então houve ontem uma blogagem coletiva sobre a importância e a necessidade de se estudar?
Céus, ainda dá tempo de participar!? Espero que sim! Vou republicar um post de novembro, que eu adorei fazer! Ah, que gostoso foi relembrar meu tempo de escola! Espero que vocês curtam! (Mas vai estourar umas pipoquinhas, poreque esse texto é loooongo purdimais!
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Juro por Deus - a entrada da escola era assim mesmo! Um sonho!
Tô sendo influenciada por essa blogosfera de Deus a fugir da linha editorial deste blog. Primeiro foi o Pannunzio que me inspirou a contar do dia em que o marido ficou preso do lado de fora de casa.
Agora é a Conceição Oliveira, do blog
Maria Frô. Ela contou
aqui sobre suas primeiras lembranças da escola primária. Os traumas com professoras sem-noção e as satisfações de uma menina a descobrir o mundo, as letras, os saberes, as receitas de feijão…
Me peguei pensando na minha alfabetização e nas primeiras tias…
Ah, vou contar!
A primeira tia de que me lembro foi a tia Cema, ainda no Jardim de Infância. Uma senhora, cabelos tingidos de louro, rabo de cavalo. Devia ter seus 50 anos, no
Colégio Professor Monteiro Barbosa, no subúrbio do
Méier, no Rio de Janeiro. Eu morava em Higienópolis, Rio de Janeiro. Sabe Higienópolis, São Paulo? Pois é. Não. A rua principal desse bairro era (acho que ainda é) a
Estrada Velha da Pavuna. Se você ainda não jogou no Google Maps, te digo que hoje a Linha Amarela cruza essa rua duas quadras depois de onde eu morava. O lado pobre da Linha Amarela,
bien sûr.
Joguei no Google pra ver se encontrava mais informações sobre o Colégio Professor Monteiro Barbosa, e
achei a bendita, gente!

Interior do colégio Professor Monteiro Barbosa Eu brinquei muito aí!
Me acabei de chorar ao ver pelas fotos que o pátio, a cantina, continua tudo igualzinho ao que era quando eu estudei lá há… uma semana! O passado remoto aconteceu sempre na semana passada!
reparem na piscina à esquerda. Também fiz natação lá! Gente, quanta emoção!
Mas eu falava da tia Cema. Lembro que certa feita ela contou pra minha mãe que, pela manhã, ela lavava fraldas de pano. Ou será delírio meu? De qualquer forma, minhas lembranças da tia Cema são iletradas e raras. Apenas muito carinho. Isso foi em 1978 marromeno. (velha é você!) Mas eu tô pensando aqui, e ligo muito a tia Cema à imagem da Hebe Camargo… (não, é a tua mãe que é velha, seu sem-educação!)
Fui me alfabetizar no ano seguinte ainda no Monteiro Barbosa.
O Sonho de Talita foi minha cartilha. Me lembro do desenho da Talita, e hoje me dou conta por que, anos mais tarde, fui tomada por uma ternura inexplicável pela imagem da
Mafalda, do Quino. Gê-me-as.

O Sonho de Talita - Livro de Exercícios (que eu nem lembrava que tinha)
Minha professora: tia Maria Augusta. Em minhas memórias, não era bonita. Cabelo maltratado, rosto espinhento. E suas motivações eram regadas a lápis: fez o dever bonito? Ganha um lápis! Chegou cedo? Ganhou um lápis! tirou 100 na prova? Adivinha? Lápis! Um lápis simples, preto… que eu cobicei muito!
O contrário do lápis preto era o ficar em pé na frente da sala diante do quadro negro, e todos os coleguinhas olhando pra sua cara. Fiquei uma vez, porque me esqueci de fazer o dever de casa. Chorei até não poder mais. Hoje acho que foi injusto, mas será que essa reprimenda não funcionou?
Modéstia à parte, acho que era uma das melhores alunas. Era ávida e ansiosa por aprender a ler tudo o mais rápido possível. A turma inda tava no ma-me-mi-mo-mu e eu já tava nos dígrafos de cachorro. Só fui descobrir que diachos era um dígrafo quando a tia Augusta explicou, mas àquela altura eu já havia inferido que ch tinha som de x. Aliás, por quê fomos aprender o x de xadrez e o z de zebra só no final do livro, no último bimestre? Eu já tinha chegado lá em junho!
Por falar em reprimendas, me lembro como se fosse hoje de quando comecei a estudar os dígrafos lha-lhe-lhi-lho-lhu. Naquele fim de semana, a família se reuniu na casa da minha madrinha. Na hora do cafezinho, me ofereci toda sestrosa para escrever numa lista quem iria querer cafezinho. Escrevi os nomes com todo o cuidado e, ao entregar o papelzinho à minha madrinha, ela riu com gosto da minha cara: “ô, minha filhinha! TiaAmélia não se escreve com éle agá!” Eu escrevi Tia Amélha. E juro por Deus, todas as vezes que escrevo ou digito a palavra Amélia, me lembro desse momento. Isso me ajudou – e muito – a me esforçar para jamais errar na grafia de uma palavra.
Mas eu ia pra escola de ônibus. Havia três “linhas” de ônibus, todas da escola: a vermelha, a azul e a verde. Eu ia no ônibus vermelho, dirigido pelo tio Joel. Meu irmão tinha 2 anos, e me acompanhava fascinado naquele ritual de acordar, fazer o dever de casa, tomar banho, almoçar, vestir o uniforme e esperar pelo ônibus do tio Joel, que me levava pra aula.

