Arquivo por agosto, 2011

O Reino da Grande Chave

sexta-feira, agosto 26th, 2011

Este post é mais uma Kibada portuguesa desta que vos fala. Foi publicado pelo dileto @klaxonsbc em seu brógue. O texto foi publicado mais exatamente aqui.

O jornalista americano Av Westin escreveu o livro How TV Decides the News. Não sei de tradução para o português. Nele, Westin teve a pachorra de criar a Land of the Common Place (A Terra do Lugar Comum), salpiacada de locais como “rios de sangue”, “montanhas íngremes a escalar” e coisas do tipo. Meu sonho é reencontrar esse livro e fazer a tradução desse mapa. Se alguém por aí encontrar esse livro e o mapa da Land of the Common Place e enviar a esta bruxinha, eu vou agradecer horrores!

Mas vamos ao post do Klaxonsbc:

Chavão abre porta grande

(Itamar Assumpção e Ricardo Guará)

O mantra “nosso” de cada dia:

“O mercado tá nervoso”; “Não tem que dar o peixe, tem que ensinar a pescar”; ”É necessário fazer a lição de casa (cortes de gastos públicos, desoneração da folha…)” ”O Estado não pode estar em determinadas áreas, mas tem que fiscalizar estas áreas, mesmo que ele náo tenha nenhum poder sobre elas”;

“Os maiores racistas são os próprios negros”; “Eu também quero a minha cota, sou filho de pobre”; “Dia do Orgulho Hétero”;   “Eu sou um antiracista convicto, mas no futebol meu time tem que entrar em campo com raça”; “Ele é veado, mas é meu amigo”;

“…mas lá (longe) a Justiça funciona”;  ”Nós trabalhamos para eles receberem bolsas”; “O Estado é totalmente incompetente e corrupto, mas eu sou a favor da pena de morte”; “Não existe país mais corrupto que o Brasil, já rodei vários países na Europa, fiquei quinze dias em cada um e não vi nada do que vejo aqui”;

“Eu nunca uso transporte público, não funciona mesmo e não adianta reclamar…”; “Corredor exclusivo para ônibus atrapalha o trânsito”; “Eu peguei metrô uma duas vezes na vida, em Paris e em NY, em São Paulo não tenho coragem”; “eu contribuo de qualquer forma para melhorar o trânsito, só não me peçam pra deixar o carro em casa”;

“As reinvidicações são até justas, apesar do discurso ideologizado”; “Não existe mais esquerda, direita ou centro (mantra neoliberal)”; “Acabou a guerra fria, agora é guerra ao terror (do outro)”; “vamos destruir o povo e suas cidades para lhes dar a liberdade e a democracia”;

“Globalização é o fim da fronteira local em nome do universal (só não mexa no que é meu)”;

“Eu não voto em mais nínguem”; “Todos os políticos são corruptos”; “Eu não tenho nada a ver com isso, apesar de ter votado…”;”Não me envolvo com política, sou apolítico, a política é suja”;

“Nínguem (eu?) respeita as leis nesta cidade”; “Para quê leis, se elas não são cumpridas?”; “Existem leis que pegam e aquelas que não pegam” ;

“Pra quê Copa do Mundo aqui? Primeiro teria que resolver educação, saúde…” ; “A seleção brasileira é um lixo, a promessa agora é a Croacia…”; “Jogador de futebol ganha muito pra não fazer nada (a Nike agradece)”;

“O que falta para as pessoas é Deus no coração (em geral o “Deus” exclusivo da pessoa)” ; ‘Religião, política e futebol não se discutem (basta ignorar a opinião do outro); “O seu direito acaba onde começa o meu (ou a negação da dialética)”;

“O acesso ao livro é fundamentais (não importa onde, quando e como ele vai ser lido); “Informação é poder (e como tal privilégio de poucos)”; “Vivemos a era da informação…distorcida, tendenciosa, manipulada…”; Política cultural é um assunto complexo (quando se inaugura a discussão…?).

Eu poderia ficar horas a pensar, pensar, escrever, escrever, mas creio que cada qual identifica seus vários chavões de portas grandes…e o dos outros…

Da arte de fazer trocadilhos com intenções nojentas

quarta-feira, agosto 24th, 2011

Eu adoro trocadilhos. Não, eu amo trocadilhos. Acho uma deliciosa perda de tempo que faz os neurônios trabalharem em prol da Língua Portuguesa.

Claro que por trás de todo trocadilho existe uma segunda intenção. Às vezes, é possível encontrar terceiras, quartas, quintas intenções…

…. e chegamos à manchete de hoje do Globo. Fui avisada da dita pelo Fernando, nos comentários deste blog, e o Aldo Augusto, mais conhecido no Twitter como @Man_Tecapto, e a @nunes_cintia, me enviaram a prova do crime.

Eis uma das manchetes de hoje do Globo (manchete da edição impressa, notinha ridícula, lá nosembaixo, no canto que fica embaixo do dedo que vira a página!):

Mas cadê o trocadilho, Madrasta?

