De parônimos e enfrentamentos

Ectoplasma suíno fresco por estas bandas me contou algumas deliciosas porém indigestas histórias de amebas escreventes. Como a de um cidadão que concedeu, via e-mail, autorização a seu subordinado para executar determinada tarefa:

Fulano,
Enfrente
!

Lindo, não?
A ameba quis dizer em frente, mas escreveu enfrente. Tentei imaginar o que se passou pela cabeça da ameba na hora em que ela escreveu enfrente, mas desisti. É, eu sei que eu insisto em sempre partir do princípio de que coisas desse tipo não só têm cérebro como sabem ler fluentemente.

Daí que eu desconfiava que esse fenômeno de palavras com som igual mas escrita e significados completamente diferentes tinha um nome específico. Tio Antônio me contou:

Parônimos

adj.s.m. (1858) gram ling 1 diz-se de ou cada um dos dois ou mais vocábulos que são quase homônimos, diferenciando-se ligeiramente na grafia e na pronúncia 1.1 diz-se de ou palavra cujos fonemas podem se confundir com os de outra(s), por razões etimológicas ou simplesmente tônicas (p.ex.: deferir: diferir, descrição: discrição, emigrar: imigrar etc.)

Quer dizer, domingo à tarde, e a ameba me faz ir ao dicionário pra ver o que é um parônimo!

Se eu recebesse o supracitado e-mail, eu obederia cegamente à ordem!

Iria à sala do meu chefe, chamá-lo-ia (a mesóclise é minha e eu a enfio onde dona Gramática me autorizar!) pra briga durante dez segundos (E aí, mermão? Vai encarar? Tu num é de nada, não! Vem cá pra tomar uns tabefes pra tu ver o quanto é bom) e, logo em seguida, com a maior cara de Fagundes, o puxa-saco, diria: e aí, chefinho, enfrentei de acordo com suas expectativas?

Porque eu sou cínica! E me lembrei deste causo, que não tem nada a ver com parônimos – só com enfrentamentos… :D

No último lugar onde eu trabalhei, o chefe da redação me mandou, certa feita, o seguinte e-mail:

Dê um pulinho aqui!

Eu não conversei nem questionei: fui até a sala dele, pedi licença, dei um pequeno salto na frente dele, depois fiz cara de Fagundes e disse com sua licença, chefinho!, virei as costas e fui embora.

Ele riu da situação e me chamou pra tomar um cafezinho…

(Não, eu não fui demitida! O chefe que viu que me deu margem pra piadinha sem graça, e aceitou a brincadeira numa boa!)



4 comentários sobre “De parônimos e enfrentamentos”

  1. Fernanda Vier comentou:

    Gosto de espiar teu blog, mas acho algumas coisas meio exageradas… se for pra levar ao pé da letra tudo o que nos dizem em sentido figurado, vamos enlouquecer, certo? E o exemplo do pulinho nada tem a ver com parônimos. Mas gosto da maioria dos teus posts e análises.

  2. Diego comentou:

    “Agente deve ir enfrente se estiver afim e ninguém tem nada haver com isso!”

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Olá, Fernanda!
    Que bom que meu blog/caldeirão lhe agrada! :D E melhor ainda que ele é meio exagerado de vez em quando – reflexo meu, que também sou exagerada de vez em quando!

    E eu perco a amizade mas não perco o trocadilho: sei que o exemplo que eu dei não tem Nanda Vier (RÁ! :D ) com parônimos, mas ele me veio à cabeça como exemplos de brincadeiras com chefinhos…

    Abração e volte sempre, mesmo que você ache que os exemplos não tenham “Nanda Vier” com o tema….

    (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, miacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaabo com trocadilhossss! :D )

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Mas isso é uma tetéia! Acho até que vou usar como exemplo! :D

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