Arquivo pela categoria 'Ah, os publicitários…'

E o ânus sempre acaba (mal) usado, coitado…

terça-feira, outubro 30th, 2012
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Vergonha alheia. Mau gosto alheio. Falta de noção alheia. Tudo alheio. Inclusive a boa imagem do queridocliente. [suspiro]

Vou republicar este post de 2009. Só pra atualização.

Primeiro, fiquemos com o texto original de 2009:

 

Isto chegou-me no Twitter via Flávia Durante.

Não me canso de dizer aqui que amebice publicitária é sempre obra coletiva. O primeiro jênio tem a ideia, daí vem outro pra executar, outro pra apresentar ao queridocliente e duas ou três amebas-cliente para aprovarem a bagaça. Formação de quadrilha, portanto.

Não sei se  é o caso de compadecimento ou de vergonha alheia das amebas que inventaram essa coisa em forma de publicidade. Aliás, me digam se o queridocliente pagou para ter uma imagem positiva ou negativa nesse reclame(/expressãovelha), porque nem isso ficou claro. O que ficou claro, aliás, claríssimo, nessa obra, foi o palavrão. Que não seria de bom tom nem se a peça em questão tivesse como público-alvo a parada gay. Como se homossexual gostasse de agressão gratuita e de palavras de baixo calão só por ser homossexual…

[suspiro…]

E agora, a atualização tonitruante, com igual probleminha de separação inadequada de palavras, via João Márcio no Faceboook:

 

Conclusão:

Berra a cabra, berra o bode, sempre acaba sobrando para a região retrofuricular, como diriam os cassetas…

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Acuma?

segunda-feira, outubro 22nd, 2012
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Nessas horas só repetindo Didi Mocó, viu?

Olha aqui o que encontrei Facebook afora. Descrição de uma empresa:

 

Empresa oferece soluções inteligentes para a tomada de decisões na gestão de negócios e disponibiliza informações relevantes com dados atualizados que auxiliem na otimização dos resultados de negócios.

Não é vegetal, não é mineral, não é animal. É informática. Mas não sei se isso faz bem ou mal.

Também não sei se com essa descrição estapafúrdia consegue vender o borogodó dela.

Alguém tem ideia do que seja isso? (Eu chuto Data Warehouse. Um trem que poucos conseguem dizer pra que serve. Pior que o mineirinho da piada – quemcossô? oncotô? Proncovô?)

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Disfunção erétil + falta de noção = duplo sentido idiota

sexta-feira, abril 23rd, 2010
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PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

PORRA, SBU! PORRA, PORRA, PORRA!!

Se tem uma raça que tem que entender direitinho o que, por que e, principalmente, como falar com seu público-alvo, essa raça é a dos urologistas (aqueles médicos que cuidam do… er… daquele órgão masculino que tem por hábito erigir-se). Urologistas e proctologistas (aqueles que cuidam do… er… lá de trás!). O público-alvo dos urologistas é preconceituoso, descuidado, desligado e foge desses médicos mais do que o diabo foge da cruz.

Então, toda comunicação dos urologistas com a sociedade tem que ser pensada direitinho. Há que se medir as palavras usadas para, principalmente, evitar o duplo sentido na frase – ou, pelo menos, amenizar esse duplo sentido. E, se o duplo sentido é inevitável, que ele seja trabalhado de forma a conquistar o público-alvo, e não afastá-lo, certo?

Daí vem a Sociedade Brasileira de Urologia e me lança esta campanha aqui, com o lema:

Não vire as costas para a disfunção erétil

Não percam o vídeo da campanha neste link aqui.

Sério mesmo que a SBU tá dizendo que homem brocha não deve ir ao proctologista? Tá, eu sei que não é isso que está escrito aí em cima, mas é isso que dá a entender a frase!!! Ora, carambolas e palafitas, esse troço daí de cima foi pensado por um publicitário, que deveria ter previsto essa dupla interpretação!!!

Aí vocês por favor me digam o que a SBU tá querendo dizer com isso, hein? O que a SBU quer com essa campanha? Atrair pacientes? A campanha diz, em outras palavras “Homem, se você brochou, não vire as costas que pode ser pior!” e ELES QUEREM ATRAIR PACIENTES?!?!?!?!

Que moral a SBU tem pra falar em conscientização da população, se não tem consciência do duplo sentido sem noção do lema da campanha?!?!?!?!

Eu me sinto tentada a arriscar um trocadilho com dedos, mas vou me abster. Deixo a SBU sozinha na tarefa de afastar pacientes dos consultórios.

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A criatividade dos escribas brasileiros

terça-feira, abril 20th, 2010
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Copiado e colado da coluna de hoje da Monica Bergamo, aqui (só pra assinantes, mas não lamente, lembre-se que é a Folha de SPaulo…):

O CRIATIVO
O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.
O CRIATIVO 2
A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

O CRIATIVO

O slogan “o Brasil pode mais”, repetido por José Serra (PSDB-SP) em suas últimas aparições públicas, foi usado por Geraldo Alckmin em 2006, quando ele perdeu a eleição presidencial para Lula. “O Brasil pode mais, porque você pode mais”, disse Alckmin no penúltimo programa eleitoral de sua campanha na TV. O marqueteiro dos dois é Luiz Gonzalez.

