Arquivo por abril, 2010

Pela ordem, companheiros! inveja x despeito x desdém

quinta-feira, abril 29th, 2010

Com tanta gente dizendo por aí, por exemplo, que o Bruno Mazzeo chamou Luan Santanna (um zé qualquer estrábico) de vesgo porque ele – Bruno – é invejoso, ou que fulana que teve o filho em uma cesariana com toda a segurança de uma maternidade é invejosa porque no fundo, no fundo, queria ter parido em casa dentro de uma banheira de prástico nma singela companhia de um patinho de borracha por opção própria (acreditem que fui eu mesma quem viu isso acontecer!), não custa pedir pra Tio Antônio botar ordem no galinheiro e definir direitinho o que é inveja, né?

Faz favor, Tio Antônio!

Inveja
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo feminino
1    sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
2    desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem
3    Derivação: por extensão de sentido.
objeto da inveja
Ex.: os jovens liberados de preconceitos são a i. da velha geração
Etimologia
lat. invìdìa,ae ‘id.’, de invìdus,a,um ‘que tem ou lança mau-olhado, que tem inveja, invejoso’, de invidére ‘olhar de modo malévolo, lançar mau-olhado, donde invejar’; ver vid-; f.hist. sXIII enveja, sXIV ívega
Sinônimos
ciúme, invídia, zelotipia; ver tb. antonímia de desprendimento
Antônimos
ver sinonímia de desprendimento
Homônimos
inveja(fl.invejar)
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Despeito
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
1    ressentimento produzido por desconsideração, desfeita, humilhação ou ofensa; pesar, melindre, amuo
2    desgosto motivado pela preferência dada a outrem ou por decepção; raiva, indignação, inveja, ciúme
Locuções
a d. de
não obstante, malgrado, apesar de
Etimologia
lat. despectus,ús ‘vista de alto para baixo, desprezo, desdém’, de despectum, supn. do v.lat. despicère ‘olhar de cima para baixo, desprezar’; ver espec; f.hist. sXIII despeito, sXIII despeyto, sXIV despeucto, sXIV despeto
Homônimos
despeito(fl.despeitar)
***************
Desdém
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
ato de desdenhar(-se)
1    desprezo arrogante; altivez, soberbia, sobranceria
2    Derivação: por extensão de sentido.
comportamento distanciado; indiferença
Ex.: considerava o d. do companheiro falta de maturidade
3    ação ou dito depreciativo, sem afabilidade ou polidez; desabrimento, grosseria
Ex.: acostumou-se com os d. do instrutor
4    falta de trato ou esmero (para com algo ou si mesmo); desalinho, negligência
Obs.: f. geral não pref.: desdenho
Ex.: mesmo para encontrar o namorado, vestia-se com d.
Locuções
ao d.
com displicência, sem afetação ou cuidado; negligentemente
Ex.: ele usava suas roupas ao d.
Etimologia
provç. desdenh, regr. de desdenhar < lat.vulg. *disdignáre por dedignári ‘id.’, cf. fr. dédain (sXII), regr. de dédaigner (sXII) < dé + daigner < lat. dignáre ‘julgar digno’; Corominas considera o voc. de direta procedência do provç., argumentando que não seria de esperar que do esp. desdeñar e do port. desdenhar, cujos radicais terminam em nasal palatal, se gerassem os subst. regr. com nasal não palatal desdén (esp.) ou desdém (port.); ver desden-; f.hist. sXIII, sXIV desdeno, sXIV desdenho
Então, acho que o Bruno Mazzeo tem desdém pelo Luan Santanna que, por sua vez, tem todo o direito de ter despeito pelo Bruno Mazzeo (é só os dois olhos do pobrezinho encontrarem o Bruno ao mesmo tempo [#eunãopresto]), enquanto que a moça do patinho de borracha na banheira de prástico tem… quer dizer, não tem: noção.

Suco de maracujá

terça-feira, abril 27th, 2010

Letra genial de João Donato e Martinho da Vila:

Pra me casar com você
Eu vou ter que me cuidar
Contratar um personal
Treiner pra me acelerar
Também vou ter de fazer
Uma dieta alimentar
Catuaba no almoço e ostras antes do jantar
Quando a gente for deitar
Um bom pó de guaraná
Se a quentura tiver morna
Come um ovo de codorna
E se a noite for infinda
Aí só Pau de Cabinda
Se ela quiser bis no fim
Pimenta no amendoim
E depois pra me acalmar
Suco de maracujá

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (2)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 21:08

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Nos áureos tempos de escola, ensinou-nos tia Maricota sobre os modos verbais. Refresco-vos os neurônios, desta vez com o auxílio da Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:

Modo Verbal
As flexões de modo, tempo e voz são características do verbo. A flexão de modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia.
Quando a atitude é de certeza (eu amo/eu amei), o fato é ou foi uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo indicativo.
Quando a atitude é de incerteza, dúvida (se eu amasse/quando eu amar), exprime uma condição, uma realidade. Essa atitude caracteriza o modo subjuntivo.
Nos casos em que se exprimem ordens (ame você/não amem), ou desejos, ou vontades, temos o modo imperativo.
Além desses três modos, os verbos apresentam as formas nominais: infinitivo (amar); gerúndio (amando) e particípio (amado).

<começa a ironia>

Este é o velho conceito. No novo conceito de modo verbal, o gerúndio rebelou-se. Deixou de ser forma nominal e revelou-se um novo modo verbal: o modo telemarketing. Esse novo conceito em modo verbal expressa atitudes de enrolação misturada com dúvida, desinformação, falta de noção, desculpas esfarrapadas e falta de compromisso total do falante com seu interlocutor (que pode ser um consumidor, uma pizza ou uma pedra, tanto faz).

O legal neste novo conceito em modo verbal é que você pode juntar quantos verbos auxiliares quiser para formar sua locução (capenga) verbal:

“Eu posso vir a estar tentando disponibilizar o serviço, senhor!” (quatro verbos!)

Senhora, a senhora poderia estar objetivando anotar o número de protocolo, por favor? (três verbos!)

Certa feita eu consegui juntar seis verbos numa locução só. Mas não me lembro mais como fiz tal aberração. Se você quiser, tente nos comentários produzir uma locução verbal com mais de quatro verbos juntos…

<acaba a ironia>

Sim, isso é errado. E não, crianças, não repitam isso na escola nem na vida real, porque é muito feio! E isso vale pros adultos também!

