Daí você está quieto, calmo, tranquilo, na sua, navegando e respirando, com neurônios quase a zero, e dá de cara com essa manchete:
Juliana e Larissa batem tchecas e vencem a segunda na etapa de Roma
Tem como não pensar em besteira?
MasAntes que seus neurônios continuem a se inflamar em conjecturas de duplo, triplo, quádruplo sentido, você começa a ler a notícia. E descobre que…
As brasileiras Juliana e Larissa passaram por mais um desafio na etapa de Roma do Circuito Mundial de vôlei de praia. Na manhã desta quarta-feira, a dupla venceu as tchecas Klapalova e Hajeckova por 2 a 0 (parciais de 21-13 e 23-21) em 38 minutos de jogo.
…você tem a mente imunda.
Agora, adivinha de onde veio essa notícia? Dica: de um portal que começa com U e termina com OL…
0,4 é a média de letras da palavra na frase de língua portuguesa.
Ou eu não entendi direito (grandes novidades! Texto da Folha, dona Bruxa! Parece que não aprende…) a coisa ou o texto diz que, em média, as palavras em frases escritas na Língua Portuguesa não conseguem chegar nem a meia letra!
Pobrezinha da Língua Portuguesa! Além de inculta é bela é incompleta? Ela não é nem maneta nem perneta, é… letreta?
Me lembrei na hora deste trecho do filme Sociedade dos Poetas Mortos (aos 2 minutos mais ou menos), em que o professor interpretado pelo Robin Williams manda os alunos rasgarem a parte do livro que ensina como identificar o nível de excelência de uma poesia. Tudo bem que a reação do personagem do Robin Wiliams é digna, mas se professora de português e literatura fosse, eu ensinaria meus alunos a rirem da cara do sujeito que escreveu tal baboseira.
É mais ou menos o que eu vou fazer aqui com meus diletos leitores. Porque é possível sempre absorver alguma coisa positiva deste livro, né?
Primeiro, vamos separar as dicas realmente aproveitáveis das autoras:
1- Frase curta é o que há. Deixa o texto simples e claro, e não embola azidéia no meio da frase.
Eu vou, inclusive, provar para vocês que um texto entremeado de vírgulas, dispostas de forma a separar as idéias de cada frase, não é uma boa idéia para se construir um texto, porque você vai acabar socando um monte de idéias e conceitos, todos juntos numa mesma frase e, lá pelas tantas, vai acabar precisando de um gerúndio pra ligar uma idéia à outra e, se bobear, você ainda caba falando, dentro da mesma frase, de coisas que não têm nada a ver, como o pênalti que o Baggio perdeu pro Brasil na copa de 1994, que deu o título de tetracampeã à seleção canarinha.
Entenderam que vírgula não é uma boa idéia? Prefira o ponto, zifio. O ponto diz pro seu leitor dar uma paradinha na leitura. Essa paradinha ajuda ele a processar a informação recém-lida. Algo comparável ao botão de enter do computador. Com isso, ele apreende seu texto em doses homeopáticas. E não vai pensar que a vírgula do Baggio entremeada na construção do texto deu o tetracampeonato à seleção canarinha, por exemplo.
2- Adjetivo é legal quando o texto não é jornalístico. Mesmo assim, deve ser usado com parcimônia. Isso vale, por exemplo, pra textos corporativos.
Infelizmente, não tenho em mãos o exemplo mais genial de texto repleto de adjetivos. Está no meio dos caixotes da mudança. Trata-se da coletânea de tirinhas do Fagundes, o puxa-saco. Assim que eu encontrar esse texto, copio ele aqui. ele deixa bem claro que o abuso de adjetivos deixa seu texto (e sua idéia) um tanto ou quanto ridícula. Fico na dívida para com meus diletos leitores.
3- Assim como frase cheia de vírgula, frase cheia de polissílabos (palavras com quatro sílabas ou mais) também não ajuda. O exemplo clássico é a frase que motivou a criação deste blog: objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando, (blablabla wiskas sachê blablabla).
