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		<title>Ginger ale, os morfemas e as formas livres, presas e dependentes (#poção de morfologia nº3)</title>
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		<pubDate>Sat, 11 May 2013 02:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tarra mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d&#8217;água só (aprendi com Nardja Zulpério que é muito marpráteco e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d&#8217;água dicumforça nazidéia do que ficar usando [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000;"><em>Tarra</em></span> mesmo devendo a receita de ginger ale pros meus queridos encostos, daí eu aproveito essa receita pra uma nova Poção de Morfologia. Assim, mato dois coelhos com uma caixa d&#8217;água só (aprendi com <a href="http://www.reginacase.com.br/teatro/nardja-zulperio-/48" target="_blank">Nardja Zulpério</a> que é muito <span style="color: #ff0000;"><em>marpráteco</em> </span>e rápido matar dois coelhos enfiando-lhes uma caixa d&#8217;água <span style="color: #ff0000;"><em>dicumforça nazidéia</em></span> do que ficar usando cajados, que são pequenos, estreitos e pouco práticos.)</p>
<p><del>(SÉRIO QUE FAZ VINTE ANOS QUE EU VI NARDJA ZULPÉRIO?!?!!? E QUE PROVAVELMENTE MUITOS DOS MEUS COLHÉGAS NEM ERAM NASCIDOS QUANDO ESSA PEÇA TARRA EM CARTAZ?!?!?! AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH)</del></p>
<p>Mas deixemos os cajados e caixas d&#8217;água. Vamos então à nossa receita de ginger ale, que nada mais é do que um xarope de gengibre com club soda ( = água com gás) e suco de um limão. E, se você quiser, pode acrescentar vodka a gosto. Recomendo fortemente a vodka sabor vanilla (meu mote de 2013: #vodkavanillamelhoremtudo).</p>
<p><strong><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/GingerAleSrvd.jpg"><img class="size-full wp-image-3954 alignleft" alt="Morfemas! :D" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/GingerAleSrvd.jpg" width="650" height="487" /></a>Ginger Ale</strong></p>
<p><em>Para o xarope de gengibre:</em></p>
<p>1 medida* de açúcar (pode ser mascavo. pode ser cristal. pode ser refinado.)</p>
<p>1 medida* de gengibre picado</p>
<p>1 medida* de água</p>
<p>(medida = se vc usar 1 xícara, será 1 xícara de tudo; se usar 200 xícaras, serão 200 xícaras de tudo)</p>
<p>Modo de preparo:</p>
<p>Levar os ingredientes para cozinhar em fogo alto. Quando levantar fervura, baixar o fogo e cozinhar por mais 15 minutos.</p>
<p>Deixe esfriar, e coe para tirar os pedaços do gengibre (dica: há agora no mercado filtros descartáveis que podem ser reaproveitados. Use esses filtros ou um guardanapo para coar o xarope, pois você vai ter que apertar e espremer o filtro pra tirar todo o caldo do meio dos pedaços do gengibre).</p>
<p><em>Modo de preparo do ginger ale</em></p>
<p>Em um copo alto, ponha um dedo de xarope de gengibre, suco de meio limão e complete com água gasosa (ou club soda). É um santo remédio contra gripes e resfriados. Ah! Vodka a gosto acompanha esplendorosamente &#8211; e lembre-se: álcool mata os germes, portanto a vodka também ajuda a curar resfriados (a folhinha de hortelã da foto é só uma frescurinha. Pode usar, mas ela fica melhor num mojito. E pinguça é a mãe!) #HIC! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Aí você me diz: &#8220;ah, Madrasta, vou fazer um Ginger ale diferente: troco o xarope de gengibre por açúcar puro, e em vez de suco de limão eu ponho limão cortado e amasso os pedaços dentro do copo. E em vez de vodka, ponho cachaça e muito gelo!&#8221;</p>
<p>E eu lhe digo: &#8220;ora, ameba, você trocou os ingredientes, seu ginger ale deixou de ser ginger ale e virou caipirinha!&#8221; <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Isto posto, vamos pensar aqui um <em>cadim</em> sobre essa receita que eu acabei de publicar (por favor, deixe a vodka pra depois):</p>
<p>O ginger ale nada mais é do que uma bebida resultante do blending (= como os frescos chamam a <strong>mistura</strong>) de diversos ingredientes que, depois de misturados, tornam-se a bebida. Se os ingredientes forem outros, a receita final também será outra, certo? (taí o seu ginger ale adulterado que virou caipirinha que não me deixa mentir!)</p>
<p>E se eu te disser que os ingredientes de uma receita são comparáveis a morfemas, e a bebida pronta é a palavra final?</p>
<p>RÁ! TE ENSINEI RAPIDINHO! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Para provar minha tese, me empreste a palavra <strong>irrealizável. </strong>Repare que ela é composta de um monte de pedaço que se junta à raiz (real), e, ao final das contas, informa que não é possível que o real seja passível de se concretizar. Acompanhe:</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="144"><b>Ir</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>real</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>izá</b></td>
<td valign="top" width="144"><b>vel</b></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="144">Prefixo de negação</td>
<td valign="top" width="144">raiz da palavra</td>
<td valign="top" width="144">Terminação de verbo de 1ª conjugação com caráter frequentativo ou causativo (quem me contou isso foi tio Antônio Houaiss)</td>
<td valign="top" width="144">(= passível de)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Então, cada um desses pedacinhos, ou morfemas, é um ingrediente da palavra final. Lindo, não?</p>
<p>Agora eu te digo que, de acordo com <a href="http://www.armazemdolivro.com/morfossintaxe-_usado-p10151543" target="_blank">Flávia Carone</a>,  vocábulo é uma unidade constituída de morfemas, e <strong>o morfema é a menor unidade significativa, que tem a propriedade de se articular com outras unidades de seu próprio nível. A palavra é a maior unidade. </strong>(Ou: ingredientes diferentes se misturam para compor receitas diferentes &#8211; e o prato / bebida final é a maior unidade nessa minha analogia). E você nem sentiu que eu joguei um conceito teórico em cima de você! RÁ DE NOVO!</p>
<p>Antes de prosseguir com minha tese, eu te pergunto: você chupa limão puro? Toma vodka pura? Come gengibre puro? Então, faça o favor de morrer pra não comprometer minha linha de raciocínio a seguir. Grata.</p>
<p><a href="http://pt.scribd.com/doc/976242/Bloomfield-Leonard-Language-And-Linguistics-1933" target="_blank">Leonard Bloomfield</a> (aproveita o link e faz o download!) começou a definir vocábulo formal (sério que você pensou que a saga em torno da definição de palavra já tinha terminado? Tolinho&#8230; <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  ) a partir de como o trem funciona na frase. E propôs duas unidades formais numa língua:</p>
<p><strong>formas livres</strong> &#8211; elas se bastam para realizar a comunicação.</p>
<p><strong>formas presas</strong> &#8211; só funcionam atreladas às formas livres.</p>
<p>Isto posto, temos que uma palavra pode ser composta de:</p>
<p>- uma forma livre mínima, indivisível: <strong>lua, sol</strong></p>
<p>- duas formas livres mínimas: <strong>beija-flor, couve-flor, vaivém</strong></p>
<p>- Uma forma livre e uma ou mais presas: <strong>en-<span style="text-decoration: underline;">luar</span>-ado, en-<span style="text-decoration: underline;">sol</span>-ar-ado</strong></p>
<p>- apenas formas presas: <strong>im-pre-vis-ível</strong></p>
<p>Aí veio seu <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Matoso_C%C3%A2mara_J%C3%BAnior" target="_blank">Joaquim Mattoso Câmara Jr</a>. com a seguinte notícia: precisa de mais sal nesse molho do Bloomfield. E insere o conceito de</p>
<p><strong>- formas dependentes</strong> &#8211; elas ficam num espécie de limbo entre as formas livres e as presas: têm mais vida própria que as presas, mas não tão suficientes para se tornarem formas livres. Nesse conceito entram os <strong>artigos, preposições, algumas conjunções e pronomes oblíquos átonos: </strong></p>
<p>A expressão <strong>disse-me</strong> é composta de uma forma livre (<strong>disse</strong>, que sozinha já expressa uma comunicação, uma informação) e uma forma dependente da livre, o pronome oblíquo átono <strong>me,</strong> que sozinho não significa lá grandes coisas.</p>
<p>Como assim, madrasta?</p>
<p>Assim, ó:</p>
<p>Você pode tomar água apenas. Você pode até comer um pouquinho de açúcar (mas espera a sua mãe sair de perto, pra evitar bronca). Mas gengibre e limão, só acompanhados, sozinhos são intragáveis. Só <b>presos </b>a outros ingredientes limão e gengibre fazem sentido. Certo? (E lembre-se: quem consome limão puro e gengibre puro me fez o favor de morrer lá em cima pra não estragar minha teoria!)</p>
<p>E a vodka? Ah, a vodka sozinha não faz muito sentido. Ela <strong>depende </strong>sempre de algum trem pra se encher de formosura! \o/ ♥</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Depois de ler a legenda dessa foto&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2013 20:42:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conjunto da obra]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230; você vai poder dizer: &#8220;já li de tudo nessa vida&#8221;. &#160; &#8230; que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o repórti da Veja São Paulo anda frilando pros jornais de Viçosa&#8230; De nada. (ou &#8220;Queira me desculpar pelo inconveniente&#8221;, o que você achar mais apropriado)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230; você vai poder dizer: &#8220;já li de tudo nessa vida&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/bonecotesticulo.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3948" alt="bonecotesticulo" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/05/bonecotesticulo.jpg" width="527" height="545" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8230; que por onde passou chamou a atenção de todos.  Tô achando que o <a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3854" target="_blank">repórti da Veja São Paulo</a> anda frilando pros jornais de Viçosa&#8230;</p>