Mas há casos em que o futuro do gerúndio é possível, sim, na Língua portuguesa. Sabe a historinha da concomitância? É só jogar no futuro:

“No próximo domingo, enquanto o Corinthians estiver jogando contra o Santos, o Botafogo vai estar jogando contra o Flamengo”

Viu? Duas ações ocorrendo ao mesmo tempo, no futuro!

[OD 1 ano] O futuro do gerúndio e o novo conceito em modo verbal (1)

terça-feira, abril 27th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente Publicado em: 24 de abril de 2009 às 20:41

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Nada contra o gerúndio. É um tempo verbal muito útil. Denota concomitância. OK, sei que denotar e concomitância são duas palavras que não constam dos dicionários das amebas escreventes, mas insisto na expressão. E explico: indica duas ações acontecendo ao mesmo tempo, ou ainda uma ação que ocorre neste exato momento: eu estou escrevendo. Das línguas latinas, o francês é o mais radical com relação ao gerúndio: só aceita no caso de concomitância, e ainda assim torce o nariz.

O problema é que, em inglês, o present progressive é usado pra lavar, passar, cozinhar, chuletar, serve o cafezinho no final e ainda pergunta se foi bom pra você também. Vai com tudo – e com todos, esse permissivo. O inglês é uma língua que junta trocentos auxiliar verbs, ou verbos auxiliares, pra modificarem o tempo e o modo de um único verbo principal. Coisa de língua bárbara. Mas tem lá (e não aqui) suas regras. É um tal de I would be going, I shall be released, I’d rather be going to Florida prá tudo quanto é lado. Um verdadeiro desfile verbal.

Daí, o caboclo escrevente que fala ingrêis resolve replicar em português todos esses casos em que o present progressive é usado na língua de seu William </Shakespeare> at the foot of the letter
(Desvio de prosa número 1: literalmente, ao pé da letra. Só que a expressão em português  ao pé da letra, traduzida corretamente para o inglês, é literally. At the foot of the letter é uma tradução típica de Falcão, mas quem cunhou essa expressão deliciosa foi meu amigo João Bonassis, o Boninha. Mas voltemos à minha defesa de tese.)

Pronto. Está feito o melangê de jenessequá*.
(Desvio de prosa número 2: sei que classifico isso de macaquice, mas é que essa é bonitinha… criei essa expressão de minha própria alcunha, a partir do francês melangé de je-ne-sais-quoi. Melangé é mistura; je ne sais quoi, “não-sei-o-quê”. Ficou bonitinho, né? Ah, vá… é melhor que “chiclete com banana” – com duplo sentido, por favor! )

Daí, um desses caboclos tradutores pegou manuais de telemarketing em inglês, salpicados de progressives pra tudo quanto é lado, e traduziu como gerúndio tudico de tudo. Fez-se a bosta. Foi um festival de vamos estar resolvendo, ou vamos estar falando, e danou-se o caldo. A coisa evoluiu pra esculhambação a ponto de muita gente achar chique falar no futuro do gerúndio.

Isso sem contar com as locuções verbais que mais parecem aqueles castelinhos de benjamin montados sobre uma tomada para aumentar o número de plugues da dita. O que me fez desenvolver uma teoria </ironia>. Explico-a. A seguir, porque este post tá muito longo!

Ricardo Noblat e o suposto moonwalking de dona candidata

terça-feira, abril 27th, 2010

Daí que o Noblat mandou essa no twitter dele e eu fui ver de que se tratava.

noblat

Me empolguei por dois motivos:

1- Volta do retrocesso é, no mínimo, um passo de dança típico de moonwalking. Creio que ela seja irmã da famosa virada de 360 graus que dizem que a vida dá de vez em quando.

2- OBA! Vou exorcizar a campanha da Dilma!!!

Daí eu fui ler o post no Blog do Noblat e vi que a Dilma só falou em volta “do atraso” e da “política da roda presa”. Volta do retrocesso foi por conta do Noblat.

É por isso que, com todo meu amor e carinho, eu dedico este singelo vídeo ao Ricardo Noblat:

E eu sou uma bruxa frustrada. Inda num consegui jogar a Dilma no meu caldeirão. Carambolas! Palafitas!

[OD 1 ano] O ectoplasma mesmítico

segunda-feira, abril 26th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi oiriginalmente Publicado em: 23 de abril de 2009 às 22:41

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O problema da raça dos que não sabem escrever bem é que todos eles são cheeeios de boas intenções </inferno tá cheio>. Começam a elaborar o texto com a ideia de que não podem repetir uma só palavra porque repetir palavras em demasia fica feio. Vocês repararam no adendo? Repetir palavras EM DEMASIA fica feio. Se repetir só um pouquinho, não tem problema – muito pelo contrário, ajuda o texto a ficar mais claro. Já trabalhei com uma entidade que, para não repetir a preposição sobre, substituía a palavra por acerca. Que cerca, minha fia? Olha o cacófato!!!

Mas eles não param por aí. Esquecem-se das aulas de português que tiveram lááááááááá no primário, com a tia Maricota. Ela ensinou que, quando você não quer repetir o nome de alguém, mas quer referir-se a esse alguém, tem uma classe de palavras feita sob medida para as suas necessidades básicas: o pronome pessoal do caso reto! Lembra não? Ah, deixa eu ligar o nome à pessoa:  Eu, Tu, Ele; Nós, Vós, Eles.

Lembrou, né? Poi zé. Daí, no parágrafo:

João não foi à feira. João preferiu ir ao supermercado.

Fica feia a repetição, né? Este é o caso típico em que os pronomes pessoais do caso reto se aplicam como uma luva. Ó só:

João não foi à feira. Ele preferiu ir ao supermercado.

Você já tá imaginando como as amebas escreventes compõem essa frase, né? Isso mesmo:

João não foi à feira. O mesmo preferiu ir ao supermercado.

Agora, me digam: como classificar o mesmo? Pronome pessoal? É só conferir na listinha acima. Não, não é.
Pronome relativo? Também não. Eis a escalação desse time: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos, quantas, que, quem, onde.

Isto posto, para não ser obrigada a classificar o mesmo como “porra nenhuma“, porque não é bonito, sugiro uma nova classificação de palavras: o ectoplasma mesmítico!

Sua função é assombrar textos, expressões, pessoas e coisas com a ameaça de sua presença.

[OD 1 ano] A geladeira é inocente, OK?

segunda-feira, abril 26th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi oiriginalmente Publicado em: 23 de abril de 2009 às 15:20

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Acabei de receber esta pérola de um, por assim dizer, ectoplasma suíno (/espírito de porco).

