar web afora um link pra ilustrar melhor esse post, e encontrei essa coisamalrindadomundo que é essa letra do Teatro Mágico. Não sei se é a TPM, mas eu tô aqui chorando.

 

 

Palavra
Tenho que escolher a mais bonita
Para poder dizer coisas do coração
Da letra e de quem lê
Toda palavra escrita, rabiscada
No joelho, guardanapo, chão
Ponto, pula linha, travessão

E a palavra vem
Pequena
Querendo se esconder no silêncio
Querendo se fazer de oração
Baixinha como a altura da intenção na insegurança
Vírgula, parênteses, exclamação
Ponto, pula linha, travessão

E a palavra vem
Vem sozinha
Que a minha frase invento pra te convencer
Vem sozinha
Se o texto é curto, aumento pra te convencer
Palavra
Simples como qualquer palavra
Que eu já não precise falar
Simples como qualquer palavra
Que de algum modo eu pude mostrar
Simples como qualquer palavra
Como qualquer palavra.



O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! :P

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

abrehaddad

De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[...e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[... menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda...] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora...] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante...]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso...]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d'água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV'ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o "obra de vulto". Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: "Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela" <-- ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro... tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí...]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 



Jogo dos erros – agora com os erros destacados

abril 11th, 2013

A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso.

Então, vamos usar essa excrescência (<– atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia.

Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que o Feliciano cometeu 

Encontrem abaixo os erros de português cometidos pelo sujeito que ousa usar o nome dum cara tão genial quanto Jesus Cristo para… (ah, vocês sabem pra quê!)

 

Mais tarde eu comento aqui os absurdos desse texto – E OLHA QUE EU VOU ME ATER TÃO SOMENTE À GRAMÁTICA E À ORTOGRAFIA, HEIN?!?!

PastorFelicianoBatalha

1- Não existe verbo ensinuar. O que existe são os verbos:

Insinuar

verbo bitransitivo e pronominal
 introduzir(-se) devagar e com cautela
Exs.: insinuou-lhe um sonífero no chá;  insinuava-se entre as árvores para vê-la banhar-se

transitivo direto, bitransitivo e pronominal
fazer penetrar ou penetrar de forma gradual e sutil (no espírito, na mente)
Exs.: i. uma doutrina satânica (na mente das crianças); a dúvida começava a i.-se em sua mente

transitivo direto
deixar que se perceba sem expressar claramente; dar a entender, sugerir Ex.: i. uma acusação

(ui! Tio Antônio só pensa *na-qui-lo*! :D )

E

Ensinar

verbo
transitivo direto e bitransitivo
repassar ensinamentos sobre (algo) a; doutrinar, lecionar
Ex.: e. português (a estrangeiros)

transitivo direto e bitransitivo
Derivação: por extensão de sentido.
transmitir (experiência prática) a; instruir (alguém) sobre
Ex.: o trapezista deve e. sua arte (ao filho)

bitransitivo
mostrar com precisão; indicar
Ex.: ensinou-lhes o rumo a tomar

transitivo direto
reinar (animal); adestrar
Ex.: e. um cão

intransitivo
dar aulas
Ex.: nasceu para e.

 

2- Palavras proparoxítonas, ou seja, que têm como tônica a terceira sílaba contando de trás pra frente (também conhecida como antepenúltima), são todas acentuadas, sem exceção. Como a palavra lésbicas. Que não foi acentuada pelo sujeito que cometeu esse texto.

 

3- Vamos aproveitar o chorume daí de cima para algo útil? então, vamos apresentar aqui as regras para hífen definidas no Novo Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. O segredo a guardar é: letra igual e agá. Só nesses casos a palavra leva hífen. Mais detalhes neste post aqui.

No caso da palavra composta pelo prefixo bi (dois) + sexual (referente a sexo; praticante de sexo) , o prefixo termina com uma letra diferente da que inicia a palavra à qual ele vai se ligar. Portanto, não há hífen, o prefixo se liga automaticamente à palavra formando um novo vocábulo. Mas note: todos os ajustes necessários, como dobrar érres e ésses quando necessário (CASO DE BISSEXUAL) devem ser aplicados ao novo vocábulo. Ou isso ou você deve ler bisexual como bizequissual). enfim, não.

 

4- A palavra política, proparoxítona, é obrigatoriamente acentuada; família, paroxítona terminada em ditongo decrescente (duas vogais: a primeira muito bem falada, a outra quase sumida na pronúncia) também é acentuada.

 

5- afim escrito assim, junto, significa semelhante, parente, ou qualquer coisa que tenha afinidade (lembra do Big Brother que você nunca mais esquece!); a fim, escrito separado, significa “com o objetivo de“, “com a finalidade de” ou simplesmente “para“.

 

6- O trecho (…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate, não deixe de participar, traga sua opinião se escrito fosse por alguém com um mínimo de intimidade com os sinais de pontuação, ficaria assim:

(…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate -PONTO. Não deixe de participar-PONTO DE EXCLAMAÇÃO! Traga sua opinião -PONTO DE EXCLAMAÇÃO!

 

7- ele não deveria ter nascido. <– questão desclassificada, posto que eu prometi me ater apenas às questões ortográficas dessa excrescência em forma de texto.

Conclusão:

foto (7)

 



O advento do último dia de abril

março 1st, 2013

Queridos encostos,

Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês.

 

Façam assim:

1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém.

2- Agora reparem o “nó” de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois “nós” de osso tem um “vale”.

3- Comece a contar janeiro a partir do nó do dedo fura-bolo, e fevereiro será contado no “vale” à direita.

4- O “nó” do mindinho é o mês de julho.

5- E agora, Madrasta, cabô a mão, o que eu faço? – volte pro nó do fura-bolo e conte de agosto até dezembro.

6- Todos os meses contados nos nós dos dedos têm 31 dias. Os meses dos vales têm menos de 31 dias (30 ou, no caso de fevereiro, 28 ou 29).

 

Agora, vamos todos fazer esse feitiço juntos pra exorcizarmos o 31 de abril do Correio Braziliense!

(Mas antes eu agradeço ao Constâncio Viana Coutinho, que compartilhou a teteia (sem acento) no Facebook)

abrilCB

Vambora, conta com a ajuda de todos! /o\



Querido Fantástico….

fevereiro 4th, 2013

Você está fazendo isso MUITO errado…

(Via Maristela Alves, no Facebook)

fantastico



Língua de índio – e você reclamando da crase! O_o

janeiro 21st, 2013

Espero que antes de chegar aqui você tenha entendido, de uma vez por todas, que usar a construção “mim fazer” é gramaticalmente correto. Mim é sujeito do infinitivo, quer o seu professor ignorante de português queira ou não. e todas as outras línguas do mundo estruturadas no esquema sujeito-verbo-objeto aceitam apenas – e tão somente – o pronome objeto como sujeito do infinitivo.

Daí a ameba estufa o peito pra dizer que índio não sabe falar direito, é um ser muito primitivo.

Aham, sei.

Quer ver como as línguas indígenas brasileiras são primitivas (só que não)? Então, passo a palavra ao professor Aryon Dall’igna Rodrigues (jogue no Google e mooooooooorra de vergonha da sua insignificante existência!), no livro “Línguas Brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas”, das Edições Loyola (1994). O trechinho a seguir pode ser encontrado nas páginas 25 e 26. (e você deverá resistir à piadinha fácil com os dois últimos exemplos! É UMA ORDEM!)

Outro exemplo de diferentes organizações gramaticais pode ser observado nos demonstrativos. O Português tem um sistema relativamente complexo (mais complexo, por exemplo, que o do francês, o do inglês ou o do alemão), no qual a escolha do demonstrativo pelo falante é condicionada pela relação de proximidade entre o objeto assinalado e os interlocutores (este, perto do falante; esse, perto do ouvinte; aquele, afastado de ambos); pela especificidade do objeto designado (especificado: quero este mamão ou quero este; não-especificado: quero isto); pela classe gramatical (Gêneros masculino e feminino), do nome do objeto (este mamão; esta maçã); e pelo número (singular ou plural) do mesmo nome (este mamão, estas maçãs).

No Kadiwéu também há, como no Português, dois gêneros e dois números, que determinam a escolha dos demonstrativos, mas não é levada em conta a especificidade do objeto. Fatores adicionais de condicionamento da escolha são, entretanto, a dinamicidade do objeto, distinguindo-se entre objetos em movimento e objetos estáticos; no caso de objetos em movimento, distingue-se a orientação do movimento em relação ao falante: objetos que se aproximam e objetos que se afastam; no caso de objetos estáticos, distingue-se a posição destes: objetos longos em posição vertical ou objetos suspensos, objetos curtos não suspensos e objetos longos em posição horizontal. Exs:

nGida Goneleegiwa, ”este homem” (masculino, singular, parado, em pé);
nGini Goneleegiwa “este homem” (masculino, singular, parado, sentado);
nGidi Goneleegiwa “este homem” (masculino, singular, parado, deitado);
nGada iwaalo “esta mulher” (feminino, singular, parada, em pé);
nGadi iwaalo “esta mulher” (feminino, singular, parada, deitada);
nGidiwa Goneleegiwadi  “estes homens” (plural, parado – no plural não se distingue o gênero nem a posição);
nGidjo Goneleegiwa “este homem” (masculino, singular, afastando-se);
nGina Goneleegiwa “este homem” (masculino, singular, aproximando-se);
nGana iwaalo  “esta mulher” (feminino, singular, aproximando-se);
nGinowa iwaalepodi  “estas mulheres” (plural, aproximando-se).

