Arquivo por abril, 2009

Palavras do dia: epidemia, epizootia e pandemia

quinta-feira, abril 30th, 2009

Esta será a única contribuição deste blog para a compreensão da gripe suína. Vamos aprender a diferenciar (/verbo utilizado corretamente) epidemia, epizootia e pandemia. Com a palavra, tio Antônio. (Divirtam-se com os sinônimos de epidemia):

Epidemia
Datação
1521-1558 cf. MirOp
Acepções
■ substantivo feminino
1    Rubrica: medicina.
     doença ger. infecciosa, de caráter transitório, que ataca simultaneamente grande número de indivíduos em uma determinada localidade
     Obs.: cf. endemia
2    Rubrica: medicina.
     surto periódico de uma doença infecciosa em dada população e/ou região
Ex.: e. de caxumba
3    Derivação: por extensão de sentido.
     aumento do número de casos de qualquer doença ou de qualquer fenômeno anormal
Ex.: <e. de intoxicações> <e. de suicídios>
4    Derivação: por extensão de sentido, sentido figurado.
     adoção, por parte de muitos, de costume ou coisa incômoda ou censurável
Ex.: é preciso acabar com essa e. de estrangeirismos em nossa língua
[palavras de tio Antônio, mas eu também assino embaixo!]
5    Derivação: por extensão de sentido, sentido figurado.
     generalização rápida e ampla de algo (uso, costume, método etc.), por estar na moda
timologia
gr. epidémía,as ‘estadia, permanência em um país ou região, propagação de uma doença contagiosa em uma região’, do v. gr. epidéméó ‘residir em seu país, vir a uma cidade para ali residir; grassar epidemia’, do gr. epí ‘sobre, em cima de’ e gr. dêmos ‘região, povo, país’; ver ep(i)- e -demia; f.hist. 1521-1558 epidimia, a1566 epedemja
Sinônimos
andaço, flagelo, irrupção, mal, pandemia, peste, surto

Epizootia
Datação
1844 cf. MS5
Acepções
■ substantivo feminino
Rubrica: veterinária.
doença que apenas ocasionalmente se encontra em uma comunidade animal, mas que se dissemina com grande rapidez e apresenta grande número de casos

Pandemia
Datação
1873 cf. DV
Acepções
■ substantivo feminino
Rubrica: medicina.
enfermidade epidêmica amplamente disseminada
Etimologia
gr. pandémía,as ‘o povo inteiro’; ver pan- e -demia

 

Fusão e confusão

quinta-feira, abril 30th, 2009

Ebaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! E-mail de ectoplasma suíno!!!!

O que tem de banco brasileiro comprando outro banco brasileiro não tá no gibi.  O problema dessas aquisições é a posterior confusão com a fusão. Como no caso deste informativo recebido pelo querido ectoplasma suíno. Houve a nomeação de um novo diretor, e o representante de sei-lá-o-quê reuniu-se com o moço. A seguir, passou para os funcionários fundidos (reparem o êne no verbo, faz favor!) suas impressões sobre a pessoa diretorial. Observem o encosto gerundol tão presente na redação da ameba escrevente, bem como a tendência fashion da pontuação do texto…

Prosseguindo [Nossassenhoradalocuçãoverbal! Frase começando em gerúndio! Inda vou desenvolver um anti-ácido estomacal para esses momentos....] em nosso trabalho de representação estivemos reunindo no dia tal [aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiii!!!! A reunião durou o dia inteiro, é?] com o novo Diretor Tal, Fulano de Tal.
Pudemos identificar que o respeito às pessoas, [Viu? Mais um caso fashion de vírgula estética! (Tese explicada neste post aqui)]  será um dos pontos fortes de sua gestão no comando da linha de frente [No comando da linha de frente? Como assim? Algum diretor comanda a retaguarda? É necessidade de afirmação da autoridade diretorial ou falta de estilo, mesmo? ] da Diretoria (…)
[não sei quanto ao senhor diretor, mas o respeito às boas normas de pontuação por parte do autor desse texto deixa muuuuito a desejar!]

‘Bora consertar o estrago…

No dia tal, nos reunimos com o novo diretor Tal, Sr. Fulano de Tal.
Percebemos que o respeito às pessoas será um um dos pontos fortes de sua gestão no comando da Diretoria (…)

 

Vírus da gripe suína também contribui com o Objetivando Disponibilizar

quinta-feira, abril 30th, 2009

Se você pensar direitinho, os contribuintes deste blog não correm mais o risco de serem infectados pela gripe suína, posto que não há relatos de infecção do temido vírus em ectoplasmas, apenas em corpos vivos.

Mas o lado ectoplasma da gripe suína resolveu contribuir e aparecer aqui no caldeirão do Objetivando Disponibilizar.

Eu e o marido recebemos um daqueles e-mails que avisam “repassando” e pedem “encaminhem para o maior número possível de pessoas” (/spam manual). Tem uma apresentação de Power Point muito bonitinha, organizada e didática sobre a gripe suína, supostamente montado por uma divisão da Petrobras. Não vou subir o arquivo aqui por dois motivos: 1- não sei se a totalidade de conteúdo desse arquivo é confirmada; 2- Em casos de epidemia séria, como este de agora, creio que seja obrigação exclusiva da autoridade sanitária nacional (no caso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa), informar adequada e corretamente à população. No mais, este blog é de esculacho, não é o local mais adequado para se obter informações confiáveis sobre a gripe suína. Ou seja: esquece! Informação aqui, só de ectoplasma suíno!

Mas eu falava do arquivo anexo recebido por e-mail. Ele é lindo, muito bem organizado, lista os países com casos confirmados da gripe suína, enumera os sintomas, diz como fazer para evitar contrair a doença e, lá no último slide, pede:

Agora que você já sabe o que é gripe suína, fassa a sua parte: previna-se! 

AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!

O vírus da gripe não afeta os ectoplasmas suínos, mas esse faça escrito errado afeta, e com um soco no estômago!!! Esse verbo está pedindo o quê? Que você aja errado para evitar contrair a doença?

Isto é um caso para as autoridades ortográficas…

As premícias da bruxaria

quarta-feira, abril 29th, 2009

Definitivamente, eu colei meleca na cruz. Mas dizem eles que fui eu que pedi. “Você recebeu esta mensagem porque está inscrito em Nossa Casa”, afirmou a tenebrosa e-missiva que adentrou minha caixa eletrônica.

Eu sou uma bruxa malvada e venenosa. E a colhéééga que me enviou o e-mail vai ter que tomar muitos passes para deixar de ser ameba escrevente. Ela tá carregada de encosto, coitada! O texto dela, que trabalha no limite entre a redação e a assombração, tá mais para exercício de “pontue adequadamente a frase abaixo”. E uma das aulas do curso que a colhéga vai ministrar é de… premícias de bruxaria?!?!?! AAAAAAAAAAAAAHHHHH!!! FUJAM PARA AS MONTANHAAAASSSSS!!! Agora vejam o que eu pedi pra receber:

BRUXARIA NATURAL – O despertar da Magia
 
- ministrante: Fulana e Convidados –

Desde os primórdios o ser humano sempre [ai, colhéga, é desde os primórdios ou sempre? Decida-se!] utilizou os seus 5 sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição) para que pudesse viver em harmonia com a natureza e seus semelhantes e o 6o. Sentido (intuição ou paranormalidade) para poder entrar em contato com a natureza invisível do planeta. O 6º. Sentido sempre fez parte de cada um de nós independente de nossa vontade, porem em muitos casos adormecidos por uma existência inteira, justamente por desconhecer todo o seu potencial.
A palavra Bruxa, diferente do que dizem, vem do grego antigo que significa desabrochar. Da mesma maneira que aprendemos Filosofia, Historia para entendermos aspectos da humanidade estudamos a Bruxaria que é a ciência da transformação, ou seja, para sairmos de nossa rotina do dia-a-dia
[pleonasmooooooo!!! Rotina do dia-a-dia é aquele troço que sobe pra cima, desce pra baixo etc, etc, etc] precisamos enxergar a vida através dos olhos da alma para podermos desabrochar em uma vida repleta de oportunidades para amar, prosperar, harmonizar-se com a natureza e viver em equilíbrio com tudo o que nos rodeia [aqui você chegou já arfando, sem saber onde nem como respirar, né? É a tática da bruxa: baixa oxigenação no sangue te induz a alucinações. E você fica mais susceptível às bruxarias. Só pode ser isso...].
Durante a nossa vida procuramos em diversas partes do mundo
[a colhéga é viajada, como vocês podem perceber. Minha vassoura não tem tanta autonomia de voo assim, não... no máximo, um Rio-São Paulo de vez em quando...] respostas sobre, [tenho uma teoria sobre essa vírgula aqui. Lá embaixo explico] quem somos e porque estamos aqui, quando na verdade já temos todas elas respondidas dentro de cada um nós. É só saber encontrar o caminho…

(…)

CONTEÚDO DO CURSO:
 
Apresentação da Bruxaria Natural:
 
Origem da Bruxaria e sua história durante os anos;
Premícias da Bruxaria
[aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!]; (…)
Viagem astral e noção de fisica quantica [é, a colhéga viaja e te dá aulas de física quântica...]; (…)
INVESTIMENTO
Matricula : R$56,00
15 parcelas de R$ 83,00
[Total: R$ 1.301,00, se é isso que você tá se perguntando...]
 

