Arquivo por junho, 2009

Por favor, desenha que eu não entendi!

terça-feira, junho 30th, 2009

Sei que esses lances de inseminação artificial e mãe de aluguel são uma subversão total à antiga ordem eu sou mãe, ele é o pai, eis nossos filhos. Mas a subversão do UOL ultrapassou os limites do lead.

Tá certo que o sujeito da notícia é o Michael Jackson, um cara que, a meu entender, conseguiu se tornar o único homem (originalmente nascido sob o sexo masculino) lésbico da face da terra. O que por si só já é uma confusão dos diabos. Haja Luizinacio pra dizer nunca antes na história etc, etc, etc… pra tentar esclarecer. O que ocorre é que a redação da notícia tá confusa. Como se tal notícia precisasse de texto ruim pra ser confusa – Michael Jackson sempre foi auto-suficiente em se tratando de confusão, ele dispensa amebas escreventes como redatores de suas histórias.

Tudo começa quando você lê o título da matéria e descobre que, de acordo com o site TMZ ,  o pai dos filhos do MJ é, na verdade, o dermatologista dele. Mas a nota termina dizendo que a mãe das crianças não é a mãe (hein?!?!?!?!). Confiram:

Los Angeles – O cantor americano Michael Jackson, que morreu na quinta-feira passada (25), não é o pai biológico de seus dois filhos mais velhos, Prince Michael, de 12 anos, e Paris Michael, de 11 anos. Segundo a revista “US Weekly”, o verdadeiro pai das crianças é Arnold Klein, o dermatologista que cuidava do artista numa clínica de Los Angeles.
Era para Klein que trabalhava Debbie Rowe, a enfermeira que foi casada com Michael de 1996 a 1999 e que deu à luz a Prince e Paris. “Ele é o pai. Ele e Debbie assinaram um acordo dizendo que nunca revelariam a verdade”, escreveu a revista, que diz ter confirmado a informação com várias fontes.
Em 2002, Rowe admitiu que suas duas gestações tinham sido um favor pessoal feito a Michael. Mas ela nunca comentou se teve ou não relações sexuais com o músico. “Disse: ‘Vamos fazer isto. Você precisa ser pai e foi muito bom comigo”, declarou a enfermeira na época.
A falta de vínculo biológico entre Michael e seus filhos seria extensível ao terceiro deles, Prince Michael II, de 7 anos. De acordo com o site “TMZ.com”, o mais novo dos herdeiros do artista foi encomendado a uma mãe de aluguel de identidade desconhecida.
A página disse ainda que os filhos mais velhos do cantor também não tem parentesco nenhum com Rowe.

Los Angeles – O cantor americano Michael Jackson, que morreu na quinta-feira passada (25), não é o pai biológico de seus dois filhos mais velhos, Prince Michael, de 12 anos, e Paris Michael, de 11 anos. Segundo a revista “US Weekly”, o verdadeiro pai das crianças é Arnold Klein, o dermatologista que cuidava do artista numa clínica de Los Angeles.[Tico joga pra Teco, Teco devolve pra Tico, os dois roem uma nozinha e concluem: Klein entrou com o esperma porra. Ok, tudo bem! Próxima informação, por favor!]

Era para Klein que trabalhava Debbie Rowe, a enfermeira que foi casada com Michael de 1996 a 1999 e que deu à luz a Prince e Paris. “Ele é o pai. Ele e Debbie assinaram um acordo dizendo que nunca revelariam a verdade”, escreveu a revista, que diz ter confirmado a informação com várias fontes.[Hummm.. será que eles... bom, hoje em dia e em se tratando de Michael Jackson, isso é totalmente dispensável, certo? Inseminação artificial! Ok, informação registrada! Próxima, por favor!]

Em 2002, Rowe admitiu que suas duas gestações tinham sido um favor pessoal feito a Michael. Mas ela nunca comentou se teve ou não relações sexuais com o músico [não vou nem me delongar por aqui pra não ter pesadelos esta noite. Frase seguinte, por favor!] . “Disse: ‘Vamos fazer isto. Você precisa ser pai e foi muito bom comigo”, declarou a enfermeira na época. [ca-ri-da-de, gente! Que moça boa!]

A falta de vínculo biológico entre Michael e seus filhos seria extensível ao terceiro deles, Prince Michael II, de 7 anos [aqui o bicho começa a pegar - sem trocadilhos, por favor. Quem é extensível a quê, por exemplo? Não ficaria mais claro escrever "Michael tampouco é pai biológico de seu filho mais novo" ?] . De acordo com o site “TMZ.com”, o mais novo dos herdeiros do artista foi encomendado a uma mãe de aluguel de identidade desconhecida.

A página disse ainda que os filhos mais velhos do cantor também não tem parentesco nenhum com Rowe. [Aqui o caldo desandou de vez. Fez-se a bosta legal! Como assim, a mãe não tem parentesco com os filhos?]

Daí, você vai no site TMZ e encontra, neste link aqui, a notícia original. E descobre que, pelo menos em inglês, Debbie Rowe is not the biological mother of the two kids she bore for Michael, ou seja, Debbie Rowe não é a mãe biológica dos dois filhos que pariu para Michael Jackson. E descobre que essa informação tá lá nosemcima, no lead do texto. Pra quem não é jornalista, lead é o primeiro parágrafo de toda notícia, no qual são respondidas as perguntas-chave de toda história jornalística: quem, o que, onde, quando, como e por quê?

Ô, UOL, nem lead vocês conseguem mais fazer direito, é?!?!?!? Pô, não confunde mais, não!!!

O ectoplasma mesmítico de dona desembargadora

terça-feira, junho 30th, 2009

Sabem o que o ectoplasma mesmítico faz quando não “encontra-se parado no andar”? Descobri agroa há pouco, ao clicar neste link:http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/06/30/ult5772u4532.jhtm

Em sua decisão, a desembargadora Luisa Cristina Bottrel Souza afirmou que “é do instinto daquele animal – e esse fato é notório – que essa raça seja dada a rompantes de súbita agressividade, razão pela qual deveria ter a ré zelado para que não houvesse, jamais, a possibilidade de o mesmo indevidamente soltar-se de sua coleira, vindo a atingir quem quer que fosse”

Santa redação mal-feita, Batman! Doutora desembargadora foi assombrada não só pelo ectoplasma mesmítico, como também pelo encosto gerundol!

Mas o texto dela é muito esclarecedor. Sabem o que o ectoplasma mesmítico faz quando não encontra-se parado no andar? Descobri agora há pouco, ao clicar neste link. E olha que as previsões se confirmaram: ele é perigoso, tem que andar até de coleira.

O link fala da decisão de uma desembargadora de conceder indenização de R$ 6.000 a uma babá, por ter sido agredida por um cachorro da raça pit-bull que estava com sua dona e soltou-se da coleira.

Lá pelas tantas, o texto vaticina:

Em sua decisão, a desembargadora Fulana de Tal [não sou besta de brincar com nomes alheios] afirmou que “é do instinto daquele animal – e esse fato é notório – que essa raça seja dada a rompantes de súbita agressividade, razão pela qual deveria ter a ré zelado para que não houvesse, jamais, a possibilidade de o mesmo indevidamente soltar-se de sua coleira, vindo a atingir quem quer que fosse

Se a doutora tivesse escrito pit-bull no lugar do mesmo, eu até pensaria que ela estava se referindo ao totó malvado. Mas foi o mesmo quem se soltou da coleira. Tá lá, foi ela quem disse…

Sigam-me os bons (os ruins eu exorcizo)!

segunda-feira, junho 29th, 2009

Esta caldeirão vai passear pelas searas do twitter. Cansei de pedir ajuda pra Letícia falar dos posts deste blog. Atoooron minha amiga querida, mas é que agora eu tenho o meu cantinho, saca o lance?

Sigam-me os bons!

Comida de faraó

segunda-feira, junho 29th, 2009

Resolvi conferir a dica que a Rosana Hermann enviou via Twitter. E me assustei. Mas acho que, no frigir dos ovos (com duplo sentido, por favor), esse texto só vem dar mais destaque ao que venho defendendo aqui desde que este caldeirão foi aberto a visitações.

Tenho horror a texto mal escrito, como vocês já devem ter percebido. Os textos são uma forma de você expressar o que você pensa, faz da vida, enfim, é a sua comunicação com o mundo além dos seus neurônios. Se você não souber fazer isso direito, o mundo não te compreende. Se você falar de qualquer jeito do seu trabalho, vai vulgarizar a sua carreira, o seu ganha-pão. E pode até dificultar a entrada de grana no fim do mês.

Por quê todo esse discurso pseudo-politicamente correto? Porque eu li um texto qualquer, escrito de forma qualquer, pra dizer qualquer coisa. Se fosse mulher, esse texto seria chamado de rameira, de mulher da vida (como se prostitutas tivessem vida fácil, mas deixa isso prá lá). O que mais me assusta é que esse texto pretende-se a vender os serviços de um…. motel!

Estou falando da tchutchuca contida nesta página aqui. Não vou entrar aqui no mérito dos nomes dos pratos de restaurantes, se eles devem ser traduzidos ou não. O que mais me incomodou foi o pouco caso que o motel tem com o queridocliente. Pretendendo-se chique e eficaz, brindou os internautas com este desfile de lugares-comuns:

O Egytus oferece um cardápio com uma ampla variedade [ampla? 12 pratos entre massas, carnes e peixes e ele chama de ampla?] de pratos que atende a todas as preferências [tem certeza? e se eu não gostar de nada do que vocês servem, vocês atendem às minhas necessidades?] , além da rapidez na entrega.
Nossa cozinha padrão internacional
[como assim, padrão internacional? O que seria esse padrão, e qual diferença dele para o padrão nacional?] funciona 24  horas, preparando [gahhhhhh!!!! O-DEI-O ESSES GERUNDINHOS DE BOSTA QUE SURGEM DO NADA NO MEIO DAS FRASES!!] os mais sofisticados pratos [isso é um motel ou um restaurante de alta gastronomia?] sempre no momento em que são pedidos [ah, que bom, não? A gente pede um prato e eles servem na hora! Que inovação no conceito de atendimento...]
.
Oferecemos pratos saborosos
[Jura? Não é gororoba, não?  E se fosse uma gororoba, você iria avisar aos queridosclientes?] feitos com ingredientes de primeira qualidade [Jura de novo? Puxa vida, quanta inovação no atendimento!! prato gostoso, feito com ingrediente diqualidadi!]
.