O CRIATIVO 2

A incrível coincidência já tinha sido identificada em outro slogan, usado na eleição que escolheu os dirigentes do Santos F.C., no ano passado. “O Santos pode mais” era o slogan da chapa vencedora -da qual fazia parte Fábio Gonzalez, irmão do marqueteiro dos tucanos.

Me lembrou de três coisinhas:

1- Uma agência de publicidade que existia em priscas eras da Internet, a Plus Comunicação. O site deles (putz, não abre mais, que pena!) era um mafuá multimídia, tinha um olho (globo ocular, bem entendido!) que olhava pra tudo quanto era canto, pra cima, pra baixo e pros lados, e, ao fundo (juro por Deus! Eu vi e ouvi isso!!!) o arquivo midi de Missão Impossível tocando sem parar – e sem um botão de calabocapelamordedeus no site!) Justiça seja feita, a Plus Comunicação foi a pioneira no (mau) uso da palavra diferencial. Usava em T-U-D-O quanto era canto. Pra T-U-D-O quanto era cliente. Tenho cá pra mim que os irmãos Gonzalez Y Gonzalez trabalharam nessa agência de comunicação. Daí a reciclabilidade de seus slogans, né?

2- uma notinha lida Internet afora (acho que foi no Blue Bus, mas não encontrei nenhum link que me comprovasse a memória) sobre a concorrência que o IBGE fez para contratar uma agência de publicidade para divulgar seu trabalho etc. e tal, e quase todas as concorrentes fizeram algum trocadilho com o verbo contar para o slogan. algo como: “IBGE, conte com a gente!”

Eu sou a primeira a defender trocadilhos. Acho que um trocadilho calado pode fazer muito mal à pessoa, pois ele vira toxina. O negócio é falar logo e botar o trocadilho pra fora antes que ele te contamine. Mas também não é pra levar o trocadilho a sério, né, gente?

3- O Paulo Henrique Amorim comentou no site dele já ter trabalhado com um revisor (foi no Jornal do Brasil, Paulo Henrique?) que recomendava cautela ou até mesmo que se evitasse o uso da palavra poder, porque ‘o poder pode tudo’.* Aí vem o PSDB e… deixa prá lá.

Tudo isso pra dizer que eu ainda espero um mínimo de criatividade (da sinceridade já abri mão de há muito!) nessa campanha eleitoral que já se vislumbra ao horizonte….

* Pra quem não entendeu: no início do século passado, o fonema da letra F era produzido pelas letras “PH” (como em pharmacia). Agora, imaginem o poder com PH. Então, preciso desenhar ou tá de boa?
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Interpretando textos com a Madrasta do Texto Ruim – um olhar realista para destacar as entrelinhas

quarta-feira, abril 14th, 2010
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O título daí de cima é pra ser lido com sarcasmo, fazfavô. Porque eu jamais, em sã consciência, começaria um título com um gerúndio, muito menos lançaria mão da expressão um olhar assim assado. Além de sarcasmo, o título acima ainda contém 3 taças de vinho. Favor dar o desconto.

Mas não tô aqui pra justificar meus títulos. Vim para ajudar meus diletos leitores a lerem as entrelinhas dos textos que lhes chegam às mãos. Outro dia mesmo tava aqui aprovando um comentário que falava de texto em entrelinhas.

Enfim. Marido recebeu uma dileta cartinha da TIM(ganei) junto com a conta do celular. A missiva é simpática e educada, mas contém uma série de informações que não foram ditas com todas as palavras. Escancará-las-ei, portanto:

Prezado cliente,

Visando a melhoria constante nos processos de atendimento a você, cliente TIM, estamos aprimorando os nossos sistemas de faturamento, responsáveis pela geração de sua conta.[Achamos por bem mexer no sistema que gera nossas cobranças]

Diante disso, a conta deste mês (Abril/2010) não contempla as chamadas locais e de longa distância. [deu um pau ferrado no sistema, a gente perdeu um monte de coisa, mas se Deus quiser o backup vai funcionar] Estas chamadas serão apresentadas na próxima conta com vencimento em maio/2010. [Até o mês que vem a coisa tem que voltar aos eixos, com a ajuda dos deuses]

ATENÇÃO: Caso exista utilização de chamadas locais excedentes ao seu pacote de minutos, realizadas no período de 1/3/2010 a 31/03/2010 (Período do vencimento de Abril/2010), ou chamadas de longa distância deste mesmo período, estas serão cobradas e apresentadas na conta do mês de maio/2010. [aparentemente, perdemos os registros de suas chamadas excedentes e/ou de Longa distância. Mas estamos rezando pra recuperar tudo, viu? Aguarde notícias mês que vem!]

Essa reprogramação está sendo feita em caráter excepcional, não causará a cobrança de encargos financeiros adicionais e respeita os prazos determinados pela Anatel (Agência nacional de Telecomunicações). [Tamos virando noites e noites pra resolver o quiproquó, o chefe não larga do nosso cangote, e a gente tem que consertar a bosta homérica o mais rápido possível. Inda bem que a Anatel entende que esse tipo de bosta acontece, né?]

