Arquivo pela categoria 'Bons exemplos'

De mesóclises e cachecóis

sábado, maio 14th, 2016
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Manja carioca no inverno? É, inverno carioca, aquela época do ano que dura aproximadamente cinco horas na cidade maravilhosa?

Então… nessas cinco horas, o carioca capricha: aproveita os 19 graus (temperatura que europeu acha até meio quente) e tira do armário a bota, o casacão e o cachecol, pra ficar chique que nem a lhama linguista.

vyqw0b.jpgMesóclise é que nem o cachecol no inverno carioca: raríssimo de se usar. Mas quando a gente usa, se sente elegante e importante, né?

Então vamos ao tutorial da bruxa, pra arender a combinar o cachecol com o casaco usar mesóclise.

Pra começo de conversa, mesóclise é colocação pronominal perto do verbo. Coisa de ordem dos tratores que altera o viaduto. É irmã da próclise e da ênclise. A próclise enfia o pronome antes do verbo; a ênclise, depois. E a mesóclise, como o nome já ajuda a suspeitar, se enfia lá no meião do verbo. Mas é no meião mesmo?

Olha só como não é:

Primeiro, vamos observar o verbo amar no futuro do presente do indicativo:

amar-ei

amar-ás

amar-á

amar-emos

amar-eis

amar-ão

 

Agora, vamos olhar o verbo haver, no presente do indicativo:

hei

hás

havemos

haveis

hão

Percebe, Ivair, que é só rapar fora o agá (e o resto da raiz do verbo, no caso da 1ª e 2ª pessoa do plural) que a gente encontra o finzinho da conjugação de amar no futuro! O_o

Agora, pensem: quantas vezes você já não ouviu a expressão “eu hei de  [enfie um verbo no infinitivo aqui] isso”?

Hei de te amar  –> amar-te hei  –> amar-te-ei

Perceberam que a mesóclise, de tão velha, sabe que a conjugação do futuro do presente é amante do presente do indicativo de haver há uns bons séculos, e se mete no meio do casalzinho?

Pronto! Você acabou de aprender a usar mesóclise. Proceda da mesma forma com o futuro do pretérito do indicativo e o pretérito imperfeito de haver (havia, havias, havia, havíamos, havíeis, haviam – mas aqui cês tudo cortem fora o “hav-“, sim?)

 

Beijo pra Talmy Givón, que adora dizer que a morfologia de hoje é a sintaxe de ontem! <3

Agora que você já sabe usar mesóclise, tente entender a frase pela qual Michel Temer foi tão elogiado (ain, ele sabe usar mesóclise, melhor que certas pessoas que são analfabetas, ain…):

Como menos fosse sê-lo-ia pela minha formação democrática

(Dica: não tente. Não há coerência.)

Cabô aula de mesóclise!

Agora, aprende aí a dar esses doze nós diferentes no cachecol. Dependendo de onde você morar, você ter-há (RÁ! 😛 ) poucas horas para isso! 😀

 

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George Lakoff e a fila do pão francês

quarta-feira, abril 20th, 2016
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E há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

George Lakoff – e há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

Vou fazer este texto aqui pro próximo texto não ficar quilométrico.

George Lakoff explica tudo e mais um pouco sobre o que tá com teseno  no Brasil de hoje. Então, faz-se míster (eu adoro essa expressão, então me deixa, o texto é meu, a vida é minha, o estilo é meu, a expressão cabe como uma luva aqui, então não torra) explicar um pouco do meu mais recente darling.

George Lakoff foi um dos pioneiros da linguística gerativa. Noam Chomsky dizia que a linguagem é inerente ao ser humano, e que estímulo é coisa behaviorista e não tem nada a ver e tals. Lakoff embarcou nessa, e começou a estudar, lá no meião dos anos 1960, como é que a parada da compreensão de um texto era resolvida nos neurônios.

Quinze anos depois, ele desistiu do gerativismo. Descobriu que estava trabalhando com conceitos movediços, e que se ele insistisse naquela história de que linguagem é coisa do cérebro e tals ele não iria muito longe na tarefa de ligar semântica com neurônio.metaphors

Essa guinada foi muito boa pro seu Jorge. Tanto que em 1980, ele publicou a primeira obra do que eu considero sua trilogia básica: Metaphors we live by (link pra você baixar o lindinho, ininglix), onde ele explica que o cérebro trabalha sempre um esquema de usar ideias de um campo pra explicar coisas em outro: tempo é dinheiro  (relação entre ganhar/perder dinheiro com ganhar/ perder tempo), a vida é um grande jogo (ambos com regras, jogadores, estilos e trapaças), a luta pelo poder (conquistas e perdas de uma guerra e relações interpessoais) e por aí vai. Tudo no nosos cérebro vira uma grande metáfora ou metonímia.

Estava fundada a Linguística Cognitiva.

Dez anos depois, Lakoff trouxe ao mundo a segunda obra de sua trilogia básica, Women, fire and dangerous things (Mulheres, fogo e coisas perigosas). O título é uma grande e brilhante provocação, que leva o papo das metáforas adiante e vai trabalhar a ideia de categorização, e como a gente passa o-di-a-in-tei-ro categorizando as coisas ao nosso redor: pessoas com óculos/sem óculos; folhas verdes/folhas de outra cor; homens com cabelo curto/mulheres com cabelos compridos etcetcetc. (A Linguística funcionalista pede a palavra e começa a explicar os protótipos nessa hora, mas deixemos meus amigos Funcionalistas de boas ali tomando a cervejinha deles).

WFDTO cabra ainda se vale de um cinismo delicioso pra alfinetar a sociedade americana e sua adoração por carros:

“Provavelmente a coisa mais chata que um professor de Linguística faz durante aulas pra calouros é ter de explicar as várias palavras que os Esquimós usam para se referir ao que nós chamamos simplesmente de neve. (…) Um esquiador também usa várias palavras diferentes pra se referir a neve. Qualquer um com um conhecimento especializado vai se valer de palavras específicas para se referir ao seu domínio de conhecimento. Marceneiros, jornalistas, advogados e até mesmo linguistas fazem isso. Quando uma cultura inteira torna-se especialista num domínio, eles adquirem um amplo vocabulário. Basta observar que os americanos têm mais de 200 palavras para se referirem a um carro.” (pág. 308)

Mas o livro que arremata lindamente o raciocínio iniciado em Metaphors e prosseguido em Women, fire é The Political Mind, de 2008. Eu já falei sobre esse livro e como ele se aplica ao Brasil no meu Facebook. Lourdes Nassif e Fernando Brito reproduziram esse texto no GGN e no Tijolaço, respectivamente.political mind

E o mais interessante: hoje eu reparei que oLakoff é AS-FU-ÇA do Fernando Morais! Que coisa…

 

Entenderam a quantas anda a fila do pão francês, quem É George Lakoff nessa fila, e como o cabra tarra coberto de razão quando falou que a gente usa metáfora e categorização o tempo inteiro? Taí a imagem da fila do pão francês na sua cabeça que não nos deixa mentir… 😀

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Memórias de uma bruxinha estudante II – missão trabalho pra faculdade

segunda-feira, março 14th, 2016
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Aí a professora Viviane Vieira pediu pros alunos de Estágio Supervisionado em Português fazerem um memorial da vida escolar: o que a gente se lembra de nossas aulas de português?

Eu comecei a escarafunchar meus alfarrábios, porque eu tava com a impressão de que já tinha feito algo parecido. Não só fiz como foi um dos posts mais visitados da história do blog. <3 Inclusive recomendo a leitura dele antes de continuar por aqui… pode ir lá que eu espero! 😀

Então, vamos à segunda parte daquele post que eu fiz em algum momento de 2011. Já pegou pipoca e guaraná? A viagem vai ser longa, e vai começar onde paramos, no Colégio Santo Amaro, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Quem passa pelas mãos da tia Tereza não sai impune. Ficam as memórias das aulas com uma professora excelente, atenciosa e não menos exigente e rigorosa.

CSA

Fachada do Colégio Santo Amaro, à rua 19 de fevereiro, em Botafogo (RJ)

Aí você chega na 5ª série ginasial (século passado, milênio passado, abafa o caso), ainda no Colégio Santo Amaro (eu avisei que este post seria uma continuação do primeiro, não avisei? Se você não leu a primeira parte, vai ficar confuso mesmo…).

Curioso é que, se eu me lembro muito das aulas da minha infância, pouco me lembro das aulas da adolescência. Lembro-me dos professores, alguns marcantes, e outros que não fizeram a mínima diferença na minha vida.

No ginásio eu comecei a ter aulas também com com professores. Acabou a era das tias. E um dos primeiros professores que eu tive foi o tio Léo, de português. Careca, óculos, calvície a 50% (sim, fui politicamente correta, me deixem). Não me lembro do conteúdo das aulas (lembro que aprendi, obrigada! 😀 ), não me lembro dos livros adotados, não me lembro das leituras obrigatórias. Mas tenho boas recordações do tio Léo – e nenhum trauma. Também lembro que ele fazia uma coisa impensável hoje em dia: ele fumava em sala de aula.

Lembro que li muito nessa época, a coleção Vaga-Lume (que está voltando às livrarias mas você pode baixar aqui, YAY! \o/ ), os Karas e a Droga da Obediência, li até Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn por conta própria – e adorei. Também li Geografia de Dona Benta (livro apaixonante pra quem quiser se iniciar em questões de Geografia Política) umas vinte vezes. Impressionante como a gente consegue aprender com seu Zé Bento. E ó: quem souber como situar Monteiro Lobato no tempo e no espaço consegue dar uma aula alucinante sobre racismo e preconceito étnico. Ao fim dessa aula, alunos e professor saberão separar o racista do escritor genial #ficadica.

Mas por que eu me perdi nos meus recuerdos literários? Ah, deixa pra lá. Vamos passar de ano? Sexta série, professora nova. Consegui me lembrar vagamente de suas feições (uma senhorinha, cabelo louro tingido e olhos claros, passou um trabalho em grupo no qual os alunos deveriam “apresentar um telejornal” ao vivo, diante da turma. Até bem pouco tempo eu tinha o “logotipo” do jornal que o meu grupo apresentou, o “Papo Furado” (um balão de história em quadrinhos com um “furo” por onde saía ar). foi o Jorge Valente, desenhista e colega do meu pai quem fez pra mim. Não lembro dos livros que ela pediu pra ler, não lembro do livro adotado. Mas as recordações boas ficaram restritas a esse trabalho em grupo. Não tenho mais recordações dessa professora – diga-se de passagem, quem lembrou do nome dela foi meu colega Orlando, que foi categórico: Neuza, com zê! E o Orlando também contou que ela faleceu em 1988. 🙁

Chegou a sétima série e a professora era nova e fresca em todos os sentidos: tia Áurea era recém-formada (acho que pela UFRJ) e recém-contratada pelo colégio. De novo: não lembro do livro adotado, não lembro das leituras. Minhas recordações são confusas. Por oras uma boa professora, que sabia ministrar o conteúdo da matéria (gramática, gramática, gramática e gramática, sem se esquecer da gramática, que a gente aplicava na redação), oras uma profissional inexperiente que não conseguia controlar a turma (e minha turma era fogo!). Mas do nome dela eu nunca me esqueci! 😀 também não me esqueci que era uma época estranha, em que Lobão e Roger eram sujeitos palatáveis e contestatórios, e o Paulo Ricardo do RPM era lindo (me deixa)!

Lembro de uma vez em que a turma tacava o terror e a Áurea passou teste relâmpago, valendo nota, de uma matéria que ela não estava conseguindo explicar: prefixos e sufixos. Eu fiz o teste, assustada porém segura do que estava escrevendo. Tive a maior nota da turma – oito ou nove. Ela me entregou o teste corrigido e falou: “você leu o livro antes de todo mundo, né?” Não, eu não tinha lido. Mas, pô, vamos combinar que o prefixo “anti-” indica negação da palavra que ele introduz, né? É meio óbvio isso, não?.

Oitava série. Tempo sujeito a chuvas e baforadas de cigarro. O professor era Sérgio Regina, que não tinha o menor tato com a turma. Preferia dar aulas para o segundo grau, no Colégio Zaccaria. Em minhas memórias, ele lembra o sargento Tainha, do Recruta Zero: cabelo escovinha, grande e gordo, e acendia um cigarro no outro. Já morreu, consumido pelo cigarro.

O professor Sérgio Regina não tinha saco de lidar com uma turma imatura, mas foi o primeiro a me mostrar, por contraste com outras línguas, que o mim pode ser sujeito do infinitivo, sim. E ele ficava abismado como aquela aluna que não tinha caderno e conversava muito durante a aula (mas se calava na hora da explicação da matéria nova) se dava bem nas provas. #beijinhonoombro

CIC

Colégio Imaculada Conceição, na Praia de Botafogo

Segundo grau, escola nova. Colégio Imaculada Conceição entra burro e sai ladrão. Tenho as piores lembranças dessa escola, e as melhores lembranças dos professores – todos, menos os de português.

O apreço pela escola era tão grande que num ano tivemos aulas numa sala com janela que dava pro lado de fora da escola. Nos intervalos, eu e outras colegas íamos pra janela e ficávamos paquerando qualquer homem que passasse: “olha, nós somos alunas do Imaculada Conceição. Aqui não tem mulher que preste, viu? Mas a culpa é da escola que não nos ensina isso!” Adolescência, ainda bem que você ficou pra trás – e mais importante: inda bem que tudo isso se deu numa época sem smartphones e mídias sociais pra registrar o mico.

Também lembro que Rachel de Queiroz, ex-aluna da escola, foi lá uma vez pra aparecer divar dar uma de gostosa dar uma palestra. Chegou e foi perguntando: “vocês vão me perguntar como é ser a primeira mulher membro da Academia Brasileira de Letras?” Um docinho, dona Rachel – só que não. Tomei birra e antipatia por ela e por tudo o que vinha dela desde então. Mas foi ridículo ver como as irmãs da escola puxavam o saco dela. (Já deu pra perceber que eu não vou com a cara daquela escola, né?)

Lembro que foi um professor de português diferente em cada um dos três anos do ensino médio. A professora do primeiro ano era muito esquisita. Não me recordo seu nome, mas jamais conseguirei esquecer o nome do autor do livro que ela adotou: Douglas Tufano. Por culpa dela: “o livro que nós vamos adotar é de Dúglas Tufano – e não estranhem essa pronúncia, pois quem fala francês sabe que ó e ú se juntam em som de ú”. Eu olhei pra ela com aquela cara de “Cejura, minha tia?” e cá cos meus alfarrábios eu tirei que alguma coisa tava errada naquilo (óbvio que era o fato de Douglas ser um nome brasileiro, então deve ser pronunciado Douglas e não Dúglas, dããããã!).

Outro trauma que ela me passou, esse dos bons: “o paradigma do éssemosizême na marcação número pessoal dos verbos” e eu só via os verbos conjugados na minha frente. que raios era aquele éssemozizême, deus do céu? Bom, nunca me fez falta saber durante o segundo grau. Só fui descobrir direitinho que raio era aquilo depois que entrei pra faculdade de Letras, e fui entender o que era um sintagma e um paradigma. (os paradigmas verbais são as partes dos verbos que indicam o número/pessoa e o tempo/modo/aspecto. São sufixos que se revezam na combinação com as raízes verbais. O “-s / -mos / -is / -m” é praga que marca, respectivamente, 2ª pessoa do singular / 1ª pessoa do plural / 2ª pessoa do plural e 3ª pessoa do plural. Dá em tudo quanto é tempo verbal no modo indicativo, à exceção do pretérito perfeito e do futuro do presente, no qual o -m vira -ão mas isso é papo pra outro post.)

Mas eu falava mal da professora do 1º ano do ensino médio. No segundo ano a coisa não ficou muito melhor. Acho que o nome dele era Armando. Cheio de ideais, de como o futuro da humanidade era legal e deveria ser bem semeado etcetcetc blablabla whiskas sachê. Passou um semestre inteiro analisando sintaticamente orações em textos corridos. (Dica pros pofexô que tão chegando agora: não tentem. Vira uma zona do caramba. Chega uma hora que você não sabe mais o que você está fazendo – ele, ao menos, não sabia).

No terceiro ano, pré-vestibular, não tenho a mais remota ideia de quem me deu aula de português. Talvez porque era alguém (sei nem se era homem ou mulher, avaliem) tão insípido que não me marcou em nada. Lembro apenas que tinha colegas terrivelmente medíocres que não queriam “matéria nova”, porque tinha muita coisa a estudar pro vestibular. Coitadas,devem ter virado donas de casa. Coitadas, mesmo. Lamento pela mediocridade delas.

Lembrei do que a turma da 3ª série quase fez com a irmã que ficava na portaria, a irmã Labourré. Mas eu já esqueci de novo e não vou contar porque a juventude tem que prezar pela criatividade. Ademais, se eu descobrir que alguém fez com aquela sujeita algo que eu não tive coragem de fazer sou capaz de processar por direitos autorais. Então, deixa prá lá.

Mas aí eu passei pra jornalismo na UFRJ e desse professor eu não vou me esquecer jamais!

Agostinho Dias Carneiro, quem começou a me dar ideias do que se chama Análise do Discurso. Professor de Letras da Federal do Rio de Janeiro, ele fez uma apostila especial pros alunos de comunicação (1º e 2º períodos do curso), praticamente sobre lexicologia. Nos apresentou os vários verbos para expressar, por exemplo, o suprimento da vida de um ser (matar/sacrificar/ assassinar). Essas aulas me fascinaram e me fizeram pensar mais sobre os vários significados de um verbete, de como e por que escolher palavras com cuidado na hora de compor um texto, e por aí vai.

Você chegou até aqui e não se chama Viviane Vieira? Puxa, parabéns e obrigada! A pipoca tava boa? 😉

(Em tempo: e aí, fessora? Gostou? Aceita pipoquinha? Se espirrar saúde tá parei.)

Tô aqui pensando em como um professor é importante na vida de um indivíduo – para o bem ou para o mal. Tô ainda mais intrigada em lembrar muito mais da minha professora de Jardim de Infância do que da pessoa que me deu aulas de português no pré-vestibular. Cara, quem foi esse ser tão insignificante que passou pela minha vida? E por que essa pessoa foi tão insignificante? Pior: como pode um professor ser insignificante na vida de um aluno? Jesus amado…

 

Em tempo: O COlégio Santo amaro foi palco de um vídeo promocional, lindo e emocionante, feito pelas canetas BIC. Não resisto, vou colar aqui. Eu chorei tanto pelo local das filmagens quanto pela mensagem do vídeo

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Voz Passiva: modo de (ab)usar

sexta-feira, outubro 16th, 2015
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Devo, não nego, pago quando puder. Sei que prometi outro post destrinchando as manchetes da Derrota Collection Week, mas isso vai me tomar um tempo meio grande. Por ora, deixa eu falar aqui deste texto escancaradamente escandaloso.

Intâo… sabe quando uma criancinha diz “a jarra quebrou porque a bola bateu nela”, e esquece de dizer que a bola bateu porque ela, a criancinha, chutou a bola na direção da jarra.

Pois é.

Acompanhem esta manchete mirabolante do G1 – que eu posso quase jurar que não foi obra do G1 mas da France Presse:

Palestino disfarçado de fotógrafo morre depois de esfaquear soldado

aí você se pergunta se ele morreu por autocombustão, infarto, mal súbito ou o quê (mas seus botões meio que lhe contam que ele não morreu, mas foi morrido).

Então você, cheidi curiosidade, vai pro primeiro parágrafo da notícia:

Um palestino disfarçado de jornalista esfaqueou e deixou gravemente ferido nesta sexta-feira (16) um soldado perto da colônia de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada, e foi morto pouco depois, informou o exército israelense.

Foi morto. Por quem? Ah, é, bem… quem mesmo? N Ã O   I M P O R T A.

é pra isso que serve a voz passiva. Pra sumir com o agente da ação. (Agente da ação: aquele que age, que comanda o verbo e altera completamente a situação final de quem está na posição de objeto direto). Porque, amos combinar: “soldado israelense mata palestino que havia esfaqueado outro soldado” é assaz direto. Palestino morre após esfaquear deixa bem claro que o palestino morreu porque esfaqueou o outro. E a culpa é todinha dele, palestino.

E um beijo bem grande pra você que acha que a imprensa é isentona.

