<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>      </title>
	<atom:link href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 07 Jun 2013 20:41:46 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.5.1</generator>
		<item>
		<title>Da série &#8220;certos erros só acontecem na Folha de SPaulo&#8221; (ou PORRA, FOLHA!)</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4018</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4018#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Jun 2013 20:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hortografia pobremática]]></category>
		<category><![CDATA[PORRA, FOLHA!]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4018</guid>
		<description><![CDATA[Cadê que Estadão escreve isso? Cadê que o Globo escreve isso? Trocadilhos com Bombril: já foram praticados, obrigada. Só espero que o Grande Gatsby não tenha se apequenado diante desse esquecimento&#8230; /o\ PORRA, FOLHA!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/sombril.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-4019" alt="sombril" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/sombril.jpg" width="400" height="225" /></a></p>
<p>Cadê que Estadão escreve isso?</p>
<p>Cadê que o Globo escreve isso?</p>
<p>Trocadilhos com Bombril: já foram praticados, obrigada.</p>
<p>Só espero que o Grande Gatsby não tenha se apequenado diante desse esquecimento&#8230; /o\</p>
<p>PORRA, FOLHA!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=4018</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>FonFon &#8211; ou noções básicas de fonética para leigos / iniciantes / amadores</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4003</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4003#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 Jun 2013 04:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=4003</guid>
		<description><![CDATA[Este post surgiu por três motivos: 1- para eu estudar pra prova de FonFon (Fonética &#38; Fonologia) 2- Pro Luiz Prata matar a curiosidade dele 3- Me divirto só de imaginar você mexendo língua pra cá, e tocando dente assim, e futucando o véu palatino com a língua (EEEEEPPPPAAAAAA!!!), só pra produzir os sons que eu [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4004" class="wp-caption alignleft" style="width: 487px"><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/lhama16.jpg"><img class="size-full wp-image-4004 " alt="A vibe é essa :D" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/lhama16.jpg" width="477" height="483" /></a><p class="wp-caption-text">A vibe é essa <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> <span style="font-size: 13px; line-height: 19px;"><br /></span></p></div>
<p>Este post surgiu por três motivos:</p>
<p>1- para eu estudar pra prova de FonFon (Fonética &amp; Fonologia)</p>
<p>2- Pro Luiz Prata matar a curiosidade dele</p>
<p>3- Me divirto só de imaginar você mexendo língua pra cá, e tocando dente assim, e futucando o véu palatino com a língua (EEEEEPPPPAAAAAA!!!), só pra produzir os sons que eu vou descrever. Bem-vindo ao mundo da fonética! \o/ Receba as mais sinceras saudações da lhama linguista! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Então vamos lá!</p>
<p>Fonética é o estudo dos sons da fala humana. E a fonologia estuda os segmentos e unidades de sons de uma determinada língua. Em outras palavras, pra mexer com fonologia, você tem que sacar um cadim de fonética. E é um troço delicioso pra se brincar &#8211; depois que você <em>pega o ponto da embreagem </em>e entende o fio da meada.</p>
<p>Pra começar, qual a diferença entre vogais e consoantes, foneticamente falando? Enquanto as consoantes são sons produzidos a partir de alguma forma de impedimento da saída do ar da boca (OK, da <em>região supraglotal do aparelho fonador, </em>mas <em>boca</em> também serve pra entender a bagaça), as vogais são seres livres e desimpedidos, saem da boca (leia o abre parênteses daí de cima, por favor) sem nenhum tipo de obstrução de saída do ar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isto posto, temos que as consoantes podem ser divididas em (ah, acompanhe com essa imagem aqui pra você entender melhor):</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/apfonador.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-4005" alt="apfonador" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/apfonador.jpg" width="564" height="337" /></a></p>
<p><b>Oclusivas (em inglês, plosives):</b> o impedimento da saída do ar é momentâneo, e total. São <em>as consoantes mais consoantes </em>da face da terra. Abaixo segue a lista das consoantes oclusivas, e suas representações de acordo com o padrão da International Phonetics Association, a IPA (<em>aipiêi</em>, é quase um aipim! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> ) , nos conformes, dentro de colchetes, e embaixo um exemplo de onde esse som é aplicado. Os sons se dividem em <strong>surdos (</strong>ou <strong>desvozeados)</strong>, quer dizer, os sons que são produzidos sem muitas ou grandes vibrações das cordas vocais; e <strong>sonoros (</strong>ou <strong>vozeados), </strong>que é isso mesmo que você entendeu: produzidos com a vibração das cordas vocais (que, se a legenda da foteenha acima aparecesse, você saberia que estão localizadas mais pra baixo na laringe).</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64"><span style="color: #ff0000;"><b>Surdo</b></span></td>
<td valign="top" width="38">[p]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>p</b></span>ato</td>
<td valign="top" width="47">[t]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>t</b></span>atu</td>
<td valign="top" width="38">[k]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>c</b></span>asa</td>
<td valign="top" width="85">(PeTeKa)</td>
<td valign="top" width="347"></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64"><span style="color: #ff0000;"><b>sonoro</b></span></td>
<td valign="top" width="38">[b]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>b</b></span>ola</td>
<td valign="top" width="47">[d]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>d</b></span>ado</td>
<td valign="top" width="38">[g]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>g</b></span>ato</td>
<td valign="top" width="85">(BoDeGa)</td>
<td valign="top" width="347"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Repare que se o [p] é um som surdo, o [b] é sua versão sonora. E repare também que à medida que você caminha pra direita no quadrinho que eu listei acima, mais dentro da boca o seu som é produzido. [p] e [b] são bilabiais, [t] e [d] são dentais, e [k] e [g] são velares (na <em>foteenha</em> lá em cima, o palato mole também é conhecido como véu palatal. Sons produzidos nessa área, são, portanto, velares!).</p>
<p>Outro tipo de consoantes são as</p>
<p><b>Nasais (ou oclusivas nasais)</b>: há impedimento total na boca, mas o véu palatino está abaixado e o ar sai pelo nariz. Todos são sonoros, por natureza.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64">[m]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>m</b></span>ato</td>
<td valign="top" width="94">[n]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>n</b></span>avio</td>
<td valign="top" width="85">[ ɲ ]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>nh</b></span>á</td>
<td valign="top" width="95">[η]<br />
belo<span style="color: #ff0000;"><b>ng</b></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Repare novamente que os sons vão <em>entrando </em>pela boca à medida que você avança para a direita no quadrinho acima.</p>
<p>Bora passar rapidinho pelas consoantes <strong>laterais</strong> (todas sonoras), porque elas não têm muita graça. São elas:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="45">[l]<span style="color: #ff0000;"><b>l</b></span>ata</td>
<td valign="top" width="57">[λ]<span style="color: #ff0000;"><b>lh</b></span>ama</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A seguir, temos as consoantes</p>
<p><b>Fricativas</b>: há impedimento parcial da saída do ar. Ou, comparativamente, o ar sofre algum tipo de atrito ao sair da boca. As fricativas são primas do assobio. E são umas fofas. Ponha bastante reparo na tabelinha abaixo:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64"><b>Surdo</b></td>
