Arquivo por julho, 2010

Didática do trauma. Aula nº2: por que evitar “inovações”

quinta-feira, julho 29th, 2010

Acho que o tranco funcionou da outra vez, e geral entendeu por que não se usar diferencial num texto.

Hoje a aula será para que se evite usar a palavra inovação.

Gente, nada contra inovações. Pelo contrário, elas são não apenas válidas como necessárias para nossa evolução.

Mas é que essa palavra vem sendo usada de forma tão vulgarmente frequente que enfraquece seu sentido.

Hoje em dia qualquer um diz que tá inovando. e, não raro, o substantivo inovação ou o verbo inovar são perfeitamente cortáveis e evitáveis na frase.

Quer um exemplo?

Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa tal, sempre inovando (…) - 12 palavras para se iniciar uma frase sem nada dizer, apenas introduzir a grande novidade – e geralmente essa grande novidade não tem nada de mais.

Ah, dona Bruxa, eu gosto muito de inovar. Acho que essa palavra valoriza meu texto e vou continuar usando, dirá você, ameba.

E é neste momento que eu entro com minha didática do trauma.

Quer inovar, ameba? Fique à vontade. Mais uma vez, junte-se ao Ego (gente, o Ego tá se tornando meu parceiro de didática de traumas, hein?) :

Solange Gomes não para de inovar[Nuoooooooooooooooooooooossssaaaaaaaa! Ela não só inova como não para de fazer isso! Mal posso esperar pra ver qual a inovação implementada pela mocinha!]. Depois de participar de um reality show transmitido pela internet[Viram? Essa foi a inovação número um!] , a modelo ataca de atriz[GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH A MODELO ATACA DE ATRIIIIIIIIIIIIIIIIIZZZZZZZZZZZZZZZ!!!!!!!!!!! Mó inovação, hein? Hum?] . Ela foi convidada para participar do curta[trocadilhos com curta/longo? Não, deixa prá lá, não é o caso...] “Tensão Misteriosa”, dirigido pelo humorista Charles Daves. Nele, Solange vive Amália, uma empresária bem-sucedida que perde sua fortuna por ser viciada em jogos de azar.

Então, funcionou de novo?

Próxima vez que você escrever inovação ou qualquer palavrinha dessa família você vai se lembrar de Solange Gomes.

E aí, continua curtindo usar inovação de qualquer jeito? Ah, não? De nada.

(Pensar que ela foi aluna de química do Amedeo, e de matemática do Zilmar…)

UOL e a imigrantofagia

terça-feira, julho 27th, 2010

Gente, na boa… existe um limite entre duplo sentido e mau gosto na hora de se fazer uma manchete.

Dizer que limitação a imigrantes ameaça culinária britânica e ilustrar essa frase com carnes cruas penduradas dá a entender que a função dos imigrantes é alimentar com sua carne os britânicos…

Ou isso ou eu estou muito abalada com as manchetes policiais dos últimos dias….

Mas não posso perder o hábito: PORRA, UOL!!!

Quantas vezes campeão?

segunda-feira, julho 26th, 2010

Graças a Bernardinho, geral se pergunta como se diz quando a gente consegue ser nove vezes campeão n’alguma coisa.

Resolvi fuçar (porque eu não sabia disso) web afora, e encontrei este site aqui. Conta tudo, explica direitinho e ainda bota os pingos nos is.

Abaixo, copio o conteúdo do link original fornecido:

Todos vêm dos advérbios numerais em grego:

01. απαξ – Apax (uma vez).
02 . δις – Dis (duas vezes – Di ou Bi*).
03. τρις – Tris (três vezes – Tri).
04. τετρακις – Tetrakis (quatro vezes – Tetra).
05. πεντακις – Pentakis (cinco vezes – Penta).
06. εξακις – Hexakis** (seis vezes – Hexa).
07. επτακις – Heptakis** (sete vezes – Hepta).
08. οκτακις – Oktakis (oito vezes – Octa***).
09. ενακις ou εννακις – En(n)akis (nove vezes – Ena ou Enea).
10. δεκακις – Dekakis (dez vezes – Deca).
11. ενδεκακις – Endekakis (onze vezes – Endeca).
12. δωδεκακις – Dodekakis (doze vezes – Dodeca).
13. τρισκαιδεκακις – Triskaidekakis (treze vezes – Trisdeca).
14. τετταρακαιδεκακις – Tettarakaidekakis (quatorze vezes – Tetaradeca).
15. πεντεκαιδεκακις – Pentekaidekakis (quinze vezes – Pentedeca).
16. εκκαιδεκακις – Hekkaidekakis (dezesseis vezes – Hecadeca).
17. επτακαιδεκακις – Heptakaidekakis (dezessete vezes – Heptadeca).
18. οκτωκαιδεκακις – Octokaidekakis (dezoito vezes – Octodeca).
19. εννεακαιδεκακις – Enneakaidekakis (dezenove vezes – Eneadeca).
20. εικοσακις – Eikosakis (vinte vezes – Eicosa).
30. τρισκοντακις – Triskontakis (trinta vezes – Trisconta).
40. τετταρακοντακις – Tettarakontakis (quarenta vezes – Tetaraconta).
50. πεντηκοντακις – Pentekontakis (cinqüenta vezes – Penteconta).
60. εξηκοντακις – Hexekontakis (sessenta vezes – Hexeconta).
70. εβδομηκοντακις – Hebdomekontakis (setenta vezes – Hebdomeconta).
80. ογδοηκοντακις – Ogdoekontakis (oitenta vezes – Ogdoeconta).
90. ενενηκοντακις – Enenekontakis (noventa vezes – Eneneconta).

Ou seja: é eneacampeão ou enecampeão.

Erro de revisão + ectoplasma suíno + deuses do print-screen = Serra do PT

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Erro de revisão = O pobrezinho do alimentador do site do PSDB que, ao digitar a frase do dia, identificou José Serra como candidato do PT e não viu a caca que fez

Ectoplasma suíno = Maurício Alves no twitter (@mauricioas)

Deuses do print screen = a prova foi registrada para a eternidade. Já foi corrigida no site.

Porque, né? Errinhos de revisão são perdoáveis. Mas nesse caso, algumas letrinhas foram capazes de fazer um estrago monumental…

Palavras do dia

terça-feira, julho 20th, 2010

Por falar em gente besta que empola o texto pra deixar o dito chique, deixemos que tio antônio explique dois verbetes usados por esta (besta) que vos fala no post abaixo.

Quiçá
n advérbio
possivelmente, mas não com certeza; talvez, porventura
Outrem
n pronome indefinido
pessoa que não participa do processo de comunicação e cuja menção é imprecisa ou indefinida (seja porque o falante não sabe, seja porque não lhe interessa dar a indicação precisa); outra pessoa
Ex.: não eram suas as frases, eram de o.
E se alguém souber como eu faço pra que o WordPress volte a me deixar riscar trechos dos meus textos, eu agradeço, viu? Haja malcriação!

Os encontros reflexivos, a bestificação da linguagem simples e a noiva que dá detalhe

terça-feira, julho 20th, 2010

Tá certo que aprazar é um verbinho metido a besta, que mais empola do que comunica quando usado num texto. É verbo para se usar em momentos de exceção, quiçá em poemas. Ainda assim, tem gente que curte usar o dito, e aproveita pra tirar onda de (cof, cof) linguagem técnica (cof, cof). Coisa de gente besta que,no afã de se exibir para outrem, empola o texto pra ficar chique, mas só consegue deixar o pobrezinho confuso.

O que eu gostaria de entender é por que o verbo encontrar foi incluído nessa… moda (porque tendência é o #$%$%¨$#%T#$%!) de bestificação verbal, em substituição ao verbo estar. Já repararam que Fulano não está no local, Fulano sempre encontra-se no local?

Aliás, eu só, não: a Ceci (nono comentário) também gostaria de entender isso.

Lembro que, numa de suas aulas, o professor Sérgio Nogueira Duarte chegou a brincar com o seguinte diálogo:

- Onde Fulano se encontra?

- No espelho. É lá que ele se encontra, todos os dias. Vai ver se ele está no espelho e ele está, invariavelmente!”