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Dicionário ilustrado

domingo, janeiro 4th, 2015
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Tô há mó tempão sem postar nada aqui, então vamos falar de amenidades.caradepaisagem

No dicionário ilustrado, vamos falar da expressão

Cara de Paisagem
Quando sua expressão facial visa dissimular reconhecimento de culpa ou de afinidade com determinado assunto.

Mais ou menos assim:

 

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A presidenta e os particípios

sábado, outubro 4th, 2014
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Esse post é muito 2010. Aquela discussãozinha ridícula mimimi presidenta tá errado mimimi não é assim que se fala mimimi presidanta e essa porra me dá uma gastura tão grande que eu vou fazer o ÚLTIMO POST a respeito da palavra presidenta. Daqueles pra imprimir, esfregar na cara dos ignorantes e fazer eles comerem o papel. Até porque geral teve QUATRO ANOS PRA ESTUDAR, CARALHO! Então vamos lá.

Pra começo de conversa, o particípio é uma forma verbal que não recebe esse nome à toa. Ele participa de outras classes de palavras, mais especificamente substantivos e adjetivos. E provo:

– Quando cheguei em casa, o marido já havia feito  comida – particípio passado em locução verbal com o verbo haver que equivale ao pretérito mais que perfeito.

– João está cansado – o particípio de cansar brincando de adjetivo pra qualificar João.

– A ida de minha mãe a Las Vegas – O particípio do verbo ir virou substantivo.

Observe pelos exemplos acima que, quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e vai pro feminino: João está cansadO / Maria está  cansadA. (E antes que vocês perguntem: estruturas passivas têm um quê de adjetivo: quando a gente diz Maria foi estupradA, esse estuprada tem um caldinho de adjetivo)

Aí você vai perguntar: mas o que que tem o particípio a ver com a presidenta, bruxa?

No latim, havia o particípio passado, o particípio presente e o particípio futuro. E os três chegaram ao português, mas só o particípio passado veio como forma verbal; os particípios presente e futuro vieram como forma nominal.

(Agora volte dois parágrafos e releia o trecho em que eu falo que quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e volte logo.)

O particípio futuro é o mais fofo de todos. Tem que passar a ideia de atos que estão na iminência de ocorrer: vindouro (que está prestes a vir), nascedouro (que está prestes a nascer), casadouro (que está prestes a casar). Essas palavras também variam em gênero: mês vindouro / semana vindoura; moços casadoiros / moças casadoiras etcetcetc.

Deixei o particípio presente por último de propósito. o particípio presente derivou-se no português, em nomes de pessoas que devem ser reconhecidas / destacadas pelo ato que ora desemprenham.bart simpson

Então, se precisamos nos referir a um rapaz que deve ser destacado por exercer o ato de estudar no presente momento, falamos de um estudante (arrá! você começou agora a entender o espírito da coisa, né? Também queria saber por que não me deram essa aula no segundo grau…); se precisamos falar de um homem cuja característica que se destaca é o fato de crer, temos um crente. E se temos de falar de um cara cuja característica é pedir, temos um pedinte.

Se formos arrumar nazideia a fórmula morfológica para a criação de substantivos embebidos  de particípio presente, ela fica assim:

[raiz do verbo] + [vogal temática do verbo] + [-nte]

Mas espere! Reparem que ali em cima eu falei de propósito em homens a executar este ou aquele ato: um estudante, um crente e um pedinte.

E reparem mais em cima que eu falei que o particípio, quando vira forma nominal, varia em gênero.

Quem abrir a boca pra dizer “porque o dicionário não aceita presidenta”, além de ganhar um pescotapa e uma dicionariada na cara com o livro aberto na página do verbete presidenta, vai ficar de castigo e vai escrever mil vezes no quadro negro a frase da ilustração!

E aí, a gente chega no lado social – e perverso – de uma língua:

Você já parou pra pensar que não se usa estudanta porque estudar é, por tradição, coisa de homem, pra se formar doutor e ser chefe de família?

Se você não concorda com o argumento de estudanta, então por favor explique: qual a diferença entre uma governanta e um governante, se, morfologicamente, eu acabei de te comprovar que as palavras são equivalentes?

Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada para designar mulheres que governavam a casa. Nada além da casa.  Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada num tempo em que às mulheres era vedado o mundo. Era vedado o direito de viver e explorar o mundo para além de um casamento.

Ou seja: ainda que morfologicamente  governante e governanta sejam similares, LEXICAL e SOCIALMENTE as duas expressões acabaram por adquirir significados e sentidos diferentes.

E hoje em dia, em que à mulher é permitido presidir um país, mondigente – muitos, sem perceber a carga de machismo por trás dessa atitude – vêm dizer que presidenta não pode?

Eu já provei morfologicamente que presidenta pode, sim, senhor! Seja ela a Dilma do Planalto ou a Dilma da Sabesp!

E se você insistir em dizer que mimimi estudanta é uma anta que estuda, depois do pescotapa eu te dou este link aqui pra você ver o monte de idiota que foi corrigir o UOL, dizendo que “cão da pradaria” está errado, e o certo é “cão da padaria”.

Ah, você vai continuar insistindo?

Diminutivo da palavra: temos o presidentinhO e a presidentinhA

Aumentativo da palavra: emos presidentÃO e presidentONA.

Poi zé. Quando o grau varia, o gênero acompanha sem problemas, né?

Ou seja: vai estudar e larga de ser machista! É presidenta e não enche o saco!

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Acredite: é melhor ser mais bem preparado do que melhor preparado

quarta-feira, julho 2nd, 2014
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Tanta gente falando q a Copa do Brasil foi melhor preparada do que as Olimpíadas de Londres, e isso tá me incomodando tanto que eu vou ressuscitar este post de 2009 pra explicar pra vcs como e por que vocês ESTÃO ERRADOS, CACETE!

É MAIS BEM PREPARADO!!!!!

**********************************

 

Ah, a flexão de grau dos advérbios… ela te leva lá pra cima ou lá pra baixo num único movimento. E, quando as palavras melhor pior se metem no meio, aí é que o fenômeno do fez-se a bosta! ameaça com tudo.

Dizem que uma vítima recente do fez-se a bosta! nesse caso foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Parece que ele afirmou, num comício, que ele era melhor preparado que o Lula pra governar o país. Não encontrei nada no Google que me ratificasse tal afirmação, então não vou acusá-lo de mau uso da Líng…

Mas espere! Encontrei um discurso de 1988 do presidente Fernando Henrique Cardoso em que ele diz que o Brasil estámelhor preparado para se posicionar no mundo. Mais uma vez vou abstrair as piadinhas óbvias (o Brasil consegue ficar de quatro mais rápido agora, né?) porque não quero tornar este caldeirão palco de manifestações políticas. A única a ser defendida aqui será a Língua Portuguesa. E os únicos a serem atacados aqui serão os que primeiro atacarem nossaFlor do Lácio.

Mas eu falava do discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso. Tá lá na página 7, antepenúltimo parágrafo. Vamos analisar o dito. Pra isso, vou copiar o trechinho aqui:

Tenho consciência do que representa pedir um esforço maior de contenção. Faço-o para garantir a
estabilidade, com os olhos voltados para um futuro com maior segurança econômica, para um
Brasil ainda mais forte e melhor preparado para se posicionar no mundo.

Tenho consciência do que representa pedir um esforço maior de contenção. Faço-o para garantir a estabilidade, com os olhos voltados para um futuro com maior segurança econômica, para um Brasil ainda mais forte e melhor preparado para se posicionar no mundo.

Agora, vou copiar aqui o que a Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, do José de Nicola e do Ulisses Infante, tem a dizer sobre melhor pior:

As formas sintéticas melhor pior podem ser adjetivas ou adverbiais. No primeiro caso, referem-se aos adjetivos bommau; no segundo, aos advérbios bemmal. Observe os exemplos:

Era um jogador imprevisível: um dia, fazia o melhor passe da partida; noutro, a pior jogada do mundo!

Nesse caso, temos dois adjetivos, referindo-se a bom (passe) e (jogada), respectivamente.

Não estou melhor nem pior: continuo na mesma.

Temos, agora, dois advérbios, referindo-se a bem mal, respectivamente.

Note também que, quando adjetivos, melhor pior apresentam flexão de número (vão pro plural):melhores passes, piores jogadas. Isso não ocorre quando se trata de advérbios: não estamos melhornem pior.

Outra observação: diante de adjetivos-particípios, é recomendável o uso das formas analíticas mais bem e mais mal, em substituição a melhor e pior:

As crianças deste país deveriam ser mais bem alimentadas; aquele é o aviso mais mal redigidoque já li!

Oooooopa! Parece que o éfe agá (como diria o Veríssimo) escorregou no português, né?

Porque, se ele quis dizer que o Brasil já estava bem preparado (Em 1998? Ah, deixa prá lá!) para se posicionar no mundo (aliás, quem foi o infeliz que resolveu que é legal posicionar país, hein? Ah, deixa prá lá de novo!), ele deveria ao menos dizer que, com seu governo, o país ficou mais bem preparado pra se posicionar no mundo, né? Eu poderia terminar este post dizendo que, como isso não é lá verdade, ele formulou a frase em português errado.

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Sabe de nada, inocente! – a análise sintático-semântica

domingo, maio 4th, 2014
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cumpadiNuma época em que Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino são o que de melhor a direita produz, e Valesca Popozuda é citada como pensadora numa prova de filosofia – e taí Shoppenhauer pra confirmar o fato- nada melhor do que usar Compadre Washington para dar aula de gramática.

A frase Sabe de nada, inocente! já virou febre. Mas você sabe analisar sintaticamente essa frase? Qual o sujeito? E qual a função sintática da palavra inocente?

Tragam a pipoca, amebas, pois a bruxa vai explicar tudo!

Vamos lá:

o que a flexão verbal sabe nos diz a respeito dela?saber

Tio antônio, Houaiss, ajuda por favor?

 

Então, já dá pra ver aí do lado que sabe é a forma do verbo saber no presente do indicativo,
3ª pessoa do singular. Então, se você consegue identificar ou recuperar  quem praticou o verbo a partir da conjugação dele, você tem um caso típico de sujeito oculto.

Mas espere! Cabem dois sujeitos nessa interpretação! Ó só:

(Ele) sabe de nada, inocente!

ou

(Você) sabe de nada, inocente!

Afinal de contas, você também é conjugado na 3ª pessoa do singular, né?

E é esse o pulo do gato pra responder a função sintática de inocente. Vamos acompanhar:

Antes de mais nada, vamos falar de duas funções sintáticas acessórias (portanto, dispensáveis para a completa compreensão do enunciado do verbo) que a gente vê na chulapada, o aposto e o vocativo.

aposto serve pra explicar ou esclarecer algo a respeito de um dos citados na frase, por assim dizer. Exemplo:

A Madrasta do Texto Ruim, a @bruxaod do Twitter, está dando uma aula sobre aposto e vocativo.

A Madrasta do Texto Ruim, mãe do Thiago, vai dar banho no filho daqui a pouco.

O Thiago vai tomar banho com sua mãe, a madrasta do Texto Ruim.

 

Já o vocativo serve pra chamar ou citar nominalmente a pessoa a quem você se refere, e geralmente vem seguido de um imperativo. Exemplo? Ah, pensa na sua mãe:

José Henrique da Silva Costa, venha já aqui!

Thiago José, eu não mandei ir tomar banho?

E lembre-se de que o vocativo também vem antecedido da interjeição Ó, como vocês podem ver nessa historinha aqui triste pacas!

Agora que a gente já se lembrou do que é aposto e do que é vocativo, qual a função sintática de inocente?

Arrá!

Acompanhem meu raciocínio:

Se assumirmos que o sujeito oculto é você, então temos uma frase em que Cumpadre Washington dirige a palavra á sua pessoa. Então, inocente é vocativo. Acompanhe:

Inocente, você sabe de nada…

Por outro lado, se assumirmos que o sujeito oculto é ele, temos uma frase em que Compadre Washington comenta com uma pessoa a respeito de uma terceira pessoa.  Portanto, não tem a quem chamar/convocar. Então, inocente é a explicação a respeito dessa terceira pessoa de quem Compadre Washington fala. Ó só:

Ele sabe de nada, inocente….

Então, temos uma análise sintática que vai depender do contexto. Se tomarmos como único o contexto do comercial,

então, ele se dirige ao marido.

sujeito = oculto (você)

inocente = vocativo.

E obrigada a Cumpadre Washington por tirar meu blog do marasmo!

Se vocês quiserem tentar explicar o slogan a cada um minuto quatro coisas vendem fiquem à vontade. Eu tenho algumas teorias a respeito (reparem que, em se tratando de língua falada, a gramática passa A QUILÔMETROS DE DISTÂNCIA, né?)

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Cariocas e os trocadilhos

domingo, agosto 25th, 2013
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Licença, mas vou compartilhar aqui esse texto delicioso da revista do Globo de hoje.

(Cerejinhas do bolo: o nome do dono da academia Habeas Corpus, o concorrente da loja Harry Plotter, a lanchonete ao lado do estádio João Havelange e o bar vizinho ao Banco Safra e… iiiihhhh, deixa eu parar por aqui!!!)

 

Inventário’ informal de trocadilhos da cidade
mostra vocação do carioca para a piada pronta

As histórias por trás de nomes curiosos dos estabelecimentos comerciais do Rio

MARIANA FILGUEIRAS

Publicado:
Atualizado:
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Rafael Sampaio e Tatiana Abramant, donos do bar Barthodomeu, em Ipanema<br /><br /><br />
Foto: Daniela Dacorso / O Globo
Rafael Sampaio e Tatiana Abramant, donos do bar Barthodomeu, em Ipanema Daniela Dacorso / O Globo

RIO – O sujeito chega do Ceará para tentar uma vida melhor no Rio de Janeiro. Isso lá nos anos 70. Começa carregando madeira, passa a comprá-las para revenda, o negócio vai indo bem, obrigado, e ele abre uma loja em Copacabana. Na hora de batizar o local, pensa: “Eu sou do Ceará… Vim de pau de arara. E a loja é de madeira. Pronto. É Pau de Arara o nome da loja.”

Mas a mulher faz um muxoxo. E como é ela quem manda, o nome da loja fica sendo Pau Mandado.

Parece piada, mas é a história por trás do letreiro de uma madeireira na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana.

— Para o marketing é uma beleza, porque ninguém esquece o nome da loja — justifica o proprietário brincalhão, Augusto Sarmento, de 63 anos.

Tascar um trocadilho em nome de estabelecimento comercial é uma prática tão tupiniquim quanto pendurar santo no retrovisor, levar marmita no fim da festa ou colocar fralda na gaiola do passarinho. Ainda que nenhum Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Hollanda ou Câmara Cascudo tenha se aprofundado no fenômeno social, o “trocadilhismo” nos entrega tanto quanto a mestiçagem, a cordialidade ou o curupira. E o Rio, se bobear, é o campeão nacional de letreiros com jogos de palavras. Basta uma volta pelos endereços comerciais da cidade para notar o apreço do carioca pela piada pronta — e começar uma coleção pessoal dos preferidos.

Foi o que fez a Revista O GLOBO: um inventário informal dos trocadilhos cariocas. Só em Copacabana, além da Pau Mandado, há a clínica veterinária Cãopacabana, o botequim BomBARdeio, a loja de bolsas Mala Amada, a livraria Baratos da Ribeiro, a “croassanteria” Croasonho e a creperia Crepe Diem.

Na Tijuca, há o restaurante Umas & Ostras e a lanchonete Faceburger. Em Vila Isabel, na Rua Teodoro da Silva, o nome do motel é… Teadoro. No Flamengo, uma boleira pôs o nome da sua empresa caseira de James Brownie, e uma lavanderia em Botafogo se chama Lava Isso & A Quilo. Em Madureira, há o restaurante Kill Grill, uma clara alusão ao filme de Quentin Tarantino “Kill Bill”. Em Bonsucesso, há uma pizzaria chamada Bonsussexo, acreditem, e em Bangu, uma academia de nome Habeas Corpus.

— Não queria abrir mais uma academia chamada não-se-o-quê-fitness ou body-qualquer-coisa. Fiquei pensando, pensando… E tive a ideia de chamar de Habeas Corpus. É legal, não é? — explica o dono, Celso Cunha.

Ao ouvir o nome, o acadêmico Antônio Carlos Secchin o achou tão legal que fez uma sugestão a Celso: abrir ao lado da academia o botequim Habeas Copus.

— Tecnicamente, o trocadilho é uma figura de linguagem chamada paranomásia. É a junção de palavras de som próximo e sentido distante. Você fala uma coisa e imagina outra. Há uma referência implícita a um segundo sentido. Seu uso deflagra uma relação prazerosa com a língua portuguesa, quando usada como um jogo, uma brincadeira. Ainda mais pelos cariocas, que já criam tantas gírias — explica o imortal, um fã de trocadilhos. — O recurso foi parar no comércio, mas sempre esteve na literatura. Basta lembrarmos do “Manifesto Antropofágico” de Oswald de Andrade, que tinha o trocadilho dos trocadilhos, “Tupi or not tupi”.

Foi esta lógica lúdica que norteou o batismo do Barthodomeu, em Ipanema:

— Antes de abrirmos o bar, este ponto era considerado uma caveira de burro. Mas só podia ser. Quem viria para um lugar chamado Espelunca Chic? Ou o camarada sai de casa para beber numa espelunca ou num lugar chique — espeta o empresário Rafael Sampaio, que escolheu o nome com a mulher, Tatiana Abramante.

O ramo dos bares poderia ter até um concurso informal de trocadilhos, tantos são os exemplos. No Vidigal, há o Barlacubacu. No Anil, o Barbudo. No Flamengo, o Zanzibar. Em Del Castilho, o Zombar. Em Madureira, o Bar Bosa. No Catete, o Bartman.

— Sou fã de quadrinhos e cultura pop desde menino. Quando abri o bar, queria que a decoração fosse inspirada em filmes, mas não sabia o nome que queria dar. Pensei em alguns ruins, como Perdizes no Espaço, e decidi fazer uma votação entre os clientes. Bartman ganhou, com 250 votos — relembra Rogério Cardoso, o proprietário.

O ramo de toldos também merecia um torneio próprio. Em Anchieta, há a Tempra Toldos. No Grajaú, a Toldos Dias. E em Todos os Santos, quem adivinha?

Com as empresas de estética, não é muito diferente. Em toda a cidade, encontram-se filiais da rede Spé (cujo slogan é “o spa do pé”), e toda sorte de derivativos da palavra “pelo”.

— Quando criamos a empresa, quisemos dar um nome que ninguém esquecesse. Vieram inúmeras ideias, e uma das sócias falou: “Pelo menos um desses nomes vai ser o escolhido.” Ficamos em silêncio e percebemos que o nome só podia ser aquele, Pelo Menos. Era perfeito. Todo mundo usa essa expressão todos os dias — diz a empresária Regina Jordão.

Foi a largada para surgirem concorrentes como a Pelo Sim, Pelo Não, presente também em vários lugares do Rio.

— Tive a ideia tomando banho. Ia abrir uma empresa com um sócio que já tinha um nome caretinha para ela, mas ele saiu, e eu quis um mais criativo — conta a publicitária Márcia Amorim, de 42 anos.

Foi passando de carro em frente à filial de Botafogo que o humorista Cláudio Torres Gonzaga, um dos redatores do programa “A Grande Família”, da TV Globo, teve a ideia de uma piada para um stand up comedy que faz com o grupo Comédia em Pé.

— Fiquei pensando: “O que quer dizer Pelo Sim, Pelo Não? Será que eles tiram um pelo sim e um pelo não? E a mulher sai de lá parecendo um código de barras?” — brinca Cláudio. — E aí juntei com outros nomes curiosos de lojas que já tinha visto e montei uma esquete do espetáculo. Tem uma loja de artigos de pesca em Jacarepaguá que se chama Minhoca Feliz. E se tem alguém que não é feliz na pescaria é a minhoca… Em Nova Friburgo, vi uma loja de plotagem chamada Harry Plotter. Deu vontade de abrir uma concorrente, a Senhor dos Painéis!

Quando soube da esquete, a dona da rede de depilação correu para o teatro. Achou tão divertida a propaganda involuntária que propôs uma parceria: em troca da logomarca exposta no cartaz do espetáculo, os humoristas fariam depilação de graça.

