Arquivo pela categoria 'PORRA, FOLHA!'

O dia em que a Ombudsman quase escreveu “PORRA, FOLHA!”

domingo, julho 24th, 2016
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Antes de mais nada, agradeço à dileta Silvana Marques pelo título maravilhoso que ela nem sabia que estava sugerindo pra este post.

Agora, permitam-me, vou escrever à Paula Cesarino Costa, a atual ombudsman da Folha.

Primeiramente, fora Temer.

Em segundo, fia, parabéns pelo texto. Extremamente elegante, crítico à redação e tudo. Mas pelo seu texto você sabe que errou na mão né? Vc sabe que tinha que ter pedido guisado de culhão de Sérgio Dávila, né? tá parei.

Vou nem entrar na questão erro X fraude. O maior erro da Folha foi não ter tirado do servidor a versão do questionário com as perguntas 11 e 14. Aquele erro, sim, foi primário.

Mas vamos ao seu texto, que eu faço quesotão de ponderá-lo no melhor estilo exosricsmo do caldeirão:

A Folha errou e persistiu no erro

Fundado em 1983, o instituto de pesquisas Datafolha, pertencente ao Grupo Folha, acumulou um patrimônio de qualidade técnica, arrojo de abordagem e interpretação de dados isenta. Sua credibilidade foi construída em trabalho conjunto com a Redação. Introjetou-se de tal forma no jornal que uma crítica antiga à Folha é a de ser um jornal “data-dependente”.

Dito isso, é preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha.[eu acrescentaria vergonhosa e vexaminosa não só para a Folha e para o Datafolha, mas para a história do jornalismo brasileiro.]

Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal.[Puxa, que coisa! Mas por que será? Ah, será que é porque O SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DECIDIU OCULTAR DUAS PERGUNTAS DE UM LEVANTAMENTO ESTATÍSTICO, PRA MANIPULAR DADOS SOBRE A OPINIÃO PÚBLICA BRASILEIRA?]

Variavam de fraude jornalística e manipulação de resultados a pura e simples má-fé, passando por sonegação de informação e interpretação tendenciosa.[então põe aí mais uns: gente incapaz de lidar com arquivos em servidores, estagiários burros e mal orientados, e uma redação incapaz de ser transparente com os dados de que dispõe. Um instituto que, pra valorizar um catadão de 40 perguntas, dividiu-o em vários catadinhos sem avisar que cada catadinho era parte de um catadão só]

A questão central está na acusação de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favoráveis a novas eleições presidenciais, em cenário provocado pela renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer.[Miga, omitir é um verbo bem leve. A Folha O CUL TOU. ES CON DEU, e ainda tentou dar um tapa nos números pra fazer de conta que os dados não existiam!]

Optou por destacar que 50% preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, em questão que, mesmo sem haver essa hipótese, 3% disseram defender novas eleições.[de novo: optar aqui é um verbinho bem suave. DE CI DIU que só haveria esta preferência, e resolveu ocultar uma possibilidade que estava exclusivamente ccontemplada numa das perguntas do questionário!]

As perguntas 11, 13 e 14 do questionário do Datafolha (leia a seguir) tornaram-se objeto de vigorosa controvérsia.[não foi vigorosa controvérsia. Foi discussão sobre manipulação! Note que ninguém desconsiderou essas perguntas. Nem mesmo a Folha, depois que elas vieram à tona!]

Os sites The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijolaço, do jornalista Fernando Brito, acusaram a Folha de “fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer”.

Em trabalho complementar, comprovaram [ai. Esse verbo tá certinho. Digitá-lo deve ter doído, né?] que o jornal omitira da reportagem e do questionário divulgado no site do Datafolha questão proposta aos entrevistados sobre a convocação de novas eleições.

Outra pergunta também foi omitida. Esta pedia aos entrevistados que avaliassem se o processo de impeachment está seguindo as regras democráticas e a Constituição: 49% disseram que sim; 37% que não.

Para alimentar teorias conspiratórias, revelou-se que o Datafolha colocou em seu site mais de uma versão do relatório da pesquisa polêmica, sendo que em só uma delas constavam as duas perguntas. [miga, não houve alimentação de teoria conspiratória… o que houve foi um estagiário que substituiu o arquivo de pesquisa e não deletou o anterior.] O instituto explica que faz um relatório completo para a Redação, mas divulga no site apenas o que saiu no jornal. No caso, o primeiro documento continha, por falha, título sobre a pergunta 14, ausente do relatório por não ter sido usada.[por falar em relatório completo, ainda não identifiquei as perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34 do questionário completo da Folha. Você poderia listá-las, por favor?]

Diante da polêmica[num foi polêmica, foi calça arriada tá parei evidência contumaz de fraude], Folha e Datafolha optaram por divulgar link para o relatório completo.[insisto: faltam as perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34! Num tá completo, não!]

Reveladas as omissões [interessante essa construção que você usou… então você reconhece que houve perguntas omitidas? Mazó: volto a encher o saco.  As omissões ainda não foram de todo reveladas! Não fuja da raia!] e estabelecida a confusão, o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, disse que o resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não pareceu especialmente noticioso [tá. Então deixa eu perguntar: o que ainda mantém esse cara no cargo que ele ocupa? Isso é motivo mais que suficiente para demissão por justa causa!], por repetir uma tendência, além de o jornal considerar tratar-se de cenário político pouco provável.[os argumentos são absurdamente pífios, porque: 1) ainda que o cenário seja pouco provável, a pergunta foi feita, então o resultado do levantamento deveria ter sido divulgado, COM A RESSALVA: AINDA QUE TAL CENÁRIO SEJA POUCO PROVÁVEL, TANTOS POR CENTO DOS ENTREVISTADOS DISSERAM ISSO ISSO E ISSO.  e 2) a repetição da tendência é notícia. O que me leva de volta ao questionamento daí de cima: o que ainda mantém Sérgio D’Ávila no cargo dele?]

Leitores discordaram: “A Folha me pareceu escapar pela tangente, com respostas vagas”, disse Eduardo Ottoni. “Os argumentos chegam a ser até um insulto à inteligência do leitor”, afirmou Márcia Meireles. “A Folha errou, é tão grave assumir seus erros?”, questionou.[miga, mostra essa carta pro seu chefe. Pelo amor do seu emprego e da existência da empresa para a qual você trabalha. A mídia brasileira vem tratando os leitores feito idiotas há muito tempo. O “governo” Temer vai mostrar ao que ainda resta de leitor que acredita em vocês que vocês não são dignos de credibilidade. Emendem-se, ou vão morrer na praia! Estas são as sábias palavras do liberalismo corporativo!]

A ombudsman resumiu as críticas dos leitores ao editor-executivo. Dávila argumentou que “o único cenário concreto à frente é o Senado decidir se Dilma Rousseff volta a exercer o cargo de presidente da República ou se Michel Temer continua a exercê-lo. Não há terceira opção além dos dois desfechos possíveis. (…) Faz parte da boa prática jornalística não publicar o que é pouco relevante”.[NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!! SESSENTA POR CENTO DE ELEITORES TEREM UMA DADA OPINIÃO É IRRELEVANTE?!?!?!?!?! SESSENTA POR CENTO DE ENTREVISTADOS DESEJAREM UMA COISA QUE NÃO VAI SER CONTEMPLADA PELAS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS É IRRELEVANTE?!?!?!?!?!?!?!?! CARACA, DEMITE ESSE ENERGÚMENO!!!!]

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Dávila lembrou que a Folha frequentemente publica uma fração das pesquisas, “nunca sua íntegra”.[o problema não é esse. Aliás, fracionar resultados do Datafolha não tem problema nenhum, é realmente uma atitude bem-vinda! EM nome da transparência, o que o jornal pode adotar de agora em diante é acrescentar, ao final de cada catadinho publicado, um parágrafo que os una, como: “O Datafolha foi a campo nos dias tal e tal. Ouviu tantas pessoas em tantos municípios, que responderam a um questionário de tantas perguntas com os temas tal, tal, tal e tal. O  questionário completo pode ser visto aqui (link para o questionário completo)”. Isso é transparente, e ajuda os leitores que gostam de pensar e raciocinar  a encontrarem os textos relacionados]

Discordo em muitos pontos do editor-executivo[ele ainda não foi demitido?!?!?!?!w!]. Quando a Folha, em editorial de Primeira Página em 3 de abril, defendeu a renúncia de Dilma e de Temer e a convocação de nova eleição, também esse não era um cenário provável.[NÉ?]

Se a possibilidade de dupla renúncia não era mais levada em conta, por que então a questão foi incluída na pesquisa?[POI ZÉ, POI ZÉ. Uma vez incluída, que se publicassem seus resultados!] O questionário já foi elaborado nesse cenário. A repetição de tendência como argumento para não publicar o resultado é incoerente com a prática do jornal por anos a fio.[incoerente com a prática do jornal por anos a fio. Miga, tá de parabéns! EU quase cuspi meu café aqui quando li o argumento do sujeito, e xinguei a vigésima geração dele! Sua reação foi elegantíssima! Mas a bruxa aqui sou eu, ligue não.]

Quando secretária de Redação e editora de Política, participei da elaboração de incontáveis questionários de pesquisas Datafolha. [PARA!!!!! OS QUESTIONÁRIOS SÃO ELABORADOS POR JORNALISTAS?!?!?!?! NÃO PASSAM PELO CRIVO DE UM LINGUISTA?!?!?!?!?!?! Miga, sua loka, apenas pare com isso! Tá explicado por que os questionários são tão mal feitos!!!] Com a limitação técnica de quantidade de perguntas[limitação técnica de quantidade de perguntas? MIGA, O QUESTIONÁRIO DA ÚLTIMA TEM QUAREEEEEENTA PERGUNTAS!!!], cada uma precisa ser muito bem pensada e escolhida.[olha, lamento informar, mas sua redação vem sendo fragorosamente derrotada pela falta de bom- senso, e pela falta de formação e estudo adequados para tal objetivo. Apenas aceitem que jornalista não é o Deus Supremo dos textos. Inda mais jornalista da Folha, vamcombiná…] Não há justificativa para colocar uma pergunta e depois ignorá-la.

Na crítica que circula diariamente na Redação, questionei a abordagem da pesquisa, feita pelo jornal, subaproveitando temas políticos, ao destacar em manchete o otimismo com a economia. Reveladas as omissões, lamentei a forma como o jornal enfrentou a polêmica. Sugeri que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem.

A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. [não foi apenas um grave erro. O que o jornal fez configura-se F R A U D E!] Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas[taí uma profunda verdade! Concordo totalmente!]. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe[lógica da praxe? Cejura? Pois eu tenho cá pra mim que a lógica da praxe se encastelou no canto dela e berrou pro Sérgio Dávila: SAI DAQUI QUE ESSA BARRA EU NUM LIMPO, NÃO, MANÉ!]  e da suposta falta de apelo noticioso.

A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. AFolha errou e persistiu no erro.[isso, sim, foi um erro profundo. Mas esse erro foi gerado POR UMA F R A U D E jornalística. Que fique bem claro!]

Coitada da ombudsman da Folha. Trabalhinho ingrato esse…

Perguntinhas:

  1. Quando Sérgio Dávila vai ser demitido por incompetência?
  2. Quando tomaremos conhecimento do PDF com o questionário completo do Datafolha?
  3. Quando, pelo menos, tomaremos conhecimento das perguntas 4 5 15 16 17 20 29 e 34?
  4. Quando a Folha vai tratar seus leitores com respeito?
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O catadão da Folha e o meu remorso

quinta-feira, julho 21st, 2016
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É sério, gente. Deu remorso.
Toda vez que fico sem postar eu volto com uma bostinha da Folha de SPaulo.
Agora, só porque deu creca grande aqui no meu caldeirão, a Folha resolveu me seguir à altura, e tá armando uma lambança daquelas que nem a publicação errada daquele anúncio na copa de 2010, que originou a criação da categoria “PORRA, FOLHA!” aqui no caldeirão (cejura que nunca se tocou que meu blog tem editorias categorias? Incréu… :/ ), vai conseguir superar.

Então vamo lá arrumar a bagaça.

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Encafifei com a pesquisa Datafolha. Fui no site do TSE pra ver se havia algue registro dela, ou mesmo se havia disponível  nalgum canto o PDF com o questionário, como sai sempre no TSE em época de eleição, por força da lei.

Achei foi nada.

Aí eu contei minha saga num post que mandei pro Britto, e colo aqui, porque né? Plágio é o cacete, o texto é meu, foi devidamente reconhecido lá no Tijolaço e o Brito inda deu uma editada perfeita nele! Eilo:

O catadão do Datafolha

O Datafolha foi a campo na semana passada,  dias 14 e 15 de julho. Catou 2.792 patos entrevistados em 171 (que número, senhores, que número!) municípios, com aquela já famosa “margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Isto significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista.

A dita pesquisa rendeu quatro posts no site do instituto: um sobre o tal índice histórico de confiança; um sobre intenção de voto em 2018; outro com a avaliação do governo Temer e mais um sobre a opinião do brasileiro sobre a Previdência.

Foram quatro textos com tabulações imensas, todas geradas geradas a partir desse único campo, dos dias 14 e 15, com os mesmos 2.792 cabras. A leitura pontual de cada um desses quatro textos daí de cima me permitiu fazer tipo uma engenharia reversa  do questionário que os cabras tiveram que responder: um calhamaço cuja última pergunta enunciada (já explico o que quero dizer com isso) é a de número 39.

Li o enunciado de cada uma das páginas com os levantamentos publicados. Quando encontrava um título “P. XX [pergunta número tal]”, copiava  e colava no Word. Percebi que estava arrumando os números fora de ordem. E, claro, que as perguntas não foram feitas na ordem em que foram tabuladas e seus resultados apresentados.

Daí eu fiz aqui um processo parecido com o que eu tô fazendo no meu mestrado: uma análise sintático-semântica e de contexto. Pra se ter uma ideia do que se passou pela cabeça de que cada cabra respondedor de pesquisa ao ouvir a ladainha, o interrogatório, o questionário.

Então vamos lá. Vocês vão perceber que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo nesse questionário.

Das seis primeiras perguntas do questionário, quatro podem ser encontradas no texto sobre intenção de voto (aquele que diz que o Lula tem uma rejeição do caramba e tals). Vamos a elas:

P.1 Em 2018 haverá eleição para presidente da República. Em quem você pretende votar para presidente na eleição de 2018 ? (Resposta espontânea e única, em %)

P.2 Alguns nomes já estão sendo cogitados como candidatos a presidente EM 2018. Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes ______________, em quem você votaria ? E se os candidatos fossem estes ________, em quem você votaria para presidente ? (Resposta estimulada e única, em %)

[vamos partir do pressuposto de que o Datafolha tem critérios, e mostrou os nomes num cartão circular – sem risadinhas, por favor – porque se for em forma de lista beneficiaria os primeiros do rol. Como a pesquisa não é registrada no TSE,  não há acesso ao PDF com o questionário e a forma de apresentação das respostas]

Seria o mesmo na pergunta pra ver o índice de rejeição:

P.3 Em quais desses candidatos ____________ você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente da República em 2018 ? E qual mais ? (Resposta estimulada e múltipla, em %)

Não encontrei as perguntas 4 e 5 em nenhum dos documentos publicados. Portanto, não vou fazer nenhuma especulação. Nem mesmo a de que as perguntas 4 e 5 podem entrar no conjunto das perguntas referentes à corrida presidencial de 2018. Já, já vocês vão entender o porquê;

P.6 Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje e a disputa ficasse apenas entre _________________________ em quem você votaria ? (Resposta estimulada e única, em %)

[aqui é pra fazer previsões de segundo turno. Não me perguntem o porquê. Até aqui a pesquisa está meramente técnica.]

