Arquivo por março, 2010

Folha de São Paulo: Mais gente empregada, maior a taxa de desemprego (oi?)

quarta-feira, março 31st, 2010

Eu sinceramente não sei o que pensar deste texto. Deve haver algum raciocínio oculto por trás desses índices, valores e taxas que não foi bem explicado pelo texto. Por isso a reportagem conclui que a taxa de desemprego alta é fruto do aumento da quantidade de pessoas… er… empregadas! (?!?!?!!?!)

Sabe o que é, gente? É que eu vivo ainda dentro do velhoconceito de taxa de desemprego alta, que pressupõe mais gente fora do mercado de trabalho. Se o novoconceito de índice de desemprego determina que quanto mais gente empregada, maior será a taxa de desemprego, ninguém me avisou. Por isso eu entendi patavinas da reportagem da Folha.

Portanto, eu venho humildemente pedir a vocês que me expliquem o raciocínio desse texto, pelo amor de Deus. E vou resistir bravamente a desancá-lo até que me provem que eu não devo fazer isso.

Ah, sim! O texto está aqui, e é esta pérola que vos copio abaixo:

31/03/2010 – 12h58
Otimismo com a economia aumenta entrada no mercado de trabalho

GIULIANA VALLONE
da Folha Online

A entrada atípica de pessoas no mercado de trabalho em fevereiro gerou um crescimento na taxa de desemprego do país no mês passado, de acordo com dados da Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O índice subiu para 13% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, acima dos 12,6% em janeiro.

Os números mostram que o aumento de 90 mil no número de desempregados no mês resultou da abertura de 25 mil vagas e da entrada de 116 mil pessoas na força de trabalho. “O clima é de relativo otimismo com a economia, então as pessoas vão para o mercado de trabalho”, afirmou Alexandre Loloian, coordenador técnico da equipe de análises da Fundação Seade. “Geralmente em fevereiro as pessoas estão saindo do mercado.”

Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego também subiu, passando de 11,8% em janeiro para 12,2% em fevereiro, ainda assim a menor taxa para o mês desde 1992. O nível de ocupação na região cresceu 0,5% no mês, registro praticamente inédito em meses de fevereiro, afirmou Loloian.

Para ele e Sérgio Mendonça, supervisor da pesquisa no Dieese, beneficiada pela melhora das condições neste ano, a taxa em São Paulo deve voltar a ter apenas um dígito até o final do ano, classificando-se como o melhor número em cerca de 20 anos. “Uma taxa em torno de 10% não é nada para se comemorar, ainda é alta. Mas é favorável”, afirmou Mendonça.

Carteira assinada

Loloian e Mendonça ressaltaram também a importância da geração de vagas com carteira assinada no país. “Em cada dez postos criados atualmente, oito são com carteira assinada”, afirmou o coordenador do Dieese. “As vagas com carteira crescem e as sem carteira caem. Está havendo uma troca.”

O número de trabalhadores com carteira assinada no país registrou crescimento de 1,5% em fevereiro ante janeiro, o equivalente a 127 mil pessoas. Já a quantidade de vagas informais caiu 2,3%, em 41 mil.

Aceitamos sugestões inclusive sob a forma de desenhos.

Grata,

Bruxa Malvada

O incrível caso do balde ninja que atravessou goteiras globais

quarta-feira, março 31st, 2010

Agora vejam vocês como é poderosa essa Rede Globo! Palavras do Ricardo Feltrin, não minhas…

Eis que durante uma bela edição noturna do SP TV as câmeras da Globo flagraram um glorioso e retumbante baldimdiprástico a invadir a cena por elas captada (aparece ao lado do monitor que mostra a Flávia Freire). E o pobrezinho estava lá a trabalho: recolhia água que pingava duma goteira. Ou pelo menos deve ser isso, porque o texto da coluna Ooops, do Ricardo Feltrin (do UOL, claro! :D ), se embananou todim todim na hora de mostrar que sabe a diferença entre o através e o por meio de. Ó só a bananança:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água por meio de uma goteira.