— Mas nenhum de nós tinha o hábito de depilar as pernas — lamenta Cláudio, lembrando que as únicas beneficiadas com o patrocínio foram as mulheres dos integrantes.

Nenhum ramo, no entanto, supera o trocadilhismo ostensivo das pet shops. É um fenômeno nacional, que já inspirou até uma crônica do escritor Antônio Prata. Vejamos. Na Barra, há o Au Q Mia. Na Urca, o Urcão. Em Olaria, o Pet Shop.cão.br. Na Pechincha, o Gato pra Cachorro. No Leblon, o Pet Shop Toy, uma referência à dupla pop Pet Shop Boys. Em Nova Iguaçu, o Cãobeleireiro. E em Ipanema, o hors-concours Au Cão Kur — que está com os dias contados.

— Esta loja existe com este nome há 17 anos, mas os novos donos vão mudar em breve para Animaleria — antecipa o gerente, Vinícius Molinaro.

O que é uma pena, como observa o diretor de criação e sócio da empresa de publicidade DM9 Rio, Álvaro Rodrigues. Para ele, o humor “baixa a guarda” do cliente, seja de uma pet shop ou de uma multinacional. Na última campanha que fez, para uma marca de cachaça, pôs o ator John Travolta fingindo ser brasileiro, tentando jogar bola e sambar na praia, no Recreio.

— Na propaganda, o humor tem que ser visto como meio, não como fim. A piada pela piada não funciona. Se eu rio e esqueço o nome da marca, não adianta. Por isso, o recurso da piada, do trocadilho, tem que ter uma estratégia por trás — analisa o publicitário, falando de grandes campanhas.

No comércio de bairro, como os citados nesta reportagem, ele diz que o humor traz muitas vantagens:

— Aumentam as chances de fixação da marca. A “gaveta” da memória emocional é uma das mais certeiras de se abrir no consumidor, e o bom trocadilho faz isso. Além disso, imprime essa “carioquice” na marca, essa maneira peculiar do morador do Rio de enxergar o que acontece sempre com graça. O carioca tem uma miopia bem-humorada da vida.

Uns trocadilhos vêm, outros vão

Alguns trocadilhos antológicos do Rio faliram juntamente com os estabelecimentos comerciais aos quais pertenciam. Mas permanecem na memória. Quem pegava a Rodovia BR-101 com frequência certamente já tinha notado a churrascaria A Novilha Rebelde, um jogo de palavras com a tradução para o português do filme “A noviça rebelde”. Há três anos, no lugar funciona a churrascaria Mano’s Grill. Ao lado do Engenhão, alcunha do Estádio João Havelange, havia uma lanchonete chamada Have Lanches, outro belo exemplo da perspicácia carioca. Em Madureira, na Avenida Edgard Romero, até pouco mais de um ano atrás, na altura do Mercadão, havia um Banco Safra. E, ao lado, o bar Safradão, que foi demolido para virar uma agência do Santander.

Na Barra, o restaurante Filo Porque Quilo também fechou as portas, levando com ele a referência à célebre frase dita pelo ex-presidente Jânio Quadros quando de sua renúncia ao cargo. No Humaitá, quem morreu foi o boi do nome do restaurante Boi Vivant, que há dois meses ganhou nova mobília e letreiros, transformando-se em Espaço Vivant

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“Um plus a mais”

terça-feira, maio 28th, 2013
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LUIS FERNANDO VERÍSSIMO – O Estado de S.Paulo

Passei por uma loja que vendia roupa “plus size” para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era “plus size”. “Plus”, em inglês, é mais. “Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do que o normal. Só não entendi isto logo porque a loja não ficava em Miami ou em Nova York, ficava no Brasil. Não sei como seria uma versão em português do que ela oferecia, mas o “plus size” presumia 1) que a mulher grande ou gorda saberia que a loja era para ela, 2) que a mulher grande ou gorda se sentiria melhor sendo uma “plus size” do que o seu equivalente em brasileiro, e 3) que ninguém mais estranha que o inglês já seja quase a nossa primeira língua, pelo menos no comércio.

A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando “entrega” virou “delivery”. Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser “delivered” na porta. Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto. O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser “plus” a ser mais e ter “size” em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega – ou devo dizer “delivery”? – de identidade de um país com vergonha da própria língua.

 

Imppossível não amar Luis Fernando, gente. impossível.

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-plus-a-mais-,1034748,0.htm

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E viva Carlão!!!

quarta-feira, outubro 31st, 2012
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Se vivo fosse, Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos hoje.

Já publiquei aqui no caldeirão os votos sinceros de ano novo que ele outrora desejou. Mas não posso deixar a data passar em branco. Então, hoje publico minha preferida dele (e destaco o trecho que mais me arrupia!)

Divirtam-se! 😀

PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

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Sou-me

terça-feira, outubro 30th, 2012
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Estou há eras pra postar este texto aqui. Tive contato com esta belezura na prova de Linguística.

o texto chama-se “sou-me”, e foi escrito por um cara novo, um tal de Fernando Pessoa…

deliciem-se com o Fernandão (o Pessoa, fazfavô…)

Meditei hoje, num intervalo de sentir, na forma de prosa de que uso. Em verdade, como escrevo? Tive, como muitos têm tido, a vontade pervertida de querer ter um sistema e uma norma. E certo que escrevi antes da norma e do sistema; nisso, porém, não sou diferente dos outros.

Analisando-me à tarde, descubro que o meu sistema de estilo assenta em dois princípios, e imediatamente, e à boa maneira dos bons clássicos, erijo esses dois princípios em fundamentos gerais de todo estilo: dizer o que se sente exactamente como se sente – claramente, se é claro; obscuramente, se é obscuro; confusamente, se é confuso -; compreender que a gramática é um instrumento, e não uma lei.
Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, “Aquela rapariga parece um rapaz”. Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, “Aquela rapariga é um rapaz”. Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afecto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, “Aquele rapaz”. Eu direi, “Aquela rapaz”, violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de género, como de número, entre a voz substantiva e a adjectiva. E terei dito bem; terei falado em absoluto, fotograficamente, fora da chateza, da norma, e da quotidianidade. Não terei falado: terei dito.
A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, o homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi “Sou”. Se quiser dizer que existo como alma separada, direi “Sou eu”.
Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo “ser” senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi “Sou-me”. Terei dito uma filosofia em duas palavras pequenas. Que preferível não é isto a não dizer nada em quarenta frases? Que mais se pode exigir da filosofia e da dicção?
Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente. Sirva-se dela quem sabe mandar nas suas expressões. Conta-se de Sigismundo, Rei de Roma, que tendo, num discurso público, cometido um erro de gramática, respondeu a quem dele lhe falou, “Sou Rei de Roma, e acima da gramática”. E a história narra que ficou sendo conhecido nela como Sigismundo “super-grammaticam”. Maravilhoso símbolo! Cada homem que sabe dizer o que diz é, em seu modo, Rei de Roma. O título não é mau, e a alma é ser-se.

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O poste mais lindo do Brasil não entende a diferença entre o texto pra ser lido em silêncio e o texto pra ser falado. Mas eu explico! ♥

segunda-feira, outubro 29th, 2012
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(e de lambuja procêistudo o pai e o filho lheandos! 😀 )

 

Ainda extasiada com a vitória de Fernando Haddad, o poste mais lindo que Lizinácio já ergueu neste país (#numpresto), soprei e bufei de raiva com o discurso da vitória que ele leu (Sua bruxa feia! Rouba o texto na cara dura do blog da linda da Denise Queiroz e nem tchuns pra agradecer a zifia? Já pro castigo! Denise, sua linda, obrigada por postar o texto que eu roubei sem nem lhe pedir permissão! 😛 )

Vamos combinar: de que adianta usar um teleprompter transparente à la Baracão Obama se o texto é mal produzido?

Não vou dizer que o texto é mal escrito, pois isso seria injustiça. Ele está bem redigido, sim, senhor! Só que, pro propósito dele (ser um texto falado, como se não estivesse sendo lido), falhou retumbantemente.

Mas não se preocupe, Haddad! Eu vou dar uma mexidinha aqui e outra acolá (porque seu texto não carece de ser exorcizado), e ele vai ficar nos trinques pra ocasião!

Reparem no que eu vou fazer, com um único objetivo: deixar o texto informal como uma fala cotidiana (vou nem mexer na correção gramatical, como alguns devem estar pensando).

A ver:

 

Minhas amigas e meus amigos. Agora eu sou o prefeito eleito de São Paulo, graças à  Pela vontade soberana dos paulistanoseleitores daqui, sou agora o prefeito eleito de São Paulo. Uma alegria imensa e uma enorme responsabilidade enorme tão brigando por espaço aqui dentro do meu peito agora. dividem espaço no meu peito. Mas o sentimento mais forte, porém, é de gratidão.Quero agradecer em primeiro lugar aos milhões de homens e mulheres que me confiaram o voto. Minha família, minha mulher Ana Estela, minha filha Carolina e meu filho Frederico, que fizeram muitos sacrifícios para me ajudar nessa jornada. Quero agradecer do fundo do coração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viva o presidente Lula!

Agradeço ao presidente Lula do fundo do coração ao Lula pela confiança, orientação e apoio, sem os quais seria impossível eu lograr qualquer êxito[PORRA, HADDAD!!! LOGRAR ÊXITO, HADDAD!?!?!?] conseguir qualquer forma de sucesso nessa eleição. Quero agradecer uma outra [#PORRAHADDAD nº 2: ou é uma, ou é outra! Uma outra, não, cacete!!]  grande liderança nacional, a presidenta Dilma Rousseff. Agradeço à presidente Dilma pela presença vigorosa na campanha desde o primeiro turno. Pelo estímulo pessoal e o conforto nos momentos mais difíceis dessa campanha.

Quero agradecer os partidos coligados do primeiro turno, nos quais sintetizo minha homenagem na com um agradecimento especial à  figura valorosa da companheira, minha vice, Nádia Campeão. Quero agradecer aos apoiadores que ampliaram nossa corrente no segundo turno, nos quais sintetizo minha homenagem e meu agradecimento nas figuras do  com um agradecimento especial ao querido deputado Gabriel Chalita e ao vice-presidente Michel Temer. Muito obrigado presidente Michel Temer. [sintetizo a homenagem?!!?!?!?!?! Isso é coisa de uspiano, é?!?!!? O_o E a faculdade de Letras da USP? Tá sabendo disso?]

Quero fazer meu agradecimento muito especial ao meu partido, Partido dos Trabalhadores. Partido que se lançou de corpo e alma nessa luta pacífica em favor do povo de São Paulo. Como seria impossível nomear milhares de colaboradores diretos, sintetizo meu agradecimento e minha homenagem na figura  que todos se sintam agraciados com minha homenagem à figura decisiva e equilibrada do meu coordenador Antonio Donato.[baixou um exú-químico nesse texto que resolveu sintetizar homenagens e agradecimentos, é?!?!?! O_o]

Quero agradecer a todos, quero agradecer por último, mas não menos importante, a todos meus opositores que me obrigaram a extrair o melhor de mim nessa campanha para que eu pudesse superar a eles poder superá-los em uma disputa limpa e democrática. A todos indistintamente o meu muito obrigado.

Fui eleito pelo sentimento de mudança que domina a alma do povo de São Paulo. Sei da enorme responsabilidade de todos que são eleitos pelo signo da mudança. Ser eleito pela força da mudança significa não ter tempo a perder. Não ter medo de enfrentar, nem ter justificativas a dar para tornar esse sonho realidade. Significa não ter paciência e não pedir paciência. Antes de tudo, traçar prioridades e unir a cidade em torno de um projeto coletivo, de todos os paulistanos, de todos os moradores de São Paulo.

Meu objetivo central está plenamente delineado [que foi? cê tá esperando eu reclamar desse plenamente delineado?!?!?! Inda tô passada com a sintetização de agradecimentos, me deixa….], discutido e aprovado pela maioria do povo de São Paulo. É diminuir a grande desigualdade existente emna nossa cidade, é derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica e a cidade pobre. Somos uma das mais ricas e ao mesmo tempo uma das mais desiguais do planeta. Não podemos deixar que isso siga assim por tempo indeterminado, exatamente no momento em que o Brasil vem passando por uma das mudanças sociais vigorosas do mundo. A prefeitura tem um papel importante nisso, pois é elaporque é ela quem vai cuidar que cuida da oferta e da qualidade de alguns dos serviços públicos mais essenciais como a saúde, o transporte, a educação, a habitação, entre outros[ <— típica muleta de autor de teses e dissertações. o entre outros é genérico e avisa nas entrelinhas: eu posso ter esquecido de enumerar alguma coisa, viu, banca examinadora, mas essa alguma coisa não deixou de ser mencionada! Haddad, seu lindo, use isso só quando for escrever pros seus confrades uspianos, sim? beijinhos!!]

Melhorar esses serviços é também uma forma concreta de distribuir renda, diminuir os desequilíbrios, aumentar e garantir a paz social. Sei que essa não é uma tarefa fácil, dada a complexidade dos problemas que vêm se acumulando nos últimos anos. Mas se São Paulo não conseguir resolver seus problemas, que cidade no Brasil e no mundo conseguirá fazê-lo [Haddad, seu lindo, uma dica da bruxa: futuro do presente e ênclises, próclises ou mesóclises só devem ser usados em textos que não são falados. Neste caso aqui, um texto pra parecer fala natural, você deveria ter escrito assim:] que cidade no Brasil ou no mundo vai conseguir fazer?

O fracasso de São Paulo seria o fracasso desse genial modelo de convivência que a humanidade desenhou ao longo dos séculos para sobreviver e ser feliz. Essa invenção insuperável do gênio humano, que se chama cidade.As cidades foram inventadas para unir, não para desunir. Proteger e não fragilizar. Acarinhar e não violentar. Para dar conforto e não sofrimento. São Paulo tem seus grandes problemas, mas tem e terá as próprias soluções. O Brasil moderno nasceu aqui e o surpreendente Brasil do novo milênio também estará está  aqui. Se corrigirmos nossos erros, se superarmos a inércia, se quebrarmos o imobilismo, e se recuperamos a alma criativa e o espírito de empreendedorismo que sempre foram a marca de São Paulo.

Se considerarmos que o texto está genérico até não poder mais, mas:

– não abusa de clichês ou de lugares-comuns, 

– traz um bom arrazoado de boas intenções

– conclama os cidadãos à união 

Parabéns, Haddad, seu texto ficou muito bom. Mas ponha reparo nesses microdetalhes de estilo, sim?

E desde já me ofereço pra canetar seu discurso de posse! PELO AMOR DE DEUS!!!

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Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”

segunda-feira, abril 9th, 2012
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Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:

Túnel do tempo

O ano é 1985.

Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.

Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.

Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.

Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.

O primeiro discurso do presidente acadêmico.

Sucesso total.

Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.

Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:

A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.

Sarney quis matá-lo!

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Deu pena do Demóstenes. Sério. (mas isso passa, não se preocupem! :D )

segunda-feira, abril 9th, 2012
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Da série “texto bom é pra ser compartilhado”.

Ruy Castro de hoje, na Folha de SPaulo.

Se o Demóstenes Torres está (dizem) morrendo de vergonha, depois desse texto ele se mata, coitado…

 

Muito antes

No fim de seu reinado, que coincidiu com o fim do século 19, a rainha Vitória, da Inglaterra, foi apresentada ao projeto do submarino, um navio que viajava debaixo d”água e, de lá, disparava contra o inimigo. Vitória ficou chocada: “Quer dizer que o inimigo não verá nossa bandeira?”. Era um golpe baixo e ela não quis saber. Mas isso, claro, foi muito antes dos aviões-robôs.

No Campeonato Carioca de 1913, Belfort Duarte, jogador do América, pôs a mão na bola dentro da própria área e impediu um gol do adversário. O juiz não percebeu. Belfort se acusou e exigiu que ele marcasse o pênalti contra sua equipe. E ele marcou, para desespero dos meninos Vicente Celestino, Lamartine Babo e Mario Reis, que já eram torcedores do América. Mas isso, claro, foi antes de Maradona, Messi e outros que acham normal fazer gols com a mão.

Até 1950, as rádios americanas não admitiam tocar a mesma gravação mais de uma vez a cada 24 horas. “Imagine o ouvinte perceber que já ouviu aquele disco há poucas horas!”, eles alegavam. Mas isso, claro, foi antes do Top 40, da “payola” (jabá) e do roquenrol.

Nos anos 70, os clubes brasileiros não admitiam corromper seus uniformes com marcas comerciais. O que os torcedores diriam ao ver seus craques reduzidos a homens-sanduíche anunciando pneu, refrigerante ou óleo de carro? Mas isso, claro, foi antes de começarem a oferecer até o fundilho dos calções para imprimir marca de gilete ou de camisinha.

Em outros tempos, políticos e contraventores se mantinham a certa distância, sabendo que aquela intimidade era perigosa. Mas isso, claro, foi antes de o senador Demóstenes Torres (GO) e o empresário de caça-níqueis Carlinhos Cachoeira frequentarem as mesmas contas bancárias -e de, antes deles, muitos outros já terem feito o mesmo sem ser apanhados.

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Luis Fernando, seu lindo! ♥

quinta-feira, março 22nd, 2012
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Faz tanto tempo que não compartilho um texto do Verissimo aqui, né?

Pois bem: o de hoje merece!

E não se avexem: o texto abaixo é um autêntico Verissimo! Estampa a Zero hora e o globo de hoje. Podem verificar!!!

 

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida, e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.

É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração. No caso, de liberdade.

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Falar o quê mais?

segunda-feira, fevereiro 6th, 2012
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Daí que eu encontro no twitter link pro blog do Lino Bocchini, aquele terrorista difamador de jornal impresso 😉 , falando do rebolê de números no texto da Folha de SPaulo de hoje. Lino contava que a Folha deu um duplo twist carpado numérico pra não dizer que perdeu mercado prum jornal popular de minas etcetcetc pereré pão duro. Li o texto do Lino, e (claro) corri pro site da Folha pra ler a reportagem (sic) com os próprios olhos.

E olha, eu até ia mencionar a rebolança com números e o desprezo infantil pelo jornal mineiro, coisa e tal, mas fui surpreendida por um ectoplasma suíno dos bons nos comentários da Folha.

Depois desse comentário, nada mais que eu ou qualquer outro crítico da Folha diga, com ou sem embasamento, fará sentido. Portanto, aplausos para o zifio daqui de baixo. A observação foi épica! \o/

 

Continue assim, Zifio! E que Nossa Senhora da Coerência Textual lhe ilumine os caminhos de forma magistral!

Eu poderia terminar com um PORRA, FOLHA! Mas carece, não. Só quero um cafezinho agora… 😀

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Objetivando disponibilizar posts terceirizados – literalmente

terça-feira, janeiro 10th, 2012
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Hoje não tem post novo.

Carece, não!

É só clicar aqui e, literalmente, vocês encontram o tumblr do dia.

Divirtam-se!

Voltamos mais tarde com nossa post-gramação 😀 normal!

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O alfabeto português

sexta-feira, dezembro 30th, 2011
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Estou forever inlóvi com esse vídeo, gente!

Meu filho tá começando a se interessar por musiquinhas de alfabetização. Fuçando no Youtube, encontrei esta pérola da pedagogia lusitana (em todos os sentidos abarcados pela expressão).

O que é que começa com a-
Abacate e avião
O que é que começa com b-
Brincadeira e beliscão [lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com c-
Carochinha e camião [camião, mesmo! Grafia d’além Mar!]
O que é que começa com d-
Dado dedo e decisão
O que é que começa com e-
Elefante e empurrão[lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com f-
Faca foca e feijão
O que é que começa com g-
Gato garfo e gratidão
O que é que começa com h-
Harmonia e habitação[são duas palavras de uso corrente por crianças em fase de alfabetização, né? Harmonia e habitação! Tô amando muito essa letra, gente!]

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu [Claro que você não canta só a vogal, a consoante vai junto!]
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com i-
Ivo indio e injecção~[De novo: grafia d’além mar]
O que é que começa com j-
Jacare jarra e João
O que e que começa com l-
Lagartixa e limão
O que é que começa com m-
Marmelada mãe e mão [Agora fale isso rápido: Marmelada, mãe e mão]
O que é que começa com n-
Narizinho e narigão
O que é que começa com o-
Olho onze e oração
O que é que começa com p-
Pinto porta pai e pão
O que é que começa com q-
Quarta quinta sexta não

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com r-
Rabanada e requeijão
O que é que começa com s-
Sapo sopa e saltitão
O que é que começa com t-
Truta trigre e tubarão [outro trava línguas: truta tigre e tubarão! Fala rápido]
O que é que começa com u-
Uva urso e união
O que é que começa com v-
Vaca vela e verão
O que é que começa com x-
Xadrez xícara e xixuão
O que é que começa com z-
Zero zumbido e zangão

Eu acho que já sabe ler

Quem cantar esta canção!