Atentem para o majestoso estilo e para a sublime utilização da expressão “mesma” em substituição a “geladeira”. Meus comentários seguem entre colchetes, em azul.

“Informamos a todos os funcionários que a geladeira localizada no 25º andar deste departamento[Por que a vírgula aqui? Em nenhuma língua do mundo a vírgula deve separar sujeito de predicado!!!] estará sendo desligada [Nossassenhora! O processo de desligamento da geladeira demora tanto tempo assim? Lá em casa basta puxar o fio da tomada...] no final do expediente desta quinta-feira (hoje), para que a mesma [aaaaaaaaaaahhhhhh!!! Olha a manifestação do ectoplasma mesmítico no textoooooo!!!!!] seja descongelada e limpa.

Portanto, solicitamos a todos que não tragam nada para guardar na mesma [reincidência de assombraçãããããããoooo!!!! Fujam para as montanhaaaaaaas!!!] durante o dia de amanhã, pois ela será religada somente após as 18h.

Agradecemos à compreensão.” [Uai, não entendi... o agradecimento foi para Dona Compreensão ou para os destinatários do texto? A crase destinou os "obrigados" para Dona Compreensão...]

Tem uma comunidade no Orkut da qual a pessoa que assassinou o texto deveria pelo menos tomar ciência: “Eu tenho medo do mesmo“. O mesmo do elevador deve ser um maníaco compulsivo, que se esconde nos andares dos prédios enquanto as pessoas aguardam a chegada do ascensor. Acho que a mesma desse texto daí de cima deve ser uma pessoa que, além de fria, é muito porca, suja e fedorenta, tanto que durante um dia inteiro “vai estar sendo” desligada,descongelada e limpa.
Já imaginaram quanto tempo vai levar pra limpar a porcalhona do vigésimo-quinto andar?

Sou só eu que entendo o futuro do gerúndio como uma forma de enrolar o seu interlocutor? Só eu entendo que o “vai estar sendo” limpa significa que o processo vai demorar horrores?

Não vou nem entrar no mérito da crase errada na última frase. Tudo bem que o autor do texto perdeu a oportunidade de eu dizer “pelo menos, a última frase está correta”.

Vamos ressuscitar o texto? Eu o deixaria assim:

Informamos a todos os funcionários que a geladeira localizada no 25º andar deste departamento será desligada hoje, quinta-feira, no final do expediente. Durante a sexta-feira, ela será descongelada e limpa.

Pedimos a todos, portanto, que não tragam nada para guardar na geladeira na sexta-feira, porque ela só será religada após as 18 h.

Agradecemos a compreensão.

Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Sem mais delongas. Nem mesmas.

Bandeiras desfraldadas, clubes sempre primeiros e sempre campeões: os hinos dos times de futebol

domingo, abril 25th, 2010

Antes de falar sobre os hinos dos clubes de futebol, venho aqui mais uma vez render minhas homenagens ao Adriano, que mantém o site www.hinosdefutebol.com Gente, esse site é uma preciosidade! O trabalho feito por ele é excelente, com um cuidado e atenção exemplares. No site do Adriano vocês encontram muito mais letras de hinos de futebol até do Real Madrid!), e arquivos .MP3 de boa parte das letras.

As letras dos hinos de clubes de segunda e terceira divisões do estão compiladas numa página à parte, disponível logo abaixo de minha singela imagem :D , sob a alcunha “Hinos de Clubes”. Neste post aqui eu vou apenas destacar um ou outro texto que me saltou aos olhos.

Pois o que tem de desfraldar de bandeira e bravos lutadores que na vitória ou na derrota dão o sangue pelo clube é uma coisa, viu? Há de se destacar que times como o América (MG) têm letras de fazer inveja a muito clube grande: foram compostas por Fernando Brandt e Tavinho Moura. E o hino da Portuguesa (SP) foi composto por ninguém menos do que o Rei d’Portugal, Roberto Leal!

No quesito exagero vai ser difícil bater a letra do hino primeiro do Coritiba (PR), cuja música foi composta pelo mesmo autor do hino do estado do Paraná. O Senhor Barros Cassal, autor da letra, evoca até a vitória da eugenia. Vou traduzir o dito aí embaixo para um português mais século XXI.

Hosana a ti, pugilo forte
Pelo triunfo que se liba
Glória imortal de nosso esporte
Nas oito letras: CORITIBA
Estribilho:
Teu nome luz
Como o cruzeiro
Teu sangue é novo
E é brasileiro
Sempre temido na refrega
Cohorte possante, audaz, de escol
Não cede um passo, nunca nega
A honra de nosso futebol
Estribilho
O armorial belo perpassa
E brilha em triunfos, dia a dia
Afirmação de nossa raça
Pela vitória da eugenia
Estribilho
Teu pavilhão que o vento beija
Assim escreve a tua história
Bravura e audácia na peleja
Para o triunfo, para a glória.

Hosana a ti, pugilo forte [Hosana = Salve; pugilo = punhado (!!!)]

Pelo triunfo que se liba [libar = brindar com bebidas alcoólicas, geralmente a uma divindade]

Glória imortal de nosso esporte

Nas oito letras: CORITIBA

Estribilho:

Teu nome luz [luz = verbo luzir = brilhar com luz própria]

Como o cruzeiro

Teu sangue é novo

E é brasileiro

Sempre temido na refrega [refrega = confronto]

Cohorte possante, audaz, de escol [cohorte - não encontrei no Houaiss; escol = elite]

Não cede um passo, nunca nega

A honra de nosso futebol

Estribilho

O armorial belo perpassa [perpassar = avançar]

E brilha em triunfos, dia a dia

Afirmação de nossa raça

Pela vitória da eugenia [eugenia = aperfeiçoamento da espécie via seleção genética e controle da reprodução]

Estribilho

Teu pavilhão que o vento beija

Assim escreve a tua história

Bravura e audácia na peleja

Para o triunfo, para a glória.