Quer dizer, o balde vai lá, sobe até a goteira, se espreme feito um condenado, passa pela goteira e coleta a água que cai. Mó heróizão esse balde, né? Mas se o Feltrin tivesse escrito:

Na última terça-feira à noite, enquanto Carlos Tramontina, 53, ancorava o “SPTV 2ª Edição”, um balde providencial, semioculto no estúdio, coletava a água que caía por uma goteira.

o balde não precisaria se espremer tanto pra passar pela goteira. E ainda executaria sua função de forma digna e honrada – e em rede estadual de televisão, olha que chique! :D Inda mais se levarmos em conta que ele (o baldinho) apareceu glorioso durante a matéria sobre a chuva que se precipitou sobre a cidade…

Ou isso ou eu contrato esse balde ninja pra trabalhar lá em casa. tô com uma goteirinha indigesta no quarto do feiticeirinho, viu? Se ele conseguir passar por ela e coletar a água antes que ela passe pela goteira, vai ser show!

Trubisco e fuzilico

terça-feira, março 30th, 2010

Tô aqui com a minha amiga slinguista Marília Mercer no MSN. Ela tá me contando umas historinhas ótimas sobre invenções de palavras…

Quando ela se esquece do nome da coisa à qual ela quer se referir, ela chama o negócio de trubisco ou de fuzilico.

Ih, Dona Bruxa, o que é isso e pra que serve?

Bem, ouçamos as palavras da própria Marília:

é qulquer coisa que não lembro o nome
tem fuzilico, fuziliquinho, fuzilicão
trubisco trubisquinho e trubiscão
é que as vezes não dá tempo de lembrar o nome das coisas
e com os improvisos o povo entende e até me lembra o nome!
por exemplo, em radiologia usamos muito o espessômetro
mas na correria, eu esquecia o nome, virava pra estagiária, pega o fuzilico ali pra mim?
termos técnicos!

É qulquer coisa de cujo nome não me lembro. Tem fuzilico, fuziliquinho, fuzilicãotrubisco trubisquinho e trubiscão

Às vezes não dá tempo de lembrar o nome das coisas, e com os improvisos o povo entende e até me lembra o nome!

Por exemplo, em radiologia usamos muito o espessômetro. Mas, na correria, eu esquecia o nome, virava pra estagiária e dizia: “pega o fuzilico ali pra mim”?

Termos técnicos!

É legal, ela aprendia que tinha que sempre medir com o espessômetro sem eu ter que ser a chata que dava aula disso na frente do paciente

Miacaaaaaaaaaaaaaaaaabo com essas expressões doidonas que acabam por soar simpáticas aos nossos ouvidos?

Quando eu era criança pequena lá na Escola de Comunicação da UFRJ, os colhégas falavam em isdruves e isblau. Também dois verbetes muito importantes na arte de não dizer nada mas mesmo assim conseguir se expressar.

E você, também já inventou um neologismo quando se esquecia da palavra correta pra ocasião?

(Em tempo: antes de se apressar e traduzir sling por tipóia, visite o site da Marília. Sling, ou carregador de bebê, é um dos melhores trubiscos já inventados para se carregar um bebê desde… ah, sei lá desde quando! E slinguistas são as pessoas que fazem os slings. A Marília é uma trubisqueira de mão cheia! :D )

“Um texto que era um diamante…”

segunda-feira, março 29th, 2010
Fique com Deus, mestre!

Fique com Deus, mestre!

Estava eu web afora a fuçar textos escritos pelo Armando Nogueira, para homenageá-lo agora que ele se foi. Encontrei essa frase magistral do William Bonner no site do Jornal Nacional, e aproveito essa definição na cara dura para intitular este post. Bonner, te devo uma!

