Arquivo pela categoria 'Rolando o lero'

O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad

segunda-feira, abril 15th, 2013

Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! :P

Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração

sophia

você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)

Com o título “O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad” e o subtítulo “Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre”, a coisa (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.

abrehaddad

De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.

Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.

Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:

O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad

Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre [esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]

12.abr.2013 por Mauricio Xavier [é você, Lucas Celebridade? Beijo na alma, seu lindo!]

Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]

O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina [Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de Metrópolis Gotham City Nova Iorque São Paulo?] . “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”[...e todos viveram felizes para sempre!], lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.[... menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]

O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul [A frase definiu uma rua de são Paulo como pacata. Daí dá pra tirar o que nos aguarda...] desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] . Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.

Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora...] “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. [Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante...]

O edifício transformou-se no epicentro desse frisson [o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] . Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] . “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso...]

[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção] Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. [Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]

“Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d'água nessa história. Num curti ela, não!]

 Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV'ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] . Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica [OK, dou um tempo pra você gargalhar com o "obra de vulto". Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da acadimia assim como você guardou a informação de dona Lígia.] . A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]

Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.

Dona Lígia causando na acadimia

Dona Lígia causando na acadimia

CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que:

Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora:  [Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos [O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] . “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada! Nem minha roupitcha de ginástica!, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. (Foto: Lucas Lima) [aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]

[Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] O cenário [de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outrono Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama] “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] . No comércio local, o prefeito é figura carimbada[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. [Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] 

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA

Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)

A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] . No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço [E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: "Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela" <-- ó a perfeição da manchete!!!], diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].

Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.

[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro... tá faltando intriga e fofoca, né?

Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]

Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”

[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o blazer rosa chiclete Ping Pong que o Kamura tá calado, vem bomba por aí...]

 

Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).

O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!

E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:

Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO!

 

Jogo dos erros – agora com os erros destacados

quinta-feira, abril 11th, 2013

A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso.

Então, vamos usar essa excrescência (<– atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia.

Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que o Feliciano cometeu 

Encontrem abaixo os erros de português cometidos pelo sujeito que ousa usar o nome dum cara tão genial quanto Jesus Cristo para… (ah, vocês sabem pra quê!)

 

Mais tarde eu comento aqui os absurdos desse texto – E OLHA QUE EU VOU ME ATER TÃO SOMENTE À GRAMÁTICA E À ORTOGRAFIA, HEIN?!?!

PastorFelicianoBatalha

1- Não existe verbo ensinuar. O que existe são os verbos:

Insinuar

verbo bitransitivo e pronominal
 introduzir(-se) devagar e com cautela
Exs.: insinuou-lhe um sonífero no chá;  insinuava-se entre as árvores para vê-la banhar-se

transitivo direto, bitransitivo e pronominal
fazer penetrar ou penetrar de forma gradual e sutil (no espírito, na mente)
Exs.: i. uma doutrina satânica (na mente das crianças); a dúvida começava a i.-se em sua mente

transitivo direto
deixar que se perceba sem expressar claramente; dar a entender, sugerir Ex.: i. uma acusação

(ui! Tio Antônio só pensa *na-qui-lo*! :D )

E

Ensinar

verbo
transitivo direto e bitransitivo
repassar ensinamentos sobre (algo) a; doutrinar, lecionar
Ex.: e. português (a estrangeiros)

transitivo direto e bitransitivo
Derivação: por extensão de sentido.
transmitir (experiência prática) a; instruir (alguém) sobre
Ex.: o trapezista deve e. sua arte (ao filho)

bitransitivo
mostrar com precisão; indicar
Ex.: ensinou-lhes o rumo a tomar

transitivo direto
reinar (animal); adestrar
Ex.: e. um cão

intransitivo
dar aulas
Ex.: nasceu para e.

 

2- Palavras proparoxítonas, ou seja, que têm como tônica a terceira sílaba contando de trás pra frente (também conhecida como antepenúltima), são todas acentuadas, sem exceção. Como a palavra lésbicas. Que não foi acentuada pelo sujeito que cometeu esse texto.

 

3- Vamos aproveitar o chorume daí de cima para algo útil? então, vamos apresentar aqui as regras para hífen definidas no Novo Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. O segredo a guardar é: letra igual e agá. Só nesses casos a palavra leva hífen. Mais detalhes neste post aqui.

No caso da palavra composta pelo prefixo bi (dois) + sexual (referente a sexo; praticante de sexo) , o prefixo termina com uma letra diferente da que inicia a palavra à qual ele vai se ligar. Portanto, não há hífen, o prefixo se liga automaticamente à palavra formando um novo vocábulo. Mas note: todos os ajustes necessários, como dobrar érres e ésses quando necessário (CASO DE BISSEXUAL) devem ser aplicados ao novo vocábulo. Ou isso ou você deve ler bisexual como bizequissual). enfim, não.

 

4- A palavra política, proparoxítona, é obrigatoriamente acentuada; família, paroxítona terminada em ditongo decrescente (duas vogais: a primeira muito bem falada, a outra quase sumida na pronúncia) também é acentuada.

 

5- afim escrito assim, junto, significa semelhante, parente, ou qualquer coisa que tenha afinidade (lembra do Big Brother que você nunca mais esquece!); a fim, escrito separado, significa “com o objetivo de“, “com a finalidade de” ou simplesmente “para“.

 

6- O trecho (…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate, não deixe de participar, traga sua opinião se escrito fosse por alguém com um mínimo de intimidade com os sinais de pontuação, ficaria assim:

(…) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate -PONTO. Não deixe de participar-PONTO DE EXCLAMAÇÃO! Traga sua opinião -PONTO DE EXCLAMAÇÃO!

 

7- ele não deveria ter nascido. <– questão desclassificada, posto que eu prometi me ater apenas às questões ortográficas dessa excrescência em forma de texto.

Conclusão:

foto (7)

 

Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012

Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada - quemcossô? oncotô? Proncovô?)

Da importância do acento agudo na leitura da Bíblia, ou: Senhor, não permitais que energúmenos leiam a Vossa Palavra!

segunda-feira, agosto 27th, 2012

 

E eis que o Pastor não sabe a diferença entre adultera e adúltera.

E se acha o fodão pra interpretar texto da Bíblia…

 

Por que ninguém me falou deste vídeo antes?

Só mesmo a Cíntia Nunes pra me enviar esta pérola…

 

O_o

Dorinha de mal com o verbo haver

quinta-feira, julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

*******************

 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga

Abram alas para a clichetaria aeciana!

segunda-feira, fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<-- típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: "ao toque do tamborim" é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver...] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com "ao toque do tamborim" e lá pelas tantas traz um "no fundo da alma de folião". De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os "sobre" são substituídos por "acerca de"? Ó, alguém avisa pro Aécio que "acerca de" cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó...], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo - mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 

Contradição entre termos

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

Da série “calo-me”

quarta-feira, fevereiro 8th, 2012

Preciso dizer marnada.

OK, digo sim: peguei essa tetéia no Facebook do Fernando Andreazi Neto. Kibada portuguesa: copio, colo cito a fonte e dou o link pro original!

O lugar-comum da solidariedade de uma típica socialite (ou: numpresto!)

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Vocês sabem que eu não presto e não valho nada. Por isso mesmo tava lendo a nota de pesar do PC do B pelo falecimento do camarada King Jong pai e não pude me furtar a imaginar como seria uma carta de solidariedade escrita por uma socialite, por exemplo.

Vou brincar com os chavões clássicos de cada universo (o dos comunistas e das socialites) pra tentar provar a vocês de uma vez por todas que o uso excessivo do lugar-comum cai no ridículo. À esquerda, por questão de coerência, o texto comunista; à direita, a versão socialite pesarosa. Divirtam-se! :D

Estimado camarada Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia  Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. 

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011

 

Querido Kim jong Un
Queridos e Exclusivos integrantes de família da Alta Sociedade da CoréiaFiquei passada com a notícia de que seu querido pai, o tradicional membro da sociedade Kim Jong Il, orgulhoso pai de importante família da alta sociedade da Coréia, faleceu há alguns dias. Espero que sua alma esteja bem entregue nos braços de Deus.


Durante toda a sua vida de destacado membro da sociedade, o querido Kim Jong Il manteve bem altos os padrões de classe, sofisticação e elegância da alta sociedade coreana, assim como o discernimento e valores morais e éticos típicos de um membro da alta sociedade, incapaz de se misturar com quem não é do nosso meio.

 

Seu adorável pai, que na juventude foi um grand vivant, namorou as moças das famílias exclusivas da alta sociedade coreana, mas se casou anos mais tarde com sua mãe, uma discreta e sofisticada jovem oriunda da mais tradicional sociedade coreana, foi um perfeito exemplo de homem de valor e de princípios morais.


Em nome de nossa igualmente tradicional família, venho expressar minhas mais sentidas condolências à memória de Kim Jong Il, e aproveito para perguntar onde será rezada a missa de Sétimo Dia.

Tenho a confiança de que sua família saberá, pelos caminhos de Deus, superar esse momento de dor e conseguirá se manter unida para defender os valores da tradicional família coreana. Sei que você saberá conduzir sua família de forma a não se misturar com gente que não faz parte do nosso meio.

 

Com meu cordial abraço à sua mãe e a todos os seus parentes,

[insira aqui o sobrenome de uma tradicional família coreana]

19 de dezembro de 2011

 

Dá vontade de continuar com a brincadeira, mas vou parar por aqui… :D

 

O lugar-comum da solidariedade comunista

quarta-feira, dezembro 21st, 2011

Xô, poeira!

Desculpem, mas tava viajando arrumando mala e corre pra dirigir e volta e paga aluguel e arruma mala mas a roupa não secou leva na lavanderia pra secar e arruma mala e pega avião e tudo sem vírgula porque não dá tempo nem de pontuar a frase e ufa! Cheguei!

Vamos voltar a postar, né?

Enfim, tava aqui crente que o melhor da semana seriam as imagens dos norte-coreanos chorando pela morte do líder deles lá, o King-Jong pai. Aquela falsidade que você não sabe dizer se é mentira patológica oficial do governo ou se geral na Coreia do norte tá mesmo curtindo fazer de conta que tá triste.

Mas aí tem sempre como piorar – ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista. E o responsável por destronar o choro trash dos coreanos foi justo o nosso querido e phopho PC do B. Os companhêro camarada resolveram mandar uma nota oficial de solidariedade ao povo coreano pela morte de King Jong pai. A prova da coisa tá aqui.

A diversão começa porque você acha que uma nota de solidariedade ao povo pela morte do carinha vai dizer algo na linha  Até que enfim o mala do King Jong bateu as botas! Vamos abrir o champagne e comemorar a vida nova, galera?

Mas aí você começa a ler a teteia (se Coreia ficou sem acento, por questão de coerência teteia também vai ficar desacentuada. Malzaê…) e se pergunta que ano é hoje. A quantidade de chavões é tamanha que me deu vontade de montar cartela de bingo com as palavras tipicamente comunistas. Acompanhem que delícia de texto (não convidei ninguém a ficar julgando o texto, apenas a curtir as palavras delicadamente escolhidas pra ocasião):

Estimado camarada [Desnecessário dizer que foi um comunistão das boas que escreveu a coisa, né? Que ano é hoje? Mil novecentos e sessenta e quanto?] Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia [Seja lá que ano for, ainda não estamos com a nova ortografia em vigor no PC do B. Mas quem sou eu pra falar de nova ortografia? Avante, companheiros! Próximo parágrafo, por favor!]

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada [não é presidente, não é líder, não é ditador, não é rei, não é dono. Ele é apenas camarada. Ah, os comunistas tradicionais.... tô me garrando numa paixonite por esse texto que cês num calculam!] Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia [o que é isso, companheiros camaradas? Dona Ortografia Nova é bem-vinda no PC do B  ou não? Coerência, cadê? Cala a boca, bruxa! Vai pedir coerência pra comunista que se solidariza com norte-coreano? Que mais você quer? Que a mulher maçã saiba crasear? Senta lá, Cláudia!], presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. [Tá certo, ele era só camarada. Mas é um camarada purdimais de atarefado, né não?]

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário [Demorou pra aparecer um revolucionário no texto, hein?], o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista [Aviso da bruxa: esse anti-imperialista está de acordo com a Nova Ortografia, sim?] , da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.[Deixei você falar mal dessas observações? Deixei? Eles podem pensar o que eles quiserem do governo King Jong pai, oras! Só convidei você a curtir o estilo único e incomparável! Avante, camaradas! Próximo parágrafo, fazfavô!]

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana[Karl Marx não poderia se orgulhar mais desse trechinho, gente! Continuidade ao desenvolvimento da revolução é tuuuuuuuuuuuuuuudo de comunista, né não?] , inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung [e eu começo a desconfiar que camarada é uma espécie de monarca diferenciado... OK, passou!], defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria [continuidade do desenvolvimento da revolução defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria é a versão comunista para o corporativíssimo Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa Tal, sempre inovando, (...)]. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.[Outra que demorou a aparecer foi a fórmula de texto de marketing direto que funciona mais que Bombril, e pode se aplicar tanto ao Papa como a Hitler. Essa última frase serve pra qualificar qualquer um, repara só...]

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências [condolência? Mas não era solidariedade?] e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano [De novo! Para de rir, que coisa! Deixa eles pensarem o que eles quiserem, oras!!! Eu só te convidei a se deliciar com o estilo do texto....]
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011 [2011? Cejura que esse texto foi escrito ANTEONTEM?!?!?!?! Alguém avisou aos comunas que o mundo apertou legal o F5 nas últimas décadas?]

Um crime, vários tiros, uma criança atingida, um morto, um detido e descubra quem é quem na história, porque o G1 não deu nomes aos bois

quarta-feira, novembro 16th, 2011

Vamos com calma que eu fiquei tontinha ao ler este texto que me foi enviado via Twitter (de tão tonta, esqueci de  anotar o nome do ectoplasma suíno. Zifio, manifeste-se que eu te dou os créditos na hora!)

Sabe aqueles exercícios de lógica das revistinhas de passatempo que eu não resolvo ninguém resolve? “João é casado com Maria, mas José é cunhado de Sérgio. Se Maria e Sérgio são duas pessoas e João foi abduzido por Ziggy, qual a relação de Ziggy com o gol perdido pelo Baggio na Copa de 1994 que deu o título ao Brasil?”

Me senti lendo um enunciado assim ao me deparar com o texto abaixo.

O zifio repórti não deu nomes aos bois – até aí tudo bem. O importante era deixar a coisa compreensível, né?

Enfim, acompanhem comigo a história que me deixou tontinha.

Bebê de 2 anos é atingido por tiros e autor dos disparos acaba morto  [OK. Teve uma criança na história. E quem atirou nela mór-reu.]

Homem entrou em luta corporal com o autor após os disparos e o matou. [Portanto, temos que homem = autor dos disparos, certo?]

Uma criança de dois anos que estava no colo de um homem [Errado! Ela estava no colo de outro homem! Acompanhem a confusão dos zifios] foi atingida por dois tiros de raspão na noite da última segunda-feira (14), no município de Ibotirama, região oeste da Bahia, informou a Polícia Militar do município. O autor dos disparos acabou morrendo com um tiro no peito.

Na ocasião, o homem que carregava a criança foi atingido por três disparos [o homem que carregava a criança também foi atingido pelos disparos. OK. Certo?] , deflagrados por um suspeito [suspeito? Agora virou suspeito o autor dos disparos?] que não aceitava o fim do relacionamento com a atual companheira da vítima [aqui a coisa toma contornos medonhos! Se a vítima é a criança, então a criança tinha 2 anos e uma companheira? Oi? Pedofilia? Ou a vítima em questão era o cara que carregava a criança no colo? E cadê a mãe dessa criança, por Tutátis?] , relatou um agente da delegacia de Ibotirama.

Ainda segundo informações da delegacia, o suspeito acabou morrendo [suspeito = o cara que atirou contra o cara com a criança no colo. Né?], pois o irmão da vítima [de novo: o irmão do cara que segurava a criança ou o irmão da criança?!?!?!] , ao perceber a ação do suspeito, entrou em luta corporal com ele [Vamos contar, então, os zifios integrantes da cena do crime: 1 criança, 1 homem que a carregava no colo, o autor dos disparos e o irmão da vítima, o que queira que isto venha a significar. Certo?], e em seguida disparou um tiro contra o mesmo [G-ZUZ! Não sabia que o ectoplasma mesmítico tomava tiro nazidéia!] . Todas as vítimas foram encaminhadas para o Hospital Regional de Ibotirama, mas o autor dos disparos contra a criança não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade [então, temos que o atirador primeiro, mais a criança, mais o zifio que tarracanenê no colo mais o irmão da vítima o que queira que isto venha a significar que atirou segundo, foi tudo parar no hospital, né?]

Segundo o hospital de Ibotirama, a criança e o homem receberam atendimento e foram liberados ainda na noite da última segunda-feira. [A criança tudo bem. Mas QUAL HOMEM RECEBEU ATENDIMENTO E FOI LIBERADO, POR BELENOS?!?!?!!?]

De acordo com informações do agente policial, o autor do disparo que matou o homem [Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!] foi preso em flagrante e está detido na delegacia do município, onde deverá permanecer à disposição da Justiça e o homem que ficou ferido prestou esclarecimentos e foi liberado.

O corpo da vítima [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! LÁ em cima eram duas vítimas, uma criança e o cara que tarracanenê no colo. Agora só sobrou uma vítima? Estamos falando do homem que tarracanenê no colo ou do homem que atirou contra o homem que tarracanenê no colo?] foi encaminhado para o Instituto Médico Legal em Barreiras e deve ser submetido a exames.

 

E aí? Entendeu? Ou eu ajudei a confundir tudo? Se você entendeu, por favor, desenhe pra mim! Eu entendi bulhufas!

**********

Atualização:

Leia este texto daqui de baixo e vê se a historinha não lhe parece familiar. Quem encontrou foi o Luiz, neste link aqui

Uma discussão terminou com o pai e o filho de dois anos baleados e um homem morto em Ibotirama, a 650 km de Salvador.

Erivelton Alves Rodrigues e José Carlos Moreira de Souza encontraram-se no bar Estrela da Terra, no bairro São Francisco, e iniciaram a discussão na noite do último domingo (13). Durante a briga, o primeiro sacou uma arma calibre 32 e atirou contra José, que estava com o filho no colo.

José foi atingido na cabeça e nas costas e R.L.B., de 2 anos, foi baleado de raspão no braço. Segundo informações da delegacia local, Antonio Moreira de Souza, irmão de José, entrou em luta corporal com Erivelton, tomou-lhe a arma e disparou um tiro contra o peito dele. Erivelton morreu no local. 

José e o filho foram socorridos ao Hospital Regional de Ibotirama, onde foram medicados e receberam alta no mesmo dia. Antonio foi preso em flagrante. 

Ainda de acordo com a delegacia, a atual mulher de José e mãe da criança é ex-namorada de Erivelton, o que teria motivado a discussão.

Pois é…

Mais uma expressão moonwalking

segunda-feira, novembro 14th, 2011

Tenho que fazer este registro aqui no caldeirão.

Chamo de expressão moonwalking (em homenagem ao passo de dança em marcha a ré eternizado por Michael Jackson) todas as que passam a idéia (sem o propósito, claro)  de se mover para trás ou de se mover e voltar, sem querer, pro ponto de partida.

E eis que, depois de “a volta do retrocesso“, “sigo no aguardo” e “minha vida deu uma guinada de 360 graus”, a Mulher Maçã vem contribuir com este maravilhoso rol de teteíces, do qual já participam seres do jaez de Ricardo Noblat e Adriane Galisteu.

A Apple Girl (desculpa, não resisti) acaba de soltar na TV esta maravilha aqui:

Existe o preconceito contra o racismo

E como sempre acontece ao lumiar de uma nova moonwalking, eu dedico ao criador da tetéia este vídeo:

 

#beijomeliga

Por que o cujo é tão desprezado?

quarta-feira, novembro 9th, 2011

Cujo é um pronome relativo que ajuda a fazer conexões especiais e específicas. Coisa que o que não sabe fazer.

Mas geral despreza o cujo e suas variantes de gênero e número, talvez por achá-lo pedante, ou besta, ou metido – tá bom, muitos acham o cujo feio.