Adicionalmente, o vencimento da sua conta deste mês será prorrogado e o pagamento poderá ser realizado até 22/04/2010, sem incidência de multa e juros. [Tamos quebrando o teu galho. Reze por nós!]

Atenciosamente,

TIM Brasil.

Eu ri muito ao ler esta carta. Espero ter compartilhado os motivos de meus risos com vocês. E vamos ver o que vai acontecer mês que vem!

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Frase do dia

segunda-feira, janeiro 18th, 2010
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É do Cardoso, mas acho que ele me empresta:

Se me dissessem que todo mundo em Auschwitz
usou a expressão
um novo conceito em,
eu ajudava a pagar a conta do gás

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Mais uma do pândego

quarta-feira, dezembro 2nd, 2009
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Comunicação, rádio, falar…

Senhor Gúgol Ed Sênsio leu tudim o que eu escrevi no meu último post (Quem não se comunica, se trumbica) e concluiu que o anunciante que mais combina comigo é… Nextel!

Tem como não amar?

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“Quem não se comunica, se trumbica”

terça-feira, dezembro 1st, 2009
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Por mais incomparáveis que seja, a rádio Saara dá de mil no boletim radiofônico da Price Waterhouse Coopers. e eu provo!

Por mais incomparáveis que sejam, a rádio Saara dá de mil no boletim radiofônico da Price Waterhouse Coopers. E eu provo!

Vou ousar comparar alhos com bugalhos neste texto. Espero que vocês compreendam o que eu quero dizer. Pra começar, já aviso que entendo perfeitamente que são duas realidades diferentes, de mundos diferentes, enfim, comunicações diferentes pensadas, feitas e executadas para públicos absurdamente diferentes. Mas ainda assim, se compararmos cada uma delas dentro de seu mundinho, veremos que uma é infinitamente mais eficaz que a outra.

Sim, crianças. Eu vou comparar o boletim de rádio da Price Waterhouse Coopers com a Rádio Saara, do Rio de Janeiro. O primeiro fala com a classe AAAAAAAA (insira quantos As você quiser aí). A segunda, com as classes C, D, E, F (…), W, X, Y e Z. Mas no quesito “vamos vender o peixe”, a banquinha da Saara é bem melhor, viu?

Explico: ouço toda manhã o ” Boletim Price Waterhouse Coopers” na Rádio Bandnews FM (na verdade, eu quero é ouvir o José Simão, mas o boletim da PWC é marromeno junto). É, junto com o jingle da Santil (Vamos cantar o jingle da Santil? é assim: ***-***, material elétrico é na Santil!”, repetido ad nauseum. Os asteriscos referem-se ao número do telefone dessa loja que eu ME RECUSO A FORNECEEEERRRRR!!!! AAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!), as duas coisas que muito me irritam na programação da rádio. Mas como isso é culpa do departamento comercial deles, e não do jornalismo, relevo.

O boletim PWC é um conjunto diário de erros que não compensam seu conteúdo. É um texto que, muitas vezes, não deveria nem ser lido com os olhos, quanto mais escutado. Ele é narrado por um conssultô que, invariavelmente, não tem voz para fazer locução, muito menos dicção para falar um texto no rádio.

Infelizmente, não tenho exemplos desses áudios disponíveis web afora. Mas o texto lido pela voz xôxa, com entonação zero e empolgação menos vinte, é mais ou menos assim:

As empresas qsprens fazer fusões e aqsções encontram um patamarfavrável nos próxmossmestres. é o que indicam estdos eftados pelasmprsas qstão diznvolvendo etc, etc, etc, etc…

Chato, enfadonho, irritante, praticamente moribundo. Não seduz a sua atenção e, se você por um acaso estiver prestando atenção, vai se irritar por não conseguir entender a dicção do sujeito. Em outras palavras: é um trabalho feito com quase nenhum profissionalismo.

Se fosse um troço bem feito, a PWC teria contratado um redator que transformaria o conjunto de abobrinhas consulto-econômicas em português falável mais um locutor decente que saberia dar a ênfase certa a cada palavra, de forma a melhorar a compreensão do texto. A redação do sinhô conssultô adquiriria um aspecto no mínimo mais interessante.

Mas eu até imagino o sujeitinho de terno e gravata impecáveis justificando o…. formato atual do boletim PWC, me dizendo que trata-se de um produto cost-effective. Que, em bom português, significa: ah, a gente paga um troquinho lá, e fica um troço qualquer feito de qualquer jeito (de qualquer jeito = sem profissionalismo). Parece que nunca ouviram os sábios conselhos do senhor Abelardo Barbosa, que dizia, lá no alvorecer (credo, que figura de estilo horrorooooooooooooosa!) início do século XX: Quem não se comunica, se trumbica.

Ponto parágrafo.

Daí, você vai ao Rio de Janeiro e resolve visitar o mafuá que é a região da Saara. Olha aí em cima na foto (que eu peguei aqui) que você vai entender o que eu estou falando. Trata-se de uma região repleta de lojas que vendem produtos a preços acessíveis (ou, como diria o sinhô conssultô, cost-effective…), sempre repletas de gente indo e vindo e voltando e, o que é pior ainda, parando no meio do caminho pra ver as promoções. Com gerúndio e tudo! O barulho é de ensandecer.

