Arquivo por maio, 2011

A caminho da crase IV – Estação final

sábado, maio 28th, 2011

Ficou fresco esse troço aí em cima, né? Ah, mas eu gostei! Me deixa! :D

Antes de começar este post, deixo uma perguntinha clássica:

Qual é o correto: Vai à merda ou vai para a merda?

Resposta no final deste post. Mas leia tudissaqui antes pra entender o porquê, né?

… Eis que eu terei, sim, a pretensão de publicar aqui a explicação de-fi-ni-ti-va para a crase.

Tadinha, uma menina tão útil, tão prestativa, tão femininamente acumuladora de funções, e nego faz pouco caso e desdenha dela! Vou sair por aí acusando geral de sexismo, hein? ;)

Vamos começar perguntando o que tio Antônio (Houaiss) tem a dizer sobre essa mocinha tão mal-compreendida. Tio Antônio, conta aqui pra gente: o que é crase?

 

Crase

n substantivo feminino

1 na gramática grega, fusão ou contração de duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido, e que é indicada na escrita pela corônis

2 Rubrica: fonética, gramática.
fusão de duas vogais idênticas numa só, que ocorre, p.ex.:, na evolução das línguas român. (lat. colore ‘cor’ > port. coor > cor)

3 Rubrica: gramática.
contração da preposição a com o artigo a ou com o pronome demonstrativo
(à = a + a; àquele = a + aquele)

4 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: gramática.
acento grave que marca na escrita a contração

 

Tio Antônio foi lá no intestino da coisa pra explicar direitinho! Se você pensa que crase é artigo mais preposição e tá tudo bem, você tem tudo pra errar a brincadeira, zifio!

Vamos entender aqui:

Quando, numa frase, logo após a preposição a vem outro a, o acento grave lhe poupa de escrever o a duas vezes. Quem diz que crase é artigo mais preposição é um Zé Ruela preguiçoso que acha que esta é aformamaisdidáticaeadequadadeexplicarcorretamente blablabla whiskas sachê pereré pão duro os negózdi crase. E não é.

 

A preposição perseguida

Entenda: a crase é SEMPRE UMA PREPOSIÇÃO seguida de um a. Se você pensar em crase como uma preposição com umas coisinhas mais, é meio caminho andado pra entender a bagaça. (E, se você não sabe como usar o a como preposição, aprenda no primeiro post da saga da crase aqui ou, se você estiver lendo a página especial sobre a crase, lá em cima).

Aliás, se nego entende as coisas quando tem besteira no meio, vou criar um slogan  para a crase: A PREPOSIÇÃO PERSEGUIDA. Pronto! Agora você vai ficar com preposição na cabeça toda vez que pensar em crase! #numpresto #numvalhonada :D

Mas eu falava de preposição perseguida. Em 99,9999% dos casos, a preposição é perseguida por um artigo a. Mas, como nos mostrou tio Antônio, esse a perseguidor de preposição pode ser o a inicial de um pronome demonstrativo aquele (esse é um dos 0,0001% dos casos)! Mas vamos aos poucos, vamos nos prender aos 99,9999% dos casos primeiro, e depois eu explico O OUTRO. (num é nem exceção, coitado…)

Ah, dona Bruxa, esse troço é muito complicado, dirá você.

É nada, direi eu! :D

Por exemplo: nossa missão aqui é dizer que  fulano resolveu tomar banho de mar na praia. Como a gente diz?

É. Ficou MUUUUUITO fresco. Mas eu curti, dá licença? :D

Fulano foi para a praia.

Certo? Certo!

Reparem aí nessa frase a preposição para junto do artigo a. Vamos, então, substituir a preposição para pela preposição a? Cuméquifica?

Fulano foi a a praia

Certo? Tá certo, mas… pode ficar marfácil, né?

Fulano foi à praia <– e esse à indica que tem um a em cima do outro, fazendo dupla jornada no texto como preposição e artigo. RÁ!

E digo mais: a crase não é dispensável, não! Se você diz:

Foi a polícia

você está acusando a polícia de ter aprontado alguma. Mas se você diz

Foi À polícia

você afirma que alguém tomou o rumo da delegacia. Tá vendo como a crase é importante?