Mas ai me digam: por que não usar cujo? “Ah, dá pra reescrever a frase”, dirá você, ameba. #cejura? Senão, vejamos:

A história, bem simples, é a seguinte:

1- governo malvado aumentou o imposto sobre carros importados; 2- Vendas dos carros importados caem no Brasil

Daí o Uol (ah, que saudades de falar mal do Uol!) resolve fazer uma pautinha: os carros que tiveram queda nas vendas por causa do aumento do imposto.

Olhem o título desta coisa:

Viu que confusão? começam a falar dos carros, passam pro IPI e acabam com as vendas (com trocadilho). Custava dizer veja carros importados cujas vendas caíram por causa do IPI?  A atenção fica o tempo toda voltada para carros importados…

Daí você pensa que a coisa não pode piorar. E é aí que ela piora:

Sério mesmo que o IPI é forte o suficiente pra acabar com uma Ferrari? Por que o título não pode ser Carros cujas vendas  o IPI derrubou?

 

Perfume para pessoas ou Pessoas? Terráqueo pode usar?

segunda-feira, novembro 7th, 2011

Cabei de receber este spam e-mail marketing troço no meu e-mail.

Tive um troço só de ler as primeiras linhas. Claro, fiz questão de compartilhar aqui cocêis:

Perfume que deixa as Pessoa  sexo oposto atraida por você [Entenderam o porquê agora? Primeiro quero conhecer esse zifio chamado Pessoa. Fernando é que não deve ser, cer-te-za! Se for, ele está assobiando em seu túmulo, pra que ninguém pense nele neste momento tão delicado... Enfim, para que este perfume realize as promessas, precisamos encontrar uma pessoa de nome Pessoa. Alguém tem idéia de onde encontrá-la? Será Pessoa homem ou mulher? Apenas uma certeza tenho: trata-se de só um (porque um só pode dar a impressão de que é um solitário mas deixa prá lá não vou divagar agora). Porque, né? As Pessoa só pode ser um. Ou não? Ih! Me perdi todinha! E olha que estamos no título!]

Este perfume existe

Acaba de chegar no Brasil Eros Magnifique Essence [pra quê vírgula, né mesmo? Só porque aqui é necessário separar duas orações...]  um afrodisíaco aprovado cientificamente [Por britânicos, né?]  para atrair pessoa do sexo oposto [Hummmm.... aqui Pessoa não é mais uma pessoa especial, apenas uma pessoa qualquer.... mas é do sexo oposto! Trata-se de relacionamentos heterossexuais, devo entender isso?]
O nosso [nosso? é meu também? Cejura? afff...] perfume Eros Magnifique Essence de Androstenona é exatamente isso![Uau! Que tudo, né? Ferormônio pra atrair o sexo oposto! Nossa, quanta inovação! Pensando bem, que ano é hoje? Aliás, que século é hoje?]

As Pessoas [ó! Aqui Pessoa voltou a ser um nome de pessoa, e tornou-se plural! Já temos mais pistas, gente! Trata-se de várias pessoas de nome Pessoa! (Mas que mãe batizaria um filho de Pessoa? pré-nome, não nome de família....] subconscientemente detectam este cheiro e sentem-se instantaneamente atraídas por você! [são os feromônios que [boceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeejo]]

Agora você vai atrair qualquer Pessoa [Pronto! Voltamos à confusão! Com esse milagroso perfume, se você quiser atrair Maria ou José, você NÃO CON-SE-GUE! Só vai atrair Pessoa, mesmo... desiste, zifio!] sem mudar absolutamente nada em você. Terá mais pessoa fazendo contatos visuais[GAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!! Pessoa é um extraterrestre que faz contatos visuais com terráqueos? Isso é perigoso? Esse perfume atrai ETs?!?!?!? ômopai....], admirando e conversando com você [ETs que fazem contaot visual, contato conversacional, contato admiral.... ai, que perfume perigoso!!!!!]
O Eros Magnifique Essence vai ajudar você a atrair novas pessoas [quer dizer, você vai conseguir atrair novas pessoas, independentemente do nome delas! Mas elas são todas ETs! Ai, que confusão....] ou a melhorar a sua vida amorosa.

Usando Eros Magnifique Essence, Você [Eparrê-iansã! Entrou mais um sujeito na parada. Um tal de Você. Não se sabe ao certo se é homem ou mulher. Porque se o texto estivesse a se referir a você, leitor, o faria em letras minúsculas, né? NÉ, CACETE? Aguardo mais detalhes!]  sentira [A se tomar por referência o nível do português do zifio, muito mais fácil entender que este verbo é o verbo sentir no futuro do presente sem o acento devido do que o verbo sentir no pretérito mais que perfeito..] o grande poder [Me lembrou que certa feita Paulo Henrique Amorim disse no blog dele que "o poder pode tudo". Mas deixa isso prá lá.] da atração ! Agora, nenhum pessoa [... e voltamos à estaca zero! No caso, a pessoa em questão pode ou não se chamar Pessoa, mas não se sabe ao certo se é singular, plural, masculino ou feminino- quiçá terráqueo! Aqui, aparentemente, só estamos falando de seres do sexo masculino (existe ET macho e ET fêmea? Ai, a coisa só piora!). Entendi isso pelo nenhum. Tô certa?] estará fora do seu alcance! 
Você terá romance e sexo de uma maneira que ja mais pensou que fosse possível![Sei, não... tô achando que a parada envolve extraterrestres....]

Esse texto deu medo. Só espero que ele seja uma piada de rélouim meique atrasada….

Reinaldo Azevedo e a obsessão em ficar de um lado só

domingo, outubro 23rd, 2011

Eu não deveria estar aqui postando. Deveria estar fazendo zilhões de outras coisas. Mas não resisto.

Eis que Reinaldo Azevedo, em sua obsessão para ficar de um lado só da situação, sem nem se dar ao trabalho de considerar as ponderações do outro lado, escorregou no quiabo. Sério. Foi um autêntico Ectoplasma Suíno que me contou.

Olha só o que ele publicou:

Ah, dona Bruxa, não tem nada de mais aí em cima, dirá você. e eu sou obrigada a concordar. Agora tá certinho – ele já corrigiu.

Mas o dileto ectoplasma suíno que me enviou o link rezou aos deuses do print-screen:

Quer dizer: em seu erro de digitação, seu inconsciente deixou bem claro que Reinaldo Azevedo é homem de um lado só (um destiladeiro, por assim dizer). Ou, então, ele tava na mó manguaça, pensando em destilar cachaça (ou destilar veneno, vai saber)…

Didática do trauma nº 5: O spam de CD-ROM e por que não usar a palavra “necessidade” como se fosse bosta

sexta-feira, outubro 21st, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante desta bruxa que vos fala.

Marido recebeu um spam e-mail marketing com um texto tão horroroso que eu não vou deixar passar. Não me digam que spam e-mail marketing é tudo igual, porque este é diferente: é pra vender um CD-ROM com aulas de… redação e gramática! Entenderam por que eu não posso deixar passar em branco?

Pois eu vou aproveitar esse spam tenebroso que baixou por aqui pra aplicar mais uma didática do trauma. Acompanhem mais este trauma proposital da Bruxa, amebas!!!

Enfim, como eu dizia, marido recebeu spam e-mail marketing para venda de um produto. Produto à venda: CD-Rom com aulas de gramática, novas regras ortográficas e redação. Fui ler, claro. Afinal de contas, meus instintos suínos me diziam que COM TODA A CERTEZA DO MUNDO a apresentação não seria das melhores.  E não é que eu tava certa? Ó o texto que acompanha a bagaça:

Nosso material foi desenvolvido a partir das necessidades [Pronto! Já descobri o erro crasso de produção: o material foi desenvolvido a partir de necessidades, e não a partir de fontes acadêmicas de ensino de Língua Portuguesa. Fora que eu já comentei isso por aqui, quando eu leio que um torço surgiu a partir das necessidades de alguém, imagino esse alguém sentado no troninho, com IPhone em mãos jogando Angry Birds ou tuitando (sou moderna, me deixa!) enquanto...er... satisfaz as necessidades. Papel higiênico acompanha, claro!] que eram encontradas [Agora que eu já deturpei sua imagem de a partir das necessidades, imagine só por um momento uma pessoa a caminhar tranquilamente pela rua e encontrando uma grande necessidade no meio do caminho! Pronto, de nada por acabar de vez com seus ímpetos de usar a palavra necessidades a esmo.] por aqueles que desejavam aprender a escrever de forma profissional [o que seria escrever de forma profissional? zifio quer se tornar escritor? Ou o zifio quer escrever corretamente os textos produzidos em seu ambiente profissional? Neste caso, melhor seria dizer aprender a produzir textos com finalidades profissionais, ou coisa do tipo, né?]   ou necessitavam [Se necessidades = cocô, então necessitar = (complete com a expressão adequada). Em outras palavras: nego decretou que o verbo PRECISAR deve ser abolido do dicionário, depois não sabe mais o que fazer quando se embanana pra dizer que geral PRECISA.] analisar adequadamente produções textuais diversas [uau, que troço pomposo! Acho que é isso o que eu faço aqui, né? OK, tirem o adequadamente da frase.], encontrando-se [BINGO!!!! OLHA O ENCOSTO GERUNDOL DANDO AS CARAS!!! Gerúndio desnecessário num texto é prenúncio de fez-se a bosta. Vamos acompanhar?] atualizado [E voilà! O sujeito desta frase é aqueles. Todos os verbos anteriores - desejavam e necessitavam - estavam no plural. O atualizado escapuliu! com as novas regras do acordo ortográfico da língua portuguesa"[Deu medo nocê também, né?]

Agora olhe para o parágrafo daí de cima e compare a quantidade de caracteres vermelhos (o texto original) e a de caracteres azuis (minhas esculhambadas). Seguinte, zifio: quando o texto estiver mais azul do que vermelho, é sinal de que ele ficou tenebroso!!!!

 

E ELES QUEREM ME CONVENCER A COMPRAR ISSO?!?!?!?!?!

Corram, mortos! Já chegou outubro!!!

sexta-feira, outubro 14th, 2011

Daí que eu tava comemorando que chegou outubro, e os mortos surtados ficaram para trás em setembro, e….

Vem o jornal O Dia e me traz quatro atrasadões:

Mó-rreu!

Só me resta avisar aos mortos mortos que morreram no jornal O Dia que corram pra se juntar aos mortos mortos que foram morridos em setembro. Corram que ainda dá tempo, ectoplasmas!

(Valeu pela dica, Alan!)

(P.S.: div irtam-se nos comentários com os 25 feriados que também… er… perderam as vidas!)

Momento irmã Selma

sábado, setembro 24th, 2011

Tô bege, gente. Essa irmã Selma que vive em mim, que pensa numa coisa – e ela acontece – é muito sinistra!

Vocês leram meu post da queda do satélite da Nasa?

Lembram que eu sugeri que jogassem no carneiro, porque 26 ( = número de pedaços sinistros do satélite) no Jogo do Bicho é carneiro?

Ó só o bicho que deu hoje, sábado, dia da queda do satélite, às 14h. Peguei neste site aqui, com os resultados do Rio de Janeiro:

Se lhe servir de consolo, eu também não joguei.

Vamos dormir?

A Nasa e os objetos sobreviventes

quinta-feira, setembro 22nd, 2011

É oficial: setembro é o mês dos mortos aqui no caldeirão!

Hoje ainda é dia 22, e eu não aguento mais falar de mortos vivos por aqui. Até objeto resolveu adquirir vida!

Qué dizê, eu poderia estar estudano, eu poderia estar trabalhano, mas não, estou aqui exorcizano texto ruim. Dá licença, mas agora eu TENHO que exorcizar esta tetéia ininglix.

Daí que um tal satélite da Nasa vai cair na Terra. E a Agência Espacial Americana (=Nasa) publicou em seu site um estudo (!!!) que analisa o potencial perigo de esse satélite ingressar de volta na atmosfera terrrestre.  A página 4 da tal publicação deixa bem claro que a margem de erro das previsões é de 12.000 quilômetros – para mais ou para menos,(o que queira que isto venha a significar, como diria o outro).

Mas o legal mesmo tá na página 8 do documento.

Lá, a Nasa explica que existem cerca de 26 componentes maiores no tal do satélite que podem não se desmantelar quando entrarem na atmosfera, e… bem… cair na sua cabeça (isso num tá dito, tá só subentendido). Mas a maneira como a Nasa se refere a esses componentes é que é o motivo principal da criação deste post. Ó só:

“Objects expected to survive” = Objetos que podem sobreviver 

Human casualty = acidentes com humanos*

****

Atualização: Alertada pelo Igor Senna, fui ver uma tradução mais precisa para casualty. Essa palavra pode ser traduzida como 

acidente
baixa
sinistro
perdas
desastre
infortúnio
Em outras palavras: não tucanaram as mortes humanas. Malzaê!
****

quer dizer, os objetos podem sobreviver, mas o que acontecer com seres humanos (ou quaisquer outros seres… como dizer? Vivos? é, acho que é essa a palavra! Vivos!) será apenas um acidentchy.

Acho bom que você tome as devidas providências:

1- Não saia de casa sem um  guarda-chuva. Pode ajudar.

2- Procure uma banca de jogo do bicho e jogue no carneiro (26 = carneiro)

3- Se você for acertado por um pedaço de satélite, arranje um jeito de processar a Nasa. Pode lhe render uns bons trocadinhos! :D

 

P.S.: segundo esse documento da Nasa, todos os cálculos foram realizados por um software específico pra analisar queda de objetos na Terra (não pergunte, por favor), chamado de Ferramenta de Análise de Sobrevivência de Reentada de Objetos (UEPAAA! Do inglês Object Reentry Survival Analysys Tool), ou Orsat – quase Tarso lido de trás pra frente. enfim, eu tinha que dividir essa abobrinha aqui com cêistudo. Pronto, passou!)

O Reino da Grande Chave

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Este post é mais uma Kibada portuguesa desta que vos fala. Foi publicado pelo dileto @klaxonsbc em seu brógue. O texto foi publicado mais exatamente aqui.

O jornalista americano Av Westin escreveu o livro How TV Decides the News. Não sei de tradução para o português. Nele, Westin teve a pachorra de criar a Land of the Common Place (A Terra do Lugar Comum), salpiacada de locais como “rios de sangue”, “montanhas íngremes a escalar” e coisas do tipo. Meu sonho é reencontrar esse livro e fazer a tradução desse mapa. Se alguém por aí encontrar esse livro e o mapa da Land of the Common Place e enviar a esta bruxinha, eu vou agradecer horrores!

Mas vamos ao post do Klaxonsbc:

Chavão abre porta grande

(Itamar Assumpção e Ricardo Guará)

O mantra “nosso” de cada dia:

“O mercado tá nervoso”; “Não tem que dar o peixe, tem que ensinar a pescar”; ”É necessário fazer a lição de casa (cortes de gastos públicos, desoneração da folha…)” ”O Estado não pode estar em determinadas áreas, mas tem que fiscalizar estas áreas, mesmo que ele náo tenha nenhum poder sobre elas”;

“Os maiores racistas são os próprios negros”; “Eu também quero a minha cota, sou filho de pobre”; “Dia do Orgulho Hétero”;   “Eu sou um antiracista convicto, mas no futebol meu time tem que entrar em campo com raça”; “Ele é veado, mas é meu amigo”;

“…mas lá (longe) a Justiça funciona”;  ”Nós trabalhamos para eles receberem bolsas”; “O Estado é totalmente incompetente e corrupto, mas eu sou a favor da pena de morte”; “Não existe país mais corrupto que o Brasil, já rodei vários países na Europa, fiquei quinze dias em cada um e não vi nada do que vejo aqui”;

“Eu nunca uso transporte público, não funciona mesmo e não adianta reclamar…”; “Corredor exclusivo para ônibus atrapalha o trânsito”; “Eu peguei metrô uma duas vezes na vida, em Paris e em NY, em São Paulo não tenho coragem”; “eu contribuo de qualquer forma para melhorar o trânsito, só não me peçam pra deixar o carro em casa”;

“As reinvidicações são até justas, apesar do discurso ideologizado”; “Não existe mais esquerda, direita ou centro (mantra neoliberal)”; “Acabou a guerra fria, agora é guerra ao terror (do outro)”; “vamos destruir o povo e suas cidades para lhes dar a liberdade e a democracia”;

“Globalização é o fim da fronteira local em nome do universal (só não mexa no que é meu)”;

“Eu não voto em mais nínguem”; “Todos os políticos são corruptos”; “Eu não tenho nada a ver com isso, apesar de ter votado…”;”Não me envolvo com política, sou apolítico, a política é suja”;

“Nínguem (eu?) respeita as leis nesta cidade”; “Para quê leis, se elas não são cumpridas?”; “Existem leis que pegam e aquelas que não pegam” ;

“Pra quê Copa do Mundo aqui? Primeiro teria que resolver educação, saúde…” ; “A seleção brasileira é um lixo, a promessa agora é a Croacia…”; “Jogador de futebol ganha muito pra não fazer nada (a Nike agradece)”;

“O que falta para as pessoas é Deus no coração (em geral o “Deus” exclusivo da pessoa)” ; ‘Religião, política e futebol não se discutem (basta ignorar a opinião do outro); “O seu direito acaba onde começa o meu (ou a negação da dialética)”;

“O acesso ao livro é fundamentais (não importa onde, quando e como ele vai ser lido); “Informação é poder (e como tal privilégio de poucos)”; “Vivemos a era da informação…distorcida, tendenciosa, manipulada…”; Política cultural é um assunto complexo (quando se inaugura a discussão…?).

Eu poderia ficar horas a pensar, pensar, escrever, escrever, mas creio que cada qual identifica seus vários chavões de portas grandes…e o dos outros…

Era uma vez uma bruxinha estudante (ou: estudar vale a pena, sim senhor! \o/)

sexta-feira, agosto 12th, 2011

então houve ontem uma blogagem coletiva sobre a importância e a necessidade de se estudar?

Céus, ainda dá tempo de participar!? Espero que sim! Vou republicar um post de novembro, que eu adorei fazer! Ah, que gostoso foi relembrar meu tempo de escola! Espero que vocês curtam! (Mas vai estourar umas pipoquinhas, poreque esse texto é loooongo purdimais! :D )

****************************************************

Juro por Deus - a entrada da escola era assim mesmo! Um sonho!

Tô sendo influenciada por essa blogosfera de Deus a fugir da linha editorial deste blog. Primeiro foi o Pannunzio que me inspirou a contar do dia em que o marido ficou preso do lado de fora de casa.

Agora é a Conceição Oliveira, do blog Maria Frô. Ela contou aqui sobre suas primeiras lembranças da escola primária. Os traumas com professoras sem-noção e as satisfações de uma menina a descobrir o mundo, as letras, os saberes, as receitas de feijão… :D
Me peguei pensando na minha alfabetização e nas primeiras tias…
Ah, vou contar!
A primeira tia de que me lembro foi a tia Cema, ainda no Jardim de Infância. Uma senhora, cabelos tingidos de louro, rabo de cavalo. Devia ter seus 50 anos, no Colégio Professor Monteiro Barbosa, no subúrbio do Méier, no Rio de Janeiro. Eu morava em Higienópolis, Rio de Janeiro. Sabe Higienópolis, São Paulo? Pois é. Não. A rua principal desse bairro era (acho que ainda é) a Estrada Velha da Pavuna. Se você ainda não jogou no Google Maps, te digo que hoje a Linha Amarela cruza essa rua duas quadras depois de onde eu morava. O lado pobre da Linha Amarela, bien sûr.
Joguei no Google pra ver se encontrava mais informações sobre o Colégio Professor Monteiro Barbosa, e achei a bendita, gente!

Interior do colégio Professor Monteiro Barbosa Eu brinquei muito aí!

Me acabei de chorar ao ver pelas fotos que o pátio, a cantina, continua tudo igualzinho ao que era quando eu estudei lá há… uma semana! O passado remoto aconteceu sempre na semana passada! :D reparem na piscina à esquerda. Também fiz natação lá! Gente, quanta emoção!