 

E há ainda um sexto valor que se manifesta nos demonstrativos dessa língua, o diminutivo:

nGidi iwooGo “este pau” (masculino, singular, parado, horizontal);
nGidida iwooGo “este pauzinho” (masculino, singular, parado, horizontal, diminutivo.

(RESISTA! EU TÔ MANDANDO!!!)

E você reclamando que não entende crase….

A partir de agora, em vez de dizer mim  não faz porque mim não é índio, complete a frase com mim é ameba preconceituosa!



Mim não faz isso, mas isso pode ser para mim fazer. Calma que eu explico!

janeiro 21st, 2013

Feliz ano novo, amebas! Tô aqui devendo um post há mais de mês, né? Mas não fiquem tristes, a bruxa voltou! ♥♥♥

E eu volto com propensão a barraco! Vou criar polhêmica (porque eu não sei atacar de DJ).

(E um beijo pro professor Dioney Moreira Gomes, que me deu esta aula! \o/ )

 

E aí? Você é mais um daqueles que sai acorrejeiando os outros por aí dizendo que mim não faz porque mim não é índio?

Então este post será um duplo puxão na sua orelha!

Vamos começar nomeando os bois, digo, os pronomes.

Há dois tipos de pronomes pessoais: os retos e os oblíquos. Vamos escalar os times:

Pronomes retos: eu, tu, ele (ela), nós, vós, eles (elas)

Pronomes oblíquos: me, mim, comigo, te, ti, contigo, o, a, lhe, se, si, consigo, nos, conosco, vos, convosco, os, as, lhes, se, si, consigo.

Agora desarregale esse olhos assustados e abestados, e acompanhe o que eu vou te contar.

- Os pronomes retos acabam por ter uma função bem característica de sujeito da frase: eles mandam no predicado, no verbo, no objeto e se bobear estão aí te mandando sentar direito na cadeira pra não ficar com dor nas costas!

- Os pronomes oblíquos são relegados à função de (e por isso são também conhecidos como) pronomes objetos. Não se metem com o sujeito.

Isto posto, todos concordamos que, segundo as normas do português culto, devemos dizer:

Eu faço isso (eu = sujeito da frase, pronome pessoal reto, tá mandando nas outras duas palavras da frase que, reprimidas, obedecem caladas)

Este presente não se destina a mim (Este presente = sujeito da frase; não se destina a mim = predicado; a mim = objeto indireto, já que temos uma preposição antes do pronome. Portanto, conclui-se que o mim não só deve ser usado como objeto, mas é altamente recomendável que esse objeto seja do tipo indireto, e tenha uma bela de uma preposição para recebê-lo!)

Aí você está dizendo agora: Mas então, Madrasta! Pelo que você está dizendo, “mim não faz” nada! Pois receba um pescotapa e assossegue o facho que eu ainda não acabei de explicar, ô coisa!

Vamos pensar agora nesta frase:

Este trabalho não é para mim

Está correta? Mas é claro que está! O sujeito da frase é este trabalho. Portanto, para mim é o objeto indireto da frase.

 

Agora começa a bruxaria: e se eu enfiar um verbo no final desta frase? Como fica?

Este trabalho não é para ____ fazer

 

Antes que você responda é pra EU fazer, bruxa besta! Mim não faz nada, mim não é índio! e eu te enfie outro pescotapa, vamos consultar as outras línguas. Vamos traduzir a frase para:

Inglês: This work is not for ME to do

Francês: ce n’est pas à MOI de faire ce travail

Espanhol: Este trabajo no es para MÍ hacer

TODOS os pronomes acima são objetos. NENHUM é pronome reto! Repare que, pelo seu raciocínio, os índios franceses, ingleses e espanhóis fazem coisa bagarai,  né? E agora, onde está sua certeza?

Calma que eu não vim aqui para confundir, mas para esclarecer!

O que você ouviu do seu professor na escola foi que mim não faz, porque mim não é índio! Isso aqui é para EU fazer! E pronto. Você não pediu maiores explicações, e seu professor não lh’as deu.

Ocorre que o português é uma das poucas línguas do mundo (se não me engano, outra seria o catalão) que admite TANTO O PRONOME RETO QUANDO O PRONOME OBJETO nesses casos.

Portanto, estão corretas tanto

Este trabalho não é para MIM fazer

Como

Este trabalho não é para EU fazer

Admite-se o uso do pronome objeto, uma vez que a oração para mim fazer é uma oração subordinativa objetiva indireta: ela é uma oração, com verbo e tudo, que age como objeto indireto da oração principal (este trabalho não é) . Mas também admite-se o uso do pronome reto, posto que o verbo fazer pede um pronome de respeito, e não um objeto qualquer…

Claro que convencionou-se que a norma culta só admite a forma para eu fazer pelos motivos já explicados (e derrubados) acima (Mas essa mesma norma culta admite o uso da construção o professor não lh’as deu, que eu usei agora há pouco, de propósito, e você deve ter torcido o nariz.). Portanto, se o mim fazer ainda doer nos seus ouvidos,  use o eu fazer.

Eu, pessoalmente, devo confessar que, de tanto ouvir a correção e usá-la, as duas formas me incomodam, porque eu sempre achei que um pronominho objeto ficaria mais em casa lá ao lado do fazer. Na dúvida, altere a frase pra não usar nem uma forma nem outra.

É isso. Estrebuchem à vontade nos comentários!

Mas cadê o outro puxão de orelha, Madrasta?

Fico devendo pra depois. É sobre você tratar língua indígena com preconceito. Mas pra isso vou precisar de uma cópia do livro do professor Aryon, que não está comigo neste momento. Deixo pra amanhã!

(P.S.: se eu chamei de objeto indireto um predicativo, e você souber apontar esse erro, por favor me avise! :D )



Anônima só que não

novembro 22nd, 2012

Antes de mais nada, peço milhões de desculpas à pessoa que me enviou esta teteia. Eu fiquei empolgadíssima pra postar, mas estava enrolada, copiei a imagem no meu desktop e simplesmente me esqueci… E me esqueci de tudo: não só de fazer o post como quem foi o dileto ectoplasma suíno que me enviou a imagem!

Então, meu caro / minha cara: se foi você, manifeste-se, por favor! Autorizo-lhe, inclusive, a me dar algumas chibatadas… :D

Mas vamos ao que interessa:

Impossível não amar a imprensa brasileira, gente!

Essa coisa maravilhosa (por favor, refiro-me ao texto! A notícia é tenebrosa, credo-cruz!) que eu vou mostrar pra vocês veio da cidade de Viana, no Espírito Santo.

Acompanhem o drama:

A tia, Luciana Batista Moreira, de 32 anos, teve a identidade preservada. Só que não…

Parabéns aos envolvidos! \o/



A Essência do preconceito 2 – a missão

novembro 11th, 2012

A Veja desta semana superou-se no quesito vamos escrever bosta

O artigo de JR Guzzo tá… OK, vou me abster de comentar a qualidade desse troço. Vou PROVAR.

A Lele do Te dou um dado? atinou para um detalhe do texto:

 

Eu já havia feito isso com um discurso da Miriam Rios, há mais de ano, lembram?

Então, faço novamente. Vou substituir homossexual por negro; homofobia por racismo, e por aí vai. Todas as substituições estarão destacadas em negrito e vermelho.

Vou colar o texto original e o “adaptado” pra você poder comparar. E vou marcar como cortado partes do texto que citam casos factuais, nas quais a mera substituição não faz muito sentido, ainda que não perca de todo o valor (por exemplo: o texto fala do kit gay, e cita Oscar Wilde como homossexual, na substituição ele virou negro. A coisa não faz sentido, mas ainda assim ajuda a ilustrar. Nesses casos, cortei sem eliminar o texto. E olha que eu cortei pouco, viu?

Mas se você quiser desmerecer o texto pelo caminho mais fácil, faça como o Cardoso, e jogue a história da panela Tefal no Google.

Vamos lá?

Primeiro, o texto original, com os devidos destaques:

*****************

Parada gay, cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gays ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

*******

Agora, o texto “adaptado”:

 

Parada negra , cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser negro era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o racismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao racismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit racial” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que gente de cor negra  é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa negra” no país) fez insinuações agressivas quanto à raça do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é negro, ou apenas pró-negro, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 [Obs.: Esse é o crime citado no texto original, referente à injúria. O crime de racismo é a  lei 7.716/1989, também conhecida como lei Caó, que tornou o racismo crime inafiançável]  do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o racismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas negros é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do racismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida negro, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit racial, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao racismo , e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os negros devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa negra tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade negra” é que a “comunidade negra” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento negro” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os negros, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são sua raça – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade branca” para agrupar os indivíduos que não são negros. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os negros como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 negros foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os negros; é a violência contra todos. Os negros são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os brancos; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra negros? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os negros, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra racismo”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do racismo , como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa negra”.Ainda no mês de junho, na última Parada Negra de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de racista”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o racismo é considerado preconceituoso”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de negros, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de negros, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Negros se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas de duas raças diferentes podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os negros, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento inter-racial serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Negros podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar o racismo em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra negros que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos negros, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização do racismo é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com o racismo? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o racismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os negros já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser negro ; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, negros iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas negras ou projetos de lei contra o racismo, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os negros não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos negros, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de raça.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

 

Enfim. AVALIEM.