<p>De nada. (ou &#8220;Queira me desculpar pelo inconveniente&#8221;, o que você achar mais apropriado)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>As palavras pelas línguas afora (#poção de morfologia nº 2)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 23:45:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de lhe provar que esstrem de palavra não é assim tão simples de definir, vou lhe mostrar que o modo como as palavras se formam é ainda mais doido, e varia de língua para língua. Dois alemães, coincidentemente Augustos, um poeta e outro linguista   (senhor Schlegel e senhor Schleicher, respectivamente), começaram a tentar [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/Ideograms_3a.jpg"><img class="size-full wp-image-3909 alignleft" alt="Ideograms_3a" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/Ideograms_3a.jpg" width="370" height="412" /></a>Depois de lhe provar que <span style="color: #ff0000;"><em>esstrem</em> </span>de palavra não é assim tão simples de definir, vou lhe mostrar que o modo como as palavras se formam é ainda mais doido, e varia de língua para língua. Dois alemães, coincidentemente Augustos, um poeta e outro linguista   (senhor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/August_Wilhelm_Schlegel" target="_blank">Schlegel</a> e senhor <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/August_Schleicher" target="_blank">Schleicher</a>, respectivamente), começaram a tentar entender as línguas a partir de uma <strong>tipologia morfológica<em>,</em></strong><em> </em>ou seja, a partir da forma como as palavras /vocábulos vão se formando de língua para língua. E o negócio começou a&#8230;. eu ia dizer tomar <strong>forma</strong>, mas vou fugir do trocadilho fácil <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Vamos começar com as línguas que se valem de ideogramas, como o japonês. Já pensaram que um <em>desenhinho </em>só significa uma palavra ou conceito abstrato (daí o nome ideograma)?</p>
<p>Eis alguns exemplos de ideogramas chineses (de acordo com <a href="http://imagenscomtexto.blogspot.com.br/2008/07/ideogramas-chineses.html" target="_blank">este site daqui</a>, vamos partir do princípio de que essas <em>traduções </em>são confiáveis, e não significam, por exemplo, <a href="http://www.guiadasemana.com.br/filhos/noticia/na-onda-oriental" target="_blank">sorvete de creme</a>, OK?)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Então, de acordo com a tipologia morfológica, o chinês seria um caso de língua <strong>isolante<i>:</i></strong><i> </i>todas as palavras são raízes, não podem ser segmentadas  ou elementos menores. Pra fazer uma diferenciação maior entre os vocábulos, essas línguas tendem a ser tonais (Reparem como um chinês fala cantando&#8230;). Vamos ver um exemplo de frase em chinês (fornecida em aula pela professora Roberta):</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="36"><strong>wo</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>mai</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>júzi</strong></td>
<td valign="top" width="76"><strong>chi</strong></td>
<td valign="top" width="66"><strong>zuótian</strong></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="36">eu</td>
<td valign="top" width="76">comprar</td>
<td valign="top" width="76">laranjas</td>
<td valign="top" width="76">comer</td>
<td valign="top" width="66">ontem</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <i>ontem, eu comprei laranjas para comer.</i></p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/isoladas.jpg"><img class="wp-image-3920 alignright" alt="isoladas" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/isoladas.jpg" width="426" height="427" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Chegamos então no turco, tão em moda por causa da <em><span style="color: #ff0000;">nuóvela</span></em> Salve Jorge. Pois esse idioma é um caso de <strong>língua aglutinante, </strong>nas quais as palavras combinam raízes e afixos diferentes para explicar as relações gramaticais. Na língua que <del>não</del> é falada na nuóvela das nove,  podemos citar o exemplo de</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center"><b>kayik</b></p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center"><b>lar</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>imiz</b></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center">barco</p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center">plural</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">nosso</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <em>nossos barcos</em>.</p>
<p>Em outro caso, o das <strong>línguas flexionais ou sintéticas<em>,</em></strong><em> </em>as raízes das palavras se combinam com elementos gramaticais, que indicam a função das palavras e não podem ser segmentados  na base de um som e um significado ou afixo para cada significado (como é o caso do turco, aí em cima). Isso quer dizer que um pedacinho a mais na palavra traz muitas informações. Exemplo disso? O Latim é um. E o português também, se considerarmos o verbo conjugado <strong>cant-á-va-mos</strong> , um vocábulo que traz a raiz do verbo, a vogal temática, a desinência modo temporal e a desinência número pessoal (acredite, você já estudou tudo isso do português. Vá tomar um Fosfosol e volte logo! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
<p>Tudo muito lindo, tudo muito legal. Mas essas definições daí de cima dão conta das línguas europeias. O que fazer com as línguas indígenas (<a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3810" target="_blank">já falei delas aqui, prestenção</a>!), por exemplo?</p>
<p><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_von_Humboldt" target="_blank">Humboldt</a> entrou na parada e, em 1836, propôs outra configuração pra coisa toda (idiossincrasias de dona Wikipedia: o link com a biografia de Humboldt diz que ele morreu um ano antes de sua teoria ser formulada!). Para ele, haveria, ainda, as línguas <strong>polissintéticas ou incorporantes</strong>. São idiomas com morfologia complexa, que juntam numa só palavra  um sem-número de morfemas que, em línguas sintéticas, por exemplo, renderiam uma frase inteira. Exemplinho básico. Língua esquimó. A palavra é: angyaghllangyugtuo.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center"><b>angya</b></p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center"><b>ghlla</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>ng</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>yug</b></p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center"><b>tuo</b></p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="64">
<p align="center">bote</p>
</td>
<td valign="top" width="94">
<p align="center">aumentativo</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">adquirir</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">Volitivo<br />
(Indicativo de vontade)</p>
</td>
<td valign="top" width="95">
<p align="center">Indicativo de<br />
3ª pess. singular</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou <em>ele quer adquirir um grande bote</em>. &lt;&#8211; ó que lindo! Temos sujeito, verbo e objeto direto numa única palavra!</p>
<p>Donde se conclui que as línguas não indoeuropeias deram um revertério em tudo e obrigaram os linguistas a revisarem o conceito de palavra e os mecanismos para sua identificação.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/lhama1.jpg"><img class="size-full wp-image-3941 alignleft" alt="lhama1" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/lhama1.jpg" width="481" height="480" /></a></p>
<p>Isso tudo para concluir que aqui nas poções de morfologia vamos falar da palavra e suas unidades mínimas (morfemas) com significados.</p>
<p>Mas não se preocupem: nos intervalos vou continuar a exorcizar os textos mal-escritos!</p>
<p>E antes de eu me despedir, vamos ruminar um pouquinho do que foi dito aqui com essa <a href="http://www.osvigaristas.com.br/textos/uma-aula-de-alemao-749.html" target="_blank">post delícia</a> que traz uma <em>aula </em>de alemão &#8211; ou como aglutinar morfemas (e existem versões dela em inglês). Permitam-me copiar o texto abaixo:</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><em>A língua alemã é relativamente fácil. Quem sabe Latim e está habituado com as declinações, pode aprendê-la sem grandes dificuldades — ao menos é o que os professores de Alemão dizem em suas primeiras aulas.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Em seguida, quando começamos a estudar os der, des, den, dem, die, eles dizem que é moleza: tudo é apenas uma questão de lógica. Realmente é muito simples; podemos ver isso no exemplo que passamos a examinar.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Tomemos um honesto livro alemão: um volume magnífico, encadernado em couro, publicado em Dortmund, que descreve os usos e costumes dos hotentotes (em Alemão, hottentotten).</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>O livro nos conta que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas de um tecido (Lattengitter), para abrigá-los do mau tempo. Essas jaulas são chamadas, em Alemão, &#8220;jaulas cobertas de tecido&#8221; (Lattengitterkotter); assim que botam um canguru dentro delas, ele é chamado Lattengitterkotterbeutelratten, &#8220;o canguru da jaula coberta de tecido&#8221;.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Um dias os hotentotes capturaram um assassino (Attentater), acusado de ter matado uma mãe (Mutter) hotentote &#8211; Hottentottermutter -, que tinha um filho tonto e gago (stottertrottel). Essa pobre mãe se chama, em Alemão, Hottentottenstottertrottelmutter, e seu assassino é chamado de Hottentottenstottertrottelmutterattentater. A polícia prendeu o assassino e o enfiou provisoriamente numa gaiola de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter), mas o prisioneiro escapou. As buscas mal tinham começado, quando surgiu um guerreiro hotentote, gritando:</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Capturei o assassino! (Attentater).</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Sim? Qual? — perguntou o chefe.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— O Lattengitterkotterbeutelratterattentater! — respondeu o guerreiro.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— Como assim? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tecido? — perguntou o chefe dos hotentotes.</em></span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>— É, sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentater (o assassino da mãe hotentote de um menino tonto e gago) — respondeu o nativo.</em></span></p>