A colhéga em questão apela às forças da Natureza para poder viver. Tudo bem, se é assim que ela gosta de viver, a constituição brasileira lhe garante tal direito. Mas quem disse que para isso ela pode sugar o todo das minhas forças ortográficas?!?!?!?!?!?!?! Pra começo de conversa: o negócio da bruxaria vem desde os primórdios ou desde sempre? E colhéga, nos intervalos dos cursos de bruxaria infantil você não aprendia a escrever, não? Tia Maricota nunca te ensinou o poder da vírgula, ou a radiestesia do ponto final?

Pelo visto, não. Então, a colhéga se vale do novo conceito em pontuação de frases (/ironia). Esse novo conceito emprega unica e exclusivamente valores estéticos com a finalidade de pontuar frases. É uma forte corrente do design pós-rococó-empolêixon-moderno. A ameba escrevente olha pra frase escrita na tela do computador e pensa: hummm… onde é que a vírgula vai ficar bonitinha, hein? Daí, ela vai e tasca a benedita bem lá no meião da frase. E que se dane se ali a vírgula a-ca-bou com o sentido da frase. Ficou visualmente bonito, e isso basta!

Mas premícias não dá! Premícias não podeeeeeeeeeeeeeee!!! Colhéga, noção mínima de filosofia: os filósofos costumam partir de PREMISSAS. Vou repetir: PRE-MIS-SAS. E isso não é o momento anterior à missa, não, viu?

Ai, deixa eu dar uns passes aqui no texto da colhéga

BRUXARIA NATURAL – O despertar da Magia
 
- ministrante: Fulana e Convidados –

Desde o início dos tempos o ser humano vem utilizando [gerúndio, aqui, pode!] os  5 sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição) para viver em harmonia com a natureza e seus semelhantes -vírgula-, e o 6o. Sentido (intuição ou paranormalidade) para poder entrar em contato com a natureza invisível do planeta. O 6º. Sentido sempre fez parte de cada um de nós-vírgula-, independente de nossa vontade-vírgula, mas em muitos casos ele vive adormecido por uma existência inteira, justamente por desconhecermos todo o seu potencial.
A palavra Bruxa, ao contrário do que se diz, vem do grego antigo que significa desabrochar. Da mesma maneira que aprendemos Filosofia ou História para entendermos aspectos da humanidade-
vírgula-, estudamos a Bruxaria que é a ciência (sic) da transformação-ponto. Ou seja, para sairmos de nossa rotina do dia-a-dia precisamos enxergar a vida através dos olhos da alma-ponto. Assim, conseguiremos desabrochar em uma vida repleta de oportunidades para amar, prosperar, harmonizar-se com a natureza e viver em equilíbrio com tudo o que nos rodeia
.
Durante a nossa vida procuramos em diversas partes do mundo respostas sobre
-corta a vírgula!-  quem somos e por que [esse por que é separado...] estamos aqui, quando na verdade já temos todas elas respondidas dentro de cada um nós. É só saber encontrar
o caminho…

(…)

CONTEÚDO DO CURSO:
 
Apresentação da Bruxaria Natural:
 
Origem da Bruxaria e sua história durante os anos;
Premissas da Bruxaria
; (…)
Viagem astral e noção de física quântica (…)

 Ufa…

Palavra do dia: admoestar

quarta-feira, abril 29th, 2009

Esta palavra do dia vai com dedicatória especial (/rádio brega) ao Bal Oliveira, que não leu o texto do Jorge Portugal postado ontem porque parou no “admoestou”. E Bal, não se envergonhe: se a gente não usa no dia-a-dia, não sabe pra que serve a palavra. E, como admoestar não é exatamente o tipo de coisa que você sai falando por aí pra Deus e o mundo, ‘bora perguntar pra tio Antônio o que significa:

admoestar
Datação
sXIV cf. IVPM

Acepções
■ verbo
transitivo direto
1    avisar (alguém) da incorreção de seu modo de agir, pensar etc.; censurar, repreender
Ex.: admoestou o infrator, ameaçando denunciá-lo
bitransitivo
2    advertir (alguém) de maneira branda (sobre alguma coisa); aconselhar
Ex.: admoestou o filho a obedecer as ordens da professora
bitransitivo
3    Estatística: pouco usado.
     estimular (alguém) a (agir ou pensar de maneira apropriada); exortar, incitar
Ex.: admoestou o jovem a seguir o exemplo dos grandes heróis

Etimologia
lat.vulg. *admonestáre ‘advertir’; var. erud. admonestar; ver admoest-; f.hist. sXIV amoestar, sXV amoestrar, sXV moestar
Sinônimos
admonestar; ver tb. sinonímia de repreender
Antônimos
ver antonímia de aviltar

O Ig e dona crase

quarta-feira, abril 29th, 2009
Duas crases: a primeira está errada; a segunda está certa

Duas crases: a primeira está errada; a segunda está certa

Como vocês podem perceber aí em cima, o Ig não se entende com relação à crase. E o mais impressionante é que os erros de português da página inicial desse portal aparecem sem-pre no mesmo cantinho – o das celebridades.

Eu não aguento mais enviar cartas ao ombudsman do Ig. A ameba escrevente do portal tem que tomar uns passes, urgente, porque o texto de lá sai muito carregado!

Alguém pelamordedeus avise ao Ig que

NÃO EXISTE CRASE ANTES DE PALAVRA MASCULINA, CÁSPITA!

Mas eles erraram na primeira e acertaram na segunda….

Vai entender…

"Você está demitido!"

quarta-feira, abril 29th, 2009

Estava eu a navegar agora há pouco, quando deparei-me com a seguinte manchete no UOL:

Em prova de caridade, Rutênio é demitido por erros de português

Abespinhada por recém-descobrir que rutênio não só é o nome de um elemento químico, mas também de uma pessoa do sexo masculino, cliquei no link. Era uma reportagem sobre a última edição daquele programa com o Roberto Justus, “O Aprendiz”. Limito-me a reproduzir o texto do link em questão, que narra os acontecimentos do episódio tal qual uma novelinha:

(…) Rutênio diz que achava que iriam perder no primeiro dia e até escreveu uma carta à líder sobre a comunicação e organização do time. Justus pede para ver a carta e passa a comentar os erros grosseiros de ortografia, como escultar em vez de escutar. “Você está mesmo na faculdade?”, pergunta a Rutênio. (…)

Justus demite Rutênio por erros ao longo de várias tarefas e também pelos erros de português, que o apresentador não admite ter de funcionários dele: “Escultar é imperdoável”, diz.

Alguém teria o material completo da pérola ruteniana? não é possível que escultar seja o único defeito desse texto… Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhh, eu queeeeeeeeeeeeeeeeroooooooooooooo!!!!!

Penetração a 80,56%

quarta-feira, abril 29th, 2009

Não, não é pornografia (eu acho). É coisa de press-release.

Detalhe: eu tava indo dormir! Prá quê que eu fui conferir os e-mails antes de desligar o computador? Agora, se eu não postar isso aqui, não consigo dormir…

Mas é que o texto tá carregado de encosto. Inclusive o ectoplasma mesmítico. Vamos ver do que se trata…

PENETRAÇÃO DE CELULARES CHEGA A 80,56% NO BRASIL  [ou seja: no Brasil, os celulares são pouco mais de meia-bomba. Se você quiser uma penetração a 100%, não tente um celular. Seja uma pessoa convencional! Procure itens originalmente fabricados com tal propósito!]
Apesar do número crescente, o país ainda não é um dos primeiros da América Latina [De novo: o Brasil tá tomando remédio contra impotência, mas outros países da região têm desempenho melhor. Será que isso não é mesmo pornografia? Tô começando a duvidar...]

O Brasil ultrapassou a marca de oito celulares para cada grupo de 10 pessoas, segundo os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), divulgados na última semana. Apesar do crescimento apontado no relatório com os números do primeiro trimestre de 2009, ainda são pequenos se comparados aos padrões latino-americanos. Segundo a 3G Américas, a Argentina o Uruguai e a Venezuela ultrapassaram os 100% em marco de 2009. [Sabia que isso era coisa de argentino invejoso!]