(Começo a sentir falta de uma categoria “Cejura?” aqui no blog. Da última vez que isso aconteceu, nasceu a “PORRA, FOLHA!” que, coitada, desta vez tem nada a ver c’a parada…)



E viva Carlão!!!

outubro 31st, 2012

Se vivo fosse, Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos hoje.

Já publiquei aqui no caldeirão os votos sinceros de ano novo que ele outrora desejou. Mas não posso deixar a data passar em branco. Então, hoje publico minha preferida dele (e destaco o trecho que mais me arrupia!)

Divirtam-se! :D

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.



Sou-me

outubro 30th, 2012

Estou há eras pra postar este texto aqui. Tive contato com esta belezura na prova de Linguística.

o texto chama-se “sou-me”, e foi escrito por um cara novo, um tal de Fernando Pessoa…

deliciem-se com o Fernandão (o Pessoa, fazfavô…)

Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido, a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. E certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros.

Analisando-me à tarde, descubro que o meu sistema de estilo assenta em dois princípios, e imediatamente, e à boa maneira dos bons clássicos, erijo esses dois princípios em fundamentos gerais de todo estilo: dizer o que se sente exactamente como se sente – claramente, se é claro; obscuramente, se é obscuro; confusamente, se é confuso -; compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei.
Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, “Aquela rapariga parece um rapaz”. Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, “Aquela rapariga é um rapaz”. Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, “Aquele rapaz”. Eu direi, “Aquela rapaz”, violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, e da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.
A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi “Sou”. Se quiser dizer que existo como alma separada, direi “Sou eu”.
Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo “ser” senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi “Sou-me”. Terei dito uma filosofia em duas palavras pequenas. Que preferível não é isto a não dizer nada em quarenta frases? Que mais se pode exigir da filosofia e da dicção?
Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente. Sirva-se dela quem sabe mandar nas suas expressões. Conta-se de Sigismundo, Rei de Roma, que tendo, num discurso público, cometido um erro de gramática, respondeu a quem dele lhe falou, “Sou Rei de Roma, e acima da gramática”. E a história narra que ficou sendo conhecido nela como Sigismundo “super-grammaticam”. Maravilhoso símbolo! Cada homem que sabe dizer o que diz é, em seu modo, Rei de Roma. O título não é mau, e a alma é ser-se.



E o ânus sempre acaba (mal) usado, coitado…

outubro 30th, 2012

Vergonha alheia. Mau gosto alheio. Falta de noção alheia. Tudo alheio. Inclusive a boa imagem do queridocliente. [suspiro]

 

Vou republicar este post de 2009. Só pra atualização.

Primeiro, fiquemos com o texto original de 2009:

 

Isto chegou-me no Twitter via Flávia Durante.

Não me canso de dizer aqui que amebice publicitária é sempre obra coletiva. O primeiro jênio tem a ideia, daí vem outro pra executar, outro pra apresentar ao queridocliente e duas ou três amebas-cliente para aprovarem a bagaça. Formação de quadrilha, portanto.

Não sei se  é o caso de compadecimento ou de vergonha alheia das amebas que inventaram essa coisa em forma de publicidade. Aliás, me digam se o queridocliente pagou para ter uma imagem positiva ou negativa nesse reclame(/expressãovelha), porque nem isso ficou claro. O que ficou claro, aliás, claríssimo, nessa obra, foi o palavrão. Que não seria de bom tom nem se a peça em questão tivesse como público-alvo a parada gay. Como se homossexual gostasse de agressão gratuita e de palavras de baixo calão só por ser homossexual…

[suspiro...]

E agora, a atualização tonitruante, com igual probleminha de separação inadequada de palavras, via João Márcio no Faceboook:

 

Conclusão:

Berra a cabra, berra o bode, sempre acaba sobrando para a região retrofuricular, como diriam os cassetas…



O poste mais lindo do Brasil não entende a diferença entre o texto pra ser lido em silêncio e o texto pra ser falado. Mas eu explico! ♥

outubro 29th, 2012

(e de lambuja procêistudo o pai e o filho lheandos! :D )

 

Ainda extasiada com a vitória de Fernando Haddad, o poste mais lindo que Lizinácio já ergueu neste país (#numpresto), soprei e bufei de raiva com o discurso da vitória que ele leu (Sua bruxa feia! Rouba o texto na cara dura do blog da linda da Denise Queiroz e nem tchuns pra agradecer a zifia? Já pro castigo! Denise, sua linda, obrigada por postar o texto que eu roubei sem nem lhe pedir permissão! :P )

Vamos combinar: de que adianta usar um teleprompter transparente à la Baracão Obama se o texto é mal produzido?

Não vou dizer que o texto é mal escrito, pois isso seria injustiça. Ele está bem redigido, sim, senhor! Só que, pro propósito dele (ser um texto falado, como se não estivesse sendo lido), falhou retumbantemente.

Mas não se preocupe, Haddad! Eu vou dar uma mexidinha aqui e outra acolá (porque seu texto não carece de ser exorcizado), e ele vai ficar nos trinques pra ocasião!

Reparem no que eu vou fazer, com um único objetivo: deixar o texto informal como uma fala cotidiana (vou nem mexer na correção gramatical, como alguns devem estar pensando).

A ver:

 

Minhas amigas e meus amigos. Agora eu sou o prefeito eleito de São Paulo, graças à  Pela vontade soberana dos paulistanoseleitores daqui, sou agora o prefeito eleito de São Paulo. Uma alegria imensa e uma enorme responsabilidade enorme tão brigando por espaço aqui dentro do meu peito agora. dividem espaço no meu peito. Mas o sentimento mais forte, porém, é de gratidão.Quero agradecer em primeiro lugar aos milhões de homens e mulheres que me confiaram o voto. Minha família, minha mulher Ana Estela, minha filha Carolina e meu filho Frederico, que fizeram muitos sacrifícios para me ajudar nessa jornada. Quero agradecer do fundo do coração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viva o presidente Lula!

Agradeço ao presidente Lula do fundo do coração ao Lula pela confiança, orientação e apoio, sem os quais seria impossível eu lograr qualquer êxito[PORRA, HADDAD!!! LOGRAR ÊXITO, HADDAD!?!?!?] conseguir qualquer forma de sucesso nessa eleição. Quero agradecer uma outra [#PORRAHADDAD nº 2: ou é uma, ou é outra! Uma outra, não, cacete!!]  grande liderança nacional, a presidenta Dilma Rousseff. Agradeço à presidente Dilma pela presença vigorosa na campanha desde o primeiro turno. Pelo estímulo pessoal e o conforto nos momentos mais difíceis dessa campanha.

Quero agradecer os partidos coligados do primeiro turno, nos quais sintetizo minha homenagem na com um agradecimento especial à  figura valorosa da companheira, minha vice, Nádia Campeão. Quero agradecer aos apoiadores que ampliaram nossa corrente no segundo turno, nos quais sintetizo minha homenagem e meu agradecimento nas figuras do  com um agradecimento especial ao querido deputado Gabriel Chalita e ao vice-presidente Michel Temer. Muito obrigado presidente Michel Temer. [sintetizo a homenagem?!!?!?!?!?! Isso é coisa de uspiano, é?!?!!? O_o E a faculdade de Letras da USP? Tá sabendo disso?]

Quero fazer meu agradecimento muito especial ao meu partido, Partido dos Trabalhadores. Partido que se lançou de corpo e alma nessa luta pacífica em favor do povo de São Paulo. Como seria impossível nomear milhares de colaboradores diretos, sintetizo meu agradecimento e minha homenagem na figura  que todos se sintam agraciados com minha homenagem à figura decisiva e equilibrada do meu coordenador Antonio Donato.[baixou um exú-químico nesse texto que resolveu sintetizar homenagens e agradecimentos, é?!?!?! O_o]

Quero agradecer a todos, quero agradecer por último, mas não menos importante, a todos meus opositores que me obrigaram a extrair o melhor de mim nessa campanha para que eu pudesse superar a eles poder superá-los em uma disputa limpa e democrática. A todos indistintamente o meu muito obrigado.

Fui eleito pelo sentimento de mudança que domina a alma do povo de São Paulo. Sei da enorme responsabilidade de todos que são eleitos pelo signo da mudança. Ser eleito pela força da mudança significa não ter tempo a perder. Não ter medo de enfrentar, nem ter justificativas a dar para tornar esse sonho realidade. Significa não ter paciência e não pedir paciência. Antes de tudo, traçar prioridades e unir a cidade em torno de um projeto coletivo, de todos os paulistanos, de todos os moradores de São Paulo.

Meu objetivo central está plenamente delineado [que foi? cê tá esperando eu reclamar desse plenamente delineado?!?!?! Inda tô passada com a sintetização de agradecimentos, me deixa....], discutido e aprovado pela maioria do povo de São Paulo. É diminuir a grande desigualdade existente emna nossa cidade, é derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica e a cidade pobre. Somos uma das mais ricas e ao mesmo tempo uma das mais desiguais do planeta. Não podemos deixar que isso siga assim por tempo indeterminado, exatamente no momento em que o Brasil vem passando por uma das mudanças sociais vigorosas do mundo. A prefeitura tem um papel importante nisso, pois é elaporque é ela quem vai cuidar que cuida da oferta e da qualidade de alguns dos serviços públicos mais essenciais como a saúde, o transporte, a educação, a habitação, entre outros[ <--- típica muleta de autor de teses e dissertações. o entre outros é genérico e avisa nas entrelinhas: eu posso ter esquecido de enumerar alguma coisa, viu, banca examinadora, mas essa alguma coisa não deixou de ser mencionada! Haddad, seu lindo, use isso só quando for escrever pros seus confrades uspianos, sim? beijinhos!!]

