Não, não me acusem de ser petista. Não me digam que estou defendendo o PT. Não tenho poderes para isso (felizmente ou infelizmente, o advérbio de modo fica a seu critério). Já tem um tempo que eu defendo a tese de que não só Deus é brasileiro como ele carrega uma estrelinha vermelha na lapela.
Porque, né? Eu, na qualidade de Madrasta do Texto Ruim, tenho alguns parcos poderes para exorcizar textos mal escritos. Mas só Ele, que tudo vê e a tudo assiste, tem poderes de castigar os outros.
Deus já defendeu PT e Lizinácio de poucas e boas, viu? Já deixou nego escapar daquela história do mensalão (malcontado bagarai, né? Confesso que eu não entendi lhufas do que aconteceu, em parte por que a primeira pergunta que eu fiz quando começou o quiproquó – “Como assim Roberto Jefferson?!?!?!” - nunca me foi respondida. Fiquei sem entender a novela…), daí quando começou a ameaça de apagão Deus fez chover nas cabeceiras dos rios e acabou a ameaça de apagão, daí veio a crisona internacional braba que, no frigir dos ovos, foi-nos uma marolinha mesmo, e…
Quem manda sacanear sindicalista protegido por Deus? Pois o Altíssimo castigou, e castigou feio…
Confiram o que aconteceu na sequência dos parágrafos:
Segundo Roberto Santiago, coordenador sindical da campanha de Marina, deputado federal e consultor da UGT, a candidata do PT diz que é “amiga do movimento sindical, mas não é”. Santiago também atacou Serra e disse que o tucano tem “aljeriza”[Ooops! coisa feia, zifio! O certo é ojeriza, companheiro!] (sic)[daí vem o texto da reportagem do Ig e, corretamente, indica que trata-se de reprodução das palavras de terceiros, e que a expressão não é do redator do texto em questão. OK. Correto. Identificou um erro de português e destacou. Poonto positivo!] pelo movimento sindical.
O sindicalista Temístocles Marcellus, dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), também não polpou[aí vem o parágrafo seguinte e a zifia redatora marca uma touca dest'amanho, e decide que o verbo poupar e todas as suas conjugações se escrevem com a letra éle. Aham, sei... viu que castigo, zifia? Isso é coisa de Deus, cuidado...] críticas à candidatura de Dilma Rousseff.(…)
Ojeriza é uma palavrinha sacana e safada, que em espanhol é escrita com agá e em português não é (tem outra que é assim também, mas não me lembro agora qual é). E não é lá tão usada assim, nego tem o direito de, vez que outra, escorregar (é, tô tomando partido, sim, tá pensando o quê? Cês querem que eu brigue com DEUS?!?!?! TÁLOKA, SANTA?!?!!?!).
Mas o verbo poupar é pouquinha coisa mais usado que ojeriza, né?
Enfim, quem sou eu para brigar com Deus, né? só servi aqui de canal de fofoca, mesmo….
Quer dizer, eu não. Quem me mandou esse e-mail foi o Jefferson Alves… eu só servi de…. de quê, mesmo?
Gente, na boa… existe um limite entre duplo sentido e mau gosto na hora de se fazer uma manchete.
Dizer que limitação a imigrantes ameaça culinária britânica e ilustrar essa frase com carnes cruas penduradas dá a entender que a função dos imigrantes é alimentar com sua carne os britânicos…
Ou isso ou eu estou muito abalada com as manchetes policiais dos últimos dias….
Taqueopa… vou ter que dar aula de matemática de novo, é?
OK, crianças. Esta é mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa. Se você ainda não sabe o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. Último item. Mas volte logo, por favor.
Pra começo de conversa, jornalista deve ser isento. Se, por algum acaso, ele resolve não ser mais isento, deve pelo menos disfarçar a cara-de-pau de forma eficiente, eficaz e matematicamente confiável, ou a casa cai.
Ou isso ou ele deve ter competência o suficiente pra apontar possíveis erros de apuração, e descobrir onde está o erro, por que o erro foi cometido, e como corrigir.
Porque, né? Instituto de pesquisa é uma coisa (não achei palavra melhor pra definir. Se você achar, os comentários aí embaixo são a serventia da casa!) que se respalda por números. E número é outra coisa que não suscita muita dúvida (Se você pensou em dizer “Os números não mentem jamais”, faça-se o favor de parar de pensar em clichês!). Pra manipular números, é bom pelo menos saber o que e como fazer.
Daí eu digo que se o erro não foi do Ibope, os cabras do G1 precisam trabalhar com uma calculadorazinha dando um rélpi, sabe? (diquinha da bruxa: clique em “iniciar” no windows, e digite “calc” na linha “executar. Tcha-ram! uma calculadora con-fi-á-vel!!)
Pesquisa Ibope mostra empate entre Serra e Dilma, ambos com 39%
Tucano tinha 35% no levantamento anterior. Dilma estava com 40%.[tá. o legal aqui é mostrar o crescimento do Serra e a queda da Dilma. Um cresceu três pontos percentuais, e a outra caiu um. Então, tá. Mas com isso outro monte de número cai no meio deste melangê de jenessequá matemático. Há quem diga que esses números ajudam o leitor a entender (sic) e comparar o crescimento / queda dos candidatos blablabla whiskas sache blablabla. Eu acho que confunde. Se for pra esclarecer, faz um gráfico e não enche o saco, pô!]
Marina Silva (PV) aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos.
(…)
Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo[Tem sempre um mané pra endossar a esparrela...], aponta empate em 39% entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.[começaram a calcular? Seguinte: a soma de todos os percentuais aqui tem que dar 100, a despeito da margem de erro para mais ou para menos, OK?]
(…)
Marina Silva (PV) se manteve em 9% nas três pesquisas desde abril e agora tem 10%. Com a margem de erro, estaria entre 8% e 12% [quatro valores distintos aqui pra confundir inda mais nossas cabecinhas. Mas o número a ser anotado lá embaixo é 10. É quanto a Marina conseguiu nesta pesquisa. próximos números, por favor!]. Brancos e nulos somaram 6% e indecisos, 7%.[Ou seja, temos 39+39+10+6+7.]
Daí, a gente soma (pegue você também sua calculadora, pra ver se a soma sai diferente aí. Se sair, me avisa, por favor!!!!)
39+39+10+6+7 = 101 CENTO E UUUUUUUUUUUUUMMMMMMM
E se você ouvir o Ibope dizer que “esse resultado é perfeitamente factível (querem apostar quanto que a expressão factível estará no comunicado do Ibope?) dada a margem de erro de dois pontos percentuais”, esqueça. Essa margem de erro é a diferença entre o valor apurado pela pesquisa do Ibope e o suposto resultado de uma ainda mais suposta eleição que fosse realizada no período de apuração da pesquisa. Com margem de erro de dois pontos percentuais ou de cinquenta e nove pontos percentuais, os valores apurados no resultado de uma pesquisa eleitoral têm que somar 100 pontos percentuais. Porque os números não mentem jamais (Pronto! Enfiei seu clichê aqui!).
Ou isso ou a álgebra foi comprada pelo mensalão do governo. Quer dizer, tá tudo dominado…
Eu pensei em intitular este post “Porra, SporTV!”, mas lembrei-me a tempo de que trabalho em ambiente WordPress, e não Tumblr.
Enfim. Essa __ aula de jornalismo para a __ imprensa foi inspirada neste post daqui. Que, diga-se de passagem, é de um blog de altíssima estirpe. Recomendo. (Só não entendi o porquê de “Somos andando”. Mas acho que pouca gente entende o porquê de Objetivando Disponibilizar, então deixa prá lá, né?)
Tô aqui que sei nem por onde começar. O lead (aquelas seis perguntinhas que todo jornalista deveria responder para compor a história da notícia a ser relatada: quem, o quê, onde, quando, como e por quê) vai ajudar pouco, mas eu vou tentar seguir por esse caminho.
Vergonha. Muita vergonha. E o pior é que, quando esse “material” ficou pronto, o editor deve até ter elogiado. Mas vamos ao ocorrido: o SporTV não tinha mais o que fazer pra encher lingüiça em 24 horas de programação sobre Copa do Mundo em dois canais. Descobriu uma tal torcedora paraguaia que disse que se o Paraguai chegasse à semifinal da copa ela iria ficar pelada blablabla whiskas sachê blablabla. algo que nenhuma brasileira faz, né?
Daí um jênio do SporTV teve a brilhante idéia de fazer uma edição com o que o Paraguai tem de melhor. Taí em cima. Por sua conta e risco, tá? Ainda assim, eu lhe desafio a encontrar UMA notícia, UM fato concreto nesse vídeo repleto de preconceito , além do fato de dona moça paraguaia prometer ficar pelada.
O vídeo é um desfile de preconceito contra o país Paraguai. Se ainda houvesse a “licença poética” de que é um país com quem temos rivalidade de longa data no futebol, caso da Argentina, até passaria, com muitas ressalvas. Mas não. O vídeo é uma seqüência de estereótipos, preconceitos e arrogâncias montado por alguém que, com toda a certeza do mundo, jamais esteve no Paraguai.
E, para contrapor o preconceito nacional, o vídeo se vale de machismo. A única coisa que vale a pena no Paraguai, segundo o SporTV, são os fartos seios de dona moça que jurou peladices públicas. Isso em pleno século XXI.
Bom gosto? Não trabalhamos, não senhor!
Eu poderia continuar aqui com um discurso moralista, indignado e talz. Mas não. Se os jênios responsáveis por cometerem essa edição forem capazes de justificar de forma inteligente e racional o propósito desse vídeo, calo-me a boca. Afinal de contas, a dona juradora de peladices o fez por livre e espontânea vontade, etc. e talz.
Mas imagine você, brasileiro, se uma rede norte-americana de TVs dedicadas ao jornalismo esportivo resolvessem, por exemplo, fazer uma reportagem sobre a seleção brasileira de futebol americano e de sua campanha na copa do mundo do referido esporte, e justificassem a história mostrando mulher pelada, muitos brasileiros iriam se ofender, né?
Foi o que aconteceu com os paraguaios. Estão fulos da vida. com toda a razão.
No dia em que os engraçadinhos entenderem que jornalismo de qualidade é feito com respeito a seu público e à sociedade em gera, talvez o nível de seu raciocínio melhore. Talvez eles entendam que, em pleno século XXI, quem se interessa por futebol não necessariamente está interessado em ver mulher pelada – ou, pelo menos, entende que machismo é coisa do século passado. Não entender isso é ater-se ao passado, é não evoluir.
Além do quê, um vídeo desses só deixa claro que quem pensou nessa edição a fez com idéias tacanhas, restritas, menores, subdesenvolvidas. E antigas. Tão antigas que foi incapaz de vislumbrar a possibilidade de o vídeo em questão parar na Internet para ser fruto de lamentações, críticas e chacotas – coisa que só não acontecia no século passado.