<td valign="top" width="44">[f]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>f</b></span>oto</td>
<td valign="top" width="50">[s]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>s</b></span>apo</td>
<td valign="top" width="76">[ ʃ ]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>ch</b></span>á</td>
<td valign="top" width="95">[θ]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>th</b></span>anks</td>
<td valign="top" width="66"><span style="color: #ff0000; line-height: 19px;"> </span></td>
<td valign="top" width="69">[x]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>r</b></span>ato</td>
<td valign="top" width="76">[h]<br />
<span style="color: #ff0000;"><strong>h</strong></span>at</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64"><b>Sonoro</b></td>
<td valign="top" width="44">[v]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>v</b></span>oto</td>
<td valign="top" width="50">[z]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>z</b></span>ebra</td>
<td valign="top" width="76">[ ʒ ]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>j</b></span>á</td>
<td valign="top" width="95">[ ð ]<br />
<span style="color: #ff0000;"><b>th</b></span>is</td>
<td valign="top" width="66"></td>
<td valign="top" width="69">[ ɤ ]<br />
me<span style="color: #ff0000;"><b>r</b></span>mo<br />
(r carioca)</td>
<td valign="top" width="76"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>[f] e [v] são labiodentais; [s] e [z] são alveolares; [ʃ] e [ʒ] são alveopalatais; [θ] e [ð] são interdentais; [x] e [ɣ] são velares, e [h] é glotal.</p>
<p>Aí chegamos ao calcanhar de Aquiles do preconceito linguístico brasileiro, as consoantes <b>Vibrantes. </b>São elas:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="73">Simples</td>
<td valign="top" width="66">[ ɾ ]<br />
pe<span style="color: #ff0000;"><b>r</b></span>o</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Múltiplo</td>
<td valign="top" width="66">[r ]<br />
pe<span style="color: #ff0000;"><b>rr</b></span>o</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>(ou, se você preferir, o érre normal fraquinho e o érre Galvão Bueno)</p>
<p>Mas temos também o famoso érre caipira, chamado pela IPA de érre <strong>retroflexo. </strong>O bichinho é falado com a língua dobrada toda pra trás. Ponha reparo: fale um tarrde, como um bom caipira. E note que, entre o a e o érre retroflexo, sua língua se dobrou (ou flexionou) todinha para trás (movimento retro). O símbolo IPA pro érre retroflexo é um érre de cabeça pra baixo: [ta<strong><span style="color: #ff0000;">ɹ</span></strong>de]! E trata-se de um som alveopalatal, né? <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Neste vídeo aqui dá pra ver as cordas vocais se mexendo (mas não assista se você estiver comendo, senão dá <em>nojinho.</em> E esqueça o lance de ponte mucosa, que isso só interessa a otorrinolaringologistas e quetais). E se você achar que as cordas vocais se parecem com outra coisa, saiba que você não está só! Mas deixemos nossas mentes imundas de lado, néam?</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/q3yP3qugRoQ?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/q3yP3qugRoQ?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Só mais uma coisinha: em grande parte do território nacional, as consoantes t e d antes de letra i sofrem uma <em>africada </em>básica. Trocando em miúdos: o aparelho fonador é preguiçoso, e já querendo se preparar pra falar o i, faz com que a língua comece a voltar pra trás antes de acabar de falar o t e o d. Por isso, você mão fala [diɐ] (aviso: esse a de cabeça pra baixo é o a de fim de palavra, um a mais átono), e sim [d͡ʒiɐ]; e também não fala [tiɐ], mas [t͡ʃiɐ]. Quem fala [tiɐ] e [diɐ] é nordestino e curitibano (e isso não é bom nem mau, apenas é!) <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Enfim, fiquem ruminando ssascoisatudo aí que depois eu volto com as idiossincrasias da fonologia da língua portuguesa.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=4003</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Como montar uma palavra ou It&#8217;s a kind of magic! (Poção de morfologia nº4)</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3991</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3991#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2013 05:27:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3991</guid>
		<description><![CDATA[Passada a vibe podrona (quer dizer, ainda não passou, ela dá uma trégua de noite, mas deixa prá lá) vamos a mais uma poção de morfologia. Como reconhecer os ingredientes de uma palavra. Você vai achar que é bruxaria, e eu terei que concordar contigo&#8230; tem um quê de mágica nessa coisa toda! quer ver [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Passada a vibe podrona (quer dizer, ainda não passou, ela dá uma trégua de noite, mas deixa prá lá) vamos a mais uma poção de morfologia. Como reconhecer os ingredientes de uma palavra. Você vai achar que é bruxaria, e eu terei que concordar contigo&#8230; tem um quê de mágica nessa coisa toda! quer ver só?</p>
<p>Vamos pegar as palavras <strong>constituição, constitucional</strong> e   <strong>inconstitucionalíssimamente</strong> <del>(escrevi direito? Deixa eu ver&#8230;hnhnmmssss tá certo! Ufa!)</del> pra eu defender <em>azidéia</em> aqui</p>
<p><strong>Constituição</strong> vem do verbo <strong>constituir.</strong> Se a gente puser reparo nesse verbo, vamos ver que ele é formado pelos seguintes ingredientes:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="83">constitu</td>
<td valign="top" width="38">i</td>
<td valign="top" width="151">r</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="83">RAIZ</td>
<td valign="top" width="38">VT</td>
<td valign="top" width="151">Sufixo de infinitivo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>( Onde VT = vogal temática. Coloquei aqui embaixo por questão de espaço)</p>
<p>(Aí você vai dizer: <em>Ih, Madrasta! Você errou! R não é sufixo, não, é desinência, porque verbo só tem desinência e&#8230; </em> <span style="color: #ff0000;">kirido</span>, te digo só uma coisa: o <a href="http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/pdf/msalm005.pdf" target="_blank"><em>dernier-cri</em></a> da morfologia uspiana já chama desinência de sufixo, <span style="color: #ff0000;">tám</span>? Clicali no dernier-cri que você vai ver! Beijomeliga.)</p>
<p>A vogal temática, no caso dos verbos, nos dá a indicação da conjugação do dito. Portanto, temos que <strong>constituir</strong> é um raro verbo regular de terceira conjugação. A vogal temática se mantém em <em>quase</em> todas as conjugações (né, presente do subjuntivo? Um beijo, seu chato!).</p>
<p>Agora vamos fazer bruxaria. Vamos transformar verbo em substantivo. A poção é a seguinte: é só trocar o sufixo <strong>-r</strong> pelo sufixo formador de substantivos <strong>-ção</strong> e <em>Voilà!</em> (Hoje estou propensa a <a href="http://www.dicionarioinformal.com.br/galicismo/" target="_blank">galicismos</a>, me deixem.)</p>
<p>E se quisermos transformar o substantivo <strong>constituição </strong> em adjetivo, a poção é um <em>cadim</em> mais elaborada, mas funciona:</p>
<p>1- adicione o sufixo <strong>-al</strong></p>
<p>2- pra coisa dar liga direito, mexa na raiz e torne-a <strong>constitucion</strong> (nada muito drástico, na verdade ela ficou com ares espanhóis). Mas se você reparar, você juntou nessa <em>raiz </em>o sufixo formador de substantivo, e a partir dessa <em>mistureba de morfemas</em> você adicionou mais um sufixo. Então, seu lindo, sua raiz virou <strong>RADICAL</strong>. (e não estou falando de nenhum membro do PSOL, assossega o facho que <em>issaqui</em> não é post de política!).</p>
<p>Se você ainda não entendeu, enquanto a <strong>raiz</strong> da palavra é a <strong>base primária</strong>, o elemento irredutível com informação lexical básica, o <strong>radical </strong>é uma <strong>base secundária</strong>,  à qual são acrescentados outros morfemas ( ou seja, são formadas outras palavras).</p>
<p>Daí temos:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="88"><span style="color: #ff0000;">constitucion</span></td>
<td valign="top" width="38"><span style="color: #ff0000;">al</span></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="88"><span style="color: #ff0000;">RADICAL</span></td>