Eu não gosto de futebol. Não curto, nunca curti. Acho um saco. às vezes sento e até assisto um pouco, mas não raro uso os 90 minutos da pelota no gramado para tirar um cochilo. Isso vale para jogos da seleção em copas do mundo.

O que essa informação tem a ver com Armando Nogueira? Tudo! Os textos de futebol escritos por ele eram tão deliciosos e tão agradáveis que, quando os lia, imaginava a bola a correr no campo como se aquilo me deleitasse. O Armando Nogueira tinha dessas manhas. Era um operário das palavras, e dominava as ferramentas de seu métier com maestria tamanha que, não raro, eram as palavras que se curvavam a ele.

Só mesmo ele para cunhar tão espetacular frase:

A palavra é um ser vivo: nasce, cresce, morre. Com a diferença que, ao contrário de nós, ela ressuscita

Não vou aqui me perder com a biografia dele. Se você estiver curioso, clica aqui que você vai encontrar a informação que você procura.

Eu só fiz questão de deixar aqui no caldeirão minha homenagem a este mestre das palavras, que sempre soube muito bem o que fazer com elas, e lamentar que este mundo tenha perdido um pouco de seu brilhantismo.

O texto a seguir foi escrito por ele em 1970. Descreve o tricampeonato brasileiro. Foi extraído deste site aqui, a cujos autores eu agradeço. Nesse mesmo link, a definição do Armando Nogueira está óóótima:

Armando Nogueira é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações. Tem dois livros lançados, “Bola na rede”, e “A chama que não se apaga”, sobre as cinco olimpíadas que cobriu como jornalista. (…)

Deleitem-se, pois, com o texto do link

México 70
Armando Nogueira
México 70 – E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.
Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.
E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.
O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.
Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.
Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.
Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.
Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.
Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.
Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.
Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.
A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.
Até que os deuses do futebol inventem outra.
Armando Nogueira é um estilista, na medida em que escreve sobre futebol a partir de uma consciência artesanal que envolve suas crônicas de um grau de literaridade tal, que elas, hoje, constituem páginas realmente literárias com toda a força imagística, poética, carga épica e dramática, que costumam envolver tais criações. Tem dois livros lançados, “Bola na rede”, e “A chama que não se apaga”, sobre as cinco olimpíadas que cobriu como jornalista. Hoje colabora com diversos jornais, que publicam suas crônicas esportivas, e mantêm programa em um emissora de televisão.
Texto extraído do livro “O melhor da crônica brasileira”, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1997, pág. 26.

México 70

Armando Nogueira

México 70 – E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semi-deus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombrero imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.

Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74.

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.

Texto extraído do livro O melhor da crônica brasileira, José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1997, pág. 26.

Atualização das 21:55

Não resisto. Vou colar outro texto. Este peguei daqui, do blog do Ancelmo Góis. A redação é igualmente irresistível!

A alegria de um coroa

Acordou bem cedinho. Estava louco para rever a sua cidade. Abriu a janela do apartamento e deu de cara com uma colossal manhã de sol, dessas que só mesmo o Rio de Janeiro é capaz de aprontar em pleno inverno. Pois a história que agora te conto, leitor, passou-se no recente mês de agosto.

Para não perder tempo, que as férias eram brevíssimas, o nosso amigo tomou uma xicrinha de café preto, enfiou no bolso uma pera, pra mais tarde, e saiu pelo Aterro do Flamengo, feliz da vida, de bermudas e tênis “Conga”.

Caminhava e distribuía seu contentamento entre as árvores do Aterro, boas amigas que ele já não via há dez anos, quando deixou o Rio para ir cuidar de uma fazendola no interior de Minas.

Pelas tantas, quis tomar sol. Despiu a camisa de malha, deitou na arquibancada do campinho de futebol de salão e assim ficou um tempão, entregue ao regozijo de merecido repouso. Tamanho era o sossego que até chegou a tirar uma soneca.

- Ei, moço! bom-dia!