Escreva o texto de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Por mais que seu texto vá preencher as páginas de sua monografia de conclusão de curso, escrevê-lo de forma simples vai mostrar ao seu professor, por exemplo, que você não só domina o assunto sobre o qual está escrevendo como consegue explicá-lo sem grandes firulas. Fiz isso com uma prima que me pediu pra revisar a monografia do curso de ciências contábeis. O texto tava cheio de frases do tipo objetivando disponibilizar. Expliquei a ela como simplificar o texto: ”empregue na construção do seu texto as palavras que você usaria pra explicar o assunto para a sua sogra durante uma partida de canastra.” Ela seguiu o meu conselho e, modéstia à parte, tirou dez no trabalho. (A vaca nem pra me convidar pra formatura, mas deixa prá lá. Sei que já espalhei o bem por aí.)
Mas, oh, carambolas, este texto tá positivo e educativo purdimais. Vamos pro recreio, criançada!
Comecei este post pra falar do livro A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto. O livro é meio surtado, sabe? Lá pelas tantas, ele ensina como (cof, cof) mensurar (cof, cof) a (cof, cof) excelência (cof, cof) de um texto. Vou citar a resenha do livro:
Um trecho interessante está na página 51 [piada pronta. O trecho interessante está na página 51. Mal posso esperar pra ler a página 24 - ou a 69...], na qual as autoras ensinam como testar a legibilidade de um texto [caaaaaalma! Respira fundo e continua a ler a coisa! você vai rir mais!!!]. Elas reproduzem uma receita do jornalista Alberto Dines.
São seis passos: 1. Conte as palavras do parágrafo. 2. Conte as frases (cada frase termina por ponto) [viram, crianças? cada frase termina por ponto! Não confunda: o ponto é este sinal: . Já a vírgula é este daqui: , Se aparecer este sinal, não é fim de frase, viu? OK, parei de zombar!] . 3. Divida o número de palavras pelo número de frases [Ah, você inda num pegou a calculadora?]. Assim, você terá a média de palavra/frase do texto. 4. Some a média da palavra/frase do texto com o número de polissílabos [Agora, comece a cantar: e todos dançam o pega, estica e puxa / e viva a festa da Xuxa! Melhor trilha sonora não há!] . 5. Multiplique o resultado por 0,4 (média de letras da palavra na frase de língua portuguesa). 6. O produto da multiplicação é o índice de legibilidade [A esta altura, você já chegou naquela parte que diz: O dengue conta de um até três, as brincadeiras começam de uma vez, e se perdeu na conta, né? Ah, puxa, que pena... malzaê por tirar a sua concentração, viu?]. [Pensa que acabou? Nãããããããããoooo!!! Aqui tem a análise dos resultados da sua conta: ] Possíveis resultados: 1 a 7: história em quadrinhos. 8 a 10: excepcional. 11 a 15: ótimo. 16 a 19: pequena dificuldade. 20 a 30: muito difícil. 31 a 40: linguagem técnica. Acima de 41: nebulosidade.
O livro dá exemplos práticos da eficácia desse teste: “Se o resultado ficou acima de 15, abra o olho. Facilite a vida do leitor. Você tem dois caminhos. Um: diminua o tamanho das frases. O outro: mande algumas proparoxítonas dar umas voltinhas por aí. O melhor: abuse de ambos.” [Eu indicaria mais dois caminhos: a) o texto ficou uma bosta. Joga fora e começa do zero, é o melhor a se fazer; b) esqueça a calculadora e abra um dicionário. Ele costuma ser um grande companheiro de redações e redatores. Outro excelente auxiliar na redação de um texto é o Manual de Redação e Estilo do Estado de SPaulo. A única coisa prestável produzida pela empresa do clã dos Mesquita.]
Mas esse texto prima mesmo é pelo conjunto da obra de piadas prontas. Pensa que o melhor do livro é o fato de ele começar a ficar bom na página 51 (hic! )? Claro que não! O melhor dele é descobrir que você pode comprá-lo na… Livraria da Folha – o Eliéser dos jornais impressos brasileiros…
É uma piada pronta atrás da outra…
Se a coisa continuar nesse nível serei obrigada a criar uma nova catiguria no caldeirão: PORRA, FOLHA!
Antes de terminar este post, mais duas observações. A primeira: PORRA, ALBERTO DINES!!! NAONDE QUE VOCÊ TIROU ESSA IDÉIA DOIDA DE CÁLCULO DE LEGIBILIDADE DE TEXTO? PÁRA DE TOMAR CHOPE COM ENGENHEIRO PORQUE ESSA RAÇA NÃO SABE ESCREVER DIREITO, CARA!!!!
A segunda: Meus agradecimentos ao Cardoso pelo link enviado.