E pensar que o Brasil já teve uma das melhores imprensas do mundo…. que vergonha, meu Deus, que vergonha!
Quero só saber NAONDE que isso é jornalismo. Ou NAONDE que isso é informação.
Ó, tô de luto. Tô com desgosto da vida. Culpa do R7. E também do Serra. E do DEM. E do PSDB. Ah, do mundo!
Vocês sabem o quanto eu me orgulhava do portal da Rede Record, né?
Pois é. Hoje meu mundo caiu.
Olha a tetéia digna de UOL que o R7 me aprontou aí em cima!
Porra, R7! isso é coisa que se faça?!?!?!!? A formação é de CARTEL, CAR-TEL!!!
Quartel num tem nada a ver com isso daí de cima, não, pô!!!
Falaê, tio Antônio!
Cartel
n substantivo masculino
1 carta que se envia a alguém para desafiá-lo; provocação
2 mensagem pública; anúncio, aviso, cartaz
3 relação de vitórias, títulos ou premiações obtidos por uma pessoa, uma entidade ou uma obra
Ex.: o c. de um lutador de boxe
4 Rubrica: comércio.
acordo comercial entre empresas, visando à distribuição entre elas das cotas de produção e do mercado com a finalidade de determinar os preços e limitar a concorrência
5 Rubrica: termo militar.
acordo realizado entre chefes militares beligerantes relativo à troca de interesses, em particular à troca de prisioneiros
Quartel
substantivo masculino
1a quarta parte de um todo; quarta
Ex.: poupa anualmente um q. de seu salário
1.1Derivação: frequentemente.
a quarta parte do ano; trimestre
1.2Derivação: frequentemente.
a quarta parte de uma semana de trabalho
2qualquer espaço de tempo; período, época
Ex.: costumavam reunir-se no último q. do dia
3Rubrica: metrologia. Regionalismo: São Paulo.
alqueire (‘unidade de medida agrária’)
4Rubrica: termo de marinha.
cada uma das seções desmontáveis de assoalho, tampo ou plataforma de uma embarcação
5Rubrica: termo de marinha.
seção de amarra, de 12 ou 15 braças de extensão
6Rubrica: termo de marinha.
m.q. alheta (‘parte curva’)
Mas acho que isso é vingança de tucano, viu? Pô, tava aqui gargalhando com a saga brancaleônica dos tucanos em busca de um vice-presidente pra compor a chapa com o Serra! O festival de piada pronta fervia meus neurônios! Primeiro foi o vice Dias que durou algumas horas; depois, geral começou a dizer que não há vice como Rubinho Barrichello. Tava quase apostando que o PSDB iria desistir do Brasil e chegar a Aurocastro (Não entendeu a história de Aurocastro? então, clicaqui. Mas eu recomendo mesmo clicar aqui e ver o filme todo. Imperdível. Até porque eu tenho cer-te-za que, no final do filme, você vai gritar: “Gente, o Brancaleone é o meu chefe!!!”).
Daí os tucanos vêm e rogam praga pra eu ficar com desgosto.
Tá bom, eu sei que quando um evento é muito longo, todas as notícias por ele geradas tendem a ter as mesmas palavras, e é função do jornalista variar um pouquinho os verbos pra que o troço não fique ainda mais repetitivo do que já é.
Mas daí a
Parece que estamos falando de, sei lá, volta ao mundo de barco…
Dominada e rendida que estou com caixas de mudança em minha nova residência, agora no Planalto Central, eu meique deixo amebas escreventes e ectoplasmas suínos se digladiando por aí sem minha intermediação, porque como vocês já sabem, meus poderes limitam-se apenas ao exorcismo do português meia-boca. Quisera eu ser uma Samantha Stevens, mexer meu nariz e ter minha casa limpa, arrumada e em ordem. [Suspiro].
Mas deixemos divagações de mudança de lado, porque eu a-mei a expressão que a candidata do PT à presidência da República, Dilma Roussef, abiscoitou do locutor da Rádio Planeta Diário, de São José dos Campos. Como você podem ver neste link aqui (da folha, malzaê…), por inspiração do locutor da rádio (Planeta Diário, já é uma piada pronta…), dona ex-ministra disse que o presidente Lula assumiu um país funhanhado.
A sonoridade da palavra é deliciosa. Bem brasileira mesmo. Mas que diabos esse troço significa? Tio Antônio fez cara de ué (outra expressão deliciosa e irretocável, também abiscoitada por dona ex-ministra do locutor da rádio) pra mim. Quem resolveu o dilema foi o senhor Google, que me forneceu este link.
Então, se funhanhado significa leso, estragado ou amasiado (Fulano está funhanhado com fulana), essa expressão é prima do trubisco e do fuzilico, lembram?
Daí que eu sou obrigada a defender dona Dilma neste meu caldeirão. Estou desde o início do ano torcendo por uma derrapada de dona candidata com a Língua Portuguesa, pra que ninguém me acuse de ser contra o Serra. Não tenho culpa se quando o candidato do PSDB fala ou ele é defendido por jornalistas smartões ou ele dá detalhe com a Flor do Lácio…
Por isso, tenho que discordar do Augusto Nunes, que afirmou que a “Dilma não domina nenhum nível do idioma”. Naonde que ele concluiu isso? Olha, a Dilma sabe, sim, falar português fluentemente… Não tenho provas contra ela, e olha que eu tô atrás, viu?
No mais, antes de falar mal do português dos outros, legal mesmo é fazer um título mais claro e com menos palavras, né não?
Porque o título
UOL explica que Dilma disse ‘funhanhado’ e Celso Arnaldo desvenda mais um mistério
Embaixo da “seção direto ao ponto” nada mais é que uma piada pronta… a notícia é sobre quem, zifio? UOL, Dilma, Celso Arnaldo, funhunhação, declaração ou mistério? Escolhe, pô!
Daí você está quieto, calmo, tranquilo, na sua, navegando e respirando, com neurônios quase a zero, e dá de cara com essa manchete:
Juliana e Larissa batem tchecas e vencem a segunda na etapa de Roma
Tem como não pensar em besteira?
MasAntes que seus neurônios continuem a se inflamar em conjecturas de duplo, triplo, quádruplo sentido, você começa a ler a notícia. E descobre que…
As brasileiras Juliana e Larissa passaram por mais um desafio na etapa de Roma do Circuito Mundial de vôlei de praia. Na manhã desta quarta-feira, a dupla venceu as tchecas Klapalova e Hajeckova por 2 a 0 (parciais de 21-13 e 23-21) em 38 minutos de jogo.
…você tem a mente imunda.
Agora, adivinha de onde veio essa notícia? Dica: de um portal que começa com U e termina com OL…
0,4 é a média de letras da palavra na frase de língua portuguesa.
Ou eu não entendi direito (grandes novidades! Texto da Folha, dona Bruxa! Parece que não aprende…) a coisa ou o texto diz que, em média, as palavras em frases escritas na Língua Portuguesa não conseguem chegar nem a meia letra!
Pobrezinha da Língua Portuguesa! Além de inculta é bela é incompleta? Ela não é nem maneta nem perneta, é… letreta?
Me lembrei na hora deste trecho do filme Sociedade dos Poetas Mortos (aos 2 minutos mais ou menos), em que o professor interpretado pelo Robin Williams manda os alunos rasgarem a parte do livro que ensina como identificar o nível de excelência de uma poesia. Tudo bem que a reação do personagem do Robin Wiliams é digna, mas se professora de português e literatura fosse, eu ensinaria meus alunos a rirem da cara do sujeito que escreveu tal baboseira.
É mais ou menos o que eu vou fazer aqui com meus diletos leitores. Porque é possível sempre absorver alguma coisa positiva deste livro, né?
Primeiro, vamos separar as dicas realmente aproveitáveis das autoras:
1- Frase curta é o que há. Deixa o texto simples e claro, e não embola azidéia no meio da frase.
Eu vou, inclusive, provar para vocês que um texto entremeado de vírgulas, dispostas de forma a separar as idéias de cada frase, não é uma boa idéia para se construir um texto, porque você vai acabar socando um monte de idéias e conceitos, todos juntos numa mesma frase e, lá pelas tantas, vai acabar precisando de um gerúndio pra ligar uma idéia à outra e, se bobear, você ainda caba falando, dentro da mesma frase, de coisas que não têm nada a ver, como o pênalti que o Baggio perdeu pro Brasil na copa de 1994, que deu o título de tetracampeã à seleção canarinha.
Entenderam que vírgula não é uma boa idéia? Prefira o ponto, zifio. O ponto diz pro seu leitor dar uma paradinha na leitura. Essa paradinha ajuda ele a processar a informação recém-lida. Algo comparável ao botão de enter do computador. Com isso, ele apreende seu texto em doses homeopáticas. E não vai pensar que a vírgula do Baggio entremeada na construção do texto deu o tetracampeonato à seleção canarinha, por exemplo.
2- Adjetivo é legal quando o texto não é jornalístico. Mesmo assim, deve ser usado com parcimônia. Isso vale, por exemplo, pra textos corporativos.
Infelizmente, não tenho em mãos o exemplo mais genial de texto repleto de adjetivos. Está no meio dos caixotes da mudança. Trata-se da coletânea de tirinhas do Fagundes, o puxa-saco. Assim que eu encontrar esse texto, copio ele aqui. ele deixa bem claro que o abuso de adjetivos deixa seu texto (e sua idéia) um tanto ou quanto ridícula. Fico na dívida para com meus diletos leitores.
3- Assim como frase cheia de vírgula, frase cheia de polissílabos (palavras com quatro sílabas ou mais) também não ajuda. O exemplo clássico é a frase que motivou a criação deste blog: objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando, (blablabla wiskas sachê blablabla).
Escreva o texto de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Por mais que seu texto vá preencher as páginas de sua monografia de conclusão de curso, escrevê-lo de forma simples vai mostrar ao seu professor, por exemplo, que você não só domina o assunto sobre o qual está escrevendo como consegue explicá-lo sem grandes firulas. Fiz isso com uma prima que me pediu pra revisar a monografia do curso de ciências contábeis. O texto tava cheio de frases do tipo objetivando disponibilizar. Expliquei a ela como simplificar o texto: ”empregue na construção do seu texto as palavras que você usaria pra explicar o assunto para a sua sogra durante uma partida de canastra.” Ela seguiu o meu conselho e, modéstia à parte, tirou dez no trabalho. (A vaca nem pra me convidar pra formatura, mas deixa prá lá. Sei que já espalhei o bem por aí.)
Mas, oh, carambolas, este texto tá positivo e educativo purdimais. Vamos pro recreio, criançada!