Daí, o cardápio oferece maravilhas, como FILÉ AVIANENSE ou então o ESCALOPE DE FILÉ PUAVEL.

Pô, se a cozinha é tão diqualidadi assim, meu tio, que tal ao menos escrever corretamente os nomes dos pratos que ela oferece? Ou cozinha, no seu motel, nada mais é do que um trocadilho com os… demais canais do queridocliente?

É, hoje é segunda-feira e eu estou de mau humor! Tá olhando o quê, hein?

Alvaro, exorciza esta semana!

sexta-feira, junho 26th, 2009

Êta, semaninha!

Fora do caldeirão, foi um zoológico só: gripe suína, marimbondo acuado,  pantera e Michael Jackson morrendo (insira aqui seu trocadilho preferido Michael Jackson / bicho de zoológico)…

Aqui dentro, tivemos amebas mininstrantesbanco indeciso, jornal sem argumentos convincentes, publicitário cortando cartaz no lugar errado

‘Bora exorcizar este caldeirão com nosso mestre e santo protetor, Álvaro Moreyra:

Um santo daquele tempo se espantava:
- A Ventania não dura além de uma manhã. A Chuva pesada, no máximo dura um dia. Ora, são o Céu e a Terra que produzem a ventania e a chuva pesada. Se o Céu e a Terra não podem manter por muito tempo a agitação e a violência, como tenta o homem as prolongar?

 

E vamos esquecer esta semana, certo?

Até segunda!

Folheto bancário ou anúncio de ciclo menstrual?

sexta-feira, junho 26th, 2009
A tripla camada de absorção impacta na funcionalidade da frequência menstrual do banco. Ou não?

A tripla camada de absorção impacta na funcionalidade da frequência menstrual do banco. Ou não?

Essa foto, no entanto, tem que entrar. Tá na penúltima página do folheto sobre canais de atendimento que peguei no meu banco. E certeza que tem dedo de agência de publicidade aí, certeza.

Um colega meu na faculdade de Jornalismo costumava dizer em tom de ironia: Ah, se você não consegue escrever direito, faz um desenhinho que ajuda na compreensão. Pois chegamos a um ponto tal de mediocridade que hoje em dia nem o desenhinho ajuda a esclarecer as coisas! Essa página daí de cima não sofre só de texto ruim, não. O desenho é pior ainda, mais confunde do que esclarece!

Fiquei cheia de dúvidas sobre a(s) mensagem(ns) contida(s) nessa página. Na verdade, fiquei a procurar propagandas subliminares. Sei lá, capitalistas que são todos eles, alguma marca de absorvente higiênico pode ter comprado espaço publicitário subliminar nesse folheto, pra influenciar as correntistas que estão naqueles dias…

O título da página é: Use o Banco Tal sem perder seu tempo. Uai, será um absorvente que se troca sozinho, sem que a mulher-mocinha precise se preocupar com a quantidade de fluxo menstrual? A página começa a avisar: prefira ir à agência entre os dias 21 e 30. Tradução: não tem nem menstruação nem TPM, é isso? Trãnsito livre? Isso é um convite a atos que demandam maior libido, por assim dizer? Tem pornografia subliminar aí e eu não percebi?

Entre os dias 11 e 20, o bonequinho (ou indicador de quantidade de fluxo, o que você quiser entender) já é amarelo. E o texto é mais explícito pouquinha coisa: o fluxo é razoável. Corrão, porque não é seguro perambular pelas agências nesses dias! Só não entendi uma coisa: é menstruação ou TPM? Ou pior ainda: Será que o mesmo encontra-se parado por lá?

Daí, chega o dia primeiro do mês, e o bonequinho/indicador de fluxo menstrual é explícito: três gotas vermelhas!!! E o aviso: ganhe tempo, utilize os demais canais. Ah, assim não vale! Não entendi lhufas! É para fugir para as montanhas ou para procurar satisfazer suas necessidades por meio de outros… CANAIS?!?!?!?!!? Isso é um convite a relações sexuais alternativas ou eu é que estou variando das ideias????

E agora, o que eu faço? Jogo fora o folheto ou ligo pra Central de Relacionamento do meu banco, para sugerir que eles ofereçam o tal do folheto com amostras grátis de absorventes para fluxos moderados e intensos? Ou ainda, quem sabe, mando eles enfiarem esse folheto nos… demais canais?

O banco com problemas existenciais

sexta-feira, junho 26th, 2009

Não sofro mais com a conta negativa nem com as taxas de juros do banco do qual sou correntista. Sofro de me arrancar os cabelos é com as amebas escreventes que reinam naquela instituição financeira. E parece que elas fazem esses textos pra me afrontar, porque sabem que eu vou ler tudo – sério, os textos escritos pelas amebas do meu banco estão me causando alergias que se manifestam em forma de manias de perseguição!!!

Daí que quem quiser pode entrar numa das agências desse banco (propaganda gratuita? Nem vem que não tem!) e pegar um caderninho simpático, lindo e quase ecologicamente correto, pois foi confeccionado em papel reciclável (se totalmente correto fosse, pelo texto que contém deveria ter sido impresso em papel higiênico) e informa –  não, palavra muito forte; avisa – também não, pq essa toba pode não funcionar de uma hora pra outra; relata – não, não é relatório lista (pronto, acho que deu!) as formas de os correntistas usarem as facilidades (embora eles prefiram falar em funcionalidades) do banco. Eu ia colocar a foto da tetéia aí em cima, mas achei melhor digitar o texto todo pra meter o meu sarrafo costumeiro em canetas azul e vermelha.

Voltando à vaca fria, o livretinho abre com um típico texto fez-se a bosta!:

Pensando em proporcionar [Primooooooooooo!!!  Uai, vocês não sabiam, não? O Pensando em proporcionar é primo do Objetivando disponibilizar! Cresceram juntos, os dois, uma gracinha!! A diferença é que o Pensando (...) ganhou uma preposição e ficou mais gorduchinho, enquanto o Objetivando (...), por começar com um O maiúsculo, dispensou a preposição por se considerar fofucho o suficiente!] comodidade, conforto, agilidade e segurança aos nossos clientes [ai, como eles são bonzinhos, não? Fico tocada com tamanha prestatividade!] , o banco Tal coloca à disposição [ponto positivo! Não falou disponibilizar, merece ponto positivo!] diversos canais de atendimento, cada qual para atender suas necessidades [taqueospa... primeiro o texto tasca um atender necessidades, macaquice-muleta de ameba escrevente. Segundo, porque láááááááá em cima, ele fala em nossos clientes, e aqui embaixo, resolve atender suas necessidades! Quer dizer, os clientes são nossos, mas as necessidades são suas de quem, cara pálida? Dos Canais de Atendimento? Se o banco está com problemas existenciais, que vá resolvê-los no divã do analista - ou bote as amebas escreventes pra correrem de lá, oras!] de produtos e serviços bancários.

Você pode realizar a maioria de suas transações nos canais de atendimento disponibilizados [AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!!! DEVOLVAM O PONTO POSITIVO DO PARÁGRAFO ANTERIOR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!] pelo banco Tal, além do [agora, preparem-se porque vai começar a sessão comédia. Segurem o riso:] bom atendimento prestado por profissionais capacitados em nossas agências. [palavras deles, não minhas].

Melhorar essa bagaça é algo como o Super-Homem estar com uma mochila de criptonita nas costas e ter que lutar contra o Lex Luthor. Mas vamos tentar:

O Banco Tal oferece a você diversos canais de atendimento para facilitar a sua vida. Nosso ideal é proporcionar comodidade, conforto, agilidade e segurança, para que você possa usar tranquilamente nossos produtos e serviços bancários.

A maioria de suas transações bancárias pode ser efetuada/feita nos Canais de Atendimento oferecidos pelo Banco Tal. Mas não se esqueça que em nossas agências você também encontra profissionais capacitados à sua disposição para lhe prestar um excelente atendimento [quem disse que não é possível mentir e escrever direito ao mesmo tempo?]

Viu? Não doeu, e ainda ficou mais próximo e simpático do queridocliente. Agora, façam o favor de tirar essa criptonita daí que ela tá pesandoooooooooooooooooo?!?!?!

A mosca da sopa e um novo conceito em interpretação de textos

sexta-feira, junho 26th, 2009
Mosca que pousou na sopa ou metamorfose ambulante?

Mosca que pousou na sopa ou metamorfose ambulante?

Gente, vamos combinar o seguinte: falem o que quiserem de quem quiserem, mas façam-no com credibilidade e competência. Querem acusar este ou aquele governo disso ou daquilo? Ótemo! Viva a democracia! Valham-se do artigo 5º da Constituição Brasileira e sentem o sarrafo!

O que não pode é um jornal dito cheio de credibilidade estampar essa coisa daí de cima em suas vetustas páginas impressas – e na edição online (disponível apenas para assinantes. Mas acredite, não vale a pena clicar).

Senão vejamos: O título da matéria começa com uma grande e terrível acusação [rufar de tambores]: Sob Lula, Petrobras elevou salário da direção [Ooooh. Que coisa, não?]; a seguir (eu disse a seguir, o que significa que estamos falando da frase seguinte, não é uma frase que está láááá do outro lado do texto, não, está logo depois do título), a ressalva (?!?!): remuneração é menor se comparada às das grandes empresas privadas“.

Pelo que eu entendo há mais de 30 anos de interpretação de textos em Língua Portuguesa, infiro que a segunda frase anula a primeira – o que, por tabela, anula a… er… notícia (palavrinha forte essa, não?) da mosca pousada na minha sopa, mais conhecida como Folha de SPaulo. 