<p><em><span style="color: #000080;">- Ora , respondeu o chefe, tu poderias te</span><span style="color: #000080;">r dito desde o início que tinhas capturado o Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotter beutelrattenattentater.</span></em></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>Como dá para ver, o Alemão é uma língua fácil; basta a gente se interessar um pouquinho..</em></span></p></blockquote>
<p><span style="color: #000080;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;">Até breve! \o/</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Palavra: que trem é esse? (#poção de morfologia Nº 1)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 20:56:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Poções de morfologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Salve! Antes de mais nada, eu devo algumas explicações aos encostos de longa data: como vocês já devem saber, estou cursando Letras na UnB. Na cadeira de Morfologia, a professora Roberta Ribeiro (pupila do lindo do Dioney Moreira Gomes, de quem não me canso de falar aqui) propôs como um dos itens de avaliação que [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Salve!</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/palavralhama.jpg"><img class="wp-image-3926 alignright" alt="palavralhama" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/palavralhama.jpg" width="434" height="432" /></a></p>
<p>Antes de mais nada, eu devo algumas explicações aos encostos de longa data: como vocês já devem saber, estou cursando Letras na UnB. Na cadeira de Morfologia, a professora Roberta Ribeiro (pupila do lindo do Dioney Moreira Gomes, de quem não me canso de falar aqui) propôs como um dos itens de avaliação que cada aluno criasse um Ambiente Virtual Multiletrado, ou AVM. Explicação vai, explicação vem e eu concluí: &#8220;Mas bah, que eu tri-faço isso desde 2009!&#8221; Então, vou fazer aqui no meu blog-caldeirão os posts sob temas determinados pela professora Roberta, que serão identificados no título como &#8220;Poções de Morfologia&#8221;. Afinal de contas, isto aqui é um caldeirão, né? <del>Isso tudo pra lhe pedir humildemente que comente, questione e principalmente elogie bastante os textos das poções de morfologia, para que eu não lhe jure hemorroidas <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' />  #numpresto #valhonada</del></p>
<p>Enfim. Vamos abrir os trabalhos falando das palavras.</p>
<p>E aí, como definir esse trem? RÁ!</p>
<p>Meu personagem preferido dos memes de Internet, a Lhama Linguista, aí do lado, já nos apresenta o drama que vai ser (&#8220;Tente definir a palavra &#8220;palavra&#8221; &#8211; o cérebro explode).</p>
<p><a href="http://compare.buscape.com.br/morfemas-do-portugues-col-principios-valter-kehdi-8508107951.html#precos" target="_blank">Valter Kehdi</a> <del>(nota mental: já que vou lincar mondilivro por aqui, ver como fazer pra ganhar uns troquinhos do Submarino ou de outra livraria)</del> aceitou esse rojão (até porque ele não poderia fugir da raia, posto que é Doutor em Letras pela USP).  E olha que ele viu que o trem não ia ser fácil.</p>
<p>No livro acima lincado, doutor Kehdi cita a nomenclatura Gramatical Brasileira para definir</p>
<blockquote><p><i>a palavra, considerada, do ponto de vista fonético, constituída de fonemas e sílabas e provida ou não de tonicidade, recebe a designação de vocábulo; palavra é a denominação mais adequada se enfocarmos o ponto de vista semântico. (página 10)</i></p></blockquote>
<p>pra depois dizer que essa distinção não faz a menor diferença pra linha de raciocínio dele. A seguir, ele usa alguns critérios para caracterizar a palavra, e mostra, por A mais B, que o trem né fácil, não. Mas ele nos fornece os ingredientes pra nossa primeira poção de morfologia: como <em>preparar </em> uma palavra. Vamos acompanhar.</p>
<p><strong>- Critério fonético</strong>: Ah, a palavra é um conjunto marcado por um só acento tônico. Certo? Er&#8230; sim, até porque nesse critério encaixam-se perfeitamente os exemplos <strong><em>xícara</em>, <em>mármore</em></strong>, <strong><em>esôfago</em></strong> (não me perguntem de onde surgiu essa palavra). Mas o que fazer quando, por exemplo, a expressão <strong><em>com as amigas</em></strong> chega na porta da boate e diz que atende aos critérios do convite para a festa? (Agora imagine a expressão acima parada na porta da <span style="color: #ff0000;"><em>buátchy</em></span> berrando com o leão-de-chácara: <em>somos um conjunto marcado por um só acento tônico, e vamos entrar na <span style="color: #ff0000;">buátchy</span>! Sai da frente, recalcado!</em> Pronto, de nada! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> ) E ao fugir da confusão na porta da <em><span style="color: #ff0000;">buátchy</span></em><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"> (cuja grafia correta não é essa, e </span></span><span style="color: #000000;">por isso foi marcada em vermelho)</span>, vamos ver outro caso em que o critério fonético faz MUITA (eu disse MUITA ) diferença na interpretação de um texto:</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/tl5n7tHGD_o?hl=pt_BR&amp;version=3" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/tl5n7tHGD_o?hl=pt_BR&amp;version=3" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>Mas adulterados ou adúlteros, voltemos a doutor Valter, que nos oferece outro critério para caracterizar as palavras:</p>
<p><strong>- Critério Semântico</strong> (palavra e homonímia): Esse critério é tão lindo, mas tão lindo, que para derrubá-lo Kehdi se vale de uma mesóclise <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  : (&#8220;Os casos de homonímia revelar-se-ão problemáticos&#8221;). Se você ainda não entendeu o entrave desse critério, pegue como exemplo a palavra <em>manga</em>. Agora decida se você está falando de uma fruta ou de uma parte de um item de vestuário. Beijinhos. <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Só para ilustrar esse critério mais <em>um cadim, </em>como diriam os mineiros,  me lembrei de uma crônica deliciosa de Luis Fernando (O Verissimo, filho de seu Érico), em que ele conta o que um software de tradução automática fez com a letra do Hino Nacional Brasileiro (e se você clicar no link fornecido ainda ganha de brinde a tradução dessa crônica feita por um &#8211; adivinha &#8211; software de tradução automática! De saída, Jorge Furtado virou The Stolen George. Delícia! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;"><em><strong>Insolência</strong> </em>(Crônica publicada no Jornal do Brasil em 1997, <a href="http://lupolonia.blogspot.com.br/2008/02/em-que-medida-tecnologia-em-traduo.html" target="_blank"><span style="color: #000080;">e encontrada aqui</span></a>)</span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em>O Jorge Furtado comprou um programa de traduções para o seu computador e fez uma experiência. Digitou toda a letra do nosso Hino Nacional em português e pediu para o computador traduzi-la sucessivamente em inglês, francês, alemão, holandês etc. Do português para o inglês, do inglês para o francês e assim por diante até ser traduzida da última língua de volta para o português. Segundo o Jorge, a única palavra que fez todo o circuito e voltou intacta foi &#8220;fúlgidos&#8221;. Em inglês, &#8220;salve, salve&#8221; ficou &#8220;hurray, really hurray&#8221; e parece que em alemão o texto ficou irreconhecível como hino mas, em compensação, reformula todo o conceito kantiano de transcendentalismo enquanto categoria imanente do ser em si.</em></span><br />
<span style="color: #000080;"> <em>Vou sugerir ao Jorge que faça outro teste e peça para o computador traduzir um texto em que conste a expressão &#8220;barato estranho&#8221;, só para dar boas risadas. Confesso que o meu barato é ver computador ridicularizado. Um pequeno gesto de resistência, à beira da obsolescência. Não posso mais viver sem o computador, mas a antipatia cresce com o convívio. Agora comprei um programa de texto à prova de erro ortográfico. O computador não me deixa errar, por mais que eu tente. Subverte o que eu tenho de mais pessoal e enternecedor e sublinha a palavra errada em vermelho insolente. A palavra &#8220;agora&#8221;, aí em cima, apareceu na tela sublinhada. Ele está provavelmente sugerindo que talvez eu queira escrever &#8220;ágora&#8221;, praça das antigas cidades gregas. Não, &#8220;ágora&#8221; também saiu sublinhada. Sua mensagem é que eu tenho uma escolha entre as duas palavras, sua insinuação é que eu não sei a diferença. E quando não existe opção e o que eu escrevi está irremediavelmente errado &#8211; ele corrige sozinho! Eu tento repetir o erro, só para mostrar que alguns dos nossos ainda não se intimidaram, e ele não deixa.</em></span><br />