Eu já chego lá! Antes de chegar lá, chamo-lhe a atenção para o título. Você deve estar pensando: Ah, o Guido Mantega é fazendeiro, latifundiário? E o MST invadiu as terras do petista do Mantega? Mas aí você começa a ler o texto, e descobre que o MST não invadiu nenhuma fazenda, mas o Ministério da Fazenda, cujo titular é Guido Mantgega.

Como eu já disse lá em cima, eu adoro trocadilhos. Não, eu amo trocadilhos. Mas neste caso, além de a intenção por trás dele ser espúria, o trocadilho ainda foi desinformativo. Vergonhoso.

Mas se você for reclamar com os sujeitos que fizeram essa manchete, o argumento deles será: “O erro foi seu que não reparou que Fazenda está em maiúscula, o que portanto caracteriza referência ao ministério, e não a uma propriedade rural”. E eu repito: Vergonhoso. Transmitem uma informação truncada e jogam a culpa pela percepção enviesada do enunciado na falta de atenção do leitor.

Enfim, o que esperar de um jornal cuja seção de correção de erros é intitulada autocrítica? (é, só eles que podem se criticar. Você não tem o direito de cirticá-los, porque eles têm uma seção especial pra isso! Taqueopa….)

Se um jornalista te pedir pra “conferir”, cuidado: ele quer que você faça o trabalho dele! (ô, raça!)

quarta-feira, agosto 24th, 2011

A coisa já vinha me incomodando há algum tempo. Pensei em fazer um post a respeito, mas preferia sempre enviar o link pra obra-prima do Hector Lima. Mas já que ele me autorizou, deixa eu kibar o texto dele. Kibada portuguesa: copio o texto, colo aqui, cito a fonte e dou o link pro site original, claro! :D

Enfim, ponha só uma coisa na sua cabeça: se alguém te pedir pra conferir alguma coisa, tá pedindo pra você verificar por conta própria se a coisa tá certa. Se um jornalista te pede pra fazer isso num texto, o que ele diz em síntese é o seguinte: ó, listei esses troço tudo aqui mas não conferi nada. Confira o que abre e o que fecha nesse feriado, porque eu não fiz o meu trabalho direito!

Mas deixemos que zifio Hector aborde o assunto:

Campanha pelo fim do ‘Confira’

Por Hector Lima [27.11.2009]

Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da população – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez mais ainda. Mas o verbo ‘conferir’ não tem esse sentido. Veja:

Conferir

v.t. Verificar, ver se está certo.

Comparar, confrontar.

Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).

V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir

certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

Dizer confira o texto [as imagens, a matéria etc] é a mesma coisa que dizer verifique pra ver se está certo. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens. Quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. ‘Confira’ não deve ser usado para dizer ‘veja’, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum e aceito.

No caso do ‘conferir’ isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do ‘conferir’ isso é tão feio que eu não resisto. Morre um animal em extinção a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha, sim, mas é mais forte que eu, me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo. Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu público e a Goma agradecem.

Não precisa esculhambar, né?

terça-feira, agosto 16th, 2011

Não, né?

Tá certo que errinhos de digitação acontecem.

Tá certo que eu adoro relevar esses errinhos, até porque eu sou mestra em escrever esotu ao invés de estou, por exemplo.

Tá certo que esses errinhos são fruto de distração ou de correria, e não de falta de raciocínio.

Mas também não precisa esculhambar, né, Estadão?

(Agradeço ao Beto Mafra e à Silvia Kochen pelo aviso da tetéia)

A não ser, é claro, que a intenção do Estadão seja fazer um trocadilho. Pensando bem, nem assim. Fica feio prum… “órgão de grande penetração” como o Estadão, né?

♥ Tem como não amar? ♥

domingo, agosto 14th, 2011

Aaaaaaaaiiiiiii, derreti todinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Tô quase chorando de emoção, viu, gente?

São comentários como esse que eu acabei de receber, do João Paulo Ferreira de Assis, que fazem valer cada segundo usado para fazer este blog, viu? Vou nem perder tempo explicando o porquê! Deixo que ele conte tudo:

 

Enviado em 13/08/2011 as 1:21 PM

Tomo a liberdade de propor uma sugestão:

Como a escola onde leciono, no interior de Minas Gerais aderiu ao movimento de greve dos professores estaduais, eu sugeri aos meus alunos que tivessem dúvidas sobre Gramática da Língua Portuguesa, que consultassem esse blog. Sugiro então que facilite aos meus alunos a pesquisa pelo seu blog, que considero um dos melhores do gênero, dispondo para consulta os links correspondentes. Grato pela atenção.
Cordialmente, João Paulo Ferreira de Assis

Eu respondi:

Enviado e14/08/2011 as 1:53 AM | Em resposta a João Paulo Ferreira de Assis.

Em primeiro lugar, muito obrigada, zifio! Fico lisonjeadíssima por saber que sou recomendada em sala de aula por professores! \o/
Em segundo lugar, te pergunto: quantos anos têm os seus alunos? Te pergunto isso pq eu não tenho lá muito controle com minhas expressões, escrevo palavrão mesmo! Tá tudo bem com isso? Se não, me avisa que eu JUUURO que eu tento me controlar!
Em terceiro lugar, tem um campo de busca no canto direito desse blog. Vou facilitar a vida docêis tudo: vou subir esse campo de busca e deixá-lo bem no alto do lado direito do blog, OK?
Em quarto lugar, quais seriam os links correspondentes a que vc se refere?