(…)  

[aimeudeus... o dia de hoje me ensinou a sofrer por antecipação ao ver um sinal de aspas...] “Com isso o foco das operadoras [eu sabia que eu tinha que sofrer por antecipação!!! Meu filho, quem tem foco é lente. Len-te!] provavelmente deve mudar da obtenção de novos clientes para a fidelização dos mesmos[aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!! Olha a assombração do ectoplasma mesmíticoooooo!!! Fujam para as montanhaaaaaaaaaaaasssssssssssss!!!], com serviços de qualidades [aimeudeus... meu fio, o ésse do seu teclado tá com defeito, é? Os serviços são de qualidade. de-qua-li-da-de!]

Confira a penetração de serviços móveis dos principais países da América Latina: [muito obrigada, mas eu vou declinar do convite. Estou com dor de cabeça. Quero dormir.]

 

[suspiro] As palavras escolhidas a dedo para “desenharem” o texto acima são de uma infelicidade trocadilhesca. Se você vai falar de um assunto sério, como a relevância econômica de tal produto/serviço, você tem que ser sóbrio, ou ao menos saber quando e como brincar com seus leitores – coisa que, invariavelmente, o seu editor idiota vai cortar.

Eu sempre disse que essa história de “penetrar no mercado para alavancar o negócio” nada mais era do que uma subversão à ordem obrigatória dos fatores que produzem o sexo. Numa relação sexual que se preze, de qualquer espécie e entre qualquer espécie, primeiro tem-se que alavancar o negócio, porque sem o negócio alavancado não dá pra penetrar em lugar nenhum. Por conta disso, sempre fui radicalmente contra o emprego do verbo penetrar em qualquer outro sentido que não tivesse a ver com copulação.

‘Bora melhorar a toba:

RELAÇÃO CELULAR/HABITANTE CHEGA A 80,56% NO BRASIL  
Ainda assim, país não é um dos primeiros da América Latina

 O Brasil ultrapassou a marca de oito celulares para cada grupo de 10 pessoas. Os dados  do primeiro trimestre de 2009 foram divulgados na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Apesar do crescimento apontado no relatório, essa relação ainda é pequena se comparada aos números de outros países da América Latina. Segundo a 3G Américas, Argentina Uruguai e Venezuela já ultrapassaram a marca dos 100% em março de 2009. Confira a relação celular/habitante dos principais países da América Latina.

Além do número crescente de celulares por habitante (…)

“Com isso, a atenção/o objetivo das operadoras provavelmente deve mudar da obtenção de novos clientes para a fidelização da base já instalada, com serviços de qualidade e ofertas cada vez mais atrativas”, completa.

 E chega. Vou dormir.

Até tu, WordPress?!?!?!

terça-feira, abril 28th, 2009

Aiomeucaldeirão…

Às voltas com as administranças deste blog, descobri que teria que enviar um e-mail para mim mesma, na condição de minha pessoa, para me convidar a participar do blog como autora. “Idiossincrasias sistêmicas, senhora!”, explicariam as amebas escreventes. OK, eu faço isso. Qual a próxima etapa?

O sempre solicito WordPress sugeriu-me um texto-convite:

Eu estive usando WordPress.com e pensei que você possa
gostar de experimentá-lo
.

Tá bom, isso tá com cheiro de tradutor automático, mas acho que uma ameba escrevente fez isso de propósito para me irritar…

Saudades dos ectoplasmas suínos

terça-feira, abril 28th, 2009
Ectoplasmas suínos em busca dos textos das amebas escreventes

Ectoplasmas suínos em busca dos textos das amebas escreventes

Hoje eles não me mandaram nada…

Meninos, eu garanto que o suíno que me mandar texto de ameba escrevente não pega gripe! Eu faço um feitiço poderosérrimo aqui! :o

Como escrever bonito

terça-feira, abril 28th, 2009

Vejam o que é um texto bem escrito e embasado. Observem como se fazem correlações pertinentes. E, principalmente, babem sobre o meu mais novo ídolo, Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Este texto foi copiado/colado do Blog do Noblat que, por sua vez, digitou o benedito a partir da coluna de opinião da edição de hoje do jornal baiano A Tarde. Acho que, quando uma ameba escrevente resolve empolar seu texto, sonha que o dito fique igualzim a este daqui de baixo. Claro que ela não consegue, né? Tudo o que ela consegue é rococó empolêixon. O que não acontece com este texto daqui. 

O autor da maravilha abaixo é Jorge Portugal, baiano de Santo Amaro da Purificação, educador, poeta [Rá! Tá explicado!] e membro do Conselho Nacional de Política Cultural. Babemos, pois.

 

Supremo ministro Joaquim Barbosa
Naquele 22 de abril de 2009, nenhum nobre navegante português ousaria nos “descobrir”. Descobertos fomos pelos olhos e pela voz do primeiro negro que, com altivez e coragem, no topo da nau capitânia do judiciário, admoestou o pretenso comandante.

Naquele 22 de abril de 2009, não caberia um 7 de setembro em que o filho do rei, futuro imperador do país, daria gritos de independência às margens de um riacho qualquer; ali, ouvimos o brado da liberdade e da insubmissão da voz abafada do povo, silenciada por séculos pelos donos do poder, através de sucessivos crimes de lesa-cidadania: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não tem condições de dar lição de moral em ninguém!”

Naquele 22 de abril de 2009, nenhuma princesa “bondosa” assinaria uma vaga lei que nos concedia liberdade, mas nos cassava a condição de cidadãos, proibindo-nos o voto, a escola de qualidade e o trabalho digno; presenciamos, sim, a abolição proclamada em nossas almas, 121 anos depois, pela voz corajosa de um Luís Gama redivivo, encarnando todos os quilombos massacrados e abrindo os portões de todas as senzalas: “Vossa Excelência não está nas ruas; está na mídia destruindo a credibilidade de nossa justiça!”

Naquele 22 de abril de 2009, nenhum marechal, de pijama, ousaria proclamar república nenhuma; o pacto de poder que condenou a maioria de nossa gente a ser um povo de segunda classe viu-se desmascarado pela indignação patriótica de um João Cândido reeditado, que fez a chibata girar em movimento contrário, açoitando o lombo dos que se acostumaram a bater, por séculos a fio: “Respeite, ministro! Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso!”

Naquele dia, Ogum, Xangô e Oxóssi desceram os três num corpo só e reafirmaram a presença arquetípica da África dentro de nós. Todos os movimentos aparentemente derrotados dos nossos heróis anônimos puseram-se de pé, vitoriosos, mesmo que não tivessem vencido uma só batalha. A Revolta dos Búzios, a Revolução dos Malês, o Quilombo dos Palmares, todos, reencenaram seus teatros de operação e puderam, séculos depois, derrotar simbolicamente o inimigo.

Naquele dia, saíram às ruas todas as escolas de samba, de jongo, todos os blocos afros; bateram os candomblés e as giras de umbanda, a procissão da Boa Morte, o Bembé do Mercado de Santo Amaro; brilharam os pequenos olhos da criança negra recém-nascida ao descortinar a luz azul de um futuro melhor.

Naquele dia, materializando todos os nossos sonhos e desejos secularmente negados, Vossa Excelência deixou de ser apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal para tornar-se o supremo ministro de todos os brasileiros.

Obs.: se algum texto de igual naipe defender Gilmar Dantas (ou seria Mendes?), esta bruxa malvada e venenosa que vos fala publica ele todinho em azul, assim como foi feito aqui.

Se algum outro texto de naipe inferior resolver defender Gilmar etc, etc, etc, eu também publico aqui. Em vermelho e azul. E faço questão de dar uma (Ok, vou dar só meia) mãozinha para melhorar o naipe dele, depois…

Sigla errada não ajuda…

terça-feira, abril 28th, 2009

Ricardo Noblat é um jornalista muito bem informado. Seu blog é popular na blogosfera brasileira, e bem influente. Mas escrever todo dia e a toda hora às vezes deixa o Noblat meio perdido, tadinho…

Não satisfeito em chamar o presidente do STF de Gilmar Dantas (Ok, muita gente ficou satisfeita com isso, mas deixemos essa questão de lado), ou identificar sua própria netinha Luana como Lula (eu sou leitora assídua do Blog do Noblat), o estafado jornalista resolveu inovar no título, como diriam as amebas escreventes, de um de seus posts. Tudo em nome da economia de caracteres. Jornalista sofre, viu? Confiram o que seu Ricardo aprontou:

MTS registra suicídio de um índio a cada dez dias

Daí, você começa a pensar: não seria esse MTS o MST de dedo trocado no teclado? Não, não seria, porque a nota (que está bem escrita, por sinal) usa como fonte o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Se continuar a ler a nota, você começa a perceber pistas do que pode vir a ser o tal MTS:

(…) município de Sidrolândia, a 90 km de Campo Grande (uia… Campo Grande é a capital do Mato Grosso do Sul, né?)