<span style="color: #000080;"> <em>Sei que não demora o programa que corrigirá sintaxe, pontuação e concordância e ainda fará comentários irônicos sobre o estilo. Que venha. Tradução eles não sabem fazer. Rá!</em></span></p></blockquote>
<p>Mas voltemos a Kehdi. ele não desiste, e propõe um terceiro critério. Esse é o menos problemático de todos:</p>
<p><strong>- Critério léxico:</strong> Bernard Pottier define lexia como <em>a unidade lexical memorizada.</em></p>
<p><em></em>(Ih, Madrasta, entendi bulhufas!, dirá você. Aí eu lhe digo: pega aquele <span style="color: #ff0000;"><em>negóço</em> </span>que você abre pra se proteger da chuva. Agora pensa no nome desse troço. <em><strong>Guarda-chuva</strong></em>, né? Então, temos uma unidade lexical. <em><strong>Guarda-chuva</strong></em> está registrado nos seus neurônios como  a unidade lexical que você usa pra definir esse troço que você sempre esquece dentro do ônibus quando não está mais chovendo. Porque as unidades lexicais podem ser simples (pense naquele negócio que você usa pra tomar chá, a <strong><em>xícara</em></strong>) ou compostas, como é o caso do <em><strong>guarda-chuva</strong></em>).</p>
<p>Mas voltando à nossa unidade lexical. O seu Pottier amigo do doutor Valter explica que qualquer outro vagão que você tente enfiar nesse trem não vai mexer muito na composição final. você pode dizer <em><strong>guarda-chuva novo,</strong></em><strong> </strong>ou <em><strong>novo</strong> <strong>guarda-chuva</strong></em>, que a compreensão vai se manter. E se alguém tentar dizer <em><strong>guarda-novo-chuva</strong></em><strong> </strong>você vai entender que o zifio em questão tá falando um troço meio errado&#8230;.</p>
<p>E mais uma vez a mesóclise entra em campo pra mostrar o calcanhar de aquiles desse critério de definição.</p>
<p>Peguemos, pois, o vocábulo <strong><em>obedecerei</em>. </strong>Ao acrescentarmos um pronome oblíquo dentro desse vocábulo (<em><strong>obedecer-TE-ei</strong></em>), vemos a separação de seus elementos constitutivos. Mas seu Pottier dá conta dessa <em>crise </em>rapidinho e separa alhos de bugalhos: <em><strong>obedecerei</strong></em> não é uma lexia, embora seja reconhecido como palavra.</p>
<p>Algo me diz que muito em breve vamos voltar às conjugações verbais aqui nas poções de morfologia pra continuar definindo <span style="color: #ff0000;"><em>esstrem</em> </span>de palavra. (Desnecessário dizer que as mesóclises serão as <span style="color: #ff0000;"><em>vedétchys </em></span>das poções de morfologia, né?)</p>
<p>Aí eu fui catar web afora um link pra <em>ilustrar </em>melhor esse post, e encontrei essa <em>coisamalrindadomundo</em> que é essa letra do Teatro Mágico. Não sei se é a TPM, mas eu tô aqui chorando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><object width="420" height="315" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/kQgHfQn95Ug?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="420" height="315" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/kQgHfQn95Ug?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Palavra<br />
Tenho que escolher a mais bonita<br />
Para poder dizer coisas do coração<br />
Da letra e de quem lê<br />
Toda palavra escrita, rabiscada<br />
No joelho, guardanapo, chão<br />
Ponto, pula linha, travessão</p>
<p>E a palavra vem<br />
Pequena<br />
Querendo se esconder no silêncio<br />
Querendo se fazer de oração<br />
Baixinha como a altura da intenção na insegurança<br />
Vírgula, parênteses, exclamação<br />
Ponto, pula linha, travessão</p>
<p>E a palavra vem<br />
Vem sozinha<br />
Que a minha frase invento pra te convencer<br />
Vem sozinha<br />
Se o texto é curto, aumento pra te convencer<br />
Palavra<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Que eu já não precise falar<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Que de algum modo eu pude mostrar<br />
Simples como qualquer palavra<br />
Como qualquer palavra.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O processo de LadiDianificação de Fernando Haddad</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 19:09:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conjunto da obra]]></category>
		<category><![CDATA[Ectoplasma suíno]]></category>
		<category><![CDATA[Mamãe, eu sei escrever]]></category>
		<category><![CDATA[Rolando o lero]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Zifio, vá estourar muitas pipocas, porque esse texto vai ser longo. Mas eu prometo que você vai saborear cada palavra dele! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Vejinha São Paulo causou muito ontem. E se você pensava que o must do domingo foi Sophia Alckmin com a declaração</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sophia.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3855" alt="sophia" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sophia.jpg" width="580" height="169" /></a></p>
<p>você se enganou rotundamente! Isso daí é pinto perto da reportagem cometida por Maurício Xavier (que eu já suspeito ser Lucas Celebridade disfarçado!)</p>
<p>Com o título &#8220;O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad&#8221; e o subtítulo &#8220;Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre&#8221;, <a href="http://vejasp.abril.com.br/materia/predio-fernando-haddad-paraiso" target="_blank">a coisa</a> (permitam-me o uso desse substantivo genérico. Grata.) abre com essa montagem medonha, que prenuncia algo entre o brega e o inacreditável. O texto se concretiza ora como um post de Lucas Celebridade, ora como pauta de tabloide britânico que vai escarafunchar todos os microdetalhes da vida de um anônimo recém-alçado à fama. Mais ou menos como fizeram com Lady Diana Spencer.</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/abrehaddad.jpg"><img class="size-full wp-image-3856 alignleft" alt="abrehaddad" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/abrehaddad.jpg" width="309" height="447" /></a></p>
<p>De fato, esse texto me consumiu muito ontem. A princípio, achei q foi obra de hacker petralha pra acabar de vez com a reputação da Veja. Sua leitura foi quase sadomasoquista. eu me revezava entre a gargalhada histérica e inúmeros facepalms de profunda vergonha alheia do texto cometido. Mas depois de superar o sofrimento e os julgamentos morais, descobri um grande prazer proibido nessa reportagem. É que o texto tá que nem a novela Salve Jorge: tá tão ruim, mas tão ruim, que ficou ótimo! E o lance é multimídia, porque as foteenhas também são de um primor que nos leva quase ao Nirvana.</p>
<p>Daí que eu decidi não mais sofrer de vergonha alheia com esse texto, me entreguei à sua alma e venho aqui partilhar com todos vocês os prazeres proibidos de um texto ruim. E Não, não sofram com manipulação política! Isso é coisa tão pequena diante da grandeza desse texto, que não vale a pena mesmo! Venham comigo que eu lhes guio <del>por esse mundo novo de prazer pelos caminhos de satanás ah, deixa prá lá.</del></p>
<p>Então, pegue um guaraná pra acompanhar sua pipoca e vamos lá:</p>
<blockquote><p><strong><span style="color: #ff0000;">O que mudou na rotina da rua onde mora Fernando Haddad</span></strong></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Depois da eleição, moradores da Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, recorrem com frequência a vizinho ilustre <span style="color: #000080;">[esse subtítulo foi uma tentativa de transformar o prefeito de São Paulo numa espécie de Grande Síndico da Afonso de Freitas. Vamos acompanhar, porque o texto não consegue provar sua tese]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">12.abr.2013 por Mauricio Xavier <span style="color: #000080;">[é você, <a href="http://lucasfamapop.blogspot.com.br/" target="_blank">Lucas Celebridade</a>? Beijo na alma, seu lindo!]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Na noite de 27 de janeiro, uma bomba movida a óleo diesel instalada pela Sabesp trabalhava em velocidade máxima para drenar um vazamento na Rua Afonso de Freitas, no Paraíso, na altura do número 687. Sem conseguir dormir por causa do barulho ensurdecedor, um grupo de vizinhos apelou para as autoridades: tocou o interfone de um apartamento no 11º andar do Edifício Panorama, que fica ali nas redondezas.<span style="color: #000080;">[Nossa, que primeiro parágrafo cheio de loucas aventuras e emoção! Mas quem será o morador do 11º andar do Edifício Panorama? Super-homem? Batman? Homem Aranha?]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O endereço não abriga o escritório da companhia de água e esgoto do estado, mas a residência do prefeito Fernando Haddad. <span style="color: #000080;">[aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, meu herooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii desculpem, esse texto é puro êxtase.] </span>Alertado, ele deixou o prédio por volta das 6 da manhã e desceu um quarteirão para constatar a balbúrdia provocada pela máquina <span style="color: #000080;">[Primeira falha do texto: não descreveu os trajes do prefeito nesse momento. Ele trocou de roupa? Foi de pijama mesmo, ou ao menos pôs um roupão por cima? Ou às seis da matina ele já estava acordado, lépido, fagueiro e sempre alerta a zelar pela cidade de <del>Metrópolis</del> <del>Gotham City</del> <del>Nova Iorque</del> São Paulo?] </span>. “Em poucas horas apareceu uma tropa de funcionários e, no fim do dia, tudo estava resolvido”<span style="color: #000080;">[...e todos viveram felizes para sempre!]