Abram alas para a clichetaria aeciana!
Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.
Bocejei.
Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?
Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!
E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.
Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:
Carnaval
Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!] , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].
[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].
Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<-- típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].
A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].
Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém] que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].
Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar, de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].
Ao toque do tamborim [queridos leitores: "ao toque do tamborim" é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver...] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com "ao toque do tamborim" e lá pelas tantas traz um "no fundo da alma de folião". De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os "sobre" são substituídos por "acerca de"? Ó, alguém avisa pro Aécio que "acerca de" cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó...], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.
Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.
Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo - mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]
Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].
Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]
A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.
O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…
E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.
Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!
(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)
(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)
fevereiro 21st, 2012 at 11:20 AM
Vou esperar para ver um texto de Fernando Haddad, mas, a julgar por seu brilhante desempenho em entrevistas (já viste a entrevista dele ao Roda-Viva, em que ele simplesmente toureia cinco idiotas ao mesmo tempo sem nem suar?), arrisco dizer que ele deve ser um excelente redator.
Agora, Madrasta, dá um desconto para o Anódino Neves. No máximo, seu erro foi escolher um ghost-writer ruim…
fevereiro 21st, 2012 at 1:47 PM
Louvo o teu saco de filó, logicamente, virtual, pois espero que não tenhas nenhum penduricalho abaixo do umbigo.
Conseguir ler tamanha baboseira e ainda comentar, É DOSE pra elefante…
Parei no Darcy! Vamos ser cara de pau, mas assim é demais!
Em homenagem ao carnaval, compartilho a música,
http://www.4shared.com/mp3/Xjg2pTOq/03_Um_sonho_que_durou_trs_dias.html
testei e não tem vírus.
fevereiro 21st, 2012 at 2:18 PM
Madrasta tão querida!
Li seu texto, sensacional!,no “Com Texto Livre”, portanto não sabia que era seu! Maravilhado já havia ficado com o título: “abram alas para a clichetaria aeciana”! Se grafou “clichetaria”, seja lá quem for, gritou: “sou culto, muito culto!” As ironias se sucedendo de tal maneira inteligentes e deliciosas me disseram, logo de início:”Não é culto, é culta! Só pode ser ELA, a Madrasta tão querida!”
Madrasta, é com muito prazer que a visito, a abraço e cumprimento pelo belíssimo trabalho!
Jairo, de Porto Seguro BA.
fevereiro 22nd, 2012 at 12:03 AM
Sejam todos muito bem-vindos!
Em homenagem á mineiridade dos novos visitantes, suspendo o bolo de fubá tradicional. Hoje tem pão de queijo com cafezinho recém-passado pra todo mundo!
Permitam-me avisar o seguinte: Clichetaria é copyright Rosana Hermann. Ela autorizou o uso do termo, mas a dignidade me obriga a avisar que foi ela quem o criou!
No mais, não vou ficar encarnando em Aécio Neves todas as segundas-feiras. Só o fiz porque a vontade de gritar bingo foi maior…
enfim, sejam todos muito bem-vindos! refastelem-se e curtam tudo por aaqui. A casa é de vocês!
\o/
fevereiro 22nd, 2012 at 12:04 AM
zifio PPP, tomei a liberdade de efetuar a correção no comentário primeiro e eliminar o comentário segundo, OK?
No mais, fique à vontade! Seu café é com açúcar ou adoçante?
fevereiro 22nd, 2012 at 12:19 AM
Querido HCPaes: Não duvido da inteligência de Haddad. Pelo contrário, sei que ele de burro ele não tem nada. Mas daí a dizer que ele sabe se comunicar adequadamente em textos são outros 500. Já o peguei usando muita palavra rebuscada desnecessariamente. Mas nada que um “pedala, Haddad!” nas têmporas, de leve, não resolva…
(Sô malvada?)
ainda assim, me causa arrepios de ver um cara na posição que ele ocupa ainda não ter preenchido espaços virtuais pra falar a rodo sobre tudo – inclusive da cidade de SPaulo – de forma clara, simples e direta.
fevereiro 22nd, 2012 at 12:22 AM
Jairo:
que bom saber que meu estilo é inconfundível!
Obrigada pelo carinho! volte sempre!
fevereiro 22nd, 2012 at 1:39 AM
Parabéns, descobri que era vc pelo PORRA FOLHA.
fevereiro 22nd, 2012 at 12:45 PM
QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA Obrigada, zifia!
fevereiro 23rd, 2012 at 3:37 AM
Mas oras bolas, sempre foi assim ué! O que ganha eleição por aqui não é ter conteúdo, é ser parnasiano! Convenhamos: se você é um cara lááááá dos quintos, percebeu que a partir da segunda frase não entendeu mais nada, e ainda viu que tem um monte de outras frases ainda mais complexas pra baixo, é ÓBVIO que seu voto vai pra esse cara tão, digamos, “inteligente”, rs…
Como já disse uma professora minha uns anos atrás, o discurso que ganha nunca é o de mais conteúdo, é o mais parnasiano, rs…
Bjos querida! E parabéns de novo, como sempre dei muitas risadas por aqui!
fevereiro 23rd, 2012 at 7:58 PM
Tu é petista sim Dona Bruxa!!! hahaha
Brincadeiras a parte, suas observações do texto Aeciano foram ótimas.
Textos de políticos sempre dão boas brechas pra essas análises, vou ficar esperando mais alguns.
Grande abraço.
fevereiro 23rd, 2012 at 9:45 PM
Repito: o jeitão de falar do Haddad me causa calafrios só de imaginar… /o\
fevereiro 23rd, 2012 at 10:35 PM
Certeza que no carnaval o Paramécio perscrutou os derrière tudo das zifia sambadeira.
fevereiro 23rd, 2012 at 11:10 PM
QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
março 4th, 2012 at 8:34 PM
Você escreve é todo dia? Não vou parar de ler mais!!
março 6th, 2012 at 7:18 PM
não é todo dia, não! Mas eu procuro não deixar isso aqui muito parado…
Seja bem-vinda, aprochegue-se e aceite um bolinho de fubá com café!