Este blog não vai entrar em searas políticas. Não pretende defender ou acusar nenhum governo, seja municipal, estadual ou federal. O alvo deste blog é e sempre será a defesa da Língua Portuguesa e os textos que Dela se valem para serem escritos.

E foi exatamente por isso que este texto veio parar aqui no caldeirão: os tios não sabem o que fazer nem como fazer para defender um ponto de vista, cáspita? Onde foi parar aquele hipotético jornalista da piadinha, que perguntava: é para escrever sobre Jesus Cristo, mas contra ou a favor?

Por que as pessoas estão ficando cada dia mais medíocres, o que gera jornalistas incapazes até de manipular direito um texto (o que equivaleria a um engenheiro químico que não sabe como combinar elementos para produzir uma nova fórmula química)? E, pelamordedeus, ONDE FOI PARAR O BRILHANTISMO DA FOLHA DE SÃO PAULO QUE EU COSTUMAVA LER?!?!?!?!!?

E OS CABRAS AINDA RECLAMAM DO BLOG DA PETROBRAS?!?!?!?!?!?!?!?!?!

Ah, meus tios, apertem F5… se atualizem, oras…

 

Atualização das 19:18

Tão baratinada que fiquei com a falta de coerência entre uma frase e outra, não percebi os erros de concordância enumerados pelo Jairo no comentário abaixo. Deixemos ele falar, pois:

A madrasta até que foi bondosa, uma vez que não criticou os dois erros de concordância que me foi possível observar numa rápida passada de olhos pelo texto (observações um pouco mais demoradas dos textos do matutino em questão costumam causar reações alérgicas).
Pela ordem, eles são: logo nas duas primeiras linhas “os gastos da Petrobrás (…) cresceu” e, perto do final, “os vencimentos médios de seus empregados subiu”. (…)

Jairo, sou obrigada a confessar que eu não li o resto do texto com a mesma atenção que você. Tudo bem que você deu uma passad’olhos apenas, mas eu estava em busca de alguma coisa que justificasse a contradição entre frases do título e da “bainha” do título.  Obrigada pelo comentário, e volte sempre! Ademais, não deixe que um xerife pseudo-vitaminado tire o mérito do seu diploma de jornalista. Esse troço daí de cima, que alguns chamam de notícia, depõe muito mais contra qualquer canudo do que as falastrices do xerife Gigi…. Abração!

Joguinho testa novo acordo ortográfico

quarta-feira, junho 24th, 2009

Encontrei aqui um joguinho interessante para testar as habilidades com o novo acordo ortográfico. Vale a pena brincar um cadim. Mas não se anime muito, porque o joguinho passa ao largo da questão dos hifens. Divirta-se. E aprenda um pouco mais.

É pra comer o quê, meu filho?

terça-feira, junho 23rd, 2009
]Vergonha alheia. Mau gosto alheio. Falta de noção alheia. Tudo alheio. Inclusive a boa imagem do queridocliente. [suspiro]

Vergonha alheia. Mau gosto alheio. Falta de noção alheia. Tudo alheio. Inclusive a boa imagem do queridocliente. (suspiro)

Da série “A semana promete”…

A dica foi do Twitter da Lele do Te dou um dado?, que por sua vez replicou a Flávia Durante.

Não me canso de dizer aqui que amebice publicitária é sempre obra coletiva. O primeiro jênio tem a ideia, daí vem outro pra executar, outro pra apresentar ao queridocliente e duas ou três amebas-cliente para aprovarem a bagaça. Formação de quadrilha, portanto.

Não sei se  é o caso de compadecimento ou de vergonha alheia das amebas que inventaram essa coisa em forma de publicidade. Aliás, me digam se o queridocliente pagou para ter uma imagem positiva ou negativa nesse reclame(/expressãovelha), porque nem isso ficou claro. O que ficou claro, aliás, claríssimo, nessa obra, foi o palavrão. Que não seria de bom tom nem se a peça em questão tivesse como público-alvo a parada gay. Como se homossexual gostasse de agressão gratuita e de palavras de baixo calão só por ser homossexual…

[suspiro...]

Britânico "ressucitado" pela BBC passa incólume por revisores

segunda-feira, junho 22nd, 2009
Saiu assim no Ig, no Estadão e.. ah, confira no Google!

Saiu assim no Ig, no Estadão e.. ah, confira no Google!

Tava aqui quietinha, preparando a sessão de “tio Antônio falou” inspirada pela Juzinha, quando me deparo com a manchetinha safada do Ig, que está aí em cima. A prova do crime já foi removida da página inicial do nosso portal-ameba preferido, mas lá dentro do último Segundo, o crime de lesa-ortografia continua incólume.

A historinha em si pode até ser interessantezinha: um britânico de 35 anos teve um ataque cardíaco fulminante. A namorada ligou pras equipes de salvamento que chegaram e baixaram o sarrafo do desfibrilador no peito do cabra (ou goat, já que ele é britânico) não duas ou três, mas 12 vezes – procedimento fora dos padrões nesses casos. Graças a Deus, tudo deu certo e o goatvivim da silva.

Dona Ortografia é que sofreu sequelas com o ocorrido. Por engano, o desserviço em português da BBC esqueceu do ésse do ressuscitado justo no título da matéria. Coisa que acontece, ainda mais em se tratando de agência de notícias (esta que vos fala já trabalhou na France-Presse, e sofria com a equação enviar o texto o quanto antes versus enviar o texto bem revisado), que sempre deixa passar este ou aquele errinho de revisão/releitura nos textos enviados. Tanto foi erro de revisão que no primeiro parágrafo o ressuscitado saiu certinho, como vocês podem conferir no texto.

O que não pode é os queridos portais reproduzirem a coisa do jeito que chega, sem nem ler direito. Quando eu vi que a prova do crime de lesa-ortografia havia sido removida da home do Ig, joguei no Google, contando com os bons eflúvios dos deuses do cache. E descobri que o Estadão (reincidência, ebaaaa!) também caiu na esparrela do britânico ressucitado. Mas como vocês podem conferir no print-screen do Google, o Estadão estava muito mal bem ah, deixa prá lá  acompanhado na supracitada esparrela ortográfica. Salvaram-se apenas Terra e o jornal carioca O Dia.

A semana promete, viu?

Quando olhos e ouvidos se confundem

segunda-feira, junho 22nd, 2009

Se a ameba mininstrante (êta palavrinha difícil!) da professora Ju (post daí de baixo) soubesse consultar o dicionário, encontraria, com o tio Antônio, a explicação para as diferenças e semelhanças entre ótico e óptico. E não precisaria ouvir de nossa ectoplasma suíno-acadêmica a resposta que ouviu (como assim, você ainda não leu o post daí de baixo?) com a palavra, tio Antônio (/Houaiss):

Óptico
Datação
1589 cf. Arrais
Acepções
■ adjetivo
1    relativo à óptica
Ex.: tratado o.
2    relativo ou pertencente à visão ou aos olhos; ocular
Ex.: nervo o.
2.1    que facilita, favorece a visão
■ substantivo masculino
3    aquele que se especializa em óptica (fís); opticista
4    fabricante de instrumentos ópticos
5    obsol. especialista em oftalmologia; oculista, oftalmologista

Etimologia
gr. optikós,ê,ón ‘relativo à vista, à visão’; ver opto- e -óptico
Sinônimos
ótico
Parônimos
ótico(adj.)

Ótico
Acepções
■ adjetivo
Rubrica: otorrinolaringologia.
1    relativo a orelha
2    que é eficaz contra os males da orelha (diz-se de medicamento)
     Obs.: cf. orelha

Etimologia
gr. ótikós,ê,ón ‘relativo às orelhas’; ver ot(i/o)-
Parônimos
óptico(adj.s.m.)

Traduzindo pras amebas: a expressão ótico até pode referir-se a olhos, mas obrigatoriamente refere-se às orelhas.

Pra deixar a coisa mais simples e clara, confiram os conselhos do Manual de Redação e Estilo, uma das poucas coisas prestáveis que o Estado de SPaulo fez para a humanidade luso-parlante:

Óptico, ótica
Qualifique de óptico o que for relativo à visão: músculo óptico (para evitar confusão com ótico, relativo ao ouvido). Prefira, porém, a forma ótica tanto para definir o estudo da luz quanto para definir ponto de vista: A Ótica é uma parte da física / Na minha ótica, o fato ocorreu assim. / [e, em homenagem à ameba mininstrante da Ju, o último exemplo listado pelo Manual do Estadão] A miragem é uma ilusão de ótica.

Mas sempre, sempre, sempre que tiver dúvidas quanto ao uso correto de uma palavra, corra para o dicionário mais próximo. Se você for assinante UOL, aproveite-se do link pro tio Antônio, que encontra-se no menu do lado direito deste caldeirão.

Professora Ju e a ameba mininstrante

segunda-feira, junho 22nd, 2009

Se Luis Fernando Verissimo vez que outra recebe cartas da ravissante Dora Avante, eu recebo missivas da não menos importante  porém verdadeira-de-carne-e-osso professora Jurema Sampaio – que colou meleca na cruz, tadinha dela…

Desta vez, nossa querida acadêmica enfiou-se pelos bravios mares de um curso de criatividade nas aulas de arte. Permitam-me transferir a palavra a ela, porque a historinha é deliciosa… Juzinha é ectoplasma suína de carteirinha – e eu miacaaaaaaaaaaabo com as historinhas dela! E depois, vamos falar com tio Antônio sobre a dúvida da ameba mininstrante

Ok, amiga, eu pedi… Com um título destes [Criatividade nas Aulas de Arte] só podia dar em bosta, mas fui…

Na primera aula, a coisa (Professora sou eu… aquilo era uma coisa mesmo…) que mininstrava (segundo a própria…) as aulas, começou a PRIMEIRA aula com o tema Ilusão de ótica. No título do ppt da criatura estava escritinho assim: ILUSÃO DE ÓTICA. A criatura leu o título (como se fôssemos todos analfabetos, mas, enfim…) e, em seguida, fez o comentário mais fantástico que já ouvi sobre o tema: Olha, gente, em diversos livros vocês vão encontrar escrito de formas diferentes. Varia de ótica e óptica… Eu acho que nos antigos estava escrito óptica porque era a maneira de escrever antigamente, nos livros mais novos se escreve ótica mesmo.