</span>, lembra o autônomo Ricardo Rosales, que teve sua casa alagada.<span style="color: #000080;">[... menos o zifio em questão, que teve a casa toda alagada. Ah, Haddad, que coisa feia, seu culpado!]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O episódio mostra como mudou a rotina da pacata via da Zona Sul <span style="color: #000080;">[A frase definiu uma rua de são Paulo como <em>pacata. </em>Daí dá pra tirar o que nos aguarda...] </span>desde 1º de janeiro, quando um de seus moradores assumiu o comando da cidade. O vizinho ilustre é assunto recorrente nos bate-papos de padarias, salões de beleza e pontos de táxi<span style="color: #000080;">[Mas é claro! Se a rua é pacata, funciona como uma pequena cidade do interior, onde todos se conhecem e tomam conta da vida uns dos outros. Mas será que eles serão bem-sucedidos na tarefa de tomar conta da vida do prefeito? Vamos acompanhar!] </span>. Durante a campanha eleitoral, a presença constante de fotógrafos e jornalistas por ali já indicava que a vida naquele lugar não seria mais a mesma. E foi o que aconteceu.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Pouco mais de dois meses depois da posse do prefeito, dezenas de ciclistas se reuniram na frente do seu prédio para um ruidoso protesto por mais segurança. Na ocasião, Haddad não estava presente. Seu filho, Frederico, de 20 anos, acalmou a multidão com a promessa de que o pai os ouviria em breve<span style="color: #000080;">[EXTRA! EXTRA! Temos uma notícia (oi?) aqui: o filho de Haddad, o Sucessor do pai, também tem vocação em liderar multidões! E isso é tudo o que ele faz na rua onde mora...]</span> “Se querem reclamar, por que não vão até a prefeitura?”, diz Lígia Chedid, do apartamento 32 do Panorama. <span style="color: #000080;">[Guarde esse nome: Lígia Chedid. Vai ser necessário mais adiante...]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">O edifício transformou-se no epicentro desse frisson <span style="color: #000080;">[o epicentro do frisson. Uau, que tudo!] </span>. Os moradores ainda ficam impressionados ao cruzar com algumas figuras conhecidas no corredor<span style="color: #000080;">[Gemt, o edifício Panorama está a-con-te-cen-do socialmente!] </span>. “Há poucos dias vi a ex-prefeita Luiza Erundina entrando pelo saguão”, conta a síndica Roseli Rodrigues. O próprio Haddad é abordado com sugestões para a gestão — a maioria de envergadura similar a “arrumar a calçada da frente”.<span style="color: #000080;">[a envergadura de arrumar a calçada da frente. SIm, eles escreveram isso...]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000080;">[Agora concentre-se, pois vou exigir muito de sua imaginação. Pare de comer suas pipocas e leia o próximo parágrafo com muita atenção]</span> Não raro, há quem exagere nos pedidos. No mês passado, por exemplo, uma reunião de condomínio debatia animadamente a possibilidade de solicitar ao prefeito a antecipação do horário de recolhimento do lixo no bairro, mudando a regra que vale para toda a cidade. Motivo? Otimizar a escala de trabalho de um funcionário. <span style="color: #000080;">[Agora respire fundo, bem lentamente. Depois, expire fundo mais lentamente ainda. Repita esse processo mais duas vezes, e bem calmamente tente imaginar a cena descrita acima: dez ou quinze pessoas discutindo o que fazer com os cestos de lixo do prédio, e o tamanho da responsabilidade do prefeito acerca do assunto. Imaginemos que a aposentada do terceiro andar, aquela dos gatos, foi quem sugeriu a troca de horários, e a ideia foi acatada por todos os desocupados do prédio. Agora imagine o gerente de vendas que mora no sétimo andar (e que age como se fosse CEO da empresa) afirmando categoricamente que não tem nada a ver esse lance de regra, já que o prefeito é vizinho, e ele tem poderes especiais. Vou assumir que nenhum dos moradores do 11º andar estava presente, caso contrário já teriam feito a sugestão diretamente pra mulher do Haddad]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"> “Eu expliquei que era inviável e, mesmo assim, sugeriram que ele poderia abonar a multa”, diz Roseli Rodrigues. Nada disso aconteceu.<span style="color: #000080;">[aí chega a síndica e chama todos de volta à razão, e o seu transe acabou. Essa síndica tem noção de mundo, muito racional. quase um peixe fora d'água nessa história. Num curti ela, não!]</span></span></p>
<p><span style="color: #ff0000;"> </span><span style="color: #ff0000;">Morador do prédio há vinte anos, Haddad era síndico em 2002, quando tentou, sem sucesso, comprar o terreno ao lado para ampliar as vagas da garagem<span style="color: #000080;">[PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARA O MUNDOOOOOO!!! HADDAD FOI SÍNDICO! E o repórter não arranjou UMA VIV'ALMA SEQUER pra acusá-lo de ser ladrão! (porque, né? Reunião de condomínio é um evento cármico-cósmico cuja conexão holística com o universo se dá no momento em que um dos condôminos chama o síndico de ladrão!)] </span>. Sua “obra de vulto” à época envolveu a implantação de uma academia de ginástica <span style="color: #000080;">[OK, dou um tempo pra você gargalhar com o "obra de vulto". Não, não se irrite com isso, não vale o fígado. Ria, mas ria muito. E guarde essa informação da <em>acadimia </em>assim como você guardou a informação de dona Lígia.] </span>. A proximidade com o paulistano famoso também serviu para criar uma fervorosa base eleitoral. No segundo turno da disputa para a prefeitura, Haddad teve apenas 28% dos votos no distrito da Vila Mariana, que engloba o bairro do Paraíso, tradicional reduto do PSDB.<span style="color: #000080;">[Agora vocês tentam me explicar essas duas últimas frases. ele conquistou eleitorado ou obteve pífios 28% dos votos na Vila Mariana?]</span></span></p>
<p><span style="color: #000080;">Agora, vamos reunir as informações Dona Lígia + Acadimia do sindicão e deixo com vocês a foteenha abaixo pra vocês se deliciarem. Não se apressem em passar por ela.</span></p>
<div id="attachment_3857" class="wp-caption alignnone" style="width: 553px"><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/donaligia.jpg"><img class="size-full wp-image-3857" alt="Dona Lígia causando na acadimia" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/donaligia.jpg" width="543" height="364" /></a><p class="wp-caption-text">Dona Lígia causando na acadimia</p></div>
<p><span style="color: #000080;">CALMA, DEVAGAR! Não se apresse em definir o melhor dessa foto. Faz assim: eleja um detalhe de cada vez como seu preferido, e siga em frente. E, se você mora em são Paulo, vá logo rezar um padre nosso e uma ave-maria pela alma da vice-prefeita Nádia Campeão, porque dona Lígia era uma espécie de Nádia Campeão do Edifício Panorama. A legenda original da foto diz que</span>:</p>
<div><em><span style="color: #ff0000;">Síndico em 2002, o hoje prefeito deixou seu legado para o prédio onde mora: <em> <span style="color: #000080;">[Atenção para o legado de Fernando Haddad no edifício Panorama:] </span></em>uma academia de ginástica, o principal orgulho de seus vizinhos <span style="color: #000080;">[O point onde dona Lígia acontece socialmente. Oi, cabô suas pipocas? Vai estourar mais, porque não cheguei nem à metade!] </span>. “Ele ainda planejava construir um jardim na entrada, mas aqui só mora idoso, ninguém quer aprovar nada”<span style="color: #000080;">[A oposição do Edifício Panorama é muito passivona! ninguém aqui aprova nada!<del> Nem minha roupitcha de ginástica!</del>] </span>, reclama Lígia Chedid, que ocupa o apartamento 32 desde 1979 e atuou como conselheira (são três, segundo o estatuto) durante a “gestão Haddad” no Edifício Panorama. </span></em><em><span style="color: #ff0000;">(Foto: Lucas Lima) <span style="color: #000080;">[aí Lucas, tá de parabéns essa foto! Não sei se você sugeriu à Dona Lígia a pose e ela aceitou fazê-la prontamente, ou se foi dona Lígia que lhe sugeriu a pose e você aceitou a ideia prontamente. Imaginei ambas as situações e senti o mesmo medo.]</span></span></em></div>
<p><span style="color: #ff0000;">[<span style="color: #000080;">Mas voltemos ao texto! Temos mais fotos, mas vamos beeem devagar! Prá quê pressa?] </span>O cenário <span style="color: #000080;">[<del>de medo, pavor, classemédiasofrismo e um vizinho querendo aparecer mais que outro</del>] </span>no Panorama, onde vive com sua mulher, Ana Estela, e os dois filhos, foi diferente.<span style="color: #000080;">[detalhe: o texto volta a falar da votação de Haddad no microcosmo Panorama]</span> “Achava que nunca apoiaria o PT, mas mudei de ideia com o Fernando”, afirma a aposentada Maria Aparecida Sallum. “Votei no partido pela primeira vez na vida”, diz Lígia Chedid<span style="color: #000080;">[Mas cejuuuuuuuuuura, dona Lígia? Olha, num tem quem diga, viu?] </span>. No comércio local, o prefeito é figura carimbada<span style="color: #000080;">[Opa! A vizinharada já se exibiu até não poder mais à Veja, hora de estender a Vergonha Alheia à rua! E nada melhor pra mudar de ares do que usar um clichezão básico, né?]</span>. Na Padaria Cecilia, costuma sentar-se ao balcão para traçar um sanduíche de queijo com mortadela e uma xícara de café. “Ele é simpático, conversa, mas o acho um pouco tímido”, conta o gerente Gerenaldo Lima. <span style="color: #000080;">[Momento nhóim: Haddad é simpático, mas tímido. Uma verdadeira Lady Diana da Vila Mariana, gente! E pelamordedeus, ignorem o nome do gerente.] </span></span></p>
