A Essência do preconceito 2 – a missão

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A Veja desta semana superou-se no quesito vamos escrever bosta

O artigo de JR Guzzo tá… OK, vou me abster de comentar a qualidade desse troço. Vou PROVAR.

A Lele do Te dou um dado? atinou para um detalhe do texto:

 

Eu já havia feito isso com um discurso da Miriam Rios, há mais de ano, lembram?

Então, faço novamente. Vou substituir homossexual por negro; homofobia por racismo, e por aí vai. Todas as substituições estarão destacadas em negrito e vermelho.

Vou colar o texto original e o “adaptado” pra você poder comparar. E vou marcar como cortado partes do texto que citam casos factuais, nas quais a mera substituição não faz muito sentido, ainda que não perca de todo o valor (por exemplo: o texto fala do kit gay, e cita Oscar Wilde como homossexual, na substituição ele virou negro. A coisa não faz sentido, mas ainda assim ajuda a ilustrar. Nesses casos, cortei sem eliminar o texto. E olha que eu cortei pouco, viu?

Mas se você quiser desmerecer o texto pelo caminho mais fácil, faça como o Cardoso, e jogue a história da panela Tefal no Google.

Vamos lá?

Primeiro, o texto original, com os devidos destaques:

*****************

Parada gay, cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gays ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

*******

Agora, o texto “adaptado”:

 

Parada negra , cabra e espinafre

Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser negro era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o racismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao racismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit racial” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que gente de cor negra  é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa negra” no país) fez insinuações agressivas quanto à raça do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é negro, ou apenas pró-negro, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 [Obs.: Esse é o crime citado no texto original, referente à injúria. O crime de racismo é a  lei 7.716/1989, também conhecida como lei Caó, que tornou o racismo crime inafiançável]  do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o racismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas negros é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.

Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do racismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida negro, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit racial, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao racismo , e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os negros devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa negra tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.

O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade negra” é que a “comunidade negra” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento negro” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os negros, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Têm opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são sua raça – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade branca” para agrupar os indivíduos que não são negros. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.

Outra tentativa de considerar os negros como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 negros foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50.000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os negros; é a violência contra todos. Os negros são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os brancos; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra negros? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.

Não há proveito algum para os negros, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra racismo”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do racismo , como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa negra”.Ainda no mês de junho, na última Parada Negra de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270.000 manifestantes, e que apenas 65.000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de racista”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” – mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o racismo é considerado preconceituoso”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de negros, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de negros, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.

Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Negros se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas de duas raças diferentes podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os negros, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento inter-racial serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Negros podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?

A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar o racismo em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra negros que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos negros, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização do racismo é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com o racismo? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o racismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?

Os negros já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser negro ; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1.000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, negros iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas negras ou projetos de lei contra o racismo, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os negros não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos negros, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de raça.

Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.

 

Enfim. AVALIEM.

(Começo a sentir falta de uma categoria “Cejura?” aqui no blog. Da última vez que isso aconteceu, nasceu a “PORRA, FOLHA!” que, coitada, desta vez tem nada a ver c’a parada…)

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35 comentários sobre “A Essência do preconceito 2 – a missão”

  1. Rejane comentou:

    Cejura? Unbelievable.

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Os argumentos são mais facilmente derrubáveis do que um castelo de cartas….

  3. Durval comentou:

    A intenção é interessante, mas você substituiu por ‘racismo’ tanto ‘homossexualismo’ quanto ‘homofobia, que são dois conceitos antagônicos.
    Talvez a crítica ficasse mais clara se você usasse ‘negritude’ ou ‘ser negro’ no lugar de ‘homossexualismo’, deixando ‘racismo’ para substituir apenas ‘homofobia’.

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Concordo contigo! fiz essa substituição toda meio nas coxas, só pra desconstruir o texto, mesmo… se fosse algo mais sério, teria tomado mais cuidado…

  5. Laura comentou:

    Se o texto falasse de negros, estaria na Veja da mesma forma.

