Arquivo pela categoria 'Mamãe, eu sei escrever'

O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

segunda-feira, abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! :P

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

abrehaddad

De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[...e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[... menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda...] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora...] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante...]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso...]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d'água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV'ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o "obra de vulto". Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: "Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela" <-- ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro... tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí...]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 

Jogo dos erros – agora com os erros destacados

quinta-feira, abril 11th, 2013

A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso.

Então, vamos usar essa excrescência (<– atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia.

Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que o Feliciano cometeu 

Encontrem abaixo os erros de português cometidos pelo sujeito que ousa usar o nome dum cara tão genial quanto Jesus Cristo para… (ah, vocês sabem pra quê!)

 

Mais tarde eu comento aqui os absurdos desse texto – E OLHA QUE EU VOU ME ATER TÃO SOMENTE À GRAMÁTICA E À ORTOGRAFIA, HEIN?!?!

PastorFelicianoBatalha

1- Não existe verbo ensinuar. O que existe são os verbos:

Insinuar

verbo bitransitivo e pronominal
 introduzir(-se) devagar e com cautela
Exs.: insinuou-lhe um sonífero no chá;  insinuava-se entre as árvores para vê-la banhar-se

transitivo direto, bitransitivo e pronominal
fazer penetrar ou penetrar de forma gradual e sutil (no espírito, na mente)
Exs.: i. uma doutrina satânica (na mente das crianças); a dúvida começava a i.-se em sua mente

transitivo direto
deixar que se perceba sem expressar claramente; dar a entender, sugerir Ex.: i. uma acusação

(ui! Tio Antônio só pensa *na-qui-lo*! :D )

E

Ensinar

verbo
transitivo direto e bitransitivo
repassar ensinamentos sobre (algo) a; doutrinar, lecionar
Ex.: e. português (a estrangeiros)

transitivo direto e bitransitivo
Derivação: por extensão de sentido.
transmitir (experiência prática) a; instruir (alguém) sobre
Ex.: o trapezista deve e. sua arte (ao filho)

bitransitivo
mostrar com precisão; indicar
Ex.: ensinou-lhes o rumo a tomar

transitivo direto
reinar (animal); adestrar
Ex.: e. um cão

intransitivo
dar aulas
Ex.: nasceu para e.

 

2- Palavras proparoxítonas, ou seja, que têm como tônica a terceira sílaba contando de trás pra frente (também conhecida como antepenúltima), são todas acentuadas, sem exceção. Como a palavra lésbicas. Que não foi acentuada pelo sujeito que cometeu esse texto.

 

3- Vamos aproveitar o chorume daí de cima para algo útil? então, vamos apresentar aqui as regras para hífen definidas no Novo Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. O segredo a guardar é: letra igual e agá. Só nesses casos a palavra leva hífen. Mais detalhes neste post aqui.

No caso da palavra composta pelo prefixo bi (dois) + sexual (referente a sexo; praticante de sexo) , o prefixo termina com uma letra diferente da que inicia a palavra à qual ele vai se ligar. Portanto, não há hífen, o prefixo se liga automaticamente à palavra formando um novo vocábulo. Mas note: todos os ajustes necessários, como dobrar érres e ésses quando necessário (CASO DE BISSEXUAL) devem ser aplicados ao novo vocábulo. Ou isso ou você deve ler bisexual como bizequissual). enfim, não.

 

4- A palavra política, proparoxítona, é obrigatoriamente acentuada; família, paroxítona terminada em ditongo decrescente (duas vogais: a primeira muito bem falada, a outra quase sumida na pronúncia) também é acentuada.

 

5- afim escrito assim, junto, significa semelhante, parente, ou qualquer coisa que tenha afinidade (lembra do Big Brother que você nunca mais esquece!); a fim, escrito separado, significa “com o objetivo de“, “com a finalidade de” ou simplesmente “para“.

 

6- O trecho (…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate, não deixe de participar, traga sua opinião se escrito fosse por alguém com um mínimo de intimidade com os sinais de pontuação, ficaria assim:

(…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate -PONTO. Não deixe de participar-PONTO DE EXCLAMAÇÃO! Traga sua opinião -PONTO DE EXCLAMAÇÃO!

 

7- ele não deveria ter nascido. <– questão desclassificada, posto que eu prometi me ater apenas às questões ortográficas dessa excrescência em forma de texto.

Conclusão:

foto (7)

 

O poste mais lindo do Brasil não entende a diferença entre o texto pra ser lido em silêncio e o texto pra ser falado. Mas eu explico! ♥

segunda-feira, outubro 29th, 2012

(e de lambuja procêistudo o pai e o filho lheandos! :D )

 

Ainda extasiada com a vitória de Fernando Haddad, o poste mais lindo que Lizinácio já ergueu neste país (#numpresto), soprei e bufei de raiva com o discurso da vitória que ele leu (Sua bruxa feia! Rouba o texto na cara dura do blog da linda da Denise Queiroz e nem tchuns pra agradecer a zifia? Já pro castigo! Denise, sua linda, obrigada por postar o texto que eu roubei sem nem lhe pedir permissão! :P )

Vamos combinar: de que adianta usar um teleprompter transparente à la Baracão Obama se o texto é mal produzido?

Não vou dizer que o texto é mal escrito, pois isso seria injustiça. Ele está bem redigido, sim, senhor! Só que, pro propósito dele (ser um texto falado, como se não estivesse sendo lido), falhou retumbantemente.

Mas não se preocupe, Haddad! Eu vou dar uma mexidinha aqui e outra acolá (porque seu texto não carece de ser exorcizado), e ele vai ficar nos trinques pra ocasião!

Reparem no que eu vou fazer, com um único objetivo: deixar o texto informal como uma fala cotidiana (vou nem mexer na correção gramatical, como alguns devem estar pensando).

A ver:

 

Minhas amigas e meus amigos. Agora eu sou o prefeito eleito de São Paulo, graças à  Pela vontade soberana dos paulistanoseleitores daqui, sou agora o prefeito eleito de São Paulo. Uma alegria imensa e uma enorme responsabilidade enorme tão brigando por espaço aqui dentro do meu peito agora. dividem espaço no meu peito. Mas o sentimento mais forte, porém, é de gratidão.Quero agradecer em primeiro lugar aos milhões de homens e mulheres que me confiaram o voto. Minha família, minha mulher Ana Estela, minha filha Carolina e meu filho Frederico, que fizeram muitos sacrifícios para me ajudar nessa jornada. Quero agradecer do fundo do coração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viva o presidente Lula!

Agradeço ao presidente Lula do fundo do coração ao Lula pela confiança, orientação e apoio, sem os quais seria impossível eu lograr qualquer êxito[PORRA, HADDAD!!! LOGRAR ÊXITO, HADDAD!?!?!?] conseguir qualquer forma de sucesso nessa eleição. Quero agradecer uma outra [#PORRAHADDAD nº 2: ou é uma, ou é outra! Uma outra, não, cacete!!]  grande liderança nacional, a presidenta Dilma Rousseff. Agradeço à presidente Dilma pela presença vigorosa na campanha desde o primeiro turno. Pelo estímulo pessoal e o conforto nos momentos mais difíceis dessa campanha.

Quero agradecer os partidos coligados do primeiro turno, nos quais sintetizo minha homenagem na com um agradecimento especial à  figura valorosa da companheira, minha vice, Nádia Campeão. Quero agradecer aos apoiadores que ampliaram nossa corrente no segundo turno, nos quais sintetizo minha homenagem e meu agradecimento nas figuras do  com um agradecimento especial ao querido deputado Gabriel Chalita e ao vice-presidente Michel Temer. Muito obrigado presidente Michel Temer. [sintetizo a homenagem?!!?!?!?!?! Isso é coisa de uspiano, é?!?!!? O_o E a faculdade de Letras da USP? Tá sabendo disso?]

Quero fazer meu agradecimento muito especial ao meu partido, Partido dos Trabalhadores. Partido que se lançou de corpo e alma nessa luta pacífica em favor do povo de São Paulo. Como seria impossível nomear milhares de colaboradores diretos, sintetizo meu agradecimento e minha homenagem na figura  que todos se sintam agraciados com minha homenagem à figura decisiva e equilibrada do meu coordenador Antonio Donato.[baixou um exú-químico nesse texto que resolveu sintetizar homenagens e agradecimentos, é?!?!?! O_o]

Quero agradecer a todos, quero agradecer por último, mas não menos importante, a todos meus opositores que me obrigaram a extrair o melhor de mim nessa campanha para que eu pudesse superar a eles poder superá-los em uma disputa limpa e democrática. A todos indistintamente o meu muito obrigado.

Fui eleito pelo sentimento de mudança que domina a alma do povo de São Paulo. Sei da enorme responsabilidade de todos que são eleitos pelo signo da mudança. Ser eleito pela força da mudança significa não ter tempo a perder. Não ter medo de enfrentar, nem ter justificativas a dar para tornar esse sonho realidade. Significa não ter paciência e não pedir paciência. Antes de tudo, traçar prioridades e unir a cidade em torno de um projeto coletivo, de todos os paulistanos, de todos os moradores de São Paulo.

Meu objetivo central está plenamente delineado [que foi? cê tá esperando eu reclamar desse plenamente delineado?!?!?! Inda tô passada com a sintetização de agradecimentos, me deixa....], discutido e aprovado pela maioria do povo de São Paulo. É diminuir a grande desigualdade existente emna nossa cidade, é derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica e a cidade pobre. Somos uma das mais ricas e ao mesmo tempo uma das mais desiguais do planeta. Não podemos deixar que isso siga assim por tempo indeterminado, exatamente no momento em que o Brasil vem passando por uma das mudanças sociais vigorosas do mundo. A prefeitura tem um papel importante nisso, pois é elaporque é ela quem vai cuidar que cuida da oferta e da qualidade de alguns dos serviços públicos mais essenciais como a saúde, o transporte, a educação, a habitação, entre outros[ <--- típica muleta de autor de teses e dissertações. o entre outros é genérico e avisa nas entrelinhas: eu posso ter esquecido de enumerar alguma coisa, viu, banca examinadora, mas essa alguma coisa não deixou de ser mencionada! Haddad, seu lindo, use isso só quando for escrever pros seus confrades uspianos, sim? beijinhos!!]

Melhorar esses serviços é também uma forma concreta de distribuir renda, diminuir os desequilíbrios, aumentar e garantir a paz social. Sei que essa não é uma tarefa fácil, dada a complexidade dos problemas que vêm se acumulando nos últimos anos. Mas se São Paulo não conseguir resolver seus problemas, que cidade no Brasil e no mundo conseguirá fazê-lo [Haddad, seu lindo, uma dica da bruxa: futuro do presente e ênclises, próclises ou mesóclises só devem ser usados em textos que não são falados. Neste caso aqui, um texto pra parecer fala natural, você deveria ter escrito assim:] que cidade no Brasil ou no mundo vai conseguir fazer?

O fracasso de São Paulo seria o fracasso desse genial modelo de convivência que a humanidade desenhou ao longo dos séculos para sobreviver e ser feliz. Essa invenção insuperável do gênio humano, que se chama cidade.As cidades foram inventadas para unir, não para desunir. Proteger e não fragilizar. Acarinhar e não violentar. Para dar conforto e não sofrimento. São Paulo tem seus grandes problemas, mas tem e terá as próprias soluções. O Brasil moderno nasceu aqui e o surpreendente Brasil do novo milênio também estará está  aqui. Se corrigirmos nossos erros, se superarmos a inércia, se quebrarmos o imobilismo, e se recuperamos a alma criativa e o espírito de empreendedorismo que sempre foram a marca de São Paulo.

Se considerarmos que o texto está genérico até não poder mais, mas:

- não abusa de clichês ou de lugares-comuns, 

- traz um bom arrazoado de boas intenções

- conclama os cidadãos à união 

Parabéns, Haddad, seu texto ficou muito bom. Mas ponha reparo nesses microdetalhes de estilo, sim?

E desde já me ofereço pra canetar seu discurso de posse! PELO AMOR DE DEUS!!!

Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada - quemcossô? oncotô? Proncovô?)

Inimiga da HP

quinta-feira, outubro 18th, 2012

Daí o estagiário da HP foi mexer na página que recompensa quem compra cartuchos originais da empresa pra suas impressoras.

O chefe disse “troca recompensa por prêmio, que fica mais claro”.

… e fez-se a bosta:

 

Resultado: eis aqui mais uma inimiga da HP – E PAGODEIRA É A MÃE!!!

A Língua de Eulália – o livro é chato, mas o tema é muito importante!

quinta-feira, setembro 13th, 2012

Fiz essa resenha como trabalho de Linguística. Mas comecei a discutir o assunto no Twitter, e resolvi trazer esse texto à tona.

Desafio você, aluno ixperrrto, a copiar este texto e entregar ao seu professor. Vais ver porque eu sou uma bruxa…

Enfim. A ideia (que falta que faz esse acento…) é a seguinte: mostrar ao público leigo que frases como os livro é bonito ou pronúncias como trabaio não são português errado, mas variação de uma língua cuja evolução do Latim não se estagnou, ainda prossegue – e é consequência de um país de dimensões e culturas continentais.

O assunto é sério, e rende pano pra manga, discussão, polêmica, quiproquós e tudo quanto é expressão clichê pra designar arranca-rabos de grande magnitude. Que o digam o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o livro didático Viver Aprender, lançado por seu Ministério no ano passado.

O sentido de falar certo e falar errado está mais do que arraigado no subconsciente dos brasileiros e, sem que as pessoas percebam, é uma forma de expressar preconceitos outros: de classe, de raça, geográficos…

Há quem tenha calafrios ao ouvir a frase já citada: os livro é bonito. “A regra é clara”, diriam os arnaldos césares coelhos da Língua Portuguesa: todas as palavras flexionáveis da frase devem concordar em número entre si. Portanto, artigo, substantivo, verbo e complemento nominal devem obrigatoriamente estar todos ou no singular ou no plural. Caso contrário, é errado. O corretor gramatical do Word é minha prova de que até softwares são adestrados a identificar os livro como errado, pois todas as ocorrências da citada expressão neste texto foram sublinhadas em verde pelo programa.

Mas com um pouquinho de metodologia percebe-se na frase errada um critério, uma norma: só a primeira palavra do sintagma ganhou um ésse, e isso já basta para transmitir a informação de plural. Regra diferente, e que é seguida, ainda que instintivamente, de norte a sul deste país, por quem fala português errado. É o que os linguistas chamam de variação linguística. Não caracteriza erro ou ignorância, apenas o emprego de regras outras. A mensagem é transmitida com perfeição do emissor ao receptor, sem ruídos.

Da mesma forma, pronúncias como trabaio, abeia, cuié ou fia estão longe de serem erros ou ignorâncias. Com iguais critérios científicos de análise linguística empregados no raciocínio anterior, é possível perceber que tais pronúncias são explicáveis com palatos, línguas e todas as partes do sistema do corpo humano usado na produção de fonemas e sons de letras e de onomatopeias. E, com um molhinho extra de comparação com outras línguas que, assim como o português,(atenção, professor! se você está lendo estes parênteses, é porque seu aluno copiou um texto da Internet de terceiros e apresentou como se fosse dele, sem nem se dar ao trabalho de ler a bagaça toda! Zero no meliante!)  tiveram seu ponto de partida no Latim, nota-se que essas pronúncias erradas são, na verdade, uma pronúncia quase igual à francesa para essas mesmas palavras: travaille, abeille, cuiller, fille.

Que coisa mais fascinante! – deve pensar o leigo que porventura vier a ler este texto. Mas como fica o ensino da Língua Portuguesa a partir dessa tese? – retrucará em seguida esse mesmo leigo hipotético que me permitiu o uso do verbo retrucar.

Simples: o professor usa em aula as duas variações do português (padrão e não-padrão), evidencia suas diferenças e avisa aos alunos o tempo todo: o português não-padrão não é bem visto por todo mundo. Por fim, fará seus alunos entenderem que é importante usar o português padrão em textos escritos, provas oficiais, tribunais e locais onde se exige mais formalidade por parte dos frequentadores.

Ah, então tá bom! Então, vamos disseminar essa tese, certo? – concluirá o leigo hipotético.

Aí a coisa começa a pegar. Para divulgar essa tese importante, Marcos Bagno – que não é um cara qualquer, trata-se de Linguista e professor do Instituto de Letras da UnB – resolveu fazer “uma novela sociolinguística”. E escreveu o livro A Língua de Eulália, em 1997.

Todo brasileiro que se preza, ao ler a palavra novela logo pensa em enredos e tramas típicas de telenovelas. Mas há quem se lembre de alguma coisa de gêneros literários (assunto de aulas do segundo grau), e que o gênero telenovela está mais para folhetim do que para novela.

Na era do Google, o sacrossanto site de buscas resolve a dúvida, e nos leva a dona Wikipedia: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens.”

Se dona Wikipedia está certa, então A Língua de Eulália pode ser tudo menos uma novela. Porque de uma coisa enredo e personagens da história de Bagno definitivamente não foram vítimas: de desenvolvimento.

O livro conta uma história chata, arrastada, modorrenta, por vezes pedante. E utiliza-se, para isso, de personagens chatos, insossos, que chegam do nada e levam a história a lugar nenhum, e aparecem no livro para se reunirem em “interessantes” (boceeeeeeeeejo) aulas de português.

E o que dizer da personagem principal, Eulália? Nada, absolutamente nada. Contei menos de cinco falas de Eulália em toda a trama, todas dispensáveis para a condução do enredo.

Na verdade, estou em dúvidas. Eulália é personagem principal ou desculpa do livro? A história desenvolve-se sem que sua participação seja decisiva para o enredo (talvez isso faça de Eulália a personagem com mais empatia em toda a trama).

Em suma: a história prende pelo conteúdo e não pelo formato. O leitor só chega às últimas páginas do livro caso se atenha às ideias de variação não-padrão do português, defendidas pela doutora em Linguística Irene a sua sobrinha e amigas.