Comecei este post pra falar do livro A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto. O livro é meio surtado, sabe? Lá pelas tantas, ele ensina como (cof, cof) mensurar (cof, cof) a (cof, cof) excelência (cof, cof) de um texto. Vou citar a resenha do livro:
Um trecho interessante está na página 51 [piada pronta. O trecho interessante está na página 51. Mal posso esperar pra ler a página 24 - ou a 69...], na qual as autoras ensinam como testar a legibilidade de um texto [caaaaaalma! Respira fundo e continua a ler a coisa! você vai rir mais!!!]. Elas reproduzem uma receita do jornalista Alberto Dines.
São seis passos: 1. Conte as palavras do parágrafo. 2. Conte as frases (cada frase termina por ponto) [viram, crianças? cada frase termina por ponto! Não confunda: o ponto é este sinal: . Já a vírgula é este daqui: , Se aparecer este sinal, não é fim de frase, viu? OK, parei de zombar!] . 3. Divida o número de palavras pelo número de frases [Ah, você inda num pegou a calculadora?]. Assim, você terá a média de palavra/frase do texto. 4. Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos [Agora, comece a cantar: e todos dançam o pega, estica e puxa / e viva a festa da Xuxa! Melhor trilha sonora não há!] . 5. Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa). 6. O produto da multiplicação é o índice de legibilidade [A esta altura, você já chegou naquela parte que diz: O dengue conta de um até três, as brincadeiras começam de uma vez, e se perdeu na conta, né? Ah, puxa, que pena... malzaê por tirar a sua concentração, viu?]. [Pensa que acabou? Nãããããããããoooo!!! Aqui tem a análise dos resultados da sua conta: ] Possíveis resultados: 1 a 7: história em quadrinhos. 8 a 10: excepcional. 11 a 15: ótimo. 16 a 19: pequena dificuldade. 20 a 30: muito difícil. 31 a 40: linguagem técnica. Acima de 41: nebulosidade.
O livro dá exemplos práticos da eficácia desse teste: “Se o resultado ficou acima de 15, abra o olho. Facilite a vida do leitor. Você tem dois caminhos. Um: diminua o tamanho das frases. O outro: mande algumas proparoxítonas dar umas voltinhas por aí. O melhor: abuse de ambos.” [Eu indicaria mais dois caminhos: a) o texto ficou uma bosta. Joga fora e começa do zero, é o melhor a se fazer; b) esqueça a calculadora e abra um dicionário. Ele costuma ser um grande companheiro de redações e redatores. Outro excelente auxiliar na redação de um texto é o Manual de Redação e Estilo do Estado de SPaulo. A única coisa prestável produzida pela empresa do clã dos Mesquita.]
Mas esse texto prima mesmo é pelo conjunto da obra de piadas prontas. Pensa que o melhor do livro é o fato de ele começar a ficar bom na página 51 (hic! )? Claro que não! O melhor dele é descobrir que você pode comprá-lo na… Livraria da Folha – o Eliéser dos jornais impressos brasileiros…
É uma piada pronta atrás da outra…
Se a coisa continuar nesse nível serei obrigada a criar uma nova catiguria no caldeirão: PORRA, FOLHA!
Antes de terminar este post, mais duas observações. A primeira: PORRA, ALBERTO DINES!!! NAONDE QUE VOCÊ TIROU ESSA IDÉIA DOIDA DE CÁLCULO DE LEGIBILIDADE DE TEXTO? PÁRA DE TOMAR CHOPE COM ENGENHEIRO PORQUE ESSA RAÇA NÃO SABE ESCREVER DIREITO, CARA!!!!
A segunda: Meus agradecimentos ao Cardoso pelo link enviado.
Gente, tadinha da Folha! O Eliézer Ambrósio dos jornais impressos tá perdidinho da silva! Num sabe quemcossô, oncotô, proncovô…
Culpa dessa menina Internéte, que desvirtuou o belo caminho dos excelsos jornais impressos brasileiros. Agora, qualquer um tem acesso a qualquer tipo de notícias em qualquer lugar, a qualquer hor… CRISTORREIMESALVA! SAIPRALÁ, CLICHÊ!!!!
Ai, mals aê, galera! É que o texto de apresentação do novo (sic) formato da Folha de São Paulo é de uma ruindade contagiante. Ruindade não no sentido de maldade, é no sentido de troço ruim, mesmo!
As idéias estão concatenadas de forma a se desconectarem, e o texto se conclui num mega-chavão pra deixar bem claro que a Folha é e sempre será essa publicação… por assim dizer… smartona.
Senão, vejamos o texto disponível neste link aqui. E quando você se dá conta de que o autor é simplesmente o EDITOR-EXECUTIVO DO JORNAL a vontade de chorar só faz crescer. Mas vamos lá:
Informação exclusiva de cara nova[Tá bom. Então é só a informação exclusiva que vai ganhar roupagem nova? A informação que sair publicada na Folha e em todos os outros jornais do Brasil - quiçá do mundo - vai ficar com cara velha?]
SÉRGIO DÁVILA
EDITOR-EXECUTIVO [brrrrrrrrrrrrrrrr.... perdão, correu um arrepio por toda a minha espinha agora. só de pensar que o editor executivo do jornal escreve assim... brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]
A Folha mudou [Taí um verbinho perigoso de se usar assim, intransitivo... suscita interpretações mil! Mas deixemos minha ansiedade de lado, dotô Sérgio vai se explicar. (Vai?)]. O jornal que você tem em mãos neste domingo traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil [as entrelinhas dizem: Leitor, você é cego, disléxico e burro. Pra quebrar o seu lado, aumentamos a letra. Na próxima reforma, vamos usar apenas desenhinhos, combinado?]. Os títulos são mais fortes [donde se conclui que os títulos anteriores eram fracos (leia-se uma bosta)] , a hierarquização das reportagens é mais clara [ai, que lindo isso! hierarquização clara de reportagens! É de comer ou de beber? E QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PRO LEITOR, CÁSPITA?!?!?!?!?!?!?!?!?] , a identidade entre os cadernos [impressão minha ou ele disse aqui que todos os cadernos de diferentes editorias são idênticos entre si? ou seja: economia, política e cinema têm tratamento igual? Reparem que nós estamos na TERCEIRA FRASE DO TEXTO!!!] , mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos.[lido nas entrelinhas: já estamos ensaiando a próxima reforma, viu leitor? Os desenhinhos estão ganhando espaço!]
As mudanças também são editoriais. O noticiário político passa a ser agrupado sob o título de Poder, o caderno de economia é rebatizado como Mercado[aproveito para parafrasear Luis Fernando Verissimo e lembrar que os cadernos poderiam se chamar Maria Helena e Luíza Renata, não faria diferença. O que importa é o conteúdo. Cadê o conteúdo? qual a diferença do conteúdo antigo pro conteúdo atual?], Esporte ganha formato tabloide [e isso lá é mudança editorial? zifio, essa informação deveria estar no parágrafo anterior ou, então, retrabalhada aqui, porque você começou este parágrafo com ênfase nas mudanças editoriais - que, diga-se de passagem, inda num deram as caras no seu texto...], menor e mais ágil [COMO ASSIM UM CADERNO É MAIS ÁGIL? ELE CORRE? TEM PERNAS? DOMINA A ARTE DO TELETRANSPORTE?!?!?!?! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH, FUJAM PARA AS MONTANHAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSS], Tec reunirá às quartas-feiras tendências [TAVA DEMORANDOOOO!!! CHEGOU A TENDÊNCIAAAA!!! CADÊ O BONDE PRAS MONTANHAS QUE NÃO CHEGOU, DEUSDOCÉU?!?!?!?!?!] do mundo digital e o jornal estreia um novo suplemento, a Ilustríssima, que trará aos domingos o melhor em cultura, ensaios e reportagens de mais fôlego [é isso aí! Enquanto o caderno de esportes está mais ágil, o caderno Ilustríssima ganha mais fôlego! Mal posso esperar pra saber quem é o personal trainer dos cadernos da Folha!] .
Além disso, 29 novos colunistas passam a escrever no jornal. São nomes como o de Fabio Barbosa, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Banco Santander no Brasil, a atriz Fernanda Torres, que comentará as eleições presidenciais, a jovem escritora Vanessa Barbara, que resenhará programas de TV, e o cadeirante Jairo Marques, um sucesso do meio on-line.
O caçulinha João Montanaro, de 14 anos, levará o traço precoce de seu cartum à nobre página 2 do jornal, onde ocupará um espaço que já foi de Glauco (1957-2010), será vizinho de feras como Angeli e integrará um time de ilustradores que conta com Laerte, Adão Iturrusgarai e Caco Galhardo.
Eles vêm se juntar ao maior e mais eclético [vou poupar meus leitores de piadinhas e trocadilhos com este eclético daí, OK?] grupo de colunistas da imprensa brasileira, nomes conhecidos do leitor, gente como José Simão, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein, Janio de Freitas, Danuza Leão, Mônica Bergamo, Barbara Gancia e Tostão.
A nova forma e o conteúdo renovado são resultado do esforço [pode ser preconceito meu, mas esforço é uma palavra que sempre me remete a prisão de ventre...] de centenas de profissionais, que trabalharam por milhares de horas durante os últimos 12 meses, sob orientação de Otavio Frias Filho, diretor de Redação, seguindo o projeto visual da designer gráfica Eliane Stephan, com a coordenação de Fabio Marra, editor de Arte do jornal, e do jornalista Naief Haddad. [Tá. Mas CADÊ AS MUDANÇAS EDITORIAIS PROMETIDAS, CRISTORREI?!?!?!?!?! Ou vai me dizer que a grande novidade aqui é o personal trainer dos cadernos?!?!?!?!?!]
A mudança acontece num momento em que a Folha promove a fusão orgânica [Alguém desenha, por favor? Como a Folha promoveu esse troço de fusão orgânica? Estou com medo disso... meus neurônios fervilham com as imagens de José Simão se fundindo organicamente com Eliane Catanhêde, ou Gilberto Dimenstein fundindo-se organicamente com Barbara Gancia... tô quase apostando que a Folha misturou Activia nessa fusão! Lembrem-se que esse troço todo é resultado do esforço da galera...] entre suas equipes de jornalistas do meio on-line e do impresso, o primeiro grande jornal brasileiro a fazer isso de fato.[HEIN?!?!?!? OS OUTROS JORNAIS JÁ FUNDIRAM JORNALISTAS?!?!?!?! COMO? POR QUÊ? PRÁ QUÊ?]
