O dia em que a Ombudsman quase escreveu “PORRA, FOLHA!”

julho 24th, 2016
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Antes de mais nada, agradeço à dileta Silvana Marques pelo título maravilhoso que ela nem sabia que estava sugerindo pra este post.

Agora, permitam-me, vou escrever à Paula Cesarino Costa, a atual ombudsman da Folha.

Primeiramente, fora Temer.

Em segundo, fia, parabéns pelo texto. Extremamente elegante, crítico à redação e tudo. Mas pelo seu texto você sabe que errou na mão né? Vc sabe que tinha que ter pedido guisado de culhão de Sérgio Dávila, né? tá parei.

Vou nem entrar na questão erro X fraude. O maior erro da Folha foi não ter tirado do servidor a versão do questionário com as perguntas 11 e 14. Aquele erro, sim, foi primário.

Mas vamos ao seu texto, que eu faço quesotão de ponderá-lo no melhor estilo exosricsmo do caldeirão:

A Folha errou e persistiu no erro

Fundado em 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrimônio de qualidade técnica, arrojo de abordagem e interpretação de dados isenta. Sua credibilidade foi construída em trabalho conjunto com a Redação. Introjetou-se de tal forma no jornal que uma crítica antiga à Folha é a de ser um jornal “data-dependente”.

Dito isso, é preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha.[eu acrescentaria vergonhosa e vexaminosa não só para a Folha e para o Datafolha, mas para a história do jornalismo brasileiro.]

Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal.[Puxa, que coisa! Mas por que será? Ah, será que é porque O SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DECIDIU OCULTAR DUAS PERGUNTAS DE UM LEVANTAMENTO ESTATÍSTICO, PRA MANIPULAR DADOS SOBRE A OPINIÃO PÚBLICA BRASILEIRA?]

Variavam de fraude jornalística e manipulação de resultados a pura e simples má-fé, passando por sonegação de informação e interpretação tendenciosa.[então põe aí mais uns: gente incapaz de lidar com arquivos em servidores, estagiários burros e mal orientados, e uma redação incapaz de ser transparente com os dados de que dispõe. Um instituto que, pra valorizar um catadão de 40 perguntas, dividiu-o em vários catadinhos sem avisar que cada catadinho era parte de um catadão só]

A questão central está na acusação de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favoráveis a novas eleições presidenciais, em cenário provocado pela renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer.[Miga, omitir é um verbo bem leve. A Folha O CUL TOU. ES CON DEU, e ainda tentou dar um tapa nos números pra fazer de conta que os dados não existiam!]

Optou por destacar que 50% preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, em questão que, mesmo sem haver essa hipótese, 3% disseram defender novas eleições.[de novo: optar aqui é um verbinho bem suave. DE CI DIU que só haveria esta preferência, e resolveu ocultar uma possibilidade que estava exclusivamente ccontemplada numa das perguntas do questionário!]

As perguntas 11, 13 e 14 do questionário do Datafolha (leia a seguir) tornaram-se objeto de vigorosa controvérsia.[não foi vigorosa controvérsia. Foi discussão sobre manipulação! Note que ninguém desconsiderou essas perguntas. Nem mesmo a Folha, depois que elas vieram à tona!]

Os sites The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijolaço, do jornalista Fernando Brito, acusaram a Folha de “fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer”.

Em trabalho complementar, comprovaram [ai. Esse verbo tá certinho. Digitá-lo deve ter doído, né?] que o jornal omitira da reportagem e do questionário divulgado no site do Datafolha questão proposta aos entrevistados sobre a convocação de novas eleições.

Outra pergunta também foi omitida. Esta pedia aos entrevistados que avaliassem se o processo de impeachment está seguindo as regras democráticas e a Constituição: 49% disseram que sim; 37% que não.

Para alimentar teorias conspiratórias, revelou-se que o Datafolha colocou em seu site mais de uma versão do relatório da pesquisa polêmica, sendo que em só uma delas constavam as duas perguntas. [miga, não houve alimentação de teoria conspiratória… o que houve foi um estagiário que substituiu o arquivo de pesquisa e não deletou o anterior.] O instituto explica que faz um relatório completo para a Redação, mas divulga no site apenas o que saiu no jornal. No caso, o primeiro documento continha, por falha, título sobre a pergunta 14, ausente do relatório por não ter sido usada.[por falar em relatório completo, ainda não identifiquei as perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34 do questionário completo da Folha. Você poderia listá-las, por favor?]

Diante da polêmica[num foi polêmica, foi calça arriada tá parei evidência contumaz de fraude], Folha e Datafolha optaram por divulgar link para o relatório completo.[insisto: faltam as perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34! Num tá completo, não!]

Reveladas as omissões [interessante essa construção que você usou… então você reconhece que houve perguntas omitidas? Mazó: volto a encher o saco.  As omissões ainda não foram de todo reveladas! Não fuja da raia!] e estabelecida a confusão, o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, disse que o resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não pareceu especialmente noticioso [tá. Então deixa eu perguntar: o que ainda mantém esse cara no cargo que ele ocupa? Isso é motivo mais que suficiente para demissão por justa causa!], por repetir uma tendência, além de o jornal considerar tratar-se de cenário político pouco provável.[os argumentos são absurdamente pífios, porque: 1) ainda que o cenário seja pouco provável, a pergunta foi feita, então o resultado do levantamento deveria ter sido divulgado, COM A RESSALVA: AINDA QUE TAL CENÁRIO SEJA POUCO PROVÁVEL, TANTOS POR CENTO DOS ENTREVISTADOS DISSERAM ISSO ISSO E ISSO.  e 2) a repetição da tendência é notícia. O que me leva de volta ao questionamento daí de cima: o que ainda mantém Sérgio D’Ávila no cargo dele?]

Leitores discordaram: “A Folha me pareceu escapar pela tangente, com respostas vagas”, disse Eduardo Ottoni. “Os argumentos chegam a ser até um insulto à inteligência do leitor”, afirmou Márcia Meireles. “A Folha errou, é tão grave assumir seus erros?”, questionou.[miga, mostra essa carta pro seu chefe. Pelo amor do seu emprego e da existência da empresa para a qual você trabalha. A mídia brasileira vem tratando os leitores feito idiotas há muito tempo. O “governo” Temer vai mostrar ao que ainda resta de leitor que acredita em vocês que vocês não são dignos de credibilidade. Emendem-se, ou vão morrer na praia! Estas são as sábias palavras do liberalismo corporativo!]

A ombudsman resumiu as críticas dos leitores ao editor-executivo. Dávila argumentou que “o único cenário concreto à frente é o Senado decidir se Dilma Rousseff volta a exercer o cargo de presidente da República ou se Michel Temer continua a exercê-lo. Não há terceira opção além dos dois desfechos possíveis. (…) Faz parte da boa prática jornalística não publicar o que é pouco relevante”.[NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!! SESSENTA POR CENTO DE ELEITORES TEREM UMA DADA OPINIÃO É IRRELEVANTE?!?!?!?!?! SESSENTA POR CENTO DE ENTREVISTADOS DESEJAREM UMA COISA QUE NÃO VAI SER CONTEMPLADA PELAS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS É IRRELEVANTE?!?!?!?!?!?!?!?! CARACA, DEMITE ESSE ENERGÚMENO!!!!]

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Dávila lembrou que a Folha frequentemente publica uma fração das pesquisas, “nunca sua íntegra”.[o problema não é esse. Aliás, fracionar resultados do Datafolha não tem problema nenhum, é realmente uma atitude bem-vinda! EM nome da transparência, o que o jornal pode adotar de agora em diante é acrescentar, ao final de cada catadinho publicado, um parágrafo que os una, como: “O Datafolha foi a campo nos dias tal e tal. Ouviu tantas pessoas em tantos municípios, que responderam a um questionário de tantas perguntas com os temas tal, tal, tal e tal. O  questionário completo pode ser visto aqui (link para o questionário completo)”. Isso é transparente, e ajuda os leitores que gostam de pensar e raciocinar  a encontrarem os textos relacionados]

Discordo em muitos pontos do editor-executivo[ele ainda não foi demitido?!?!?!?!w!]. Quando a Folha, em editorial de Primeira Página em 3 de abril, defendeu a renúncia de Dilma e de Temer e a convocação de nova eleição, também esse não era um cenário provável.[NÉ?]

Se a possibilidade de dupla renúncia não era mais levada em conta, por que então a questão foi incluída na pesquisa?[POI ZÉ, POI ZÉ. Uma vez incluída, que se publicassem seus resultados!] O questionário já foi elaborado nesse cenário. A repetição de tendência como argumento para não publicar o resultado é incoerente com a prática do jornal por anos a fio.[incoerente com a prática do jornal por anos a fio. Miga, tá de parabéns! EU quase cuspi meu café aqui quando li o argumento do sujeito, e xinguei a vigésima geração dele! Sua reação foi elegantíssima! Mas a bruxa aqui sou eu, ligue não.]

Quando secretária de Redação e editora de Política, participei da elaboração de incontáveis questionários de pesquisas Datafolha. [PARA!!!!! OS QUESTIONÁRIOS SÃO ELABORADOS POR JORNALISTAS?!?!?!?! NÃO PASSAM PELO CRIVO DE UM LINGUISTA?!?!?!?!?!?! Miga, sua loka, apenas pare com isso! Tá explicado por que os questionários são tão mal feitos!!!] Com a limitação técnica de quantidade de perguntas[limitação técnica de quantidade de perguntas? MIGA, O QUESTIONÁRIO DA ÚLTIMA TEM QUAREEEEEENTA PERGUNTAS!!!], cada uma precisa ser muito bem pensada e escolhida.[olha, lamento informar, mas sua redação vem sendo fragorosamente derrotada pela falta de bom- senso, e pela falta de formação e estudo adequados para tal objetivo. Apenas aceitem que jornalista não é o Deus Supremo dos textos. Inda mais jornalista da Folha, vamcombiná…] Não há justificativa para colocar uma pergunta e depois ignorá-la.

Na crítica que circula diariamente na Redação, questionei a abordagem da pesquisa, feita pelo jornal, subaproveitando temas políticos, ao destacar em manchete o otimismo com a economia. Reveladas as omissões, lamentei a forma como o jornal enfrentou a polêmica. Sugeri que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem.

A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. [não foi apenas um grave erro. O que o jornal fez configura-se F R A U D E!] Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas[taí uma profunda verdade! Concordo totalmente!]. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe[lógica da praxe? Cejura? Pois eu tenho cá pra mim que a lógica da praxe se encastelou no canto dela e berrou pro Sérgio Dávila: SAI DAQUI QUE ESSA BARRA EU NUM LIMPO, NÃO, MANÉ!]  e da suposta falta de apelo noticioso.

A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. AFolha errou e persistiu no erro.[isso, sim, foi um erro profundo. Mas esse erro foi gerado POR UMA F R A U D E jornalística. Que fique bem claro!]

Coitada da ombudsman da Folha. Trabalhinho ingrato esse…

Perguntinhas:

  1. Quando Sérgio Dávila vai ser demitido por incompetência?
  2. Quando tomaremos conhecimento do PDF com o questionário completo do Datafolha?
  3. Quando, pelo menos, tomaremos conhecimento das perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34?
  4. Quando a Folha vai tratar seus leitores com respeito?
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O catadão da Folha e o meu remorso

julho 21st, 2016
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É sério, gente. Deu remorso.
Toda vez que fico sem postar eu volto com uma bostinha da Folha de SPaulo.
Agora, só porque deu creca grande aqui no meu caldeirão, a Folha resolveu me seguir à altura, e tá armando uma lambança daquelas que nem a publicação errada daquele anúncio na copa de 2010, que originou a criação da categoria “PORRA, FOLHA!” aqui no caldeirão (cejura que nunca se tocou que meu blog tem editorias categorias? Incréu… :/ ), vai conseguir superar.

Então vamo lá arrumar a bagaça.

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Encafifei com a pesquisa Datafolha. Fui no site do TSE pra ver se havia algue registro dela, ou mesmo se havia disponível  nalgum canto o PDF com o questionário, como sai sempre no TSE em época de eleição, por força da lei.

Achei foi nada.

Aí eu contei minha saga num post que mandei pro Britto, e colo aqui, porque né? Plágio é o cacete, o texto é meu, foi devidamente reconhecido lá no Tijolaço e o Brito inda deu uma editada perfeita nele! Eilo:

O catadão do Datafolha

O Datafolha foi a campo na semana passada,  dias 14 e 15 de julho. Catou 2.792 patos entrevistados em 171 (que número, senhores, que número!) municípios, com aquela já famosa “margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Isto significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista.

A dita pesquisa rendeu quatro posts no site do instituto: um sobre o tal índice histórico de confiança; um sobre intenção de voto em 2018; outro com a avaliação do governo Temer e mais um sobre a opinião do brasileiro sobre a Previdência.

Foram quatro textos com tabulações imensas, todas geradas geradas a partir desse único campo, dos dias 14 e 15, com os mesmos 2.792 cabras. A leitura pontual de cada um desses quatro textos daí de cima me permitiu fazer tipo uma engenharia reversa  do questionário que os cabras tiveram que responder: um calhamaço cuja última pergunta enunciada (já explico o que quero dizer com isso) é a de número 39.

Li o enunciado de cada uma das páginas com os levantamentos publicados. Quando encontrava um título “P. XX [pergunta número tal]”, copiava  e colava no Word. Percebi que estava arrumando os números fora de ordem. E, claro, que as perguntas não foram feitas na ordem em que foram tabuladas e seus resultados apresentados.

Daí eu fiz aqui um processo parecido com o que eu tô fazendo no meu mestrado: uma análise sintático-semântica e de contexto. Pra se ter uma ideia do que se passou pela cabeça de que cada cabra respondedor de pesquisa ao ouvir a ladainha, o interrogatório, o questionário.

Então vamos lá. Vocês vão perceber que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo nesse questionário.

Das seis primeiras perguntas do questionário, quatro podem ser encontradas no texto sobre intenção de voto (aquele que diz que o Lula tem uma rejeição do caramba e tals). Vamos a elas:

P.1 Em 2018 haverá eleição para presidente da República. Em quem você pretende votar para presidente na eleição de 2018 ? (Resposta espontânea e única, em %)

P.2 Alguns nomes já estão sendo cogitados como candidatos a presidente EM 2018. Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes ______________, em quem você votaria ? E se os candidatos fossem estes ________, em quem você votaria para presidente ? (Resposta estimulada e única, em %)

[vamos partir do pressuposto de que o Datafolha tem critérios, e mostrou os nomes num cartão circular – sem risadinhas, por favor – porque se for em forma de lista beneficiaria os primeiros do rol. Como a pesquisa não é registrada no TSE,  não há acesso ao PDF com o questionário e a forma de apresentação das respostas]

Seria o mesmo na pergunta pra ver o índice de rejeição:

P.3 Em quais desses candidatos ____________ você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente da República em 2018 ? E qual mais ? (Resposta estimulada e múltipla, em %)

Não encontrei as perguntas 4 e 5 em nenhum dos documentos publicados. Portanto, não vou fazer nenhuma especulação. Nem mesmo a de que as perguntas 4 e 5 podem entrar no conjunto das perguntas referentes à corrida presidencial de 2018. Já, já vocês vão entender o porquê;

P.6 Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje e a disputa ficasse apenas entre _________________________ em quem você votaria ? (Resposta estimulada e única, em %)

[aqui é pra fazer previsões de segundo turno. Não me perguntem o porquê. Até aqui a pesquisa está meramente técnica.]

P.7 Você sabe o nome do atual ocupante do cargo de presidente da República ? (Resposta estimulada e única, em %)

[já a pergunta 7 apareceu em outro texto do site, o que faz a avaliação de Temer. Faz sentido gerar um outro texto, mas também seria bem sincero da parte do instituto dos Frias tabular tudo num catadão só, e depois fazer os catadinhos separados. Enfim, critérios.]

P.8 O presidente interino Michel Temer está completando dois meses de governo. Na sua opinião, Michel Temer está fazendo um governo: (Resposta estimulada e única, em %)

[Aqui o bicho começa a pegar. Ponha reparo na pergunta sete. Indaga sobre o atual ocupante do cargo de presidente da República. A pergunta oito fala sobre O presidente interino, Michel Temer. Vamos combinar que atual ocupante do cargo não é a mesma coisa que presidente interino. A Constituição prevê, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão, um total de quatro manés cidadãos que podem ser presidentes interinos: o vice, o presidente da Câmara, o presidente do Senado e o presidente do STF.

Agora vamos pôr reparo no alto poder semântico dos verbos usados nas questões sete e oito. Na questão sete, saber dá muito poder ao entrevistado: ele S A B E. Ele tem conhecimento, domina a informação. Na oito, temos um gerúndio (corretamente utilizado, do ponto de vista sintático) taxativo: Temer está completando. Agora se coloque no lugar do cabra que disse que sabia e errou o nome do presidente da vez ( e foram 33% dos entrevistados, segundo a pesquisa). Na pergunta seguinte, as entrelinhas o informam de um processo que já começou há alguns meses, e que continua em andamento. Como você se sentiria se, sutilmente, um pesquisador te taxasse de desinformado, na sua cara? Você,defensivamente, vai posar de informadão, certo? E como fazer isso? Ora, você vai con-cor-dar com o que o pesquisador te perguntar.]

P.9 De zero a dez que nota você dá para o desempenho do governo Michel Temer ? (Resposta espontânea e única, em %)

[As maiores concentrações de respostas ficaram em números médios (5 e 6) e no número zero. Deu média 4. Se você acabou de descobrir quem é o teu presidente, assim, de chofre, você vai fazer média. Foi o que rolou.]

P.10 O Senado analisa um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na sua opinião, os senadores deveriam votar a favor ou contra o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff ? (Resposta estimulada e única, em %)

[O cabra deve dizer se é a favor, contra, indiferente ou não sabe. Essas duas últimas respostas totalizaram seis pontos percentuais (três pra cada uma). Aqui o a favor ficou com 58%. Poderia dizer que é o início de uma concordância com a pesquisa, mas vou me abster por agora. Ademais, ponha reparo no micropoder estendido novamente ao entrevistado: como os senadores deveriam votar. Até agora, nada foi informado ao entrevistado sobre o processo de impeachment, a não ser sua existência. Nem mesmo ele foi convidado a responder se “está a par do processo de impeachment que corre contra Dilma Roussef”. (A não ser que essa pergunta seja uma das não reveladas)]

Como, aliás, sumiu também a pergunta 11;

P.12 E na sua opinião, a presidente Dilma vai ou não ser afastada definitivamente da Presidência ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Sim, 71% dos entrevistados! Na sua opinião, ó entrevistado, você que tem opinião formada sobre tudo, conte-nos o que você pensa? Raciocínio de resposta: já que o Temer está completando tanto tempo de governo, Dilma tem que ser afastada! Não, isso não é apelação minha. Há quem pense assim.]

P.13 Na sua opinião, o que seria melhor para o país: que Dilma voltasse à Presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2018 ? (Resposta estimulada e única, em %)

[mais uma vez apela-se à poderosa opinião do entrevistado, aquele que há cinco perguntas descobriu quem era o presidente desta bagaça. Todos os verbos estão em tempos que indicam ou suposições (futuro do pretérito, o nosso modo condicional) ou incertezas (modo subjuntivo). Dilma voltar ou Temer continuar são duas incertezas. O entrevistado nem pensa nisso, mas a função do modo subjuntivo é mostrar uma incerteza. Isso já está introjetado na nossa compreensão de língua. E ele, o entrevistado, tem o poder de acabar com essa incerteza.]

As perguntas 14 a 17 também foram abduzidas e não constam das tabulações do Datafolha.

P.18 Você diria que o Brasil é um país ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo para se viver ? (Resposta estimulada e única, em %)

Esta é a primeira pergunta que aparece no texto sobre o “Índice de Confiança do Brasileiro”. O verbo está no futuro do pretérito do indicativo, o nosso modo condicional. Quais condições o entrevistado está ponderando neste momento não dá pra dizer, pois falta o caminho de raciocínio das 4 perguntas anteriores.

P.19 Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de ser brasileiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

[perguntinha confusa! Temos quatro palavras-chave aqui, duas de semântica positiva (mais e orgulho) e duas de semântica negativa (menos e vergonha), que são embaralhadas na cabeça do entrevistado. Mais orgulho ou mais vergonha ou menos orgulho ou menos vergonha? Organizar o raciocínio semântico é meio confuso.

Véi, a pergunta 20 não foi recuperada no meu garimpo, mas a pergunta 21…

P.21 Na sua opinião qual é o principal problema do país hoje ? (Resposta espontânea e única, em %)

A pergunta 21 aparece computada não no texto do índice de confiança, mas no da avaliação do governo Temer. E começa a fase “Escravos de Jó” dos questionários. Interessante perceber nessa pergunta três respotas que não pontuaram, mas mesmo assim entraram no rol: habitação, falta d’água, reforma agrária/sem terra. Imagino que essas respostas pontuaram em levantamentos anteriores, por isso aparecem lá.

P.21A Como você avalia o desempenho do juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato: ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Calma. Sem surtos. Vamos pensar aqui. Você acabou de responder sobre vergonha e orgulho com o seu país, foi instado a responder espontaneamente sobre o principal problema e agora tem que falar sobre o desempenho de Sérgio Moro na Lava Jato. Lava Jato who, cara pálida? Que que tem a ver a Lava Jato com as calças? Depois de tanto problema, Sérgio Moro é a solução? E a pesquisa é isentona, né? Só um monte de número tabulado, com margem de erro de até dois pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de incerteza e armaria!!! Imagina se não fosse!!!]

P.22 Na sua opinião, daqui para frente a inflação vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? E o desemprego, vai aumentar diminuir ou ficar como está ? E o poder de compra dos salários vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Num disse que a gente tinha entrado na fase “Escravos de Jó” dos questionários? Depois de falar sobre o Moro, que chegou de paraquedas nessa pesquisa, a pergunta 22 volta a responder ao questionário do índice de percepção do Datafolha. Olha que belezura, gente! Você tem que pensar sobre inflação, desemprego, poder de compra e salário, tudo ao mesmo tempo agora, indo pra cima e pra baixo e sempre pensando daqui pra frente (exercício de futurologia). Entenderam por que os resultados foram disparatados? A pergunta está confusa!!!]

P.23 Na sua opinião, nos últimos meses, a situação econômica do país melhorou, piorou ou ficou como estava ? E no seu caso pessoal, você acha que a situação econômica melhorou, pirou ou ficou como estava ? (Resposta estimulada e única, em %)

[outra pergunta do índice Datafolha. A sacrossanta opinião do entrevistado volta a ser convocada, mas ele tem que pensar no passado, logo depois de exercitar sua futurologia, ele tem que pensar no passado do país e da vida dele. E já volta correndo pro futuro que, se Deus quiser, vai ser melhor.]

P.24 E nos próximos meses, na sua opinião, a situação econômica do país vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? E no seu caso pessoal, você acha que a sua situação econômica vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

Na pergunta 22, o cabra foi pro futuro; na pergunta 23, foi pro passado; agora ele volta para o futuro, numa viagem de matar Michael J Fox de inveja. E sujeito a todo tipo de consideração pessoal…Ai, que pesquisa rigorosa essa, não? (é, eu sei…)

Pausa na citação, porque eu escrevi o texto pro Tijolaço na segunda (18/7) à noite, e o Brito publicou na terça (19/7) pouco antes do almoço. Horas depois, a Folha libera mais um catadinho do catadão, desta vez sobre a opinião dos brasileiros sobre as Olimpíadas. E foram reveladas mais quatro pergunta,s que eu analisei rapidinho:

P.25 O Rio de Janeiro será a sede da Olimpíada no próximo mês. Você é a favor ou contra a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.26 Você diria que tem muito, um pouco ou nenhum interesse pela Olimpíada ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.27 Na sua opinião, a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro traz mais benefícios do que prejuízos ou mais prejuízos do que benefícios: (Resposta estimulada e única, em %)

P.28 Na sua opinião, _______________ fará os brasileiros terem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho do país ? (Resposta estimulada e única, em %)

Mais quatro perguntas reveladas. O tema da vez é Olimplíadas. Foram originalmente apresentadas aos 2.792 cabras durante o passeio no De Lorean do Michael J Fox que foi pro passado, futuro e passado. Paramos nas Olimpíadas, que começam daqui a pouco. Futuro próximo. Novamente temos perguntas com construção semântica conflitante (mais orgulho, menos vergonha, tudo junto e misturado), e outra com uma organização conflitante, onde os antônimos prejuízo e benefício são apresentados sob o advérbio mais.

E a 28 ainda me traz que o orgulho ou vergonha vai ser não do desempenho dos atletas que vêm pra competição, mas sim a organização do evento e os sistemas de transporte e segurança!!! A pergunta 29 continua incógnita.

P.30 Com qual idade você espera se aposentar ? (Resposta espontânea e única, em %)

É a pergunta 30 que inaugura a série sobre a perspectiva dos brasileiros com relação à previdência. Como a resposta é individual, o cabra pensou nele só. É a idade com que ele espera se aposentar. É um verbo fraco, que confere pouco poder ao entrevistado. Sumiu da pergunta o na sua opinião, repararam? 60 anos foi a média obtida na resposta. Agora responda sinceramente: nos seus mais profundos desejos, você quer passar dos 60 anos ralando na labuta? Ninguém quer… O que se apreende disso? “Brasileiro não tem noção da realidade previdenciária.” Vaiveno

P.31 Na sua opinião, os trabalhadores brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo do que deveriam, mais tarde do que deveriam ou na idade adequada ? (Resposta estimulada e única, em %)

Aqui o cabra é convidado, sutilmente, a dizer se é vagabundo ou ralador.

P.32 Você é a favor ou contra o governo estabelecer uma idade mínima para os brasileiros se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

O cabra falou com que idade ele espera se aposentar. Deu um número baixo. A seguir, deu uma pensadinha se ele é realmente digno de ter controle sobre sua aposentadoria, pois “os brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo”, conforme enuncia a ordem da pergunta 31. Aqui ele vai concordar que brasileiro é incapaz de decidir sobre a própria aposentadoria, melhor que o governo o faça por ele.

P.33 Você é a favor ou contra os homens e as mulheres terem a mesma faixa de idade mínima para se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

A resposta é zero ou cem. Contra ou a favor. Não existe ponderação, não existe sequer espaço pra fazer alguma consideração. É sim ou não. Só que a questão não é de sim ou não. Tem muita variável envolvida.

P.35 Atualmente, em relação ao seu emprego, você diria que:

A questão 34 não foi recuperada, mas a questão 35 está no outro questionário, o do índice Datafolha. Você acabou de descobrir que não tem competência pra pensar em previdência, porque quer se aposentar cedo, e agora vai pensar sobre o seu emprego. Tremeu na tabela, né?

P.36 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem emprego é:

P.37 Atualmente, em relação ao seu trabalho, você diria que: (Resposta estimulada e única, em %)

P.38 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem trabalho é: (Resposta estimulada e única, em %)

As perguntas 36 a 38 fazem indagação similar para categorias diferentes. Há uma sutil diferença entre emprego e trabalho. Nada sutil, aliás, num país onde o trabalho informalizado tem um peso imenso.

P.39 Você diria que o dinheiro que você e sua família ganham é: (Resposta estimulada e única, em %)

Aí eles fecham com uma pergunta que esqueceram de encaixar lá em cima, mas ia ajudar a compor os números. Poderiam ter encaixado na hora do medo de perder o emprego, mas aí muitos poderiam dizer que ganham muito pouco, o que daria problema com o patrão. Aqui ficou ótimo..

É óbvio que a indução e o “jeitinho”  do catadão não vão transformar urubu em meu louro, mas numa pesquisa que proclama um margem de erro de dois pontos, basta que influenciem 56 patos  dos 2.792 entrevistados para mandá-la para o espaço.

Faz a conta aí: se 14% ( entre 13,5 e 14,4%, por conta do arredondamento) acham Temer ótimo ou bom, isso são entre 378 e 403manés  entrevistados. Qualquer “trocado” importa, né?

Fora o “não sei que é, mas quero que fique” da pergunta sobre quem é o “atualocupante do cargo de presidente da República”. O importante é não passar frio de noite nesse inverno, né?

E eu concluí meu texto pro Tijolaço sem identificar as questões de números 4, 5, 11, 14, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Dez perguntas não reveladas.

Glenn Greenwald insistindo que os números da bagaça estavam errados. Também achei estranho, mas não tinha como correr atrás.

Aí o Britto do Tijolaço ficou encafifado. E foi fuçar no site do Datafolha. Apertou três vezes o botão de delete e descobriu simplesmente aquela que é, de longe, a maior de todas as merdas de toda a história da Folha de São Paulo (e olha que a Folha faz merda atrás de merda….)