Creio que A Língua de Eulália seria muito mais interessante se fosse um folhetim sociolinguístico, e contasse, por exemplo, as agruras e sofrimentos da heroína Eulália, uma trabaiadora no ramo de curtura di abeias que é vítima dos ricos e poderosos que caçoam da forma como ela fala. Se Bagno explorasse a noção de português padrão e português não-padrão por meio de conflitos de classes e geográficos, a história talvez fosse menos modorrenta.

Mas o mais gritante foi ler, na edição de 2011 do livro, as observações do autor a respeito de sua obra, passados 14 anos da primeira edição. Na página 212, Bagno afirma:

Todos os aprendizes devem ter acesso às normas linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea (…)

E, na página 213, completa:

(…) constitui um atentado aos direitos do cidadão continuar a prescrever, como únicas corretas, regras gramaticais que entram em flagrante conflito com a intuição linguística do falante e que não correspondem ao estado atual da língua, nem sequer em seus usos escritos mais formais.

O leitor leigo (público-alvo do livro) pode entender uma contradição nesses dois trechos. E o leitor mal-intencionado (aqueles que defendem que dizer os livro é bonito é coisa do Lula pra impor seu falar errado aos brasileiros estudantes) vai encontrar contradições e vai trabalhar esses dois trechos com o lado negro da força.

É necessário um semestre inteiro de um curso de Linguística para entender que os dois textos não são contraditórios, mas complementares.

A meu ver, Bagno deve urgentemente reescrever essas duas páginas de forma a deixar suas ideias mais à prova de contradições. Pensando bem, se der pra refazer tudo para dar mais vida aos personagens, a história vai ficar melhor…

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Tragédia, homofobia ou redação de merda mesmo?

sexta-feira, fevereiro 24th, 2012

Aí você lê um troço desses e começa a elucubrar o que realmente aconteceu:

1- Quem morreu no Hopi Hari foi um travesti

2- Quem causou a morte no Hopi Hari foi um travesti

3- @ culpad@ pela morte no Hopi Hari foi um@ travesti

4- A morte do Hopi Hari foi encomendada a um travesti, que falhou na missão

5- A morte se fantasiou de travesti e foi passearno Hopi Hari

6- Um travesti tentou acertar a Morte no Hopi Hari

7- Uol refere-se a travestis de forma politicamente incorreta

8- O redator das chamadas do Uol falhou vergonhosamente na redação desse texto

 

Nessas horas eu sempre me lembro desse trechinho do Pica-Pau:

Oi? quem disse?

Abram alas para a clichetaria aeciana!

segunda-feira, fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<-- típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: "ao toque do tamborim" é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver...] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com "ao toque do tamborim" e lá pelas tantas traz um "no fundo da alma de folião". De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os "sobre" são substituídos por "acerca de"? Ó, alguém avisa pro Aécio que "acerca de" cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó...], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo - mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 

Tá “difícel”, viu?

quinta-feira, fevereiro 16th, 2012

[suspiro]

[suspiiiiiiiiiiiiiiiiiro]

Daí que um telejornal do sul de Minas, de uma afiliada da Globo, fez uma reportagem sobre as dificuldades do ensino e da aprendizagem do português. Até aí nenhuma novidade. Nenhuma novidade MES-MO.

A coisa começou a degringolar quando a reportagem subiu pro site do G1. Quem alertou a coisa foi o Maurício Ricardo. Ponham reparo:

Vocês não repararam nada? Mas nada mesmo?

Então, tá bom. Foi falta de oração aos deuses do print-screen. O título já foi alterado.

Mas espere! O título original deixou marcas no nome da página!

Agora reparem no título original da matéria, lá no nome da página. Peraí que eu ajudo.

É. Pois é. O aprendizado do português é muito difícel, né?

/o\

(P.S.: Turma grande é desculpa esfarrapada pra profissional incompetente. A tia Tereza, minha professora da terceira série, dava aula pruma turma de quase 40 crianças, e ensinou o modo indicativo direitinho a todo mundo! Incompetência profissional e desinteresse pelo bom desempenho dos alunos explicam a coisa muito melhor! E fiquem à vontade pra me xingar! Em março eu começo minha licenciatura em português pela UnB!)

G1, sempre inovando, apresenta um novo conceito em psicografia

quinta-feira, fevereiro 9th, 2012

Fui alertada desta coisa aqui pelo Ednaldo Macedo no Twitter.

Agora me diga o que você pensa ao ler este título:

 

 

1) O bombeiro ficou preso na gravação

2) O deputado é paranormal

3) O deputado é médium

4) O deputado invadiu a gravação pra falar com o bombeiro

 

 

Não sei quanto a vocês, mas textos assim sempre me remetem a esse trechinho do Pica-pau:

Porque, né?

Aí você começa a ler o texto sem se saber se trata de casos de paranormalidade ou de incêndios ou de sei lá o quê. E se depara com este primeiro parágrafo:

O cabo Benevenuto Daciolo foi preso no fim da noite desta quarta-feira (8) [Hummm... ele foi preso, do tipo detido e levado em cana? Não ficou aprisionado em nenhuma gravação em virtude de algum mirabolante feitiço legislativo do deputado em questão? Ah ,então tá!] ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Daciolo estava em Salvador, onde participava das negociações sobre a greve na Bahia. A prisão administrativa foi decretada por 72 horas. 

Tá. Mas a gravação entra naonde na história?

Só o terceiro parágrafo esclarece:

O cabo foi flagrado em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça

Então tá. Mas cadê o deputado do título, por Tutátis?!?!? Temos que chegar ao SEXTO PARÁGRAFO da matéria pra entender quem é o zifio deputado. Espiem:

Hoje o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB), de São Paulo, informou ao jornal O Globo que era ele o interlocutor de Daciolo na gravação

Tipos: o sujeito é citado no TÍTULO e só vai reaparecer na matéria SEIS PARÁGRAFOS DEPOIS?!?!?!!?!?

O lead saiu de moda e ninguém me avisou? O que o substituiu? Talvez o vô enfiá o que eu quiser na ordem em que eu bem entender style?

E NAONDE que lead fora de moda permite a criação de títulos desinformativos?!?!

Aê. G1, o que vocês têm contra o título

Arnaldo Faria de Sá (PTB) é quem conversa com cabo Daciolo em gravação 

Cadê jornalismo?

Cadê clareza?

Cadê concisão?

Cadê texto esmiuçado?

Oi? Quem disse? Eu disse!

Da série “calo-me”

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

Preciso dizer marnada.

OK, digo sim: peguei essa tetéia no Facebook do Fernando Andreazi Neto. Kibada portuguesa: copio, colo cito a fonte e dou o link pro original!

Falar o quê mais?

segunda-feira, fevereiro 6th, 2012

Daí que eu encontro no twitter link pro blog do Lino Bocchini, aquele terrorista difamador de jornal impresso ;) , falando do rebolê de números no texto da Folha de SPaulo de hoje. Lino contava que a Folha deu um duplo twist carpado numérico pra não dizer que perdeu mercado prum jornal popular de minas etcetcetc pereré pão duro. Li o texto do Lino, e (claro) corri pro site da Folha pra ler a reportagem (sic) com os próprios olhos.

E olha, eu até ia mencionar a rebolança com números e o desprezo infantil pelo jornal mineiro, coisa e tal, mas fui surpreendida por um ectoplasma suíno dos bons nos comentários da Folha.

Depois desse comentário, nada mais que eu ou qualquer outro crítico da Folha diga, com ou sem embasamento, fará sentido. Portanto, aplausos para o zifio daqui de baixo. A observação foi épica! \o/

 

Continue assim, Zifio! E que Nossa Senhora da Coerência Textual lhe ilumine os caminhos de forma magistral!

Eu poderia terminar com um PORRA, FOLHA! Mas carece, não. Só quero um cafezinho agora… :D

Aveia Quaaaaa, ou Por que eu não conhecia isso?

sábado, janeiro 7th, 2012

Do Facebook do Leandro Fortes, mais precisamente aqui.

O lugar-comum da solidariedade de uma típica socialite (ou: numpresto!)

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Vocês sabem que eu não presto e não valho nada. Por isso mesmo tava lendo a nota de pesar do PC do B pelo falecimento do camarada King Jong pai e não pude me furtar a imaginar como seria uma carta de solidariedade escrita por uma socialite, por exemplo.

Vou brincar com os chavões clássicos de cada universo (o dos comunistas e das socialites) pra tentar provar a vocês de uma vez por todas que o uso excessivo do lugar-comum cai no ridículo. À esquerda, por questão de coerência, o texto comunista; à direita, a versão socialite pesarosa. Divirtam-se! :D

Estimado camarada Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia  Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. 

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011

 

Querido Kim jong Un
Queridos e Exclusivos integrantes de família da Alta Sociedade da CoréiaFiquei passada com a notícia de que seu querido pai, o tradicional membro da sociedade Kim Jong Il, orgulhoso pai de importante família da alta sociedade da Coréia, faleceu há alguns dias. Espero que sua alma esteja bem entregue nos braços de Deus.


Durante toda a sua vida de destacado membro da sociedade, o querido Kim Jong Il manteve bem altos os padrões de classe, sofisticação e elegância da alta sociedade coreana, assim como o discernimento e valores morais e éticos típicos de um membro da alta sociedade, incapaz de se misturar com quem não é do nosso meio.

 

Seu adorável pai, que na juventude foi um grand vivant, namorou as moças das famílias exclusivas da alta sociedade coreana, mas se casou anos mais tarde com sua mãe, uma discreta e sofisticada jovem oriunda da mais tradicional sociedade coreana, foi um perfeito exemplo de homem de valor e de princípios morais.


Em nome de nossa igualmente tradicional família, venho expressar minhas mais sentidas condolências à memória de Kim Jong Il, e aproveito para perguntar onde será rezada a missa de Sétimo Dia.

Tenho a confiança de que sua família saberá, pelos caminhos de Deus, superar esse momento de dor e conseguirá se manter unida para defender os valores da tradicional família coreana. Sei que você saberá conduzir sua família de forma a não se misturar com gente que não faz parte do nosso meio.

 

Com meu cordial abraço à sua mãe e a todos os seus parentes,

[insira aqui o sobrenome de uma tradicional família coreana]

19 de dezembro de 2011

 

Dá vontade de continuar com a brincadeira, mas vou parar por aqui… :D

 

O lugar-comum da solidariedade comunista

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Xô, poeira!

Desculpem, mas tava viajando arrumando mala e corre pra dirigir e volta e paga aluguel e arruma mala mas a roupa não secou leva na lavanderia pra secar e arruma mala e pega avião e tudo sem vírgula porque não dá tempo nem de pontuar a frase e ufa! Cheguei!

Vamos voltar a postar, né?

Enfim, tava aqui crente que o melhor da semana seriam as imagens dos norte-coreanos chorando pela morte do líder deles lá, o King-Jong pai. Aquela falsidade que você não sabe dizer se é mentira patológica oficial do governo ou se geral na Coreia do norte tá mesmo curtindo fazer de conta que tá triste.

Mas aí tem sempre como piorar – ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista. E o responsável por destronar o choro trash dos coreanos foi justo o nosso querido e phopho PC do B. Os companhêro camarada resolveram mandar uma nota oficial de solidariedade ao povo coreano pela morte de King Jong pai. A prova da coisa tá aqui.

A diversão começa porque você acha que uma nota de solidariedade ao povo pela morte do carinha vai dizer algo na linha  Até que enfim o mala do King Jong bateu as botas! Vamos abrir o champagne e comemorar a vida nova, galera?

Mas aí você começa a ler a teteia (se Coreia ficou sem acento, por questão de coerência teteia também vai ficar desacentuada. Malzaê…) e se pergunta que ano é hoje. A quantidade de chavões é tamanha que me deu vontade de montar cartela de bingo com as palavras tipicamente comunistas. Acompanhem que delícia de texto (não convidei ninguém a ficar julgando o texto, apenas a curtir as palavras delicadamente escolhidas pra ocasião):

Estimado camarada [Desnecessário dizer que foi um comunistão das boas que escreveu a coisa, né? Que ano é hoje? Mil novecentos e sessenta e quanto?] Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia [Seja lá que ano for, ainda não estamos com a nova ortografia em vigor no PC do B. Mas quem sou eu pra falar de nova ortografia? Avante, companheiros! Próximo parágrafo, por favor!]

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada [não é presidente, não é líder, não é ditador, não é rei, não é dono. Ele é apenas camarada. Ah, os comunistas tradicionais.... tô me garrando numa paixonite por esse texto que cês num calculam!] Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia [o que é isso, companheiros camaradas? Dona Ortografia Nova é bem-vinda no PC do B  ou não? Coerência, cadê? Cala a boca, bruxa! Vai pedir coerência pra comunista que se solidariza com norte-coreano? Que mais você quer? Que a mulher maçã saiba crasear? Senta lá, Cláudia!], presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. [Tá certo, ele era só camarada. Mas é um camarada purdimais de atarefado, né não?]

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário [Demorou pra aparecer um revolucionário no texto, hein?], o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista [Aviso da bruxa: esse anti-imperialista está de acordo com a Nova Ortografia, sim?] , da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.[Deixei você falar mal dessas observações? Deixei? Eles podem pensar o que eles quiserem do governo King Jong pai, oras! Só convidei você a curtir o estilo único e incomparável! Avante, camaradas! Próximo parágrafo, fazfavô!]

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana[Karl Marx não poderia se orgulhar mais desse trechinho, gente! Continuidade ao desenvolvimento da revolução é tuuuuuuuuuuuuuuudo de comunista, né não?] , inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung [e eu começo a desconfiar que camarada é uma espécie de monarca diferenciado... OK, passou!], defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria [continuidade do desenvolvimento da revolução defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria é a versão comunista para o corporativíssimo Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa Tal, sempre inovando, (...)]. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.[Outra que demorou a aparecer foi a fórmula de texto de marketing direto que funciona mais que Bombril, e pode se aplicar tanto ao Papa como a Hitler. Essa última frase serve pra qualificar qualquer um, repara só...]

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências [condolência? Mas não era solidariedade?] e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano [De novo! Para de rir, que coisa! Deixa eles pensarem o que eles quiserem, oras!!! Eu só te convidei a se deliciar com o estilo do texto....]
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011 [2011? Cejura que esse texto foi escrito ANTEONTEM?!?!?!?! Alguém avisou aos comunas que o mundo apertou legal o F5 nas últimas décadas?]

Ameba sobrevoa o caldeirão e causa um post longo com vídeo do Golias

sábado, novembro 26th, 2011

Tudo começou há mais de dois anos quando eu fiz este post daqui. Curto muito essa música do Vitor e Leo. Não sei se foi por conta dos hormônios à flor da pele na época em que eu ouvia essa música direto, meu filho tinha acabado de nascer, e invariavelmente o tema da novela das seis começava a tocar quando eu estava dando meu peito a ele. Mas até hoje a música Deus e eu no sertão só me traz boas recordações e sensações.

Ponto parágrafo.

Ontem, aprovei este voo (sem acento porque merece!) rasante de ameba comentário pro post em questão:

 

“]

[Suspiro. Profundo.

Claro que eu respondi! E minha resposta rendeu tanto que eu vou transformá-la em post novo:

 

Ai, que bom que você gosta de música sertaneja, Eliana!
Deixa eu te apresentar, então, ao novo hit parade da língua portuguesa:

1º lugar – Vírgulas. Elas costumam separar idéias nas frases.
2º lugar – Pontos. Eles são mais enfáticos do que as vírgulas quando o negócio é separar idéias. Na verdade, eles atuam como se fossem um “botão de enter” pra você jogar a frase inteira dentro do seu cérebro (cérebro você sabe o que é, né?) e processar a informação toda.

Isto posto, vamos adequar a sua frase ao novo hit parade da língua portuguesa:

BOM EU ADORO MUSICAS SERTANEJAS-ponto. ANTES EU NAO GOSTAVA-vírgula, MAIS DEPOIS DESSAS MUSICAS-vírgula, AGORA EU AMO.

Outro grande sucesso do hit parade da língua portuguesa é saber a diferença entre conjunção adversativa e advérbio. E não se assuste, porque eu não falei inglês. Assista aeste vídeo do Ronald Golias que você vai entender tudo!!!

Portanto, com essa aula magna de Ronald Golias, deve ter ficado claro (né, Eliana?) que você deveria ter escrito

ANTES EU NÃO GOSTAVA-vírgula, MAS (e não mais, como você escreveu) AGORA EU AMO

Enfim, só tenho a lhe agradecer por ter passado por aqui e me feito uma visita tão aterradora que me rendeu um post perfeito!

Volte sempre! E quando você aprender a escrever direito eu até te ofereço um bolinho de fubá!

Abraços da
Bruxa

Um crime, vários tiros, uma criança atingida, um morto, um detido e descubra quem é quem na história, porque o G1 não deu nomes aos bois

quarta-feira, novembro 16th, 2011

Vamos com calma que eu fiquei tontinha ao ler este texto que me foi enviado via Twitter (de tão tonta, esqueci de  anotar o nome do ectoplasma suíno. Zifio, manifeste-se que eu te dou os créditos na hora!)

Sabe aqueles exercícios de lógica das revistinhas de passatempo que eu não resolvo ninguém resolve? “João é casado com Maria, mas José é cunhado de Sérgio. Se Maria e Sérgio são duas pessoas e João foi abduzido por Ziggy, qual a relação de Ziggy com o gol perdido pelo Baggio na Copa de 1994 que deu o título ao Brasil?”

Me senti lendo um enunciado assim ao me deparar com o texto abaixo.

O zifio repórti não deu nomes aos bois – até aí tudo bem. O importante era deixar a coisa compreensível, né?

Enfim, acompanhem comigo a história que me deixou tontinha.

Bebê de 2 anos é atingido por tiros e autor dos disparos acaba morto  [OK. Teve uma criança na história. E quem atirou nela mór-reu.]

Homem entrou em luta corporal com o autor após os disparos e o matou. [Portanto, temos que homem = autor dos disparos, certo?]

Uma criança de dois anos que estava no colo de um homem [Errado! Ela estava no colo de outro homem! Acompanhem a confusão dos zifios] foi atingida por dois tiros de raspão na noite da última segunda-feira (14), no município de Ibotirama, região oeste da Bahia, informou a Polícia Militar do município. O autor dos disparos acabou morrendo com um tiro no peito.