<td valign="top" width="38"><span style="color: #ff0000;">sufixo</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Então, vamos enfiar morfema até não poder mais nesse radical:</p>
<p>(aviso: S.F. = sufixo formador)</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="50">
<p style="text-align: center;">In</p>
</td>
<td valign="top" width="88">
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ff0000;">constitucion</span></strong></p>
</td>
<td valign="top" width="50">
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ff0000;">al</span></strong></p>
</td>
<td valign="top" width="50">
<p style="text-align: center;">issim</p>
</td>
<td valign="top" width="50">
<p style="text-align: center;">a</p>
</td>
<td valign="top" width="53">
<p style="text-align: center;">mente</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="50">Prefixo de negação</td>
<td valign="top" width="88"><strong><span style="color: #ff0000;">RADICAL</span></strong></td>
<td valign="top" width="50"><strong><span style="color: #ff0000;">S.F. de adjetivo</span></strong></td>
<td valign="top" width="50">S.F. de superlativo</td>
<td valign="top" width="50">Vogal de ligação</td>
<td valign="top" width="53">S.F. de adv. de modo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>E temos essa aberração daí de cima, tida como a maior palavra da língua portuguesa, que significa algo feito de forma exageradamente fora da Constituição. Isto posto,  devo fazer algumas considerações extras:</p>
<p>1- o lance de sair enfiando morfema numa raiz é conhecido como <strong>afixação</strong>, ou a arte de enfiar <strong>afixos. </strong>Como você pode perceber, <strong>afixo </strong>é um termo genérico que define os pedacinhos enfiados em tudo quanto é canto da palavra, mais especificamente:</p>
<p>- <strong>prefixo</strong> (antes da raiz)</p>
<p>- <strong>sufixo</strong> (depois da raiz)</p>
<p>E esses são os lindos dos afixos possíveis na Língua Portuguesa. Pensa que acabou? RÁ! Ainda temos:</p>
<p>- <strong>infixo</strong> (no meio da raiz): /rkeN/ =  esticado; /r<span style="color: #ff0000;">m</span>keN/ = esticar. Nessa língua, o infixo {-m-} é formador de infinitivo.</p>
<p>- <strong>cinrcunfixo</strong> (cerca a raiz pelos dois lados): o exemplo a seguir é o circunfixo {u&#8230;es}( = muito), usado na língua falada na Geórgia:</p>
<p>u-<span style="color: #ff0000;">lamaz</span>-es = muito <span style="color: #ff0000;">bonito</span></p>
<p>u-<span style="color: #ff0000;">did</span>-es = muito <span style="color: #ff0000;">largo</span></p>
<p>Pensa que acabou a esquisitice de afixo? Pois eu te apresento o primo mais esquisitão da família, o</p>
<p>- <strong>transfixo</strong> (é descontínuo, e atua numa raiz descontínua). Acompanhem essa conjugação verbal. Se não me engano, acho que isso aqui é hebraico:</p>
<p>/sagar/ = <strong>ele fechou</strong></p>
<p>/esgor/ = <strong>eu fecharei</strong></p>
<p>Se você não acompanhou a doideira, repare que a base desse verbo são três consoantes: /<strong>s.g.r/, </strong>que significam <strong>fechar, </strong>e suas conjugações são determinadas por transfixos vocálicos. (Sério que você ainda acha crase difícil?)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outra coisa: às vezes é preciso forçar a liga entre a raiz e o afixo. Quem faz esse trabalhinho de forma suave e agradável são as vogais ou consoantes de ligação. Vamos acompanhar:</p>
<p>- como ligar a raiz <strong>café</strong>  ao sufixo adjetivador -<strong>al? </strong> Chama o zê que ele ajuda! <strong>cafe<span style="color: #ff0000;">z</span>a</strong>l</p>
<p>- como ligar o adjetivo <strong>feliz</strong> ao sufixo substantivador -<strong>idade?</strong> Conversa com a raiz, joga fora o <strong>z</strong> e troca por um <strong>c</strong>, que é pra manter o fonema surdo (s é som surdo, ou seja, produzido sem vibração das cordas vocais. Fala um s aí, depois fala um z. viu? o z é sonoro! Mas isso já é aula de fonologia, que não vem ao caso aqui!) (mas do que que eu tava falando mesmo? Ah, sim!) e temos <strong>feli<span style="color: #ff0000;">c</span>idade.</strong></p>
<p>Enfim, é tudo uma questão de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eufonia" target="_blank">eufonia</a>, uma moça que atua com o selo de elegância Sandra Annenberg, de forma a deixar todos felizes, contentes e bem falados.</p>
<p>Aí chegamos ao trem chamado <strong>alomorfe.</strong> E antes que você diga que esse é o 0800 dos morfemas (<em>&#8220;Alô, morfe?&#8221;</em>) e eu te dê um pescotapa, pense no seguinte: repare que tem morfema que muda de jeitão dependendo do ambiente. Pense no sufixo formador de plural. <em>Ah, é o -s,</em> madrasta! dirá você. E eu vou te mostrar que, se temos</p>
<p>joelho<strong>-s</strong></p>
<p>também temos</p>
<p>mar<strong>-es</strong> e azu<strong>-is</strong></p>
<p><em>Ih! Mudou!</em> Concluirá você, de forma brilhante. E eu te direi que isso é um caso de <strong>alomorfe,</strong> ou variação de um mesmo morfema.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/lhama39.jpg"><img class="size-full wp-image-3987 alignleft" alt="lhama39" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/lhama39.jpg" width="497" height="501" /></a>Mais uma vez dona eufonia bate ponto aqui, e diz quando e como um morfema vai ter que mudar de roupa pra entrar na palavra. Pense agora no prefixo <strong>i-</strong>, de negação, que faz <strong>i-</strong>legal ou <strong>in-</strong>feliz.</p>
<p>Temos até alomorfia de raiz! Quer ver só? Vamos pegar aqueles verbos safada e desesperadoramente irregulares. Que tal o <strong>saber? </strong>Qual é a raiz dele? (licença que eu tô rindo aqui).</p>
<p>Você certamente pensou na formulinha raiz + vogal temática + sufixo de inifitivo, pensou em <strong>sab+</strong>e+r e concluiu que a raiz é <strong>sab</strong>, né? (licença, mas eu continuo rindo).</p>
<p>Então vamos conjugar no presente do indicativo:</p>
<p>eu <strong>sei</strong></p>
<p>tu <strong>sab-</strong>es</p>
<p>ele <strong>sab-</strong>e</p>
<p>nós <strong>sab-</strong>emos</p>
<p>vós <strong>sab-</strong>eis</p>
<p>eles <strong>sab-</strong>em</p>
<p>E agora você está pensando que diabos aconteceu com a primeira pessoa do singular. HUAHUAHUAHUAHUAHUA. Vamos continuar a brincadeira? Pretérito perfeito:</p>
<p>eu <strong>soub-</strong>e</p>
<p>tu <strong>soub-</strong>este</p>
<p>ele <strong>soub-</strong>e</p>
<p>nós <strong>soub-</strong>emos</p>
<p>vós <strong>soub-</strong>estes</p>
<p>eles <strong>soub-</strong>eram</p>
<p>E antes que eu me divirta mais e te jogue um presente do subjuntivo (que eu <strong>saib-</strong>a&#8230;) nazidéia, deixa eu parar por aqui e te dizer que verbos irregulares apresentam raízes alomorfas, ou seja, elas mudam com o sabor da conjugação.</p>
<p>Tudo isso pra mostrar pra vocês que essa lhama linguista daí de cima só fez um trocadilho com a expressão <em>there can be only one (só pode haver um)</em>, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0091203/quotes" target="_blank">frase clássica do filme Highlander</a>, citada na música-tema do filme, <em>It&#8217;s a kind of magic</em>, do Queen. Por que essa frase é clássica eu não posso contar, senão eu te entrego o enredo <del>e o fim</del> do filme.</p>
<p>Pois vamos combinar que, em se tratando de alomorfes, é mais adequado dizer <em>there must be a lot of them! </em>ou<em> tem que haver um montão deles! </em> <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Mazó, baixou saudade dessa música do Queen. Fiquem com o clipe da música. Beijo. De nada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ASw32qKppMw?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/ASw32qKppMw?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3991</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poção de morfologia pra amanhã</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3986</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3986#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 01 Jun 2013 00:58:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3986</guid>
		<description><![CDATA[Deveria fazer este post hoje, mas tô podrona. Filho vomitando, mãe enjoada e com uma dor de cabeça duzinferno, eu vou é me deitar pra amanhã escrever tudo bonitim aqui procêis tudo. Vou aproveitar a podridão desse podrona pra falar um cadim sobre afixos e vogais/consoantes temáticas, também vou explicar a diferença entre raiz e [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Deveria fazer este post hoje, mas tô podrona.</p>