Na matéria sobre a avaliação do governo Temer, ao clicar no link pro PDF com o estudo, ele viu este final de endereço:

delete

Tacou o cursor depois do r de Temer, e pá-pá-pá no delete. Enter.

CARACA, MANO, O OUTRO ARQUIVO TAVA LÁ NO SERVIDOR DO DATAFOLHAAAA!!! O TEXTO COMPLETO COM DUAS PERGUNTAS, JUSTAMENTE AS TABULAÇÕES QUE O GLENN TAVA RECLAMANDO!!!

Apareceram mais duas perguntas, a 11 e a 14, que eu vou colar aqui pra não te deixar lhouco:

P.11 NA SUA OPINIÃO, O PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF ESTÁ SEGUINDO A REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO OU ESTÁ DESRESPEITANDO AS REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

e

P.14 UMA SITUAÇÃO EM QUE PODERIA HAVER NOVAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL SERIA EM CASO DE RENÚNCIA DE DILMA ROUSSEFF E MICHEL TEMER A SEUS CARGOS. VOCÊ É A FAVOR OU CONTRA MICHEL TEMER E DILMA ROUSSEFF RENUNCIAREM PARA A CONVOCAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA AINDA NESTE ANO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

Ou seja: Glenn estava certo. E o Datafolha, pra estar apenas errado, vai ter que acertar muito a mão.

Encerro este post aqui pra pegar guaraná, mas não sem antes lembrar que ainda faltam vir à tona oito perguntas: 4, 5, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Isso, claro, partindo do pressuposto de que o questionário acaba na 39.

Pipocas, aceitam? Alguém traz o guaraná?

via GIPHY

Oops! Passou o remorso…

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Sai, poeira!

julho 20th, 2016
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Witch watch broom sweep - animation photo Witchwatchbroomsweep-animation.gif

Malzaê, galhéra!

Deu creca no banco de dados do caldeirão, eu só percebi tarde demais.

Mas já tá tudo certo. Deixa eu tirar as teia de aranha tudo, pera…

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A culpa NUNCA é da vítima: palavra de sintaxe e semântica!

maio 27th, 2016
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magali-cmendo-melanciaCrianças, todos juntos aqui comigo.

Hoje, vamos trabalhar com a didática do trauma.

Vamos falar de verbos agentivos.

São verbos que, como o nome diz, têm carga semântica agentiva. Pressupõem um sujeito agente que vai comandá-lo. Sua ação irá transitar  (daí o nome transitivo) do sujeito até o objeto direto. Ao final da frase, sua ação terá modificado o estado final do objeto direto.

OK?

Exemplo básico do que eu descrevi aí em cima:

  • Magali come melancia.

Temos um sujeito (Magali), o agente da frase. Esse sujeito também traz características semânticas próprias de um agente:

  • É humano
  • É volitivo (volição = vontade própria)
  • É forte

Magali comanda o verbo comer, que faz a transição de sua ação de Magali até melancia, o objeto direto.

A melancia, que no começo da frase estava inteira e existia, termina a frase devorada e sem mais existir.

Agora me digam: alguém culpa a melancia pela fome da Magali?

Alguém diz que foi a melancia que provocou, pois a Magali nem queria comer, mesmo?

Então tá.

 

Vejamos, agora, a seguinte frase. Igualmente agentiva, com um sujeito tão agente quanto o da frase acima:

  • 33 homens estupram uma adolescente

Temos 33 homens comandando o verbo estuprar, que faz a transição de sua ação dos 33 homens até a adolescente, que tem seu estado final totalmente alterado. Ela ingressa no clube das estupradas, do qual nunca mais irá sair.

Agora me expliquem como pode alguém culpar um objeto direto pela ação desempenhada pelo sujeito?

 

Então, crianças, está é a mensagem que sintaxe e semântica têm para lhes passar:

A CULPA NÃO É DA MULHER. NUNCA.

Pela atenção, gracta.

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De mesóclises e cachecóis

maio 14th, 2016
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Manja carioca no inverno? É, inverno carioca, aquela época do ano que dura aproximadamente cinco horas na cidade maravilhosa?

Então… nessas cinco horas, o carioca capricha: aproveita os 19 graus (temperatura que europeu acha até meio quente) e tira do armário a bota, o casacão e o cachecol, pra ficar chique que nem a lhama linguista.

vyqw0b.jpgMesóclise é que nem o cachecol no inverno carioca: raríssimo de se usar. Mas quando a gente usa, se sente elegante e importante, né?

Então vamos ao tutorial da bruxa, pra arender a combinar o cachecol com o casaco usar mesóclise.

Pra começo de conversa, mesóclise é colocação pronominal perto do verbo. Coisa de ordem dos tratores que altera o viaduto. É irmã da próclise e da ênclise. A próclise enfia o pronome antes do verbo; a ênclise, depois. E a mesóclise, como o nome já ajuda a suspeitar, se enfia lá no meião do verbo. Mas é no meião mesmo?

Olha só como não é:

Primeiro, vamos observar o verbo amar no futuro do presente do indicativo:

amar-ei

amar-ás

amar-á

amar-emos

amar-eis

amar-ão

 

Agora, vamos olhar o verbo haver, no presente do indicativo:

hei

hás

havemos

haveis

hão

Percebe, Ivair, que é só rapar fora o agá (e o resto da raiz do verbo, no caso da 1ª e 2ª pessoa do plural) que a gente encontra o finzinho da conjugação de amar no futuro! O_o

Agora, pensem: quantas vezes você já não ouviu a expressão “eu hei de  [enfie um verbo no infinitivo aqui] isso”?

Hei de te amar  –> amar-te hei  –> amar-te-ei

Perceberam que a mesóclise, de tão velha, sabe que a conjugação do futuro do presente é amante do presente do indicativo de haver há uns bons séculos, e se mete no meio do casalzinho?

Pronto! Você acabou de aprender a usar mesóclise. Proceda da mesma forma com o futuro do pretérito do indicativo e o pretérito imperfeito de haver (havia, havias, havia, havíamos, havíeis, haviam – mas aqui cês tudo cortem fora o “hav-“, sim?)

 

Beijo pra Talmy Givón, que adora dizer que a morfologia de hoje é a sintaxe de ontem! <3

Agora que você já sabe usar mesóclise, tente entender a frase pela qual Michel Temer foi tão elogiado (ain, ele sabe usar mesóclise, melhor que certas pessoas que são analfabetas, ain…):

Como menos fosse sê-lo-ia pela minha formação democrática

(Dica: não tente. Não há coerência.)

Cabô aula de mesóclise!

Agora, aprende aí a dar esses doze nós diferentes no cachecol. Dependendo de onde você morar, você ter-há (RÁ! 😛 ) poucas horas para isso! 😀

 

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Fulana querendo dar e o Globo querendo impixar ninguém segura

abril 23rd, 2016
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Imagine a seguinte história:

Fulana está lhouca da pepeca pra dar e casar. Recebe uma carta estéril, fria e impessoal:
“Querida Fulana, estou orando por você”
Fulana entende:
OLHA SÓ! ESSA CARTA QUE EU RECEBI DIZ QUE EU POSSO DAR PRO FULANO ESTA NOITE PORQUE ELE É O HOMEM DA MINHA VIDA E NÓS VAMOS CASAR E TER MUITOS FILHINHOS E NOSSA FAMÍL…
Pronto! Nem precisa mais ler o texto do Globo! Já resumi ele pra você!

Americanos dizem orar por nação brasileira e confiar em processo de impeachment de Dilma

[aí vcs procurem lá embaixo a palavra impeachment.]

Deputados dos partidos Republicano e Democrata enviam carta ao Congresso brasileiro

POR MARIA LIMA
BRASÍLIA — No mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff pregava a existência de um golpe de Estado em curso contra seu mandato, em Nova Iorque, deputados americanos dos partidos Republicano e Democrata disseram, por carta, terem orado pela nação brasileira.

(…)

“Aos membros do Senado Federal e da Câmara dos Deputados do Brasil. Recebam os cumprimentos e saudações calorosas dos nossos amigos do Congresso dos Estados Unidos.

Esta manhã, no Capitólio dos Estados Unidos, membros dos Partidos Democrata e Republicano da Câmara de Representantes se reuniram e oraram pela nação e povo do Brasil. Temos confiança de que vocês serão encorajados e fortalecidos ao se honrarem mutuamente na amizade nestes tempos difíceis e desafiadores. Temos esperança e confiança na democracia brasileira e em que as instituições brasileiras terão a sabedoria de conduzir o país rumo a dias melhores no marco da lei para todo o povo. Nossos pensamentos estão com vocês e saibam que nos importamos e estamos orando por vocês. Cordialmente, Most Sincerely”.

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A beleza, o recato, o lar e um monte de framing mal trabalhado

abril 20th, 2016
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Agora que eu já fiz o necessário preâmbulo sobre Lakoff, vamos falar do texto cometido pela Veja.

Primeiro, permitam-me esculhambá-lo, como de praxe. Vamos lá:

  

  

Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”

[nem vem. As considerações sobre esse título eu faço depois!]

Marcela Temer é uma mulher de sorte.[cejura? Por quê?] Michel Temer, seu marido há treze anos[migo, você disse que ela tem sorte. Logo depois você diz que ela é casada com o Temer. Decida-se! Essas duas afirmações são incompatíveis! Além do quê, eles são casados há TREZE anos? Migo, 13 é o número do PT do azar! Faça-me o favor…], continua a lhe dar provas de que a paixão não arrefeceu [paixão. arrefeceu. dar provas. Posos subentender que o Temer tem amante, ou eu é que tô viajando e tá parei] com o tempo nem com a convulsão política que vive o país – e em cujo epicentro ele mesmo se encontra[tá. Agora explica o que que a paixão tem a ver com vida política e profissional, que não ficou muito claro…]. Há cerca de oito meses, por exemplo, o vice-presidente, de 75 anos, levou Marcela, de 32 [O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ?!?!?! QUARENTA E FUCKING TRÊS ANOS SEPARAM OS DOIS, E VOCÊS INDA VEM PRA CIMA DE MOAZINHA PRA DUIZER QUE MARCELA TEM SORTE?!?!?!?!?!?! CARACA, ESSE JABURU TEM IDADE PRA SER O PAI DELA!!!!!!], para jantar na sala especial do sofisticado, caro e badalado restaurante Antiquarius[ah, mas não tem problema! OLlha que lindo! O macho passado inda tem cacife pra levar sua amada a um rstô caro em São Paulo! De novo, migo: não tô vendo sorte, só compensação e e consolação… cadê a sorte de  Marcela?], em São Paulo. Blindada nas paredes, no teto e no chão para ser à prova de som e garantir os segredos dos muitos políticos que costumam reunir-se no local, a sala tem capacidade para acomodar trinta pessoas, mas foi esvaziada para receber apenas “Mar” e “Mi”[Mar e Mi. Que mer tá parei], como são chamados em família. Lá, protegido por quatro seguranças (um na cozinha, um no toalete, um na entrada da sala e outro no salão principal do restaurante)[alô Estado Islâmico! Cê taara querendo atacar oBrasil? Olha a dica!], o casal desfrutou algumas horas de jantar romântico sob um céu estrelado, graças ao teto retrátil do ambiente. Marcela se casou com Temer quando tinha 20 anos. O vice, então com 62, estava no quinto mandato como deputado federal e foi seu primeiro namorado.[De novo, migo, CADÊ A SORTE DE MARCELA TEMER?!?!?! Uma menina linda e jovem e a primeira coisa que lhe cai na frente em termos de homem é MICHEL TEMER?!?!?!  

Michelzinho, de 7 anos, cabelo tigelinha e uma bela janela no lugar que abrigará seus incisivos centrais, é o único filho do casal (Temer tem outros quatro de relacionamentos anteriores). No fim do ano passado, Marcela pensou que esperava o segundo filho, mas foi um alarme falso. “No final, eles acharam que não teria sido mesmo um bom momento para ela engravidar, dada a confusão no país”, conta tia Nina, irmã da mãe de Marcela[tia Nina. Quem a vê de coque, óculos e tricô nas mãos?]. Ela se refez do sobressalto, mas não se resignou – ainda quer ter uma menininha. No Carnaval, Marcela planejou uns dias de sol e praia só com o marido e o filho e foi para a Riviera de São Lourenço, no Litoral Norte de São Paulo. Temer iria depois, mas, nos dias seguintes, o plano foi a pique: o vice ligou, dizendo que estava receoso de expor a família, devido aos ânimos acirrados no país. Pegou Marcela, Michelzinho, e todo mundo voltou para casa.[Cadê a sorte de Marcela? Só tô vendo azar, consolação, compensação e um tédio de dar dó.]

Bacharel em direito sem nunca ter exercido a profissão[tá. Ela é formada, mas optou por não trabalhar. A vida é dela, o problema é dela, a decisão é dela. Mas miga, que marido horroroso q c foi arranjar, com todo o respeito…], Marcela comporta em seu curriculum vitae um curto período de trabalho como recepcionista e dois concursos de miss no interior de São Paulo (representando Campinas e Paulínia, esta sua cidade natal). Em ambos, ficou em segundo lugar. Marcela é uma vice-primeira-dama do lar[nem do Brasil é, Marcela é apenas do-lar. Veja, não tinha como fazer um perfil mais interessante, não?] . Seus dias consistem em levar e trazer Michelzinho da escola, cuidar da casa, em São Paulo, e um pouco dela mesma também (nas últimas três semanas, foi duas vezes à dermatologista tratar da pele).[teeeeeediooooo… dermatologiiiiiiiiistaaa… escoooola… téééééééééédiooooooo… Micheeeeeeeelllllll parece um conto de assombração]

Por algum tempo, frequentou o salão de beleza do cabeleireiro Marco Antonio de Biaggi, famoso pela clientela estrelada[… e pronto! Tava demorando falar do salão de beleza de estimação!]. Pedia luzes bem fininhas e era “educadíssima”, lembra o cabeleireiro. “Assim como faz a Athina Onassis quando vem ao meu salão, ela deixava os seguranças do lado de fora”, informa Biaggi[procedimentos para frequentar um salão de beleza. afff…]. Na opinião do cabeleireiro, Marcela “tem tudo para se tornar a nossa Grace Kelly”. Para isso, falta só “deixar o cabelo preso”[cabelereiro comentando sobre o estilo da perfilada. Senhores, podem marcar suas tabelas do bingo-clichê!]. Em todos esses anos de atuação política do marido, ela apareceu em público pouquíssimas vezes. “Marcela sempre chamou atenção pela beleza, mas sempre foi recatada”, diz sua irmã mais nova, Fernanda Tedeschi. “Ela gosta de vestidos até os joelhos e cores claras”, conta a estilista Martha Medeiros.[casou aos 20 com um trubufu baixinho com cara de consumidor de Viagra homem de 62, seu primeiro namorado; é recatada e usa saia na altura do joelho. Coitada! Assim ela morre de tédio antes dos 40!]

Marcela é o braço digital do vice. Está constantemente de olho nas redes sociais e mantém o marido informado sobre a temperatura ambiente[mulher, do lar, recatada e bewm comportada, por falta do que fazer fica navegando na Internet. Veja, pelamordedeus, reescreve esse texto, coitada da Marcela!]. Um fica longe do outro a maior parte da semana[opa! Um breve lampejo de sorte!], uma vez que Temer mora de segunda a quinta-feira no Palácio do Jaburu, em Brasília, e Marcela permanece em São Paulo, quase sempre na companhia da mãe[ex-miss, recatada, do lar, usa roupas na altura dos joelhos e vive na companhia da mãe. Mas quem é a mãe de MArcela?]. Sacudida, loiríssima e de olhos azuis, Norma Tedeschi acompanhou a filha adolescente em seu primeiro encontro com Temer[uma sogra coral. Obrigada pela explicação.]. Amigos do vice contam que, ao fim de um dia extenuante de trabalho, é comum vê-lo tomar um vinho, fumar um charuto e “mergulhar num outro mundo” – o que ocorre, por exemplo, quando telefona para Marcela ou assiste a vídeos de Michelzinho, que ela manda pelo celular. Três anos atrás, Temer lançou o livro de poemas intitulado Anônima Intimidade. Um deles, na página 135, diz: “De vermelho / Flamejante / Labaredas de fogo / Olhos brilhantes / Que sorriem / Com lábios rubros / Incêndios / Tomam conta de mim / Minha mente / Minha alma / Tudo meu / Em brasas / Meu corpo / Incendiado / Consumido / Dissolvido / Finalmente / Restam cinzas / Que espalho na cama / Para dormir”.[eca. deu nojinho.]

Michel Temer é um homem de sorte.[não, fio. Michel Temer é um macho alfa aproveitador de menininhas. Sorte é outra coisa.]

Pronto. Que texto de merda, misericórdia. Que me remeteu a duas tirinhas da Mafalda, tão cruéis quanto precisas para fazer o comentário imprescindível.

  

Aí a gente pega a ideia dos framings do Lakoff (que eu já expliquei aqui) e aplica nesse texto.

Temos que a Veja tentou positivamente associar Marcela, uma bela jovem que optou por ficar em casa e não exercer uma profissão pra começo de conversa porque não precisa – além de tudo o que eu já listei lá em cima – como:

  • bela – OK, ela é bonita dentro dos padrões clichetarianos de loura caucasiana bonita
  • jovem – ela tem 32 anos. Considerando que o marido tem 4567864345 anos, temos um parâmetro de juventude estabelecido com sucesso. Com sucesso, tédio, consolação, comiseração e tudo o mais. Mas deixa pra lá.
  • recatada – Ela pouco aparece, então é verdade. Mas daí a associar sua discrição como positiva, e associá-la a exemplo de mulher bem casada e feliz no casamento, tenho até medo de continuar a pensar sobre isso, porque periga a gente regredir tanto que o laptop noqual digito isso pode desaparecer, e dar lugar a um papiro. (posso lembrar que Marisa da Silva também é uma mulher discreta e recatada, e teve sua imagem associada à Hello Kitty, uma personagem sem boca? E que essa associação de Marisa à Hello Kitty foi feita de forma pejorativa? Melhor deixar pra lá, né?
  • sortuda – definitivamente, o texto foi infeliz bagarai ao tentar fazer essa associação.

O problema é que trabalhar esses framings femininos em pleno 2016 é pedir pra ser contestado. Há muito tempo que uma mulher com um mínimo de juízo despreza o recato e o confinamento doméstico. Há muito descobrimos as vantagens do mundo, a capacidade de se expressar aberta e livremente e, principalmente, as maravilhas do bar. 😛

Resultado? O texto foi questionado e desprezado – e o mais legal foi observar que geral respeitou o direito de Marcela ter um perfil comportamental fruto de sua própria opção, e não de imposição social. Já evoluímos suficientemente a ponto de saber diferir uma coisa da outra.

Agora pense com todo o carinha e responda a si mesmo quais framings seriam acionados se a história contada fosse ligeiramente diferentes, como sugere a Renata Corrêa no Facebook dela:

Imagina que loko se a Dilma tivesse casado com um moço 43 anos mais novo que ela. Imagina que loko se ela tivesse conhecido ele quando o moçoilo não tinha nem completado dezoito anos. Imagina que loko uma matéria de revista falando que ele era o Alain Delon brasileiro. Imagina essa matéria falando que ela foi a primeira mulher dele. Imagina se essa matéria dissesse que ele se veste de forma bem sóbria e gosta muito de ficar em casa mandando video de gatinho pra ela. Imagina se essa matéria mostrasse um poema bem soft porn que a Dilma fez pra ele. Imagina essa matéria escrita por um homem que encerraria dizendo que a Dilma é mesmo uma mulher de sorte. Que loko. Que loko, mano.

É. Pois é.

Mas voltando ao texto da Veja: o único sucesso dele foi pegar essas três palavras-chave (bela, recatada e do lar), trabalhá-las de forma absurdamente clichê e demodé (pra usar uma expressão que regula com elas em modernidade), juntar tudo e tacar no título.

Resultado: um texto de merda virou polhêmica. E mais uma vez, a revista de merda virou o assunto da semana.

Parabéns a todos os envolvidos.

 

 

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George Lakoff e a fila do pão francês

abril 20th, 2016
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E há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

George Lakoff – e há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

Vou fazer este texto aqui pro próximo texto não ficar quilométrico.

George Lakoff explica tudo e mais um pouco sobre o que tá com teseno  no Brasil de hoje. Então, faz-se míster (eu adoro essa expressão, então me deixa, o texto é meu, a vida é minha, o estilo é meu, a expressão cabe como uma luva aqui, então não torra) explicar um pouco do meu mais recente darling.

George Lakoff foi um dos pioneiros da linguística gerativa. Noam Chomsky dizia que a linguagem é inerente ao ser humano, e que estímulo é coisa behaviorista e não tem nada a ver e tals. Lakoff embarcou nessa, e começou a estudar, lá no meião dos anos 1960, como é que a parada da compreensão de um texto era resolvida nos neurônios.

Quinze anos depois, ele desistiu do gerativismo. Descobriu que estava trabalhando com conceitos movediços, e que se ele insistisse naquela história de que linguagem é coisa do cérebro e tals ele não iria muito longe na tarefa de ligar semântica com neurônio.metaphors

Essa guinada foi muito boa pro seu Jorge. Tanto que em 1980, ele publicou a primeira obra do que eu considero sua trilogia básica: Metaphors we live by (link pra você baixar o lindinho, ininglix), onde ele explica que o cérebro trabalha sempre um esquema de usar ideias de um campo pra explicar coisas em outro: tempo é dinheiro  (relação entre ganhar/perder dinheiro com ganhar/ perder tempo), a vida é um grande jogo (ambos com regras, jogadores, estilos e trapaças), a luta pelo poder (conquistas e perdas de uma guerra e relações interpessoais) e por aí vai. Tudo no nosos cérebro vira uma grande metáfora ou metonímia.

Estava fundada a Linguística Cognitiva.

Dez anos depois, Lakoff trouxe ao mundo a segunda obra de sua trilogia básica, Women, fire and dangerous things (Mulheres, fogo e coisas perigosas). O título é uma grande e brilhante provocação, que leva o papo das metáforas adiante e vai trabalhar a ideia de categorização, e como a gente passa o-di-a-in-tei-ro categorizando as coisas ao nosso redor: pessoas com óculos/sem óculos; folhas verdes/folhas de outra cor; homens com cabelo curto/mulheres com cabelos compridos etcetcetc. (A Linguística funcionalista pede a palavra e começa a explicar os protótipos nessa hora, mas deixemos meus amigos Funcionalistas de boas ali tomando a cervejinha deles).

WFDTO cabra ainda se vale de um cinismo delicioso pra alfinetar a sociedade americana e sua adoração por carros:

“Provavelmente a coisa mais chata que um professor de Linguística faz durante aulas pra calouros é ter de explicar as várias palavras que os Esquimós usam para se referir ao que nós chamamos simplesmente de neve. (…) Um esquiador também usa várias palavras diferentes pra se referir a neve. Qualquer um com um conhecimento especializado vai se valer de palavras específicas para se referir ao seu domínio de conhecimento. Marceneiros, jornalistas, advogados e até mesmo linguistas fazem isso. Quando uma cultura inteira torna-se especialista num domínio, eles adquirem um amplo vocabulário. Basta observar que os americanos têm mais de 200 palavras para se referirem a um carro.” (pág. 308)

Mas o livro que arremata lindamente o raciocínio iniciado em Metaphors e prosseguido em Women, fire é The Political Mind, de 2008. Eu já falei sobre esse livro e como ele se aplica ao Brasil no meu Facebook. Lourdes Nassif e Fernando Brito reproduziram esse texto no GGN e no Tijolaço, respectivamente.political mind

E o mais interessante: hoje eu reparei que oLakoff é AS-FU-ÇA do Fernando Morais! Que coisa…

 

Entenderam a quantas anda a fila do pão francês, quem É George Lakoff nessa fila, e como o cabra tarra coberto de razão quando falou que a gente usa metáfora e categorização o tempo inteiro? Taí a imagem da fila do pão francês na sua cabeça que não nos deixa mentir… 😀

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Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo

abril 14th, 2016
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Vamos situar a coisa:

No final dos anos 1990, quando rolou a atualização dos Parâmetros curriculares Nacionais, geral estrebuchou: “como assiiiiiiiimmmm???? Não vamos mais ensinar gramática nazescoooooooolas????????” e deu-se o furdunço geral, porque “assim as nossas crianças não aprendem a falar português direito, e o português é difícil, e os ignorantes que as escolas formam que nada aprendem” e etcetcetc blablabla whiskas sachê pereré pão duro.

O que ninguém se deu ao trabalho de fazer foi ler com cuidado os PCN tudo. A ideia não é mais ensinar gramática como está escrito nos livros do Bechara, por exemplo (ufa! Grazadeus!), mas pegar um uso claro de determinado detalhe sintático pra usar como mote pra dar uma aula.

Querem um bom exemplo disso? Manda na lata agora: O que é conjunção?

Tô vendo seus neurônios Tico e Teco jogando nozinha pra lá e pra cá pra tentarem se lembrar do que se trata. Aí, eles vão produzir algo como “ah, é aquele negócio de oração subordinada e oração coordenada, né?”

Tá. Aí, em vez de te dar meio certo e te chamar de burro, vou mostrar pra você como se dar uma aula de conjunção.

Peguemos como exemplo o seguinte texto da Folha (sempre ela, sempre ela!). Vou destacar umas palavras em negrito, e vocês me dizem o que que elas estão fazendo na cadência e nos dados semânticos do texto, OK?

 

Para ‘Financial Times’, impeachment pode jogar país ‘no caos’

O jornal britânico Financial Times diz acreditar que o impeachment da presidente Dilma Rousseff pode ser apenas o começo de mais problemas para o Brasil.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (14), o correspondente do jornal no país, Joe Leahy, explica o complexo cenário político que marcará a votação do processo na Câmara neste domingo (17).

Em formato de perguntas e repostas, o texto chama a atenção para o que chama de “julgamento político” de Dilma, embora ressalte as acusações relacionadas às pedaladas fiscais, que baseiam o pedido de afastamento.

“O impeachment é, essencialmente, um voto de desconfiança. Rousseff se tornou uma das mais impopulares líderes da história democrática do Brasil”, escreveu Leahy.

O FT afirma que há a possibilidade de o processo de impeachment trazer mais instabilidade ou mesmo “jogar o país no caos”.[garoto maroto travesso… não continuou a explicar o que o FT entende por “caos”!]

O jornal cita o fato de que o vice-presidente e possível substituto de Dilma, Michel Temer (PMDB), também corre o risco de perda de mandato por causa da investigação sobre o financiamento da campanha eleitoral que, em 2014, reelegeu ambos.

E, apesar de classificar um eventual governo Temer como mais “amigável” para o mercado, aponta o risco que ele enfrentaria ao ter o PT de volta à oposição, sobretudo por causa da tese defendida por Dilma e seus aliados de que o impeachment é um golpe.

“Se, assim como muitos acreditam, ela (Dilma) e o partido (PT) se recusarem a aceitar o resultado do processo de impeachment, o Brasil entrará em território desconhecido”, opinou Leahy.

A publicação britânica ressalta a crise econômica brasileira e vê culpabilidade de Dilma[e aqui o texto marotamente esqueceu-se do adjunto adnominal mais importante, que é a culpa de dilma SOBRE A CRISE ECONÔMICA, e não dos “crimes” de que ela é acusada], além de mencionar que, embora não seja alvo das investigações do escândalo de corrupção da Petrobras, ela foi presidente do Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010, período em que o esquema operava.[porque o final do parágrafo vai justamente confundir a “culpa” da Dilma na cabeça do leitor, já que ele joga tudo junto ao mesmo tempo agora no mesmo molho. Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo?]

O FT, porém, menciona as pesquisas de opinião que mostram um grande número de brasileiros (58%) como também favoráveis ao impeachment de Temer.

O texto inclui uma comparação com os eventos que levaram ao afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República em 1992, em que Leahy observa o fato de que tanto ele à época quanto Dilma terem uma popularidade baixíssima.

Mas o FT observa que, ao contrário de Collor, Dilma tem o apoio de um partido forte no Congresso.