Gente, tadinha da Folha! O Eliézer Ambrósio dos jornais impressos tá perdidinho da silva! Num sabe quemcossô, oncotô, proncovô…
Culpa dessa menina Internéte, que desvirtuou o belo caminho dos excelsos jornais impressos brasileiros. Agora, qualquer um tem acesso a qualquer tipo de notícias em qualquer lugar, a qualquer hor… CRISTORREIMESALVA! SAIPRALÁ, CLICHÊ!!!!
Ai, mals aê, galera! É que o texto de apresentação do novo (sic) formato da Folha de São Paulo é de uma ruindade contagiante. Ruindade não no sentido de maldade, é no sentido de troço ruim, mesmo!
As idéias estão concatenadas de forma a se desconectarem, e o texto se conclui num mega-chavão pra deixar bem claro que a Folha é e sempre será essa publicação… por assim dizer… smartona.
Senão, vejamos o texto disponível neste link aqui. E quando você se dá conta de que o autor é simplesmente o EDITOR-EXECUTIVO DO JORNAL a vontade de chorar só faz crescer. Mas vamos lá:
Informação exclusiva de cara nova[Tá bom. Então é só a informação exclusiva que vai ganhar roupagem nova? A informação que sair publicada na Folha e em todos os outros jornais do Brasil - quiçá do mundo - vai ficar com cara velha?]
SÉRGIO DÁVILA
EDITOR-EXECUTIVO [brrrrrrrrrrrrrrrr.... perdão, correu um arrepio por toda a minha espinha agora. só de pensar que o editor executivo do jornal escreve assim... brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]
A Folha mudou [Taí um verbinho perigoso de se usar assim, intransitivo... suscita interpretações mil! Mas deixemos minha ansiedade de lado, dotô Sérgio vai se explicar. (Vai?)]. O jornal que você tem em mãos neste domingo traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil [as entrelinhas dizem: Leitor, você é cego, disléxico e burro. Pra quebrar o seu lado, aumentamos a letra. Na próxima reforma, vamos usar apenas desenhinhos, combinado?]. Os títulos são mais fortes [donde se conclui que os títulos anteriores eram fracos (leia-se uma bosta)] , a hierarquização das reportagens é mais clara [ai, que lindo isso! hierarquização clara de reportagens! É de comer ou de beber? E QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PRO LEITOR, CÁSPITA?!?!?!?!?!?!?!?!?] , a identidade entre os cadernos [impressão minha ou ele disse aqui que todos os cadernos de diferentes editorias são idênticos entre si? ou seja: economia, política e cinema têm tratamento igual? Reparem que nós estamos na TERCEIRA FRASE DO TEXTO!!!] , mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos.[lido nas entrelinhas: já estamos ensaiando a próxima reforma, viu leitor? Os desenhinhos estão ganhando espaço!]
As mudanças também são editoriais. O noticiário político passa a ser agrupado sob o título de Poder, o caderno de economia é rebatizado como Mercado[aproveito para parafrasear Luis Fernando Verissimo e lembrar que os cadernos poderiam se chamar Maria Helena e Luíza Renata, não faria diferença. O que importa é o conteúdo. Cadê o conteúdo? qual a diferença do conteúdo antigo pro conteúdo atual?], Esporte ganha formato tabloide [e isso lá é mudança editorial? zifio, essa informação deveria estar no parágrafo anterior ou, então, retrabalhada aqui, porque você começou este parágrafo com ênfase nas mudanças editoriais - que, diga-se de passagem, inda num deram as caras no seu texto...], menor e mais ágil [COMO ASSIM UM CADERNO É MAIS ÁGIL? ELE CORRE? TEM PERNAS? DOMINA A ARTE DO TELETRANSPORTE?!?!?!?! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH, FUJAM PARA AS MONTANHAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSS], Tec reunirá às quartas-feiras tendências [TAVA DEMORANDOOOO!!! CHEGOU A TENDÊNCIAAAA!!! CADÊ O BONDE PRAS MONTANHAS QUE NÃO CHEGOU, DEUSDOCÉU?!?!?!?!?!] do mundo digital e o jornal estreia um novo suplemento, a Ilustríssima, que trará aos domingos o melhor em cultura, ensaios e reportagens de mais fôlego [é isso aí! Enquanto o caderno de esportes está mais ágil, o caderno Ilustríssima ganha mais fôlego! Mal posso esperar pra saber quem é o personal trainer dos cadernos da Folha!] .