Era a voz de um dos três garotos que chegavam com uma indisfarçável secura de bola.

- Quer fazer um racha com a gente? A gente joga dois-contra-dois.

Deitado estava e deitado respondeu, no embalo:

- Vamos lá, pelada é comigo mesmo!

Resoluto, levantou-se, sacudiu as pernas e foi logo entrando no campo. Um campo de barro. O dono da bola, um menino de seus quinze anos, fez a apresentação da turma:

- Eu sou o Marcio, esse aí é o Dico e aquele é o Leo.

Nem esperou que o coroa se identificasse. Queria mais era começar logo o racha.

- Olha aqui, vai ser eu e o Dico contra o senhor e o Leo.

Pela rapidez da escalação, o coroa sentiu que devia estar entrando numa fria: o bom de bola, ali, devia ser o Dico. Discretamente, deu uma olhada e viu que o Leo não tinha a menor pinta. De qualquer modo, chamou de lado o Leo e propôs uma chave: o Leo lá na frente, ele mais atrás. Antes, porém, um teste sem aparentar outra intenção a não ser aquecer o corpo: na verdade, queria mesmo era saber se o Leo era de bola, ou não. Tocou a bola na direção do Leo para ver que bicho dava. A bola beliscou a canela do Leo. O coroa chegou a pensar em desistir. Um sujeito de 61 anos, meio barrigudo, cheio de cabelos brancos:

- Meu Deus, o que é que estou fazendo aqui no meio desses meninos; uns meninões de quinze anos?

O diabo é que ele já tinha aceito o desafio. Não ficava bem correr da raia. Afinal de contas, não era a primeira, nem seria a última vez que a vida metia o nosso coroa em batalhas decisivas.

No meio do campo, o dono da bola vai cantando as regras do jogo: a partida é de cinco. Quem fizer cinco primeiro, ganha. Não vale gol direto. Não pode pegar a bola com a mão, só se já começar no gol de saída.

E como ninguém sequer pensou em jogar no gol, a partida começa com os quatro na linha. No centro do campo de terra batida, a bola de futebol de salão, por sinal que um tanto surrada.

A saída, lógico, é do Marcio. Marcio pro Dico, Dico pro Marcio, que tenta um drible. O coroa, vigilante, rouba a bola e contra-ataca. Procura o Leo. O Leo ficou lá atrás, paradão, sem saber pra que lado ir. O coroa então chuta do meio do campo. Gol!

- Não vale – grita o Marcio – eu avisei ao senhor que não vale gol direto. O senhor tem que passar a bola pro Leo! Ou o Leo pro senhor!

Gol anulado, começa tudo de novo. Saída com o Marcio. O coroa pede tempo. Cochicha uma tática no ouvido do Leo.

Bola em jogo. O Leo dispara e vai ficar plantado bem juntinho da baliza, como pediu o coroa.

Em dez minutos, o time do coroa já está ganhando de três a zero, três gols do Leo. O esquema funciona bem, mas o jogo é incessante, lá e cá. Agora mesmo, o Dico acaba de fazer o dele: três a um. E o Marcio delira com a reação.

Nova saída. O coroa arranca pelo meio dos dois, parece um foguete; vai em frente e entrega, mais uma vez, embaixo dos paus para o Leo fazer o quarto gol.

A essa altura, o coroa já passeia pelo campo, absoluto. Por sua vez, o time adversário já esta literalmente descadeirado.

- Vai, pereba – berra o Marcio, colérico, para o Dico – Vai nele! Você não disse que o coroa não é de nada? Toma a bola dele, palhaço!

A dissensão nas hostes inimigas é profunda. O Marcio e o Dico vão acabar saindo na porrada. Pelo menos é o que pressente o coroa, achando, por isso, que o melhor é liquidar logo essa conta.

Vamos, então, mais que depressa ao quinto e derradeiro gol dessa inesquecível partida. Porque inesquecível, leitor, já, já saberemos.