<p>Filho vomitando, mãe enjoada e com uma dor de cabeça duzinferno, eu vou é me deitar pra amanhã escrever tudo bonitim aqui procêis tudo.</p>
<p>Vou aproveitar a podridão desse podrona pra falar um cadim sobre afixos e vogais/consoantes temáticas, também vou explicar a diferença entre raiz e radical (não, não estou falando do Tsavkko! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' />  #numpresto), e sobre alomorfia.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/lhama39.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3987" alt="lhama39" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/lhama39.jpg" width="497" height="501" /></a></p>
<p>Aproveito e explico por que essa lhama linguista daí vale mais pelo trocadilho com a frase clássica do filme Highlander do que pelo enunciado.</p>
<p>Mas tudo amanhã, sim?</p>
<p>Malzaê! (Fessora, pode tirar ponto de mim!)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3986</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Um plus a mais&#8221;</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3984</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3984#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 May 2013 23:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Bons exemplos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3984</guid>
		<description><![CDATA[LUIS FERNANDO VERÍSSIMO &#8211; O Estado de S.Paulo Passei por uma loja que vendia roupa &#8220;plus size&#8221; para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era &#8220;plus size&#8221;. &#8220;Plus&#8221;, em inglês, é mais. &#8220;Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<div></div>
<div><span style="color: #000080;">LUIS FERNANDO VERÍSSIMO &#8211; O Estado de S.Paulo</span></div>
<div>
<p><span style="color: #000080;">Passei por uma loja que vendia roupa &#8220;plus size&#8221; para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era &#8220;plus size&#8221;. &#8220;Plus&#8221;, em inglês, é mais. &#8220;Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do que o normal. Só não entendi isto logo porque a loja não ficava em Miami ou em Nova York, ficava no Brasil. Não sei como seria uma versão em português do que ela oferecia, mas o &#8220;plus size&#8221; presumia 1) que a mulher grande ou gorda saberia que a loja era para ela, 2) que a mulher grande ou gorda se sentiria melhor sendo uma &#8220;plus size&#8221; do que o seu equivalente em brasileiro, e 3) que ninguém mais estranha que o inglês já seja quase a nossa primeira língua, pelo menos no comércio.</span></p>
<p><span style="color: #000080;">A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando &#8220;entrega&#8221; virou &#8220;delivery&#8221;. Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser &#8220;delivered&#8221; na porta. Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto. O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser &#8220;plus&#8221; a ser mais e ter &#8220;size&#8221; em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega &#8211; ou devo dizer &#8220;delivery&#8221;? &#8211; de identidade de um país com vergonha da própria língua.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</blockquote>
<p><span style="color: #000080;">Imppossível não amar Luis Fernando, gente. impossível.</span></p>
<p>fonte: <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-plus-a-mais-,1034748,0.htm">http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-plus-a-mais-,1034748,0.htm</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3984</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Didática do Trauma nº6: Marconi Perillo ensina por que você não deve confundir este com esse</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3975</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3975#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 19 May 2013 22:23:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conjunto da obra]]></category>
		<category><![CDATA[Didática do trauma]]></category>
		<category><![CDATA[Ectoplasma suíno]]></category>
		<category><![CDATA[Jura que é isso o que você quis dizer?]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3975</guid>
		<description><![CDATA[É assim: Este, esta e isto são pronomes demonstrativos referentes à própria pessoa que está falando, ou a coisas de propriedade da pessoa que enuncia a frase. Exemplo: Você aponta para o seu filho e diz: &#8220;Este é o meu filho&#8221;.  Esse, essa e isso são pronomes demonstrativos referentes à pessoa a quem o enunciador [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>É assim:</p>
<p><strong><span style="color: #000080;">Este, esta</span></strong> e <span style="color: #000080;"><strong>isto</strong></span> são pronomes demonstrativos referentes à própria pessoa que está falando, ou a coisas de propriedade da pessoa que enuncia a frase. Exemplo:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><strong>Você aponta para o seu filho e diz: &#8220;Este é o meu filho&#8221;. </strong></span></p></blockquote>
<p><strong><span style="color: #000080;">Esse, essa</span></strong> e <span style="color: #000080;"><strong>isso</strong></span> são pronomes demonstrativos referentes à pessoa a quem o enunciador da frase está falando. Exemplo:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><strong>Você aponta para o filho do seu amigo e diz: &#8220;Esse é o seu filho&#8221;.</strong></span></p></blockquote>
<p>(Tá, eu sei que existem várias outras hipóteses corretas a serem empregadas na frase acima com <span style="color: #000080;"><strong>esse</strong></span> e <span style="color: #000080;"><strong>este,</strong></span> mas atenhamo-nos por enquanto a essa observação genérica daí de cima.)</p>
<p>Ainda tá difícil? Complicado? OK, concordo contigo. Vamos pegar um exemplo mais prático.</p>
<p>Imagine que você é um advogado. E recebeu uma acusação contra a empresa que você defende. O texto, redigido pelo advogado de outra empresa, diz:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #000080;">Esta empresa não cumpre com seus contratos! Esta empresa é corrupta! Esta empresa está inadimplente</span>!</strong> etcetcetc.</p></blockquote>
<p>Você redige sua defesa pura e simplesmente:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><strong>Sr. Juiz, nada temos a fazer se o  digníssimo advogado da outra empresa resolveu acusar a própria empresa para a qual ele trabalha.  Não tenho nem como encerrar minha defesa, posto que não foi necessário iniciá-la.</strong></span></p></blockquote>
<p>O que é mais ou menos o que aconteceu ontem com o digníssimo (cof, cof) governador goiano (que me perdoem os goianos se esse adjetivo soou pejorativo) Marconi Perillo.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/perillo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3976" alt="perillo" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/perillo.jpg" width="542" height="619" /></a></p>
<blockquote><p><em>Prezado governador Perillo: devemos convocar CPI pra apurar a sua denúncia contra seu próprio governo? </em></p>
<p><em>Por que o senhor se considera um canalha? Sua mãe concorda com o senhor?</em></p>
<p><em>Por que o senhor fala de si na terceira pessoa? O Sr. também vive a dicotomia Edson/Pelé? </em></p>
<p><em>Enfim, não vou me dar ao trabalho de ofendê-lo. O senhor sabe fazer isso sozinho.</em></p></blockquote>
<p>E você, ameba: traumatizou? Ah, vá! Mais um trauma didático! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  \o/</p>
<p>Então, lembre-se da cara do Perillo na hora de usar S ou T e falar/escrever este/esse de forma adequada.</p>
<p>De nada. (mas agradeço ao Luis Carlos pela imagem oferecida no fêice! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3975</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ginger ale, os morfemas e as formas livres, presas e dependentes (#poção de morfologia nº3)</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3951</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3951#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 May 2013 02:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3951</guid>