P.7 Você sabe o nome do atual ocupante do cargo de presidente da República ? (Resposta estimulada e única, em %)

[já a pergunta 7 apareceu em outro texto do site, o que faz a avaliação de Temer. Faz sentido gerar um outro texto, mas também seria bem sincero da parte do instituto dos Frias tabular tudo num catadão só, e depois fazer os catadinhos separados. Enfim, critérios.]

P.8 O presidente interino Michel Temer está completando dois meses de governo. Na sua opinião, Michel Temer está fazendo um governo: (Resposta estimulada e única, em %)

[Aqui o bicho começa a pegar. Ponha reparo na pergunta sete. Indaga sobre o atual ocupante do cargo de presidente da República. A pergunta oito fala sobre O presidente interino, Michel Temer. Vamos combinar que atual ocupante do cargo não é a mesma coisa que presidente interino. A Constituição prevê, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão, um total de quatro manés cidadãos que podem ser presidentes interinos: o vice, o presidente da Câmara, o presidente do Senado e o presidente do STF.

Agora vamos pôr reparo no alto poder semântico dos verbos usados nas questões sete e oito. Na questão sete, saber dá muito poder ao entrevistado: ele S A B E. Ele tem conhecimento, domina a informação. Na oito, temos um gerúndio (corretamente utilizado, do ponto de vista sintático) taxativo: Temer está completando. Agora se coloque no lugar do cabra que disse que sabia e errou o nome do presidente da vez ( e foram 33% dos entrevistados, segundo a pesquisa). Na pergunta seguinte, as entrelinhas o informam de um processo que já começou há alguns meses, e que continua em andamento. Como você se sentiria se, sutilmente, um pesquisador te taxasse de desinformado, na sua cara? Você,defensivamente, vai posar de informadão, certo? E como fazer isso? Ora, você vai con-cor-dar com o que o pesquisador te perguntar.]

P.9 De zero a dez que nota você dá para o desempenho do governo Michel Temer ? (Resposta espontânea e única, em %)

[As maiores concentrações de respostas ficaram em números médios (5 e 6) e no número zero. Deu média 4. Se você acabou de descobrir quem é o teu presidente, assim, de chofre, você vai fazer média. Foi o que rolou.]

P.10 O Senado analisa um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na sua opinião, os senadores deveriam votar a favor ou contra o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff ? (Resposta estimulada e única, em %)

[O cabra deve dizer se é a favor, contra, indiferente ou não sabe. Essas duas últimas respostas totalizaram seis pontos percentuais (três pra cada uma). Aqui o a favor ficou com 58%. Poderia dizer que é o início de uma concordância com a pesquisa, mas vou me abster por agora. Ademais, ponha reparo no micropoder estendido novamente ao entrevistado: como os senadores deveriam votar. Até agora, nada foi informado ao entrevistado sobre o processo de impeachment, a não ser sua existência. Nem mesmo ele foi convidado a responder se “está a par do processo de impeachment que corre contra Dilma Roussef”. (A não ser que essa pergunta seja uma das não reveladas)]

Como, aliás, sumiu também a pergunta 11;

P.12 E na sua opinião, a presidente Dilma vai ou não ser afastada definitivamente da Presidência ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Sim, 71% dos entrevistados! Na sua opinião, ó entrevistado, você que tem opinião formada sobre tudo, conte-nos o que você pensa? Raciocínio de resposta: já que o Temer está completando tanto tempo de governo, Dilma tem que ser afastada! Não, isso não é apelação minha. Há quem pense assim.]

P.13 Na sua opinião, o que seria melhor para o país: que Dilma voltasse à Presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2018 ? (Resposta estimulada e única, em %)

[mais uma vez apela-se à poderosa opinião do entrevistado, aquele que há cinco perguntas descobriu quem era o presidente desta bagaça. Todos os verbos estão em tempos que indicam ou suposições (futuro do pretérito, o nosso modo condicional) ou incertezas (modo subjuntivo). Dilma voltar ou Temer continuar são duas incertezas. O entrevistado nem pensa nisso, mas a função do modo subjuntivo é mostrar uma incerteza. Isso já está introjetado na nossa compreensão de língua. E ele, o entrevistado, tem o poder de acabar com essa incerteza.]

As perguntas 14 a 17 também foram abduzidas e não constam das tabulações do Datafolha.

P.18 Você diria que o Brasil é um país ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo para se viver ? (Resposta estimulada e única, em %)

Esta é a primeira pergunta que aparece no texto sobre o “Índice de Confiança do Brasileiro”. O verbo está no futuro do pretérito do indicativo, o nosso modo condicional. Quais condições o entrevistado está ponderando neste momento não dá pra dizer, pois falta o caminho de raciocínio das 4 perguntas anteriores.

P.19 Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de ser brasileiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

[perguntinha confusa! Temos quatro palavras-chave aqui, duas de semântica positiva (mais e orgulho) e duas de semântica negativa (menos e vergonha), que são embaralhadas na cabeça do entrevistado. Mais orgulho ou mais vergonha ou menos orgulho ou menos vergonha? Organizar o raciocínio semântico é meio confuso.

Véi, a pergunta 20 não foi recuperada no meu garimpo, mas a pergunta 21…

P.21 Na sua opinião qual é o principal problema do país hoje ? (Resposta espontânea e única, em %)

A pergunta 21 aparece computada não no texto do índice de confiança, mas no da avaliação do governo Temer. E começa a fase “Escravos de Jó” dos questionários. Interessante perceber nessa pergunta três respotas que não pontuaram, mas mesmo assim entraram no rol: habitação, falta d’água, reforma agrária/sem terra. Imagino que essas respostas pontuaram em levantamentos anteriores, por isso aparecem lá.

P.21A Como você avalia o desempenho do juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato: ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Calma. Sem surtos. Vamos pensar aqui. Você acabou de responder sobre vergonha e orgulho com o seu país, foi instado a responder espontaneamente sobre o principal problema e agora tem que falar sobre o desempenho de Sérgio Moro na Lava Jato. Lava Jato who, cara pálida? Que que tem a ver a Lava Jato com as calças? Depois de tanto problema, Sérgio Moro é a solução? E a pesquisa é isentona, né? Só um monte de número tabulado, com margem de erro de até dois pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de incerteza e armaria!!! Imagina se não fosse!!!]

P.22 Na sua opinião, daqui para frente a inflação vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? E o desemprego, vai aumentar diminuir ou ficar como está ? E o poder de compra dos salários vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Num disse que a gente tinha entrado na fase “Escravos de Jó” dos questionários? Depois de falar sobre o Moro, que chegou de paraquedas nessa pesquisa, a pergunta 22 volta a responder ao questionário do índice de percepção do Datafolha. Olha que belezura, gente! Você tem que pensar sobre inflação, desemprego, poder de compra e salário, tudo ao mesmo tempo agora, indo pra cima e pra baixo e sempre pensando daqui pra frente (exercício de futurologia). Entenderam por que os resultados foram disparatados? A pergunta está confusa!!!]

P.23 Na sua opinião, nos últimos meses, a situação econômica do país melhorou, piorou ou ficou como estava ? E no seu caso pessoal, você acha que a situação econômica melhorou, pirou ou ficou como estava ? (Resposta estimulada e única, em %)

[outra pergunta do índice Datafolha. A sacrossanta opinião do entrevistado volta a ser convocada, mas ele tem que pensar no passado, logo depois de exercitar sua futurologia, ele tem que pensar no passado do país e da vida dele. E já volta correndo pro futuro que, se Deus quiser, vai ser melhor.]

P.24 E nos próximos meses, na sua opinião, a situação econômica do país vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? E no seu caso pessoal, você acha que a sua situação econômica vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

Na pergunta 22, o cabra foi pro futuro; na pergunta 23, foi pro passado; agora ele volta para o futuro, numa viagem de matar Michael J Fox de inveja. E sujeito a todo tipo de consideração pessoal…Ai, que pesquisa rigorosa essa, não? (é, eu sei…)

Pausa na citação, porque eu escrevi o texto pro Tijolaço na segunda (18/7) à noite, e o Brito publicou na terça (19/7) pouco antes do almoço. Horas depois, a Folha libera mais um catadinho do catadão, desta vez sobre a opinião dos brasileiros sobre as Olimpíadas. E foram reveladas mais quatro pergunta,s que eu analisei rapidinho:

P.25 O Rio de Janeiro será a sede da Olimpíada no próximo mês. Você é a favor ou contra a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.26 Você diria que tem muito, um pouco ou nenhum interesse pela Olimpíada ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.27 Na sua opinião, a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro traz mais benefícios do que prejuízos ou mais prejuízos do que benefícios: (Resposta estimulada e única, em %)

P.28 Na sua opinião, _______________ fará os brasileiros terem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho do país ? (Resposta estimulada e única, em %)

Mais quatro perguntas reveladas. O tema da vez é Olimplíadas. Foram originalmente apresentadas aos 2.792 cabras durante o passeio no De Lorean do Michael J Fox que foi pro passado, futuro e passado. Paramos nas Olimpíadas, que começam daqui a pouco. Futuro próximo. Novamente temos perguntas com construção semântica conflitante (mais orgulho, menos vergonha, tudo junto e misturado), e outra com uma organização conflitante, onde os antônimos prejuízo e benefício são apresentados sob o advérbio mais.

E a 28 ainda me traz que o orgulho ou vergonha vai ser não do desempenho dos atletas que vêm pra competição, mas sim a organização do evento e os sistemas de transporte e segurança!!! A pergunta 29 continua incógnita.

P.30 Com qual idade você espera se aposentar ? (Resposta espontânea e única, em %)

É a pergunta 30 que inaugura a série sobre a perspectiva dos brasileiros com relação à previdência. Como a resposta é individual, o cabra pensou nele só. É a idade com que ele espera se aposentar. É um verbo fraco, que confere pouco poder ao entrevistado. Sumiu da pergunta o na sua opinião, repararam? 60 anos foi a média obtida na resposta. Agora responda sinceramente: nos seus mais profundos desejos, você quer passar dos 60 anos ralando na labuta? Ninguém quer… O que se apreende disso? “Brasileiro não tem noção da realidade previdenciária.” Vaiveno

P.31 Na sua opinião, os trabalhadores brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo do que deveriam, mais tarde do que deveriam ou na idade adequada ? (Resposta estimulada e única, em %)

Aqui o cabra é convidado, sutilmente, a dizer se é vagabundo ou ralador.

P.32 Você é a favor ou contra o governo estabelecer uma idade mínima para os brasileiros se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

O cabra falou com que idade ele espera se aposentar. Deu um número baixo. A seguir, deu uma pensadinha se ele é realmente digno de ter controle sobre sua aposentadoria, pois “os brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo”, conforme enuncia a ordem da pergunta 31. Aqui ele vai concordar que brasileiro é incapaz de decidir sobre a própria aposentadoria, melhor que o governo o faça por ele.

P.33 Você é a favor ou contra os homens e as mulheres terem a mesma faixa de idade mínima para se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

A resposta é zero ou cem. Contra ou a favor. Não existe ponderação, não existe sequer espaço pra fazer alguma consideração. É sim ou não. Só que a questão não é de sim ou não. Tem muita variável envolvida.

P.35 Atualmente, em relação ao seu emprego, você diria que:

A questão 34 não foi recuperada, mas a questão 35 está no outro questionário, o do índice Datafolha. Você acabou de descobrir que não tem competência pra pensar em previdência, porque quer se aposentar cedo, e agora vai pensar sobre o seu emprego. Tremeu na tabela, né?

P.36 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem emprego é:

P.37 Atualmente, em relação ao seu trabalho, você diria que: (Resposta estimulada e única, em %)

P.38 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem trabalho é: (Resposta estimulada e única, em %)

As perguntas 36 a 38 fazem indagação similar para categorias diferentes. Há uma sutil diferença entre emprego e trabalho. Nada sutil, aliás, num país onde o trabalho informalizado tem um peso imenso.

P.39 Você diria que o dinheiro que você e sua família ganham é: (Resposta estimulada e única, em %)

Aí eles fecham com uma pergunta que esqueceram de encaixar lá em cima, mas ia ajudar a compor os números. Poderiam ter encaixado na hora do medo de perder o emprego, mas aí muitos poderiam dizer que ganham muito pouco, o que daria problema com o patrão. Aqui ficou ótimo..

É óbvio que a indução e o “jeitinho”  do catadão não vão transformar urubu em meu louro, mas numa pesquisa que proclama um margem de erro de dois pontos, basta que influenciem 56 patos  dos 2.792 entrevistados para mandá-la para o espaço.

Faz a conta aí: se 14% ( entre 13,5 e 14,4%, por conta do arredondamento) acham Temer ótimo ou bom, isso são entre 378 e 403manés  entrevistados. Qualquer “trocado” importa, né?

Fora o “não sei que é, mas quero que fique” da pergunta sobre quem é o “atualocupante do cargo de presidente da República”. O importante é não passar frio de noite nesse inverno, né?

E eu concluí meu texto pro Tijolaço sem identificar as questões de números 4, 5, 11, 14, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Dez perguntas não reveladas.

Glenn Greenwald insistindo que os números da bagaça estavam errados. Também achei estranho, mas não tinha como correr atrás.

Aí o Britto do Tijolaço ficou encafifado. E foi fuçar no site do Datafolha. Apertou três vezes o botão de delete e descobriu simplesmente aquela que é, de longe, a maior de todas as merdas de toda a história da Folha de São Paulo (e olha que a Folha faz merda atrás de merda….)

Na matéria sobre a avaliação do governo Temer, ao clicar no link pro PDF com o estudo, ele viu este final de endereço:

delete

Tacou o cursor depois do r de Temer, e pá-pá-pá no delete. Enter.

CARACA, MANO, O OUTRO ARQUIVO TAVA LÁ NO SERVIDOR DO DATAFOLHAAAA!!! O TEXTO COMPLETO COM DUAS PERGUNTAS, JUSTAMENTE AS TABULAÇÕES QUE O GLENN TAVA RECLAMANDO!!!

Apareceram mais duas perguntas, a 11 e a 14, que eu vou colar aqui pra não te deixar lhouco:

P.11 NA SUA OPINIÃO, O PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF ESTÁ SEGUINDO A REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO OU ESTÁ DESRESPEITANDO AS REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

e

P.14 UMA SITUAÇÃO EM QUE PODERIA HAVER NOVAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL SERIA EM CASO DE RENÚNCIA DE DILMA ROUSSEFF E MICHEL TEMER A SEUS CARGOS. VOCÊ É A FAVOR OU CONTRA MICHEL TEMER E DILMA ROUSSEFF RENUNCIAREM PARA A CONVOCAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA AINDA NESTE ANO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

Ou seja: Glenn estava certo. E o Datafolha, pra estar apenas errado, vai ter que acertar muito a mão.