Menina, a coisa me incomodou e, meio sem graça, interrompi dizendo (Ok, eu e minha enorme boca… assumo…) que não era bem isso, não… Que ótica, sem o p, refere-se a ouvido, e com o p, óptica, refere-se aos olhos. Não tem nada a ver com a idade do livro…

A coisa não gostou da minha interferência e, desafiadora, me perguntou: Escuta aqui, você é professora? Eu disse que sim… e ela continuou … de português? Respondi que não, sou professora de arte. Ela, triunfante (Como se por ser professora de arte eu tivesse que desconhecer o idioma…), disse: e como você sabe disso?

Sério, não me segurei mais mesmo e lasquei “bom, sei disso porque fui alfabetizada e não sou burra… só isso… [miacaaaaaaaaaaaaaaabo com a Juzinhaaaaa!!]

A dona-coisa amarrou uma tromba, não respondeu e seguiu a aula. Pelo início, você pode imaginar a série de bobagens que se seguiram, né? Nem preciso dizer que, das oito aulas previstas para o fantástico curso, eu só assisti a meia. Ou melhor, quase meia… No intervalo do café eu saí à francesa e nunca mais voltei…

Ando com uma gastura pra burrice que pelamordeDeus! Fala sério, sou eu quem está muito exigente ou os povo anda abusando do direito de falar bosta? Hum?

Beijocas grandes pra todos da família!
Ju

Olha, Ju, as amebas estão cada vez mais se reproduzindo, seja por bipartição ou por contaminação de burrice, mesmo… o que mais me espanta é que a tchutchuca daí de cima consultou um monte de livros sobre arte para ver a diferença entre ótica e óptica, mas não se deu ao trabalho de consultar o mais fundamental dos livros, que viria a esclarecer de vez a dúvida dela (ela merece esse cacófato, então deixa escrito assim): o DICIONÁRIO!

Será que o processo de desaprendizado dos reles mortais está em estágio tão metastático que os cabras já não sabem mais nem como usar um dicionário?!?!!? Esse maravilhoso compêndio do saber iria inclusive mostrar a ela que mininstrante não pode! (Cara, não teve UMA vez que eu não tivesse que reescrever essa palavra! É tão difícil escrever mininstrar errado que você tem que prestar atenção dobrada!!)

Vamos conversar com tio Antônio (/Houaiss) a seguir, justamente sobre as diferenças entre ótico e óptico. Passei pro masculino, e você vai entender o porquê ao ler o post a seguir.

(P.S.: por um acaso você sabe se sua ameba mininstrante também dá aulas sobre premícias da bruxaria? Será que é a mesma, ou a coisa vareia?)

O forró da PUC

sábado, junho 20th, 2009

Eu me lembrei agora dessa historinha que aconteceu entre uma conhecida minha e a irmã dela, doravante denominadas Dorinha e Dorabela (só pra aliterar com o doravante). Miacaaaabo de rir toda vez que essa historieta me volta à memória. Mas deixem que eu a compartilhe com os frequentadores deste caldeirão.

Pois Dorinha e Dorabela moram em Niterói (Rio de Janeiro). Um belo dia, Dorabela chega em casa e conta para Dorinha:

- Ih, parece que vai ter forró na PUC.
- Como assim, forró na PUC? Onde você viu isso?
- Ah, tava passando de ônibus na esquina das ruas tal e tal, e tinha um cartaz esticado lá avisando…

Dorinha ficou bolada com a história. Primeiro porque a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro não fica em Niterói, mas na própria cidade do Rio de Janeiro; segundo, porque forró não é exatamente o perfil dos estudantes daquela universidade elitista até a alma.

Alguns dias depois, está Dorinha  a passar de ônibus pela esquina onde o tal do cartaz anunciava o curioso evento. Mas o que ela leu no tal do cartaz era um pouquinho diferente do que Dorabela havia lido dias antes. Voltou para a casa, e deu um esporro em Dorabela:

- SUA ANALFABETA! O CARTAZ NÃO DIZ FORRÓ DA PUC! É FORRO DE PVC!!! FORRO DE PVC, SUA ANTAAAAAAAAAAAA!!!

Obama e a mosca da Folha (ou Piada Pronta define)

quinta-feira, junho 18th, 2009

[Este post aqui foi inspirado no post do Rodrigo Vianna, doravante denominado ectoplasma suíno por acidente... ;) ]

É, esse post não tem muito a ver com texto ruim. Mas é obra de ectoplasma suíno. Seres assim são muito bem-vindos por aqui! ;)

Já disse aqui que muito me compadeço dos assessores de imprensa. Pois tal compaixão está migrando para a raça dos publicitários. Cara, se tem alguém que não pode ter uma ideia infeliz é um publicitário. Porque se isso acontecer, o produto do queridocliente é destruído a golpes de trocadilhos. Ou a golpes do destino, vai saber…

Foi mais ou menos o que aconteceu com a Folha de SPaulo. Sua agência, a África, do Nizan Guanaes, criou o tal do comercial da mosca que pousou na sopa do cara lá. Criar é um verbo meio forte, porque quem criou mesmo foi o Raul Seixas. A África (e a Folha, por tabela) se apropriaram da ideia e mandaram ver. E, na semana em que o tal do comercial inovador (cof, cof) foi lançado para angariar mais vítimas assinantes para o jornal, vem o seu Barack Obama e mata uma colhéga voadora em vídeo.

Não demorou muito para que um ectoplasma suíno juntasse os dois vídeos, o que deixou a situação (e o comercial) da Folha ainda mais ridícula(o). Confiram aí em cima…

(e que os deuses do Youtube sejam louvados, porque não fui eu quem escolhi a cara do Zé Simão pra se estampar no meu caldeirão, bem embaixo do título piada pronta define. Foi o Youtube quem fez isso sozinho. Se eu fiz isso por minha conta, por favor, me digam como foi porque eu não sei como isso aconteceu, juro…)

O Regozijo de Luis Fernando

quinta-feira, junho 18th, 2009

Nada como um bom exemplo para puxar uma boa prosa com tio Antônio, não? Então, vamos ver o que ele (/Houaiss) tem a nos dizer sobre o regozijo de Luis Fernando Verissimo:

Regozijo
Datação
c1537-1583 cf. FMPin
Acepções
■ substantivo masculino
intensa sensação de prazer, de alegria
Etimologia
prov. esp. regocijo ‘id.’; f.hist. a1616 regozilho
Sinônimos
ver sinonímia de exultação e deleite e antonímia de desgosto
Antônimos
luto; ver tb. sinonímia de desgosto

Em tempo: a palavra gozijo, criada pelo Verissimo, não existe, segundo tio Antônio. Prova de que Luis Fernando sabe escrever até quando não existem palavras para ele se expressar…

Luis Fernando, meu herói

quinta-feira, junho 18th, 2009

Criei a categoria bons exemplos pensando nos textos de Luis Fernando Verissimo. E, em dois meses de caldeirão, nunca postei nada aqui do filho do seu Érico. Está na hora de corrigir tamanha injustiça.

O texto em questão foi publicado no blog do Noblat, mais precisamente aqui. É uma aula sobre como fugir do lugar-comum e como escrever bem. O texto de Luis Fernando flui, como se ele estivesse falando pessoalmente com você. A prosa é tão gostosa que só falta o cafezinho com biscoitos amanteigados. E o trocadilho que ele apresenta no texto é simplesmente delicioso.

Reparem, pois:

O 16 de junho

Estou escrevendo isto no dia 16 de junho. Me informa o Google que o único evento com importância histórica no dia 16 de junho de 1904 foi o assassinato do governador russo da Finlândia, Nicolas Bobrikov. Não me lembro se a morte de Bobrikov aparece no livro “Ulisses”, de James Joyce, que se passa todo num dia só, justamente o 16 de junho de 1904. Se ninguém hoje se importa com Bobrikov, os nomes de Leopold Bloom e Stephen Dedalus, cujos caminhos por Dublin se entrecruzam na trama de “Ulisses”, entraram para a história da literatura, e o próprio dia 16 de junho, o “Bloomsday”, é comemorado em Dublin e em outras partes do mundo como uma data histórica. Não deve haver dúvida de que o assassinato de Bobrikov mudou os destinos da Finlândia, mas as histórias de Bloom e Dedalus na Dublin de James Joyce mudaram a cabeça de uma geração – uma área muito mais extensa.

Anthony Burgess escreveu um livro sobre Joyce chamado “ReJoyce”. O trocadilho do título – que quer dizer, ao mesmo tempo “referente a Joyce”, uma releitura de Joyce e “regozige-se com Joyce” – é uma homenagem ao autor que tornou o trocadilho literariamente respeitável. O livro de Joyce que se seguiu ao “Ulisses”, “Finnegans Wake” é um interminável – literalmente, pois não termina mesmo, a última frase do livro emenda na primeira – jogo de palavras no qual só deve se aventurar quem tem tempo , além de erudição ou um bom manual explicativo, como o de Burgess.

Como “Ulisses”, “Finnegans Wake” é uma celebração complicada de vidas simples, as vidas que acontecem longe dos grandes acontecimentos históricos mas ganham um significado simbólico que abrange mais do que a mera História. O universo reduzido a uma cidade, o tempo reduzido a um dia, os ciclos e os mitos da humanidade reduzidos a uma linguagem e todo o humor e a glória desta espécie falante reduzidas a um livro. Quase indecifrável, mas quem disse que nós temos explicação?