		<description><![CDATA[Tarra mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d&#8217;água só (aprendi com Nardja Zulpério que é muito marpráteco e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d&#8217;água dicumforça nazidéia do que ficar usando [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"><em>Tarra</em></span> mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d&#8217;água só (aprendi com <a href="http://www.reginacase.com.br/teatro/nardja-zulperio-/48" target="_blank">Nardja Zulpério</a> que é muito <span style="color: #ff0000;"><em>marpráteco</em> </span>e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d&#8217;água <span style="color: #ff0000;"><em>dicumforça nazidéia</em></span> do que ficar usando cajados, que são pequenos, estreitos e pouco práticos.)</p>
<p><del>(SÉRIO QUE FAZ VINTE ANOS QUE EU VI NARDJA ZULPÉRIO?!?!!? E QUE PROVAVELMENTE MUITOS DOS MEUS COLHÉGAS NEM ERAM NASCIDOS QUANDO ESSA PEÇA TARRA EM CARTAZ?!?!?! AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH)</del></p>
<p>Mas deixemos os cajados e caixas d&#8217;água. Vamos então à nossa receita de ginger ale, que nada mais é do que um xarope de gengibre com club soda ( = água com gás) e suco de um limão. E, se você quiser, pode acrescentar vodka a gosto. Recomendo fortemente a vodka sabor vanilla (meu mote de 2013: #vodkavanillamelhoremtudo).</p>
<p><strong><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/GingerAleSrvd.jpg"><img class="size-full wp-image-3954 alignleft" alt="Morfemas! :D" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/GingerAleSrvd.jpg" width="650" height="487" /></a>Ginger Ale</strong></p>
<p><em>Para o xarope de gengibre:</em></p>
<p>1 medida* de açúcar (pode ser mascavo. pode ser cristal. pode ser refinado.)</p>
<p>1 medida* de gengibre picado</p>
<p>1 medida* de água</p>
<p>(medida = se vc usar 1 xícara, será 1 xícara de tudo; se usar 200 xícaras, serão 200 xícaras de tudo)</p>
<p>Modo de preparo:</p>
<p>Levar os ingredientes para cozinhar em fogo alto. Quando levantar fervura, baixar o fogo e cozinhar por mais 15 minutos.</p>
<p>Deixe esfriar, e coe para tirar os pedaços do gengibre (dica: há agora no mercado filtros descartáveis que podem ser reaproveitados. Use esses filtros ou um guardanapo para coar o xarope, pois você vai ter que apertar e espremer o filtro pra tirar todo o caldo do meio dos pedaços do gengibre).</p>
<p><em>Modo de preparo do ginger ale</em></p>
<p>Em um copo alto, ponha um dedo de xarope de gengibre, suco de meio limão e complete com água gasosa (ou club soda). É um santo remédio contra gripes e resfriados. Ah! Vodka a gosto acompanha esplendorosamente &#8211; e lembre-se: álcool mata os germes, portanto a vodka também ajuda a curar resfriados (a folhinha de hortelã da foto é só uma frescurinha. Pode usar, mas ela fica melhor num mojito. E pinguça é a mãe!) #HIC! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Aí você me diz: &#8220;ah, Madrasta, vou fazer um Ginger ale diferente: troco o xarope de gengibre por açúcar puro, e em vez de suco de limão eu ponho limão cortado e amasso os pedaços dentro do copo. E em vez de vodka, ponho cachaça e muito gelo!&#8221;</p>
<p>E eu lhe digo: &#8220;ora, ameba, você trocou os ingredientes, seu ginger ale deixou de ser ginger ale e virou caipirinha!&#8221; <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Isto posto, vamos pensar aqui um <em>cadim</em> sobre essa receita que eu acabei de publicar (por favor, deixe a vodka pra depois):</p>
<p>O ginger ale nada mais é do que uma bebida resultante do blending (= como os frescos chamam a <strong>mistura</strong>) de diversos ingredientes que, depois de misturados, tornam-se a bebida. Se os ingredientes forem outros, a receita final também será outra, certo? (taí o seu ginger ale adulterado que virou caipirinha que não me deixa mentir!)</p>
<p>E se eu te disser que os ingredientes de uma receita são comparáveis a morfemas, e a bebida pronta é a palavra final?</p>
<p>RÁ! TE ENSINEI RAPIDINHO! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Para provar minha tese, me empreste a palavra <strong>irrealizável. </strong>Repare que ela é composta de um monte de pedaço que se junta à raiz (real), e, ao final das contas, informa que não é possível que o real seja passível de se concretizar. Acompanhe:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="144"><b>Ir</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>real</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>izá</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>vel</b></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="144">Prefixo de negação</td>
<td valign="top" width="144">raiz da palavra</td>
<td valign="top" width="144">Terminação de verbo de 1ª conjugação com caráter frequentativo ou causativo (quem me contou isso foi tio Antônio Houaiss)</td>
<td valign="top" width="144">(= passível de)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Então, cada um desses pedacinhos, ou morfemas, é um ingrediente da palavra final. Lindo, não?</p>
<p>Agora eu te digo que, de acordo com <a href="http://www.armazemdolivro.com/morfossintaxe-_usado-p10151543" target="_blank">Flávia Carone</a>,  vocábulo é uma unidade constituída de morfemas, e <strong>o morfema é a menor unidade significativa, que tem a propriedade de se articular com outras unidades de seu próprio nível. A palavra é a maior unidade. </strong>(Ou: ingredientes diferentes se misturam para compor receitas diferentes &#8211; e o prato / bebida final é a maior unidade nessa minha analogia). E você nem sentiu que eu joguei um conceito teórico em cima de você! RÁ DE NOVO!</p>
<p>Antes de prosseguir com minha tese, eu te pergunto: você chupa limão puro? Toma vodka pura? Come gengibre puro? Então, faça o favor de morrer pra não comprometer minha linha de raciocínio a seguir. Grata.</p>
<p><a href="http://pt.scribd.com/doc/976242/Bloomfield-Leonard-Language-And-Linguistics-1933" target="_blank">Leonard Bloomfield</a> (aproveita o link e faz o download!) começou a definir vocábulo formal (sério que você pensou que a saga em torno da definição de palavra já tinha terminado? Tolinho&#8230; <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  ) a partir de como o trem funciona na frase. E propôs duas unidades formais numa língua:</p>
<p><strong>formas livres</strong> &#8211; elas se bastam para realizar a comunicação.</p>
<p><strong>formas presas</strong> &#8211; só funcionam atreladas às formas livres.</p>
<p>Isto posto, temos que uma palavra pode ser composta de:</p>
<p>- uma forma livre mínima, indivisível: <strong>lua, sol</strong></p>
<p>- duas formas livres mínimas: <strong>beija-flor, couve-flor, vaivém</strong></p>
<p>- Uma forma livre e uma ou mais presas: <strong>en-<span style="text-decoration: underline;">luar</span>-ado, en-<span style="text-decoration: underline;">sol</span>-ar-ado</strong></p>
<p>- apenas formas presas: <strong>im-pre-vis-ível</strong></p>
<p>Aí veio seu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Matoso_C%C3%A2mara_J%C3%BAnior" target="_blank">Joaquim Mattoso Câmara Jr</a>. com a seguinte notícia: precisa de mais sal nesse molho do Bloomfield. E insere o conceito de</p>
<p><strong>- formas dependentes</strong> &#8211; elas ficam num espécie de limbo entre as formas livres e as presas: têm mais vida própria que as presas, mas não tão suficientes para se tornarem formas livres. Nesse conceito entram os <strong>artigos, preposições, algumas conjunções e pronomes oblíquos átonos: </strong></p>
<p>A expressão <strong>disse-me</strong> é composta de uma forma livre (<strong>disse</strong>, que sozinha já expressa uma comunicação, uma informação) e uma forma dependente da livre, o pronome oblíquo átono <strong>me,</strong> que sozinho não significa lá grandes coisas.</p>
<p>Como assim, madrasta?</p>
<p>Assim, ó:</p>
<p>Você pode tomar água apenas. Você pode até comer um pouquinho de açúcar (mas espera a sua mãe sair de perto, pra evitar bronca). Mas gengibre e limão, só acompanhados, sozinhos são intragáveis. Só <b>presos </b>a outros ingredientes limão e gengibre fazem sentido. Certo? (E lembre-se: quem consome limão puro e gengibre puro me fez o favor de morrer lá em cima pra não estragar minha teoria!)</p>