Encerro este post aqui pra pegar guaraná, mas não sem antes lembrar que ainda faltam vir à tona oito perguntas: 4, 5, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Isso, claro, partindo do pressuposto de que o questionário acaba na 39.

Pipocas, aceitam? Alguém traz o guaraná?

via GIPHY

Oops! Passou o remorso…

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Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo

quinta-feira, abril 14th, 2016
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Vamos situar a coisa:

No final dos anos 1990, quando rolou a atualização dos Parâmetros curriculares Nacionais, geral estrebuchou: “como assiiiiiiiimmmm???? Não vamos mais ensinar gramática nazescoooooooolas????????” e deu-se o furdunço geral, porque “assim as nossas crianças não aprendem a falar português direito, e o português é difícil, e os ignorantes que as escolas formam que nada aprendem” e etcetcetc blablabla whiskas sachê pereré pão duro.

O que ninguém se deu ao trabalho de fazer foi ler com cuidado os PCN tudo. A ideia não é mais ensinar gramática como está escrito nos livros do Bechara, por exemplo (ufa! Grazadeus!), mas pegar um uso claro de determinado detalhe sintático pra usar como mote pra dar uma aula.

Querem um bom exemplo disso? Manda na lata agora: O que é conjunção?

Tô vendo seus neurônios Tico e Teco jogando nozinha pra lá e pra cá pra tentarem se lembrar do que se trata. Aí, eles vão produzir algo como “ah, é aquele negócio de oração subordinada e oração coordenada, né?”

Tá. Aí, em vez de te dar meio certo e te chamar de burro, vou mostrar pra você como se dar uma aula de conjunção.

Peguemos como exemplo o seguinte texto da Folha (sempre ela, sempre ela!). Vou destacar umas palavras em negrito, e vocês me dizem o que que elas estão fazendo na cadência e nos dados semânticos do texto, OK?

 

Para ‘Financial Times’, impeachment pode jogar país ‘no caos’

O jornal britânico Financial Times diz acreditar que o impeachment da presidente Dilma Rousseff pode ser apenas o começo de mais problemas para o Brasil.

Em reportagem publicada nesta quinta-feira (14), o correspondente do jornal no país, Joe Leahy, explica o complexo cenário político que marcará a votação do processo na Câmara neste domingo (17).

Em formato de perguntas e repostas, o texto chama a atenção para o que chama de “julgamento político” de Dilma, embora ressalte as acusações relacionadas às pedaladas fiscais, que baseiam o pedido de afastamento.

“O impeachment é, essencialmente, um voto de desconfiança. Rousseff se tornou uma das mais impopulares líderes da história democrática do Brasil”, escreveu Leahy.

O FT afirma que há a possibilidade de o processo de impeachment trazer mais instabilidade ou mesmo “jogar o país no caos”.[garoto maroto travesso… não continuou a explicar o que o FT entende por “caos”!]

O jornal cita o fato de que o vice-presidente e possível substituto de Dilma, Michel Temer (PMDB), também corre o risco de perda de mandato por causa da investigação sobre o financiamento da campanha eleitoral que, em 2014, reelegeu ambos.

E, apesar de classificar um eventual governo Temer como mais “amigável” para o mercado, aponta o risco que ele enfrentaria ao ter o PT de volta à oposição, sobretudo por causa da tese defendida por Dilma e seus aliados de que o impeachment é um golpe.

“Se, assim como muitos acreditam, ela (Dilma) e o partido (PT) se recusarem a aceitar o resultado do processo de impeachment, o Brasil entrará em território desconhecido”, opinou Leahy.

A publicação britânica ressalta a crise econômica brasileira e vê culpabilidade de Dilma[e aqui o texto marotamente esqueceu-se do adjunto adnominal mais importante, que é a culpa de dilma SOBRE A CRISE ECONÔMICA, e não dos “crimes” de que ela é acusada], além de mencionar que, embora não seja alvo das investigações do escândalo de corrupção da Petrobras, ela foi presidente do Conselho de Administração da estatal entre 2003 e 2010, período em que o esquema operava.[porque o final do parágrafo vai justamente confundir a “culpa” da Dilma na cabeça do leitor, já que ele joga tudo junto ao mesmo tempo agora no mesmo molho. Percebe, Ivair, a manipulância do cavalo?]

O FT, porém, menciona as pesquisas de opinião que mostram um grande número de brasileiros (58%) como também favoráveis ao impeachment de Temer.

O texto inclui uma comparação com os eventos que levaram ao afastamento de Fernando Collor de Mello da Presidência da República em 1992, em que Leahy observa o fato de que tanto ele à época quanto Dilma terem uma popularidade baixíssima.

Mas o FT observa que, ao contrário de Collor, Dilma tem o apoio de um partido forte no Congresso.

 

 

com o texto acima, um bom professor de português demonstra:

a) o uso de palavras que conduzem a opinião e o raciocínio do leitor (nesse texto, destacam-se as expressões ressalta, observa – e nessa hora a gente sempre mostra o que está sendo observado – tese defendida em vez de alegação/acusação, etcetcetcetc)

b) a escolha precisa dos destaques do texto do Financial Times pra refutar a tese da Folha

c) o uso e o emprego prático de palavras invariáveis que efetuam a conexão sintática entre duas orações, e com essa conexão conferem algum sentido extra à ligação (taí a definição de conjunção que você não soube fazer lá em cima, mas se tivesse uma aula com um texto deste naipe, você saberia recitar a definição porque aprendeu direito, e não porque decorou)

(E eu ainda chamava o professor de inglês pra traduzir o texto original e conferir se o teor dele bate com o que a Folha publicou…)

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Derrota Collection Week , a gênese do terceiro turno

domingo, setembro 20th, 2015
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48 horas e sete (oito?) manchetes que desfilaram terror
e uma coleção de derrotas (na verdade, foi uma só)
para Dilma Rousseff

Já contei aqui que estou fazendo um trabalho no qual contabilizo mondi manchete de Globo e Folha durante o segundo turno das eleições. Nesse post lincado, eu falei do poder do verbo derrotar e do substantivo derrota usados contra Dilma.

Pois bem.

Joguei lupa em cima dessas informações específicas, e descobri aquela que deve ter sido a gênese do terceiro e quarto e quinto e sexto e centésimo octagésimo nono turno. Foi um grande desfile de derrotas novas, e outras, e mais, e persistentes, acompanhadas ou não de ameaças, no carão dos jornais impressos. Como vocês irão perceber, cada qual teve seu estilo, sua personalidade, sua marca pessoal nessa vergonhosa passarela. Como esse fenômeno começou na semana pós-segundo turno e permite uma série de metáforas comparativas com um desfile de moda, batizei o dito de Derrota Collection Week. Vocês vão entender o porquê já, já.

Acompanhem comigo o desfile a evolução da coisa, neste calendário que traz apenas a última semana de outubro de 2014:

DCW

Dia 26 de outubro, domingo – Dia de votação. Fomos todos sufragar e ficamos no aguardo do escrutínio. (foi de propósito pra você correr atrás do dicionário. Dou mó força! 😀 ) Graças ao Acre, não morremos. Dilma venceu no fotochart (outra chance de você buscar o dicionário). Repito: Dilma Venceu. Em segundo, Aécio e beijos pra Lourdes Nassif 😛

Dia 28 de outubro, terça-feira – 48 horas depois da vitória de Dilma (vou repetir mais uma vez: Dilma V E N C E U, vê, é, êne, cê, é, ú, vêêêiiin-ssssêêêêêuuuu), a Câmara dos Deputados põe em votação a regulamentação dos conselhos populares. Não vou contextualizar a coisa aqui. Fique à vonts pra dar aquela busquinha marota no Google. O que nos interessa aqui é apenas uma informação: A Câmara rejeitou a regulamentação dos Conselhos Populares, nos moldes do que pretendia o Palácio do Planalto.

Dias 29 e 30 de outubro, quarta e quinta-feiras – Eis que é chegada a hora de os jornais noticiarem o babado legislativo da noite anterior. No meu trabalho, separei as manchetes que traziam as palavras Dilma, Aécio ou Lula. Do total de manchetes separadas nessas 48 horas, 26% (mais de um quarto delas) mencionavam derrota ou seus derivados. Lembrem-se: o único fato concreto que se tem foi a não aprovação, pela Câmara dos Deputados, de um texto conforme pretendia o Planalto. Um único texto reprovado, um único assunto em questão.

Então, acompanhem o catwalk de Globo e Folha em suas respectivas passarelas:

29 de outubro:

Mercedes-Benz New York Fashion Week Spring/Summer 2013 - Dennis Basso - Runway Featuring: model Where: New York City , New York , United States When: 12 Feb 2013 Credit: Jeff Grossman/WENN.com

Câmara impõe 1ª derrota a Dilma após reeleição (Folha, 1ª página. Manchete repetida na parte interna do jornal, o que me permitiu somar esta teteia duas vezes)

Câmara derrota Dilma e veta Conselhos Populares (O Globo, 1ª página)

Câmara derruba decreto de Dilma que criava Conselhos Populares (O Globo, interna)

30 de outubro

Presidente do Senado promete impor nova derrota a Dilma (Folha, 1ª página)

Congresso ameaça impor novas derrotas a Dilma no plenário (Folha, interna)

Senado ameaça também derrotar Dilma (O Globo, 1ª página)

Renana avisa: próxima derrota de Dilma será no Senado (O Globo, interna)

Agora me digam quantas derrotas vocês acham que Dilma sofreu nessas 48 horas? Pois é.

Vou parar este post por aqui. Volto ainda esta semana com a análise de cada uma dessas manchetes lheandas. O que eu vou fazer, mal comparando, é a descrição físico-fisiológica do processo que faz com que um projétil seja atirado de um revólver dentro do corpo de um indivíduo, e o que acontece com o corpo deste indivíduo até que ele morra por causa do projétil.

(Enquanto isso, os jornalistas e editores de jornais ô raça! se comportam como um trafica qualquer de meia pataca que dispara sua metralhadora pra cima feito louco, sem pensar, e grita: TACÁTERRÔ! TACÁTERRÔ!)

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O dia em que a maldição do sintagma zicado rendeu um paradigma errado

terça-feira, julho 28th, 2015
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(Este post tem o patrocínio intelectual de Ferdinand de Saussure, o dicotômico.)

Eu já expliquei aqui o que é sintagma. Se você perdeu, o spoiler: é o nome técnico que se dá à mínima unidade de compreensão de um texto. Em linguagem vulgar, sintagma é chamado de expressão – ou, como preferiu o Britto, do Tijolaço, bordão. Ele pode ser composto só de nomes, e recebe o nome de sintagma nominal; pode ser composto de verbo(s), e chama-se (adivinha?) sintagma verbal (RÁ! Ixpertão! 😛 )

Pois bem. Voltei a falar do sintagma por causa do Pablo Villaça, que em seu Facebook provou que geral nazimprensa tá abusando do direito de escrever o sintagma “apesar da crise” (Não dá pra chamar de nominal, porque “apesar” é conjunção. Mas deixa pra lá isso não vem ao caso). Se você jogar no Google “apesar da crise”, vai entend… ah, clica no link aí de cima e lê o texto do Pablo porque é muito legal!

Então nossa história começa com geral nazimprensa se dando conta de que “apesar da crise” tava ficando meio ridículo. O sintagma zicou, por assim dizer. O que fazer? Ah, vamos brincar de paradigma!uol

Pausa número dois pra explicar o que é um paradigma linguístico. Vamos partir do sintagma, que nos dá uma linha de ação. Apesar da crise, por exemplo, é um sintagma composto da seguinte forma:

apesar    da    crise

[Conjunção + preposição + substantivo]

O paradigma é o lance que mostra ser possível você fazer combinações de outras palavras dentro dessa mesma fórmula, e obter outros sintagmas, como é o caso de:

Mesmo com crise

[conjunção + preposição + substantivo]

Então, voltando à história do sintagma zicado. Apesar da crise deu BO, geral brincou de paradigma: mesmo com crise, ainda que haja crise, etcetcetc. Percebam vocês que a estrutura e a ideia passada pelos novos sintagmas manteve-se a mesma, certo?

Pois é.

Até a hora em que o UOL pesou a mão na brincadeira do paradigma. Saiu da fórmula conjunção + preposição + substantivo e trocou essa fórmula por uma oração inteira (sujeito + verbo + objeto): GM ignora crise.

Seguinte, amiguinhos: cês conseguiram alterar o sentido do apesardacrise zicado. Esse GMignoracrise não tá ornando. Sugiro trocarem por em meio à crise – mas pelo amor de Nossa Senhora dos Contextos, me craseiem esse a! Ele pede conexão e especificação!!

(Ou isso ou vocês doem essa matéria pra sair na Folha de amanhã. Esse texto tá A CA RA da Folha!)

 

 

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O acidente crescido e a escala de agentividade da Folha de SPaulo

domingo, julho 26th, 2015
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Vocês podem falar o que quiserem da Folha de SPaulo. Só sei que ela sempre vem em meu socorro quando o blog fica parado. Eis que após quase um mês sem ter o que falar, a princesinha da Barão de Limeira me traz esta teteia aqui.

A história é a seguinte: paulistano reclamando da redução da velocidade nas Marginais, imposta pela CET do Haddad. (A velocidade caiu pra 70 Km/h, uma grandeza jamais atingida entre 7 da manhã e nove da noite, quando tem muito carro rodando por lá, mas quem sou eu pra falar disso, né verdade? Deixa isso pra lá).

Dona CET fez um estudo nas vias com velocidade mantida e nas que tiveram a velocidade reduzida. O número de acidentes fatais cresceu pra tudo quanto é lado, mas foi proporcionalmente menor nas vias com velocidade reduzida. O que pode fazer as pessoas concluírem que a redução da velocidade conteve o aumento de acidentes fatais nas vias mensuradas.

Aí chega o adjunto adverbial de tempo, que pode ser trequinho acessório pra dona sintaxe, mas pra dona semântica e Nossoa Senhora do Contexto ele faz uma diferença brutal. Esse estudo foi feito entre 2010 e 2014, e analisou a redução de velocidade implementada [atenção para os adjuntos adverbiais de tempo:] entre 2010 e 2012, durante a gestão Kassab. Ou seja: Haddad tem PORRA NENHUMA a ver com isso.

Mas o melhor de tudo no texto cometido pela Folha é a manchete. Lá em cima eu falei que o aumento foi proporcionalmente menor, né? Pois é. A folha me taca esta manchete:

“Acidente cresce menos onde limite de velocidade foi reduzido”

Cresce menos. Acidente cresce menos.

Agora vem aqui e pensa comigo. O que é mais factível? “O caçador matou o leão” ou “uma laranja matou o leão”?

Qual o poder que uma laranja tem para matar um leão, comparado ao poder de um caçador?

Quem entendeu a minha pergunta entendeu a ideia da escala de agentividade, proposta por Thomas Payne no livro Describing Morphosyntax – livro foda, diga-se de passagem. A escala de Payne nos incentiva a estourar umas boas pipocas quando a gente pensa na frase “acidente cresce menos”. Pensem no poder agentivo que um acidente tem de crescer ou não crescer por si só.

Mas tudo isso, claro, é culpa do Haddad. Como ele mandou reduzir a velocidade das marginais HÁ UMA SEMANA, a culpa é dele, claro. Sempre. Aliás, se chover e esfriar hoje em São Paulo, a culpa é do Haddad.