Mas eu falava da tia Cema. Lembro que certa feita ela contou pra minha mãe que, pela manhã, ela lavava fraldas de pano. Ou será delírio meu? De qualquer forma, minhas lembranças da tia Cema são iletradas e raras. Apenas muito carinho. Isso foi em 1978 marromeno. (velha é você!) Mas eu tô pensando aqui, e ligo muito a tia Cema à imagem da Hebe Camargo… (não, é a tua mãe que é velha, seu sem-educação!)
Fui me alfabetizar no ano seguinte ainda no Monteiro Barbosa. O Sonho de Talita foi minha cartilha. Me lembro do desenho da Talita, e hoje me dou conta por que, anos mais tarde, fui tomada por uma ternura inexplicável pela imagem da Mafalda, do Quino. Gê-me-as. :D

O Sonho de Talita - Livro de Exercícios (que eu nem lembrava que tinha)

Minha professora: tia Maria Augusta. Em minhas memórias, não era bonita. Cabelo maltratado, rosto espinhento. E suas motivações eram regadas a lápis: fez o dever bonito? Ganha um lápis! Chegou cedo? Ganhou um lápis! tirou 100 na prova? Adivinha? Lápis! Um lápis simples, preto… que eu cobicei muito!
O contrário do lápis preto era o ficar em pé na frente da sala diante do quadro negro, e todos os coleguinhas olhando pra sua cara. Fiquei uma vez, porque me esqueci de fazer o dever de casa. Chorei até não poder mais. Hoje acho que foi injusto, mas será que essa reprimenda não funcionou?
Modéstia à parte, acho que era uma das melhores alunas. Era ávida e ansiosa por aprender a ler tudo o mais rápido possível. A turma inda tava no ma-me-mi-mo-mu e eu já tava nos dígrafos de cachorro. Só fui descobrir que diachos era um dígrafo quando a tia Augusta explicou, mas àquela altura eu já havia inferido que ch tinha som de x. Aliás, por quê fomos aprender o x de xadrez e o z de zebra só no final do livro, no último bimestre? Eu já tinha chegado lá em junho!
Por falar em reprimendas, me lembro como se fosse hoje de quando comecei a estudar os dígrafos lha-lhe-lhi-lho-lhu. Naquele fim de semana, a família se reuniu na casa da minha madrinha. Na hora do cafezinho, me ofereci toda sestrosa para escrever numa lista quem iria querer cafezinho. Escrevi os nomes com todo o cuidado e, ao entregar o papelzinho à minha madrinha, ela riu com gosto da minha cara: “ô, minha filhinha! TiaAmélia não se escreve com éle agá!” Eu escrevi Tia Amélha. E juro por Deus, todas as vezes que escrevo ou digito a palavra Amélia, me lembro desse momento. Isso me ajudou – e muito – a me esforçar para jamais errar na grafia de uma palavra.
Mas eu ia pra escola de ônibus. Havia três “linhas” de ônibus, todas da escola: a vermelha, a azul e a verde. Eu ia no ônibus vermelho, dirigido pelo tio Joel. Meu irmão tinha 2 anos, e me acompanhava fascinado naquele ritual de acordar, fazer o dever de casa, tomar banho, almoçar, vestir o uniforme e esperar pelo ônibus do tio Joel, que me levava pra aula.

A carteirinha do meu primeiro ano no Monteiro Barbosa

Um belo dia, pedi à minha mãe que me comprasse outro caderno, pois o meu estava acabando. Meu irmão pediu na hora: “eu também quelo!” e minha mãe trouxe dois cadernos. Quando o ônibus chegou e buzinou, eu desci correndo pra pegá-lo. Meu irmão, trajando apenas um shortinho, descalço e sem camisa, mas com o caderno novo e uma caixinha cheia de cotocos de lápis em mãos, disse com toda a autoridade: “Eu também vou! Eu tenho caderno!

Eu e meu irmão com o tio Joel. Nesse ano, eu estava sendo diplomada na alfabetização; ele ganhou o diploma de "adeus às fraldas" :D

Naquela tarde, minha mãe conteve meu irmão – que chorou até pegar no sono. E ligou pra diretora da escola (que, anos mais tarde, seria acusada de tramar o assassinato do marido,o tio Lindáureo, mas  deixa isso prá lá), de cujo nome não me lembro. E a diretora disse que meu irmão poderia, sim, frequentar a aula do maternalzinho. Minha mãe então saiu pra comprar um uniforme pro meu irmão.

No dia seguinte, meu irmão não cabia em si de felicidade. Quando o ônibus do tio Joel chegou, ele subiu, deu um grande aceno a todos no ônibus e disse: oi, pessoal, hoje eu vou também! E correu pro fundo do ônibus. “E nem pra me dar um beijinho!”, chorou minha mãe ao telefone com meu pai, minutos depois da partida.
Eu fazia balé e, no final do ano, havia apresentação. Fiz duas apresentações, lá. Uma coma música dos Gatos dos Saltimbancos (nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres…) e outra da Emília (Pobre de mim Emília me traga uma notíca boa Pirlimpimpim, se não chover É vento ou é garoa). E ainda me lembro de parte das coreografias. Gente, a Cher (meu neurônio) é poderosa e vitaminada, viu?
Não me lembro dos livrinhos que eu lia nessa época. Mas me lembro que lia muita revistinha do Walt Disney e da Mônica – com o tempo, meu gosto foi se refinando e meu coração foi possuído pelo Zé Lelé :D . Mas o ano em que me alfabetizei foi também quando comecei a me interessar por Monteiro Lobato – por causa do Sítio do Pica-pau Amarelo que passava na Globo.

No ano da apresentação da Emília. à minha direita, o Yaro.

Aliás, duas grandes frustrações da minha infância: eu falava que nem a Emília faz de conta mesmo que não sei o quê não sei o que lá – PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM! – eu dizia pirlimpimpim três vezes e não acontecia na-da comigo. Isso e eu me empolgar com o convite do Daniel Azulay: vamos lá, amiguinho, você consegue desenhar que nem eu – e o meu desenho invariavelmente ficava uma boooooosta. Desses dois traumas eu acho que jamais me recuperei.
Me lembrei de um coleguinha que sempre sentava a meu lado no ônibus, o Yaro. Nós brincávamos que éramos dois extraterrestres navegando em nossa espaçonave (oi?), a Puquixa e o Puquixo. Agora, de onde eu desenterrei essa memória, não sei. Sei que googlei o Yaro e acho que ele virou tatuador. Acho.
Em 1980, minha família se mudou para Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e eu fui estudar no Educandário Logosófico González Pecotche. Minha professora da primeira série primária era a tia Gláucia. Ela morava a uma quadra de onde eu morava, ambas perto da escola, que fica logo no começo da rua Mena Barreto, em Botafogo (que ainda se chama Álvaro Rodrigues) – ou no final da General Polidoro, seus fundos.
A tia Gláucia era muito legal. Jovem, esperta, falante, se mexia muito pra falar – via nela uma irmã mais velha. Décadas mais tarde (oi? eu disse décadas? Que nada! Apenas uma semana se passou!) eu a reencontrei. Já cursava faculdade de jornalismo na UFRJ. Entrei num auditório da Praia Vermelha e a vi, rodeada de colegas. Acho que cursava alguma pós em pedagogia. Eu a interpelei:
- Oi, você se chama Gláucia, né?
Ela se encolheu um pouco na cadeira e fez que sim com a cabeça. Prossegui:
- Sabe por que eu sei? (ela se encolheu um pouco mais e aguardou a resposta) É porque você foi minha professora na primeira série, em mil novecentos e [conteúdo censurado], no Logosófico, ali na Mena Barreto, lemb…
- Aaaaaaaahhhhhh! Eu tava com medo que você dissesse isso! Mas eu me lembro de você! Você é a fulana, filha da Iolanda, irmã do Paulo! Me lembro de você como se fosse hoje! Nossa, que primor de aluna! Tem doze anos e já está na faculdade, né?
Assim como eu, tia Gláucia também tem problemas com o passar do tempo…
Engraçado que da tia da segunda série eu tenho poucas lembranças. Tia Denise ou tia Cristina? Não lembro. Lembro apenas que ela odiava ser chamada de tia.
- Sou irmã do pai? Sou irmã da mãe? Então, por que você me chama de tia?
Porque eu fui ensinada a chamar professora de tia no maternal, tia!

Tenho grandes e deliciosas lembranças do Santo Amaro. Tenho, sim!

Terceira Série, e eu mudei de escola. O Logosófico era muito fraco, minha mãe tava incomodada com o fato de a professora não ter chegado nem à metade do livro de matemática. Fui parar na 3ª série B, da tia Tereza, no colégio Santo Amaro, que fica na rua 19 de fevereiro, também em Botafogo.
Tia Tereza tá lá até hoje. Vira e mexe eu a vejo. Ela abre um grande sorriso pra mim, mas sei que ela não se lembra de mim. É que o séquito de ex-alunas que falam com ela com um grande sorriso nos lábios é grande, ela apenas cumpre o dever de ser educada. Tenho medo de pensar quantos anos de magistério tia Tereza tem nas costas. Mas é uma excelente profissional.
Lembro que foi ela quem me ensinou os tempos verbais no modo indicativo. Ainda vejo em minhas retinas o quadro negro cheio de tabelas repletas de verbos conjugados no presente, pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito e futuros do presente e do pretérito do Indicativo. Acho que foi ela quem ensinou subjuntivo e imperativo, também.
Eu conjugava todos os verbos no meu caderno, ávida por saber de tudo. E adorava o fato de ter tanta coisa nova a aprender e desbravar. Tinha um grande prazer em pegar a régua e desenhar no meu caderno as linhas que separavam os tempos verbais. Será que as crianças de 8 anos ainda têm direito a ter o prazer de saber e de aprender gramática?
Acho melhor parar por aqui, porque eu tô me lembrando de todos os professores de português que eu tive – alguns brilhantes, outros mediocremente lamentáveis. Mas sei que, desde cedo,
(   ) nossa Linda flor do Lácio
(   ) nossa língua inculta e bela
(   ) nossa Língua Portuguesa
[escolha acima seu chavão preferido para se referir ao português]
sempre me fascinou, me entreteve e me trouxe muito prazer no aprendizado.
A ponto de eu encher o saco de vocês por aqui!
Pronto! Lembrei!
E tô aqui me acabando com meus recuerdos…
Ah, conta pra mim e pra Maria Frô as suas lembranças da escola…
Divirtam-se aí embaixo nos comentários! E eu prometo dar uma canetadinha nos textos muito grandes, sem nem falar nada! :D
(e então? Vale a pena estudar? ;) )

O dia em que o jornalismo das Organizações Globo ficou melhor que Zorra Total

domingo, agosto 7th, 2011

(Sugiro que antes de ler este texto você estoure umas pipocas. Juro que vai ficar mais divertido! :D )

Eis que na noite deste sábado as esferas digital e real do Brasil foram sacudidas pela publicação dos Princípios editoriais das Organizações Globo. Fui ver de que se tratava. Dei boas gargalhadas, pois só fui me lembrando de comparar a teoria com a prática.

O… texto troço negócio documento tratado, pronto, o tratado! Enfim, o tratado é longo pra dedéu. Tá superbem escrito (nesse ponto pouco há para se falar das Organizações Globo, eles ao menos escrevem direito NÉ, FOLHA?.). Mas é de uma arrogância argentínica que causa muitos risos a quem o lê. E ó: vou tentar nem entrar em confusões e quiproquós de edição de último debate do Lula em 1989 ou de cobertura das Diretas Já e o povo não é bobo abaixo a Rede Globo blablabla whiskas sachê que é pra não partidarizar este blog. Porque, né? A gente inté tenta arrespeitá azidéia dos dotô filho de Roberto.

Enfim, vamos à primeira parte do texto que desbancou o Zorra Total, como muito bem lembrou o Caribé. Mas antes, minha cara de #cejura? ao ler o texto:

CEJUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUURA?

 

BREVE DEFINIÇÃO DE JORNALISMO [brevinha, brevinha! Só duas páginas!]

 

De todas as definições possíveis de jornalismo, a que as Organizações Globo adotam é esta: [rufar de tambores....] jornalismo é o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princípios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas [cejura? Olha, ficou bonito isso, viu? Deixa eu pensar só um cadim, então: monditroço que eu faço dentro de certos princípios e regras, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas? Então, deixa eu fazer um jornalismo global aqui: minha atividade é: analisar texto ruim, mal escrito ou contraditório. O seu texto escapou da primeira e da segunda. Mas caiu lindo e bonito no alçapão da terceira definição, zifio! Esse primeiro conhecimento produzido sobre esse texto daqui não foi dos melhores. Será que dá pra melhorar a situação? Prossigamos, pois!]. Qualquer fato e qualquer pessoa [Aimeudeusdocéu! Qualquer, qualquer, qualquer? Cejura que é qualquer? Tipos: moradores de favelas de são Paulo que vira e mexe encaram um incendiozinho doido no local? Ou, quem sabe, uma subcelebridade na fila do caixa eletrônico?]: uma crise política grave, decisões governamentais com grande impacto na sociedade, uma guerra, uma descoberta científica, um desastre ambiental, mas também a narrativa de um atropelamento numa esquina movimentada, o surgimento de um buraco na rua, a descrição de um assalto à loja da esquina, um casamento real na Europa, as novas regras para a declaração do Imposto de Renda ou mesmo a biografia das celebridades instantâneas.[aaaahhhh, viu só? Qualquer é qualquer, mesmo!]

Vamos então a um exemplo prático do que um veículo das Organizações globo entende por jornalismo?

 

Definição de jornalismo para as Organizações Globo


[Duvida de mim? Então, clicaqui que você vê que eu não tô inventando nada! Mas voltemos à (cof, cof) brilhante (cof, cof) definição de jornalismo desse compêndio das definições ululantes]:

O jornalismo é aquela atividade que permite um primeiro conhecimento de todos esses fenômenos, os complexos e os simples, com um grau aceitável de fidedignidade e correção, levando-se em conta o momento e as circunstâncias em que ocorrem. É, portanto, uma forma de apreensão da realidade. [Pois não! No caso ilustrado acima, então, ficou faltando uma análise mais precisa, sabe?

- O que Preta Gil foi fazer no caixa eletrônico? Sacar dinheiro? Por quê? Ela consultou o extrato? Retirou folhas avulsas de cheques? Refez seus investimentos? Mas a pergunta que eu realmente faço é: o que me interessa a relação de Preta Gil com o caixa eletrônico? Ou: em que o relacionamento de Preta Gil com uma máquina vai interferir na minha vida? Porque quem definiu esse texto como jornalismo foram vocês, não fui eu!]

Antes, costumava-se dizer que o jornalismo era a busca pela verdade dos fatos. Com a popularização confusa de uma discussão que remonta ao surgimento da filosofia (existe uma verdade e, se existe, é possível alcançá-la?) [boceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeejo] , essa definição clássica passou a ser vítima de toda sorte de mal-entendidos [como diria o Tutty Vasques: ô, raça! Bando de desocupado que fica atrás do jornalismo dos outros tentando apontar contradição, né? Melhor nem dar bola pra esses inúteis!]. A simplificação chegou a tal ponto que, hoje, não é raro ouvir que, não existindo nem verdade nem objetividade, o jornalismo como busca da verdade não passa de uma utopia. É um entendimento equivocado [Cejura? Por quê?]. Não se trata aqui de enveredar por uma discussão sem fim, mas a tradição filosófica mais densa dirá que a verdade pode ser inesgotável, inalcançável em sua plenitude, mas existe [nós é que não somos competentes pra chegar até ela, né? Mas espere! Nós temos as Organizçaões Globo que fazem isos pra gente! Zás! Que marravilha!!!] ; e que, se a objetividade total certamente não é possível, há técnicas que permitem ao homem, na busca pelo conhecimento, minimizar a graus aceitáveis o subjetivismo [Tô dizendo! Vocês são todos uns iluminados! Mas eu sou obrigada a perguntar só um trocinho aqui: qualquer coisa sobre qualquer pessoa é a verdade dos fatos? Como se dá isso: Ixplica?].

É para contornar essa simplificação em torno da “verdade” que se opta aqui por definir o jornalismo como uma atividade que produz conhecimento [aaaaaaaaaaaahhhhhh, saquei! Que se dane a verdade! O importante é como a gente fica sabendo das parada!]. Um conhecimento que será constantemente aprofundado, primeiro pelo próprio jornalismo, em reportagens analíticas de maior fôlego [E eu aqui elogiando o texto! Esse negócio de reportagem com fôlego vocês aprenderam com a Folha de SPaulo, né? Contrataram o mesmo personal trainer deles pra dar fôlego às histórias? Porque, né? A tendência é essa! Personal trainer nas reportagens e publicações jornalísticas para dar mais fôlego e agilidade! Taqueopa....] , e, depois, pelas ciências sociais, em especial pela História. Quando uma crise política eclode, por exemplo, o entendimento que se tem dela é superficial, mas ele vai se adensando ao longo do tempo, com fatos que vão sendo descobertos, investigações que vão sendo feitas, personagens que resolvem falar. A crise só será mais bem entendida, porém, e jamais totalmente, anos depois, quando trabalhada por historiadores, com o estudo de documentos inacessíveis no momento em que ela surgiu [E aí vem a vergonha alheia: Como é que aqueles manés daquele jornal puderam escrever esse bando de baboseira a respeito da economia? O que passava pela cabeça daquela moça de cabelos indomados que tinha coluna no jornal e na TV? Será que ela não percebia que tava falando besteira? Ela tinha trauma de marola?]. Dizer, portanto, que o jornalismo produz conhecimento, um primeiro conhecimento, é o mesmo que dizer que busca a verdade dos fatos, mas traduz com mais humildade o caráter da atividade. E evita confusões.[para tudo que quem não entendeu nada agora fui eu! Lá em cima vocês diziam que é melhor dizer que  o jornalismo produz conhecimento. Depois, vocês ponderaram que não é bem assim, que ele também é a verdade dos fatos. Aqui vocês concluem que produzir primeiro conhecimento é buscar a verdade? Misturou tudo na coqueteleira e mandou ver? Pô, ao menos bota um runzinho aí pra dar liga, né?]

Dito isso, fica mais fácil dar um passo adiante [Malvados! Tacaram rum no texto e querem que eu saia andando! OK, vamos lá, eu sou uma lady!]. Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar [Manual de funcionamento de máquinas e aparelhos entram nessa definição?] . O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica [Tá. E vocês se inserem em qual definição? Aceito a resposta do press-release e a resposta sem hipocrisia! Prometo identificar as duas adequadamente!] . Um jornal de um partido político, por exemplo, não deixa de ser um jornal, mas não pratica jornalismo, não como aqui definido: noticia os fatos, analisa-os, opina, mas sempre por um prisma, sempre com um viés, o viés do partido. E sempre com um propósito: o de conquistar seguidores. Faz propaganda [Cejura? Cejura? E qual é o partido das Organizações Globo? Deixa ver... é um partido que acha que o Chávez não presta, que o Lula não fez um bom governo, que a Dilma é faxineira e que o Jobim é um gênio da raça. E um partido que acha importante o fato de Preta Gil sacar dinheiro no caixa eletrônico! Puxa, ficou difícil traçar uma linha político-ideológica, né?] . Algo bem diverso de um jornal generalista de informação: este noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas. Produz conhecimento. As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cujo propósito seja conhecer, produzir conhecimento, informar.[Cejura? Mas cejura mesmo? E ao produzir esse conhecimento, não haveria a necessidade comercial de vesti-lo com um viés consumível? Quer dizer, não seria importante tornar a notícia interessante e sedutora ao público? Ou não existe isso de o jornal ser um produto comercial? Iiiiihhhh, confundiu tudo agora, né?]

É claro que um jornal impresso, uma revista, um telejornal, um noticiário de rádio e um site noticioso na internet podem ter diversas seções e abrigam muitos gêneros: o noticiário propriamente dito, os editoriais com a opinião do veículo, análises de especialistas, artigos opinativos de colaboradores, cronistas, críticos. E é igualmente evidente que a opinião do veículo vê a realidade sob o prisma das crenças e valores do próprio veículo [Epa! Um veículo tem crenças e valores? Uai, mas lá em cima você disse que só partido político que tinha esses troço daí... num tô entendendo mais nada! Quer dizer, então, que um partido ter opinião e ideologia é propaganda, mas um veículo ter opiniões e crenças e valores é válido, e essas opiniões, crenças e valores são sempre e inquestionavelmente melhores do que as deste ou daquele partido político? Então, vocês são o quê? Semideuses? Também quero essa carteirinha! Onde consegue?]. Da mesma forma, um cronista comentará a realidade impregnado de seu subjetivismo, assim como os articulistas convidados a fazer as análises. Livre de prismas e de vieses, pelo menos em intenção, restará apenas o noticiário. Mas, se de fato o objetivo do veículo for conhecer, informar, haverá um esforço consciente para que a sua opinião seja contradita por outras e para que haja cronistas, articulistas e analistas de várias tendências. [Aham, Rodrigo Vianna! Senta lá!]