Na ocasião, o homem que carregava a criança foi atingido por três disparos [o homem que carregava a criança também foi atingido pelos disparos. OK. Certo?] , deflagrados por um suspeito [suspeito? Agora virou suspeito o autor dos disparos?] que não aceitava o fim do relacionamento com a atual companheira da vítima [aqui a coisa toma contornos medonhos! Se a vítima é a criança, então a criança tinha 2 anos e uma companheira? Oi? Pedofilia? Ou a vítima em questão era o cara que carregava a criança no colo? E cadê a mãe dessa criança, por Tutátis?] , relatou um agente da delegacia de Ibotirama.

Ainda segundo informações da delegacia, o suspeito acabou morrendo [suspeito = o cara que atirou contra o cara com a criança no colo. Né?], pois o irmão da vítima [de novo: o irmão do cara que segurava a criança ou o irmão da criança?!?!?!] , ao perceber a ação do suspeito, entrou em luta corporal com ele [Vamos contar, então, os zifios integrantes da cena do crime: 1 criança, 1 homem que a carregava no colo, o autor dos disparos e o irmão da vítima, o que queira que isto venha a significar. Certo?], e em seguida disparou um tiro contra o mesmo [G-ZUZ! Não sabia que o ectoplasma mesmítico tomava tiro nazidéia!] . Todas as vítimas foram encaminhadas para o Hospital Regional de Ibotirama, mas o autor dos disparos contra a criança não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade [então, temos que o atirador primeiro, mais a criança, mais o zifio que tarracanenê no colo mais o irmão da vítima o que queira que isto venha a significar que atirou segundo, foi tudo parar no hospital, né?]

Segundo o hospital de Ibotirama, a criança e o homem receberam atendimento e foram liberados ainda na noite da última segunda-feira. [A criança tudo bem. Mas QUAL HOMEM RECEBEU ATENDIMENTO E FOI LIBERADO, POR BELENOS?!?!?!!?]

De acordo com informações do agente policial, o autor do disparo que matou o homem [Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!] foi preso em flagrante e está detido na delegacia do município, onde deverá permanecer à disposição da Justiça e o homem que ficou ferido prestou esclarecimentos e foi liberado.

O corpo da vítima [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! LÁ em cima eram duas vítimas, uma criança e o cara que tarracanenê no colo. Agora só sobrou uma vítima? Estamos falando do homem que tarracanenê no colo ou do homem que atirou contra o homem que tarracanenê no colo?] foi encaminhado para o Instituto Médico Legal em Barreiras e deve ser submetido a exames.

 

E aí? Entendeu? Ou eu ajudei a confundir tudo? Se você entendeu, por favor, desenhe pra mim! Eu entendi bulhufas!

**********

Atualização:

Leia este texto daqui de baixo e vê se a historinha não lhe parece familiar. Quem encontrou foi o Luiz, neste link aqui

Uma discussão terminou com o pai e o filho de dois anos baleados e um homem morto em Ibotirama, a 650 km de Salvador.

Erivelton Alves Rodrigues e José Carlos Moreira de Souza encontraram-se no bar Estrela da Terra, no bairro São Francisco, e iniciaram a discussão na noite do último domingo (13). Durante a briga, o primeiro sacou uma arma calibre 32 e atirou contra José, que estava com o filho no colo.

José foi atingido na cabeça e nas costas e R.L.B., de 2 anos, foi baleado de raspão no braço. Segundo informações da delegacia local, Antonio Moreira de Souza, irmão de José, entrou em luta corporal com Erivelton, tomou-lhe a arma e disparou um tiro contra o peito dele. Erivelton morreu no local. 

José e o filho foram socorridos ao Hospital Regional de Ibotirama, onde foram medicados e receberam alta no mesmo dia. Antonio foi preso em flagrante. 

Ainda de acordo com a delegacia, a atual mulher de José e mãe da criança é ex-namorada de Erivelton, o que teria motivado a discussão.

Pois é…

Como diria a Katylene: é soorooba?

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Diante de uma chamada dessas

E de uma reportagem dessas,

só me resta perguntar, à la Katylene: é soorooba?

Agradeço ao dileto ectoplasma Rodrigo Nunes pela mente poluída pelo link enviado. :D

****

Atualização das 19h.

O Rodrigo me avisou que o site trocou o título da matéria. Ficou assim:

er… alguém avisa que não deu pra melhorar a coisa, por favor? /o\

O neologismo malafaiense

sexta-feira, novembro 11th, 2011

Daí que Silas Malafaia, uma entidade cujas credenciais me recuso a propalar por aqui (joga no Google por sua conta e risco!), disse em entrevista à revista Época que ia funicar Toni Reis, líder da comunidade LGBT pereré pão duro whiskas sachê blablablá.

Claro, lógico, óbvio e evidente que o repórter entendeu o verbo como fornicar. É um verbo muito usado por salsinhas em cristo evangélicos para referir-se a práticas por eles consideradas tipicamente do público gay. Não vou entrar no mérito dessa questão.

Mas Silas resolveu soltar as plumas dizer que ele jamais disse fornicar:

geral eu e o repórter da revista Época fomos ver que diabos significa funicar. E não encontramos essa palavra no dicionário. E ainda temos que ler esta belezura no site do Malafaia (não, não vou lincar. Me recuso. Jogue a frase em vermelho no google que você encontra o texto completo. E se você quiser ler esse texto completo, problema seu. Pronto, avisei.):

“Ele não pode supor que o entendimento da palavra funicar signifique fornicar, se ele mesmo confessa ter pesquisado em quatro dicionários e não ter achado a palavra funicar. E não vai achar em dicionário algum, pois é uma gíria, um linguajar popular e não formal”, declarou Silas.

Portanto, temos que:

1- PAPORRA! Dicionários listam todas as palaras de um idioma, sejam elas regionalismos, palavrões e outras expressões chulas, gírias, paravras oficiais, palavras extraoficiais etcetcetc.

2- Se o repórter da Época não pode supor o que ele supôs, então o que ele pode supor? Oi? Quem disse?

3- Se essa palavra não se acha em dicionário nenhum, então o dileto pastor inventou esse verbete?

4- Se o pastor inventou esse verbete, coisa que a meu ver lhe é permitida (pensem no que ele faz com a Bíblia, e vocês perceberão que o que ele faz com a  Língua Portuguesa é pinto…), ele que explicasse o significado. Chamar o interlocutor de ignorante por desconhecer uma expressão usada no seu meio é forçar a barra.

Não me canso de dizer isso aqui: se você diz bolinhas vermelhas e seu interlocutor entende listras azuis, repita sua idéia de forma diferente até que o seu interlocutor entenda exatamente o que você quis dizer. Isso dá certo em 99% das vezes (o 1% restante dá conta de seres incapazes de raciocinar).

Isto posto, e como nenhum dicionário lista a palavra malafaiense, este blog-caldeirão só aceita uma possibilidade de uso da palavra funicar:

Pode passar a régua.

 

 

Perfume para pessoas ou Pessoas? Terráqueo pode usar?

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Cabei de receber este spam e-mail marketing troço no meu e-mail.

Tive um troço só de ler as primeiras linhas. Claro, fiz questão de compartilhar aqui cocêis:

Perfume que deixa as Pessoa  sexo oposto atraida por você [Entenderam o porquê agora? Primeiro quero conhecer esse zifio chamado Pessoa. Fernando é que não deve ser, cer-te-za! Se for, ele está assobiando em seu túmulo, pra que ninguém pense nele neste momento tão delicado... Enfim, para que este perfume realize as promessas, precisamos encontrar uma pessoa de nome Pessoa. Alguém tem idéia de onde encontrá-la? Será Pessoa homem ou mulher? Apenas uma certeza tenho: trata-se de só um (porque um só pode dar a impressão de que é um solitário mas deixa prá lá não vou divagar agora). Porque, né? As Pessoa só pode ser um. Ou não? Ih! Me perdi todinha! E olha que estamos no título!]

Este perfume existe

Acaba de chegar no Brasil Eros Magnifique Essence [pra quê vírgula, né mesmo? Só porque aqui é necessário separar duas orações...]  um afrodisíaco aprovado cientificamente [Por britânicos, né?]  para atrair pessoa do sexo oposto [Hummmm.... aqui Pessoa não é mais uma pessoa especial, apenas uma pessoa qualquer.... mas é do sexo oposto! Trata-se de relacionamentos heterossexuais, devo entender isso?]
O nosso [nosso? é meu também? Cejura? afff...] perfume Eros Magnifique Essence de Androstenona é exatamente isso![Uau! Que tudo, né? Ferormônio pra atrair o sexo oposto! Nossa, quanta inovação! Pensando bem, que ano é hoje? Aliás, que século é hoje?]

As Pessoas [ó! Aqui Pessoa voltou a ser um nome de pessoa, e tornou-se plural! Já temos mais pistas, gente! Trata-se de várias pessoas de nome Pessoa! (Mas que mãe batizaria um filho de Pessoa? pré-nome, não nome de família....] subconscientemente detectam este cheiro e sentem-se instantaneamente atraídas por você! [são os feromônios que [boceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeejo]]

Agora você vai atrair qualquer Pessoa [Pronto! Voltamos à confusão! Com esse milagroso perfume, se você quiser atrair Maria ou José, você NÃO CON-SE-GUE! Só vai atrair Pessoa, mesmo... desiste, zifio!] sem mudar absolutamente nada em você. Terá mais pessoa fazendo contatos visuais[GAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!! Pessoa é um extraterrestre que faz contatos visuais com terráqueos? Isso é perigoso? Esse perfume atrai ETs?!?!?!? ômopai....], admirando e conversando com você [ETs que fazem contaot visual, contato conversacional, contato admiral.... ai, que perfume perigoso!!!!!]
O Eros Magnifique Essence vai ajudar você a atrair novas pessoas [quer dizer, você vai conseguir atrair novas pessoas, independentemente do nome delas! Mas elas são todas ETs! Ai, que confusão....] ou a melhorar a sua vida amorosa.

Usando Eros Magnifique Essence, Você [Eparrê-iansã! Entrou mais um sujeito na parada. Um tal de Você. Não se sabe ao certo se é homem ou mulher. Porque se o texto estivesse a se referir a você, leitor, o faria em letras minúsculas, né? NÉ, CACETE? Aguardo mais detalhes!]  sentira [A se tomar por referência o nível do português do zifio, muito mais fácil entender que este verbo é o verbo sentir no futuro do presente sem o acento devido do que o verbo sentir no pretérito mais que perfeito..] o grande poder [Me lembrou que certa feita Paulo Henrique Amorim disse no blog dele que "o poder pode tudo". Mas deixa isso prá lá.] da atração ! Agora, nenhum pessoa [... e voltamos à estaca zero! No caso, a pessoa em questão pode ou não se chamar Pessoa, mas não se sabe ao certo se é singular, plural, masculino ou feminino- quiçá terráqueo! Aqui, aparentemente, só estamos falando de seres do sexo masculino (existe ET macho e ET fêmea? Ai, a coisa só piora!). Entendi isso pelo nenhum. Tô certa?] estará fora do seu alcance! 
Você terá romance e sexo de uma maneira que ja mais pensou que fosse possível![Sei, não... tô achando que a parada envolve extraterrestres....]

Esse texto deu medo. Só espero que ele seja uma piada de rélouim meique atrasada….

Exercícios da Bruxa

domingo, novembro 6th, 2011

Queridos ectoplasmas suínos:

Inauguro com pompa e circunstância uma nova modalidade de post neste caldeirão. Exercícios da Bruxa.

Como vocês são muito espertalhões e sabem identificar os herros de hortografia melhor do que eu, identifiquem abaixo as aberrações produzidas pelas amebas fornecedoras de conteúdo da Peugeot do Brasil.

Eu encontrei pelo menos três (colinha básica: o erro mais gritante tem outro embutido, mais sutil. O terceiro é um verbo fidamãe conjugado que nem a cara da mãe do sujeito que escreveu essa excrescência em forma de texto).

Não pensem vocês que o primeiro a responder esta maravilhosa enquete irá ganhar um maravilhoso [insira aqui o seu brinde preferido] porque estas são épocas de vacas magras no caldeirão. Se alguma lhynda empresa resolver me patrocinar, aí a gente brinca feito gente grande (Brincar? Feito gente grande? Oi?)

Mas por enquanto, vale entrar na página do Facebook da Peugeot e  torrar a paciência das amebas fornecedoras de conteúdo do sáitchy em questão….

E se você não aguenta de curiosidade, selecione com o mouse o trecho abaixo para ver a resposta deste intrigante (ah, deixa eu valorizar o meu texto, dá licença?) e excitante (ah, me erra, sô!) quiz (ok, aqui vocês podem me xingar! Deixa eu trocar a palavra) concurso! \o/

Erro nº1: Verbo prever, 3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo:

Muitos prevIram, com iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii caceteeeeeeeeee!!!

Erro nº2 – e o mais gritante de todos, por Tutátis!

CampEão se escreve com E, E de Energúmeno!!!

Erro nº3, que tá junto do erro nº2: todos os prefixos que indicam multiplicação de números juntam-se à palavra sem hífen, e formam um novo vocábulo. Mais explicações aqui. Portanto, Cacá Bueno é tetracampeão.

Quando a ordem dos tratores altera a rodovia

quarta-feira, setembro 14th, 2011

Vamos dar um tempo aos mortos. Mas não pensem que os mortos estão dando um tempo, não! Eles estão surtando que é uma coisa – só encontro explicações para isso na fase de lua cheia. Mas vamos falar de outras esdrovengas redacionais de corar de vergonha o mais falecido dos seres humanos.

Cer-te-za que você já ouviu de um professor de matemática a frase a ordem dos fatores não altera o produto. Poi zé. Aí, você também já deve ter ouvido a variante engraçadinha dessa frase, a ordem dos tratores não altera o viaduto.

Mas ó, zifio, vou te contar que teve ameba escrevente que conseguiu alterar a ordem dos tratores de forma tal que destruiu um rodovia lheeeanda e pôs um matagal no lugar dela (e quem descobriu a tetéia foi a Deize Fonseca, que me enviou o link via Twitter). Quer ver só?

O fenômeno deu-se neste site aqui, obra (com trocadilho, pelamordedeus!) do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Preciso dizer que a expressão dará lugar a  pressupõe uma coisa que sai de cena e para ser substituída por outra?

Vou ter que explicar que do jeito que a ameba escrevente deixou essa legenda, ela acabou por dizer que a rodovia vai sair dali e no lugar dela vai ficar o matagal?

Será necessário revelar que a frase mais adequada pra essa legenda seria “comemora a chegada da nova via que vai ocupar o lugar do matagal”?

Isto posto, só me resta agora vislumbrar um balão de pensamento de história em quadrinhos apontando para a cabeça do zifio da foto, e… ah, vamos escrever aqui nos comentários o que o Zifio da foto tá pensando, vamos?

Muah! Um beijo! :D

************

Atualização:

Comentário do dileto Manoel, frequentador assíduo deste caldeirão:

Manoel

Bruxa! Substituíram a legenda no link original e colocaram uma bem parecida com a sua…

E lá vou eu ver como ficou:

conclusões:

1- Esta Bruxa está fazendo bem ao texto mal-escrito dos outros.

2- Os deuses do print-screen não falham nunca!

3- Texto sempre dá pra melhorar. Mas a cara do zifio continua a mesma, coitado!

Mortos amestrados

quinta-feira, setembro 1st, 2011

Agora bateu uma nostalgia aqui, sabe?

Faz bem uns dois anos que os mortos não aprontavam tanto! Lembro de ter publicado neste caldeirão em 2009 sobre as peripécias de vários mortos. tudo começou com os mortos catarinenses, aqueles hipocondríacos. Parece que foi ontem que eu terminei esse post pedindo por manifestações dos mortos argentinos – o que ocorreu cinco dias depois, aqui (eu e meu lado irmã Selma! Tenho medo quando ssascoisa acontecem!). Isso sem contar dos mortos que foram todos mortos (é isso mesmo que você leu!)  nesta nota do Globo.

Daí, a presuntaiada (é ficou horroroso, mas veja só a quantidade de mortos que já tem no parágrafo de cima! Uma carnificina só! Deixa eu variar um cadim a expressão!) sossegou um pouco em 2010. Mas neste segundo semestre, eles resolveram… er… voltar do mundo dos mortos (viu? num dá pra escapar! êta palavrinha safada, viu?) pra nos assombrar! Ó só:

Primeiro foi o morto da Oscar Freire que ressuscitou no UOL e foi posar com Lea T. (tudo bem que só uma mexidinha no tempo verbal pra Modelo morto em SP HAVIA POSADO com Lea T. não faria com que o zifio ressuscitasse só pra posar com Lea T. Mas o que ferrou de vez foi o lá nosencima: “após assassinato!” Experiência mediúnica perde!).

Depois, foi o tal do quase-morto escapado da Espanha que não escapou de morrer depois (dica do Leomar Moreira, por e-mail).

O que mais me causou espécie nessa história é que eu li o texto bem-escrito (NO SITE DA FOLHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!). Mas a France-Presse não perde a oportunidade de dar suas patacoadas (falo de cadeira: já trabalhei lá, conheço aquele povo!)

Antes de falar da construção do texto em si, deixa eu esclarecer a história:

Zifio caminhoneiro espanhol sofreu acidente com seu possante. Quase morreu. No hospital, foi consertado e sobreviveu. Ficou tão grato pelo ocorrido que resolveu sair ele mais duas tias em peregrinação para a Virgem dos Milagres de Caión.  Tava os três na estrada rumo a Caión, veio um carro, cataplof, e matou eles tudo. (sim, esse trechinho tá repleto de errinhos de português. divirta-se consertando esse parágrafo! Exercício da Bruxa! Aqui abaixo eu colei o texto “consertado”. Confere (do verbo conferir, mesmo! checar pra ver se ficou igual!) aí embaixo. O texto tá em branco, se você selecionar com o mouse consegue ler!)