Os paranaenses são campeões em exagero, definitivamente. Confiram o hino do Paraná:

Paraná já nasceste gigante

És o fruto de luta e união

Tens a força, o arrojo, a imponência

E o poder da realização

Nas três cores do teu estandarte

Tão altiva está a gralha azul

Que plantou neste solo tão fértil

Esta grande potência do sul (…)


Exagero também encontra-se nas letras do Paysandu, de Belém (PA):

(…)Somos jovens e ousados paladinos,

E sempre achar-nos-hão de gladio nú, [achar-nos-hão é liiiiiiiindo! Mesóclise do tempo do onça, amey! E gládio = espada curta e de dois gumes]

Elevando nos prélios mais ferinos [prélio = luta, peleja, combate]

Com honra o pavilhão do Paysandu BIS

Cada um de nós guarda no peito(…)

Se o Coritiba e o Paraná pecam pelo exagero, o Brasiliense (DF), time cuja cor oficial é o amarelo, acerta em cheio na falta de noção:

Com muita raça e toda a nossa vibração

Salve o Brasiliense, futebol clube, meu irmão [o meu irmão precisou entrar aqui pra ajudar com a nossa vibração. Ou isso ou não tinha rima!]

No campo, uma pintura, uma aquarela

E na torcida explode essa febre amarela

Torcida com febre amarela é tuuuuuuuuuuuuudo, né? E o Atlético Clube Goianiense, que, modéstia à parte, tem a força quente de um dragão? A força do dragão tudo bem, o legal mesmo é o modésita à parte!!!

Já o Figueirense (SC) aposta na tática “sou rico, tenho posses e sou da elite” para concluir seu hino:

Meu FIGUEIRENSE adorado

Teu patrimônio é um mundo de riquezas

Com obras de emérito valor

Tens a torcida mais fiel do nosso Estado

Figueira, eu te amo com fervor

E a contradição entre termos da tradição do Juventude, de Caxias do Sul (RS)?

Nossas almas em festa saúdam

Esse clube de real tradição

Na mais sã alegria se escudam

Entoando esta marcha canção

Juventude, um passado de glórias

Teu nome querido tornou

És um clube de muitas vitórias

Que a cidade em orgulho deixou

Juventude, um passado de glórias… miacaaabo com o passado de glórias de qualquer clube! Geralmente traduz-se em presente de campanha complicada e futuro de time incerto. Falo isso de cadeira, pois sou Fluminense! Mas o legal mesmo é ver um clube com passado de glórias chamado… Juventude!!!

Da contradição entre termos caímos na contradição entre gêneros da Associação Desportiva Confiança, de Aracaju (SE):

Quem é o campeão dos campeões,

que no gramado mantém sua glória, [se você esperava por um clube com nome masculino...]

é a Desportiva Confiança,[...dançou! Quem mandou confiar?]

Até Padre Cícero Romão Batista virou personagem de hino! Confiram parte da letra do Icasa, de (claro…) Juazeiro do Norte (CE):

(…)Meu padim nos gramados do céu,

é mais um craque a orar meu Verdão,

a fé nos conduz a vitória,

Icasa eterno campeão.

O hino do Ituiutaba é uma coleção de não-sei-bem-o-quê, que começa com arroz e cita um bando de famílias. Tá mais pra fofoca de quermesse:

Foi nos tempos do arroz,

quando o futebol só tinha um aspecto romântico.

Foi com o Boa Vontade, descendente dos Cancella,

que nasceu altaneiro, do Triângulo Mineiro,

para Minas e outras Terras.

Teu nome é forte

pois é o baluarte do interior

da meiga mãe Minas Gerais.

Quer por altivo e puro

o pavilhão tricolor,

gravado na sina dos fortes Moraes.

Mas eu não consegui entender qual é a do Sampaio Corrêa, de São Luís (MA):

Sampaio Corrêa,

a “Bolívia” querida [er... perdão, mas não entendi por que a Bolívia foi parar no Maranhão!]

de maior torcida

deste Maranhão

Sampaio Corrêa,

do nosso esporte

o mais antigo esquadrão;

Sua camisa encarnada, verde e amarelo;

Veste gigante do esporte em constante duelo.

Sampaio Corrêa, time de Escol [Mais um escol!]

Maior torcida tradição no futebol.

Hino de clube de futebol é a maior curtição. Mas o que que a Bolívia foi fazer no Maranhão eu não sei!!!

[OD 1 ano] Ah, esses estagiários infrequentes….

sábado, abril 24th, 2010
Ah, vou comemorar o primeiro ano de vida do meu caldeirãozinho!
Vou republicar os posts que mais me divertiram nestes doze meses! Portanto, aos costumes!
Este post foi originalmente publicado em 24 de abril de 2009 às 15:32

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Os ectoplasmas suínos estabeleceram contato imediato com esta que vos fala. Desta vez, caiu em minha caixa de correio eletrônico esta belezura contra os estagiários de uma empresa qualquer. (Isso realmente não vem ao caso). Volto a me valer dos comentários entre colchetes, em azul:

Solicitamos informar a infrequência  [Cristorreimesalva...] dos estagiários .  [ã-rrã, sei... mas o que que é isso mesmo, hein?] , ou seja, ausências que impliquem em desconto da Bolsa-Auxílio [aaaaahhhh, tá!].

- Em caso de rescisão [ponto positivo! Escreve rescisão direitinho! Só por isso vou pegar leve...] informar imediatamente através de [ah, os atraveses...] e-mail informando [informar informando? Tá, sei.. mas por que você resolveu informar desinformando, meu fio?] qual o último dia estagiado [G-zuz! Os períodos de 24 horas ganharam estágio, é? Quando forem efetivados, viram o quê? Semanas ou meses?].

(…)

- licença saúde / auxílio doença [faltou o hífen aqui, mas como eu não tenho mais certeza depois de dona reforma ortográfica, deixa prá lá. Até dezembro passado o tracinho era obrigatório]:

(…)
- Informar somente infrequências

(…): não fazem jus a essas infrequências [ah, que lindo isso! Pense bem: você já pensou em acordar um dia e pedir a Deus algo do tipo: "Querido Papai do céu, hoje eu gostaria de não fazer jus a uma infrequência." Ah, isso beira o romantismo!] e os dias informados [dia informado é aquele que lê jornal todos os... er... dias?] com tais ocorrências serão considerados infrequências [ai,confundiu agora... o dia informado ser uma infrequência é bom ou ruim?] e consequentemente descontados no pagamento da Bolsa [é, acho que é ruim].
(…): fazem jus às ausências médicas e os dias de ausência com atestado não precisam ser informados
[que falta faz uma vírgula, meu padimciço! Eles fazem jus às ausências médicas e também aos dias de ausência com atestado, ou eles só fazem jus às ausências médicas -vírgula- e os dias de ausência com atestado (pobrezinhos, nasceram nublados, sujeitos a chuvas e trovoadas, foram parar no médico) não precisam ser informados (Ou seja: dias nublados não precisam ler jornal!)?] .