Melhorar esses serviços é também uma forma concreta de distribuir renda, diminuir os desequilíbrios, aumentar e garantir a paz social. Sei que essa não é uma tarefa fácil, dada a complexidade dos problemas que vêm se acumulando nos últimos anos. Mas se São Paulo não conseguir resolver seus problemas, que cidade no Brasil e no mundo conseguirá fazê-lo [Haddad, seu lindo, uma dica da bruxa: futuro do presente e ênclises, próclises ou mesóclises só devem ser usados em textos que não são falados. Neste caso aqui, um texto pra parecer fala natural, você deveria ter escrito assim:] que cidade no Brasil ou no mundo vai conseguir fazer?

O fracasso de São Paulo seria o fracasso desse genial modelo de convivência que a humanidade desenhou ao longo dos séculos para sobreviver e ser feliz. Essa invenção insuperável do gênio humano, que se chama cidade.As cidades foram inventadas para unir, não para desunir. Proteger e não fragilizar. Acarinhar e não violentar. Para dar conforto e não sofrimento. São Paulo tem seus grandes problemas, mas tem e terá as próprias soluções. O Brasil moderno nasceu aqui e o surpreendente Brasil do novo milênio também estará está  aqui. Se corrigirmos nossos erros, se superarmos a inércia, se quebrarmos o imobilismo, e se recuperamos a alma criativa e o espírito de empreendedorismo que sempre foram a marca de São Paulo.

Se considerarmos que o texto está genérico até não poder mais, mas:

- não abusa de clichês ou de lugares-comuns, 

- traz um bom arrazoado de boas intenções

- conclama os cidadãos à união 

Parabéns, Haddad, seu texto ficou muito bom. Mas ponha reparo nesses microdetalhes de estilo, sim?

E desde já me ofereço pra canetar seu discurso de posse! PELO AMOR DE DEUS!!!



Títulos perigosos

outubro 23rd, 2012

Queridos jornalistas e políticos de cidades com nomes que sugerem um duplo sentido (Ponta Grossa, Curralinho, Pau Grande, Rolândia etcetcetc):

Muito cuidado com os títulos de redações que envolvam a cidade.

Porque uma hora ou outra vocês fazem um troço desses

E nem se dão conta do que aprontaram…

(Com agradecimentos ao dileto ectoplasma suíno Fábio Mantovani, que enviou a diliça daí de cima via Twitter…)



Por que me ufano de Merval Pereira

outubro 22nd, 2012

Aqui neste blog ninguém fala mal de Merval Pereira!!! Eu não deixo!!!

Um cara que me garante média máxima em Linguística não deve ser blasfemado!

Tudo começou no ano passado, com o quiproquó do livro do Mec, lembram?

Resumo da ópera, em uma frase e uma imagem: Oposição (mais Merval e Sardenberg) chiaram com a publicação do conteúdo da imagem abaixo porque nos microneurônios deles isso aqui é ensinar o aluno a falar errado:
(só mais uma informaçãozinha: esse livro é destinado ao ensino de Jovens Adultos)

Daí que Carlos Alberto Sardenberg resolveu pedir a Merval que tecesse seu sábio comentário a respeito desse livro.

E foi esse comentário que eu e minhas colhégas apresentamos como trabalho final do curso de Linguística. Tiramos dez.

Mas o que que você fez, Bruxa?

Eeeeeeuuu? Ah, fiz nada de mais, não!  Só editei um videozinho… :D

 

Ou seja: NÃO FALE MAL DE MERVAL PEREIRA AQUI NESTE CALDEIRÃO!!!

Cada blog tem a Nicole Bahls que merece, néam? ;)

(Se você quiser saber um cadim mais a respeito de língua padrão e língua não-padrão, dê uma passad’olhos neste texto aqui.)



Acuma?

outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada - quemcossô? oncotô? Proncovô?)



Inimiga da HP

outubro 18th, 2012

Daí o estagiário da HP foi mexer na página que recompensa quem compra cartuchos originais da empresa pra suas impressoras.

O chefe disse “troca recompensa por prêmio, que fica mais claro”.

… e fez-se a bosta:

 

Resultado: eis aqui mais uma inimiga da HP – E PAGODEIRA É A MÃE!!!



Aleluia!!!! \o/

outubro 17th, 2012

Mais um milagre das redações! Conseguiu deixar viva uma sobrevivente!!!

E ó: ainda bem, viu?

Grávidas sobreviventes mortas, quando existem, costumam ser insuportáveis….

 

Um beijo pro jornal de Teófilo Otoni que nos brindou com tão maravilhosa pérola!



Ah, essa regência verbal…

outubro 15th, 2012

Droga!

Tava indo dormir! Adivinha quem não me deixa? Ela mesma, a Rainha da Barão de Limeira!

Ó só essa manchete magnífica só que não:

Depois de me refazer do impacto de um folhacóptero (se helicóptero é um objeto que tem asas em forma de hélices, então um folhacóptero é um objeto que tem asas em forma de folhacó, é isso mesmo produção?) na minha vida, dediquei-me a decifrar o enigma da manchete em questã.

Porque, né? Se você vai atrás, você vai atrás DE algo. Preposição, por favor!!!

Serra e Haddad vão atrás DE votos no segundo turno.

Então, Folhacóptero, você deveria mostrar onde estão os votos DE que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno, ou:

Folhacóptero mostra onde estão os votos DE
que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno 

Mas, enfim… você é novinho lá pelas bandas da Barão de Limeira, né?  Tão novinho e tão inserido no contexto…

Dá licença que eu vou ter que encerrar o post com o já clássico

 

PORRA, FOLHA!!!



PUTA. QUE. PARIU.

outubro 2nd, 2012

Imagine a situação:

Você é professor de português. Toca o seu celular. É um repórter de um jornal querendo dicas para os vestibulandos estudarem pereré pão duro blablablá whiskas sachê aquela história toda.

Você para tudo o que está fazendo e, solícito, atende o repórti e diz a ele tudo o que ele quer ouvir.

No dia seguinte, você abre o jornal e encontra issaqui:

 

Comcorda? O_o

Qual a sua reação?

esta!

(A minha foi a exclamação que intitula o post).

 

PORRA, TRIBUNA!!!



A Língua de Eulália – o livro é chato, mas o tema é muito importante!

setembro 13th, 2012

Fiz essa resenha como trabalho de Linguística. Mas comecei a discutir o assunto no Twitter, e resolvi trazer esse texto à tona.

Desafio você, aluno ixperrrto, a copiar este texto e entregar ao seu professor. Vais ver porque eu sou uma bruxa…

Enfim. A ideia (que falta que faz esse acento…) é a seguinte: mostrar ao público leigo que frases como os livro é bonito ou pronúncias como trabaio não são português errado, mas variação de uma língua cuja evolução do Latim não se estagnou, ainda prossegue – e é consequência de um país de dimensões e culturas continentais.

O assunto é sério, e rende pano pra manga, discussão, polêmica, quiproquós e tudo quanto é expressão clichê pra designar arranca-rabos de grande magnitude. Que o digam o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o livro didático Viver Aprender, lançado por seu Ministério no ano passado.

O sentido de falar certo e falar errado está mais do que arraigado no subconsciente dos brasileiros e, sem que as pessoas percebam, é uma forma de expressar preconceitos outros: de classe, de raça, geográficos…

Há quem tenha calafrios ao ouvir a frase já citada: os livro é bonito. “A regra é clara”, diriam os arnaldos césares coelhos da Língua Portuguesa: todas as palavras flexionáveis da frase devem concordar em número entre si. Portanto, artigo, substantivo, verbo e complemento nominal devem obrigatoriamente estar todos ou no singular ou no plural. Caso contrário, é errado. O corretor gramatical do Word é minha prova de que até softwares são adestrados a identificar os livro como errado, pois todas as ocorrências da citada expressão neste texto foram sublinhadas em verde pelo programa.

Mas com um pouquinho de metodologia percebe-se na frase errada um critério, uma norma: só a primeira palavra do sintagma ganhou um ésse, e isso já basta para transmitir a informação de plural. Regra diferente, e que é seguida, ainda que instintivamente, de norte a sul deste país, por quem fala português errado. É o que os linguistas chamam de variação linguística. Não caracteriza erro ou ignorância, apenas o emprego de regras outras. A mensagem é transmitida com perfeição do emissor ao receptor, sem ruídos.