Acredite, a crase foi criada para ajudar a outrem. Ela simplifica a vida do autor da frase pra que ele não tenha que escrever um a em cima do outro.  E simplifica a vida do leitor para que ele entenda a mensagem em firulas como essa daí de cima.

Já viu, então, que a crase não foi feita pra encher o seu saco, né?

E ó, fui ver o Manual do Estadão, espécie de oráculo a quem eu quase sempre corro pra pedir penico ajuda, e descobri que a explicação especial sobre crase tá uma bosta, cheidi contradição! Vou ter que me virar sozinha cocêis tudo aqui! Mas vamos lá!

Antes de prosseguir (é, eu ameaço seguir mas paro e volto! De vez em quando baixa um caboclo ficadô em mim, liguem não! :D ), vou ensinar a cêistudo o macete DE-FI-NI-TI-VO pra ver se a crase é enfiável ou não.

Seguinte: crase é um bicho facilmente comprovável por substituição. Ou você troca a preposição a por outra preposição, ou troca a palavra feminina depois da crase por uma palavra similar masculina, e vê se você fez tudo direitinho ou se fez bosta. Vamos aplicar esse macetinho aí nosembaixo:

Onde NÃO usar crase

Pois bem. Estávamos nós casando preposição a com outras palavras que começam com a. Ajuda a pensar que, devido à síndrome dos 99,9999%, a palavra depois da crase terá que ser feminina. Ajuda muito, mas essa prescrição é que nem remédio controlado: você pode ficar viciado nela e não saber a hora de parar de usar. Mas vamos nos ater a esse viciozinho legaus… :D

E vamos combinar outra coisa: em quase todos os casos do uso errado de crase, se você pensar só mais dois segundos vai perceber que tentou enfiar um artigo onde ele não deve ser enfiado. Quer ver só?

Vejamos, pois, a situação do verbo: não é nem feminino nem masculino. O coitado, de tão obrigado a lidar com suas desinências modo-verbal, e número pessoal, e tempos, e modos, e conjugações, e principalmente seus defeitos, não tem nem tempo nem saco pra escolher se quer ser masculino ou feminino. Às vezes, forçado por mais entendidos e/ou poetas, ele diz que é macho.  Mas deixemos a masculinidade do verbo prá lá. Isso não é da nossa conta. Então, como eu dizia, se verbo não é feminino nem masculino, ele não pede artigo antes dele, só preposição. Traduzindo: NUM ENFIA CRASE ANTES DE VERBO, AMEBA!

Vamos comprovar, então, pela substituição, por que não existe crase antes de verbo:

Exemplos:

Não temos nada à temer <– TÁ ERRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

Vamos enfiar outra preposição na frente do verbo temer

Não temos nada para temer <– cadê artigo depois da preposição para pra justificar a craseança?

Entenderam? Querem que eu desenhe de novo? Pois não:

Ainda temos salgadinhos à fritar <– paporra, que esse óleo deve estar todo saturado, os salgadinhos vão ficar uma bosta! Troca a preposição, ameba! Vê se tem artigo depois?

Ainda temos salgadinhos para fritar <– Viu? Viu? Viu? Viu? Num tem! Se ferrou! Rá!

 

Outra forma de NÃO se usar a crase: antes de pronome reto. Pronome reto é outra classezinha que nunca se deu bem com o artigo (dizem que foi caso de traição conjugal, mas isso já é fofoca da minha parte, deixa prá lá). Quer ver só? Na frase:

Joana é legal

vamos substituir Joana pelo pronome reto Ela:

Ela é legal.

Agora me diga: NAONDE que cê vai enfiar artigo antes de ela, zifio? Não seja malcriado, fazfavõ! Essa palavrinha que você pensou tem duas letras. O artigo a tem uma letra só e ela tem três letras. Num cabe, sô! :D (#numpresto #numvalhonada)

Pra você não ter dúvida nenhuma de que ANTES DE PRONOME RETO (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) NÃO VAI CRASE:

Fulano entregou um presente a ela – Se você usar aquele macetinho que eu ensinei de trocar o a preposição por outra preposição, teremos:

Fulano entregou um presente para ela <– cadê artigo? Tem não! Se num tem artigo, num tem companhia pra preposição; sem companhia pra preposição, num tem crase!