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Ô, raça!

quinta-feira, maio 14th, 2015
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Daí que eu tô fazendo um trabalho no qual contabilizo mais de 300 manchetes de Globo e Folha de SPaulo, durante o 2º turno das eleições.

Uma rápida passad’olhos, só por cima, vendo os verbos e substantivos usados, mostram alguns dados interessantes/curiosos/intrigantes. Vamos a eles:

1- uso do verbo derrotar / substantivo derrota
(Lembrem-se que os fatos finais foram: Dilma venceu, aécio perdeu)

Foram 10 ocorrências, entre verbo derrotar + derrota. 6 no globo e 4 na Folha. 3 ocorrências foram em verbo, 7 de substantivo.
Nas 4 derrotas substantivos (derrota DE FULANO, onde de fulano = adjunto adnominal) os adjuntos adnominais que apareceram foram: Aécio 2; Lula 1; e Dilma 4.

Com o verbo derrotar, duas ocorrências tiveram Dilma como… OBJETO DA FRASE! “Câmara derrota Dilma”; “Senado ameaça derrotar Dilma”

E se você tá pensando que Aécio é o objeto da frase que tá faltando, você está rotundamente enganado!
A manchete que falta é:
“DERROTADO, Padilha vira coordenador de campanha de Dilma em São Paulo” – não é nem voz passiva, é particípio passado, fechado e sacramentado. E se você quiser, ainda pode achar que esse derrotado é adjetivo ou substantivo, afinal de contas, a ideia é essa: “O Padilha é um derrotado, mesmo”… O_o

2) A expressão “Na frente” também traz dados curiosos. Está associada a aécio em 3 ocorrências, 2 delas relativas às pesquisas eleitorais.

A expressão “na frente” associada a Dilma não apresentou nenhuma ocorrência. Mas houve 2 casos de Dilma com a expressão “à frente”:
– Dilma à frente de Aécio;
– Bolsa cai com Dilma à frente.

3) Verbo atacar e substantivo ataque. Adivinhem quantas vezes houve ocorrências de “ataque de aécio” ou “aécio ataca”? ACERTOU QUEM DISSE ZERO!

“Ataque de Dilma” aparece 4 vezes; “Dilma ataca” (dilma sujeito da frase), outras 4 vezes. Lula ataca = 1vez

Isso porque nossa imprensa é totalmente imparcial, né? MAGINA SE NÃO FOSSE!

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Folha e a hortografia pobremática Eleições 2014

domingo, setembro 28th, 2014
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É fato: a Folha de SPaulo não sabe se trajetória se escreve com G ou com J. Tá numa crise existencial do cão.

Na edição online publica ora assim

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ora assado.

trajetoria

 

 

Mas eu tenho pra mim que essa dúvida corrói o âmago dozeditortudo da Folha. E provo minhas suspeitas:

buscaportragetoria

 

E, antes que você pergunte, é assim que se escreve…

trajetoriahouaiss

 

porque

tragetoriahouaiss

 

(Hoje tô ilustrativa. Me deixa.)

Mas não posso perder o hábito:

 

PORRA, FOLHA! É TRAJETÓRIA, CARALHO! ESCREVE DIREITO!!!

 

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Pra entender o nível da imprensa brasileira nos atualmentes

quarta-feira, setembro 24th, 2014
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Amanhã este post completa um ano de publicado. Mas ele está atualíssimo, aliás, ele conseguiu a proeza de estar mais atual agora do que há um ano.

Eu aproveitei as manchetes de vários jornais mundo afora versus manchete do site da Veja para dar uma amostra do comportamento vil e asqueroso da imprensa nacional.

Como Dilma Vana tá voltando hoje a Nova Iorque pra abrir o boteco da ONU, republico-o.

(E querem apostar como a imagem que ilustra este post também vai ser atualizada? Valendo!)

***************************************

Eu venho desenvolvendo essa tese há algum tempo aqui nos meus miolos. Hoje acabei de vê-la desenhada. Então, já que tenho ilustração, vou discorrer sobre. Não sem antes agradecer à dileta amiga Lucianna Carvalho, por me dar o lindo passe que resultou nesse gol.

Para que todos entendam de linhas editorias deste ou daquele veículo jornalístico, vamos fazer um exerciciozinho técnico de “encontre a notícia”.

Para isso, vamos usar como exemplo uma passagem bíblica:  Jesus caminha por sobre as águas do lago. Copio a citada aqui http://www.bibliaon.com/joao_6/ (Jo 6, 16-24 ou Evangelho Segundo São João, capítulo 6, versículos 16 a 24):

16 Ao anoitecer seus discípulos desceram para o mar,
17 entraram num barco e começaram a travessia para Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha ido até onde eles estavam.
18 Soprava um vento forte, e as águas estavam agitadas.
19 Depois de terem remado cerca de cinco ou seis quilômetros, viram Jesus aproximando-se do barco, andando sobre o mar, e ficaram aterrorizados.
20 Mas ele lhes disse: “Sou eu! Não tenham medo!”
21 Então resolveram recebê-lo no barco, e logo chegaram à praia para a qual se dirigiam.
22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado no outro lado do mar percebeu que apenas um barco estivera ali, e que Jesus não havia entrado nele com os seus discípulos, mas que eles tinham partido sozinhos.
23 Então alguns barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde o povo tinha comido o pão após o Senhor ter dado graças.
24 Quando a multidão percebeu que nem Jesus nem os discípulos estavam ali, entrou nos barcos e foi para Cafarnaum em busca de Jesus

 

Agora me ajudem. Vamos fazer de conta que:

– Jesus existiu (pra você que não acredita nele)

– Há fotos de Jesus caminhando por sobre as águas. Portanto, devemos todos partir do princípio de que esstrem aconteceu de fato – e você acredita nisso.

– A imprensa inteira noticiou o feito

– Jesus é do PT (calma, calma, calma! Deixa eu defender minha tese!)

Então, com essas premissas aí todas pacificadas, vamos analisar a coisa: qual é a notícia, o grande fato que transforma essa travessia de barco da história diferente de todas as outras? Ou, como gostam de dizer os editores (ô, raça!), qual o inusitado  da história?

Acertou quem respondeu Jesus andou por sobre as águas do mar de Tiberíades (sim, o texto fala em mar. Mas dá um desconto. A Wikipedia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_da_Galileia  – chama esstrem de Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré  – além de ele ser também o mar da Galileia. Considerando o nível de confusão praquelas bandas, não saber se um monte d’água é mar ou lago é o menor dos problemas deles. E isso nem vem ao caso!)

Mas enfim. Deixamos Jesus andando por sobre as águas. Então, como deveria ser a manchete neutra, que traz a informação livre deste ou daquele viés político?

Jesus caminha por sobre as águas do mar de Tiberíades

É a notícia, ele fez isso mesmo (você me prometeu lá em cima que iria acreditar na história! Num estressa!) e lembrem-se: a manchete é uma frase única, de preferência com uma única oração, que traz uma unica ideia. Tem que ser uma linha sintética, simples, pá-pum.

Mas não é bem assim que a banda toca por estas bandas de cá, né? Vamos ver como os vários veículos de comunicação que pululam por este Brasil dariam a notícia.

Primeiro, aqueles que ficaram conhecidos como os blogprog. Há quem diga que esse povo recebe do governo pra fazer o que fazem. Eu duvido – não porque o governo não seja capaz de uma coisa dessas, mas porque eu me recuso a acreditar que o governo, qualquer que seja ele, consiga remunerar um troço tão mal feito! Porque, se eles tivessem que dar essa notícia, sairia marromeno assim:

Jesus Inácio Lula da Silva realiza feito histórico e caminha por sobre as águas do mar da Galileia
“Nunca antes na história deste país alguém ousou caminhar por sobre essas águas revoltas, mas nosso país está mudando”, Declarou Jesus Inácio

Vou evitar discorrer sobre o ridículo da frase acima pois creio que ele seja autoexplicativo. E eu não estou aqui para redundâncias. Então, vamos ver como a imensa maioria da imprensa brasileira daria a manchete:

Jesus caminha por sobre as águas, mas expõe apóstolos a possíveis afogamentos

Reparem na construção da frase acima. Observem que há duas orações coordenativas adversativas. Traduzindo pra quem não se lembra mais das aulas de sintaxe: são duas orações coordenadas, ou seja, duas orações que são independentes uma da outra – cada uma, sozinha, faz sentido, se  basta. Mas elas se ligaram por coordenação. E essa ligação se deu com uma conjunção que imprime uma adversidade  aos dois enunciados:

Jesus caminha por sobre as águas = legal, positivo, maneiro;
Jesus expõe os apóstolos a possíveis afogamentos = mau, negativo, feio, isso não se faz.

Daí que a regra básica da manchete (uma frase, uma ideia, uma oração) foi quebrada. Entraram em campo duas orações – a primeira positiva; a segunda (que vai permanecer mais tempo nazideia), negativa. Pode reparar que esse é o tipo de manchete usada por Folha, Globo e Estadão. <– observe o ponto, por favor. Citei apenas esses três, fazfavô!

Agora pensem na quantidade incomum de manchetes compostas de “vírgula-mas” (http://www.meionorte.com/noticias/geral/brasileiro-vive-mais-mas-em-condicoes-precarias-58595.html) que vocês leram nos últimos dez anos (http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/privatizacao/o-brasileiro-esta-vivendo-mais-e-isso-e-otimo-mas-e-a-previdencia-social/) – principalmente as referentes às melhorias de qualidade de vida dos brasileiros.)

Eu poderia (e pretendo) discorrer sobre esse tema com mais ponderações e orientações. O fato é que é possível analisar esse tipo de manchete tanto pelo lado negativo, como eu acabei de fazer, como pelo lado positivo: apesar de imprimir um viés editorial à notícia, que abandonou menina isenção e deixou Jesus Cristo meio antipático, a manchete informou o fato em si. quem leu esse título ficou sabendo que Jesus caminhou por sobre as águas – ponto. (mas o gostinho do fel ficou na boca.)

Mas a coisa pode ficar pior. O viés ideológico e a opinião rasteira, daquela que destrói todos os princípios do bom jornalismo, podem se fazer presentes de forma ainda mais grotesca. Imagine se, após o feito do trecho bíblico, alguns veículos estampassem em suas manchetes:

“Jesus não sabe nadar”        ?

Antes de tachá-lo de ridículo, cabe avisar aqui que o título acima não satisfaz o pré-requisito de informar sobre o fato em si. (Pronto, agora podemos chamar de ridículo. Ou, ainda, de recalque. Mas essa análise recalque é muito 2013, quero deixá-la atemporal).

Ah, Bruxa, ninguém faz isso, não! Fica muito ridículo!

Pois eu digo que o grupo Cisneros, na Venezuela, fazia isso direto com o ex-presidente Hugo Chávez; o grupo Clarín faz isso direto com a presidenta Cristina Kirchner; e aqui no Brasil, que é useira e vezeira nesse tipo de construção é a Veja.

Querem ver?

porraveja

Infográfico roubartilhado do Facebook do Laerte Gurgel

Vamos analisar o fato em si:

Dilma foi à ONU fazer o discurso de abertura da Sessão deste ano da entidade internacional. O trem que tá pegando: a espionagem escancarada dos Estados Unidos em cima do pré-sal e das comunicações do altíssimo escalão do governo federal.

O que que Dilma fez no discurso? Condenou o ato.

Como a imprensa internacional noticiou?

– The Guardian: [espionagem é] uma brecha ao Direito Internacional

– Le Monde: espionagem é afronta

– El País: Rousseff condena práticas de espionagem

– Veja: Dilma critica EUA

E eu paro por aqui. Não vou falar das fotos, não vou falar de 2014, não vou falar de mais nada.

Só peço que vocês reparem que a manchete da Veja é composta por duas orações coordenadas. Observem também que essas orações são ADITIVAS. Ou seja: uma é negativa, a outra também.

Em resumo: você assina Veja? Troque por Chico Bento. Leitura de altíssima qualidade, leve e estimulante. e, se bobear, tem mais informação que o hebdomadário abriliano.

(E este post foi incluído na categoria “PORRA, FOLHA!” por osmose.)

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Folha, a queda da alta e a estratégia do caos

segunda-feira, agosto 11th, 2014
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É sempre assim. Minha relação com a Folha de SPaulo é de quase simbiose, saca?

Eu começo a achar que o caldeirão tá muito parado e lá vem a Folha me dar motivo pra mexer de novo no caldeirão. Vejamos a teteia que o jornal dos Frias aprontou hoje.

O texto “Mercado reduz previsão para crescimento da economia pela 11ª vez” já prenuncia o caos, desgraça e infortúnios. Abre com a redução da projeção do crescimento da economia blablabla wiskas sachê blablabla. E eu só consigo pensar no Paulo Ricardo cantando “antecipando a estratégia do caos.. há no ar num ato qualquer um certo temor / num segundo passa por nós, talvez o amor / feito o pôr-de-sol em mim, feito a vida chegando ao fim / há um fim?” Aí eu penso que esperar que o Brasil tenha o PIB da China é comparar a bunda do Hulk com a bunda do William Bonner (eu já vi, é murcha que só, uma decepção!)

Tá. Deixa o Paulo Ricardo pra lá. Voltemos ao texto. Ele fica legal mesmo quando fala de IPCA, o índice de inflação, que deve ficar em até 6,5%. Previa-se que ele ficaria em 6,39%, e agora a previsão é de 6,26%. Olha o malabarismo da redação da Folha:

 

A projeção para a alta do IPCA (a inflação oficial do país) [Pronto. Projeção para a alta. Você fica esperando um número caótico] neste ano caiu [Aí vem a realidade dos números e joga a alta pra baixo. Agora me conta: há a necessidade desse “alta” antes de IPCA no início do parágrafo, ou eu devo voltar a cantar a “estratégia do caos” do Paulo Ricardo?] para 6,26%, contra 6,39% anteriormente [Mas gemt, a coisa já tava baixa antes, de onde saiu essa alta?] , afastando mais a possibilidade de o indicador estourar o teto da meta [… e zás. Acabamos de ver a Folha passar o recibo de ridículo. Véi, brinca com número, não…] de 6,5%.

Foi a quarta semana consecutiva em que a estimativa é revista para baixo [Ah, porra, faz quatro semanas que esse número está CAINDO?!?!?!?!]. No caso de 2015, o IPCA deve aumentar 6,25%, acima da taxa estimada anteriormente, de 6,24%.

(…)

[E se você pensa que o melhor do texto é a queda da previsão de alta, espera quem tem mais!]

Com o recuo da inflação [É, não tem como , a gente tem que reconhecer aqui que a inflação caiu], o governo saiu na defesa [mas a gente tem que dar a entender que o governo está se defendendo dos constanes ataques, e que o gverno está sob intenso bombardeio com relação à política econômica!]de sua política econômica e afirmou que a meta do ano será cumprida.

Márcio Holland, secretário de Polícia Econômica do Ministério da Fazenda, afirmou que a inflação está sob controle, vem caindo nos últimos quatro meses e deve continuar a trajetória no próximo semestre.

“O resultado só reforça a nossa avaliação de que a inflação está sob controle e teremos um índice dentro das metas anunciadas esse ano, dentro do intervalo de tolerância.”