A carteirinha do meu primeiro ano no Monteiro Barbosa
Um belo dia, pedi à minha mãe que me comprasse outro caderno, pois o meu estava acabando. Meu irmão pediu na hora: “eu também quelo!” e minha mãe trouxe dois cadernos. Quando o ônibus chegou e buzinou, eu desci correndo pra pegá-lo. Meu irmão, trajando apenas um shortinho, descalço e sem camisa, mas com o caderno novo e uma caixinha cheia de cotocos de lápis em mãos, disse com toda a autoridade: “Eu também vou! Eu tenho caderno!“

Eu e meu irmão com o tio Joel. Nesse ano, eu estava sendo diplomada na alfabetização; ele ganhou o diploma de "adeus às fraldas"
Naquela tarde, minha mãe conteve meu irmão – que chorou até pegar no sono. E ligou pra diretora da escola (que, anos mais tarde, seria acusada de tramar o assassinato do marido,o tio Lindáureo, mas deixa isso prá lá), de cujo nome não me lembro. E a diretora disse que meu irmão poderia, sim, frequentar a aula do maternalzinho. Minha mãe então saiu pra comprar um uniforme pro meu irmão.
No dia seguinte, meu irmão não cabia em si de felicidade. Quando o ônibus do tio Joel chegou, ele subiu, deu um grande aceno a todos no ônibus e disse: oi, pessoal, hoje eu vou também! E correu pro fundo do ônibus. “E nem pra me dar um beijinho!”, chorou minha mãe ao telefone com meu pai, minutos depois da partida.
Eu fazia balé e, no final do ano, havia apresentação. Fiz duas apresentações, lá. Uma coma música dos Gatos dos Saltimbancos (nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres…) e outra da Emília (Pobre de mim Emília me traga uma notíca boa Pirlimpimpim, se não chover É vento ou é garoa). E ainda me lembro de parte das coreografias. Gente, a Cher (meu neurônio) é poderosa e vitaminada, viu?
Não me lembro dos livrinhos que eu lia nessa época. Mas me lembro que lia muita revistinha do Walt Disney e da Mônica – com o tempo, meu gosto foi se refinando e meu coração foi possuído pelo Zé Lelé

. Mas o ano em que me alfabetizei foi também quando comecei a me interessar por Monteiro Lobato – por causa do Sítio do Pica-pau Amarelo que passava na Globo.