Fulano entregou um presente a ele – merma coisa se substituirmos a preposição: Fulano entregou um presente para ele. <- Cadê artigo? Tem não! Ele não pediu artigo, então não tem! E mesmo que pedisse, ele é macho, porra! :D

 

É sempre legal fazer o teste da troca de preposição. Se a outra preposição pedir um artiguinho do lado pra acompanhá-la num chopinho, esta é a prova de que precisávamos para saber que, se usarmos a preposição a, temos que enfiar a crase na benedita.

Vamos ver o exemplo lá dosencima. Na frase

foi à polícia

se o caboclo quis dizer que o sujeito da frase rumou na direção da polícia, ele diria, com outra preposição,

foi para a polícia.

Viu a preposição para mais o artigo a tomando o chopinho juntinhos? Então, devolve o a preposição pra frase e craseia o benedito!

Quando a palavra depois do a em questão for masculina, quase sempre não se tem crase (é o caso do remédio controlado, mas vamos nos ater a esse viciozinho por ora!). Quer ver só? Vamos trocar polícia por barbeiro, na frase de exemplo.

Se o caboclo quer dizer que quem fez o cabelo dele foi o barbeiro, ele diz exatamente isso:

foi o barbeiro. <- artigo masculino. Puro e simples.

Mas se ele quiser dizer que ele dirigiu-se para o barbeiro, a frase fica assim:

foi ao barbeiro.

Reparou? Em palavras masculinas, o a preposição gruda-se bem grudadinho com o artigo masculino. É um caso típico de combinação. Lembre-se desse macetinho na hora de crasear um a. Substituição é o caminho para a resposta! (E crase não deixa de ser uma forma de combinação, né?)

Outra coisa: não custa lembrar que o artigo que tem que vir depois da preposição pra justificar uma crase tem que ser, obrigatoriamente, DEFINIDO E FEMININO, né? A e AS, fazfavô. Portanto, DESISTA DE ENFIAR CRASE ANTES DE ARTIGO INDEFINIDO, POR MAIS FEMININO QUE ELE SEJA! Uma coisa é você dizer

Beltrano foi à festa de Narcisa (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para a festa de Narcisa. Tem preposição, tem artigo definido, então tem crase!)

e outra coisa é você dizer

Beltrano foi a uma festa qualquer. (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para uma festa qualquer. Tem preposição seguida de artigo indefinido. A crase entra NAONDE? Olha a educação! :D )

Existe apenas um caso em que é possível crase antes da palavra uma. Mas aí esse uma não é mais artigo, virou horário:

Fulano saiu do escritório à uma hora da tarde.

e por falar em crases e horários e dias, vamos falar de…

Crase para indicar dia e horário – use com cuidado, raciocínio e parcimônia

Então, o professor Zé Ruela te ensinou a regrinha: antes de horas tem sempre crase. MANÉ! ZÉ RUELA! CARA DE CHUCHU! ORNITORRINCO! (#prontoxinguei). Não é bem assim…

Se você quer indicar com precisão o horário ( = momento do dia ou da semana) de um troço, é bom usar crase:

O show de Paul McCartney será às 22 h.

Suas aulas de inglês são às terças e quintas-feiras.

Marquei com meu namorado às sete.

Perfeito. A crase vai em tudissaí de cima. (quer substituição? Troque pela preposição em! Fica feio, mas cabe: O show será nas 22 h; As aulas são nas terças e quintas etc.)

Daí você chega e quer dizer, por exemplo, que a festa deve durar 22 horas e então acabar definitivamente, ou que determinado medicamento perde efeito deois de dez horas de tomada a primeira dose, ou que as aulas ocorrem em dias não específicos. E aí, comofas?

Reparem a diferença entre:

A festa acaba após 22 horas <– Isto significa que, se a festa começou às (olha a crase! Tá indicando precisão no horário) sete da noite de hoje, ela deve durar até cinco da tarde de amanhã.

A festa acaba às 22 horas <– quer dizer: não importa a que horas começou a festa. Deu dez da noite, cabô: A festa acaba após as 22 horas.

Também é evidente a diferença entre:

Se você tomar remédio contra febre, sua ação é eficaz de seis a oito horas. <– Contagem do tempo. Tomou o remédio ao meio dia? O efeito pode passar às seis ou às oito horas da noite.  Mas, se você tomar às duas da tarde, o efeito pode passar às oito ou às dez horas da noite. Quer dizer: o efeito dura de seis a oito horas, ou de 360 a 480 minutos.