Mas na Saara, região que compreende as ruas da Alfândega, Senhor dos Passos, Conceição, Buenos Aires e adjacências, existem altos-falantes espalhados no alto por cima das cabeças dos transeuntes. Que só propagam comerciais locais.

(Pausa para os créditos. Baixei os comerciais abaixo lincados neste blog aqui, na categoria som das ruas).

E aí, como fazer para se destacar auditivamente nesse mafuá, e ainda falar diretamente com seu público-alvo?

Bom, se o que você quer é comprar cristais Svarowski, por exemplo, não pode perder este spot aqui. Ou este.

O spot da fulana que se veste feito um par de jarras é de doer na alma. Beira a Vergonha Alheia.

Os comerciais veiculados vendem ainda uniformes, meias, comida

Imagine, então, você a andar pelas ruas da Saara e ouvir uma cidadã berrar o quanto ela ama Svarowski, ou mesmo Lizinacio a anunciar o maravilhoso cardápio do Macedônia Grill. Sua atenção é conquistada, você entende tudo o que é dito (por mais horrorosa que seja a voz da locução) e, no mínimo, fica curioso pra conhecer a loja. Nem que seja pra ver a cara do cidadão que contratou um comercial desse naipe. E, se estiver de bom humor como eu, ainda cai na gargalhada ao ouvir que a moça quer uma canga indiana (desculpem, mas esse spot eu não encontrei).

E aí, quem vende melhor? O sinhô conssultô ou o pessoal da Rádio Saara?

Sabe quanto custa um comercial na rádio Saara? Clique aqui e descubra.  Sabe quanto custa uma consultoria da Price Waterhouse Coopers? Melhor nem saber… E então, quem se trumbicou?

E pelamordedeus, não me clique aí nos comentários pra me dizer que são produtos para públicos diferentes, por que EU-SEI-DISSO! Comecei esse texto falando justamente isso! E eu ainda ressalvei que, guardadas as respectivas diferenças de públicos, um se comunica bem melhor com seu alvo do que o outro… (entendeu ou preciso desenhar?)

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Orgulho da mamãe!

terça-feira, agosto 25th, 2009
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Definitivamente, não se fazem mais jornais como antigamente. Propaganda, então…

Tudo por causa do meu feiticeirinho. Como estou amamentando, abandonei estas deliciosas teclas do meu computador e me voltei totalmente pro meu filhote. Procuro amamentar um pouco na sala, pra não perder o contato com o mundo lá fora.

Daí que eu estou assistindo mais televisão ultimamente. Fosse em outra situação, esse comercial até teria passado batido. Mas não. Ele apareceu bem no meio da minha frente só pra me irritar! Ainda bem que o feiticeirinho já tinha mamado, viu?

Senão, vejamos: esse comercial fala sobre o quê? A diferença entre informação e conhecimento. OK, tudo bem.

E qual a diferença entre informação e conhecimento? Em uma frase, informação não vale nada, e conhecimento vale por toda uma vida. Certo? OK, fechado!

Argumento mais que justo, posto que informação se altera o tempo todo, é etérea. Se hoje Michael Jackson morreu, vai que amanhã era só um golpe de marketing, e aquela informação primeira sobre a morte do popstar perdeu todo o valor?

Aí, por favor, me digam: hoje em dia, onde está a informação e onde está o conhecimento?

Me corrijam se eu estiver errada, mas informação E conhecimento estão juntos na Internet, certo?

E a informação, aquela etérea, sozinha e isolada, ela está nos jornais de papel, né? Porque conhecimento passa looooonge das vetustas páginas impressas dos diários, né? Por favor, se eu estiver errada, me avisem! Desenhem, eu preciso entender!

Então, se minhas ponderações todas procedem, pelamordedeus, me expliquem por que O JORNAL O ESTADO DE SPAULO USA UM COMERCIAL DE UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMM MINUTOOOOOOOOOOOO PARA DETONAR  COM O PEIXE QUE ELE VENDE TODOS OS DIAS?!?!!?!?

Mas não posso reclamar, viu? Esse comercial cumpriu com uma função básica aqui em casa: depois de assiti-lo, meu feiticeirinho soltou um arroto daqueles de dar gosto e, ato pronto, veio um pum de cinco segundos de duração re-ple-to de mecônio! Meu filho tem quatro dias de vida e já se manifesta politicamente! Ah, ele terá um grande futuro de exorcização de amebas! Orgulho da mamãe!

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Ô, carma!

quinta-feira, agosto 13th, 2009
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Esse título aqui é só porque a bruxa-mãe e o marido estão falando de carmas e reencarnações. Mas eu tenho que compartilhar com vocês o meu carma.

Vocês são testemunhas de que eu tento fugir dessas coisas. Publiquei Manuel Bandeira, publiquei até Chico Bento. Mas não tem jeito. Meu carma é texto ruim. Essa coisa me persegue.

Quem me mandou essa foi o marido da minha amiga Letícia, o Fernando. Tá aqui.