Saudações, e avante companheiro, a luta continua! Que Nossa Senhora da Concordância Verbal lhe ilumine os caminhos para exorcização de amebas escreventes! Transforme seus alunos todos em ectoplasmas suínos! :D

Abraços da
Bruxa

E aproveito pra avisar:

1- O campo de busca já foi devidamente “subido”. É o Procure aqui, zifio! Tá aí no canto direito —>

2- Aproveitem este post daqui pra conversarem com a Madrasta do Texto Ruim, crianças! Façam seus comentários e aguardem. Pelo menos uma vez por dia eu entro no blog pra aprovar o que vocês escrevem (Tão pensando o quê? Quem manda aqui sou eu!), e posso ou tirar as dúvidas de vocês pelos comentários, ou criar novos posts a respeito. Mas não se preocupem: todos terão resposta!

3- Declaro que, mesmo sem jamais ter conhecido o zifio, fui muito com a cara do professor de vocês, meninos! E decreto a partir de agora a sacrossantidade do professor João Paulo Ferreira de Assis. Se algum aluno sacanear ele, JÁ ESTÁ JURADO DE HEMORRÓIDAS, ENTENDERAM BEM?

4- Entrem no blog da Hillé, o Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, sempre que encherem o saco do meu caldeirão. Lá vocês também vão dar boas gargalhadas!

5- Divirtam-se! \o/

Era uma vez uma bruxinha estudante (ou: estudar vale a pena, sim senhor! \o/)

sexta-feira, agosto 12th, 2011

então houve ontem uma blogagem coletiva sobre a importância e a necessidade de se estudar?

Céus, ainda dá tempo de participar!? Espero que sim! Vou republicar um post de novembro, que eu adorei fazer! Ah, que gostoso foi relembrar meu tempo de escola! Espero que vocês curtam! (Mas vai estourar umas pipoquinhas, poreque esse texto é loooongo purdimais! :D )

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Juro por Deus - a entrada da escola era assim mesmo! Um sonho!

Tô sendo influenciada por essa blogosfera de Deus a fugir da linha editorial deste blog. Primeiro foi o Pannunzio que me inspirou a contar do dia em que o marido ficou preso do lado de fora de casa.

Agora é a Conceição Oliveira, do blog Maria Frô. Ela contou aqui sobre suas primeiras lembranças da escola primária. Os traumas com professoras sem-noção e as satisfações de uma menina a descobrir o mundo, as letras, os saberes, as receitas de feijão… :D
Me peguei pensando na minha alfabetização e nas primeiras tias…
Ah, vou contar!
A primeira tia de que me lembro foi a tia Cema, ainda no Jardim de Infância. Uma senhora, cabelos tingidos de louro, rabo de cavalo. Devia ter seus 50 anos, no Colégio Professor Monteiro Barbosa, no subúrbio do Méier, no Rio de Janeiro. Eu morava em Higienópolis, Rio de Janeiro. Sabe Higienópolis, São Paulo? Pois é. Não. A rua principal desse bairro era (acho que ainda é) a Estrada Velha da Pavuna. Se você ainda não jogou no Google Maps, te digo que hoje a Linha Amarela cruza essa rua duas quadras depois de onde eu morava. O lado pobre da Linha Amarela, bien sûr.
Joguei no Google pra ver se encontrava mais informações sobre o Colégio Professor Monteiro Barbosa, e achei a bendita, gente!

Interior do colégio Professor Monteiro Barbosa Eu brinquei muito aí!

Me acabei de chorar ao ver pelas fotos que o pátio, a cantina, continua tudo igualzinho ao que era quando eu estudei lá há… uma semana! O passado remoto aconteceu sempre na semana passada! :D reparem na piscina à esquerda. Também fiz natação lá! Gente, quanta emoção!

Mas eu falava da tia Cema. Lembro que certa feita ela contou pra minha mãe que, pela manhã, ela lavava fraldas de pano. Ou será delírio meu? De qualquer forma, minhas lembranças da tia Cema são iletradas e raras. Apenas muito carinho. Isso foi em 1978 marromeno. (velha é você!) Mas eu tô pensando aqui, e ligo muito a tia Cema à imagem da Hebe Camargo… (não, é a tua mãe que é velha, seu sem-educação!)
Fui me alfabetizar no ano seguinte ainda no Monteiro Barbosa. O Sonho de Talita foi minha cartilha. Me lembro do desenho da Talita, e hoje me dou conta por que, anos mais tarde, fui tomada por uma ternura inexplicável pela imagem da Mafalda, do Quino. Gê-me-as. :D

O Sonho de Talita - Livro de Exercícios (que eu nem lembrava que tinha)