  6. Tucano no divã: “Governo Alckmin acabou” | Maria Frô comentou:

    […] tucanos está uma pérola de contradições. Merecia a paciência das Letícias ( Nádia Lapa e da Madrasta do texto ruim pra desconstruí-lo. Eu como sou má, reproduzo-o para diversão e registro. Aliás os colunistas […]

  7. Leo comentou:

    Nao acho que foi a melhor leitura que ja fiz, sobre o texto da veja, mais tambem acho que estao querendo criar coisas que nao existem! Afinal, vc esquece, que ser negro nao é uma escokha de vida, ser gay ou hetero sim!

  8. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Se gay ou hétero é uma escolha, Leo? #cejura? Então, a pessoa acorda um belo diz e diz: “que lindo dia, que lindo dia, hoje resolvi ser gay!”

    Leo, aperta o F5. E vá correndo fazer um curso de interpretação de textos, porque você não entendeu a mensagem do meu post: mantidos os argumentos e trocados os objetos da argumentação, ficou provado que o texto é preconceituoso.

  9. anne moraes comentou:

    EM primeiro LUGAR REVISTA VEJA É HOMOSSEXUALIDADE É NÃO HOMOSSEXUALISMO AFF

  10. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Anne, eu acho essa discussão em torno da palavra inócua. Homossexualismo se agarrou nessa pecha de preconceituosa porque foi a expressão usada para se referir a um FENÔMENO SEXUAL que, então, ERA TIDO COMO DOENÇA. Poderia se chamar Maria Bizantina Escatamáquia Pinto. O fato é que a expressão homossexualismo, por mais que incomode à comunidade LGBT (e eu entendo e respeito isso) não deve sofrer todo o ônus de um preconceito que já foi superado pela OMS.

  11. Ale comentou:

    Olha Madrasta do texto ruim, se você mesma afirma no seu comentário que se fosse algo mais sério teria tomado mais cuidado, não posso considerar o seu text nem seu argumentos. Se você não leva isso a sério, não deveria ficar criando polêmica onde não existe. E concordo com muitas coisas que o José Roberto Guzzo falou! O preconceito, racismo e homofobia está muito mais nas pessoas negras, gays e simpatizantes do que nos outros.

  12. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Alezinha ,
    Em primeiro lugar, vá procurar urgente um curso de interpretação de textos. O que eu disse foi que o texto não merecia grande atenção ou esforço. Se você não entendeu isso, volte à primeira frase da minha resposta.
    Em segundo lugar, se você não considera nem meu texto nem meus argumentos, TÁ FAZENDO O QUÊ COMENTANDO O POST? COERÊNCIA SAIU PRO CAFEZINHO, É?
    Em terceiro lugar, polêmica é uma palavrinha escrota usada por quem não entende de sinonímia
    Em quarto lugar, se você acha que não existe quiproquó (= sinônimo 1 de polêmica), vá perguntar a um gay como é legal ser considerado cidadão de segunda categoria.
    Em quinto lugar, se você concorda com o texto DE MERDA do Guzzo, você veio ao lugar errado pra lamber botas de preconceituosos.
    Em sexto lugar, se você acha que o preconceito existe na cabeça de gays e negros, recomendo-lhe fortemente um tratamento psiquiátrico. Diga ao médico que você sofre de síndrome de negação da verdade.
    Em sétimo lugar, continuo sem entender o que a trouxe até meu site e a fez comentar neste post.

  13. Manuela comentou:

    Leo, você é gay? Se não, como pode saber que ser gay é uma escolha?

