Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”
Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:
Túnel do tempo
O ano é 1985.
Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.
Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.
Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.
Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.
O primeiro discurso do presidente acadêmico.
Sucesso total.
Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.
Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:
“A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.
Sarney quis matá-lo!
maio 11th, 2012 at 5:13 PM
Tenho um livro muuuuuito bom do Millôr em que ele analisa textos do Sarney e do FHC: “Crítica da razão impura ou O primado da Ignorância”. Já leu? Se não leu, procure, você vai se divertir horrores!
Beijos!