Da mesma forma, pronúncias como trabaio, abeia, cuié ou fia estão longe de serem erros ou ignorâncias. Com iguais critérios científicos de análise linguística empregados no raciocínio anterior, é possível perceber que tais pronúncias são explicáveis com palatos, línguas e todas as partes do sistema do corpo humano usado na produção de fonemas e sons de letras e de onomatopeias. E, com um molhinho extra de comparação com outras línguas que, assim como o português,(atenção, professor! se você está lendo estes parênteses, é porque seu aluno copiou um texto da Internet de terceiros e apresentou como se fosse dele, sem nem se dar ao trabalho de ler a bagaça toda! Zero no meliante!)  tiveram seu ponto de partida no Latim, nota-se que essas pronúncias erradas são, na verdade, uma pronúncia quase igual à francesa para essas mesmas palavras: travaille, abeille, cuiller, fille.

Que coisa mais fascinante! – deve pensar o leigo que porventura vier a ler este texto. Mas como fica o ensino da Língua Portuguesa a partir dessa tese? – retrucará em seguida esse mesmo leigo hipotético que me permitiu o uso do verbo retrucar.

Simples: o professor usa em aula as duas variações do português (padrão e não-padrão), evidencia suas diferenças e avisa aos alunos o tempo todo: o português não-padrão não é bem visto por todo mundo. Por fim, fará seus alunos entenderem que é importante usar o português padrão em textos escritos, provas oficiais, tribunais e locais onde se exige mais formalidade por parte dos frequentadores.

Ah, então tá bom! Então, vamos disseminar essa tese, certo? – concluirá o leigo hipotético.

Aí a coisa começa a pegar. Para divulgar essa tese importante, Marcos Bagno – que não é um cara qualquer, trata-se de Linguista e professor do Instituto de Letras da UnB – resolveu fazer “uma novela sociolinguística”. E escreveu o livro A Língua de Eulália, em 1997.

Todo brasileiro que se preza, ao ler a palavra novela logo pensa em enredos e tramas típicas de telenovelas. Mas há quem se lembre de alguma coisa de gêneros literários (assunto de aulas do segundo grau), e que o gênero telenovela está mais para folhetim do que para novela.

Na era do Google, o sacrossanto site de buscas resolve a dúvida, e nos leva a dona Wikipedia: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens.”

Se dona Wikipedia está certa, então A Língua de Eulália pode ser tudo menos uma novela. Porque de uma coisa enredo e personagens da história de Bagno definitivamente não foram vítimas: de desenvolvimento.

O livro conta uma história chata, arrastada, modorrenta, por vezes pedante. E utiliza-se, para isso, de personagens chatos, insossos, que chegam do nada e levam a história a lugar nenhum, e aparecem no livro para se reunirem em “interessantes” (boceeeeeeeeejo) aulas de português.

E o que dizer da personagem principal, Eulália? Nada, absolutamente nada. Contei menos de cinco falas de Eulália em toda a trama, todas dispensáveis para a condução do enredo.

Na verdade, estou em dúvidas. Eulália é personagem principal ou desculpa do livro? A história desenvolve-se sem que sua participação seja decisiva para o enredo (talvez isso faça de Eulália a personagem com mais empatia em toda a trama).

Em suma: a história prende pelo conteúdo e não pelo formato. O leitor só chega às últimas páginas do livro caso se atenha às ideias de variação não-padrão do português, defendidas pela doutora em Linguística Irene a sua sobrinha e amigas.

Creio que A Língua de Eulália seria muito mais interessante se fosse um folhetim sociolinguístico, e contasse, por exemplo, as agruras e sofrimentos da heroína Eulália, uma trabaiadora no ramo de curtura di abeias que é vítima dos ricos e poderosos que caçoam da forma como ela fala. Se Bagno explorasse a noção de português padrão e português não-padrão por meio de conflitos de classes e geográficos, a história talvez fosse menos modorrenta.

Mas o mais gritante foi ler, na edição de 2011 do livro, as observações do autor a respeito de sua obra, passados 14 anos da primeira edição. Na página 212, Bagno afirma:

Todos os aprendizes devem ter acesso às normas linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea (…)

E, na página 213, completa:

(…) constitui um atentado aos direitos do cidadão continuar a prescrever, como únicas corretas, regras gramaticais que entram em flagrante conflito com a intuição linguística do falante e que não correspondem ao estado atual da língua, nem sequer em seus usos escritos mais formais.

O leitor leigo (público-alvo do livro) pode entender uma contradição nesses dois trechos. E o leitor mal-intencionado (aqueles que defendem que dizer os livro é bonito é coisa do Lula pra impor seu falar errado aos brasileiros estudantes) vai encontrar contradições e vai trabalhar esses dois trechos com o lado negro da força.

É necessário um semestre inteiro de um curso de Linguística para entender que os dois textos não são contraditórios, mas complementares.

A meu ver, Bagno deve urgentemente reescrever essas duas páginas de forma a deixar suas ideias mais à prova de contradições. Pensando bem, se der pra refazer tudo para dar mais vida aos personagens, a história vai ficar melhor…



Adivinha…

setembro 6th, 2012

… que jornal escreveu essa pérola aí de baixo:

Diquinha básica: começa com F, é de São Paulo, e tem uma catiguria exclusiva aqui no Caldeirão…

Pra quem não sabe onde está o erro, o verbo correto é apropRiar.

 

PORRA, FOLHA!

#prontofalei



Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 



Da importância do acento agudo na leitura da Bíblia, ou: Senhor, não permitais que energúmenos leiam a Vossa Palavra!

agosto 27th, 2012

 

E eis que o Pastor não sabe a diferença entre adultera e adúltera.

E se acha o fodão pra interpretar texto da Bíblia…

 

Por que ninguém me falou deste vídeo antes?

Só mesmo a Cíntia Nunes pra me enviar esta pérola…

 

O_o



Mombaça, uma cidade do… oi?

agosto 27th, 2012

Queridas Folha de São Paulo e France Presse,

 

A cidade do Quênia em questão é MombaSa, com um ésse mesmo.

MombaÇa, com cedilha, fica no Ceará:

 

 

E, pelo que Tio Google me contou, Mombasa (A) fica um cadim longe de Mombaça (B)

#Bjomeliga

 

 

 



Sem café X com café

julho 24th, 2012

Imagino até o que aconteceu.

Redação do Poder online, do IG, lá pelas sete e meia da manhã:

- Entra no site e bota no ar aquela matéria das cestas básicas que eu vou passar o café! – disse o editor

- OK – retrucou o estagiário. (Segunda vez que eu uso o verbo retrucar, me deixa, tô feliz!)

Aí lá vai o estagiário dizem que ele trabalhou no Ego, mas essa informação carece de confirmação morto de sono abrir a edição do site para postar a notícia que já tinha sido apurada, só faltava ser redigida:

 

Pouco depois, o estagiário levanta-se e vai tomar café. Volta para a mesa cheidi café nazidéia, já devidamente acordado, e dá aquela bisoiada básica no site.

E grita:

- POOTAQUEPAREEOO, COMO EU PUDE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, CACETE?

Aí ele clica no botão “editar matéria’ e remenda a merda:

 

Com os devidos agradecimentos ao César Cardoso por ter orado aos deuses do print-screen a tempo! \o/



Só 38% ? Acho pouco!

julho 19th, 2012

Daí que dia desses alguém contabilizou que 38% dos universitários (eu disse universitários, aquela raça que já passou pelo crivo do Vestibular) não dominam as habilidades básicas de leitura. Eu acho esse número baixo. Deve ser muito mais do que isso!

E daí? O que fazer? Assino embaixo do que a Dad squarisi escreveu na edição de hoje do Correio Braziliense:

Língua é direito humano :: Dad Squarisi

Os dados não surpreendem. Mas chocam. Nada menos de 38% dos universitários não dominam as habilidades básicas de leitura e escrita. A pesquisa do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa prova que o menino é o pai do homem. Os alunos do nível superior são os estudantes que ficam na rabeira de testes de avaliação como Pisa, Enem & Cia. Esperar resultado diferente com dados iguais é acreditar em Papai Noel.

Impõe-se, pois, mudança no andar de baixo para que o de cima reaja. Como? A resposta também não surpreende. O salto qualitativo do ensino se baseia, necessariamente, em três pilares. Um: gestão. A administração da escola precisa de profissionalismo. Bom professor em sala de aula não é sinônimo de bom diretor. Outro: professores nota 10. Mestres quebra-galhos, sem qualificação de ponta e alta motivação, formam alunos à sua imagem e semelhança. O último: salário e carreira atraentes. O magistério deve atrair excelências, não excluídos das demais carreiras.

Com o velho modelo, o Brasil já avançou o máximo. Para seguir adiante, precisa de novo paradigma. Com ele, melhorará os indicadores. O pleno domínio do idioma fará a diferença. A língua impulsiona a leitura, que desempenha papel central em todas as dimensões. De um lado, desenvolve habilidades que favorecem a aprendizagem nas diferentes áreas do conhecimento. De outro, motiva o aluno a estudar, retém-no na escola e promove progressos pessoais. Por fim, leva à compreensão da diversidade cultural e nos torna mais cidadãos.

Novidade? Nenhuma. Tampouco é novidade a inapetência do Estado em mudar as coisas. Juras de amor à educação não faltam. Mas cadê? Sai governo, entra governo, nada se altera. Saídas existem. A Academia Brasileira de Letras (ABL) tem autoridade para encabeçar campanha em prol do ensino pleno da norma culta nas escolas. Tem autoridade também para publicar a gramática da academia, que serviria de base para as demais. Não só. Que tal a ABL defender o domínio da norma culta como direito humano? A ONU está aberta para abraçar a causa.