Além disso, 29 novos colunistas passam a escrever no jornal. São nomes como o de Fabio Barbosa, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Banco Santander no Brasil, a atriz Fernanda Torres, que comentará as eleições presidenciais, a jovem escritora Vanessa Barbara, que resenhará programas de TV, e o cadeirante Jairo Marques, um sucesso do meio on-line.
O caçulinha João Montanaro, de 14 anos, levará o traço precoce de seu cartum à nobre página 2 do jornal, onde ocupará um espaço que já foi de Glauco (1957-2010), será vizinho de feras como Angeli e integrará um time de ilustradores que conta com Laerte, Adão Iturrusgarai e Caco Galhardo.
Eles vêm se juntar ao maior e mais eclético [vou poupar meus leitores de piadinhas e trocadilhos com este eclético daí, OK?] grupo de colunistas da imprensa brasileira, nomes conhecidos do leitor, gente como José Simão, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein, Janio de Freitas, Danuza Leão, Mônica Bergamo, Barbara Gancia e Tostão.
A nova forma e o conteúdo renovado são resultado do esforço [pode ser preconceito meu, mas esforço é uma palavra que sempre me remete a prisão de ventre...] de centenas de profissionais, que trabalharam por milhares de horas durante os últimos 12 meses, sob orientação de Otavio Frias Filho, diretor de Redação, seguindo o projeto visual da designer gráfica Eliane Stephan, com a coordenação de Fabio Marra, editor de Arte do jornal, e do jornalista Naief Haddad. [Tá. Mas CADÊ AS MUDANÇAS EDITORIAIS PROMETIDAS, CRISTORREI?!?!?!?!?! Ou vai me dizer que a grande novidade aqui é o personal trainer dos cadernos?!?!?!?!?!]
A mudança acontece num momento em que a Folha promove a fusão orgânica [Alguém desenha, por favor? Como a Folha promoveu esse troço de fusão orgânica? Estou com medo disso... meus neurônios fervilham com as imagens de José Simão se fundindo organicamente com Eliane Catanhêde, ou Gilberto Dimenstein fundindo-se organicamente com Barbara Gancia... tô quase apostando que a Folha misturou Activia nessa fusão! Lembrem-se que esse troço todo é resultado do esforço da galera...] entre suas equipes de jornalistas do meio on-line e do impresso, o primeiro grande jornal brasileiro a fazer isso de fato.[HEIN?!?!?!? OS OUTROS JORNAIS JÁ FUNDIRAM JORNALISTAS?!?!?!?! COMO? POR QUÊ? PRÁ QUÊ?]
A ideia é transformar a Redação num centro captador de notícias que funcione 24 horas por dia e produza informação de qualidade para qualquer plataforma [Grito nº1: E A FOLHA CHAMA ISSO DE FUSÃO ORGÂNICA?!?!?!?! TRAGAM UM PROFESSOR DE FÍSICA QUÂNTICA, PELAMORDEDEUS!!!! Grito nº2: E SÓ AGORA A FOLHA RESOLVEU TER UMA REDAÇÃO QUE PRODUZ NOTÍCIAS DE QUALIDADE?!?!?!?!!?!?! Meu Deus, será que ela vai conseguir tal feito? Ah, tô aqui na torcida, viu?] , seja ela o papel, que é e continuará a ser a vitrine [#facepalm. Tio, vou desenhar: papel é feito de celulose. Vidro é ooooooooooooooooooutra coisa, feita de sílica. O papel não é vitrine. Aliás, qualquer vitrinista sabe que papel serve pra TAPAR VITRINES. Ai, gente, sério que o editor executivo da Folha de SPaulo escreve com essa clareza âmbar?] principal da marca Folha, o on-line, agora rebatizado de Folha.com, ou em smartphones e tablets, por torpedos e e-mails e o que mais for inventado [quer dizer que até agora o que a Folha vinha fazendo na Internet era obra de amadores?].