No ano da apresentação da Emília. à minha direita, o Yaro.
Aliás, duas grandes frustrações da minha infância: eu falava que nem a Emília faz de conta mesmo que não sei o quê não sei o que lá – PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM! – eu dizia pirlimpimpim três vezes e não acontecia na-da comigo. Isso e eu me empolgar com o convite do Daniel Azulay: vamos lá, amiguinho, você consegue desenhar que nem eu – e o meu desenho invariavelmente ficava uma boooooosta. Desses dois traumas eu acho que jamais me recuperei.
Me lembrei de um coleguinha que sempre sentava a meu lado no ônibus, o Yaro. Nós brincávamos que éramos dois extraterrestres navegando em nossa espaçonave (oi?), a Puquixa e o Puquixo. Agora, de onde eu desenterrei essa memória, não sei. Sei que googlei o Yaro e acho
que ele virou tatuador. Acho.
Em 1980, minha família se mudou para Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e eu fui estudar no
Educandário Logosófico González Pecotche. Minha professora da primeira série primária era a tia Gláucia. Ela morava a uma quadra de onde eu morava, ambas perto da escola, que fica logo no começo da rua Mena Barreto, em Botafogo (que ainda se chama Álvaro Rodrigues) – ou no final da General Polidoro, seus fundos.
A tia Gláucia era muito legal. Jovem, esperta, falante, se mexia muito pra falar – via nela uma irmã mais velha. Décadas mais tarde (oi? eu disse décadas? Que nada! Apenas uma semana se passou!) eu a reencontrei. Já cursava faculdade de jornalismo na UFRJ. Entrei num auditório da Praia Vermelha e a vi, rodeada de colegas. Acho que cursava alguma pós em pedagogia. Eu a interpelei:
- Oi, você se chama Gláucia, né?
Ela se encolheu um pouco na cadeira e fez que sim com a cabeça. Prossegui:
- Sabe por que eu sei? (ela se encolheu um pouco mais e aguardou a resposta) É porque você foi minha professora na primeira série, em mil novecentos e [conteúdo censurado], no Logosófico, ali na Mena Barreto, lemb…
- Aaaaaaaahhhhhh! Eu tava com medo que você dissesse isso! Mas eu me lembro de você! Você é a fulana, filha da Iolanda, irmã do Paulo! Me lembro de você como se fosse hoje! Nossa, que primor de aluna! Tem doze anos e já está na faculdade, né?
Assim como eu, tia Gláucia também tem problemas com o passar do tempo…
Engraçado que da tia da segunda série eu tenho poucas lembranças. Tia Denise ou tia Cristina? Não lembro. Lembro apenas que ela odiava ser chamada de tia.
- Sou irmã do pai? Sou irmã da mãe? Então, por que você me chama de tia?
Porque eu fui ensinada a chamar professora de tia no maternal, tia!

Tenho grandes e deliciosas lembranças do Santo Amaro. Tenho, sim!
Terceira Série, e eu mudei de escola. O Logosófico era muito fraco, minha mãe tava incomodada com o fato de a professora não ter chegado nem à metade do livro de matemática. Fui parar na 3ª série B, da tia Tereza, no colégio Santo Amaro, que fica na rua 19 de fevereiro, também em Botafogo.
Tia Tereza tá lá até hoje. Vira e mexe eu a vejo. Ela abre um grande sorriso pra mim, mas sei que ela não se lembra de mim. É que o séquito de ex-alunas que falam com ela com um grande sorriso nos lábios é grande, ela apenas cumpre o dever de ser educada. Tenho medo de pensar quantos anos de magistério tia Tereza tem nas costas. Mas é uma excelente profissional.
Lembro que foi ela quem me ensinou os tempos verbais no modo indicativo. Ainda vejo em minhas retinas o quadro negro cheio de tabelas repletas de verbos conjugados no presente, pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito e futuros do presente e do pretérito do Indicativo. Acho que foi ela quem ensinou subjuntivo e imperativo, também.
Eu conjugava todos os verbos no meu caderno, ávida por saber de tudo. E adorava o fato de ter tanta coisa nova a aprender e desbravar. Tinha um grande prazer em pegar a régua e desenhar no meu caderno as linhas que separavam os tempos verbais. Será que as crianças de 8 anos ainda têm direito a ter o prazer de saber e de aprender gramática?
Acho melhor parar por aqui, porque eu tô me lembrando de todos os professores de português que eu tive – alguns brilhantes, outros mediocremente lamentáveis. Mas sei que, desde cedo,
( ) nossa Linda flor do Lácio
( ) nossa língua inculta e bela
( ) nossa Língua Portuguesa
[escolha acima seu chavão preferido para se referir ao português]
sempre me fascinou, me entreteve e me trouxe muito prazer no aprendizado.
A ponto de eu encher o saco de vocês por aqui!
Pronto! Lembrei!
E tô aqui me acabando com meus recuerdos…
Ah, conta pra mim e pra Maria Frô as suas lembranças da escola…
Divirtam-se aí embaixo nos comentários! E eu prometo dar uma canetadinha nos textos muito grandes, sem nem falar nada!

’
(e então? Vale a pena estudar?

)