O Marcio faz um passe longo para o Dico. O demônio do coroa, como sempre, adivinha a jogada, corta o centro com o peito em pleno ar e, antes que a bola caia no chão, amortece na coxa direita. Da coxa, a bola escorre para o peito do pé e pronto: uma, duas, três… o homem começa uma sucessão de embaixadas; faz nove em plena corrida. Na décima, depõe a bola na linha do gol, bem em cima da linha:

- Taí, Leo, faz o quinto e acaba logo o jogo.

- O Marcio, uma fera, vai apanhar a bola e nem volta para dizer até logo. O Dico sai de fininho, mal dá um tchau. O Leo, não, o Leo dá um abraço legal no companheiro de time.

O coroa senta de novo na arquibancada, tira do bolso a pera, dá uma mordida triunfal e fica ruminando, em silêncio, o bendito fruto de uma bela vitória.

Os três meninos foram embora sem saber que deram uma certa alegria ao coroa Nilton Santos, também chamado “A Enciclopédia do Futebol”

Texto extraído do livro O Vôo das Gazelas, de autoria do próprio Armando, publicado em 1991 pela Editora Civilização Brasileira.

Manual do Estadão disponível na Web

sexta-feira, março 26th, 2010

Gente,

Descobri há um tempinho que o Manual de Redação do Estado de SPaulo está disponível na Web. Aqui você consulta on-line as eventuais dúvidas com relação à lingua do Manoel e do Joaquim (/português). E o melhor: tá tudo ni órdi arfabética.

Não sei se na web já foi atualizado para a nova ortografia, mas ainda assim vale correr pra ele na hora do perrengue. Esse Manual foi a melhor coisa já produzida pelo clã dos Mesquita, acredite…

E não se preocupem em perder este post, porque eu vou pôr o link pro Manual do Estadão aí no menu direito, sob a alcunha “isso é útil”.

Pneus recauchutados, português careca (ou com a cara enfiada na terra feito avestruz por causa da vergonha alheia que o texto causou, vai saber…)

quinta-feira, março 18th, 2010
GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Já vou avisando: esse post é forte demais para pobres corações desavisados.

Resolvido a me chocar, marido me mostra este site aqui [aviso da bruxa: ao clicar no link fornecido, certifique-se de que você não tem canivetes ou facas por perto, porque a vontade de cortar os pulsos será incontrolável], de uma empresa que faz recauchutagem de pneus para veículos pesados.

Vou nem entrar no mérito do uso do Flash, nem dos desenhos, nem de nada do que ainda está te chocando (e por favor, pare de pensar em facas nos pulsos!). Vou direto pro texto em destaque aí em cima (que, justiça seja feita, está à altura do site):

Fundada em 1.973, a Centro Sul pneus surgi, no mercado, atuando no seguimento de Recondicionamento Pneumático ( Recapagem e Recauchutagme de Pneus, nos Sistemas á quente e a frio) utilizando tecnologia totalmente automatizada de última geração.
A Vulcanização á Frio, também conhecido como, Pré moldados, é controlado pôr sistema informatizado ( 3ª pressão), um grande diferencial em nossa atividade