Zifio caminhoneiro espanhol sofreu acidente com seu possante. Quase morreu. No hospital, foi consertado e sobreviveu. Ficou tão grato pelo ocorrido que saiu com mais duas tias em peregrinação para a Virgem dos Milagres de Caión.  Os três estavam na estrada rumo a Caión, veio um carro, cataplof, e matou todos eles.

A AFP contou a história assim:

O caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, também falecidas, em direção a Caión, a 30 quilômetros de Ordes, informou a prefeitura.

Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas com menos de um quilômetro de peregrinação o grupo foi atropelado.

Pelo horário da publicação da história, imagino quem tenha feito a tradução do texto em espanhol (que deveria estar ainda pior!). Mas deixa isso prá lá que eu não sou de ficar fazendo fofoca (faz de conta que você acredita em mim, vai? ;) ). Mas enfim. Quarenta minutos depois, a Folha deu uma melhorada no texto da AFP, e contou a história assim:

O caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, que também morreram, em direção a Caión, a 30 km de Ordes.

Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas, com menos de um quilômetro de peregrinação, o grupo foi atropelado. Os três familiares não resistiram aos ferimentos e morreram.

Aparentemente, as amebas escreventes da Folha estão sucumbindo à clareza redacional.

Mas é bom ver que, volta e meia, os mortos voltam à ativa. eu me divirto muito com eles! :D

O Reino da Grande Chave

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Este post é mais uma Kibada portuguesa desta que vos fala. Foi publicado pelo dileto @klaxonsbc em seu brógue. O texto foi publicado mais exatamente aqui.

O jornalista americano Av Westin escreveu o livro How TV Decides the News. Não sei de tradução para o português. Nele, Westin teve a pachorra de criar a Land of the Common Place (A Terra do Lugar Comum), salpiacada de locais como “rios de sangue”, “montanhas íngremes a escalar” e coisas do tipo. Meu sonho é reencontrar esse livro e fazer a tradução desse mapa. Se alguém por aí encontrar esse livro e o mapa da Land of the Common Place e enviar a esta bruxinha, eu vou agradecer horrores!

Mas vamos ao post do Klaxonsbc:

Chavão abre porta grande

(Itamar Assumpção e Ricardo Guará)

O mantra “nosso” de cada dia:

“O mercado tá nervoso”; “Não tem que dar o peixe, tem que ensinar a pescar”; ”É necessário fazer a lição de casa (cortes de gastos públicos, desoneração da folha…)” ”O Estado não pode estar em determinadas áreas, mas tem que fiscalizar estas áreas, mesmo que ele náo tenha nenhum poder sobre elas”;

“Os maiores racistas são os próprios negros”; “Eu também quero a minha cota, sou filho de pobre”; “Dia do Orgulho Hétero”;   “Eu sou um antiracista convicto, mas no futebol meu time tem que entrar em campo com raça”; “Ele é veado, mas é meu amigo”;

“…mas lá (longe) a Justiça funciona”;  ”Nós trabalhamos para eles receberem bolsas”; “O Estado é totalmente incompetente e corrupto, mas eu sou a favor da pena de morte”; “Não existe país mais corrupto que o Brasil, já rodei vários países na Europa, fiquei quinze dias em cada um e não vi nada do que vejo aqui”;

“Eu nunca uso transporte público, não funciona mesmo e não adianta reclamar…”; “Corredor exclusivo para ônibus atrapalha o trânsito”; “Eu peguei metrô uma duas vezes na vida, em Paris e em NY, em São Paulo não tenho coragem”; “eu contribuo de qualquer forma para melhorar o trânsito, só não me peçam pra deixar o carro em casa”;

“As reinvidicações são até justas, apesar do discurso ideologizado”; “Não existe mais esquerda, direita ou centro (mantra neoliberal)”; “Acabou a guerra fria, agora é guerra ao terror (do outro)”; “vamos destruir o povo e suas cidades para lhes dar a liberdade e a democracia”;

“Globalização é o fim da fronteira local em nome do universal (só não mexa no que é meu)”;

“Eu não voto em mais nínguem”; “Todos os políticos são corruptos”; “Eu não tenho nada a ver com isso, apesar de ter votado…”;”Não me envolvo com política, sou apolítico, a política é suja”;

“Nínguem (eu?) respeita as leis nesta cidade”; “Para quê leis, se elas não são cumpridas?”; “Existem leis que pegam e aquelas que não pegam” ;

“Pra quê Copa do Mundo aqui? Primeiro teria que resolver educação, saúde…” ; “A seleção brasileira é um lixo, a promessa agora é a Croacia…”; “Jogador de futebol ganha muito pra não fazer nada (a Nike agradece)”;

“O que falta para as pessoas é Deus no coração (em geral o “Deus” exclusivo da pessoa)” ; ‘Religião, política e futebol não se discutem (basta ignorar a opinião do outro); “O seu direito acaba onde começa o meu (ou a negação da dialética)”;

“O acesso ao livro é fundamentais (não importa onde, quando e como ele vai ser lido); “Informação é poder (e como tal privilégio de poucos)”; “Vivemos a era da informação…distorcida, tendenciosa, manipulada…”; Política cultural é um assunto complexo (quando se inaugura a discussão…?).

Eu poderia ficar horas a pensar, pensar, escrever, escrever, mas creio que cada qual identifica seus vários chavões de portas grandes…e o dos outros…

Se um jornalista te pedir pra “conferir”, cuidado: ele quer que você faça o trabalho dele! (ô, raça!)

quarta-feira, agosto 24th, 2011

A coisa já vinha me incomodando há algum tempo. Pensei em fazer um post a respeito, mas preferia sempre enviar o link pra obra-prima do Hector Lima. Mas já que ele me autorizou, deixa eu kibar o texto dele. Kibada portuguesa: copio o texto, colo aqui, cito a fonte e dou o link pro site original, claro! :D

Enfim, ponha só uma coisa na sua cabeça: se alguém te pedir pra conferir alguma coisa, tá pedindo pra você verificar por conta própria se a coisa tá certa. Se um jornalista te pede pra fazer isso num texto, o que ele diz em síntese é o seguinte: ó, listei esses troço tudo aqui mas não conferi nada. Confira o que abre e o que fecha nesse feriado, porque eu não fiz o meu trabalho direito!

Mas deixemos que zifio Hector aborde o assunto:

Campanha pelo fim do ‘Confira’

Por Hector Lima [27.11.2009]

Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da população – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez mais ainda. Mas o verbo ‘conferir’ não tem esse sentido. Veja:

Conferir

v.t. Verificar, ver se está certo.

Comparar, confrontar.

Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).

V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir

certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

Dizer confira o texto [as imagens, a matéria etc] é a mesma coisa que dizer verifique pra ver se está certo. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens. Quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. ‘Confira’ não deve ser usado para dizer ‘veja’, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum e aceito.

No caso do ‘conferir’ isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do ‘conferir’ isso é tão feio que eu não resisto. Morre um animal em extinção a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha, sim, mas é mais forte que eu, me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo. Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu público e a Goma agradecem.

Era uma vez uma bruxinha estudante (ou: estudar vale a pena, sim senhor! \o/)

sexta-feira, agosto 12th, 2011

então houve ontem uma blogagem coletiva sobre a importância e a necessidade de se estudar?

Céus, ainda dá tempo de participar!? Espero que sim! Vou republicar um post de novembro, que eu adorei fazer! Ah, que gostoso foi relembrar meu tempo de escola! Espero que vocês curtam! (Mas vai estourar umas pipoquinhas, poreque esse texto é loooongo purdimais! :D )

****************************************************

Juro por Deus - a entrada da escola era assim mesmo! Um sonho!

Tô sendo influenciada por essa blogosfera de Deus a fugir da linha editorial deste blog. Primeiro foi o Pannunzio que me inspirou a contar do dia em que o marido ficou preso do lado de fora de casa.

Agora é a Conceição Oliveira, do blog Maria Frô. Ela contou aqui sobre suas primeiras lembranças da escola primária. Os traumas com professoras sem-noção e as satisfações de uma menina a descobrir o mundo, as letras, os saberes, as receitas de feijão… :D
Me peguei pensando na minha alfabetização e nas primeiras tias…
Ah, vou contar!
A primeira tia de que me lembro foi a tia Cema, ainda no Jardim de Infância. Uma senhora, cabelos tingidos de louro, rabo de cavalo. Devia ter seus 50 anos, no Colégio Professor Monteiro Barbosa, no subúrbio do Méier, no Rio de Janeiro. Eu morava em Higienópolis, Rio de Janeiro. Sabe Higienópolis, São Paulo? Pois é. Não. A rua principal desse bairro era (acho que ainda é) a Estrada Velha da Pavuna. Se você ainda não jogou no Google Maps, te digo que hoje a Linha Amarela cruza essa rua duas quadras depois de onde eu morava. O lado pobre da Linha Amarela, bien sûr.
Joguei no Google pra ver se encontrava mais informações sobre o Colégio Professor Monteiro Barbosa, e achei a bendita, gente!

Interior do colégio Professor Monteiro Barbosa Eu brinquei muito aí!

Me acabei de chorar ao ver pelas fotos que o pátio, a cantina, continua tudo igualzinho ao que era quando eu estudei lá há… uma semana! O passado remoto aconteceu sempre na semana passada! :D reparem na piscina à esquerda. Também fiz natação lá! Gente, quanta emoção!

Mas eu falava da tia Cema. Lembro que certa feita ela contou pra minha mãe que, pela manhã, ela lavava fraldas de pano. Ou será delírio meu? De qualquer forma, minhas lembranças da tia Cema são iletradas e raras. Apenas muito carinho. Isso foi em 1978 marromeno. (velha é você!) Mas eu tô pensando aqui, e ligo muito a tia Cema à imagem da Hebe Camargo… (não, é a tua mãe que é velha, seu sem-educação!)
Fui me alfabetizar no ano seguinte ainda no Monteiro Barbosa. O Sonho de Talita foi minha cartilha. Me lembro do desenho da Talita, e hoje me dou conta por que, anos mais tarde, fui tomada por uma ternura inexplicável pela imagem da Mafalda, do Quino. Gê-me-as. :D

O Sonho de Talita - Livro de Exercícios (que eu nem lembrava que tinha)

Minha professora: tia Maria Augusta. Em minhas memórias, não era bonita. Cabelo maltratado, rosto espinhento. E suas motivações eram regadas a lápis: fez o dever bonito? Ganha um lápis! Chegou cedo? Ganhou um lápis! tirou 100 na prova? Adivinha? Lápis! Um lápis simples, preto… que eu cobicei muito!
O contrário do lápis preto era o ficar em pé na frente da sala diante do quadro negro, e todos os coleguinhas olhando pra sua cara. Fiquei uma vez, porque me esqueci de fazer o dever de casa. Chorei até não poder mais. Hoje acho que foi injusto, mas será que essa reprimenda não funcionou?
Modéstia à parte, acho que era uma das melhores alunas. Era ávida e ansiosa por aprender a ler tudo o mais rápido possível. A turma inda tava no ma-me-mi-mo-mu e eu já tava nos dígrafos de cachorro. Só fui descobrir que diachos era um dígrafo quando a tia Augusta explicou, mas àquela altura eu já havia inferido que ch tinha som de x. Aliás, por quê fomos aprender o x de xadrez e o z de zebra só no final do livro, no último bimestre? Eu já tinha chegado lá em junho!
Por falar em reprimendas, me lembro como se fosse hoje de quando comecei a estudar os dígrafos lha-lhe-lhi-lho-lhu. Naquele fim de semana, a família se reuniu na casa da minha madrinha. Na hora do cafezinho, me ofereci toda sestrosa para escrever numa lista quem iria querer cafezinho. Escrevi os nomes com todo o cuidado e, ao entregar o papelzinho à minha madrinha, ela riu com gosto da minha cara: “ô, minha filhinha! TiaAmélia não se escreve com éle agá!” Eu escrevi Tia Amélha. E juro por Deus, todas as vezes que escrevo ou digito a palavra Amélia, me lembro desse momento. Isso me ajudou – e muito – a me esforçar para jamais errar na grafia de uma palavra.
Mas eu ia pra escola de ônibus. Havia três “linhas” de ônibus, todas da escola: a vermelha, a azul e a verde. Eu ia no ônibus vermelho, dirigido pelo tio Joel. Meu irmão tinha 2 anos, e me acompanhava fascinado naquele ritual de acordar, fazer o dever de casa, tomar banho, almoçar, vestir o uniforme e esperar pelo ônibus do tio Joel, que me levava pra aula.

A carteirinha do meu primeiro ano no Monteiro Barbosa

Um belo dia, pedi à minha mãe que me comprasse outro caderno, pois o meu estava acabando. Meu irmão pediu na hora: “eu também quelo!” e minha mãe trouxe dois cadernos. Quando o ônibus chegou e buzinou, eu desci correndo pra pegá-lo. Meu irmão, trajando apenas um shortinho, descalço e sem camisa, mas com o caderno novo e uma caixinha cheia de cotocos de lápis em mãos, disse com toda a autoridade: “Eu também vou! Eu tenho caderno!

Eu e meu irmão com o tio Joel. Nesse ano, eu estava sendo diplomada na alfabetização; ele ganhou o diploma de "adeus às fraldas" :D

Naquela tarde, minha mãe conteve meu irmão – que chorou até pegar no sono. E ligou pra diretora da escola (que, anos mais tarde, seria acusada de tramar o assassinato do marido,o tio Lindáureo, mas  deixa isso prá lá), de cujo nome não me lembro. E a diretora disse que meu irmão poderia, sim, frequentar a aula do maternalzinho. Minha mãe então saiu pra comprar um uniforme pro meu irmão.

No dia seguinte, meu irmão não cabia em si de felicidade. Quando o ônibus do tio Joel chegou, ele subiu, deu um grande aceno a todos no ônibus e disse: oi, pessoal, hoje eu vou também! E correu pro fundo do ônibus. “E nem pra me dar um beijinho!”, chorou minha mãe ao telefone com meu pai, minutos depois da partida.
Eu fazia balé e, no final do ano, havia apresentação. Fiz duas apresentações, lá. Uma coma música dos Gatos dos Saltimbancos (nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres…) e outra da Emília (Pobre de mim Emília me traga uma notíca boa Pirlimpimpim, se não chover É vento ou é garoa). E ainda me lembro de parte das coreografias. Gente, a Cher (meu neurônio) é poderosa e vitaminada, viu?
Não me lembro dos livrinhos que eu lia nessa época. Mas me lembro que lia muita revistinha do Walt Disney e da Mônica – com o tempo, meu gosto foi se refinando e meu coração foi possuído pelo Zé Lelé :D . Mas o ano em que me alfabetizei foi também quando comecei a me interessar por Monteiro Lobato – por causa do Sítio do Pica-pau Amarelo que passava na Globo.

No ano da apresentação da Emília. à minha direita, o Yaro.

Aliás, duas grandes frustrações da minha infância: eu falava que nem a Emília faz de conta mesmo que não sei o quê não sei o que lá – PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM! – eu dizia pirlimpimpim três vezes e não acontecia na-da comigo. Isso e eu me empolgar com o convite do Daniel Azulay: vamos lá, amiguinho, você consegue desenhar que nem eu – e o meu desenho invariavelmente ficava uma boooooosta. Desses dois traumas eu acho que jamais me recuperei.
Me lembrei de um coleguinha que sempre sentava a meu lado no ônibus, o Yaro. Nós brincávamos que éramos dois extraterrestres navegando em nossa espaçonave (oi?), a Puquixa e o Puquixo. Agora, de onde eu desenterrei essa memória, não sei. Sei que googlei o Yaro e acho que ele virou tatuador. Acho.
Em 1980, minha família se mudou para Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e eu fui estudar no Educandário Logosófico González Pecotche. Minha professora da primeira série primária era a tia Gláucia. Ela morava a uma quadra de onde eu morava, ambas perto da escola, que fica logo no começo da rua Mena Barreto, em Botafogo (que ainda se chama Álvaro Rodrigues) – ou no final da General Polidoro, seus fundos.
A tia Gláucia era muito legal. Jovem, esperta, falante, se mexia muito pra falar – via nela uma irmã mais velha. Décadas mais tarde (oi? eu disse décadas? Que nada! Apenas uma semana se passou!) eu a reencontrei. Já cursava faculdade de jornalismo na UFRJ. Entrei num auditório da Praia Vermelha e a vi, rodeada de colegas. Acho que cursava alguma pós em pedagogia. Eu a interpelei:
- Oi, você se chama Gláucia, né?
Ela se encolheu um pouco na cadeira e fez que sim com a cabeça. Prossegui:
- Sabe por que eu sei? (ela se encolheu um pouco mais e aguardou a resposta) É porque você foi minha professora na primeira série, em mil novecentos e [conteúdo censurado], no Logosófico, ali na Mena Barreto, lemb…
- Aaaaaaaahhhhhh! Eu tava com medo que você dissesse isso! Mas eu me lembro de você! Você é a fulana, filha da Iolanda, irmã do Paulo! Me lembro de você como se fosse hoje! Nossa, que primor de aluna! Tem doze anos e já está na faculdade, né?
Assim como eu, tia Gláucia também tem problemas com o passar do tempo…
Engraçado que da tia da segunda série eu tenho poucas lembranças. Tia Denise ou tia Cristina? Não lembro. Lembro apenas que ela odiava ser chamada de tia.
- Sou irmã do pai? Sou irmã da mãe? Então, por que você me chama de tia?
Porque eu fui ensinada a chamar professora de tia no maternal, tia!

Tenho grandes e deliciosas lembranças do Santo Amaro. Tenho, sim!