<div id="attachment_3859" class="wp-caption alignnone" style="width: 551px"><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sanduicheiche.jpg"><img class="size-full wp-image-3859 " alt="Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sanduicheiche.jpg" width="541" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Esse é o sanduíche de mortadela que o Haddad come sempre. Mas já prometeu casar NÃO PERA O must da foto é a cara de orgulho com que os dois exibem a noiva digo o sanduíche. De novo, Lucas Lima: tá de parabéns a foteenha! (O Gerenaldo é o da esquerda, antes que perguntem. O da direita é o dono da padaria)</p></div>
<p><span style="color: #ff0000;">A poucos metros dali, a Sapataria Veneza ostenta calçados da família pelas prateleiras<span style="color: #000080;">[esse é um dos meus trechos preferidos! Acompanhemos] </span>. No último dia 2, uma das botas da primeira-dama estava na fila do serviço <span style="color: #000080;">[E ZÁS! TEMOS OUTRA INFORMAÇÃO RELEVANTE! O Filho contém multidões e a mulher leva botas para serem consertadas na esquina! Gente, como a família Haddad é um manancial de notícias relevantes, não?]</span>. “Os sapatos dele são engraxados a cada três semanas”<span style="color: #000080;">[num disse? num disse? Já imagino as manchetes: "Haddad engraxa os sapatos a cada três semanas e come de forma tímida um sanduíche de mortadela" &lt;-- ó a perfeição da manchete!!!]</span>, diz o sapateiro Edson Silva. Outro ponto já requisitado foi a Oficina Mecatron. “No ano passado, eles deixaram um Toyota Fielder para trocar a bateria, por 200 reais”, lembra o dono Cesar Parra.<span style="color: #000080;">[TERCEIRA INFORMAÇÃO RELEVANTE DO TEXTO! O prefeito teve que trocar a bateria do carro! E aqui o repórter falha fragorosamente na comparação de preços! Quanto custaria a troca de uma bateria na Zona Leste, reduto petista? Essa bateria do carro do Haddad equivale a quantos quilos de tomate? Tá, parei].</span></span></p>
<p>Momento foteenha: o sapateiro e a bota de Dona Estela.</p>
<div id="attachment_3862" class="wp-caption alignnone" style="width: 499px"><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sapateiro.jpg"><img class="size-full wp-image-3862" alt="Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei." src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/sapateiro.jpg" width="489" height="562" /></a><p class="wp-caption-text">Observe a foto acima e procure o chicote. Tá, parei.</p></div>
<p><span style="color: #000080;">[Aí você deve estar pensando assim: como é que esse texto vai acabar? Eu também pensei nisso. Sofri com isso, até. Tá faltando algum ingrediente nesse troço, né? Senão, vejamos: temos tomação de conta da vida alheia, vizinho babando ovo, vizinho querendo aparecer mais que outro... tá faltando intriga e fofoca, né?</span></p>
<p><span style="color: #000080;">Pois então eu te conto que esse texto concluiu-se de forma tão épica que só me resta chorar de emoção:]</span></p>
<p><span style="color: #ff0000;">Mas nenhum estabelecimento da área tem mais recordações que o Salão Primus, onde o prefeito cortou o cabelo por dezenove anos. Na campanha eleitoral, entretanto, o então candidato passou a frequentar o badalado Celso Kamura, na Rua da Consolação. A decepção pela perda do cliente é grande. Tanto que a data da última visita está na ponta da língua: 3 de janeiro de 2012. “Espero que ele volte um dia”, suspira o dono André Ribeiro. “Notei pela televisão que Haddad perdeu cabelo nos últimos tempos, está com entradas. É bom ficar atento.”</span></p>
<p><span style="color: #000080;">[barbeiro recalcado por perder o cliente para Celso Kamura denuncia: Haddad tá ficando careca! É-PI-CO! SIMPLESMENTE É-PI-CO! Mal posso esperar pelo comentário de Celso Kamura a respeito. E olha que desde o <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-01-31/cabelereiro-diz-que-dilma-usou-rosa-chiclete-e-nao-vermelho-em-fala-na-tv.html" target="_blank">blazer rosa chiclete Ping Pong</a> que o Kamura tá calado, vem bomba por aí...]</span></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p>Moral da história: o prefeito, que começou a ser apresentado como um síndico da rua Afonso de Freitas, acabou traçado como uma pobre e indefesa criatura, tímida às vezes, mas que é o herói dos vizinhos (à exceção de seu André da Barbearia, mas deixa pra lá, né?).</p>
<p>O texto não foi bem sucedido em outras duas frentes: falar sobre a Carolina e Sticky, respectivamente filha e cachorro de Haddad. E olha, faltou um cachorrinho cuticuti nesse texto! O Lucas Lima bem que podia ficar à espreita pra ver se os donos do Sticky catam o cocô da rua ou deixam na calçada pros outros pisarem! Uma pauta e tanto, lamentavelmente perdida!</p>
<p>E lembrem-se, moradores da rua Afonso de Freitas:</p>
<p>Com Veja [pausa dramática de cinco segundos] <strong>VOCÊ ACONTECE EM SÃO PAULO</strong>!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Jogo dos erros &#8211; agora com os erros destacados</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Apr 2013 16:17:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Assaltaram a gramática]]></category>
		<category><![CDATA[Exercícios da bruxa]]></category>
		<category><![CDATA[Hortografia pobremática]]></category>
		<category><![CDATA[Macaquices]]></category>
		<category><![CDATA[Mamãe, eu sei escrever]]></category>
		<category><![CDATA[Rolando o lero]]></category>

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		<description><![CDATA[A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso. Então, vamos usar essa excrescência (&#60;&#8211; atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia. Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A ordem do dia é reciclar! A ideia é pegar o lixo, o chorume, e transformá-lo em algo útil e proveitoso.</p>
<p>Então, vamos usar essa excrescência (&lt;&#8211; atentem para a grafia CORRETA da palavra) desse pastor para ensinar ortografia.</p>
<p><span style="color: #800080;"><strong>Atualização: desculpem pela demora, mas me enrolei purdimais da conta, vamos lá apontar os erros que o Feliciano cometeu </strong></span></p>
<p>Encontrem abaixo os erros de português cometidos pelo sujeito que ousa usar o nome dum cara tão genial quanto Jesus Cristo para&#8230; (ah, vocês sabem pra quê!)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais tarde eu comento aqui os absurdos desse texto &#8211; E OLHA QUE EU VOU ME ATER TÃO SOMENTE À GRAMÁTICA E À ORTOGRAFIA, HEIN?!?!</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-3837" alt="PastorFelicianoBatalha" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/03/PastorFelicianoBatalha.jpg" width="500" height="483" /></p>
<p>1- Não existe verbo <span style="color: #ff0000;">ensinuar</span>. O que existe são os verbos:</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;">Insinuar</span></p>
<p><span style="color: #003300;">verbo bitransitivo e pronominal</span><br />
<span style="color: #003300;"> introduzir(-se) devagar e com cautela</span><br />
<span style="color: #003300;">Exs.: insinuou-lhe um sonífero no chá;  insinuava-se entre as árvores para vê-la banhar-se</span></p>
<p><span style="color: #003300;">transitivo direto, bitransitivo e pronominal</span><br />
<span style="color: #003300;">fazer penetrar ou penetrar de forma gradual e sutil (no espírito, na mente)</span><br />
<span style="color: #003300;">Exs.: i. uma doutrina satânica (na mente das crianças); a dúvida começava a i.-se em sua mente</span></p>
<p><span style="color: #003300;">transitivo direto</span><br />
<span style="color: #003300;">deixar que se perceba sem expressar claramente; dar a entender, sugerir Ex.: i. uma acusação</span></p></blockquote>
<p>(ui! Tio Antônio só pensa *na-qui-lo*! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
<p>E</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><strong>Ensinar</strong></span></p>
<p><span style="color: #003300;">verbo</span><br />
<span style="color: #003300;"> transitivo direto e bitransitivo</span><br />
<span style="color: #003300;">repassar ensinamentos sobre (algo) a; doutrinar, lecionar</span><br />
<span style="color: #003300;">Ex.: e. português (a estrangeiros) </span></p>
<p><span style="color: #003300;">transitivo direto e bitransitivo</span><br />
<span style="color: #003300;">Derivação: por extensão de sentido.</span><br />
<span style="color: #003300;">transmitir (experiência prática) a; instruir (alguém) sobre</span><br />
<span style="color: #003300;">Ex.: o trapezista deve e. sua arte (ao filho) </span></p>
<p><span style="color: #003300;">bitransitivo</span><br />
<span style="color: #003300;">mostrar com precisão; indicar</span><br />
<span style="color: #003300;">Ex.: ensinou-lhes o rumo a tomar </span></p>
<p><span style="color: #003300;">transitivo direto</span><br />
<span style="color: #003300;">reinar (animal); adestrar</span><br />
<span style="color: #003300;">Ex.: e. um cão</span></p>
<p><span style="color: #003300;">intransitivo</span><br />
<span style="color: #003300;">dar aulas</span><br />
<span style="color: #003300;">Ex.: nasceu para e.</span></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p>2- Palavras <strong>proparoxítonas,</strong> ou seja, que têm como tônica a terceira sílaba contando de trás pra frente (também conhecida como antepenúltima), são todas acentuadas, sem exceção. Como a palavra <span style="color: #000080;"><strong>lésbicas</strong></span>. Que não foi acentuada pelo sujeito que cometeu esse texto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3- Vamos aproveitar o chorume daí de cima para algo útil? então, vamos apresentar aqui as regras para hífen definidas no Novo Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. O segredo a guardar é: letra igual e agá. Só nesses casos a palavra leva hífen. Mais detalhes <a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3254" target="_blank">neste post aqui</a>.</p>