Você deve tomar remédios às seis e às oito horas. <– você tá tomando um bandi remédio, e tem doses a tomar nesses horários aí ao lado.

Mas aí, quando você diz

Tenho aulas de segunda a sexta-feira. <– Repare que suas aulas vão DE – A. Mas você também pode dizer

Tenho aulas da segunda à sexta-feira <– Nesse caso, repare que suas aulas vão DA – À (ou até + a), e você está especificando A segunda e A sexta-feira.

 

São firulas, mas é importante entender como e por que se deve usar crase assim e não assado.

Por falar em firulas, eu já expliquei aqui a história de filé à Luis XIV e saída à francesa. E, pelamordedeus, preste atenção pra não repetir o erro vergonhoso cometido pelo fritador de fígados, sim?

Crase com os verbos ir e vir

Daí a fidumaégua da crase começa a exigir um cadim mais de raciocínio. Desistir, nunca; render-se jamais! Se você costuma ir até o fim nos videogames, por que desistir no meio da crase?

Seguinte: alguns nomes geográficos ou de lugares pedem preposição mais artigo; outros pedem só preposição (lembre-se: você vai pra Europa com um passaportezinho básico, e vai pros Estados Unidos com passaporte, visto, foto, autorização, carta de recomendação e duas trancinhas da Alcione. Há lugares que pedem o básico, outrs pedem um pouco mais. Mas isso é besteira. Ignorem esses parênteses.)

Por isso, temos:

Vou à Bahia

Vou a Brasília

Vou à França

Vou a Paris

Ah, bruxa! como eu sei quando tem e quando não tem crase?

É fássio! Vamos trocar de verbo! Sai o verbo ir, entra o verbo vir:

Venho DA Bahia <– Olha outra combinação aí, gente! Preposição de + artigo a. Se tem preposição MAIS artigo, vai ter sempre crase!

Venho DE Brasília <– cadê artigo pra justificar a crase? A preposição de ficou sozinha, coitada! Abstêmia, num vai tomar chopinho!

Venho DA França

Venho DE Paris.

 

Pra você não esquecer mais isso, vale aprender a seguinte trovinha:

Se quando eu venho, eu venho da,

quando eu vou craseio o a,

Se quando eu venho, venho de,

Crase no a pra quê?

 

Isso me lembra de um diálogo que eu travei com minha prima. Tadinha, ela provavelmente queria fazer alguma pegadinha comigo, esperando que eu estivesse desprevenida, mas não deu. Virou-se para mim e disse:

Qual o correto, vai à merda ou vai para a merda?

Eu respondi inocentemente, sem nem pensar no que dizia, crente que ela estava apenas a tirar uma dúvida comigo:

Se você crasear o a, tanto faz querida. Vai nas duas!

Tadinha, ela ficou de queixo caído, sem ter nem o que responder…

 

Crase antes de palavra masculina? Explica….

E finalmente chegamos aos 0,0001% dos casos. Crase antes de palavra masculina. Naonde que isso acontece?

Vamos acompanhar a evolução do meu raciocínio:

1- Fulano foi à confeitaria <- certim. Troca-se a preposição, Fulano foi para a confeitaria, temos preposição + artigo a, então temos crase. Próxima, por favor!

2- Fulano foi àquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou. <- Epa! Pode isso, Arnaldo?

Pode, sim! A regra é clara: Temos uma preposição seguida não de um artigo, mas de um pronome demonstrativo! (Ah, mas você disse lá em cima que não pode crase antes de pronome! (ô, ameba! Eu disse que era pronome RETO, e citei eles! Lê direito e não me estressa, saco!) Vamos substituir a preposição?

Fulano foi para aquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou.

O que eu quero mostrar aqui é que os pronomes demonstrativos são uma classe que admite combinação:

Encontrei beltrano naquela situação (em+aquela = preposição + pronome demonstrativo). E, se admite combinação, admite crase, oras! então,

Fulano foi àquela confeitaria

pódji, simssinhô!

3- Fulano foi para aquele lugar. <- Epa de novo! Temos uma preposição, mas a palavra seguinte é masculina! Ah, eu não vou botar crase antes de palavra masculina porque eu aprendi que não pódji!