Aí começam as histórias de desavenças familiares.  Tio Antônio dá como certo o emprego do verbo encontrar no sentido de marcar presença. Espiem só o que esse tratante aprontou comigo:

Encontrar
verbo
transitivo direto
1 ver-se frente a frente com; deparar, achar
Exs.: encontrou a bolsa que procurava
a polícia encontrou os fugitivos
transitivo direto
2 passar a conhecer; descobrir, atinar
Exs.: não encontrou resposta para o enigma
fez as contas e encontrou o número exato
transitivo direto e pronominal
3 ir de encontro a; chocar-se
Exs.: o míssil encontrou o alvo
as motocicletas se encontraram em alta velocidade
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
4 ir ao encontro de
Exs.: iam e. a moça
encontrou com a moça na esquina
iam e.-se com ela
transitivo direto
5 deparar com (algo vantajoso ou desvantajoso)
Ex.: encontrou grandes obstáculos durante a carreira
transitivo direto predicativo
6 deparar com (algo ou alguém), percebendo seu estado, condição ou situação
Exs.: encontramo-lo bem melhor de saúde
encontrou a cidade natal muito mudada
pronominal
7 estar em determinado lugar, situação ou estado; achar-se, localizar-se
Exs.: no tórax encontram-se os pulmões e o coração
o inimigo encontra-se dentro da cidade
o país encontrava-se sob domínio estrangeiro
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
8 defrontar-se com (alguém ou algo) que representa obstáculo ou força hostil; enfrentar
Exs.: afinal, encontrava (com) o grande inimigo
encontrou-se com o adversário
transitivo direto
9 fazer entrar em união
Ex.: recuando, as águas encontraram as terras

Respeito tio Antônio, mas vou discordar. Ou pelo menos concordar com muita parcimônia.

Porque há verbos que comunicam uma idéia de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Com eles, seu interlocutor entende o que você quer dizer na hora, sem ter que gastar muita mufa pra isso, e não corre o risco de interpretações outras para a frase que você lhe proferiu.

Traduzindo:

prá quê dizer Fulano encontra-se no local

se você pode dizer Fulano está no local ?

São 11 caracteres contra 4 (seu dedo deixa de trabalhar 7 vezes na frase, pense nisso!), a pessoa que te lê/escuta vai entender sua mensagem muito mais rápido, e não vai ter margem para pensamentos outros, como Hein? Fulano encontrou com alguém? Quem? Por quê?

Mas já que o negócio é usar expressões da moda, vamos combinar o seguinte, então: o verbo encontrar, na voz voz reflexiva, deve ser usado em substituição ao verbo estar que nem sapatos de salto altíssimo na cor branca: permitido apenas para noivas (meu alter ego é uma perua, por isso a analogia. E acalmem-se, homens e desentendidos de plantão! Eu vou desenhar!)

Isto posto, temos os seguintes raciocínios:

1- Você é noiva? Não?

Então, não use o verbo encontrar em substituição ao verbo estar. Ponto.

2- Você é noiva? É? Que liiindo! Parabéns!

Mas me diga: que que o seu texto tem a ver com isso? Escreve direito e não enche o saco, bosta!
(Não me diga que você vai entrar de rosa na igreja?!?!?!?! Bafããããããoooo… ;) )

Aos trabalhos, companheiros!

terça-feira, julho 20th, 2010

Malzaê!

Tô com um monte de post pra escrever aqui, e não consigo parar pra redigi-los com calma. Mas vou botar as coisas em dia aqui.

Vamos lá!

Editora Abril demonstra seus conhecimentos “jeográficos”

sexta-feira, julho 16th, 2010

Essa eu tive que correr, pra rezar pros deuses do print-screen.

A editora Abril revela seus notáveis conhecimentos jeográficos.

O site da supracitada afirmou que o goleiro Bruno esteve num motel na cidade de Contagem, na grande…. São Paulo!

Mal posso esperar pra saber qual cidade da Grande São Paulo foi acidentalmente transferida para a Grande Belo Horizonte…

Ainda bem que a editora Abril não está se aventurando no ramo de publicações pedagógicas, né?

Ah, sim! Muito obrigada ao Manoel por me enviar esta pérola por e-mail! :D

Acentos separados, por favor…

sexta-feira, julho 16th, 2010

Comprei passagens aéreas pra primaiada vir me visitar aqui em Brasília. Porque, né? Ninguém na família sabe andar de vassoura e tals.

Em conversa pelo MSN com a prima, confirmei a compra das passagens. E ela me perguntou:

- Os acentos são juntos?

Fui obrigada a responder:

- De forma alguma! Acento é um por palavra! Num exagera, menina…

Tivesse ela me perguntado

- Os assentos são juntos?

Eu teria respondido, ato pronto:

- Claro que sim! Janelinha e corredor, fileiras 8 e 9, lado direito!

Mas eu sou uma mala, mesmo….