 

 

com o texto acima, um bom professor de português demonstra:

a) o uso de palavras que conduzem a opinião e o raciocínio do leitor (nesse texto, destacam-se as expressões ressalta, observa – e nessa hora a gente sempre mostra o que está sendo observado – tese defendida em vez de alegação/acusação, etcetcetcetc)

b) a escolha precisa dos destaques do texto do Financial Times pra refutar a tese da Folha

c) o uso e o emprego prático de palavras invariáveis que efetuam a conexão sintática entre duas orações, e com essa conexão conferem algum sentido extra à ligação (taí a definição de conjunção que você não soube fazer lá em cima, mas se tivesse uma aula com um texto deste naipe, você saberia recitar a definição porque aprendeu direito, e não porque decorou)

(E eu ainda chamava o professor de inglês pra traduzir o texto original e conferir se o teor dele bate com o que a Folha publicou…)

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Memórias de uma bruxinha estudante II – missão trabalho pra faculdade

março 14th, 2016
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Aí a professora Viviane Vieira pediu pros alunos de Estágio Supervisionado em Português fazerem um memorial da vida escolar: o que a gente se lembra de nossas aulas de português?

Eu comecei a escarafunchar meus alfarrábios, porque eu tava com a impressão de que já tinha feito algo parecido. Não só fiz como foi um dos posts mais visitados da história do blog. <3 Inclusive recomendo a leitura dele antes de continuar por aqui… pode ir lá que eu espero! 😀

Então, vamos à segunda parte daquele post que eu fiz em algum momento de 2011. Já pegou pipoca e guaraná? A viagem vai ser longa, e vai começar onde paramos, no Colégio Santo Amaro, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Quem passa pelas mãos da tia Tereza não sai impune. Ficam as memórias das aulas com uma professora excelente, atenciosa e não menos exigente e rigorosa.

CSA

Fachada do Colégio Santo Amaro, à rua 19 de fevereiro, em Botafogo (RJ)

Aí você chega na 5ª série ginasial (século passado, milênio passado, abafa o caso), ainda no Colégio Santo Amaro (eu avisei que este post seria uma continuação do primeiro, não avisei? Se você não leu a primeira parte, vai ficar confuso mesmo…).

Curioso é que, se eu me lembro muito das aulas da minha infância, pouco me lembro das aulas da adolescência. Lembro-me dos professores, alguns marcantes, e outros que não fizeram a mínima diferença na minha vida.

No ginásio eu comecei a ter aulas também com com professores. Acabou a era das tias. E um dos primeiros professores que eu tive foi o tio Léo, de português. Careca, óculos, calvície a 50% (sim, fui politicamente correta, me deixem). Não me lembro do conteúdo das aulas (lembro que aprendi, obrigada! 😀 ), não me lembro dos livros adotados, não me lembro das leituras obrigatórias. Mas tenho boas recordações do tio Léo – e nenhum trauma. Também lembro que ele fazia uma coisa impensável hoje em dia: ele fumava em sala de aula.

Lembro que li muito nessa época, a coleção Vaga-Lume (que está voltando às livrarias mas você pode baixar aqui, YAY! \o/ ), os Karas e a Droga da Obediência, li até Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn por conta própria – e adorei. Também li Geografia de Dona Benta (livro apaixonante pra quem quiser se iniciar em questões de Geografia Política) umas vinte vezes. Impressionante como a gente consegue aprender com seu Zé Bento. E ó: quem souber como situar Monteiro Lobato no tempo e no espaço consegue dar uma aula alucinante sobre racismo e preconceito étnico. Ao fim dessa aula, alunos e professor saberão separar o racista do escritor genial #ficadica.

Mas por que eu me perdi nos meus recuerdos literários? Ah, deixa pra lá. Vamos passar de ano? Sexta série, professora nova. Consegui me lembrar vagamente de suas feições (uma senhorinha, cabelo louro tingido e olhos claros, passou um trabalho em grupo no qual os alunos deveriam “apresentar um telejornal” ao vivo, diante da turma. Até bem pouco tempo eu tinha o “logotipo” do jornal que o meu grupo apresentou, o “Papo Furado” (um balão de história em quadrinhos com um “furo” por onde saía ar). foi o Jorge Valente, desenhista e colega do meu pai quem fez pra mim. Não lembro dos livros que ela pediu pra ler, não lembro do livro adotado. Mas as recordações boas ficaram restritas a esse trabalho em grupo. Não tenho mais recordações dessa professora – diga-se de passagem, quem lembrou do nome dela foi meu colega Orlando, que foi categórico: Neuza, com zê! E o Orlando também contou que ela faleceu em 1988. 🙁

Chegou a sétima série e a professora era nova e fresca em todos os sentidos: tia Áurea era recém-formada (acho que pela UFRJ) e recém-contratada pelo colégio. De novo: não lembro do livro adotado, não lembro das leituras. Minhas recordações são confusas. Por oras uma boa professora, que sabia ministrar o conteúdo da matéria (gramática, gramática, gramática e gramática, sem se esquecer da gramática, que a gente aplicava na redação), oras uma profissional inexperiente que não conseguia controlar a turma (e minha turma era fogo!). Mas do nome dela eu nunca me esqueci! 😀 também não me esqueci que era uma época estranha, em que Lobão e Roger eram sujeitos palatáveis e contestatórios, e o Paulo Ricardo do RPM era lindo (me deixa)!

Lembro de uma vez em que a turma tacava o terror e a Áurea passou teste relâmpago, valendo nota, de uma matéria que ela não estava conseguindo explicar: prefixos e sufixos. Eu fiz o teste, assustada porém segura do que estava escrevendo. Tive a maior nota da turma – oito ou nove. Ela me entregou o teste corrigido e falou: “você leu o livro antes de todo mundo, né?” Não, eu não tinha lido. Mas, pô, vamos combinar que o prefixo “anti-” indica negação da palavra que ele introduz, né? É meio óbvio isso, não?.

Oitava série. Tempo sujeito a chuvas e baforadas de cigarro. O professor era Sérgio Regina, que não tinha o menor tato com a turma. Preferia dar aulas para o segundo grau, no Colégio Zaccaria. Em minhas memórias, ele lembra o sargento Tainha, do Recruta Zero: cabelo escovinha, grande e gordo, e acendia um cigarro no outro. Já morreu, consumido pelo cigarro.

O professor Sérgio Regina não tinha saco de lidar com uma turma imatura, mas foi o primeiro a me mostrar, por contraste com outras línguas, que o mim pode ser sujeito do infinitivo, sim. E ele ficava abismado como aquela aluna que não tinha caderno e conversava muito durante a aula (mas se calava na hora da explicação da matéria nova) se dava bem nas provas. #beijinhonoombro

CIC

Colégio Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo

Segundo grau, escola nova. Colégio Imaculada Conceição entra burro e sai ladrão. Tenho as piores lembranças dessa escola, e as melhores lembranças dos professores – todos, menos os de português.

O apreço pela escola era tão grande que num ano tivemos aulas numa sala com janela que dava pro lado de fora da escola. Nos intervalos, eu e outras colegas íamos pra janela e ficávamos paquerando qualquer homem que passasse: “olha, nós somos alunas do Imaculada Conceição. Aqui não tem mulher que preste, viu? Mas a culpa é da escola que não nos ensina isso!” Adolescência, ainda bem que você ficou pra trás – e mais importante: inda bem que tudo isso se deu numa época sem smartphones e mídias sociais pra registrar o mico.

Também lembro que Rachel de Queiroz, ex-aluna da escola, foi lá uma vez pra aparecer divar dar uma de gostosa dar uma palestra. Chegou e foi perguntando: “vocês vão me perguntar como é ser a primeira mulher membro da Academia Brasileira de Letras?” Um docinho, dona Rachel – só que não. Tomei birra e antipatia por ela e por tudo o que vinha dela desde então. Mas foi ridículo ver como as irmãs da escola puxavam o saco dela. (Já deu pra perceber que eu não vou com a cara daquela escola, né?)

Lembro que foi um professor de português diferente em cada um dos três anos do ensino médio. A professora do primeiro ano era muito esquisita. Não me recordo seu nome, mas jamais conseguirei esquecer o nome do autor do livro que ela adotou: Douglas Tufano. Por culpa dela: “o livro que nós vamos adotar é de Dúglas Tufano – e não estranhem essa pronúncia, pois quem fala francês sabe que ó e ú se juntam em som de ú”. Eu olhei pra ela com aquela cara de “Cejura, minha tia?” e cá cos meus alfarrábios eu tirei que alguma coisa tava errada naquilo (óbvio que era o fato de Douglas ser um nome brasileiro, então deve ser pronunciado Douglas e não Dúglas, dããããã!).

Outro trauma que ela me passou, esse dos bons: “o paradigma do éssemosizême na marcação número pessoal dos verbos” e eu só via os verbos conjugados na minha frente. que raios era aquele éssemozizême, deus do céu? Bom, nunca me fez falta saber durante o segundo grau. Só fui descobrir direitinho que raio era aquilo depois que entrei pra faculdade de Letras, e fui entender o que era um sintagma e um paradigma. (os paradigmas verbais são as partes dos verbos que indicam o número/pessoa e o tempo/modo/aspecto. São sufixos que se revezam na combinação com as raízes verbais. O “-s / -mos / -is / -m” é praga que marca, respectivamente, 2ª pessoa do singular / 1ª pessoa do plural / 2ª pessoa do plural e 3ª pessoa do plural. Dá em tudo quanto é tempo verbal no modo indicativo, à exceção do pretérito perfeito e do futuro do presente, no qual o -m vira -ão mas isso é papo pra outro post.)

Mas eu falava mal da professora do 1º ano do ensino médio. No segundo ano a coisa não ficou muito melhor. Acho que o nome dele era Armando. Cheio de ideais, de como o futuro da humanidade era legal e deveria ser bem semeado etcetcetc blablabla whiskas sachê. Passou um semestre inteiro analisando sintaticamente orações em textos corridos. (Dica pros pofexô que tão chegando agora: não tentem. Vira uma zona do caramba. Chega uma hora que você não sabe mais o que você está fazendo – ele, ao menos, não sabia).

No terceiro ano, pré-vestibular, não tenho a mais remota ideia de quem me deu aula de português. Talvez porque era alguém (sei nem se era homem ou mulher, avaliem) tão insípido que não me marcou em nada. Lembro apenas que tinha colegas terrivelmente medíocres que não queriam “matéria nova”, porque tinha muita coisa a estudar pro vestibular. Coitadas,devem ter virado donas de casa. Coitadas, mesmo. Lamento pela mediocridade delas.

Lembrei do que a turma da 3ª série quase fez com a irmã que ficava na portaria, a irmã Labourré. Mas eu já esqueci de novo e não vou contar porque a juventude tem que prezar pela criatividade. Ademais, se eu descobrir que alguém fez com aquela sujeita algo que eu não tive coragem de fazer sou capaz de processar por direitos autorais. Então, deixa prá lá.

Mas aí eu passei pra jornalismo na UFRJ e desse professor eu não vou me esquecer jamais!

Agostinho Dias Carneiro, quem começou a me dar ideias do que se chama Análise do Discurso. Professor de Letras da Federal do Rio de Janeiro, ele fez uma apostila especial pros alunos de comunicação (1º e 2º períodos do curso), praticamente sobre lexicologia. Nos apresentou os vários verbos para expressar, por exemplo, o suprimento da vida de um ser (matar/sacrificar/ assassinar). Essas aulas me fascinaram e me fizeram pensar mais sobre os vários significados de um verbete, de como e por que escolher palavras com cuidado na hora de compor um texto, e por aí vai.

Você chegou até aqui e não se chama Viviane Vieira? Puxa, parabéns e obrigada! A pipoca tava boa? 😉

(Em tempo: e aí, fessora? Gostou? Aceita pipoquinha? Se espirrar saúde tá parei.)

Tô aqui pensando em como um professor é importante na vida de um indivíduo – para o bem ou para o mal. Tô ainda mais intrigada em lembrar muito mais da minha professora de Jardim de Infância do que da pessoa que me deu aulas de português no pré-vestibular. Cara, quem foi esse ser tão insignificante que passou pela minha vida? E por que essa pessoa foi tão insignificante? Pior: como pode um professor ser insignificante na vida de um aluno? Jesus amado…

 

Em tempo: O COlégio Santo amaro foi palco de um vídeo promocional, lindo e emocionante, feito pelas canetas BIC. Não resisto, vou colar aqui. Eu chorei tanto pelo local das filmagens quanto pela mensagem do vídeo

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Sou há rrogante, esse post TINHA que ser meu!

março 5th, 2016
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Como foi o Brito quem fez o post no Tijolaço, não só vou roubá-lo como vou contar pra todo mundo que o brito chamou o arquivo que ilustra este post de “arrogante.jpg”.

Claro que Merval já consertou a cagada. Mas os deuses do print-screen não falham!

#prontofalei

 

Pausa para rir: o certo é arrogante ou “Harrogante”, Merval?
Merval, que mico!

A (ou será Há?) imagem de sua página de hoje em O Globo vai deixar você sem chá esta semana na Academia Brasileira de Letras.arrogante

Quer dizer que “não existe perseguição HA Lula” e, pior, “EXISTE FATOS a serem investigados”?

Uma vá lá, acontece nas melhores famílias e até na minha, que já errei muitas vezes e errarei muitas mais.

Mas duas, assim de carreirinha?

E logo você, Milorde?

O povo do Facebook, terrível, fotografou e colocou a imagem para rodar na internet.

Sabe, Merval, sei que já consertaram, mas você me lembrou o caso – pergunte aí na Academia, é possível que alguém conheça – do personagem Aldrovando Cantagalo, do conto O colocador de Pronomes, de Monteiro Lobato.

O camarada nasce por conta de um pronome mal colocado – seu futuro manda um bilhete para a filha bonitinha de um ferrabrás e, por conta de um “lhe” o velho diz que a declaração de amor não é para ela, mas para uma terceira pessoa, no caso a irmã mais velha, feiosa e “titia” e morre por conta de sua grande obra: um tratado de colocação de pronomes. Calhou de vir o impresso, seu único livro – empate com você – vir, logo na dedicatória, com uma deprimente ênclise no lugar da próclise: “a fulano de tal, que sabe-me as dores”.

Ah, Merval, o Aldrovando com essa sua dose dupla estaria, como no conto, gritando Lamma Sabachtani, Lamma Sabachtani?!

Não sabe o que é? Eu podia ser malvado e dizer para você perguntar ao Michel Temer ou ir ao Google (afinal, depois do Google qualquer um pode afetar erudição, não é?), mas não sou.

Quer dizer, chamando a Deus desesperadamente, “por que me abandonaste?”.

Talvez, quem sabe, nem Deus esteja aguentando tanta hipocrisia.

Ou será Ipocrizia?

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Chame do que você quiser. Menos de jornalismo.

março 2nd, 2016
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afff! Quase três meses sem escrever aqui?!?!?! Ai, gente, desculpa!

Mas voltemos aos alfarrábios.

Jornalismo é assim: você recebe informações bem checadas, bem apuradas, de fontes confiáveis. Junta tudo num texto bem feito que, ao ser lido, fornece a quem leu informações relevantes e importantes, para que fatos sejam esclarecidos. Opinião tem espaço num veículo jornalístico, mas espaço próprio.

O que o Globo publicou aqui é um emaranhado de dados jogados a esmo, com palavras milimetricamente escolhidas para causar impactos especiais. O objetivo desse texto não é esclarecer e elucidar fatos, mas despertar no leitor aquilo que já foi chamado de “os instintos mais primitivos”.

Então, pra facilitar sua vida, eu fiz dois comentários neste texto. Os comentários que um defensor de Lula faria diante do texto, e os comentários que um antipetista ferrenho faria.

Repare que, nos dois casos, a informação não é relevante, mas sim o que aquele texto causa no leitor. Não importa quem defende o PT, o importante é reforçar o ódio ao PT.

Acompanhem as leituras abaixo. à esquerda, a leitura do petista; à direita,a leitura coxinha. (desçam, pfvr, pois a formatação desse post ficou meio doida)

Dois pedalinhos que ficam estacionados no lago do sítio de Atibaia (SP) trazem os nomes de dois netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [Masgemt, a obsessão chegou no nome dos pedalinhos?!?! Que coisa mais relevante, não? É, não…]. Os brinquedos, em forma de cisne branco, têm capas pretas com os nomes de Pedro e Arthur, e apareceram em uma imagem aérea exibida na edição desta segunda-feira do “Jornal Nacional”[Jornal Nacional, você já foi relevante, viu? Agora não sabe por que vive perdendo audiência…].

Pedro é filho de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e tem hoje cinco anos. Já Arthur tem quatro anos e é filho de Sandro Luís [Parabéns, Globo! Você sabe montar a árvore genealógica da família Lula da Silva! Se os jornalistas continuarem assim, têm chance de trabalhar em Caras!]. Ambos nasceram na Maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo. [Re-por-ta-gem de Ca-ras! Castelo e Ilha de Caras! Um looshoo só!]

Alvo da Lava-Jato por envolvimento em desvios na Petrobras, a construtora Odebrecht teria realizado [teria realizado = nóis num tem certeza, mas que se foda, a gente faz ilação e tá tudo certinho! Apuração pra quê? Ah, jornalismo? Carece fazer, não…] obras de reforma no local, usado pelo ex-presidente e seus parentes. Lula admitiu [admitiu / reconheceu = “nóis é ixperrrto, nóis aperta ele e ele intrega! O_o] que frequenta o sítio mas alega, porém, que o local pertence a “amigos da família”. [e “amigos da família” vai entre aspas, assim mesmo, que é pra gente desconfiar da veracidade das informações! E zás, como são expertos esses jornalistas! Quem convencer melhor vai ganhar um fim de semana na ilha de Parati na mansão tríplex do tá parei, parei, pareeeeeei…]

Amigo de Lula, o pecuarista preso na Lava-Jato José Carlos Bumlai teria pagado parte da reforma do sítio [mas espere! Foi a Odebrecht ou o Bumlai? Gente, se vai mentir, mente direito! Assim não pode!], segundo documentos apreendidos pela PF [documentos = troço sério, válido, que passa confiança e responsabilidade; apreendidos = num era pra tar nas mão da PF, massa Pf é ixperrrta, ela pegô tudo! E eu escrevo isso assistindo a um capítulo de A Regra do Jogo, daqueles policiais smartões…].  Desde 2012, Lula e a família viajaram 111 vezes ao local [porque a gente precisa ser psicopata de responsa, a gente conta direitinho quantas vezes Lizináco foi lá. A gente poderia dizer “mais de cem vezes”, mas “cento e onze” dá uma credibilidade que ó: parece que a gente inventô isso tudo!]. Logo após deixar a Presidência, Lula enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio. Entre os itens transportados, havia 200 caixas – 37 delas com bebidas. [porque, né? Os pertences de Lizinácio se resumem a um monte de caixa com bebidas! Globo, migo, para que tá dando vergonha alheia em níveis profundíssimos!Assim não dá mesmo pra te defender, fera!]

Os advogados do ex-presidente Lula e de sua mulher, Marisa Letícia, apresentaram por escrito as explicações sobre o tríplex no Guarujá [que foi mencionado neste texto pela primeira vez] e o sítio de Atibaia, na investigação movida pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo eles, o sítio foi prospectado pelo sindicalista Jacó Bittar em 2010, que tinha a intenção de oferecer a Lula um local para que pudesse guardar os objetos que ganhou durante o período em que permaneceu na Presidência da República. Como ficou doente, Bittar teria dado o dinheiro para que seu filho, Fernando Bittar, fechasse o negócio. O valor, no entanto, teria sido insuficiente, o que levou Fernando a chamar Jonas Suassuna para entrar como sócio na propriedade. [aí a gente pinta uma história doida e mal escrita, pra ficar difícil de engolir, porque a ideia é essa mesmo!]

Procurada pela reportagem do GLOBO, a assessoria do Instituto Lula afirmou que não vai se manifestar sobre os pedalinhos [e ó: magoou, viu? Por que o Instituto Lula não libera um release intitulado “sobre os pedalinhos do sítio de Atibaia? Hã? Ah, só porque é ridículo demais da conta? Ah, que pena…] e que “o ex-presidente e dona Marisa frequentam o sítio, que é de propriedade de amigos da família”.

Dois pedalinhos que ficam estacionados no lago do sítio de Atibaia [como assim aquele bêbado analfabeto tem pedalinho em sítio? Onde já se viu uma coisa dessas?] (SP) trazem os nomes de dois netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [ah, que putaria! Nomes dos netos, ainda por cima! Que pouca vergonha!]. Os brinquedos, em forma de cisne branco, têm capas pretas com os nomes de Pedro e Arthur, e apareceram em uma imagem aérea exibida na edição desta segunda-feira do “Jornal Nacional”.[se não é o Jornal Nacional pra nos revelar essas notícias importantes, não sei o que seria do Brasil legalista!]

Pedro é filho de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e tem hoje cinco anos [absurdo! Esses merdas se reproduzem! Como pode isso? Quem permitiu?]. Já Arthur tem quatro anos e é filho de Sandro Luís. Ambos nasceram na Maternidade do Hospital São Luiz, em São Paulo.[AAAAAAHHHH, TÁ VENDO? NESSAS HORAS NÃO VÃO PRO SUS, NÃO! ELES ROUBAM DINHEIRO DA GENTE PRA PAGAR HOSPITAL PARTICULAR, E DEIXAM O POBRE LARGADO NO SUS! VAI PRO SUS, LULINHA!!!]

Alvo da Lava-Jato por envolvimento em desvios na Petrobras, a construtora Odebrecht teria realizado obras de reforma no local, [Odebrecht fazendo obra no local! Depois vão dizer que não trocam favor de corrupção com o Lula?] usado pelo ex-presidente e seus parentes [Gente, como esses petralhas insistem em achar que esse troço não é do Lula? Tá escrito aqui: o sítio é U SA DO, claro que é do Lula!!!]. Lula admitiu que frequenta o sítio [viu só? O ladrão analfabeto admitiu que frequenta o local! Claro que é dele! FDP como pode? Rouba dinheiro do Brasil e fica se fazendo de santo achando que o brasileiro é trouxa! Rá! Eu não sou trouxa, eu me informo, tá? Tõ aqui lendo O Globo!] mas alega, porém, que o local pertence a “amigos da família”. [mimimi amigos da família! Covarde! Assume logo que é seu, seu bosta! Ai, que ódio, por que esse merda não morreu de câncer?!?!?!]

 

Amigo de Lula, o pecuarista preso na Lava-Jato José Carlos Bumlai [viu só? Tem construtora, tem pecuarista, todo mundo é “bonzinho” com o Lula, todo mundo paga pau pra ele – EM TROCA DE CORRUPÇÃO, CLARO!] teria pagado parte da reforma do sítio, segundo documentos apreendidos pela PF [DOCUMENTOS APREENDIDOS! E os petralhas achando que o Lula é santo! Ah, coitados….]. Desde 2012, Lula e a família viajaram 111 vezes ao local [cento e onze vezes, gente! Cento e onze vezes! E vão dizer que o sítio não é dele? Ah, vá…] . Logo após deixar a Presidência, Lula enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio [o bêbado analfabeto fez MU DAN ÇA pra lá!!!]. Entre os itens transportados, havia 200 caixas – 37 delas com bebidas. [HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! BÊBADO DE MERDA, SÓ TEM CAIXA DE CERVEJA COMO PERTENCE! Morre de câncer, desgraça!]

Os advogados do ex-presidente Lula e de sua mulher, Marisa Letícia, apresentaram por escrito as explicações sobre o tríplex no Guarujá e o sítio de Atibaia, na investigação movida pelo Ministério Público de São Paulo. Segundo eles, o sítio foi prospectado pelo sindicalista Jacó Bittar em 2010, que tinha a intenção de oferecer a Lula um local para que pudesse guardar os objetos que ganhou durante o período em que permaneceu na Presidência da República. Como ficou doente, Bittar teria dado o dinheiro para que seu filho, Fernando Bittar, fechasse o negócio. O valor, no entanto, teria sido insuficiente, o que levou Fernando a chamar Jonas Suassuna para entrar como sócio na propriedade. [blablablabla desculpinha esfarrapada!!!]

 

Procurada pela reportagem do GLOBO, a assessoria do Instituto Lula afirmou que não vai se manifestar sobre os pedalinhos e que “o ex-presidente e dona Marisa frequentam o sítio, que é de propriedade de amigos da família”. [MENTIROSOS! LADRÕES! CORRUPTOS! MORRAM DE CÂNCER, DESGRAÇAS! ACABA, LULA! ACABA, PT!]

 

 

 

 

 

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A carta de Temer a Dilma, ou como destruir sua carreira com um texto cafona

dezembro 8th, 2015
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underwoodMimimichel Temer não deve ter o saudável hábito de ler Luis Fernando Verissimo. Se o lesse, saberia que, se você não sabe como começar um texto, deve apelar a um provérbio chinês, e não a um adágio em latim. Até porque fica mais fácil divagar em cima do provérbio chinês. Ademais, na Era do Google, saber citar adágios em latim não é mérito nem diferencial pra ninguém.

Enfim. Este post é apenas para atender a pedidos dozamygho e dosfã <3 <3 <3. Mas tudo o que poderia ser dito a respeito da patética vergonhosa ridícula véi, na boa, cejura que escreveu aquilo? carta que o Temer escreveu pra Dilma já foi dito. E tudo o que se poderia esculhambar já foi esculhambado.

Então, faço apenas algumas observações pontuais:

Senhora Presidente [não importa se você é do time a presidente ou a presidenta. Aqui fica bem claro que mimimichel chamou dilmavana pra briga. quem trabalha diretamente com ela só a chama de presidentA, caso contrário ela não responde.]

[já comentei lá em cima esse adágio latino] “Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem) (…) À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.[Esse monte de aquela e aquele deixou a frase confusa e sem sentido. Melhor: À minha natural discrição conectei aquela derivada do CITADO dispositivo constitucional – Temer citou o artigo da Constituição, então a referência tá mais do que clara no texto.]

(…)

Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança. E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice[OLHA LÁ! OLHA LÁ! OLHA LÁ! ELE ERROU A CRASEEEEEEE!!! Esse a dai´é só preposição, não tem artigo! (Teria artigo se fosse “à Vice-Presidência”, mas não teria artigo no caso de “A Vice(-presidente)”.]

 (…)

Noves fora, a impressão que fica é que mimimichel foi acometido por um irrazoável surto de soberba, ao achar que seria capaz de produzir uma carta cujo impacto teria a mesma magnitude da carta de suicídio de Vargas. E muito também já se disse sobre isso, que Vargas matou-se,enquanto o suicídio de Temer foi só político, etcetcetc.

De concreto, mesmo, o que temos é que:

1- começar uma carta ~pessoal~ com um adágio latino foi ridículo

2- o tom da carta foi pré-adolescente. não se espera isso de um vice-presidente com 34567445634 anos de vida política.

3- se ele esperava contar com o apoio da imprensa para dar legitimidade e pujança a um textinho de merda, lamento informar mas texto de merda quando nasce na merda da merda jamais sairá.

4- Sério, mimimichel, você anda passando muito tempo vendo série da Netflix. Essa carta é uma bela patética mistura da carta de Frank Underwood ao presidente Walker com a personalidade de Kilgrave, o vilão de Jessica Jones. você se faz de vítima quando, na verdade, tenta manipular e controlar as vontades de todos ao seu redor. Beesha, por favor! Você não é vilão da Marvel, só tem cara de!

Isto posto, vamos comparar o final da carta que Frank Underwood escreveu ao presidente Walker no último episódio da segunda temporada de House of Cards com o final da carta de Temer à Dilma (se você acha que isto pode ser um spoiler, problema seu. eu acho que não). Primeiro, o texto de Underwood:

Se Vossa Excelência realmente acredita que eu servi apenas a mim mesmo, então eu perdi para sempre a sua confiança. tudo o que eu posso fazer agora é lhe dar minha liberdade para salvar a sua. Eu disse que eu tombaria em seu lugar, e com esta carta eu lhe dou os meios para que isso aconteça. Eu mesmo estou puxando o gatilho.

todos devemos fazer sacrifícios para alcançar nossos sonhos, mas às vezes devemos sacrificar a nós mesmos para o bem maior. É minha honra fazer este sacrifício agora.

Seu amigo leal, ainda [do fundo do] meu coração, se não no seu.

Agora, o texto de Temer:

Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.

Olha, mimimichel, sobrou convicção e faltou sacrifício na sua versão. Digo só isso.

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Voz Passiva: modo de (ab)usar

outubro 16th, 2015
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Devo, não nego, pago quando puder. Sei que prometi outro post destrinchando as manchetes da Derrota Collection Week, mas isso vai me tomar um tempo meio grande. Por ora, deixa eu falar aqui deste texto escancaradamente escandaloso.

Intâo… sabe quando uma criancinha diz “a jarra quebrou porque a bola bateu nela”, e esquece de dizer que a bola bateu porque ela, a criancinha, chutou a bola na direção da jarra.

Pois é.