Obs: Nos casos em que o estagiário esteve frequente todo período
[vou parafrasear Stanislaw Ponte Preta: queremos crer que um estagiário frequente todo o período é uma revolução nos modernos códigos de conduta corporativos], a frequência não deve ser encaminhada, e estaremos providenciando o pagamento integral da Bolsa [mais uma vez o futuro do gerúndio... tadinho do estagiário que não é infrequente... já pensou quanto tempo ele vai levar pra receber a bolsa dele?].

[suspiro. suspiro profundo.]

Vamos lá que os estagiários de hoje sofreram mais que a geladeira de ontem. Tudo bem que o tio Antônio </Houaiss> diz que infrequência é falta de frequência ou baixa frequência, mas… o que que o autor do texto tem contra a ausência?!?!?! A ausência é tão clara, específica e direta…

O através é um caso sério, mas não é lá muito grave. Ocorre que essa preposição transmite a ideia de atravessar, mesmo. Adequada e correta de se usar é em casos como: Olhou através da janela. Há quem diga que a transmissão através da rede está errada, mas se um arquivo tem que atravessar a rede pra chegar do outro lado, acho que está certa, sim. Por isso, vou relevar. Isso é papo entre pasquales becharas. Mas, nesses casos, se não for pra dar ideia de atravessar, prefira a preposição por, que foi feita para atender às necessidades específicas do cliente.

Outra questão polêmica (pros outros, não pra mim) é a vírgula precedendo uma conjunção aditiva (o e). Há quem diga e defenda com unhas, dentes, canhões e baionetas que a vírgula nesse caso é errada, feia, boba, chata – pior que heresia. Mas o professor Pasquale provou, com Vinícius de Moraes, que a vírgula combina muito bem com o e. Eu nunca entendi o porquê de não poder vírgula depois do e: são duas frases distintas, dois sujeitos distintos, dois verbos distintos, a vírgula fica direitinho onde tem que ficar. E há casos em que ela é mais do que necessária, ou então pode dar margem a duplas interpretações – como no texto daí de cima, que, sinceramente, ficaria muito mais bem resolvido com um ponto e outra frase do que com uma vírgula e um e. Mas em geral, a vírgula é a solução customizada perfeita para separar ideias.

Observações quanto aos outros colchetes, que destacam casos específicos de falta de estilo do autor da peça, eu não vou nem falar nada. É dar murro em ponta de faca. Limito-me a (tentar) melhorar o texto, para deixá-lo mais claro. Vamos lá?:

Solicitamos informar as ausências dos estagiários.

(…)
- Informar somente as ausências que impliquem desconto da Bolsa.

- Em caso de rescisão, informar imediatamente por e-mail o último dia de trabalho do estagiário.

(…)

(…): não fazem jus a essas ausências. Os dias de estágio assim informados serão consequentemente descontados no pagamento da Bolsa.
(…): fazem jus às ausências médicas. Os dias em que o estagiário ausentou-se com apresentação de atestado não precisam ser informados .

Obs: em casos de frequência integral do estagiário não é necessário encaminhar informações sobre frequência. Será providenciado o pagamento integral da Bolsa.

Tudo bem que estagiário tem mais é que sofrer. Mas aí também já é esculhambação, né?

Disfunção erétil + falta de noção = duplo sentido idiota

sexta-feira, abril 23rd, 2010
PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

Se tem uma raça que tem que entender direitinho o que, por que e, principalmente, como falar com seu público-alvo, essa raça é a dos urologistas (aqueles médicos que cuidam do… er… daquele órgão masculino que tem por hábito erigir-se). Urologistas e proctologistas (aqueles que cuidam do… er… lá de trás!). O público-alvo dos urologistas é preconceituoso, descuidado, desligado e foge desses médicos mais do que o diabo foge da cruz.

Então, toda comunicação dos urologistas com a sociedade tem que ser pensada direitinho. Há que se medir as palavras usadas para, principalmente, evitar o duplo sentido na frase – ou, pelo menos, amenizar esse duplo sentido. E, se o duplo sentido é inevitável, que ele seja trabalhado de forma a conquistar o público-alvo, e não afastá-lo, certo?

Daí vem a Sociedade Brasileira de Urologia e me lança esta campanha aqui, com o lema:

Não vire as costas para a disfunção erétil

Não percam o vídeo da campanha neste link aqui.

Sério mesmo que a SBU tá dizendo que homem brocha não deve ir ao proctologista? Tá, eu sei que não é isso que está escrito aí em cima, mas é isso que dá a entender a frase!!! Ora, carambolas e palafitas, esse troço daí de cima foi pensado por um publicitário, que deveria ter previsto essa dupla interpretação!!!

Aí vocês por favor me digam o que a SBU tá querendo dizer com isso, hein? O que a SBU quer com essa campanha? Atrair pacientes? A campanha diz, em outras palavras “Homem, se você brochou, não vire as costas que pode ser pior!” e ELES QUEREM ATRAIR PACIENTES?!?!?!?!

Que moral a SBU tem pra falar em conscientização da população, se não tem consciência do duplo sentido sem noção do lema da campanha?!?!?!?!

Eu me sinto tentada a arriscar um trocadilho com dedos, mas vou me abster. Deixo a SBU sozinha na tarefa de afastar pacientes dos consultórios.

Ufanismo contagiante – quando os hinos exageram na dose

quinta-feira, abril 22nd, 2010

Antes de mais nada, muito obrigada a todos que estão a colaborar por e-mail, twitter e comentários por aqui.

Geral resolveu ajudar e eu estou recebendo uma série de hinos de escolas e clubes pequenos que são mini obras-primas da literatura em língua portuguesa.

Antes de eu começar a divagar sobre o assunto, aos costumes: vou criar duas páginas extras neste blog, que ficarão ali, à direita, pouco abaixo de minha singela foto :D . As páginas serão intituladas Hinos de Colégios e Hinos de Clubes. Vou listar todas as obras que receber lá, por ordem de chegada.

Isto posto, voltemos à divagação.

Nego quando senta pra escrever um hino, por definição, liga os neurônios em modo exagero. Quer ver só? O hino dos Estados Unidos termina com a pouco modesta afirmação de que o país é a terra dos livres e o lar dos bravos. Se isso não é exagero, não sei como classificar. E o nosso és belo, és forte, impávido colosso? Aliás, onde mais as palavras impávido e colosso apareceriam juntas, além da letra de nosso mui amado Hino Nacional?