Terceira Série, e eu mudei de escola. O Logosófico era muito fraco, minha mãe tava incomodada com o fato de a professora não ter chegado nem à metade do livro de matemática. Fui parar na 3ª série B, da tia Tereza, no colégio Santo Amaro, que fica na rua 19 de fevereiro, também em Botafogo.
Tia Tereza tá lá até hoje. Vira e mexe eu a vejo. Ela abre um grande sorriso pra mim, mas sei que ela não se lembra de mim. É que o séquito de ex-alunas que falam com ela com um grande sorriso nos lábios é grande, ela apenas cumpre o dever de ser educada. Tenho medo de pensar quantos anos de magistério tia Tereza tem nas costas. Mas é uma excelente profissional.
Lembro que foi ela quem me ensinou os tempos verbais no modo indicativo. Ainda vejo em minhas retinas o quadro negro cheio de tabelas repletas de verbos conjugados no presente, pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito e futuros do presente e do pretérito do Indicativo. Acho que foi ela quem ensinou subjuntivo e imperativo, também.
Eu conjugava todos os verbos no meu caderno, ávida por saber de tudo. E adorava o fato de ter tanta coisa nova a aprender e desbravar. Tinha um grande prazer em pegar a régua e desenhar no meu caderno as linhas que separavam os tempos verbais. Será que as crianças de 8 anos ainda têm direito a ter o prazer de saber e de aprender gramática?
Acho melhor parar por aqui, porque eu tô me lembrando de todos os professores de português que eu tive – alguns brilhantes, outros mediocremente lamentáveis. Mas sei que, desde cedo,
(   ) nossa Linda flor do Lácio
(   ) nossa língua inculta e bela
(   ) nossa Língua Portuguesa
[escolha acima seu chavão preferido para se referir ao português]
sempre me fascinou, me entreteve e me trouxe muito prazer no aprendizado.
A ponto de eu encher o saco de vocês por aqui!
Pronto! Lembrei!
E tô aqui me acabando com meus recuerdos…
Ah, conta pra mim e pra Maria Frô as suas lembranças da escola…
Divirtam-se aí embaixo nos comentários! E eu prometo dar uma canetadinha nos textos muito grandes, sem nem falar nada! :D
(e então? Vale a pena estudar? ;) )

Resultado do exame via web: texto turvo, cor amarelo-citrino

quarta-feira, julho 27th, 2011

Dileta ectoplasma suína me envia e-mail fofo:

Fui acessar o resultado de um exame clínico no site do laboratório e ao clicar no link da ajuda, pulou da tela um texto que mais confundiu do que esclareceu!

Pois vejam o que confundiu a zifia (aviso: o festival de caixas altas e baixas são originais do autor, tenho nada a ver com isso. E não me peçam explicações para o fenômeno, tampouco as tenho!):

Informo, [Essa vírgula aí faz o quê, zifio?] que todos resultados INDIVIDUALIZADOS por paciente, [Se os resultados são divulgados por paciente, então por definição eles são individualizados. Prá quê a explicação enfática de que eles são individualizados? Não entendi! Como também não entendi a função da vírgula depois de paciente] podem ser visualizados e impressos via WEB, onde na etiqueta de cod. de barras [vaiveno a gênese da confusão! O negócio é via web onde na etiqueta. Só eu que entendi que a tal da etiqueta de código de barras está na Web?], qual o PACIENTE RECEBE QUANDO EFETUA A COLETA [Não! Aqui vem a explicação: a etiqueta com código de barras é entregue ao paciente no momento em que ele colhe material para exame! Mas de onde, por que e para que surgiu esse qual eu não sei explicar, não senhores!], QUE ESTA ANEXADA NO CANTO DIREITO DO PROTOCOLO DE RETIRADA DE EXAMES [Aí ferrou de novo: é a coleta que está anexada no canto direito do protocolo? Que que tem a ver protoocolo com coleta com código de web? Quem disse eu?] , onde [Segunda vez que aparece um onde pra confundir azidéia da coisa! Reparem que ponto que é bom ainda não deu as caras!] o numero maior ali constante (que contem dez algarismos), e o USUÁRIO (logim)[logim eu não conheço, nunca ouvi falar. Conheço login. Mas deixa prá lá, não vou ficar procurando confusão num texto que já é auto suficiente no quesito!] e, o numero menor, no final da etiqueta, de 05 algarismos e a SENHA [Eu tenho cá pra mim que uma dessas conjunções e na verdade é o verbo ser: é. Sem acento! Mas qual é qual, não sei. só sei que o festival de vírgulas aí só se explica se o autor, no fundo no fundo, acreditar que assim ficou bonitinho!],  PODENDO [tava faltando um gerúndio sem necessidade pra dar a liga final nesse textinho de bosta! Agora não falta mais nada!] ATRAVÉS DO SITE:WWW.labclim.com.br, RETIRAR SEU RESULTADO [quem pode retirar o seu resultado? é seu de quem?]

Pra variar, dá pra perceber o índice de ruindade do texto (ruindade = texto ruim, e não texto malvado) pela quantidade de azul da mancha do parágrafo daí de cima. Quanto mais azul, pior está o texto. Mas olha só como os cabra se amarra em complicar uma coisa tão fácil:

Acesse e imprima o resultado dos seus exames via web, em nosso site www.labclim.com.br.

Para isso, basta digitar no site os números que constam no canto direito do protocolo de retirada de exames: usuário (o número com dez algarismos) e senha (de cinco algarismos).

Viu só? Duas linhas e meia, duas frases.

Mas nego compliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica….

O dia em que a Folha resolveu analisar a velocidade dos imóveis

domingo, julho 10th, 2011

Bosta, viu?

Tava toda contente aqui de voltar aos braços do Álvaro e tals, e planejava deixar Álvaro aqui nosencima do blog por um bom tempo, aí vem a Folha e fode com os meus planos.

PORRA, FOLHA!

Porque, né? Esse jornalzinho pede pra vir parar aqui pra ser exorcizado!

Senão, me digam: qual outra publicação da língua portuguesa consegue juntar as palavras imóvel e velocidade numa mesma frase com tamanha idiotice imbecilidade babaquice imprecisão maestria ?

Aí, você se pergunta: O imóvel tá andando mais devagar? Mas ora raios, ele não é imóvel, como ele se move então?

Ou então: Poxa, o imóvel é novo mas já vem com defeito no motor?

Ou ainda: Será que o Detran baixou norma pra reduzir a velocidade dos imóveis?

e eu respondo: não, ameba! É a folha que não sabe fazer títulos!

PORRA FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!

AGORA VAI E PROCESSA O LINO BOCHINNI, VAI!

Taqueopa….

 

Muito bem lembrado por um encosto via Twitter: o subtítulo segue a linha antológica (=lógica da anta)  do título: As unidades (…) são vendidOs.

Fiquei tão passada com o título que nem vi a merda do sub…

Valeu pela dica, Francisco!

Cosplay de vilão da DC Comics confunde Humberto Gessinger com Chico Buarque pra falar mal de Lula e Dilma

segunda-feira, julho 4th, 2011

É, eu sei. Ficou um pouquinho sensacionalista esse título daí de cima, né? Mas deixa que eu gostei!

Os deuses e os encostos do Twitter me tiraram do descanso dominical para denunciar um texto escrito por um cara chamado Kléster, que fala mal do Chico Buarque. Depois de lavar louça, ver filmes, fazer nada e cuidar da minha vida (porque eu tenho mais o que fazer, nada inclusive), resolvi dedicar um tempinho de nada de minha preciosa vida para ler o texto.

Tá bem escrito o troço. Mas dá pena dos argumentos, coitado. Parece que Nossa Senhora da Interpretação de Textos esqueceu-se desse filho dela, viu? (ou será que foi esse filho dela que se esqueceu de Nossa Senhora de Interpretação de Textos, e nunca rogou por ela?)

Enfim. A sensação que deu é que o zifio em questão confunde Chico Buarque com Humberto Gessinger. E acha que Chico Buarque rima que nem Luan Santana. Viram como ele foi mesmo esquecido por NS da Interpretação de Textos? Coitado, né?

Mas leiam aí o texto do quiproquó da semana. Ele foi copiado da versão impressa do jornal da Tarde pelo dileto ectoplasma suíno Cid Cancer, neste post aqui:

“O Chico é chato, com “C” maiúsculo.
O filhinho-de-papai que fez fama como herói da democracia lança novo CD [O filhinho de papai em questão tem quase 70 anos, mas deixa pra lá] . Com as melodias lerdas de sempre.[ô, Kléster, se vc acha isso,eu respeito tua opinião, oras!]

Você gosta de Chico Buarque? É provável que sua resposta tenha sido “sim”[é, foi!] . Agora, me diga três músicas dele que você adora [todo o sentimento, Valsinha, homenagem ao Malandro, feijoada completa, Até o fim, pedçao de mim, construção, meu caro amigo ih! Só três? Desculpa...]. É provável que você não saiba. E sabe por que? Porque todo mundo diz que gosta do Chico, mesmo sem saber cantar uma música dele do começo ao fim [quer que eu cante, Kleyson? eu sei cantar todas! À exceção de Pedaço de mim, que não consigo cantar porque a letra me faz mal - mas isso não significa que a letra seja deplorável!].
Dizer que gosta do Chico é cult [cult de quem? Desculpa, o trocadilho foi inevitável, kléber!] . Quem não gosta do Chico é burro, ignorante, não entende nada de música [Meu marido não gosta do Chico. Nem por isso é burro. Tudo bem que eu já vi uma "colega de trabalho" do Sílvio Santos no Qual é a Música ouvir A Banda e, na tentativa de adivinhar o cantor, perguntou: é a nova do Daniel? Mas, de novo, deixa prá lá. Mas você dizia...?]. Pois pode me colocar no segundo grupo. Eu acho o Chico muito Chato, assim mesmo, com “C” maiúsculo. O nome dele deveria ser Chato Buarque de Holanda.[Olha, Kluster, tem algumas músicas dele que realmente são um pé no saco...]

Antes de continuar, vamos deixar uma coisa clara. Eu reconheço a importância do trabalho desse indivíduo para a música brasileira. Reconheço que ele já escreveu algumas canções até boazinhas[Cejura, Klóvis? então tá bom!] . Mas o cara é chato demais. Repetitivo, cansativo, sofre de uma carência absurda de criatividade, o que, pra um artista, é – ou deveria ser – fatal. [repetitivo? NAONDE? Chico já compôs chorinhos, valsas, sambas, sambas-canção, bossa nova... ele repete exatamente o quê? E as letras dele falam sobre maridos traídos, mulheres traídas, mães que perderam os filhos, ppaixões arrebatadoras, causos de cidade pequena... NAONDE que tá a repetição, zifio? Se você quiser chamar Chrissie Hynde de repetitiva, eu até entendo - e concordo. E olha que sou mais fã de Chrissie Hynde do que de Chico Buarque. Mas Chicovsky realmente tá longe de ser repetitivo, viu, Keirrisson?]
No caso do Chico, ele leva na boa, porque o brasileiro é muito besta e engole o que ouve sem pensar[er... se você engole alguma coisa é porque você comeu essa coisa. Troços ouvidos são troços assimilados, compreendidos, aceitos.... mas não engolidos, tá, Klébster?] . É como dizer que gosta do Chico sem saber cantar uma música sequer do cara [ô, Kleivisson, eu pensei que você já tinha superado o trauma de não saber cantar chico Buarque!] . E por que eu tou falando tudo isso agora? Porque o Chato Buarque acaba de colocar na internet a primeira música de trabalho de seu novo disco. A canção chama Querido Diário – quanta criatividade – e tem aquela mesma melodia de sempre, cansativa, enfadonha, capaz de transformar qualquer festança num velório[ Vamos por partes: Chico Buarque não é pra dançar em festa. O nome disso é bate-estaca / pagode de merda / axé irritante / sertanejo cantacorno. Chico Buarque é para se escutar, assimilar, compreender, pensar, e botar pra tocar no rádio do carro e cantar, por exemplo. é para se ouvir baixinho enquanto se conversa com amigos inteligentes. Mas obrigada pelo aviso! Joguei no google e achei a música em questão. Sério que você não entendeu o porquê do título? Nem o conteúdo da letra, Klingston? (suspiro)]
Piores do que a melodia, só mesmo a voz de taquara rachada do cantor [OK, aqui eu concordo. Chico não canta bem.] e a letra medonha [cejura que cê vai insistir na história de que não entendeu a letra? Medonha por quê, Klarckson?]. Entre outras aberrações, Querido Diário tem como forçar a barra pra rimar “trama” com “flama” [mizifio, vou acender uma vela pra você e encomendar sua alma a nossa Senhora da Interpretação de Textos! Você acha que Luan Santana seria capaz de escrever desejo-me em flama, Klobertson? Cejura? Mas cejura mesmo? e você acha que trama com flama foi forçar barra aí? Vc NÃO ENTENDEU A LETRA?!?!?!?!], outra rima digna de Luan Santana (“carinho” com “sozinho”) e a estupidez extrema de falar em “amar uma mulher sem orifício”. Poesia de borracharia perde.[Serião. Agora deu pena. Senta aí que eu vou te explicar a letra porque você NÃO ENTENDEU: antes de "amar uma mulher sem orifício" vem o verso "Por uma estátua ter adoração". Portanto, temos "por uma estátua ter adoração - amar uma mulher sem orifício". Isto significa que a mulher sem orifício em questão é a estátua, a imagem de uma santa, ou seja, uma mulher a quem ele deva amar sem contato carnal, entendeu, Klarrison?
Mas quem vai dizer isto ao grande Chico? Ninguém. Até porque o Chato Buarque de Hollanda teve uma vida duríssima, combateu a ditadura militar, sofreu no exílio... quer dizer... isso é o que ele apregoa aos quatro cantos, né?
A história real é outra [Peraí! Você não gosta do chico, não gosta das letras dele, e agora vai achincalhar a vida dele? Você vai me obrigar a te citar Tutty Vasques, zifio? Aliás, aproveita e lê esse texto que eu linquei. ele desenha tudo o que você não conseguiu entender, Klibster!]. Na verdade ele é um burguesinho de marca maior [OK, ele nunca penou na vida. Mas o que exatamente você quis dizer com burguesinho, oh, Klackstone?] . O pai dele era o Sérgio Buarque, um historiador e jornalista, e a mãe a pintora e pianista Maria Amélia. Quando o Chico tinha 9 anos, o pai dele foi lecionar na Universidade de Roma. E lá foi o Chiquinho viver na dureza da capital italiana. Como todo filhinho-de-papai que se preze, ele nunca demonstrou muito gosto pelos estudos. E sempre quis ser rebelde.[iiiihhh... o diagnóstico já foi feito pelo Tutty Vasques...]
Ainda adolescente e já vivendo em São Paulo, furtou um carro pra fazer arruaças. Foi parar na cadeia. Mas o papaizinho logo tirou o moleque do xilindró[puxa! num sabia dessa! Rock'n'roll dos bão, hein?] . Aos 19 anos, foi estudar arquitetura na USP. Mas não se formou: só teve saco de ficar por lá 2 anos. Riquinho como sempre foi, sabia que não precisava estudar para ter a vida que queria.[Bem, até aí você tá contando a história de 250% dos músicos deste país e do mundo! Renato Russo largou a escola e virou.. er... Renato Russo; Chico Buarque largou a escola e virou... er... Chico Buarque; Zezé de Camargo e Luciano largaram a escola porque não podiam mais estudar e viraram... cê já entendeu, né, Klingon?]
Quando os militares tomaram o poder no país, ele começou a fazer músicas criticando o regime. Aí, vem a melhor parte: o tão aclamado exílio. Meu amigo, isto é lorota. O exílio do Chico foi imposto por ele mesmo. Vendo os militares capturando e torturando quem não aceitava o regime, o indivíduo, aos 25 anos, não queria se arriscar no Brasil. Colocou o rabinho entre as pernas e se mandou para a Itália. Fala sério. Pra Itália? Até que eu queria um exílio desse!! Se exilar no Congo ninguém quer, né?[ele falav afrancês, tinha amigos nazoropa, ia fazer exatamente o quê na África? Faltou-lhe uma certa vocação missionária, é isso que você quer dizer, Klister?]
Daí, depois, ele voltou pro Brasil e ficou posando de herói da democracia. Mas quando a podridão do Governo Lula, que o Chico apoiou, veio à tona, o Chato Buarque ficou calado, como todo burguesinho petista. Daí, como agradecimento, o Lula colocou a irmã do Chico, a Ana Buarque, pra ser ministra da Cultura. Sim, o Lula. Ou você acha que a Dilma decide algo sem consultar o chefão? A não ser que você seja do time que acha o Chato Buarque um grande artista. Nesse caso, você é capaz de acreditar em tudo.’’[POOTAQUEPAREEOOOO!!! Quer dizer que você me tgrouxe até aqui pra falar mal de Lula e Dilma, Klubster?!?!?! então Chico não presta por causa do Lula e da Dilma?

 

Olha, me deu vontade de fazer um texto enaltecendo Chico pra desancar Lula e Dilma. Licença que eu vou pegar fiote na escola e já volto pra escrever esse troço!

(P.S.: digamos que Chico Buarque leia o texto do Klogster. O burguesinho filhinho de papai vai:

(  ) Perder noites de sono

(  ) Chorar

(  ) Beber pra esquecer

(  ) Fazer nada

Eu aposto na terceira opção. Mas só no primeiro verbo: Chico buarque vai beber. Porque Chico Buarque bebe. Ponto. :D

A essência do preconceito

segunda-feira, junho 27th, 2011

(antes de começar a ler este post, ponha na sua cabeça que eu não defendo nem um discurso nem outro. Apenas pretendo demonstrar a construção de um discurso)

À primeira vista, esse discurso me irritou horrores. A deputada estadual Myrian Rios, do PDT do Rio de Janeiro, em nome de sua religião e de seu deus (e eu fçao questão de manter deus em minúscula aqui, porque o verdadeiro Deus, quem quer que seja Ele, jamais corroboraria de tão nefasto discurso) defendeu a homofobia durante a votação da PEC-23, que criminalizava o preconceito contra orientação homossexual no estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 2011.

Mas como eu sempre tento entender a essência do texto, da palavra, em todo e qualquer discurso, percebi na fala da deputada (a íntegra está aqui) uma oportunidade de dar uma aula de estrutura do discurso preconceituoso.

O discurso está pronto. A argumentação é racionalizada (existe uma tentativa de inserir o preconceito dentro de uma linha de raciocínio pertinente que, para muitos, faz sentido – ou seja: a premissa torna-se verdadeira).

Bom, vamos ao discurso em questão. Destaquei em negrito as palavras-chave do discurso:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou orientação sexual”. Ou seja, se for discriminado por orientação sexual, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a orientação sexual dela é ser lésbica. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e orientação sexual – também.