Os dois livros são grandes regozijos pela vida e suas reincidências que transformam qualquer beberrão em Dublin num arquétipo universal de morte e ressurreição. A palavra “regozijo” pressupõe a existência de “gozijo” e gozijar com Joyce deve significar isto, um gozo comum, um gozo de cada um integrado num gozo da nossa humanidade em comum. E “regozijo” significa a sua repetição através da história.

 Mas, já que Luis Fernando tocou no assunto, vamos falar com tio Antônio. No próximo post, por favor…

… mas a Petrobras não foi feita pra vazar, meudeusdocéu?

domingo, junho 14th, 2009

Se os leitores tiverem meio neurônio a mais, já devem ter percebido que esta que vos fala saiu da faculdade com um canudo de jornalista. E eu estou miacabaaaaaaaaaaaando com essa história toda de blog da Petrobras pra cá, blog da Petrobras pra lá… então, eu vou fazer uma looonga divagação e concluir a coisa toda com uma observação bem Objetivando Disponibilizar. Se você tiver saco pra ler este post até o fim, óóótemo. Se não, vai navegar aí do lado direito na lista de blogs, ou então, vai jogar Letroca que você ganha mais…

Daí que eu estava cá a relembrar com meus neurônios que não há nada mais ofensivo para um jornalista do que um entrevistado virar pra ele ao final de uma entrevista e dizer: deixa eu ler o que você escreveu antes de publicar, pra ver se você escreveu alguma coisa errada, tá bom?. Por várias razões:

- Ele chama o jornalista de burro e incapaz de entender o que lhe explicam;
- ele coloca o jornalista numa posição submissa, do tipo: você  TEM que me deixar ler isso, senão eu te processo, ou algo do tipo, e
- ele fatalmente vai querer corrigir alguma coisa no texto do jornalista. Ou  por questão de conteúdo ou por achar que o texto dele pode ficar melhor (/ameba escrevente auto-imbuída de poderes mexendo num texto teoricamente bem escrito. Ou ”fez-se a bosta!”, o que você preferir).

Eu o-dei-o que façam uma dessas comigo, porque não sou burra, sou capaz de entender o que me explicam, me RE-CU-SO  a me submeter a julgamentos de entrevistados meus, até porque uma das minhas funções de jornalista é exatamente fazer juízos de meu entrevistado (eu tenho que ter a capacidade de avaliar se a pessoa com quem falei é inteligente, burra, capaz, incapaz, sabe explicar sem se enrolar, etc, etc, etc.), e não o contrário. E definitivamente, eu não admito que alguém reescreva para pior um texto meu. Este caldeirão é a máxima expressão dessa não-admissão.

Mas, como boa e modesta jornalista que sou, eu entendo o outro lado da questão. Compreendo que há entrevistados que dizem bolinhas amarelas para um jornalista e, quando vão ler a reportagem, o cabra escreveu quadrados azuis. Esses entrevistados ficam para morrer com isso – e com razão. Eles sabem que explicaram tudo direitinho. A ameba, no caso, foi o jornalista, que não entendeu lhufas e escreveu de qualquer jeito. Existem casos inocentes de jornalistas que são simplesmente amebas e não sabem fazer o trabalho direito. Mas o que mais grassa entre os coleguinhas é o caboclo que sabe fazer o trabalho (razoavelmente) bem. Tão bem que sabe direitinho onde e como distorcer a informação a favor deste ou daquele ponto de vista. E aí, com é que fica o entrevistado nesse caso? Ele é obrigado a dar entrevista já sabendo de antemão (e não diante mão, como disse o sujeitim do post aqui embaixo) que o que ele disse vai ser fatalmente distorcido porpositalmente no texto final?

É por isso que EU QUE-RO SA-BER quem foi que teve a ideia GE-NI-AL de fazer o blog Fatos e Dados. Me desculpem, mas eu fico muito feliz em ver que há seres pensantes em meio ao funcionalismo público brasileiro. O Fatos e Dados foi o xeque-mate pra questão do entrevistado encurralado: escancarar nesta teia de alcance mundial (/web) pra quem quiser ler, ver e conferir, um monte de posts que, genericamente, contam: ó, me perguntaram isso, isso e isso. E eu disse A, B, C e D, tá bom?

Por que estão esperneando contra o blog? Por alguns bons motivos:
- o Fatos e Dados escancara a falta de ética da grande imprensa em tratar os assuntos que estampam suas vetustas páginas impressas na grande maioria dos casos;
- A grande imprensa não tem mais como distorcer informações (e não me diga que eles são os paladinos da verdade. Já vi coisas de arrepiar alma penada por essas redações afora)
- A grande imprensa não pode mais agir de forma arrogante com relação às empresas entrevistadas. Se, lá em cima, eu disse que eu tenho que ser capaz de avaliar um entrevistado meu, não posso usar esse poder de jornalista para o mal. É pra isso que a gente faz um juramento ético na faculdade etc, etc, etc…

Mas o bloco muito bem batizado de PIG (Partido da Imprensa Golpista) pelo Paulo Henrique Amorim argumentar que o blog fere a relação de confiança entre fonte e jornalista é risível. Primeiro porque essa relação tem que ser muito mais preservada pelo jornalista do que pela fonte: é o jornalista quem não pode revelar a fonte, e deve tratá-la muito bem para que tenha sempre informações confiáveis. Como o blog da Petrobras foi criado a partir da premissa de que essa relação já estava desgastada de há muito, perdeu-se no ar toda e qualquer argumentação a respeito. Além do quê, nunca nenhuma fonte de informação foi privada de dizer olha, Fulano me perguntou isso e eu disse isso. O único senão com relação ao Fatos e Dados é que os posts poderiam ser publicados junto com as notícias relacionadas às perguntas publicadas, pra preservar o direito que os coleguinhas têm de conseguir um furo de reportagem. Só isso. Nada que um clique em editar horário de publicação não resolva. 

[É aqui que o post vira um legítimo Objetivando Disponibilizar:]
E para defintivamente puxar a brasa toda pro caldeirão desta madrasta do texto ruim, alguém pode, por favor, me explicar o porquê de O Globo estampar em suas manchetes que A Patrobras não pode vazar?!?!!?!?!?

Cristorreimesalva!!!!! Essa é justamente a função primeira da Petrobras!!! Fazer o petróleo vazar de dentro pra fora do subsolo deste país!!! Ela foi criada para isso, cáspita!!!!

Pelamordedeus, se vocês querem brigar contra a Patrobras, fiquem à vontade. Vocês estão em seu pleno (e quixotesco) direito. Eu só apelo para que vocês façam isso com verbos mais adequados à empresa, para não caírem ainda mais no ridículo da discussão…

Mãos adiante!

segunda-feira, junho 8th, 2009
Mãos ao alto! (Hein? Como?)

Mãos ao alto! (Hein? Como?)

São coisas que a gente só consegue acreditar depois de ver. Quem me enviou esta tchutchuca foi uma querida amiga, que de há muito comporta-se como ectoplasma suína. Há quem diga, inclusive, que ela faz algumas incursões pelo ramo da bruxaria. Mas isso não vem ao caso. Atenhamo-nos ao que ela nos enviou.

Trata-se de uma – aparentemente – inocente página de Internet sobre um festival de rock que aconteceu em Ribeirão Preto (SP) no último sábado, 6 de junho. Esta aqui, para ser mais precisa. Ao se clicar no link “CNA”, surge a cartinha daí de cima. Creio eu que seja uma tentativa de assalto à gramática, à lógica, à ortografia, à sinonímia, enfim, a todo mundo. Só que a ameba, em vez de dizer pra levar as mãos ao alto, pediu para que se deixasse as mãos adiante… essa é a única explicação que eu encontrei. Se alguém tiver outra mais plausível, por favor, os comentários estão à disposição.

Diante mão, gostaríamos de parabenizar (…)

Mas para que se fique bem claro qual foi o erro do tchutchuco, vamos falar com o tio Antônio:

antemão
Datação
1363 cf. IVPM
Acepções
■ advérbio
Estatística: pouco usado.
com antecedência; antecipadamente, previamente
Locuções
de a.
m.q. antemão
Ex.: de a. comunicaram que os ingressos estavam esgotados
Etimologia
ante- + mão; ver man(i/u)-; f.hist. 1363 amtemaão
Uso
mais empr. nesta locução

Então, ameba, escreva corrtetamente corretamente [aimeudeus... viram só o que faz uma ameba irritada? Me rogou uma praga, e eu escrevi errado! Vou ter que reforçar meus passes anti-amebas (ou então, revisar o texto com mais calma antes de postá-lo... foi mals] :

De antemão, gostaríamos de parabenizar (…)

E, se vocês me dão licença agora, eu volto aos meus afazeres. Acho que este caldeirão vai ficar caladinho até amanhã de tardinha. (Todas as vezes que eu tentei fazer isso, não rolou, né? Mas desta vez, eu juro que eu vou tentar!)

Indiana do funk desiste de pontuar frases

sexta-feira, junho 5th, 2009

Genteeeeeeeeee!!! Recebi mais notícias da Indiana do Funk! (/colei meleca na cruz). Mas eu tenho cá pra mim que o assessor de imprensa da moça ou não sabe como pontuar frases ou pensa ter criado um novo conceito (/analfabeto) em telegrama.

Senão vejamos:

A indiana do funk quer ser convidada para assistir ao treino no CT do São Paulo isso depois que o técnico Muricy Ramalho deu uma declaração no programa globo esporte da rede globo  dizendo que a dançarina deve ser boa no que faz [arf, arf, arf, arf... e isso não é o Muricy babando feito cachorro em cima da... hã.. cachorra. Isso sou eu com falta de ar por ler três linhas direto, sem nem uma virgulinha sequer]. A bela diz que Muricy  é o único que poderá vê-la sem o véu.

Se corretamente pontuada fosse, a supracitada (adoro essa palavrinha!?! É feia, mas é meio metida a besta! Tem personalidade…) frase assim ficaria:

A indiana do funk quer ser convidada para assistir ao treino no CT do São Paulo-ponto. Isso depois que o técnico Muricy Ramalho deu uma declaração no programa globo esporte-vírgula, da rede globo -vírgula, dizendo que a dançarina deve ser boa no que faz. A bela diz que Muricy  é o único que poderá vê-la sem o véu.