E eis que é chegado o momento de você largar seus remedinhos tarja preta e abandonar aquele vício que eu mesma incentivei lá em cima. Aqui é possível crase antes de uma palavra masculina, ameba! Você está diante de uma das raras situações em que isso é permitido! Vamos, pode escrever! Confie nesta Bruxa!

Fulano foi àquele lugar.

Viu? Não doeu nada! A crase atendeu a todas as exigências do mercado e necessidades do cliente! \o/

 

Espero de coração que você tenha entendido TUDO de crase. Se não, faça o favor de clicar aí nos comentários e encher esta Bruxa de dúvidas, perguntas e sugestões.

Eu juro que atualizo este post!

Fundeu

terça-feira, maio 24th, 2011

Pra quem não entendeu e precisa de explicação, selecione o espaço em branco abaixo:

Existem dois verbos em questão. O verbo fundir = derreter metal e o verbo foder = praticar ato sexual.

A mesa ganhou o particípio passado do verbo errado. E o título deste post foi um trocadilho com a… er… troca de verbos.

#prontoexpliquei.

(Com agradecimentos à @Madycris, ao @jampa e ao @danielperrone por me enviarem esta tetéia via twitter)

Insensata redação

segunda-feira, maio 23rd, 2011

Não pude evitar o riso ao ler este textinho aqui. Movida pela curiosidade mórbida de saber como e por que uma atriz se machucou ao gravar as cenas da morte de sua personagem, cliquei neste link enviado pelo twitter.

Acompanhem comigo o desenrolar da história:

Fernanda Paes Leme dispensou dublê para as cenas da corrida em que Irene tenta fugir. A atriz gravou com o carro colado nela e assustou a equipe ao tropeçar e cair de joelhos. Como quem dirigia o veículo era um piloto profissional, ele conseguiu desviar a tempo.
Na queda, Fernanda rasgou a calça e teve ferimentos leves. Quarenta minutos depois, ela já voltou a gravar.
Já morta, deitada no chão, Irene leva um pisada de Léo, que se certifica da morte da moça.

Confiram (do verbo conferir, mesmo = ver se tá tudo nos conformes!) comigo a sequência dos acontecimentos:

  • Zifia cai e se machuca.
  • Motorista-dublê desvia da zifia.
  • Zifia rasga as calças e fica com ferimentos leves.
  • Zifia volta a gravar 40 minutos depois.
  • Zifia morre e ganha uma pisada do malvadão da novela.

Tipos: “ela não morreu na hora, então a gente teve que forçar a barra a matá-la de qualquer jeito”.

Depois do riso, claro que deu pra entender que, ao mudar o sujeito (de Fernanda para Irene), a primeira sequência aconteceu com a atriz, e o último parágrafo em destaque é parte da descrição da cena da morte da personagem. Mas essa confusão seria evitada facilmente com a adição de uma expressãozinha de nada:

Fernanda Paes Leme dispensou dublê para as cenas da corrida em que Irene tenta fugir. A atriz gravou com o carro colado nela e assustou a equipe ao tropeçar e cair de joelhos. Como quem dirigia o veículo era um piloto profissional, ele conseguiu desviar a tempo.
Com a queda, Fernanda rasgou a calça e teve ferimentos leves. Quarenta minutos depois, ela já voltou a gravar.
Nas cenas gravadas, Irene, já morta e deitada no chão, Irene leva um pisada de Léo, que se certifica da morte da moça.

Quer dizer… um cadim de nada que deixou o texto mais claro, né?

Mas devo agradecer pelas risadas do dia. \o/

O quiproquó do livro do Mec – uma opinião terceirizada

sábado, maio 14th, 2011

Antes de começar o post propriamente dito, informo que este blog está em greve de polêmica.

Vão discutir com o pai dele?

Aqui tem quiproquó, debate, discussão, peleja, contenda, argumentação e controvérsia. Basta de polêmica! Vou dar férias a essa palavrinha que tá me torrano os pacová.

E vou aproveitar essas três últimas palavras da frase acima (torrano os pacová) pra dizer que língua é um troço vivo! putaquepariu, bruxa, é nisso que dá deixar de trepar sexta à noite pra ficar blogando! Fala merda de duplo sentido! Reescreve esse troço aí, bosta! enfim, toda e qualquer língua está em constante evolução.