Fundada em 1.973 [De acordo com o Manual do Estadão:  "Escreva os algarismos, de 1.000 em diante, com ponto: 1.237, 14.562, 124.985, 1.507.432, 12.345.678.543, etc. Exceção. Na indicação de anos não há ponto: 1957,1996, ano 2000". Como se esse fosse o maior dos erros desse texto!], a Centro Sul pneus surgi [Ai. É surgEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE, com EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE], [e essa vírgula aqui?!?!?!!?!? É pra separar o quê de quem, Deusdocéu? Entre sujeito e predicado LÍNGUA NENHUMA DO MUNDO ACEITA VÍRGULA!!!!] no mercado, atuando no seguimento [é nisso que dá confiar cegamente em corretor automático de texto! Seguimento inté inzeste, como diriam os matutos, mas não serve pra falar o que o seu moço quis dizer não! Aqui, o correto seria segmento, mesmo!] de Recondicionamento Pneumático ( Recapagem e Recauchutagem de Pneus, nos Sistemas á [aê, meu tio! Sabe aquele botãozinho no teclado que tem uma setinha apontando pra cima? ele é conhecido como botão de shift! (lê-se xífite). é parecido com o botão de maiúscula da máquina de escrever. Então, se o senhor apertar o xífite e o botãozinho dos acentos ao mesmo tempo, o senhor consegue o acento da crase. Mas não se avexe em corrigir o acento, porque esse a não tem nem acento pra esquerda nem pra direita, num visse?] quente e a [se o cabra acentuou o "á quente", por que este daqui não foi acentuado? pô, se é pra errar que mantenha ao menos um padrão, oras...] frio) utilizando tecnologia totalmente automatizada de última geração.

A Vulcanização á [Já contei lá em cima a historinha do botão do xífite. Mas aqui também não tem acento, viu, meu tio?] Frio, também conhecido [Cristorrei... A vulcanização é conhecidAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!] como, [e essa vírgula daqui também foi excesso, tá?] Pré moldados, é controlado pôr [ô, meu tio! Na ortografia da língua portuguesa que em vigor estará até 2012, pôr com acento é verbo! Nesse caso daqui, você usou uma preposição! Num carece de acentuar, não! E, pelo que me indica tio Antônio, a Nova Ortografia mantém essa regrinha, num visse?] sistema informatizado ( 3ª pressão), um grande diferencial [Certo, certo... grande diferencial, né? Três mamilos acompanham?] em nossa atividade.

Será que tem jeito? Vamos recauchutar esse texto: (Aiomeucagalho! o @#$%$%¨$%¨$% do WordPress não tá mais marcando palavras cortadas! ‘Bora refazer a correção, porque eu dei “publicar” e nem fui no site ver como ficou depois… malzaê, galera! Ofereço minhas costas para açoite por três segundos! :D )

Fundada em 1973, a Centro Sul pneus atua no segmento de Recondicionamento de pneumáticos (Recapagem e Recauchutagem de Pneus, nos sistemas a quente e a frio), nos quais emprega tecnologia totalmente automatizada e de última geração.

A vulcanização a frio, também conhecida como pré-moldados, é um processo controlado por sistema informatizado (3ª pressão), um grande diferencial em nossa atividade.

Pronto! Agora, o veículo pesado pode rodar quantos quilômetros quiser, que não derrapa mais nas curvas da ortografia nem da gramática! Vá em paz, e que São Cristóvão e nossa Senhora do Bom Texto lhes iluminem os caminhos!

E que Nossa Senhora dos Erros de Revisão ilumine meu aplicativo WordPress, porque o troço tá batendo pino aqui!!!!

Didática do trauma: por que não usar a palavra “diferencial”

quinta-feira, março 11th, 2010

Sei nem por onde começar.

No final das contas, acho que esta obra-prima do Ego, que pode ser encontrada aqui, me deu uma idéia: a didática por trauma.

Não gosto, jamais gostei e nunca admirarei (viu como fugir do cacófato nunca-gosto?) a expressão diferencial. É um modismo ridículo. As amebas escreventes usam porque a palavra é bonita e chama a atenção. Acabam por usá-la adequadamente, mas com intenções erradas.

Sei disso porque, certa feita, uma ameba perguntou pro meu marido por que ele havia retirado o diferencial do texto dela. Marido disse que não havia necessidade da palavra no texto porque não fazia nem falta nem diferença, e a ameba perguntou: Ué, mas diferencial não significa que o serviço ficou melhor? NÃO, AMEBA, NÃO SIGNIFICA!!!

Vamos lá, tio Antônio! Explica pra gente:

Diferencial

n adjetivo de dois gêneros
1 relativo a ou em que há diferença

2 que estabelece ou indica diferença
Ex.: traço d.