<p>No caso da palavra composta pelo prefixo bi (dois) + sexual (referente a sexo; praticante de sexo) , o prefixo termina com uma letra diferente da que inicia a palavra à qual ele vai se ligar. Portanto, não há hífen, o prefixo se liga automaticamente à palavra formando um novo vocábulo. Mas note: todos os ajustes necessários, como dobrar érres e ésses quando necessário (CASO DE BISSEXUAL) devem ser aplicados ao novo vocábulo. Ou isso ou você deve ler <em>bisexual</em> como <em><span style="color: #ff0000;">bizequissual</span>). </em>enfim, não.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4- A palavra <strong><span style="color: #000080;">política</span></strong>, proparoxítona, é obrigatoriamente acentuada; <strong><span style="color: #000080;">família</span></strong>, paroxítona terminada em ditongo decrescente (duas vogais: a primeira muito bem falada, a outra quase sumida na pronúncia) também é acentuada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5- <strong><span style="color: #000080;">afim</span> </strong>escrito assim, junto, significa <span style="color: #000080;">semelhante, parente</span>, ou qualquer coisa que tenha <span style="color: #000080;">afinidade</span> (lembra do Big Brother que você nunca mais esquece!);<span style="color: #000080;"><strong> a fim</strong></span>, escrito separado, significa &#8220;<span style="color: #000080;">com o objetivo de</span>&#8220;, &#8220;<span style="color: #000080;">com a finalidade de</span>&#8221; ou simplesmente &#8220;<span style="color: #000080;">para</span>&#8220;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6- O trecho<span style="color: #ff0000;"> (&#8230;) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate, não deixe de participar, traga sua opinião</span> se escrito fosse por alguém com um mínimo de intimidade com os sinais de pontuação, ficaria assim:</p>
<p>(&#8230;) o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate<strong><span style="color: #000080;"> -PONTO</span></strong>. Não deixe de participar<strong><span style="color: #000080;">-PONTO DE EXCLAMAÇÃO!</span></strong> Traga sua opinião <strong><span style="color: #000080;">-PONTO DE EXCLAMAÇÃO!</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>7- ele não deveria ter nascido. &lt;&#8211; questão desclassificada, posto que eu prometi me ater apenas às questões ortográficas dessa excrescência em forma de texto.</p>
<p>Conclusão:</p>
<h1 style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;"><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/foto-7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3936" alt="foto (7)" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/04/foto-7.jpg" width="720" height="960" /></a></span></h1>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O advento do último dia de abril</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 18:16:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinaram a lógica]]></category>
		<category><![CDATA[Conjunto da obra]]></category>
		<category><![CDATA[Jura que é isso o que você quis dizer?]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos encostos, Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês. &#160; Façam assim: 1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém. 2- Agora reparem o &#8220;nó&#8221; de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois &#8220;nós&#8221; de osso [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos encostos,</p>
<p>Vou ensinar um feitiço pra ninguém nunca mais errar a quantidade de dias de cada mês.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Façam assim:</p>
<p>1- Fechem a mão direita como se fossem dar um soco em alguém.</p>
<p>2- Agora reparem o &#8220;nó&#8221; de osso que liga os dedos à mão. e repare que entre dois &#8220;nós&#8221; de osso tem um &#8220;vale&#8221;.</p>
<p>3- Comece a contar janeiro a partir do nó do dedo fura-bolo, e fevereiro será contado no &#8220;vale&#8221; à direita.</p>
<p>4- O &#8220;nó&#8221; do mindinho é o mês de julho.</p>
<p>5- <em>E agora, Madrasta, cabô a mão, o que eu faço?</em> &#8211; volte pro nó do fura-bolo e conte de agosto até dezembro.</p>
<p>6- Todos os meses contados nos nós dos dedos têm 31 dias. Os meses dos vales têm menos de 31 dias (30 ou, no caso de fevereiro, 28 ou 29).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, vamos todos fazer esse feitiço juntos pra exorcizarmos o 31 de abril do Correio Braziliense!</p>
<p>(Mas antes eu agradeço ao Constâncio Viana Coutinho, que compartilhou a teteia (sem acento) no Facebook)</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/03/abrilCB.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3824" alt="abrilCB" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/03/abrilCB.jpg" width="658" height="901" /></a></p>
<p>Vambora, conta com a ajuda de todos! /o\</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Querido Fantástico&#8230;.</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Feb 2013 11:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Assaltaram a gramática]]></category>
		<category><![CDATA[Assassinaram a lógica]]></category>
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		<category><![CDATA[Hortografia pobremática]]></category>
		<category><![CDATA[Jura que é isso o que você quis dizer?]]></category>
		<category><![CDATA[___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa]]></category>

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		<description><![CDATA[Você está fazendo isso MUITO errado&#8230; (Via Maristela Alves, no Facebook)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Você está fazendo isso MUITO errado&#8230;</p>
<p>(Via Maristela Alves, no Facebook)</p>
<p><a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/02/fantastico.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3819" alt="fantastico" src="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/02/fantastico.jpg" width="939" height="835" /></a></p>
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		<title>Língua de índio &#8211; e você reclamando da crase! O_o</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jan 2013 00:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>

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		<description><![CDATA[Espero que antes de chegar aqui você tenha entendido, de uma vez por todas, que usar a construção &#8220;mim fazer&#8221; é gramaticalmente correto. Mim é sujeito do infinitivo, quer o seu professor ignorante de português queira ou não. e todas as outras línguas do mundo estruturadas no esquema sujeito-verbo-objeto aceitam apenas &#8211; e tão somente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Espero que antes de chegar aqui você tenha entendido, de uma vez por todas, que <a href="http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=3801" target="_blank">usar a construção &#8220;mim fazer&#8221; é gramaticalmente correto</a>. Mim é sujeito do infinitivo, quer o seu professor ignorante de português queira ou não. e todas as outras línguas do mundo estruturadas no esquema sujeito-verbo-objeto aceitam apenas &#8211; e tão somente &#8211; o pronome objeto como sujeito do infinitivo.</p>
<p>Daí a ameba estufa o peito pra dizer que índio não sabe falar direito, é um ser muito primitivo.</p>
<p>Aham, sei.</p>
<p>Quer ver como as línguas indígenas brasileiras são primitivas (só que não)? Então, passo a palavra ao professor Aryon Dall&#8217;igna Rodrigues (jogue no Google e mooooooooorra de vergonha da sua insignificante existência!), no livro &#8220;Línguas Brasileiras &#8211; para o conhecimento das línguas indígenas&#8221;, das Edições Loyola (1994). O trechinho a seguir pode ser encontrado nas páginas 25 e 26. (e você deverá resistir à piadinha fácil com os dois últimos exemplos! É UMA ORDEM!)</p>
<blockquote><p><span style="color: #000080;">Outro exemplo de diferentes organizações gramaticais pode ser observado nos demonstrativos. O Português tem um sistema relativamente complexo (mais complexo, por exemplo, que o do francês, o do inglês ou o do alemão), no qual a escolha do demonstrativo pelo falante é condicionada pela relação de proximidade entre o objeto assinalado e os interlocutores (este, perto do falante; esse, perto do ouvinte; aquele, afastado de ambos); pela especificidade do objeto designado (especificado: quero este mamão ou quero este; não-especificado: quero isto); pela classe gramatical (Gêneros masculino e feminino), do nome do objeto (este mamão; esta maçã); e pelo número (singular ou plural) do mesmo nome (este mamão, estas maçãs).</span></p>