Vejam parte da pérola. Imagine confiar a comunicação da sua corporação a essa… empresa. você vai ter todo um departamento de comunicassaum à sua disposissaum, né? Confiram:

O Marketing Digital é a melhor forma de obter resultados na internet e gerar lucros pra [eu adoro escrever pra. Este caldeirão está salpicado de pras. Mas o texto desse caldeirão é informal até dizer chega. Pensando bem, você diz chega! e o texto continua a ser informal. um texto oficial, de apresentação de uma empresa, tem que ter um mínimo de palavras engomadas. e pra não é uma palavra engomadinha. Pooooonto negativo!] sua empresa atraves [não satisfeitos em não acentuar o através, eles ainda usaram a preposição de forma feia.] da divulgação da sua marca [ante a iminência do ponto final, eu vaticino: masquebostadefrasezinhalugarcomum!]. A Empresa Tal é considerada uma das mais preparadas agencia [gaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh!!!! Fujam para as montanhaaaaaaaaaaassssss!!! Imagina se ela não fosse uma das mais preparadas agênciaS – e ainda por cima é do ramo!! DO ramo!! ai, que horror de lugar-comum!!!] do ramo, estamos iniciando [ela virou nós, assim, na base do pá-puf, né?] o segundo semestre e ja atingimos a topo [tenho muito medo dessa topo. Será que eles escalaram a Gisele Bündchen, e conseguiram ver o cocoruto dela? Ou teria sido a Anna Hickman? Acho que a Anna Hickman é mais alta que La Bündchen! ] das metas de nossas clientes.[é, deve ter sido isso mesmo. Os clientes deles são tudo mulher. E eles escalam a topo delas, pra verem o cocoruto. Então, vocês já viram qual é o público-alvo deles, né? Altas top models… – com trocadilho, por favor!]

Olha, eles bem não merecem, mas eu vou melhorar a bagaça:

O Marketing Digital é a melhor forma de se obterem resultados na internet e gerarem lucros para a sua empresa a partir da divulgação da sua marca. A Empresa Tal é considerada uma das mais preparadas agências do ramo. Mal começou o segundo semestre, e o topo das metas de nossos clientes já foi atingido.

Mas espere! Tem mais amebice! Vamos lá:

Qual a sua necessidade? [Não sei se acontece com vocês também, mas toda vez que eu leio em algum lugar que não-sei-quem “atende às suas necessidades”, eu imediatamente me lembro do Alfredo, do papel higiênico Neve. Taí um homem que atendia às necessidades das pessoas: o cabra está no banheiro, acabou de fazer cocô e recém-descobriu que não tem papel higiênico. Daí, ele grita: “Alfredoooo!”, e o Alfredo traz o papel higiênico que atende às necessidades do cabra. Mas aí já entramos no campo da implicância pura. Ainda assim, não gosto que alguém vire pra mim e me diga que vai atender às minhas necessidades. Das minhas necessidades cuido eu, oras! Que falta de cerimônia!]

A Empresa Tal desenvolve soluções baseadas em suas necessidades específicas [Papel higiênico com folha dupla, papel higiênico perfumado, papel higiênico com estampa de ursinho de pelúcia, papel higiênico com…] . Veja algumas das necessidades em que atuamos. [dinoooooooooovoooooo!!! De terceira do singular pra rimeira do plural! Eles são mágicos – de bosta!]

Cara, eu tô muito boazinha hoje… ‘bora melhorar mais esta bagaça!

Você precisa de quê? [ficou mais forte, né? De nada…]

A Empresa Tal vai desenvolver um trabalho especialmente voltado para você. Confira algumas de nossas especialidades. [ficou mais forte, né (dinovo)? De nada (dinovo)…]

Antes de tentarem o ramo do marketing (digital, analógico o que quer que seja), eles bem que podiam se especializar em português fluente, né?

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Pasto bom, sô!

terça-feira, julho 28th, 2009
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Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Como uma boa prosa no interior.

Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Como uma boa prosa no interior.

Texto de banco escrito para o queridocliente é tão ruim que, quando eu vejo um bom exemplo, chego até a me emocionar. Isso depois de conferir se eu estou delirando, claro.

O banco em questão tem uma considerável clientela no setor rural, e resolveu fazer um chameguinho com o queridocliente. Tá na home deles, que eu não vou lincar aqui porque, por mais emotiva que esteja, não vou gerar tráfego gratuito pra banqueiro. Mas o textinho acima é irretocável.

Começa com o porque junto no início da frase. Pooonto positivo! Ou milagre, sei lá.

Mas o texto deixa evidente que quem o escreveu não é ameba. Uma ameba autêntica teria colocado vírgula entre país e merece (quarta linha), para de vez assassinar a regra de que sujeito e predicado não se separam por vírgula em língua nenhuma do mundo. Não, não senhor: o texto acima foi escrito por um autêntico ectoplasma suíno! Ectoplasmas suínos deixam sua (boa) marca registrada por onde passam!