Minha professora: tia Maria Augusta. Em minhas memórias, não era bonita. Cabelo maltratado, rosto espinhento. E suas motivações eram regadas a lápis: fez o dever bonito? Ganha um lápis! Chegou cedo? Ganhou um lápis! tirou 100 na prova? Adivinha? Lápis! Um lápis simples, preto… que eu cobicei muito!
O contrário do lápis preto era o ficar em pé na frente da sala diante do quadro negro, e todos os coleguinhas olhando pra sua cara. Fiquei uma vez, porque me esqueci de fazer o dever de casa. Chorei até não poder mais. Hoje acho que foi injusto, mas será que essa reprimenda não funcionou?
Modéstia à parte, acho que era uma das melhores alunas. Era ávida e ansiosa por aprender a ler tudo o mais rápido possível. A turma inda tava no ma-me-mi-mo-mu e eu já tava nos dígrafos de cachorro. Só fui descobrir que diachos era um dígrafo quando a tia Augusta explicou, mas àquela altura eu já havia inferido que ch tinha som de x. Aliás, por quê fomos aprender o x de xadrez e o z de zebra só no final do livro, no último bimestre? Eu já tinha chegado lá em junho!
Por falar em reprimendas, me lembro como se fosse hoje de quando comecei a estudar os dígrafos lha-lhe-lhi-lho-lhu. Naquele fim de semana, a família se reuniu na casa da minha madrinha. Na hora do cafezinho, me ofereci toda sestrosa para escrever numa lista quem iria querer cafezinho. Escrevi os nomes com todo o cuidado e, ao entregar o papelzinho à minha madrinha, ela riu com gosto da minha cara: “ô, minha filhinha! TiaAmélia não se escreve com éle agá!” Eu escrevi Tia Amélha. E juro por Deus, todas as vezes que escrevo ou digito a palavra Amélia, me lembro desse momento. Isso me ajudou – e muito – a me esforçar para jamais errar na grafia de uma palavra.
Mas eu ia pra escola de ônibus. Havia três “linhas” de ônibus, todas da escola: a vermelha, a azul e a verde. Eu ia no ônibus vermelho, dirigido pelo tio Joel. Meu irmão tinha 2 anos, e me acompanhava fascinado naquele ritual de acordar, fazer o dever de casa, tomar banho, almoçar, vestir o uniforme e esperar pelo ônibus do tio Joel, que me levava pra aula.

A carteirinha do meu primeiro ano no Monteiro Barbosa

Um belo dia, pedi à minha mãe que me comprasse outro caderno, pois o meu estava acabando. Meu irmão pediu na hora: “eu também quelo!” e minha mãe trouxe dois cadernos. Quando o ônibus chegou e buzinou, eu desci correndo pra pegá-lo. Meu irmão, trajando apenas um shortinho, descalço e sem camisa, mas com o caderno novo e uma caixinha cheia de cotocos de lápis em mãos, disse com toda a autoridade: “Eu também vou! Eu tenho caderno!

Eu e meu irmão com o tio Joel. Nesse ano, eu estava sendo diplomada na alfabetização; ele ganhou o diploma de "adeus às fraldas" :D

Naquela tarde, minha mãe conteve meu irmão – que chorou até pegar no sono. E ligou pra diretora da escola (que, anos mais tarde, seria acusada de tramar o assassinato do marido,o tio Lindáureo, mas  deixa isso prá lá), de cujo nome não me lembro. E a diretora disse que meu irmão poderia, sim, frequentar a aula do maternalzinho. Minha mãe então saiu pra comprar um uniforme pro meu irmão.

No dia seguinte, meu irmão não cabia em si de felicidade. Quando o ônibus do tio Joel chegou, ele subiu, deu um grande aceno a todos no ônibus e disse: oi, pessoal, hoje eu vou também! E correu pro fundo do ônibus. “E nem pra me dar um beijinho!”, chorou minha mãe ao telefone com meu pai, minutos depois da partida.
Eu fazia balé e, no final do ano, havia apresentação. Fiz duas apresentações, lá. Uma coma música dos Gatos dos Saltimbancos (nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres…) e outra da Emília (Pobre de mim Emília me traga uma notíca boa Pirlimpimpim, se não chover É vento ou é garoa). E ainda me lembro de parte das coreografias. Gente, a Cher (meu neurônio) é poderosa e vitaminada, viu?
Não me lembro dos livrinhos que eu lia nessa época. Mas me lembro que lia muita revistinha do Walt Disney e da Mônica – com o tempo, meu gosto foi se refinando e meu coração foi possuído pelo Zé Lelé :D . Mas o ano em que me alfabetizei foi também quando comecei a me interessar por Monteiro Lobato – por causa do Sítio do Pica-pau Amarelo que passava na Globo.

No ano da apresentação da Emília. à minha direita, o Yaro.

