A culpa NUNCA é da vítima: palavra de sintaxe e semântica!

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magali-cmendo-melanciaCrianças, todos juntos aqui comigo.

Hoje, vamos trabalhar com a didática do trauma.

Vamos falar de verbos agentivos.

São verbos que, como o nome diz, têm carga semântica agentiva. Pressupõem um sujeito agente que vai comandá-lo. Sua ação irá transitar  (daí o nome transitivo) do sujeito até o objeto direto. Ao final da frase, sua ação terá modificado o estado final do objeto direto.

OK?

Exemplo básico do que eu descrevi aí em cima:

  • Magali come melancia.

Temos um sujeito (Magali), o agente da frase. Esse sujeito também traz características semânticas próprias de um agente:

  • É humano
  • É volitivo (volição = vontade própria)
  • É forte

Magali comanda o verbo comer, que faz a transição de sua ação de Magali até melancia, o objeto direto.

A melancia, que no começo da frase estava inteira e existia, termina a frase devorada e sem mais existir.

Agora me digam: alguém culpa a melancia pela fome da Magali?

Alguém diz que foi a melancia que provocou, pois a Magali nem queria comer, mesmo?

Então tá.

 

Vejamos, agora, a seguinte frase. Igualmente agentiva, com um sujeito tão agente quanto o da frase acima:

  • 33 homens estupram uma adolescente

Temos 33 homens comandando o verbo estuprar, que faz a transição de sua ação dos 33 homens até a adolescente, que tem seu estado final totalmente alterado. Ela ingressa no clube das estupradas, do qual nunca mais irá sair.

Agora me expliquem como pode alguém culpar um objeto direto pela ação desempenhada pelo sujeito?

 

Então, crianças, está é a mensagem que sintaxe e semântica têm para lhes passar:

A CULPA NÃO É DA MULHER. NUNCA.

Pela atenção, gracta.

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Um comentário sobre “A culpa NUNCA é da vítima: palavra de sintaxe e semântica!”

  1. Vit comentou:

    Olha, eu não ia falar nada, mas tem uma explicação para se culpar o objeto direto (que até já foi tema de um post neste blog): escrever a frase na voz passiva.
    “Uma adolescente foi estuprada por 33 homens.”
    Pronto! “Estuprada” passa a ser lido como adjetivo e os sujeitos da frase podem até ser apagados que não vai fazer diferença…
    Aliás, onde vocês já viram manchete sobre estupro ser escrita na voz ativa (isso quando não tem a “cereja do bolo”: o adjetivo “suposto”)?

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