[Preparem-se porque o âmago do quemcossô-oncotô-proncovô está no parágrafo que começa agora:] Parte dos textos está mais enxuta, maneira de resumir os acontecimentos da véspera sem fazer o leitor perder tempo e paciência [hhmmmpfff... sério que vocês vão conseguir isso? Ó, na boua, tô torcendo aqui pra vocês, viu?]. Parte está mais analítica [EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPPPPPPPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! A Folha tá bipolar? O texto tá enxuto mas tá analítico? o texto enxuto é resumido e não irrita o leitor, daí vem o analítico pra irritar o leitor, e tirar tempo e paciência dele?!?!?!?!?! Doctor Jeckyll and Mr. Hyde? Ou caberia aqui uma explicação mais delongada, mais pormenorizada, sobre como, onde e por quê (olha o lead aí geeeente!) os textos serão assim e/ou assado, né, senhor-doutor-editor-executivo? Taqueopa....], um dos pilares [iiiiiiiihhhhhhh.... um dos pilares... olha a clichetaria grudando no texto!] do projeto novo, que priorizará a contextualização e a interpretação do fato conhecido. [contextualização e interpretação do fato conhecido! vinte sílabas em seis pomposas palavras pra dizer um troço que é pura obrigação de todo e qualquer jornalista, quer ele escreva prum jornal de renome nacional ou um bilhetinho pra namorada!]
O leitor escolherá seu caminho [Ai, jura? Puxa, obrigada, viu? Cês são legais paca!], o mais rápido, mas de qualidade, ou o mais profundo, mas compreensível [leitura das entrelinhas: caberá à Folha largar o leitor na encruzilhada! Eparrê-iansã!] ; ambos serão contemplados pelo jornal.
Uma coisa, porém, não muda: o compromisso diário da Folha de buscar a informação exclusiva [rufar de tambores... preparem-se para a retumbância tonitruante do chavão dos chavões de toda e qualquer reforma editorial ou visual de veículo de imprensa...] , o furo de reportagem [a expressão cláááááááááááássica que aparece cada vez que surge um novo veículo de comunicação na face da Terra. Não, não é o furo de reportagem.] , o enfoque único [Tá chegaaando! Olha o enfoque único abrindo alas pro Uber-Deus de todos os chavões jornalísticos, gente! (Ai, eu até me emociono nessas horas!) é ele, oooooooooooooooooooo....], o olhar diferenciado [YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! - NOT!]. A matéria-prima do jornalismo de qualidade é a informação única. Que você passa a receber de cara nova.
Novíssima! [Naonde, zifio? Naonde? Esse texto é espuma pura! Cadê o conteúdo?!?!?!?!?!?]
Tá pensando em acordar mais cedo pra comprar jornal com cara nova e notícia velha e bipolar? Dica: puxe o edredom pra cima da orelha, vire pro outro lado e estique o seu soninho. Vai por mim. Cê sai no lucro.
Carambolas! Patavinas! Pantufas! Será possível que essas amebas celibritivas não me deixam nem fazer mudança em paz?
Eu tentei ignorar o ciso operado do Luciano Huck no twitter. Esse já é caso perdido, meus exorcismos não têm poder sobre a hortografia pobremática do narigudo marido de Angélica. Mas o fato é que perdi a imagem desse pio, esqueci de orar aos deuses do print-screen na ocasião.
O negócio foi tão feio que eu sou obrigada a confessar: fiquei com pena do Alexandre Garcia. Hummm… digamos que a raiva foi maior, mas agora deu pena, mesmo.
O ululante comentarista Dazorganizações Globo abriu a boca pra falar (ainda mais) besteira em sua coluna local na CBN Brasília (Aviso: este blog não é patrocinado por remédios contra enjôo e mal-estar. Ao clicares no link fornecido, estarás por tua conta e risco!) e resolveu desancar o parto humanizado defendido pelo governo do Distrito Federal. ele precisava falar mal de alguém, sei lá, acho que acordou com as ventas distorcidas, mas escolheu o alvo errado, e o fez da forma errada.
Disse que parto humanizado é sinônimo de parto de cócoras, e que o GDF não deveria permitir que pais barbudos e sujos de rua entrassem em sala de parto para acompanhar as esposas. Legal, né? Mas como é que ele chegou a essas (cof, cof) brilhantes (cof, cof) conclusões a respeito do parto? Ele é mulher para saber disso tudo? Não que eu saiba. Ah, ele leu e se informou a respeito pra falar sobre parto humanizado e parto de cócoras, né?
Então, vamos pensar aqui como um verdadeiro e responsável jornalista deveria fazer para tecer comentários pertinentes a respeito de saúde:
1- parto humanizado é coisa séria ou é mimimi de ameba natureba? Onde conseguir tal informação? Hummm… será que haveria uma instituição tipo que fosse assim uma Organização Mundial de Saúde, evinculada, por exemplo, à ONU? SIIIIIMM!! É a OMS – ou WHO, do inglês World Health Organization. Ao escolher o espanhol como língua oficial e fazer uma busqueda por parto humanizado, vem uma enxurrada de artigos… DEFENDENDO O PARTO HUMANIZADO!