A frase final do post, com o link pra matéria original do jornal O Globo, esclarece de vez que raios é o MTS:

Leia mais em Mato Grosso do Sul registra suicídio de um índio a cada dez dias

Ô, Noblat!!! Como é que você apronta uma dessas com o Mato Grosso do Sul, tadinho? A sigla desse estado é MS!!! Do jeito que ficou, você dá margem a duplas interpretações no texto… prestenção, rapá…

O mimo da mamãe moderna e a aliteração de dona assessora

terça-feira, abril 28th, 2009

Outro release. Tô limpando minha caixa de entrada.

Esta linda assessora, imbuída da tarefa de vender seu peixe em forma de bolsas (que são lindas, diga-se de passagem), aprontou essa numa legenda de foto. Reza braba! E o pior é que, com um texto que não vale nem uma banana, ela apresenta uma coleção cujo preço varia de R$ 477 a R$ 847. Deixa eu exorcizar:

Colocando à prova o velho clichê  de que “mãe é tudo igual”[Alá seja louvado! Não satisfeita em começar a frase com o encosto gerundol, ela ainda se vale de um clichê pra encerar o nariz! Socoooooooooooorrrrroooooo!!!], a marca tal resolveu mostrar através [mais uma vez, um caso de através enviezado. Um com ficava muito mais fashion, só pra usar um termo que a tchutchuca entende...] das suas inúmeras e charmosas [entenderam por que eu me compadeço de assessor de imprensa? Adjetivo em texto jornalístico não poooooooooooooooode! Mas ela tem que fazer isso, coitada, tá vendendo peixe em forma de bolsa...] opções de bolsas e carteiras, que há um presente para cada tipo e estilo de mãe.

Para acertar no mimo da mamãe moderna [aaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhliteração! É quando um mesmo fonema (/som) se repete em todas as palavras para surgir um som. Repararam no mi-mo-ma-ma-mo? Poi zé. Essa aliteração ficaria linda - se o texto em questão fosse uma poesia, o que está loooonge de acontecer por aqui] as maxi-bolsas desta coleção, [vírgula entre o sujeito e o predicado de novo!!!! Definitivamente, antes de ensinarem pra essas amebas escreventes que a vírgula indica uma pausa para respiração, deveriam botar as amebas escreventes numa aula de yoga para elas aprenderem a respirar!!!!!] combinam tanto com o estilo moderno como com o prático.

‘Bora consertar:

Mãe não é tudo igual. A marca Tal prova, com seus vários modelos de bolsas e carteiras charmosas, que há um presente para cada estilo de mãe. E, para acertar no presente, as maxi-bolsas desta coleção combinam com as mães modernas e também com as práticas.

Vamos relevar o fato de que, por mais variado que seja o estilo da mãe, ela tem mais é que ganhar bolsa! (Vamos relevar, mesmo, porque como eu já disse, essas bolsas são liiiindas!!)

Holistic Training para o mercado de Wellness

terça-feira, abril 28th, 2009

Eu agora resolvi ler todos os e-mails de assessoria de imprensa que recebo antes de deletar os beneditos. Isto significa que vou ter muito material para o meu caldeirão. Este release é um exemplo perfeito de macaquices. Confiram no velho esquema do vermelho e azul:

Tecnologia inédita chega ao mercado de Welness
[Sidartagautama... o que que esse povo tem contra o bem-estar? Para eu me sentir bem tenho que viver em clima de wellnes?!?!?!?! Ah, vápu!]

O Espaço Holistic Training [eu ia trocar o nome desse troço para não comprometer a Filombeta, mas não dá! O nome do troço já é uma macaquice por si só!!! Já pensou você acordar e dizer: "vou praticar wellness no espaço holistic training"? Sua língua tem um surto de cãibras e você fica calado o dia inteiro! O que, no meu caso, é praticamente a morte...] oferece tecnologia desenvolvida pela NASA e capacitação de profissionais

A empresa tal, especializada em wellness[meus mais sinceros votos de que, para atuar no mercado brasileiro, ela consiga se especializar em bem-estar o mais rápido possível], vai expandir para além do estado Tal, onde já está nas principais academias de ginástica do estado, o Espaço Holistic Training, sistema de condicionamento que oferece 700 tipos de exercícios e aulas de 30 minutos, com tecnologia desenvolvida pela NASA[será que é pra fazer exercícios em gravidade zero? Isso cansa menos?].

O produto é composto de uma plataforma vibratória que conta com software próprio, prescrição de exercícios individuais e um programa de treinamento de profissionais que condiciona o aluno com segurança no menor tempo possível e pode ser complementado com alongamento, flexibilidade e relaxamento[mais um caso de melangê de jenessequá: é um produto, mas também é um serviço - e ainda tem treinamento!!!!.

(...)Segundo o presidente da empresa tal, Fulano de Tal, além de toda a tecnologia de ponta que o produto oferece, existe o diferencial da aplicação dos exercícios[suspiro. Tava demorando! um texto deste jaez sem o uso da palavra diferencial simplesmente não existe!]. “O credenciamento obriga as academias e demais interessados a oferecerem um serviço de excelência através da capacitação do profissional que irá operar o espaço”, explica [o que me causa espécie aqui é que o Fulano de Tal, no afã de vender o peixe dele usando de expressões típicas de rococó empolêixon, não se dá conta de que, ao usar as palavras que usou, infere que as empresas só conseguem oferecer serviços excelentes se comprarem o peixe dele - ele ofende clientes potenciais e não tá nem aí pra isso!! (ah, acho que ele não sabe o que é um cliente potencial... ele só conhece os prospects...]

Vou retrabalhar esse texto todinho. Mas, como eu conheço a raça do queridocliente, sei que o texto que eu vou escrever ja-mais seria aprovado ou autorizado por ele, porque “tá muito simples”… vamos lá:

Tecnologia da Nasa para o bem-estar

Produto para academias é desenvolvido com tecnologia da NASA, e já inclui a capacitação de profissionais

A empresa tal, especializada em bem-estar, vai expandir para além do estado Tal, onde já está nas principais academias de ginástica, o Espaço Holistic Training. Trata-se de um sistema de condicionamento que oferece 700 tipos de exercícios e aulas de 30 minutos. Sua tecnologia foi desenvolvida pela NASA.

O Espaço Holistic Training é composto por uma plataforma vibratória acionada por software próprio. Sua operação adequada requer treinamento para capacitação de profissionais que está automaticamente incluído. Com seu uso adequado, o profissional é capaz de prescrever exercícios individuais e um programa de treinamento que condiciona o aluno com segurança no menor tempo possível, que ainda pode ser complementado com alongamento, flexibilidade e relaxamento.

(…)

Segundo o presidente da empresa tal, Fulano de Tal,  o espaço holistic Training destaca-se não só pela tecnologia de ponta, como também pela aplicação dos exercícios. “O credenciamento obriga as academias e demais interessados a oferecerem um serviço de excelência através da capacitação do profissional que irá operar o espaço”, explica

 Ufa! Isso sim é que é exercício. Ai, cansei…

 

 

Palavra do dia: apedeuta

terça-feira, abril 28th, 2009

Pronto! Agora, eu quero postar uma palavra do dia. Li esta não faz muito tempo, a respeito de nosso mui presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Eu já sabia que ele era baixinho, barbudo, língua presa, rouco, etc, etc, etc. Mas será que ele é um apedeuta? Deixa eu perguntar pra tio Antônio:

apedeuta
Datação
1836 cf. SC
Acepções
■ adjetivo e substantivo de dois gêneros
m.q. apedeuto

apedeuto
Acepções
■ adjetivo e substantivo masculino
que ou o que não tem instrução; ignorante, apedeuta
Etimologia
gr. apaídeutos,os,on ‘sem instrução ou sem educação, ignorante; grosseiro, estúpido’, de a(n)- ‘não’ + paideutéos,a,on ‘ser educado, instruído’, de paideúó ‘educar uma criança’, de paîs,paidós ‘criança’

Como diria a Funérea: Ai, que infortúúúúúnio! Se o presidente é, eu também sou!!! Se eu não sei o que é um apedeuta, eu sou uma apedeuta, oras…

Mas vamos combinar o seguinte: já que somos todos inteligentes, e o presidente, um apedeuta, vamos aprender a manipular um torno mecânico? Pra fazer isso, vamos todos ter que aprender noções básicas de trigonometria!

E ai, apedeuta? Vai encarar ou vai pedir pra sair?

Não se acostumem…

segunda-feira, abril 27th, 2009

Palavra do dia só tem quando eu quiser postar.

Não vou ficar correndo atrás de verbetinhos bonitinhos que nem editor idiota de publicação jornalística idem.

Se um verbete interessante e diferente (porque diferenciado é a @#$#$%$%#$) pular na minha frente, eu publico. Caso contrário, necas de pitibiribas.

Como fazer muita bosta em apenas três linhas

segunda-feira, abril 27th, 2009

Viva! Um ectoplasma suíno me mandou outro texto para eu dar uns passes!!! E fez questão de se identificar como ectoplasma suínico, em homenagem ao sistêmico do texto em questão.