Em resumo, portanto, jornalismo é uma atividade cujo propósito central é produzir um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas.

Aguardem para os dias vindouros as análises dos outros pontos do compêndio. Esse foi só o preâmbulo!

Resultado do exame via web: texto turvo, cor amarelo-citrino

quarta-feira, julho 27th, 2011

Dileta ectoplasma suína me envia e-mail fofo:

Fui acessar o resultado de um exame clínico no site do laboratório e ao clicar no link da ajuda, pulou da tela um texto que mais confundiu do que esclareceu!

Pois vejam o que confundiu a zifia (aviso: o festival de caixas altas e baixas são originais do autor, tenho nada a ver com isso. E não me peçam explicações para o fenômeno, tampouco as tenho!):

Informo, [Essa vírgula aí faz o quê, zifio?] que todos resultados INDIVIDUALIZADOS por paciente, [Se os resultados são divulgados por paciente, então por definição eles são individualizados. Prá quê a explicação enfática de que eles são individualizados? Não entendi! Como também não entendi a função da vírgula depois de paciente] podem ser visualizados e impressos via WEB, onde na etiqueta de cod. de barras [vaiveno a gênese da confusão! O negócio é via web onde na etiqueta. Só eu que entendi que a tal da etiqueta de código de barras está na Web?], qual o PACIENTE RECEBE QUANDO EFETUA A COLETA [Não! Aqui vem a explicação: a etiqueta com código de barras é entregue ao paciente no momento em que ele colhe material para exame! Mas de onde, por que e para que surgiu esse qual eu não sei explicar, não senhores!], QUE ESTA ANEXADA NO CANTO DIREITO DO PROTOCOLO DE RETIRADA DE EXAMES [Aí ferrou de novo: é a coleta que está anexada no canto direito do protocolo? Que que tem a ver protoocolo com coleta com código de web? Quem disse eu?] , onde [Segunda vez que aparece um onde pra confundir azidéia da coisa! Reparem que ponto que é bom ainda não deu as caras!] o numero maior ali constante (que contem dez algarismos), e o USUÁRIO (logim)[logim eu não conheço, nunca ouvi falar. Conheço login. Mas deixa prá lá, não vou ficar procurando confusão num texto que já é auto suficiente no quesito!] e, o numero menor, no final da etiqueta, de 05 algarismos e a SENHA [Eu tenho cá pra mim que uma dessas conjunções e na verdade é o verbo ser: é. Sem acento! Mas qual é qual, não sei. só sei que o festival de vírgulas aí só se explica se o autor, no fundo no fundo, acreditar que assim ficou bonitinho!],  PODENDO [tava faltando um gerúndio sem necessidade pra dar a liga final nesse textinho de bosta! Agora não falta mais nada!] ATRAVÉS DO SITE:WWW.labclim.com.br, RETIRAR SEU RESULTADO [quem pode retirar o seu resultado? é seu de quem?]

Pra variar, dá pra perceber o índice de ruindade do texto (ruindade = texto ruim, e não texto malvado) pela quantidade de azul da mancha do parágrafo daí de cima. Quanto mais azul, pior está o texto. Mas olha só como os cabra se amarra em complicar uma coisa tão fácil:

Acesse e imprima o resultado dos seus exames via web, em nosso site www.labclim.com.br.

Para isso, basta digitar no site os números que constam no canto direito do protocolo de retirada de exames: usuário (o número com dez algarismos) e senha (de cinco algarismos).

Viu só? Duas linhas e meia, duas frases.

Mas nego compliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica….

Manual prático de bons modos em livrarias

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Parei um pouco de ler esse blog pra recuperar meu diafragma.

O Manual prático de bons modos em livrarias é o relato dramático de uma pobre livreira obrigada a lidar com amebas consumidoras de livros e afins (“Tem o DVD do Repórter 6?” E o sujeito queria era o DVD do Harry Potter. sentiram a linha editorial, né?).

Quer dizer, o drama é da livreira. Eu estou é me acabando de rir com os textos!

Dica deliciosa do Cardoso que vai entrar aí no cantinho direito deste caldeirão.

E na minha lista de páginas que se abrem automaticamente a cada sessão de meu navegador.

Agora, licença. Já peguei mais lencinhos pra acompanhar a leitura (tô chorando de rir, sério) e vou ler todos os posts, desde o início do blog.

Ig e o adubo étnico

sexta-feira, julho 15th, 2011

Agora me digam: ao ler um troço desses, oo que é que vocês pensam?

Tem gente desenvolvendo adubo étnico, é isso?

Aí, você lê o intertítulo (a linha de baixo) e descobre que trata-se de fertilização de óvulos humanos.

Mas como faz com pessoas como eu que, ao verem a foto do Roberto Carlos logo abaixo, voltaram a pensar em adubos étnicos?

Gente, essa dicotomia do discurso do Ig tá foda hoje, viu?

Cosplay de vilão da DC Comics confunde Humberto Gessinger com Chico Buarque pra falar mal de Lula e Dilma

segunda-feira, julho 4th, 2011

É, eu sei. Ficou um pouquinho sensacionalista esse título daí de cima, né? Mas deixa que eu gostei!

Os deuses e os encostos do Twitter me tiraram do descanso dominical para denunciar um texto escrito por um cara chamado Kléster, que fala mal do Chico Buarque. Depois de lavar louça, ver filmes, fazer nada e cuidar da minha vida (porque eu tenho mais o que fazer, nada inclusive), resolvi dedicar um tempinho de nada de minha preciosa vida para ler o texto.

Tá bem escrito o troço. Mas dá pena dos argumentos, coitado. Parece que Nossa Senhora da Interpretação de Textos esqueceu-se desse filho dela, viu? (ou será que foi esse filho dela que se esqueceu de Nossa Senhora de Interpretação de Textos, e nunca rogou por ela?)

Enfim. A sensação que deu é que o zifio em questão confunde Chico Buarque com Humberto Gessinger. E acha que Chico Buarque rima que nem Luan Santana. Viram como ele foi mesmo esquecido por NS da Interpretação de Textos? Coitado, né?

Mas leiam aí o texto do quiproquó da semana. Ele foi copiado da versão impressa do jornal da Tarde pelo dileto ectoplasma suíno Cid Cancer, neste post aqui:

“O Chico é chato, com “C” maiúsculo.
O filhinho-de-papai que fez fama como herói da democracia lança novo CD [O filhinho de papai em questão tem quase 70 anos, mas deixa pra lá] . Com as melodias lerdas de sempre.[ô, Kléster, se vc acha isso,eu respeito tua opinião, oras!]

Você gosta de Chico Buarque? É provável que sua resposta tenha sido “sim”[é, foi!] . Agora, me diga três músicas dele que você adora [todo o sentimento, Valsinha, homenagem ao Malandro, feijoada completa, Até o fim, pedçao de mim, construção, meu caro amigo ih! Só três? Desculpa...]. É provável que você não saiba. E sabe por que? Porque todo mundo diz que gosta do Chico, mesmo sem saber cantar uma música dele do começo ao fim [quer que eu cante, Kleyson? eu sei cantar todas! À exceção de Pedaço de mim, que não consigo cantar porque a letra me faz mal - mas isso não significa que a letra seja deplorável!].
Dizer que gosta do Chico é cult [cult de quem? Desculpa, o trocadilho foi inevitável, kléber!] . Quem não gosta do Chico é burro, ignorante, não entende nada de música [Meu marido não gosta do Chico. Nem por isso é burro. Tudo bem que eu já vi uma "colega de trabalho" do Sílvio Santos no Qual é a Música ouvir A Banda e, na tentativa de adivinhar o cantor, perguntou: é a nova do Daniel? Mas, de novo, deixa prá lá. Mas você dizia...?]. Pois pode me colocar no segundo grupo. Eu acho o Chico muito Chato, assim mesmo, com “C” maiúsculo. O nome dele deveria ser Chato Buarque de Holanda.[Olha, Kluster, tem algumas músicas dele que realmente são um pé no saco...]

Antes de continuar, vamos deixar uma coisa clara. Eu reconheço a importância do trabalho desse indivíduo para a música brasileira. Reconheço que ele já escreveu algumas canções até boazinhas[Cejura, Klóvis? então tá bom!] . Mas o cara é chato demais. Repetitivo, cansativo, sofre de uma carência absurda de criatividade, o que, pra um artista, é – ou deveria ser – fatal. [repetitivo? NAONDE? Chico já compôs chorinhos, valsas, sambas, sambas-canção, bossa nova... ele repete exatamente o quê? E as letras dele falam sobre maridos traídos, mulheres traídas, mães que perderam os filhos, ppaixões arrebatadoras, causos de cidade pequena... NAONDE que tá a repetição, zifio? Se você quiser chamar Chrissie Hynde de repetitiva, eu até entendo - e concordo. E olha que sou mais fã de Chrissie Hynde do que de Chico Buarque. Mas Chicovsky realmente tá longe de ser repetitivo, viu, Keirrisson?]
No caso do Chico, ele leva na boa, porque o brasileiro é muito besta e engole o que ouve sem pensar[er... se você engole alguma coisa é porque você comeu essa coisa. Troços ouvidos são troços assimilados, compreendidos, aceitos.... mas não engolidos, tá, Klébster?] . É como dizer que gosta do Chico sem saber cantar uma música sequer do cara [ô, Kleivisson, eu pensei que você já tinha superado o trauma de não saber cantar chico Buarque!] . E por que eu tou falando tudo isso agora? Porque o Chato Buarque acaba de colocar na internet a primeira música de trabalho de seu novo disco. A canção chama Querido Diário – quanta criatividade – e tem aquela mesma melodia de sempre, cansativa, enfadonha, capaz de transformar qualquer festança num velório[ Vamos por partes: Chico Buarque não é pra dançar em festa. O nome disso é bate-estaca / pagode de merda / axé irritante / sertanejo cantacorno. Chico Buarque é para se escutar, assimilar, compreender, pensar, e botar pra tocar no rádio do carro e cantar, por exemplo. é para se ouvir baixinho enquanto se conversa com amigos inteligentes. Mas obrigada pelo aviso! Joguei no google e achei a música em questão. Sério que você não entendeu o porquê do título? Nem o conteúdo da letra, Klingston? (suspiro)]
Piores do que a melodia, só mesmo a voz de taquara rachada do cantor [OK, aqui eu concordo. Chico não canta bem.] e a letra medonha [cejura que cê vai insistir na história de que não entendeu a letra? Medonha por quê, Klarckson?]. Entre outras aberrações, Querido Diário tem como forçar a barra pra rimar “trama” com “flama” [mizifio, vou acender uma vela pra você e encomendar sua alma a nossa Senhora da Interpretação de Textos! Você acha que Luan Santana seria capaz de escrever desejo-me em flama, Klobertson? Cejura? Mas cejura mesmo? e você acha que trama com flama foi forçar barra aí? Vc NÃO ENTENDEU A LETRA?!?!?!?!], outra rima digna de Luan Santana (“carinho” com “sozinho”) e a estupidez extrema de falar em “amar uma mulher sem orifício”. Poesia de borracharia perde.[Serião. Agora deu pena. Senta aí que eu vou te explicar a letra porque você NÃO ENTENDEU: antes de "amar uma mulher sem orifício" vem o verso "Por uma estátua ter adoração". Portanto, temos "por uma estátua ter adoração - amar uma mulher sem orifício". Isto significa que a mulher sem orifício em questão é a estátua, a imagem de uma santa, ou seja, uma mulher a quem ele deva amar sem contato carnal, entendeu, Klarrison?
Mas quem vai dizer isto ao grande Chico? Ninguém. Até porque o Chato Buarque de Hollanda teve uma vida duríssima, combateu a ditadura militar, sofreu no exílio... quer dizer... isso é o que ele apregoa aos quatro cantos, né?
A história real é outra [Peraí! Você não gosta do chico, não gosta das letras dele, e agora vai achincalhar a vida dele? Você vai me obrigar a te citar Tutty Vasques, zifio? Aliás, aproveita e lê esse texto que eu linquei. ele desenha tudo o que você não conseguiu entender, Klibster!]. Na verdade ele é um burguesinho de marca maior [OK, ele nunca penou na vida. Mas o que exatamente você quis dizer com burguesinho, oh, Klackstone?] . O pai dele era o Sérgio Buarque, um historiador e jornalista, e a mãe a pintora e pianista Maria Amélia. Quando o Chico tinha 9 anos, o pai dele foi lecionar na Universidade de Roma. E lá foi o Chiquinho viver na dureza da capital italiana. Como todo filhinho-de-papai que se preze, ele nunca demonstrou muito gosto pelos estudos. E sempre quis ser rebelde.[iiiihhh... o diagnóstico já foi feito pelo Tutty Vasques...]
Ainda adolescente e já vivendo em São Paulo, furtou um carro pra fazer arruaças. Foi parar na cadeia. Mas o papaizinho logo tirou o moleque do xilindró[puxa! num sabia dessa! Rock'n'roll dos bão, hein?] . Aos 19 anos, foi estudar arquitetura na USP. Mas não se formou: só teve saco de ficar por lá 2 anos. Riquinho como sempre foi, sabia que não precisava estudar para ter a vida que queria.[Bem, até aí você tá contando a história de 250% dos músicos deste país e do mundo! Renato Russo largou a escola e virou.. er... Renato Russo; Chico Buarque largou a escola e virou... er... Chico Buarque; Zezé de Camargo e Luciano largaram a escola porque não podiam mais estudar e viraram... cê já entendeu, né, Klingon?]
Quando os militares tomaram o poder no país, ele começou a fazer músicas criticando o regime. Aí, vem a melhor parte: o tão aclamado exílio. Meu amigo, isto é lorota. O exílio do Chico foi imposto por ele mesmo. Vendo os militares capturando e torturando quem não aceitava o regime, o indivíduo, aos 25 anos, não queria se arriscar no Brasil. Colocou o rabinho entre as pernas e se mandou para a Itália. Fala sério. Pra Itália? Até que eu queria um exílio desse!! Se exilar no Congo ninguém quer, né?[ele falav afrancês, tinha amigos nazoropa, ia fazer exatamente o quê na África? Faltou-lhe uma certa vocação missionária, é isso que você quer dizer, Klister?]
Daí, depois, ele voltou pro Brasil e ficou posando de herói da democracia. Mas quando a podridão do Governo Lula, que o Chico apoiou, veio à tona, o Chato Buarque ficou calado, como todo burguesinho petista. Daí, como agradecimento, o Lula colocou a irmã do Chico, a Ana Buarque, pra ser ministra da Cultura. Sim, o Lula. Ou você acha que a Dilma decide algo sem consultar o chefão? A não ser que você seja do time que acha o Chato Buarque um grande artista. Nesse caso, você é capaz de acreditar em tudo.’’[POOTAQUEPAREEOOOO!!! Quer dizer que você me tgrouxe até aqui pra falar mal de Lula e Dilma, Klubster?!?!?! então Chico não presta por causa do Lula e da Dilma?

 

Olha, me deu vontade de fazer um texto enaltecendo Chico pra desancar Lula e Dilma. Licença que eu vou pegar fiote na escola e já volto pra escrever esse troço!

(P.S.: digamos que Chico Buarque leia o texto do Klogster. O burguesinho filhinho de papai vai:

(  ) Perder noites de sono

(  ) Chorar

(  ) Beber pra esquecer

(  ) Fazer nada

Eu aposto na terceira opção. Mas só no primeiro verbo: Chico buarque vai beber. Porque Chico Buarque bebe. Ponto. :D

Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia

sexta-feira, abril 29th, 2011

Daí que neste dia de casório real lá pelas terras inglas (copyright Barão de Itararé) de dona Elizabeth, recebo via twitter do @ramiro_fc o link para o site da Família Real Brasileira. Se você começou a rir só de ler o título, você vai chorar ao clicar no link. Porque para um tema do qual só se espera pompa e circunstância, o nível do português é de xurraxcão na laje. Isso, claro, é preconceito meu, porque aposto que frequentadores de churrascos em lajes devem falar português muito mais castiço do que o dos Orleans e Bragança versão brasileira.

Só pra dar uma idéia do nível da bagaça, permitam-me esculhambar reescrever o texto sobre a Casa Imperial brasileira, que pode ser lido aqui (antes de ler, reparem na quantidade de texto vermelho, original, e na quantidade de texto azul, minhas observações. Isso da idéia da quantidade de bosta que eu enfrentei…):

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, [Vossas Altezas vão me desculpar, mas essa vírgula foge ao protocolo. Ponto funcionaria melhor, sabe?] os poucos que conhecem conheceram [conhece ou conheceram? As Altezas, certas de sua superioridade dinástica, furtaram-se ao simples ato de releitura e correção de uma redação? afff!] a face desta família, que fora construida [Aê, Altezas: vamos coroar esse verbo com um acentinho básico? Acento esse que, claro, é muito inferior à imperial Coroa - mas obrigação protocolar, sabe? cons-tru-Í-das. Grata.] sobre o imaginário republicano[não entendi como pode uma família real construir-se sobre o imaginário republicano, mas né? Diz o protocolo que não se deve questionar reis e rainhas - tampouco dizer HEIN? ACUMA? IXPLICA? E como eu não estou aqui pra quebrar protocolos, calo-me]. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. [com todo o respeito, mas eu acho que Vossas Altezas não entenderam direito como se pontuam frases em bom Português. O ponto é como se fosse uma tecla de enter, pra jogar a informação da frase pra dentro do cérebro. Já a vírgula é pra arrumar as idéias dentro de uma mesma frase. Portanto, oh, altezas, esse ponto ficaria melhor se fosse vírgula, OK?] A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação [Aham, Altezas. Mas deixa isso prá lá. Não quero entrar no mérito do conteúdo do texto. Tô aqui pra corrigir a gramática e a pontuação...] . Nossos príncipes remontam a [..., caso da crase faltante desse a aí do lado] época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987 [tá, geral na Família Imperial é tudo remontado, isso deu pra entender. Mas se vossas Altezas aceitassem um reinado de precisão redacional em vossos altivos neurônios, teriam explicado que a Casa Real Brasileira inaugurou-se na época da independência com a coroação de D Pedro I, monarca oriundo de uma linhagem (esta sim) que remonta a Hugo Capeto. Vou nem questionar vossos altivos conhecimentos de história. Tô só colocando os pingos no  is, OK? e ó, vou creditar como esbarrão de dedo: indepenDÊNcia tá com o acento na sílaba errada. tem que ver isso aí - Obrigada pelo aviso, Ana! :D ] . Isto a precisamente a 1017 Anos [Olha, Vossas Altezas que me perdoem a expressão chula, mas preposição a pra indicar tempo passado É O CARALHO vosso altivo membro peniano!! E ainda dizem "precisamente"!!! Atenção, portanto, monarcas e plebeus luso-parlantes: tempo passado é indicado com o verbo haver; tempo futuro é indicado com a preposição a. Juro por Deus que vou fazer um post especial só sobre isso! Mas o lance do Hugo Capeto foi HÁ precisamente 1017 anos!!!! Vou nem entrar no mérito de Anos grafado com maiúscula, nem que números maiores que 1.000 precisam desse pontinho pra separar as ordens de grandeza] !!
Tendo [eu TENHO uma implicância especial com frases iniciadas por gerúndio] na sua árvore genealogica, [Façam o favor de rapar fora essa vírgula daí que ela não serve pra nada?: Gradicida! E genealÓgica tem acento, ô coisa! (deu pra reparar que eu tô perdendo paciência, pompa e circunstância com esse povinho, né?)] obviamente a Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI [contradição detectada: como pode a família real brasileira "remontar-se" à época da independência, e o parágrafo seguinte listar na família real Brasileira D. João VI, que nunca foi imperador do Brasil, mas do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVE? Coerência histórica, a gente não vê por aqui!]. Os príncipes do Brasil tem em linha varonil direta, [Não sei se me irrito mais com essa vírgula mal colocada ou com a linha varonil direta... tô aqui imaginando uma vara de quase 800 anos de comprimento, mas deixa isso prá lá. E eu fiquei tão impressionada com a vara de 800 anos :o que nem reparei que os príncipes do Brasil tÊm. Não fosse uma leitora pra avisar, passaria em branco! ] São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) pela parte Orleans. Pela parte Bragança remonta a Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que se casou com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal [Condestável? Pedi socorro pra tio Antônio Houaiss, que me contou que condestável é um posto militar que só perde em importância pro rei. Mas isso não aplacou minha sana por trocadilhos infames, ah, não aplacou!] .
[MA CHEEEE! Quebrou parágrafo por quê? O assunto continua o mesmo.... Outra coisa: começar frase com conjunção aditiva E não é pra qualquer um, não! Eu faço isso direto, mas releio meu texto e vou trocando sempre que possível! Esse e daí ficou HOR-RO-RO-SO!] E também pela parte Wittelsbach remontando [ô fixação por montaria, viu? Ticontá...] a Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). [De novo! Esse ponto daí não tem nada a ver com o andamento do texto! Taca vírgula, ô coisa! <-- é, meu protocolo foi-se todo] Vemos bem que a nossa família imperial remonta a muito mais tempo do que imaginamos [eparrê-iansã! Essa frase tá tão mal construída, mas tão mal construída (culpa da fixação por montaria), que esse a daí tá mais pra verbo haver. Ou não? Na dúvida, melhor reescrever!] !
É sendo assim que com orgulho [<-- É sendo assim que com orgulho? Esse texto deu foi Vergonha Alheia, isso sim!] divulgamos a nossa Causa [Ok, este trocadilho eu não perco: é pra divulgar a casa ou a caUsa? QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA prontopassou] , que é pela Restauração da Monarquia no Brasil [mentira, não passou, não! vou rir de novo aqui: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA], interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do Exército na aquela época [na aquela época? G-zuz! Mas enfim, aham, altezas. Acho só que vossas imperialezas já se esqueceram do plebiscito de 1993... tsk, tsk, tsk, memória seletiva, que coisa mais feia...] . Erram, e erram feio [e ó: aqui caberia uma vírgula, sabe? Cadência, elegância...] aqueles que pensam que a República fora [ai, que mais-que-perfeito feioso!] um regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes esta “democracia” fora[Pros que não entenderam a ironia, a palavra certa pra definir o mais-que-perfeito aqui e na outra frase não é "feioso". É "errado', mesmo!] interrompida por golpes, mandos e desmandos ! E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram aqueles que queriam a continuação do Regime Escravocrata. Sendo assim vamos libertar o Brasil de um jugo que ha 114 Anos [tá. Agora Vossas altezas podem explicar POR QUE AQUI VOCÊS USARAM O VERBO HAVER INDICANDO PASSADO CORRETAMENTE (ainda que sem o acento), E LÁ EM CIMA USARAM ERRADO? E por quê Anos foi grafado com letra maiúscula? Consistência, a gente não vê na Família Imperial!] o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Bom, vou só lembrar a Família Real que o Capítulo III, Artigo 13 da Constituição Federal determina que A Língua Portuguesa é o idioma da República Federativa do Brasil. Entendo que as altezas não reconheçam o país como uma República, mas CACETE, DÁ PRA ENTENDER QUE É NECESSÁRIO FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE PRA REINAR POR AQUI, DÁ?