E  quem descobrir o que é xixuão, me avise por favor!

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Palimpsestwo

sexta-feira, dezembro 30th, 2011
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Acabo de tomar um susto! Um amigo querido de longa data, ex-repórter do Globo Informática (e vamos parar por aqui, não vou contar que ele foi repórter da primeira revista de informática deste país, editada pelo Jornal do Brasil), o Paulo Vianna, está com câncer. E acabou o último ciclo de quimioterapia.

Mas o Paulo consegue contar sobre esse assunto espinhoso e complicado de forma leve e serena. Como sempre foram seus textos. Por isso eu faço questão de, dentre uma notícia tão incômoda (triste não é, a quimio tá funcionando, então força aê, companhêro! 😀 ), destacar uma alvíssara: Gente, Paulo Vianna tem um blog!!! E que maravilha de textos!!!

Só pelo nome dá pra se ter uma idéia (que dia é hoje? 30? TENHO MAIS 48 HORAS PRA USAR ESSE ACENTO AÍ, ME DEIXA!) do naipe do blog: Palimpsestwo é um trocadilho altivo, sofisticado, nobre. Ao fuçar os textos, você vai encontrar uma crônica que beira a poesia sobre as endívias – é, endívias!

Mas eu não vou ficar aqui descrevendo o blog do Paulo. Façam o favor de clicar no link fornecido e de se esbaldarem com a elegância e serenidade dos textos de um cara que, mesmo passando pelo conjunto de perrengues dessa doença, não perde a classe.

Feliz 2012 a todos, em especial ao querido e dileto amigo Paulo Vianna. Que o ano lhe(s) seja novo, inédito, leve e agradável. Mas, principalmente, saudável! \o/

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O lugar-comum da solidariedade comunista

quarta-feira, dezembro 21st, 2011
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Xô, poeira!

Desculpem, mas tava viajando arrumando mala e corre pra dirigir e volta e paga aluguel e arruma mala mas a roupa não secou leva na lavanderia pra secar e arruma mala e pega avião e tudo sem vírgula porque não dá tempo nem de pontuar a frase e ufa! Cheguei!

Vamos voltar a postar, né?

Enfim, tava aqui crente que o melhor da semana seriam as imagens dos norte-coreanos chorando pela morte do líder deles lá, o King-Jong pai. Aquela falsidade que você não sabe dizer se é mentira patológica oficial do governo ou se geral na Coreia do norte tá mesmo curtindo fazer de conta que tá triste.

Mas aí tem sempre como piorar – ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista. E o responsável por destronar o choro trash dos coreanos foi justo o nosso querido e phopho PC do B. Os companhêro camarada resolveram mandar uma nota oficial de solidariedade ao povo coreano pela morte de King Jong pai. A prova da coisa tá aqui.

A diversão começa porque você acha que uma nota de solidariedade ao povo pela morte do carinha vai dizer algo na linha  Até que enfim o mala do King Jong bateu as botas! Vamos abrir o champagne e comemorar a vida nova, galera?

Mas aí você começa a ler a teteia (se Coreia ficou sem acento, por questão de coerência teteia também vai ficar desacentuada. Malzaê…) e se pergunta que ano é hoje. A quantidade de chavões é tamanha que me deu vontade de montar cartela de bingo com as palavras tipicamente comunistas. Acompanhem que delícia de texto (não convidei ninguém a ficar julgando o texto, apenas a curtir as palavras delicadamente escolhidas pra ocasião):

Estimado camarada [Desnecessário dizer que foi um comunistão das boas que escreveu a coisa, né? Que ano é hoje? Mil novecentos e sessenta e quanto?] Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia [Seja lá que ano for, ainda não estamos com a nova ortografia em vigor no PC do B. Mas quem sou eu pra falar de nova ortografia? Avante, companheiros! Próximo parágrafo, por favor!]

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada [não é presidente, não é líder, não é ditador, não é rei, não é dono. Ele é apenas camarada. Ah, os comunistas tradicionais…. tô me garrando numa paixonite por esse texto que cês num calculam!] Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia [o que é isso, companheiros camaradas? Dona Ortografia Nova é bem-vinda no PC do B  ou não? Coerência, cadê? Cala a boca, bruxa! Vai pedir coerência pra comunista que se solidariza com norte-coreano? Que mais você quer? Que a mulher maçã saiba crasear? Senta lá, Cláudia!], presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. [Tá certo, ele era só camarada. Mas é um camarada purdimais de atarefado, né não?]

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário [Demorou pra aparecer um revolucionário no texto, hein?], o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista [Aviso da bruxa: esse anti-imperialista está de acordo com a Nova Ortografia, sim?] , da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.[Deixei você falar mal dessas observações? Deixei? Eles podem pensar o que eles quiserem do governo King Jong pai, oras! Só convidei você a curtir o estilo único e incomparável! Avante, camaradas! Próximo parágrafo, fazfavô!]

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana[Karl Marx não poderia se orgulhar mais desse trechinho, gente! Continuidade ao desenvolvimento da revolução é tuuuuuuuuuuuuuuudo de comunista, né não?] , inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung [e eu começo a desconfiar que camarada é uma espécie de monarca diferenciado… OK, passou!], defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria [continuidade do desenvolvimento da revolução defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria é a versão comunista para o corporativíssimo Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa Tal, sempre inovando, (…)]. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.[Outra que demorou a aparecer foi a fórmula de texto de marketing direto que funciona mais que Bombril, e pode se aplicar tanto ao Papa como a Hitler. Essa última frase serve pra qualificar qualquer um, repara só…]

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências [condolência? Mas não era solidariedade?] e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano [De novo! Para de rir, que coisa! Deixa eles pensarem o que eles quiserem, oras!!! Eu só te convidei a se deliciar com o estilo do texto….]
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011 [2011? Cejura que esse texto foi escrito ANTEONTEM?!?!?!?! Alguém avisou aos comunas que o mundo apertou legal o F5 nas últimas décadas?]

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O encontro, as preposições e um poste didático

terça-feira, novembro 29th, 2011
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É, não tem jeito. As expressões ao encontro de e de encontro a  confundem gregos e goianos.

Por isso, esta brujita que vos fala vai fazer um post ilustrativo, que é pra geral nunca mais confundir.

De encontro a – essa expressão indica ir contra a coisa e se chocar (no sentido figurado ou não).

Pense sempre que, numa batida, o carro vai de encontro ao  poste, e se esborracha todo.

De encontro ao poste

Ao encontro de – Essa expressão significa comparecer a um encontro, compromisso, convescote. E, em sentido figurado, significa aliar-se, juntar-se, enfim, concordar.

Lembre-se da namorada que vai ao encontro do  namorado no motel. Pronto, enfia sacanagem no meio que você não esquece mais! 😀

Ao encontro do amor (é, eu sei que ficou brega. Mas veja o lado didático da coisa, vai...)

 

Espero ter ajudado vocês com esta aula ilustrativa! 😀

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Raridade…

segunda-feira, novembro 7th, 2011
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Recebi o link para esta verdadeira obra literária via Twitter. E faço questão de compartilhar com vocês, porque é muito raro encontrar textos desse nível num jornal diário, ainda mais produzido por um repórter.

A redação é de uma leveza doce que te leva no colo com todo carinho, linha por linha, até o fim.

E você acaba de ler esse texto com um sorriso no rosto, e uma leveza n’alma…

Ele foi publicado originalmente aqui. O autor da obra chama-se Christian Carvalho Cruz. Eis sua obra:

Aos cuidados do Chacrinha
O porteiro de poucas palavras disse a Lula tudo o que tinha para dizer: ‘O senhor está bem?’

É baixinho e todo quebrado o jeito de o Osvaldo falar. Um acaipirado doce nos erres que ele inventa, nos esses que ele esquece, nas concordâncias que ele deixa pra lá. E de uma economia desgramada. Palavra, ponto. Palavra, outra palavra, ponto. Silêncio. Ponto. Quer ver só? Como foi de Finados, Osvaldo? “Iguar”, ele diz. O que você fez? “Fui na campa”. No cemitério? “É. De Vargem Grande.” E quem fica lá? “Tenho seis gaveta.” Mas quem está nelas? “Ninguém. Tudo vazia.”

Aos engasgos, e chegando o ouvido bem pertinho dos sussurros dele, você vai sabendo que o Osvaldo não tem a menor intenção de fazer esse passeio em definitivo. Mas gosta de ir ver o lugar onde um dia, absolutamente contra sua vontade, passará mais tempo do que já passou na portaria do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dos seus 83 anos, há 52 ele trabalha ali. Nenhum dos 3.740 colegas, incluindo os 155 médicos, tem mais tempo de casa. Tampouco tem o cargo do Osvaldo: capitão-porteiro Osvaldo Luiz de Melo. Assim ele foi contratado em 1958, assim ele permanece, único – mesmo 17 anos depois de oficialmente aposentado. Não está na hora de descansar, Osvaldo? “Não, senhor.” Por que não? “Descansá cansa. Mió trabaiá.”

Então lá está o Osvaldo trabalhando. Boa parte do tempo ele fica do lado de fora do saguão, sentado. Ele, o quepe dele e a corrente de vento. “Tá frio, mas tá gostoso.” Recebe os pacientes, abre a porta do carro para eles, ensina os caminhos, pega a cadeira de rodas, volta, empurra até o andar desejado, pega o carrinho de malas, empurra também, elevador. Vai num jeito meio bambo de andar por causa da artrose na coluna e ligeiro quanto pode dentro do seu terno azul-marinho com camisa branca e gravata de nó grande. Sempre quer saber: “Como o senhor se sente?” E sempre tranquiliza: “A senhora não se preocupe. Os médico aqui são tudo bão, a senhora logo fica boa”. Se custa um pouco a chegar paciente, ou se os outros quatro colegas encarregados dessa primeira assistência lhe tomam a frente, o Osvaldo se impacienta.

“Vou lá dentro ver se precisam de mim.” Aí o mandam buscar alguém que recebeu alta. “Marca aí”, ele pede, apontando o dedo pro Ubirajara Américo, funcionário que comanda o vaivém na portaria. O Ubirajara Américo explica: “Quando eu designo um assistente para um serviço em outro andar eu anoto o horário da ida e da volta. Não tenho que fazer isso com o Osvaldo, mas ele fica bravo se não faço, briga comigo, diz que desse jeito vão achar que ele está se encostando”.

Duro o Osvaldo se encostar. Nem sentar nos sofazões de couro da recepção ele senta. Jamais. Se você insistir muito, muito mesmo, ele se abanca no máximo no braço de um deles. Daí não passa. O Osvaldo, que mora em Cotia, a uns 30 quilômetros do Sírio, trabalha dia sim, dia não, em turnos de 12 horas. Pega às 8h e larga às 20h. “Ele chega 15 minutos mais cedo e fica ao lado do relógio de ponto até dar o horário correto”, conta a Marina Muto, gerente de atendimento do Sírio e chefe do Osvaldo. É ela que às vezes, com muito jeito, pede pro Osvaldo diminuir o número de broches que ele gosta de pendurar no paletó. Corinthians, Palmeiras, PT, PSDB, Unimed, TFP, United Steelworkers (o sindicato dos metalúrgicos americanos) – todos convivem numa harmonia de dar gosto na lapela do Osvaldo. E isso tem pouco a ver com a boa-pracice radical dele, ou com um desejo inconsciente de agradar a todo mundo. Os pins são um momento íntimo do Osvaldo, uma rara conversa dele com ele mesmo sobre o desempenho de sua missão. São as suas medalhas – que ele conquista e exibe como prova dos bons serviços prestados. “O trabalho é a vida dele”, conta o José de Melo, o filho que leva e traz o Osvaldo, de carro. Não há metáfora aí: “Se tirarmos o trabalho dele, estaremos tirando a vida dele.”

O clínico geral Alfredo Salim Helito, o único médico do Sírio – e, portanto, do mundo – cujas recomendações o Osvaldo segue (em relutantes doses homeopáticas), assina embaixo. “Se ele não morrer no trabalho vai ser vindo ou voltando dele.” Diabético, hipertenso e com a severa artrose na coluna, por ordem do doutor Salim o Osvaldo deveria carregar apenas papéis. Nada de malas. “Só que eu canso de surpreendê-lo em flagrante delito pelos corredores do hospital. Ele sorri, eu o repreendo e sei que ele vai reincidir”, diz o médico, bem-humorado. Nos irritantes dias de folga, o Osvaldo fica em casa mexendo e remexendo no álbum de recortes, fotos e recordações do Sírio que ganhou da família no aniversário de 80 anos. “Ele não lê, não ouve música, não assiste à TV. Quando muito, vai ao portão à tardezinha olhar a rua.

Basicamente, ele espera o dia seguinte chegar para ir pro trabalho de novo”, conta o José. Se pudesse você moraria no hospital, Osvaldo? “Sim, senhor.” Por quê? “O senhor me acompanhe.” O Osvaldo me conduz até a portaria antiga do hospital, hoje transformada em memorial, com fotos e bustos de bronze dos fundadores. Foi ali que ele começou como porteiro, depois de ter sido pedreiro numa das obras de expansão do Sírio. “Meu pai”, ele aponta para um retrato a óleo pendurado na parede. É o doutor Daher Cutait, diretor clínico do Sírio por quase 40 anos, que só deixou o posto quando faleceu, em 2001. O Osvaldo olha para ele e quer ser eloquente desta vez: “Em 1994, quando me aposentei, o dotô Daher reuniu a turma e falou: ‘O Osvaldo se aposenta hoje, mas vai continuar aqui. Enquanto eu viver, ninguém mexe com ele. E depois que eu morrer, se vocês me consideram, também não’. Então eu tô aqui. Admiro o dotô Daher”. Mas o palavrório durou pouco, porque o Osvaldo voltou à sua quietude tão logo se viu cercado por duas entusiasmadas funcionárias dispostas a sapecar bicotas nas bochechas dele. “Tá famoso, hein Chacrinha?! Vai sair no jornal…” Chacrinha, Osvaldo?! “Apelido.” Como assim?! “As piada que eu contava.” Sei. “E também porque ele foi sempre desse jeitinho, baixinho, redondinho, fofinho”, explica melhor a auxiliar de enfermagem Estela Regina Rita dos Santos, 35 anos de Sírio, uma das beijoqueiras.

Médico o Osvaldo nunca quis ser. Chegou a sonhar com os filhos (duas meninas e um menino, que lhe deram quatro netos e quatro bisnetos) metidos no jaleco branco, mas a realidade não permitiu. Em vez disso, ele e d. Maria Marieta, com que está casado há 60 anos, passaram a vida dando um jeito aqui e ali para conseguir internações e consultas com os médicos do Sírio para os vizinhos mais precisados. O Osvaldo conhece todas as especialidades e especialistas do hospital, e não se enrosca na hora de orientar os pacientes que chegam meio perdidos. “Dotô fulano? Médico da pele.” “Dotô sicrano? Médico do olho.” “Dotô Beltrano? Médico dos instestino.” E assim vai. “Uma vez um paciente que eu nunca tinha visto me bateu à porta do consultório. Contou que precisava de uma cirurgia delicada e tinham me indicado para realizá-la”, relembra o gastroenterologista Raul Cutait, filho do doutor Daher Cutait. “Eu quis saber quem havia feito a indicação e ele respondeu: ‘Aquele senhor de quepe lá da portaria. Pela cabeça branca, supus que ele trabalha há muito tempo aqui e fui lhe perguntar quem era bom nesse hospital para cuidar do meu problema. Ele me garantiu que com o doutor Raul Cutait eu estaria em boas mãos’.” Um craque.

Você gosta de futebol, Osvaldo? “Não, senhor.” Por quê? “Caus da veiz que o Pelé internou aqui.” O que aconteceu? “Ele chamou tudo nóis de trouxa, aí parei.” Chamou quem de trouxa? “Disse que os torcedô parece trouxa, que fica brigando de soco no campo. Aí parei.” E você fuma? “Não, senhor.” Bebe? “Só uma vez.” Quando foi? “Era criança.” Se sentiu mal e nunca mais bebeu? “Nem tonto fiquei, mas o patrão viu.” E finalmente eu entendi um pouco a relação do Osvaldo com o trabalho. Quando ele tinha 15 anos e trabalhava numa fazenda em sua cidade natal, Paraíso Garcia, perto de Curralinho, em Minas, o filho do patrão o convidou para fazer uma visita ao alambique da propriedade. O amigo entornou até cair. O Osvaldo diz que só deu um gole e precisou carregar o sinhozinho para casa.

Chegando lá, o pai do menino o chamou de canto: “Osvaldo, você entra na minha casa, toma conta das minhas filhas, conhece tudo aqui. É quase da família. Agora bebendo, como é que eu posso confiar em você? Ponha-se daqui pra fora”.

O Osvaldo engoliu a humilhação, mas nunca a digeriu por completo. O episódio está dentro dele ainda, e parece ter norteado o resto de sua vida. A lição pra ele é bem simples: “Se ocê quer trabaiá nessa vida, tem que ter a confiança do patrão”. Na última terça-feira, alguém que conhece bem as idiossincrasias do capitalismo mandou chamar o Osvaldo. Era o ex-presidente Lula, que, de partida depois de sua primeira sessão de quimioterapia, queria se despedir. O Osvaldo, muitas outras vezes com Lula (nas internações do ex-vice José Alencar e da presidente Dilma Rousseff), manteve o protocolo: “O senhor tá se sentindo bem?”, quis saber. “Tô bem, querido”, devolveu Lula. Então fizeram o retrato que sairia nos jornais e que o Osvaldo, dois dias depois, ainda levava dobrado no bolso do paletó – junto de uma cópia do boletim médico que anunciava a alta do ex-presidente.

Você é feliz, Osvaldo? “Sim, senhor.” O que te faz feliz? “Tô trabaiando, converso, ninguém me aborrece. Se fico em casa não vai ninguém…” E você gostaria de morrer no Sírio? “Claro, uai.” Por que claro? “Se morro em casa é um trabaio danado conseguir atestado de óbito. No Sírio os médico tem que se virar. Não vão me deixar ficar mais aqui por muito tempo”, conclui o Osvaldo, não levando em conta os planos do doutor Raul Cutait de propor um busto de bronze seu para o memorial.

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A bênção, Chiquinho! \o/ Parabéns!

terça-feira, outubro 4th, 2011
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Hoje, 4 de outubro, é dia de São Francisco de AssisMeu grande amigo lá nosencima. Ele quebra meus galhos lá em cima, e eu quebro os galhos dele aqui embaixo, na medida do possível. Ajudo os bichinhos, procuro um lar pros abandonados, ajudo as amigas a cuidarem bem de seus bichos… enfim, é o que as amebas chamariam de parceria de sucesso 😀

Mas em homenagem ao Grande Chiquinho do meu coração, deixa eu postar aqui uma letra liiiiiiiinda do Vinícius de Moraes (ah, não! Vocês queriam a Oração de São Francisco? Coisa mais batida!) Enfim, curtam a sutileza do dizendo ao fogo saúde irmão. De Vinícius de Moraes e Paulo Soledade (magistralmente interpretada por Ney Matogrosso):

 

 

São Francisco

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.

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Letrinha igual e agá. Só então o hífen dá as caras!

domingo, outubro 2nd, 2011
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Se vocês fuçarem as entranhas deste caldeirão vão ver o quanto eu já estrebuchei e estrebucho contra a reforma ortográfica. É contraproducente, mais desagradou do que agradou, vai levar um bom tempo até que todo mundo se acostume, e que negócio é esse de micro-ondas agora ter hífen e….