  14. Nada Errado | Meio Espinafre, Meio Cabra comentou:

    […] HOMOFOBIA por RACISMO. Como sei que não terá tempo para tal exercício, já que é tão ocupado, envio-lhe o link onde uma pessoa que tem tempo suficiente para experienciar o mundo real já fez todo o trabalho […]

  15. 07 leituras sobre o caso “Veja” e as cabras « .:BABADO CERTO:. comentou:

    […] 7. “A Essência do preconceito 2 – a missão”, por Madrasta Má do Texto Ruim. […]

  16. Ale comentou:

    Realmente, vim ao lugar errado. Pensava que a partir do momento que posto algo público na internet qualquer um pode dar sua opinião a respeito e discutir sobre, numa boa. Mas já vi que aqui não é o lugar.
    Cheguei até seu site porque estava lendo a respeito do assunto, para ver as opiniões das pessoas e até demonstrar a minha. E não disse que concodo completamente com o texto do Guzzo, mas sim com algumas partes dele. Realmente acredito que o precoceito e racismo está muito mais na cabeça de algumas dessas pessoas, inclusive convivendo com essas pessoas pude constatar isso. E muito homossexuais que conheço não são tratados como cidadão de segunda categoria, tem um tratamento como o dos outros.
    E a parte de interpretação de texto você está precisando mais do que eu. E um pouco de respeito também não faria mal.

  17. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Mas que linda!!! Primeiro ela diz que a minha opinião é desconsiderável, agora ela quer respeito….

    Mnha filha, vá se tratar, vá…. Gente que diz “o preconceito são os outros” precisa realmente rever os conceitos de respeito!

  18. Luiz Prata comentou:

    Uma excelente desconstrução do texto sem-noção (a rima foi acidental) publicado na Veja. Quando eu já achava que a revista tinha chegado ao nível mais baixo possível, eis que desce ainda mais.
    Felizmente, você e outros como a Lola e o Jean Wyllys demonstraram a falta de noção da criatura homofóbica.

  19. Liz comentou:

    No original: [os gays] “Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco” Ah, tá, então quer dizer que um casal hétero que não pode ter filhos também não é uma família nem possui um casamento?

    @Leo considerando que vc seja hétero, então isso foi uma escolha? Quer dizer, hoje à noite vc pode muito bem escolher “cantar no microfone” sem problema algum? E amanhã, vc pode escolher engatar uma relação estável com o cara de hoje à noite, numa boa? Se a sua resposta é “não”, então não é uma escolha. E se não é uma escolha p/ vc, não é uma escolha p/ ninguém

    @Ale no momento em que uma parcela da população não tem direito a qualquer coisa que seja, essa parcela é tida como cidadão de 2ª classe. Se aos homossexuais é negado, por exemplo, o direito ao casamento civil (ao contrário dos heterossexuais, que podem casar o quanto quiserem), então os homossexuais são tratados, sim, como cidadãos de 2ª classe, ainda que paguem os mesmos impostos e que tenham os mesmos deveres que os héteros. Se os homossexuais que vc conhece não podem se casar civilmente ou não podem doar sangue pelo único motivo de serem homossexuais, então, sinto dizer, eles são tratados como cidadãos de segunda categoria, mesmo que vc se recuse a enxergar isso

    @Madrasta Muito boa a sua troca, dá p/ perceber perfeitamente o preconceito (mal) velado da Veja

  20. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Obrigada, Liz!
    \o/

  21. kiko comentou:

    Idiota sem noção é o que você é. Então agora resolveu comparar negro com gay? Inventa uma outra forma de defender a tua causa.
    A própria natureza já se encarregou de fazer isso. Os seres humanos, para citar só estes, são naturalmente heterossexuais, como forma de garantir a continuidade da espécie através do ato sexual. Os homossexuais são as exceções que confirmam a regra. Isso não quer dizer que não devem ser respeitados como seres humanos. No entanto, não me parece que ser negro é uma exceção, portanto não podes comparar o incomparável. Seria o mesmo que dizer que os seres humanos são brancos e que de vez em quando nasce um negro no seio dos casais brancos.
    Ah, alguns homossexuais costumam recorrer à violência, física e/ou verbal, quando vêm frustradas as suas tentativas de assédio.
    Já passei por isso, apesar de nunca ter desrespeitado nenhum gay,portanto esteja à vontade, porque o que eu li no texto da veja não tem nada de preconceituoso.