A ideia é transformar a Redação num centro captador de notícias que funcione 24 horas por dia e produza informação de qualidade para qualquer plataforma [Grito nº1: E A FOLHA CHAMA ISSO DE FUSÃO ORGÂNICA?!?!?!?! TRAGAM UM PROFESSOR DE FÍSICA QUÂNTICA, PELAMORDEDEUS!!!! Grito nº2: E SÓ AGORA A FOLHA RESOLVEU TER UMA REDAÇÃO QUE PRODUZ NOTÍCIAS DE QUALIDADE?!?!?!?!!?!?! Meu Deus, será que ela vai conseguir tal feito? Ah, tô aqui na torcida, viu?] , seja ela o papel, que é e continuará a ser a vitrine [#facepalm. Tio, vou desenhar: papel é feito de celulose. Vidro é ooooooooooooooooooutra coisa, feita de sílica. O papel não é vitrine. Aliás, qualquer vitrinista sabe que papel serve pra TAPAR VITRINES. Ai, gente, sério que o editor executivo da Folha de SPaulo escreve com essa clareza âmbar?] principal da marca Folha, o on-line, agora rebatizado de Folha.com, ou em smartphones e tablets, por torpedos e e-mails e o que mais for inventado [quer dizer que até agora o que a Folha vinha fazendo na Internet era obra de amadores?].
[Preparem-se porque o âmago do quemcossô-oncotô-proncovô está no parágrafo que começa agora:] Parte dos textos está mais enxuta, maneira de resumir os acontecimentos da véspera sem fazer o leitor perder tempo e paciência [hhmmmpfff... sério que vocês vão conseguir isso? Ó, na boua, tô torcendo aqui pra vocês, viu?]. Parte está mais analítica [EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPPPPPPPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! A Folha tá bipolar? O texto tá enxuto mas tá analítico? o texto enxuto é resumido e não irrita o leitor, daí vem o analítico pra irritar o leitor, e tirar tempo e paciência dele?!?!?!?!?! Doctor Jeckyll and Mr. Hyde? Ou caberia aqui uma explicação mais delongada, mais pormenorizada, sobre como, onde e por quê (olha o lead aí geeeente!) os textos serão assim e/ou assado, né, senhor-doutor-editor-executivo? Taqueopa....], um dos pilares [iiiiiiiihhhhhhh.... um dos pilares... olha a clichetaria grudando no texto!] do projeto novo, que priorizará a contextualização e a interpretação do fato conhecido. [contextualização e interpretação do fato conhecido! vinte sílabas em seis pomposas palavras pra dizer um troço que é pura obrigação de todo e qualquer jornalista, quer ele escreva prum jornal de renome nacional ou um bilhetinho pra namorada!]
O leitor escolherá seu caminho [Ai, jura? Puxa, obrigada, viu? Cês são legais paca!], o mais rápido, mas de qualidade, ou o mais profundo, mas compreensível [leitura das entrelinhas: caberá à Folha largar o leitor na encruzilhada! Eparrê-iansã!] ; ambos serão contemplados pelo jornal.
Uma coisa, porém, não muda: o compromisso diário da Folha de buscar a informação exclusiva [rufar de tambores... preparem-se para a retumbância tonitruante do chavão dos chavões de toda e qualquer reforma editorial ou visual de veículo de imprensa...] , o furo de reportagem [a expressão cláááááááááááássica que aparece cada vez que surge um novo veículo de comunicação na face da Terra. Não, não é o furo de reportagem.] , o enfoque único [Tá chegaaando! Olha o enfoque único abrindo alas pro Uber-Deus de todos os chavões jornalísticos, gente! (Ai, eu até me emociono nessas horas!) é ele, oooooooooooooooooooo....], o olhar diferenciado [YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! - NOT!]. A matéria-prima do jornalismo de qualidade é a informação única. Que você passa a receber de cara nova.
Novíssima! [Naonde, zifio? Naonde? Esse texto é espuma pura! Cadê o conteúdo?!?!?!?!?!?]
Tá pensando em acordar mais cedo pra comprar jornal com cara nova e notícia velha e bipolar? Dica: puxe o edredom pra cima da orelha, vire pro outro lado e estique o seu soninho. Vai por mim. Cê sai no lucro.
O negócio foi tão feio que eu sou obrigada a confessar: fiquei com pena do Alexandre Garcia. Hummm… digamos que a raiva foi maior, mas agora deu pena, mesmo.
O ululante comentarista Dazorganizações Globo abriu a boca pra falar (ainda mais) besteira em sua coluna local na CBN Brasília (Aviso: este blog não é patrocinado por remédios contra enjôo e mal-estar. Ao clicares no link fornecido, estarás por tua conta e risco!) e resolveu desancar o parto humanizado defendido pelo governo do Distrito Federal. ele precisava falar mal de alguém, sei lá, acho que acordou com as ventas distorcidas, mas escolheu o alvo errado, e o fez da forma errada.
Disse que parto humanizado é sinônimo de parto de cócoras, e que o GDF não deveria permitir que pais barbudos e sujos de rua entrassem em sala de parto para acompanhar as esposas. Legal, né? Mas como é que ele chegou a essas (cof, cof) brilhantes (cof, cof) conclusões a respeito do parto? Ele é mulher para saber disso tudo? Não que eu saiba. Ah, ele leu e se informou a respeito pra falar sobre parto humanizado e parto de cócoras, né?
Então, vamos pensar aqui como um verdadeiro e responsável jornalista deveria fazer para tecer comentários pertinentes a respeito de saúde:
1- parto humanizado é coisa séria ou é mimimi de ameba natureba? Onde conseguir tal informação? Hummm… será que haveria uma instituição tipo que fosse assim uma Organização Mundial de Saúde, evinculada, por exemplo, à ONU? SIIIIIMM!! É a OMS – ou WHO, do inglês World Health Organization. Ao escolher o espanhol como língua oficial e fazer uma busqueda por parto humanizado, vem uma enxurrada de artigos… DEFENDENDO O PARTO HUMANIZADO!
Como resultado, o barbudo jornalista dazorganizações Globo só recebeu críticas pelo comentário mais que infeliz a respeito do parto humanizado.
Eu poderia citar aqui o mimimi sem conteúdo das amebas naturebas, que o acusam de ignorante, e preconceituoso e etc. e tal – só que o fazem de forma estúpida e preconceituosa. Farei melhor: forneço o link pra página da organização Parto do Princípio, que deu uma chulapada de forma extremamente elegante – com direito a links para artigos científicos sobre o assunto.
Que mais eu posso fazer? Rezar para que ele nunca mais abra a boca pra falar besteira. Melhor desistir, né?
[suspiro. suspiro profundo.]
Confiram a história completa da coluna do Alexandre Garcia neste post aqui – excelente, por sinal.
As imagens acima também foram "adquiridas" (/cara de pau) no blog do Nassif. O link pro post original tá aí embaixo no texto
Daí que um dileto ectoplasma suíno passou por estas bandas e me avisou deste post no blog do Nassif. Tô com pressinha agora, depois eu baixo as imagens e copio aqui.
Mas, pra quem tá com preguiça de clicar no link, segue o resumo da ópera (bufona). Resumão bem tatibitati, porque, né, trata-se da Folha de São Paulo, o Eliéser dos jornais brasileiros. A história é a seguinte:
1- Folha de São Paulo faz manchete política para edição impressa.
2- Folha de São Paulo faz manchete sobre mesmo assunto para edição online.
3- Folha de São Paulo mexe mal nas vírgulas e faz lambança.
4- Folha de são Paulo remenda a lambança na edição online.
As manchetes das edições impressa e online ficaram, respectivamente, assim:
Serra critica roubalheira e Dilma, viúvas da estagnação (edição impressa)
Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação(edição online)
Se eu fosse preguiçosa, me limitaria a lincar aqui a explicação que o professor Pasquale já deu sobre a vírgula e a conjução e. Mas não vou me furtar a tecer minha própria teoria da conspiração. Vamlá.
Pra começo de conversa, vamos falar com base em dona Gramática. Essa manchete da Folha é a prova final, definitiva e indiscutível de que conjunção aditiva pede, sim, vírgula, pra não embananar a compreensão da frase. Então, galera, vamos cortar aquele papinho furado de que conjunção aditiva liga frase e por isso não pode jamais ser precedida por uma vírgula blablabla whiskas sachê blablabla. Como já disse, o Professor Pasquale concorda comigo.
A frase da edição impressa, sem a vírgula antes da conjunção aditiva, tem apenas um sujeito (Serra) e dois objetos diretos (Dilma e a roubalheira). Do jeito que ficou, a frase afirma que Serra criticou tanto a roubalheira quanto a Dilma, e afirmou que ambas (Dilma e roubalheira) são viúvas da estagnação. Reparem no viúvAs, no feminino.
Já a frase da edição online conta com dois sujeitos, Serra e Dilma, que cometeram a mesma ação (criticar) contra objetos diretos diferentes (o de Serra é a roubalheira; o de Dilma, os viúvOs da estagnação. Viúvos, no masculino, reparou?).
Isto posto, minha teoria é de que esse texto foi feito às pressas, no meio da madrugada, no fechar de uma edição. O caboclo tava com sono, e tava mais preocupado com dona Gramática do que com dona Tendência Política. Aprendeu na escola que antes de conjunção aditiva não tem vírgula nunca, jamais, em tempo algum, e tirou a dita de lá. Apertou o print das rotativas, virou as costas e foi-se embora dormir, pra dar margem a toda sorte de interpretações escabrosas e maledicências por parte dos blogs petralhas (huahuahuahua, como é divertido zoar com todas as tendências políticas!), que começaram a imaginar até mesmo que, dadas suas ligações escusas com o prédio da Barão de Limeira, (aqui começa a viagem legal) foi o próprio Serra foi o autor dessa frase. Não seria de espantar. José Serra tem mesmo habilidade pra fazer cagadas desse tipo com a Língua Portuguesa. Daí os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.
Mas eu tenho outra teoria: essa manchete foi feita de propósito, e pra sacanear a direção da Folha. Algo bem Fagundes, o Puxa-Saco: E aí chefinho, ficou boa a manchete? Viva o Serra, e abaixo a Dilma, né, chefinho? Daí, o cabra chutou o pau da barraca e fez essa lambança na edição impressa. Então, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.
A terceira teoria é a menos plausível de todas: o autor da manchete é um jornalista sem conhecimentos básicos de Português. Mas nessa teoria eu não aposto, não. Naonde que a Folha de São Paulo se prestaria a publicar textos mal-escritos, né, gente? Pô, se tem um jornal que preza pela clareza dos textos e da concordância com as regras gramaticais da Língua Portuguesa é a Folha de São Paulo!!! (*) Ainda assim, ao lerem a magnífica manchete da edição impressa, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.
(*) Pros desavisados de plantão: Esse parágrafo foi irônico, tá?