<p>E a vodka? Ah, a vodka sozinha não faz muito sentido. Ela <strong>depende </strong>sempre de algum trem pra se encher de formosura! \o/ ♥</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3951</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Depois de ler a legenda dessa foto&#8230;</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3947</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3947#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 03 May 2013 20:42:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conjunto da obra]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3947</guid>
		<description><![CDATA[&#8230; você vai poder dizer: &#8220;já li de tudo nessa vida&#8221;. &#160; &#8230; que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o repórti da Veja São Paulo anda frilando pros jornais de Viçosa&#8230; De nada. (ou &#8220;Queira me desculpar pelo inconveniente&#8221;, o que você achar mais apropriado)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230; você vai poder dizer: &#8220;já li de tudo nessa vida&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/bonecotesticulo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3948" alt="bonecotesticulo" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/bonecotesticulo.jpg" width="527" height="545" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8230; que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o <a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3854" target="_blank">repórti da Veja São Paulo</a> anda frilando pros jornais de Viçosa&#8230;</p>
<p>De nada. (ou &#8220;Queira me desculpar pelo inconveniente&#8221;, o que você achar mais apropriado)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3947</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As palavras pelas línguas afora (#poção de morfologia nº 2)</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3903</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3903#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 23:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3903</guid>
		<description><![CDATA[Depois de lhe provar que esstrem de palavra não é assim tão simples de definir, vou lhe mostrar que o modo como as palavras se formam é ainda mais doido, e varia de língua para língua. Dois alemães, coincidentemente Augustos, um poeta e outro linguista   (senhor Schlegel e senhor Schleicher, respectivamente), começaram a tentar [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/Ideograms_3a.jpg"><img class="size-full wp-image-3909 alignleft" alt="Ideograms_3a" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/Ideograms_3a.jpg" width="370" height="412" /></a>Depois de lhe provar que <span style="color: #ff0000;"><em>esstrem</em> </span>de palavra não é assim tão simples de definir, vou lhe mostrar que o modo como as palavras se formam é ainda mais doido, e varia de língua para língua. Dois alemães, coincidentemente Augustos, um poeta e outro linguista   (senhor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/August_Wilhelm_Schlegel" target="_blank">Schlegel</a> e senhor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/August_Schleicher" target="_blank">Schleicher</a>, respectivamente), começaram a tentar entender as línguas a partir de uma <strong>tipologia morfológica<em>,</em></strong><em> </em>ou seja, a partir da forma como as palavras /vocábulos vão se formando de língua para língua. E o negócio começou a&#8230;. eu ia dizer tomar <strong>forma</strong>, mas vou fugir do trocadilho fácil <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Vamos começar com as línguas que se valem de ideogramas, como o japonês. Já pensaram que um <em>desenhinho </em>só significa uma palavra ou conceito abstrato (daí o nome ideograma)?</p>
<p>Eis alguns exemplos de ideogramas chineses (de acordo com <a href="http://imagenscomtexto.blogspot.com.br/2008/07/ideogramas-chineses.html" target="_blank">este site daqui</a>, vamos partir do princípio de que essas <em>traduções </em>são confiáveis, e não significam, por exemplo, <a href="http://www.guiadasemana.com.br/filhos/noticia/na-onda-oriental" target="_blank">sorvete de creme</a>, OK?)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Então, de acordo com a tipologia morfológica, o chinês seria um caso de língua <strong>isolante<i>:</i></strong><i> </i>todas as palavras são raízes, não podem ser segmentadas  ou elementos menores. Pra fazer uma diferenciação maior entre os vocábulos, essas línguas tendem a ser tonais (Reparem como um chinês fala cantando&#8230;). Vamos ver um exemplo de frase em chinês (fornecida em aula pela professora Roberta):</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="36"><strong>wo</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>mai</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>júzi</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>chi</strong></td>
<td valign="top" width="66"><strong>zuótian</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="36">eu</td>
<td valign="top" width="76">comprar</td>
<td valign="top" width="76">laranjas</td>
<td valign="top" width="76">comer</td>
<td valign="top" width="66">ontem</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <i>ontem, eu comprei laranjas para comer.</i></p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/isoladas.jpg"><img class="wp-image-3920 alignright" alt="isoladas" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/isoladas.jpg" width="426" height="427" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Chegamos então no turco, tão em moda por causa da <em><span style="color: #ff0000;">nuóvela</span></em> Salve Jorge. Pois esse idioma é um caso de <strong>língua aglutinante, </strong>nas quais as palavras combinam raízes e afixos diferentes para explicar as relações gramaticais. Na língua que <del>não</del> é falada na nuóvela das nove,  podemos citar o exemplo de</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center"><b>kayik</b></p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center"><b>lar</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>imiz</b></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center">barco</p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center">plural</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">nosso</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <em>nossos barcos</em>.</p>
<p>Em outro caso, o das <strong>línguas flexionais ou sintéticas<em>,</em></strong><em> </em>as raízes das palavras se combinam com elementos gramaticais, que indicam a função das palavras e não podem ser segmentados  na base de um som e um significado ou afixo para cada significado (como é o caso do turco, aí em cima). Isso quer dizer que um pedacinho a mais na palavra traz muitas informações. Exemplo disso? O Latim é um. E o português também, se considerarmos o verbo conjugado <strong>cant-á-va-mos</strong> , um vocábulo que traz a raiz do verbo, a vogal temática, a desinência modo temporal e a desinência número pessoal (acredite, você já estudou tudo isso do português. Vá tomar um Fosfosol e volte logo! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
<p>Tudo muito lindo, tudo muito legal. Mas essas definições daí de cima dão conta das línguas europeias. O que fazer com as línguas indígenas (<a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3810" target="_blank">já falei delas aqui, prestenção</a>!), por exemplo?</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_von_Humboldt" target="_blank">Humboldt</a> entrou na parada e, em 1836, propôs outra configuração pra coisa toda (idiossincrasias de dona Wikipedia: o link com a biografia de Humboldt diz que ele morreu um ano antes de sua teoria ser formulada!). Para ele, haveria, ainda, as línguas <strong>polissintéticas ou incorporantes</strong>. São idiomas com morfologia complexa, que juntam numa só palavra  um sem-número de morfemas que, em línguas sintéticas, por exemplo, renderiam uma frase inteira. Exemplinho básico. Língua esquimó. A palavra é: angyaghllangyugtuo.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center"><b>angya</b></p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center"><b>ghlla</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>ng</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>yug</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>tuo</b></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center">bote</p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center">aumentativo</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">adquirir</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">Volitivo<br />