O lugar-comum da vodka, cheio de conceitos

sexta-feira, junho 5th, 2009

Mais um post da série Irmã Selma. Eu rezei por um texto assim – e ele aconteceu. AAAAAAAAARRRRRRRGHHHHHHHHHHHHH!!!!

Desta vez, trata-se de um evento promovido por uma marca de vodka – muito boa, por sinal. Mas encarar um texto assim, só depois de três doses de caipiroska, viu? Leiam por que:

Projeto Tal chega ao Rio de Janeiro com a concretização do trabalho [eeeeeeeeeeeeeeeeeewwwwwwwwwwwwwwww!!!!] criado pelo fotógrafo Fulano de Tal, no qual um ensaio fotográfico se transforma em uma grande festa

No próximo dia 7 de junho o Rio de Janeiro dará boas-vindas a um novo mundo repleto de criatividade e inspiração [Namastê! Um novo mundo repleto? Isso é promessa ou ameaça?] . Através da concretização [heeeeiiiinnn?!?!?!!? O novo mundo repleto de criatividade e inspiração vai ter que atravessar uma concretização? Vai acabar com um galo na cabeça, coitado...] do projeto do fotógrafo fulano de Tal – escolhido como um dos visionários da marca X de vodka [eparrê-iansã! Ele é um visionário!! Tomou quantas pra chegar a esse ponto?] – chega à capital carioca o conceito [ploft! Chegou o conceito! Senhor conceito desembarcou onde? Na rodoviária ou no aeroporto? Como eu faço pra comprar o conceito? É vendido em dúzias ou em unidades?] In an X World. Inspirado por um dos maiores clássicos do cinema underground, o filme Chelsea Girls de Andy Wahrol [é Warhol! O agá vem depois do érre!! Ah, mermão, se você é tão conceituado e descolado, ao menos escrever Andy Warhol você tem que saber, né?] , o profissional resolveu recriar a atmosfera tão conhecida do antigo hotel e trará uma mistura de luxo e decadência [afffffffffff!!!] para realizar um ensaio fotográfico diferente. [afffffffffff de novo!]

O cenário escolhido para a sessão de fotos foi o belo Parque Lage
[não bastasse o lugar-comum no texto, temos agora o lugar-comum para a relização de eventos-balada... se não é o Parque Lage, é a Marina da Glória...], que receberá uma festa com ambientação dos anos 50, muito rock’n roll e drinks com a vodka X [lugar-comum do lugar-comum do lugar-comum! ainda bem que a bebida é diqualidadi...] . Tudo feito para inspirar o fotógrafo Fulano de Tal [xiiiiiiii, coitado... se ele depender dessa inspiração toda, as fotos vão ser tão... clichê!] , que promete mostrar um olhar não óbvio [deixa ver... o texto é obvio, o lugar é óbvio... mermão, tu vai ter é trabalho, viu? Boa sorte, que você vai precisar!] dos convidados e de momentos únicos que acontecerão durante a festa – realizada pela Y, agência responsável pela implementação de In An X World no Brasil. “Procuro sempre olhar para aquilo que ninguém mais vê [você e todos os fotógrafos realmente profissionais, mon cher...]. O que poderia passar despercebido, costumo destacar para contar outra história. Pra mim, os pequenos detalhes é que vão narrar a trajetória deste projeto” ressalta o fotógrafo. Como resultado final [como resultado final? Ai, não tinha como começar essa frase de forma mais... magistral, não?] será feita uma exposição sobre os momentos registrados por ele.

Em maio a marca X de vodka pediu a três profissionais de diferentes segmentos, apresentados ao público durante um coquetel na Pinacoteca do Estado, em SP, para que eles resumissem, com um projeto, qual sua visão deste novo mundo. Sicrana, Beltrano e Fulano de Tal foram os escolhidos, para representar respectivamente moda, música e fotografia. Como o primeiro a apresentar seu trabalho, Fulano resume sua visão particular [iiiiiircccccccccccc!!! Resume sua visão particular?!?!!? Masquecoisahorrorosa!!!] em sua área de atuação para o conceito [gaaaaaaaaahhhhhhhhhh!!!!!! Eu O-DEI-O conceitos!] In An X World. Para o fotógrafo, em um mundo ideal todas as sessões de fotos seriam grandes comemorações, com muita gente bonita, as melhores bebidas e comidas e música de qualidade, ou seja, garantia total de diversão para todos os envolvidos. [e uma ou outra ausência de foco nas fotos, resultado da bebedeira, né? E por foco nas fotos, eu quero dizer foco nas fotos, e não atenção especial para as fotos].

Para auxiliar na inspiração do profissional e fazer com que os convidados integrem-se ainda mais na atmosfera rock/decadente do projeto, a trilha sonora foi muito bem pensada
[vocês tiveram o mesmo pressentimento que eu, né?]. Os convidados chegarão ao som do Dj de nome tal, na seqüência serão surpreendidos com um show da banda de nome outro, que mostrará todo o seu eletro-rock paulista. Para encerrar uma figurinha carimbada da noite carioca, o DJ de nome tal outro. [Não conheço nenhum deles. Mas já estou com pena...]

Vou tentar melhorar esse troço. Deixa ver aqui…

Projeto Tal chega ao Rio de Janeiro com o trabalho do fotógrafo Fulano de Tal, no qual um ensaio fotográfico se transforma em uma grande festa.

No próximo dia 7 de junho o Rio de Janeiro dará boas-vindas a um mundo de criatividade e inspiração. Com o projeto do fotógrafo Fulano de Tal – escolhido como um dos visionários da marca X de vodka  – chega à capital carioca o evento In an X World. Inspirado por um dos maiores clássicos do cinema underground, o filme Chelsea Girls de Andy Warhol, o profissional resolveu recriar a atmosfera do antigo hotel, uma mistura de luxo e decadência para realizar um ensaio fotográfico diferente.

O cenário escolhido para a sessão de fotos foi o Parque Lage, que recebe uma festa com ambientação dos anos 50, rock’n roll e drinks com a vodka X. Tudo feito para inspirar o fotógrafo Fulano de Tal, que promete mostrar um olhar não-óbvio dos convidados e de momentos únicos que acontecerão durante a festa – realizada pela Y, agência responsável pela implementação de In An X World no Brasil. “Procuro sempre olhar para aquilo que ninguém mais vê. O que poderia passar despercebido, costumo destacar para contar outra história. Pra mim, os pequenos detalhes é que vão narrar a trajetória deste projeto” ressalta o fotógrafo. As fotos serão exibidas numa exposição especial.

Em maio, a marca X de vodka pediu a três profissionais de diferentes segmentos, apresentados ao público durante um coquetel na Pinacoteca do Estado, em SP, para que eles resumissem, com um projeto, sua visão de um mundo de criatividade e inspiração. Sicrana, Beltrano e Fulano de Tal foram os escolhidos para representar respectivamente moda, música e fotografia. Como o primeiro a apresentar seu trabalho, Fulano resume sua visão da ideia de In An X World. Para o fotógrafo, em um mundo ideal todas as sessões de fotos seriam grandes comemorações, com muita gente bonita, as melhores bebidas e comidas e música de qualidade, ou seja, garantia total de diversão para todos os envolvidos.

Para auxiliar na inspiração do profissional e fazer com que os convidados integrem-se ainda mais na atmosfera rock/decadente do projeto, a trilha sonora contará com três participações distintas. Os convidados chegarão ao som do Dj de nome tal, na seqüência serão surpreendidos com um show da banda de nome outro, que mostrará todo o seu eletro-rock paulista. Para encerrar uma figurinha carimbada da noite carioca, o DJ de nome tal outro.

De novo: valei-me irmã Selma! Reze pra que isso fique bom!

O lugar-comum doce e aromatizado artificialmente

sexta-feira, junho 5th, 2009

Tem vezes que eu sou sinistra que nem a irmã Selma, da Terça Insana. Eu rezo pra acontecer uma coisa – e ela acontece.

Estava esta semana mesmo me lembrando do genial Business Bingo, joguinho lançado pela Turma do Casseta, e pensei num único texto que reunisse o todo-todo do lugar-comum. Aquelas palavrinhas batiiiiidas que de tanto aparecerem em outros textos dão a impressão de que fazem parte de uma linha de produção.

E não é que esse texto me chegou de presente de grego agora por e-mail? E não foi um texto, foram dois! Num intervalo de duas horas!!! Afe Maria, irmã Selma baixou legal aqui! Juro que não foi obra do meu caldeirão!!

Vejamos neste post o primeiro texto. O e-mail já se anuncia tenebroso no assunto: inovações em sticks. Olha só a teteia (essa teteia vai sem acento, de tão lugar-comum que é…). Mas vamos acompanhar a tchutchuca:

Tal, a marca líder em inovação [hmmm... Tem alguém aí que não seja líder em inovação? Aliás, como se faz pra ser líder em inovação? Quem atesta a liderança em inovação? Quais os parâmetros? Ah, tem nada disso, não? É só frescura? Então, meu filho, fez-se a bosta!] no mercado brasileiro de balas, traz uma série de novidades em embalagens stick. O objetivo da empresa com os lançamentos é ampliar ainda mais a comercialização desse tipo de produto [e poderia haver outro motivo para o lançamento que não o de ganhar mercado, vender mais, ter mais lucro e tornar-se o principal integrante desse segmento?] , que hoje representa cerca de 50% das vendas da empresa Tal (detentora da marca Tal) no País.
Uma das grandes novidades é o XXX Rainbow, um stick colorido inovador
[stick colorido inovador? E isso é de comer, mesmo? Jura?] onde [mas esse troço é um produto ou um lugar?] os sabores das balas estão ordenados de acordo com as cores da embalagem [quem vai gostar disso é o Adrian Monk]. Desta forma, o consumidor consegue identificar a posição exata de todos os sete sabores inclusos no produto – melancia, acerola, laranja, frutas vermelhas, uva, abacaxi e morango [sei, sei... trata-se, portanto, de um confeito segmentado para pessoas que sofrem de Transtorno Obsessivo-Compulsivo - o famoso TOC. Enfim, balas para os Adrian Monk da vida].
 