Aliás, duas grandes frustrações da minha infância: eu falava que nem a Emília faz de conta mesmo que não sei o quê não sei o que lá – PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM! – eu dizia pirlimpimpim três vezes e não acontecia na-da comigo. Isso e eu me empolgar com o convite do Daniel Azulay: vamos lá, amiguinho, você consegue desenhar que nem eu – e o meu desenho invariavelmente ficava uma boooooosta. Desses dois traumas eu acho que jamais me recuperei.
Me lembrei de um coleguinha que sempre sentava a meu lado no ônibus, o Yaro. Nós brincávamos que éramos dois extraterrestres navegando em nossa espaçonave (oi?), a Puquixa e o Puquixo. Agora, de onde eu desenterrei essa memória, não sei. Sei que googlei o Yaro e acho que ele virou tatuador. Acho.
Em 1980, minha família se mudou para Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e eu fui estudar no Educandário Logosófico González Pecotche. Minha professora da primeira série primária era a tia Gláucia. Ela morava a uma quadra de onde eu morava, ambas perto da escola, que fica logo no começo da rua Mena Barreto, em Botafogo (que ainda se chama Álvaro Rodrigues) – ou no final da General Polidoro, seus fundos.
A tia Gláucia era muito legal. Jovem, esperta, falante, se mexia muito pra falar – via nela uma irmã mais velha. Décadas mais tarde (oi? eu disse décadas? Que nada! Apenas uma semana se passou!) eu a reencontrei. Já cursava faculdade de jornalismo na UFRJ. Entrei num auditório da Praia Vermelha e a vi, rodeada de colegas. Acho que cursava alguma pós em pedagogia. Eu a interpelei:
- Oi, você se chama Gláucia, né?
Ela se encolheu um pouco na cadeira e fez que sim com a cabeça. Prossegui:
- Sabe por que eu sei? (ela se encolheu um pouco mais e aguardou a resposta) É porque você foi minha professora na primeira série, em mil novecentos e [conteúdo censurado], no Logosófico, ali na Mena Barreto, lemb…
- Aaaaaaaahhhhhh! Eu tava com medo que você dissesse isso! Mas eu me lembro de você! Você é a fulana, filha da Iolanda, irmã do Paulo! Me lembro de você como se fosse hoje! Nossa, que primor de aluna! Tem doze anos e já está na faculdade, né?
Assim como eu, tia Gláucia também tem problemas com o passar do tempo…
Engraçado que da tia da segunda série eu tenho poucas lembranças. Tia Denise ou tia Cristina? Não lembro. Lembro apenas que ela odiava ser chamada de tia.
- Sou irmã do pai? Sou irmã da mãe? Então, por que você me chama de tia?
Porque eu fui ensinada a chamar professora de tia no maternal, tia!

Tenho grandes e deliciosas lembranças do Santo Amaro. Tenho, sim!

Terceira Série, e eu mudei de escola. O Logosófico era muito fraco, minha mãe tava incomodada com o fato de a professora não ter chegado nem à metade do livro de matemática. Fui parar na 3ª série B, da tia Tereza, no colégio Santo Amaro, que fica na rua 19 de fevereiro, também em Botafogo.
Tia Tereza tá lá até hoje. Vira e mexe eu a vejo. Ela abre um grande sorriso pra mim, mas sei que ela não se lembra de mim. É que o séquito de ex-alunas que falam com ela com um grande sorriso nos lábios é grande, ela apenas cumpre o dever de ser educada. Tenho medo de pensar quantos anos de magistério tia Tereza tem nas costas. Mas é uma excelente profissional.
Lembro que foi ela quem me ensinou os tempos verbais no modo indicativo. Ainda vejo em minhas retinas o quadro negro cheio de tabelas repletas de verbos conjugados no presente, pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito e futuros do presente e do pretérito do Indicativo. Acho que foi ela quem ensinou subjuntivo e imperativo, também.
Eu conjugava todos os verbos no meu caderno, ávida por saber de tudo. E adorava o fato de ter tanta coisa nova a aprender e desbravar. Tinha um grande prazer em pegar a régua e desenhar no meu caderno as linhas que separavam os tempos verbais. Será que as crianças de 8 anos ainda têm direito a ter o prazer de saber e de aprender gramática?
Acho melhor parar por aqui, porque eu tô me lembrando de todos os professores de português que eu tive – alguns brilhantes, outros mediocremente lamentáveis. Mas sei que, desde cedo,
(   ) nossa Linda flor do Lácio
(   ) nossa língua inculta e bela
(   ) nossa Língua Portuguesa
[escolha acima seu chavão preferido para se referir ao português]
sempre me fascinou, me entreteve e me trouxe muito prazer no aprendizado.
A ponto de eu encher o saco de vocês por aqui!
Pronto! Lembrei!
E tô aqui me acabando com meus recuerdos…
Ah, conta pra mim e pra Maria Frô as suas lembranças da escola…
Divirtam-se aí embaixo nos comentários! E eu prometo dar uma canetadinha nos textos muito grandes, sem nem falar nada! :D
(e então? Vale a pena estudar? ;) )

Duff McKagan: roqueiro, colunista e pai de família

quarta-feira, agosto 10th, 2011

Ele era assim...

Imagine a seguinte história: o cara foi membro de uma das bandas que mais ganhou dinheiro na década de 1990 Fumou, cheirou, bebeu e injetou todas. Chegou ao ponto de, no auge do vício, comprar uma casa em sua cidade natal, Seattle, olhar para o forro de cedro que colocou no teto da casa e dizer: esse teto vai durar uns 25 anos, mais do que eu. Seria uma história com um final triste, se ele não estivesse sóbrio desde 1994 e se dando conta de que, 17 anos depois, tá na hora de trocar o forro.

