Sobre as categorias

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Resolvi brincar um pouquinho aqui com as catiguria que inventei para o blog. Por isso, não custa partilhar um pouco dessa brincadeira com vocês, né? Sei que incorro o risco de ser classificada na última catiguria, mas vou arriscar. Vamos lá:

•Ah, ssessorias… – Assessoria de imprensa é uma coisa muito difícil de definir. Se, por um lado, existem várias empresas que oferecem esse tipo de serviço com bom gosto, classe e profissionalismo, tem também aquelas que escrevem no cartão de apresentação acessoria ou asseçoria. E ainda por cima te enviam seus “relizes” (que perde de relinche por algumas letras de diferença). Imagine o texto que elas produzem… OK, não precisa! Aqui, você vai encontrar essas pérolas.

•Ah, os publicitários – Pensa que é só assessoria que escreve bosta? Claaaaaro que não! E, no caso do texto publicitário, tem-se um agravante: para que aquele texto viesse a público, pelo menos umas quatro amebas gostaram dele: uma pensou nele, outra aprovou dentro da agência e pelo menos dois representantes do queridocliente aprovaram a genialidade (cof, cof).

•Aprenda, estúpido! – Volta às aulas de português da tia Maricota.

•Assaltaram a gramática / Assassinaram a lógica – Lembram daquela música do primeiro álbum dos Paralamas, na época em que eles ainda usavam o “do Sucesso”? Assaltaram a gramática, Assassinaram a lógica, Meteram poesia na bagunça do dia-a-dia; Sequestraram a fonética, Violentaram a métrica, Meteram poesia onde devia e não devia (…). E pensar que essa letra foi escrita na década de 1980… está tão atual, coitada…

•Bons exemplos – Textos de gente boa: Drummond, Verissimo…

•Conjunto da obra – Certos textos não se classificam simplesmente pela falta de lógica, ou pelo assassinato da gramática. Eles juntam tanta bosta em forma de palavra que merecem a alcunha conjunto da obra. Não à toa, meu pai adora confundir essa palavra com a expressão cu-junto.

•Ectoplasma suíno – Os ectoplasmas suínos, ou espíritos de porco, são seres desencantados com os textos que são obrigados a ler no trabalho, e resolvem enviar esses textos para esta bruxa malvada e venenosa, que quebra o encanto de “faça-se bosta!” que os textos receberam quando saíram dos neurônios das amebas escreventes…

•Hortografia pobremática – Não é objetivo deste blog apontar errinhos de revisão que vira e mexe ocorrem, por causa da digitação rápida ou mesmo frutos da proximidade de dois botões de caracteres no teclado. Mas tem horas em que você fica pensando se a ameba escrevente algum dia fez ditado em sua vida… são os momentos em que a ortografia, de tão problemática, torna-se caso de polícia. (E pelamordedeus, ameba escrevente: o correto é “ortografia problemática”! Entenda a ironia!)

•Jura que é isso o que você quis dizer? -Outras redações são tão empoladas que, no ponto final, disseram outra coisa completamente diferente das intenções do autor. Não custa checar, né?

•Macaquices – Sabe aquele texto que resolve ter um insight bem no meio do core-business? A besta não se dá ao trabalho de botar mais meio neurônio pra funcionar, e buscar uma expressão em língua portuguesa, daí chapuleta no meio dos caracteres esse bando de palavras estrangeiras. Há quem chame isso de anglicismo. Eu prefiro chamar de macaquice pura!

•Mamãe, eu sei escrever – Tem texto que você jura que ninguém vai elogiar. Nem mesmo a mãe do cara que escreveu. Por isso, se o autor não avisar à mãe que foi ele ou ela quem escreveu, nem a progenitora elogia a produção. (Mas o autor invariavelmente se orgulha bagaraio de seu “rebento”).

Poções de morfologia – sob esta categoria ficarão os textos produzidos para a disciplina de Morfologia do curso de Letras da UnB.

•Rolando o lero – Neguinho fala, fala, fala, fala e não diz porra nenhuma: Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade diferenciada, a empresa tal, sempre inovando, resolveu disponibilizar um novo produto ao mercado, para atender as necessidades básicas de cada cliente. Lembra aquele personagem do programa humorístico que se passa(va) numa sala de aula. Ah, não! Aquele aluno tinha muito mais lábia pra compor um texto do que as amebas que o fazem no dia-a-dia das empresas, cáspita! Retiro o que disse!

Tio Antônio falou – Aqui eu cito os verbetes de Tio Antônio </Houaiss>.

•Traz a bula, por favor – Bula é aquele papelzinho que vem encartado junto com os remédios que compramos nas farmácias. Explica qual ou quais são os compostos ativos do remédio, suas aplicações, indicações, contra-indicações e efeitos colaterais. . Sua função é explicar, por uma questão de segurança e saúde pública, o que a princípio não precisaria ser explicado, já que médicos sabem (ou deveriam saber) aquilo tudo de cor. Daí que certa feita, eu era estagiária de uma empresa financeira. O cara que me orientava no estágio (?!?!?!!?) me pediu a ajuda para formatar em Word uma pesquisa salarial. Um documento que seria distribuído aos membros dos departamentos de Recursos Humanos das empresas concorrentes para ser preenchido. Algo corriqueiro no meio deles. Mas tinha trechos lá que estavam sem pé nem cabeça. Eu sugeri que se mudasse a redação desses trechos, para que ficasse mais claro. Argumento da ameba: “Não, não será necessário. Eu vou levar esse questionário e vou explicar pessoalmente a cada um que vai preencher o que eu quero dizer com isso.” E eu, ato pronto, não resisti: “Ah, você vai ser a bula do seu próprio texto, né?” Ele não entendeu a estocada, coitado. Mas em homenagem a ele (que, além de escrever mal, era feio, baixinho, careca e reacionário), eu resolvi batizar essa “catiguria“.

• ___ aulas de jornalismo para a ___ imprensa – É uma catiguria totalmente inovadora, sabe? Porque ela é interativa. As lacunas você preenche a seu gosto e critério, com os adjetivos grande pequeno, devidamente concordados em gênero e número. Se você preferir, pode ser Pequenas aulas de jornalismo para a grande imprensa. Ou pode se tornar Grandes aulas de jornalismo para a pequena imprensa. E para me manter na promessa de que este caldeirão será politicamente isento, eu me comprometo a manter o contexto de crítica que a notícia original tentou imputar a assunto.

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