Interpretando textos com a Madrasta do texto Ruim – aula nº 2: objetivando analisar observações acadêmicas

quarta-feira, julho 14th, 2010
Este post é um serviço público especialmente dedicado à Aninha Arantes.
Ela acaba de pedir auxílio para uma breve interpretação de texto. Que, como vocês poderão ver, deve ser analisado a partir de suas entrelinhas – até porque as linhas estão meio nebulosas.
Enfim, eis o que o diletíssimo orientador de nossa amiga lh’a escreveu:
(…) De qualquer modo, fica uma banca muito redundante. Já sabemos o que todas essas pessoas pensam e já dá até pra prever o que vão dizer [tradução: veja lá o que você vai escrever, hein? tu já sabe que tipo de bosta se passa pelos neurônios desses caras, é uma raça que pensa tudo ingoal, num vai provocar!] (…) mas imagino que os candidatos ficam mais tranquilos com bancas previsíveis do que com uma possível banca imprevisível [E tu ainda reclama? Jogue suas mãos para os céus e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que... (oops, né isso não, é outra coisa). jogue as mãos para os céus e agradeça a dádiva de ter lhe concedido uma banquinha de meia tigela! Agora vai ser facim, facim aprovar!]. E, além disso, não há muitas pessoas imprevisíveis que estejam disponíveis pra uma banca como essa. [só deu pra arranjar professor medíocre. Professor inteligente num quer saber de você, não! E não reclame! Também, com uma banca dessas cê queria o quê?]
Em outras palavras, zifia: os professores bons, que fazem você ralar até o tacho e te obrigam a pensar e fazer um bom trabalho ou não estão disponíveis ou fizeram pouco caso do seu trabalho. durma com um barulho desses.
Mas aproveite que com essa banquinha de meia pataca você será aprovada facim, facim! E não reclame, não! Levante as mãos aos céus e dê Graças a Deus porque, pelo visto, essa banca que ssuncê descolou foi o melhor que pôde lhe acontecer!
Mas seria o caso de perguntar ao prófi o que que ele pensa que se passa pelos seus neurônios…
Certa de ter colaborado para tão importante esclarecimento, subscrevo-me.

Somatório diferenciado traz novo conceito em pesquisa e inaugura um novo olhar matemático sobre as eleições presidenciais (Ah, eu não resisto) ou PORRA, IBOPE!

sábado, julho 3rd, 2010

NAONDE QUE 39+39+10+6+7 = 100 ?!?!!?!?!?!

Taqueopa… vou ter que dar aula de matemática de novo, é?

OK, crianças. Esta é mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa. Se você ainda não sabe o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. Último item. Mas volte logo, por favor.

Pra começo de conversa, jornalista deve ser isento. Se, por algum acaso, ele resolve não ser mais isento, deve pelo menos disfarçar a cara-de-pau de forma eficiente, eficaz e matematicamente confiável, ou a casa cai.

Ou isso ou ele deve ter competência o suficiente pra apontar possíveis erros de apuração, e descobrir onde está o erro, por que o erro foi cometido, e como corrigir.

Porque, né? Instituto de pesquisa é uma coisa (não achei palavra melhor pra definir. Se você achar, os comentários aí embaixo são a serventia da casa!) que se respalda por números. E número é outra coisa que não suscita muita dúvida (Se você pensou em dizer “Os números não mentem jamais”, faça-se o favor de parar de pensar em clichês!). Pra manipular números, é bom pelo menos saber o que e como fazer.

Daí eu digo que se o erro não foi do Ibope, os cabras do G1 precisam trabalhar com uma calculadorazinha dando um rélpi, sabe? (diquinha da bruxa: clique em “iniciar” no windows, e digite “calc” na linha “executar. Tcha-ram! uma calculadora con-fi-á-vel!!)

Senão, vejamos o que diz esta pesquisa aqui:

Pesquisa Ibope mostra empate entre Serra e Dilma, ambos com 39%
Tucano tinha 35% no levantamento anterior. Dilma estava com 40%.[tá. o legal aqui é mostrar o crescimento do Serra e a queda da Dilma. Um cresceu três pontos percentuais, e a outra caiu um. Então, tá. Mas com isso outro monte de número cai no meio deste melangê de jenessequá matemático. Há quem diga que esses números ajudam o leitor a entender (sic) e comparar o crescimento / queda dos candidatos blablabla whiskas sache blablabla. Eu acho que confunde. Se for pra esclarecer, faz um gráfico e não enche o saco, pô!]
Marina Silva (PV) aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos.
(…)
Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo[Tem sempre um mané pra endossar a esparrela...], aponta empate em 39% entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.[começaram a calcular? Seguinte: a soma de todos os percentuais aqui tem que dar 100, a despeito da margem de erro para mais ou para menos, OK?]
(…)
Marina Silva (PV) se manteve em 9% nas três pesquisas desde abril e agora tem 10%. Com a margem de erro, estaria entre 8% e 12% [quatro valores distintos aqui pra confundir inda mais nossas cabecinhas. Mas o número a ser anotado lá embaixo é 10. É quanto a Marina conseguiu nesta pesquisa. próximos números, por favor!]. Brancos e nulos somaram 6% e indecisos, 7%.[Ou seja, temos 39+39+10+6+7.]

Daí, a gente soma (pegue você também sua calculadora, pra ver se a soma sai diferente aí. Se sair, me avisa, por favor!!!!)

39+39+10+6+7 = 101 CENTO E UUUUUUUUUUUUUMMMMMMM

E se você ouvir o Ibope dizer que “esse resultado é perfeitamente factível (querem apostar quanto que a expressão factível estará no comunicado do Ibope?) dada a margem de erro de dois pontos percentuais”, esqueça. Essa margem de erro é a diferença entre o valor apurado pela pesquisa do Ibope e o suposto resultado de uma ainda mais suposta eleição que fosse realizada no período de apuração da pesquisa. Com margem de erro de dois pontos percentuais ou de cinquenta e nove pontos percentuais, os valores apurados no resultado de uma pesquisa eleitoral têm que somar 100 pontos percentuais. Porque os  números não mentem jamais (Pronto! Enfiei seu clichê aqui!).

Ou isso ou a álgebra foi comprada pelo mensalão do governo. Quer dizer, tá tudo dominado…

[Ai, que vergonha dos coleguinhas...]

Mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa: por que o jornalismo esportivo não precisa ser machista.

sábado, julho 3rd, 2010

Eu pensei em intitular este post “Porra, SporTV!”, mas lembrei-me a tempo de que trabalho em ambiente WordPress, e não Tumblr.

Enfim. Essa __ aula de jornalismo para a __ imprensa foi inspirada neste post daqui. Que, diga-se de passagem, é de um blog de altíssima estirpe. Recomendo. (Só não entendi o porquê de “Somos andando”. Mas acho que pouca gente entende o porquê de Objetivando Disponibilizar, então deixa prá lá, né?)

Tô aqui que sei nem por onde começar. O lead (aquelas seis perguntinhas que todo jornalista deveria responder para compor a história da notícia a ser relatada: quem, o quê, onde, quando, como e por quê) vai ajudar pouco, mas eu vou tentar seguir por esse caminho.

Vergonha. Muita vergonha. E o pior é que, quando esse “material” ficou pronto, o editor deve até ter elogiado. Mas vamos ao ocorrido: o SporTV não tinha mais o que fazer pra encher lingüiça em 24 horas de programação sobre Copa do Mundo em dois canais. Descobriu uma tal torcedora paraguaia que disse que se o Paraguai chegasse à semifinal da copa ela iria ficar pelada blablabla whiskas sachê blablabla. algo que nenhuma brasileira faz, né?

Daí um jênio do SporTV teve a brilhante idéia de fazer uma edição com o que o Paraguai tem de melhor. Taí em cima. Por sua conta e risco, tá? Ainda assim, eu lhe desafio a encontrar UMA notícia, UM fato concreto nesse vídeo repleto de preconceito , além do fato de dona moça paraguaia prometer ficar pelada.

O vídeo é um desfile de preconceito contra o país Paraguai. Se ainda houvesse a “licença poética” de que é um país com quem temos rivalidade de longa data no futebol, caso da Argentina, até passaria, com muitas ressalvas. Mas não. O vídeo é uma seqüência de estereótipos, preconceitos e arrogâncias montado por alguém que, com toda a certeza do mundo, jamais esteve no Paraguai.

E, para contrapor o preconceito nacional, o vídeo se vale de machismo. A única coisa que vale a pena no Paraguai, segundo o SporTV, são os fartos seios de dona moça que jurou peladices públicas. Isso em pleno século XXI.

Bom gosto? Não trabalhamos, não senhor!