“Trata-se de resultado da política econômica posta em prática pelo governo federal desde meados do ano passado para controlar a inflação”, afirmou Holland.[ou seja: tiramos desta notícia q a inflação está totalmente sob controle, e que o governo sabe muito bem do que está fazendo, e está fazendo tudo certinho – ainda que o certo seja errado, sob a perspectiva da Folha.]

Sobre desempenho da economia brasileira, a avaliação de Holland é de que de que o Brasil não é “exceção é regra” e está “em linha com o comportamento das economias mundiais”, com taxas de crescimento perdendo fôlego. [Algo me diz que holland não estava pensando na bunda do Bonner ao fazr tal avaliação, mas deixa pra lá]

(…)

Então, só pra eu não perder o hábito, lá vai:

PORRA, FOLHA! NUM TEM VERGONHA DE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, NÃO?!?!?! JÁ ENFIOU A CREDIBILIDADE NA PRIVADA E DEU DESCARGA, É?

Mazó: deu saudade de Estratégia do Caos. A letra tem tudo a ver com os dias de hoje:

A Estratégia Do Caos

RPM

A superfície aparente do olhar

Esconde um mar de lágrimas e estórias

De onde sereias parecem chamar

Há no ar, num ato qualquer

Um certo temor

Num segundo passa por nós talvez o amor

No pensamento em cavernas sem luz

Morcegos vêm e voam entre gritos

Antecipando a estratégia do caos

Há no ar, um ato qualquer um certo te…mor

Num segundo passa por nós talvez, o amor

Feito um pôr de sol em mim
Feito a vida chegando ao fim

Há um fim?

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Psicografando o Datafolha

segunda-feira, julho 21st, 2014
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Como vocês sabem, eu sou dotada de superpoderes [pausa pra você rir]. Um deles é que eu consigo psicografar reuniões de pauta da Folha de SPaulo e do Datafolha [outra pausa pra você rir].

Pois então. Aconteceu assim:

Nego fechou os números do Datafolha e entrou em pânico.

– Assim não pode! Assim não dá! A vaca velha [eles se referem com muito carinho e deferência à presidenta Dilma Rousseff, sabe?] tá empatada com a SOMA de todo mundo, excluindo indecisos? A eleição periga fechar no primeiro turno! Chefe, o que que a gente faz?

– Ai, putaquepariu, esse Aécio tá foda, como é que o PSDB quer vencer com um zé ruela desses? Me dá esse papel aqui, deixa eu ver um troço… Aqui! Achei! Quanto é a margem de erro que a gente diz que pratica?

– Dois pontos percentuais para mais ou para menos, senhor…

– Então pronto! Taca 36% pro Aécio no segundo turno e já temos uma manchete! “Aécio empata com Dilma no segundo turno”

– Mas chefe! Periga não ter nem segundo turno porque a vaca velha empatou com a soma dos outros e…

– Esquece o primeiro turno! Vamos focar no segundo turno, Mané!

– Mas chefe, só tem segundo turno depois do primeiro e…

– DIZ QUE VAI TER SEGUNDO TURNO, PORRA!!! Daí todo mundo vai pro primeiro turno pensando no segundo!

E foi assim que o Brasil ficou sabendo dos resultados do Datafolha 24 horas depois do prazo combinado.

 

 

Hein? Você tá achando que essa história é mentira? Eu também.

Mas assim… certeza, certeza, eu não tenho, não…

#numpresto #valhonada

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Adversários e adversativos

sexta-feira, junho 6th, 2014
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Depois de ler o texto da Folha de SPaulo sobre o índice de inflação de maio, eu me dei conta de mais uma coisinha para além da questão do vírgula-mas: as palavras adversativo e adversário têm a mesma origem: contrário, adverso. Com o sentido dessas duas palavrinhas em mente, vamos ver o texto que a Folha cometeu sobre a informação:

  • inflação de maio 0,46% X 0,67% inflação de abril.

Então vamos começar a pensar: qual seria a melhor manchete para essa reportagem? Vamos listar algumas possibilidades aqui:

– Inflação cai em maio

– Inflação tem queda em maio

– Inflação tem menor índice desde setembro de 2013?

Er… não. O que a Folha fez foi

Alta de alimentos desacelera, e inflação recua para 0,46% em maio

Percebeu a canalhice? Então eu mostro. Deixa eu copiar a frase aqui pra destrinchar: Alta [A PRIMEIRA palavra do título é ALTA. Seu cérebro começou a subir escada ao ler essa palavra.] de alimentos desacelera [houve uma desaceleração da alta, ou seja, o negócio tá indo lá pra cima. Mais devagar, mas tá subindo.], e inflação recua [Na nossa caminhada escada acima, agora você começou a descer. Mas nem percebeu, porque recuar não tem a mesma força de cair ou descer, né? Além do quê, recuar pode ser dar uns passinhos pra trás para a seguir continuar no caminho pra frente] para 0,46% em maio [e voilà! Temos uma manchete que diz que a inflação caiu sem dizer que a inflação caiu. Lindo isso, não? NÃO, NÃO É!]

PEDRO SOARES [resolvi deixar o nome do cabra culpado por cometer esse texto]

Uma menor pressão dos preços dos alimentos [Se os preços estão fazendo menos pressão, eles estão menos pesados. Se eles não pesaram, ELES FICARAM MAIS LEVES? ORA, ENTÃO HOUVE QUEDA DE PREÇOS? o_O] assegurou uma freada [continuamos a medir o índice de putaria manipulação do texto: frear não é parar, é reduzir velocidade]  da inflação em maio.

O IPCA, índice oficial do país, ficou em 0,46%, abaixo do 0,67% de abril [CAIU, BRAZEEEWWWWW, A INFLAÇÃO CAIIIIIIIIIIUUUUUUUUU!!!], segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (6) [tá. agora me veio uma dúvida em relação á informação: já vi que os preços caíram. Mas por que houve essa queda? Isso é bom ou ruim? E o que vai acontecer daqui pra frente?]

É a taxa mais baixa para um mês desde setembro de 2013, quando esteve em 0,35% [oba! Então isso é bom! A inflação caiu! Vamos comemorar?], mas acima do esperado pelo mercado [não, porque o vírgula-mas ferrou com a sua felicidade]. O índice já vinha em tendência de declínio desde março[Mas isso é uma belezura! Temos uma informação que foi adversativada no vírgula mas, para em seguida ser desadversativizada na frase SEGUINTE!], quando bateu na taxa recorde para o mês –a mais elevada desde 2003.[e readversativizou-se em seguida! Isso é praticamente uma virada de 360 graus!]

Passada a pior fase da estiagem que marcou o verão o começo do outubro [esqueceram de revisar esse trechinho aqui. vou relevar], os preços dos alimentos cederam[OK, temos aqui que começou a chover, a produção agrícola de alimentos aumentou e o preço deles caiu], ajudados ainda pelo enfraquecimento do consumo diante do custo elevado da alimentação [e o texto ainda nos diz que o brasileiro comeu menos] e de uma renda que já mostra sinais de desaceleração.[e que a renda está caindo e oh, dia, oh, via, oh, azar, Lippy, isto não vai dar certo….]

O IPCA acumulado em 12 meses, porém, [É tanta conjunção adversativa que daquia pouco Folha vai se gramaticalizar e virar conjunção adversativa! A construção “ele é bonito, FOLHA está velho” vai substituir a construção “ele é mobito, MAS está velho!”] persiste em patamar alto. Analistas não descartam o estouro do teto da meta do governo (6,5% neste ano).[estouro do teto da meta: nego quer que vc suba as escadas, abra a porta do terraço e pule do alto do prédio].

(…)

Em ascensão desde janeiro[…. e pronto! Você voltou a subir a escada!], a taxa em 12 meses é a mais alta desde junho de 2013, quando bateu os 6,7%, e tende a manter uma trajetória de aceleração[vamos, vamos! Trate de acelerar o passo! Tem que subir mais rápido!], já que em meados do ano passado a inflação foi muito baixa, o que não deve se repetir neste ano.[A inflação foi muito baixa = só eu senti um certo nojo/desprezo por essa informação?]

[Agora observe a magnitude de uma construção adversativa de raiz: até a vírgula, a informação é positiva. Depois da vírgula, ela fica bipolarmente negativa. Acompanhe:] Há uma declínio previsto, mas não na mesma intensidade.[Agora pense: a inflação caiu em maio, os preços dos alimentos caíram, ano passado a inflação ficou muito baixa (por isso geral na imprensa resolveu atacar o pibinho) e este ano ela não deve crescer tanto VÍRGULA MAS mesmo assim deve ficar acima da meta. Gente, isso é torcer contra. Isso é ser adversário. E trabalhar o texto só com adversatividade.]

Oi? Jornalismo? Não, a Folha não trabalha com isso há muito tempo.

E ó: o Muda Mais também atinou pras mesmas coisas que eu…

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Sintagma nominal incompleto? Trabalhamos! O_o

quarta-feira, maio 14th, 2014
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Tá, eu sei que você não faz a menor ideia do que seja um sintagma nominal – embora use o bichinho inúmeras vezes por dia. Mas calma que eu explico.

Sintagma é a mínima unidade de compreensão dentro de uma estrutura oracional. Tá bom, tá bom, eu sei que você continua boiando. Vem cá que eu te resgato:

Vou te jogar duas palavras:

Bolo             café

As duas fazem sentido? Quase, né? E se eu fizer assim:

Bolo DE café / bolo PARA O café

Brinquei com preposição e estabeleci uma conexão entre bolo e café. No primeiro caso, disse que um dos ingredientes que compõem o bolo em questão é café; no outro, disse que o bolo foi feito com a finalidade de ser comido com o café. E tudo isso eu fiz com duas palavrinhas xumbregas. Mas deixa isso prá lá. O fato é que eu apresentei a vocês dois sintagmas nominais (compostos por nomes, a quem você conhece como substantivos).

Mas, Bruxa, por que você tá falando de sintagma nominal? E quem deixou o sintagma nominal incompleto?
Para explicar isso, eu vou te dar duas frases:mantega

“A economia passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

E

“A economia INTERNACIONAL passa por recuperação lenta e dolorosa da crise”

Não creio, Bruxa! Quem fez um troço desses?

A frase de baixo foi proferida por Guido Mantega. E a frase de cima foi o que a Folha disse que o Mantega disse.

Sintagma nominal incompleto é o nome sintático dessa coisa. Canalhice, falta de vergonha na cara e manipulação de dados é o nome político que ela recebe ainda que a melhor classificação seja putaria.

Espero que a aula de hoje tenha ficado clara.

Pela atenção, gracta.

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O pseudossofrimento e a canalhice da imprensa

terça-feira, maio 6th, 2014
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A regrinha é: geral só lê o título. Foda-se o resto. Como se aproveitar dessa máxima? Assim, ó:

Vamos começar com a definição do verbo sofrer. E, por favor, especial atenção à definição nº 6:

sofrer

1 ( t.d.,t.i.int. ) [prep.: de, por] sentir dores físicas ou morais; padecer

    ‹ s. a dor da dúvida › ‹ s. por orgulho › ‹ a ciática fazia-o s. ›

2 ( t.d. ) ser alvo de (golpe, pancada etc.); receber, levar

    ‹ s. uma pancada na perna › ‹ na cadeia, sofreu sevícias ›

(…)

6 ( t.d. ) passar por, experimentar

    ‹ desde que foi formado, o grupo sofreu várias alterações ›

7 ( int. ) ter danos ou prejuízos; decair, degradar, perder

    ‹ com a falta de chuva, a agricultura sofre ›

Agora, leia o discurso da Dilma num evento na manhã de hoje:

Eu tenho certeza que o Brasil daqui a 3 anos o país será melhor que o de hoje, porque hoje eu já tô sofrendo, ou melhor, me beneficiando das decisões tomadas no período Lula

OK? Entendeu? então, vamos ao chorume. Primeiro, blog do Josias de Souza:

josias

E o Uol Mais:

uolmais

 

E o UOL Mais ainda teve a PACHORRA de cometer este texto aqui:

No lançamento (…) a presidente Dilma Rousseff cometeu uma gafe ao dizer que estava “sofrendo” das decisões tomadas no período Lula. Dilma prontamente se corrigiu e afirmou que estava se “beneficiando”.

Nota-se que:

1- Josias nem se deu ao trabalho de escrever nada. Apenas mandou o título e apertou o “publicar”

2- O Uol Mais ainda enfiou uma legendinha descritiva safada.

3- Ambos sabem que quem vir esses posts vai apenas ler o título, e vai ficar o peso negativo da palavra sofrer, sem nem se darem conta de que em determinadas situações (como o discurso da presidenta), é possível usar essa palavra de forma positiva.

E outro dia mesmo meu professor tentava se lembrar de um exemplo de verbos com tipologia semântica benefactiva….

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Datafolha e a otimização das pesquisas

segunda-feira, abril 21st, 2014
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Dá pra imaginar a reunião de pauta que originou o texto. Diz o editor:
– Precisamos requentar e fazer valer aquela pesquisa de merda do Datafolha.
– Mas chefe – ponderou o estagiário recém-chegado do Ego – essa pesquisa deu tanto problema… Até linguista provou a manipulação dela e…
-Preferenciosidade, meu jovem! Aqui na Folha usamos eufemismos tucanos! Diga preferenciosidade! Mas o fato é que nós precisamos exacerbar a preferenciosidade do último Datafolha! Como proceder, Mané?
– A vaca véia (imagino que todos na Folha sejam muito carinhosos e deferentes com a presidenta) chulapa todo mundo em qualquer cenário. Acho que só se a gente segmentar os entrevistados por recortes conseguimos equilibrar alguma coisa e…
– Ótimo! Faz isso! Vai ser capa de amanhã!
– Mas essa pesquisa tem mais de duas semanas!!!!
– Whatever. Manda ver!

Aí eles aprontaram essa teteia que o Muda Mais, aquele site de comunista tranquera 😉 , analisou muito bem.

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TV Folha e a Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, ou o facepalm na cara da sociedade inteligente

terça-feira, março 18th, 2014
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(Pra quem não sabe, facepalm é o nome daquele tapa que você dá na sua cara com a parte de dentro da mão, quando pensa “Ai, meu Deus, que burrice!”

Véi, sei nem por onde começar. Apenas digo pra você estourar umas pipocas porque o papo vai ser longo (traz um guaraná pra acompanhar, também, por favor…)

 

(CLique por sua conta e risco. Não aceitamos reclamações.)

A TV Folha fez um vídeo sobre os líderes da Marcha da Família com Deus e Contra o Comunismo, edição 2014 (que doravante chamarei MFDCC, tá? Quero colocar essa marcha em pé de igualdade com eventos tipo Fashion Week). Daí que tem muita gente que não consegue ver o vídeo até o final por sentir repugnância. Então, eu resolvi ser bem legalzinha com vocês e descrever o vídeo. Porque o conteúdo é tão ruim, mas tão ruim, que beira a tragicomédia. batman-facepalm

Mas ó: total apoio a quem não conseguiu ver o vídeo até o fim. Nunca minha vergonha alheia atingiu níveis tão altos. A primeira vez que eu vi o vídeo acabei horrorizada, embaixo da mesa, com um saco de papel na cara porque OLHA… vamos contar o número de facepalms que eu fiz em cinco minutos de vídeo?