Embora seja meio longuinha, a primeira frase do segundo parágrafo tem ritmo, tem cadência. Tanto é que, mesmo sem a vírgula na quarta linha, você sabe que dá pra dar uma paradinha pra respirar ali mesmo. E o verbo merece, repetido na frase seguinte, reforça o ritmo e a cadência iniciados na frase anterior, e arremata a ideia do “vem cá, meu rei, que eu te dou um chamego”. E o que é melhor: não ficou piegas!

Como um cafezinho daqueles passados no coador, que regam as melhores prosas do interior.

Ai, eu estou ficando muito emotiva, viu? Mas a imagenzinha acima me prova que ainda existe esperança na humanidade!!

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Ah, moleque!

terça-feira, julho 14th, 2009
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Crases traquinas

Crases traquinas

A dica foi da Lele num pio Twitter afora. A foto acima traz o detalhe (detalhezinho bobo, fútil, sabe?) de um anúncio de página inteira dos chocolates Garoto, publicado na revista Veja desta semana. J-A-M-A-I-S que eu iria comprar revista Veja, ainda mais pra mostrar anúncio mal-redigido. Aproveitei que tinha um exemplar no consultório hoje  e tirei a foto.

OK, tia Maricota ensinou láááááááá no segundo grau: para saber se o a leva o famigerado acento grave (`), temos que conferir duas coisas:

1- Depois do a tem palavra feminina? OK e OK, respectivamente.

2- Se a palavra feminina em questão for substituída por uma palavra masculina, o a que vem antes dela vira ao? Bom, pra conferir vamos substituir paixão e razão por carvão e tropeção, só pra rimar:

Para os corações movidos a carvão: um delicioso chocolate.

Para os corações movidos a tropeção: um poderoso oxidante.

É, não deu. O a continuou intacto, sem chamar um mísero artiguinho o prum chopinho básico. Então, AS DUAS CRASES ESTÃO ERRADAS, CÁSPITAAAAAAAAAAAAAA!!!!!

Se o chocolate em questão faz bem ao coração, como afirma o anúncio, o texto que o introduz faz mal ao fígado e à Língua Portuguesa.

E ainda tem piada pronta: o nome do chocolate em questão é… TALENTO!!! Justamente o que faltou para a elaboração do anúncio (que, só de veiculação, custou mais de 200 merréis, como a Nádia informa aí nos comentários…)

Mas quem redigiu a tetéia (com acento) daí de cima? Ah, uma agenciazinha pequetitita de nada, uma tal de… W !!!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!!

Me preocupo demais com as amebas, viu? Nunca antes na história deste país (/Lizinacio) as amebas se proliferaram tanto e com tanta desenvoltura por terrenos outrora exclusivos dos ectoplasmas suínos…

Atualização das 12:30 – Vou copiar e responder aqui o comentário do Diego, porque a observação dele foi bem pertinente:

Pesquisei o uso de crase e encontrei isso:
Usa-se o acento grave sobre o “a” quando ele equivale a: “para a” , “na” , “pela” , “com a”…
No caso, o “a” não estaria no lugar do “pela”? Veja:
Para os corações movidos “pela” paixão: um delicioso chocolate.
Para os corações movidos “pela” razão: um poderoso antioxidante.

Diego, no caso a preposição a pode ser substituída apenas por outras preposições: ou com ou por, sem que qualquer artigo se intrometa. Movidos por paixão / movidos com emoção.

E explico o porquê:

As frases do anúncio dão a entender que os corações são movidos por paixões ou razões genéricas, sem maiores explicitações, assim como um carro é movido a gasolina ou a álcool. A adição de um artigo, no caso, pediria um complemento: movidos pela paixão DE VIVER, por exemplo. Nesse caso, a preposição a já não seria a mais indicada para complementar o verbo mover, e precisaria ser substituída pela combinação da preposição por + artigo (pelo, pela, pelos, pelas).

Essa é a nossa Língua Portuguesa: repleta de firulas que fazem uma diferença danada. E que o autor da peça daí de cima deveria saber, posto que lida diariamente com isso!

Obrigada pela sua observação. Espero que minha explicação tenha ficado bem clara. E volte sempre! 🙂

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Folheto bancário ou anúncio de ciclo menstrual?

sexta-feira, junho 26th, 2009
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A tripla camada de absorção impacta na funcionalidade da frequência menstrual do banco. Ou não?

A tripla camada de absorção impacta na funcionalidade da frequência menstrual do banco. Ou não?

Essa foto, no entanto, tem que entrar. Tá na penúltima página do folheto sobre canais de atendimento que peguei no meu banco. E certeza que tem dedo de agência de publicidade aí, certeza.

Um colega meu na faculdade de Jornalismo costumava dizer em tom de ironia: Ah, se você não consegue escrever direito, faz um desenhinho que ajuda na compreensão. Pois chegamos a um ponto tal de mediocridade que hoje em dia nem o desenhinho ajuda a esclarecer as coisas! Essa página daí de cima não sofre só de texto ruim, não. O desenho é pior ainda, mais confunde do que esclarece!

