Arquivo por junho 18th, 2009

Obama e a mosca da Folha (ou Piada Pronta define)

quinta-feira, junho 18th, 2009

[Este post aqui foi inspirado no post do Rodrigo Vianna, doravante denominado ectoplasma suíno por acidente... ;) ]

É, esse post não tem muito a ver com texto ruim. Mas é obra de ectoplasma suíno. Seres assim são muito bem-vindos por aqui! ;)

Já disse aqui que muito me compadeço dos assessores de imprensa. Pois tal compaixão está migrando para a raça dos publicitários. Cara, se tem alguém que não pode ter uma ideia infeliz é um publicitário. Porque se isso acontecer, o produto do queridocliente é destruído a golpes de trocadilhos. Ou a golpes do destino, vai saber…

Foi mais ou menos o que aconteceu com a Folha de SPaulo. Sua agência, a África, do Nizan Guanaes, criou o tal do comercial da mosca que pousou na sopa do cara lá. Criar é um verbo meio forte, porque quem criou mesmo foi o Raul Seixas. A África (e a Folha, por tabela) se apropriaram da ideia e mandaram ver. E, na semana em que o tal do comercial inovador (cof, cof) foi lançado para angariar mais vítimas assinantes para o jornal, vem o seu Barack Obama e mata uma colhéga voadora em vídeo.

Não demorou muito para que um ectoplasma suíno juntasse os dois vídeos, o que deixou a situação (e o comercial) da Folha ainda mais ridícula(o). Confiram aí em cima…

(e que os deuses do Youtube sejam louvados, porque não fui eu quem escolhi a cara do Zé Simão pra se estampar no meu caldeirão, bem embaixo do título piada pronta define. Foi o Youtube quem fez isso sozinho. Se eu fiz isso por minha conta, por favor, me digam como foi porque eu não sei como isso aconteceu, juro…)

O Regozijo de Luis Fernando

quinta-feira, junho 18th, 2009

Nada como um bom exemplo para puxar uma boa prosa com tio Antônio, não? Então, vamos ver o que ele (/Houaiss) tem a nos dizer sobre o regozijo de Luis Fernando Verissimo:

Regozijo
Datação
c1537-1583 cf. FMPin
Acepções
■ substantivo masculino
intensa sensação de prazer, de alegria
Etimologia
prov. esp. regocijo ‘id.’; f.hist. a1616 regozilho
Sinônimos
ver sinonímia de exultação e deleite e antonímia de desgosto
Antônimos
luto; ver tb. sinonímia de desgosto

Em tempo: a palavra gozijo, criada pelo Verissimo, não existe, segundo tio Antônio. Prova de que Luis Fernando sabe escrever até quando não existem palavras para ele se expressar…

Luis Fernando, meu herói

quinta-feira, junho 18th, 2009

Criei a categoria bons exemplos pensando nos textos de Luis Fernando Verissimo. E, em dois meses de caldeirão, nunca postei nada aqui do filho do seu Érico. Está na hora de corrigir tamanha injustiça.

O texto em questão foi publicado no blog do Noblat, mais precisamente aqui. É uma aula sobre como fugir do lugar-comum e como escrever bem. O texto de Luis Fernando flui, como se ele estivesse falando pessoalmente com você. A prosa é tão gostosa que só falta o cafezinho com biscoitos amanteigados. E o trocadilho que ele apresenta no texto é simplesmente delicioso.

Reparem, pois:

O 16 de junho

Estou escrevendo isto no dia 16 de junho. Me informa o Google que o único evento com importância histórica no dia 16 de junho de 1904 foi o assassinato do governador russo da Finlândia, Nicolas Bobrikov. Não me lembro se a morte de Bobrikov aparece no livro “Ulisses”, de James Joyce, que se passa todo num dia só, justamente o 16 de junho de 1904. Se ninguém hoje se importa com Bobrikov, os nomes de Leopold Bloom e Stephen Dedalus, cujos caminhos por Dublin se entrecruzam na trama de “Ulisses”, entraram para a história da literatura, e o próprio dia 16 de junho, o “Bloomsday”, é comemorado em Dublin e em outras partes do mundo como uma data histórica. Não deve haver dúvida de que o assassinato de Bobrikov mudou os destinos da Finlândia, mas as histórias de Bloom e Dedalus na Dublin de James Joyce mudaram a cabeça de uma geração – uma área muito mais extensa.

Anthony Burgess escreveu um livro sobre Joyce chamado “ReJoyce”. O trocadilho do título – que quer dizer, ao mesmo tempo “referente a Joyce”, uma releitura de Joyce e “regozige-se com Joyce” – é uma homenagem ao autor que tornou o trocadilho literariamente respeitável. O livro de Joyce que se seguiu ao “Ulisses”, “Finnegans Wake” é um interminável – literalmente, pois não termina mesmo, a última frase do livro emenda na primeira – jogo de palavras no qual só deve se aventurar quem tem tempo , além de erudição ou um bom manual explicativo, como o de Burgess.

Como “Ulisses”, “Finnegans Wake” é uma celebração complicada de vidas simples, as vidas que acontecem longe dos grandes acontecimentos históricos mas ganham um significado simbólico que abrange mais do que a mera História. O universo reduzido a uma cidade, o tempo reduzido a um dia, os ciclos e os mitos da humanidade reduzidos a uma linguagem e todo o humor e a glória desta espécie falante reduzidas a um livro. Quase indecifrável, mas quem disse que nós temos explicação?

Os dois livros são grandes regozijos pela vida e suas reincidências que transformam qualquer beberrão em Dublin num arquétipo universal de morte e ressurreição. A palavra “regozijo” pressupõe a existência de “gozijo” e gozijar com Joyce deve significar isto, um gozo comum, um gozo de cada um integrado num gozo da nossa humanidade em comum. E “regozijo” significa a sua repetição através da história.

 Mas, já que Luis Fernando tocou no assunto, vamos falar com tio Antônio. No próximo post, por favor…

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