Arquivo por dezembro, 2010
Madrasta do Texto Ruim exorciza hortografias pobremáticas para que elas não cheguem a 2011
quarta-feira, dezembro 22nd, 2010(Agradeço a @bicmuller pela inspiração e a todos os que colaboraram com sugestões para este post! \o/ )
Adivinhem quais as duas palavrinhas erradas do título? (Dica: estão logo no começo porra, bruxa! Altera o título e não altera a piadinha escrota?! bem no meio!
)
Enfim, o ano chega ao… (enfim o ano chega ao fim? Putaquepariu, dona bruxa, que merda de texto é essa?) er… ah, o ano acaba! Pronto! E você, romântico como sempre, começa com as resoluções de ano novo. Aquelas que você nunca executa ao longo dos 12 meses vindouros: vou emagrecer, vou gastar menos, vou ser mais organizado(a), vou beber menos (primeiríssima resolução a ser quebrada!) etc, etc, etc…
Mas eis que esta bruxa que vos fala vem neste post propor um novo conceito (cortem os meus pulsos, por favor) em resoluções de ano novo: que tal escrever corretamente? Que tal abandonar a hortografia pobremática em 2011?
Porque, como muito bem lembrou @bicmuller, assim como papai noel, há uma lista de palavrinhas que não existem. Se você escreve as beneditas dessa forma, zifio, você sofre de hortografia pobremática.
Muitos casos de hortografia pobremática são de falsos parônimos (palavras que têm som parecido mas que se escrevem de forma diferente, como em frente e enfrente, por exemplo). Mas isso eu vou explicar abaixo.
Então, vamos à listinha básica de palavras com hortografia pobremática:
- Concerteza - trata-se de um caso de verbete Padre Quevedo (isso non ecziste!). Escreva com certeza. Separado e com eme, pelamordedeus.
- Derrepente – mais um caso pro Padre Quevedo. O certo, faz favor, é de repente. Separado e com um érre (quando escrevo érre quero me referir à letra do alfabeto. Conjugação do verbo errar não tem acento, antes que você pergunte!) só. Ou, se você preferir um 2011 com ainda mais classe, troque-o por repentinamente.
- Encomodar – eparrê-iansã! Se você disser pra Iemanjá que não a quer encomodar em 2011, cuidado: você pode ser vítima de encostos mal-intencionados enviados pela entidade! Acredite, se em 2011 você incomodar, com i, vai incomodar bem menos os outros. Porque incomodar já é, por si só, er…. um incômodo (é, bruxa, incomodar é um incômodo! E não enche o saco, vai ficar assim mesmo!) . Se seus interlocutores ainda forem obrigados a ler a malfadada palavrinha escrita com e, aí é que você vai ficar mal-visto… Faz isso, não, zifio…
- Admnistração - zifio, fonemas mudos têm limites! A palavra administração é formada pelo prefixo Ad + ministração. E tio Antônio explica que o prefixo ad- vem da preposição em latim ad (‘em direção a, aproximação: adjungir, advogado, administrar). Então, faça o favor de aplicar um i entre o eme e o ene, sim? Seja um bom administrador ortográfico em 2011! (reparem que eu estou meio auto-ajudante, liguem não…)
- Se admnistração não existe, que dirá adevogado. Faz isso com o profissional, não, zifio! Chame o dito cujo de advogado. Esse, sim, com direito a sonzinho mudo!
- Outra palavrinha que, se você escrever devagarinho no início de 2011, vai chegar a dezembro nos trinques: esqueça o iorgute, porque ele faz mal, tá estragado. Prefira o ioGURte. Joga o érre pra segunda síliaba e corra pro abraço de todos os lactobacilos vivos!
- Tudo haver: num enfie o verbo haver onde ele não é chamado, zifio, porque ele não gosta dessa falta de cerimônias. A expressão certa é tudo a ver, ou seja: uma visão em comum. Lembre-se sempre dessa coisa de visão em comum, que você acerta o verbo e não enche os pacovás do haver!
- Anciedade / anciozo: aprenda, de uma vez por todas. É an-si-e-da-de. Quando o ésse vem depois de uma consoante não precisa virar dígrafo, porque tem som de cobrinha (sssss). Diga-se de passagem, quem me ensinou isso foi a tia Maria Augusta, quando eu era alfabetizada. Sua professora de alfabetização não te contou isso, não? Deveria, viu? Naquela época, meus neurônios eram uma esponja de informações, guardavam tudo o que contavam a eles. E guardam até hoje! Lembre-se: ansiedade.
Atualização sugerida pela Ana Pettres:
- Simplis / simplismente: Sério que você escreve isso? E não se envergonha da barbaridade, zifio? Vossuncê num tem pena da pobre professorinha que te alfabetizou, não? Isso dá desgosto, zifio! Escreva simplEs. E simplEsmente. As duas palavras com é (sou carioca, falo é. Se você fala ê, problema seu.). Não, não pergunte por que se escreve assim. Apenas aceite o fato de que É (verbo, não vogal) assim. E (conjunção, não a vogal paulistana) que você está errado.