Existe aquela infeliz daquela Norma Culta, que sempre impõe suas regras (quando falo em Normal Culta impondo regra imagino uma normalista de sobrenome Culta naqueles dias do mês, mas deixa isso prá lá).

Devemos seguir, sim, dona Norma Culta em situações oficiais (provas, concursos, vestibulares, redações oficiais e institucionais em geral). Mas a língua dita no dia a dia, nas ruas, no interior, os sotaques, expressões… não é lá muito amiga da dona Norma, não…

Vamos combinar que não se deve começar um texto oficial com a expressão vamos combinar, por exemplo. E também não se deve encerrar essa redação com palavras como me torrano os pacová.

Mas é gostoso escrever assim. É gostoso se comunicar de forma livre, leve e solta. Curto muito chamar meus leitores e interlocutores de zifios. Esse vocativo não existe em nenhum dicionário, mas e daí? Claro que não vou me referir oficialmente a um juiz ou a um presidente de banca como mizifio, mas eu conheço as regras, e sei como, onde, quando, com quem  e por que quebrá-las <– isso é o mais importante!

E o que dizer, então, das expressões do twitter todos chora, todos reclama, ou corrão, vejão, leião? O mais curioso é perceber quequem usa essas expressões são pessoas que têm plena consciência de que estão escrevendo errado – e mesmo assim o fazem, pelo prazer do escárnio ou de quebrar as regras. E aí, comofas?

É por isso que essa discussão do livro adotado pelo MEC tá me dando uma gastura tão grande que eu vou kibar opinião alheia. Kibada portuguesa, claro.

Li essa carta oficial do Maurício de Sousa na revista Chico Bento de abril de 2010. Na época, cheguei a pensar em postá-la aqui no caldeirão, mas não havia versão dela na Web, eu teria que digitar tudo, baixou preguiça e eu deixei prá lá.

Treze meses depois, veio esse quiproquó do MEC, eu resolvi jogar a carta no Google e achei o texto inteirinho no blog do Ricardo Marques, a quem acendo uma vela pelo trabalho de digitação que eu troquei pela preguiça. A cigarra aqui agradece à formiga, zifio! \o/ :D

Enfim, depois desse narigão de cera e da kibada portuguesa, digo que minha opinião sobre esse tema foi dissertada em 2010 por Maurício de Sousa (que, ora vejam vocês, tomou posse como membro da Academia Paulistana de Letras esta semana! PARABÉNS, MAURÍCIOOOOOOOOOOOO!!). Na ocasião (não na posse da APL, em abril de 2010! Se situa, rapá!), Maurício defendia a linguagem usada por Chico Bento, e explicava por que ela não faz mal ao aprendizado dos petizes.

Mas eu sou fã mesmo é do Zé Lelé! Curto muito esse caipirão bobão! \o/

Viva o caipirês!
O Chico Bento foi criado em 1961. Desde então, virou um ícone do caipira brasileiro. E com muito orgulho. Mas ainda tem gente que acha que o jeito dele falar é prejudicial aos pequenos leitores.
Não concordo! Uma criança forma o seu vocabulário de acordo com o que ouve ao seu redor: na família, na escola ou na sociedade. Ela não modifica seu jeito de se expressar por ler histórias do Chico Bento. Se fosse assim, já imaginou quanta gente bem crescida falaria “caipirês” até hoje?
É preciso lembrar que Chico Bento vive a realidade da zona rural. E com sua personalidade doce e pura, além de muito humor, fala da preservação do meio ambiente, da vida no campo e do nosso folclore. Ele pode até não estar entre os melhores alunos da escola, mas dá aula quando o assunto é a sabedoria de como viver.
O Chico nos mostra um Brasil gostoso, saudável, onde a criança tem espaço e elementos para experimentar, interagir e viver a infância em toda sua plenitude. E mostra isso falando no mais puro e gostoso “caipirês”. Quer coisa mais fofa?
Extraído de “Chico Bento” edição n.° 40 Abril de 2010

E depois dessa, eu deixo que os doutos comentaristas da CBN (ah, eu nem me dei ao trabalho de ouvir o que eles disseram, mas imagino. Vocês podem me crucificar por isso, mas agora não que eu tô com gastura:P ) argumentem seus saberes com a prática e a experiência do Maurício. (Tô começando a curtir essa coisa de terceirizar briga… vou aprimorar a técnica, depois eu ensino procês)

Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo”

quarta-feira, maio 11th, 2011

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante da Madrasta do Texto Ruim.