Mas esse aqui tá carregado, hein? É um tal de encosto gerundol, falta de vírgula e rolando o lero que francamente… É que a ameba escrevente em questão trabalha num banco. E ambientes bancários são óóóóótemos para a proliferação de amebas escreventes…

Estamos com problemas sistêmicos [eparrê-iansâ!] ocasionando o atraso [ai, esse gerúndio aqui, combinado com o estamos do início da frase, dá ideia de que a mesma pessoa que é vítima do problema sistêmico é que está ocasionando atraso] na divulgação do sorteio. Estaremos enviando [iiihhh... vai demorar essa transmissão...]  o e-mail com os números da sorte e os contemplados, assim que o problema esteja [prefiro estiver. fica mais claro] solucionado.

Vou tentar melhorar. Mas eu sou bruxa, não milagreira…

Devido a problemas em nossos sistemas, estamos com atraso na divulgação do sorteio. Enviaremos o e-mail com os números da sorte e contemplados tão logo o problema esteja resolvido.

Pronto. Nem doeu. O tão logo no lugar do assim original deu ainda mais agilidade à solução da coisa. E, modéstia à parte, essa plástica deixou o texto bem melhor do que a Susan Boyle depois do banho de loja….

O assessor e o novo lançamento do carro baseado num tripé

segunda-feira, abril 27th, 2009

Fico meio constrangida em pegar no pé de texto de assessor de imprensa. É que eu conheço a raça. Sei que, não raro, o texto dele fica horroroso devido às alterações feitas pelo queridocliente (/ameba escrevente). Mas constrangimento é coisa que dá e passa. Afinal, sou uma bruxa malvada e venenosa. Além do quê, um texto que se abre no seu inbox com a palavra “inovador” no título já chega com cheiro de ameba escrevente. Vejamos, pois, o novo lançamento do seu assessô. A canetinha vermelha é do texto original; a azul sou eu envenenando comentando o texto:

CONCESSIONÁRIAS TAL JÁ VENDEM O INOVADOR CARRO TAL

Lançamento da montadora francesa transmite sofisticação [1- Transmite? Um carro transmite? Até onde eu sei, a única transmissão do carro é a do câmbio de marcha... vai ver que a sofisticação dele limita-se à transmissão de câmbio] de veículos de luxo e vem com linha de acessórios que valorizam o conforto

As concessionárias Tal já começaram a vender o mais novo lançamento [2- Pleonasmo!!! Pleonasmo é aquela coisa que sobe pra cima, desce pra baixo, entra pra dentro e sai pra fora. Como um novo lançamento, por exemplo.] da montadora francesa, o carro Tal, que atenderá aos consumidores mais exigentes do segmento de veículos sedans compactos premium.

As linhas do carro tal, sem similares no mercado nacional, são os principais diferenciais [3- Diferenciais devem ser, pela minha lógica, os fatores para efetuação do cálculo diferencial, né?] em design do sedan. O ineditismo também é um atributo do interior, no qual sobressai o painel com desenho moderno atraente, feito com material de alta qualidade e agradável ao toque.

Com o lançamento do carro Tal, a montadora Tal tem como principais concorrentes os modelos Volkswagen Pólo, o modelo top do Ford Fiesta e o Peugeot 207 Passion [aimeudeus... entregou a bola pro consumidor! Se você não gostar do novo lançamento da montadora fancesa, vai procurar pelos velhos lançamentos da concorrência...] . A montadora francesa aposta na boa relação custo-benefício de seu sedan para participar dessa disputa [4- Ai, não usa essa palavra.. o cacófato é horroroso!!! Separe a primeira sílaba do resto da palavra que você vai entender o que eu quis dizer...].

O modelo chega ao Brasil e às lojas da concessionária Tal com dois tipos de acabamento: a Expression, por R$ 41.190, e a Privilège, por R$ 44.490. A plataforma do carro Tal é a mesma de outro modelo da marca, mas o lançamento tem 4,26 metros de comprimento, sete centímetros a mais [5- sei... o lançamento é maior que o carro em questão?]. Fora isso, o carro é completamente novo, do design ao propulsor. (…) O câmbio é manual, de cinco marchas. [1- se essa é a transmissão de sofisticação citada no primeiro parágrafo, sei não... acho que, por 40 paus, um consumidor vai querer, pelo menos, um câmbio automático, né não?]
“O carro tal está baseado num tripé [6- Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!!!! Tadinhoooooooooooooo!!! O carro fica baseado num tripé!!!! As rodas e pneus serão vendidas á parte, é isso?] que fornece grande apelo aos consumidores [e o tripé ainda fornece grande apelo!!! Nossa, que inovação...] (…)

 

É, o carro desta segunda não sofreu tanto quanto os estagiários de sexta-feira, nem a geladeira da quinta-feira. Ele só tem problemas de câmbio e, se você quiser, já sabe quais concorrentes procurar caso não se interesse pelo francesinho em questão. Mas vamos lá:

1- Muito cuidado ao usar verbos só porque eles são bonitos e soam bem. Eles podem significar mal, como o transmitir do primeiro parágrafo. Fica legalzinho? Até fica, mas veja bem até que ponto ele ajuda ou prejudica o seu texto. No caso, ele deu margem a um trocadilho safado. Evite verbos “enviezados”, pr assim dizer. A clareza do seu texto agradece.

 2- Pleonasmo, ou redundância, é muito feio em 99,8% dos casos – os 0,2% restantes estão na cota dos poetas. Você sente doer quando é um exemplo banal, como subir pra cima ou descer pra baixo, mas muita gente a-do-ra falar em novo lançamento. Como se fosse possível um velho lançamento.

3- Diferencial, diferencial competitivo (que desponta no horizonte das amebas escreventes como seriíssimo candidato a pleonasmo da vez, já que todos os diferenciais devem ajudar qualquer coisa a ser competitiva) e diferenciado são palavrinhas da moda. Ridículas. Evite-as. Sempre.

4- O cacófato é aquela figura de linguagem em que você fala uma coisa mas o seu interlocutor pode ouvir outra. Como no caso da disputa. “Quem que se diz assim?”, pode pensar o seu interlocutor? Fuja do cacófato. 

5- Este é o caso em que, ao evitar repetir uma palavra na frase e substituí-la pela expressão lançamento, o texto deu margem a duplas interpretações.

6- Decretação do feitiço: Fez-se a bosta! E foi justamente na linda declaração do queridocliente sobre o produto em questão. Entendeu por que eu insisto em defender o assessor?

‘Bora melhorar o texto:

O CARRO TAL JÁ CHEGOU ÀS CONCESSIONÁRIAS TAL

 

Lançamento da montadora francesa traz a já clássica sofisticação dos veículos de luxo e vem com linha de acessórios que valorizam o conforto

 

As concessionárias Tal já começaram a vender o último/mais recente lançamento da montadora francesa, o carro Tal, que atenderá aos consumidores mais exigentes do segmento de veículos sedans compactos premium.
As linhas do carro tal, sem similares no mercado nacional, destacam-se dentre os mais variados aspectos do exclusivo design do sedan. O ineditismo também é um atributo do interior, no qual sobressai o painel com desenho moderno atraente, feito com material de alta qualidade e agradável ao toque.

Com o lançamento do carro Tal, a montadora Tal tem como principais concorrentes os modelos Volkswagen Pólo, o modelo top do Ford Fiesta e o Peugeot 207 Passion. A montadora francesa aposta na boa relação custo-benefício de seu sedan para conquistar um mercado repleto de grandes concorrentes.

O modelo chega ao Brasil e às lojas da concessionária Tal com dois tipos de acabamento: a Expression, por R$ 41.190, e a Privilège, por R$ 44.490. A plataforma do carro Tal é a mesma de outro modelo da marca, mas o novo modelo da montadora Tal tem 4,26 metros de comprimento, sete centímetros a mais. Fora isso, o carro é completamente novo, do design ao propulsor. (…) O câmbio é manual, de cinco marchas.
“O carro tal está baseado em três características de grande apelo aos consumidores (…)

 

 

 

Pronto! com este recall, o texto da ameba escrevente salva-se de derrapagens e acidentes mortais.

Entendi por que tem gente que não entende…

segunda-feira, abril 27th, 2009

Joguei no Google Imagens a palavra “crase”, à cata da figura de um a com acento grave pra ilustrar o post anterior. Olha o que eu encontrei…

Caraca, como é que pode uma coisa dessas? O caboclo explicante pensa que crase é o mapa do metrô de Paris?

Ó, vou postar isso aqui só pra você ver, tá? Esquece isso aqui, que só complica a sua vida…

E tem gente que acha que isso simplifica.... ô, raça!

E tem gente que acha que isso simplifica.... ô, raça!