Se o rapaz escolheu ser homossexual o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser homossexual; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a orientação sexual dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma orientação sexual que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem orientação sexual homossexual. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma orientação sexual homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a orientação sexual com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a orientação sexual dos homossexuais?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação sexual pedófila, tem a orientação sexual de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha orientação sexual, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos homossexuais: lésbicas e homens homossexuais. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A orientação sexual pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a orientação sexual, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


 

Antes de você se irritar com esse texto como aconteceu comigo, vou lhe convidar a abstrair todo o lado nefasto desse texto para se ater exclusivamente à essência dele.

Esse texto, então, torna-se perfeito para demonstrar a definição principal de preconceito de Tio antônio (Houaiss):

ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão
sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância

Quer ver como esse texto serve para qualquer tipo de discriminação?

Vamos substituir as palavras em negrito da seguinte forma:

homossexuais /homossexual – negros/negro

Lésbicas/lésbica - negras/negra

orientação sexual – raça (em dois casos, eu mantive apenas orientação, para manter o nexo da coisa)

E aí temos um discurso prontinho para ser lido na primeira quinzena de maio de 1888. Para não dizer que eu não fiz nenhuma alteração, vou deixar apenas uma frase que sobrou do texto original, e pode ser removida. Ela está destacada em lilás:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou raça”. Ou seja, se for discriminado por raça, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário negro na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a raça dela é ser negra. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha raça não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na raça dela como negra, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e raça - também.

Se o rapaz escolheu ser negro o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser negro; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a raça dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha raça aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma raça que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é negro e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem raça negra. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a raça é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma raça homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a raça com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a raça dos negros?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação pedófila, tem a orientação de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha raça, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos negros: negras e homens negros. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A raça pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a raça, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


Viram só?

Agora, divirta-se: faça Myrian Rios discursar contra gordos, evangélicos ou, ainda, louras heterossexuais.

Você vai ver que o discurso ainda vai ter uma linha lógica.

E no dia em que geral entender que homossexualismo não é opção (NEM DOENÇA, CACETE!), esse país volta a andar pra frente.

Aleluia, irmãos!

O quiproquó do livro do Mec – uma opinião terceirizada

sábado, maio 14th, 2011

Antes de começar o post propriamente dito, informo que este blog está em greve de polêmica.

Vão discutir com o pai dele?

Aqui tem quiproquó, debate, discussão, peleja, contenda, argumentação e controvérsia. Basta de polêmica! Vou dar férias a essa palavrinha que tá me torrano os pacová.

E vou aproveitar essas três últimas palavras da frase acima (torrano os pacová) pra dizer que língua é um troço vivo! putaquepariu, bruxa, é nisso que dá deixar de trepar sexta à noite pra ficar blogando! Fala merda de duplo sentido! Reescreve esse troço aí, bosta! enfim, toda e qualquer língua está em constante evolução.

Existe aquela infeliz daquela Norma Culta, que sempre impõe suas regras (quando falo em Normal Culta impondo regra imagino uma normalista de sobrenome Culta naqueles dias do mês, mas deixa isso prá lá).

Devemos seguir, sim, dona Norma Culta em situações oficiais (provas, concursos, vestibulares, redações oficiais e institucionais em geral). Mas a língua dita no dia a dia, nas ruas, no interior, os sotaques, expressões… não é lá muito amiga da dona Norma, não…

Vamos combinar que não se deve começar um texto oficial com a expressão vamos combinar, por exemplo. E também não se deve encerrar essa redação com palavras como me torrano os pacová.

Mas é gostoso escrever assim. É gostoso se comunicar de forma livre, leve e solta. Curto muito chamar meus leitores e interlocutores de zifios. Esse vocativo não existe em nenhum dicionário, mas e daí? Claro que não vou me referir oficialmente a um juiz ou a um presidente de banca como mizifio, mas eu conheço as regras, e sei como, onde, quando, com quem  e por que quebrá-las <– isso é o mais importante!

E o que dizer, então, das expressões do twitter todos chora, todos reclama, ou corrão, vejão, leião? O mais curioso é perceber quequem usa essas expressões são pessoas que têm plena consciência de que estão escrevendo errado – e mesmo assim o fazem, pelo prazer do escárnio ou de quebrar as regras. E aí, comofas?

É por isso que essa discussão do livro adotado pelo MEC tá me dando uma gastura tão grande que eu vou kibar opinião alheia. Kibada portuguesa, claro.

Li essa carta oficial do Maurício de Sousa na revista Chico Bento de abril de 2010. Na época, cheguei a pensar em postá-la aqui no caldeirão, mas não havia versão dela na Web, eu teria que digitar tudo, baixou preguiça e eu deixei prá lá.

Treze meses depois, veio esse quiproquó do MEC, eu resolvi jogar a carta no Google e achei o texto inteirinho no blog do Ricardo Marques, a quem acendo uma vela pelo trabalho de digitação que eu troquei pela preguiça. A cigarra aqui agradece à formiga, zifio! \o/ :D

Enfim, depois desse narigão de cera e da kibada portuguesa, digo que minha opinião sobre esse tema foi dissertada em 2010 por Maurício de Sousa (que, ora vejam vocês, tomou posse como membro da Academia Paulistana de Letras esta semana! PARABÉNS, MAURÍCIOOOOOOOOOOOO!!). Na ocasião (não na posse da APL, em abril de 2010! Se situa, rapá!), Maurício defendia a linguagem usada por Chico Bento, e explicava por que ela não faz mal ao aprendizado dos petizes.

Mas eu sou fã mesmo é do Zé Lelé! Curto muito esse caipirão bobão! \o/

Viva o caipirês!
O Chico Bento foi criado em 1961. Desde então, virou um ícone do caipira brasileiro. E com muito orgulho. Mas ainda tem gente que acha que o jeito dele falar é prejudicial aos pequenos leitores.
Não concordo! Uma criança forma o seu vocabulário de acordo com o que ouve ao seu redor: na família, na escola ou na sociedade. Ela não modifica seu jeito de se expressar por ler histórias do Chico Bento. Se fosse assim, já imaginou quanta gente bem crescida falaria “caipirês” até hoje?
É preciso lembrar que Chico Bento vive a realidade da zona rural. E com sua personalidade doce e pura, além de muito humor, fala da preservação do meio ambiente, da vida no campo e do nosso folclore. Ele pode até não estar entre os melhores alunos da escola, mas dá aula quando o assunto é a sabedoria de como viver.
O Chico nos mostra um Brasil gostoso, saudável, onde a criança tem espaço e elementos para experimentar, interagir e viver a infância em toda sua plenitude. E mostra isso falando no mais puro e gostoso “caipirês”. Quer coisa mais fofa?
Extraído de “Chico Bento” edição n.° 40 Abril de 2010

E depois dessa, eu deixo que os doutos comentaristas da CBN (ah, eu nem me dei ao trabalho de ouvir o que eles disseram, mas imagino. Vocês podem me crucificar por isso, mas agora não que eu tô com gastura:P ) argumentem seus saberes com a prática e a experiência do Maurício. (Tô começando a curtir essa coisa de terceirizar briga… vou aprimorar a técnica, depois eu ensino procês)

Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo”

quarta-feira, maio 11th, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante da Madrasta do Texto Ruim.

Hoje eu vou explicar pra vocês, de uma vez por todas, por que diferencial competitivo é uma expressão vaga e imprecisa, incapaz de passar uma mensagem direta, ela apenas insinua não sei bem o quê.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que as funcionalidades de uma solução são um diferencial competitivo de minha empresa”, dirá você, ameba escrevente.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que diferencial competitivo é uma coisa que agrega valor”, completará sua coleguinha.

Daí eu mostro pra vocês, oh amebas, pra que serve a expressão diferencial competitivo. O ÚNICO CASO em que a coisa foi bem empregada.

Do Portal Correio:

Pastor troca esposa pelo cunhado e pede guarda dos filhos
Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal-RO. Um homem de 36 anos separou-se de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner.(…)
Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Entenderam, amebas?

Então, a menos que você queira referir-se à prática de sexo anal, não saia por aí falando em diferencial competitivo.

E aqui eu deixo meus cumprimentos à Adriana Bezerra, autora desse texto di-vi-no, e à Nalu Nogueira, que me avisou da existência dele via Twitter.

P.S.: Parece que essa notícia deve ser falsa (traduzindo: não tenho a mais vaga idéia se essa notícia é verdadeira ou  não). Verdadeira ou falsa, ela não invalida a didática do trauma. Grata. :D

O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011

Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviram 

o brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

- Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América, 

deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

- Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! :D

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia

sexta-feira, abril 29th, 2011

Daí que neste dia de casório real lá pelas terras inglas (copyright Barão de Itararé) de dona Elizabeth, recebo via twitter do @ramiro_fc o link para o site da Família Real Brasileira. Se você começou a rir só de ler o título, você vai chorar ao clicar no link. Porque para um tema do qual só se espera pompa e circunstância, o nível do português é de xurraxcão na laje. Isso, claro, é preconceito meu, porque aposto que frequentadores de churrascos em lajes devem falar português muito mais castiço do que o dos Orleans e Bragança versão brasileira.

Só pra dar uma idéia do nível da bagaça, permitam-me esculhambar reescrever o texto sobre a Casa Imperial brasileira, que pode ser lido aqui (antes de ler, reparem na quantidade de texto vermelho, original, e na quantidade de texto azul, minhas observações. Isso da idéia da quantidade de bosta que eu enfrentei…):

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, [Vossas Altezas vão me desculpar, mas essa vírgula foge ao protocolo. Ponto funcionaria melhor, sabe?] os poucos que conhecem conheceram [conhece ou conheceram? As Altezas, certas de sua superioridade dinástica, furtaram-se ao simples ato de releitura e correção de uma redação? afff!] a face desta família, que fora construida [Aê, Altezas: vamos coroar esse verbo com um acentinho básico? Acento esse que, claro, é muito inferior à imperial Coroa - mas obrigação protocolar, sabe? cons-tru-Í-das. Grata.] sobre o imaginário republicano[não entendi como pode uma família real construir-se sobre o imaginário republicano, mas né? Diz o protocolo que não se deve questionar reis e rainhas - tampouco dizer HEIN? ACUMA? IXPLICA? E como eu não estou aqui pra quebrar protocolos, calo-me]. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. [com todo o respeito, mas eu acho que Vossas Altezas não entenderam direito como se pontuam frases em bom Português. O ponto é como se fosse uma tecla de enter, pra jogar a informação da frase pra dentro do cérebro. Já a vírgula é pra arrumar as idéias dentro de uma mesma frase. Portanto, oh, altezas, esse ponto ficaria melhor se fosse vírgula, OK?] A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação [Aham, Altezas. Mas deixa isso prá lá. Não quero entrar no mérito do conteúdo do texto. Tô aqui pra corrigir a gramática e a pontuação...] . Nossos príncipes remontam a [..., caso da crase faltante desse a aí do lado] época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987 [tá, geral na Família Imperial é tudo remontado, isso deu pra entender. Mas se vossas Altezas aceitassem um reinado de precisão redacional em vossos altivos neurônios, teriam explicado que a Casa Real Brasileira inaugurou-se na época da independência com a coroação de D Pedro I, monarca oriundo de uma linhagem (esta sim) que remonta a Hugo Capeto. Vou nem questionar vossos altivos conhecimentos de história. Tô só colocando os pingos no  is, OK? e ó, vou creditar como esbarrão de dedo: indepenDÊNcia tá com o acento na sílaba errada. tem que ver isso aí - Obrigada pelo aviso, Ana! :D ] . Isto a precisamente a 1017 Anos [Olha, Vossas Altezas que me perdoem a expressão chula, mas preposição a pra indicar tempo passado É O CARALHO vosso altivo membro peniano!! E ainda dizem "precisamente"!!! Atenção, portanto, monarcas e plebeus luso-parlantes: tempo passado é indicado com o verbo haver; tempo futuro é indicado com a preposição a. Juro por Deus que vou fazer um post especial só sobre isso! Mas o lance do Hugo Capeto foi HÁ precisamente 1017 anos!!!! Vou nem entrar no mérito de Anos grafado com maiúscula, nem que números maiores que 1.000 precisam desse pontinho pra separar as ordens de grandeza] !!
Tendo [eu TENHO uma implicância especial com frases iniciadas por gerúndio] na sua árvore genealogica, [Façam o favor de rapar fora essa vírgula daí que ela não serve pra nada?: Gradicida! E genealÓgica tem acento, ô coisa! (deu pra reparar que eu tô perdendo paciência, pompa e circunstância com esse povinho, né?)] obviamente a Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI [contradição detectada: como pode a família real brasileira "remontar-se" à época da independência, e o parágrafo seguinte listar na família real Brasileira D. João VI, que nunca foi imperador do Brasil, mas do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVE? Coerência histórica, a gente não vê por aqui!]. Os príncipes do Brasil tem em linha varonil direta, [Não sei se me irrito mais com essa vírgula mal colocada ou com a linha varonil direta... tô aqui imaginando uma vara de quase 800 anos de comprimento, mas deixa isso prá lá. E eu fiquei tão impressionada com a vara de 800 anos :o que nem reparei que os príncipes do Brasil tÊm. Não fosse uma leitora pra avisar, passaria em branco! ] São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) pela parte Orleans. Pela parte Bragança remonta a Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que se casou com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal [Condestável? Pedi socorro pra tio Antônio Houaiss, que me contou que condestável é um posto militar que só perde em importância pro rei. Mas isso não aplacou minha sana por trocadilhos infames, ah, não aplacou!] .
[MA CHEEEE! Quebrou parágrafo por quê? O assunto continua o mesmo.... Outra coisa: começar frase com conjunção aditiva E não é pra qualquer um, não! Eu faço isso direto, mas releio meu texto e vou trocando sempre que possível! Esse e daí ficou HOR-RO-RO-SO!] E também pela parte Wittelsbach remontando [ô fixação por montaria, viu? Ticontá...] a Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). [De novo! Esse ponto daí não tem nada a ver com o andamento do texto! Taca vírgula, ô coisa! <-- é, meu protocolo foi-se todo] Vemos bem que a nossa família imperial remonta a muito mais tempo do que imaginamos [eparrê-iansã! Essa frase tá tão mal construída, mas tão mal construída (culpa da fixação por montaria), que esse a daí tá mais pra verbo haver. Ou não? Na dúvida, melhor reescrever!] !
É sendo assim que com orgulho [<-- É sendo assim que com orgulho? Esse texto deu foi Vergonha Alheia, isso sim!] divulgamos a nossa Causa [Ok, este trocadilho eu não perco: é pra divulgar a casa ou a caUsa? QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA prontopassou] , que é pela Restauração da Monarquia no Brasil [mentira, não passou, não! vou rir de novo aqui: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA], interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do Exército na aquela época [na aquela época? G-zuz! Mas enfim, aham, altezas. Acho só que vossas imperialezas já se esqueceram do plebiscito de 1993... tsk, tsk, tsk, memória seletiva, que coisa mais feia...] . Erram, e erram feio [e ó: aqui caberia uma vírgula, sabe? Cadência, elegância...] aqueles que pensam que a República fora [ai, que mais-que-perfeito feioso!] um regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes esta “democracia” fora[Pros que não entenderam a ironia, a palavra certa pra definir o mais-que-perfeito aqui e na outra frase não é "feioso". É "errado', mesmo!] interrompida por golpes, mandos e desmandos ! E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram aqueles que queriam a continuação do Regime Escravocrata. Sendo assim vamos libertar o Brasil de um jugo que ha 114 Anos [tá. Agora Vossas altezas podem explicar POR QUE AQUI VOCÊS USARAM O VERBO HAVER INDICANDO PASSADO CORRETAMENTE (ainda que sem o acento), E LÁ EM CIMA USARAM ERRADO? E por quê Anos foi grafado com letra maiúscula? Consistência, a gente não vê na Família Imperial!] o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Bom, vou só lembrar a Família Real que o Capítulo III, Artigo 13 da Constituição Federal determina que A Língua Portuguesa é o idioma da República Federativa do Brasil. Entendo que as altezas não reconheçam o país como uma República, mas CACETE, DÁ PRA ENTENDER QUE É NECESSÁRIO FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE PRA REINAR POR AQUI, DÁ?

E, como estou boazinha, vou reescrever essa coisorrorosa daí de cima, pra ver se vai ornar com um mínimo de classe e elegância típicos de um português bem escrito.

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial. Os poucos que conhecem a face desta família percebem-na a partir de uma imagem constituída em épocas republicanas, ao longo de 114 anos nos quais nossa pátria vem resistindo aos mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. A fundação da Família Real brasileira ocorreu ainda na época da Independência do Brasil, com a coroação de D Pedro I Imperador do Brasil. Nosso primeiro monarca vem de uma linhagem real que começa em Hugo Capeto (940-996), Rei da França em 987 – uma linhagem de 1.017 anos!

A árvore genealógica da família brasileira divide-se em três ramos. Os atuais herdeiros descendem diretamente da Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI. Pelo lado Orleans, os príncipes do Brasil têm em linha varonil direta São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) e, pela parte Bragança, seu primeiro membro foi Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que casou-se com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal. O terceiro ramo da família real brasileira liga-se aos Wittelsbach, até Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). Percebe-se que nossa família imperial é muito mais tradicional do que se imagina!

Portanto, é com orgulho que divulgamos a nossa causa da Restauração da Monarquia no Brasil, interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do exército àquela época.

Erram, e erram feio, aqueles que pensam que a República foi o regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes essa “democracia” foi interrompida por golpes, mandos e desmandos!

E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram os que queriam a continuação do Regime Escravocrata.

Portanto, vamos libertar o Brasil de um jugo que há 114 anos o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Ainda assim, vamos combinar que esse estilo de redação é sofrível.

A caminho da crase III – regência errada faz Reuters acusar Angelina Jolie de explorar os refugiados líbios

terça-feira, abril 5th, 2011

Daí que essa escorregada feia da tradução da Reuters (reproduzida por T-O-D-O-S os jornais do Brasil) vai servir de abre-alas pro próximo post, esse sim sobre crase.