O XXX Rainbow chega para agradar os consumidores loucos por balas com sabores frutais
[se a razão de existir de um novo produto não é a de agradar consumidores de forma a gerar lucro para a empresa fabricante, gostaria de saber qual é], um mercado que hoje representam [o mercado representaM? Cristorreimesalva...] cerca de 54% do valor de vendas do mercado [o mercado representa 54% do mercado? GGGAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!] de DPC (drops, pastilhas e caramelos) – Fonte:Nielsen – como um todo [o mercado representa 54% do mercado como um todo?!?!!? Cara, ele conseguiu fazer três bostas numa única frase!!! Isso é que é inovação...].
Segundo a gerente de marca Tal balas,
[aaaaiiii... eu sofro por antecipação com citações do queridocliente...] em pouco mais de um mês de comercialização, o novo XXX Rainbow já é um grande sucesso junto aos consumidores. “Em abril, quando fizemos o lançamento, o produto figurou na terceira colocação no ranking de vendas de sticks no Brasil”, completa. [ufa! Então, eu posso respirar aliviada. Dona gerente não falou amebices, como aquela outra que disse que o carro que ela lançava estava baseado num tripé, lembra?]
(…)

Combinação Brasileira
A outra novidade da Marca Tal em sua linha de embalagens stick é o novo XXX Guaraná Orange, que traz para o mercado
[esse texto é uma trazeção só, né? Como eles trazem tralha coisa pro mercado, credocruz...] de balas brasileiro um inédito sabor [aaaaaaaaaaaaaaaiiiiii.... inédito sabor? Quecoisahorrorosa!] que oferece a refrescância única do guaraná, com o toque cítrico da laranja, uma combinação de refrigerante com fruta que já faz muito sucesso no Brasil [iiiiiirrrrrccccccccccc!!! Se a bala é gostosa, eu não sei. O texto é pééééééééssimo!].
 
Um grande diferencial
[dufffff! Grande diferencial! Por que eu ainda não desenvolvi um sal de frutas anti-texto ruim?]  deste novo stick é a inclusão de um aroma inovador [inclusão de um aroma inovador? Masquebostadetexto!!!!] em sua formulação, que torna o sabor da bala muito mais próximo do refrigerante, incluindo até mesmo [Nossa! que inovador, não? É uma inclusão que inclui até mesmo...]  a sensação do gás presente na bebida. “Para o consumidor é como se estivesse realmente bebendo guaraná com laranja”, completa. [é verdade... você ingere um troço artificial e doce, que pode te dar cáries. Igualzinho! E o pior é que a dona gerente completou lá em cima e completou aqui embaixo de novo!]
(…)

 Será que eu consigo melhorar essa bagaça?

Tal, a marca líder do mercado brasileiro de balas, traz uma série de novidades em embalagens tipo stick. O objetivo da empresa com os lançamentos é ampliar ainda mais a comercialização desse tipo de produto, posto que hoje esse segmento representa cerca de 50% das vendas da empresa Tal (detentora da marca Tal) no País.
Uma das grandes novidades é o XXX Rainbow, que dispõe as balas na embalagem por ordem de cores. Cada cor representa um sabor diferente. Com isso, o consumidor consegue identificar a posição exata de todos os sete sabores do produto – melancia, acerola, laranja, frutas vermelhas, uva, abacaxi e morango.  
 
O XXX Rainbow chega para participar de um segmento que atualmente equivale a cerca de 54% do valor de vendas do mercado de DPC (drops, pastilhas e caramelos) (Fonte:Nielsen).
Segundo a gerente de marca Tal balas, o novo produto está há pouco mais de um mês nas prateleiras e já é um sucesso. “Em abril, quando fizemos o lançamento, ele figurou na terceira colocação no ranking de vendas de sticks no Brasil”.(…)

Combinação Brasileira
A outra novidade de Mentos em sua linha de embalagens stick é o novo XXX Guaraná Orange, com o sabor da refrescância única do guaraná e o toque cítrico da laranja.
 
O aroma do novo stick da marca Tal torna o sabor da bala muito mais próximo do refrigerante. Dá até pra ter a sensação do gás presente na bebida. “Para o consumidor é como se estivesse realmente bebendo guaraná com laranja”. (…)

Foi o que deu pra fazer… acho que nessas horas, nem se a irmã Selma rezar esse texto fica melhor… e olha que quando ela reza, acontece!

Lógica e Língua Portuguesa (…) 2, a missão

quinta-feira, junho 4th, 2009

…e o Cardoso fez o apanhadão geral das amebices escritas sobre o voo da Air France.

Confiram que tá imperdível. Mas leiam com sal de frutas ao lado, vocês vão precisar… o link é este aqui.

JB abre Buraco Negro para explicar voo da Air France [cadê os meus sais?]

quarta-feira, junho 3rd, 2009

Eu tava me arrumando pra ir pro cinema (tem mostra Jacques Tati no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, segundo me informou minha amiga Letícia). Mas tive que ler o Twitter. Eu não aprendo…

Outro link que o Cardoso postou no Twitter dele. Esta obra-prima é do Jornal do Brasil. Que já foi O melhor jornal deste país. Agora, como muito bem disse o Cardoso, em versão online não serve nem de papel higiênico, coitado (do JB, não do Cardoso).

Enfim, lá vou eu comentar de azul… 

Ambientalista baiana diz que buraco negro engoliu o avião [ã-rrã... sei...]

SALVADOR – A ambientalista Telma Lobão, engenheira agrônoma e funcionária do estado da Bahia, tem uma tese para o desaparecimento do Airbus da AirFrance que fazia a rota Rio Paris. Segundo ela, o avião pode ter sido engolido por um buraco negro.

- Não há explicação para este sumiço – diz ela. [Minha filha, decida-se! Ou você sabe que o avião foi parar num buraco negro ou você diz que não há explicação para o sumiço! As duas ao mesmo tempo, não dá!]

Segundo Telma, Buracos Negros são portas que se abrem e se fecham para uma outra dimensão, e são responsáveis pelo desaparecimento de milhares de pessoas e objetos na face da Terra[taquiopariu...]. Essas pessoas e esses objetos desaparecem do nada, sem testemunhas e para sempre, como se desaparecessem na ar [Oi? O avião estava no ar quando caiu!!]. Eles podem existir em qualquer lugar do Planeta Terra, e pode ser o responsável [aqui o puxão de orelha vai pro jornalista (ô, raça!) que redigiu a toba... tchutchuco, repare que o parágrafo começou falando de buracoS NegroS, no plural e, de repente, não mais que de repente, virou singular?: O ésse foi-se junto com o avião da Air France, é?] pela desaparecimento [aaaiiii... tá bom, vou relevar. Isso é o tipo de errinho que passa despercebido. E, pelo visto, ninguém mais releu o texto pra tomar atento pra esse pelA desaparecimentO. Deixa prá lá!] do avião francês. Ao passar por esta porta que poderia se abrir e fechar a qualquer momento, os corpos desaparecem para sempre. O Triangulo das Bermudas seria a área onde existiria [GGGAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!1 ALGUÉM MANDA UM LIVRO DE GEOGRAFIA PRA AMEBA ESOTÉRICA, PELAMORDEDEUUSSSSSSSSSSS!!! Quérida, o Triângulo das Bermudas fica mais em cima, próximo ao Arquipélago das.... Bermudas!] mais Buracos Negros na Terra. Para alguns estudiosos [estudiosos? Tem nego que perde tempo com isso? Tá bom, então...] a matéria se desintegra, para outros as pessoas e os objetos são levados para uma outra dimensão. Há desparecimentos de navios.[Sei, sei... fofa, vamos combinar o seguinte: você tá vendo muito Lost... como diria a tia da Letícia, isso é falta de louça pra lavar! Se você tivesse bastante louça na pia, não falaria tanta besteira junta... vai lavar a louça da sua pia!]

Ai, chega! Tchau! Vou tomar um banho de cultura, inteligência e bom gosto! Jacques Tati est tout! Letícia, me espera que eu tô chegando!!!

Mas nem o Tutty escapa!

terça-feira, junho 2nd, 2009
As mesmas andam de elevador com o Geraldo Alckmin?

As mesmas andam de elevador com o Geraldo Alckmin?

Socoooooooooooooooorrrooooooooooooooo!!!  O ectoplasma mesmítico atacou o Tutty Vasques!!!

Tutty…  fazassim, ó: em vez de

A euforia de Lula com o resultado das últimas pesquisas esbarra na felicidade de Geraldo Alckmin com as mesmas.

Tente

As últimas pesquisas trouxeram euforia para Lula e felicidade para Geraldo Alckmin.

Fica tão melhor…

[Ai, fico tão triste quando um dos meus ídolos é assombrado por um encosto de fez-se a bosta! :( ]

Lógica e Língua Portuguesa também estão entre as vítimas do voo da Air France

terça-feira, junho 2nd, 2009
     
Sinceramente, não sei o que é pior. Se é o drama de todas as famílias que perderam seus entes queridos no acidente do voo AF 447 da Air France, ou a quantidade monumental de besteiras que são ditas sobre o assunto. Já falei aqui da vergonha alheia (VA) que eu senti dos âncoras da Globonews ontem de manhã. Agora, o Cardoso, um dos maiores ectoplasmas suínos do Twitter ;) , resolveu ler todos os comentários deixados na matéria da Folha de São Paulo sobre o assunto, e fez um breve apanhado do que ele batizou de salsinhas aéreas no Twitter dele.

Vejamos algumas pérolas que as amebas escrevem por lá. Por motivos de VA, resolvi omitir o nome das ditas.