Agora vejam vocês como é poderosa essa Rede Globo! Palavras do Ricardo Feltrin, não minhas…
Eis que durante uma bela edição noturna do SP TV as câmeras da Globo flagraram um glorioso e retumbante baldimdiprástico a invadir a cena por elas captada (aparece ao lado do monitor que mostra a Flávia Freire). E o pobrezinho estava lá a trabalho: recolhia água que pingava duma goteira. Ou pelo menos deve ser isso, porque o texto da coluna Ooops, do Ricardo Feltrin (do UOL, claro! ), se embananou todim todim na hora de mostrar que sabe a diferença entre o através e o por meio de. Ó só a bananança:
Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água por meio de uma goteira.
Quer dizer, o balde vai lá, sobe até a goteira, se espreme feito um condenado, passa pela goteira e coleta a água que cai. Mó heróizão esse balde, né? Mas se o Feltrin tivesse escrito:
Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água que caía por uma goteira.
o balde não precisaria se espremer tanto pra passar pela goteira. E ainda executaria sua função de forma digna e honrada – e em rede estadual de televisão, olha que chique! Inda mais se levarmos em conta que ele (o baldinho) apareceu glorioso durante a matéria sobre a chuva que se precipitou sobre a cidade…
Ou isso ou eu contrato esse balde ninja pra trabalhar lá em casa. tô com uma goteirinha indigesta no quarto do feiticeirinho, viu? Se ele conseguir passar por ela e coletar a água antes que ela passe pela goteira, vai ser show!
Gente, miacaaaaaaaaaaaaaaaabo com essas coisas! Assim eu curto!!
Resumo da ópera: Um senador do PSDB aprovou uma emenda pra dar mais dindim pros beneficiados do Bolsa Família.
Uma senadora do PT votou contra porque sobrecarrega a responsabilidade das criancinhas blablabla whiskas sache blablabla. Se você quiser ler e discutir sobre a questão em si, clicaqui. Até porque este caldeirão não vai entrar no mérito da coisa.
Mas convenhamos, uma história dessas merece capa de jornal, e chamada gigantesca, certo? Certo!
Pois bisservem o que O Globo fez:
Gente, tem como não amar o mancheteiro do Globo? O sujeito pode até ter pecado na hora do prêmio com cacófato, mas hoje ele se esmerou, né?
Miacabeeeeeei na gargalhada com essa manchete! Porque, né? Sarcasmo e cinismo perambulam pelos corredores da rua Irineu Marinho durante as madrugadas.
A-meeeeii! Agora, por favor, ensinem essa arte do cinismo à Folha e ao Estadão! Eles estão precisados, viu?
Legal mesmo é ver esse gráfico animado, pra entender a diferença entre estagnação e ascensão. Clicaí em cima, e clica em "próximo" embaixo do primeiro gráfico, que você vai ver a "construção" do gráfico.
…
Tá ficando divertido ver o malabarismo dos coleguinhas pra defender o Serra. Gostaria de entender o porquê de defenderem especificamente José Serra, e não um candidato de oposição. Mas a questão aqui não é essa.
Em defesa do Lula Molusco da Política Nacional (há quem o compare ao Sr. Burns, mas eu me divirto mais ligando o Serra ao antagonista do Bob Esponja. Mas isso não vem ao caso), vale tudo. Inclusive uma manipulação sutil da manchete.
Confiram o que o Estadão fez nesta manchete daqui:
Ibope mostra crescimento de Dilma e Serra estagnado
O que diz essa manchete? Que o crescimento da Dilma e o crescimento do Serra estão ambos estagnados, ou que a Dilma cresceu e o Serra estagnou?
O âmago dessa questão é a vírgula antes da conjunção aditiva e. Tem gente que nem amarrada de corda bota vírgula antes do e, porque é pecado mortal, afinal de contas a conjunção é aditiva e serve para unir duas orações, e a vírgula vai separar, então a vírgula desfaz o que a conjunção fez, e…
Eu não tô nem aí – como vocês podem perceber no parágrafo anterior. Duas orações, dois verbos, dois sujeitos, a vírgula executa direitinho seu papel de separar orações e idéias, ainda que complementares. E estou em boa companhia, viu? O Professor Pasquale concorda comigo.
Daí que a manchete do Estadão clama por uma vírgula antes do e.
Ibope mostra crescimento de Dilma-vírgula, e Serra estagnado
Ou isso ou o Estadão estará se prestando ao ridículo de ser desmentido pelo próprio departamento de arte, com direito a animação em Flash Player!
Como diria o Silvio Santos, eu não vi, mas me disseram que o desfile da Unidos da Tijuca foi o bicho. O título de 2010 foi merecido, de acordo com essas pessoas. Daí vem O Globo e caga tudo! Infortúnio! Essa foi a manchete do jornal na quarta-feira de cinzas!
Para quem não sabe, cacófato é quando o som de duas palavras ditas em sequência cria uma terceira palavra, às vezes desagradável. A frase Eu tenho uma mão, por exemplo, dita em voz alta, transforma a mão em fruta. Esse exemplo é um exemplo do bem.
Exemplo do mal vem a seguir. Parafraseando William Bonner, a frase Negão havia dado, dita em voz alta soa entranha. E o negão também.
Então, vamos combinar que Unidos da Tijuca-ganha é literalmente vítima do feitiço fez-se a bosta, né?
E aí, o que fazer? Reescrever o título, oras bolas!
E lá vamos nós pra mais uma aulitcha básica de manchetagem com a Bruxa Malvada. A brincadeira consiste em dizer a mesma coisa, com a mesma quantidade de caracteres, usando palavras diferentes porém sinônimas. O problema está apenas na primeira linha do título:
Unidos da Tijuca ganha seu - 26 caracteres com espaços
Precisamos de uma linha com 26 caracteres (pode ser um a mais ou a menos). Hummm… que tal
Unidos da Tijuca fatura o – 25 caracteres com espaços. MA CHEEEE!!!
Enton, Vamo passá o paper higiênico nesse título, belo?
Unidos da Tijuca fatura o
4º estandarte em seis anos.
Já até perdi a conta de quantas ___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa eu publiquei aqui no caldeirão. Desta vez, o culpado foi o Merval Pereira, editorialista d’O Globo (as vítimas somos sempre nós, leitores).
Quem cantou a bola desse texto foi o Luis Nassif, eu seu blog. Nassif foi sutil e elegante ao solicitar “tecla SAP ou tradução simultânea”, porque o texto opinativo chega a várias conclusões contraditórias.
Ao ler trechos do texto de Merval no blog do Nassif, me lembrei do Múcio, o Opinador (velha é a #$%#$%¨#$!!!!), um personagem que o Jô Soares fazia nos tempos do Viva o Gordo (é a sua mãe, cretino! Eu sou novinha!), um cara que nunca conseguia fechar numa opinião só, sempre era convencido do contrário. Lembra não? Clica aí em cima, uai!
Então… parece que o texto (cof, cof) opinativo (cof, cof) abaixo foi escrito pelo Múcio! Fui à cata da íntegra na web, e encontrei aqui. Espiem, só:
Folia eleitoral
Depois do périplo carnavalesco pelo Nordeste, não há mais dúvidas de que o governador paulista José Serra será o candidato tucano à sucessão de Lula. Sua
decisão pessoal já foi tomada; ele não colocaria aquele chapéu no Galo da Madrugada em Recife se não fosse por uma causa extrema. Resta agora superar
obstáculos internos ainda resistentes. Nos últimos dias surgiram boatos de que haveria uma pesquisa feita pelo instituto do cientista político Antonio
Lavareda, ligado historicamente aos tucanos e ao DEM, que mostraria um cenário futuro desanimador para a candidatura Serra.
Embora não seja totalmente verdade, o fato é que ainda alguns setores do partido consideram que somente uma candidatura nova, como a do governador mineiro
Aécio Neves, seria capaz de conter o ímpeto da candidatura oficial.
Esse retorno de uma disputa que parecia estar decidida começou a surgir depois da pesquisa CNT/Sensus, que mostrou uma redução da diferença entre Serra e
Dilma.
O interessante é que, para esse grupo minoritário dentro do PSDB, não é suficiente o governador paulista continuar à frente de todas as pesquisas eleitorais.
O que eles compram é a mesma interpretação que anima os petistas, a de que Serra estaria em trajetória decadente, ou estagnada na melhor das hipóteses, e que
Dilma teria uma trajetória ascendente que a levará à vitória inexorável.
Na pesquisa de Lavareda, Serra está dez pontos percentuais à frente de Dilma (38% a 28%) com o cenário de quatro candidatos. A saída de Ciro Gomes de campo,
hipótese cada vez mais provável, leva essa diferença a aumentar para doze pontos (43% Serra e 31% Dilma).
O fato, porém, é que Dilma tem apoios organizados, já definidos, em todos os estados, e dificilmente essa aliança política que está sendo armada, com base no
PMDB, será quebrada no início da corrida sucessória. E ela se saiu muito bem do teste do carnaval.
O mais provável é que a aliança com o PMDB se mantenha, e os demais partidos da base aliada continuem apostando na popularidade de Lula. Com isso, a
candidata petista terá quase o dobro de tempo de televisão de Serra – 11 minutos e pouco contra 6 minutos.
Por isso, o PSDB tenta fechar acordo nacional com o PSC, para aumentar alguns segundos de televisão. Mas nesse pacote virá o provável candidato ao governo do
Distrito Federal Joaquim Roriz, a matriz de todos os escândalos que está surgindo na capital.
O pior cenário para o PSDB é que, no período entre maio e junho, quando serão apresentados os programas de televisão da maioria dos partidos, as pesquisas
mostrem uma subida forte de Dilma, abalando a autoconfiança nas possibilidades de vencer a eleição.
Os programas do PSDB e de seus aliados DEM e PPS serão os últimos a serem transmitidos, próximo das convenções partidárias no fim de junho. Esse timing
permitirá que o PT e seus aliados façam propaganda maciça, chegando às convenções animados com os resultados das pesquisas.
Em contrapartida, o candidato do PSDB chegará à convenção logo depois do programa, o que provavelmente lhe dará uma turbinada na candidatura.
Será preciso ter “nervos de aço” para superar as crises e pressões que separarão esses dois momentos na campanha sucessória.
Além disso, o PSDB tem situações instáveis em dois estados importantíssimos, em que não sabe o que vai acontecer. No Ceará, dada a peculiaridade da aliança
entre o senador Tasso Jereissatti, uma das principais lideranças do partido, e o deputado Ciro Gomes, há uma dificuldade política que deverá ser simplificada
com a desistência de Ciro à disputa presidencial.
Mas Tasso será candidato ao Senado na chapa do governador Cid Gomes, que apoiará Dilma. Para resolver seu caso específico, o melhor para Tasso seria que
Aécio fosse o candidato tucano, pois ele teria o apoio de Ciro Gomes.