3 Rubrica: análise matemática.
que envolve derivadas
Ex.: cálculo d.

n substantivo masculino

4 aquilo que constitui diferença; diferença
Ex.: o d. entre eles é que um é presidencialista e o outro não

5 Rubrica: engenharia mecânica.
num automóvel, conjunto de engrenagens que transmite às rodas motrizes o movimento do motor, permitindo que, nas curvas, elas se movam com velocidade diferente uma da outra

n substantivo feminino

6 Rubrica: análise matemática.
função linear que associa a cada número o produto da derivada pelo número

Ah, dona Bruxa, a senhora é muito malvada! Se eu quero indicar que existe alguma diferença, eu posso usar diferencial, sim! Foi tio Antônio quem disse! dirá você.

Certo, certo.  Tio Antônio disse que pode usar, então você quer usar, né, ameba? Fique à vontade. Mas antes de te conceder autorização total e definitiva, vamos ao inovador método da Didática por Trauma recém-criado pela Madrasta do Texto Ruim!

Antes de escrever diferencial no seu texto, ameba, lembre-se desta manchete (e vamos às minhas canetadas):

elileso

Mamilo triplo de Eliéser vira diferencial para conquistar a mulherada
Apresentado nacionalmente no ‘BBB 10’, a anatomia peitoral será mantida pelo engenheiro agrônomo.
(…) o paranaense Eliéser falou com muito bom humor se pretende ou não fazer uma cirurgia estética para a retirada do seu terceiro mamilo.
“É interessante falar sobre isso. Acho interessante ser um cara com três tetas, é um diferencial no mercado. Não penso em operar, é uma coisa minha que não tiraria. Quero manter”, explicou o engenheiro agrônomo.
A quase imperceptível anomalia foi citada por Elíeser logo na primeira semana de confinamento, durante uma conversa ocasional com Elenita e Angélica. Na ocasião, o paranaense explicou que o terceiro mamilo não o incomodava.

Mamilo triplo de Eliéser vira diferencial [Pronto! Táqui! Viu só um exemplo CORRETO de uso do diferencial? Vai fundo, ameba, usa no seu texto...] para conquistar a mulherada

Apresentado nacionalmente no ‘BBB 10’, a anatomia peitoral [e lembre-se também que, para não repetir "mamilo triplo", o redator do Ego substituiu a expressão por anatomia peitoral. E esqueceu-se de mudar o gênero do "apresentado" que abre a frase, coitado... tava indo tão bem!] será mantida pelo engenheiro agrônomo.

(…) o paranaense Eliéser falou com muito bom humor se pretende ou não fazer uma cirurgia estética para a retirada do seu terceiro mamilo.

“É interessante falar sobre isso. [espero que a frase a seguir lhe convença de uma vez por todas a nunca mais usar o diferencial na sua vida. Bisserve:] Acho interessante ser um cara com três tetas, é um diferencial no mercado. Não penso em operar, é uma coisa minha que não tiraria. Quero manter”, explicou o engenheiro agrônomo.

Pronto! E agora, continua curtindo falar em diferencial? Ah, não? De nada.

Hein? Você quer que eu reescreva esse texto? Carece, não! O objetivo de ele estar copi-colado aqui foi única e exclusivamente para lhe chocar, irritar e traumatizar! Grata.

Outras máximas e mínimas do Barão de Itararé

quarta-feira, março 10th, 2010

Já que as amebas foram dormir, vamos de bons exemplos, né?

Mais algumas frases de efeito de Aparício Torelly, o Barão de Itararé:

  • Dinheiro é a causa de todas as desgraças, quando não se lh’o tem.
  • Anistia é um ato pelo qual o governo resolve perdoar generosamente as injustiças e crimes que ele mesmo cometeu.
  • Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga.
  • Se levares para casa um cachorro morto de fome e lhe deres comida e conforto, ele não te morderá. Esta é a principal diferença entre o cachorro e o homem.
  • Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
  • Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos.
  • a promissória e uma questão “de…vida”. O pagamento é de morte.