EPA! Eu entendi qual é a lógica do hífen, e vou aqui explicar pra cêistudo! Gente, é a coisa marfácil deste mundo! E eu dedico esta aula ao querido professor Sério Nogueira Duarte, que sempre esteve incluído nas minhas preces, jamais nos meus despachos. Pois foi ele quem explicou o negózdi hífen que ficou claro e límpido aqui nazidéia…

Primeiro, vou explicar como era a regra do hífen na minha cabeça:

quando aparecer alguma expressão com os prefixos

ANTE ANTI ARQUI AUTO CIRCUM CO CONTRA ENTRE EXTRA HIPER INFRA INTER INTRA SEMI SOBRE SUB SUPER ULTRA

ou os falsos prefixos

AERO FOTO MACRO MAXI MEGA MICRO MINI NEO PROTO PSEUDO RETRO TELE

(antes de fazer a pergunta: mas bruxa, qual a diferença entre falso prefixo e prefixo? Pergunte-se: ´necessário eu saber essa diferença? Eu já te respondo: não é necessário saber diferença entre falso prefixo e prefixo, então, vamos nos ater ao como escrever a bagaça, sim?)

Enfim, como proceder com esses prefixos?

Na minha cabeça, era só correr pro Manual do Estadão. a regra ficava clarinha, clarinha pra mim. (#numpresto #numvalhonada)

Mas eu tenho que tirar o chapéu pra reforma ortográfica, que simplificou horrores a tacação de hífen. Agora é assim, ó:

1- Olhe a letra final do prefixo e olhe a letra inicial da palavra à qual ele vai se ligar.

2- Se a letra final de um e inicial de outro forem iguais, taca hífen. Se a palavra seguinte começar com agá, taca também.

 

Gente, tem como ser mais fácil? (Ah, sim: lembre-se que quando necessário devem ser feitos os ajustes, como dobrar ésses e érres, tá?)

daí, nós temos: microssaia, minissaia, mini-indústria, mini-herói, anti-imperialista, anti-inflamatório, arqui-inimigo, microempresa. E temos semi-interno, antimachista, micro-ondas, micro-humano, super-herói, hiper-realismo, hipermercado etcetcetc.

Tá tão fácil que dá pra guentar até uma exceções, né? então vamos a elas:

* prefixo CO-

Pra entender o que houve com o prefixo co- e o hífen, pensem em José Dirceu. Pronto? Agora, pensem em Roberto Jefferson. Lembraram-se do eu repilo? Então, pronto! Negósseguinte: o prefixo co brigou com o hífen, repele ele (tá, eu sei que deu cacófato, mas vou deixar!) e só se junta às palavras sem hífen. Nem que para isso tenha que se acabar com o agá!

Por isso temos: copiloto, coerdeiro (fala-se do cara que também é herdeiro), coabitar, coocupante, coordenador.

* prefixo SUB-

Ah, bruxa, eu entendi! O prefixo sub só ganha hífen se a palavra seguinte começar com bê ou agá, né?

Isso mesmo, encosto! Mas no caso do sub, dona eufonia também fez lobby, e conseguiu ter sua reivindicação aprovada!

(antes que perguntem, e isso é importante saber: eufonia = som agradável. É aquela parada que faz com que os fonemas das palavras se ajeitem bonitinho e fique agradáveis aos nossos ouvidos. Se não entenderam direito, tio Antônio explica: qualidade acústica favorável da emissão e/ou da audição de um significante pela articulação de certos fonemas No domínio fônico, a eufonia procura evitar sons estranhos, contrastantes, discordantes, repetições desagradáveis; em fonética, explica certas mudanças, podendo ser fator de assimilação ou de dissimilação. 2     som ou combinação de sons agradáveis ao ouvido 3     a sensação auditiva resultante da combinação desses sons)

Mas eu falava do lobby de dona eufonia. Por conta disso, e só por conta disso, as palavras que querem se ligar ao prefixo sub e que começam com érre também ganham hífen. Exemplo: sub-rei. (Tudo pra evitar que nego leia em voz alta subrei em vez de subirrei, entenderam?)

Isto posto, tem também os prefixos que JAMAIS vão abrir mão dos seus bons hífen: 

ALÉM AQUÉM EX GRÃ GRÃO RECÉM SEM SOTA/SOTO VICE/VIZO.

Também entram nessa lista os prefixos PRÉ e PÓS tônicos e BEM (lembre-se: é bem-feito ou benfeito de acordo com a sua religião, mas bendizer, bendito, benquisto).

 

Enfim, é isso. Espero conseguir tempo de voltar a esse ponto com exercícios pra vocês fixarem bem a idéia da coisa toda. Não prometo, porque tô atolada de coisa pra fazer.

 

 

 

 

 

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Cantiga por Luciana

sexta-feira, setembro 16th, 2011
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Estou muito feliz com o nascimento da minha priminha Luciana. Por isso, vou celebrar aqui com a letra liiiinda interpretada orignalmente pela Evinha (mas a Sandy também já cantou essa música, e tá me fazendo chorar litros aqui!)
Mas vamos à letra da canção, de autoria de Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, composta em 1969, e campeã do 4º Festival Internacional da Canção):

Manhã no peito de um cantor
cansado de esperar só.
Foi tanto tempo que nem sei
das tardes tão vazias
por onde andei.
Luciana, Luciana,
sorriso de menina
dos olhos de mar…
Luciana, Luciana
abrace essa cantiga
por onde passar.
Nasceu na paz de um beija-flor,
em verso, em voz de amor,
já desponta, aos olhos da manhã,
pedaços de uma vida
que abriu-se em flor.

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O Reino da Grande Chave

sexta-feira, agosto 26th, 2011
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Este post é mais uma Kibada portuguesa desta que vos fala. Foi publicado pelo dileto @klaxonsbc em seu brógue. O texto foi publicado mais exatamente aqui.

O jornalista americano Av Westin escreveu o livro How TV Decides the News. Não sei de tradução para o português. Nele, Westin teve a pachorra de criar a Land of the Common Place (A Terra do Lugar Comum), salpiacada de locais como “rios de sangue”, “montanhas íngremes a escalar” e coisas do tipo. Meu sonho é reencontrar esse livro e fazer a tradução desse mapa. Se alguém por aí encontrar esse livro e o mapa da Land of the Common Place e enviar a esta bruxinha, eu vou agradecer horrores!

Mas vamos ao post do Klaxonsbc:

Chavão abre porta grande

(Itamar Assumpção e Ricardo Guará)

O mantra “nosso” de cada dia:

“O mercado tá nervoso”; “Não tem que dar o peixe, tem que ensinar a pescar”; ”É necessário fazer a lição de casa (cortes de gastos públicos, desoneração da folha…)” ”O Estado não pode estar em determinadas áreas, mas tem que fiscalizar estas áreas, mesmo que ele náo tenha nenhum poder sobre elas”;

“Os maiores racistas são os próprios negros”; “Eu também quero a minha cota, sou filho de pobre”; “Dia do Orgulho Hétero”;   “Eu sou um antiracista convicto, mas no futebol meu time tem que entrar em campo com raça”; “Ele é veado, mas é meu amigo”;

“…mas lá (longe) a Justiça funciona”;  ”Nós trabalhamos para eles receberem bolsas”; “O Estado é totalmente incompetente e corrupto, mas eu sou a favor da pena de morte”; “Não existe país mais corrupto que o Brasil, já rodei vários países na Europa, fiquei quinze dias em cada um e não vi nada do que vejo aqui”;

“Eu nunca uso transporte público, não funciona mesmo e não adianta reclamar…”; “Corredor exclusivo para ônibus atrapalha o trânsito”; “Eu peguei metrô uma duas vezes na vida, em Paris e em NY, em São Paulo não tenho coragem”; “eu contribuo de qualquer forma para melhorar o trânsito, só não me peçam pra deixar o carro em casa”;

“As reinvidicações são até justas, apesar do discurso ideologizado”; “Não existe mais esquerda, direita ou centro (mantra neoliberal)”; “Acabou a guerra fria, agora é guerra ao terror (do outro)”; “vamos destruir o povo e suas cidades para lhes dar a liberdade e a democracia”;

“Globalização é o fim da fronteira local em nome do universal (só não mexa no que é meu)”;

“Eu não voto em mais nínguem”; “Todos os políticos são corruptos”; “Eu não tenho nada a ver com isso, apesar de ter votado…”;”Não me envolvo com política, sou apolítico, a política é suja”;

“Nínguem (eu?) respeita as leis nesta cidade”; “Para quê leis, se elas não são cumpridas?”; “Existem leis que pegam e aquelas que não pegam” ;

“Pra quê Copa do Mundo aqui? Primeiro teria que resolver educação, saúde…” ; “A seleção brasileira é um lixo, a promessa agora é a Croacia…”; “Jogador de futebol ganha muito pra não fazer nada (a Nike agradece)”;

“O que falta para as pessoas é Deus no coração (em geral o “Deus” exclusivo da pessoa)” ; ‘Religião, política e futebol não se discutem (basta ignorar a opinião do outro); “O seu direito acaba onde começa o meu (ou a negação da dialética)”;

“O acesso ao livro é fundamentais (não importa onde, quando e como ele vai ser lido); “Informação é poder (e como tal privilégio de poucos)”; “Vivemos a era da informação…distorcida, tendenciosa, manipulada…”; Política cultural é um assunto complexo (quando se inaugura a discussão…?).

Eu poderia ficar horas a pensar, pensar, escrever, escrever, mas creio que cada qual identifica seus vários chavões de portas grandes…e o dos outros…

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Se um jornalista te pedir pra “conferir”, cuidado: ele quer que você faça o trabalho dele! (ô, raça!)

quarta-feira, agosto 24th, 2011
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A coisa já vinha me incomodando há algum tempo. Pensei em fazer um post a respeito, mas preferia sempre enviar o link pra obra-prima do Hector Lima. Mas já que ele me autorizou, deixa eu kibar o texto dele. Kibada portuguesa: copio o texto, colo aqui, cito a fonte e dou o link pro site original, claro! 😀

Enfim, ponha só uma coisa na sua cabeça: se alguém te pedir pra conferir alguma coisa, tá pedindo pra você verificar por conta própria se a coisa tá certa. Se um jornalista te pede pra fazer isso num texto, o que ele diz em síntese é o seguinte: ó, listei esses troço tudo aqui mas não conferi nada. Confira o que abre e o que fecha nesse feriado, porque eu não fiz o meu trabalho direito!

Mas deixemos que zifio Hector aborde o assunto:

Campanha pelo fim do ‘Confira’

Por Hector Lima [27.11.2009]

Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da população – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez mais ainda. Mas o verbo ‘conferir’ não tem esse sentido. Veja:

Conferir

v.t. Verificar, ver se está certo.

Comparar, confrontar.

Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).

V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir

certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

Dizer confira o texto [as imagens, a matéria etc] é a mesma coisa que dizer verifique pra ver se está certo. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens. Quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. ‘Confira’ não deve ser usado para dizer ‘veja’, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum e aceito.

No caso do ‘conferir’ isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do ‘conferir’ isso é tão feio que eu não resisto. Morre um animal em extinção a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha, sim, mas é mais forte que eu, me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo. Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu público e a Goma agradecem.

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♥ Tem como não amar? ♥

domingo, agosto 14th, 2011
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Aaaaaaaaiiiiiii, derreti todinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Tô quase chorando de emoção, viu, gente?

São comentários como esse que eu acabei de receber, do João Paulo Ferreira de Assis, que fazem valer cada segundo usado para fazer este blog, viu? Vou nem perder tempo explicando o porquê! Deixo que ele conte tudo:

 

Enviado em 13/08/2011 as 1:21 PM

Tomo a liberdade de propor uma sugestão:

Como a escola onde leciono, no interior de Minas Gerais aderiu ao movimento de greve dos professores estaduais, eu sugeri aos meus alunos que tivessem dúvidas sobre Gramática da Língua Portuguesa, que consultassem esse blog. Sugiro então que facilite aos meus alunos a pesquisa pelo seu blog, que considero um dos melhores do gênero, dispondo para consulta os links correspondentes. Grato pela atenção.
Cordialmente, João Paulo Ferreira de Assis

Eu respondi:

Enviado e14/08/2011 as 1:53 AM | Em resposta a João Paulo Ferreira de Assis.

Em primeiro lugar, muito obrigada, zifio! Fico lisonjeadíssima por saber que sou recomendada em sala de aula por professores! \o/
Em segundo lugar, te pergunto: quantos anos têm os seus alunos? Te pergunto isso pq eu não tenho lá muito controle com minhas expressões, escrevo palavrão mesmo! Tá tudo bem com isso? Se não, me avisa que eu JUUURO que eu tento me controlar!
Em terceiro lugar, tem um campo de busca no canto direito desse blog. Vou facilitar a vida docêis tudo: vou subir esse campo de busca e deixá-lo bem no alto do lado direito do blog, OK?
Em quarto lugar, quais seriam os links correspondentes a que vc se refere?

Saudações, e avante companheiro, a luta continua! Que Nossa Senhora da Concordância Verbal lhe ilumine os caminhos para exorcização de amebas escreventes! Transforme seus alunos todos em ectoplasmas suínos! :D

Abraços da
Bruxa

E aproveito pra avisar:

1- O campo de busca já foi devidamente “subido”. É o Procure aqui, zifio! Tá aí no canto direito —>

2- Aproveitem este post daqui pra conversarem com a Madrasta do Texto Ruim, crianças! Façam seus comentários e aguardem. Pelo menos uma vez por dia eu entro no blog pra aprovar o que vocês escrevem (Tão pensando o quê? Quem manda aqui sou eu!), e posso ou tirar as dúvidas de vocês pelos comentários, ou criar novos posts a respeito. Mas não se preocupem: todos terão resposta!

3- Declaro que, mesmo sem jamais ter conhecido o zifio, fui muito com a cara do professor de vocês, meninos! E decreto a partir de agora a sacrossantidade do professor João Paulo Ferreira de Assis. Se algum aluno sacanear ele, JÁ ESTÁ JURADO DE HEMORRÓIDAS, ENTENDERAM BEM?

4- Entrem no blog da Hillé, o Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, sempre que encherem o saco do meu caldeirão. Lá vocês também vão dar boas gargalhadas!

5- Divirtam-se! \o/

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Era uma vez uma bruxinha estudante (ou: estudar vale a pena, sim senhor! \o/)

sexta-feira, agosto 12th, 2011
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então houve ontem uma blogagem coletiva sobre a importância e a necessidade de se estudar?

Céus, ainda dá tempo de participar!? Espero que sim! Vou republicar um post de novembro, que eu adorei fazer! Ah, que gostoso foi relembrar meu tempo de escola! Espero que vocês curtam! (Mas vai estourar umas pipoquinhas, poreque esse texto é loooongo purdimais! 😀 )

****************************************************

Juro por Deus – a entrada da escola era assim mesmo! Um sonho!

Tô sendo influenciada por essa blogosfera de Deus a fugir da linha editorial deste blog. Primeiro foi o Pannunzio que me inspirou a contar do dia em que o marido ficou preso do lado de fora de casa.

Agora é a Conceição Oliveira, do blog Maria Frô. Ela contou aqui sobre suas primeiras lembranças da escola primária. Os traumas com professoras sem-noção e as satisfações de uma menina a descobrir o mundo, as letras, os saberes, as receitas de feijão… 😀
Me peguei pensando na minha alfabetização e nas primeiras tias…
Ah, vou contar!
A primeira tia de que me lembro foi a tia Cema, ainda no Jardim de Infância. Uma senhora, cabelos tingidos de louro, rabo de cavalo. Devia ter seus 50 anos, no Colégio Professor Monteiro Barbosa, no subúrbio do Méier, no Rio de Janeiro. Eu morava em Higienópolis, Rio de Janeiro. Sabe Higienópolis, São Paulo? Pois é. Não. A rua principal desse bairro era (acho que ainda é) a Estrada Velha da Pavuna. Se você ainda não jogou no Google Maps, te digo que hoje a Linha Amarela cruza essa rua duas quadras depois de onde eu morava. O lado pobre da Linha Amarela, bien sûr.

Joguei no Google pra ver se encontrava mais informações sobre o Colégio Professor Monteiro Barbosa, e achei a bendita, gente!

Interior do colégio Professor Monteiro Barbosa       Eu brinquei muito aí!

Me acabei de chorar ao ver pelas fotos que o pátio, a cantina, continua tudo igualzinho ao que era quando eu estudei lá há… uma semana! O passado remoto aconteceu sempre na semana passada! 😀 reparem na piscina à esquerda. Também fiz natação lá! Gente, quanta emoção!

Mas eu falava da tia Cema. Lembro que certa feita ela contou pra minha mãe que, pela manhã, ela lavava fraldas de pano. Ou será delírio meu? De qualquer forma, minhas lembranças da tia Cema são iletradas e raras. Apenas muito carinho. Isso foi em 1978 marromeno. (velha é você!) Mas eu tô pensando aqui, e ligo muito a tia Cema à imagem da Hebe Camargo… (não, é a tua mãe que é velha, seu sem-educação!)

Fui me alfabetizar no ano seguinte ainda no Monteiro Barbosa. O Sonho de Talita foi minha cartilha. Me lembro do desenho da Talita, e hoje me dou conta por que, anos mais tarde, fui tomada por uma ternura inexplicável pela imagem da Mafalda, do Quino. Gê-me-as. 😀

O Sonho de Talita – Livro de Exercícios (que eu nem lembrava que tinha)

Minha professora: tia Maria Augusta. Em minhas memórias, não era bonita. Cabelo maltratado, rosto espinhento. E suas motivações eram regadas a lápis: fez o dever bonito? Ganha um lápis! Chegou cedo? Ganhou um lápis! tirou 100 na prova? Adivinha? Lápis! Um lápis simples, preto… que eu cobicei muito!
O contrário do lápis preto era o ficar em pé na frente da sala diante do quadro negro, e todos os coleguinhas olhando pra sua cara. Fiquei uma vez, porque me esqueci de fazer o dever de casa. Chorei até não poder mais. Hoje acho que foi injusto, mas será que essa reprimenda não funcionou?
Modéstia à parte, acho que era uma das melhores alunas. Era ávida e ansiosa por aprender a ler tudo o mais rápido possível. A turma inda tava no ma-me-mi-mo-mu e eu já tava nos dígrafos de cachorro. Só fui descobrir que diachos era um dígrafo quando a tia Augusta explicou, mas àquela altura eu já havia inferido que ch tinha som de x. Aliás, por quê fomos aprender o x de xadrez e o z de zebra só no final do livro, no último bimestre? Eu já tinha chegado lá em junho!
O Sonho de Talita - livro principal

O Sonho de Talita – livro principal

Por falar em reprimendas, me lembro como se fosse hoje de quando comecei a estudar os dígrafos lha-lhe-lhi-lho-lhu. Naquele fim de semana, a família se reuniu na casa da minha madrinha. Na hora do cafezinho, me ofereci toda sestrosa para escrever numa lista quem iria querer cafezinho. Escrevi os nomes com todo o cuidado e, ao entregar o papelzinho à minha madrinha, ela riu com gosto da minha cara: “ô, minha filhinha! TiaAmélia não se escreve com éle agá!” Eu escrevi Tia Amélha. E juro por Deus, todas as vezes que escrevo ou digito a palavra Amélia, me lembro desse momento. Isso me ajudou – e muito – a me esforçar para jamais errar na grafia de uma palavra.

Mas eu ia pra escola de ônibus. Havia três “linhas” de ônibus, todas da escola: a vermelha, a azul e a verde. Eu ia no ônibus vermelho, dirigido pelo tio Joel. Meu irmão tinha 2 anos, e me acompanhava fascinado naquele ritual de acordar, fazer o dever de casa, tomar banho, almoçar, vestir o uniforme e esperar pelo ônibus do tio Joel, que me levava pra aula.

A carteirinha do meu primeiro ano no     Monteiro Barbosa

Um belo dia, pedi à minha mãe que me comprasse outro caderno, pois o meu estava acabando. Meu irmão pediu na hora: “eu também quelo!” e minha mãe trouxe dois cadernos. Quando o ônibus chegou e buzinou, eu desci correndo pra pegá-lo. Meu irmão, trajando apenas um shortinho, descalço e sem camisa, mas com o caderno novo e uma caixinha cheia de cotocos de lápis em mãos, disse com toda a autoridade: “Eu também vou! Eu tenho caderno!