Acompanhem esta manchete mirabolante do G1 – que eu posso quase jurar que não foi obra do G1 mas da France Presse:

Palestino disfarçado de fotógrafo morre depois de esfaquear soldado

aí você se pergunta se ele morreu por autocombustão, infarto, mal súbito ou o quê (mas seus botões meio que lhe contam que ele não morreu, mas foi morrido).

Então você, cheidi curiosidade, vai pro primeiro parágrafo da notícia:

Um palestino disfarçado de jornalista esfaqueou e deixou gravemente ferido nesta sexta-feira (16) um soldado perto da colônia de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada, e foi morto pouco depois, informou o exército israelense.

Foi morto. Por quem? Ah, é, bem… quem mesmo? N Ã O   I M P O R T A.

é pra isso que serve a voz passiva. Pra sumir com o agente da ação. (Agente da ação: aquele que age, que comanda o verbo e altera completamente a situação final de quem está na posição de objeto direto). Porque, amos combinar: “soldado israelense mata palestino que havia esfaqueado outro soldado” é assaz direto. Palestino morre após esfaquear deixa bem claro que o palestino morreu porque esfaqueou o outro. E a culpa é todinha dele, palestino.

E um beijo bem grande pra você que acha que a imprensa é isentona.

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Derrota Collection Week , a gênese do terceiro turno

setembro 20th, 2015
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48 horas e sete (oito?) manchetes que desfilaram terror
e uma coleção de derrotas (na verdade, foi uma só)
para Dilma Rousseff

Já contei aqui que estou fazendo um trabalho no qual contabilizo mondi manchete de Globo e Folha durante o segundo turno das eleições. Nesse post lincado, eu falei do poder do verbo derrotar e do substantivo derrota usados contra Dilma.

Pois bem.

Joguei lupa em cima dessas informações específicas, e descobri aquela que deve ter sido a gênese do terceiro e quarto e quinto e sexto e centésimo octagésimo nono turno. Foi um grande desfile de derrotas novas, e outras, e mais, e persistentes, acompanhadas ou não de ameaças, no carão dos jornais impressos. Como vocês irão perceber, cada qual teve seu estilo, sua personalidade, sua marca pessoal nessa vergonhosa passarela. Como esse fenômeno começou na semana pós-segundo turno e permite uma série de metáforas comparativas com um desfile de moda, batizei o dito de Derrota Collection Week. Vocês vão entender o porquê já, já.

Acompanhem comigo o desfile a evolução da coisa, neste calendário que traz apenas a última semana de outubro de 2014:

DCW

Dia 26 de outubro, domingo – Dia de votação. Fomos todos sufragar e ficamos no aguardo do escrutínio. (foi de propósito pra você correr atrás do dicionário. Dou mó força! 😀 ) Graças ao Acre, não morremos. Dilma venceu no fotochart (outra chance de você buscar o dicionário). Repito: Dilma Venceu. Em segundo, Aécio e beijos pra Lourdes Nassif 😛

Dia 28 de outubro, terça-feira – 48 horas depois da vitória de Dilma (vou repetir mais uma vez: Dilma V E N C E U, vê, é, êne, cê, é, ú, vêêêiiin-ssssêêêêêuuuu), a Câmara dos Deputados põe em votação a regulamentação dos conselhos populares. Não vou contextualizar a coisa aqui. Fique à vonts pra dar aquela busquinha marota no Google. O que nos interessa aqui é apenas uma informação: A Câmara rejeitou a regulamentação dos Conselhos Populares, nos moldes do que pretendia o Palácio do Planalto.

Dias 29 e 30 de outubro, quarta e quinta-feiras – Eis que é chegada a hora de os jornais noticiarem o babado legislativo da noite anterior. No meu trabalho, separei as manchetes que traziam as palavras Dilma, Aécio ou Lula. Do total de manchetes separadas nessas 48 horas, 26% (mais de um quarto delas) mencionavam derrota ou seus derivados. Lembrem-se: o único fato concreto que se tem foi a não aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um texto conforme pretendia o Planalto. Um único texto reprovado, um único assunto em questão.

Então, acompanhem o catwalk de Globo e Folha em suas respectivas passarelas:

29 de outubro:

Mercedes-Benz New York Fashion Week Spring/Summer 2013 - Dennis Basso - Runway Featuring: model Where: New York City , New York , United States When: 12 Feb 2013 Credit: Jeff Grossman/WENN.com

Câmara impõe 1ª derrota a Dilma após reeleição (Folha, 1ª página. Manchete repetida na parte interna do jornal, o que me permitiu somar esta teteia duas vezes)

Câmara derrota Dilma e veta Conselhos Populares (O Globo, 1ª página)

Câmara derruba decreto de Dilma que criava Conselhos Populares (O Globo, interna)

30 de outubro

Presidente do Senado promete impor nova derrota a Dilma (Folha, 1ª página)

Congresso ameaça impor novas derrotas a Dilma no plenário (Folha, interna)

Senado ameaça também derrotar Dilma (O Globo, 1ª página)

Renana avisa: próxima derrota de Dilma será no Senado (O Globo, interna)

Agora me digam quantas derrotas vocês acham que Dilma sofreu nessas 48 horas? Pois é.

Vou parar este post por aqui. Volto ainda esta semana com a análise de cada uma dessas manchetes lheandas. O que eu vou fazer, mal comparando, é a descrição físico-fisiológica do processo que faz com que um projétil seja atirado de um revólver dentro do corpo de um indivíduo, e o que acontece com o corpo deste indivíduo até que ele morra por causa do projétil.

(Enquanto isso, os jornalistas e editores de jornais ô raça! se comportam como um trafica qualquer de meia pataca que dispara sua metralhadora pra cima feito louco, sem pensar, e grita: TACÁTERRÔ! TACÁTERRÔ!)

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O dia em que a maldição do sintagma zicado rendeu um paradigma errado

julho 28th, 2015
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(Este post tem o patrocínio intelectual de Ferdinand de Saussure, o dicotômico.)

Eu já expliquei aqui o que é sintagma. Se você perdeu, o spoiler: é o nome técnico que se dá à mínima unidade de compreensão de um texto. Em linguagem vulgar, sintagma é chamado de expressão – ou, como preferiu o Britto, do Tijolaço, bordão. Ele pode ser composto só de nomes, e recebe o nome de sintagma nominal; pode ser composto de verbo(s), e chama-se (adivinha?) sintagma verbal (RÁ! Ixpertão! 😛 )

Pois bem. Voltei a falar do sintagma por causa do Pablo Villaça, que em seu Facebook provou que geral nazimprensa tá abusando do direito de escrever o sintagma “apesar da crise” (Não dá pra chamar de nominal, porque “apesar” é conjunção. Mas deixa pra lá isso não vem ao caso). Se você jogar no Google “apesar da crise”, vai entend… ah, clica no link aí de cima e lê o texto do Pablo porque é muito legal!

Então nossa história começa com geral nazimprensa se dando conta de que “apesar da crise” tava ficando meio ridículo. O sintagma zicou, por assim dizer. O que fazer? Ah, vamos brincar de paradigma!uol

Pausa número dois pra explicar o que é um paradigma linguístico. Vamos partir do sintagma, que nos dá uma linha de ação. Apesar da crise, por exemplo, é um sintagma composto da seguinte forma:

apesar    da    crise

[Conjunção + preposição + substantivo]

O paradigma é o lance que mostra ser possível você fazer combinações de outras palavras dentro dessa mesma fórmula, e obter outros sintagmas, como é o caso de:

Mesmo com crise

[conjunção + preposição + substantivo]

Então, voltando à história do sintagma zicado. Apesar da crise deu BO, geral brincou de paradigma: mesmo com crise, ainda que haja crise, etcetcetc. Percebam vocês que a estrutura e a ideia passada pelos novos sintagmas manteve-se a mesma, certo?

Pois é.

Até a hora em que o UOL pesou a mão na brincadeira do paradigma. Saiu da fórmula conjunção + preposição + substantivo e trocou essa fórmula por uma oração inteira (sujeito + verbo + objeto): GM ignora crise.

Seguinte, amiguinhos: cês conseguiram alterar o sentido do apesardacrise zicado. Esse GMignoracrise não tá ornando. Sugiro trocarem por em meio à crise – mas pelo amor de Nossa Senhora dos Contextos, me craseiem esse a! Ele pede conexão e especificação!!

(Ou isso ou vocês doem essa matéria pra sair na Folha de amanhã. Esse texto tá A CA RA da Folha!)

 

 

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O acidente crescido e a escala de agentividade da Folha de SPaulo

julho 26th, 2015
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Vocês podem falar o que quiserem da Folha de SPaulo. Só sei que ela sempre vem em meu socorro quando o blog fica parado. Eis que após quase um mês sem ter o que falar, a princesinha da Barão de Limeira me traz esta teteia aqui.

A história é a seguinte: paulistano reclamando da redução da velocidade nas Marginais, imposta pela CET do Haddad. (A velocidade caiu pra 70 Km/h, uma grandeza jamais atingida entre 7 da manhã e nove da noite, quando tem muito carro rodando por lá, mas quem sou eu pra falar disso, né verdade? Deixa isso pra lá).

Dona CET fez um estudo nas vias com velocidade mantida e nas que tiveram a velocidade reduzida. O número de acidentes fatais cresceu pra tudo quanto é lado, mas foi proporcionalmente menor nas vias com velocidade reduzida. O que pode fazer as pessoas concluírem que a redução da velocidade conteve o aumento de acidentes fatais nas vias mensuradas.

Aí chega o adjunto adverbial de tempo, que pode ser trequinho acessório pra dona sintaxe, mas pra dona semântica e Nossoa Senhora do Contexto ele faz uma diferença brutal. Esse estudo foi feito entre 2010 e 2014, e analisou a redução de velocidade implementada [atenção para os adjuntos adverbiais de tempo:] entre 2010 e 2012, durante a gestão Kassab. Ou seja: Haddad tem PORRA NENHUMA a ver com isso.

Mas o melhor de tudo no texto cometido pela Folha é a manchete. Lá em cima eu falei que o aumento foi proporcionalmente menor, né? Pois é. A folha me taca esta manchete:

“Acidente cresce menos onde limite de velocidade foi reduzido”

Cresce menos. Acidente cresce menos.

Agora vem aqui e pensa comigo. O que é mais factível? “O caçador matou o leão” ou “uma laranja matou o leão”?

Qual o poder que uma laranja tem para matar um leão, comparado ao poder de um caçador?

Quem entendeu a minha pergunta entendeu a ideia da escala de agentividade, proposta por Thomas Payne no livro Describing Morphosyntax – livro foda, diga-se de passagem. A escala de Payne nos incentiva a estourar umas boas pipocas quando a gente pensa na frase “acidente cresce menos”. Pensem no poder agentivo que um acidente tem de crescer ou não crescer por si só.

Mas tudo isso, claro, é culpa do Haddad. Como ele mandou reduzir a velocidade das marginais HÁ UMA SEMANA, a culpa é dele, claro. Sempre. Aliás, se chover e esfriar hoje em São Paulo, a culpa é do Haddad.

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Beaucoup de français pour rien contester, coitada…

junho 23rd, 2015
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hkzdrgAviso: aqui tem treta pra 5 baldes de pipocas.

Daí que a apresentadora da TVeja (Cês me juram que ela é jornalista? Que coisa, não?) está sendo acusada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná de plágio. Não de uma ou duas matérias, mas de exatas 65 matérias. Em menos de um mês. Movem a acusação contra ela exatos 23 jornalistas.

O que você faz numa hora dessas? Pega o pouco que lhe restou de dignidade, junta os cacos, enfia a viola no saco, pede desculpas e bola pra frente. Tentar terceirizar a culpa ajuda, mas não resolve.

Isso já aconteceu outras vezes. Lembro de um caso de um repórter da editoria Rio de O Globo (não lembro do nome dele, e não vou me esforçar pra isso, coitado, o cara ficou morrendo de vergonha), que (diz que) recebeu um texto legal de m amigo, pediu pra postar no blog dele no jornal, o amigo autorizou e, uma semana depois, o cara descobriu que o texto havia sido publicado em outro lugar. Foi demitido, e saiu pedindo desculpas pelo amor de Deus.

Mas não foi o que dona Joice Hasselmann fez. A mona botou a cara no sol e saiu disparando metralhadora giratória. Pelo que eu entendi, a culpa pelos plágios dela é da CUT. Como, eu não sei. Mas sei que a dona não é nem versada em português nem em francês. Allons-y pra conferir o que a tia fez?

Pipoca? Check! Guaraná? Check!

A escória do jornalismo só podia estar num sindicato ligado a CUT[Ok, não vou entrar no mérito. O artigo 5º da Constituição Federal permite que ela pense isso. Esse mesmo artigo também me permite considerar escória do jornalismo os integrantes da redação da Veja, né? Então, deixa prá lá]. Minha resposta aos vira-latas[ah, puxa… vira-lata é um bicho mó legaus!]: Retournez a la Merde! [ô minha tia, faltou um acento grave aqui nesse a. É “retournez à la merde”, por favor! Vai arrotar francês, arrota direito!]

Caros amigos-vírgula [Depois da merde praticada em francês, a tia vem e pratica uma merda em português. Falou vírgula aqui pra separar o vocativo do resto da frase!] vamos pensar numa equação nefasta. Imagine o produto do ócio de gente frustrada aliado ao pseudo intelectualismo (ignorância, burrice, estupidez e sobretudo má-fé)[até aqui a tia seguiu a receita tucana de encheção de linguiça: “Aí, seu Camões! Desce uma tonelada de substantitvo abstrato pra eu rechear meu texto!”]. Imaginou? Ruim-vírgula né? Mas tudo pode piorar.
Junte à [ponto positivo! A tia sabe crasear!] mistura preguiça, inveja, uma boa dose de canalhice e-vírgula para finalizar-vírgula empacote tudo num sindicato sem vergonha ligado à CUT[outra crase certinha, e a CUT que tava quietinha no canto dela sem encher o saco de ninguém foi enfiada aqui do nada!]. Voilá[E, como castigo por enfiar a CUT onde não deve, a tia errou de novo o acento! É acento grave, tia! Voilà!] ! Temos aí o Sindicato dos Jornalistas do Paraná que consegue ser boi de piranha e ao mesmo tempo um ativista da imbecilidade[Tá. eu entendi que a tia precisa vomitar ofensa contra o sindicato dos jornalistas do Paraná. Mas como justificar à luz da coerência e da coesão as expressões “boi de piranha” e “ativista da imbecilidade”?]
Estou sendo dura? Será[Não, queisso… por enquanto você só foi prolixa e não disse a que veio. Lead é coisa de vira-lata, presumo eu…]? Bem, eu nunca acreditei nessa gente e nunca paguei um centavo para essa gente encostada ficar fingindo que luta pelos direitos dos trabalhadores jornalistas[De novo: artigo 5º e pans]. Por sorte, essa corja de hoje é menos inteligente. Sim, sorte, afinal um sindicalista inteligente e amoral pode destruir o Brasil. Veja o que aconteceu com Lula no poder[Depois da CUT, sobrou pro Lula, coitado! É impressionante a capacidade que um jornalista (sorry) da Veja tem de enfiar a culpa no Lula, credo… mas ao menos ela reconheceu que Lizinácio é inteligente. Pfvr, registrem e guardem para 2018. Vamos precisar! 😛 ]. Deus nos livre[A CUT, Lula e Deus já estão aqui comendo as pipocas dos nossos baldes, e a tia nem tchuns pra dizer a que veio!]
Hoje-vírgula esses sindicalistas de araque, travestidos de jornalistas, são do baixo clero-vírgula mas mesmo assim eu vou dar uma chance e uma moralzinha pra essa turma de desocupados[Mais duas linhas, gente! Nada!].
Mas qual é o motivo de tanta ira, Joice Hasselmann? 
Eu vou contar-vírgula amigos. Recebi um link de um post do Sindijor- PR ou melhor, sindijor com letra minúscula mesmo[Tia, cê num sabe pôr vírgula em texto, e pede desculpas porque deixou uma palavra em caixa alta? Ah, vá!!!] , (o inútil sindicato da “catigoria”[catigUria. Fazfavô!] do Paraná) dizendo que uma Comissão de Ética (ética????? Sim, eu sei é risível[mas pelo amor de nossa senhora dos 140 caracteres, da pra explicar o motivo da sua ira, minha tia?!?!?!?!] , mas é o nome) me condenou por plágio[ARRÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!! Filnalmente ela disse o porquê de tanto esperneio! Tá. Vc é acusada de plágio. E aí, o que tem a dizer em sua defesa?] Oi??!!! Toc-toc!!!! Beberam???? Fumaram alguma coisa esquisita???[Tá. Ela questiona a motivação da acusação. Eu faço isso direto.] Bem, até pode efeito de algo além da malandragem, mas a gênese da palhaçada-vírgula caríssimos, é a velha sacanagem mesmo[e aqui Deus castigou ela de novo: ela se esqueceu de um verbo – pode SER efeito- e, de novo, faltou a vírgula pra isolar o vocativo. Tia, se cê num sabe usar vocativo, por favor, num usa!] . Do tipo que essa gentinha gosta[Tá. Acho que ela disse que foi alvo de uma injustiça. Mas qual?]. Fizeram uma reunião na surdina [Aí você lê o texto do sindijor, cujo link está lá em cima, e descobre que ela foi chamada a se pronunciar a respeito, e não respondeu a nenhuma convocação. Considerando que em questões desse tipo existe todo um protocolo a ser seguido, como ouvir a acusação, a réplica e a tréplica, acho no mínimo questionável ela afirmar que não foi consultada. Até pra isso deve ter prova.] porque 23 profissionais tiveram um surto-vírgula e resolveram acordar um dia e ir ao sindicato-vírgula porque essa pessoa tão malvada como eu fez carreira em cima do belo trabalho de operários padrão do jornalismo paranaense[de novo, faltou mondi vírgula aqui, mas eu vou fazer de conta que não percebi. Vou considerar como figura de estilo, pra passar a ideia de exasperação e agitação. Eu também costumo fazer isso por aqui vez que outra. Mas ela diz que 23 profissionais surtaram? é isso mesmo, minha tia? Mas esses profissionais surtados, será que eles sabem usar vírgula? Tá parei]. Ohhhh, Jè suis désolèè[ai, porra! Eu tava pronta pra defender a sujeita e dizer que trocar acento grave por agudo é coisa pouca, porque pode ser apenas a tecla shift que não funcionou direito aí ela me vem e me taca não um nem dois, mas TRÊS acentos graves errados?!?!?!?!!? Ah, porra, onde cê fez esse curso de merda, hein?!?!!?! É “Je suis désolée”, porque vc é mulher! Se fosse homem, seria “Je suis desolé”, com um e só. E je não tem acento, coisa!]. Eles têm toda razão! Essa que vos escreve é mesmo uma despreparada. A história comprova[acho que ela vai ser irônica. Só acho.]. Enquanto boa parte dessa gente se reunia para fazer nada, para tomar umas e outras nos botecos pé sujos da vida, eu, vejam só, trabalhava[Mas, espere! ela tá dando a entender que os 23 que estão processando ela são sindicalistas? São da CUT?]. Não se ofendam. Eu sei que a palavra “trabalho” dói, mas eu tenho essa mania condenável por vocês. O que se pode fazer? [Segundo Joice Hassellman, a palavra trabalho dói. Pra membros de uma entidade cuja sigla significa Central  Única dos TRABALHADORES. Olha, minha tia, aqui cê tá começando a perder o fio da sua meada…]
O fato é que enquanto intelectuaizinhos de meia tigela[Agora fiquei curiosa pra saber o nome dos 23 que estão acusando ela de plágio.] fingiam fazer alguma coisa-vírgula eu já estava no ar e desde o primeiro ano de jornalismo. Sim, eu trabalhava e estudava. Que horror[Tá. Vc trabalha desde o 1º ano da faculdade. Grandes merdas. Eu também. E, como sabia trabalhar direito, eu tinha a hora de trabalhar, a hora de estudar e a hora de beber no boteco da esquina. Você, pelo visto, trabalhava mal, tinha que refazer o trabalho todo e ficava depois da hora, né?]! No terceiro ano de faculdade-vírgula cometi o pecado mortal de conseguir ser diretora de uma afiliada da principal rádio jornalística do Brasil[Agora deu pena de Curitiba. Sério que faltam profissionais de qualidade aí NESSE TANTO, gente? afff…]. Que erro o meu. Como eu fui capaz de tamanha traição? Eu devia mesmo é ter me juntado a um bando de vira latas e sair por aí fazendo piquete, greve na universidade ou qualquer coisa bem inútil para a sociedade[Greve é um troço inútil pacas. Olha, se eu te contar que Adam Smith discorda disso cê vai ficar chateada comigo? Jura? Foda-se!] 
Os dias se passaram, os anos se passaram e os grandes profissionais indignados continuam indignados, hoje ilustres desconhecidos, mas o trabalho genial dessa gente brilhante teria sido o motivo da minha carreira seguir em frente[tá. Deixa eu ver se eu entendi: geral ralando feito um corno pra ganhar meio mentex de piso salarial, aí la vem, dá CTRL+C/CTRL+V naquele texto suado e fudido, põe a assinatura de merda como se o texto fosse de autoria dela e ainda fica putinha porque geral tá reclamando que o que ela faz é errado? E esse teria sido no futuro do pretérito, hein? seu inconsciente tá te acusando, é?]. Ahhhh, vão se catar-vírgula bando de canalhas! Eu, diferente de vocês-vírgula seus parasitas, trabalho 15 horas por dia e não fico enganando em redação durante 5 horas ( para aquele poucos que tem emprego, né-ponto de interrogação). Tenho vergonha de gente assim[Tá. Me corrijam se eu estiver errada: pelo que eu percebo, até aqui ela não negou nenhuma das acusações, né?]. Fui diretora da CBN, diretora da Bandnews, a colunista de política mais influente do Paraná, comandei o colunismo político da Record, tenho mais de uma dúzia de prêmios-ponto. e vocês[Jogou medalhas na mesa – check!] ? Responde aí[Mas ela não consegue nem acertar um imperativo?!?!?! A sujeita é tão mandona e não sabe nem conjugar verbo de ordenamento?!?!!?! Mas minha tia, o certo é “respondam!”]! Poucas vezes vi uma atitude tão tão baixa. Bando de mentirosos[arráááááááááaaá! Finalmente ela diz que as acusações são mentirosas!!! Mas até que enfim, hein, minha tia?]. Para se ter uma idéia,[ideia não tem mais acento, mas eu tb gosto de uma idéia acentuada. Deixa pra lá, vai…] quando essa conversa fiada apareceu-vírgula [outra vírgula comida!] meu advogado tentou ter acesso ao processo e-vírgula claro-vírgula o nobre sindicato não entregou. Fez tudo na surdina, por debaixo do pano, sem ouvir o contraditório e-vírgula para ganhar uns minutinhos de atenção-vírgula fez uma nota e espalhou para os blogs sujos e afins[Mas meu São Crispiniano!!! tá lá no texto que ela foi procurada pra responder às acusações, e não se manifestou!!! Tia, se é pra mentir, ao menos faça isso sem ter como ser desmentida, né? Coisa mais feia…] . Os patrões gostaram, companheiros? Ah, também é mentira que tentaram contato comigo. Meus telefones continuam os mesmos. É uma atrás da outra.[Tá. Então deixa eu reescrever aqui tudo o que ela alega, de forma sucinta: 
eu, Joice Hasselmann, estou sendo injustamente acusada de plágio por 23 jornalistas. Todas as acusações são falsas e mentirosas. O sindicato alega que entrou em contato comigo, mas em momento algum eu ou meu advogado pudemos ter acesso ao conteúdo do processo <— e voilà (com acento grave, né?) Achei uma contradição! Como ela pode dizer que não foi contactada (“Meus telefones não mudaram”), se ela diz que o advogado dele tentou ter acesso ao processo e não obteve? Afinal de contas, ela sabia ou não sabia que estava sendo processada?]
Eu, Joice Hasselmann sou pessoa jurídica[Ah, tá. Então, posso concluir que terceirizados estão liberados de sair por aí copiando a torto e a direito o texto dozotro?], dona do meu nariz, não pago pedágio para essa corja e não me dobro a essa gentinha ligada à CUT. Eu NÃO sou filiada ao sindicato porque eu nunca quis[OK, OK e OK.]. Querer me punir me impedindo de integrar esse sindicato é elogio. Vocês são invejosos, arrogantes e incompetentes. Arregacem as mangas e trabalhem! [Mas quem tá querendo que ela se filie ao sindicato? pelo que eu entendi, os cabras querem que ela explique o plágio!]
O que eu tenho a dizer sobre isso: vão para o diabo[Fia, fazisso não… são VINTE E TRÊS contra uma. Explica direitinho, rebata ponto a ponto, acusação a acusação, jornalista a jornalista. Se você está tão certa do que fez, mostre isso pontuadamente!] !! Aos senhores, as batatas! E enfrentem meus advogados seus sanguessugas. Se ainda não entenderam vou ajudar: “Allez a la Merde[faltou acento grave: allez à la merde!] ! Ou se preferirem “Retournez a la Merde[de novo: faltou acento grave. Gente, naonde essa sujeita fez curso de francês,hein?]“.

Meu veredicto, que já publiquei no Facebook: C’est beaucoup de français pour rien contester ( = é muito francês pra não responder nada), kiridinha…
São acusações pontuais e específicas. Et vous avez seulement aboyé aux “petralhas”.( = E você só fez latir para os petralhas)
E aí? Allez-vous contester les accusations ou non ( = vai responder às acusações ou não)?!?!

E se quiser continuar a discussão em francês, inglês, espanhol ou latim, tamosaí…. mas da próxima vez, eu vou exigir que você ou escreva corretamente em outra língua, ou saiba pontuar textos na sua língua.

(E você acha que eu acreditei nessa prosódia toda? Aham… asseilez-vous là (senta lá) kiridinha…)

Et je ne vais pas à la merde, parce que je dois faire mon travail de français. Au revoir!

(E eu não vou à merda porque preciso fazer meu trabalho de francês. Tchau!)

(E ela não explicou por que o Sindijor é boi de piranha. #magoei)

 

 

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É cada um que me aparece….

junho 17th, 2015
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Gente. geente. GEEEENTEEEEE…

Olhem este post aqui, sobre como o sufixo [-enta] é morfologica e diacronicamente compatível com regras gramaqticais. Gastei algum tempo falando de morfologia do latim, de morfologia do português, de classes de palavras, de tudo.