(Indicativo de vontade)</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">Indicativo de<br />
3ª pess. singular</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <em>ele quer adquirir um grande bote</em>. &lt;&#8211; ó que lindo! Temos sujeito, verbo e objeto direto numa única palavra!</p>
<p>Donde se conclui que as línguas não indoeuropeias deram um revertério em tudo e obrigaram os linguistas a revisarem o conceito de palavra e os mecanismos para sua identificação.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/lhama1.jpg"><img class="size-full wp-image-3941 alignleft" alt="lhama1" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/lhama1.jpg" width="481" height="480" /></a></p>
<p>Isso tudo para concluir que aqui nas poções de morfologia vamos falar da palavra e suas unidades mínimas (morfemas) com significados.</p>
<p>Mas não se preocupem: nos intervalos vou continuar a exorcizar os textos mal-escritos!</p>
<p>E antes de eu me despedir, vamos ruminar um pouquinho do que foi dito aqui com essa <a href="http://www.osvigaristas.com.br/textos/uma-aula-de-alemao-749.html" target="_blank">post delícia</a> que traz uma <em>aula </em>de alemão &#8211; ou como aglutinar morfemas (e existem versões dela em inglês). Permitam-me copiar o texto abaixo:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><em>A língua alemã é relativamente fácil. Quem sabe Latim e está habituado com as declinações, pode aprendê-la sem grandes dificuldades — ao menos é o que os professores de Alemão dizem em suas primeiras aulas.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Em seguida, quando começamos a estudar os der, des, den, dem, die, eles dizem que é moleza: tudo é apenas uma questão de lógica. Realmente é muito simples; podemos ver isso no exemplo que passamos a examinar.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Tomemos um honesto livro alemão: um volume magnífico, encadernado em couro, publicado em Dortmund, que descreve os usos e costumes dos hotentotes (em Alemão, hottentotten).</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>O livro nos conta que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas de um tecido (Lattengitter), para abrigá-los do mau tempo. Essas jaulas são chamadas, em Alemão, &#8220;jaulas cobertas de tecido&#8221; (Lattengitterkotter); assim que botam um canguru dentro delas, ele é chamado Lattengitterkotterbeutelratten, &#8220;o canguru da jaula coberta de tecido&#8221;.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Um dias os hotentotes capturaram um assassino (Attentater), acusado de ter matado uma mãe (Mutter) hotentote &#8211; Hottentottermutter -, que tinha um filho tonto e gago (stottertrottel). Essa pobre mãe se chama, em Alemão, Hottentottenstottertrottelmutter, e seu assassino é chamado de Hottentottenstottertrottelmutterattentater. A polícia prendeu o assassino e o enfiou provisoriamente numa gaiola de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter), mas o prisioneiro escapou. As buscas mal tinham começado, quando surgiu um guerreiro hotentote, gritando:</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Capturei o assassino! (Attentater).</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Sim? Qual? — perguntou o chefe.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— O Lattengitterkotterbeutelratterattentater! — respondeu o guerreiro.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Como assim? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tecido? — perguntou o chefe dos hotentotes.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— É, sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentater (o assassino da mãe hotentote de um menino tonto e gago) — respondeu o nativo.</em></span></p>
<p><em><span style="color: #000080;">- Ora , respondeu o chefe, tu poderias te</span><span style="color: #000080;">r dito desde o início que tinhas capturado o Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotter beutelrattenattentater.</span></em></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Como dá para ver, o Alemão é uma língua fácil; basta a gente se interessar um pouquinho..</em></span></p></blockquote>
<p><span style="color: #000080;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Até breve! \o/</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3903</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Palavra: que trem é esse? (#poção de morfologia Nº 1)</title>
		<link>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3900</link>
		<comments>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3900#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 20:56:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3900</guid>
		<description><![CDATA[Salve! Antes de mais nada, eu devo algumas explicações aos encostos de longa data: como vocês já devem saber, estou cursando Letras na UnB. Na cadeira de Morfologia, a professora Roberta Ribeiro (pupila do lindo do Dioney Moreira Gomes, de quem não me canso de falar aqui) propôs como um dos itens de avaliação que [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Salve!</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/palavralhama.jpg"><img class="wp-image-3926 alignright" alt="palavralhama" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/palavralhama.jpg" width="434" height="432" /></a></p>
<p>Antes de mais nada, eu devo algumas explicações aos encostos de longa data: como vocês já devem saber, estou cursando Letras na UnB. Na cadeira de Morfologia, a professora Roberta Ribeiro (pupila do lindo do Dioney Moreira Gomes, de quem não me canso de falar aqui) propôs como um dos itens de avaliação que cada aluno criasse um Ambiente Virtual Multiletrado, ou AVM. Explicação vai, explicação vem e eu concluí: &#8220;Mas bah, que eu tri-faço isso desde 2009!&#8221; Então, vou fazer aqui no meu blog-caldeirão os posts sob temas determinados pela professora Roberta, que serão identificados no título como &#8220;Poções de Morfologia&#8221;. Afinal de contas, isto aqui é um caldeirão, né? <del>Isso tudo pra lhe pedir humildemente que comente, questione e principalmente elogie bastante os textos das poções de morfologia, para que eu não lhe jure hemorroidas <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' />  #numpresto #valhonada</del></p>
<p>Enfim. Vamos abrir os trabalhos falando das palavras.</p>
<p>E aí, como definir esse trem? RÁ!</p>
<p>Meu personagem preferido dos memes de Internet, a Lhama Linguista, aí do lado, já nos apresenta o drama que vai ser (&#8220;Tente definir a palavra &#8220;palavra&#8221; &#8211; o cérebro explode).</p>
<p><a href="http://compare.buscape.com.br/morfemas-do-portugues-col-principios-valter-kehdi-8508107951.html#precos" target="_blank">Valter Kehdi</a> <del>(nota mental: já que vou lincar mondilivro por aqui, ver como fazer pra ganhar uns troquinhos do Submarino ou de outra livraria)</del> aceitou esse rojão (até porque ele não poderia fugir da raia, posto que é Doutor em Letras pela USP).  E olha que ele viu que o trem não ia ser fácil.</p>
<p>No livro acima lincado, doutor Kehdi cita a nomenclatura Gramatical Brasileira para definir</p>
<blockquote><p><i>a palavra, considerada, do ponto de vista fonético, constituída de fonemas e sílabas e provida ou não de tonicidade, recebe a designação de vocábulo; palavra é a denominação mais adequada se enfocarmos o ponto de vista semântico. (página 10)</i></p></blockquote>
<p>pra depois dizer que essa distinção não faz a menor diferença pra linha de raciocínio dele. A seguir, ele usa alguns critérios para caracterizar a palavra, e mostra, por A mais B, que o trem né fácil, não. Mas ele nos fornece os ingredientes pra nossa primeira poção de morfologia: como <em>preparar </em> uma palavra. Vamos acompanhar.</p>