Além disso, o senador Tasso Jereissatti teme que Serra tenha chegado ao seu teto, e disse isso recentemente, em um encontro em Minas, para o presidente do
partido, Sérgio Guerra, na presença do governador de Alagoas Teotonio Vilela.
Tasso acha que Dilma cresceu muito e que é perigoso fazer uma campanha que favorece o plebiscito que Lula tanto quer.
A conversa de Sérgio Guerra e Teotonio Vilela em Minas, que seria para tentar convencer o governador mineiro a ser vice na chapa de Serra, virou uma conversa
sobre a possibilidade de a candidatura Aécio ser retomada.
Aí entra a outra grande incógnita dos tucanos: como se comportará o eleitor mineiro diante do fato de Aécio não ser candidato e não querer ser vice de Serra?
É fato que o governador de Minas, Aécio Neves, prefere ser candidato a presidente, mesmo tendo menos chance que Serra, a ser seu vice.
Mas não há nenhum indício de que preferirá perder a eleição nacional a ver Serra eleito. Mesmo porque sua liderança em Minas está sob fogo cerrado do
governo, que já mostrou todo o apetite para derrotá-lo quando aventou a possibilidade de lançar a candidatura do vice-presidente José Alencar a governador,
com o apoio do PT e do PMDB.
Assim também o senador Tasso Jereissatti, mesmo sendo favorável à candidatura de Aécio, deve fazer campanha para Serra, que passou no teste carnavalesco no
Nordeste, na região onde Lula é mais forte eleitoralmente.
Dilma, por sua vez, tem problemas com o PMDB no Rio, em Minas Gerais e na Bahia. E, se vingar mesmo a tentativa de Lula de se livrar de Michel Temer como
vice, pode haver uma dissidência no partido que impediria a formalização da aliança, tirando do PT os preciosos minutos de propaganda política na televisão.
Os dias que faltam até o prazo final de desincompatibilização, no início de abril, e os que levam até as convenções partidárias em final de junho, reservam
grandes surpresas, numa eleição que ameaça ser das mais disputadas dos últimos tempos
Folia eleitoral[Texto escrito numa quarta-feira de cinzas. Começa a falar de como foi o carnaval dos virtuais candidatos à Presidência da República. Criativo o título, né? É, eu também não achei. Tentei ser cínica. Perdão.]
Depois do périplo carnavalesco pelo Nordeste, não há mais dúvidas de que o governador paulista José Serra será o candidato tucano à sucessão de Lula. Sua decisão pessoal já foi tomada; ele não colocaria aquele chapéu no Galo da Madrugada em Recife se não fosse por uma causa extrema. [Tá. Merval soube de fontes fidedignas que Serra vai ser candidato e que o PSDB tá fechadinho com ele, né?] Resta agora superar obstáculos internos ainda resistentes. Nos últimos dias surgiram boatos de que haveria uma pesquisa feita pelo instituto do cientista político Antonio Lavareda, ligado historicamente aos tucanos e ao DEM, que mostraria um cenário futuro desanimador para a candidatura Serra.[não, veja bem, não é bem assim. A coisa tá mais pra meio assado... nem todo mundo é a favor de Serra dentro do PSDB.]
Embora não seja totalmente verdade [tenho cá pra mim que embora não seja totalmente verdade equivale, num texto, a uma pirueta numa coreografia], o fato é que ainda alguns setores do partido consideram que somente uma candidatura nova, como a do governador mineiro Aécio Neves, seria capaz de conter o ímpeto da candidatura oficial.
Esse retorno de uma disputa que parecia estar decidida começou a surgir depois da pesquisa CNT/Sensus, que mostrou uma redução da diferença entre Serra e Dilma.
O interessante é que, para esse grupo minoritário dentro do PSDB, não é suficiente o governador paulista continuar à frente de todas as pesquisas eleitorais. [Ah, não, não é tão assado, não... tá meio assim... Eles são contrários mas eles são minoria! Não liga não!]
O que eles compram é a mesma interpretação que anima os petistas, a de que Serra estaria em trajetória decadente, ou estagnada na melhor das hipóteses, e que Dilma teria uma trajetória ascendente que a levará à vitória inexorável.
Na pesquisa de Lavareda, Serra está dez pontos percentuais à frente de Dilma (38% a 28%) com o cenário de quatro candidatos. A saída de Ciro Gomes de campo, hipótese cada vez mais provável, leva essa diferença a aumentar para doze pontos (43% Serra e 31% Dilma). [Tudo Zé Ruela, que acha que o Serra não vai crescer mas ele tem tudo pra crescer ainda mais! Certo?]
O fato, porém [Pronto! Fez-se a bosta! Tem um porém aqui! A coisa toda voltou ao ponto do assim (ou do assado? Sei lá, já me perdi!], é que Dilma tem apoios organizados, já definidos, em todos os estados, e dificilmente essa aliança política que está sendo armada, com base no PMDB, será quebrada no início da corrida sucessória. E ela se saiu muito bem do teste do carnaval.
O mais provável é que a aliança com o PMDB se mantenha, e os demais partidos da base aliada continuem apostando na popularidade de Lula. Com isso, a candidata petista terá quase o dobro de tempo de televisão de Serra – 11 minutos e pouco contra 6 minutos. [viu que beleza?! Dilma é organizadíssima! O Serra é que tá todo desorganizado, indeciso, não sabe oncotô, proncovô, quemcossô...]
Por isso, o PSDB tenta fechar acordo nacional com o PSC, para aumentar alguns segundos de televisão. Mas nesse pacote virá o provável candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz, a matriz de todos os escândalos que está surgindo na capital.
O pior cenário para o PSDB é que, no período entre maio e junho, quando serão apresentados os programas de televisão da maioria dos partidos, as pesquisas mostrem uma subida forte de Dilma, abalando a autoconfiança nas possibilidades de vencer a eleição. [Aí ferrou tudo! O PSDB não tem chances!]
Os programas do PSDB e de seus aliados DEM e PPS serão os últimos a serem transmitidos, próximo das convenções partidárias no fim de junho. Esse timing permitirá que o PT e seus aliados façam propaganda maciça, chegando às convenções animados com os resultados das pesquisas. [Lascou-se! Não tem nadica de nada de chance!]
Em contrapartida [Em contrapartida é o irmão mais comprido do mas e do porém. Mais pirueta!], o candidato do PSDB chegará à convenção logo depois do programa, o que provavelmente lhe dará uma turbinada na candidatura. [Mas é claro que o candidato do PSDB é forte, gente! Vai chegar de candidatura turbinada!]
Será preciso ter “nervos de aço” para superar as crises e pressões que separarão esses dois momentos na campanha sucessória. [e poderoso! Precisa ter nervos de aço! (eu me pergunto se dentes e cara de vampiro entram nesse pacote, mas isso é maldade minha. Deixemos isso de lado.) enfim, o candidato do PSDB é O-QUE-HÁ!]
Além disso, o PSDB tem situações instáveis em dois estados importantíssimos [Mas também não é assim tão poderoso, porque em alguns estados ele é instável, gente!] , em que não sabe o que vai acontecer. No Ceará, dada a peculiaridade da aliança entre o senador Tasso Jereissatti, uma das principais lideranças do partido, e o deputado Ciro Gomes, há uma dificuldade política que deverá ser simplificada com a desistência de Ciro à disputa presidencial.
Mas Tasso será candidato ao Senado na chapa do governador Cid Gomes, que apoiará Dilma. Para resolver seu caso específico, o melhor para Tasso seria que Aécio fosse o candidato tucano, pois ele teria o apoio de Ciro Gomes.
Além disso, o senador Tasso Jereissatti teme que Serra tenha chegado ao seu teto, e disse isso recentemente, em um encontro em Minas, para o presidente do partido, Sérgio Guerra, na presença do governador de Alagoas Teotonio Vilela.
Tasso acha que Dilma cresceu muito e que é perigoso fazer uma campanha que favorece o plebiscito que Lula tanto quer. [Viu só? A candidata do PT é que é forte! ela cresceu muito!]
A conversa de Sérgio Guerra e Teotonio Vilela em Minas, que seria para tentar convencer o governador mineiro a ser vice na chapa de Serra, virou uma conversa sobre a possibilidade de a candidatura Aécio ser retomada. [pois é, né? Vamos trocar de candidato, porque o nosso é fraquinho? Ele não deve ter nervos de aço, não... (a tese da cara e dos dentes de vampiro fica mantida, porque ela é minha. Mas deixa isso prá lá porque isso continua a ser maldade minha.)]
Aí entra a outra grande incógnita dos tucanos: como se comportará o eleitor mineiro diante do fato de Aécio não ser candidato e não querer ser vice de Serra? [Eu também me pergunto isso porque isso é uma incógnita! Como ficará Minas?]
É fato que o governador de Minas, Aécio Neves, prefere ser candidato a presidente, mesmo tendo menos chance que Serra, a ser seu vice.
Mas [E o irmão do porém entra em campo abrindo o parágrafo! Vamos acompanhar.] não há nenhum indício de que preferirá perder a eleição nacional a ver Serra eleito [Como é que é? O mais importante é o Aécio perder a eleição nacional porque ele perde mas o Serra ganha? E ele prefere perder a eleição a ver o Serra ganhar? Ou será que ele prefere ganhar a eleição e ver o Serra perder? Oi? quem disse? eu disse! quem disse eu? Eu disse eu!] . Mesmo porque sua liderança em Minas está sob fogo cerrado do governo, que já mostrou todo o apetite para derrotá-lo quando aventou a possibilidade de lançar a candidatura do vice-presidente José Alencar a governador, com o apoio do PT e do PMDB. [não, gente! Aécio é fraco! Foi só aventar a possibilidade e ele dançou! Fraquinho, num tem como não...]
Assim também o senador Tasso Jereissatti, mesmo sendo favorável à candidatura de Aécio, deve fazer campanha para Serra, que passou no teste carnavalesco no Nordeste, na região onde Lula é mais forte eleitoralmente. [Viram só? O Serra é poderosíssimo, gente! Vence Aécio, vence Dilma, vence o Galo da Madrugada, vence a minha paciência... (só não vence enchente no estado que ele deveria estar governando, mas deixa isso prá lá.)]
Dilma, por sua vez, tem problemas com o PMDB no Rio, em Minas Gerais e na Bahia [viu? é uma fraca essa mulher! Fracote! Bu! Bu!] . E, se vingar mesmo a tentativa de Lula de se livrar de Michel Temer como vice, pode haver uma dissidência no partido que impediria a formalização da aliança, tirando do PT os preciosos minutos de propaganda política na televisão. [É o PT que tá ra-cha-di-nho da silva! (Tudo bem que o PRI-MEI-RO parágrafo desse texto dizia que quem estava rachado era o PSDB, mas deixa isso prá lá, né?]