Não estou aqui criticando a construção dos hinos, a idéia aqui é destacar o exagero das letras – característica primeira de quase todos os hinos em homenagem a alguma instituição.

Reparem, por exemplo, no hino do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, enviado pela Marianna Vilarino (ex-aluna orgulhosa):

Vivemos para o estudo
Soldados da ciência.
O livro é nosso escudo
E arma, a inteligência.
Estudaram aqui brasileiros
De um enorme e subido valor.
Vivemos para o estudo
Soldados da ciência.
O livro é nosso escudo
E arma, a inteligência.
Por isso sem temer
Foi sempre o nosso lema:
Buscarmos no saber
A perfeição suprema”.

“Nós levamos nas mãos o futuro

De uma grande e brilhante nação.

Nosso passo constante e seguro

Rasga estradas de luz na amplidão.

Nós sentimos, no peito,

O desejo de crescer, de lutar, de subir,

Nós trazemos no olhar o lampejo

De um risonho e fulgente porvir.


Vivemos para o estudo

Soldados da ciência.

O livro é nosso escudo

E arma, a inteligência.

Por isso sem temer

Foi sempre o nosso lema:

Buscarmos no saber

A perfeição suprema.


Estudaram aqui brasileiros

De um enorme e subido valor. (…)

Entenderam o exagero? Mas se não houvesse tal exagero, o hino do colégio jamais sairia dos neurônios do autor.

Outro exemplo, o hino do Colégio Santo Amaro, também do Rio de Janeiro:

“(…) Coragem e ânimo, alegria

Para o colégio nosso honrar

É necessário cada dia

Com mais estímulo estudar

Vamos valentes, sempre avantes

Para podermos conseguir

Uma instrução forte e brilhante

Que nos dê glória no porvir

E tu, colégio, da memória

Nossa jamais te apagarás

Nós te daremos honra e glória,

Tu honra e glória nos darás

Recebe o preito de ternura de nossa alegre infância em flor

A gratidão mais viva e pura

Junto ao mais vivo e puro amor

Recebe o preito de ternura. Preito, gente. Tem como não se encantar com esse exagero todo? Reparem no seguinte: dois hinos, dois colégios, e o mesmo porvir assinalado na letra… ;) – mas tenho pra mim que o porvir do PII é melhor, porque é fulgente:D

E o Colégio Militar de Brasília? Vejam que beleza:

Eu sou conquistador

Quando em defesa

Da justa lei da honra e do civismo

Das terras de pujante natureza

Q`herdei como nobreza

De um passado de heroísmo


Eu sou com muito orgulho um brasileiro

Que ostenta a nobre estrela tutelar

No alto do Planalto Maravilha

Na terra de Brasília

Sou Colégio Militar

Planalto Maravilha! Terras de pujante natureza!! Ah, como é legal praticar o exagero nos hinos! :D

Vou retomar este assunto aqui, tão logo me cheguem mais exemplos de hinos. Por favor, continuem a colaborar!

Campanha hinos brasileiros

quinta-feira, abril 22nd, 2010

Fui acometida por uma inexplicável vontade de reunir exemplos de composições ufanistas. e peço mui humildemente sua colaboração.

Se você me lê e conhece a letra do hino de seu colégio, ou sabe a letra do hino de times de futebol (não vale os grandes!), por favor, envie um e-mail com esse pedacinho de literatura brasileira para objetivandodisponibilizar arroba gmail.com (não vou escrever o endereço aqui pra evitar vírus, OK? É só substituir o “arroba” pelo símbolo @.).

Vou publicar aqui os hinos em duas categorias: escolas e clubes de futebol.

Aguardo sua colaboração!

Síndica deveras controladora ou pense bem no seu público-alvo antes de escrever qualquer coisa

quarta-feira, abril 21st, 2010

Mais um post originado na casa da sogra.

O prédio onde vive a mãe do meu marido é habitado basicamente por seres sexagenários de 80 anos, como diria a nonna Nair Bello. Tudo velhinho aposentado.

A própria síndica é uma sexagenária de 80 anos. Um contêiner, a mulher. “Favor trancar a porta após as 20 horas”, “é proibido mais de um carro por apartamento”, “o lixo deve ser recolhido em sacos pretos às segundas, quartas e sextas, sempre às 22 horas’ e por aí vai. Tem regra pra tudo. Ela controla as coisas nos mínimos detalhes. E os velhinhos seguem tudo à risca.

Daí, você lê esse aviso quando entra no prédio

DSC03924

e se pergunta se a supracitada síndica está a controlar o horário de visitas dos técnicos de TV a cabo ao telhado ou se no fundo, no fundo, o que ela quer mesmo é controlar a hora de os vizinhos baterem as botas.

Portanto, amiguinhos, deixo aqui mais uma lição importante: antes de escrever ou dizer qualquer coisa, pense no seu público-alvo, para não ser mal interpretado.

Porque vamos combinar: não é de bom tom fixar um aviso desse teor num prédio onde só moram velhinhos, né?

E o pior é que a tal da síndica mora no andar onde esse aviso foi fixado.

Qualquer dia desses eu vou perguntar o que ela quer controlar de fato com esse cartazete…

A criatividade dos escribas brasileiros

terça-feira, abril 20th, 2010

Copiado e colado da coluna de hoje da Monica Bergamo, aqui (só pra assinantes, mas não lamente, lembre-se que é a Folha de SPaulo…):

O CRIATIVO
O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.
O CRIATIVO 2
A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

O CRIATIVO

O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.

O CRIATIVO 2

A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

Me lembrou de três coisinhas:

1- Uma agência de publicidade que existia em priscas eras da Internet, a Plus Comunicação. O site deles (putz, não abre mais, que pena!) era um mafuá multimídia, tinha um olho (globo ocular, bem entendido!) que olhava pra tudo quanto era canto, pra cima, pra baixo e pros lados, e, ao fundo (juro por Deus! Eu vi e ouvi isso!!!) o arquivo midi de Missão Impossível tocando sem parar – e sem um botão de calabocapelamordedeus no site!) Justiça seja feita, a Plus Comunicação foi a pioneira no (mau) uso da palavra diferencial. Usava em T-U-D-O quanto era canto. Pra T-U-D-O quanto era cliente. Tenho cá pra mim que os irmãos Gonzalez Y Gonzalez trabalharam nessa agência de comunicação. Daí a reciclabilidade de seus slogans, né?