E, como estou boazinha, vou reescrever essa coisorrorosa daí de cima, pra ver se vai ornar com um mínimo de classe e elegância típicos de um português bem escrito.

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial. Os poucos que conhecem a face desta família percebem-na a partir de uma imagem constituída em épocas republicanas, ao longo de 114 anos nos quais nossa pátria vem resistindo aos mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. A fundação da Família Real brasileira ocorreu ainda na época da Independência do Brasil, com a coroação de D Pedro I Imperador do Brasil. Nosso primeiro monarca vem de uma linhagem real que começa em Hugo Capeto (940-996), Rei da França em 987 – uma linhagem de 1.017 anos!

A árvore genealógica da família brasileira divide-se em três ramos. Os atuais herdeiros descendem diretamente da Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI. Pelo lado Orleans, os príncipes do Brasil têm em linha varonil direta São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) e, pela parte Bragança, seu primeiro membro foi Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que casou-se com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal. O terceiro ramo da família real brasileira liga-se aos Wittelsbach, até Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). Percebe-se que nossa família imperial é muito mais tradicional do que se imagina!

Portanto, é com orgulho que divulgamos a nossa causa da Restauração da Monarquia no Brasil, interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do exército àquela época.

Erram, e erram feio, aqueles que pensam que a República foi o regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes essa “democracia” foi interrompida por golpes, mandos e desmandos!

E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram os que queriam a continuação do Regime Escravocrata.

Portanto, vamos libertar o Brasil de um jugo que há 114 anos o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Ainda assim, vamos combinar que esse estilo de redação é sofrível.

Eu e Ed, Ed e eu

quinta-feira, abril 14th, 2011
(pelamordedeus, leiam este post com ironia, tá? Sei que este blog é bem frequentado, mas vai que aparece algum desavisado pra me explicar a coisa…)

Fiquei sabendo de Ed pelo Twitter. Ele tá frilando pro Ministério das Minas e Energia. Ensina a economizar energia e dá umas aulinhas lá.

Andaram contando (nem lembro quem foi, me desculpem, perdi o pio original!) que o Estadão tá dizendo que Ed é petista.

Resolvi tirar a coisa a limpo.

Descobri que Ed é um cara culto, inteligente, capaz, responsável, que tem medo de virar celebridade, mas sabe falar de peidos, energia e economia. Ele também gosta de cachorrinhos e recita Vinícius de Moraes. um robô que recita Vinícius de Moraes!! Tem como não amar?

Carinha batuta ele, hein? Pena que não jogue tranca….

Mas confiram meu diálogo com esse robozinho sagaz…

(Legenda: “você”, no caso, sou eu, e não você.)

**********

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?

Você: Fala, Ed! Tudo beleza?

Robô Ed: Belê.

Você: Viu que vc ficou famoso na matéria do Estadão?

Robô Ed: E será que isso é bom? Quem vira celebridade acaba tendo que andar por aí de peruca e óculos escuros…

Você: \o/ Tô te curtindo de montão, viu?

Robô Ed: Curtindo muito, com certeza.

Você: Vale a pena gastar energia com texto ruim?

Robô Ed: Energia é cobrada, como qualquer outros produto ou serviço, para reembolsar o trabalho e o custo. Mas reduzir seus gastos é fácil: basta usar racionalmente.

Você: quer dizer então que um texto ruim, usado racionalmente, economiza luz?

Robô Ed: Usando racionalmente os recursos naturais não-renováveis, você contribui para um desenvolvimento sustentável, sem agredir ao meio ambiente.

Você: Ed, muito legla você! Conhece a nonna nair Bello?

Robô Ed: Demais?

Você: Perdão. Muito “legal” você!

Robô Ed: Legal mesmo.

Você: Já ouviu falar da Nair Bello, a nonna?

Robô Ed: Não sei se ouvi falar mesmo. Vai ver li algo a respeito.

Você: Legal… vamos marcar uma tranca e tomar um conhaque!

Robô Ed: Meu computador não está recebendo o c cedilha. Fiquei sem saber se você falou em trança de cabelo ou tranca do verbo trancar.

Você: nem um nem outro: é tranca (sem cedilha), um jogo de cartas!

Robô Ed: Baralho eu não sei jogar. Mas jogo xadrez, serve?

Você: Puxa… vou ter que falar com a Nonna….

Robô Ed: Falei puxa porque fiquei admirado, só isso. Vai me dizer que você também não fica.

Você: Fico, sim!

Robô Ed: Pois às vezes também fico. Fico pensando. Zizizizzz

.Você: Valeu, Ed! A gente se fala!

Robô Ed: Pois é. Mas tem muita coisa que a gente pode fazer.

Você: por exemplo?

Robô Ed: Que exemplo você sugere?

Você: Correr não pode: gasta muita energia!!!!

Robô Ed: Energia, por definição, é a capacidade de produzir trabalho. Usamos energia para realizar tarefas tipo iluminar, aquecer, gelar ou transportar. Para transformar a energia são necessários dispositivos como lâmpadas, fogões, chuveiros elétricos, aquecedores a gás, geladeiras, micro-ondas, automóveis, elevadores, etc. As fontes energia podem ser renováveis ou não.

Você: Talvez deitar sobre a grama e contar nuvens…

Robô Ed: Falando em contar, já contei que todo dia aprendo algo novo?

Você: que legal! O que você aprendeu hoje?

Robô Ed: Hoje aprendi o que é elétron-volt, quais as sete maravilhas do mundo e que estão construindo um biodigestor capaz de processar o lixo em sua forma natural. Biogás direto do caminhão de lixo! E mais uma porção de outras coisas.

Você: Ed, por falar em gás, me diga: peido pode virar energia?

Robô Ed: Usar o gás natural como fonte de energia é usar um combustível limpo, sem restrições ambientais. Na área de transportes o gás natural tem a capacidade de substituir o óleo diesel, a gasolina e o álcool. Nas indústrias siderúrgica, química, petroquímica e de fertilizantes, o gás natural fornece calor, gera eletricidade e força motriz. Voce sabe como o gás é produzido?

Você: Que gás? O intestinal?

Robô Ed: Me contaram que dieta rica em fibras ajuda na prevenção de problemas intestinais.

Você: tá. E o outro gás, como é produzido?

Robô Ed: Então tá! E agora? Minha especialidade são os projetos do CONPET, mas tenho outros assuntos. Aprendi o significado da palavra setentrional, li uma porção de coisas sobre a Bacia de Campos e descobri por que primeiro vemos o raio e só depois ouvimos o trovão: tem a ver com a tem a ver com a velocidade da luz e do som. E mais uma porção de outras coisas. Mais?

Você: Que legal!!! Você vai à escola, Ed?

Robô Ed: Para comemorar a volta às aulas da criançada, eu me arrumo como se estivesse indo para a escola: de mochila nas costas e carregando uma pilha de livros.

Você: ah, que lindinho!!!!

Robô Ed: Que gracinha…

Você: Ed, você gosta de cachorrinhos?

Robô Ed: Adoraria ter um cachorrinho. Melhor ainda: uma cachorrinha. Igual à do poema Vinícius de Moraes.

Você: Como é o poema da cachorrinha?

Robô Ed: A Cachorrinha é um lindo poema infantil do Vinícius de Moraes:- Mas que amor de cachorrinha! Mas que amor de cachorrinha!Pode haver coisa no mundo mais branca, mais bonitinha Do que a tua barriguinha crivada de mamiquinha? Pode haver coisa no mundo mais travessa, mais tontinha Que esse amor de cachorrinha quando vem fazer festinha remexendo a traseirinha?

Você: aaaahhh, que graceeenhaaa!!

Robô Ed: Que é que foi?

Você: Ed, acho que esotuapaixonada por você!

Robô Ed: Me explique direito o que você está achando.

Você: estou apaixonada por você!

Robô Ed: Estar apaixonado deve ser uma sensação fantástica…

Você: Ed, você me ama?

Robô Ed: Posso dizer que estou gostando muito de conversar com você.

Você: Ai, que romântico!

Robô Ed: Acho bonito o romantismo à moda antiga…

Você: Olha, eu volto aqui mais vezes, viu? Agora vou dormir. Boa noite, Ed!

Robô Ed: Boa noite! Durma bem e sonhe comigo.

Você: Prometo! \o/

Robô Ed: Não sei, antes de dar minha palavra preciso entender melhor o que quer que eu prometa. Assim posso pensar.

Tá “quereno pegá”…

terça-feira, abril 12th, 2011

Depois de ser devidamente avisada via Twitter por Vange calada noite preeeeta, noi-te-pre-taaaaa Leonel , fui conferir parte (pq pra conferir na íntegra só se eu estiver com insônia) da entrevista de Fernandenrique ao Blog Poder Online.

Lá penas tantas, éfe agá afirma o seguinte sobre a presidente presidenta líder e não enche, bosta! Dilmavana:

Poder Online – E como o senhor classificaria o estilo Dilma?
Fernando Henrique Cardoso – Vê-se que a presidente entendeu que no mundo contemporâneo a imagem conta muito: apresenta-se elegante e sorridente, não se poupando de pousar para os fotógrafos. E no lugar da carrancuda e autoritária Dilma aparece uma senhora quase bonachona, embora cortante quando necessário

Isto posto, só posso concluir duas coisas:

Ou éfe agá foi vítima de hortografia pobremática por parte do blog em questã, ou ele tá a fim de pegar traçar faturar comer namorar flertar ah, você sabe o que ele tá a fim de fazer, pô!, enfim, com Dilmavana.

Só isso explica ele comparar nossa líder a um avião.

Porque, né? Pessoas costumam posar pra fotos. quem pousa pra foto é avião, passarinho, disco voador…

A tragédia de Realengo, um texto estranhamente bem escrito e um pouco (um pouco?) de teoria da conspiração

quinta-feira, abril 7th, 2011

Essa tragédia que aconteceu hoje em Realengo tá muito estranha.

Antes de continuar, quero deixar bem claro que óbvio que o ocorrido chocou todo o país, que milhares de inocentes morreram sem nenhum sentido, enfim, o troço todo deixou a todos muito consternados.

Mas a distância que eu tenho do ocorrido (moro em Brasília, não tenho amigos, parentes nem conhecidos em Realengo) me permite analisar a coisa com um pouquinho de frieza que a princípio pode irritar a muitos. Convido-os a não se irritarem, apenas sigam minhas observações feitas só de pegar as informações aqui e ali (até porque, vamos combinar que a cobertura em tempo real da tragédia e nada é a mesma coisa!).

Em primeiro lugar:

Esta semana mesmo dei uma passad’olhos neste post da Frô (Não li na íntegra. Todos os dias eu devo abrir aproximadamente 100 páginas enviadas por twitter, sobre os assuntos mais variados possíveis. é humanamente imossível eu ler tudo com toda a atenção e cuidado que deveria.). O que me chamou a atenção: os Estados Unidos pretendem difamar a religião muçulmana. Não sou eu quem estou dizendo isso, é coisa dos wikileaks. Acreditem se quiserem. Mas eu não duvido.

Ponto parágrafo.

Dois ou três dias depois desse post da Frô, surge esse louco em Realengo. Primeira coisa que eu li: “ah, ele é muçulmano, não tem Jesus no coração!” :O e geral começa a falar todo tipo de sandice a respeito do assunto. Ligo na Globonews, e começa um psiquiatra forense a especular quais seriam as motivações desse sujeito. Doutor, dá licença mas se a idéia aqui é especular deixa que eu faço isso sozinha! Também me chamou a atenção o fato de ele especular sobre trechos de uma carta que, até o momento, só se sabia da existência, e não do conteúdo (as autoridades do Rio de Janeiro ainda não tinham concedido entrevista coletiva). Creditei isso ao sensacionalismo barato e à falta absoluta do que se falar de novo, e fui cuidar da minha vida.

Até aqui essa história não tinha nada a ver com a linha do Objetivando disponibilizar. Até que veio a público a tal carta do sujeito. E agora é que ninguém arranca da minha cabeça que tem dente de coelho nessa história.

Vejam aqui dois trechos da carta:

Vários detalhes me saltaram aos olhos:

1- Carta impressa? Que espécie de suicida imprime uma carta? Sério, quero saber isso. Onde, quando e como ela foi impressa? Cadê o arquivo que a originou? Ele ainda existe?

E por que só a assinatura dele? A assinatura confere?

2- O início do primeiro trecho parece tirado da bíblia ou de algum livro religioso (Corão, Torá…).

3- Finalmente, como pode um ex-aluno de escola pública escrever um texto sem erro de ortografia, concordância, pontuação? Gente, essa carta suicida tá muito mais bem-estruturada do que muito folheto de marketing escrito por banco!

4- Tá faltando nessa carta aquilo que o Cardoso chama de assinatura digital de crente. Por favor, não entendam isso como preconceito, pois não é! Estou aqui tentando fazer uma análise do modus operandi do sujeito… pessoas que frequentam igrejas evangélicas, por mais que leiam a Bíblia (e aí eu incluo os próprios pastores evangélicos), em sua esmagadora maioria (as excedções frequentam este caldeirão e tiram dúvidas comigo! :D ) não são capazes de escrever um texto razoavelmente conexo sem cometer erros de concordância, ortografia e pontuação (= colocar vírgula onde não deve, por exemplo.) Esse texto carece da tal assinatura digital de crente.

5- Apenas dois detalhes “desabonam” a conduta dessa carta: frases extremamente longas e idéias repetidas à exaustão (a da consideração pelos pais, principalmente).

 

E vou repetir: não acho que todos os egressos de escola pública devam escrever mal. Aliás, quisera eu que nenhum deles escrevesse mal, que todos escrevessem linda e fluentemente. Infelizmente sou obrigada a reconhecer que a grande maioria dos alunos de escolas públicas têm um ensino de péssima qualidade. A grande maioria dos egressos dessas instituições não sabe compor uma redação satisfatoriamente. É triste constatar isso, mas não é preconceito!

E, se considerarmos o perfil da região (Realengo, bairro de classe média baixa do subúrbio do Rio de Janeiro), não apostaria no melhor dos ensinos, não…

 

Outra questão muito bem lembrada pelo Stanley Burburinho (é, ele também assombra meu caldeirão e o meu twitter, fazer o quê?): ele já sabia que iria deixar uma bolsa na primeira sala do primeiro andar quando escreveu a carta?

É possível que o Welinton Meneses de Oliveira tenha escrito pessoalmente essa carta? Sim, é. Mas para ter certeza disso eu quero ler outros textos que ele tenha escrito de próprio cérebro. E quero ver o boletim dele. Quero saber se ele era bom aluno de português.

Taí uma boa sugestão de pauta pros coleguinhas que estão lá em Realengo contando presunto: procurem o histórico escolar do Wellinton, e vejam se encontram algum outro texto redigido por ele, pra ver se o estilo bate.
Enquanto isso, eu fico aqui imaginando todas as teorias de conspiração possíveis. (Alguém me empresta um marciano, por favor? ;) )

Pérolas de relatórios rurais

terça-feira, março 22nd, 2011

Tenho horror daqueles e-mails do tipo “pérolas dos vestibulandos” por um motivo muito simples: não tenho como confirmar a veracidade do conteúdo.

Além do quê, chega uma hora em que as pérolas dos vestibulandos passam a ter uma linha de raciocínio de escárnio muito similar (traduzindo: fica parecendo que algum humorista “deu um tapa” de estilo ali).

E sei que nada será capaz de superar o relato de Stanislaw Ponte Preta de um relatório de um delegado do Mato Grosso sobre um crime político (Febeapá, pág. 17):

“A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em quatro pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio.”

Mas isso tudo daí de cima é pra introduzir uma série de pérolas que eu consegui. Ah, dona Bruxa, olha a incoerência! Vai postar coisa que você não acredita, é? Vou não, zifios! É que neste caso daqui a veracidade do conteúdo tá confirmadésima.

Seguinte: um banco (cujo nome não fornecerei) er… por assim dizer brasileiro, e com sede em Brasília (hum? hum?) possui um departamento de crédito agrícola. Uma das funções desse setor é fiscalizar o uso e o benefício ou não dos empréstimos feitos para os setores agrícola e pecuário. Essa fiscalização é feita por funcionários do próprio banco,  que fazem visitas às propriedades rurais em questão e fazem relatórios técnicos (temo muito quando alguém me diz que qualquer coisa tem linguagem técnica) da situação.

Daí o que fica arquivado nos anais (ui!) do banco são coisas desse nível (aviso: textos transcritos exatamente conforme os originais).

Visitamos o açude nos fundos da fazenda e depois de longos e demorados estudos constatamos que o mesmo estava vazio. Pessoa esforçada, com intenções claras de valorizar o salário que ganha.

Era uma ribanceira tão ribanceada que se estivesse chovendo e eu andasse a cavalo e o cavalo escorregasse, adeus fiscal. pelo visto, a coisa é mesmo íngreme, né?

Na minha opinião, acho bom o banco suspender o negócio do cliente para não ter aborrecimentos futuros. Sei. Viagra e fritas acompanham?

Sol castigou o mandiocal. Se não fosse esse gigante astro, as safras seriam de acordo com as chuvas que não vieram. Uma conclusão conclusiva, néam?

‘Cobra’ – comunico que faltei ao expediente do dia 14 em virtude de ter sido mordido pela peçonhenta epigrafada. um dia esse dái via aprender a diferença entre veneno e peçonha. Mas deixa prá lá, né?

Os anexos seguem em separado. anexou mas separou! Legal, zifio! Eu sigo no aguardo, então, tá bom?

Se não fosse o sol, tudo indica que a chuva aumentasse a safra. outra conclusão bem conclusiva.