Como resultado, o barbudo jornalista dazorganizações Globo só recebeu críticas pelo comentário mais que infeliz a respeito do parto humanizado.
Eu poderia citar aqui o mimimi sem conteúdo das amebas naturebas, que o acusam de ignorante, e preconceituoso e etc. e tal – só que o fazem de forma estúpida e preconceituosa. Farei melhor: forneço o link pra página da organização Parto do Princípio, que deu uma chulapada de forma extremamente elegante – com direito a links para artigos científicos sobre o assunto.
Que mais eu posso fazer? Rezar para que ele nunca mais abra a boca pra falar besteira. Melhor desistir, né?
[suspiro. suspiro profundo.]
Confiram a história completa da coluna do Alexandre Garcia neste post aqui – excelente, por sinal.
Peguei o dito no Blog da Ju há um ano. Esqueci de publicá-lo, então. Publico agora.
Já tinha recebido este texto em forma de Power Point. É bonitinho, lindinho, engraçadinho, tem mensagenzinha, etc, etc.
Mas depois de ler esse benedito, eu só consigo pensar numa coisa: Tucanaram a mãe!
Ainda assim, Feliz dia a todas as Mães! (*)
**********
Uma mulher foi renovar a sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era a sua profissão. Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.
“O que eu pergunto é se tem um trabalho”, insistiu o funcionário.
“Claro que tenho um trabalho”, exclamou . “Sou mãe”.
“Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar Dona de casa”, disse o funcionário friamente.
Não me lembrei dessa história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu, obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona da situação.
“Qual é a sua ocupação?” Perguntou.
Não sei o que me fez dizer isto; as palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora: “Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.”
A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar para o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.
Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.
“Posso perguntar”, disse-me ela com novo interesse, “o que faz exatamente?”
Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder: “Desenvolvo um programa a longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda???), o grau de exigência é em nível de 14 horas por dia (para não dizer 24!!!).
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.
Quando cheguei em casa, com o título da minha carteira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 3 anos. Do andar de cima, pude ouvir o meu novo experimento (um bebê de seis meses), testando uma nova tonalidade de voz.
Senti-me triunfante!
Maternidade… que carreira gloriosa!
Assim, as avós deviam ser chamadas “Doutora-Sênior em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas”. As bisavós: “Doutora-Executiva-Sênior”.
E as tias: “Doutora-Assistente”. Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras.
Doutoras na Arte de fazer a vida melhor !!!
(*)Repare, não… tô meio piegas, sim!
Ah, vá, dá um desconto! Meu primeiro dia das mães com o feiticeirinho fora da minha barriga, né?
É que aqui, no Planalto Central (Tô de mudança. Não queiram saber o porquê.), tudo quanto é tipo de assombração e de encosto pode ter vez, menos o ectoplasma mesmítico (sabem o mesmo, que encontra-se parado no andar quando você chama o elevador? É ele… mesmo! ).
Porque nesta cidade os caboclos podem não respeitar uma série de normas ou de leis, mas o bom texto pelo menos ainda tem vez na Capital Federal.
Ó só como ficou o aviso da plaquinha dos elevadores:
Viu? Não precisa usar o mesmoporque é feio – e errado. Para estes casos, os pronomes pessoais do caso reto (mais precisamente o ele da plaquinha daí de cima) atendem perfeitamente às necessidades do cliente, como dizem algumas amebas por aí…
CQD – como queríamos demonstrar (o comando pra criar link não tá funcionando no wordpress. quando ele voltar a funcionar, eu arrumo o post. Por enquanto, basta clicar no link ao lado. Grata. http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=53).
Antes que falem: o pronome reflexivo se está muito bem à frente do encontra. A frase em questão está exatamente como os brasileiros falam no dia-a-dia. Pelas normas cultas, pode ser questionável – mas pelo uso cotidiano, está mais que natural.
E rezem pra que a minha mudança seja rápida e sem traumas. Ninguém merece mudança interestadual a toque de caixa, com um bebê de nove meses e um cachorro vira-latas a tiracolo (não perguntem. Apenas rezem. Obrigada.)