<p><strong>- Critério fonético</strong>: Ah, a palavra é um conjunto marcado por um só acento tônico. Certo? Er&#8230; sim, até porque nesse critério encaixam-se perfeitamente os exemplos <strong><em>xícara</em>, <em>mármore</em></strong>, <strong><em>esôfago</em></strong> (não me perguntem de onde surgiu essa palavra). Mas o que fazer quando, por exemplo, a expressão <strong><em>com as amigas</em></strong> chega na porta da boate e diz que atende aos critérios do convite para a festa? (Agora imagine a expressão acima parada na porta da <span style="color: #ff0000;"><em>buátchy</em></span> berrando com o leão-de-chácara: <em>somos um conjunto marcado por um só acento tônico, e vamos entrar na <span style="color: #ff0000;">buátchy</span>! Sai da frente, recalcado!</em> Pronto, de nada! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> ) E ao fugir da confusão na porta da <em><span style="color: #ff0000;">buátchy</span></em><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> (cuja grafia correta não é essa, e </span></span><span style="color: #000000;">por isso foi marcada em vermelho)</span>, vamos ver outro caso em que o critério fonético faz MUITA (eu disse MUITA ) diferença na interpretação de um texto:</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tl5n7tHGD_o?hl=pt_BR&amp;version=3" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/tl5n7tHGD_o?hl=pt_BR&amp;version=3" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Mas adulterados ou adúlteros, voltemos a doutor Valter, que nos oferece outro critério para caracterizar as palavras:</p>
<p><strong>- Critério Semântico</strong> (palavra e homonímia): Esse critério é tão lindo, mas tão lindo, que para derrubá-lo Kehdi se vale de uma mesóclise <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  : (&#8220;Os casos de homonímia revelar-se-ão problemáticos&#8221;). Se você ainda não entendeu o entrave desse critério, pegue como exemplo a palavra <em>manga</em>. Agora decida se você está falando de uma fruta ou de uma parte de um item de vestuário. Beijinhos. <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Só para ilustrar esse critério mais <em>um cadim, </em>como diriam os mineiros,  me lembrei de uma crônica deliciosa de Luis Fernando (O Verissimo, filho de seu Érico), em que ele conta o que um software de tradução automática fez com a letra do Hino Nacional Brasileiro (e se você clicar no link fornecido ainda ganha de brinde a tradução dessa crônica feita por um &#8211; adivinha &#8211; software de tradução automática! De saída, Jorge Furtado virou The Stolen George. Delícia! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><em><strong>Insolência</strong> </em>(Crônica publicada no Jornal do Brasil em 1997, <a href="http://lupolonia.blogspot.com.br/2008/02/em-que-medida-tecnologia-em-traduo.html" target="_blank"><span style="color: #000080;">e encontrada aqui</span></a>)</span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>O Jorge Furtado comprou um programa de traduções para o seu computador e fez uma experiência. Digitou toda a letra do nosso Hino Nacional em português e pediu para o computador traduzi-la sucessivamente em inglês, francês, alemão, holandês etc. Do português para o inglês, do inglês para o francês e assim por diante até ser traduzida da última língua de volta para o português. Segundo o Jorge, a única palavra que fez todo o circuito e voltou intacta foi &#8220;fúlgidos&#8221;. Em inglês, &#8220;salve, salve&#8221; ficou &#8220;hurray, really hurray&#8221; e parece que em alemão o texto ficou irreconhecível como hino mas, em compensação, reformula todo o conceito kantiano de transcendentalismo enquanto categoria imanente do ser em si.</em></span><br />
<span style="color: #000080;"> <em>Vou sugerir ao Jorge que faça outro teste e peça para o computador traduzir um texto em que conste a expressão &#8220;barato estranho&#8221;, só para dar boas risadas. Confesso que o meu barato é ver computador ridicularizado. Um pequeno gesto de resistência, à beira da obsolescência. Não posso mais viver sem o computador, mas a antipatia cresce com o convívio. Agora comprei um programa de texto à prova de erro ortográfico. O computador não me deixa errar, por mais que eu tente. Subverte o que eu tenho de mais pessoal e enternecedor e sublinha a palavra errada em vermelho insolente. A palavra &#8220;agora&#8221;, aí em cima, apareceu na tela sublinhada. Ele está provavelmente sugerindo que talvez eu queira escrever &#8220;ágora&#8221;, praça das antigas cidades gregas. Não, &#8220;ágora&#8221; também saiu sublinhada. Sua mensagem é que eu tenho uma escolha entre as duas palavras, sua insinuação é que eu não sei a diferença. E quando não existe opção e o que eu escrevi está irremediavelmente errado &#8211; ele corrige sozinho! Eu tento repetir o erro, só para mostrar que alguns dos nossos ainda não se intimidaram, e ele não deixa.</em></span><br />
<span style="color: #000080;"> <em>Sei que não demora o programa que corrigirá sintaxe, pontuação e concordância e ainda fará comentários irônicos sobre o estilo. Que venha. Tradução eles não sabem fazer. Rá!</em></span></p></blockquote>
<p>Mas voltemos a Kehdi. ele não desiste, e propõe um terceiro critério. Esse é o menos problemático de todos:</p>
<p><strong>- Critério léxico:</strong> Bernard Pottier define lexia como <em>a unidade lexical memorizada.</em></p>
<p><em></em>(Ih, Madrasta, entendi bulhufas!, dirá você. Aí eu lhe digo: pega aquele <span style="color: #ff0000;"><em>negóço</em> </span>que você abre pra se proteger da chuva. Agora pensa no nome desse troço. <em><strong>Guarda-chuva</strong></em>, né? Então, temos uma unidade lexical. <em><strong>Guarda-chuva</strong></em> está registrado nos seus neurônios como  a unidade lexical que você usa pra definir esse troço que você sempre esquece dentro do ônibus quando não está mais chovendo. Porque as unidades lexicais podem ser simples (pense naquele negócio que você usa pra tomar chá, a <strong><em>xícara</em></strong>) ou compostas, como é o caso do <em><strong>guarda-chuva</strong></em>).</p>
<p>Mas voltando à nossa unidade lexical. O seu Pottier amigo do doutor Valter explica que qualquer outro vagão que você tente enfiar nesse trem não vai mexer muito na composição final. você pode dizer <em><strong>guarda-chuva novo,</strong></em><strong> </strong>ou <em><strong>novo</strong> <strong>guarda-chuva</strong></em>, que a compreensão vai se manter. E se alguém tentar dizer <em><strong>guarda-novo-chuva</strong></em><strong> </strong>você vai entender que o zifio em questão tá falando um troço meio errado&#8230;.</p>
<p>E mais uma vez a mesóclise entra em campo pra mostrar o calcanhar de aquiles desse critério de definição.</p>
<p>Peguemos, pois, o vocábulo <strong><em>obedecerei</em>. </strong>Ao acrescentarmos um pronome oblíquo dentro desse vocábulo (<em><strong>obedecer-TE-ei</strong></em>), vemos a separação de seus elementos constitutivos. Mas seu Pottier dá conta dessa <em>crise </em>rapidinho e separa alhos de bugalhos: <em><strong>obedecerei</strong></em> não é uma lexia, embora seja reconhecido como palavra.</p>
<p>Algo me diz que muito em breve vamos voltar às conjugações verbais aqui nas poções de morfologia pra continuar definindo <span style="color: #ff0000;"><em>esstrem</em> </span>de palavra. (Desnecessário dizer que as mesóclises serão as <span style="color: #ff0000;"><em>vedétchys </em></span>das poções de morfologia, né?)</p>
<p>Aí eu fui catar web afora um link pra <em>ilustrar </em>melhor esse post, e encontrei essa <em>coisamalrindadomundo</em> que é essa letra do Teatro Mágico. Não sei se é a TPM, mas eu tô aqui chorando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kQgHfQn95Ug?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/kQgHfQn95Ug?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Palavra<br />
Tenho que escolher a mais bonita<br />
Para poder dizer coisas do coração<br />
Da letra e de quem lê<br />
Toda palavra escrita, rabiscada<br />
No joelho, guardanapo, chão<br />
Ponto, pula linha, travessão</p>
<p>E a palavra vem<br />
Pequena<br />
Querendo se esconder no silêncio<br />
Querendo se fazer de oração<br />
Baixinha como a altura da intenção na insegurança<br />
Vírgula, parênteses, exclamação<br />
Ponto, pula linha, travessão</p>
<p>E a palavra vem<br />
Vem sozinha<br />
Que a minha frase invento pra te convencer<br />
Vem sozinha<br />
Se o texto é curto, aumento pra te convencer<br />
Palavra<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Que eu já não precise falar<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Que de algum modo eu pude mostrar<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Como qualquer palavra.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?feed=rss2&#038;p=3900</wfw:commentRss>
		<slash:comments>14</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