Eu e meu irmão com o tio Joel. Nesse ano, eu estava sendo diplomada na alfabetização; ele ganhou o diploma de “adeus às fraldas” 😀

Naquela tarde, minha mãe conteve meu irmão – que chorou até pegar no sono. E ligou pra diretora da escola (que, anos mais tarde, seria acusada de tramar o assassinato do marido,o tio Lindáureo, mas  deixa isso prá lá), de cujo nome não me lembro. E a diretora disse que meu irmão poderia, sim, frequentar a aula do maternalzinho. Minha mãe então saiu pra comprar um uniforme pro meu irmão.

No dia seguinte, meu irmão não cabia em si de felicidade. Quando o ônibus do tio Joel chegou, ele subiu, deu um grande aceno a todos no ônibus e disse: oi, pessoal, hoje eu vou também! E correu pro fundo do ônibus. “E nem pra me dar um beijinho!”, chorou minha mãe ao telefone com meu pai, minutos depois da partida.
Eu fazia balé e, no final do ano, havia apresentação. Fiz duas apresentações, lá. Uma coma música dos Gatos dos Saltimbancos (nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres…) e outra da Emília (Pobre de mim Emília me traga uma notíca boa Pirlimpimpim, se não chover É vento ou é garoa). E ainda me lembro de parte das coreografias. Gente, a Cher (meu neurônio) é poderosa e vitaminada, viu?

Não me lembro dos livrinhos que eu lia nessa época. Mas me lembro que lia muita revistinha do Walt Disney e da Mônica – com o tempo, meu gosto foi se refinando e meu coração foi possuído pelo Zé Lelé 😀 . Mas o ano em que me alfabetizei foi também quando comecei a me interessar por Monteiro Lobato – por causa do Sítio do Pica-pau Amarelo que passava na Globo.

No ano da apresentação da Emília. à minha direita, o Yaro.

Aliás, duas grandes frustrações da minha infância: eu falava que nem a Emília faz de conta mesmo que não sei o quê não sei o que lá – PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM, PIRLIMPIMPIM! – eu dizia pirlimpimpim três vezes e não acontecia na-da comigo. Isso e eu me empolgar com o convite do Daniel Azulay: vamos lá, amiguinho, você consegue desenhar que nem eu – e o meu desenho invariavelmente ficava uma boooooosta. Desses dois traumas eu acho que jamais me recuperei.
Me lembrei de um coleguinha que sempre sentava a meu lado no ônibus, o Yaro. Nós brincávamos que éramos dois extraterrestres navegando em nossa espaçonave (oi?), a Puquixa e o Puquixo. Agora, de onde eu desenterrei essa memória, não sei. Sei que googlei o Yaro e acho que ele virou tatuador. Acho.
Em 1980, minha família se mudou para Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e eu fui estudar no Educandário Logosófico González Pecotche. Minha professora da primeira série primária era a tia Gláucia. Ela morava a uma quadra de onde eu morava, ambas perto da escola, que fica logo no começo da rua Mena Barreto, em Botafogo (que ainda se chama Álvaro Rodrigues) – ou no final da General Polidoro, seus fundos.
A tia Gláucia era muito legal. Jovem, esperta, falante, se mexia muito pra falar – via nela uma irmã mais velha. Décadas mais tarde (oi? eu disse décadas? Que nada! Apenas uma semana se passou!) eu a reencontrei. Já cursava faculdade de jornalismo na UFRJ. Entrei num auditório da Praia Vermelha e a vi, rodeada de colegas. Acho que cursava alguma pós em pedagogia. Eu a interpelei:
– Oi, você se chama Gláucia, né?
Ela se encolheu um pouco na cadeira e fez que sim com a cabeça. Prossegui:
– Sabe por que eu sei? (ela se encolheu um pouco mais e aguardou a resposta) É porque você foi minha professora na primeira série, em mil novecentos e [conteúdo censurado], no Logosófico, ali na Mena Barreto, lemb…
– Aaaaaaaahhhhhh! Eu tava com medo que você dissesse isso! Mas eu me lembro de você! Você é a fulana, filha da Iolanda, irmã do Paulo! Me lembro de você como se fosse hoje! Nossa, que primor de aluna! Tem doze anos e já está na faculdade, né?
Assim como eu, tia Gláucia também tem problemas com o passar do tempo…
Engraçado que da tia da segunda série eu tenho poucas lembranças. Tia Denise ou tia Cristina? Não lembro. Lembro apenas que ela odiava ser chamada de tia.
– Sou irmã do pai? Sou irmã da mãe? Então, por que você me chama de tia?
Porque eu fui ensinada a chamar professora de tia no maternal, tia!

Tenho grandes e deliciosas lembranças do Santo Amaro. Tenho, sim!

Terceira Série, e eu mudei de escola. O Logosófico era muito fraco, minha mãe tava incomodada com o fato de a professora não ter chegado nem à metade do livro de matemática. Fui parar na 3ª série B, da tia Tereza, no colégio Santo Amaro, que fica na rua 19 de fevereiro, também em Botafogo.
Tia Tereza tá lá até hoje. Vira e mexe eu a vejo. Ela abre um grande sorriso pra mim, mas sei que ela não se lembra de mim. É que o séquito de ex-alunas que falam com ela com um grande sorriso nos lábios é grande, ela apenas cumpre o dever de ser educada. Tenho medo de pensar quantos anos de magistério tia Tereza tem nas costas. Mas é uma excelente profissional.
Lembro que foi ela quem me ensinou os tempos verbais no modo indicativo. Ainda vejo em minhas retinas o quadro negro cheio de tabelas repletas de verbos conjugados no presente, pretéritos perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito e futuros do presente e do pretérito do Indicativo. Acho que foi ela quem ensinou subjuntivo e imperativo, também.
Eu conjugava todos os verbos no meu caderno, ávida por saber de tudo. E adorava o fato de ter tanta coisa nova a aprender e desbravar. Tinha um grande prazer em pegar a régua e desenhar no meu caderno as linhas que separavam os tempos verbais. Será que as crianças de 8 anos ainda têm direito a ter o prazer de saber e de aprender gramática?
Acho melhor parar por aqui, porque eu tô me lembrando de todos os professores de português que eu tive – alguns brilhantes, outros mediocremente lamentáveis. Mas sei que, desde cedo,
(   ) nossa Linda flor do Lácio
(   ) nossa língua inculta e bela
(   ) nossa Língua Portuguesa
[escolha acima seu chavão preferido para se referir ao português]
sempre me fascinou, me entreteve e me trouxe muito prazer no aprendizado.
A ponto de eu encher o saco de vocês por aqui!
Pronto! Lembrei!
E tô aqui me acabando com meus recuerdos…
Ah, conta pra mim e pra Maria Frô as suas lembranças da escola…
Divirtam-se aí embaixo nos comentários! E eu prometo dar uma canetadinha nos textos muito grandes, sem nem falar nada! :D’
(e então? Vale a pena estudar? 😉 )
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Duff McKagan: roqueiro, colunista e pai de família

quarta-feira, agosto 10th, 2011
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Ele era assim...

Imagine a seguinte história: o cara foi membro de uma das bandas que mais ganhou dinheiro na década de 1990 Fumou, cheirou, bebeu e injetou todas. Chegou ao ponto de, no auge do vício, comprar uma casa em sua cidade natal, Seattle, olhar para o forro de cedro que colocou no teto da casa e dizer: esse teto vai durar uns 25 anos, mais do que eu. Seria uma história com um final triste, se ele não estivesse sóbrio desde 1994 e se dando conta de que, 17 anos depois, tá na hora de trocar o forro.

É nessa linha que o ex-baixista do Guns n’Roses, Duff McKagan, escreve suas colunas toda quinta-feira na Seattle Weekly. Ele consegue falar de um puta drama (largar as drogas) a partir de um detalhe banal do cotidiano (tenho que trocar o telhado desta casa). Do cacete. Simplesmente. Aí ao ler os textos deliciosamente bem-escritos, você descobre que o sujeito largou as drogas, mas não largou o rock’n’roll. Virou pai babão de duas meninas pré-adolescentes, tem um casamento que já dura seus bons 15 anos, viaja pra cima e pra baixo com a banda Loaded, adora o cachorro que tem e nunca vai se esquecer da labradora que já teve. Rala pra caramba pra manter a família e a banda – e reclama dos dias em que a mulher liga pra ele levar leite pra casa e ele está de moto.

Teminhas triviais, bobinhos, tolinhos, dirá você. Mas o Duff escreve bem pra caramba. E você acaba se divertindo ao descobrir que esse roqueiro heavy metal leva as filhas aos show s de Justin Bieber (foram três colunas de Justin Bieber!) e Britney Spears. Ou do dia em que ele resolveu que a família iria se divertir no verão se fossem acampar todos juntos. Eu ri pra valer quando ele contou o que vai fazer com o primeiro namoradinho da filha. Ou como manter a sanidade sendo o único homem numa casa repleta de hormônios.

Por outro lado, ainda quando os temas da coluna se resvalem em assuntos pesados como o lado difícil e complicado de largar as drogas, o texto é leve e simplesmente flui. E você acaba suando frio junto com ele quando ele conta como foi a primeira vez em que ele foi sóbrio ao supermercado, depois de ficar duas semanas no hospital se recuperando de uma cirurgia de emergência no pâncreas (que não guentou a vida de viciado e pediu as contas). Foi a virada de que ele precisava.  Mas quando ele lamenta a morte de Amy Winehouse, você sente as dores dele e da Amy. E se dá conta do quanto a moçoila deve ter sofrido.

Em outra coluna, você vibra quando, ao citar Joe Strummer, ele dá uma lição de humildade não só para roqueiros, mas pra qualquer profissional que se acha o fodão.

... e ficou assim!

Mas há textos menos pessoais, nos quais ele analisa o atual mercado fonográfico, ou do dia em que o Obama foi eleito.

É, galera, malzaê. Obcequei com Duff McKagan. Mas a culpa é toda do Axl Rose. O ex- não, ele ainda é, só não avisaram pra ele que a banda acabou, mas deixa isso prá lá vocalista do Guns n’Roses andou falando bem da economia brasileira dia desses, mas eu tinha lido qualquer coisa há eras sobre não o vocalista, mas o baixista do Gun n’Roses, Duff McKagan, ter se matriculado numa faculdade de economia. Meus neurônios reclamaram a informação correta, e lá fui eu jogar o Duff no Google.

Por isos nem vou contar pra vocês que o cabra já escreveu sobre economia pra Playboy americana. Tambpem não vou contar que ele precisou de alguns parágrafos pra destruir ideologicamente o Tea Party.

Tudo isso pra dizer que eu recomendo dicumforça os textos do Duff. Toda quinta-feira, aqui. (aviso: tudo ininglix. Tem um site brasileiro que faz uma ou outra tradução, mas vale a pena mesmo ler no original!)

Só lembro de um roqueiro brasileiro chegar perto do que são as acolunas do Duff: o João Gordo era colaborador da revista eletrônica NoMínimo. Os textos dele eram igualmente leves e divertidíssimos. Ele também foi a um show da Sandy (“você descobre que vai precisar de alguns anos de análise no dia em que os fãs da Sandy não só te reconhecem como pedem pra tirar foto contigo“).
Também contou de como foi sua experiência num spa (ele contou que o melhor do spa foi ter se internado lá na mesma época em que o William Bonner estava por lá, porque o Bonner jogava videogame ao lado dele e, quando morria durante os joguinhos, falava palavrão no timbre do boa noite do Jornal Nacional.  Daí o João Gordo, que também tava tentando jogar o game dele, caía na na gargalhada e desistia de jogar).

Infelizmente os arquivos da No Mínimo não estão mais disponíveis na web, porque os textos do João Gordo eram maravilhosos.

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Manual prático de bons modos em livrarias

sexta-feira, julho 22nd, 2011
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Parei um pouco de ler esse blog pra recuperar meu diafragma.

O Manual prático de bons modos em livrarias é o relato dramático de uma pobre livreira obrigada a lidar com amebas consumidoras de livros e afins (“Tem o DVD do Repórter 6?” E o sujeito queria era o DVD do Harry Potter. sentiram a linha editorial, né?).

Quer dizer, o drama é da livreira. Eu estou é me acabando de rir com os textos!

Dica deliciosa do Cardoso que vai entrar aí no cantinho direito deste caldeirão.

E na minha lista de páginas que se abrem automaticamente a cada sessão de meu navegador.

Agora, licença. Já peguei mais lencinhos pra acompanhar a leitura (tô chorando de rir, sério) e vou ler todos os posts, desde o início do blog.

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Didática do trauma. aula nº4: por que não usar a expressão vis-à-vis

segunda-feira, julho 18th, 2011
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(Antes de começar o post, deixa eu pedir ajuda pro tio Antônio pra ele explicar que negózdi vis-à-vis é esse:)

vis-à-vis:
advérbio
1 em face; defronte
Ex.: sentamo-nos v. 

n preposição
2 em frente a
Ex.: uma janela v. à Baía de Guanabara
3 em relação a; em comparação com
Ex.: ativo bancário v. passivo anual

n substantivo de dois gêneros e dois números
4 pessoa que está colocada à frente de outra
Exs.: meu v. na quadrilha foi Virgílio
no escritório, meu v. é papai
5 tipo de carruagem cujos ocupantes se sentam face a face

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula da Madrasta do Texto Ruim.

Daí você curte horrores dar um tchan, um élan ao seu texto, e usa a expressão vis-à-vis, né?

A Madrasta do Texto Ruim avisa: faz isso não, zifio! Ssuncê num sabe que ssascoisa fica feio?

De jeito nenhum, Madrasta! é uma expressão chique e elegante, vou usá-la! – dirá você, ameba.

Aí eu venho e provo pra você que você num tá na melhor das companhia, não, zifio…

Digo marnada…

 

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“Vamos ouvir as belas vozes…”

sábado, julho 9th, 2011
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Adoro quando me bate saudades do Álvaro, e eu pego Havia uma Oliveira no Jardim para reler. Há quem faça isso com o Minutos de Sabedoria, e sinta que sempre é possível descobrir uma bela mensagem dos céus pereré pão duro blablabla whiskas sachê. Me desculpe, mas se pra você a referência de mensagens bonitas é o Minutos de Sabedoria, eu só posso ter pena de você e da sua alma repleta de lugares-comuns. (Até porque é muito mais gostoso garimpar em Havia uma Oliveira…)

Álvaro tem aquele filtro típico dos mais belos poetas. Ele sabe filtrar as coisas feias da vida, e sempre perceber a beleza. Das palavras, da Natureza, de uma cena banal, até mesmo de Deus.

Opa? Eu disse Deus? Mas Álvaro era comunista! Como ele percebia Deus?

Assim, ó (Havia uma Oliveira no Jardim, p. 107):

Vozes… tantas… desde as primeiras que soaram no mundo. Por que não as escutamos? A voz de Deus depois da criação disse que tudo era bom. Mais tarde, Jesus disse aos homens: Amai-vos uns aos outros. Mais tarde, Francisco de Assis, que ouvira essa voz, disse: Senhor, abençoado sejas, com todas as tuas criaturas!

Vozes… tantas. De Santos e de pecadores. Agora mesmo a voz de Goethe passou por mim: Quando não se fala das coisas com uma parcialidade plena de amor, o que se fala não deve ser repetido

Vamos ouvir as belas vozes…

E aí, ameba? Você sabe ouvir as belas vozes?

 

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Alvaro Moreyra

sábado, julho 9th, 2011
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Neste século XXI de internetes, blóguis e podiquéstis, Alvaro Moreyra (joguei direto pra busca do Google porque não sou besta de limitar esse gênio a apenas uma fonte de conhecimento) é praticamente um desconhecido. Talvez ajude se eu começar por informar que ele é o avô da Sandra Moreyra, uma das melhores repórteres da Rede Globo. Sandra é filha de Sandro Moreyra, antológico botafoguense e colunista esportivo. Pois foi Alvaro quem começou essa deliciosa dinastia, ao lado de Eugênia, que foi a primeira repórter policial do Rio de Janeiro e uma das primeiras feministas deste país. Familinha porreta, essa.

Alvaro, dentre outras tarefas intelectuais, era poeta. Ao completar 70 anos, publicou dois livros meio autobiográficos, meio de pensamentos e poesias, Havia uma oliveira no jardim e As amargas, não…  Desses dois, o meu preferido é o Havia uma oliveira. Vejam como ele começa o livro:

Não posso afirmar que cheguei ao mundo no bico de uma cegonha. Desconfio que vim num ramo de oliveira. Havia uma oliveira no jardim da casa onde nasci, e dava azeitonas. A oliveira é a árvore da paz. Sou homem da paz. Deve ter sido essa a minha origem espiritual. A gente, de verdade, sabe poucas coisas. Mas todas as coisas são possíveis.

Claro que o dono de alma tão bonita como essa foi preso pela ditadura de 1964 – um sujeitinho assim só podia ser subversivo, claro.

Como ele já estava velhinho, ficou poucos dias na cadeia. Quando ele saiu, o carcereiro virou-se para ele e disse: “Pode ir, o senhor é um homem livre agora!”. Prá quê? Ouviu dele a seguinte frase: “Engano seu, meu jovem. Eu jamais deixei de ser livre. O prisioneiro aqui é você.”

Alvaro Moreyra é um dos espíritos que me iluminam para que eu tire os encostos de amebas escreventes. Espero que vocês entendam que é em nome de gente tão boa, tão fina, que eu me predisponho a fazer com que os textos mal-escritos presentes neste blog sejam dignos da Língua Portuguesa. Faço isso, dentre outros, pela alma do Alvaro. Que Deus continue a lhe iluminar e abençoar, ó espírito de luz. Ah, só por isso vou dar mais um chorinho do Havia uma oliveira aqui:

Todas as idades ficam em nós e vão colaborando. Infância, adolescência, juventude, mocidade, maturidade, velhice – aparências do corpo. A alma faz coleção. (…)

Admirar é agradecer. A vida traz sempre coisas melhores quando lhe dizemos por uma flor, por uma canção, por uma mulher: – Obrigado, Vida! (…)

Escrever? Não, conversar.
Ler? Não, escutar.
Assim lhes digo e vocês me ouvem. Falo como aprendi quando me contavam histórias. Era uma vez sempre.
Já olhei tanto a vida, e na manhã aberta na janela vejo a primeira manhã do mundo. A noite foi ontem.

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Meu caro amigo

segunda-feira, julho 4th, 2011
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O Português é uma das línguas mais difíceis do mundo. Mas parece que para o Chico Buarque isso não significa nada. As sílabas dos versos desta música magistral se encaixaram tão bem, que parece que a Língua Portuguesa foi total e definitivamente seduzida pelo charmoso autor de olhos verde-esmeralda.

Acho essa explicação mais plausível. Porque creditar a magistralidade desses versos unica e exclusivamente à genialidade de Francisco é meio exagerado. Reparem como as sílabas da última estrofe cabem nos versos de forma inacreditavelmente precisa…

Confiram:

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

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Semântica desenhada

terça-feira, junho 7th, 2011
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Como vocês já sabem, curto muito gente que sabe escrever bem e se expressar de forma correta e adequada.

Por isso caí de amores por este desenho-definição de semântica feito pelo Carlos Latuff que, com um pé atrás (não lido com bruxas, você é malvada?), me autorizou a copiar e colar a charge dele aqui em meu mui humilde caldeirão.

Zifio, ssuncê é menino bão! Faz parte dos mitológicos ectoplasmas suínos que ajudam esta bruxa a exorcizar as amebas escreventes! Muito obrigada pela autorizçaão!

E não, eu não vou escrever mais nada. Prá quê, se o Latuff desenhou tudim?

Ó só:

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O quiproquó do livro do Mec – uma opinião terceirizada

sábado, maio 14th, 2011
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Antes de começar o post propriamente dito, informo que este blog está em greve de polêmica.

Vão discutir com o pai dele?

Aqui tem quiproquó, debate, discussão, peleja, contenda, argumentação e controvérsia. Basta de polêmica! Vou dar férias a essa palavrinha que tá me torrano os pacová.

E vou aproveitar essas três últimas palavras da frase acima (torrano os pacová) pra dizer que língua é um troço vivo! putaquepariu, bruxa, é nisso que dá deixar de trepar sexta à noite pra ficar blogando! Fala merda de duplo sentido! Reescreve esse troço aí, bosta! enfim, toda e qualquer língua está em constante evolução.

Existe aquela infeliz daquela Norma Culta, que sempre impõe suas regras (quando falo em Normal Culta impondo regra imagino uma normalista de sobrenome Culta naqueles dias do mês, mas deixa isso prá lá).

