Contradição entre termos

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Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

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18 comentários sobre “Contradição entre termos”

  1. Vinicius Barreto comentou:

    Olá, madrasta!
    Leitor assíduo (meio stalker) do site aqui hehehe!
    Seus posts são divertidíssimos e realmente “laico-judaico” fica bem legal!
    Bye!

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ô, zifio! Aprochegue-se, aceite um cafezinho com bolo de fubá@! :D
    Volte sempre!!! (laico-judaico-arcaico huahuahuahuahua)

  3. Luciano Mano Negra comentou:

    Tia, mas o “antes de mais nada” é o quê? Se depois do antes virá o nada, tem que acabar-se aí, não?

  4. Marlena comentou:

    Sinais claros de esquizofrenia.

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    O “antes de mais nada” é irmão estiloso do “acima de tudo”. Os dois só servem pra dar ênfase às frases. São ectoplasmas do bem! :D

  6. P P P comentou:

    Poder-se-ía, talvez, considerar como exemplos de oximoro?

    Semelhante, ao faustiano, ‘eterno instante’.

    Antecipadamente, peço desculpas pela minha ignorância ignóbil.

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    hummmm… Sabe que eu não sei?
    Vou até pesquisar, mas muito me diz que não, não pode ser um oxímoro…
    Mas eu juro que eu te respondo cm mais certeza!
    superobrigada pelo comentário!! Adoro perguntas instigantes como as suas ! \o/

  8. Mario Abramo comentou:

    Bão.
    Pela ordem.
    “Laico” diz-se de um estado que não é regido nem se submete a qualquer controle do poder temporal da Igreja (ou igrejas, sejam elas quais forem, ICAR é apenas uma delas).
    O que não significa que se abra mão da constituição histórica, sociológica e patológica da sociedade brasileira, que tem, como fundamento, uma contribuição da supra-citada ICAR (ops, pros neófitos, a Igreja Católica Apostólica Romana).
    Por outro lado, “ateu” significa a negação de deus (junção do “a”, partícula de negação, e “theos”, grego significando “deus”).
    O Estado brasileiro, na sua Carta Magna, a CF 88, não nega deus, deuses ou Deus. eTrocando em miúdos, não se mete nessa questão. Afirma que o estado é laico. Ponto, parágrafo, muda de linha.
    Portanto, temos um estado laico, não ateu (porque não há um pronunciamento a respeito), em uma sociedade basicamente cristã.
    O erro não está em entender isso. Apenas em julgar que isso é uma “lei”.

  9. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Mario, meu querido

    Entendo e até concordo com sua linha de raciocínio. A História deste país não só não renega sua formação cristã católica, como o país tem festas católicas arraigadas em sua tradição cultural (festas juninas etcetcetc).
    Só não posso acreditar que Marco Feliciano tenha tido tanto neurônio pra pensar assim!
    Pior: pensar que MFeliciano é capaz de valer-se desse raciocínio pra impor suas necessidades crendíticas… – e, ao final das contas, acabar com o laicismo do Estado e, numa Constituição laica mas não-ateia, impor or princípios de sua-dele Igreja na legislação nacional.

    enfim, entendeu o drama, né?

    Bjocas da
    Bruxa

  10. Padrasto do Bom Texto comentou:

    “Só não posso acreditar que Marco Feliciano tenha tido tanto neurônio pra pensar assim! Pior: pensar que MFeliciano é capaz de valer-se desse raciocínio pra impor suas necessidades crendíticas…”

    ———–

    Bom, vamos analisar a querida “Madrasta do Texto Ruim”, que adora criticar erros bobos dos outros e esquece, como proferiria o velho macaco sábio, de olhar para o próprio rabo. Não sei sua idade, não sei sua formação intelectual, mas sei que peca e muito em domínio do código escrito no que tange a filosofia da linguagem, entre outras coisinhas mais.

    Comecemos, valendo-me de seus artifícios:

    ———-

    contradição
    s. f.
    1. Acto de contradizer ou contradizer-se.
    2. Incoerência entre actos ou ditos sucessivos.
    3. Oposição.
    4. Contestação.