2- uma notinha lida Internet afora (acho que foi no Blue Bus, mas não encontrei nenhum link que me comprovasse a memória) sobre a concorrência que o IBGE fez para contratar uma agência de publicidade para divulgar seu trabalho etc. e tal, e quase todas as concorrentes fizeram algum trocadilho com o verbo contar para o slogan. algo como: “IBGE, conte com a gente!”

Eu sou a primeira a defender trocadilhos. Acho que um trocadilho calado pode fazer muito mal à pessoa, pois ele vira toxina. O negócio é falar logo e botar o trocadilho pra fora antes que ele te contamine. Mas também não é pra levar o trocadilho a sério, né, gente?

3- O Paulo Henrique Amorim comentou no site dele já ter trabalhado com um revisor (foi no Jornal do Brasil, Paulo Henrique?) que recomendava cautela ou até mesmo que se evitasse o uso da palavra poder, porque ‘o poder pode tudo’.* Aí vem o PSDB e… deixa prá lá.

Tudo isso pra dizer que eu ainda espero um mínimo de criatividade (da sinceridade já abri mão de há muito!) nessa campanha eleitoral que já se vislumbra ao horizonte….

* Pra quem não entendeu: no início do século passado, o fonema da letra F era produzido pelas letras “PH” (como em pharmacia). Agora, imaginem o poder com PH. Então, preciso desenhar ou tá de boa?

Interpretando textos com a Madrasta do Texto Ruim – um olhar realista para destacar as entrelinhas

quarta-feira, abril 14th, 2010

O título daí de cima é pra ser lido com sarcasmo, fazfavô. Porque eu jamais, em sã consciência, começaria um título com um gerúndio, muito menos lançaria mão da expressão um olhar assim assado. Além de sarcasmo, o título acima ainda contém 3 taças de vinho. Favor dar o desconto.

Mas não tô aqui pra justificar meus títulos. Vim para ajudar meus diletos leitores a lerem as entrelinhas dos textos que lhes chegam às mãos. Outro dia mesmo tava aqui aprovando um comentário que falava de texto em entrelinhas.

Enfim. Marido recebeu uma dileta cartinha da TIM(ganei) junto com a conta do celular. A missiva é simpática e educada, mas contém uma série de informações que não foram ditas com todas as palavras. Escancará-las-ei, portanto:

Prezado cliente,

Visando a melhoria constante nos processos de atendimento a você, cliente TIM, estamos aprimorando os nossos sistemas de faturamento, responsáveis pela geração de sua conta.[Achamos por bem mexer no sistema que gera nossas cobranças]

Diante disso, a conta deste mês (Abril/2010) não contempla as chamadas locais e de longa distância. [deu um pau ferrado no sistema, a gente perdeu um monte de coisa, mas se Deus quiser o backup vai funcionar] Estas chamadas serão apresentadas na próxima conta com vencimento em maio/2010. [Até o mês que vem a coisa tem que voltar aos eixos, com a ajuda dos deuses]

ATENÇÃO: Caso exista utilização de chamadas locais excedentes ao seu pacote de minutos, realizadas no período de 1/3/2010 a 31/03/2010 (Período do vencimento de Abril/2010), ou chamadas de longa distância deste mesmo período, estas serão cobradas e apresentadas na conta do mês de maio/2010. [aparentemente, perdemos os registros de suas chamadas excedentes e/ou de Longa distância. Mas estamos rezando pra recuperar tudo, viu? Aguarde notícias mês que vem!]

Essa reprogramação está sendo feita em caráter excepcional, não causará a cobrança de encargos financeiros adicionais e respeita os prazos determinados pela Anatel (Agência nacional de Telecomunicações). [Tamos virando noites e noites pra resolver o quiproquó, o chefe não larga do nosso cangote, e a gente tem que consertar a bosta homérica o mais rápido possível. Inda bem que a Anatel entende que esse tipo de bosta acontece, né?]

Adicionalmente, o vencimento da sua conta deste mês será prorrogado e o pagamento poderá ser realizado até 22/04/2010, sem incidência de multa e juros. [Tamos quebrando o teu galho. Reze por nós!]

Atenciosamente,

TIM Brasil.

Eu ri muito ao ler esta carta. Espero ter compartilhado os motivos de meus risos com vocês. E vamos ver o que vai acontecer mês que vem!

Contas erradas e gritarias no gerúndio

quarta-feira, abril 7th, 2010

Nota-se que quem teve a idéia de jênio do site Dois Gritando, do jornal O Globo, nunca participou de movimento estudantil. No máximo vai protestar de vez em quando na orla carioca aos domingos. Se tivesse participado do movimento estudantil, teria o tique nervoso de aumentar sempre o número de participantes de protestos e passeatas, e não passaria por esta web-vergonha aqui:

doisgritando

Senão vejamos:

Nós = primeira pessoa do plural. E plural, até ontem à noite, era aquela coisinha que é sempre mais de um, né? (Tô numa fase meio tatibitati, reparem não). Isto significa que as pessoas do plural (nós, vós e eles) têm que ser, no mínimo, duas. Ou viram singular. Daí, a gente pode até chegar a esta mirabolante e elaboradíssima equação matemática, que obviamente confundiu a cabeça dos jênios do Globo:

Nós e você = nós + você = 2+1 = 3

Portanto, temos três gritando (esse gerúndio assusta… será que ao menos vão respeitar a lei do silêncio?!?! Será que esses três gritando param em algum momento? Putz, isso dá dor de garganta!!).

Mas o Globo não conta uma das três pessoas… seria essa terceira pessoa o mesmo, aquele ser que encontra-se no andar enquanto a gente espera o elevador?

De qualquer forma, por favor, providenciem uma calculadora p’a galera do Globo. Eles tão precisados…

O dia em que o revisor do R7 ficou com sono

quarta-feira, abril 7th, 2010

Vocês sabem muito bem que eu forço a barra pra incluir alguma coisa do R7 aqui no caldeirão. Vou fazer de novo. Não sem antes agradecer ao Cardoso por mais uma cantada de bola.

Pô, foi só um errinho de dedo, coitado! Nada de grave, como erro de concordância ou erros ortográficos berrantes. Mas é que coisas desse tipo são raras de acontecer no R7, e têm que ser sorvidas como se fossem caviar.