Aí me vem este sujeito autointitulado Paquiderme (CQD, como vocês verão abaixo, e os elefantes que me perdoem) com esta seguinte argumentação. Que eu faço questão de responder ponto a ponto, porque eu não aguento burrice.Bora lá:

Tem gente que adora criar exceção a regras de Português [não existem exceções. Existe toda uma evolução de uma língua viva. Ou você aceita isso ou você volte a falar latim, por favor.]. Não é porque está no dicionário que está certo[Dicionário não traz o certo. Dicionário traz o usual. O dicionário oficial da língua inglesa vem incorporando, nas últimas décadas, novas expressões referentes ao mundo da informática e das telecomunicações. Você vai dizer que ele está errado porque introduziu um novo verbete corriqueiramente usado por seus falantes?]. Dicionários são feitos por seres humanos – que erram[Assim como normas gramaticais. Taí a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa que não me deixa mentir!] E se existe também a previsão da palavra em Lei, isso não quer dizer nada. Trabalho no Poder Legislativo, e você ficaria horrorizado se visse a capacidade que os legisladores têm de aprovar leis absurdas – fazendo com que textos imorais e lesivos ao interesse público se tornem LEGAIS com uma simples canetada… [E o quico?] Foi assim, com canetada de legisladores irresponsáveis e imbecis, que aqui em Itaúna / MG foi legalizada e está em pleno vigor a vitaliciedade para cargos de confiança na Prefeitura (disfarçada com o nome de apostilamento), e foi assim que a palavra presidenta foi “oficializada”, por lei, em 1956 através da Lei Federal 2759/56, que na época tinha uma boa intenção, que era somar contra o machismo. Então, o argumento de que “está no dicionário” ou “está na lei”, pra mim, não vale ABSOLUTAMENTE NADA.[e o Quico ²?]
O uso de presidenta é ridículo[Ache o que você quiser. Mas ele é morfologicamente correto]. Por que não existe o termo presidento, então[se você tivesse lido meu post inteiro, teria visto a explicação MOR-FO-LÓ-GI-CA para a não existência do sufixo [-ento]. Mas já saquei que você morre de preguia de ler, né?] ????? Afff…
E, para a Madrasta do texto ruim: você não tem um texto ruim. Você tem é a índole ruim[HAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA puxa, que coisa… você está julgando UM PERSONAGEM DE BLOG?!?!?!?!?!?! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHA Me cuenta: Capitu traiu Bentinho? Porque se você consegue julgar um personagem de blog, você também é plenamente capaz de fazer o julgamente final de Capitu, né?] . Usar palavrão mostra bem seu perfil: aparentemente inteligente, razoavelmente bem informada, provavelmente boa estudante, que decora regras de português e quetais… mas uma professora que eu não queria para a minha filha[uuuuuiiii, ele é moralistão! mimimimocinha não pode falar palavrão porque é feio!] . Você denota ser uma esquerdista revoltada como todos os que conheço (e são muitos)[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAH EU SOU REVOLTADAAAAAAAAAAAAAA] , tem pouco argumento [POUCO? CARACA, EU DEI AULA DE LATIM, ISSO É POUCO ARGUMENTO?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?] e nenhuma compostura[HELOOOOOOOO! Naonde que tá escrito que eu devo ter compostura? Manual de boa conduta de blogueira que criou um personagem que é uma bruxa! Ai, fui catar no google e não encontrei! Acho que ão existe!] . Você não só desrespeita a língua[hahahahahaha], como desrespeita os estudantes que acabam chegando até seu texto[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA], por meio do Google ou outros mecanismos de busca. Você dá vergonha aos bons professores[QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA]. Pense nisso antes de falar palavrão [sério que você se incomoda com mulher que fala palavrão? Mas é nesse tanto? cara, mulher capaz de pensar e que tá pouco se lixando pro seu julgamentinho deve te fazer muito mal, né?] e tentar impor regras – mesmo que elas estejam ali, na letra BURRA da lei e do dicionário[NA ON DE QUE EU TÔ TENTANDO IMPOR REGRA?!?!?!?!?!!?!?!? Se voc~e tivesse lido o texto até o fim, veria que o uso de presidentE para mulheres não é proibido. Apenas a forma presidenta é permitida. Fato morfologica e diacronicamente comprovado!] Uma vez, no curso de Direito, logo na primeira aula, aprendi que “Se um dia você tiver que escolher entre a Lei e a Justiça, que tenha a coragem e a sabedoria de escolher pela Justiça”.
Agora, vendo suas argumentações, adaptei o ensinamento: “Se um dia você tiver que escolher entre A) o que o dicionário e a professora petista dizem ou B) o que o bom senso e os BONS ESCRITORES USAM, que tenha o bom senso de seguir os bons escritores. [cara, que vergonha desse cosplay de texto épico que você tá fazendo…. sério que você acha que tá abafando com isso?!?!?!?! sério que “professor petista’ é uma categoria pra você? sério que é uma “categoria de segunda classe”, pelo que se infere do seu texto? E sério que vocˆacredita nisso tudo que você tá escrevendo? Cara, que vergonha megablaster desse texto que você cometeu….]

 

ATUALIZAÇÃO: o comentário da Marlena aqui embaixo tem que subir. Em tempo: MARLENA, EU TE AMO!! 😀

Vamos lá:

1) Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas): “Meu espírito deu um salto para trás, como se descobrisse uma serpente diante de si. Encarei o Lobo Neves, fixamente, imperiosamente, a ver se lhe apanhava algum pensamento oculto… Nem sombra disso; o olhar vinha direito e franco, a placidez do rosto era natural, não violenta, uma placidez salpicada de alegria. Respirei, e não tive ânimo de olhar para Virgília; senti por cima da página o olhar dela, que me pedia também a mesma coisa, e disse que sim, que iria. Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretário, era resolver as coisas de um modo administrativo.”

2) Érico Veríssimo escreveu: “A senhora é uma mulher que me agrada. Realista, positiva, hein? hein? De gente assim é que vamos precisar quando vier a república, não é mesmo? Cargo? Pois sua avó vai ser a primeira presidenta do Estado do Rio Grande do Sul, hein?”

Case closed!

E que Deus tenha pena de nossos filhos![Deus cabou de me contar que ele já pediu que o Nome Dele fosse retirado dessa baboseira daí, porque ele não coaduna com burrice não!]

 

Enfim, resumindo, só tenho mais uma coisinha a lhe dizer:

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Quase um bom editor de capa

maio 17th, 2015
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11295557_750847851679135_1021479729498986201_nO pior é que eu entendi.
A ideia de pauta é a seguinte: pô, o cara disputou voto a voto a última eleição presidencial e perdeu por pouco.

Credenciou-se, portanto, como o líder da oposição etc etc etc piriri pereré pororó. Vamos fazer uma entrevista com ele na qual ele avalie os 100 primeiros dias de governo daquela que o derrotou?

Ou seja: a ideia é boa, e seria uma matéria perfeita se vivêssemos num país onde oposição fizesse, de fato, oposição.

Mas a oposião faz mimimi, né? e quem apoia a oposição também faz mimimi, né?

Então como resultado desse mimimi todo temos essa chamada de capa…

Myghos, parem que tá feio…

E querido editor de capa: próxima vez, tente uma chamada mais atrativa e menos apelativa, sim?

 

(em tempo: dei uma passad’olhos no pedaço da entrevista que está disponível no site. Tá uma merda.)

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Ô, raça!

maio 14th, 2015
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Daí que eu tô fazendo um trabalho no qual contabilizo mais de 300 manchetes de Globo e Folha de SPaulo, durante o 2º turno das eleições.

Uma rápida passad’olhos, só por cima, vendo os verbos e substantivos usados, mostram alguns dados interessantes/curiosos/intrigantes. Vamos a eles:

1- uso do verbo derrotar / substantivo derrota
(Lembrem-se que os fatos finais foram: Dilma venceu, aécio perdeu)

Foram 10 ocorrências, entre verbo derrotar + derrota. 6 no globo e 4 na Folha. 3 ocorrências foram em verbo, 7 de substantivo.
Nas 4 derrotas substantivos (derrota DE FULANO, onde de fulano = adjunto adnominal) os adjuntos adnominais que apareceram foram: Aécio 2; Lula 1; e Dilma 4.

Com o verbo derrotar, duas ocorrências tiveram Dilma como… OBJETO DA FRASE! “Câmara derrota Dilma”; “Senado ameaça derrotar Dilma”

E se você tá pensando que Aécio é o objeto da frase que tá faltando, você está rotundamente enganado!
A manchete que falta é:
“DERROTADO, Padilha vira coordenador de campanha de Dilma em São Paulo” – não é nem voz passiva, é particípio passado, fechado e sacramentado. E se você quiser, ainda pode achar que esse derrotado é adjetivo ou substantivo, afinal de contas, a ideia é essa: “O Padilha é um derrotado, mesmo”… O_o

2) A expressão “Na frente” também traz dados curiosos. Está associada a aécio em 3 ocorrências, 2 delas relativas às pesquisas eleitorais.

A expressão “na frente” associada a Dilma não apresentou nenhuma ocorrência. Mas houve 2 casos de Dilma com a expressão “à frente”:
– Dilma à frente de Aécio;
– Bolsa cai com Dilma à frente.

3) Verbo atacar e substantivo ataque. Adivinhem quantas vezes houve ocorrências de “ataque de aécio” ou “aécio ataca”? ACERTOU QUEM DISSE ZERO!

“Ataque de Dilma” aparece 4 vezes; “Dilma ataca” (dilma sujeito da frase), outras 4 vezes. Lula ataca = 1vez

Isso porque nossa imprensa é totalmente imparcial, né? MAGINA SE NÃO FOSSE!

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“Chupa, petralhas!”

maio 10th, 2015
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(Aqui nóis é tudo contra a terceirização, mas terceirizamos comentários sobre os assuntos mais quentes da semana…)

Enfim.

Quem resumiu de maneira primordial o quiproquó foi a Suzana Dornelles, no Facebook: “A Globo disse que o Mujica disse que o Lula disse e o Mujica disse que não disse o que a Globo disse que o Mujidca disse que o Lula disse.”

 

Mas quem contou a história lindamente foi o Pablo Villaça.

 

CHUPA PETRALHAS!”

Algo havia acontecido. De repente, dezenas de tweets, comentários no Facebook e mesmo mensagens inbox chegavam trazendo o grito de guerra da neo-direita. Havia algo errado. Além, claro, do erro na concordância verbal e da falta de vírgula e de argumentos.

Curioso, fui diretamente ao UOL – pois se há um lugar que é repositório constante de retórica reacionária, é este portal (eu poderia ter ido ao site da Veja, mas a Vigilância Sanitária barrou o acesso a este título aqui no meu escritório).

Em dez segundos, a causa da gritaria: “Lula confessou a Mujica que sabia do mensalão”.

Uau. “Realmente, esta era uma informação bombástica.”, pensei. “Claro, não fazia o menor sentido: MESMO que soubesse, por que Lula confessaria algo assim a Mujica? E MESMO que Lula tivesse confessado, por que Mujica revelaria isso? Mas certamente o UOL não publicaria uma mentir…” HHAHAHAHAHAAHHA.

Respirei fundo, parei de rir e cliquei na notícia. Ou “notícia”.

Vi que a informação havia sido gerada no Globo e extraída da biografia de Mujica escrita por dois autores uruguaios. Li o trecho que os jornalistas de O Globo usavam como prova de que Lula sabia do mensalão.

De imediato, notei que as frases pareciam tiradas do contexto original. Notei também que a manchete trazia a palavra “confissão” sem aspas, mas que a matéria em si usava as aspas, o que era revelador. Finalmente, percebi que os “jornalistas” (com aspas) haviam inserido um “(o mensalão)” antes de uma frase na qual Lula confessaria ter sido obrigado a lidar com algo. Também revelador. Se eu quisesse colocar um “(o dildo gigante)” na mesma frase, poderia, claro – e a notícia ficaria ainda mais chamativa. Mas isto não a transformaria em realidade.

Pensei em escrever algo sobre o assunto, mas fiquei com preguiça. É CLARO que se tratava de uma matéria mentirosa. Sim, havia sido reproduzida por veículos que supostamente deveriam ser referência de bom jornalismo, mas há muito desisti de ver isso no Brasil, um país onde todas as principais emissoras de tevê, publicações impressas e portais na Internet reproduzem o modo “Fox News” de operar.

As mensagens de “CHUPA PETRALHAS” continuaram. Eu poderia apontar que o fato de ser de esquerda não faz de mim um “petista”, mas a vontade de corrigir a concordância era ainda maior e eu havia resistido. Deixei pra lá.

Tuitei (ei, me “SEGUE LEITORES”: http://www.twitter.com/pablovillaca) que o Globo estava claramente manipulando a informação e imediatamente fui chamada de “canalha” por alguns integrantes desta neo-direita que ama insultar e teme argumentar. Um deles chegou a dizer que estava com o livro à sua frente e que confirmava a informação. Eu e outros leitores pedimos fotos do livro, mas ele disse apenas que “petista era tudo preguiçoso”. Pensei em novamente apontar a diferença entre ser de esquerda e ser petista, mas a construção da frase me incomodava mais e ainda assim ignorei o impulso.

E, então, um dos AUTORES do livro se manifestou oficialmente. Desmentindo a informação de O Globo, é claro, e afirmando categoricamente que Lula nada falou sobre o “mensalão”. (Para aqueles que ainda se interessam por um conceito chamado “fato”, um dos links para o desmentido é http://g1.globo.com/…/lula-diz-que-teve-de-lidar-com-coisas…).

Por alguns segundos, considerei que todos aqueles que reproduziram a “confissão” de Lula deveriam estar embaraçados: Noblat, colunistas da Veja, “jornalistas” de UOL, Globo, etc. Certamente ficariam envergonhados por terem espalhado uma informação calunios…. HAHAHAHAHAAHAHA.

Ai, ai. Eu me divirto sozinho.

Pensei no estado da imprensa brasileira:

O Globo divulgou que Lula havia confessado saber sobre o mensalão. Um dos AUTORES do livro no qual a “confissão” estaria DESMENTIU.

Época divulgou que o Ministério Público estava investigando Lula. O Ministério Público DESMENTIU.

Sherazade disse que black blocs haviam sido presos entre os professores no Paraná. A Defensoria Pública do estado DESMENTIU.

E, ainda assim, esta neo-direita brasileira abraça esta mídia e espalha as informações mentirosas em páginas e perfis no Facebook e no Twitter – sempre acompanhadas de insultos a qualquer um que aponte os erros factuais. E ainda assim esta neo-direita não hesita em afirmar sempre “agir em nome da ética e contra a corrupção”.

Certamente devem sentir vergonha diante da hipocris…

HAHAhaaaaa… Interrompi a gargalhada.

A situação era triste demais para despertar o riso.

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Dicionário ilustrado: confronto?

abril 30th, 2015
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11074372_10205478487315133_2761837888318734621_nDaí que geral na velha mídia tá chamando o que houve ontem em Curitiba entre os professores e a polícia de confronto.

Então, vamos ver o que é, de fato, um confronto?

Tio Antônio Houaiss, fazfavô:

confronto 
substantivo masculino ( 1881)

ato ou efeito de confrontar(-se)

1 encontro face a face

2 ( 1881 ) comparação, paralelo

3 conferência, cotejo

4 choque de interesses ou de ideias; conflito, enfrentamento

5 enfrentamento de forças; conflito

       6 desp futb disputa, jogo, partida.

Tá.

então, temos que confronto é algo de igual pra igual: co-fronte.

Algo que, APARENTEMENTE, não aconteceu ontem no Paraná.

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“Podemos tirar se achar melhor”

março 24th, 2015
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Daí que o prestativo repórter ofereceu tirar trechinho da matéria que implicava o PSDB em corrupção (setinhas vermelhas na imagem ao lado). Editor achou melhor não. E mandou publicar o dito. Sem deletar o avisinho do repórter. Resultado?

Geral tá se refastelando com esse texto da Reuters, que é prova de muita coisa – inclusive do assassinato do menino jornalismo.

E eu, ectoplasma suína nata, estou aqui me lembrando deste episódio de Tom e Jerry. Na versão em português, a robô diz ao Jerry venha me ver de vez em quando, e eu tô imaginando a guria falando podemos tirar se achar melhor (GIF na minha mesa em 15 minutos, pfvr!)

E também me lembrei que não é de hoje que editores esquecem e publicam textos com recadinhos. Mas o do exemplo daqui de baixo, que já circulou neste caldeirão em 2012, virou só motivo de constrangimento profundo devido às boas práticas de convivência civilizada em sociedade, e não manipulação política, né?

aveia

Mazó: as duas matérias poderiam dialogar lindamente:

– Podemos tirar se achar melhor!

– Colocar só a véia!

Tá parei.

 

 

 

 

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O verbo assistir e a voz passiva

fevereiro 23rd, 2015
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Pois bem. Vocês se lembram que eu larguei cêistudo com a pulga atrás da orelha, com a história de verbo que não pode ir pra voz passiva mas vai?

Então, acompanhem meu raciocínio.

Vamos transformar da voz passiva para a voz ativa a frase

O jogo foi assistido por duzentas pessoas

Duzentas pessoas assistiram o jogo.

Porque o objeto direto da voz ativa é o sujeito na voz passiva, e objeto indireto não entra nessa brincadeira de escravos de Jó.

 

Certo?

Er… Há controvérsias.

De acordo com a língua falada, tá certíssimo. Todos dizem “eu assisto televisão, eu assisto o jogo, ele assiste novela” e por aí vai. Taí o Google que não me deixa mentir.

Mas o verbo assistir no sentido de ver, acompanhar como espectador, não é transitivo direto.

Tio Antônio, ajuda:

Assistir

1 ( trans ind ) [prep.: a] estar presente a (determinado acontecimento, fato, ocorrência etc.), observando-o e acompanhando o seu desenrolar; presenciar, testemunhar, ver ver GRAM/USO a seguir

   ‹ a. ao acidente ›

2 (trans ind ) [prep.: a] ver e ouvir (um espetáculo, encenação teatral, concerto, dança etc.) ver GRAM/USO (b) a seguir

   ‹ a. ao concerto › ‹ a. à missa ›

3 ( t.d., trans ind. bitrans. ) [prep.: a, em] acompanhar (enfermo, moribundo etc.) para prestar-lhe socorro material ou moral

   ‹ a. o doente (em seus piores momentos) › ‹ é perito em a. aos enfermos mais graves

 

Gramática e Uso

 

  1. a) este v., com o sentido de comparecer, ver, tendo como complemento um pronome pessoal, não admite a forma lhe(s), somente a ele(s), a ela(s): assisti a ele (filme) em Nova Iorque; b) no português do Brasil, é comum o uso, mesmo pelas pessoas cultas e na literatura, deste verbo como t.d.: assistir o filme, a sessão etc.

 

Ou seja: se você assiste o jogo de futebol, dona Norma Culta quer porque quer que você preste assistência ao jogo em questão. [espaço aberto para você inserir a piadinha ah, mas o meu time tá mesmo precisando de assistência!]. Se você estiver só vendo o jogo em questão, dona Norma Culta manda (ela é muito mandona) que você use o verbo assistir acompanhado de preposição – logo, não existiria voz passiva do verbo assistir no sentido de ver, acompanhar.

Mas o verbo assistir não tem saco pra dona norma culta. Não aqui no Brasil. Não espalhem, mas ele anda tendo um caso com a voz passiva, e dona norma culta bem desconfia. Tá a fim de dar umas piaba nazidéia dos dois. Mas o casal promete resistir!

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De créus e incréus

fevereiro 13th, 2015
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O artigo 5º da Constituição é mó legaus. Ele lhe garante o direito de:11002371_10205041154281094_1003065190_o

– não gostar da Dilma

– não gostar do Aécio

– achar que Dilma não presta

– achar que Aécio não presta

– não votar em Dilma

– não votar em Aécio

e por aí vai.

Mas, fio, se você lê um texto truncado e mal escrito, citando federações que não existem e assinado pela “Caixa Econômica DO BRASIL”, e ainda passa por um “aqueleS que tiver dúvidas” sem se incomodar, e mesmo assim acredita na veracidade do texto,

De boa, mas de boinha mesmo,

Você é muito burro e merece tomar nazideia.

 

E se você propaga um troço desses como se fosse verdade, aí você pode responder por falsidade ideológica. #ficadica.

(E façam o favor de não compararem esse erro MEDÍOCRE com o erro do min. da Justiça, que é muito mais elaborado, e fruto de aulas equivocadas de português. Conjugar verbo direito é obrigação até mesmo de fake idiota!)

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Voz passiva: você está fazendo isso errado

fevereiro 13th, 2015
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Na faculdade descobri que as aulas que a gente tem na escola sobre voz passiva são uma bosta. Não explicam nada, nem os motivos para se inverter uma frase e transformar vítima em sujeito comandante do verbo. Se vocês quiserem entender ostremtudo, dêem um pulinho aqui que eu já falei disso. Voz passiva é mais semântica do que sintática. Ideal mesmo seria 6 tudo assistirem à aula do professor Dioney sobre isso, iam todos cair pra trás.

Mas tem um lado sintático que, orasbolas, tem que ser respeitado, né? Vamos lá:

Na voz ativa, dizemos: Joana comeu banana. <– Joana é sujeito e agente, e banana é objeto DIRETO. OK?

Vamos passar a frase para a voz passiva: A banana foi comida por Joana. <– Banana virou sujeito, o verbo deu uma cambalhota morfológica, virou locução verbal, pediu ajuda pro particípio passado, tudo pra transformar a pobre da banana, que começou a frase lá em cima inteira e terminou devorada e destruída, em sujeito comandante do verbo.

Repare que Joana não virou objeto direto. A frase poderia muito bem ser “A banana foi comida” – PONTO. Por quem? Não interessa, tô falando do comido, não do comedor. É, cê tá vendo que o bicho pega, né? Então, se quiser entender mais da bagaça, clicaqui que eu já expliquei tudinho.

Mas se você voltar lá em cima, vai ver que eu enfatizei que, na voz ativa, banana é objeto DIRETO. O que acontece com o objeto indireto nesse caso? Vamos ver outra frase: “Eu gosto de sorvete“. <– passa pra “voz passiva”?

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Nem me venha com “sorvete é gostado”. Faça-me o favor! Desista! O fato é que o objeto indireto não vira agente da passiva. Existe uma explicação quilométrica pra isso. Mas aí eu teria que tergiversar sobre distância do sujeito, a frase em questão não é agentiva mas experienciadora, e a preposição que afasta o verbo do objeto, e hierarquia dos complementos / adjuntos, então vamos combinar que vocês podem acreditar em mim – mas depois eu dou munição pra vocês me desacreditarem.

Mas bruxa, por que você tá falando disso agora?

Ah, sim! É por causa desse meme do Ministério da Justiça. Uma empresa reclamada é uma empresa requisitada, exigida, cuja posse é reivindicada etc. Táqui no tio Houaiss:

 

reclamar

verbo ( sXV)

1 (trans. indireto e intransitivo) [preposição: contra, de, por] opor-se por meio de palavras; fazer reclamação; queixar-se: ‹ r. contra as injustiças › ‹ r. dos preços abusivos › ‹ temos o direito de r. ›

1.1 (trans. indireto) [preposição: de] fazer exposição (de estado físico ou moral); descrever (sofrimentos e agravos) por meio de lamentos; queixar-se, lamentar-se: ‹ reclamava das dores nas juntas, quando chovia › ‹ ela sempre reclama das grosserias do marido ›

1.2 ( trans. indireto ) [preposição: de] fazer reparos a (alguém ou algo); criticar: ‹ vive reclamando da comida ›

2 (trans. direto) exigir oralmente ou por escrito (o que lhe pertence); pedir ou mandar de maneira veemente; reivindicar  (ver GRAM) ‹ r. seus direitos ›

2.1 (trans. direto) reivindicar posse ou autoria de; pleitear  (ver GRAM) ‹ r. os direitos autorais de um livro › ‹ r. um legado ›

2.2 (trans. direto) tentar obter, através de pedido ou exigência; pedir, demandar, (ver GRAM) ‹ muitos reclamam a reforma agrária ›

3 ( trans. Direto e bitransitivo) [preposição: a] suplicar, pedir insistentemente; invocar, implorar, clamar: ‹ r. assistência › ‹ o filho reclamou perdão aos pais ›

4 (transitivo indireto) [prep.: por] exigir a presença ou a ação de (alguém), com urgência; clamar ‹ vários deveres reclamam por mim ›

Gramática as acepções. 2, 2.1 e 2.2 foram consideradas galicismo pelos puristas, que sugeriram em seus lugares: pedir, demandar.

 

Ou seja: no texto da arte ao lado, o ministério da Justiça diz que as empresas estão sendo exigidas, e não recebendon queixas. Dona Norma Culta tá aqui do meu lado tendo síncopes, coitada…

 

Mas tem UM caso em que a regência indireta de um verbo não o impede de ir pra voz passiva – dona Norma Culta não reconhece esse filho bastardo, mas ele já é celebridade no português brasileiro. Alguém arrisca a chutar que verbo é esse? (Atualização: o post-spoiler de verbo está aqui)

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Jornalismo Fox Mulder

janeiro 23rd, 2015
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O Nassif vive publicando posts meus (o que eu autorizo com gáudio e festejar 😀 ), então acho que ele não vai ficar chateado de eu publicar o post dele.

Só me permito fazer uma única observação, Nassif: o sintagma “E se” era o ponto de virada de investigação e, portanto, de todos os episódios do Arquivo X. Fox Mulder virava opra Dana Scully e mandava um “what if…?” nesse momento entravam os homenzinhos verdes no episódio… 😀

As pegadinhas da mídia com o “se”
SEX, 23/01/2015 – 13:35
Luis Nassif

Os jornais querem arrancar do Ministro das Minas e Energia que haverá racionamento de energia. O Ministro nega. Os reservatórios do pais estão com 17% de nível de água. Aí o repórter pergunta: “E se baixar para 10%?” E o Ministro responde: “Então haverá racionamento”.

Manchete: Ministro admite que poderá haver racionamento.

O repórter poderia avançar mais: “E se acabasse a água em todo o país?”. O Ministro responderia: “Ninguém mais conseguiria acender a luz!”.

O “se” é a jogada mais manjada e mais utilizada pela mídia e deveria constar em todo treinamento de autoridades.

O mais famoso “se” da história moderna do jornalismo foi o caso Boimate – perpetrado por Eurípedes Alcântara na revista Veja. O jornalista cai em um trote de uma revista científica, falando do cruzamento de boi com tomate na Universidade de Hambuerger pelo dr. MacDonalds. Pauta um repórter para ouvir um cientista brasileiro:

– O que o senhor achou desse feito?

– Impossível!

– E “se” fosse possível?

– Seria a maior revolução da história da genética.

Veja tirou o “se” da pergunta e publicou a afirmação.

Aliás, dupla barriga: se fosse, de fato, a maior revolução da história da genética, mereceria matéria de capa.

O “se” comporta tudo.

“Se” o Serra matou sua mãe, será considerado um matricida.

“Se” o Lulinha comprou a Friboi, não faltará carne em sua mesa.

“Se” o Aloyzio Nunes apoiar a Dilma será considerado traidor.

Ou seja, se algum repórter fizer alguma pergunta com o “se”, recorra à 5a Emenda e diga algo como: “Não respondo sobre hipóteses”, porque vem sacanagem na certa

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Coerência mandou um beijo

janeiro 17th, 2015
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Sabe aquele xurraxcão da galhéra, com piscina?
Sabe quando galhéra cisma de pegar todo mundo de surpresa e jogar na piscina?
Sabe aquele cara que foge da galhéra, sai correndo pra não ser jogado na piscina pela galhéra, e se joga na piscina?

Intâo….

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Dicionário ilustrado

janeiro 4th, 2015
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Tô há mó tempão sem postar nada aqui, então vamos falar de amenidades.caradepaisagem

No dicionário ilustrado, vamos falar da expressão

Cara de Paisagem
Quando sua expressão facial visa dissimular reconhecimento de culpa ou de afinidade com determinado assunto.

Mais ou menos assim:

 

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A presidenta e os particípios

outubro 4th, 2014
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Esse post é muito 2010. Aquela discussãozinha ridícula mimimi presidenta tá errado mimimi não é assim que se fala mimimi presidanta e essa porra me dá uma gastura tão grande que eu vou fazer o ÚLTIMO POST a respeito da palavra presidenta. Daqueles pra imprimir, esfregar na cara dos ignorantes e fazer eles comerem o papel. Até porque geral teve QUATRO ANOS PRA ESTUDAR, CARALHO! Então vamos lá.

Pra começo de conversa, o particípio é uma forma verbal que não recebe esse nome à toa. Ele participa de outras classes de palavras, mais especificamente substantivos e adjetivos. E provo:

– Quando cheguei em casa, o marido já havia feito  comida – particípio passado em locução verbal com o verbo haver que equivale ao pretérito mais que perfeito.

– João está cansado – o particípio de cansar brincando de adjetivo pra qualificar João.

– A ida de minha mãe a Las Vegas – O particípio do verbo ir virou substantivo.

Observe pelos exemplos acima que, quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e vai pro feminino: João está cansadO / Maria está  cansadA. (E antes que vocês perguntem: estruturas passivas têm um quê de adjetivo: quando a gente diz Maria foi estupradA, esse estuprada tem um caldinho de adjetivo)

Aí você vai perguntar: mas o que que tem o particípio a ver com a presidenta, bruxa?

No latim, havia o particípio passado, o particípio presente e o particípio futuro. E os três chegaram ao português, mas só o particípio passado veio como forma verbal; os particípios presente e futuro vieram como forma nominal.

(Agora volte dois parágrafos e releia o trecho em que eu falo que quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e volte logo.)

O particípio futuro é o mais fofo de todos. Tem que passar a ideia de atos que estão na iminência de ocorrer: vindouro (que está prestes a vir), nascedouro (que está prestes a nascer), casadouro (que está prestes a casar). Essas palavras também variam em gênero: mês vindouro / semana vindoura; moços casadoiros / moças casadoiras etcetcetc.

Deixei o particípio presente por último de propósito. o particípio presente derivou-se no português, em nomes de pessoas que devem ser reconhecidas / destacadas pelo ato que ora desemprenham.bart simpson

Então, se precisamos nos referir a um rapaz que deve ser destacado por exercer o ato de estudar no presente momento, falamos de um estudante (arrá! você começou agora a entender o espírito da coisa, né? Também queria saber por que não me deram essa aula no segundo grau…); se precisamos falar de um homem cuja característica que se destaca é o fato de crer, temos um crente. E se temos de falar de um cara cuja característica é pedir, temos um pedinte.