Eu poderia continuar aqui com um discurso moralista, indignado e talz. Mas não. Se os jênios responsáveis por cometerem essa edição forem capazes de justificar de forma inteligente e racional o propósito desse vídeo, calo-me a boca. Afinal de contas, a dona juradora de peladices o fez por livre e espontânea vontade, etc. e talz.

Mas imagine você, brasileiro, se uma rede norte-americana de TVs dedicadas ao jornalismo esportivo resolvessem, por exemplo, fazer uma reportagem sobre a seleção brasileira de futebol americano e de sua campanha na copa do mundo do referido esporte, e justificassem a história mostrando mulher pelada, muitos brasileiros iriam se ofender, né?

Foi o que aconteceu com os paraguaios. Estão fulos da vida. com toda a razão.

No dia em que os engraçadinhos entenderem que jornalismo de qualidade é feito com respeito a seu público e à sociedade em gera, talvez o nível de seu raciocínio melhore. Talvez eles entendam que, em pleno século XXI, quem se interessa por futebol não necessariamente está interessado em ver mulher pelada – ou, pelo menos, entende que machismo é coisa do século passado. Não entender isso é ater-se ao passado, é não evoluir.

Além do quê, um vídeo desses só deixa claro que quem pensou nessa edição a fez com idéias tacanhas, restritas, menores, subdesenvolvidas. E antigas. Tão antigas que foi incapaz de vislumbrar a possibilidade de o vídeo em questão parar na Internet para ser fruto de lamentações, críticas e chacotas – coisa que só não acontecia no século passado.

E pensar que o Brasil já teve uma das melhores imprensas do mundo…. que vergonha, meu Deus, que vergonha!

Quero só saber NAONDE que isso é jornalismo. Ou NAONDE que isso é informação.

Quando os fatos aclamam a criação de uma nova categoria

quinta-feira, julho 1st, 2010

Gente, foi maior que eu. Maior que minha opinião. Maior que o fato em si. Maior do que a cagada em si.

Eu vinha apenas ameaçando criar essa categoria. Mas, como diria Chrissie Hynde, foi uma circumstance beyond my control, quer dizer, um fato que escapou ao meu controle. Não me resta mais nenhuma alternativa.

Sou OBRIGADA a criá-la.

Eu ainda esperei UM DIA INTEIRO pra ver como é que a coisa iria se concluir. (O erramos nesses casos é extasiantemente divertido)

O curioso é que, desta vez, não houve nenhum erro de português. Nem de lógica redacional. Foi apenas um erro operacional. E que erro.

Pensando bem, o problema não foi nem o erro em si. Bostas acontecem.

O problema foi O PAÍS INTEIRO COMENTAR DO ERRO CRASSO E ELA NEM TCHUNS PRO QUE ACONTECEU.

O problema foi PUBLICAR ANÚNCIO DE UM PATROCINADOR OFICIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA LAMENTANDO UMA ELIMINAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU.

O problema foi O CLIENTE TER QUE FALAR MAL DA EMPRESA PRA DEFENDER A PRÓPRIA IMAGEM E ESSA EMPRESA NEM TCHUNS.

O problema foi O TWITTER INTEIRO COMENTAR O OCORRIDO E A EMPRESA NEM TCHUNS.

E, não satisfeita em publicar este anúncio

lamentando a eliminação do Brasil pelo Chile, quando o Brasil VENCEU O JOGO POR 3 X 0 E ELIMINOU O CHILE, ao invés de publicar este anúncio daqui

que comemora mais uma vitória da seleção brasileira, os JÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊNIOS responsáveis pelo ocorrido se dão por satisfeitos com a publicação, VINTE E QUATRO LONGAS E INTERMINÁVEIS HORAS DEPOIS de a desinteria ter ocorrido, do seguinte pedido de desculpas:

Comunicamos que erramos [Não diga! vocês erraram, é? Descobriram quando? O país INTEIRO DESCOBRIU UM DIA ANTES, CÁSPITA!!!!] na publicação do anúncio do Extra [e ainda fazem sem um mínimo de touché! "Erramos na publicação do anúncio dos supermercados Extra", Folha! Explica que Extra é esse, seja específica, clara, não dê mais margem a duplas interpretações!] , referente ao resultado do jogo entre Brasil e Chile, publicado por este veículo de comunicação no dia 29 de Junho de 2010, página D11[tá bom. Eu perdôo o excesso de vírgulas. Esperar que alguém leia esse texto de forma racional e pausada é pedir demais, né? 'Bora arfar até o ar faltar!] . Ao invés do anúncio de vitória do Brasil, foi publicado, equivocadamente, anúncio citando a derrota [que tal "anúncio citando uma derrota que não ocorreu"?]. Lamentamos o ocorrido.
Departamento Comercial da Folha de S.Paulo.”