Fiquei cheia de dúvidas sobre a(s) mensagem(ns) contida(s) nessa página. Na verdade, fiquei a procurar propagandas subliminares. Sei lá, capitalistas que são todos eles, alguma marca de absorvente higiênico pode ter comprado espaço publicitário subliminar nesse folheto, pra influenciar as correntistas que estão naqueles dias…

O título da página é: Use o Banco Tal sem perder seu tempo. Uai, será um absorvente que se troca sozinho, sem que a mulher-mocinha precise se preocupar com a quantidade de fluxo menstrual? A página começa a avisar: prefira ir à agência entre os dias 21 e 30. Tradução: não tem nem menstruação nem TPM, é isso? Trãnsito livre? Isso é um convite a atos que demandam maior libido, por assim dizer? Tem pornografia subliminar aí e eu não percebi?

Entre os dias 11 e 20, o bonequinho (ou indicador de quantidade de fluxo, o que você quiser entender) já é amarelo. E o texto é mais explícito pouquinha coisa: o fluxo é razoável. Corrão, porque não é seguro perambular pelas agências nesses dias! Só não entendi uma coisa: é menstruação ou TPM? Ou pior ainda: Será que o mesmo encontra-se parado por lá?

Daí, chega o dia primeiro do mês, e o bonequinho/indicador de fluxo menstrual é explícito: três gotas vermelhas!!! E o aviso: ganhe tempo, utilize os demais canais. Ah, assim não vale! Não entendi lhufas! É para fugir para as montanhas ou para procurar satisfazer suas necessidades por meio de outros… CANAIS?!?!?!?!!? Isso é um convite a relações sexuais alternativas ou eu é que estou variando das ideias????

E agora, o que eu faço? Jogo fora o folheto ou ligo pra Central de Relacionamento do meu banco, para sugerir que eles ofereçam o tal do folheto com amostras grátis de absorventes para fluxos moderados e intensos? Ou ainda, quem sabe, mando eles enfiarem esse folheto nos… demais canais?

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Obama e a mosca da Folha (ou Piada Pronta define)

quinta-feira, junho 18th, 2009
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[Este post aqui foi inspirado no post do Rodrigo Vianna, doravante denominado ectoplasma suíno por acidente… 😉 ]

É, esse post não tem muito a ver com texto ruim. Mas é obra de ectoplasma suíno. Seres assim são muito bem-vindos por aqui! 😉

Já disse aqui que muito me compadeço dos assessores de imprensa. Pois tal compaixão está migrando para a raça dos publicitários. Cara, se tem alguém que não pode ter uma ideia infeliz é um publicitário. Porque se isso acontecer, o produto do queridocliente é destruído a golpes de trocadilhos. Ou a golpes do destino, vai saber…

Foi mais ou menos o que aconteceu com a Folha de SPaulo. Sua agência, a África, do Nizan Guanaes, criou o tal do comercial da mosca que pousou na sopa do cara lá. Criar é um verbo meio forte, porque quem criou mesmo foi o Raul Seixas. A África (e a Folha, por tabela) se apropriaram da ideia e mandaram ver. E, na semana em que o tal do comercial inovador (cof, cof) foi lançado para angariar mais vítimas assinantes para o jornal, vem o seu Barack Obama e mata uma colhéga voadora em vídeo.

Não demorou muito para que um ectoplasma suíno juntasse os dois vídeos, o que deixou a situação (e o comercial) da Folha ainda mais ridícula(o). Confiram aí em cima…

(e que os deuses do Youtube sejam louvados, porque não fui eu quem escolhi a cara do Zé Simão pra se estampar no meu caldeirão, bem embaixo do título piada pronta define. Foi o Youtube quem fez isso sozinho. Se eu fiz isso por minha conta, por favor, me digam como foi porque eu não sei como isso aconteceu, juro…)

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De publicidades e gênios

terça-feira, maio 19th, 2009
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Este post é dedicado (/rádio brega) às amebas da facu que fizeram aquele comercial de bosta que tanto me irritou.

Poi zé. O comercial da facu me deixou mal. E irritada. Nessas horas, pra eu não ter ganas de esfolar tudo quanto é publicitário que se diz genial, eu começo a cantarolar esse jingle da Vasp aí de cima.

É uma excelente terapia contra a burrice e mediocridade reinantes no mundo atual. A música é deliciosa, gruda nas ouvidos de forma simpática, e ainda me traz lembranças deliciosas da infância (nessa época, eu ainda não voava de vassoura). Tão gostosas que, ao final da musiquinha, eu já estou com lágrimas (de emoção) nos olhos. Infelizmente, se algum comercial contemporâneo me trouxer lágrimas aos olhos, será de raiva e ódio. Maus tempos…

A letra desse jingle é simplesmente genial. Ou genialmente simples. Passa o recado, transmite uma aura de simpatia e de tranquilidade para um ato que não é tranquilo para todos os mortais: decolar e voar em um avião. Também, é covardia: ela foi composta pelo Théo de Barros, que foi simplesmente o parceiro do Geraldo Vandré em Disparada (ai, analfabeto! Não sabe do que estou falando? Joga no Google!).

Repare que quase todos os versos, quando cantados, ficam com sete sílabas, e como elas se encaixam de forma deliciosa na melodia. Coisa que o pessoal daquela época (Chico Buarque, Geraldo Vandré, Théo de Barros, etc, etc, etc) fazia com um pé nas costas.