<p><span style="color: #000080;">No Kadiwéu também há, como no Português, dois gêneros e dois números, que determinam a escolha dos demonstrativos, mas não é levada em conta a especificidade do objeto. Fatores adicionais de condicionamento da escolha são, entretanto, a dinamicidade do objeto, distinguindo-se entre objetos em movimento e objetos estáticos; no caso de objetos em movimento, distingue-se a orientação do movimento em relação ao falante: objetos que se aproximam e objetos que se afastam; no caso de objetos estáticos, distingue-se a posição destes: objetos longos em posição vertical ou objetos suspensos, objetos curtos não suspensos e objetos longos em posição horizontal. Exs:</span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em><strong>nGida Goneleegiwa,</strong></em><strong> &#8221;</strong>este homem&#8221; (masculino, singular, parado, em pé);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGini Goneleegiwa</strong></em><strong> </strong>&#8220;este homem&#8221; (masculino, singular, parado, sentado);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGidi Goneleegiwa</strong></em> &#8220;este homem&#8221; (masculino, singular, parado, deitado);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <strong><em>nGada iwaalo</em></strong> &#8220;esta mulher&#8221; (feminino, singular, parada, em pé);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGadi iwaalo</strong></em> &#8220;esta mulher&#8221; (feminino, singular, parada, deitada);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGidiwa Goneleegiwadi</strong></em><strong> </strong> &#8220;estes homens&#8221; (plural, parado &#8211; no plural não se distingue o gênero nem a posição);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGidjo Goneleegiwa</strong></em> &#8220;este homem&#8221; (masculino, singular, afastando-se);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGina Goneleegiwa</strong></em><strong> </strong>&#8220;este homem&#8221; (masculino, singular, aproximando-se);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGana iwaalo</strong> </em> &#8220;esta mulher&#8221; (feminino, singular, aproximando-se);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGinowa iwaalepodi</strong> </em> &#8220;estas mulheres&#8221; (plural, aproximando-se).</span></p>
<p><span style="color: #000080;"> </span></p>
<p><span style="color: #000080;">E há ainda um sexto valor que se manifesta nos demonstrativos dessa língua, o diminutivo:</span></p>
<p><span style="color: #000080;"><em><strong>nGidi iwooGo</strong> </em>&#8220;este pau&#8221; (masculino, singular, parado, horizontal);</span><br />
<span style="color: #000080;"> <em><strong>nGidida iwooGo</strong> </em>&#8220;este pauzinho&#8221; (masculino, singular, parado, horizontal, diminutivo.</span></p></blockquote>
<p>(RESISTA! EU TÔ MANDANDO!!!)</p>
<p>E você reclamando que não entende crase&#8230;.</p>
<p>A partir de agora, em vez de dizer <span style="color: #ff0000;"><em>mim  não faz porque mim não é índio</em></span>, complete a frase com <em><span style="color: #ff0000;">mim é ameba preconceituosa!</span></em></p>
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		<title>Mim não faz isso, mas isso pode ser para mim fazer. Calma que eu explico!</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2013 19:35:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madrasta do Texto Ruim</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aprenda, estúpido!]]></category>

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		<description><![CDATA[Feliz ano novo, amebas! Tô aqui devendo um post há mais de mês, né? Mas não fiquem tristes, a bruxa voltou! ♥♥♥ E eu volto com propensão a barraco! Vou criar polhêmica (porque eu não sei atacar de DJ). (E um beijo pro professor Dioney Moreira Gomes, que me deu esta aula! \o/ ) &#160; E [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Feliz ano novo, amebas! Tô aqui devendo um post há mais de mês, né? Mas não fiquem tristes, a bruxa voltou! ♥♥♥</p>
<p>E eu volto com propensão a barraco! Vou <span style="color: #ff0000;"><em>criar polhêmica</em></span> <del>(porque eu não sei atacar de DJ)</del>.</p>
<p>(E um beijo pro professor Dioney Moreira Gomes, que me deu esta aula! \o/ )</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E aí? Você é mais um daqueles que sai <span style="color: #ff0000;"><i>acorrejeiando</i> </span>os outros por aí dizendo que <span style="color: #ff0000;"><i>mim não faz porque mim não é índio</i></span>?</p>
<p>Então este post será um duplo puxão na sua orelha!</p>
<p>Vamos começar nomeando os bois, digo, os pronomes.</p>
<p>Há dois tipos de pronomes pessoais: os retos e os oblíquos. Vamos escalar os times:</p>
<blockquote><p>Pronomes retos:<span style="color: #003300;"> <b>eu, tu, ele (ela), nós, vós, eles (elas)</b></span></p>
<p>Pronomes oblíquos: <span style="color: #003300;"><b>me, mim, comigo, te, ti, contigo, o, a, lhe, se, si, consigo, nos, conosco, vos, convosco, os, as, lhes, se, si, consigo.</b></span></p></blockquote>
<p>Agora desarregale esse olhos assustados e abestados, e acompanhe o que eu vou te contar.</p>
<p>- Os pronomes retos acabam por ter uma função bem característica de sujeito da frase: eles mandam no predicado, no verbo, no objeto e se bobear estão aí te mandando sentar direito na cadeira pra não ficar com dor nas costas!</p>
<p>- Os pronomes oblíquos são relegados à função de (e por isso são também conhecidos como) pronomes objetos. Não se metem com o sujeito.</p>
<p>Isto posto, todos concordamos que, segundo as normas do português culto, devemos dizer:</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><b>Eu faço isso</b></span> (eu = sujeito da frase, pronome pessoal reto, tá mandando nas outras duas palavras da frase que, reprimidas, obedecem caladas)</p>
<p><span style="color: #003300;"><b>Este presente não se destina a mim </b></span>(Este presente = sujeito da frase; não se destina a mim = predicado; a mim = objeto indireto, já que temos uma <em>preposição </em>antes do pronome. Portanto, conclui-se que o <em>mim </em>não só deve ser usado como objeto, mas é altamente recomendável que esse objeto seja do tipo indireto, e tenha uma bela de uma preposição para recebê-lo!)</p></blockquote>
<p>Aí você está dizendo agora: <span style="color: #ff0000;"><em>Mas então, Madrasta! Pelo que você está dizendo, “mim não faz” nada!</em></span> Pois receba um pescotapa e assossegue o facho que eu ainda não acabei de explicar, ô coisa!</p>
<p>Vamos pensar agora nesta frase:</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><strong>Este trabalho não é para mim</strong></span></p></blockquote>
<p>Está correta? Mas é claro que está! O sujeito da frase é <span style="color: #003300;"><b>este trabalho</b></span>. Portanto,<span style="color: #003300;"> <b>para mim</b></span> é o objeto indireto da frase.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora começa a bruxaria: e se eu enfiar um verbo no final desta frase? Como fica?</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><strong>Este trabalho não é para ____ fazer</strong></span></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Antes que você responda <span style="color: #ff0000;"><em>é pra EU fazer, bruxa besta! Mim não faz nada, mim não é índio!</em></span> e eu te enfie outro pescotapa, vamos consultar as outras línguas. Vamos traduzir a frase para:</p>
<blockquote><p><strong>Inglês: <span style="color: #003300;"><em>This work is not for ME to do</em></span></strong></p>
<p><span style="color: #003300;"><strong>Francês: <em>ce n’est pas à MOI de faire ce travail</em></strong></span></p>
<p><strong>Espanhol: <span style="color: #003300;"><em>Este trabajo no es para MÍ hacer</em></span></strong></p></blockquote>
<p><strong>TODOS</strong> os pronomes acima são objetos. <strong>NENHUM</strong> é pronome reto! Repare que, pelo seu raciocínio, os índios franceses, ingleses e espanhóis fazem coisa <span style="color: #ff0000;"><i>bagarai</i></span>,  né? E agora, onde está sua certeza?</p>
<p>Calma que eu não vim aqui para confundir, mas para esclarecer!</p>
<p>O que você ouviu do seu professor na escola foi que <span style="color: #ff0000;"><em>mim não faz, porque mim não é índio! Isso aqui é para EU fazer!</em></span> E pronto. Você não pediu maiores explicações, e seu professor não <span style="color: #003300;">lh’as</span> deu.</p>
<p>Ocorre que o português é uma das poucas línguas do mundo (se não me engano, outra seria o catalão) que admite<strong> TANTO O PRONOME RETO QUANDO O PRONOME OBJETO</strong> nesses casos.</p>
<p>Portanto, estão corretas tanto</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><b>Este trabalho não é para MIM fazer</b></span></p></blockquote>
<p>Como</p>
<blockquote><p><span style="color: #003300;"><b>Este trabalho não é para EU fazer</b></span></p></blockquote>
<p>Admite-se o uso do pronome objeto, uma vez que a oração <span style="color: #003300;"><b>para mim fazer</b></span> é uma <span style="color: #003300;"><em>oração subordinativa objetiva indireta</em></span>: ela é uma oração, com verbo e tudo, que age como objeto indireto da oração principal (<span style="color: #003300;"><b>este trabalho não é</b></span>) . Mas também admite-se o uso do pronome reto, posto que o verbo fazer pede um pronome de respeito, e não um objeto qualquer&#8230;</p>
<p>Claro que convencionou-se que a norma culta só admite a forma para eu fazer pelos motivos já explicados (e derrubados) acima (Mas essa mesma norma culta admite o uso da construção <em>o professor não<span style="color: #003300;"><strong> lh&#8217;as</strong></span> deu</em>, que eu usei agora há pouco, de propósito, e você deve ter torcido o nariz.). Portanto, se o <span style="color: #003300;"><b>mim fazer</b></span> ainda doer nos seus ouvidos,  use o <b><span style="color: #003300;">eu fazer</span>.</b></p>
<p>Eu, pessoalmente, devo confessar que, de tanto ouvir a correção e usá-la, as duas formas me incomodam, porque eu sempre achei que um pronominho objeto ficaria mais em casa lá ao lado do fazer. Na dúvida, altere a frase pra não usar nem uma forma nem outra.</p>
<p>É isso. Estrebuchem à vontade nos comentários!</p>
<p><em>Mas cadê o outro puxão de orelha, Madrasta?</em></p>
<p>Fico devendo pra depois. É sobre você tratar língua indígena com preconceito. Mas pra isso vou precisar de uma cópia do livro do professor Aryon, que não está comigo neste momento. Deixo pra amanhã!</p>
<p>(P.S.: se eu chamei de objeto indireto um predicativo, e você souber apontar esse erro, por favor me avise! <img src='http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' />  )</p>
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