É nessa linha que o ex-baixista do Guns n’Roses, Duff McKagan, escreve suas colunas toda quinta-feira na Seattle Weekly. Ele consegue falar de um puta drama (largar as drogas) a partir de um detalhe banal do cotidiano (tenho que trocar o telhado desta casa). Do cacete. Simplesmente. Aí ao ler os textos deliciosamente bem-escritos, você descobre que o sujeito largou as drogas, mas não largou o rock’n’roll. Virou pai babão de duas meninas pré-adolescentes, tem um casamento que já dura seus bons 15 anos, viaja pra cima e pra baixo com a banda Loaded, adora o cachorro que tem e nunca vai se esquecer da labradora que já teve. Rala pra caramba pra manter a família e a banda – e reclama dos dias em que a mulher liga pra ele levar leite pra casa e ele está de moto.

Teminhas triviais, bobinhos, tolinhos, dirá você. Mas o Duff escreve bem pra caramba. E você acaba se divertindo ao descobrir que esse roqueiro heavy metal leva as filhas aos show s de Justin Bieber (foram três colunas de Justin Bieber!) e Britney Spears. Ou do dia em que ele resolveu que a família iria se divertir no verão se fossem acampar todos juntos. Eu ri pra valer quando ele contou o que vai fazer com o primeiro namoradinho da filha. Ou como manter a sanidade sendo o único homem numa casa repleta de hormônios.

Por outro lado, ainda quando os temas da coluna se resvalem em assuntos pesados como o lado difícil e complicado de largar as drogas, o texto é leve e simplesmente flui. E você acaba suando frio junto com ele quando ele conta como foi a primeira vez em que ele foi sóbrio ao supermercado, depois de ficar duas semanas no hospital se recuperando de uma cirurgia de emergência no pâncreas (que não guentou a vida de viciado e pediu as contas). Foi a virada de que ele precisava.  Mas quando ele lamenta a morte de Amy Winehouse, você sente as dores dele e da Amy. E se dá conta do quanto a moçoila deve ter sofrido.

Em outra coluna, você vibra quando, ao citar Joe Strummer, ele dá uma lição de humildade não só para roqueiros, mas pra qualquer profissional que se acha o fodão.

... e ficou assim!

Mas há textos menos pessoais, nos quais ele analisa o atual mercado fonográfico, ou do dia em que o Obama foi eleito.

É, galera, malzaê. Obcequei com Duff McKagan. Mas a culpa é toda do Axl Rose. O ex- não, ele ainda é, só não avisaram pra ele que a banda acabou, mas deixa isso prá lá vocalista do Guns n’Roses andou falando bem da economia brasileira dia desses, mas eu tinha lido qualquer coisa há eras sobre não o vocalista, mas o baixista do Gun n’Roses, Duff McKagan, ter se matriculado numa faculdade de economia. Meus neurônios reclamaram a informação correta, e lá fui eu jogar o Duff no Google.

Por isos nem vou contar pra vocês que o cabra já escreveu sobre economia pra Playboy americana. Tambpem não vou contar que ele precisou de alguns parágrafos pra destruir ideologicamente o Tea Party.

Tudo isso pra dizer que eu recomendo dicumforça os textos do Duff. Toda quinta-feira, aqui. (aviso: tudo ininglix. Tem um site brasileiro que faz uma ou outra tradução, mas vale a pena mesmo ler no original!)

Só lembro de um roqueiro brasileiro chegar perto do que são as acolunas do Duff: o João Gordo era colaborador da revista eletrônica NoMínimo. Os textos dele eram igualmente leves e divertidíssimos. Ele também foi a um show da Sandy (“você descobre que vai precisar de alguns anos de análise no dia em que os fãs da Sandy não só te reconhecem como pedem pra tirar foto contigo“).
Também contou de como foi sua experiência num spa (ele contou que o melhor do spa foi ter se internado lá na mesma época em que o William Bonner estava por lá, porque o Bonner jogava videogame ao lado dele e, quando morria durante os joguinhos, falava palavrão no timbre do boa noite do Jornal Nacional.  Daí o João Gordo, que também tava tentando jogar o game dele, caía na na gargalhada e desistia de jogar).

Infelizmente os arquivos da No Mínimo não estão mais disponíveis na web, porque os textos do João Gordo eram maravilhosos.

O dia em que o jornalismo das Organizações Globo ficou melhor que Zorra Total

domingo, agosto 7th, 2011

(Sugiro que antes de ler este texto você estoure umas pipocas. Juro que vai ficar mais divertido! :D )

Eis que na noite deste sábado as esferas digital e real do Brasil foram sacudidas pela publicação dos Princípios editoriais das Organizações Globo. Fui ver de que se tratava. Dei boas gargalhadas, pois só fui me lembrando de comparar a teoria com a prática.

O… texto troço negócio documento tratado, pronto, o tratado! Enfim, o tratado é longo pra dedéu. Tá superbem escrito (nesse ponto pouco há para se falar das Organizações Globo, eles ao menos escrevem direito NÉ, FOLHA?.). Mas é de uma arrogância argentínica que causa muitos risos a quem o lê. E ó: vou tentar nem entrar em confusões e quiproquós de edição de último debate do Lula em 1989 ou de cobertura das Diretas Já e o povo não é bobo abaixo a Rede Globo blablabla whiskas sachê que é pra não partidarizar este blog. Porque, né? A gente inté tenta arrespeitá azidéia dos dotô filho de Roberto.