    —–

    “Efetivamente, é impossível a quem quer que seja acreditar que uma mesma coisa seja e não seja, como, segundo alguns, teria dito Heráclito.” ARISTÓTELES, Métafísica, Γ3, 1005 b 22-44

    —–

    No caso da descida-ascendente a senhora está correta, embora não tenha explicado apropriadamente para seus leitores que a dicotomia adequada é: descida e não-descida. Não pode existir uma “descida-que-não-desce”, uma “descida-ascendente” e por aí vai. Até no caso da piada sobre a escada-rolante (que, por sinal, achei engraçada) não seria possível usar o termo, visto que o cidadão desavisado estaria subindo e a escada descendo – nenhum deles poderia executar duas ações contraditórias ao mesmo tempo.

    A Madrasta falha, no entanto, ao usar a expressão “Naso-judaico”. Primeiro porque não há registro, ao menos nos dicionários que consultei (posso estar com minha biblioteca desatualizada), do prefixo “naso” relativo a nazismo – ou a senhora fazia alusão ao avantajado porte nasal dos judeus (o que seria arriscado em tempos de politicamente correto) ou cometia um erro infantil de ortografia: “Nazi-judeu” é o certo; segundo que, embora novamente o humor reine em seu texto, não há contradição lógica ou semântica entre os termos “nazista” e “judeu”, apenas uma contradição senso comum que opõe os termos por contaminação conceitual advinda do historicamente estabelecido.

    Confuso? O “tio” aqui vai deixar um pouco mais claro: uma pessoa pode ser palmeirense e torcer pelo Corinthians, não há contradição lógica (haveria se, simultaneamente, ele fosse palmeirense e não-palmeirense) nem semântica (haveria se ele se dissesse palmeirense sem torcer ou jogar pelo Palmeiras).

    De forma similar, pode haver um judeu adepto das ideias nazistas – o que configuraria a contradição semântica seria, por exemplo, tal figura não se considerar uma raça inferior e dizer-se nazista, não admitir sua própria escravidão ou eliminação por mera conveniência. Já uma contradição lógica é ser judeu e não-judeu, nazista e não-nazista ao mesmo tempo. Resumindo: embora em termos práticos e simplistas seja aceitável o uso que a Madrasta faz do termo contradição, pelo bem daqueles que “têm tanto neurônio pra pensar assim”, deixemos as coisas nos seus devidos lugares.

    ———-

    Agora, entrando no mérito do tema do post, nosso amigo Mario Abramo já deu uma adiantada no que eu teria a dizer. Acrescento a correta observância aos conceitos de contradição, tanto pela vertente de nosso querido Aristóteles quanto pela do “Tio Antônio” e demais parentes, dado que laico-cristão NÃO CONFIGURA UMA CONTRADIÇÃO ENTRE TERMOS.

    Uma pessoa pode ser cristã e laica, aceitar a liberdade religiosa alheia e a não interferência ou parcialidade estatal quanto a quaisquer cultos, sejam majoritários ou não. Isso não implica serem os agentes administrativos do Estado sem religião ou impedidos de professar sua fé MESMO QUANDO EM SERVIÇO. Aliás, o Estado laico surge com a intenção de preservação da liberdade religiosa e fortalecimento das Igrejas minoritárias, não outra.

    Quem se apropria do termo como verbete acrítico e de maneira intelectualmente desonesta são secularistas perniciosos, ideólogos do ‘emburrecimento’ em prol do ativismo político interesseiro. Não a toa tem nego “com sei lá quantos neurônios” apoiando ideias estapafúrdias como a remoção de símbolos religiosos de prédios públicos, da frase “Deus seja louvado” das notas de dinheiro e coisas do tipo. Como vi pela internet, daqui a pouco tem “jênio” (é, com j de jumento mesmo) querendo que as cidades com nomes provenientes de influência religiosa se adequem a “laicidade” – acho que de São Paulo para Paulo, o Maluf adoraria, embora já se ache santo por aqui. Do jeito que a coisa vai, não duvido, combina com o intelecto desse povo que só faz ser papagaio achando que “pensa com a própria cabeça”, seja blogueiro, comentador ou palpiteiro de plantão dentro ou fora de nossa maravilhosa internet.