Se formos arrumar nazideia a fórmula morfológica para a criação de substantivos embebidos  de particípio presente, ela fica assim:

[raiz do verbo] + [vogal temática do verbo] + [-nte]

Mas espere! Reparem que ali em cima eu falei de propósito em homens a executar este ou aquele ato: um estudante, um crente e um pedinte.

E reparem mais em cima que eu falei que o particípio, quando vira forma nominal, varia em gênero.

Quem abrir a boca pra dizer “porque o dicionário não aceita presidenta”, além de ganhar um pescotapa e uma dicionariada na cara com o livro aberto na página do verbete presidenta, vai ficar de castigo e vai escrever mil vezes no quadro negro a frase da ilustração!

E aí, a gente chega no lado social – e perverso – de uma língua:

Você já parou pra pensar que não se usa estudanta porque estudar é, por tradição, coisa de homem, pra se formar doutor e ser chefe de família?

Se você não concorda com o argumento de estudanta, então por favor explique: qual a diferença entre uma governanta e um governante, se, morfologicamente, eu acabei de te comprovar que as palavras são equivalentes?

Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada para designar mulheres que governavam a casa. Nada além da casa.  Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada num tempo em que às mulheres era vedado o mundo. Era vedado o direito de viver e explorar o mundo para além de um casamento.

Ou seja: ainda que morfologicamente  governante e governanta sejam similares, LEXICAL e SOCIALMENTE as duas expressões acabaram por adquirir significados e sentidos diferentes.

E hoje em dia, em que à mulher é permitido presidir um país, mondigente – muitos, sem perceber a carga de machismo por trás dessa atitude – vêm dizer que presidenta não pode?

Eu já provei morfologicamente que presidenta pode, sim, senhor! Seja ela a Dilma do Planalto ou a Dilma da Sabesp!

E se você insistir em dizer que mimimi estudanta é uma anta que estuda, depois do pescotapa eu te dou este link aqui pra você ver o monte de idiota que foi corrigir o UOL, dizendo que “cão da pradaria” está errado, e o certo é “cão da padaria”.

Ah, você vai continuar insistindo?

Diminutivo da palavra: temos o presidentinhO e a presidentinhA

Aumentativo da palavra: emos presidentÃO e presidentONA.

Poi zé. Quando o grau varia, o gênero acompanha sem problemas, né?

Ou seja: vai estudar e larga de ser machista! É presidenta e não enche o saco!

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Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney pra ser coerente e não perder dinheiro

outubro 2nd, 2014
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Antes de começar este post, vou agradecer e mandar milhões de beijinhos pro Felipe Spencer, que fez rapidex pra mim essa imagem que eu vou usar pra desenhar a história por trás do post que originou este post:

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Queisso, bruxa?

Isso é um resumo da reta final do primeiro turno, o que está acontecendo entre Marina Silva e Aécio Neves na disputa pelo segundo lugar. Marina está em franca queda, e Aécio em franca ascensão. Aécio pode ultrapassar Marina a qualquer momento.

E eu não pus de propósito a seta-resumo de Dilma Rousseff, porque essa tá bem acima, e divando pra cima (late mais alto que daqui eu não te escuto, diria Valesca Popozuda…)

Enfim. Com essa imagem na cabeça, e pensando que Dilma pode passar a régua ainda no primeiro turno (se não fechar, vai ser por muito pouco mesmo), vamos analisar o texto cometido de maneira tonitruantemente gloriosa pelo Infomoney.

Esse texto me chamou a atenção porque o supracitado site (considerado um verdadeiro pai-de-santo pelos comunistas do bunker clandestino  do Muda Mais) passou o ano INTEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIROOOOOO falando que se Dilma vencesse seria um desastre para o mercado, porque o mercado iria implodir, daí viria o apocalipse zumbi, Marte nos invadiria, os santos nos abandonariam e seria o fim dos tempos pereré pão duro. Aí eles resolvem dizer, a esta altura do campeonato (e das pesquisas), que Dilma talvez não seja tão ruim assim.

Claro que eu me interessei pelo twist carpado redacional. Pipocas e guaraná acompanham, senhores!

2015 vem aí: Dilma reeleita vai ser tão ruim para os mercados assim? 

corrida continua acirrada e tudo pode mudar, mas [Chegou o vírgula-mas! vamos ver a adeversatividade qual é!] alerta com reeleição de Dilma se acendeu mais uma vez para investidores[ela é presidenta, e comanda o Brasil há quatro anos. Mas representa risco pros investidores. Não, eu não consigo entender essa lógica]: há motivo para tanta preocupação?[eis a introdução do imbroglio. Agora vamos ver como se dá a concatenação dazidéia do Pai Infomoney]

SÃO PAULO – Após a divulgação da pesquisa Datafolha na última sexta-feira onde a candidata Dilma Rousseff aparece 13 pontos na frente de Marina Silva e também numericamente na frente no segundo turno, apesar de tecnicamente empatada com a margem de erro, a bolsa desabou e o dólar disparou. E a percepção foi corroborada pelas pesquisas Datafolha e Ibope de ontem.

mercado

Ay, señores! Ustedes me matan de verguenza!

[lá em cima foi só a introdução. Aqui é que começa a diversão e as loucas aventuras. Acompanhem:] Conforme aponta Raphael Juan, gestor da BBT Asset, o que o investidor pode esperar até o fim das eleições é muita volatilidade [se eu tivesse ações na Bolsa, ficaria quietinha encolhidinha sem me mexer, porque a montanha russa vai ser braba!], já que a candidata do PSB ainda tem um bom potencial de crescimento [agora olhe pras setinhas lá de cima, entenda a seta verde como da Marina, solte uma gargalhada e vlte logo!] e no segundo-turno o tempo de televisão é igual para ambos os candidatos. “Além disso, o PSB tende a receber o apoio de Aécio Neves, algo que é impossível de ser contabilizado nas atuais pesquisas. Portanto, cenário totalmente indefinido”.[O texto se propõe a dizer que Dilma reeleita não vai ser tão ruim assim, mas esse parágrafo reza por Marina. Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!]

Por outro lado[esse “por outro lado” pode ser praticamente considerado um alomorfe do vírgula-mas. Mas deixem essa observação pra lá, pq isso não é uma poção de morfologia], a forte queda na Bolsa e alta do dólar acontece porque o mercado já dava como certa a eleição de Marina Silva[aí veio a Dilma, subiu, e embaralhou ascoisatudo de novo!]. Agora, o investidor precisa começar a se preparar para uma eventual permanência de Dilma no Planalto. 

“O investidor já sabe como o mercado deverá reagir com Marina[tá. deixa eu entender, então. Marina nunca antes na história deste país foi leita presidenta, mas o mercado já sabe como reagir a um governo dela? Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”], porém, [é tanto vírgula-mas que o redator teve que lançar mão de um “vírgula-porém] ainda é uma incógnita como se comportará com Dilma[vou repetir o raciocínio da observação lá de cima: Dilma é presidenta há quatro anos, e o mercado sabe o que esperar dela e como ela se comporta. Mas o comportamento do mercado será uma incognita com Dilma?Ah, é verdade! “Lógica? Compreensão? Racionalismo? Não, somos especuladores, trabalhamos com nada disso, minha senhora!”] . (…)

De acordo com o diretor de mercados emergentes da corretora japonesa Nomura, Tony Volpon, o Datafolha de sexta acabou sendo um divisor de águas para os mercados, que parecem ter abandonado a esperança de que esta eleição representaria o fim do ciclo do PT. [abandonado a esperança. Fim do ciclo do PT. Imparcialidade? Não, senhora! somos especuladores! Quer imparcialidade vá ler a previsão do tempo – e mesmo assim procure um site de informes meteorológicos!]

“A reação do mercado, em nossa opinião, não é atribuível tanto à diferença entre os dois principais candidatos, mas a tendência dos dados eleitorais. Projetando esta tendência para a frente, poderia-se imaginar uma reeleição de Dilma já no primeiro turno”, afirma. 

Para Volpon, todos os resultados são possíveis e a corrida continua muito acirrada, com Marina podendo compensar o terreno perdido em um segundo turno. Porém, tendo como base um cenário de maior possibilidade de Dilma vencer, o especialista também destacou o que pode mudar no próximo ano

[Mas espere! Você acha que o melhor do texto á apareceu aí? Pare de comer pipocas pra não se engasgar!]

E depois de 1 de janeiro de 2015?
O que aconteceria depois do dia 01 de janeiro de 2015? Para Juan, com a mudança do Ministro da Fazenda, um grande passo já será dado, principalmente se for um nome que inspire confiança do mercado, como Henrique Meirelles. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA O INFOMONEY QUER EMPLACAR MEIRELLES NA FAZENDA! QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA Devemos avisar que eles estão fazendo isso muito, muito errado? Melhor, não, né?]

“Principalmente os investidores internacionais, que movimentam a nossa economia, enxergam Guido Mantega como uma fórmula esgotada para retomar o crescimento[puxa, que coisa, não? Isto significa que eles estão tudo indo embora do Brasil? Não, não significa!] . A troca do ministro, dependendo do nome, será bem vista pelo mercado”[Ah, cejura? Puxa, que coisa, não?]. [Aí você pensa que o texto vai navegar pelos mares do pessimismo e…] Além disso, o cenário de modo geral não deverá ser tão catastrófico como muitos pregam.[e ele vem e concorda com o título do post!] “A bolsa deverá voltar aos 60 mil pontos, dólar ficará entre R$ 2,40 e R$ 2,45 e taxa de juros convergindo para 11%. Não acredito em desastre, como muitos pregam”, acredita o gestor da BBT.[Tá. Aí eu lhe convido a voltar cinco parágrafos pra reler o trecho em que o texto diz que com Dilma mercado será incógnita: olha a cognição aparecendo aqui! O_o] 

Já para Volpon, é difícil saber se Dilma tirará lições de seus anos de mandato e de quando esteve perto de perder a reeleição [Porque, né? O mercado quer ensinar lições a Dilma. E eles devem estar todos lá, sentadinhos, ao lado da Cláudia…] Ele destaca dois cenários opostos: [aqui você para de novo de comer pipoca pra não se engasgar]  há quem acredite que Dilma reeleita vai manter a retórica política esquerdista da campanha e construir pontes com o setor privado e os mercados financeiros[calma que não é isso, é agora que começa!]. Os pessimistas acreditam que ela vai ver a sua reeleição como mais quatro anos “para lutar pelo povo contra o mercado e os interesses financeiros que quase a derrotou”. [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA aviso: não tenho forças pra destacar o erro de concordância dos interesses financeiros que a derrotOU. Vamos ignorar, vamos?]

Para Volpon, a verdade está em “algum lugar do meio” [Fox Mulder curtiu isso]. “Nós acreditamos fortemente que ela dará sinalizações iniciais mais pró-mercado e a nomeação de um novo ministro da Fazenda será um sinal muito importante para saber se há substância em um discurso mais pró-mercado”.

A Nomura acredita que, devido às suas visões ideológicas, haverá ajustes pequenos nas políticas atuais. “Em declarações recentes, Dilma defendeu seu ponto de vista que o que prejudica a economia brasileira é a crise global; que suas políticas têm sido bem sucedidos em proteger o trabalhador brasileiro da crise; e que suas políticas serão revertidas quando a economia global se recuperar”. [MAZAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Eles são capazes de entender o que a Dilma fala!!! Não precisa desenhar!!!! Que boooooooooom!!!!]

“Esta ‘visão de mundo’ levanta a questão óbvia: se a economia global não vem para o resgate, Dilma continuará ‘protegendo o trabalhador brasileiro’, mesmo à custa da contínua deterioração fiscal?”

A Nomura avalia que sim, não havendo nenhuma decisão autônoma para ajustar a economia. Por outro lado, haverá restrições: uma é política e outra é sobre os índices voláteis de aprovação do governo. A popularidade do governo aumentou “por causa do bombardeio constante da campanha eleitoral” mas, para a Nomura, estes índices mais altos não devem se manter, funcionando assim como uma restrição poderosa contra as políticas impopulares de ajuste. 

“Um governo se recusar a ajustar as políticas não significa que a economia não se ajusta. Significa apenas que os mercados têm de fazer o trabalho que governos se recusam a fazer.[masmeufiiiiiiiiiiilho…. Adam Smith, já ouviu falar nele? Laissez-faire, laisez-passer, manja? Intâo…] Como é típico em um ambiente de mercado emergente, o principal mecanismo de ajuste será a taxa de câmbio”, ressalta Volpon.

(…) [eu poderia aqui falar de uma tentativa de previsão mercadológica do tipo bola de cristal, mas deu gastura]

Olha, como já disseram no Twitter, esta eleição tá tão enlouquecida que até domingo pode rolar apocalipse zumbi e invasão alien. E muito, muito texto mal escrito e mal concatenado.

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Folha e a hortografia pobremática Eleições 2014

setembro 28th, 2014
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É fato: a Folha de SPaulo não sabe se trajetória se escreve com G ou com J. Tá numa crise existencial do cão.

Na edição online publica ora assim

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ora assado.

trajetoria

 

 

Mas eu tenho pra mim que essa dúvida corrói o âmago dozeditortudo da Folha. E provo minhas suspeitas:

buscaportragetoria

 

E, antes que você pergunte, é assim que se escreve…

trajetoriahouaiss

 

porque

tragetoriahouaiss

 

(Hoje tô ilustrativa. Me deixa.)

Mas não posso perder o hábito:

 

PORRA, FOLHA! É TRAJETÓRIA, CARALHO! ESCREVE DIREITO!!!

 

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Aécio e a hortografia pobremática da incompetência

setembro 28th, 2014
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Então, tá.

Você acabaram de ler sobre os pedacinhos que compõem uma palavra, e não são as sílabas. São os morfemas. (post logo abaixo)

Peguemos, por exemplo, a palavra incompetência. Se pensarmos um pouquinho, vamos perceber que ela é a palavra competência seguida do prefino {in-}, que significa

prefixo

Negação.

 

E competência, se você observar a etimologia da bicha palavra, vai descobrir que

competenci

 

Tudo isso daí de cima pra dizer que o candidato Aécio Neves não sabe escrever incompetência. Duvida? Aqui:

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Se você continua duvidando, clique aqui e veja você mesmo o vídeo.  Aos 57 segundos.

Cerejinha do bolo: ele cometeu essa incoMpetência pouco depois de dizer que o PT está deseducando o Brasil.

Castigo de Deus, a gente vê por aqui.

Aê, aê, aê, aê, Aécio! Aproveita que você chegou ao fim deste post e continua a rolar no blog, pra aprender sobre morfemas!

E de nada por essa educação que você recebeu desta petista que vos fala!

 

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Ginger ale, os morfemas e as formas livres, presas e dependentes (#poção de morfologia nº3)

setembro 28th, 2014
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Este post foi originalmente publicado em maio de 2013, valendo nota pro meu curso de morfologia na UnB.

Mas vai me ajudar no próximo post, e vai ajudar a equipe de Aécio Neves a não cometer mais erros crassos.

enfim, me aguardem.

enquanto isso, vão lendo issaí e vão preparando uns bons drink!

*****************************************************

Tarra mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d’água só (aprendi com Nardja Zulpério que é muito marpráteco e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d’água dicumforça nazidéia do que ficar usando cajados, que são pequenos, estreitos e pouco práticos.)

(SÉRIO QUE FAZ VINTE ANOS QUE EU VI NARDJA ZULPÉRIO?!?!!? E QUE PROVAVELMENTE MUITOS DOS MEUS COLHÉGAS NEM ERAM NASCIDOS QUANDO ESSA PEÇA TARRA EM CARTAZ?!?!?! AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH)

Mas deixemos os cajados e caixas d’água. Vamos então à nossa receita de ginger ale, que nada mais é do que um xarope de gengibre com club soda ( = água com gás) e suco de um limão. E, se você quiser, pode acrescentar vodka a gosto. Recomendo fortemente a vodka sabor vanilla (meu mote de 2013: #vodkavanillamelhoremtudo).

Morfemas! :DGinger Ale

Para o xarope de gengibre:

1 medida* de açúcar (pode ser mascavo. pode ser cristal. pode ser refinado.)

1 medida* de gengibre picado

1 medida* de água

(medida = se vc usar 1 xícara, será 1 xícara de tudo; se usar 200 xícaras, serão 200 xícaras de tudo)

Modo de preparo:

Levar os ingredientes para cozinhar em fogo alto. Quando levantar fervura, baixar o fogo e cozinhar por mais 15 minutos.

Deixe esfriar, e coe para tirar os pedaços do gengibre (dica: há agora no mercado filtros descartáveis que podem ser reaproveitados. Use esses filtros ou um guardanapo para coar o xarope, pois você vai ter que apertar e espremer o filtro pra tirar todo o caldo do meio dos pedaços do gengibre).

Modo de preparo do ginger ale

Em um copo alto, ponha um dedo de xarope de gengibre, suco de meio limão e complete com água gasosa (ou club soda). É um santo remédio contra gripes e resfriados. Ah! Vodka a gosto acompanha esplendorosamente – e lembre-se: álcool mata os germes, portanto a vodka também ajuda a curar resfriados (a folhinha de hortelã da foto é só uma frescurinha. Pode usar, mas ela fica melhor num mojito. E pinguça é a mãe!) #HIC! 😀

Aí você me diz: “ah, Madrasta, vou fazer um Ginger ale diferente: troco o xarope de gengibre por açúcar puro, e em vez de suco de limão eu ponho limão cortado e amasso os pedaços dentro do copo. E em vez de vodka, ponho cachaça e muito gelo!”

E eu lhe digo: “ora, ameba, você trocou os ingredientes, seu ginger ale deixou de ser ginger ale e virou caipirinha!” 😉

Isto posto, vamos pensar aqui um cadim sobre essa receita que eu acabei de publicar (por favor, deixe a vodka pra depois):

O ginger ale nada mais é do que uma bebida resultante do blending (= como os frescos chamam a mistura) de diversos ingredientes que, depois de misturados, tornam-se a bebida. Se os ingredientes forem outros, a receita final também será outra, certo? (taí o seu ginger ale adulterado que virou caipirinha que não me deixa mentir!)

E se eu te disser que os ingredientes de uma receita são comparáveis a morfemas, e a bebida pronta é a palavra final?

RÁ! TE ENSINEI RAPIDINHO! 😀

Para provar minha tese, me empreste a palavra irrealizável. Repare que ela é composta de um monte de pedaço que se junta à raiz (real), e, ao final das contas, informa que não é possível que o real seja passível de se concretizar. Acompanhe:

I rreal izá vel
Prefixo de negação raiz da palavra Terminação de verbo de 1ª conjugação com caráter frequentativo ou causativo (quem me contou isso foi tio Antônio Houaiss) (= passível de)

Então, cada um desses pedacinhos, ou morfemas, é um ingrediente da palavra final. Lindo, não?

Agora eu te digo que, de acordo com Flávia Carone,  vocábulo é uma unidade constituída de morfemas, e o morfema é a menor unidade significativa, que tem a propriedade de se articular com outras unidades de seu próprio nível. A palavra é a maior unidade. (Ou: ingredientes diferentes se misturam para compor receitas diferentes – e o prato / bebida final é a maior unidade nessa minha analogia). E você nem sentiu que eu joguei um conceito teórico em cima de você! RÁ DE NOVO!

Antes de prosseguir com minha tese, eu te pergunto: você chupa limão puro? Toma vodka pura? Come gengibre puro? Então, faça o favor de morrer pra não comprometer minha linha de raciocínio a seguir. Grata.

Leonard Bloomfield (aproveita o link e faz o download!) começou a definir vocábulo formal (sério que você pensou que a saga em torno da definição de palavra já tinha terminado? Tolinho… 😀 ) a partir de como o trem funciona na frase. E propôs duas unidades formais numa língua:

formas livres – elas se bastam para realizar a comunicação.

formas presas – só funcionam atreladas às formas livres.

Isto posto, temos que uma palavra pode ser composta de:

– uma forma livre mínima, indivisível: lua, sol

– duas formas livres mínimas: beija-flor, couve-flor, vaivém

– Uma forma livre e uma ou mais presas: en-luar-ado, en-sol-ar-ado

– apenas formas presas: im-pre-vis-ível

Aí veio seu Joaquim Mattoso Câmara Jr. com a seguinte notícia: precisa de mais sal nesse molho do Bloomfield. E insere o conceito de

– formas dependentes – elas ficam num espécie de limbo entre as formas livres e as presas: têm mais vida própria que as presas, mas não tão suficientes para se tornarem formas livres. Nesse conceito entram os artigos, preposições, algumas conjunções e pronomes oblíquos átonos: 

A expressão disse-me é composta de uma forma livre (disse, que sozinha já expressa uma comunicação, uma informação) e uma forma dependente da livre, o pronome oblíquo átono me, que sozinho não significa lá grandes coisas.

Como assim, madrasta?

Assim, ó:

Você pode tomar água apenas. Você pode até comer um pouquinho de açúcar (mas espera a sua mãe sair de perto, pra evitar bronca). Mas gengibre e limão, só acompanhados, sozinhos são intragáveis. Só presos a outros ingredientes limão e gengibre fazem sentido. Certo? (E lembre-se: quem consome limão puro e gengibre puro me fez o favor de morrer lá em cima pra não estragar minha teoria!)

E a vodka? Ah, a vodka sozinha não faz muito sentido. Ela depende sempre de algum trem pra se encher de formosura! \o/ ♥

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Pra entender o nível da imprensa brasileira nos atualmentes

setembro 24th, 2014
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Amanhã este post completa um ano de publicado. Mas ele está atualíssimo, aliás, ele conseguiu a proeza de estar mais atual agora do que há um ano.

Eu aproveitei as manchetes de vários jornais mundo afora versus manchete do site da Veja para dar uma amostra do comportamento vil e asqueroso da imprensa nacional.

Como Dilma Vana tá voltando hoje a Nova Iorque pra abrir o boteco da ONU, republico-o.

(E querem apostar como a imagem que ilustra este post também vai ser atualizada? Valendo!)

***************************************

Eu venho desenvolvendo essa tese há algum tempo aqui nos meus miolos. Hoje acabei de vê-la desenhada. Então, já que tenho ilustração, vou discorrer sobre. Não sem antes agradecer à dileta amiga Lucianna Carvalho, por me dar o lindo passe que resultou nesse gol.

Para que todos entendam de linhas editorias deste ou daquele veículo jornalístico, vamos fazer um exerciciozinho técnico de “encontre a notícia”.

Para isso, vamos usar como exemplo uma passagem bíblica:  Jesus caminha por sobre as águas do lago. Copio a citada aqui http://www.bibliaon.com/joao_6/ (Jo 6, 16-24 ou Evangelho Segundo São João, capítulo 6, versículos 16 a 24):

16 Ao anoitecer seus discípulos desceram para o mar,
17 entraram num barco e começaram a travessia para Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.
18 Soprava um vento forte, e as águas estavam agitadas.
19 Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilômetros, viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar, e ficaram aterrorizados.
20 Mas ele lhes disse: “Sou eu! Não tenham medo!”
21 Então resolveram recebê-lo no barco, e logo chegaram à praia para a qual se dirigiam.
22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do mar percebeu que apenas um barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
23 Então alguns barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde o povo tinha comido o pão após o Senhor ter dado graças.
24 Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus

 

Agora me ajudem. Vamos fazer de conta que:

– Jesus existiu (pra você que não acredita nele)

– Há fotos de Jesus caminhando por sobre as águas. Portanto, devemos todos partir do princípio de que esstrem aconteceu de fato – e você acredita nisso.

– A imprensa inteira noticiou o feito

– Jesus é do PT (calma, calma, calma! Deixa eu defender minha tese!)

Então, com essas premissas aí todas pacificadas, vamos analisar a coisa: qual é a notícia, o grande fato que transforma essa travessia de barco da história diferente de todas as outras? Ou, como gostam de dizer os editores (ô, raça!), qual o inusitado  da história?

Acertou quem respondeu Jesus andou por sobre as águas do mar de Tiberíades (sim, o texto fala em mar. Mas dá um desconto. A Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_da_Galileia  – chama esstrem de Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré  – além de ele ser também o mar da Galileia. Considerando o nível de confusão praquelas bandas, não saber se um monte d’água é mar ou lago é o menor dos problemas deles. E isso nem vem ao caso!)

Mas enfim. Deixamos Jesus andando por sobre as águas. Então, como deveria ser a manchete neutra, que traz a informação livre deste ou daquele viés político?

Jesus caminha por sobre as águas do mar de Tiberíades

É a notícia, ele fez isso mesmo (você me prometeu lá em cima que iria acreditar na história! Num estressa!) e lembrem-se: a manchete é uma frase única, de preferência com uma única oração, que traz uma unica ideia. Tem que ser uma linha sintética, simples, pá-pum.

Mas não é bem assim que a banda toca por estas bandas de cá, né? Vamos ver como os vários veículos de comunicação que pululam por este Brasil dariam a notícia.

Primeiro, aqueles que ficaram conhecidos como os blogprog. Há quem diga que esse povo recebe do governo pra fazer o que fazem. Eu duvido – não porque o governo não seja capaz de uma coisa dessas, mas porque eu me recuso a acreditar que o governo, qualquer que seja ele, consiga remunerar um troço tão mal feito! Porque, se eles tivessem que dar essa notícia, sairia marromeno assim:

Jesus Inácio Lula da Silva realiza feito histórico e caminha por sobre as águas do mar da Galileia
“Nunca antes na história deste país alguém ousou caminhar por sobre essas águas revoltas, mas nosso país está mudando”, Declarou Jesus Inácio

Vou evitar discorrer sobre o ridículo da frase acima pois creio que ele seja autoexplicativo. E eu não estou aqui para redundâncias. Então, vamos ver como a imensa maioria da imprensa brasileira daria a manchete:

Jesus caminha por sobre as águas, mas expõe apóstolos a possíveis afogamentos

Reparem na construção da frase acima. Observem que há duas orações coordenativas adversativas. Traduzindo pra quem não se lembra mais das aulas de sintaxe: são duas orações coordenadas, ou seja, duas orações que são independentes uma da outra – cada uma, sozinha, faz sentido, se  basta. Mas elas se ligaram por coordenação. E essa ligação se deu com uma conjunção que imprime uma adversidade  aos dois enunciados:

Jesus caminha por sobre as águas = legal, positivo, maneiro;
Jesus expõe os apóstolos a possíveis afogamentos = mau, negativo, feio, isso não se faz.

Daí que a regra básica da manchete (uma frase, uma ideia, uma oração) foi quebrada. Entraram em campo duas orações – a primeira positiva; a segunda (que vai permanecer mais tempo nazideia), negativa. Pode reparar que esse é o tipo de manchete usada por Folha, Globo e Estadão. <– observe o ponto, por favor. Citei apenas esses três, fazfavô!

Agora pensem na quantidade incomum de manchetes compostas de “vírgula-mas” (http://www.meionorte.com/noticias/geral/brasileiro-vive-mais-mas-em-condicoes-precarias-58595.html) que vocês leram nos últimos dez anos (http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/privatizacao/o-brasileiro-esta-vivendo-mais-e-isso-e-otimo-mas-e-a-previdencia-social/) – principalmente as referentes às melhorias de qualidade de vida dos brasileiros.)

Eu poderia (e pretendo) discorrer sobre esse tema com mais ponderações e orientações. O fato é que é possível analisar esse tipo de manchete tanto pelo lado negativo, como eu acabei de fazer, como pelo lado positivo: apesar de imprimir um viés editorial à notícia, que abandonou menina isenção e deixou Jesus Cristo meio antipático, a manchete informou o fato em si. quem leu esse título ficou sabendo que Jesus caminhou por sobre as águas – ponto. (mas o gostinho do fel ficou na boca.)

Mas a coisa pode ficar pior. O viés ideológico e a opinião rasteira, daquela que destrói todos os princípios do bom jornalismo, podem se fazer presentes de forma ainda mais grotesca. Imagine se, após o feito do trecho bíblico, alguns veículos estampassem em suas manchetes:

“Jesus não sabe nadar”        ?

Antes de tachá-lo de ridículo, cabe avisar aqui que o título acima não satisfaz o pré-requisito de informar sobre o fato em si. (Pronto, agora podemos chamar de ridículo. Ou, ainda, de recalque. Mas essa análise recalque é muito 2013, quero deixá-la atemporal).

Ah, Bruxa, ninguém faz isso, não! Fica muito ridículo!

Pois eu digo que o grupo Cisneros, na Venezuela, fazia isso direto com o ex-presidente Hugo Chávez; o grupo Clarín faz isso direto com a presidenta Cristina Kirchner; e aqui no Brasil, que é useira e vezeira nesse tipo de construção é a Veja.