#Facepalm nº 1: Aos dezoito SEGUNDOS, com o primeiro personagem do vídeo, o Historiador Equivocado. O moço diz que “o povo foi às ruas” no dia 19 de março de 1964.

Aí, fera, fala uma coisa dessas não que pega supermal pra você… pra começo de conversa, vamos definir “povo” na frase do tio aí de cima. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, as Marchas de 1964 foram “organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas”. Então, pra ficarmos dentro dos parâmetros de honestidade, devemos dizer que a Marcha das Famílias com Deus pela Liberdade foi organizada por setores da sociedade. Povo, não. Povo, povão, mesmo é a parte da sociedade que ou tá ocupada demais ralando o dia inteiro, ou tá enfrentando trânsito no transporte público a caminho de casa/trabalho ou tá fazendo faculdade à noite.

che-facepalm#Facepalm nº 2- Aos 32 segundos ele fala em contrarrevolução. Porque, né? Eles estavam se pelando de medo de um (favor ler com voz fantasmagórica) goooooolpe comuniiiiiiiistaaa…

Cara, em 1964, por mais insólita que a sugestão já parecesse (Jango Goulart, fazendeiro E comunista? Não rola, é contradição entre termos…), ainda fazia algum sentido no contexto do fla X flu da Guerra Fria, disputado a ferro e fogo entre Estados Unidos e União Soviética.

Mas em 2014?!?!?! Golpe comunista em andamento? Naonde que tem golpe comunista? Vivemos a mais capitalista das eras do Brasil, estamos a pleno consumo e a pleno emprego! Tá em dúvida? Pergunte a um banqueiro o que ele acha de golpe comunista em 2014…

#Facepalm nº 3: Entra em cena o segundo personagem do vídeo, o Esclarecido do Agronegócio. Fala em “setores esclarecidos da sociedade”. Tá. São esclarecidos. Mas me digam, por favor: que tipo de esclarecimento eles têm? A respeito de quê? O que eles sabem que a gente não sabe? Conta tudo pra gente, por favor…. (e até o fim do vídeo ele conta tudo, uma coisa….)

Aí, mais adiante, o Esclarecido do Agronegócio vai e diz que “A sociedade vem sendo imbecilizada há 50 anos, por todos os governos do crime repetidos” #facepalm nº 4: mas meu tio, pelo amor de Santa Genoveva, juntou tudo no mesmo balaio? Militar, não-militar, PT, PSDB… esclarecidão o senhor, hein?

Mas espere… se o governo militar há 40, 50 anos era um “governo do crime”, como o senhor mesmo disse, por que o senhor quer voltar com os militares? Então o senhor apoia o crime? Cejura? Mas cejura mesmo? É impressão minha ou o senhor, do alto do seu esclarecimento, caiu em contradição?dog_facepalm

E a Mãezona de Família, preocupada em educar a filha de 17 anos, é a nossa terceira personagem. Gente, alguém avisa que a filha dela não terá problemas com os estudos, pelo contrário? Ela pode se valer do Ciência sem Fronteiras para ir estudar no exterior, e ainda volta doutora! Fique à vontade pra confiar na Dilma, dona Mãezona! Tá, parei.

A Mãezona de Família nos traz o #facepalm nº 5: o Brasil vai virar uma Venezuela e uma Cuba, e teremos quilômetros de filas pra comprar papel higiênico ou frango. Mas minha tia, com tanto empresário de comércio varejista salivando porque as vendas estão em franca expansão, onde já se viu esperar desabastecimento, falta de comida?

Quarto personagem do vídeo, batizado por um amigo do Facebook de “o Politizado em Download”. Que diz que é politizado a 85%. (O download falhou, coitado, cês tão vendo como é importante votar logo o Marco Civil da Internet, gente?) Só essa do politizado a 85% já renderia o sexto facepalm, mas minha cara tá doendo de tanto tapa que eu tô me dando. Vou dar um desconto.

Voltamos ao Esclarecido do Agronegócio, que nos diz agora que “os anseios da presidenta das república não representam os anseios da maioria da sociedade”. OK, aqui não dá pra economizar. #facepalm nº 6.

dilma-rousseff-facepalm[suspiro] Tio, é assim: de-mo-cra-ci-a. Aquele lance que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse lance é corroborado por um troço chamado e-lei-ção. Um megaevento, com megacobertura da imprensa, onde as pessoas vão e contam pra um troço chamado urna quem elas querem que seja o representante delas. Daí, ao final do dia, a urna é aberta e descobre-se quem teve mais votos. Esse carinha mais votado é o eleito. No caso, Dilma Rousseff foi escolhida em 2010 como a pessoa que a maioria da sociedade quer que seja a representante máxima do país.

Em democracia não rola esse lance de “setor esclarecido o voto vale mais; setor menos esclarecido o voto vale menos”. É tudo um para um. E se ela não corresponde aos anseios da sociedade mais esclarecida, corresponde aos anseios de todo o restante da sociedade. “Ah, Dilma Rousseff não me representa!” Ótimo! Direito democrático seu achar isso! Vamos pras urnas, escolher um candidato que te represente? Daí , fale com os seus e peça que eles também votem nesse candidato. Quem tiver mais votos, leva. Combinado?

Voltamos à Mãezona que diz que morre de vergonha dos políticos. Tia, aceite umas pipoquinhas aqui do meu balde, e vamos conversar. O que tem de mané que não me representa não tá no gibi. Mas o que fazer se eles representam outros setores da sociedade? Pedir divórcio do resto da sociedade? Num rola, né?scully_facepalm

Eis que retorna à telinha o Historiador Equivocado, dizendo que “não votaria num candidato com menos preparo do que eu!”. Ele, por exemplo, não teria problemas em achar um candidato em quem votar, porque eu listo vários com mais preparo do que ele. A começar pelos professores de história que sabem o que realmente significou a marcha das famílias em 1964. Aí ele diz que não vota em quem fala português errado. Querido, se for assim, você vai limar todo mundo! Pode começar com os que se dizem os “melhor(es) preparados”, porque o superlativo de locuções adjetivas é feito com mais. Então, o superlativo de “bem preparado” é “o mais bem preparado”. Mas isso aqui não é aula de português, e sim exercício de masoquismo. Voltemos aos facepalms.

O #facepalm nº 7 é um oferecimento do Politizado a 85%, que nos fala em “intervenção militar provisória”. Bom, eu vou evitar o caminho mais fácil de mandar o tio acabar o download de politização dele. Também vou evitar chamar a atenção de vocês pro tanto que o sujeito gaguejou antes de falar esse troço. Vamos lá. [longo suspiro].

Zuckerberg_FacepalmExiste um calhamaço de texto chamado Constituição da República Federativa do Brasil. Troço mó legal, levou um bom tempo pra ser feito, e foi resultado de muito esforço e muito consenso de vários setores da sociedade, representados por Parlamentares Constituintes.

Daí que essa Constituição prevê intervenções militares. Em casos extremíssimos. Falha no download do seu app iPolitizado 2.0 não é um deles, OK? E por provisório, entende-se um troço com prazo final. Quem, como e por quê vai determinar o fim desse prazo? Da última vez, imaginava-se que seriam alguns meses, e foram 21 anos. Ou seja: não rola, esquece.

Voltamos ao Esclarecidão do Agronegócio que nos diz que o grupo dele almeja seis objetivos nacionais permanentes. Bora conferir?

1- Democracia – check

2- Progresso – check

3- paz social e ordem pública – ah, tem sempre uns doidos que querem a volta da ditadura, mas nada que seja a transubstanciação do caos, né? Oops!

4- Soberania – check

5- Integração nacional – check

6- Integridade nacional – check

Isto posto, qual é mesmo o motivo da sua manif?

E mais uma vez a Mãezona dizendo que acha um absurdo não poder andar armada. Olha, gente, mó alívio saber que as famílias de Deus adoram andar armadas. É uma forma doce e singela de espalhar a mensagem de amor de Deus, né? Certeza que Deus tá jesus-facepalmmorrendo de orgulho da tradicional família armada brasileira.

Mas espere! O #facepalm nº 8 traz o Historiador Equivocado com a grave denúncia de que estão tentando implantar um bloco socialista na América Latina! Gente, alguém aperta o F5 desse pessoal, pelamor? Avisem que quem nasceu quando acabou a Guerra Fria já completou meio quarto de século? E que a Agenda Mundial já virou um bocado de página?

Não existe mais isso de “implantar o socialismo” ou “implantar o bolchevismo”, fazfavor! O que todos temos, salvo esta ou aquela nação, são regimes 100% democráticos com políticas de governo mais à esquerda ou mais à direita. Noves fora, os direitos individuais das pessoas permanecem I-NAL-TE-RA-DOS!

E se você pensa que o #facepalm nº8 foi o auge do vídeo, você ainda não viu o #facepalm nº9: o Teorema das Ferraris. Foi o Equivocadão quem desenvolveu o conceito (pára de rir, coisa! Tô falando sério!): “Imagina eu tendo uma Ferrari, tu tendo (o Godzilla-FacepalmEquivocadão não vota em si mesmo, isso é fato!) uma Ferrari, todos aqui tendo uma Ferrari. Imagine todo mundo tendo condições de viver num mundo igualitário. Não existe isso!” Aí não agrega mais valor ao camarote, tem que ver issaê! Traz a bebida que pisca! No que a Mãezona completa: “Isso é uma coisa nítida! Só quem mora no Morumbi já sabe!”

Ou seja: se você ralou pra caramba pra fazer a sua faculdade, se trabalhou até não poder mais pra comprar um carro, ou a casa própria, isso não pode! Você é pobre e tem que saber do seu lugar e se contentar com seu reles papel de serviçal na sociedade! Tudo isso explicado com o Teorema da Igualdade das Ferraris.

Não foi à toa que esse moço recebeu a alcunha de Equivocadão…

(Ah, sim: só pra lembrar, o #facepalm nº 1 foi o Equivocadão falando em povo, tá? Volta lá em cima pra conferir que eu espero…)

Chegamos àquele que é o meu #facepalm preferido, o #facepalm nº10. O Esclarecidão e o Equivocadão chegaram nos Illuminatti! Gente, agora tudo faz sentido! “Quem manda no Brasil não mora no Brasil, quem governa o Brasil é o Dono do Mundo”, diz o Equivocadão. Não sei se penso em Antônio Fagundes como protagonista daquela novela de mesmo nome do Gilberto Braga, ou se me lembro daquela música infantil dos anos 1980: “Vê qual é o nome do dono da terra, inventor do céu e do mar”. Acho que fico com o Fagundes…

Mas o melhor mesmo é quando o Equivocadão diz que o nome do Dono do Mundo é o Barão de Rotixíude.

Geeemt… Rothschild (lê-se róts-tcháudi) mudou pronúncia e ninguém me contou? Afff… (voltando lá no meio do vídeo, o mesmo cara que diz que não vota em quem não fala português direito tenta pagar de sabido e não sabe pronunciar Rothschild corretame… melhor eu parar, daqui a pouco vão dizer que eu tenho parte com os Iluminati!terceirizado_facepalm

Neste momento você vai dizer: “Ai, você é muito implicante! Ele não tem obrigação de falar inglês fluentemente!”, e eu serei obrigada a concordar contigo. Então, me empreste seu rosto para o #facepalm nº 11: Equivocadão dizendo que o Collor foi impitimado.

O Esclarecidão do Agronegócio convida a todos a entrarem no Google pra procurar se informar a respeito (Já dizia o ET Bilu: Busque conhecimento !). Olha, tio, devo confessar que eu joguei “Rothschild iluminati” e… ah, puxa! Acabaram-se as pipocas!

Deixemos de lado o Google só um pouquinho, e voltemos à Mãezona contando que o que tá acontecendo agora é o mesmo que aconteceu em 1964, e que, naquela época, “dentro do contexto, era o que melhor podia ter acontecido”. Nessa hora eu tive a impressão de que o Historiador Equivocado tinha ido ao banheiro e deixou a Mãezona dando entrevista, mas ele entrou em seguida pra fechar o vídeo de maneira brilhante: com um nariz de palhaço.

sextuplo_facepalmEscuta… Vai ter transmissão da Marcha na TV? Com narração de locutor de futebol? Ah, eu quero ver… Cadê meu balde de pipocas?

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A clichetaria aeciana no Lugar Comum momesco dos substantivos abstratos

quarta-feira, março 5th, 2014
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1450939_775317525827909_1244250478_nAi, gente, quanta emossaum!!!

Devo confessar a vocês que esta ectoplasma suína que vos fala toda segunda-feira de carnaval, desde 2012, faz questão de ler a coluna de Aecim na Folha de São Paulo. Virei fã quando o garboso senador mineiro-carioca cometeu este texto aqui, que eu tive que exorcizar (reza a lenda que, por causa do meu exorcismo, o sujeito que escreveu esse texto só não foi demitido das hordas de comunicação de Aecinho porque tem o rabo preso com o mensalão tucano. Mas essa história carece de confirmação, deixa prá lá…)

E não é que em 2014 eu fui brindada com mais uma clichetaria aeciana, minha gente? Esse texto está royalmente maravilhoso. Ele conseguiu misturar carnaval com Plano Real! Vamos acompanhar/exorcizar:

[Antes do início do exorcismo, deixa eu falar de uma coisa que eu acho que você deve ter aprendido. Você sabe me dizer o que é um substantivo abstrato? Explico: 

Substantivo é a classe de palavras que as pessoas usam para dar nomes às coisas. E essas coisas podem ser concretas, palpáveis (cadeira, mesa, caneta, computador, estojo, homem, mulher, criança), ou podem ser abstratas, e servem pra nomear ideias e conceitos (ordem, progresso, beleza, feiúra, comunismo, capitalismo, islamismo, etcetcetc.). Com isso, temos os substantivos concretos e os substantivos abstratos. Vou marcar em roxo todos os substantivos abstratos do texto de aecim pra vocês verem que se um dia essa subclasse de palavras for proibida, cabô discurso do PSDB!)

O país está em festa. Milhares de brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba, [vocês tão vendo que nem a suposta ameaça de demissão evitou que o sujeito caísse novamente em tentação clichetária, né? Brasileiros estão nas ruas e passarelas do samba… cara, num dá pra ser menos escorreito, não?] protagonizando uma das maiores e mais bonitas celebrações populares do mundo e a nossa excepcional diversidade cultural [vou convidar cientistas britânicos para encontrarem alguma conexão entre o uso do verbo protagonizar e a capacidade de enrolação das pessoas. Mas antes eu grito BINGO! BINGO! BINGO! Cara, como tem lugar-comum isso aqui! E olha que estamos apenas no primeiro parágrafo!].

Neste momento, suspendemos as tensões e eventuais diferenças e idiossincrasias [Acho que o zifio que escreveu esse texto anotou um monte de palavras bonitas que ele poderia usar num texto sobre carnaval. Idiossincrasias ficou de fora da versão 2012, e ele tratou de enfiar uma idiossincrasia na versão 2014!] para ocupar as avenidas, sob o signo da alegria. Poucos fenômenos são capazes de construir uma convergência assim, tão ampla e verdadeira.[ai, que lindo! Esse desfile de clichês ao menos ficou mais positivo do que o de 2012!]