Devemos seguir, sim, dona Norma Culta em situações oficiais (provas, concursos, vestibulares, redações oficiais e institucionais em geral). Mas a língua dita no dia a dia, nas ruas, no interior, os sotaques, expressões… não é lá muito amiga da dona Norma, não…

Vamos combinar que não se deve começar um texto oficial com a expressão vamos combinar, por exemplo. E também não se deve encerrar essa redação com palavras como me torrano os pacová.

Mas é gostoso escrever assim. É gostoso se comunicar de forma livre, leve e solta. Curto muito chamar meus leitores e interlocutores de zifios. Esse vocativo não existe em nenhum dicionário, mas e daí? Claro que não vou me referir oficialmente a um juiz ou a um presidente de banca como mizifio, mas eu conheço as regras, e sei como, onde, quando, com quem  e por que quebrá-las <– isso é o mais importante!

E o que dizer, então, das expressões do twitter todos chora, todos reclama, ou corrão, vejão, leião? O mais curioso é perceber quequem usa essas expressões são pessoas que têm plena consciência de que estão escrevendo errado – e mesmo assim o fazem, pelo prazer do escárnio ou de quebrar as regras. E aí, comofas?

É por isso que essa discussão do livro adotado pelo MEC tá me dando uma gastura tão grande que eu vou kibar opinião alheia. Kibada portuguesa, claro.

Li essa carta oficial do Maurício de Sousa na revista Chico Bento de abril de 2010. Na época, cheguei a pensar em postá-la aqui no caldeirão, mas não havia versão dela na Web, eu teria que digitar tudo, baixou preguiça e eu deixei prá lá.

Treze meses depois, veio esse quiproquó do MEC, eu resolvi jogar a carta no Google e achei o texto inteirinho no blog do Ricardo Marques, a quem acendo uma vela pelo trabalho de digitação que eu troquei pela preguiça. A cigarra aqui agradece à formiga, zifio! \o/ 😀

Enfim, depois desse narigão de cera e da kibada portuguesa, digo que minha opinião sobre esse tema foi dissertada em 2010 por Maurício de Sousa (que, ora vejam vocês, tomou posse como membro da Academia Paulistana de Letras esta semana! PARABÉNS, MAURÍCIOOOOOOOOOOOO!!). Na ocasião (não na posse da APL, em abril de 2010! Se situa, rapá!), Maurício defendia a linguagem usada por Chico Bento, e explicava por que ela não faz mal ao aprendizado dos petizes.

Mas eu sou fã mesmo é do Zé Lelé! Curto muito esse caipirão bobão! \o/

Viva o caipirês!
O Chico Bento foi criado em 1961. Desde então, virou um ícone do caipira brasileiro. E com muito orgulho. Mas ainda tem gente que acha que o jeito dele falar é prejudicial aos pequenos leitores.
Não concordo! Uma criança forma o seu vocabulário de acordo com o que ouve ao seu redor: na família, na escola ou na sociedade. Ela não modifica seu jeito de se expressar por ler histórias do Chico Bento. Se fosse assim, já imaginou quanta gente bem crescida falaria “caipirês” até hoje?
É preciso lembrar que Chico Bento vive a realidade da zona rural. E com sua personalidade doce e pura, além de muito humor, fala da preservação do meio ambiente, da vida no campo e do nosso folclore. Ele pode até não estar entre os melhores alunos da escola, mas dá aula quando o assunto é a sabedoria de como viver.
O Chico nos mostra um Brasil gostoso, saudável, onde a criança tem espaço e elementos para experimentar, interagir e viver a infância em toda sua plenitude. E mostra isso falando no mais puro e gostoso “caipirês”. Quer coisa mais fofa?
Extraído de “Chico Bento” edição n.° 40 Abril de 2010

E depois dessa, eu deixo que os doutos comentaristas da CBN (ah, eu nem me dei ao trabalho de ouvir o que eles disseram, mas imagino. Vocês podem me crucificar por isso, mas agora não que eu tô com gastura… 😛 ) argumentem seus saberes com a prática e a experiência do Maurício. (Tô começando a curtir essa coisa de terceirizar briga… vou aprimorar a técnica, depois eu ensino procês)

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O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011
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Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviramo brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América,deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! 😀

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

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O vendedor de palavras

sexta-feira, março 25th, 2011
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Recebi este texto por e-mail, mas verifiquei a veracidade do dito. É, de fato, de autoria do Fábio Reynol (mais especificamente aqui), meu mais novo ídolo! \o/

Divirtam-se, pois a historinha é uma diliça!


Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, “indigência lexical”. Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.
Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: “Histriônico — apenas R$ 0,50!”.
Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.
— O que o senhor está vendendo?
— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.
— O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
— O senhor sabe o significado de histriônico?
— Não.
— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.
— Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
— O senhor tem dicionário em casa?
— Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
— O senhor estava indo à biblioteca?
— Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
— Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
— Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
— Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
— O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?
— O senhor conhece Nélida Piñon?
— Não.
— É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
— E por que o senhor não vende livros?
— Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
— E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.
— A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
— O senhor não acha muita pretensão? Pegar um…
— Jactância.
— Pegar um livro velho…
— Alfarrábio.
— O senhor me interrompe!
— Profaço.
— Está me enrolando, não é?
— Tergiversando.
— Quanta lenga-lenga…
— Ambages.
— Ambages?
— Pode ser também evasivas.
— Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
— Pusilânime.
— O senhor é engraçadinho, não?
— Finalmente chegamos: histriônico!
— Adeus.
— Ei! Vai embora sem pagar?
— Tome seus cinqüenta centavos.
— São três reais e cinqüenta.
— Como é?
— Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
— Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
— É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
— Tem troco para cinco?

 

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Xuxa, Cláudia e um bordão especial pro desdém

quarta-feira, março 23rd, 2011
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Este post só saiu graças à ajuda de dois carinhas superbatutas 😀 que ajudaram esta bruxa pouco nerd a enfiar direito um vídeo do youtube (ainda que o canalha do wordpress tenha rapado fora o botãozinho verde dos filmes em flash). Por isso, agradeço horrores ao @jeffmart e ao @hordones. Valeu mesmo, meninos!!! \o/

Sério que eu ainda não fiz este post aqui? G-zuz! Tava crente que tinha feito logo depois do intransitivo viado do Ronnie Von! Bom, bora consertar o erro, né?

Era uma vez uma apresentadora loura de um programa infantil na TV Manchete. O ano era mil novecentos e oitenta e deixapralá. A produção era meio tosca, e cabia à loura apresentar, falar, cantar e gerenciar brincadeiras, roteiros, desenhos, intervalos comerciais e, principalmente, crianças tresloucadas e aleatoriamente soltas num estúdio de TV. Paciência e comiseração para com Maria das Graças Meneghel. Depois de ver esse vídeo, eu entendi a função das Paquitas…

Daí que durante um belo programa a Xuxa tinha a árdua missão de arrumar o estúdio pra fazer uma brincadeira. E todas as crianças teriam que sentar num canto lá enquanto rolasse a tal brincadeira.  E lá foi a Xuxa pedir, uma a uma, que as crianças fossem se sentar.

É quando entra em cena a coadjuvante menos famosa deste país, a Cláudia. Mostrou um papelzinho pra nossa atordoada apresentadora que, de tão preocupada em fazer geral se sentar, não deu a menor bola pra Cláudia ou pro que a menina lhe mostrava. E disse a frase banal:  Aham, Cláudia, senta lá! Acompanhem:

Ponto parágrafo. E passagem do tempo. (façam um barulhinho de vento soprando, por favor. Obrigada! 😀 )

Um belo dia, um desocupado resolveu subir pro Youtube uns troços que ele tinha gravado em fitas VHS, muito envelhecidas pelo tempo (putaquepariu, bruxa idiota, sério que você escreveu que as fitas foram envelhecidas pelo tempo? Me apresente alguma coisa envelhecida pelo espaço que eu preciso conhecer essa aberração das leis da física!). Dentre os vídeos escolhidos, o registro da Xuxa mandando a Cláudia sentar. As imagens já estão esverdeadas.

Outro desocupado assistiu ao vídeo e apaixonou-se pela frase inocente. Caiu na rede, virou peixe (me perdoem pelo clichê horroroooooooooooso!) e, graças a Maria das Graças Meneghel e dois desocupados, a expressão Aham, Cláudia, senta lá! virou sinônimo de desdém.

O mais curioso disso tudo é perceber que o youtube está fazendo o papel que há duas, três décadas, era exercido pelos programas de humor, que lançavam bordões repetidos à exaustão pela galera.

Mas isso é assunto pra ooooutro post! 😀

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Risando

domingo, fevereiro 27th, 2011
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Luis Fernando Verissimo. De hoje. O original tá aqui. Digo só mais uma coisinha: peguem pipoca. O texto fica ainda mais gostoso!

Risando

Minha neta já está com um vocabulário de tribuno, mas às vezes precisa improvisar. No outro dia me contou que tinha visto uma coisa engraçada na rua e disse:
— Eu risei!
Não deixava de haver lógica no erro. Quem dá risada, risa.
Você pode até argumentar — se for um avô de fé — que rir e risar não são a mesma coisa. Nossa lexicografa precoce pode muito bem ter inaugurado um novo verbo, de grande utilidade na distinção entre dois tipos de reação. Pois não se ri e se risa das mesmas coisas.
Há o que é para rir e há o que é para risar. Rir pode ser um reflexo nervoso causado por alguém (o Kaddafi) ou a alguma coisa (a política brasileira), risar pode ser pura expressão de prazer.
Você ri com ironia, ri com desdém ou ri para não chorar, mas risa com gosto, risa do que lhe diverte ou agrada. As razões para rir se multiplicam, as razões para risar escasseiam. Mas espero que minha neta só encontre razões para risar na sua vida.
Motivos para rir de nervoso não faltam no Norte da Africa e no Oriente Médio, onde se está agora em compasso de espera, um termo militar (ou carnavalesco?) que significa “E agora?”.  Marchar para que lado, depois que os ditadores foram derrubados ou estremecidos?
A melhor hipótese é que a revolta tenha sido mesmo modernizadora e não caia nas mãos do radicalismo islâmico. A pior hipótese é que tudo se radicalize, desde o uso do petróleo como arma política até o endurecimento contra Israel, com a contra radicalização de Israel. O que houve por lá foi uma revolução que ainda não se entendeu bem. Enquanto isto, segue o compasso de espera.
Entre os já derrubados e os estremecidos, Kadaffi é o que mais se aproxima da imagem clássica do déspota levantino criada pelo imaginário imperialista, metade sinistro e metade bufão. Sua vaidade e suas poses sintetizam, como caricatura, o tipo — mas no evidente prazer com que veste seus trajes militares e cerimoniais Kadaffi evoca outra figura estranha, o pseudo-árabe inglês T. E. Lawrence, que também gostava de se ver no espelho.
E Lawrence evoca todo aquele período em que o imperialismo europeu desenhava o mapa da região, inventava países e criava reis, e pensava ter estabelecido a paz para sempre.

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Bons hábitos, bons exemplos

quinta-feira, fevereiro 24th, 2011
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Este post é mais uma kibada portuguesa desta bruxa que vos fala: copio no blog original, colo aqui e dou o link pro blog original. Ele foi originalmente escrito hoje mesmo, no blog da Rede Mulher e Mãe, mais precisamente aqui, pela minha amiga desertora Tatiana Passagem, que está de mudança para São Paulo.

Só pra enfatizar ainda mais a prática deste bom hábito, digo que o filho da Tatiana, o Vítor, pediu pra mãe fazer um blog pra ele, este aqui. dá pra perceber que não é ele quem escreve, mas é um trabalho em dupla, entre mãe e filho: ele diz sobre o que quer escrever, ela ajuda na pesquisa, ele vai ditando o texto pra ela (ela digita mais rápido) e vai dando uns tapas na redação. O resultado é um conteúdo originalmente infantil, com uma excelente apresentação, que mantém o tom lúdico do autor do blog. Enfim, uma idéia (boas idéias merecem acento) do cacete levada a cabo pela Tatiana.

Tudo isso pra dizer que eu tô aqui morrendo de vergonha por não ler pro meu filho nem um décimo do que a Tati lê pros filhos dela (a Alice, outra filha dela, é poucos meses mais nova que o meu Feiticeirinho).

Então, fiquem com o (sempre) excelente texto da Tatiana, e dá licença que eu vou ler pro meu fiote, gente! \o/

***

AS CRIANÇAS E O MUNDO MÁGICO DOS LIVROS

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011  Postado por Thaty
Aproveitando o embalo da Ciranda da Leitura “Pequenos Leitores” (que por sinal está fazendo um sucesso TREMENDO. Já temos mais de 60 crianças inscritas, a mais nova com 5 meses – uma ainda na barriga – e a mais velha com 14 anos), vamos falar de crianças e livros hoje?
Eu acredito que não existe idade mínima para se apresentar uma criança a um livro. Antes que eu tivesse os meus filhos, achava que isso era um contra senso. Como assim ler para um bebê? Claro que ele não vai entender nada! Mas eu estava errada. Meus dois filhos sempre gostaram de me ouvir lendo pra eles. Não sei se era o som da minha voz ou as figuras coloridas dos livros, só sei que funcionava. E, pra me surpreender ainda mais, quando a Alice nasceu, com apenas 1 mês, ficava bem quietinha deitada ao lado do irmão, escutando-o ler para ela. Uma imagem de derreter e aquecer um coração materno.
Os dois tem muitos livros. Alice herdou (e destruiu) alguns dos livros que o Vítor tinha quando era pequeno. O que me mostrou mais uma vez que as crianças são diferentes: para deixar na mão dela sem supervisão, só livros de pano ou de banho, porque ela leva muito a sério aquela história de que o livro é o pão do espírito…rs Já o Vítor está se aventurando por mundos mais avançados, como Harry Potter, Crônicas de Nárnia e Como treinar seu dragão.
No fim das contas, eu continuo lendo para os dois, mesmo que o Vítor já saiba ler desde os 5 anos. Leio basicamente por dois motivos: primeiro porque gosto desse momento entre nós dois. Adoro aquela cena dele deitadão na cama, ouvindo a história e criando mil imagens em sua cabecinha. Segundo porque os livros que estou lendo pra ele tem algumas palavras mais difíceis, se ele for ler sozinho acaba desistindo. Então eu sempre leio um ou dois capítulos e paro no auge da ação, fazendo o maior suspense. Quase sempre, no dia seguinte, assim que acorda, ele pega o livro e lê mais um bocado sozinho. Não sem vir me perguntar o significado de um monte de coisas, né? Mas faz parte!
Pra mim, a leitura é um ticket para outra dimensão. Eu sei que é clichê dizer que você viaja sem sair do lugar quando lê, mas eu preciso dizer isso também! Mas é muito mais do que só isso, você entra na vida do personagem, se sente como outra pessoa, sai completamente da sua realidade. Um bom livro tem o poder de fazer você esquecer do lugar onde está, mesmo que seja cheio de pessoas e completamente barulhento. E eu penso: como não apresentar essa maravilha aos meus filhos?
E não podemos esquecer de outro poder dos livros: ajudar nossos filhos a lidar com seus problemas. Ele está com medo do escuro? Há um livro sobre isso. Não quer usar o pinico? Tem outro sobre isso também. Está fazendo pirraça. Sim, também tem. E como se isso não fosse suficiente, existem pessoas que vivem de escrever histórias específicas para uma criança específica. Uma vez o Vítor estava meio “revoltado” na nova escola. Coisas que nunca tinha feito antes, como bater em coleguinhas, passaram a acontecer frequentemente. Conversei com uma amiga que faz esse trabalho de escritora e ela fez para ele um lindo livro, onde ele tinha o mesmo super poder do seu personagem favorito do desenho Os Impossíveis e que estava mudando de escola, onde ele podia fazer natação numa piscina de suco de uva e praticar capoeira com ervilhas saltitantes. No final da história, ele conseguia ajudar os novos colegas com seu super poder e via que a nova escola também era legal. Pergunta se ele não adorou?
Acho que eles gostam de ler não só porque eu incentivo, mas também porque eles me vêem fazer isso. Eu sou do tipo que não pode entrar numa livraria, porque quero sair de lá com 5 ou 6 livros de uma vez só. E leio todos eles. Se eu pudesse ($$), leria um livro por semana, ou mais. Nunca me esqueço que uma vez, uma professora do Vítor veio me contar que ele falava pra ela que “a mamãe está sempre com um livro na mão”, ao justificar para ela porque ele também gostava de livros. Só espero que eles mantenham isso pelo resto da vida.
E vocês, também lêem para seus filhos? E os maiores, gostam de ler? Têm alguma dica para as mães cujos filhos não gostam de ler?

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Como não lograr a boa compreensão do seu texto

sábado, janeiro 29th, 2011
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Tava eu aqui pronta pra desligar o computador e o Noblat me tasca essa via twitter:

Como assim, LOGRAR?

A idéia aqui não é dizer que os Egípcios conseguiram vencer, transpor, driblar, burlar, enganar, enfim, qualquer um desses CINCO VERBOS que eu pensei em QUINZE SEGUNDOS às duas da manhã, morrendo de sono? Então, por que diabos o Noblat usou o verbo lograr? Será que funciona?

Fui ter com Tio Antônio, que quase me matou por tê-lo acordado às duas da matina:

LOGRAR
verbo
transitivo direto
1 obter o que se tem direito ou que se deseja; alcançar, conseguir
Ex.: fez o impossível para l. o consentimento das autoridades
transitivo direto
2 usufruir o que se conquistou; gozar, desfrutar
Ex.: logrou bela vitória
transitivo direto e pronominal
3 tirar proveito ou satisfação; aproveitar(-se)
Exs.: o trabalho foi dele, mas o lucro, outros o lograram
lograva-se da influência dos amigos para obter favores
intransitivo
4 surtir efeito, ter o resultado esperado
Ex.: o plano logrou
transitivo direto
5 enganar (alguém) através de artimanhas; iludir, burlar
Ex.: podia l. as pessoas, mas não a sua consciência
pronominal
6 Estatística: pouco usado.
render, aumentar
Ex.: com o passar dos anos, sua fortuna lograva-se

Mas ora bolas, o Noblat usou um verbo cujo significado primeiro é JUSTAMENTE O CONTRÁRIO DO QUE A MANCHETE QUER DIZER!!!

Na boa, prefiro este aqui:

BURLAR

n verbo

transitivo direto

1 enganar através de artimanhas; ludibriar

Ex.: b. a vigilância de alguém

transitivo direto

1.1 praticar fraude ou estelionato contra; defraudar, lesar

Ex.: burlou o estrangeiro em mais de 200 mil

transitivo indireto

2 pregar peça(s), partidas em (alguém)

Ex.: ao fazer-se passar por jornalista, só visava b. de ti

transitivo indireto

3 fazer zombaria de; escarnecer

Ex.: a fortuna burla dos jogadores

Esta sou eu a prestar consultoria em manchetes claras, diretas, precisas e concisas às duas da matina. E de graça.

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O Mestre-sala dos Mares

quarta-feira, janeiro 19th, 2011
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Já que hoje é aniversário de morte da Elis Regina, vou publicar aqui uma letra muito linda, que ela ajudou a eternizar.

O conjunto da obra traz quiproquós e babados: A Música “O almirante Negro”, de João Bosco e Aldir Blanc, teve a letra censurada pelo regime militar. Fala sobre João Cândido, um dos líderes da Revolta da Chibata.

Vou colar aqui a versão original e a versão copidescada após a censura.

Esta é a versão original, com destaque em negrito para os termos “copidescados”

O Mestre-Sala dos Mares

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar apareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos negros
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do marinheiro gritava, então:
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias,
Glória à farofa, à cachaça, às baleias,
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esqueceram jamais………
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
(Mas, salve…)
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

e esta é a versão aprovada pela censura militar:
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então
Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias
Glória à farofa
à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo
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“Se eu fosse o Sílvio Santos abria uma consultoria para ministros: ‘Como dar entrevista para a Folha’. Ia ficar rica e daríamos muita risada”

sexta-feira, novembro 12th, 2010
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Sei que o título tá longo, mas ficou em menos de 140 caracteres. Então não amola. E não fui eu quem disse isso, foi a @maria_fro, no twitter. Simplesmente re-su-miu esta entrevista que é épica demais pra se perder por aí.