  • comentário enviado dia 1º/6, às 14:31. Melangê de jenessequá define: A verdade é que as tempestades que antes nãoserrubavam avião [Ok, vou relevar. Erro de dedo no teclado], hoje com a mudança climática as máquinas voadoreas [idem] tem que serem [o tem sem acento eu relevo, mas essa flexão de infinitivo, não dá não...] revistas com novas tecnologias para novos tempos.AS turbulencias não são mais as mesma que as máquinas suportam. [Sei, sei... mas com isso você quis dizer exatamente que.... (preencha aqui o que a ameba quis dizer)?]
  • comentário enviado dia 1º/6, às 19:04. Ameba com mestrado em engenharia: Srs, sou doutorando do ITA [yessssssssssss!!! Uma ameba da engenharia!!!!] e digo que os sistemas eletronicos a bordo faz [os sistemas faz? Jura que os sistemas faz?] com que o aviao seja mais seguro e nao ao contrario….entao vamos parar de bla blabla e dizer besteiras sobre que ["dizer besteiras sobre que"? uai, quem é mesmo que está dizendo besteira aqui?]  a maquina nao pensa e etc.[também vou relevar a falta de pontuação geral. O engenheiro em questão deve ter incluído isso na margem de erro permitida no projeto, né? Além do quê, a ameba deixou bem claro que quem pensa, aqui, é a máquina... Tadinha da máquina...]
  • comentário enviado hoje, 2/6, às 9:30. Vejam como a ameba é solícita: Estou fazendo várias buscas a horas [para indicar tempo passado, o indicado mesmo é o verbo haver (), e não a preposição a, que indica futuro. Mas deixemos isso de lado, né? Afinal de contas, o tchutchuco está auxiliando nas buscas!!! Mas como ele está fazendo isso? Ah, não percam as próximas palavras...], revezando com meus filhos, mas realmente está dificil encontrar sobreviventes e destroços no Google Earth [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!!! ABAIXO A INCLUSÃO DIGITAAAAAAAAAALLLLLLLLLL!!!!!!!!!!!] . Paz para as famílias dos passageiros [para os seus neurônios também, ameba!]
  • Comentário enviado dia 1º/6, às 12:49. Outra ameba solícita, porém com menos noções de geografia do que a ameba do dia 2. E que escreve em miguxês (bleargh!): entaum ontem por volta das 20:30 passou uma avião com as luzes todas acesas [ainda bem, não? ele viu o avião passando, e estava todinho aceso! Pane elétrica descartada, portanto! Avisem ao Cindacta!] e muito baixo aki na região onde eu moro em mongagua indo pro sentido de praia grande e santos [Mongaguá, Praia Grande, Santos?!?!?!] ,talves nao seja este avião desaparecido [Jura por Deus que esse não é ao avião desaparecido? Tem certeza? Olha, sugiro que você faça uma extensa investigação a respeito! Até porque, o fato de o avião da Air France ter decolado do Rio-de-Ja-nei-ro rumo à EUROPA não significa lá grandes coisas, né?] , mas tbm parecia que ele estava com problemas tipo sem rumo nao sabia pra onde ia! [Coitado.... um avião-Hamlet! Ser ou nao ser, eis a questão! E eu ainda arrisco que ele veio de Minas Gerais! Ao sobrevoar a região da casa da ameba, estava a divagar (OK, amebas podem pensar que ele não estava rápido, né?) Então, ele estava a pensar lá com os botões dele: "estou aqui, sobrevoando Mongaguá, passando por Santos, mas não sei muito bem quemcossô, oncotô, proncovô..."]

Há casos que eu só acredito… veiiindo!, como diriam as frequentadoras do auditório do Silvio Santos. Eu vi todos esses casos, não inventei nenhum. Pode ir lá no link da Folha procurar por eles…

Aimeudeus… esse mundo tá perdido!

bom, acompanhem a cobertura completa das salsinhas aéreas no Twitter do Cardoso. Porque produção de ameba é pior que poço sem fundo…

Hoje o caldeirão descansou

segunda-feira, junho 1st, 2009

Poi zé, leitores meus. Hoje quase não pus reparo na web. Servi de chofer de marido sem carteira de habilitação e de babá de amiga doente, motivos pelos quais pouco me ative à Internet brasileira.

Então, vamos combinar que hoje os portais se comportaram direitinho, sim? Se a Globonews fez essa lambança que eu relatei aí embaixo, não quero nem ver o que UOL e Ig aprontaram…

Se bem que a cobertura da Bandnews FM do acidente da Air France foi (ou está sendo, porque ainda não acharam nada do avião) um exemplo. Desde as sete horas da manhã. (Sem crase, por favor…)

Frente a frente não tem crase – ou Amebas googleantes 2, a missão

segunda-feira, junho 1st, 2009

Mais fofocas do WordPress. Agora, meu sistema editor de blog avisa que uma das buscas do Google que trouxeram o navegante a este caldeirão é esta aqui:

A frase viu-se frente a frente com o inimigo tem crase?

Ok, Vamos lá. Neste post aqui eu falei que uma das formas de se descobrir se determinada expressão recebe ou não o famigerado acento grave é substituir a palavra feminina depois do a por uma palavra masculina. Se com essa substituição a expressão a tornar-se a combinação ao (artigo a + preposição o), então no original teremos crase, já que o sinal de crase indica um a que faz jornada dupla no texto: trabalha como artigo e preposição.

Substituamos, pois, a palavra frente, feminina, pela palavra lado, masculina. A frase fica assim:

Viu-se lado a lado com o inimigo.

Uia! Não pediu artigo! então, esse a na frase faz jornada única, é só artigo. Se não tem preposição, não tem crase. Portanto, no original, a frase não leva crase.

Ou seja: a expressão frente a frente não precisa de crase. Ela dispensa o a artigo, fica só com o a preposição. Fikadika, portanto.

Vergonha alheia dos âncoras da Globonews

segunda-feira, junho 1st, 2009

Vou abrir uma exceção pequenininha aqui e publicar um comentário não sobre texto mal-escrito, mas sobre entrevista mal-feita.. Mas não é tão exceção assim, porque tem a ver com interpretação de textos.

Morri de vergonha dos âncoras da Globonews que trabalhavam esta manhã. Não é possível tanto despreparo ou tanta falta de noção em tão pouco tempo. Isso porque eu só assisti um pouquinho. Os dois tomaram dois esporros subsequentes, ao vivo, de um entrevistado sobre segurança de voo, hoje por volta das 8:30 / 9:00 da manhã.

Não me peçam nomes, porque eu não pus reparo em nenhum deles. Só sei que os dois âncoras entrevistavam um militar da Aeronáutica, especialista em segurança de voo, sobre o que poderia-talvez quem-sabe-de-repente-na-sua-opinião ter acontecido com o voo da Air France AF 447 que caiu na última madrugada, etc, etc, etc. Só ouvi duas perguntas e desliguei a televisão constrangida.

O diálogo que se segue não é uma reprodução fiel, mas o que eu me lembro de ter ouvido.

Primeira pergunta: O senhor acha que o fato de haver dois técnicos da Air France a bordo seria um indicativo de que o avião não estava em condições técnicas de efetuar o voo? [Tipassim, os técnicos iriam consertar o avião em pleno voo, é isso? como diria minha falecida avó numa hora dessas: "É, Bebé, mamar na gata você não quer, né?"]

Resposta: DE JEITO NENHUM! ONDE JÁ SE VIU? Esse avião estava realizando um voo internacional de longa duração! Não existe  a MENOR hipótese de que ele tenha decolado com qualquer avaria! Isso não ocorre em nenhuma companhia aérea do mundo, ainda mais numa empresa do porte da Air France! De jeito nenhum! Ou você não pensou na possibilidade de esses técnicos estarem voltando de uma missão aqui no Brasi, para revisão de aeronaves que estariam em solo?

Pergunta seguinte: O ministro dos transportes [não me lembro ao certo se era dos transportes, mas acredito que sim] da França afirmou agora há pouco que o avião estaria sem combustível no momento da queda. O senhor acha que isso poderia ter sido a causa da queda da aeronave? [tipassim nº2: a aeronave tinha voado menos da metade do tempo previsto de voo; a maior parte do voo é feita sobre águas oceânicas, e a tchutchuca queria que a nave tivesse pouco combustível, é? "É, Bebé, mamar na gata você não quer, né?" nº2]

O entrevistado começou a balbuciar três respostas diferentes, e respirou fundo antes de continuar:

“Minha filha, deixa eu te contar uma coisa: existem três fases a serem respeitadas quando as torres perdem o contato com uma aeronave. A primeira é de alerta: perdeu-se o contato com a aeronave tal. Isso pode ter milhões de causas, e pode passar logo. Pode ser um probleminha momentâneo na transmissão, uma falha de satélite, qualquer coisa. Então, aguarda-se um pouco até que essa comunicação seja restabelecida. Caro isso não ocorra, começa a fase dois, a fase de incerteza: “Nossa,que estranho, não? O que será que aconteceu? Vamos começar a procurar pela aeronave?”. A terceira fase começa quando se calcula a quantidade de combustível que a aeronave carregava e o tempo decorrido desde o início de voo, e chega-se à conclusão que, se a nave ainda estivesse voando após todo o tempo sem comunicação, não pode mais estar agora porque acabou o combustível. Essa é a fase de desastre. Pelos meus cálculos, eu acredito que nós tenhamos acabado de chegar à terceira fase agora, porque o avião teria mais algumas horas de combustível além do tempo de voo e, como ele deveria ter pousado há umas três horas no aeroporto de Paris e não o fez, o combustível deve ter acabado agora. Foi isso o que o ministro dos Transportes da França quis dizer, entendeu?”

Juro por Deus, fiquei morrendo de pena dos âncoras (que, graças a Deus, não apareciam na telinha da TV). Mas, passadas 12 horas, eu acho que foi mais do que merecido! Onde já se viu fazer perguntas tão amebísticas desse jeito?!?!?!!? Mereceram as respostas malcriadas que levaram no meio das ideias!

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