Dorinha de mal com o verbo haver

julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga



Ah, Folha… ♥♥♥

junho 12th, 2012

É sempre assim, gente!

eu começo a me condoer que estou há muito tempo sem atualizar o caldeirão, e vem a Folha me brindar com suas folhices…

 

Desta vez, ela apresentou sem mais delongas seu verdadeiro eleito para o Banco Central.

Reparem:

♥♥♥ Fernando Henrique Cardoso, presidente do BC segundo a Folha. ♥♥♥



Calma que eu volto!

maio 17th, 2012

Tô enroladaça de trabalho, gente!

Assim que der eu volto com meus exorcismos!

(Enquanto isso, passem pelo Te dou um dado? que baixou uma vibe Bruxa neles lá que tá uma delícia! :D )

#beijomeliga



Tem coisas que só a Folha consegue fazer

abril 11th, 2012

Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: "o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) [.... e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!



Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”

abril 9th, 2012

Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:

Túnel do tempo

O ano é 1985.

Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.

Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.

Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.

Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.

O primeiro discurso do presidente acadêmico.

Sucesso total.

Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.

Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:

A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.

Sarney quis matá-lo!



Deu pena do Demóstenes. Sério. (mas isso passa, não se preocupem! :D )

abril 9th, 2012

Da série “texto bom é pra ser compartilhado”.

Ruy Castro de hoje, na Folha de SPaulo.

Se o Demóstenes Torres está (dizem) morrendo de vergonha, depois desse texto ele se mata, coitado…

 

Muito antes

No fim de seu reinado, que coincidiu com o fim do século 19, a rainha Vitória, da Inglaterra, foi apresentada ao projeto do submarino, um navio que viajava debaixo d”água e, de lá, disparava contra o inimigo. Vitória ficou chocada: “Quer dizer que o inimigo não verá nossa bandeira?”. Era um golpe baixo e ela não quis saber. Mas isso, claro, foi muito antes dos aviões-robôs.

No Campeonato Carioca de 1913, Belfort Duarte, jogador do América, pôs a mão na bola dentro da própria área e impediu um gol do adversário. O juiz não percebeu. Belfort se acusou e exigiu que ele marcasse o pênalti contra sua equipe. E ele marcou, para desespero dos meninos Vicente Celestino, Lamartine Babo e Mario Reis, que já eram torcedores do América. Mas isso, claro, foi antes de Maradona, Messi e outros que acham normal fazer gols com a mão.

Até 1950, as rádios americanas não admitiam tocar a mesma gravação mais de uma vez a cada 24 horas. “Imagine o ouvinte perceber que já ouviu aquele disco há poucas horas!”, eles alegavam. Mas isso, claro, foi antes do Top 40, da “payola” (jabá) e do roquenrol.

Nos anos 70, os clubes brasileiros não admitiam corromper seus uniformes com marcas comerciais. O que os torcedores diriam ao ver seus craques reduzidos a homens-sanduíche anunciando pneu, refrigerante ou óleo de carro? Mas isso, claro, foi antes de começarem a oferecer até o fundilho dos calções para imprimir marca de gilete ou de camisinha.

Em outros tempos, políticos e contraventores se mantinham a certa distância, sabendo que aquela intimidade era perigosa. Mas isso, claro, foi antes de o senador Demóstenes Torres (GO) e o empresário de caça-níqueis Carlinhos Cachoeira frequentarem as mesmas contas bancárias -e de, antes deles, muitos outros já terem feito o mesmo sem ser apanhados.



Luis Fernando, seu lindo! ♥

março 22nd, 2012

Faz tanto tempo que não compartilho um texto do Verissimo aqui, né?

Pois bem: o de hoje merece!

E não se avexem: o texto abaixo é um autêntico Verissimo! Estampa a Zero hora e o globo de hoje. Podem verificar!!!

 

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida, e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.

É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração. No caso, de liberdade.



UOL: criança não é humano

março 13th, 2012

Basta ver este título aqui:

A manchete

Crianças começam a testar remédio para combate à aids desenvolvido pela Fiocruz

foi dispensada porque, obviamente, criança é uma coisa, e humano, outra.

Sem mais.



Detetivões 2 – Identifique a fonte anônima

março 11th, 2012

Atooooooooooooron a imprensa brasileira, gente! A capacidade que nossos queridos (cof, cof) jornalistas têm de manter suas fontes no anonimato é espantosa!  Tô observando essa tendência, viu?

Primeiro foi o Estadão, que entrevistou *duas* fontes durante a renião do BIS na Basileia. Agora é a Istoé desta semana. Resolveu listar um *ex-ministro* de Dilmavana que teve contato direto com Jérome Valcke, aquele secretário-geral da Fifa que fala merda em inglês e pede desculpas por ser mal-interpretado em francês, saca?

Enfim, vamos acompanhar o texto lheando da Istoé:

O trapalhão da FIFA

 A bola fora do secretário-geral Jérôme Valcke é mais uma em seu currículo recheado de polêmicas e confusões

Um chute mal dado embolou o meio de campo dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 nos últimos dias. A disputa entre a Fifa, a entidade que comanda o futebol no mundo, e o governo brasileiro se acirrou na sexta-feira 2. Em um evento na Inglaterra, o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, afirmou que o Brasil deveria levar “um chute no traseiro” para apressar as obras prometidas para o Mundial e a aprovação da Lei-Geral da Copa, espécie de cartilha de regras da Fifa para o evento. De imediato, o País partiu para o contra-ataque. O articulador da jogada foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que no dia seguinte disse – em público e por carta enviada à Fifa – que o governo não aceitava mais o francês, número dois na hierarquia da entidade, como interlocutor. Isso sem contar as reações de repúdio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Senado, José Sarney, além de outros políticos da base governista e da oposição.

A Fifa acusou o golpe ao ver seu homem forte, responsável pelo evento que faz lucrar bilhões de dólares, jogado para escanteio no país-sede do Mundial. E pediu desculpas. A começar pelo próprio Valcke, 51 anos, que encaminhou uma carta ao ministro. Joseph Blatter, presidente da entidade, repetiu o gesto e o reforçou com uma ligação a Rebelo. Mais do que o mundo ter visto a poderosa Fifa perder uma queda de braço – o jornal espanhol “Marca” publicou que o Brasil “baixou a bola” da organização –, o episódio se revelou como mais uma trapalhada no currículo do controverso dirigente francês. “Ele é boquirroto, fala mais do que deve”, diz um ex-ministro que conhece de perto o secretário-geral. Segundo essa pessoa, que prefere não se identificar, Valcke queimou uma ponte que tinha com a presidenta Dilma Rousseff, construída em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, Dilma recusou uma reunião com Blatter para tratar do Mundial com o número dois da entidade. “Se bem a conheço, acho impossível a presidenta voltar a recebê-lo.”

(…)

Na opinião do ex-ministro brasileiro, o dirigente francês e a Fifa têm uma visão eurocêntrica e veem países como o Brasil e a África do Sul tais quais periferias com menos capacidade de realização. “Dessa forma, cobram muito mais da gente”, diz. O destempero verbal de Valcke foi rechaçado por Rebelo em carta enviada à Fifa no mesmo dia em que o francês se desculpou. “A forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa”, escreveu. Infelizmente, a polidez do ministro não foi regra entre seus colegas. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, deu ares de briga de botequim ao episódio. “Esse cara é um vagabundo! Já está riscado”, disse. Na Câmara, o presidente da Casa, Marco Maia, afirmou que Valcke merecia um chute de volta.

(…)

No Brasil, o francês é muito benquisto pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que se licenciou do cargo na semana passada. Valcke e a família estiveram hospedados na casa do dirigente brasileiro em Angra dos Reis no Réveillon de 2010. “Ele adora praia e, especialmente, Angra”, diz um assessor da CBF. “De fato, ele é afável, brincalhão, mas não se constrangeu em oferecer a cabeça do amigo Ricardo Teixeira numa reunião com Dilma em Bruxelas, em outubro passado”, conta o ex-ministro. Segundo ele, ao perceber que Teixeira não mantinha boas relações com a presidenta – e, portanto, era uma peça inconveniente na ligação entre a Fifa e o governo –, Valcke pediu que Dilma indicasse um substituto ao posto de chefe do Comitê Organizador Local do Mundial de 2014 (COL) no lugar de Teixeira. “A presidenta disse que respondia pelas questões ligadas ao governo, não por Teixeira.”

(…)

Agora, vamos descobrir quem é o ex-ministro de Dilma? De acordo com o diletíssimo Antonio Luiz Costa, que me enviou este link, nossa lista se restringe a 12 nomes, que são:

Antonio Palocci - Casa Civil; Nelson Jobim - Defesa; Wagner Rossi - Agricultura; Alfredo Nascimento - Transportes; Carlos Lupi - Trabalho; Fernando Haddad - Educação; Pedro Novais - Turismo; Mário Negromonte - Cidades; Iriny Lopes - Secretaria para Política de Mulheres; Afonso Florence – Desenvolvimento Agrário; Luiz Sérgio – Pesca; Orlando Silva - Esportes.