  22. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Kiko,

    aprochegue-se e fique à vontade! Ali à direita tem alfafa, pode se servir, está lá justamente pra você! O veterinário já me avisou que você vai achar a alfafa bem saborosa!
    Mas por favor, evite coices ou fazer cocô no chão! Isso sim pode ser mais incômodo do que sua falta de raciocínio!

  23. Sá Silva comentou:

    Boa tarde,

    Li o texto publicado sobre o tema acima, e realmente concordo que não precise criar mais leis, pois já temos leis demais para não serem cumpridas. Precisamos sim, cumprir as que já exitem, se cada um ler seus direitos e deveres na constituição do Brasil, não precisariam dessa discussão, para saber quem está certo ou errado.
    Tanto negros ou homossexuais já estão amparados para qualquer discriminação que possa vir a sofrer. Não é distorcendo um texto que vai mudar alguma coisa, o que muda são minhas ações, se cada um fizer a sua parte, viveremos sim num mundo melhor, num Brasil melhor. E sinceramente, não li nada ofensivo do Guzzo.

  24. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Sá Silva,

    Se os homossexuais estivessem de fato bem amparados por leis, eles estariam de boca fechada.
    é muito fácil criticar um grupo sem se colocar no lugar deles.
    O texto não foi distorcido de forma alguma. Ele teve apenas palavras substituídas. E tais substituições foram devidamente indicadas e destacadas para que ficassem bem evidentes, e o leitor fosse capaz de perceber como a troca de expressões não alteoru em nada o teor do texto.
    Isso, claro, se o leiutor for capaz de fazer interpretação de texto de forma racional – o que não é o caso de pessoas que leem o texto original da Veja e declaram “não li nada ofensivo do Guzzo”.

  25. Fabrício comentou:

    Entendi sua intenção ao substituir homossexual por negro,mas substituir é uma coisa,mas substituir e riscar partes do texto ai pra mim já gera manipulação em favor de algum interesse,a mesma acusação (entre varias) por sinal a que foram direcionadas ao autor do texto original.

  26. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Fabricio,

    risquei porque essas partes citavam coisas factuais. Mas não cortei fora do texto justamente para não “manipular”. O texto tá lá, todinho… A parte riscada é possível de ser lida, você só “desconsidera” se quiser….

  27. Platycerium comentou:

    Madrasta do Texto Ruim,

    Assim fica difícil manter os comentários. É compreensível que você aceite apenas a opinião dos que concordam com a sua visão, mas insinuar que quem discorde da mesma é um equino, tira toda credibilidade de seus argumentos, pois assim você está saindo do plano racional e entrando no emocional. Sugiro que caso não aceite as respostas contrárias, argumente em que pontos elas são falhas. Isso daria mais fluência aos comentários e uma boa leitura a quem está na sua página.

  28. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Platycerium,

    argumentações racionais e ponderadas têm um público-alvo específico: pessoas com discernimento suficiente para ponderações e argumentações.

    sujeitos que abrem um comentário com “você é idiota sem noção” têm mais é que comer alfafa, mesmo…

    Abraços e volte sempre!

  29. Liz comentou:

    @Fabricio eu acho que o risco foi exatamente p/ não manipular o texto. Os trechos riscados não fazem sentido quando se fala de negros, pois são fatos diretamente ligados aos homossexuais. Para que esses trechos fizessem sentido deveriam ser substancialmente modificados (ou mesmo retirados inteiramente) e, para mim, isso é que seria manipulação.

    @Kiko eu acho que o principal motivo da troca gay/negro não ficou muito claro para você. O que a Madrasta fez não foi uma comparação direta ente gays e negros, mas uma clara (e mera) substituição de termos para tornar o preconceito mais latente e, assim, mais fácil de ser identificado.