Bom, antes que me perguntem o original táqui.

O título diz uma coisa e o primeiro parágrafo desmente o título e diz outra. Legal, né?

Ó só:

Angelina Jolie pede ajuda a refugiados da violência na Líbia [como é que é, zifia? Os refugiados vão dar ou vão receber a ajuda?]

A atriz e embaixadora da boa vontade da ONU Angelina Jolie fez um apelo nesta terça-feira  à comunidade internacional pedindo por ajuda às pessoas [arrá! Então é a comunidade intgernacional que recebeu o pedido de ajuda da Angelina Jolie! E os refugiados é que vão receber a ajuda! Ah, então tá bom!) que estão fugindo do conflito na Líbia e por maior assistência a quem permanece no país.

Diagnóstico da Bruxa: O título é que ficou com duplo sentido. Deixar o a como preposição ali foi de uma infelicidade tremenda, pois ele acabou dizendo que os refugiados vão receber ou oferecer a ajuda. Precisão no texto?  Não trabalhamos.

Eu faria assim pra consertar o título:

Angelina Jolie pede POR ajuda a refugiados da violência na Líbia

Ainda assim, curti muito esse título, não…

E aí? ficou feio?

Alguém tem sugestão melhor?

Mas ponham bastante reparo nas duas crases do primeiro parágrafo. Elas estão liiindas! Fresquinhas, certinhas, cheirosinhas e gostosas! :D

E, antes que eu me esqueça, deixa eu colar aqui a prova de tio gúgou de que TODOS foram atrás desse título horroroso. ó só:

(E meus agradecimentos à @verbofeminino que enviou o link do Estadão pelo Twitter!)

A caminho da crase II – Exercícios

terça-feira, abril 5th, 2011

Desculpem. Tô devendo este post aqui há mó tempão. Espero que ajude, viu?

As respostas estão aí embaixo, no final do post. Pintadas de branco que é pra você não ver nadica. Se você clicar em “selecionar tudo”, copiar e colar no seu aplicativo de texto, vai ver as ditas normalmente.

1- Identifique quais são as classes gramaticais dos a nas frases abaixo
(é pra dizer naonde ele é preposição e naonde ele é artigo!)

a) Maria é a moça que mamãe pediu pra nora

b) A idiota não viu que o motor é movido a gasolina, e completou com álcool

c) A menina é movida a esporro! Depois que a mãe brigou, ela arrumou a sala que deixou bagunçada.

d) A merda não é apenas um estado de espírito.

e) fogão a Lenha? Grandes bostas! Quero um fogão movido a peido, bem mais prático!

f) Hermengarda pede ajuda a ricos para que a plantação de orégano fique viçosa

g) O encontro foi regado a vinho no momento em que a cerveja acabou

 

 

 

Aqui começam as respostas:

a) a moça = artigo

b) A idiota = artigo; a gasolina = preposição

c) A menina = artigo; a esporro = preposição; a mãe e a sala = artigo

d) A merda = artigo

e) a lenha = preposição; a peido = preposição

f) a ricos = preposição; a plantação = artigo

g) a vinho = preposição; a cerveja = artigo

Aqui terminam as respostas

A caminho da crase I – as várias facetas gramaticais do A

sábado, março 26th, 2011

Iiiiiiiiiiiiiihhhhh, bruxa! Que título mais intelectual! entendi lhufas! Dirá você, dileto leitor ectoplasma suíno – barra – ameba escrevente. Mas calma. Eu estou aqui pra mastigar tudo procêis.

Tô aqui desconfiando que quem não entende ou desiste de entender a crase é porque, na verdade, não entendeu as funções gramaticais do a. Gente, não é à toa que o a designa o gênero feminino! Tal qual uma mulher das boas, ele superacumula funções em sua existência.

Se nós somos mulheres, mães, esposas, filhas, profissionais etcetcetc, o a é substantivo, artigo, preposição e, glórias das glórias, culmina por fazer jornada dupla numa frase como artigo e preposição – é a crase.

Mas vamos beeeem devagarzinho que é pra gente ir deglutindo a informação aos pouquinhos, como se fosse um bom drink cheio de gelo que vem naqueles copões…

Comecemos, pois, pelo artigo. Crianças, pra que serve um artigo? (Como eu sei que vocês não sabem e eu não vou ter uma resposta clara assim, de chofre, recorro à Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:)

“Artigo é a palavra que precede o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, ao mesmo tempo em que generaliza ou especifica [o substantivo].”

Portanto, o artigo a indica e determina um substantivo:

A menina; A árvore; A bicicleta; A bola; A mulher; A [já deu, né?]

 

Ih, bruxa, isso é fácil, eu entendi!

GLÓRIA AO SENHOR NO REINO DOS CÉÉÉÉUS!!! \o/ :D

Então, vamos pruma classe de palavras pouquinha coisa mais complicada (mas que a gente usa a rodo)

Crianças, pra que serve uma preposição? (Direto pra tios Nicola e Infante:)

Preposição é a palavra invariável que une termos de uma oração, estabelecendo entre eles várias relações. [Opa! Como diria a Katylene, é soorooba? \o/] (…) A preposição tomada isoladamente nada significa; ela só tem valor gramatical dentro de um contexto. Não exerce propriamente uma função sintática, é considerada um mero conectivo.

Lischeenha básica de preposições que vocês vão usar muito pra entender a crase:

ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás, e o a, que eu deixei por último de propósito.

O que os tios Nicola e Infante esqueceram de dizer sobre as preposições é que elas são, quase sempre, classe mó unida. Quando uma falta, outra corre e fica no lugar da primeira. O a preposição é useiro e vezeiro dessa união, já que faz tanta hora extra. Isso eu mostro mais tarde, no capítulo de crases!

Mas deixemos de lado as preposições outras. Vamos nos ater aqui apenas ao a. Segue outra lischeenha, em que o a atua única e exclusivamente como preposição:

Motor a explosão

Fogão a lenha

Movido a corda

Dia a dia

Vou a Brasília

Marcha a ré


Viram como ele ficou diferente, tá com um compromisso diferenciado (OK, podem me matar! Eu escrevi diferenciado!) na frase?

Então, fiquem por aí remoendo essas coisas todas que eu volto noutro post com uma lista de exercícios pra ajudar vocês a fixar bem esse negózdi a preposição.

Aí a gente entra noutro post só pra crase…

Aprendizado visual x aprendizado racional

sexta-feira, março 25th, 2011

Num guento mais explicar e nego continuar errando a bagaça. Agora, vou quase desenhar a coisa:

Verbo trazer, presente do indicativo:

Eu trago

Tu trazes

Ele/ela traz

 

Preposição:

ficar para trás

olhar para trás

 

Certa de ter ajudado a todos, subscrevo-me.

PresidentA. É lei! Do Juscelino!

sexta-feira, março 25th, 2011

Vou voltar à discussão do presidente X presidenta. Pra me contradizer e nunca mais voltar ao assunto!

Vocês devem se lembrar aqui que eu reconheci que as duas formas (presidentE e presidentA) estão corretas para se referir a uma mulher que ocupe o cargo de presidente do que quer que seja, né?

OK, muitas mulheres (Dilmavana inclusive) defendem a preferência pelo termo presidentA para se impor ao machismo e patriarcado reinante etcetc pereré pão duro whiskas sachê blablablá. Mas eu acho que a vogal a já tem atribuições demais em sua vida (substantivo, artigo, preposição, crase mal-compreendida) pra ter que carregar sobre seu ângulo de 45 graus um peso tão importante como esse. Mas respeito a decisão e o raciocínio.

Até que a Cristine Marchini (@madycris) me enviou, por twitter, a lei 2.749 de 1956. O original está aqui.

(Muito obrigada pelo link, Cristine!)

LEI Nº 2.749, DE 2 DE ABRIL DE 1956

Dá norma ao gênero dos nomes designativos das funções públicas

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art 1º Será invariavelmente obervada a seguinte norma no emprego oficial de nome designativo de cargo público:
“O gênero gramatical desse nome, em seu natural acolhimento ao sexo do funcionário a quem se refira, tem que obedecer aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto e consagrados na lexeologia do idioma. Devem portanto, acompanhá-lo neste particular, se forem genericamente variáveis, assumindo, conforme o caso, eleição masculina ou feminina, quaisquer adjetivos ou expressões pronominais sintaticamente relacionadas com o dito nome”.

Art 2º A regra acima exposta destina-se por natureza as repartições da União Federal, sendo extensiva às autarquias e a todo serviço cuja manutenção dependa, totalmente ou em parte, do Tesouro Nacional.

Art 3º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 2 de abril de 1956; 135º da Independência e 68º da República.

JUSCELINO KUBITSCHEK

Nereu Ramos

 

Tradução aplicada:  sentou na cadeira de Presidente da República Federativa do Brasil e é mulher, deve ser chamada de PresidentA. Desde 1956.

Que se dane a ambiguidade da Língua Portuguesa.

Já que jota-cá assinou, eu me resigno e passo a adotar o termo presidentA. Argh!

E fico a esperar que toda a imprensa brasileira acate a lei.

Pérolas de relatórios rurais

terça-feira, março 22nd, 2011

Tenho horror daqueles e-mails do tipo “pérolas dos vestibulandos” por um motivo muito simples: não tenho como confirmar a veracidade do conteúdo.

Além do quê, chega uma hora em que as pérolas dos vestibulandos passam a ter uma linha de raciocínio de escárnio muito similar (traduzindo: fica parecendo que algum humorista “deu um tapa” de estilo ali).

E sei que nada será capaz de superar o relato de Stanislaw Ponte Preta de um relatório de um delegado do Mato Grosso sobre um crime político (Febeapá, pág. 17):

“A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em quatro pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio.”

Mas isso tudo daí de cima é pra introduzir uma série de pérolas que eu consegui. Ah, dona Bruxa, olha a incoerência! Vai postar coisa que você não acredita, é? Vou não, zifios! É que neste caso daqui a veracidade do conteúdo tá confirmadésima.

Seguinte: um banco (cujo nome não fornecerei) er… por assim dizer brasileiro, e com sede em Brasília (hum? hum?) possui um departamento de crédito agrícola. Uma das funções desse setor é fiscalizar o uso e o benefício ou não dos empréstimos feitos para os setores agrícola e pecuário. Essa fiscalização é feita por funcionários do próprio banco,  que fazem visitas às propriedades rurais em questão e fazem relatórios técnicos (temo muito quando alguém me diz que qualquer coisa tem linguagem técnica) da situação.

Daí o que fica arquivado nos anais (ui!) do banco são coisas desse nível (aviso: textos transcritos exatamente conforme os originais).

Visitamos o açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos que o mesmo estava vazio. Pessoa esforçada, com intenções claras de valorizar o salário que ganha.

Era uma ribanceira tão ribanceada que se estivesse chovendo e eu andasse a cavalo e o cavalo escorregasse, adeus fiscal. pelo visto, a coisa é mesmo íngreme, né?

Na minha opinião, acho bom o banco suspender o negócio do cliente para não ter aborrecimentos futuros. Sei. Viagra e fritas acompanham?

Sol castigou o mandiocal. Se não fosse esse gigante astro, as safras seriam de acordo com as chuvas que não vieram. Uma conclusão conclusiva, néam?

‘Cobra’ – comunico que faltei ao expediente do dia 14 em virtude de ter sido mordido pela peçonhenta epigrafada. um dia esse dái via aprender a diferença entre veneno e peçonha. Mas deixa prá lá, né?

Os anexos seguem em separado. anexou mas separou! Legal, zifio! Eu sigo no aguardo, então, tá bom?

Se não fosse o sol, tudo indica que a chuva aumentasse a safra. outra conclusão bem conclusiva.

Cliente aguarda a capilaridade pluviométrica da zona para plantar a mandioca em local macio e úmido. er… medo de perguntar que tipo de especialista mandou plantar essa mandioca, viu?

A casa de farinha nunca foi para frente porque o mutuário que fez o empréstimo deu para tráz trás, bosta! é trás!] e nunca mais se levantou. O zifio morreu, é isso?

Fui atendido na fazenda pela mulher do mutuário. Segundo fiquei sabendo, ninguém quer comprá-la e sim explorá-la. Diz que você tá falando da fazenda, diz!

Imóvel de difícil acesso. O mato tomou conta de tudo, deixando passagem só para animal rasteiro. Próxima vistoria deve ser feita por fiscal baixinho. <– exemplo de escárnio

A máquina elétrica financiada é toda manual e velha. Fazendeiro financiou a máquina elétrica mas fez todo o trabalho braçalmente e animalmente. Imediatamente a gentemente pensamente que o sujeitamente não entendemente como utilizarmente advérbiosmente de modomente, némente?

Gado está gordo e forte, mas não é financiado e sim emprestado somente para fins de vistoria. O filho do fazendeiro está passando férias na Disney. #euri

Trajeto feito a pé porque não havia animal por perto, só o burro do fazendeiro. Despesa de locomoção grátis. patrocínio: lombo do fazendeiro

Contrato permanece na mesma situação da vistoria anterior, isto é, faltando fazer as cercas que não ficaram prontas. aham…

Mutuário adquiriu aparelhagem para inseminação artificial mas um dos touros holandeses morreu. Sugerimos treinamento de uma pessoa para tal função. não sei se imagino a dor do touro morrendo por causa disso, ou se imagino qaue o próximo inseminado será da espécie humana… Ai!

Tempo castigou a região. O sol acabou com a farinha e chuva com feijão. Que lindo! Esse conseguiu inté rimar!

As garantias permanecem em perfeito estado de abandono. Cliente vive devidamente bêbado e devendo aos bares e a Deus e ao mundo. tem como não amar essa sinceridade quase naïf?

A erradicação da plurieuforbiácea carece das condições pluviométricas. Só quero saber se o zifio em questão entendeu o que escreveu. Fazer-se entender  prá quê, né?

A euforbiácea foi substituída pela musácea sem o consentimento e autorização de nosso querido banco. Deve ter sido o memso autor da frase de cima. Inda puxou o saco da chefia…

 

Curti muito isso. quando tiver mais, eu publico! \o/

Bons hábitos, bons exemplos

quinta-feira, fevereiro 24th, 2011

Este post é mais uma kibada portuguesa desta bruxa que vos fala: copio no blog original, colo aqui e dou o link pro blog original. Ele foi originalmente escrito hoje mesmo, no blog da Rede Mulher e Mãe, mais precisamente aqui, pela minha amiga desertora Tatiana Passagem, que está de mudança para São Paulo.

Só pra enfatizar ainda mais a prática deste bom hábito, digo que o filho da Tatiana, o Vítor, pediu pra mãe fazer um blog pra ele, este aqui. dá pra perceber que não é ele quem escreve, mas é um trabalho em dupla, entre mãe e filho: ele diz sobre o que quer escrever, ela ajuda na pesquisa, ele vai ditando o texto pra ela (ela digita mais rápido) e vai dando uns tapas na redação. O resultado é um conteúdo originalmente infantil, com uma excelente apresentação, que mantém o tom lúdico do autor do blog. Enfim, uma idéia (boas idéias merecem acento) do cacete levada a cabo pela Tatiana.

Tudo isso pra dizer que eu tô aqui morrendo de vergonha por não ler pro meu filho nem um décimo do que a Tati lê pros filhos dela (a Alice, outra filha dela, é poucos meses mais nova que o meu Feiticeirinho).

Então, fiquem com o (sempre) excelente texto da Tatiana, e dá licença que eu vou ler pro meu fiote, gente! \o/

***

AS CRIANÇAS E O MUNDO MÁGICO DOS LIVROS

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011  Postado por Thaty
Aproveitando o embalo da Ciranda da Leitura “Pequenos Leitores” (que por sinal está fazendo um sucesso TREMENDO. Já temos mais de 60 crianças inscritas, a mais nova com 5 meses – uma ainda na barriga – e a mais velha com 14 anos), vamos falar de crianças e livros hoje?
Eu acredito que não existe idade mínima para se apresentar uma criança a um livro. Antes que eu tivesse os meus filhos, achava que isso era um contra senso. Como assim ler para um bebê? Claro que ele não vai entender nada! Mas eu estava errada. Meus dois filhos sempre gostaram de me ouvir lendo pra eles. Não sei se era o som da minha voz ou as figuras coloridas dos livros, só sei que funcionava. E, pra me surpreender ainda mais, quando a Alice nasceu, com apenas 1 mês, ficava bem quietinha deitada ao lado do irmão, escutando-o ler para ela. Uma imagem de derreter e aquecer um coração materno.
Os dois tem muitos livros. Alice herdou (e destruiu) alguns dos livros que o Vítor tinha quando era pequeno. O que me mostrou mais uma vez que as crianças são diferentes: para deixar na mão dela sem supervisão, só livros de pano ou de banho, porque ela leva muito a sério aquela história de que o livro é o pão do espírito…rs Já o Vítor está se aventurando por mundos mais avançados, como Harry Potter, Crônicas de Nárnia e Como treinar seu dragão.
No fim das contas, eu continuo lendo para os dois, mesmo que o Vítor já saiba ler desde os 5 anos. Leio basicamente por dois motivos: primeiro porque gosto desse momento entre nós dois. Adoro aquela cena dele deitadão na cama, ouvindo a história e criando mil imagens em sua cabecinha. Segundo porque os livros que estou lendo pra ele tem algumas palavras mais difíceis, se ele for ler sozinho acaba desistindo. Então eu sempre leio um ou dois capítulos e paro no auge da ação, fazendo o maior suspense. Quase sempre, no dia seguinte, assim que acorda, ele pega o livro e lê mais um bocado sozinho. Não sem vir me perguntar o significado de um monte de coisas, né? Mas faz parte!
Pra mim, a leitura é um ticket para outra dimensão. Eu sei que é clichê dizer que você viaja sem sair do lugar quando lê, mas eu preciso dizer isso também! Mas é muito mais do que só isso, você entra na vida do personagem, se sente como outra pessoa, sai completamente da sua realidade. Um bom livro tem o poder de fazer você esquecer do lugar onde está, mesmo que seja cheio de pessoas e completamente barulhento. E eu penso: como não apresentar essa maravilha aos meus filhos?
E não podemos esquecer de outro poder dos livros: ajudar nossos filhos a lidar com seus problemas. Ele está com medo do escuro? Há um livro sobre isso. Não quer usar o pinico? Tem outro sobre isso também. Está fazendo pirraça. Sim, também tem. E como se isso não fosse suficiente, existem pessoas que vivem de escrever histórias específicas para uma criança específica. Uma vez o Vítor estava meio “revoltado” na nova escola. Coisas que nunca tinha feito antes, como bater em coleguinhas, passaram a acontecer frequentemente. Conversei com uma amiga que faz esse trabalho de escritora e ela fez para ele um lindo livro, onde ele tinha o mesmo super poder do seu personagem favorito do desenho Os Impossíveis e que estava mudando de escola, onde ele podia fazer natação numa piscina de suco de uva e praticar capoeira com ervilhas saltitantes. No final da história, ele conseguia ajudar os novos colegas com seu super poder e via que a nova escola também era legal. Pergunta se ele não adorou?
Acho que eles gostam de ler não só porque eu incentivo, mas também porque eles me vêem fazer isso. Eu sou do tipo que não pode entrar numa livraria, porque quero sair de lá com 5 ou 6 livros de uma vez só. E leio todos eles. Se eu pudesse ($$), leria um livro por semana, ou mais. Nunca me esqueço que uma vez, uma professora do Vítor veio me contar que ele falava pra ela que “a mamãe está sempre com um livro na mão”, ao justificar para ela porque ele também gostava de livros. Só espero que eles mantenham isso pelo resto da vida.
E vocês, também lêem para seus filhos? E os maiores, gostam de ler? Têm alguma dica para as mães cujos filhos não gostam de ler?