Os dias que faltam até o prazo final de desincompatibilização, no início de abril, e os que levam até as convenções partidárias em final de junho, reservam grandes surpresas, numa eleição que ameaça ser das mais disputadas dos últimos tempos.
Donde se conclui que…. o candidato do PSDB é forte mas é fraco; e a candidata do PT é forte mas é fraca. Mas eles ainda não são candidatos. Portanto, dois candidatos assim-assim meio fortes e meio fracos, a eleição tende a empatar na base do fifiti-fifiti!
Será que eu consegui decifrar o texto do Merval Pereira? Ou ele é que dançou o Rebolêixon prá ficar bem na fita do Serra? Quantas piruetas tem nesse texto? Eu perdi a conta. E tenho medo de recontar, vou me perder de novo!
Quem acabou por ficar mal na fita, no papel, na web, em tudo quanto é canto, foi esse textinhodebosta, viu? Decida-se, pô! Da próxima vez, arrume todos os prós numa parte do texto e todos os contras em outra parte, oras! Pelo menos, vai inspirar mais credibilidade…
À medida que outubro se aproxima, aumenta a quantidade de notícias políticas mal-escritas. Desta vez (Minto. Não foi desta vez. Isso já vem ocorrendo de há muuuuuuito tempo! Desta vez eu resolvi reproduzir aqui no caldeirão, só isso) foi a revista Veja.
É lamentável o que aconteceu com essa publicação. Já foi uma das maiores – e melhores – do mundo, e contou com nomes brilhantes em seus quadros, como Mino Carta e Luis Fernando Verissimo. Tinha um texto delicioso, bem escrito, que fazia carinho enquanto era lido por você.
Agora ela é escrita por um conjunto de ogros sutis feito um Scania, com um estilo grosso, estúpido e extremamente torpe, que agride a inteligência de quem lê o texto. e eu não esotu falando desta ou daquela tendência política. Estou falando de leveza de estilo!
E na coluna Radar desta semana, temos um exemplo de como a Veja é torpe na hora de manipular informações. Acompanhe o texto do subprojeto de jardineiro. Repare em como ele fornece os números:
Um país classe C
A classe C, a nova classe média brasileira, voltou a crescer e aparecer. Entre 2003 e setembro de 2008, 31 milhões de brasileiros ascenderam à classe C. Com a marolinha, 0,5% deles retornaram a um patamar abaixo. Agora, a boa-nova que será anunciada nos próximos dias pelo pesquisador Marcelo Néri, da FGV/RJ: entre setembro e dezembro de 2009, mais 2,6 milhões de brasileiros ascenderam à classe média.
Um país classe C
A classe C, a nova classe média brasileira, voltou a crescer e aparecer [Muito bem. Vamos aos números!]. Entre 2003 e setembro de 2008, 31 milhões de brasileiros ascenderam à classe C [Número absoluto - revelou a quantidade total de brasileiros que subiram. Próximo]. Com a marolinha [Pronto! olha o texto tendencioso! Se ele soubesse ser mais elegante pouquinha coisa, teria posto um itálico nesse marolinha, que ficaria até simpático. Mas não. Enfim, sigamos!], 0,5% deles [Como assim, 0,5% deles? De repente, virou percentual? E o que aconteceu com o valor absoluto fornecido lá em cima? Por que não calcular quanto é 0,5% de 31 milhões e fornecer esse número também?] retornaram a um patamar abaixo. Agora, a boa-nova que será anunciada nos próximos dias pelo pesquisador Marcelo Néri, da FGV/RJ: entre setembro e dezembro de 2009, mais 2,6 milhões de brasileiros ascenderam à classe média.[Putz! Voltamos aos números absolutos!!!! Por que cargas d'água só aquele valorzinho lá de cima foi apresentado em percentual?]
Calculadora do lado, vamos ver quanto vale 0,5% de 31.000.000: (31000000 * 0,5 / 100 = 155.000) Resultado: 155 mil brasileiros. Ele poderia até mesmo ter comparado esse valor com o tamanho desta ou daquela cidade. Se tivesse jogado no Google, saberia que Itu (SP) cabe direitinho nesse valor! Tem 155 mil habitantes! Mas ele nem precisa disso, basta tocar no vizinho de redação, o Almanaque Abril, que ele consegue os valores perfeitinhos!
Agora, vamos brincar de novo de números absolutos e números relativos: quantos somos nós? qual é a população brasileira? Resposta no site do IBGE: Somos 183.987.291 brasileiros, na contagem de 2007. Se esse valor equivale a 100% da população, então temos que 31 milhões equivale a (31000000*100 / 183987291 = 16,84898 que arredondado chega a) 16,85% da população brasileira. Como diria a @poalli, “regra de três é para sempre”!
Custa apresentar números absolutos e relativos devidamente relacionados, custa?
(Se você quiser entender o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. É o último item. Mas volte logo, sim?)
Eu já disse milhões de vezes aqui que não vou partidarizar este blog. Outros milhões de vezes tive que me justificar, porque os coleguinhas não colaboram. Desta vez foi o Estadão. Nesta tetéia daqui, tentou mostrar que o atual governo só faz bosta no campo internacional, mas o texto tropeça tanto nos argumentos que chega a dar pena. Em três parágrafos, assassina sua própria reputação. Confiram só que coisa:
Lula deixa atritos diplomáticos para o seu sucessor
O sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdará na política externa brasileira uma agenda tão ativa que camuflou omissões, como nas relações com os Estados Unidos e no aprofundamento do Mercosul. Lula deixará de herança pelo menos oito imbróglios que tendem a piorar ao longo deste último ano de mandato.
Observador atento da política externa, o embaixador Rubens Ricupero avalia que, no terreno internacional, Lula foi favorecido por sua personalidade carismática e por sua história de vida. Mas o presidente igualmente teve a sorte de atuar em um período de escassez de figurantes emblemáticos na cena global. O quadro, entretanto, tende a mudar especialmente no caso de eleição de José Serra (PSDB) ou de Dilma Rousseff, pré-candidatos considerados mais tocadores de obras que Lula e menos dotados do gosto retórico e do protagonismo que o atual presidente.
Lula deixa atritos diplomáticos para o seu sucessor[Ok. Atritos diplomáticos. Vamos ver.]
O sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdará na política externa brasileira uma agenda tão ativa que camuflou omissões, como nas relações com os Estados Unidos e no aprofundamento do Mercosul. Lula deixará de herança pelo menos oito imbróglios que tendem a piorar ao longo deste último ano de mandato. [OK de novo. Essa é a tese do Estadão. E agora, quem vai corroborar essa teoria? Alguém? Alguém? Já sei, Batman! Vamos falar com Rubens Ricúpero! Temos alguém!]
[O-oh, Batman! Temos um problema! Como apresentar Ricúpero sem mencionar a frase da antena parabólica? Não se preocupe, Robin! Eu tenho a solução:] Observador atento da política externa, o embaixador Rubens Ricupero [e pronto! Observador atento da política externa é o novo aspone! Foi só eu que senti Vergonha Alheia pelo Ricúpero?] avalia que, no terreno internacional [Ah, sim! Esse texto tem um mérito! Do ponto de vista ortográfico e de estilo, ele está muito bem redigido! e é por isso mesmo que a argumentação vai num crescendo de non-sense que você chega ao fim dele com a sensação de ter lido uma esquete do Zorra Total! Vamos acompanhar a inevolução:], Lula foi favorecido por sua personalidade carismática e por sua história de vida [Santo bom-mocismo, Batman! Temos que reconhecer que Lizinácio é bom de público, ou então esse texto fica descaradamente contra o governo! Precisamos disfarçar e deixá-lo com ares neutros!! Mas como fazer para depreciar Lizinácio de forma pretensamente imparcial? Calma, Robin! Acho que eu tenho novamente uma saída para nossa sinuca de bico:] . Mas o presidente igualmente teve a sorte de atuar em um período de escassez de figurantes emblemáticos na cena global [QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.... (Peraí que eu ainda não acabei de rir) QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA. Pronto. Quer dizer, Barack Obama nem tchuns, né? Ah, impossível esse texto ficar melhor, né? Claro que não! Para Batman e Robin, não existe missão impossível! Bisservem só:]. O quadro, entretanto, tende a mudar especialmente [Sentiram o drama desse pobrezinho desse advérbio de modo? Tadinho desse especialmente, gente! Ele tem a função de destacar um ponto muito - eu disse muito - importante logo a seguir nesse texto, que é...] no caso de eleição de José Serra (PSDB) [vocês já sentiram vergonha alheia de um advérbio de modo? Eu já. Meus sentimentos para com o especialmente dessa frase! Oremos...] ou de Dilma Rousseff, pré-candidatos [Pronto! Enfia a Dilma aí que é pra disfarçar a bagaça!] considerados mais tocadores de obras que Lula [Será que eu devo pedir pro texto ser mais específico no conceito de mais tocadores de obras que Lula? Não, né? Xapralá...] e menos dotados do gosto retórico e do protagonismo [Traduzindo: ambos não são dados a falar pelos cotovelos, e são apagaaados que dá dó! Mas vamos combinar que menos dotados do gosto retóricosoou bem às pampas, né? Cer-te-za que o Robin-redator foi ironiquinho aqui, cer-te-za...] que o atual presidente.
[Mas o próximo parágrafo tripudia e pisa em cima do Ricúpero. Senti mais Vergonha alheia agora. Eles abriram umas aspas safadas por causa da necessidade de citação e talz, padrão do manual de redação do Estadão, blablabla whiskas sachê. Reparem só:]
“Sem desconhecer seu mérito pessoal, Lula tem jogado sozinho. Todos os atores da cena internacional, inclusive no Oriente Médio, são meia-tinta” [Tá. Isso já foi dito no parágrafo acima. Mas olha só como nego identificou o pobre infeliz do Ricúpero:], afirma Ricupero, que atuou como embaixador do Brasil em Washington e Genebra e hoje dirige a Faap[Quer dizer: um dia ele foi alguém na noite. Hoje, ele só dirige a Faap (não é nem a Usp, coitado! É a Faap! Faap!). E o tripúdio não acabou, gente! Nem pra canetar a fala do Ricúpero o Robin-redator se prestou!:] . “Qualquer que seja seu sucessor, o pêndulo voltará a pender [Podia escrever o pêndulo irá se voltar paraque ficaria liindo. Mas não. Deixou tripudiado. Pisou em cima. Tadinho, o único mané entrevistado disponível e o Estadão trata desse jeito! Infortúnio...] para uma política externa [E o final da declaração do Ricúpero evidencia por que ele não é membro da USP:] mais normal. Ou seja, menos ativista” [Mediocridade? Sim, trabalhamos! O senhor vai estar querendo quantos quilos? ] , completou.