Enfim, vamos à primeira parte do texto que desbancou o Zorra Total, como muito bem lembrou o Caribé. Mas antes, minha cara de #cejura? ao ler o texto:

CEJUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUURA?

 

BREVE DEFINIÇÃO DE JORNALISMO [brevinha, brevinha! Só duas páginas!]

 

De todas as definições possíveis de jornalismo, a que as Organizações Globo adotam é esta: [rufar de tambores....] jornalismo é o conjunto de atividades que, seguindo certas regras e princípios, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas [cejura? Olha, ficou bonito isso, viu? Deixa eu pensar só um cadim, então: monditroço que eu faço dentro de certos princípios e regras, produz um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas? Então, deixa eu fazer um jornalismo global aqui: minha atividade é: analisar texto ruim, mal escrito ou contraditório. O seu texto escapou da primeira e da segunda. Mas caiu lindo e bonito no alçapão da terceira definição, zifio! Esse primeiro conhecimento produzido sobre esse texto daqui não foi dos melhores. Será que dá pra melhorar a situação? Prossigamos, pois!]. Qualquer fato e qualquer pessoa [Aimeudeusdocéu! Qualquer, qualquer, qualquer? Cejura que é qualquer? Tipos: moradores de favelas de são Paulo que vira e mexe encaram um incendiozinho doido no local? Ou, quem sabe, uma subcelebridade na fila do caixa eletrônico?]: uma crise política grave, decisões governamentais com grande impacto na sociedade, uma guerra, uma descoberta científica, um desastre ambiental, mas também a narrativa de um atropelamento numa esquina movimentada, o surgimento de um buraco na rua, a descrição de um assalto à loja da esquina, um casamento real na Europa, as novas regras para a declaração do Imposto de Renda ou mesmo a biografia das celebridades instantâneas.[aaaahhhh, viu só? Qualquer é qualquer, mesmo!]

Vamos então a um exemplo prático do que um veículo das Organizações globo entende por jornalismo?

 

Definição de jornalismo para as Organizações Globo


[Duvida de mim? Então, clicaqui que você vê que eu não tô inventando nada! Mas voltemos à (cof, cof) brilhante (cof, cof) definição de jornalismo desse compêndio das definições ululantes]:

O jornalismo é aquela atividade que permite um primeiro conhecimento de todos esses fenômenos, os complexos e os simples, com um grau aceitável de fidedignidade e correção, levando-se em conta o momento e as circunstâncias em que ocorrem. É, portanto, uma forma de apreensão da realidade. [Pois não! No caso ilustrado acima, então, ficou faltando uma análise mais precisa, sabe?

- O que Preta Gil foi fazer no caixa eletrônico? Sacar dinheiro? Por quê? Ela consultou o extrato? Retirou folhas avulsas de cheques? Refez seus investimentos? Mas a pergunta que eu realmente faço é: o que me interessa a relação de Preta Gil com o caixa eletrônico? Ou: em que o relacionamento de Preta Gil com uma máquina vai interferir na minha vida? Porque quem definiu esse texto como jornalismo foram vocês, não fui eu!]

Antes, costumava-se dizer que o jornalismo era a busca pela verdade dos fatos. Com a popularização confusa de uma discussão que remonta ao surgimento da filosofia (existe uma verdade e, se existe, é possível alcançá-la?) [boceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeejo] , essa definição clássica passou a ser vítima de toda sorte de mal-entendidos [como diria o Tutty Vasques: ô, raça! Bando de desocupado que fica atrás do jornalismo dos outros tentando apontar contradição, né? Melhor nem dar bola pra esses inúteis!]. A simplificação chegou a tal ponto que, hoje, não é raro ouvir que, não existindo nem verdade nem objetividade, o jornalismo como busca da verdade não passa de uma utopia. É um entendimento equivocado [Cejura? Por quê?]. Não se trata aqui de enveredar por uma discussão sem fim, mas a tradição filosófica mais densa dirá que a verdade pode ser inesgotável, inalcançável em sua plenitude, mas existe [nós é que não somos competentes pra chegar até ela, né? Mas espere! Nós temos as Organizçaões Globo que fazem isos pra gente! Zás! Que marravilha!!!] ; e que, se a objetividade total certamente não é possível, há técnicas que permitem ao homem, na busca pelo conhecimento, minimizar a graus aceitáveis o subjetivismo [Tô dizendo! Vocês são todos uns iluminados! Mas eu sou obrigada a perguntar só um trocinho aqui: qualquer coisa sobre qualquer pessoa é a verdade dos fatos? Como se dá isso: Ixplica?].