Verbinho irrelevante, texto nem tanto

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Bruxa, repita: Não devo negligenciar minha caixa postal. Não devo negligenciar minha caixa postal. Pronto! Agora pára de perder tempo repetindo idiotice e bora gerar conteúdo com os troço que geral te manda por e-mail! E larga de ser preguiçosa!

Enfim, recebi esta tetéia por e-mail. Como o querido ectoplasma suíno não se manifestou a respeito, vou seguir o procedimento padrão e não identificá-lo.

O negócio é que ameba se amarra num neologismo idiota e sem sentido para tirar o dar sentido a seu texto dela. Dessa lavra de criatividade duvidosa e mau gosto inconteste surgiram expressões assombrosas como o verbo objetivar (com um gerúndio passível de substituição por uma singela preposição) e o disponibilizar. Eu ao menos arranjei alguma utilidade pra essas aberrações, e batizei o meu caldeirão com elas.

O dileto ectoplasma suíno do e-mail identificou outro rococó-empolêixon de ameba escrevente neste site aqui. Olha só a tchutchuca:

Daí eu fui ter com tio Antônio, pra saber se esse negócio inzeste (não se dê ao trabalho de me avisar, eu sei! Tanto que pintei de vermelho!) mesmo ou se é invenção da ameba. Tio Antônio foi, pra variar, um gentleman ao identificar a ameba:

Fosse eu, diria: Verbete irrelevante. Quem foi o imbecil que escreveu isso? Mas tio Antônio é classudo. Eu é que sou uma bruxa.

Mas eu fui ver de que se tratava o texto em questão, e se a ameba criadora do neologismo imbecil era da espécie acadêmica (essas adouram um neologismo sem sentido, dá até medo ler os textos delas!). E olha que o acadêmico não é ameba, não! Ele fala em português claríssimo. Sai o

Acadêmico irreleva termo controle social (…)

e entra o

Não interessa que termo ou conceito seja empregado (a íntegra do texto táqui)

Quer dizer: é ameba pretensamente jornalística o autor dessa aberração.

Zifio, te digo só uma coisinha: esse verbo é irrelevante para a vida e saúde da Língua Portuguesa. Esqueça-o. Grata.

De conversas e tempos perdidos

quarta-feira, janeiro 19th, 2011

Cabei de ver esta tetéia aqui, enviada pelo @Aluizcosta e pelo @altinomachado no Twitter.

O texto retumba por entre os neurônios dos leitores com o seguinte abre-alas:

Quem gosta de um papo inteligente não perde tempo conversando com Sibá Machado (PT/AC).

Aí você fica na dúvida se o cabra curtiu conversar com Sua Excelência ou saiu da conversa crente que  o tempo dele foi investido  num papo meique idiota.

Minha dúvida agora é o motivo deste duplo sentido no texto. Seria o autor em questão um autêntico ectoplasma suíno (espírito de porco) que não curte petistas e resolveu tirar uma da cara de Senhor Sibá, ou será que ele realmente saiu satisfeito da conversa que teve com o deputado eleito, e não viu que a construção de sua frase dava motivos a interpretações outras?

Ai, meu Deus! Como é que eu vou dormir hoje com tanta dúvida?

Advogados especializados em canibais (ou seriam canibais especializados em advogados? Xi! confundiu!)

segunda-feira, janeiro 3rd, 2011

Recebi o link para esse escritório de advocacia no Twitter. Esses meninos são uns fanfarrões! Crentes de que o estoque universal de piadas de advogados não é suficiente, resolveram prestar sua humilde contribuição e acrescentar alguns trocadilhos de sua própria lavra.

Duas coisas vieram à minha mente ao descobrir que o nome do escritório de advocacia em questão é “Comi Advogados”: canibais e temperos em geral.

Pensa que acabou? Nããããããããoooo! O primeiro parágrafo do histórico do escritório também é uma jóia do estilo rococó empolêixon, aquele típico do mundo corporativo:

Desde março de 1992, a Comi Advogados Associados nasceu como um escritório pautado em padrões de excelência técnica em variadas áreas do Direito. Algumas características foram importantes, como defender todos os direitos dos clientes, agir honestamente e com integridade, desenvolver melhorias contínuas e cultivar ambientes de trabalho participativos, eficientes e produtivos.

Tá certo que foram importantes para o sucesso do escritório características como agir íntegra e honestamente, e mesmo trabalhar para que tudo ficasse ainda melhor, mais eficiente, mais produtivo, e tals. Mas um escritório de advocacia dizer que “defender todos os direitos dos clientes” é uma característica importante sua, vamos combinar que não soou bem. É algo como um hospital ter como importante característica tratar doentes, ou um professor ter como importante característica ensinar alunos.

Tipos, a expressão característica sine qua non deveria dizer muito a eles, né?

No mais, gostaria de acrescentar que a frase Podemos dizer que a Comi Advogados cresceu de forma sustentável desde a sua fundação me fez imaginar um lauto banquete de canibais que curtem o deguste de advogados especialmente embrulhados em blanquet de gravatas de seda.

Sei não, acho que comi muito nas festas de fim de ano…

Ah, as distrações…

domingo, dezembro 12th, 2010

Cabei de me lembrar de um causo de minha saudosa avó.

Ela contava que uma amiga havia morrido de distração. Estava mal do estômago e foi na farmácia (primeira metade do século XX) comprar um remédio. Distraiu-se e, em vez de pedir sal amargo, pediu sal azedo. Pra quem não entendeu, a zifia trocou um singelo sal de frutas por soda cáustica. Tomou tudo e morreu, coitada…

Me lembrei desse causo no momentto em que o dileto Mário Abramo me enviou o link para esta tetéia (com acento) da Agência Estado. Mas não se avexe: eu também levei um tempinho pra identificar qual o errinho (colossal, depois de identificado) cometido pelo zifio-redatô:

São Paulo – Seis casas foram interditadas ontem à noite, em Jandira, no interior de São Paulo, após o trecho de uma rua desmoronar. O trecho da Rua José Bonifácio, no bairro Ouro Verde, é uma curva junto a um barranco. Pelo menos 25 pessoas desalojadas foram para a casa de parentes e vizinhos. Hoje, peritos da Polícia Civil e do Instituto Geológico farão uma inspeção na área para verificar quais serão as procedências, segundo informações da Defesa Civil.

Descobriu qual o erro, não? Ah, tio Antônio conta pra ssuncê:

Procedência
n substantivo feminino
1 ato ou efeito de proceder; processão
2 característica do que é procedente
3 lugar de onde provém (algo ou alguém); proveniência, origem, fonte, processão
Ex.: produtos de boa p.
4 característica daquilo que procede, que tem base; fundamento
Ex.: acusação sem p.
5 Rubrica: termo jurídico.
base sólida que legitima ou autoriza alguma coisa; fundamento

Procedimento
substantivo masculino
ato ou efeito de proceder
1 maneira de agir, modo de proceder, de portar(-se); conduta, comportamento
2 modo de fazer (algo); técnica, processo, método
Ex.: p. de análise química
3 Rubrica: termo jurídico.
forma estabelecida por lei para se tratarem as causas em juízo e para o cumprimento dos atos e trâmites do processo
Ficamos combinadíssimos, portanto, de jamais discutir propriedades dos sais com o redator da tchutchuca daí de cima. O erramos póstumo pode ser indigesto…
(E reconheçamos, também, que esse tipo de erro é de outra classe, sofisticado purdimais pra se enquadrar num porra, folha!, por exemplo… ;) )

UOL e a imigrantofagia

terça-feira, julho 27th, 2010

Gente, na boa… existe um limite entre duplo sentido e mau gosto na hora de se fazer uma manchete.

Dizer que limitação a imigrantes ameaça culinária britânica e ilustrar essa frase com carnes cruas penduradas dá a entender que a função dos imigrantes é alimentar com sua carne os britânicos…

Ou isso ou eu estou muito abalada com as manchetes policiais dos últimos dias….

Mas não posso perder o hábito: PORRA, UOL!!!

Os encontros reflexivos, a bestificação da linguagem simples e a noiva que dá detalhe

terça-feira, julho 20th, 2010

Tá certo que aprazar é um verbinho metido a besta, que mais empola do que comunica quando usado num texto. É verbo para se usar em momentos de exceção, quiçá em poemas. Ainda assim, tem gente que curte usar o dito, e aproveita pra tirar onda de (cof, cof) linguagem técnica (cof, cof). Coisa de gente besta que,no afã de se exibir para outrem, empola o texto pra ficar chique, mas só consegue deixar o pobrezinho confuso.

O que eu gostaria de entender é por que o verbo encontrar foi incluído nessa… moda (porque tendência é o #$%$%¨$#%T#$%!) de bestificação verbal, em substituição ao verbo estar. Já repararam que Fulano não está no local, Fulano sempre encontra-se no local?

Aliás, eu só, não: a Ceci (nono comentário) também gostaria de entender isso.

Lembro que, numa de suas aulas, o professor Sérgio Nogueira Duarte chegou a brincar com o seguinte diálogo:

- Onde Fulano se encontra?

- No espelho. É lá que ele se encontra, todos os dias. Vai ver se ele está no espelho e ele está, invariavelmente!”

Aí começam as histórias de desavenças familiares.  Tio Antônio dá como certo o emprego do verbo encontrar no sentido de marcar presença. Espiem só o que esse tratante aprontou comigo:

Encontrar
verbo
transitivo direto
1 ver-se frente a frente com; deparar, achar
Exs.: encontrou a bolsa que procurava
a polícia encontrou os fugitivos
transitivo direto
2 passar a conhecer; descobrir, atinar
Exs.: não encontrou resposta para o enigma
fez as contas e encontrou o número exato
transitivo direto e pronominal
3 ir de encontro a; chocar-se
Exs.: o míssil encontrou o alvo
as motocicletas se encontraram em alta velocidade
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
4 ir ao encontro de
Exs.: iam e. a moça
encontrou com a moça na esquina
iam e.-se com ela
transitivo direto
5 deparar com (algo vantajoso ou desvantajoso)
Ex.: encontrou grandes obstáculos durante a carreira
transitivo direto predicativo
6 deparar com (algo ou alguém), percebendo seu estado, condição ou situação
Exs.: encontramo-lo bem melhor de saúde
encontrou a cidade natal muito mudada
pronominal
7 estar em determinado lugar, situação ou estado; achar-se, localizar-se
Exs.: no tórax encontram-se os pulmões e o coração
o inimigo encontra-se dentro da cidade
o país encontrava-se sob domínio estrangeiro
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
8 defrontar-se com (alguém ou algo) que representa obstáculo ou força hostil; enfrentar
Exs.: afinal, encontrava (com) o grande inimigo
encontrou-se com o adversário
transitivo direto
9 fazer entrar em união
Ex.: recuando, as águas encontraram as terras

Respeito tio Antônio, mas vou discordar. Ou pelo menos concordar com muita parcimônia.

Porque há verbos que comunicam uma idéia de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Com eles, seu interlocutor entende o que você quer dizer na hora, sem ter que gastar muita mufa pra isso, e não corre o risco de interpretações outras para a frase que você lhe proferiu.

Traduzindo:

prá quê dizer Fulano encontra-se no local

se você pode dizer Fulano está no local ?

São 11 caracteres contra 4 (seu dedo deixa de trabalhar 7 vezes na frase, pense nisso!), a pessoa que te lê/escuta vai entender sua mensagem muito mais rápido, e não vai ter margem para pensamentos outros, como Hein? Fulano encontrou com alguém? Quem? Por quê?

Mas já que o negócio é usar expressões da moda, vamos combinar o seguinte, então: o verbo encontrar, na voz voz reflexiva, deve ser usado em substituição ao verbo estar que nem sapatos de salto altíssimo na cor branca: permitido apenas para noivas (meu alter ego é uma perua, por isso a analogia. E acalmem-se, homens e desentendidos de plantão! Eu vou desenhar!)

Isto posto, temos os seguintes raciocínios:

1- Você é noiva? Não?

Então, não use o verbo encontrar em substituição ao verbo estar. Ponto.

2- Você é noiva? É? Que liiindo! Parabéns!

Mas me diga: que que o seu texto tem a ver com isso? Escreve direito e não enche o saco, bosta!
(Não me diga que você vai entrar de rosa na igreja?!?!?!?! Bafããããããoooo… ;) )

As datas aprazadas e a efetuação da cópula

terça-feira, junho 29th, 2010

Daí que eu me lembrei desta historinha que aconteceu há algumas eras com um certo marido, e tenho que compartilhá-la por aqui…

Estava o tal do marido a atualizar o site da empresa onde ele trabalhava. Ele precisava incluir informações sobre pagamentos de dívidas blablabla whiskas sache blablabla. O público-alvo da e-missiva (adooooro essa e-xpressão! :D ) eram autoridades que, embora autoridades fossem, não eram lá muito amigas do vernáculo. Amebas, portanto.

E o que me abespinha nessas horas é perceber que ameba é uma raça que não sabe se inter-comunicar. Elas têm uma dificuldade de conversarem entre si que é uma coisa. Pensando bem, não fosse assim não seriam amebas, né?

Maseutavafalandode… ah, sim! O texto que o tal do marido recebeu! Foi sofrivelmente escrito por uma ameba escrevente, cheio de gerúndios e clichês e, lá pelas tantas, falava em pagamento dos títulos nas “datas aprazadas”.

Tá certo que aprazar é verbo registrado por tio Antônio, que diz que:

Aprazar
n verbo
transitivo direto
1 marcar (tempo ou prazo) para realização de alguma coisa
Ex.: resolveram a. imediatamente o encontro
transitivo direto e bitransitivo
2 restringir, delimitar (o prazo, a duração) de
Exs.: era preciso a. o fim da obra
aprazou um ano para o término da dissertação
Mas se você pensar direitinho, e com a cabeça do público-alvo do texto (/amebas), chegará à conclusão que esse verbim daí não é de muita felicidade, não. Inda mais se o leitor em questão tiver inteligência suficiente para  entender que a palavra em questão foi fruto de um erro de digitação: em vez de aprazadas, deveria ser atrazadas. Porque, claro, atrazado se escreve com zê, né? (NÃO! É COM ÉSSE!!)

Então, o marido em questão resolveu trocar a expressão “datas aprazadas” por “datas combinadas”. E o autor do texto, ao refazer a releitura da redação antes de a bendita ser carregada para a página da empresa, voltou para a expressão original: “datas aprazadas”. E justificou:

- Isso é uma expressão técnica. Quem lê tem a obrigação de entender isso.

Argumento falho, fraco e errado, por alguns poucos mas excelentes motivos:

1- A obrigação maior e principal para a compreensão do texto é a do autor da redação. É ele quem tem que se fazer entender, sem dar margens a duplos sentidos ou duplas interpretações. Se você disser “bolinhas amarelas” e o seu leitor entender “listras azuis”, o erro foi principalmente seu por não saber como fazer o seu leitor entender “bolinhas amarelas”.

2- Aprazar não é expressão técnica. É apenas um verbo metido a besta, que pode – e deve – ser substituído por outro de maior clareza sempre que possível.

Mas o marido em questão não tinha autonomia pra alterar o texto. E a missiva em questão foi levada à página web da empresa com a expressão rococó empolêixon “datas aprazadas”.

Cansado, triste e frustrado, o marido em questão desabafa com a mulher, que costuma exorcizar textos mal-escritos (disse que fui eu? Então, não conclua coisas que eu não disse, detetivões! :P ), e conta a história de “datas aprazadas” ter virado “linguagem técnica”.

A esposa do marido, então, ensinou-lhe o seguinte:

- Meu amor, da próxima vez que alguém insistir em enfiar linguagem técnica onde não deve, diga a essa pessoa: “Fulano, efetue cópula”. Daí, quando o Fulano perguntar o que é “efetuar cópula”, você explica que é “vá se foder” em linguagem técnica…

Infelizmente, o marido nunca disse isso pro autor das “datas aprazadas”. Ah, o excesso de educação….

;)

Língua Portuguesa 0 X 0 Mancheteiro do UOL Esporte

sexta-feira, maio 28th, 2010

Ah, o dialeto futebolês… inda vai me irritar muito este ano!

Ó só o que o  UOL esportes cabou de aprontar:

Vasco reage no 2º tempo, vira para cima do Inter e traz paz a São Januário

Vira pra cima? Traz paz?

NAONDE QUE ISSO É TEXTO BEM ESCRITO? NAONDE?!?!?!?!

Publicado com o WordPress