[A seguir, a reportagem reproduz entrevista com o José Botafogo Gonçalves, outro diplomata vedete (pra usar uma expressão bem Eliane Catanhêde) dos anos de ouro de FHC e que agora tá encostado aqui. E eu não consegui conter o meu riso diante do trocadilho (acidental? Não creio.) inserido pelo Robin-redator. Aparentemente, foi o Botafogo Gonçalves quem disse a frase a seguir. Mas não parece... espiem só!] “Nesse sentido, a herança deste governo é ruim. Mas não é catastrófica nem irrecuperável.”
E foi assim que, em três parágrafos, o Estadão sabotou dois entrevistados e algumas teses. O texto continua por muitos e muitos parágrafos, mas não vou reproduzi-los aqui, não. Por um motivo muito simples: a partir daqui, é impossível respeitar o texto. Ficou patético!
Né por nada não, mas independentemente desta ou daquela posição política, nunca antes na história deste país (miacaaaaabo com essa frase!) jornalista foi uma raça tão incapaz de defender teses e argumentos de forma crível, viu?
Notícia da Agência EFE, que baixou em meu inbóquis graças a uma querida ectoplasma suína:
Londres cria lista de terroristas suspeitos para evitar que voem
Londres, 20 jan (EFE).- O Governo britânico elaborará uma lista com nomes de suspeitos de terrorismo para evitar que viajem em aviões com origem ou destino ao Reino Unido, dentre uma série de medidas antiterroristas anunciadas hoje diante do Parlamento.
O primeiro-ministro, Gordon Brown, compareceu na Câmara dos Comuns para informar as medidas, um mês depois da suposta tentativa de atentado do jovem nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab contra um avião em pleno voo da companhia aérea Delta quando estava prestes a aterrissar em Detroit, nos Estados Unidos.
Londres cria lista de terroristas suspeitos para evitar que voem
Puxa vida! Infelizmente eu não tenho como auxiliar as autoridades londrinas! Nessa eu passo! Tenho estudos apenas para excorcizar amebas escreventes! Meus feitiços são todos voltados para o bom uso da Língua Portuguesa, não sei como fazer pra evitar que terroristas saiam voando por aí! Aliás, nem sei como os terroristas alaram-se, assim, do nada!
Mas, ó: ainda bem que a história se passou na Inglaterra, a terra dos cientistas britânicos! Esses seres quase mitológicos, que fazem pesquisas escalafobéticas para concluírem Deus sabe o quê (se sapos nascidos na lua cheia têm mais incidência de verrugas no lado esquerdo do queixo, por exemplo), são o tipo de entidade perfeita pra descobrir como listar os “supostos terroristas alados”…
Daí, você lê o primeiro parágrafo e descobre que a notícia em questão nada mais é do que o governo britânico estar preparando uma listinha negra pras companhias aéreas evitarem certas pessoas em seus vôos.
Londres, 20 jan (EFE).- O Governo britânico elaborará uma lista com nomes de suspeitos de terrorismo para evitar que viajem em aviões com origem ou destino ao Reino Unido, dentre uma série de medidas antiterroristas anunciadas hoje diante do Parlamento.
Santo duplo sentido, Batman! Em breve, os terroristas terão asas próprias!
(Em julho de 2009, Luiz Guilherme Megale disse ao vivo na Rádio Band News FM que, se o Fluminense não caísse para a segunda divisão, ele passaria a se chamar Margarete. Acabou o campeonato Brasileiro, o Fluminense não caiu, e tudo o que ele pediu foi que sua nova alcunha terminasse com te, e não com th. Atendido, pois!)
Engraçado descobrir que fim de ano só muda mesmo o número do ano que está acabando e do que está começando. O resto fica igualzinho. É Simone, Ivan Lins e John Lennon tocando nos alto-falantes dos shoppings e supermercados, você doida pra esfolar vivos os dois primeiros e ressuscitar o terceiro pra esfolar vivo também, de tão irritantes que soam essas musiquinhas batidas de natal…
E nas publicações? Putz! As revistas femininas publicam aquelas reportagens sobre a ceia dos seus sonhos, ou como decorar sua casa para o Natal (e você fica fula da vida quando descobre na prática da decoração mal-feita que você é um ser humano normal, e não produtora de fotografias), ou o lugar-comum dos lugares-comuns: metas para o ano que vem.
Jamais caí na esparrela de estabelecer metas pro ano que vem. Sei que não vou cumprir mesmo, então chego ao mês de dezembro do ano seguinte com alguns pesos a menos na consciência. E nem me sinto tão imperfeita.
Mas isso não vem ao caso. Vamos falar aqui de mais uma historinha tchutchuca de metas pro ano que vem. Esta pode ser encontrada aqui, no Terra.
De acordo com essa reportagem, pra você ter um bom plano de metas para o ano seguinte, você precisa ter…. FOCO!! GAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!!! Espiem só a obra:
1)Revise o que é importante, se questionando em que atividades pode focar [e que em 2010 você abra mão de ser mulher e se torne uma lente teleobjetiva!] e quais deve descartar. Faça duas listas com as respostas (focar e descartar)[porque você vai ter um lado teleobjetiva e um lado lixeira, claro!] por ordem de importância. Reflita sobre os cinco primeiros itens e detalhe um plano de ação em sua agenda.
2) Organize uma agenda, onde possa centralizar todos os seus planos[e que se dane sua vida pessoal, sua casa, sua família, seu emprego.... o importante são seus planos no centro da sua agenda. Pensando bem, deixe os planos no centro da agenda, e não da vida. Pronto! Resolvido!]. Assim, não tem como se esquecer do que pretende conquistar em 2010.
3) Não tenha muitas metas. É melhor focar em poucos objetivos[hummm... se vai focar em poucos objetivos, então você pode realmente ser uma teleobjetiva, sem crises existenciais! Nada de tentar ser uma grande angular, hein?], sempre relevantes e viáveis.
4) Crie pontos de controle da seguinte maneira: a cada bimestre, agende uma reunião de uma hora com você mesmo[Vai fundo! Agende a reunião! Mas não se esqueça de remarcar a reunião porque você não poderá estar consigo mesma no momento marcado... taqueopa!]com o intuito de revisar suas metas e o que deve descartar. Isso diminui o risco de que as promessas sejam deixadas de lado.
5) Compartilhe seus objetivos com alguém de confiança, que o ajude a manter a motivação. Questione a pessoa escolhida sobre seus planos.[Per-fei-to! Questione a pessoa escolhida sobre os seusplanos! Fulano, por que eu não emagreci? Fulano, por que eu ainda não entrei pra academia? Excelente idéia pra manter sua consciência livre e tranquila!]
6) Dedique tempo a você em 2010, o que colabora na tarefa de ter energias para executar suas metas. Portanto, inclua atividades de lazer em sua rotina com uma periodicidade ao menos quinzenal.
Então, queridos, que em 2010 o ato de focar seja ação exclusiva das lentes! Concentre-se, dedique-se, preste atenção, mas não foque jamais! Tenham o trabalho de adquirir máquinas fotográficas com foco automático e sejam felizes!
Que em 2010 vocês dêem um passo de cada vez, sempre com a Língua Portuguesa a seu favor.
A primeira aula vai pro Fantástico, que de há muito vem errando a mão na edição, o que lhe custa mais e mais espectadores.
Na edição de hoje, a global revista levou ao ar esta (cof, cof) reportagem (cof, cof) aqui.
Aí, você acaba de ler a matéria e diz: tá bom. Mas que eu faço com o Lulu? Assassino a facadas ou deixo ele morrer aos poucos de inanição?
Mas a fantástica revista global não tem coragem de dizer isso a você, claro. O infeliz do editor que teve a estúpida ideia (sem acento) de levar essa história ridícula ao ar sugere nesta linda linha que você tem que dar o seu totó ou bichano: E se alguém disser para você que para preservar o planeta você vai ter que dar o seu cãozinho?
Daí, eu junto Cher e Daniel, meus dois neurônios (Daniel ficou sozinho após a morte de João Paulo, e Cher se sente abandonada após o passamento de Sonny Bono, então os dois se juntaram e… ah, deixa isso prá lá!), que pensaram o seguinte: oras, bolas, se nós dermos o Lulu, ele vai deixar de viver com a gente, mas vai viver em outro lugar. Vai consumir carne e adotar atitudes flatulentas (/peido tucano) ainda dentro do planeta Terra. Uai, então o Lulu vai continuar sendo nocivo à camada de ozônio!
Santa Vergonha Alheia, Fantástico! Que são Francisco de Assis perdoe a ameba que teve a infeliz ideia (sem acento, porque vocês merecem) de levar essa história mal contada ao ar!
Os queridos coleguinhas jornalistas há muito que me causam engulhos. Como se eles já não fossem autosuficientes em detonar pessoalmente a reputação secular (cof, cof) que seus veículos tinham, ainda têm que aprender a lidar com a concorrência da Internet como meio de veiculação de informação e conteúdo que acaba de vez com qualquer tentativa de manipulação de opinião / informação / conteúdo etc.
E o que é pior: a imprensa brasileira está há praticamente uma década sem saber o que fazer com o fenômeno Lizinacio nunca-antes-na-história-desse-país Lula da Silva. Porque uma cobertura jornalística séria, isenta e interessante teria material suficiente para criticar o governo de forma honesta e inteligente, e não com essa fabricação de notícia enguiçada que é a editoria política dos grandes jornais deste país, ou com esse festival de vírgula-mas que se tornou a editoria econômica.
Cara, não tem coisa mais chata e modorrenta do que ler jornal – qualquer jornal – hoje em dia. Sabe aquela vizinha fofoqueira que aproveita toda ocasião em que encontra contigo no elevador pra falar mal da liora boazuda, e você tá pouco se lixando pro fato de que a boazuda fez lipoaspiração pra acabar com a celulite? É esse o papel dos jornais e revistas deste país. Nunca antes na história desse país o jornalismo foi tão mal-feito, viu?
Mas eu ainda tenho alguma piedade dos jornalistas, sabe? Eu tenho um lado jornalista (com deproma e tudo! Precisa ver só, é chique no úrtimo!) que sente muita VA da cobertura dos coleguinhas, dos textos deles…
Por conta disso, eu vou criar uma nova catiguria no Objetivando Disponibilizar: ___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa. É uma catiguria totalmente inovadora, sabe? Porque ela é interativa. As lacunas você preenche a seu gosto e critério, com os adjetivos grande e pequeno, devidamente concordados em gênero e número. se você preferir, pode ser Pequenas aulas de jornalismo para a grande imprensa. Ou pode se tornar Grandes aulas de jornalismo para a pequena imprensa.
E para me manter na promessa de que este caldeirão será politicamente isento, eu me comprometo a manter o contexto de crítica que a notícia original tentou imputar a assunto.