Dentre os listados acima, aponte um, e apenas um, cuja atribuição principal, quase única, tenha sido lidar diretamente com a Fifa com o objetivo de organizar a Copa do Mundo. Dica: a Copa do Mundo da Fifa é um evento de ES-POR-TES…

Se você ainda não descobriu de quem eu desconfio, longe de mim ficar aqui com dedo de seta. Prezo horrores pelo sigilo de fontes! :D

O máximo que eu posso fazer é cantarolar um pouquinho pra você…

#beijomeliga2

(P.S.: Querida Istoé: ex-integrante é mais genérico que ex-ministro, e queima menos o filme das fontes, viu? #ficadica)



Ecad, beijo na alma! ♥

março 10th, 2012

Depois desse quiproquó todo do Ecad de querer mas não poder e não entender o porquê de não poder cobrar direitos autorais de blog que enfia iutúbio em seus posts, eu só posso me manifestar com um post contendo um vídeo do iutúbio, néam? #numpresto #valhonada

Mas qual a música que melhor ilustraria esse quiproquó todo?

do lado dos blogueiros, acho que eu encontrei uma teteia que cai direitinho!

Vê se vocês concordam comigo: :D

Vou deitar e rolar

(composição: Baden Powell e Paulo César Pinheiro)

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé
Nem nunca mais vai dar
Também, quem mandou se levantar?
Quem levantou pra sair
Perde o lugar

E agora, cadê teu novo amor?
Cadê, que ele nunca funcionou?
Cadê, que ele nada resolveu?

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Ainda sou mais eu

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira da mancada que a Terezinha deu
Que deu no pira
E ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré

Breque

Mas que malandro sou eu
Pra ficar dando colher de chá
Se eu não tiver colher?
Vou deitar e rolar

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu



Te dou um dado?

março 6th, 2012

O Te dou um dado? é um dos meus blogs preferidos. Primeiro, porque descobriu uma utilidade pras subcelebridades – transformou todas em motivo de diversão para todos nós mortais – e segundo porque eles são tão bonzinhos como eu, sabe? ;) Curto muito quando eles brincam de detetivões e buscam, no Google, respostas para notícias dadas pela metade em sites outros de fofocas.

Pois foi justamente a série os detetivões que esta notícia de hoje do Estadão me fez lembrar. Eis que o correspondente do Estadão na Basileia (é, fica horrível, mas não tem mais acento!) foi correr atrás de fofoca pauta na reunião do Banco de Compensações Internacionais, o BIS, que, longe de ser um chocolate gostoso, tá mais pra um colegiado de bancos centrais.

Mas eu falava da matéria do Estadão. A tal da reunião do BIS foi cercada de mistério e de mordaças. Os participantes foram convidados a ficarem calados, porque a reunião era de economistas, e o que fosse dito poderia mexer nas bolsas, e no câmbio, e nas marés e na rotação da Terra etcetcetc. E não é que o Jamil Chade conseguiu uma fonte pra abrir a boca e contar fofoca o que estava acontecendo na reunião do BIS?

Aí você lê a matéria e descobre que o Jamil Chade falou com *duas* fontes. Uma, desconhecida, e outra, o presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini. Mas vamos tentar descobrir quem é a fonte anônima de Jamil Chade?

Primeiro, vamos ler o texto todo. Vou destacar em negrito as citações das fontes.

Bernanke e Draghi trocam acusações

Críticas foram motivadas pela injeção de liquidez

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / BASILEIA – O Estado de S.Paulo

A guerra cambial desembarca nos países ricos e escancara a incapacidade dos xerifes das finanças internacionais em gerenciar a crise. Estados Unidos, Europa e Japão se acusam de injetar liquidez em seus mercados e, assim, manipular suas moedas. Ontem, os maiores bancos centrais do mundo se reuniram na Basileia, em encontro fechado. Cada participante foi orientado a não vazar nenhum detalhe do debate.

Ao Estado, porém, um representante de um mercado emergente revelou que a troca de acusações, ainda que diplomáticas, escancarou a inexistência de uma estratégia comum para lidar com a crise. “Hoje, está claro que é cada um por si e que as esperanças de uma coordenação são cada vez mais apenas promessas políticas”, disse a autoridade monetária. “Hoje, existe uma crise da gestão da crise. Isso é ainda pior que só uma recessão. Não há um caminho para superá-la de forma coordenada.”

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também esteve nos debates na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Mas não aceitou falar com a imprensa, sob o argumento de que a ordem de mordaça era da cúpula do BIS [Ah! ele não falou? Ah, então, tá!].

Ben Bernanke e Mario Draghi, que comandam respectivamente o Federal Reserve e o Banco Central Europeu, foram os protagonistas do desentendimento.

Em 2010, o governo americano havia liberado mais de US$ 1 trilhão, e foi acusado de de promover uma desvalorização competitiva, auxiliando nos esforços de ampliar as exportações e reduzir o déficit. O Fed, na época, recusou a acusação e insistiu que apenas estava garantindo que os empréstimos de seus bancos à economia real relançassem a economia do país, dizendo que isso seria positivo para todos.

Agora, é Bernanke quem critica o BCE por ter, em apenas dois meses, injetado 1 trilhão, afetando o mercado de câmbio. A acusação foi rejeitada por Draghi, que defendeu a ação apontando que a perspectiva de recessão na Europa em 2012 exigiria novo incentivo. Draghi recebeu críticas também do Banco do Japão, temendo ver sua moeda afetada tanto pela ação dos europeus quanto dos EUA. “Ficou claro que o que existe é uma corrida de cada um para resguardar suas economias e interesses”, disse a fonte.

Aí, vamos acrescentar os seguintes dados à nossa análise:

- Tá um frio do caramba na Suíça. Ficar do lado de fora esperando declaraçãozinha reme-reme não é o que um jornalista está propenso a fazer;

- O Brasil é um país emergente

- Alexandre Tombini falou ao Estadão

 

Isto posto, o que devemos inferir?

1- Ben Bernanke é a fonte misteriosa do Estadão

2- Mario Draghi é a fonte misteriosa do Estadão

3- Alexandre Tombini é a fonte misteriosa do Estadão,

 

Certa de que sigilo de fonte é algo sagrado para o moderno jornalismo, e mais certa ainda de que o Estadão preza horrores por suas queridas fontes anônimas, recuso-me a dar meu pitaco aqui. :D

#Beijomeliga



Tragédia, homofobia ou redação de merda mesmo?

fevereiro 24th, 2012

Aí você lê um troço desses e começa a elucubrar o que realmente aconteceu:

1- Quem morreu no Hopi Hari foi um travesti

2- Quem causou a morte no Hopi Hari foi um travesti

3- @ culpad@ pela morte no Hopi Hari foi um@ travesti

4- A morte do Hopi Hari foi encomendada a um travesti, que falhou na missão

5- A morte se fantasiou de travesti e foi passearno Hopi Hari

6- Um travesti tentou acertar a Morte no Hopi Hari

7- Uol refere-se a travestis de forma politicamente incorreta

8- O redator das chamadas do Uol falhou vergonhosamente na redação desse texto

 

Nessas horas eu sempre me lembro desse trechinho do Pica-Pau:

Oi? quem disse?



Abram alas para a clichetaria aeciana!

fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<-- típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: "ao toque do tamborim" é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver...] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com "ao toque do tamborim" e lá pelas tantas traz um "no fundo da alma de folião". De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os "sobre" são substituídos por "acerca de"? Ó, alguém avisa pro Aécio que "acerca de" cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó...], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo - mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 



Globo ponto com e a piada do… (pode falar judeu?)

fevereiro 17th, 2012

A Cecília me mandou por e-mail um exemplo que me fez lembrar uma piadinha velha.

Diz que o judeu uia! Pode falar judeu? Sionista – não. Hierosolimita – não, isso é gente que nasce em Jerusalém enfim, o marciano Jacob liga pro jornal pra pôr um anúncio fúnebre:

- Gostaria de colocar um nota fúnebre do morte de meu esposa, diz ao atendente.

- Pois não, quais são os dizeres?

- Sara morreu!

- Só isso? espanta-se o rapaz.

- Sim, Jacob não quer gastar muito.

- Mas o preço mínimo permite até 5 palavras.

- Então coloca: “Sara morreu. Vendo Monza 94.”

 

Por esse mesmo raciocínio, a Globo ponto com (lá embaixo, sob entretenimento) resolveu aproveitar ao máximo o espaço na chamada de capa pra uma reportagem do Ego (vocês sabem que eu amo o Ego, né? Esse site é um exemplo pra mim – só que ao contrário!) falar da Ana Furtado (quem? Sei lá! Só sei que usa botox, então deve ser subcelebridade!) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Tava falando desta chamadinha da home da globo ponto com:

Imagino o diálogo entre os autores da obra:

- Taca uma chamada da Ana Furtado na home! – diz o editor.

- Pô, e diz o quê? – retruca o estagiário Ih! Acho que é a primeira vez que eu consigo usar retrucar num texto meu, me deixa!

- Ah, diz que ela não comprou a vaga de rainha de bateria e diz mais alguma coisa qualquer aê! – Editores, esses seres amados ao contrário…

Ai lá vai o estagiário, dá uma passad’olhos no texto do Ego (porque nem estagiário consegue ler aquele troço inteiro) e taca:

- Pô, sobrou espaço pra mais de 10 caracteres, que que eu faço? – pensa (é, o MEU estagiário pensa. Só de vez em quando, mas pensa!) o estagiário.