    Na minha opinião, foi uma maneira bastante inteligente de trazer para a superfície o preconceito contra homossexuais que o JR Guzzo covardemente tentou esconder citando os casos de Wilde e Trenet e com o blá-blá-blá do penúltimo parágrafo.

    Como é muito mais fácil identificar racismo do que homofobia, quando você lê trechos como “Pessoas de duas raças diferentes podem viver livremente como casais (…). Mas a sua ligação não é um casamento” [no trecho modificado] fica patente o preconceito do Guzzo contra os homossexuais. É muito mais fácil defender, de forma velada, o preconceito contra homossexuais – como fez o Guzzo – do que fazê-lo contra negros. Por isso a troca, para mostrar de modo cristalino que o texto é preconceituoso, sim, e não mera opinião inocente, como o autor quer fazer crer

    Ao trocar o termo “homossexual” pelo termo “negro” e afins, a Madrasta mostrou que preconceito é preconceito, e ponto final.

    Cara, homossexuais recorrendo à violência, física e/ou verbal quando vêm frustradas as suas tentativas de assédio eu nunca vi. Já heterossexual que ameaça/xinga porque recebeu um “não”, que tenta beijar à força ou que se junta em grupos para intimidar os outros eu já vi, e aos montes, diga-se de passagem.

    Ah, e outra coisa, aquilo que você chamou de “sua causa” (se referindo à Madrasta), é, para mim, a causa de qualquer pessoa civilizada. Porque, quando pai e filho são covardemente espancados na rua por uma bando de selvagens idiotas que achou que eles eram namorados só porque estavam abraçados (como de fato aconteceu na minha cidade) a causa “dela” se torna a minha causa. Porque eu não sou selvagem e me recuso a conviver com as bestas

  30. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Liz, sua linda,

    Considere-se oficialmente contratada como monitora do blog para causas perdidas! \o/ ♥♥♥

    Salário: um “muito obrigada” a ser pago após cada inttervenção!

    Seja bem-vinda ao seu novo emprego!

    Abraços,
    Bruxa

    (ah! E “muito obrigada”! 😀 )

  31. Mê Carvalho comentou:

    ” Leo comentou:
    novembro 12th, 2012 at 3:45 PM

    Nao acho que foi a melhor leitura que ja fiz, sobre o texto da veja, mais tambem acho que estao querendo criar coisas que nao existem! Afinal, vc esquece, que ser negro nao é uma escokha de vida, ser gay ou hetero sim!”

    Como assim uma escolha? Eu sou lesbica e te digo que ser homossexual não é escolha, eu não escolhi sofrer preconceito pela minha orientação sexual. Que tipo de pessoa escolhe não poder abraçar, beijar a pessoa que ama na rua por medo dos outros reprovarem? Que pessoa escolhe não poder se abrir com os pais sobre o que sente pois eles não vão aceitar que o(a) filho(a) seja homossexual? Quem escolhe ser tratado como promiscuo, impedido de doar sangue, não conseguir vagas em empregos, ser discriminado na escola e outras coisas assim? Voce realmente acha que se pudessemos escolher nossa orientação sexual nos escolheriamos o que é mais dificil? Voce não sabe o que é chorar por que não pode mudar quem voce é… É uma vida muito dificil até que voce aprenda a se aceitar…

  32. Liz comentou:

    Incumbência aceita de bom grado, dona Bruxa! Amei meu salário 😀

    Pois é, Mê, eu juro que não entendo quem acha que ser gay/lésbica é opção. Tem gente que simplesmente não entende que nenhuma pessoa normal, em sã consciência, escolheria o caminho mais difícil. Tem uma frase do Churchill que eu gosto muito, e sempre que atravesso algum período mais tenebroso eu penso nela: “If you are going through hell, keep going.” (tradução porca: se você está atravessando o inferno, não pare)

  33. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Muito obrigada, Liz!