Pensando nela, lembrei-me de um outro momento da vida nacional que uniu os brasileiros, em um fevereiro como este, 20 anos atrás: depois de vários planos econômicos fracassados, o Plano Real acabou com a hiperinflação [BAZINGA! Lá vai o querido candidato falar da única coisa que presta do partido dele. Vamos acompanhar – atentem para o fato de que fevereiro é o elo entre carnaval e plano real!].

As novas gerações nem sequer podem imaginar o que significou uma era de descontrole inflacionário que dizimava a renda das famílias, aumentava a desigualdade social e impedia o país de crescer.

Sem pirotecnia, demagogia e quebra do ordenamento jurídico[ai, deixa eu me recuperar dessa metralhadora tucanamente abstrata para concluir que: puxa, acho que tem alguma mensagem cifrada aqui! O que será? hum? hum?] , instaurou-se uma agenda que contemplava os fundamentos da estabilização e do desenvolvimento, na mais importante reforma econômica do Brasil contemporâneo.

Outros avanços estruturais moldaram o país moderno e respeitado que somos hoje.

Mas a data de 27 de fevereiro é emblemática como ponto de ruptura com o passado de equívocos e o advento de uma nova ordem. Foi, acima de tudo, uma construção [E antes que você me diga que construção é uma coisa concreta, nessa frase foi usada com sentido metafórico, abstrato! Idem com a ruptura do início do parágrafo!] política, nascida na democracia e em diálogo aberto com a sociedade. Um exemplo de como a coragem e a responsabilidade podem ser instrumentos transformadores da nossa realidade[Agora imagine você, meu querido leitor, uma diretoria de uma empresa aguardando resultados em números, e o presidente vira pra todos e diz: “coragem e responsabilidade podem ser instrumentos transformadores de nossa realidade” A reunião vai acabar em pancadaria, porque os diretores vão concluir na hora: “FECHAMOS MAIS UMA VEZ NO VERMELHO, SEU BEÓCIO?” Tá, parei. Vamos voltar ao texto]

Mas nem o unânime reconhecimento que o Plano Real conquistou nesses anos foi suficiente para uma autocrítica daqueles [Daqueles, viu? Da-que-les… porque ele não é macho pra falar em PT e Dilma, né? Se falar, perde voto… então, vira aqueles…] que, apesar de terem se beneficiado dele, o combateram com ferocidade, pautados, como sempre, pelos seus interesses eleitorais.[Não há nada mais fascinante do que um partido político, inserido num sistema eleitoral, com claros interesses eleitorais, acusar OS OUTROS de terem interesses eleitorais. O PSDB não tem interesse eleitoral NENHUM, né? Bando de desprendidos….]

Todos sabemos que nenhum dos avanços obtidos nos últimos 20 anos teria sido possível se a inflação não tivesse sido derrotada. Esta é a verdadeira herança deixada pelo PSDB para os brasileiros, já incorporada ao patrimônio do país.[Muito bem! Bom menino! Mas e aí, depois que acabou a inflação, vamos todos ficar olhando uns pras caras dos outros comemorando o fim da inflação, ou temos mais o que fazer?]

Não podemos permitir que essa conquista se perca.[Novamente: pense na reunião do presidente com a diretoria…]

O país vive um momento delicado, de baixo crescimento [Baixo = terceiro maior PIB do mundo.] , inflação rediviva [nas páginas da Folha de SPaulo, né?] e credibilidade em risco [MA CHE CAZZO? Naonde que a credibilidade tá em risco? Quem faz pouco caso da nossa credibilidade, caramba? Gente, quem informa o PSDB, por Tutátis?!?!?! Nessas horas me dá uma vontade louca de me filiar aos tucanos só pra ver se eu ajudo com um pouquinho de workshop de oposição….] . A infraestrutura compromete nossa competitividade; a educação demanda uma gestão inovadora para cumprir o seu papel transformador; as instituições públicas, reféns de grave aparelhamento e pactos de conveniência, precisam ser resgatadas e devolvidas ao interesse público.[Eu adoro essa parte de sofrimento gerencial dos discursos do PSDB! eles falam tudo o que tem que ser feito. e nessa listagem do tudo tem que entrar mesmo esse rosário de substantivos abstratos. Mas pra explicar COMO tem que ser feito exige um cadim mais de neurônio, e de planejamento.  Algo que a nossa hipotética diretoria cobra desse suposto presidente de empresa e NUNCA consegue uma resposta….]

Crises graves, como a desassistência à saúde pública [Masgeeeemt… bando de cubano atendendo pobre ferrado nos cafundós do país é desassistência à saúde pública? afff…] e a violência endêmica [RÁ! Explicar, contextualizar e quantificar a ideia de violência endêmica é tarefa complexa pacas, né? Sair do mundo abstrato e ir pro mundo concreto das quantificações é difíiiiicil….] , merecem uma nova mobilização de todos os brasileiros, para fazer o país avançar mais.[De novo: cadê o macho pra dizer: “Não vote no PT, vote no PSDB, porque nós somos melhores!” Não, ele fica nesse reme-reme abstrato e conclamador de insurgências oníricas!]

Convergência. Coragem. Responsabilidade.[AAAAAAAAAAHHHHH, OUTRA  METRALHADORA TUCANA ABSTRATAAAAAAAAAA. Adoro! Isso não quer dizer absolutamente nada, mas eles falam mesmo assim!]  No país que é também do Carnaval [E zás! Nosso herói voltou ao carnaval! Ai, que lindo!], todo dia é dia de construir o Brasil que podemos ser [… e encerra no melhor estilo Humberto Gessinger! (“somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter…”)

E vocês têm medo dissaí? Véi, na boa, bora esoturar pipocas?

(Mas eu não posso encerrar esse post sem antes agradecer ao dileto ectoplasma suíno – mineiro Luis Carlos, que me enviou o link pro evento momesco de Aecinho. Valeu, zifio! \o/)

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De matemáticas, probabilidades e de PORRA, FOLHA!

segunda-feira, fevereiro 3rd, 2014
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Mais um post em que eu sou obrigada a falar de matemática. Vamos lá, amebas. Vamos fazer uma continha pequenininha aqui.

Joãozinho tem 100 laranjas. Desse total 25 estão podres. Quantas laranjas boas Joãozinho tem?

A tia Maricota do primário te ensinou que a conta a se fazer é: 100-25 = 75. Portanto, Joãozinho tem em seu poder 75 laranjas de qualidade.

Essa mesma conta pode ser transformada em fração, né?

4/4 – 1/4 = 3/4

O que nos leva aos percentuais de 100%, 25% e 75%.

Isto posto, imagine que {insira aqui o nome daquela pessoa com quem vc vive sonhando em transar] ligue pra você agora e diga: “Oi, delícia! Hoje há 25% de chance de eu não trepar com você.” (agradeço ao @cardoso pela analogia concedida 😉 )

Me diga, por favor: você vai pensar no 1/4 de possibilidade de não trepar ou nos 3/4 de probabilidade de trepada?

 

O que nos leva à manchete da Folha. POOTAQUEPAREEO, ALGUEM CONSEGUE EXPLICAR ESSA MERDA?!?!?!?!

Porque, pelas NOSSAS contas daí de cima, um programa com 25% de fracasso é também um programa com 75% DE EXITO, CARALHO!!! PORRA, FOLHA!!! UMA MANCHETE DO CARALHO QUE VOCE PERDEU PRA FAZER PICUINHA, FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

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Mortos amestrados urgente

quarta-feira, janeiro 29th, 2014
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Os mortos amestrados voltaram a trabalhar. Pra Folha, claro! <3

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O primo do vírgula-mas, a Folha e o desemprego no Brasil

quinta-feira, dezembro 19th, 2013
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Hoje não vou apenas exorcizar o texto da (adivinha?) Folha (RÀ!). Começo a treinar pro meu mestrado, então vou me concentrar na análise semântica da coisa.

Vamos começar com a frase João é bonito, mas tá velho. Se João ouve isso, certamente vai começar a pensar em botox. E essa frase é tão canalha que eu ainda posso, cinicamente, dizer: “Mas eu disse que ele é bonito!” O problema é que a última mensagem, que contradisse a primeira, foi a que ficou retumbando nos neurônios dos ouvintes. Pois o vírgula-mas tem um primo tão canalha quanto ele, o apesar. Olha só o que tio Antônio diz dele:
Apesar

advérbio ( sXIII)indica, na oração ou sintagma a que dá entrada, uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa

Locuções

a. de
não obstante, a despeito de, pesar de

‹ a. da idade avançada, trabalhava diariamente › ‹ a. de ser jovem, era bastante responsável ›

Isto posto, acho que já dá pra gente começar a ler o texto épico (pra não dizer outra coisa) da Folha de São Paulo de hoje.

A notícia é simples: desemprego foi medido hoje. O índice é o menor desde que a medição começou a ser feita.

Aí a Folha me apronta isso:

19/12/2013 – 09h10

Taxa de desemprego cai para 4,6% e retoma mínima histórica [ou seja: a maioria dos brasileiros está empregada]

PEDRO SOARES

DO RIO

Apesar [olha quem abriu o texto! O primo canalha do vírgula-mas! Vamos acompanhar o raciocínio do repórter pedro:] do menor ritmo da economia no terceiro trimestre, da freada do consumo e do crédito restrito [uau,a economia vai mal, hein?], as empresas não lançaram mão ainda de demissões [Ainda, gente! Ainda! Quer dizer, não houve demissões, mas nós tamos aqui tudo na torcida pra que haja! O_o] e a taxa de desemprego segue em níveis baixos.[O desemprego tá baixo, mas a sensação dessa frase é que repórter pedro quer que isso seja negativo!]

[Agora vamos pensar aqui nesse primeiro parágrafo como um todo: ele abre com um apesar, que enumera uma série de supostos fatos negativos (permito-me esse supostos daí. Ao chegar ao fim da leitura deste post, vocês terão entendido o motivo) e termina com uma mísera oração (nem frase é, coitada) positiva e que, no frigir dos ovos, traz a notícia em si. Outra coisa: como muito bem lembrou o Pedro Alexandre no Twitter, esse parágrafo tá com todo o jeitão de ter sido “feito” pelo bípede (viram como eu sou boazinha? Parto do princípio que esse texto não foi editado de quatro!) que editou a matéria, e não pelo repórter.

Então, um lead (primeiro parágrafo de uma notícia, que resume a informação respondendo às perguntas Quem? O quê? Onde? quando? como? Por quê?)  que tecnicamente deveria ser “O IBGE divulgou nesta quinta-feira o índice de desemprego nacional, de 4,6%, igual ao registrado em dezembro de 2012, o menor índice da série desde que o IBGE iniciou a medição, em 2001.” , virou esse mafuá de mau humor e de mau agouro daí de cima, que de notícia, mesmo, só teve a última oração (“e a taxa de desemprego segue a níveis baixos”). voltando à tese de que o 1º parágrafo foi “montado” pelo editor, digo mais: o texto original do repórter começava com o que terminou sendo a última oração do primeiro parágrafo. E foi a única coisa do lead do repórter que o editor manteve. Isto posto, vamos ver o que mais nos aguarda. Mas, antes, deixa eu postar aqui uma imagem pra combinar com o tom do texto, pera.] 

1463720_608587872510287_1907597210_nEm novembro, o índice ficou em 4,6%, abaixo dos 5,2% de outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira(19). O resultado é o mais baixo para o mês e iguala a taxa de dezembro de 2012, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2001[ou seja, o que tecnicamente deveria ter sido escrito lá em cima, no primeiro parágrafo, veio pra cá. Quer dizer: esse segundo parágrafo tem tudo pra ser o resto do primeiro parágrafo original do repórter, que o bípede da edição preferiu jogar pra baixo. Vai entender….]

Tradicionalmente, a taxa de desemprego declina nos últimos meses do ano, com a injeção de recursos na economia –vindos, por exemplo, do 13º terceiro salário–e a contratação de trabalhadores temporários no comércio e em alguns ramos de serviços e da indústria [Isso aqui é de fato uma informação relevante. Com a proximidade das festas de fim de ano, o comércio se aquece e começa a catar trabalhadores temporários. Por esse motivo, o mês de dezembro é o que registra os menores índices de desemprego].

O emprego, porém, [terceiro primo da raça adversativa, o porém. Irmão do mas. O último parágrafo disse que dezembro registra índices baixos de desemprego. Isso é uma informação positiva. O porém nos introduz uma ponderação negativa. Vamos acompanhar.]  já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores [puxa, que coisa! Isto significa que ele começa a declinar, é isso?] e cresce [não, ele cresce! Licença, eu tenho que rir aqui QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA pronto, voltemos à análise semântica] numa intensidade mais moderada. De outubro para novembro, houve alta de apenas 0,1% no total de pessoas ocupadas nas seis maiores regiões metropolitanas do país, número que atingiu 23,293 milhões. Já em relação a novembro de 2012, o IBGE registrou recuo de 0,7%.[aqui eu saio da análise semântica e entro na análise jornalística da coisa. Não vou me dar ao trabalho de abrir sáites e googlar informações para desmentir o que está dito aqui, porque não precisa. Digo apenas que:

1- Para se ter o real espectro do crescimento de outubro para novembro, o texto deveria ter falado da evolução do índice de janeiro até novembro de 2013. Isso ambientaria melhor o comportamento e as oscilações da economia brasileira num intervalo razoável de tempo.

2- O texto ficou tão mal redigido que esse 23 e quebrados milhões ficou solto e perdido. Refere-se ao número de pessoas desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país [atualização das 20:00: reli o texto mal escrito bagarai e me dei conta de que esses 23 milhões são os EMPREGADOS, ao passo que o milhão lá de baixo são os DESEMPREGADOS. Texto mal-escrito tem dessas coisas: engana até editor-revisor! O_o #PORRAFOLHA!]. Ficou faltando informar quais são essas regiões metropolitanas, e qual o número total de pessoas economicamente ativas (portanto, aptas a trabalhar).

1450845_601867599848981_498426824_n3- Tradicionalmente, a comparação de índices é feita entre o período imediatamente anterior e igual período do ano anterior. Portanto, o índice de desemprego de dezembro de 2013 deve ser comparado com novembro de 2013 e dezembro de 2012. Comparações outras são permitidas, claro – desde que explicado o motivo. Se o único motivo que a Folha tinha para fazer essa comparação era mostrar um recuo de 0,7%, eu começo mentira, já comecei lá na primeira linha a me perguntar sobre a boa-fé das informações contidas nesse texto. Mas voltemos à nutiça:]

O total de pessoas em situação de desemprego (a procura [prometi análise semântica, então vou abstrair esse erro de crase. O certo é à procura de] de um trabalho) recuou 10,9% ante outubro e caiu 6,4% na comparação com novembro, atingindo um contingente de 1,131 milhão de pessoas. [ó só a informação que eu cobrei no item 3 da minha 

observação! Esse parágrafo diz que nas regiões analisadas, há um total de 1,131 milhão de pessoas desempregadas. Mas não informa o total de economicamente ativas. O que o texto diz – de maneira péssima – é que o número de desempregados é menor quando comparado com outubro e novembro deste ano! Mas meu Deus, isso é quase um cenário de pleno emprego! Cadê entrevista com economista pra falar sobre esses índices? Cadê entrevista com geral no IBGE pra falar sobre isso? Ah, peraí que eu vou pôr outra foteenha pra ilustrar esse texto] 

O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes [masgemt! Como pode? O desemprego lá embaixo do pé, reduzindo-se mês a mês, mas o mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes? E que antes é esse? Qual o período a que o texto se refere?] diante de um cenário de juros mais altos[minha preguiça homérica de googlar Selic me impede de comentar isso aqui. Aumentou a Selic, gemt? Por que eu desconfio de que não aumentou? Ah, já sei: É PORQUE ESSE TEXTO TÁ UMA MERDA!] , confiança de empresários combalida e menor disposição de consumidores em gastar [Aposto um doce como em janeiro teremos o maior consumo evar em épocas natalinas, e empresários felizes da vida com tudo isso que está].