Hoje eu vou explicar pra vocês, de uma vez por todas, por que diferencial competitivo é uma expressão vaga e imprecisa, incapaz de passar uma mensagem direta, ela apenas insinua não sei bem o quê.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que as funcionalidades de uma solução são um diferencial competitivo de minha empresa”, dirá você, ameba escrevente.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que diferencial competitivo é uma coisa que agrega valor”, completará sua coleguinha.

Daí eu mostro pra vocês, oh amebas, pra que serve a expressão diferencial competitivo. O ÚNICO CASO em que a coisa foi bem empregada.

Do Portal Correio:

Pastor troca esposa pelo cunhado e pede guarda dos filhos
Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal-RO. Um homem de 36 anos separou-se de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner.(…)
Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Entenderam, amebas?

Então, a menos que você queira referir-se à prática de sexo anal, não saia por aí falando em diferencial competitivo.

E aqui eu deixo meus cumprimentos à Adriana Bezerra, autora desse texto di-vi-no, e à Nalu Nogueira, que me avisou da existência dele via Twitter.

P.S.: Parece que essa notícia deve ser falsa (traduzindo: não tenho a mais vaga idéia se essa notícia é verdadeira ou  não). Verdadeira ou falsa, ela não invalida a didática do trauma. Grata. :D

O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011

Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
 

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviram 

o brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

- Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América, 

deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

- Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! :D

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

O terrorista barbudo e o mar de terra

quinta-feira, maio 5th, 2011

Agradeço ao Léo Jaime pela dica. Realmente, tava fazendo outras coisas e não me dei conta  da besteira coletiva do dia.

Vou nem entrar no mérito da veracidade da morte de Osama bin Laden. Quero nem saber como ele foi sair (vivo ou morto) do meião do Paquistão e foi parar no mar. Tenho nada a ver com isso, não sou americano, não comando a Casa Branca, então tô fora.

Tem apenas uma coisa que eu posso afirmar com toda a certeza do universo da filologia: o Osama não foi enterrado no mar. Isso eu posso garantir. Assino, reconheço firma e dou fé. Porque, né? Enterrar pressupõe enfiar terra nosencima do enterrado.

Tem outros verbinhos que são uma verdadeira casca de banana pra redator distraído (eu mesma já fui muito derrubada por eles na pressa). Permitam-me listá-los:

- Aterrissar: zifio, na dúvida substitua este verbinho fidumaégua por pousar. Sempre. Sem pestanejar. Isso porque aterrissar é pousar em terra. Portanto, nada de usar esse verbo com hidroaviões, por exemplo. Nave espacial também não aterrissa, porque há malas quem diga que aterrissar é pousar na Terra (editores: ô, raça!). Há quem use e pra usar na minha frente vai ter que me matar primeiro! o verbo alunissar pra pousar na Lua.

- Afundar: Nada contra esse verbo, mas cuidado com o sujeito dele. Se o sujeito dele for um navio ou qualquer outro tipo de embarcação projetada pra ser usada sobre a água, isso significa que deu xabu: O navio afundou / o barco afundou / a barca fundou etcetcetc.

Se o sujeito do verbo afundar for um submarino, não tem xabu na frase. Submarinos não fazem mais do que a obrigação ao afundarem. Aliás, graças a Deus que submarinos afundam, foram projetados para isso! O problema é se o que você quer dizer na frase é que deu xabu no submarino. Nessas horas, zifio, diga que o distinto naufragou. Fica mais claro…

Daí, vocês me expliquem como pode geral cair nessa esparrela do bin Laden? Num presta atenção ao que escreve? Não relê o que escreve? Inda bem que algumas boas almas conseguiram escapar do mico pela tangente do verbo genérico sepultar

Se eu lembrar de mais verbinhos casca de banana eu listo eles aqui, tá bem?

(P.S.: Imaginem vocês o que é trabalhar na AFP na época do naufrágio do Kursk, e ter que ler em T-O-D-O-S os textos produzidos em espanhol o último parágrafo que explicava que o mar de Barents, local do acidente com o submarino, era terreno de testes da marinha! GAAAAAAAHHHHH!!!)

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