    (Declaro para os devidos fins que recebi a remuneração combinada Ass.: ______)

    Assina aí em cima, Liz? Valeu! 😀 ↑

  34. Carol comentou:

    Madrasta do Texto ruim,

    Gostei muito da “releitura” (usei esse termo pois não achei um melhor no momento) sobre o texto da Veja, pena que algumas pessoas não conseguiram entender a mensagem, tendo em vista que a substituição das palavras foram justamente para facilitar a compreensão do preconceito escondido no texto, mas enfim.
    Não consigo entender que em pleno seculo XXI ainda existam jornalistas que tenham coragem de publicar um texto assim, mas tomando em conta as manipulações midiáticas que existem no Brasil, acaba que não me surpreende.
    Quanto aos que dizem que o preconceito está naqueles que buscam seus direitos e que “se separam” no momento em que bate no peito dizendo “sou homossexual”, ou “sou negro”, ou “sou mulher”, de fato, não compreendem que historicamente falando, foi por causa dessa divergência que eles conseguiram o pouco de direito (pois na minha opinião é pouco, por que a pessoa não ter nem direito de se casar com quem quiser é algo complicado) que eles tem.
    E se um homossexual também agride outra pessoa, é por que ele é um ser humano com sentimentos e sangue nas veias. Afinal, se alguém te agride verbalmente ou fisicamente, você não vai ficar tranquilo e não fazer nada, INDEPENDENTE de credo, cor ou sexualidade. A diferença é que se isso ocorre com um homem branco heterossexual ele estava em todos os seus direitos por lei de se defender, enquanto um gay pode ser visto por alguns como merecedor da agressão simplesmente por ser homossexual.
    As vezes penso que pesquisas sociais com experimentações humanas são totalmente plausíveis para avaliar esse tipo de comportamento, assim como foi a experiencia de uma psicologa norte americana que quis demonstrar o quanto era ridículo o preconceito por algo genético, como é o caso do racismo, já que a pele negra não é nada mais do que um número maior de melanina do que a pele branca. Ela pegou pessoas de olhos claros, colocou em uma salinha e falou para que os outros as tratassem como inferiores por conta da cor dos olhos. No final do dia todas aquelas pessoas se sentiram humilhadas e sem entender por que eram chamadas de burras e algumas começaram a acreditar naquilo.
    E a explicação que foi dada para aquelas pessoas foram “comprovações cientificas” de que pessoas de olhos claros sofrem danos cerebrais, que afetam a inteligencia, por que tem menos melanina nos olhos, logo menos proteção contra os raios solares. Ridículo não? Mas serviu pra mostrar o quanto a ideia de que a cor de pele faz diferença era ridícula também.
    Mas parando com os rodeios, acho que seria lindo se pegassem um grupo de heterossexuais, fechassem o grupo numa sociedade de homossexuais e os agredissem ou não os deixassem doar sangue, ou se casar (embora fosse demorar demais), mas que enfim, os descriminassem. E quando lhes fossem explicados o porque diriam apena que é porque eles gostam de pessoas do sexo oposto, e que isso é absurdo e nojento. Aí eu queria ver se alguém diria que foi escolha ou se não iriam começar a negar a si mesmo para fazer parte dessa outra sociedade.
    Uma ideia utópica e um tanto cruel, mas daria uma melhor ideia do que os homossexuais passam.

    Mas mais uma vez parabéns pelo texto! Adorei o blog!

  35. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Olá, Carol!

    Antes de mais nada, adoro pessoas verborrágicas como você! Isso faz com que eu me sinta menos sozinha no mundo, sabe? 😉

    no mais, superobrigada pela visita, pela leitura, pelo comentário, e pelos elogios.

    aproveite que você está aqui, aprochegue-se e aceite um bolinho de fubá com café que eu acabei de passar! 😀

    Bjocas da
    Bruxa

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