Calmaria

quarta-feira, março 10th, 2010

A coisa tem estado calma por aqui…

E isso muito me assusta!

Dia de pouco é véspera de muito!

O PT, o PSDB, o Bolsa Família e o ectoplasma suíno do Globo

quarta-feira, março 3rd, 2010

Mais uma vez quem cantou a bola foi o Nassif.

Gente, miacaaaaaaaaaaaaaaaabo com essas coisas! Assim eu curto!!

Resumo da ópera: Um senador do PSDB aprovou uma emenda pra dar mais dindim pros beneficiados do Bolsa Família.

Uma senadora do PT votou contra porque sobrecarrega a responsabilidade das criancinhas blablabla whiskas sache blablabla. Se você quiser ler e discutir sobre a questão em si, clicaqui. Até porque este caldeirão não vai entrar no mérito da coisa.

Mas convenhamos, uma história dessas merece capa de jornal, e chamada gigantesca, certo? Certo!

Pois bisservem o que O Globo fez:

globoBF

Gente, tem como não amar o mancheteiro do Globo? O sujeito pode até ter pecado na hora do prêmio com cacófato, mas hoje ele se esmerou, né?

Miacabeeeeeei na gargalhada com essa manchete! Porque, né? Sarcasmo e cinismo perambulam pelos corredores da rua Irineu Marinho durante as madrugadas.

A-meeeeii! Agora, por favor, ensinem essa arte do cinismo à Folha e ao Estadão! Eles estão precisados, viu? ;)

Chute com as mãos (?!?!)

segunda-feira, março 1st, 2010

Não é à toa que Luis Fernando (/Verissimo) me surpreende a cada dia que passa.

Na crônica publicada hoje no blog do Noblat, mais precisamente aqui, Luis Fernando fala de futebol americano, e diz que nesse esporte os jogadores chutam a bola com os pés.

E avisou aos chatos de plantão (o/) que por acaso tenham estranhado a expressão (mas chutar não é com os pés? Isso é redundância, oras!):

A bola deles é oval (mais ou menos) e só é chutada com o pé em ocasiões especiais. Por sinal, antes que reclamem: “chutada com o pé” não é redundância, no basquete se chuta a bola com as mãos.

Quase caí dura. Primeiro pela sensação de que Luis Fernando falara diretamente a esta pouco humilde bruxinha.

Segundo, porque sempre associei o chute ao pé. Fui ter com tio Antônio:

Chute
s.m. (1908) 1  futb impulso enérgico dado com o pé para movimentar a bola 2  golpe com a ponta ou com o peito do pé; pontapé 3  B infrm. tentativa de acertar uma resposta sobre assunto que se desconhece ou conhece pouco 4  basq B m.q. arremesso ² c. de letra futb B  chute aplicado com o pé passando por trás do outro, este us. como apoio  • no c. B infrm.  às cegas, confiando na sorte por ignorar o assunto <responder no c.>  ¤ etim ing. shoot ‘lançamento, arremesso’ ¤ hom chute(fl.chutar)

Chute

s.m. (1908) 1  futb impulso enérgico dado com o pé para movimentar a bola
2  golpe com a ponta ou com o peito do pé; pontapé
3  B infrm. tentativa de acertar uma resposta sobre assunto que se desconhece ou conhece pouco
4  basq B m.q. arremesso
c. de letra futb B  chute aplicado com o pé passando por trás do outro, este us. como apoio
• no c. B infrm.  às cegas, confiando na sorte por ignorar o assunto <responder no c.>

E Tio Antônio elucidou de vez por que chute não tem a ver com os pés:

etimologia –  inglês shoot ‘lançamento, arremesso’

Tô beeeeege!

Publicado com o WordPress