Silvio, aceite o conselho da Conceição Oliveira. Você é o senhor supremo do universo Media Training.

“Se pagar bem, claro que vendo o SBT”, diz Silvio Santos
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O empresário Silvio Santos atendeu ontem à noite, em sua casa, a um telefonema da Folha. Ele disse que, se alguém pagar o que ele deve ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que emprestou à sua holding dinheiro para cobrir o rombo do banco PanAmericano, pode comprar o SBT. Leia entrevista.
Folha – Eu gostaria que o sr. desse uma palavra para o público sobre tudo o que está acontecendo no banco.
Silvio Santos – Não posso porque eu assinei um termo de confidencialidade. Eu assinei um termo de conf… confidencialidade… é até difícil de falar! Não posso comentar nada. Só quem pode falar é o Fundo Garantidor de Crédito.
O sr. se encontrou com o Lula. Falou com ele sobre isso?
Que Lula?
O presidente.
Estive com ele falando sobre o Teleton [programa que arrecada recursos para a AACD]. Ele está me devendo R$ 13 mil [risos]. Tive que dar por minha conta porque ele prometeu e não deu os R$ 13 mil [que disse que doaria]. Eu falei para ele: “Se você der R$ 13 mil, a Dilma pode ganhar a eleição”. Porque é o número dela, não é? Não é 13 o número da Dilma? “Pode ser que Deus te ajude e ela ganhe a eleição.”
E ela ganhou do mesmo jeito.
Mas aí é que tá: agora tô preocupado [risos]. Ele fez a promessa e não cumpriu.
E o senhor votou nela?
Eu estou com 80 anos. Você acha que eu vou sair de casa para votar? Vou votar é em mim mesmo aqui em casa.
E aquela história da bolinha [reportagem do SBT afirmou que o candidato tucano, José Serra, foi atingido, numa manifestação, por uma bolinha de papel, e não por um objeto mais pesado, como ele dizia]? Todo mundo está falando que o SBT fez a reportagem porque estava com problema no banco.
Mas que bolinha?
A bolinha que caiu na cabeça do Serra.
Caiu alguma coisa na cabeça dele? [risos] Caiu alguma coisa na cabeça dele?
Na campanha.
Ah, não foi hoje?
Não.
Ah, eu não sei desse negócio de bolinha, não. Isso aí, olha, eu não vejo TV. Televisão, para mim, é trabalho. Só vejo filme. Agora que você ligou para mim eu estava vendo a Fontana di Trevi. Você já viu esse filme, “A Fonte dos Desejos” (de Jean Negulesco)? Eu estava vendo agora.
E essa informação de que o empresário Eike Batista quer comprar o SBT?
No duro?
É.
Ah, me arranja! Arranja para mim que eu te dou uma comissão.
O senhor venderia?
Se ele me pagar bem, por que não? Quem é? “Elque”?
Eike, um dos homens mais ricos do Brasil.
Ele é americano? Eike?
Brasileiro.
Não, não conheço. Mas, se ele pagar os R$ 2,5 bilhões que estou devendo, vendo, é claro que vendo. Não precisa nem pagar para mim, paga para o Fundo Garantidor de Crédito. Eu não posso vender nada sem passar pelo Fundo Garantidor de Crédito.
O senhor está bem? Triste? Chateado?
Eu estou sempre bem. Você já me viu mal?
O senhor ficou surpreso com tudo o que aconteceu?
Não posso falar.
Mas o senhor coloca o seu nome e a sua história como garantia de tudo…
É claro. A holding [do grupo Silvio Santos] só recebeu R$ 2,5 bilhões porque eu dei todos os meus bens em garantia. [A operação se realizou] Como se fosse num banco particular. Mas com banco particular seria mais difícil porque os bancos particulares não querem concorrência [do banco PanAmericano].
O Bradesco não emprestaria para o seu banco, né?
É claro [que não]! Acha que o Bradesco… eu não digo o Bradesco. Mas um banco particular não vai querer me emprestar R$ 2,5 bilhões por dez anos. Vai? Até vou tentar conseguir, quem sabe?
E o ex-superintendente do PanAmericano, Rafael Palladino?
Palladino? Que Palladino? Nunca fui ao banco. Nem sei onde é o prédio. Quando tenho dinheiro, abro uma empresa no Brasil. Aplico no mercado brasileiro. Mas não sou obrigado a ficar sabendo onde é a empresa. Eu tinha uma fazenda que era a segunda maior do Brasil, a Tamakavi, e nunca fui lá. Nem vi no mapa.
A única coisa com que me preocupo é com a televisão. Eu sou investidor. Se [o negócio] der certo, deu. Se não der certo, não deu. A TV é o meu negócio. Mesmo que não desse certo, é o meu hobby.
Agora, os outros são negócios. Eu não sou obrigado a entender de perfumaria, de banco. Eu não! Isso aí eu boto dinheiro, pago bem os profissionais e eles têm que me dar resultados. E, às vezes, falham. Desta vez, falhou.
E a auditoria não pegou…
Mas quem é que arranja a auditoria? Não é o próprio executivo do banco? Que culpa tenho eu? Você vai publicar isso na Folha? A Folha fez uma matéria muito boa hoje. Ninguém sabia o que era Fundo Garantidor de Crédito. Pensavam que era um órgão do governo. Aquilo ali é praticamente uma companhia de seguros. Nem jornalista sabia. Aquilo ali realmente é para poder emprestar dinheiro, garantir o que você tem no banco. Se você tem até R$ 60 mil, garante.
Não é dinheiro público…
Mas claro que não é. O dinheiro é particular. É uma empresa sem fins lucrativos.
E com o Henrique Meirelles, o senhor tem falado muito?
Nem conheço. Não sei quem é. Olha, capricha, bota uma foto minha bem bonita no jornal.
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Mais de Monteiro Lobato e essa estranha mania da censura cômoda

quinta-feira, novembro 4th, 2010
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Li este post da Mani e concordei totalmente com ela.

Um trechinho em especial me chamou atenção:

Deixem que as crianças questionem o que elas precisam, não o que vocẽs adultos gostariam de ensinar.

E isso serve pra tudo na vida de uma criança. Por que censurar esta ou aquela coisa que você não quer comentar com seu filho (sexo, drogas, religião, racismo, tabus)? Seu filho irá lhe agradecer muito mais se você for capaz de conversar diretamente com ele e disser o que você pensa a respeito e o que outras pessoas podem pensar a respeito daquele tema e por quê.

Censurar e proibir seu filho de ver/pensar certos assuntos irá privá-lo de construir a noção de certo/errado a partir de seu próprio raciocínio, e irá levá-lo ao perigoso mundo do desconhecido. “Uai, não sabia que podia chamar negro de tição! Vou chamar!”

Enfim, fugi de novo do tema deste blog. Estou dispersiva, viu?

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Como se não bastasse o bolo de pé-de-moleque

quinta-feira, novembro 4th, 2010
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Este post não é um post pago. Eu é que sou otária mesmo de fazer propaganda gratuita.

Saí de São Paulo já morrendo de saudades de uma padaria que tinha perto da minha casa que fazia um bolo de pé-de-moleque muito gostoso e uma rosca de batata-baroa, vulgo mandioquinha, de comer de joelhos. Na verdade, eu comia essa rosca sozinha, com café com leite.

Cheguei aqui em Brasília e conheci a Quitinete, que fica na 209 Sul (quem é de Brasília sabe como chegar. Mas, pra não te matar de curiosidade, fica aqui).

Mas o que isso tem a ver com um blog sobre textos, dona Bruxa?

Olha, não teria nada a ver. Até o dia em que eu fui comprar pão francês lá e recebi-os dentro de um saco de papel como este:

Num dá pra ver direito? Eu conto!

O saco de papel da Quitinete está repleto de frases de poemas! quer dizer, se eu consumia os quitutes de lá com algum peso na consciência, basta a distração dos textos do saco de papel deles.

Você faz seu lanchinho da tarde com Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Chico Buarque! E nem tchuns pras calorias que ingeriu! Tem como não amar?

Exemplinhos lindos:

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.

Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.

Clarice Lispector

ou este aqui:

Abrindo um antigo caderno

foi que eu descobri

Antigamente eu era eterno

Paulo Leminski

Como se não bastasse isso aqui pra te seduzir

Bolo de pé-de-moleque. Resista. E deixa que eu como sozinha! 😛

(Querida Quitinete, De nada pela propaganda gratuita. Caso você faça questão aceito meu pagamento na espécie daí de cima. Contato via e-mail, por favor! 😛 )
(P.S.: algum dia vocês pretendem vender roscas doces de batata-baroa/mandioquinha? É, eu sou abusada, fazer o quê?)
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Dicionário Caldas Aulete disponível para download gratuito

quinta-feira, novembro 4th, 2010
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Tava aqui fazendo o post sobre presidente x presidenta (que já tá no ar, aí embaixo) e descobri que você pode baixar digratismente a nível de não pagar nada (não me corrija, eu sei que escrevi errado, por isso pintei o texto em vermelho) o dicionário Caldas Aulete.

Clicaqui e baixe o aplicativo!

Já vou avisando que não sei se o aplicativo é bom. Mas o dicionário o é. Descobri o babado agora, e estou baixando o coiso neste momento. Posso até escrever mais tarde sobre o dito, mas por ora meu veredito é: não sei!

***

Atualização do dia seguinte:

Meu download tava demorando duas vidas e meia para se concluir. E a taxa de transferência só fazia cair. Quando isso acontecer, dica básica: zera tudo. Reinicia o computador e o modem. Funciona que é uma beleza, e o download de 26 MB se conclui em alguns minutos.

O dicionário é muito bom (talvez o melhor do Brasil, e que tio Antônio me desculpe), o conteúdo é útil e o software é grátis porque os gênios que produziram o programa puseram na barra direita anúncios. Pronto! Pagou-se pelo software!

Ou seja: invente outra desculpa para não usar dicionário, zifio. Todas as que você tinha até agora caducaram.

***

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Objetivando disponibilizar textos terceirizados [2]: Sérgio Leo e o quiproquó de Monteiro Lobato

quinta-feira, novembro 4th, 2010
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Eu tava mesmo achando essa história toda de MEC versus Monteiro Lobato muito mal contada. Daí veio o Sérgio Leo e contou tudo direitinho. Obrigada à Maria Frô pelo link enviado via Twitter. \o/

Nada mais me resta senão dar aquela kibada portuguesa: peço autorização ao autor, copio o texto, cito a fonte e dou o link pro texto original.

(até porque uma frase do teor de o texto do MEC mereceria surra com vara de marmelo de tia Nastácia; “olhares com que se olham” e “laços que enlaçam” são de amargar é típica de um dileto ectoplasma suíno a exorcizar texto de ameba escrevente. Tenho que amar, tenho sim! 😀 )

Fiquemos, pois, com a palavra de Sérgio Leo:

*****

Foi tópico de sucesso no Twitter: “MEC veta livro de Monteiro Lobato”. E centenas de tweets indignados falavam em obscurantismo, babaquice políticamente correta, exagero.

Suspeito que grande parte sequer leu as obras de Lobato; conheceu o gênio pela adaptação do Sítio do Picapau Amarelo na TV. Perderam as delciiosas ilustrações de André Le Blanc, o texto maravilhoso do autor e… seu mórbido racismo. Na adaptação da obra para a TV, caparam o texto de Lobato para eliminar o racismo (e não só isso), e ninguém reclamou.

O que o MEC diz: o livro distribuído tem até um prefácio alertando para as impropriedades ambientais de Pedrinho, mas nada para alertar sobre o racismo. Só deve ir para as escolas se ese tema for tratado com a atenção que merece. Alguém contra isso por aí? Caramba, essa obra é para educar as crianças!

(Vi depois, claro, os críticos de sempre aproveitando o escândalo para apontar “jequice” no governo. É hilariante ver gente citando o Jeca Tatu de Lobato, outro fruto do preconceito do autor. Esse, Lobato corrigiu ainda em vida: num texto posterior ao Urupês, pede desculpas ao jeca, porque seu texto original e preconceituoso o culpava pelo atraso e, depois, o escritor descobnriu que sua aparente indolência era doença, resultado do péssimo sistema de saúde pública)

Do racismo, falei no post anterior. Vamos falar de outra coisa que mencionaram sem ler, o parecer do MEC. Muito lidas foram as matérias de jornal, que simplificaram ao ponto de desfigurar o parecer. Ele recomendou não incluir o livro “Caçadas de Pedrinho” entre as obras distribuídas à rede escolar, ou, distribuindo, acrescentar textos chamando atenção para o racismo embutido no texto, explicável pelas circunstãncias da época em que foi escrito.

Não é um arrazoado medieval o parecer do MEC, pelo contrário. Está repleto de referências elogiosas ao Lobato, e há comentários sobre como não se trata de banir seus livros das bibliotecas. Diz a nota técnica, segundo o parecer do MEC:

A obra CAÇADAS DE PEDRINHO só deve ser utilizada no contexto da educação escolar quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil. Isso não quer dizer que o fascínio de ouvir e contar histórias devam ser esquecidos; deve, na verdade, ser estimulado, mas há que se pensar em histórias que valorizem os diversos segmentos populacionais que formam a sociedade brasileira, dentre eles, o negro.

Mas tem mais.

O parecer nota, ainda, que a edição bem cuidada do livro incluiu até uma introdução para chamar atenção sobre os avanços da legislação ambiental _ que já não permitiria Pedrinho nem seus fãs sairem caçando animais silvestres por aí. Mas sobre os estereótipos preconceituosos do negro e da África, não há nada. Está no livro:

“Caçadas de Pedrinho teve origem no livro A caçada da onça, escrito em 1924 por Monteiro Lobato. Mais tarde resolveu ampliar a história que chegou às livrarias em 1933 com o novo nome. Essa grande aventura da turma do Sitio do Picapau Amarelo acontece em um tempo em que os animais silvestres ainda não estavam protegidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), nem a onça era uma espécie ameaçada de extinção, como nos dias de hoje. (p. 19).” [OK, nota da Bruxa, porque eu num mi posso com essas coisas: zifio, o Ibama inda nem existia, como é que ele podia proteger da extinção uma espécie que…er… bem… inda num tava em extinção?]

Nota o parecer:

“Todavia, o mesmo cuidado tomado com a inserção de duas notas explicativas e de contextualização da obra não é adotado em relação aos estereótipos raciais presentes na obra, mesmo que estejamos em um contexto no qual têm sido realizados uma série de estudos críticos que analisam o lugar do negro na literatura infantil, sobretudo, na obra de Monteiro Lobato e vivamos um momento de realização de políticas para a Educação das Relações Étnico-Raciais pelo MEC, Secretarias Estaduais e Municipais de Educação.”

Segue o texto:

Não se pode desconsiderar todo um conjunto de estudos e análises sobre a representação do negro na literatura infantil (Gouveia, 2005; Lajolo, 1998; Vasconcelos, 1982; entre outros)1, os quais vêm apontando como as obras literárias e seus autores são produtos do seu próprio tempo e, dessa forma, podem apresentar por meio da narrativa, das personagens e das ilustrações representações e ideologias que, se não forem trabalhadas de maneira crítica pela escola e pelas políticas públicas, acabam por reforçar lugares de subalternização do negro.

A questão foi levantada por um pesquisador da UnB que trata da temática racista em obras literárias. Não duvido que haja exageros na crítica do pesqusiador; reclamar contra o tratamento dado aos “animais da África” nos textos é ir um pouco além do combate ao racismo. Mas o fato é que há, sim, racismo nas obras de Lobato, e o drama do MEC é como lidar com isso. Não se pode simplesmente derramar o racismo de um fazendeiro paulistano genial dos anos 30 sobre a cabeça das crianças negras, brancas e pardas do século XXI.

Pela lei Afosno Arinos, aliás, se Emília dissesse as barbaridades que diz dos “beiços” e da feiúra de “preta” de tia Nastácia, ela iria para a cadeia de Taubaté com a velocidade de quem cheira pó de pirlimpimpim. (Aliás, o bom senso impediu até hoje que se perseguissem os livros de Lobato como incentivadores do uso da droga. mas ninguém reclamou também que a versão da TV tenha expurgado o pó mágico que dá charme à narrativa lobatiana: não tem crianças cheirando nada para viajar nas Reinações de Narizinho televisivas).

Mais parecer:


b) cabe à Coordenação-Geral de Material Didático do MEC cumprir com os critérios por ela mesma estabelecidos na avaliação dos livros indicados para o PNBE, de que os mesmos primem pela ausência de preconceitos, estereótipos, não selecionando obras clássicas ou contemporâneas com tal teor;
c) caso algumas das obras selecionadas pelos especialistas, e que componham o acervo do PNBE, ainda apresentem preconceitos e estereótipos, tais como aqueles que foram denunciados pelo Sr. Antônio Gomes Costa Neto e pela Ouvidoria da SEPPIR, a Coordenação-Geral de Material Didático e a Secretaria de Educação Básica do MEC deverão exigir da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura. Esta providência deverá ser solicitada em relação ao livro Caçadas de Pedrinho e deverá ser extensiva a todas as obras literárias que se encontrem em situação semelhante.

E, ainda:

“A literatura pode ser vista como uma das arenas mais sensíveis para que tomemos providências a fim de superar essa situação. Portanto, concordando com Marisa Lajolo (1998, p. 33) analisar a representação do negro na obra de Monteiro Lobato, além de contribuir para um conhecimento maior deste grande escritor brasileiro, pode renovar os olhares com que se olham os sempre delicados laços que enlaçam literatura e sociedade, história e literatura, literatura e política e similares binômios que tentam dar conta do que, na página literária, fica entre seu aquém e seu além.

Diante do exposto, constata-se a necessidade de formulação de orientações mais específicas às escolas da Educação Básica e aos sistemas de ensino na implementação da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos.”

OK, o texto do MEC mereceria surra com vara de marmelo de tia Nastácia; “olhares com que se olham” e “laços que enlaçam” são de amargar [<==== ectoplasma suíno detectado. Meus comentários fazem-se desnecessários ===>]. Mas vejamos o voto da relatora Nilma Lino Gomes:

Nos termos deste parecer, à vista do disposto no Parecer CNE/CP nº 3/2004 e na Resolução CNE/CP nº 1/2004, é essencial considerar o papel da escola no processo de
educação e (re)educação das (e para as) relações raciais, a fim de superar o racismo, a discriminação e o preconceito racial. A despeito do importante caráter literário da obra
de Monteiro Lobato, o qual não se pode negar, é necessário considerar que somos sujeitos da nossa própria época, porém, ao mesmo tempo, somos responsáveis pelos desdobramentos e efeitos das opções e orientações políticas, pedagógicas e literárias assumidas no contexto em que vivemos.

Nesse sentido, a literatura em sintonia com o mundo não está fora dos conflitos, das tensões e das hierarquias sociais e raciais nas quais o trato à diversidade se realiza. São situações que estão presentes nos textos literários, pois estes fazem parte da vida real. A ficção não se constrói em um espaço social vazio.

Em resumo, um pesquisador sensibilizado pela luta anti-racista denunciou o livro como contrário ás diretrizes estabelecidas pelos professores para o livro didático, os especialisats do MEC analisaram a denúncia e tiveram de admitir que a obra tem elementos racistas e concluíram que, do jeito que está, não deve constar da lista de distribuição, a menos que tenha uma orientação ao professor e aos pequenos leitores, mostrando que lá em 1933 havia mais racismo no Brasil e que não se deve tomar como padrão de conduta e valor o tipo de referência depreciativa que Lobato faz a negros.

Quem ainda discorda disso, tente, só por alguns minutos, imaginar-se negro, com um filho negro, ouvindo na escola seus herois personagens dizerem que bonito mesmo é só louro de olhos azuis e cabelos cacheados, e que os negros podem até ter uma bela sintonia com a sabedoria popular, mas a ciência está com a branca Dona Benta e seus netos brancos. Ah, e aqueles grossos lábios negros que você tem não são bem lábios, são beiços. Como os do gado.

A leitura de Lobato não fará de ninguém um racista. Mas seu racismo lido sem crítica em sala de aula não seria nada educativo.

(P.S. NO Globo, um “especialista” em Lobato reclama: “na época dele era diferente; estão lendo o Lobato com olhos de 2010”. É, compadre, são esses os olhos das crianças que recebem os livros didáticos distribuídos pelo MEC. Abra o seu.)

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