Atenção…
(viaje bem, viaje Vasp)

Céu azul…
(viaje bem, viaje Vasp)

Atenção
Você com essa ficha na mão
[8 sílabas]
dirija-se ao portão[7 sílabas]
e embarque neste avião[7 sílabas]

(boa viagem!)
Largue o chão
escolha uma direção
[7 sílabas]
aperte o seu cinto e [6 sílabas]
solte a sua imaginação [8 sílabas]

(Voe vasp)
Céu azul
Leste, oeste, norte ou sul
[7 sílabas]
você livre pelo ar [7 sílabas]
com quem gosta de voar [7 sílabas]

A Vasp abre suas asas, sua ternura
Pra você ganhar altura

Viajar…..
Vo-ar….
(viaje bem, viaje Vasp)

Lembre-se desse jingle na próxima vez que você tiver que encarar uma fila quilométrica no aeroporto com aquele bando de funcionário mau-humorado te tratando feito pedra.
Aí, só de pirraça, cante essa musiquinha pra eles!

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Quase um bom comercial

terça-feira, maio 19th, 2009
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Daí, estou eu a assistir TV quando me enfiam goela abaixo este comercial. Meudeusdocéu, como é que pode tanta gente junta deixar um troço desses quicando pelas ondas de TV, do cabo e do youtube? Eu não pedi pra ver esse troço! Fui obrigada! Estava até conversando com o meu marido na hora, mas eu reconheci um texto cujo título é quase, e fui parar pra botar reparo no que uma peça publicitária que se vale de uma palavra que ameaça se concretizar mas não se concretiza (quase) tem a dizer. Teria que ser realmente genial pra passar bem o recado. Teria. Porque não foi feliz na tentativa, não.

Quer dizer então que os alunos da facu gostaram do conceito do Quase da menina Sarah Westphal? Como assim, meus filhos? (as amebas publicitárias andam em bandos, conforme eu já provei nas categorias, aí no cantinho direito do meu caldeirão).

É complexo por vocês terem quase passado pra uma universidade pública? Ou por quase conseguirem um texto genial pra campanha publicitária da facu? Ou por quase trabalharem de forma legal a ideia da quase-vitória?

Aliás, seria essa instituição de vocês de qualidade quase boa?  Porque vocês usaram um texto que quase foi do Veríssimo por muito tempo! É um texto que, embora seja até bonzinho, tem um quê de falso, coitado…

Na boa, quem achou que esse troço ficou bom achou errado. O comercial institucional dá margem a tantas interpretações paralelas e gracejos inúteis como este que eu estou fazendo, que tira completamente a atenção (OK, esses alunos devem chamar isso de foco. Mas quem tem foco é lente. A não ser que eles prefiram ser lentes, e não publicitários, mas deixa prá lá) do objetivo principal da peça publicitária: valorizar a sua facu.

Continuem assim, meninos, e vocês vão aprender a fazer peças publicitárias quase geniais. Mas, se vocês não conseguirem, liguem não. Vocês quase chegaram lá.

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Pensa que só eu implico, é?

quinta-feira, maio 7th, 2009
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Esse texto foi publicado ontem, no Blue Bus. Foi escrito por Bob Gueiros. O link para o texto está aqui.

No fundo, no fundo, nós temos vergonha do nosso idioma?

Falar inglês é o máximo, artigo de primeira necessidade. A língua não tem culpa, é o idioma do Mundo. Mas o número de peças que veiculam ao som do inglês beira o exagero. Por que será esta impulsão de trilhas cantadas em inglês nos comerciais mais bem produzidos do horário nobre? É de chamar atenção.

Afinal de contas, o brasileiro médio e o não tão médio, mal se equilibram no português – que dirá a maioria da população, que quase não se reconhece ali? Os comerciais são cada vez mais exuberantes, no entanto o recado acaba sendo para poucos. No fundo, no fundo, seria vergonha da língua. Com tanta competência nesta área, que tal pensarmos um pouco mais nisto?

 Bob Gueiros é um dos diretores de arte mais respeitados do mercado do Rio de Janeiro

É isso aí, Bob. O brasileiro tem vergonha de si, sim. E acaba reproduzindo o idioma de seu William (/Shakespeare) em macaquices, como se fossem o máximo do chique.
O texto daí de cima começava com a frase “só para publicitários”, mas eu acho que esse mal não aflige apenas os publicitários, não. Atinge à totalidade das amebas escreventes. E falantes também!

Nunca vou me esquecer de um cidadão  com quem eu conversava sobre os vários modelos de sistema operacional Unix… certa hora, eu perguntei a ele algo como: “Mas como lidar com os vários sabores de sistemas Unix?” Resposta da ameba: “É, como você mesmo disse, o Unix tem vários flavours“. NÃO, AMEBA, EU NÃO DISSE ISSO! EU FALEI SABORES! SA-BO-RES! É tão mais claro, tão mais direto…

Mas neguinho insiste em usar o inglês como amuleto muleta…
(Infortúnios duplos!! Infortúnios múltiplos!!!Eu pensei em muleta e escrevi amuleto!! Ah, CHIBATA NO MEU LOMBOOOO!! EU MEREÇOOOOOOOOOOOO!!!)

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