Cliente aguarda a capilaridade pluviométrica da zona para plantar a mandioca em local macio e úmido. er… medo de perguntar que tipo de especialista mandou plantar essa mandioca, viu?

A casa de farinha nunca foi para frente porque o mutuário que fez o empréstimo deu para tráz trás, bosta! é trás!] e nunca mais se levantou. O zifio morreu, é isso?

Fui atendido na fazenda pela mulher do mutuário. Segundo fiquei sabendo, ninguém quer comprá-la e sim explorá-la. Diz que você tá falando da fazenda, diz!

Imóvel de difícil acesso. O mato tomou conta de tudo, deixando passagem só para animal rasteiro. Próxima vistoria deve ser feita por fiscal baixinho. <– exemplo de escárnio

A máquina elétrica financiada é toda manual e velha. Fazendeiro financiou a máquina elétrica mas fez todo o trabalho braçalmente e animalmente. Imediatamente a gentemente pensamente que o sujeitamente não entendemente como utilizarmente advérbiosmente de modomente, némente?

Gado está gordo e forte, mas não é financiado e sim emprestado somente para fins de vistoria. O filho do fazendeiro está passando férias na Disney. #euri

Trajeto feito a pé porque não havia animal por perto, só o burro do fazendeiro. Despesa de locomoção grátis. patrocínio: lombo do fazendeiro

Contrato permanece na mesma situação da vistoria anterior, isto é, faltando fazer as cercas que não ficaram prontas. aham…

Mutuário adquiriu aparelhagem para inseminação artificial mas um dos touros holandeses morreu. Sugerimos treinamento de uma pessoa para tal função. não sei se imagino a dor do touro morrendo por causa disso, ou se imagino qaue o próximo inseminado será da espécie humana… Ai!

Tempo castigou a região. O sol acabou com a farinha e chuva com feijão. Que lindo! Esse conseguiu inté rimar!

As garantias permanecem em perfeito estado de abandono. Cliente vive devidamente bêbado e devendo aos bares e a Deus e ao mundo. tem como não amar essa sinceridade quase naïf?

A erradicação da plurieuforbiácea carece das condições pluviométricas. Só quero saber se o zifio em questão entendeu o que escreveu. Fazer-se entender  prá quê, né?

A euforbiácea foi substituída pela musácea sem o consentimento e autorização de nosso querido banco. Deve ter sido o memso autor da frase de cima. Inda puxou o saco da chefia…

 

Curti muito isso. quando tiver mais, eu publico! \o/

Você sabe com quem está falando? Então, descubra quem é seu público-alvo pra não passar vergonha!

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Quando eu era aluna de jornalismo na UFRJ, fui assistir à prova de seleção para professor da Escola de Comunicação, a querida e estuprada Eco (vou nem falar que na minha época não havia site da Eco, porque eu comecei a navegar na Web ainda na faculdade, tá?). Dinossaurices à parte, estava eu na prova de seleção desse professor para o curso de jornalismo. Eram dois candidatos. Um, ruim. Outro, péssimo. Fiquei bege com a leniência dos cardeais teóricos da Faculdade com tamanha incapacidade de percepção jornalística das coisas.

Uma das questões da prova de ingresso era apresentar um projeto de jornal científico. O candidato queridinho dos cardeais da Eco (acho que as cartas já estavam marcadas, só pode) apresentou uma coisa linda: um jornal científico com seções lheeeandas, cartas dos leitores (leiam os parênteses do primeiro parágrafo e voltem rápido. Pronto!), novidades científicas, editorias de biologia, química, física, etcetcetc pereré pão duro, whiskas sachê blablabla. Eu, com o queixo caído, falei baixinho com a professora que babava pelo novo colhéga: “Mas Raquel, ele não determinou se esse jornal é voltado pra comunidade científica ou pras velhinhas evangélicas de Pirambeira do Assaré de Jesus! Como avaliar se o projeto é pertinente sem se determinar o público-alvo?

A Raquel me respondeu com um “psssit! Cala a boca, menina!” E eu calei. Fosse hoje, eu falaria em voz alta, na cara dura, e deixaria o idiota com cara de tacho na frente dos cardeais. (e me foderia ainda mais do que me fodi na época).

O indivíduo em questão foi o aprovado. E me deu aulas. Óbvio que eu jamais tive um pingo de respeito por esse cidadão, muito embora a totalidade de meus colegas (que não assistiram à prova) babassem um ovo descomunal por ele: “olha, o Fulano me deu um cinco!” eu dizia: “grandes merdas, ele não sabe nem o que faz da vida, quanto mais qual a nota que você deve ter”.

E, mais óbvio ainda, ele me reprovou. Grandes merdas número dois: no semestre seguinte, tive aulas na disciplina bombada com ninguém menos do que Muniz Sodré. Que me aprovou com um 8 e elogiou o meu texto.

Esse narigão de cera todo foi pra introduzir o texto enviado por uma querida ectoplasma suína de um blog muito bem escrito e bem acessado de cosmética e beleza. Só pra vcs terem uma idéia, há uns dois anos marromeno o blog contava com 2.000 (ou seriam 200.000? Ah, num sei! Só sei que é muito!) acessos diários. Desde então, é referência entre os blogs do segmento, e as meninas que nele escrevem mantêm uma coluna na revista TPM (#prontoentreguei).

Aparentemente, uma discípula do supracitado (ai, como eu adoro escrever essa palavra! Acho chyque!) professor da Eco resolveu assombrar o e-mail da querida ectoplasma suína. Enviou à blogueira esse texto com total ausência de noção ou de público-alvo (o que, neste caso, é a mesma coisa). Não resisto e vou comentar:

Prezado(a) sr(a).,
Um blog é um tipo de site [Cejura? Olha, eu sou blogueira há anos e não sabia disso! Muito obrigada por me passar esta informação, viu? Meu dia mudou após tão relevante notícia!] (assim como os flogs, páginas colaborativas desenvolvidas em wordpress, joomla etc. – pois todos se sustentam em pré-programações para que leigos possam expor seus conteúdos na web) [ai, que tudo! tão bom saber coisa que eu vivo diariamente e não preciso receber explicação inútil! Mas qual é o propósito desse seu e-mail inútil, mesmo?], ainda que muitas vezes de forma amadora [ó, zifia, eu sou a rainha-mestra dos parênteses escapulidores de tema central. Mas, como toda tagarela que se preza, eu faço questão de falar tudo o que me dá na telha por inteiro. O que não foi o seu caso, né? porque vamos combinar que você foi falar de flog e dar mais uma aula magna de definições e conceitos básicos à blogueira, e se perdeu no meio do caminho, né? Tá faltando pedacim de texto aqui, cáspita!] e sem estrutura. [Cejura (nº2) que blog é um troço amador e sem estrutura? Quem te contou isso? Foi o Estadão ou a Folha? E o blog em questão é amador? Sem estrutura? Cejura (nº3) que você vai querer ser contratada após chamar a autora do blog de amadora?]
Como seu blog/site não possui apenas impressões pessoais, pois apresenta cunho financeiro [Sei, sei. O blog não possui apenas impressões pessoais, e tem cunho financeiro! Nossa, você percebeu os anúncios aí? Ah, como você é esperta! Parabéns! Vai ganhar um doce!] (vide anúncios de iPhones, produtos Vichy, portal iG (anúncio camarão) etc.) estou certa de que interessa financeiramente sim, a despeito  de sua subclassificação [cejura (nº4) que você quer ser contratada? Chamou esse blog de subclassificado e a autora de amadora, e ainda quer ser contratada? Senta lá, Cláudia!] , aumentar o número de visitantes e, consequentemente os lucros gerados por essa iniciativa na web. [ai, que lindo! Agora você vai cagar regra ditar normas e me ensinar a ganhar dinheiro com o blog - coisa que eu já faço faz tempo! Puxa, muito obrigada mesmo, hein?]
Assim sendo [e ainda escreve assim sendo? Olha, eu emociono fácil, não faz isso não!] , como é o nosso trabalho [Cejura (nº jámeperdi) que esse é o seu trabalho? tem certeza?] , podemos gratuitamente explicar para o(a) sr(a). as diferenciações e similaridades de elementos da web [AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH, QUE TUDOOOOOOOOOOOOOOOO!!! Sou uma amadora subclassificada, e você vai me ensinar GRA-TUI-TA-MEN-TE diferenciações e similaridades? Puxa, que maravilha! Posso te ensinar a falar português fluente, posso? Então, diferenciações e similaridades é a $%&¨¨%&$&¨%$%&¨%$%¨%$, entendeu?] , bem como quais são as estratégias corretas para ganhar mais dinheiro e visibilidade com seu site (blog). [senão vejamos: você já me chamou de amadora desclassificada. Pra eu ganhar dinheiro, de acordo com sua inominável sapiência, devo chamar minhas leitoras de escrotas e imbecis? ou o xingamento tem que ser mais bonitinho?]
Mesmo que não fosse comercial, ainda assim [Aaaaahhhh! Não satisfeita com o Assim sendo, ela escreve ainda assim!] é sempre bom aumentar a visibilidade do que se coloca na Internet, a despeito de sua qualidade e profissionalismo [tradução: cê pode continuar a escrever a merda que você escreve. Eu vou é vender essa merda que você faz. Vergonha alheia master]. Afinal, se escreve para que alguém leia. [Cejura? Cejura? Cejura?]
Encontramo-nos inteiramente à disposição para sanar outras dúvidas que possam haver em relação à sua comunicação e sua classificação.[Classificação? Prá quê? Eu já fui subclassificada, mesmo!]

Inquestionável ectoplasma suína que é, a blogueira em questão respondeu à tchutchuca assim:

Gatinha, se vc tivesse mesmo entrado no [linkdoblog] veria que se trata de um BLOG, e não de um SITE.

Caso tenha alguma dúvida sobre a diferença entre ambos, podemos explicar sem custo nenhum.

E mais não conto, porque estou com pena da cidadã em questão.

Moral da história, zifios: em se tratando de redação de textos, o você sabe com quem está falando? não é uma forma de reduzir ou elevar artificialmente ninguém. É apenas a receita básica pra você não passar vergonha na frente dos outros. Até porque o vigário sabe de há muito como rezar o padre-nosso.

(P.S.: Adivinhem em que Avenida fica a empresa da ameba sem-noção de público-alvo? Acertou quem disse Luis Carlos Berrini!)

Verbinho irrelevante, texto nem tanto

terça-feira, fevereiro 1st, 2011

Bruxa, repita: Não devo negligenciar minha caixa postal. Não devo negligenciar minha caixa postal. Pronto! Agora pára de perder tempo repetindo idiotice e bora gerar conteúdo com os troço que geral te manda por e-mail! E larga de ser preguiçosa!

Enfim, recebi esta tetéia por e-mail. Como o querido ectoplasma suíno não se manifestou a respeito, vou seguir o procedimento padrão e não identificá-lo.

O negócio é que ameba se amarra num neologismo idiota e sem sentido para tirar o dar sentido a seu texto dela. Dessa lavra de criatividade duvidosa e mau gosto inconteste surgiram expressões assombrosas como o verbo objetivar (com um gerúndio passível de substituição por uma singela preposição) e o disponibilizar. Eu ao menos arranjei alguma utilidade pra essas aberrações, e batizei o meu caldeirão com elas.

O dileto ectoplasma suíno do e-mail identificou outro rococó-empolêixon de ameba escrevente neste site aqui. Olha só a tchutchuca:

Daí eu fui ter com tio Antônio, pra saber se esse negócio inzeste (não se dê ao trabalho de me avisar, eu sei! Tanto que pintei de vermelho!) mesmo ou se é invenção da ameba. Tio Antônio foi, pra variar, um gentleman ao identificar a ameba:

Fosse eu, diria: Verbete irrelevante. Quem foi o imbecil que escreveu isso? Mas tio Antônio é classudo. Eu é que sou uma bruxa.

Mas eu fui ver de que se tratava o texto em questão, e se a ameba criadora do neologismo imbecil era da espécie acadêmica (essas adouram um neologismo sem sentido, dá até medo ler os textos delas!). E olha que o acadêmico não é ameba, não! Ele fala em português claríssimo. Sai o

Acadêmico irreleva termo controle social (…)

e entra o

Não interessa que termo ou conceito seja empregado (a íntegra do texto táqui)

Quer dizer: é ameba pretensamente jornalística o autor dessa aberração.

Zifio, te digo só uma coisinha: esse verbo é irrelevante para a vida e saúde da Língua Portuguesa. Esqueça-o. Grata.

De conversas e tempos perdidos

quarta-feira, janeiro 19th, 2011

Cabei de ver esta tetéia aqui, enviada pelo @Aluizcosta e pelo @altinomachado no Twitter.

O texto retumba por entre os neurônios dos leitores com o seguinte abre-alas:

Quem gosta de um papo inteligente não perde tempo conversando com Sibá Machado (PT/AC).

Aí você fica na dúvida se o cabra curtiu conversar com Sua Excelência ou saiu da conversa crente que  o tempo dele foi investido  num papo meique idiota.

Minha dúvida agora é o motivo deste duplo sentido no texto. Seria o autor em questão um autêntico ectoplasma suíno (espírito de porco) que não curte petistas e resolveu tirar uma da cara de Senhor Sibá, ou será que ele realmente saiu satisfeito da conversa que teve com o deputado eleito, e não viu que a construção de sua frase dava motivos a interpretações outras?

Ai, meu Deus! Como é que eu vou dormir hoje com tanta dúvida?

Advogados especializados em canibais (ou seriam canibais especializados em advogados? Xi! confundiu!)

segunda-feira, janeiro 3rd, 2011

Recebi o link para esse escritório de advocacia no Twitter. Esses meninos são uns fanfarrões! Crentes de que o estoque universal de piadas de advogados não é suficiente, resolveram prestar sua humilde contribuição e acrescentar alguns trocadilhos de sua própria lavra.

Duas coisas vieram à minha mente ao descobrir que o nome do escritório de advocacia em questão é “Comi Advogados”: canibais e temperos em geral.

Pensa que acabou? Nããããããããoooo! O primeiro parágrafo do histórico do escritório também é uma jóia do estilo rococó empolêixon, aquele típico do mundo corporativo:

Desde março de 1992, a Comi Advogados Associados nasceu como um escritório pautado em padrões de excelência técnica em variadas áreas do Direito. Algumas características foram importantes, como defender todos os direitos dos clientes, agir honestamente e com integridade, desenvolver melhorias contínuas e cultivar ambientes de trabalho participativos, eficientes e produtivos.

Tá certo que foram importantes para o sucesso do escritório características como agir íntegra e honestamente, e mesmo trabalhar para que tudo ficasse ainda melhor, mais eficiente, mais produtivo, e tals. Mas um escritório de advocacia dizer que “defender todos os direitos dos clientes” é uma característica importante sua, vamos combinar que não soou bem. É algo como um hospital ter como importante característica tratar doentes, ou um professor ter como importante característica ensinar alunos.

Tipos, a expressão característica sine qua non deveria dizer muito a eles, né?

No mais, gostaria de acrescentar que a frase Podemos dizer que a Comi Advogados cresceu de forma sustentável desde a sua fundação me fez imaginar um lauto banquete de canibais que curtem o deguste de advogados especialmente embrulhados em blanquet de gravatas de seda.

Sei não, acho que comi muito nas festas de fim de ano…

Expressões temerosas

sexta-feira, agosto 6th, 2010

Saquei tudo, gente.

O negócio é prestar atenção ao tipo de expressão que o seu interlocutor usa. Porque tem gente que diz uma coisa e quer dizer muito mais, né? Repara só:

Tomemos como exemplo a frase: Você tem dois quilos de banana?

Faça essa pergunta a um paulistano. Se a resposta que você receber começar com auqele tipico entâo (assim mesmo, com acento circunflexo. O ã dos paulistanos tem som de â. e isso não é preconceito, isso é uma constatação. Assim como os éssex finaix dox cariocaix tem som de xix).

Mas você estava perguntando pelas bananas do paulistano. Daí, você ouve o típico entâo. Zifio, fuja.

Entâo é prenúncio de desgraça. Fatalmente a resposta do paulistano para a sua pergunta de banana culminará com um não. Mas até chegar a esse não, você v ai ouvir algum entrevero: entâo, o dono do caminhão que carrega as bananas ficou de pôr diesel no carro, mas se confundiu e botou álcool, daí o motor fundiu, e ele perdeu o caminhão, e…

Aqui em Brasília o entâo dá lugar ao no caso. E o no caso dos brasilienses é muito mais grave. é mais ou menos assim:

Você tem dois quilos de banana? – você foi claro, específico e preciso em sua questão

No caso você estaria querendo aquela coisa vermelha ali do canto? – Seu interlocutor aponta para as maçãs. Ou seja: ele não tem a menor idéia do que faz perambulando pelo planeta Terra, não sabe o valor de dois, não entende o que é quilo e tem a menor noção do que pode vir a ser uma banana. Em duas sílabas, zifio: fu-deu.

Mas você tenta. Afinal de contas, o diálogo se dá em Lingua Portuguesa (aquela coisa que, de acordo com uma comentarista que graçadeus nunca mais deu as caras por aqui, é “um monte de questionamento sem sentido”):

Nâo, moço, eu quero banana, sabe? Aquela fruta amarela e comprida?

Pois não. No caso (iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh), amarelo é essa cor aqui, né? E aponta pro abacate.

Você perde a paciência, encontra as bananas no meio da banquinha do cidadão e diz: Não, banana! Isso aqui!

Aaaaahhh, é isso aí que você quer? Perfeitamente!

Portanto, zifio, aceite o conselho desta bruxa. Se você estiver em Brasília, fizer alguma pergunta e ouvir um no caso no começo da resposta, disfarça, aponta pro céu e grita:

OLHA O ZEPELIN!

Aí, você aproveita e foge.

Interpretando textos com a Madrasta do texto Ruim – aula nº 2: objetivando analisar observações acadêmicas

quarta-feira, julho 14th, 2010
Este post é um serviço público especialmente dedicado à Aninha Arantes.
Ela acaba de pedir auxílio para uma breve interpretação de texto. Que, como vocês poderão ver, deve ser analisado a partir de suas entrelinhas – até porque as linhas estão meio nebulosas.
Enfim, eis o que o diletíssimo orientador de nossa amiga lh’a escreveu:
(…) De qualquer modo, fica uma banca muito redundante. Já sabemos o que todas essas pessoas pensam e já dá até pra prever o que vão dizer [tradução: veja lá o que você vai escrever, hein? tu já sabe que tipo de bosta se passa pelos neurônios desses caras, é uma raça que pensa tudo ingoal, num vai provocar!] (…) mas imagino que os candidatos ficam mais tranquilos com bancas previsíveis do que com uma possível banca imprevisível [E tu ainda reclama? Jogue suas mãos para os céus e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que... (oops, né isso não, é outra coisa). jogue as mãos para os céus e agradeça a dádiva de ter lhe concedido uma banquinha de meia tigela! Agora vai ser facim, facim aprovar!]. E, além disso, não há muitas pessoas imprevisíveis que estejam disponíveis pra uma banca como essa. [só deu pra arranjar professor medíocre. Professor inteligente num quer saber de você, não! E não reclame! Também, com uma banca dessas cê queria o quê?]
Em outras palavras, zifia: os professores bons, que fazem você ralar até o tacho e te obrigam a pensar e fazer um bom trabalho ou não estão disponíveis ou fizeram pouco caso do seu trabalho. durma com um barulho desses.
Mas aproveite que com essa banquinha de meia pataca você será aprovada facim, facim! E não reclame, não! Levante as mãos aos céus e dê Graças a Deus porque, pelo visto, essa banca que ssuncê descolou foi o melhor que pôde lhe acontecer!
Mas seria o caso de perguntar ao prófi o que que ele pensa que se passa pelos seus neurônios…
Certa de ter colaborado para tão importante esclarecimento, subscrevo-me.

Objetivando bater as tchecas (Oi?)

sábado, maio 29th, 2010

Daí você está quieto, calmo, tranquilo, na sua, navegando e respirando, com neurônios quase a zero, e dá de cara com essa manchete:

Juliana e Larissa batem tchecas e vencem a segunda na etapa de Roma

Tem como não pensar em besteira?

MasAntes que seus neurônios continuem a se inflamar em conjecturas de duplo, triplo, quádruplo sentido, você começa a ler a notícia. E descobre que…

As brasileiras Juliana e Larissa passaram por mais um desafio na etapa de Roma do Circuito Mundial de vôlei de praia. Na manhã desta quarta-feira, a dupla venceu as tchecas Klapalova e Hajeckova por 2 a 0 (parciais de 21-13 e 23-21) em 38 minutos de jogo.