Enfim, o erro tá aqui. Se, quando você clicar nesse link, não encontrar mais nada, eis aqui o presente dos deuses do printscreen:

Twem nem o que corrigir...

Tem nem o que corrigir...

Foi só um sobriviveu de nada, mais um notócias. Errinho bobo de digitação. Provavelmente obra de quem tá com sono, doido pra ir pra casa, e ainda tem que ficar falando de Glória Perez às onze da noite de uma terça-feira (coisa que ninguéééééééééééééééém merece!)

Pois vá em paz, zifio, cê tá perdoado! Nem sei se você vai gostar de meus votos, mas que Nossa Senhora da Boa Ortografia lhe ilumine os caminhos, inclusive na hora de muito sono, sim?

E, se quiser figurar neste caldeirão com toda a pompa e circunstância, sugiro um cursinho básico c’os povo daqui

A politização da vírgula (ou a teoria do Fagundes)

sábado, abril 3rd, 2010
As imagens acima também foram "adquiridas" no blog do Nassif. O link pro post tá aí embaixo no texto

As imagens acima também foram "adquiridas" (/cara de pau) no blog do Nassif. O link pro post original tá aí embaixo no texto

Daí que um dileto ectoplasma suíno passou por estas bandas e me avisou deste post no blog do Nassif. Tô com pressinha agora, depois eu baixo as imagens e copio aqui.

Mas, pra quem tá com preguiça de clicar no link, segue o resumo da ópera (bufona). Resumão bem tatibitati, porque, né, trata-se da Folha de São Paulo, o Eliéser dos jornais brasileiros. A história é a seguinte:

1- Folha de São Paulo faz manchete política para edição impressa.

2- Folha de São Paulo faz manchete sobre mesmo assunto para edição online.

3- Folha de São Paulo mexe mal nas vírgulas e faz lambança.

4- Folha de são Paulo remenda a lambança na edição online.

As manchetes das edições impressa e online ficaram, respectivamente, assim:

Serra critica roubalheira e Dilma, viúvas da estagnação (edição impressa)

Serra critica roubalheira, e Dilma, viúvos da estagnação (edição online)

Se eu fosse preguiçosa, me limitaria a lincar aqui a explicação que o professor Pasquale já deu sobre a vírgula e a conjução e. Mas não vou me furtar a tecer minha própria teoria da conspiração. Vamlá.

Pra começo de conversa, vamos falar com base em dona Gramática. Essa manchete da Folha é a prova final, definitiva e indiscutível de que conjunção aditiva pede, sim, vírgula, pra não embananar a compreensão da frase. Então, galera, vamos cortar aquele papinho furado de que conjunção aditiva liga frase e por isso não pode jamais ser precedida por uma vírgula blablabla whiskas sachê blablabla. Como já disse, o Professor Pasquale concorda comigo.

A frase da edição impressa, sem a vírgula antes da conjunção aditiva, tem apenas um sujeito (Serra) e dois objetos diretos (Dilma e a roubalheira). Do jeito que ficou, a frase afirma que Serra criticou tanto a roubalheira quanto a Dilma,  e afirmou que ambas (Dilma e roubalheira) são viúvas da estagnação. Reparem no viúvAs, no feminino.

Já a frase da edição online conta com dois sujeitos, Serra e Dilma, que cometeram a mesma ação (criticar) contra objetos diretos diferentes (o de Serra é a roubalheira; o de Dilma, os viúvOs da estagnação. Viúvos, no masculino, reparou?).

Isto posto, minha teoria é de que esse texto foi feito às pressas, no meio da madrugada, no fechar de uma edição. O caboclo tava com sono, e tava mais preocupado com dona Gramática do que com dona Tendência Política. Aprendeu na escola que antes de conjunção aditiva não tem vírgula nunca, jamais, em tempo algum, e tirou a dita de lá. Apertou o print das rotativas, virou as costas e foi-se embora dormir, pra dar margem a toda sorte de interpretações escabrosas e maledicências por parte dos blogs petralhas (huahuahuahua, como é divertido zoar com todas as tendências políticas!), que começaram a imaginar até mesmo que, dadas suas ligações escusas com o prédio da Barão de Limeira, (aqui começa a viagem legal) foi o próprio Serra foi o autor dessa frase. Não seria de espantar. José Serra tem mesmo habilidade pra fazer cagadas desse tipo com a Língua Portuguesa. Daí os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

Mas eu tenho outra teoria: essa manchete foi feita de propósito, e pra sacanear a direção da Folha. Algo bem Fagundes, o Puxa-Saco: E aí chefinho, ficou boa a manchete? Viva o Serra, e abaixo a Dilma, né, chefinho? Daí, o cabra chutou o pau da barraca e fez essa lambança na edição impressa. Então, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

A terceira teoria é a menos plausível de todas: o autor da manchete é um jornalista sem conhecimentos básicos de Português. Mas nessa teoria eu não aposto, não. Naonde que a Folha de São Paulo se prestaria a publicar textos mal-escritos, né, gente? Pô, se tem um jornal que preza pela clareza dos textos e da concordância com as regras gramaticais da Língua Portuguesa é a Folha de São Paulo!!! (*) Ainda assim, ao lerem a magnífica manchete da edição impressa, os caboclos da edição online viram a bosta e passaram papel higiênico pra limpar.

(*) Pros desavisados de plantão: Esse parágrafo foi irônico, tá?

Frase do dia

sábado, abril 3rd, 2010

Cabei de ouvir essa frase genial do Ruy Castro:

Ler é a segunda melhor coisa do mundo. A primeira é escrever.
Aquela que você está pensando agora é hors-concours.

Sem as bênçãos de Nossa Senhora da Concordância Verbal…

quinta-feira, abril 1st, 2010
É cultivam, Serra! Cultivam!!!

É cultivam, Serra! Cultivam!!!

Alguém avisa lá em cima pra algum santo abençoar e proteger a candidatura de José Serra à Presidência da República?

Nossa Senhora da Concordância Verbal já refugou, coitada…

Pô, primeiro dia de campanha, o ex-governador de São Paulo solta esta magavilha:

Aqui não se cultiva escândalos, mal-feitos, roubalheira…

Ô, Zé! O certo é cultivam, zifio! Vê se melhora seu entrosamento com os santos gramaticais, senão a coisa vai ficar feia pro seu lado!

Até porque as más línguas dizem que quem fala errado neste país é Lizinácio, e ele nem candidato mais é…

(Também, quem mandou o Paulo Henrique Amorim ficar reparando nas suas concordanças, né?)

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