Meleca na cruz

segunda-feira, abril 27th, 2009

Por alguns dias eu pensei que a Ju estivesse exagerando ao dizer no blog dela que colou meleca na cruz. Mas aí eu encontrei por lá este post do dia 24 de abril. Não sei se tomo isto como um perfeito exemplo de ameba escrevente que, antes de sentar pra escrever qualquer texto, deveria tomar banho de sal grosso pra tirar tudo quanto é encosto trancador de texto. Talvez devesse lamentar a falta de estudo do indivíduo que assassinou o texto. E torcer para que ele volte para a alfabetização. Para manter meu índice de veneno e maldade no sangue, prefiro acreditar que é isso o que acontece quando você dá muita atenção aos bíceps e às nádegas, e se esquece dos neurônios.

Conta a Ju em post do dia 24 que recebeu esta mençagem (sim, isto é uma mençagem… pra ser promovida a mensagem, tem que melhorar muito…) no e-mail de divulgação de eventos da revista acadêmica (repararam no nome do blog da Ju? “Vida acadêmica”… ela é professora universitária.)

Mas deixemos que a professora Jurema reproduza as palavras da mençagem:

“ e já que voçês são uma revista de acadimias, aproveitamos a oportunidade para divulgar nossa academia, que tem a mais completa sala de musculação do Brasil, com 40 máquinas (…) e nóz estamos se preparando para se tornarmos a melhor do mundo!”

Ju encerra o relato contando que o e-mail ainda oferece ao destinatário descontos de 20% nas mençalidades de todo os pessoal da revista que queiram fazerem exercícios num hambiente familhar.

Eu só não entendi por que a Ju abespinhou-se com o fato de a citada academia ficar em Cuiabá, se a redação da revista dela (da Ju) fica em São Paulo… Ju, você se deu conta de que recebeu um e-mail de acadimia de ginástica por ser redatora de uma revista acadêmica?!?!?!?!?!!?

Sabe o ditado “pau que nasce torto nunca se endireita”? É o caso desse texto. Não tem conserto, nem remendo, nem nada. É caso de jogar fora e fazer outro. Que, de preferência, não seja enviado para uma revista acadêmica…

E eu vou dormir, porque Deus está começando a me castigar por fazer troça do DJ Marlboro… tem coisa pior, bem pior…

Palavra do dia

domingo, abril 26th, 2009

Hoje não tem. Larga de ser passivona e vá buscar um bom livro ou bom texto para ler por conta própria, que eu não sou escrava de ninguém!

Cadê os ectoplasmas suínos?

sábado, abril 25th, 2009
Ectoplasmas suínos em busca dos textos das amebas escreventes

Ectoplasmas suínos em busca dos textos das amebas escreventes (Ilustração: Leleala, a Legião dos Leitões Alados, dos estúdios Maurício de Sousa)

Como vocês já devem ter percebido, este blog rende muito mais quando tem a participação dos ectoplasmas suínos (/espíritos de porco).

Eles são seres desencantados com os textos que são obrigados a ler no trabalho, e resolvem enviar esses textos para esta bruxa malvada e venenosa, que quebra o encanto de “faça-se bosta!” que os textos receberam quando saíram dos neurônios das amebas escreventes…

(Puxa vida, consegui transformar isso tudo num conto de fodas fadas… ;) )

Ah, seja você também um ectoplasma suíno! Envie djá seu texto com encantamento de bosta para objetivandodisponibilizar arroba gmail ponto com. Botei o e-mail por extenso para evitar os verdadeiros espíritos de porco da Internet: os réquers

O incrível caso do gerúndio que virou preposição

sábado, abril 25th, 2009

Mark Twain já dizia (e a tradução se aplica bem ao Português, já que ele falava Inglês) que, se ele ganhava para escrever por palavras, não via por que escrever metrópole (nove caracteres) se ele podia escrever cidade (seis caracteres) pelo mesmo preço.

Pensemos. (Ai, não desiste de ler este post só porque eu pedi pra você pensar, ameba escrevente! Fique até o final. Vamos, tente resistir!) Qual o objetivo de se usar num texto um verbo polissílabo, no gerúndio, de 11 caracteres (sem espaços), se ele pode ser substituído por uma singela preposição de apenas quatro caracteres?

Sim, refiro-me ao famigerado objetivando. Prá quê uma frase com ele, em qualquer canto? Ele é grande, feio, longo, esquisitão, e dá ao seu interlocutor a estranha sensação de que você vai enrolá-lo (o seu interlocutor) com alguma história…

Me joguei no Google à cata de maus exemplos de frases com este verbo, e encontrei algumas tchutchucas. Espiem só:

 [o documento XYZ]  vem sendo atualizado e aperfeiçoado pela empresa Tal, objetivando disponibilizar aos profissionais de marketing e planejamento informações atualizadas e confiáveis sobre o consumidor brasileiro.

Esse texto fica bem melhor e mais claro assim:

 [o documento XYZ]  é atualizado e aperfeiçoado [anualmente] pela empresa Tal, para fornecer aos profissionais de marketing e planejamento informações atualizadas e confiáveis sobre o consumidor brasileiro.

Ou, então, este aqui:

Objetivando disponibilizar aos exportadores [de determinado estado brasileiro] as vantagens da utilização do mecanismo de drawback, o Centro Tal promove,na sede da Entidade, curso sobre o tema, em parceria com [Fulano].

 Que fica melhor assim:

Para oferecer aos exportadores [de determinado estado brasileiro] as vantagens da utilização do mecanismo de drawback, o Centro Tal promove,na sede da Entidade, curso sobre o tema, em parceria com [Fulano].

Gente, prá quê complicar se dá pra simplificar? Outro caso i-na-cre-di-tá-vel de rococó-empolêixon é o deste texto aqui, de um banco a seus investidores, com os resultados do primeiro semestre de 2001:

Assim, objetivando disponibilizar um ambiente tecnológico que possibilite suportar de forma eficiente a expansão das atividades programadas para os exercícios subsequentes,o [banco] finalizou, no primeiro trimestre, o projeto da Nova Solução de Agências, que irá promover profundas mudanças nos equipamentos e aplicativos utilizados pela rede de dependências, cuja efetiva implantação iniciou-se no mês de abril e foi, praticamente, finalizada no final desse primeiro semestre.

Ai, deixa eu respirar….Eu queria ter cortado o texto antes, mas se vocês repararem, o ponto ocorre depois de quatro linhas inteiras!!! Isso com o recuo da citação… Deixa eu tentar ver o que dá pra fazer aqui:

Por isso, o [banco] finalizou, ainda no primeiro trimestre, o projeto da Nova Solução de Agências. Esse projeto vai promover mudanças profundas nos equipamentos e aplicativos utilizados pela rede de dependências. Sua implantação efetiva iniciou-se em abril, e foi praticamente finalizada no final deste primeiro semestre. A ideia desse projeto é prover aos usuários um ambiente tecnológico capaz de suportar de forma eficiente a expansão das atividades programadas para os exercícios [fiscais] subsequentes.

Botei quatro pontos! Transformei uma em QUATRO frases, e acabei com a macaquice do objetivando disponibilizar.

Se vocês repararam, o objetivando, gerúndio do verbo objetivar (que também é outra macaquice praticamente inútil) foi substituído em duas opções pela preposição para. Não tem necessidade de verbo nesses casos. Verbo indica ação. E preposição é uma palavra invariável (ao contrário do verbo, que varia mais que humor de mulher) que une termos de uma oração, de forma a estabelecer relações entre esses termos. Geralmente, um desses termos da oração que a preposição vai unir é um verbo. Se você usa um verbo para relacionar outro verbo à oração, tem alguma coisa errada com a estrutura que o seu texto começa a tomar ainda no aconchego de seus neurônios…

Apenas pense da seguinte forma: verbo indica ação. Ação indica trabalho. Quanto mais ação, mais trabalho. Portanto, seja econômico com a quantidade de verbos que você usa nos textos do trabalho. Pense no seu salário. Você vai chegar à conclusão de que você não ganha pra agir tanto…

Palavra do dia: abespinhado

sábado, abril 25th, 2009

Mais uma vez colhi o verbete em questão do noticiário sobre o meu mais novo ídolo, o ministro do STF Joaquim Barbosa. O mais curioso é que o texto está num blog jornalístico (que não vou citar porque não quero). Jornalista que escreve “mediante” e “abespinhado” foi pautado por advogados. E por pautado eu quero dizer que ele deu copiar/colar no texto. Vou especular que o motivo foi preguiça…

Mas eu gostei da parte do texto que diz que os ministros do STF estão “abespinhados” com a atitude do ministro Joaquim (de ir às ruas do centro do Rio de Janeiro e ser cumprimentado pelas pessoas).