Querem ver?

porraveja

Infográfico roubartilhado do Facebook do Laerte Gurgel

Vamos analisar o fato em si:

Dilma foi à ONU fazer o discurso de abertura da Sessão deste ano da entidade internacional. O trem que tá pegando: a espionagem escancarada dos Estados Unidos em cima do pré-sal e das comunicações do altíssimo escalão do governo federal.

O que que Dilma fez no discurso? Condenou o ato.

Como a imprensa internacional noticiou?

– The Guardian: [espionagem é] uma brecha ao Direito Internacional

– Le Monde: espionagem é afronta

– El País: Rousseff condena práticas de espionagem

– Veja: Dilma critica EUA

E eu paro por aqui. Não vou falar das fotos, não vou falar de 2014, não vou falar de mais nada.

Só peço que vocês reparem que a manchete da Veja é composta por duas orações coordenadas. Observem também que essas orações são ADITIVAS. Ou seja: uma é negativa, a outra também.

Em resumo: você assina Veja? Troque por Chico Bento. Leitura de altíssima qualidade, leve e estimulante. e, se bobear, tem mais informação que o hebdomadário abriliano.

(E este post foi incluído na categoria “PORRA, FOLHA!” por osmose.)

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A figura de linguagem não compreendida pelo estagiário do EGO frilando pro Globo Política

setembro 8th, 2014
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[Suspiro]

Este post foi produzido após uma cerveja, porque tá puxado, viu?

Situation: Dilma Vana, em entrevista ao Estadão, diz que a Petrobrás possui 200 milhões de acionistas.

Considerando que 200 milhões é o número total da população brasileira (pelas últimas contas), temos uma figura de linguagem (metáfora? Metonímia? Não sei, tenho que checar) que passa a seguinte informação: “A Petrobrás pertence ao povo brasileiro”.

Aparentemente não é difícil entender que Dilma usou uma figura de linguagem. Mas não foi isso o que aconteceu com o responsável pelo blog preto no branco que, ironia das ironias, é responsável por atestar a veracidade das informações ditas pelos candidatos à presidência da república. Ó o que o estagiário do Ego cedido à editoria de Política do Globo aprontou:

pretonobranco1

Ainda incrédula com o acontecido, mandei um tweet para eles EX-PLI-CAN-DO o que Dilma quis dizer:

bruxaexplica

E o estagiário do EGO… ME. A. GRA. DE. CEU.

globoresponde

O resultado final foi:

pretonobrancofinal

POSSÍVEL.

METÁFORA.

POR MEIO DA UNIÃO.

Lição do dia: você é burro? Ah, então você consegue facinho um emprego no Globo! O_o

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Exame #xatiadíssima com a ONU

setembro 7th, 2014
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Antes de tergiversar, deixem eu explicar o que é Análise do Discurso. Em linguagem de game, é algo como uma interpretação de texto na última fase do jogo.

Peguemos como exemplo a singela frase Ivo viu a uva. A interpretação de texto apenas pede que você saiba o que é uma uva, no que consiste o ato de ver e entender que Ivo é uma pessoa do sexo masculino. Você associa essas informações e ainda se dá ao luxo de fazer substituições: o garoto observou o fruto.

Na Análise do discurso, você começa a reparar informações que estão tão escondidas que você recebe sem questionar, até porque não percebe que tal informação lhe foi enfiada goela abaixo. Na frase em questão, o chato analista do discurso vai dizer: “que garantias eu tenho de que Ivo não é cego?”

Isto posto, tava eu outro dia na cantina da UnB trocando ideias com o professor Dioney, que vai orientar meu mestrado e doutorado. Tava encafifada sobre como um texto nasce na cabeça de um jornalista. E ele batendo sempre na tecla: “não tenha dúvidas de que cada palavra é milimetricamente projetada na cabeça de quem compõe um texto! Quando a Bruxa diz “é um sintagma nominal incompleto, mas poderia se chamar putaria“, ela tem a exata noção do impacto que essa fraese vai causar na cabeça do leitor!

Mas, pôxa, eu tava só fazendo uma brincadeirinha lúdica porém didática…

E eu fui pra casa não muito bem convencida do que o Dioney me falou, e estava matutando esstrem até hoje.

Sim, até hoje. Porque hoje a Exame chegou me enfiando uma chapuletada na cara que diz: “para de babaquice que o Dioney tá coberto de razão! A gente faz isso o tempo todo!”

Enfim. A história, bem tatibitati, pode ser resumida de forma bem simples: Bolsa-família, inclusão social, transferência de renda: ÊÊÊÊÊÊÊÊ! Brasil tá de parabéns – diz a ONU.

Mas o duplo twist carpado que o texto dá pra falar mal tendo que falar bem do governo brasileiro é tão ridículo que me fez soltar umas boas gargalhadas. Vamos lá:

Esse relatório da ONU tá ótimo!

Esse relatório da ONU tá ótimo!

 

ONU é só elogios ao Brasil em relatório internacional; veja

Sobram elogios ao país no relatório da ONU sobre desenvolvimento humano. Brasil virou sinônimo de combate bem sucedido à pobreza[Aí aqui você dá aquela paradinha clássica: mas como assim, a Exame tá elogiando o governo?], mostram trechos selecionados[Aí o texto corre pra te dizer que é só em trechos selecionados, e não no texto todo. Claro que ele não diz que o texto todo não fala o tempo todo do Brasil, mas quando ele fala do Brasil só fala elogiando. Mas isso você só percebe depois que lê o relatório todo.]

[O que você está fazendo parado aí que ainda não trouxe pipocas? Ah, você já pegou? Então para de comer pra não se engasgar! Ó só por quê:] São Paulo – Não é de hoje que a Organização das Nações Unidas tem a mania [MANIA!!! A ONU TEM A MANIA!!! Caso você não tenha entendido: mania é uma palavra de carga pejorativa, negativa. Se o texto quisesse ser mais neutro, teria escrito “A ONU tem por costume / tem por háito. Mas não: pra Exame, a ONU tem manias….] de enfocar o lado positivo e os bons exemplos [e que mania negativa é essa? Ah, é de enfocar bons exemplos e o lado positivo! Pera que eu tenho que ilustrar essa texto] dos países que aparecem em seus relatórios de análises globais, principalmente quando se trata do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado hoje (veja na íntegra ao final).

Desta vez, porém[esse porém deve indicar algo que se oponha à informação anterior, certo?], fica explícito que o Brasil virou, aos olhos dos organismos internacionais[mas é só aos olhos dos organismos internaiconais, viu, gente? Não fiquem aí pensando que a gente concorda com isso, não…], sinônimo de país que combate a pobreza e mira as desigualdades sociais[… e o porém não indicou nada contrário. Mas o autor deste texto está, como se diz no Twitter, #xatiadíssimo…].

O destaque é mesmo [é mesmo = por falta de coisa melhor] o programa Bolsa Família, citado sete vezes ao longo do relatório como exemplo bem sucedido de transferência de renda. Mas[UEPAAAAA! Desta vez não foi vírgula-mas! Foi ponto-mas! É pra mostrar que a coisa é mais pesada! Vamos ver do que se trata?] há um debate interno na ONU sobre suas qualidades.[aí você clica no link fornecido no texto original, e cai em outro post em que o escritório nacional da ONU discute com o internacional critérios e metodologias de cálculo. Ou seja: põe mais guaraná aqui pra acompanhar as pipocas, por favor!]

Não só isso[Pensa que é pouco???!!? Nããããããããoooo, tem mais!]: também a política de cotas nas universidades e a evolução do acesso à educação ganham linhas elogiosas [Se eu fosse dos ministérios sociais do governo Dilma eu estaria a dar beijinhos no meu ombro pra evitar o mau-olhado, porque OLHA…] – e por vezes pouco críticas, vale destacar.[HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Eles só elogiam, não criticam nada! O que o texto não fala é que os programas e os números foram criteriosamente analisados e ponderados para que o relatório fosse escrito. Mas, né? Deixa isso pra lá, quem precisa saber desse detalhe?]

Tendo como fonte principal estudos e trabalhos acadêmicos[ou seja: textos POUCO CRÍTICOS – só que não] , o relatório produzido pelos analistas da ONU pode parecer, aos olhos nacionais[olhos nacionais = olhos da redação da editora Abril], pouco realista em alguns momentos.[ = não condiz com a realidade que A GENTE quer destacar]

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), por exemplo, aparece como uma associação civil autônoma de partidos políticos [aquela gentalha que há anos a gente se esforça pra mostrar como bolchevique, comunista, cubana, asquersa, fedorenta e comedora de criancinhas é mostrada como uma Ong social, imaginem vocês!] com peso educacional na luta do Brasil para ensinar crianças a ler e escrever (conferir 9º item desta lista).[aqui eles estão passando o recibo de que não correram atrás pra apurar se o troço é verdade. Ou seja: a Exame passa o recibo de que escreve o que lhe vem à telha, sem se dar ao trabalho de ouvir o outro lado. o MST tem que ser traçado como grupo terrorista, e não grupo capaz de educar e alfabetizar seus membros!]

A finalidade do “Human Development Report 2014”, segundo a ONU, é mostrar como países podem se fortalecer para estarem prontos diante de crises inesperadas, principalmente do ponto de vista social.[Segundo a ONU a finalidade é essa; mas pra gente a finalidade é fazer propaganda bolchevique…]

Neste ano, o Índice de Desenvolvimento Humano trouxe uma leve melhora do Brasil, que subiu uma posição e ficou em 79º lugar dentre 187 nações.[Aqui eles aproveitam pra dar uma cotovelada, porque o IDH subiu só um ponto.]

O texto continua, citando trechos do panfleto comunista Relatório da ONU que corroboram a ideia de que o Brasil é um exemplo pra combater a pobreza.

Mas, ô textinho contrariado esse, hein?

E Professor Dioney, por favor, me perdoe por duvidar de suas palavras. Eu tava erradíssima….

 

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Marina e a guinada de 360 graus na política brasileira

agosto 30th, 2014
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Adoro essa expressão: guinada de 360 graus. Você dá uma volta inteira e volta pro lugar de onde começou. Ou seja, melhor ter ficado parada, quieta, sem fazer nada.

Pois a candidata-viúva Marina Silva conseguiu a proeza de dar uma guinada de 360 graus em apenas 24 horas. Ontem a comunidádji LGBTSPFCdesculpem, mas eu adoro essa piadinha! 😛  estava toda feliz e serelepe com as propostas da candidata para esse segmento da sociedade – uma galera sofrida, fudida, que tem direitos civis básicos negados por motivos escrotos, baixos, vis. Mas não vou entrar nessa questão.

Vim aqui só pra mostrar a teteia que é a carta-360-desmentido dizendo que não era bem aquilo que a gente tava dizendo etc e tal. Vamos acompanhar. Já estouraram as pipocas?

(Aviso: vai ter muita caixa alta de minha parte. PORQUE EU ESTOU POSSESSA DA VIDAAAAAAAAAAA)

 

[respire fundo porque o trecho a seguir contém cinco linhas e NE-NHUM ponto. Vmaos lá]O texto do capítulo “LGBT”, do eixo “Cidadania e Identidades”, do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao conhecimento do público até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo (comentários pela internet sobre as diretrizes do programa, encontros regionais e as dinâmicas de escuta da sociedade civil promovidas pela Coordenação de Programa de Governo e pelos candidatos à Presidência pela Coligação).[não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão. Maneira tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER]

Em razão de falha processual na editoração[FALHA. PROCESSUAL. NA EDITORAÇÃO. enfiarama culpa no pobre infeliz do tio webmaster que tava quieto lá no canto dele!], a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos distribuídos aos veículos de comunicação incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos [outra maneira ainda mais tucana de escrever: TEM PORRA NENHUMA A VER COM O QUE A GENTE QUER FAZER!] de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT.

Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável[CONTRATEMPO INDESEJÁVEL. Defender a causa LGBT é um CONTRATEMPO INDESEJÁVEL!] , tanto no texto com alguns equívocos [TEXTO COM ALGUNS EQUÍVOCOS! ALGUNS EQUÍVOCOS!] como no correto, permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos.[Traduzindo: Aê, galhéra, tô pisando pra caralho em ovos pra dizer que vocês que ontem tavam morrendo de amores por mim hoje têm motivos de sobra pra comer o meu fígado, mas eu preciso do voto de vocês trouxas, então por favor continuem comigo, sim?]

Os brasileiros e as brasileiras interessados em conhecer as verdadeiras ideias defendidas pelos candidatos da Coligação Unidos pelo Brasil para a Presidência da República, Marina Silva e Beto Albuquerque, já o podem fazer por meio do site marinasilva.org.br ou pelos exemplares impressos que serão distribuídos a partir de hoje.[a gente fez um livrinho bonitinho! Aceita um exemplar?]

(…)

E vcs que se virem, porque eu não vu dar palanque pra essa sonserina.

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Cuba, o aplicativo lançado e o cacófato anunciado

agosto 22nd, 2014
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Guardem esta data. 21 de agosto de 2014.

Esse cacófato estava mais que anunciado e avisado. Na verdade, ele é tão velho quanto a Cuba Libre. Mar de meio século balança (uy!) as partes desse cacófato.

Daí que, mesmo com todo o aviso do mundo, mesmo com toda a Guerra Fria, o cacófato foi cometido. Pela agência Efe, que fique registrado. Que arrastou um bando de distraído web afora.

Aí geral orou aos deuses do print-screen só ao ver a manchete do G1. Gente parcial…

Eu fui ao Google. E encontrei mais. Vamos contar?

cubalanca1

Um

 

cubalanca2

Dois

 

cubalanca3

Três

 

cubalanca4

Quatro

 

cubalanca5

Cinco

 

cubalanca6

Seis

 

cubalanca7

Sete E VAI MELHORAR!

 

 

cubalanca8

oitoooo! U-OL! \o/ \o/ \o/

 

Mas aí geral se deu conta do ridículo e correu pra mexer no verbo lançar. Que pena…

 

Primeiro foi o

cubalanca9

 

E, finalmente, aquele sacaneado por todos, o G1:

cubalanca10

 

De resto, ninguém sabe exatamente qual é a desse lançamento, porque tá todo mundo cantando

 

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Realinhamento é beijinho; aumento é tijolada :P

agosto 12th, 2014
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O dileto Fernando Brito, do blog Tijolaço, pediu. Isso pra mim é uma ordem!

Pois bem. Ontem no Jornal Nacional, William Bonner perguntou a Aécio Neves se o candidato iria promover um realinhamento de preços. Mas a Guido Mantega, geral pergunta se vai haver aumento, mesmo, né?

Qual a diferença entre o realinhamento e o aumento? E quais os critérios de uso/emprego?

Calma que a Bruxa responde!

Vamos começar perguntando a Tio Antônio (Houaiss) que porra diabos merda é realinhamento?

Eis a resposta:

( t.d. e pron. ) alinhar novamente ou de modo diferente

    ‹ r. as rodas do automóvel › ‹ r. a turma para cantar o hino nacional › ‹ realinhou-se e, em seguida, foi à festa ›

2 ( pron. ) pol rever posição; formar novo arranjo, ordenamento ou agrupamento

    ‹ eleição é época de os partidos se realinharem ›

Então, temos que o uso do realinhamento já tá todo cagado errado quando a bagaça se refere a alteração de preços (qual a dificuldade em se usar alteração? Alguém explica, pfvr?). Algo comparável apenas ao emprego da palavra inverdade. (Véi, eu tenho uma síncope cada vez que eu ouço isso! Qual a diferença entre uma inverdade e uma mentira? Seria a gravidade da coisa? Então, porque nós temos a inverdade mas não temos, por exemplo, a desmentira? Essas dúvidas me consomem há anos!!!)

Mas voltemos à nossa querida mentira imprensa que adora falar em realinhamento de preços.

Pergunto: é pra se alinhar a quê? À realidade do mercado? Aos desejos da oposição? À bunda do Hulk?

Portanto, acredito que, assim como uma inverdade é uma mentira mais fraquinha, um realinhamento deve ser tipo assim um aumento, só que mais fraquinho. Critérios para a escolha de um ou de outro? Podemos pensar em critérios políticos, critérios de amizades, ou mesmo a diferença entre um beijinho e um tijolaço, ou o efeito de uma pílula azul-diamante. (Fulano? Dá no couro, não, só realinha…)

Tá parei.

Enfim. Espero ter atendido aos seus anseios, oh dileto Fernando!

Sem mais para o momento, subscrevo-me.

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Folha, a queda da alta e a estratégia do caos

agosto 11th, 2014
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É sempre assim. Minha relação com a Folha de SPaulo é de quase simbiose, saca?

Eu começo a achar que o caldeirão tá muito parado e lá vem a Folha me dar motivo pra mexer de novo no caldeirão. Vejamos a teteia que o jornal dos Frias aprontou hoje.

O texto “Mercado reduz previsão para crescimento da economia pela 11ª vez” já prenuncia o caos, desgraça e infortúnios. Abre com a redução da projeção do crescimento da economia blablabla wiskas sachê blablabla. E eu só consigo pensar no Paulo Ricardo cantando “antecipando a estratégia do caos.. há no ar num ato qualquer um certo temor / num segundo passa por nós, talvez o amor / feito o pôr-de-sol em mim, feito a vida chegando ao fim / há um fim?” Aí eu penso que esperar que o Brasil tenha o PIB da China é comparar a bunda do Hulk com a bunda do William Bonner (eu já vi, é murcha que só, uma decepção!)

Tá. Deixa o Paulo Ricardo pra lá. Voltemos ao texto. Ele fica legal mesmo quando fala de IPCA, o índice de inflação, que deve ficar em até 6,5%. Previa-se que ele ficaria em 6,39%, e agora a previsão é de 6,26%. Olha o malabarismo da redação da Folha:

 

A projeção para a alta do IPCA (a inflação oficial do país) [Pronto. Projeção para a alta. Você fica esperando um número caótico] neste ano caiu [Aí vem a realidade dos números e joga a alta pra baixo. Agora me conta: há a necessidade desse “alta” antes de IPCA no início do parágrafo, ou eu devo voltar a cantar a “estratégia do caos” do Paulo Ricardo?] para 6,26%, contra 6,39% anteriormente [Mas gemt, a coisa já tava baixa antes, de onde saiu essa alta?] , afastando mais a possibilidade de o indicador estourar o teto da meta [… e zás. Acabamos de ver a Folha passar o recibo de ridículo. Véi, brinca com número, não…] de 6,5%.

Foi a quarta semana consecutiva em que a estimativa é revista para baixo [Ah, porra, faz quatro semanas que esse número está CAINDO?!?!?!?!]. No caso de 2015, o IPCA deve aumentar 6,25%, acima da taxa estimada anteriormente, de 6,24%.

(…)

[E se você pensa que o melhor do texto é a queda da previsão de alta, espera quem tem mais!]

Com o recuo da inflação [É, não tem como , a gente tem que reconhecer aqui que a inflação caiu], o governo saiu na defesa [mas a gente tem que dar a entender que o governo está se defendendo dos constanes ataques, e que o gverno está sob intenso bombardeio com relação à política econômica!]de sua política econômica e afirmou que a meta do ano será cumprida.

Márcio Holland, secretário de Polícia Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou que a inflação está sob controle, vem caindo nos últimos quatro meses e deve continuar a trajetória no próximo semestre.

“O resultado só reforça a nossa avaliação de que a inflação está sob controle e teremos um índice dentro das metas anunciadas esse ano, dentro do intervalo de tolerância.”

“Trata-se de resultado da política econômica posta em prática pelo governo federal desde meados do ano passado para controlar a inflação”, afirmou Holland.[ou seja: tiramos desta notícia q a inflação está totalmente sob controle, e que o governo sabe muito bem do que está fazendo, e está fazendo tudo certinho – ainda que o certo seja errado, sob a perspectiva da Folha.]

Sobre desempenho da economia brasileira, a avaliação de Holland é de que de que o Brasil não é “exceção é regra” e está “em linha com o comportamento das economias mundiais”, com taxas de crescimento perdendo fôlego. [Algo me diz que holland não estava pensando na bunda do Bonner ao fazr tal avaliação, mas deixa pra lá]

(…)

Então, só pra eu não perder o hábito, lá vai:

PORRA, FOLHA! NUM TEM VERGONHA DE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, NÃO?!?!?! JÁ ENFIOU A CREDIBILIDADE NA PRIVADA E DEU DESCARGA, É?

Mazó: deu saudade de Estratégia do Caos. A letra tem tudo a ver com os dias de hoje:

A Estratégia Do Caos

RPM

A superfície aparente do olhar

Esconde um mar de lágrimas e estórias

De onde sereias parecem chamar

Há no ar, num ato qualquer

Um certo temor

Num segundo passa por nós talvez o amor

No pensamento em cavernas sem luz

Morcegos vêm e voam entre gritos

Antecipando a estratégia do caos

Há no ar, um ato qualquer um certo te…mor

Num segundo passa por nós talvez, o amor

Feito um pôr de sol em mim
Feito a vida chegando ao fim

Há um fim?

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Psicografando o Datafolha

julho 21st, 2014
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Como vocês sabem, eu sou dotada de superpoderes [pausa pra você rir]. Um deles é que eu consigo psicografar reuniões de pauta da Folha de SPaulo e do Datafolha [outra pausa pra você rir].

Pois então. Aconteceu assim:

Nego fechou os números do Datafolha e entrou em pânico.

– Assim não pode! Assim não dá! A vaca velha [eles se referem com muito carinho e deferência à presidenta Dilma Rousseff, sabe?] tá empatada com a SOMA de todo mundo, excluindo indecisos? A eleição periga fechar no primeiro turno! Chefe, o que que a gente faz?

– Ai, putaquepariu, esse Aécio tá foda, como é que o PSDB quer vencer com um zé ruela desses? Me dá esse papel aqui, deixa eu ver um troço… Aqui! Achei! Quanto é a margem de erro que a gente diz que pratica?

– Dois pontos percentuais para mais ou para menos, senhor…

– Então pronto! Taca 36% pro Aécio no segundo turno e já temos uma manchete! “Aécio empata com Dilma no segundo turno”

– Mas chefe! Periga não ter nem segundo turno porque a vaca velha empatou com a soma dos outros e…

– Esquece o primeiro turno! Vamos focar no segundo turno, Mané!

– Mas chefe, só tem segundo turno depois do primeiro e…

– DIZ QUE VAI TER SEGUNDO TURNO, PORRA!!! Daí todo mundo vai pro primeiro turno pensando no segundo!

E foi assim que o Brasil ficou sabendo dos resultados do Datafolha 24 horas depois do prazo combinado.

 

 

Hein? Você tá achando que essa história é mentira? Eu também.

Mas assim… certeza, certeza, eu não tenho, não…

#numpresto #valhonada

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Aluno: Rolando Lero / Tema da Redação: Programa de Governo do PSDB

julho 6th, 2014
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rolandoleroEu ameacei fazer isso em 2012 com os programas de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo, mas me enrolei e desisti.

Ontem eu abri o site do TSE e resolvi que não podia deixar de analisar o programa de governo dos PSDB. (clique no link  Aécio Neves da Cunha e na aba Propostas de Governo).

Antes que você prossiga: esta é uma análise de uma simpatizante do PT. Obviamente, a análise será parcial. Teje avisado e não me encha o saco, se continuar a ler estarás por tua conta e risco.

 

Enfim. Sabe quando você tem (tinha) que caprichar no trabalho final da escola pra passar de ano, mas você tá(va) pouco se lixando pra matéria, daí você faz(ia) um trabalho nas coxas, dando pouca atenção ao assunto?

Qualquer estudante conhece a receita: você copia(va) um monte de troço legal de tudo quanto é canto, mas não dá(va) a liga final no texto. O professor, óbvio, percebe(ia) suas intenções, mas ele tá(va) doido pra se ver livre de você, então te dá(va) uma nota qualquer pra você passar de ano?

Pois é. Cabei de descrever o plano de governo do PSDB, disponível no site do TSE. Sim, eu li tudo. De cabo a rabo. Não, não estou passando mal. O texto é bacana. Mal redigido, mas bacana. O problema é que o troço é um arrazoado de boas e teóricas intenções, que por vezes se tornam risíveis quando a gente pensa na prática dos governos do PSDB.

Como eu já disse, o texto é bem bacana. Tem um monte de propostas lindas e vagas. Mas metas, métodos, formas e maneiras de implementação de propostas? Virei, fucei, revirei, botei de cabeça pra baixo e sacudi. Encontrei nada.

Voltando pra metáfora do aluno ixperrto. Imagine que, além de querer se safar da matéria, o aluno em questão resolveu copiar o que o melhor aluno da sala está fazendo pra ver se consegue fazer que o professor lhe dê nota mais alta. Não entendeu a alusão? Traduzo:

– a expressão nos moldes aparece duas vezes, em alusão ao Minha Casa Minha Vida e ao Pronatec. No meio do texto, encontramos a sugestão de ampliação do programa Ciência sem Fronteiras
– A palavra aprimoramento surge em dois momentos, em ambos com complementos nominais diferentes: do modelo do Pronatec e do Enem.
– a expressão Manutenção e aprimoramento surge junto de Prouni e Fies.
– PSDB se garrô de amor pela expressão marco regulatório. Somando singular e plural, a bicha é citada sete vezes. No singular, são quatro vezes, para cuidar das regulações de Terceiro Setor, mineração, administração (no ponto de macroeconomia) e setor sucroalcoleiro. No plural, aparece em três momentos: regularização de imóveis ocupados por sem-teto, de maneira genérica no quesito empreendedorismo (Simplificação dos marcos regulatórios que impactam as atividades acadêmicas e empresariais de inovar e empreender.) e para regular o trânsito em pequenas cidades.

A receita da redação do texto é a seguinte:
1- um grande chavão que transmite uma verdade verdadeira e inquestionável
2- uma ou mais soluções vagas e inconsistentes para a questão.
Exemplo? Página 31, quando o texto fala de Ciência e Tecnologia:

A inovação é o grande agente que transforma conhecimento em riqueza. [1- chavão] Estabeleceremos programas que incentivem a pesquisa e a inovação nas empresas públicas e privadas, [2a- proposta vaga e inconsistente 1] e promoveremos a modernização e a celeridade no sistema de registro de patentes do País, via revitalização do INPI [2b- proposta vaga e inconsistente]. Apresentaremos proposta articulada no que virá a ser o Sistema Brasileiro de Inovação. [2c proposta vaga e inconsistente, que ainda cita a palavra-chave incluída no chavão que abre o parágrafo].

Então, faça o favor de estourar umas pipocas e pegar um guaranazinho, porque agora eu vou destacar alguns pontos das 76 páginas (é, eu li tudo isso. De nada.) do programa do PSDB.
A principal diferença entre o programa do PSDB e do PT está no seguinte trecho das respectivas redações:

(PT) – [o seguinte prograa de governo foi consolidado após um] processo de ampla consulta aos movimentos sociais e aos partidos aliados

Versus

(PSDB) – A elaboração deste documento decorreu do trabalho e da interlocução de inúmeros especialistas nas mais diversas áreas das políticas públicas

Eu tô até vendo a situação: a equipe do Aécio correndo atrás de especialista de tudo quanto é canto, pedindo propostas legais e bonitinhas para melhorar o Brasil na sua área de conhecimento. Conseguiram. É o tal do catadão de conteúdo maneiro em tudo quanto é canto que eu citei lá em cima.

Voltando ao nosso hipotético aluno ixperrto, ele está de posse de um conteúdo muito interessante, mas não sabe dar liga. Não sabe interconectar as informações. E isso fica bem claro no começo do texto, que não consegue se priorizar. Daí, o plano é dividido em diretrizes, e princípios, e políticas, e processos, e objetivos, e reformas…

E, como muitas sugestões se interligam, o aluno ixperto deixou bem claro que não conseguiu nem arrumar o texto de maneira complementar. Ficou tão perdido com tanta sugestão interconexa que organizou as diretrizes do governo em oito áreas, relacionadas em ordem alfabética.

ORDEM. ALFABÉTICA.

OK, houve um critério eleito. Mas é um critério que criou o seguinte mafuá:
1. Cidadania
2. Economia
3. Educação
4. Estado Eficiente [porque, né? Pra quê estado eficiente ficar dentro de economia?]
5. Relações Exteriores e Defesa Nacional
6. Saúde [depois de falar de exército e soberania nacional, vamos falar de dengue e genéricos…]
7. Segurança Pública [… pra logo a seguir voltar a falar de polícia. Superlógico! Só não percebe quem não quer!]
8. Sustentabilidade

Mais uma vez, o aluno não sabe dar liga, nem interconectar as ligações. Percebe a própria incompetência redacional. E aí, como proceder? Ah, a solução é facinha:

Estas áreas devem se integrar de forma holística, de maneira a se apresentar, ao final, um Plano de Governo que represente uma soma positiva de ações governamentais que se aliam na consecução do bem comum, e não um simples elenco de programas que não se conectam entre si [E antes de você se recuperar da gargalhada, o texto entabla a seguinte observação:] Deste modo, muitos dos temas tratados são repetidos em várias áreas, o que revela a sua prioridade e relevância. [Mas também revela ausência total de foco e capacidade de interconexão de trabalhos, né?]