    Abraços,
    Padrasto do Bom Texto

  11. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    OK, Padrasto.
    Argumentos aceitos. como já haviam sido aceitos os argumentos do Mário Abramo.

    A questão aqui é, e aproveito para pinçar uma frase de seu comentário:

    “Uma pessoa pode ser cristã e laica, aceitar a liberdade religiosa alheia e a não interferência ou parcialidade estatal quanto a quaisquer cultos,

    Considerando-se que Marco Feliciano, o autor da frase que originou meu post, NÃO ACEITA a liberdade religiosa alheia e prega a interferência do estado em assuntos de igrejas (evangélicos protestaram contra 1 estátua de Iemanjá em Santos, mas são super a favor de que o estado pague por um Centro Evangélico no Acre, vamos combinar que quem entrou em contradição foi ele?!?!

    bjocas
    Madrasta
    (Mas cáspita, tu escreve muito, rapá! Parece até eu, credincruz! :P)

  12. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Credincruz digo eu!

    Verdade que alguém foi refutado na internet e não ignorou, ridicularizou, censurou???
    Estou positivamente surpreso, ainda mais quando diz aceitar meus argumentos. Espero que tal atitude seja fruto de uma inteligência que perceba serem minhas críticas uma ferramenta oferecida e não tomada, um meio e não um fim.

    E, corroborando essa ideia, digo que não me atenho às contradições do bendito Feliciano porque os erros dele a ele cabe corrigir, os seus, Madrasta, a você. Daí tiraremos quem merece crédito e quem não merece. Porrinquantê (em francês impecável!) a Madrasta merece, já quanto ao pastor gostaria de fontes a respeito do que ele pensa sobre a interferência estatal na liberdade de culto. A mera frase do twitter não me diz nada, pois ele tem razão parcial. Só mete os pés pelas mãos ao dizer “cremos”, “somos” em vez de “a maioria é”. A não ser que ele aceite, estando num hipotético Brasil onde a maior parte das pessoas é formada por homossexuais, que um gay diga: “Nós brasileiros adoramos dar o rabo, né não, Marcão?”.

    Abraços.

  13. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Mas claro que eu tinha que aprovar seu comentário!
    soberba e autocrítica é com o Eduardo Guimarães do blog da cidadania, coitado…
    Aqui nóis aceita as crítica tudo que entende (e até as que não entende! :D), contanto que elas sejam bem embasadas!

    (P.S.: O padrasto do bom texto trata mal os textos bem-escritos, é isso? ;)

    Abraços da
    Bruxa

  14. Padrasto do Bom Texto comentou:

    Desculpe-me, mas não só com o Eduardo Guimarães. 99% da blogosfera, incluindo a dita “progressista”, é formada por Narcisos. O Eduardo Guimarães é tosco mesmo, desde

    http://www.blogcidadania.com.br/2010/12/a-quem-interessa-desagregar-a-blogosfera/

    que não o leio mais. O pinel só faltou desconfiar de uma conspiração alienígena contra o blog dele.

    E o Padrasto aqui trata é bem tanto os textos bem escritos quanto os mal. “Trato mal” sim os autores que me tratam mal (sem aspas) e/ou não reconhecem os próprios tropeços, além de seus respectivos leitores-de-guarda, sedentos por uma mordida reflexa a cada post criticado.

    Enfim, é o mundo, “caquinho de vidro, cego do olho e surdo do ouvido”.

    Abraços.

  15. BetoPlacido comentou:

    Pergunta pertinente: quantos amendoins tem dentro da cabeça desse tal Feliciano?

  16. Edu comentou:

    Esse evanjegue que supostamente “fez três faculdades” (eu duvido que tenha feito uma) ouviu pela primeira vez a palavra “laico”, não sabia o que era, pensou em alguma parecida e lembrou de “judaico”. Daí veio “judaico-cristão” e não teve dúvida: lascou um “laico-cristão” e entrou para a história.

  17. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    É uma teoria perfeitamente plausível!

  18. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    NÃO OFENDA OS AMENDOINS! ELES FREQUENTAM BONS LUGARES!

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