É para contornar essa simplificação em torno da “verdade” que se opta aqui por definir o jornalismo como uma atividade que produz conhecimento [aaaaaaaaaaaahhhhhh, saquei! Que se dane a verdade! O importante é como a gente fica sabendo das parada!]. Um conhecimento que será constantemente aprofundado, primeiro pelo próprio jornalismo, em reportagens analíticas de maior fôlego [E eu aqui elogiando o texto! Esse negócio de reportagem com fôlego vocês aprenderam com a Folha de SPaulo, né? Contrataram o mesmo personal trainer deles pra dar fôlego às histórias? Porque, né? A tendência é essa! Personal trainer nas reportagens e publicações jornalísticas para dar mais fôlego e agilidade! Taqueopa....] , e, depois, pelas ciências sociais, em especial pela História. Quando uma crise política eclode, por exemplo, o entendimento que se tem dela é superficial, mas ele vai se adensando ao longo do tempo, com fatos que vão sendo descobertos, investigações que vão sendo feitas, personagens que resolvem falar. A crise só será mais bem entendida, porém, e jamais totalmente, anos depois, quando trabalhada por historiadores, com o estudo de documentos inacessíveis no momento em que ela surgiu [E aí vem a vergonha alheia: Como é que aqueles manés daquele jornal puderam escrever esse bando de baboseira a respeito da economia? O que passava pela cabeça daquela moça de cabelos indomados que tinha coluna no jornal e na TV? Será que ela não percebia que tava falando besteira? Ela tinha trauma de marola?]. Dizer, portanto, que o jornalismo produz conhecimento, um primeiro conhecimento, é o mesmo que dizer que busca a verdade dos fatos, mas traduz com mais humildade o caráter da atividade. E evita confusões.[para tudo que quem não entendeu nada agora fui eu! Lá em cima vocês diziam que é melhor dizer que  o jornalismo produz conhecimento. Depois, vocês ponderaram que não é bem assim, que ele também é a verdade dos fatos. Aqui vocês concluem que produzir primeiro conhecimento é buscar a verdade? Misturou tudo na coqueteleira e mandou ver? Pô, ao menos bota um runzinho aí pra dar liga, né?]

Dito isso, fica mais fácil dar um passo adiante [Malvados! Tacaram rum no texto e querem que eu saia andando! OK, vamos lá, eu sou uma lady!]. Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar [Manual de funcionamento de máquinas e aparelhos entram nessa definição?] . O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica [Tá. E vocês se inserem em qual definição? Aceito a resposta do press-release e a resposta sem hipocrisia! Prometo identificar as duas adequadamente!] . Um jornal de um partido político, por exemplo, não deixa de ser um jornal, mas não pratica jornalismo, não como aqui definido: noticia os fatos, analisa-os, opina, mas sempre por um prisma, sempre com um viés, o viés do partido. E sempre com um propósito: o de conquistar seguidores. Faz propaganda [Cejura? Cejura? E qual é o partido das Organizações Globo? Deixa ver... é um partido que acha que o Chávez não presta, que o Lula não fez um bom governo, que a Dilma é faxineira e que o Jobim é um gênio da raça. E um partido que acha importante o fato de Preta Gil sacar dinheiro no caixa eletrônico! Puxa, ficou difícil traçar uma linha político-ideológica, né?] . Algo bem diverso de um jornal generalista de informação: este noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas. Produz conhecimento. As Organizações Globo terão sempre e apenas veículos cujo propósito seja conhecer, produzir conhecimento, informar.[Cejura? Mas cejura mesmo? E ao produzir esse conhecimento, não haveria a necessidade comercial de vesti-lo com um viés consumível? Quer dizer, não seria importante tornar a notícia interessante e sedutora ao público? Ou não existe isso de o jornal ser um produto comercial? Iiiiihhhh, confundiu tudo agora, né?]

É claro que um jornal impresso, uma revista, um telejornal, um noticiário de rádio e um site noticioso na internet podem ter diversas seções e abrigam muitos gêneros: o noticiário propriamente dito, os editoriais com a opinião do veículo, análises de especialistas, artigos opinativos de colaboradores, cronistas, críticos. E é igualmente evidente que a opinião do veículo vê a realidade sob o prisma das crenças e valores do próprio veículo [Epa! Um veículo tem crenças e valores? Uai, mas lá em cima você disse que só partido político que tinha esses troço daí... num tô entendendo mais nada! Quer dizer, então, que um partido ter opinião e ideologia é propaganda, mas um veículo ter opiniões e crenças e valores é válido, e essas opiniões, crenças e valores são sempre e inquestionavelmente melhores do que as deste ou daquele partido político? Então, vocês são o quê? Semideuses? Também quero essa carteirinha! Onde consegue?]. Da mesma forma, um cronista comentará a realidade impregnado de seu subjetivismo, assim como os articulistas convidados a fazer as análises. Livre de prismas e de vieses, pelo menos em intenção, restará apenas o noticiário. Mas, se de fato o objetivo do veículo for conhecer, informar, haverá um esforço consciente para que a sua opinião seja contradita por outras e para que haja cronistas, articulistas e analistas de várias tendências. [Aham, Rodrigo Vianna! Senta lá!]

Em resumo, portanto, jornalismo é uma atividade cujo propósito central é produzir um primeiro conhecimento sobre fatos e pessoas.

Aguardem para os dias vindouros as análises dos outros pontos do compêndio. Esse foi só o preâmbulo!

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