Ah, deixa eu falar desse ponto da página 4! Propõe-se, especialmente, que haja ampla participação popular, através, inclusive, de mecanismos virtuais de participação, afirmou o candidato que quis censurar o Google.

 

Página 7 Assistência Social

neste tópico são aludidas as diretrizes relativas a diversas políticas públicas fundamentais para a
nação. Lindo, isso! O moço fez uma alusão! Corrida rápida no dicionário, para constatar que alusão = “referência vaga, de maneira indireta / avaliação indireta de uma pessoa ou um fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo”.
Então, tá.

 

Página 9, Combate à pobreza e desigualdade social

A pobreza vai muito além da ausência de renda Véi, se pobreza = resultado de desigualdade social, ela será sempre ausência de renda. Pobreza que vai além da ausência de renda é pobreza de espírito, cultural ou mesmo a pobreza da redação de um texto medíocre. #ficadica

[a pobreza é] um problema que mata todos os dias os sonhos e as esperanças de uma imensa parcela da população no Brasil” Nesse trecho, o aluno ixperto perdeu ponto no trabalho. Agarrou-se dicumforça no chavão a pobreza atinge grande parcela da população no Brasil e esqueceu-se de apertar o F5, pra descobrir o percentual atualizado. E ó: precisa nem de pedir ajuda aos órgãos governamentais. O PDF disponível neste link do insttuto IPC Marketing, dá conta de que pouco mais de 7 milhões de lares brasileiros pertencem às classes D e E. Num universo de 200 milhões de habitantes, considerando em média 4 moradores por domicílio, temos pouco mais de 10% da população em situação de pobreza. Imenso é um adjetivo pouco recomendado numa situação dessas, né?

 

Cultura, págs 10 a 13
Trecho mais vidaloka do texto. É um festival de robustecimento de protagonismo e fortalecimento de diálogo com as raízes que eu fui trocar o guaraná por cerveja pra poder acompanhar. Só pra vocês terem uma ideia:

Adoção do conceito de policentrismo, por meio da valorização de manifestações culturais regionais, no plano interno e, no plano externo, com robustecimento do protagonismo do Brasil, divulgando nossa cultura em suas diversas formas, como produto simbólico caracterizador de nossa singularidade.

 

Pág. 18 – Esporte e Lazer
Apoio a que os Jogos Olímpicos Rio 2016 sejam realizados em condições ideais de organização, mobilidade, sustentabilidade, hospitalidade e segurança e incentivo às equipes olímpicas e paraolímpicas
Aí eu me lembrei do “não vai ter copa” e melhor deixar pra lá, né?

 

Pág. 22 – juventude
Prioridade na redução da vulnerabilidade juvenil, mediante critérios objetivos e políticas integradas Aqui o moço abusou do direito de ser genérico no texto. O que diabos é uma vulnerabilidade juvenil? Em relação a quê? Por quê, onde, quando e como? Véi, explica melhor!!!

 

Pág. 23 – Mulheres
A questão das mulheres não é das mulheres, é dos homens também
Vou lembrar só da polhêmica do Tucanafro. Cerejinha do bolo: saber que a frase entre aspas é de dona Ruth Cardoso. [suspiro]. Logo abaixo, o texto fala da Transformação em realidade do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres [porque, né? Pra quê escrever aplicação, ou colocação em prática? Transformação em realidade é tão mais onírico, né?] garante a transversalidade de gênero entre ministérios. E mais uma vez a gente corre rapidinho ao dicionário pra descobrir que transversalidade = que cruza, atravessa, passa por determinado referente, não necessariamente na oblíqua em relação a ela. Ou seja: algo que não vai direto ao ponto, fica dando voltinhas.

 

Pág. 28 – Segurança alimentar e nutricional sustentável

Universalização do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo da população e para a produção de alimentos da agricultura familiar, de povos e comunidades tradicionais e da pesca e aquicultura, com prioridade para as famílias em situação de insegurança hídrica Você quer mandar beijinho pra quem? Ah, um beijo pra Sabesp, outro pro Sistema Cantareira e outro pro Aécio!

 

Pág. 34: Desburocratização – Simplificação

O capítulo de Desburocratização e simplificação é de uma contradição inacreditável. O texto diz que as pessoas têm que ter a vida simplificada, sem burocracias. E diz isso de forma repetitiva e burocrática, fazendo as pessoas lerem frases inúteis para a compreensão do texto:

Transformação do conceito de simplificação num valor permanente, observando sempre a possibilidade de melhorias contínuas. [OK, entende-se que a proposta é ficar o tempo todo em alerta para novas alterações] Trata-se de um processo de mudança contínua e, como tal, terá princípio e não terá fim. [e na frase seguinte eles repetem a mensagem da primeira frase.] Descomplicar o dia a dia das pessoas e das organizações reduz o desperdício de tempo e, consequentemente, os custos. [prefiro creditar esta última frase à zoeira. Melhor, né?]

(…)

Aumentaremos a confiança nas pessoas e nas instituições, valorizando e reconhecendo que a maioria das pessoas age corretamente, e responsabilizando claramente a minoria que age fora da lei[Percebe-se que o moço se perdeu bonito nessa hora, né? O_o]

 

No capítulo economia (assim como em todos os outros capítulos, diga-se a verdade) prometo não contar pra ninguém que o PSDB propõe fazer tudo o que o PT já faz (e bem), mas a imprensa diz que não faz ou faz mal. Oops, contei! /o\

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Chegamos à pág. 51 – Educação
Fortalecimento da Capes e de seu importante papel no apoio à pós- graduação e à qualificação de nosso sistema de ensino como um todo. [Por quê, onde e como vai se dar esse fortalecimento? Com quais objetivos? Quais as metas? Essas respostas, você NÃO VÊ no programa do PSDB].

 

Pág. 54 – Estado eficiente
Administração governamental:

Transformação das administrações governamentais, tornando-as mais leves, simples, transparentes e operantes, com foco e prioridade nas ações finalísticas e com eficiente coordenação intergovernamental. [OK, imaginei a administração governamental vestida com sapatilhas e um saiote de tule, lépida e fagueira, dançando a coreografia do Lago dos Cisnes. Mas parei nas ações finalísticas. Entendi BULHUFAS do que isso significa, mas parece ser um troço bem legal, porque leva a uma eficiente coordenação intergovernamental, um troço tão cheio de sílaba que parece ser importante.]

 

Pág. 55 – Defesa Nacional
Ampliação da coordenação entre o Ministério da Defesa, o Itamaraty e os órgãos de planejamento e gestão do governo federal em todas as dimensões de segurança, na construção de mecanismos de alerta e prevenção de conflitos, construção de medidas de confiança mutua, de cooperação com as nações amigas, de atualização tecnológica, de participação em organizações internacionais e de apoio a missões de paz em cumprimento a resoluções e iniciativas da ONU. [Mas véi, eles fazem isso desde que eles existem, caramba! E se eles não fizerem o trabalho empaca! O moço perdeu outro pontinho na redação!]

 

Pág. 55, Política externa
A política externa será conduzida com base nos princípios da moderação e da independência, que sempre nos serviram bem [Ah, isso aqui tá de bom tamanho! Não conseguimos nos desapegar… Vamos continuar usando, vai….]

 

Pág. 57
Revalorização do Itamaraty na formulação de nossa política externa, subsidiando as decisões presidenciais. É algo como dizer: O Hulk é atacante da seleção, sua função é pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Queremos uma revalorização do Hulk, na função de atacante, de maneira que sua função, reavaliada, seja pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Ou: não escreve seis, escreve meia dúzia! O_o

 

Pág. 60, Saúde:
Redução das grandes reclamações da população usuária dos planos de saúde, que representa 25% da população brasileira, com elevado número de insatisfações e com uma grande desigualdade no acesso e qualidade dos planos. Legal, isso. Eles propõem “redução da reclamação”. Olha, das duas uma: ou você vai ser proibido de reclamar, ou sua reclamação vai ser nem registrada. Aposto na segunda opção.

 

E chegamos aos últimos pontos da análise da redação do programs de governo do PSDB.

Pág. 64, segurança pública
Trataremos da Impunidade, através da proposição de uma série de reformas legislativas Lindo, não? Como vai se resolver a impunidade? Ah, a gente vai lá no congreço e propõe umas lei lá, e tá tudo resolvido… ainda bem que eles se autodenominam competentões, né? Magina se não fossem… O_o

Estabelecimento de políticas eficazes de combate à violência e à impunidade, com especial ênfase aos crimes violentos. De novo: Que políticas? Por que elas serão eficazes? Quais as metas?

Estímulo ao policiamento em áreas de intensa criminalidade Como assim, estimular? O fato de a área ser de intensa criminalidade já não se constitui um estímulo pro policiamento?

Isto posto, só me resta dizer que: no caso do hipotético trabalho de escola, o hipotético aluno pode ser aprovado pelo professor que quer se ver livre dele. Mas, no caso da real escolha do eleitor, cabe a este escolher quem de fato não entrou em campo pra enrolar na análise da situação e das propostas de governo. Fica a dica pros tucanos.
E ó, próxima vez procurem levantar direitinho o que o PT vem fazendo e o que não vem fazendo, sim? A maioria das propostas do programa dee vocês já vem sendo praticada pelo PT há 12 anos.

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Acredite: é melhor ser mais bem preparado do que melhor preparado

julho 2nd, 2014
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Tanta gente falando q a Copa do Brasil foi melhor preparada do que as Olimpíadas de Londres, e isso tá me incomodando tanto que eu vou ressuscitar este post de 2009 pra explicar pra vcs como e por que vocês ESTÃO ERRADOS, CACETE!

É MAIS BEM PREPARADO!!!!!

**********************************

 

Ah, a flexão de grau dos advérbios… ela te leva lá pra cima ou lá pra baixo num único movimento. E, quando as palavras melhor pior se metem no meio, aí é que o fenômeno do fez-se a bosta! ameaça com tudo.

Dizem que uma vítima recente do fez-se a bosta! nesse caso foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Parece que ele afirmou, num comício, que ele era melhor preparado que o Lula pra governar o país. Não encontrei nada no Google que me ratificasse tal afirmação, então não vou acusá-lo de mau uso da Líng…

Mas espere! Encontrei um discurso de 1988 do presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele diz que o Brasil estámelhor preparado para se posicionar no mundo. Mais uma vez vou abstrair as piadinhas óbvias (o Brasil consegue ficar de quatro mais rápido agora, né?) porque não quero tornar este caldeirão palco de manifestações políticas. A única a ser defendida aqui será a Língua Portuguesa. E os únicos a serem atacados aqui serão os que primeiro atacarem nossaFlor do Lácio.

Mas eu falava do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso. Tá lá na página 7, antepenúltimo parágrafo. Vamos analisar o dito. Pra isso, vou copiar o trechinho aqui:

Tenho consciência do que representa pedir um esforço maior de contenção. Faço-o para garantir a
estabilidade, com os olhos voltados para um futuro com maior segurança econômica, para um
Brasil ainda mais forte e melhor preparado para se posicionar no mundo.

Tenho consciência do que representa pedir um esforço maior de contenção. Faço-o para garantir a estabilidade, com os olhos voltados para um futuro com maior segurança econômica, para um Brasil ainda mais forte e melhor preparado para se posicionar no mundo.

Agora, vou copiar aqui o que a Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, do José de Nicola e do Ulisses Infante, tem a dizer sobre melhor pior:

As formas sintéticas melhor pior podem ser adjetivas ou adverbiais. No primeiro caso, referem-se aos adjetivos bommau; no segundo, aos advérbios bemmal. Observe os exemplos:

Era um jogador imprevisível: um dia, fazia o melhor passe da partida; noutro, a pior jogada do mundo!

Nesse caso, temos dois adjetivos, referindo-se a bom (passe) e (jogada), respectivamente.

Não estou melhor nem pior: continuo na mesma.

Temos, agora, dois advérbios, referindo-se a bem mal, respectivamente.

Note também que, quando adjetivos, melhor pior apresentam flexão de número (vão pro plural):melhores passes, piores jogadas. Isso não ocorre quando se trata de advérbios: não estamos melhornem pior.

Outra observação: diante de adjetivos-particípios, é recomendável o uso das formas analíticas mais bem e mais mal, em substituição a melhor e pior:

As crianças deste país deveriam ser mais bem alimentadas; aquele é o aviso mais mal redigidoque já li!

Oooooopa! Parece que o éfe agá (como diria o Veríssimo) escorregou no português, né?

Porque, se ele quis dizer que o Brasil já estava bem preparado (Em 1998? Ah, deixa prá lá!) para se posicionar no mundo (aliás, quem foi o infeliz que resolveu que é legal posicionar país, hein? Ah, deixa prá lá de novo!), ele deveria ao menos dizer que, com seu governo, o país ficou mais bem preparado pra se posicionar no mundo, né? Eu poderia terminar este post dizendo que, como isso não é lá verdade, ele formulou a frase em português errado.

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O dia em que a vírgula transformou um objeto direto em vocativo (ou quando ir é imperativo para dar)

junho 29th, 2014
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Tanto já se disse que faltou uma vírgula nessa frase, e nada se falou que, ao final dela, o ponto de exclamação é igualmente importante.

Mas vamos falar também sobre imperativos. Levanta a mão quem sabe conjugar verbo no imperativo sem consultar nada! (cri cri cri cri cri). OK, sabichões, refaço a pergunta: é “Ei, você, fica quietinho” ou “Ei, você, fique quietinho”? ARRÁ! (resposta no final)

Há muito o imperativo virou terra de Marlboro no Brasil. E antes que vocês comecem a levantar as bandeiras do mimimi falta educação mimimi o ensino de português mimimi os alunos mimimi educação fraca, eu lembro a vocês que no século XVIII (dezoito, não precisa contar os palitinhos, vai…), os escravos absolutamente analfabetos e absolutamente impedidos de ter acesso a educação de qualidade falavam “tu vais” e “vós ides”. E você aí, trezentos anos depois, que nem lembrava de vós ides…10457955_10204550457227768_1437035622529457480_n

Então, vamos parar com essa balela de “falta ensino de qualidade no Brasil”, porque o que está acontecendo é a constante mutação da língua diante de nossos olhos, bocas e ouvidos. Aceitem isso e parem de sofrer.

Mas eu falava do imperativo. Tenho que contar a vocês que outro dia eu peguei um livro de português brasileiro para estrangeiros, mó grossão. Não lembro do título, mas sei que era para o ensino de português para estrangeiros. Fui ver como se ensina imperativo aos gringos e fiquei de cara ao descobrir que o imperativo não é ensinado pra gringaiada. Tipos: “ó, não tem lógica, a gente não sabe como explicar pros gringos, então desistimos!”

Mas eu abri esse post aqui pra falar dessa imagem do Aécio. Na frase, o presidenciável era objeto de manipulação das vontades e ambições e desejos da irmã e PARA, BRUXA! direto. Com a vírgula, virou vocativo. E a frase ficou muito malcriada.

Em tempo: ao dizer “vai dar”, estamos dando a Aécio o tratamento de segunda pessoa (tu). Se recebesse tratamento de terceira pessoa, seria (de acordo com o dicionário Houaiss, que foi loucamente consultado por mim pra que eu pudesse fazer esse post, porque sou normal e não sei conjugar direito em modo imperativo) vá dar, Aécio!

E por favor, não se esqueçam do ponto de exclamação.

Agora, só me resta agradecer ao Eli Vieira pela obra de arte! <3

(* é ei, você, fique quietinha. Fica é conjugação de tu. Beijinho no ombro.)

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Adversários e adversativos

junho 6th, 2014
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Depois de ler o texto da Folha de SPaulo sobre o índice de inflação de maio, eu me dei conta de mais uma coisinha para além da questão do vírgula-mas: as palavras adversativo e adversário têm a mesma origem: contrário, adverso. Com o sentido dessas duas palavrinhas em mente, vamos ver o texto que a Folha cometeu sobre a informação:

  • inflação de maio 0,46% X 0,67% inflação de abril.

Então vamos começar a pensar: qual seria a melhor manchete para essa reportagem? Vamos listar algumas possibilidades aqui:

– Inflação cai em maio

– Inflação tem queda em maio

– Inflação tem menor índice desde setembro de 2013?

Er… não. O que a Folha fez foi

Alta de alimentos desacelera, e inflação recua para 0,46% em maio

Percebeu a canalhice? Então eu mostro. Deixa eu copiar a frase aqui pra destrinchar: Alta [A PRIMEIRA palavra do título é ALTA. Seu cérebro começou a subir escada ao ler essa palavra.] de alimentos desacelera [houve uma desaceleração da alta, ou seja, o negócio tá indo lá pra cima. Mais devagar, mas tá subindo.], e inflação recua [Na nossa caminhada escada acima, agora você começou a descer. Mas nem percebeu, porque recuar não tem a mesma força de cair ou descer, né? Além do quê, recuar pode ser dar uns passinhos pra trás para a seguir continuar no caminho pra frente] para 0,46% em maio [e voilà! Temos uma manchete que diz que a inflação caiu sem dizer que a inflação caiu. Lindo isso, não? NÃO, NÃO É!]

PEDRO SOARES [resolvi deixar o nome do cabra culpado por cometer esse texto]

Uma menor pressão dos preços dos alimentos [Se os preços estão fazendo menos pressão, eles estão menos pesados. Se eles não pesaram, ELES FICARAM MAIS LEVES? ORA, ENTÃO HOUVE QUEDA DE PREÇOS? o_O] assegurou uma freada [continuamos a medir o índice de putaria manipulação do texto: frear não é parar, é reduzir velocidade]  da inflação em maio.

O IPCA, índice oficial do país, ficou em 0,46%, abaixo do 0,67% de abril [CAIU, BRAZEEEWWWWW, A INFLAÇÃO CAIIIIIIIIIIUUUUUUUUU!!!], segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (6) [tá. agora me veio uma dúvida em relação á informação: já vi que os preços caíram. Mas por que houve essa queda? Isso é bom ou ruim? E o que vai acontecer daqui pra frente?]

É a taxa mais baixa para um mês desde setembro de 2013, quando esteve em 0,35% [oba! Então isso é bom! A inflação caiu! Vamos comemorar?], mas acima do esperado pelo mercado [não, porque o vírgula-mas ferrou com a sua felicidade]. O índice já vinha em tendência de declínio desde março[Mas isso é uma belezura! Temos uma informação que foi adversativada no vírgula mas, para em seguida ser desadversativizada na frase SEGUINTE!], quando bateu na taxa recorde para o mês –a mais elevada desde 2003.[e readversativizou-se em seguida! Isso é praticamente uma virada de 360 graus!]

Passada a pior fase da estiagem que marcou o verão o começo do outubro [esqueceram de revisar esse trechinho aqui. vou relevar], os preços dos alimentos cederam[OK, temos aqui que começou a chover, a produção agrícola de alimentos aumentou e o preço deles caiu], ajudados ainda pelo enfraquecimento do consumo diante do custo elevado da alimentação [e o texto ainda nos diz que o brasileiro comeu menos] e de uma renda que já mostra sinais de desaceleração.[e que a renda está caindo e oh, dia, oh, via, oh, azar, Lippy, isto não vai dar certo….]

O IPCA acumulado em 12 meses, porém, [É tanta conjunção adversativa que daquia pouco Folha vai se gramaticalizar e virar conjunção adversativa! A construção “ele é bonito, FOLHA está velho” vai substituir a construção “ele é mobito, MAS está velho!”] persiste em patamar alto. Analistas não descartam o estouro do teto da meta do governo (6,5% neste ano).[estouro do teto da meta: nego quer que vc suba as escadas, abra a porta do terraço e pule do alto do prédio].

(…)

Em ascensão desde janeiro[…. e pronto! Você voltou a subir a escada!], a taxa em 12 meses é a mais alta desde junho de 2013, quando bateu os 6,7%, e tende a manter uma trajetória de aceleração[vamos, vamos! Trate de acelerar o passo! Tem que subir mais rápido!], já que em meados do ano passado a inflação foi muito baixa, o que não deve se repetir neste ano.[A inflação foi muito baixa = só eu senti um certo nojo/desprezo por essa informação?]

[Agora observe a magnitude de uma construção adversativa de raiz: até a vírgula, a informação é positiva. Depois da vírgula, ela fica bipolarmente negativa. Acompanhe:] Há uma declínio previsto, mas não na mesma intensidade.[Agora pense: a inflação caiu em maio, os preços dos alimentos caíram, ano passado a inflação ficou muito baixa (por isso geral na imprensa resolveu atacar o pibinho) e este ano ela não deve crescer tanto VÍRGULA MAS mesmo assim deve ficar acima da meta. Gente, isso é torcer contra. Isso é ser adversário. E trabalhar o texto só com adversatividade.]

Oi? Jornalismo? Não, a Folha não trabalha com isso há muito tempo.

E ó: o Muda Mais também atinou pras mesmas coisas que eu…

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Sintagma nominal incompleto? Trabalhamos! O_o

maio 14th, 2014
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Tá, eu sei que você não faz a menor ideia do que seja um sintagma nominal – embora use o bichinho inúmeras vezes por dia. Mas calma que eu explico.

Sintagma é a mínima unidade de compreensão dentro de uma estrutura oracional. Tá bom, tá bom, eu sei que você continua boiando. Vem cá que eu te resgato:

Vou te jogar duas palavras:

Bolo             café

As duas fazem sentido? Quase, né? E se eu fizer assim:

Bolo DE café / bolo PARA O café

Brinquei com preposição e estabeleci uma conexão entre bolo e café. No primeiro caso, disse que um dos ingredientes que compõem o bolo em questão é café; no outro, disse que o bolo foi feito com a finalidade de ser comido com o café. E tudo isso eu fiz com duas palavrinhas xumbregas. Mas deixa isso prá lá. O fato é que eu apresentei a vocês dois sintagmas nominais (compostos por nomes, a quem você conhece como substantivos).

Mas, Bruxa, por que você tá falando de sintagma nominal? E quem deixou o sintagma nominal incompleto?
Para explicar isso, eu vou te dar duas frases:mantega

“A economia passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

E

“A economia INTERNACIONAL passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

Não creio, Bruxa! Quem fez um troço desses?

A frase de baixo foi proferida por Guido Mantega. E a frase de cima foi o que a Folha disse que o Mantega disse.

Sintagma nominal incompleto é o nome sintático dessa coisa. Canalhice, falta de vergonha na cara e manipulação de dados é o nome político que ela recebe ainda que a melhor classificação seja putaria.

Espero que a aula de hoje tenha ficado clara.

Pela atenção, gracta.

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O pseudossofrimento e a canalhice da imprensa

maio 6th, 2014
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A regrinha é: geral só lê o título. Foda-se o resto. Como se aproveitar dessa máxima? Assim, ó:

Vamos começar com a definição do verbo sofrer. E, por favor, especial atenção à definição nº 6:

sofrer

1 ( t.d.,t.i.int. ) [prep.: de, por] sentir dores físicas ou morais; padecer

    ‹ s. a dor da dúvida › ‹ s. por orgulho › ‹ a ciática fazia-o s. ›

2 ( t.d. ) ser alvo de (golpe, pancada etc.); receber, levar

    ‹ s. uma pancada na perna › ‹ na cadeia, sofreu sevícias ›

(…)

6 ( t.d. ) passar por, experimentar

    ‹ desde que foi formado, o grupo sofreu várias alterações ›

7 ( int. ) ter danos ou prejuízos; decair, degradar, perder

    ‹ com a falta de chuva, a agricultura sofre ›

Agora, leia o discurso da Dilma num evento na manhã de hoje:

Eu tenho certeza que o Brasil daqui a 3 anos o país será melhor que o de hoje, porque hoje eu já tô sofrendo, ou melhor, me beneficiando das decisões tomadas no período Lula

OK? Entendeu? então, vamos ao chorume. Primeiro, blog do Josias de Souza:

josias

E o Uol Mais:

uolmais

 

E o UOL Mais ainda teve a PACHORRA de cometer este texto aqui:

No lançamento (…) a presidente Dilma Rousseff cometeu uma gafe ao dizer que estava “sofrendo” das decisões tomadas no período Lula. Dilma prontamente se corrigiu e afirmou que estava se “beneficiando”.

Nota-se que:

1- Josias nem se deu ao trabalho de escrever nada. Apenas mandou o título e apertou o “publicar”

2- O Uol Mais ainda enfiou uma legendinha descritiva safada.

3- Ambos sabem que quem vir esses posts vai apenas ler o título, e vai ficar o peso negativo da palavra sofrer, sem nem se darem conta de que em determinadas situações (como o discurso da presidenta), é possível usar essa palavra de forma positiva.

E outro dia mesmo meu professor tentava se lembrar de um exemplo de verbos com tipologia semântica benefactiva….

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Sabe de nada, inocente! – a análise sintático-semântica

maio 4th, 2014
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cumpadiNuma época em que Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino são o que de melhor a direita produz, e Valesca Popozuda é citada como pensadora numa prova de filosofia – e taí Shoppenhauer pra confirmar o fato- nada melhor do que usar Compadre Washington para dar aula de gramática.

A frase Sabe de nada, inocente! já virou febre. Mas você sabe analisar sintaticamente essa frase? Qual o sujeito? E qual a função sintática da palavra inocente?

Tragam a pipoca, amebas, pois a bruxa vai explicar tudo!

Vamos lá:

o que a flexão verbal sabe nos diz a respeito dela?saber

Tio antônio, Houaiss, ajuda por favor?

 

Então, já dá pra ver aí do lado que sabe é a forma do verbo saber no presente do indicativo,
3ª pessoa do singular. Então, se você consegue identificar ou recuperar  quem praticou o verbo a partir da conjugação dele, você tem um caso típico de sujeito oculto.

Mas espere! Cabem dois sujeitos nessa interpretação! Ó só:

(Ele) sabe de nada, inocente!

ou

(Você) sabe de nada, inocente!

Afinal de contas, você também é conjugado na 3ª pessoa do singular, né?

E é esse o pulo do gato pra responder a função sintática de inocente. Vamos acompanhar:

Antes de mais nada, vamos falar de duas funções sintáticas acessórias (portanto, dispensáveis para a completa compreensão do enunciado do verbo) que a gente vê na chulapada, o aposto e o vocativo.

aposto serve pra explicar ou esclarecer algo a respeito de um dos citados na frase, por assim dizer. Exemplo:

A Madrasta do Texto Ruim, a @bruxaod do Twitter, está dando uma aula sobre aposto e vocativo.

A Madrasta do Texto Ruim, mãe do Thiago, vai dar banho no filho daqui a pouco.

O Thiago vai tomar banho com sua mãe, a madrasta do Texto Ruim.

 

Já o vocativo serve pra chamar ou citar nominalmente a pessoa a quem você se refere, e geralmente vem seguido de um imperativo. Exemplo? Ah, pensa na sua mãe:

José Henrique da Silva Costa, venha já aqui!

Thiago José, eu não mandei ir tomar banho?

E lembre-se de que o vocativo também vem antecedido da interjeição Ó, como vocês podem ver nessa historinha aqui triste pacas!

Agora que a gente já se lembrou do que é aposto e do que é vocativo, qual a função sintática de inocente?

Arrá!

Acompanhem meu raciocínio:

Se assumirmos que o sujeito oculto é você, então temos uma frase em que Cumpadre Washington dirige a palavra á sua pessoa. Então, inocente é vocativo. Acompanhe:

Inocente, você sabe de nada…

Por outro lado, se assumirmos que o sujeito oculto é ele, temos uma frase em que Compadre Washington comenta com uma pessoa a respeito de uma terceira pessoa.  Portanto, não tem a quem chamar/convocar. Então, inocente é a explicação a respeito dessa terceira pessoa de quem Compadre Washington fala. Ó só:

Ele sabe de nada, inocente….

Então, temos uma análise sintática que vai depender do contexto. Se tomarmos como único o contexto do comercial,

então, ele se dirige ao marido.

sujeito = oculto (você)

inocente = vocativo.

E obrigada a Cumpadre Washington por tirar meu blog do marasmo!

Se vocês quiserem tentar explicar o slogan a cada um minuto quatro coisas vendem fiquem à vontade. Eu tenho algumas teorias a respeito (reparem que, em se tratando de língua falada, a gramática passa A QUILÔMETROS DE DISTÂNCIA, né?)

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