Ah, adoreeeeeeiii!!!! Será que eu já fiquei abespinhada alguma vez? Deixa eu perguntar pro tio Antônio:

Abespinhado
Datação
1831 cf. MS4
Acepções
¦ adjetivo
1    que se abespinhou
2    que se deixou dominar por estado de exasperação ou amuo

Etimologia
part. de abespinhar
Sinônimos
ver sinonímia de furioso
Antônimos
ver sinonímia de tranqüilo

É, já fiquei, sim. Aliás, eu fico abespinhada toda vez que leio os e-mails dos ectoplasmas suínos com as pérolas que eles recebem…

Inté

sábado, abril 25th, 2009

Vou dormir. Esse post deu desgosto…

E quem disse que este blog vive de belezas?

sábado, abril 25th, 2009

Acho que, com este post, vocês vão começar a desconfiar que eu sofro de transtorno bipolar. Prometem pra mim que não vão pensar isso de mim, prometem?

Então, confiram a pérola que é o texto que o DJ Marlboro escreveu no blog dele (se você clicar aí você estará por conta própria! Não diga que eu não avisei…). Foi ele quem escreveu? Olha, se não foi ele é melhor que ele arranje um secretário mais competente urgentemente! Ó só:

Estava sentindo falta de passar por aqui.Quero pedir milhões de desculpas pela ausência , mas como vcs sabem como vivo correndo.[como/como - Olha, essa eu vou deixar passar, porque esse é o típico erro de falta de releitura. E sim, seus preconceituosos, eu vou partir do princípio de que o DJ Marlboro sabe ler!]

Principalmente, nesse início de ano com a mudança de casa.Galera … foi um tumulto!Mas  , finalmente, após anos de namoro, estreiamos [tudo bem que o substantivo é estreia. Mas o verbo é estrear! vou relevar de novo... deixem ele com suas carrapetas!]   na (…) Estamos felizes e confiante com essa parceria [Estamos confiante? Terceiro cartão amarelo! Já pro chuveiro!] .Já deu para  o profissionalismo e alto astral de toda a equipe.[Hein? Até onde ue sei, "já deu" é expressão que indica chega, acabou. Estou errada?!?!?!] Estamos em plena lua de mel torcendo que seja ” infinita enquanto dure”[Tadinho do Vina...].Vamos nos encontrar ,(…) e não deixem de conhecer a programação que é diferenciada [AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Ele efetuou o cálculo diferencial da programação? Qual foi o resultado!?!?!?!?!?!?!!?].

Eu prometo não ousar melhorar esse texto. Vamos deixar prá lá, vamos?

Valsinha

sábado, abril 25th, 2009

Provavelmente, Chico Buarque aprendeu muito de sua genialidade com Vina, o Poetinha (/Vinícius de Moraes). Olha que linda essa música que os dois andaram compondo juntos…

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Soneto da fidelidade

sábado, abril 25th, 2009

Citei alguns posts abaixo que o professor Pasquale usou Vinícius
para provar que vírgula e conjunção aditiva e combinam, sim.
A obra (maravilhosa) citada é esta aqui:

Vinícius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Um Drummondzinho porque ninguém é de ferro

sexta-feira, abril 24th, 2009

Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
tem mil faces secretas sobre a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
“Trouxeste a chave?”

Carlos Drummond de Andrade

O bem e o mal entre o bom e o mau

sexta-feira, abril 24th, 2009

Sei que isso confunde. E confunde mesmo. Mas, pra ajudar a acabar com a cafusão </Didi Mocó>, deixem eu desenhar.

Vou copiar do desenho do Manual de Redação e Estilo do Estado de São Paulo, de autoria do falecido Eduardo Martins. Esse livro é uma mão na roda de quem escreve e sempre se depara com dúvidas com relação ao Manuel </português>.

Mal, Mau: adote esta regra prática: mal opõe-se a bem e mau, a bom. Faça a substituição e ficará clara a forma correta (Mal-estar/bem-estar; mal-intencionado/bem-intencionado; mal-humorado/bem-humorado; praticar o mal/praticar o bem; mau humor/bom humor; mau cheiro/bom cheiro; mau dia/bom dia; mau desempenho/bom desempenho; mau uso/bom uso; nada de mau/nada de bom). Exemplo com os dois casos: A carta estava mal (bem) escrita, em mau (bom) português. Siga a mesma norma no feminino: malcriada/bem-criada; má fama /boa fama; mal-afamada/bem-afamada.

E, aproveitando a carona, já aproveito para avisar que:

Se um órgão do corpo humano não é bem formado, ele é mal formado. Portanto, o substantivo correto para se referir a esse fenômeno é a malformação, e não má-formação.

 

Atualização das 19:00 – Confiram nos comentários abaixo o adendo do Mateus. Mateus, meu fio, sinceramente eu desconhecia isso… mas acato humildemente sua observação! E, por falar em acatar, não custa eu catar tio Antônio </Houaiss> pra nos socorrer, certo? Vamos lá:

malformação
Datação
sXX
Acepções
■ substantivo feminino
1    defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração deformação
1.1    Rubrica: patologia.
     vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, ger. curável por cirurgia [Distingue-se da deformação (adquirida) e da monstruosidade (incurável).]
Etimologia
depreendido de malformado, supõe-se um v. malformar, do qual haveria o der. malformar + -ção; caso não se admita esse padrão derivacional, malformação estaria por má formação; ver mal- e 1form-
Sinônimos
má-formação

Portanto, tio Antônio tá dizendo que as duas formas estão corretas. Ainda assim, eu prefiro malformação (na verdade, eu prefiro tudo muito bem formado, mas vamos nos ater apenas às palavras… Seja bem-vindo (ou, como eu já ouvi de uma acessora de imprensa, seje bem-vindo! ;)

 

sexta-feira, abril 24th, 2009

Rapááááá… eu posso botar cor no texto? Só descobri isso agora…. Bora atualizar os textos lá embaixo e pintar todos eles! É agora que a caneta vermelha vai chacoalhar…

O sistema sintomático

sexta-feira, abril 24th, 2009

É impressionante como certos casos são tão bizarros que eu enquadro eles em quase todas as catigurias deste blog.

Vejam o relato da querida amiga e professora Jurema Sampaio, que me chegou via comentários:

Uma pérola prá ti! Ao me sacanear atender em mais uma das inúmeras vezes que fui na loja da Vivo para tentar resolver o imbróglio em que me meteram, ouço da mocinha:
- “Não vamos poder estar fazendo o desbloqueamento, blá, blá, blá”
Até aqui, ok, tudo (quase) bem, eles vão estar fazendo ou
não vão estar fazendo tanta coisa que eu acho que, apesar de eu não estar me acostumando com isso, não estranho mais…
Mas ela prosseguiu, explicando que a Vivo iria estar lhe dando (O lhe aí sou eu… hehe dessa eu gostei!) bônus para eu estar trocando meu aparelho num novo, desbloqueado. Quando questionei sobre a multa da %$#@ da fidelidade no novo aparelho, ela me disse que não poderia estar retirando a multa do meu novo contrato (que não tinha multa antes..), por ser tudo sintomático

Quando fiz cara de hã? Ela disse: Aqui é tudo sintomático, senhora… Não podemos estar fazendo alterações customizadas.

Fala sério… Não é uma pérola essa frase? Hum?

Cara… confesso que até agora ainda tenho dúvidas sobre esse sintomático uso desse sintomático

É, Juzinha, os sistemas estão com sintomas cada vez mais estranhos… prejudicam os neurônios dos atendentes!

Lembro do dia em que a Juzinha me contou que um aluno dela só falava em estartar alguma coisa. Até que ela interveio: “por que você não fala começar?” Prá quê? Ouviu a seguinte pérola: Ué? é a mesma coisa?” Juzinha, definitivamente, acho que você colou meleca na cruz. E eu também.

Amizades em ciclo…

sexta-feira, abril 24th, 2009

Gente, deu no blog do Dado Dollabela (É, de Joaquim Barbosa a Dado Dolabella! Tô apelando, mesmo!).

Ah, sim! Antes, um pequeno esclarecimento. Parece que dizem que ele tá namorando uma menina que está grávida. E não se sabe ao certo se eles estão namorando há quinze dias ou há 200 anos.  Coisas assim de apuração básica de jornalista de subcelebridade. Mas isso não vem ao caso. Se quiserem se divertir com Dado Dollabela, este é o blog.

Mas eu falava do post que o filho de Carlos Eduardo fez no blog dele, no qual ele explica há quanto tempo realmente conhece a vítima namorada:

Nos conhecemos há pelo menos uns dez anos,
e desde criança temos o mesmo ciclo de amizade
.

Sei, sei…

Ciclo de amizade é aquela coisa que vai e volta, né?

Gente, ou ele está menstruando por ela ou eles estão ficando….