Seres humanos são passíveis de cometer erros. A publicação equivocada de um anúncio, por mais desastrosa que seja, é fato a se lamentar e a se corrigir. Só que, em tempos como os d’hoje, em que os fatos são comentados por milhares de cidadãos anônimos na hora em que eles acontecem, o reconhecimento do erro e a retratação devem ocorrer o mais rápido possível, pra se reduzir ao extremo a repercussão negativa do erro. O Extra e o Abílio Diniz foram brilhantes no uso do Twitter para lamentar o ocorrido e preservar a imagem institucional da empresa. Ponto positivo.

O erro maior da Folha de SPaulo não foi ter publicado o anúncio que não devia. O problema foi demorar mais que demais para reagir ao erro lamentável e aos comentários negativos que seu nome e sua imagem institucional sofriam nos meios on-line. E, na hora de abrir a boca, o fazer de forma seca e fria, depois de o país on-line ter comentado o fato de forma bem calorosa. Ponto negativo.

E é por tudo isso que eu me limito a anunciar o nascimento espontâneo de mais uma categoria neste caldeirão:

PORRA, FOLHA!!!

O índio militar, ou o dia em que o R7 capitulou

quinta-feira, julho 1st, 2010

Ó, tô de luto. Tô com desgosto da vida. Culpa do R7. E também do Serra. E do DEM. E do PSDB. Ah, do mundo!

Vocês sabem o quanto eu me orgulhava do portal da Rede Record, né?

Pois é. Hoje meu mundo caiu.

Olha a tetéia digna de UOL que o R7 me aprontou aí em cima!

Porra, R7! isso é coisa que se faça?!?!?!!? A formação é de CARTEL, CAR-TEL!!!

Quartel num tem nada a ver com isso daí de cima, não, pô!!!

Falaê, tio Antônio!

Cartel
n substantivo masculino
1 carta que se envia a alguém para desafiá-lo; provocação
2 mensagem pública; anúncio, aviso, cartaz
3 relação de vitórias, títulos ou premiações obtidos por uma pessoa, uma entidade ou uma obra
Ex.: o c. de um lutador de boxe
4 Rubrica: comércio.
acordo comercial entre empresas, visando à distribuição entre elas das cotas de produção e do mercado com a finalidade de determinar os preços e limitar a concorrência
5 Rubrica: termo militar.
acordo realizado entre chefes militares beligerantes relativo à troca de interesses, em particular à troca de prisioneiros

Quartel
substantivo masculino
1 a quarta parte de um todo; quarta
Ex.: poupa anualmente um q. de seu salário
1.1 Derivação: frequentemente.
a quarta parte do ano; trimestre
1.2 Derivação: frequentemente.
a quarta parte de uma semana de trabalho
2 qualquer espaço de tempo; período, época
Ex.: costumavam reunir-se no último q. do dia
3 Rubrica: metrologia. Regionalismo: São Paulo.
alqueire (‘unidade de medida agrária’)
4 Rubrica: termo de marinha.
cada uma das seções desmontáveis de assoalho, tampo ou plataforma de uma embarcação
5 Rubrica: termo de marinha.
seção de amarra, de 12 ou 15 braças de extensão
6 Rubrica: termo de marinha.
m.q. alheta (‘parte curva’)

Mas acho que isso é vingança de tucano, viu? Pô, tava aqui gargalhando com a saga brancaleônica dos tucanos em busca de um vice-presidente pra compor a chapa com o Serra! O festival de piada pronta fervia meus neurônios! Primeiro foi o vice Dias que durou algumas horas; depois, geral começou a dizer que não há vice como Rubinho Barrichello. Tava quase apostando que o PSDB iria desistir do Brasil e chegar a Aurocastro (Não entendeu a história de Aurocastro? então, clicaqui. Mas eu recomendo mesmo clicar aqui e ver o filme todo. Imperdível. Até porque eu tenho cer-te-za que, no final do filme, você vai gritar: “Gente, o Brancaleone é o meu chefe!!!”).

Daí os tucanos vêm e rogam praga pra eu ficar com desgosto.

Magoei.

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