Aí lá vai o infeliz, lê mais um pouquinho aquele texto sobre as “Operárias do Carnaval” (conjunto da obra é pouco pra definir a falta de tudo dessa…. SÉRIE?!?!?!?! É UMA SÉRIE?!?!?!?!!? GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH) e encontra a palavra “preconceito” logo na segunda pergunta. E pensa:

- Putz, perfeito! Preconceito tem 11 caracteres! E eu ainda aproveito o verbo! (é, o MEU estagiário sabe o que é verbo….)

E manda ver:

Rainha magrinha, Furtado afasta boato de que ‘comprou posto’ e preconceito

Aí, ele não sabe dizer se ela afasta o preconceito e os boatos, ou se os boatos SÃO fruto de preconceito (o “e” antes do preconceito pode ser um é sem acento, vai saber….), ou, ainda, que o posto e o preconceito foram adquiridos mediante pagamento. E o coitadinho do estagiário nem conseguiu vender seu Monza 84!

Se o estagiário apostasse no genérico infalível

E se diz feliz 

Teria completado a lacuna sem dar ao leitor a chance de múltiplas interpretações…

Enfim, evoé pra todo mundo!

 



Tá “difícel”, viu?

fevereiro 16th, 2012

[suspiro]

[suspiiiiiiiiiiiiiiiiiro]

Daí que um telejornal do sul de Minas, de uma afiliada da Globo, fez uma reportagem sobre as dificuldades do ensino e da aprendizagem do português. Até aí nenhuma novidade. Nenhuma novidade MES-MO.

A coisa começou a degringolar quando a reportagem subiu pro site do G1. Quem alertou a coisa foi o Maurício Ricardo. Ponham reparo:

Vocês não repararam nada? Mas nada mesmo?

Então, tá bom. Foi falta de oração aos deuses do print-screen. O título já foi alterado.

Mas espere! O título original deixou marcas no nome da página!

Agora reparem no título original da matéria, lá no nome da página. Peraí que eu ajudo.

É. Pois é. O aprendizado do português é muito difícel, né?

/o\

(P.S.: Turma grande é desculpa esfarrapada pra profissional incompetente. A tia Tereza, minha professora da terceira série, dava aula pruma turma de quase 40 crianças, e ensinou o modo indicativo direitinho a todo mundo! Incompetência profissional e desinteresse pelo bom desempenho dos alunos explicam a coisa muito melhor! E fiquem à vontade pra me xingar! Em março eu começo minha licenciatura em português pela UnB!)



Contradição entre termos

fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico



Pergunte à bruxa: ideia de plural, palavra no singular – como proceder com a concordância?

fevereiro 14th, 2012

Daí que o Rafael Galeoti me fez esta consulta no meu Faceboook:

Achei isso na FOLHA, queria compartilhar contigo. Sei que eu também tenho dificuldades com “palavras no singular que querem dizer coisas no plural” (casal quer? Casal querem?), mas pelo menos sei que “casal QUERER” está longe do correto, rs…
Enfim, qual é a forma correta? Aproveito: que tal um post explicando isso? Eu, como leitor fiel, ficaria muito agradecido (e não, não faço questão alguma de créditos pela imagem, enfim…)

 

Salve, zifio!

Entendo e respeito sua dificuldade. A confusão é justificada, mas é a partir da confusão que dar-se-á a luz (nossa, que lindo! Inté emocionei! :D ) para a compreensão da bagaça: a ideia é de plural, mas a palavra é singular.

E eu vou aproveitar pra enfiar aqui também a explicação pra concordância da palavra maioria, que assim como o casal, dá ideia de plural e embola azidéia da… maioria das pessoas! :P

Senão vejamos:

um casal = duas pessoas

dois casais = quatro pessoas, separadas em dois grupos de duas pessoas

três casais = seis pessoas, separadas em três grupos de duas pessoas

etc, etc, etc, etc…

Portanto, a ideia AIQUEMERDA!!! QUE SACO FICAR ME POLICIANDO PRA NÃO ACENTUAR ESSA IDÉIA, CACETE!!!! deve ser relegada a segundo plano nesses casos…

Então, temos:

Um casal quer morar junto

Dois casais querem morar juntos (e como diria a Katylene: é soorooba?)

Raciocínio idêntico deve ser o usado pra fazer a concordância com a palavra maioria.

A maioria das pessoas é chata. <– quem é chata é a maioria, não as pessoas. 

A maioria dos homens heterossexuais é bonita <– novamente, bonita está concordando com maioria 

A maioria das mulheres entende que homem é tudo igual.

 

Tudo isso pra concluir que maioria é uma só, e singular. As pessoas é que são plurais…. :D \o/

Mas permitam-me aqui copicolar a explicação e a tangente do Manual de Redação do Estado de São Paulo com relação à maioria. Simplesmente amei (principalmente a tangente!) :D :

Maioria. Veja como fazer a concordância de a maioria de e maior parte de. 1 – Deixe o verbo no singular quando estas expressões antecederem uma palavra no plural. Proceda da mesma forma com grande número ou grande quantidade de, uma porção de, (uma) parte de, um sem-número de, etc. Exemplos: A maioria das pessoas assistiu ao show em silêncio. / Grande número de crianças cantou o Hino Nacional. / Parte deles chegou atrasada. / Estava ali grande quantidade de pássaros. (Admite-se a concordância no plural, em alguns desses casos; no Estado, porém, use a forma indicada.)

2 – Se se considerar a construção estranha, em alguns casos (exemplo: A maioria dos soldados foi ferida), pode ser intercalada a expressão na maioria ou alguma das outras: Os soldados, na maioria, foram feridos. / Os trabalhadores, em grande quantidade, foram demitidos.Maior, menor. 1 – Não existem as expressões “a menor”, mas apenas a mais e a menosdinheiro a mais (e não “a maior”), quantia a menos (e não “a menor”). 2 – Uma pessoa é maior ou menor, e nunca “de maior” ou “de menor”. Assim: Ele é menor (e nunca “de menor”)

Conclusão: desta vez, não posso dizer PORRA, FOLHA! O texto tá certo… <– Atualização:
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTAQUEPAREEEEEEEEEEEEEEEEEOOOOOOOOOOOOOO!!! EU SÓ FUI REPARAR NO QUERER DEPOIS QUE A MARLA ME ALERTOU NOS COMENTÁRIOS!!!! PORRA DE ÓCULOS FRACO, MERDA!!!!

Marla, concedo-lhe portanto o sagrado direito de gritar PORRA, FOLHA aqui nos comentários. Grata pelo aviso, zifia! :D

 

(P.S.: CADÊ O ZECA CAMARGO DE CALÇA RASGADA?!?!!?!? EU QUERO VEEEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRRR #numpresto #valhonada)



Presidenta metafísica

fevereiro 11th, 2012

Diante desta manchete do Estadão,

(o título prossegue, mas eu nem me dei ao trabalho de ler. Pô, a zifia é leão-de-chácara de ectoplasma, gente! Pensa que isso é pouco?)

Tenho MAR-NA-DA a declarar. (Mentira, né? Vocês já se acostumaram ao fato de que eu não digo mais nada mas sempre digo mais alguma coisa? Então…) Só digo duas coisas:

1) Dilma, não quero briga contigo, zifia!

2) Só eu que me lembrei dessa música daí de baixo?

 



G1, sempre inovando, apresenta um novo conceito em psicografia

fevereiro 9th, 2012

Fui alertada desta coisa aqui pelo Ednaldo Macedo no Twitter.

Agora me diga o que você pensa ao ler este título:

 

 

1) O bombeiro ficou preso na gravação

2) O deputado é paranormal

3) O deputado é médium

4) O deputado invadiu a gravação pra falar com o bombeiro

 

 

Não sei quanto a vocês, mas textos assim sempre me remetem a esse trechinho do Pica-pau:

Porque, né?

Aí você começa a ler o texto sem se saber se trata de casos de paranormalidade ou de incêndios ou de sei lá o quê. E se depara com este primeiro parágrafo:

O cabo Benevenuto Daciolo foi preso no fim da noite desta quarta-feira (8) [Hummm... ele foi preso, do tipo detido e levado em cana? Não ficou aprisionado em nenhuma gravação em virtude de algum mirabolante feitiço legislativo do deputado em questão? Ah ,então tá!] ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Daciolo estava em Salvador, onde participava das negociações sobre a greve na Bahia. A prisão administrativa foi decretada por 72 horas. 

Tá. Mas a gravação entra naonde na história?

Só o terceiro parágrafo esclarece:

O cabo foi flagrado em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça

Então tá. Mas cadê o deputado do título, por Tutátis?!?!? Temos que chegar ao SEXTO PARÁGRAFO da matéria pra entender quem é o zifio deputado. Espiem:

Hoje o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB), de São Paulo, informou ao jornal O Globo que era ele o interlocutor de Daciolo na gravação

Tipos: o sujeito é citado no TÍTULO e só vai reaparecer na matéria SEIS PARÁGRAFOS DEPOIS?!?!?!!?!?

O lead saiu de moda e ninguém me avisou? O que o substituiu? Talvez o vô enfiá o que eu quiser na ordem em que eu bem entender style?

E NAONDE que lead fora de moda permite a criação de títulos desinformativos?!?!

Aê. G1, o que vocês têm contra o título

Arnaldo Faria de Sá (PTB) é quem conversa com cabo Daciolo em gravação 

Cadê jornalismo?

Cadê clareza?

Cadê concisão?

Cadê texto esmiuçado?

Oi? Quem disse? Eu disse!



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