É claro que existe ainda a possibilidade de eles frequentarem o mesmo círculo de amizades… mas vamos deixar prá lá, né? Subcelebridade não é nossa praia…

Palavra do dia: lhaneza

sexta-feira, abril 24th, 2009

Como eu já disse, meu mais novo ídolo é o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Susan Boyle já é coisa do passado. O ministro-tudo do STF, lá pelas tantas, ironizou o colhééga e presidente do STF, Gilmar Mendes, ao dizer que ele se valia de sua “tradicional lhaneza”. É claro que eu não sabia o que é lhaneza. Olha o que o seu Antônio (Houaiss) me contou:

lhaneza
lhaneza
Datação
1627 cf. Tibet

Acepções
■ substantivo feminino
qualidade do que é lhano, afável; candura, singeleza, lhanura

Etimologia
lhano + -eza; cp. esp. llaneza (1570) ‘franqueza, simplicidade’; ver plan-

Sinônimos
ver sinonímia de austeridade, delicadeza e antonímia de ardil

Antônimos
afetação, fingimento; ver tb. antonímia de delicadeza e sinonímia de ardil

Ou seja: é muita lhaneza de Joaquim Barbosa dizer que Gilmar Mendes tem a lhaneza entre suas características peculiares, né não?

Dona gramática enfaixou-se, coitada…

sexta-feira, abril 24th, 2009

Eu já afirmei aqui que não iria me preocupar com ortografia. Menti. Não vou me preocupar MUITO com ortografia. Há casos em que um dedinho esbarrante faz um estraguinho de dar pena, como em caza em vez de casa (reparem que o ésse tá ali, ali com o zê, no teclado). Isso passa despercebido, é mais um erro de revisão do que de grafia.

Mas um texto jornalístico é, por definição, revisado. Não pode (eu disse NÃO PODEEEEE) conter erros de grafia como o do blog do Josias de Souza…

Estava eu cá a procurar notícias sobre meu mais novo ídolo, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, e cliquei neste link. Lá no meio do texto, encontrei este parágrafo. Reparem nas aspas:

Joaquim esclareceu que não partirá dele nenhum gesto inamistoso. Deixou claro, porém, que a “distenção” depende de Gilmar, não dele.

Daí, esta que vos fala dirigiu-se humildemente ao Houaiss, antes de surtar por completo, à busca da expressão distenção, com cedilha. Surtei de vez ao ver o sutil aviso do seu Antônio:

Aproximações ortográficas
distensão

(E faço questão de reiterar aqui que eu creio em Joaquim Barbosa. Um homem que ironiza seu “colhééga” dizendo que o citado está a usar de sua peculiar lhaneza (miacabeeeeeeeeeeeeeeeeeeei nessa hora!) sabe como escrever distensão corretamente.)

Conclusão: dona gramática machucou-se, coitada. Ficou tão distendida com a cedilha errada que vai passar o fim de semana de molho na cama. Oremos por dona Gramática, para que ela se recupere o mais prontamente possível.

 

Atualização das 17:25: A distenção já foi corrigida no post do Josias de Souza.

Funcionalidade

sexta-feira, abril 24th, 2009

E o raio da funcionalidade? O que que é? Alguém, pelo amor de Deus, consegue me explicar o que é e/ou pra que serve?

Porque eu fui atrás da definição dessa josta. O Houaiss me disse que ela é característica de funcional. E, dentre todas as definições de funcional que o Houaiss nos fornece (porque disponibiliza é a @#$#$%#$%$%), destacam-se duas:

4 Regionalismo: Brasil. relativo a ou próprio de funcionários públicos Ex.: a gratificação f. foi incorporada à sua aposentadoria

5 Regionalismo: Brasil. que, com a eliminação do acessório e ornamental, foi concebido e executado para ter maior eficácia nas funções que lhe são próprias (diz-se de arte, ou técnica, como a arquitetura, ou ainda de um móvel, utensílio etc.)

Agora, me digam: a funcionalidade foi o funcionário público que chegou pra trabalhar?
Ou é o funcionário que foi downsizeado</macaquice!>, e por isso virou uma funcionalidade?

Não, eu não consigo entender. Tem uma nova definição de funcionalidade. Mas esqueceram de me contar qual é…

Diferenciado

quinta-feira, abril 9th, 2009

Pior que o novo conceito é o diferenciado.

O sujeitim não sabe como dizer que o produto dele é bom, legal, maneiro, melhor, com mais qualidade. Mas quer empolar o texto. Quer deixar sua escrita cheia de rococós inúteis, ou simplesmente complicar o que pode ser simples. Então, ele resolve tascar no texto : O produto é diferenciado.

Mas ora, carambolas, diferenciado não é o particípio do verbo diferenciar?
Só consigo pensar em uma frase para usar tal verbo: As gêmeas foram diferenciadas pelas cores da roupa.

Meu marido (acho que os leitores deste blog vão considerar meu marido um mártir) já ouviu de um colega no trabalho: Ué, mas diferenciado não significa melhor? NÃO, NÃO SIGNIFICA!!! OLHA NO DICIONÁRIO, CARAMBA!

Por falar em olha no dicionário, fui consultar seu Houaiss. A definição de diferenciado é própria para biologia: diz-se de células ou tecidos que sofreram diferenciação.

Daí, você pede pro Houaiss te dizer o que é diferenciação, e ele te mostra aplicações da palavra em fonética, biologia ou matemática.

É isso! Descobri! Um produto diferenciado é todo aquele cujo cálculo diferencial já foi efetuado!!!!

Então, já sabem: quando alguém disser que tal coisa é diferenciada, pergunte na hora:
Ah, é? E qual foi o resultado do cálculo diferencial?

O novo conceito

quinta-feira, abril 9th, 2009

Eu odeio um novo conceito. Nada contra a reformulação de ideias, ou mesmo a criação de coisas novas. O problema é a palavra con-cei-to. Bleargh!

Conceito é uma palavra muito forte. Define, conforme o Houaiss, a “compreensão que alguém tem de uma palavra; noção, concepção(…)”. Daí, quando o caboclo quer falar que houve alguma alteraçãozinha, ou melhorou pouquinha coisa, tasca lá no texto:

Um novo conceito em (…).

Meu Deus do céu, parem com isso!!!! Essa é a receita para a banalização do conceito de conceito! Como no post abaixo. Prá quê dizer um novo conceito em canudinho? A ideia original ou a função do objeto foi  alterada? Não! Então, diga que é um canudinho diferente!

Já pensaram como seria um novo conceito em homem? Não? Então, cuidado, companheiro, senão podem arrancar fora seus documentos….

Um novo conceito em canudinho

quinta-feira, abril 9th, 2009

Me diga como você se sentiria ao chegar ao trabalho numa segunda-feira, às nove da manhã, ao abrir seu e-mail e encontrar um press-release que anuncia um novo conceito em canudinho?

Sofri a semana inteira….

É que seria simples e fácil demais escrever que a água de coco Tal em embalagem longa-vida vem com um canudinho diferente: em vez do furinho em cima, ele vem com dois furinhos dos lados, para que a bebida caia diretamente na parte da língua que melhor sente o sabor característico da água de coco.

Não. eles preferiram escrever um novo conceito em canudinho

 

AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!

Porque eu resisto!

quinta-feira, abril 9th, 2009

Desisti de simplesmente me irritar de forma passiva com textos mal-escritos, repletos de chavões, e que você percebe na hora que o autor sentou-se à frente do teclado pronto para  abalar a outrem com sua… erudição (cof, cof).

Os autores desses textos não estão nem aí para o fato de que o texto tem que ser de fácil assimilação. Eles querem é mostrar o vernáculo. Não aceitam críticas ou correções. Pelo contrário, ficam irritados quando alguém tenta melhorar o texto ótimo (cof, cof) deles.

Então, eu resolvi simplesmente fazer este blog para mostrar a esse povo a verdadeira faceta deles. (A ridícula).  Quero me divertir com este blog.

Ah! Por favor: se o seu texto for citado aqui, fique à vontade para nos enviar um (outro) texto em sua defesa!! Terei o maior prazer em publicá-lo! Tenho certeza que ele será redigido com a mesma capacidade do texto original!

"Objetivando disponibilizar" (…)

quinta-feira, abril 9th, 2009

Toca o telefone do trabalho. É o meu marido. Sua voz soa ora irritada, ora transtornada:

- Acabei de te enviar um e-mail com um texto que tá uma @#$%#$¨$%¨#$! Recebi ele de uma divisão daqui do trabalho, tenho que botar no site! Vê se você consegue dar um jeito nessa joça, porque eu tô mexendo nele faz umas três horas, e não consegui melhorar!

- Tá bom, tá bom… calma, deixa eu ver o que eu faço! Vai tomar uma água porque você tá muito irritado!

Chegou o e-mail. Eu abri o texto:

“Objetivando disponibilizar um novo conceito em (…)”

Não me pergunte o que estava escrito depois. Eu não sei. Não consegui ler. Me irritei tanto com a obra, que liguei de volta pro meu marido:

- Devolve esse troço pro autor, e manda ele de volta pra alfabetização! E diz que objetivando disponibilizar é a @$#$%$@#%#$!

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