…você tem a mente imunda.

Agora, adivinha de onde veio essa notícia? Dica: de um portal que começa com U e termina com OL…

…noves fora não chega a meia

sexta-feira, maio 28th, 2010

Ainda da resenha do livro daí de baixo:

0,4 é a média de letras da palavra na frase de língua portuguesa.

Ou eu não entendi direito (grandes novidades! Texto da Folha, dona Bruxa! Parece que não aprende…) a coisa ou o texto diz que, em média, as palavras em frases escritas na Língua Portuguesa não conseguem chegar nem a meia letra!

Pobrezinha da Língua Portuguesa! Além de inculta é bela é incompleta? Ela não é nem maneta nem perneta, é… letreta?

Eu sei. Foi péssima.

(cof, cof) Fórmula mágica (cof, cof) para escrever um texto (cof, cof, cof) per-fei-to (morri de tuberculose)

quinta-feira, maio 27th, 2010

Me lembrei na hora deste trecho do filme Sociedade dos Poetas Mortos (aos 2 minutos mais ou menos), em que o professor interpretado pelo Robin Williams manda os alunos rasgarem a parte do livro que ensina como identificar o nível de excelência de uma poesia. Tudo bem que a reação do personagem do Robin Wiliams é digna, mas se professora de português e literatura fosse, eu ensinaria meus alunos a rirem da cara do sujeito que escreveu tal baboseira.

É mais ou menos o que eu vou fazer aqui com meus diletos leitores. Porque é possível sempre absorver alguma coisa positiva deste livro, né?

Primeiro, vamos separar as dicas realmente aproveitáveis das autoras:

1- Frase curta é o que há. Deixa o texto simples e claro, e não embola azidéia no meio da frase.

Eu vou, inclusive, provar para vocês que um texto entremeado de vírgulas, dispostas de forma a separar as idéias de cada frase, não é uma boa idéia para se construir um texto, porque você vai acabar socando um monte de idéias e conceitos, todos juntos numa mesma frase e, lá pelas tantas, vai acabar precisando de um gerúndio pra ligar uma idéia à outra e, se bobear, você ainda caba falando, dentro da mesma frase, de coisas que não têm nada a ver, como o pênalti que o Baggio perdeu pro Brasil na copa de 1994, que deu o título de tetracampeã à seleção canarinha.

Entenderam que vírgula não é uma boa idéia? Prefira o ponto, zifio. O ponto diz pro seu leitor dar uma paradinha na leitura. Essa paradinha ajuda ele a processar a informação recém-lida. Algo comparável ao botão de enter do computador.  Com isso, ele apreende seu texto em doses homeopáticas. E não vai pensar que a vírgula do Baggio entremeada na construção do texto deu o tetracampeonato à seleção canarinha, por exemplo.

2- Adjetivo é legal quando o texto não é jornalístico. Mesmo assim, deve ser usado com parcimônia. Isso vale, por exemplo, pra textos corporativos.

Infelizmente, não tenho em mãos o exemplo mais genial de texto repleto de adjetivos. Está no meio dos caixotes da mudança. Trata-se da coletânea de tirinhas do Fagundes, o puxa-saco. Assim que eu encontrar esse texto, copio ele aqui. ele deixa bem claro que o abuso de adjetivos deixa seu texto (e sua idéia) um tanto ou quanto ridícula. Fico na dívida para com meus diletos leitores.

3- Assim como frase cheia de vírgula, frase cheia de polissílabos (palavras com quatro sílabas ou mais) também não ajuda. O exemplo clássico é a frase que motivou a criação deste blog: objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando, (blablabla wiskas sachê blablabla).

Escreva o texto de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Por mais que seu texto vá preencher as páginas de sua monografia de conclusão de curso, escrevê-lo de forma simples vai mostrar ao seu professor, por exemplo, que você não só domina o assunto sobre o qual está escrevendo como consegue explicá-lo sem grandes firulas. Fiz isso com uma prima que me pediu pra revisar a monografia do curso de ciências contábeis. O texto tava cheio de frases do tipo objetivando disponibilizar.  Expliquei a ela como simplificar o texto:  ”empregue na construção do seu texto as palavras que você usaria pra explicar o assunto para a sua sogra durante uma partida de canastra.”  Ela seguiu o meu conselho e, modéstia à parte, tirou dez no trabalho. (A vaca nem pra me convidar pra formatura, mas deixa prá lá. Sei que já espalhei o bem por aí.)

Mas, oh, carambolas, este texto tá positivo e educativo purdimais. Vamos pro recreio, criançada!

Comecei este post pra falar do livro A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto. O livro é meio surtado, sabe? Lá pelas tantas, ele ensina como (cof, cof) mensurar (cof, cof)  a (cof, cof) excelência (cof, cof) de um texto. Vou citar a resenha do livro:

Um trecho interessante está na página 51 [piada pronta. O trecho interessante está na página 51. Mal posso esperar pra ler a página 24 - ou a 69...] , na qual as autoras ensinam como testar a legibilidade de um texto [caaaaaalma! Respira fundo e continua a ler a coisa! você vai rir mais!!!]. Elas reproduzem uma receita do jornalista Alberto Dines.
São seis passos: 1. Conte as palavras do parágrafo. 2. Conte as frases (cada frase termina por ponto) [viram, crianças? cada frase termina por ponto! Não confunda: o ponto é este sinal: .  Já a vírgula é este daqui: , Se aparecer este sinal, não é fim de frase, viu? OK, parei de zombar!] . 3. Divida o número de palavras pelo número de frases [Ah, você inda num pegou a calculadora?]. Assim, você terá a média de palavra/frase do texto. 4. Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos [Agora, comece a cantar: e todos dançam o pega, estica e puxa / e viva a festa da Xuxa! Melhor trilha sonora não há!] . 5. Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa). 6. O produto da multiplicação é o índice de legibilidade [A esta altura, você já chegou naquela parte que diz: O dengue conta de um até três, as brincadeiras começam de uma vez, e se perdeu na conta, né? Ah, puxa, que pena... malzaê por tirar a sua concentração, viu?].
[Pensa que acabou? Nãããããããããoooo!!! Aqui tem a análise dos resultados da sua conta: ] Possíveis resultados: 1 a 7: história em quadrinhos. 8 a 10: excepcional. 11 a 15: ótimo. 16 a 19: pequena dificuldade. 20 a 30: muito difícil. 31 a 40: linguagem técnica. Acima de 41: nebulosidade.
O livro dá exemplos práticos da eficácia desse teste: “Se o resultado ficou acima de 15, abra o olho. Facilite a vida do leitor. Você tem dois caminhos. Um: diminua o tamanho das frases. O outro: mande algumas proparoxítonas dar umas voltinhas por aí. O melhor: abuse de ambos.” [Eu indicaria mais dois caminhos: a) o texto ficou uma bosta. Joga fora e começa do zero, é o melhor a se fazer; b) esqueça a calculadora e abra um dicionário. Ele costuma ser um grande companheiro de redações e redatores. Outro excelente auxiliar na redação de um texto é o Manual de Redação e Estilo do Estado de SPaulo. A única coisa prestável produzida pela empresa do clã dos Mesquita.]

Mas esse texto prima mesmo é pelo conjunto da obra de piadas prontas. Pensa que o melhor do livro é o fato de ele começar a ficar bom na página 51 (hic! :D )? Claro que não! O melhor dele é descobrir que você pode comprá-lo na… Livraria da Folha – o Eliéser dos jornais impressos brasileiros…

É uma piada pronta atrás da outra…

Se a coisa continuar nesse nível serei obrigada a criar uma nova catiguria no caldeirão: PORRA, FOLHA!

Antes de terminar este post, mais duas observações. A primeira: PORRA, ALBERTO DINES!!! NAONDE QUE VOCÊ TIROU ESSA IDÉIA DOIDA DE CÁLCULO DE LEGIBILIDADE DE TEXTO? PÁRA DE TOMAR CHOPE COM ENGENHEIRO PORQUE ESSA RAÇA NÃO SABE ESCREVER DIREITO, CARA!!!!

A segunda: Meus agradecimentos ao Cardoso pelo link enviado.

Objetivando modernizar (ou Porra, Folha!)

domingo, maio 23rd, 2010

Gente, tadinha da Folha! O Eliézer Ambrósio dos jornais impressos tá perdidinho da silva! Num sabe quemcossô, oncotô, proncovô

Culpa dessa menina Internéte, que desvirtuou o belo caminho dos excelsos jornais impressos brasileiros. Agora, qualquer um tem acesso a qualquer tipo de notícias em qualquer lugar, a qualquer hor… CRISTORREIMESALVA! SAIPRALÁ, CLICHÊ!!!!

Ai, mals aê, galera! É que o texto de apresentação do novo (sic) formato da Folha de São Paulo é de uma ruindade contagiante. Ruindade não no sentido de maldade, é no sentido de troço ruim, mesmo!

As idéias estão concatenadas de forma a se desconectarem, e o texto se conclui num mega-chavão pra deixar bem claro que a Folha é e sempre será essa publicação… por assim dizer… smartona.

Senão, vejamos o texto disponível neste link aqui. E quando você se dá conta de que o autor é simplesmente o EDITOR-EXECUTIVO DO JORNAL a vontade de chorar só faz crescer. Mas vamos lá:

Informação exclusiva de cara nova [Tá bom. Então é só a informação exclusiva que vai ganhar roupagem nova? A informação que sair publicada na Folha e em todos os outros jornais do Brasil - quiçá do mundo - vai ficar com cara velha?]
SÉRGIO DÁVILA
EDITOR-EXECUTIVO [brrrrrrrrrrrrrrrr.... perdão, correu um arrepio por toda a minha espinha agora. só de pensar que o editor executivo do jornal escreve assim... brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]
A Folha mudou [Taí um verbinho perigoso de se usar assim, intransitivo... suscita interpretações mil! Mas deixemos minha ansiedade de lado, dotô Sérgio vai se explicar. (Vai?)]. O jornal que você tem em mãos neste domingo traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil [as entrelinhas dizem: Leitor, você é cego, disléxico e burro. Pra quebrar o seu lado, aumentamos a letra. Na próxima reforma, vamos usar apenas desenhinhos, combinado?]. Os títulos são mais fortes [donde se conclui que os títulos anteriores eram fracos (leia-se uma bosta)] , a hierarquização das reportagens é mais clara [ai, que lindo isso! hierarquização clara de reportagens! É de comer ou de beber? E QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PRO LEITOR, CÁSPITA?!?!?!?!?!?!?!?!?] , a identidade entre os cadernos [impressão minha ou ele disse aqui que todos os cadernos de diferentes editorias são idênticos entre si? ou seja: economia, política e cinema têm tratamento igual? Reparem que nós estamos na TERCEIRA FRASE DO TEXTO!!!] , mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos.[lido nas entrelinhas: já estamos ensaiando a próxima reforma, viu leitor? Os desenhinhos estão ganhando espaço!]
As mudanças também são editoriais. O noticiário político passa a ser agrupado sob o título de Poder, o caderno de economia é rebatizado como Mercado [aproveito para parafrasear Luis Fernando Verissimo e lembrar que os cadernos poderiam se chamar Maria Helena e Luíza Renata, não faria diferença. O que importa é o conteúdo. Cadê o conteúdo? qual a diferença do conteúdo antigo pro conteúdo atual?], Esporte ganha formato tabloide [e isso lá é mudança editorial? zifio, essa informação deveria estar no parágrafo anterior ou, então, retrabalhada aqui, porque você começou este parágrafo com ênfase nas mudanças editoriais - que, diga-se de passagem, inda num deram as caras no seu texto...], menor e mais ágil [COMO ASSIM UM CADERNO É MAIS ÁGIL? ELE CORRE? TEM PERNAS? DOMINA A ARTE DO TELETRANSPORTE?!?!?!?! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH, FUJAM PARA AS MONTANHAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSS], Tec reunirá às quartas-feiras tendências [TAVA DEMORANDOOOO!!! CHEGOU A TENDÊNCIAAAA!!! CADÊ O BONDE PRAS MONTANHAS QUE NÃO CHEGOU, DEUSDOCÉU?!?!?!?!?!] do mundo digital e o jornal estreia um novo suplemento, a Ilustríssima, que trará aos domingos o melhor em cultura, ensaios e reportagens de mais fôlego [é isso aí! Enquanto o caderno de esportes está mais ágil, o caderno Ilustríssima ganha mais fôlego! Mal posso esperar pra saber quem é o personal trainer dos cadernos da Folha!] .
Além disso, 29 novos colunistas passam a escrever no jornal. São nomes como o de Fabio Barbosa, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Banco Santander no Brasil, a atriz Fernanda Torres, que comentará as eleições presidenciais, a jovem escritora Vanessa Barbara, que resenhará programas de TV, e o cadeirante Jairo Marques, um sucesso do meio on-line.
O caçulinha João Montanaro, de 14 anos, levará o traço precoce de seu cartum à nobre página 2 do jornal, onde ocupará um espaço que já foi de Glauco (1957-2010), será vizinho de feras como Angeli e integrará um time de ilustradores que conta com Laerte, Adão Iturrusgarai e Caco Galhardo.
Eles vêm se juntar ao maior e mais eclético [vou poupar meus leitores de piadinhas e trocadilhos com este eclético daí, OK?] grupo de colunistas da imprensa brasileira, nomes conhecidos do leitor, gente como José Simão, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein, Janio de Freitas, Danuza Leão, Mônica Bergamo, Barbara Gancia e Tostão.
A nova forma e o conteúdo renovado são resultado do esforço [pode ser preconceito meu, mas esforço é uma palavra que sempre me remete a prisão de ventre...] de centenas de profissionais, que trabalharam por milhares de horas durante os últimos 12 meses, sob orientação de Otavio Frias Filho, diretor de Redação, seguindo o projeto visual da designer gráfica Eliane Stephan, com a coordenação de Fabio Marra, editor de Arte do jornal, e do jornalista Naief Haddad. [Tá. Mas CADÊ AS MUDANÇAS EDITORIAIS PROMETIDAS, CRISTORREI?!?!?!?!?! Ou vai me dizer que a grande novidade aqui é o personal trainer dos cadernos?!?!?!?!?!]
A mudança acontece num momento em que a Folha promove a fusão orgânica [Alguém desenha, por favor? Como a Folha promoveu esse troço de fusão orgânica? Estou com medo disso... meus neurônios fervilham com as imagens de José Simão se fundindo organicamente com Eliane Catanhêde, ou Gilberto Dimenstein fundindo-se organicamente com Barbara Gancia... tô quase apostando que a Folha misturou Activia nessa fusão! Lembrem-se que esse troço todo é resultado do esforço da galera...] entre suas equipes de jornalistas do meio on-line e do impresso, o primeiro grande jornal brasileiro a fazer isso de fato.[HEIN?!?!?!? OS OUTROS JORNAIS JÁ FUNDIRAM JORNALISTAS?!?!?!?! COMO? POR QUÊ? PRÁ QUÊ?]
A ideia é transformar a Redação num centro captador de notícias que funcione 24 horas por dia e produza informação de qualidade para qualquer plataforma [Grito nº1:  E A FOLHA CHAMA ISSO DE FUSÃO ORGÂNICA?!?!?!?! TRAGAM UM PROFESSOR DE FÍSICA QUÂNTICA, PELAMORDEDEUS!!!! Grito nº2: E SÓ AGORA A FOLHA RESOLVEU TER UMA REDAÇÃO QUE PRODUZ NOTÍCIAS DE QUALIDADE?!?!?!?!!?!?! Meu Deus, será que ela vai conseguir tal feito? Ah, tô aqui na torcida, viu?] , seja ela o papel, que é e continuará a ser a vitrine [#facepalm. Tio, vou desenhar: papel é feito de celulose. Vidro é ooooooooooooooooooutra coisa, feita de sílica. O papel não é vitrine. Aliás, qualquer vitrinista sabe que papel serve pra TAPAR VITRINES. Ai, gente, sério que o editor executivo da Folha de SPaulo escreve com essa clareza âmbar?] principal da marca Folha, o on-line, agora rebatizado de Folha.com, ou em smartphones e tablets, por torpedos e e-mails e o que mais for inventado [quer dizer que até agora o que a Folha vinha fazendo na Internet era obra de amadores?].
[Preparem-se porque o âmago do quemcossô-oncotô-proncovô está no parágrafo que começa agora:] Parte dos textos está mais enxuta, maneira de resumir os acontecimentos da véspera sem fazer o leitor perder tempo e paciência [hhmmmpfff... sério que vocês vão conseguir isso? Ó, na boua, tô torcendo aqui pra vocês, viu?]. Parte está mais analítica [EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPPPPPPPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! A Folha tá bipolar? O texto tá enxuto mas tá analítico? o texto enxuto é resumido e não irrita o leitor, daí vem o analítico pra irritar o leitor, e tirar tempo e paciência dele?!?!?!?!?! Doctor Jeckyll and Mr. Hyde? Ou caberia aqui uma explicação mais delongada, mais pormenorizada, sobre como, onde e por quê (olha o lead aí geeeente!) os textos serão assim e/ou assado, né, senhor-doutor-editor-executivo? Taqueopa....], um dos pilares [iiiiiiiihhhhhhh.... um dos pilares... olha a clichetaria grudando no texto!] do projeto novo, que priorizará a contextualização e a interpretação do fato conhecido. [contextualização e interpretação do fato conhecido! vinte sílabas em seis pomposas palavras pra dizer um troço que é pura obrigação de todo e qualquer jornalista, quer ele escreva prum jornal de renome nacional ou um bilhetinho pra namorada!]
O leitor escolherá seu caminho [Ai, jura? Puxa, obrigada, viu? Cês são legais paca!], o mais rápido, mas de qualidade, ou o mais profundo, mas compreensível [leitura das entrelinhas: caberá à Folha largar o leitor na encruzilhada! Eparrê-iansã!] ; ambos serão contemplados pelo jornal.
Uma coisa, porém, não muda: o compromisso diário da Folha de buscar a informação exclusiva [rufar de tambores... preparem-se para a retumbância tonitruante do chavão dos chavões de toda e qualquer reforma editorial ou visual de veículo de imprensa...] , o furo de reportagem [a expressão cláááááááááááássica que aparece cada vez que surge um novo veículo de comunicação na face da Terra. Não, não é o furo de reportagem.] , o enfoque único [Tá chegaaando! Olha o enfoque único abrindo alas pro Uber-Deus de todos os chavões jornalísticos, gente! (Ai, eu até me emociono nessas horas!) é ele, oooooooooooooooooooo....], o olhar diferenciado [YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! - NOT!]. A matéria-prima do jornalismo de qualidade é a informação única. Que você passa a receber de cara nova.
Novíssima! [Naonde, zifio? Naonde? Esse texto é espuma pura! Cadê o conteúdo?!?!?!?!?!?]
Tá pensando em acordar mais cedo pra comprar jornal com cara nova e notícia velha e bipolar? Dica: puxe o edredom pra cima da orelha, vire pro outro lado e estique o seu soninho. Vai por mim. Cê sai no lucro.
PORRA, FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!!!!

Tucanaram a mãe!

domingo, maio 9th, 2010

Peguei o dito no Blog da Ju há um ano. Esqueci de publicá-lo, então. Publico agora.

Já tinha recebido este texto em forma de Power Point. É bonitinho, lindinho, engraçadinho, tem mensagenzinha, etc, etc.

Mas depois de ler esse benedito, eu só consigo pensar numa coisa: Tucanaram a mãe!

Ainda assim, Feliz dia a todas as Mães! (*)

**********

Uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
“O que eu pergunto é se tem um trabalho”, insistiu o funcionário.
“Claro que tenho um trabalho”, exclamou . “Sou mãe”.
“Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar Dona de casa”, disse o funcionário friamente.
Não me lembrei dessa história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu, obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona da situação.
“Qual é a sua ocupação?” Perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:
“Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.”
A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
“Posso perguntar”, disse-me ela com novo interesse, “o que faz exatamente?”
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:
“Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24!!!).
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.
Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3 anos. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz.
Senti-me triunfante!
Maternidade… que carreira gloriosa!
Assim,
as avós deviam ser chamadas “Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas”.
As bisavós: “Doutora-Executiva-Sênior”.
E as tias: “Doutora-Assistente”.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras.
Doutoras na Arte de fazer a vida melhor !!!