- Seje: Xuxa, minha filha, sei que você é rica, linda e tals, mas vamos inovar em 2011? Que tal falar português fluentemente? Tomemos como exemplo o verbo SER. Sabia você, Xuxa, que não existe seje? Eu juro! Olha só:
Verbo Ser – presente do subjuntivo:
eu seja
tu sejas
ele seja
nós sejamos
vós sejais
eles sejam
Verbo ser – imperativo afirmativo:
sê
seja
sejamos
sede
sejam
Palavras de tio Antônio Houaiss. Então, Xuxa e todos os outros, aceitem de uma vez por todas o fato de que SEJE NÃO EXISTE ,PORRA! O CERTO É SEJA!
- Aliás, tudo o que você ouvir que termina em oso ou osa, entenda: escreve-se com ésse. É o caso de gostoso (gostosa), belicoso, monstruoso, formoso, etc, etc, etc. Se você escreve gostozo, saiba que tem gente reparando que você faz coisa feia.
Outras coisinhas a serem lembradas:
- Mal é o contrário de bem, e mau é o contrário de bom. Saiba onde enfiar o éle e o u, pelos deuses!!! É bem-humorado e mal-humorado, e bom humor e mau humor! Não vá me enfiar o éle no lugar errado, hein?
- O verbo trazer escreve-se com zê. Reprima, portanto, todos os ímpetos de escrever com ésse conjugações desse verbo. Aproveite para se lembrar que o particípio passado de trazer é trazido, por favor. Trago é presente do indicativo! Eu trago boas notícias! O particípio passado é eu havia TRAZIDO boas notícias.
- E, se você ainda não descobriu qual a diferença existencial entre um verbo e uma preposição, guarde apenas o seguinte: atrás, detrás por trás é tudo com ésse. E, por mais que você queira, aceite o fato de que elas nada têm a ver (Viu? Ter a ver!) com o verbo trazer.
Além disso, é bom lembrar que, se conjugações verbais soem (ah, vá no dicionário direto pro verbo soer. Não vou ficar aqui de babá de analfabeto, não! Pronto! Fiquei malcriada!) ser escritas na terminação AM, e o certo é escrever vejam, corram, leiam etc, etc, etc, por outro lado é bom lembrar que isso todo mundo já sabe. E, quando escreve errado, é de propósito! Então, antes de corrigir quem escreve vejão, corrão, leião, verifique se a hortografia pobremática foi cometida de propósito ou se foi, de fato, um lapso (iiiihhhh… vai me dizer que você não sabe o que é lapso?).
Esses são os meus votos de feliz (e ortograficamente correto) 2011 para você e todos os seus!
Vá em paz e que todos os deuses te acompanhem, zifio!
Ah, as distrações…
domingo, dezembro 12th, 2010Cabei de me lembrar de um causo de minha saudosa avó.
Ela contava que uma amiga havia morrido de distração. Estava mal do estômago e foi na farmácia (primeira metade do século XX) comprar um remédio. Distraiu-se e, em vez de pedir sal amargo, pediu sal azedo. Pra quem não entendeu, a zifia trocou um singelo sal de frutas por soda cáustica. Tomou tudo e morreu, coitada…
Me lembrei desse causo no momentto em que o dileto Mário Abramo me enviou o link para esta tetéia (com acento) da Agência Estado. Mas não se avexe: eu também levei um tempinho pra identificar qual o errinho (colossal, depois de identificado) cometido pelo zifio-redatô:
São Paulo – Seis casas foram interditadas ontem à noite, em Jandira, no interior de São Paulo, após o trecho de uma rua desmoronar. O trecho da Rua José Bonifácio, no bairro Ouro Verde, é uma curva junto a um barranco. Pelo menos 25 pessoas desalojadas foram para a casa de parentes e vizinhos. Hoje, peritos da Polícia Civil e do Instituto Geológico farão uma inspeção na área para verificar quais serão as procedências, segundo informações da Defesa Civil.
Descobriu qual o erro, não? Ah, tio Antônio conta pra ssuncê:
Procedêncian substantivo feminino1 ato ou efeito de proceder; processão2 característica do que é procedente3 lugar de onde provém (algo ou alguém); proveniência, origem, fonte, processãoEx.: produtos de boa p.4 característica daquilo que procede, que tem base; fundamentoEx.: acusação sem p.5 Rubrica: termo jurídico.base sólida que legitima ou autoriza alguma coisa; fundamento
Procedimentosubstantivo masculinoato ou efeito de proceder1 maneira de agir, modo de proceder, de portar(-se); conduta, comportamento2 modo de fazer (algo); técnica, processo, métodoEx.: p. de análise química3 Rubrica: termo jurídico.forma estabelecida por lei para se tratarem as causas em juízo e para o cumprimento dos atos e trâmites do processo