(*)Repare, não… tô meio piegas, sim!
Ah, vá, dá um desconto! Meu primeiro dia das mães com o feiticeirinho fora da minha barriga, né?

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (2)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 21:08

*********

Nos áureos tempos de escola, ensinou-nos tia Maricota sobre os modos verbais. Refresco-vos os neurônios, desta vez com o auxílio da Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:

Modo Verbal
As flexões de modo, tempo e voz são características do verbo. A flexão de modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia.
Quando a atitude é de certeza (eu amo/eu amei), o fato é ou foi uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo indicativo.
Quando a atitude é de incerteza, dúvida (se eu amasse/quando eu amar), exprime uma condição, uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo subjuntivo.
Nos casos em que se exprimem ordens (ame você/não amem), ou desejos, ou vontades, temos o modo imperativo.
Além desses três modos, os verbos apresentam as formas nominais: infinitivo (amar); gerúndio (amando) e particípio (amado).

<começa a ironia>

Este é o velho conceito. No novo conceito de modo verbal, o gerúndio rebelou-se. Deixou de ser forma nominal e revelou-se um novo modo verbal: o modo telemarketing. Esse novo conceito em modo verbal expressa atitudes de enrolação misturada com dúvida, desinformação, falta de noção, desculpas esfarrapadas e falta de compromisso total do falante com seu interlocutor (que pode ser um consumidor, uma pizza ou uma pedra, tanto faz).

O legal neste novo conceito em modo verbal é que você pode juntar quantos verbos auxiliares quiser para formar sua locução (capenga) verbal:

“Eu posso vir a estar tentando disponibilizar o serviço, senhor!” (cinco verbos!)

Senhora, a senhora poderia estar objetivando anotar o número de protocolo, por favor? (quatro verbos!)

Certa feita eu consegui juntar seis verbos numa locução só. Mas não me lembro mais como fiz tal aberração. Se você quiser, tente nos comentários produzir uma locução verbal com mais de quatro verbos juntos…

<acaba a ironia>

Sim, isso é errado. E não, crianças, não repitam isso na escola nem na vida real, porque é muito feio! E isso vale pros adultos também!

Mas há casos em que o futuro do gerúndio é possível, sim, na Língua portuguesa. Sabe a historinha da concomitância? É só jogar no futuro:

“No próximo domingo, enquanto o Corinthians estiver jogando contra o Santos, o Botafogo vai estar jogando contra o Flamengo”

Viu? Duas ações ocorrendo ao mesmo tempo, no futuro!

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (1)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 20:41

*******

Nada contra o gerúndio. É um tempo verbal muito útil. Denota concomitância. OK, sei que denotar e concomitância são duas palavras que não constam dos dicionários das amebas escreventes, mas insisto na expressão. E explico: indica duas ações acontecendo ao mesmo tempo, ou ainda uma ação que ocorre neste exato momento: eu estou escrevendo. Das línguas latinas, o francês é o mais radical com relação ao gerúndio: só aceita no caso de concomitância, e ainda assim torce o nariz.

O problema é que, em inglês, o present progressive é usado pra lavar, passar, cozinhar, chuletar, serve o cafezinho no final e ainda pergunta se foi bom pra você também. Vai com tudo – e com todos, esse permissivo. O inglês é uma língua que junta trocentos auxiliar verbs, ou verbos auxiliares, pra modificarem o tempo e o modo de um único verbo principal. Coisa de língua bárbara. Mas tem lá (e não aqui) suas regras. É um tal de I would be going, I shall be released, I’d rather be going to Florida prá tudo quanto é lado. Um verdadeiro desfile verbal.

Daí, o caboclo escrevente que fala ingrêis resolve replicar em português todos esses casos em que o present progressive é usado na língua de seu William </Shakespeare> at the foot of the letter
(Desvio de prosa número 1: literalmente, ao pé da letra. Só que a expressão em português  ao pé da letra, traduzida corretamente para o inglês, é literally. At the foot of the letter é uma tradução típica de Falcão, mas quem cunhou essa expressão deliciosa foi meu amigo João Bonassis, o Boninha. Mas voltemos à minha defesa de tese.)

Pronto. Está feito o melangê de jenessequá*.
(Desvio de prosa número 2: sei que classifico isso de macaquice, mas é que essa é bonitinha… criei essa expressão de minha própria alcunha, a partir do francês melangé de je-ne-sais-quoi. Melangé é mistura; je ne sais quoi, “não-sei-o-quê”. Ficou bonitinho, né? Ah, vá… é melhor que “chiclete com banana” – com duplo sentido, por favor! )

Daí, um desses caboclos tradutores pegou manuais de telemarketing em inglês, salpicados de progressives pra tudo quanto é lado, e traduziu como gerúndio tudico de tudo. Fez-se a bosta. Foi um festival de vamos estar resolvendo, ou vamos estar falando, e danou-se o caldo. A coisa evoluiu pra esculhambação a ponto de muita gente achar chique falar no futuro do gerúndio.

Isso sem contar com as locuções verbais que mais parecem aqueles castelinhos de benjamin montados sobre uma tomada para aumentar o número de plugues da dita. O que me fez desenvolver uma teoria </ironia>. Explico-a. A seguir, porque este post tá muito longo!

A criatividade dos escribas brasileiros

terça-feira, abril 20th, 2010

Copiado e colado da coluna de hoje da Monica Bergamo, aqui (só pra assinantes, mas não lamente, lembre-se que é a Folha de SPaulo…):

O CRIATIVO
O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.
O CRIATIVO 2
A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

O CRIATIVO

O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.

O CRIATIVO 2

A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

Me lembrou de três coisinhas:

1- Uma agência de publicidade que existia em priscas eras da Internet, a Plus Comunicação. O site deles (putz, não abre mais, que pena!) era um mafuá multimídia, tinha um olho (globo ocular, bem entendido!) que olhava pra tudo quanto era canto, pra cima, pra baixo e pros lados, e, ao fundo (juro por Deus! Eu vi e ouvi isso!!!) o arquivo midi de Missão Impossível tocando sem parar – e sem um botão de calabocapelamordedeus no site!) Justiça seja feita, a Plus Comunicação foi a pioneira no (mau) uso da palavra diferencial. Usava em T-U-D-O quanto era canto. Pra T-U-D-O quanto era cliente. Tenho cá pra mim que os irmãos Gonzalez Y Gonzalez trabalharam nessa agência de comunicação. Daí a reciclabilidade de seus slogans, né?

2- uma notinha lida Internet afora (acho que foi no Blue Bus, mas não encontrei nenhum link que me comprovasse a memória) sobre a concorrência que o IBGE fez para contratar uma agência de publicidade para divulgar seu trabalho etc. e tal, e quase todas as concorrentes fizeram algum trocadilho com o verbo contar para o slogan. algo como: “IBGE, conte com a gente!”

Eu sou a primeira a defender trocadilhos. Acho que um trocadilho calado pode fazer muito mal à pessoa, pois ele vira toxina. O negócio é falar logo e botar o trocadilho pra fora antes que ele te contamine. Mas também não é pra levar o trocadilho a sério, né, gente?

3- O Paulo Henrique Amorim comentou no site dele já ter trabalhado com um revisor (foi no Jornal do Brasil, Paulo Henrique?) que recomendava cautela ou até mesmo que se evitasse o uso da palavra poder, porque ‘o poder pode tudo’.* Aí vem o PSDB e… deixa prá lá.

Tudo isso pra dizer que eu ainda espero um mínimo de criatividade (da sinceridade já abri mão de há muito!) nessa campanha eleitoral que já se vislumbra ao horizonte….

* Pra quem não entendeu: no início do século passado, o fonema da letra F era produzido pelas letras “PH” (como em pharmacia). Agora, imaginem o poder com PH. Então, preciso desenhar ou tá de boa?

Interpretando textos com a Madrasta do Texto Ruim – um olhar realista para destacar as entrelinhas

quarta-feira, abril 14th, 2010

O título daí de cima é pra ser lido com sarcasmo, fazfavô. Porque eu jamais, em sã consciência, começaria um título com um gerúndio, muito menos lançaria mão da expressão um olhar assim assado. Além de sarcasmo, o título acima ainda contém 3 taças de vinho. Favor dar o desconto.

Mas não tô aqui pra justificar meus títulos. Vim para ajudar meus diletos leitores a lerem as entrelinhas dos textos que lhes chegam às mãos. Outro dia mesmo tava aqui aprovando um comentário que falava de texto em entrelinhas.

Enfim. Marido recebeu uma dileta cartinha da TIM(ganei) junto com a conta do celular. A missiva é simpática e educada, mas contém uma série de informações que não foram ditas com todas as palavras. Escancará-las-ei, portanto:

Prezado cliente,

Visando a melhoria constante nos processos de atendimento a você, cliente TIM, estamos aprimorando os nossos sistemas de faturamento, responsáveis pela geração de sua conta.[Achamos por bem mexer no sistema que gera nossas cobranças]

Diante disso, a conta deste mês (Abril/2010) não contempla as chamadas locais e de longa distância. [deu um pau ferrado no sistema, a gente perdeu um monte de coisa, mas se Deus quiser o backup vai funcionar] Estas chamadas serão apresentadas na próxima conta com vencimento em maio/2010. [Até o mês que vem a coisa tem que voltar aos eixos, com a ajuda dos deuses]

ATENÇÃO: Caso exista utilização de chamadas locais excedentes ao seu pacote de minutos, realizadas no período de 1/3/2010 a 31/03/2010 (Período do vencimento de Abril/2010), ou chamadas de longa distância deste mesmo período, estas serão cobradas e apresentadas na conta do mês de maio/2010. [aparentemente, perdemos os registros de suas chamadas excedentes e/ou de Longa distância. Mas estamos rezando pra recuperar tudo, viu? Aguarde notícias mês que vem!]

Essa reprogramação está sendo feita em caráter excepcional, não causará a cobrança de encargos financeiros adicionais e respeita os prazos determinados pela Anatel (Agência nacional de Telecomunicações). [Tamos virando noites e noites pra resolver o quiproquó, o chefe não larga do nosso cangote, e a gente tem que consertar a bosta homérica o mais rápido possível. Inda bem que a Anatel entende que esse tipo de bosta acontece, né?]

Adicionalmente, o vencimento da sua conta deste mês será prorrogado e o pagamento poderá ser realizado até 22/04/2010, sem incidência de multa e juros. [Tamos quebrando o teu galho. Reze por nós!]

Atenciosamente,

TIM Brasil.

Eu ri muito ao ler esta carta. Espero ter compartilhado os motivos de meus risos com vocês. E vamos ver o que vai acontecer mês que vem!

A politização da vírgula (ou a teoria do Fagundes)

sábado, abril 3rd, 2010
As imagens acima também foram "adquiridas" no blog do Nassif. O link pro post tá aí embaixo no texto

As imagens acima também foram "adquiridas" (/cara de pau) no blog do Nassif. O link pro post original tá aí embaixo no texto

Daí que um dileto ectoplasma suíno passou por estas bandas e me avisou deste post no blog do Nassif. Tô com pressinha agora, depois eu baixo as imagens e copio aqui.

Mas, pra quem tá com preguiça de clicar no link, segue o resumo da ópera (bufona). Resumão bem tatibitati, porque, né, trata-se da Folha de São Paulo, o Eliéser dos jornais brasileiros. A história é a seguinte:

1- Folha de São Paulo faz manchete política para edição impressa.

2- Folha de São Paulo faz manchete sobre mesmo assunto para edição online.

3- Folha de São Paulo mexe mal nas vírgulas e faz lambança.

4- Folha de são Paulo remenda a lambança na edição online.

As manchetes das edições impressa e online ficaram, respectivamente, assim:

Serra critica roubalheira e Dilma, viúvas da estagnação (edição impressa)

Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação (edição online)

Se eu fosse preguiçosa, me limitaria a lincar aqui a explicação que o professor Pasquale já deu sobre a vírgula e a conjução e. Mas não vou me furtar a tecer minha própria teoria da conspiração. Vamlá.

Pra começo de conversa, vamos falar com base em dona Gramática. Essa manchete da Folha é a prova final, definitiva e indiscutível de que conjunção aditiva pede, sim, vírgula, pra não embananar a compreensão da frase. Então, galera, vamos cortar aquele papinho furado de que conjunção aditiva liga frase e por isso não pode jamais ser precedida por uma vírgula blablabla whiskas sachê blablabla. Como já disse, o Professor Pasquale concorda comigo.

A frase da edição impressa, sem a vírgula antes da conjunção aditiva, tem apenas um sujeito (Serra) e dois objetos diretos (Dilma e a roubalheira). Do jeito que ficou, a frase afirma que Serra criticou tanto a roubalheira quanto a Dilma,  e afirmou que ambas (Dilma e roubalheira) são viúvas da estagnação. Reparem no viúvAs, no feminino.

Já a frase da edição online conta com dois sujeitos, Serra e Dilma, que cometeram a mesma ação (criticar) contra objetos diretos diferentes (o de Serra é a roubalheira; o de Dilma, os viúvOs da estagnação. Viúvos, no masculino, reparou?).

Isto posto, minha teoria é de que esse texto foi feito às pressas, no meio da madrugada, no fechar de uma edição. O caboclo tava com sono, e tava mais preocupado com dona Gramática do que com dona Tendência Política. Aprendeu na escola que antes de conjunção aditiva não tem vírgula nunca, jamais, em tempo algum, e tirou a dita de lá. Apertou o print das rotativas, virou as costas e foi-se embora dormir, pra dar margem a toda sorte de interpretações escabrosas e maledicências por parte dos blogs petralhas (huahuahuahua, como é divertido zoar com todas as tendências políticas!), que começaram a imaginar até mesmo que, dadas suas ligações escusas com o prédio da Barão de Limeira, (aqui começa a viagem legal) foi o próprio Serra foi o autor dessa frase. Não seria de espantar. José Serra tem mesmo habilidade pra fazer cagadas desse tipo com a Língua Portuguesa. Daí os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

Mas eu tenho outra teoria: essa manchete foi feita de propósito, e pra sacanear a direção da Folha. Algo bem Fagundes, o Puxa-Saco: E aí chefinho, ficou boa a manchete? Viva o Serra, e abaixo a Dilma, né, chefinho? Daí, o cabra chutou o pau da barraca e fez essa lambança na edição impressa. Então, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

A terceira teoria é a menos plausível de todas: o autor da manchete é um jornalista sem conhecimentos básicos de Português. Mas nessa teoria eu não aposto, não. Naonde que a Folha de São Paulo se prestaria a publicar textos mal-escritos, né, gente? Pô, se tem um jornal que preza pela clareza dos textos e da concordância com as regras gramaticais da Língua Portuguesa é a Folha de São Paulo!!! (*) Ainda assim, ao lerem a magnífica manchete da edição impressa, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

(*) Pros desavisados de plantão: Esse parágrafo foi irônico, tá?

Sem as bênçãos de Nossa Senhora da Concordância Verbal…

quinta-feira, abril 1st, 2010
É cultivam, Serra! Cultivam!!!

É cultivam, Serra! Cultivam!!!

Alguém avisa lá em cima pra algum santo abençoar e proteger a candidatura de José Serra à Presidência da República?

Nossa Senhora da Concordância Verbal já refugou, coitada…

Pô, primeiro dia de campanha, o ex-governador de São Paulo solta esta magavilha:

Aqui não se cultiva escândalos, mal-feitos, roubalheira…

Ô, Zé! O certo é cultivam, zifio! Vê se melhora seu entrosamento com os santos gramaticais, senão a coisa vai ficar feia pro seu lado!

Até porque as más línguas dizem que quem fala errado neste país é Lizinácio, e ele nem candidato mais é…

(Também, quem mandou o Paulo Henrique Amorim ficar reparando nas suas concordanças, né?)

Trubisco e fuzilico

terça-feira, março 30th, 2010

Tô aqui com a minha amiga slinguista Marília Mercer no MSN. Ela tá me contando umas historinhas ótimas sobre invenções de palavras…

Quando ela se esquece do nome da coisa à qual ela quer se referir, ela chama o negócio de trubisco ou de fuzilico.

Ih, Dona Bruxa, o que é isso e pra que serve?

Bem, ouçamos as palavras da própria Marília:

é qulquer coisa que não lembro o nome
tem fuzilico, fuziliquinho, fuzilicão
trubisco trubisquinho e trubiscão
é que as vezes não dá tempo de lembrar o nome das coisas
e com os improvisos o povo entende e até me lembra o nome!
por exemplo, em radiologia usamos muito o espessômetro
mas na correria, eu esquecia o nome, virava pra estagiária, pega o fuzilico ali pra mim?
termos técnicos!

É qulquer coisa de cujo nome não me lembro. Tem fuzilico, fuziliquinho, fuzilicãotrubisco trubisquinho e trubiscão

Às vezes não dá tempo de lembrar o nome das coisas, e com os improvisos o povo entende e até me lembra o nome!

Por exemplo, em radiologia usamos muito o espessômetro. Mas, na correria, eu esquecia o nome, virava pra estagiária e dizia: “pega o fuzilico ali pra mim”?

Termos técnicos!

É legal, ela aprendia que tinha que sempre medir com o espessômetro sem eu ter que ser a chata que dava aula disso na frente do paciente

Miacaaaaaaaaaaaaaaaaabo com essas expressões doidonas que acabam por soar simpáticas aos nossos ouvidos?

Quando eu era criança pequena lá na Escola de Comunicação da UFRJ, os colhégas falavam em isdruves e isblau. Também dois verbetes muito importantes na arte de não dizer nada mas mesmo assim conseguir se expressar.

E você, também já inventou um neologismo quando se esquecia da palavra correta pra ocasião?

(Em tempo: antes de se apressar e traduzir sling por tipóia, visite o site da Marília. Sling, ou carregador de bebê, é um dos melhores trubiscos já inventados para se carregar um bebê desde… ah, sei lá desde quando! E slinguistas são as pessoas que fazem os slings. A Marília é uma trubisqueira de mão cheia! :D )

De parônimos e enfrentamentos

domingo, fevereiro 28th, 2010

Ectoplasma suíno fresco por estas bandas me contou algumas deliciosas porém indigestas histórias de amebas escreventes. Como a de um cidadão que concedeu, via e-mail, autorização a seu subordinado para executar determinada tarefa:

Fulano,
Enfrente
!

Lindo, não?
A ameba quis dizer em frente, mas escreveu enfrente. Tentei imaginar o que se passou pela cabeça da ameba na hora em que ela escreveu enfrente, mas desisti. É, eu sei que eu insisto em sempre partir do princípio de que coisas desse tipo não só têm cérebro como sabem ler fluentemente.

Daí que eu desconfiava que esse fenômeno de palavras com som igual mas escrita e significados completamente diferentes tinha um nome específico. Tio Antônio me contou:

Parônimos

adj.s.m. (1858) gram ling 1 diz-se de ou cada um dos dois ou mais vocábulos que são quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia e na pronúncia 1.1 diz-se de ou palavra cujos fonemas podem se confundir com os de outra(s), por razões etimológicas ou simplesmente tônicas (p.ex.: deferir: diferir, descrição: discrição, emigrar: imigrar etc.)

Quer dizer, domingo à tarde, e a ameba me faz ir ao dicionário pra ver o que é um parônimo!

Se eu recebesse o supracitado e-mail, eu obederia cegamente à ordem!

Iria à sala do meu chefe, chamá-lo-ia (a mesóclise é minha e eu a enfio onde dona Gramática me autorizar!) pra briga durante dez segundos (E aí, mermão? Vai encarar? Tu num é de nada, não! Vem cá pra tomar uns tabefes pra tu ver o quanto é bom) e, logo em seguida, com a maior cara de Fagundes, o puxa-saco, diria: e aí, chefinho, enfrentei de acordo com suas expectativas?

Porque eu sou cínica! E me lembrei deste causo, que não tem nada a ver com parônimos – só com enfrentamentos… :D

No último lugar onde eu trabalhei, o chefe da redação me mandou, certa feita, o seguinte e-mail:

Dê um pulinho aqui!

Eu não conversei nem questionei: fui até a sala dele, pedi licença, dei um pequeno salto na frente dele, depois fiz cara de Fagundes e disse com sua licença, chefinho!, virei as costas e fui embora.

Ele riu da situação e me chamou pra tomar um cafezinho…

(Não, eu não fui demitida! O chefe que viu que me deu margem pra piadinha sem graça, e aceitou a brincadeira numa boa!)

Publicado com o WordPress