 

 

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Agora tentem me convencer de que acabamos de ler um texto jornalístico de qualidade. Não está fáceo, viu?

PORRA, FOLHA!

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Paulo Henrique Amorim e a perca [suspiro] do IPTU

segunda-feira, dezembro 16th, 2013
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Foi com este post daqui. Lá pelas tantas, o texto declara que

“A situação de não poder aumentar o IPTU acarreta em uma perca de 1 bilhão”

Perca, gente. Perca. PERCAAAAAAAAA

Duvidam?

Alá a imagem! Tá destacada….

Captura de Tela 2013-12-16 às 21.46.04

Ticontá, viu?

Oi? Você não entendeu o erro?

Tio Antônio, socorre aqui, por favor?

Perda \ê\ [/ê/ e D, cacete! é com D, cacete!!!!]

substantivo feminino ( sXIII)

1 ação ou efeito de perder

E antes que você me pergunte sobre a perCa, eu te aviso que perca é presente do subjuntivo do verbo perder. (que eu perca, que tu percas, que ele perca, que nós percamos, que vós percais, que eles percam. De nada.)

Quer dizer: O IPTU de São Paulo tá tão zicado, mas tão zicado, que até erro de português tá sendo cometido em nome dele, coitado!

Haddad, seu lindo, vá tomar um bom banho de descarrego, porque não está fácil procê, viu, zifio?

Mas eu não posso perder o foco: PORRA, PAULO HENRIQUE! QUER GANHAR TROFÉU #PORRAFOLHA, É?

E PORRA, FOLHA! Cê num tem culpa, mas merece ser culpada mesmo assim!

Atualização de 19/12: APRENDEU, HEIN, PAPUDO?

 atualizacaopha

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Já que a ordem é fazer merda, vamos fazer bem feita? PORRA, FOLHA!

sexta-feira, novembro 8th, 2013
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Tanto já foi dito por tantos a respeito desta manchete vergonhosa

folha

que eu só vou falar mais uma coisinha que ninguém falou, de tão escandalizado:

PORRA, FOLHA!!! A VONTADE DE FAZER MERDA ERA TÃO GRANDE QUE VOCÊ ENFIOU VÍRGULA ONDE NÃO EXISTE, É?

EXPLICA DIREITINHO ESSA VÍRGULA DEPOIS DE PRESO, EXPLICA?

(OK, eu explico: sem a vírgula, a manchete diria que o fiscal ficou preso em uma gravação. E, COMO DEVE TER SIDO PROIBIDO MEXER NA MERDA DO TEXTO ANTES DESSA PARTE, nego achou melhor botar uma vírgula pra ao menos tentar deixar a coisa menos pior.)

MAS PUTAQUEPARIU, QUE MERDA DE MANCHETE, CACETE!!!

QUER FAZER MERDA, AO MENOS FAZ BEM FEITO, PORRA!

Bom, então vamos fazer uma manchete pra Folha.

Permitam-me manter a indecência e a falta de vergonha do texto original:

Primeiro, vamos contar os caracteres das duas linhas da manchete:

Prefeito sabia de tudo, diz = 27 caracteres

fiscal preso, em gravação = 26 caracteres (mais um espacinho sobrando depois do o de gravação, vamos contar 27 caracteres.

Que tal se trocarmos para

Fiscal acusa em gravação:

prefeito estava a par de tudo

Fiscal acusa em gravação: – (25 caracteres, com uma letra m fica mais recheadinho)

Prefeito estava a par de tudo – (29 caracteres, mas como não tem a letra m, dá pra espremer

PRONTO, FOLHA! QUER FAZER MERDA, FAZ BEM FEITO, PORRA!

Aliás,

PORRA, FOLHA!

PORRA, PORRA, PORRA!

(Eu até diria que o subtítulo termina com “Kassab diz que não sabia de nada” é a cerejinha do bolo da putaria, mas acho que já disseram isso. Não vou gastar teoria de análise do discurso com uma manchete tão torpe, tão vil, tão vergonhosa).

 

Atualização do domingo, com  o texto ÉPICO da Ombudsman (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsman/138267-sujeito-oculto.shtml) a respeito da manchete. Claro, vou comentar:

A manchete de sexta-feira passada da Folha –“Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”– induzia o leitor a erro[AH, CEJURA? Mas por que você afirma isso? Manchete tão honesta….]. O prefeito de São Paulo é Fernando Haddad, mas a referência no grampo era a seu antecessor, Gilberto Kassab. [ah, puxa, que bom que cê sabe disso, né? Fico feliz mesmo! O_o]

O título partiu da transcrição de um telefonema em que o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues dizia que deveriam ser convocados para depor “o secretário e o prefeito com quem trabalhei” [AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH então O PREFEITO COM QUEM ELE TRABALHOU é específico? Tem nome, partido?] , porque “eles tinham ciência de tudo”.

Ronilson foi subsecretário da Receita no governo Kassab e, na atual gestão, foi diretor na SPTrans de fevereiro até junho.[aaaaaaaaaaahhhhhhhhh, então a Folha de SPaulo SABE com quem ele trabalhou?]

O fiscal não cita nominalmente o ex-prefeito, mas é fácil deduzir de quem ele está falando[Cejura? Então, se é fácil deduzir, por que a manchete não “deduziu”?]. Foi na gestão anterior que Ronilson ocupou o cargo de zelar pela arrecadação de impostos, o que lhe teria possibilitado atuar na “máfia do ISS” –esquema de cobrança de propina que pode ter causado um prejuízo de R$ 500 milhões aos cofres da cidade.

“A Folha optou por transcrever a declaração do fiscal de forma literal, já que ele não citou nenhum nome e exerceu funções de confiança tanto na gestão atual como na anterior”[então deixa eu ver se eu entendi: a gestão atual instalou uma corregedoria e tá catando focos de corrupção; demitiu o sujeito assim que descobriu que ele tava mais sujo que pau de galinheiro; a gestão anterior… pera… vamos voltar ao que você, ombudsman, falou lá em cima: é fácil deduzir de quem ele está falando”] , diz a Secretaria de Redação.

O excesso de zelo [Kirida, excesso de zelo é passar protetor solar no rabo. O que a Folha de SPaulo fez não é excesso de zelo, é canalhice, é abrir mão do jornalismo objetivo e preciso e direto para investir em subentendidos, e duplos entendidos. TOME TENTO!] ficou só na manchete, já que a hipótese de que a frase do fiscal pudesse ser uma referência a Haddad não foi explorada na reportagem [OU SEJA: o duplo entendido – que é bem diferente de duplo sentido – ficou restrito à parte do texto que é lida pelos transeuntes, no meio da rua, ou pros leitores de home page, que não clicam no resto da notícia pra ler, né?]]. O “outro lado” foi apenas com Kassab, que classificou as declarações de falsas, mas não cogitou que o fiscal estivesse falando de outra pessoa.[ou seja: NEM O KASSAB TEM CULHÃO DE INSINUAR QUE O FISCAL PODE ESTAR FALANDO DO HADDAD.]

(…)

Lindo, SÓ QUE NÃO!

 

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Sempre ela, sempre ela… ♥ ♥ ♥

sábado, novembro 2nd, 2013
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Parece ciúme, viu?

Eu falo da minha tese de mestrado, falo do CNMP, aí ela percebe que eu estou há muito tempo sem falar dela, e ZÁS! Ela vem e apronta das suas (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/136731-teste-evita-biopsia-de-prostata-desnecessaria.shtml)!

folha

Ai, gente, é impossível não amar a Folha de São Paulo!

Aí o movimento radical machista vai dizer que trata-se de uma feminazi extremista que quer exterminar de vez as próstatas masculinas (porque, né? Vai que existe próstata feminina e eu não tô sabendo?) e etc. e tal e…

A alternativa seria simplesmente inferir que a autora do texto deveria ter escrito biópsia desnecessária de próstata, e trocou a ordem dos tratores das palavras.

Eu tenho medo de perguntar o que é uma próstata desnecessária. Mas vou um pouco na tese dos hipotéticos mascus: a autora do texto é mulher, então para ela próstata são todas desnecessárias.

Mas, ó, Folha: já tava morrendo de saudades de você por estas bandas. quero nem saber da Cynara Menezes que já deixou de te ler porque você contratou o Reinaldo Azevedo e você vai ficar reacionária e isso e aquilo. Você, Folha, tem um lugar especial no meu ♥.  Porque seus erros só você sabe cometer, né?

#PORRA, FOLHA!

(E um beijo bem estalado pra Karla Lima e pra Pia Pêra que me enviaram esse teteia deliciosa daí de cima)

 

 

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Da série “certos erros só acontecem na Folha de SPaulo” (ou PORRA, FOLHA!)

sexta-feira, junho 7th, 2013
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Cadê que Estadão escreve isso?

Cadê que o Globo escreve isso?

Trocadilhos com Bombril: já foram praticados, obrigada.

Só espero que o Grande Gatsby não tenha se apequenado diante desse esquecimento… /o\

PORRA, FOLHA!

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Ah, essa regência verbal…

segunda-feira, outubro 15th, 2012
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Droga!

Tava indo dormir! Adivinha quem não me deixa? Ela mesma, a Rainha da Barão de Limeira!

Ó só essa manchete magnífica só que não:

Depois de me refazer do impacto de um folhacóptero (se helicóptero é um objeto que tem asas em forma de hélices, então um folhacóptero é um objeto que tem asas em forma de folhacó, é isso mesmo produção?) na minha vida, dediquei-me a decifrar o enigma da manchete em questã.

Porque, né? Se você vai atrás, você vai atrás DE algo. Preposição, por favor!!!

Serra e Haddad vão atrás DE votos no segundo turno.

Então, Folhacóptero, você deveria mostrar onde estão os votos DE que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno, ou:

Folhacóptero mostra onde estão os votos DE
que Serra e Haddad vão atrás no 2º turno 

Mas, enfim… você é novinho lá pelas bandas da Barão de Limeira, né?  Tão novinho e tão inserido no contexto…

Dá licença que eu vou ter que encerrar o post com o já clássico

 

PORRA, FOLHA!!!

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Adivinha…

quinta-feira, setembro 6th, 2012
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… que jornal escreveu essa pérola aí de baixo:

Diquinha básica: começa com F, é de São Paulo, e tem uma catiguria exclusiva aqui no Caldeirão…

Pra quem não sabe onde está o erro, o verbo correto é apropRiar.

 

PORRA, FOLHA!

#prontofalei

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Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

segunda-feira, agosto 27th, 2012
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Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 

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Mombaça, uma cidade do… oi?

segunda-feira, agosto 27th, 2012
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Queridas Folha de São Paulo e France Presse,

 

A cidade do Quênia em questão é MombaSa, com um ésse mesmo.

MombaÇa, com cedilha, fica no Ceará:

 

 

E, pelo que Tio Google me contou, Mombasa (A) fica um cadim longe de Mombaça (B)

#Bjomeliga

 

 

 

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Ah, Folha… ♥♥♥

terça-feira, junho 12th, 2012
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É sempre assim, gente!

eu começo a me condoer que estou há muito tempo sem atualizar o caldeirão, e vem a Folha me brindar com suas folhices…

 

Desta vez, ela apresentou sem mais delongas seu verdadeiro eleito para o Banco Central.

Reparem:

♥♥♥ Fernando Henrique Cardoso, presidente do BC segundo a Folha. ♥♥♥

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Tem coisas que só a Folha consegue fazer

quarta-feira, abril 11th, 2012
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Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: “o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) […. e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!

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Abram alas para a clichetaria aeciana!

segunda-feira, fevereiro 20th, 2012
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Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<– típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: “ao toque do tamborim” é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver…] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com “ao toque do tamborim” e lá pelas tantas traz um “no fundo da alma de folião”. De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os “sobre” são substituídos por “acerca de”? Ó, alguém avisa pro Aécio que “acerca de” cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó…], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo – mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 

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Pergunte à bruxa: ideia de plural, palavra no singular – como proceder com a concordância?

terça-feira, fevereiro 14th, 2012
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Daí que o Rafael Galeoti me fez esta consulta no meu Faceboook:

Achei isso na FOLHA, queria compartilhar contigo. Sei que eu também tenho dificuldades com “palavras no singular que querem dizer coisas no plural” (casal quer? Casal querem?), mas pelo menos sei que “casal QUERER” está longe do correto, rs…
Enfim, qual é a forma correta? Aproveito: que tal um post explicando isso? Eu, como leitor fiel, ficaria muito agradecido (e não, não faço questão alguma de créditos pela imagem, enfim…)

 

Salve, zifio!

Entendo e respeito sua dificuldade. A confusão é justificada, mas é a partir da confusão que dar-se-á a luz (nossa, que lindo! Inté emocionei! :D) para a compreensão da bagaça: a ideia é de plural, mas a palavra é singular.

E eu vou aproveitar pra enfiar aqui também a explicação pra concordância da palavra maioria, que assim como o casal, dá ideia de plural e embola azidéia da… maioria das pessoas! 😛

Senão vejamos:

um casal = duas pessoas

dois casais = quatro pessoas, separadas em dois grupos de duas pessoas

três casais = seis pessoas, separadas em três grupos de duas pessoas

etc, etc, etc, etc…

Portanto, a ideia AIQUEMERDA!!! QUE SACO FICAR ME POLICIANDO PRA NÃO ACENTUAR ESSA IDÉIA, CACETE!!!! deve ser relegada a segundo plano nesses casos…

Então, temos:

Um casal quer morar junto

Dois casais querem morar juntos (e como diria a Katylene: é soorooba?)

Raciocínio idêntico deve ser o usado pra fazer a concordância com a palavra maioria.

A maioria das pessoas é chata. <– quem é chata é a maioria, não as pessoas. 

A maioria dos homens heterossexuais é bonita <– novamente, bonita está concordando com maioria 

A maioria das mulheres entende que homem é tudo igual.

 

Tudo isso pra concluir que maioria é uma só, e singular. As pessoas é que são plurais…. 😀 \o/

Mas permitam-me aqui copicolar a explicação e a tangente do Manual de Redação do Estado de São Paulo com relação à maioria. Simplesmente amei (principalmente a tangente!) 😀 :

Maioria. Veja como fazer a concordância de a maioria de e maior parte de. 1 – Deixe o verbo no singular quando estas expressões antecederem uma palavra no plural. Proceda da mesma forma com grande número ou grande quantidade de, uma porção de, (uma) parte de, um semnúmero de, etc. Exemplos: A maioria das pessoas assistiu ao show em silêncio. / Grande número de crianças cantou o Hino Nacional. / Parte deles chegou atrasada. / Estava ali grande quantidade de pássaros. (Admite-se a concordância no plural, em alguns desses casos; no Estado, porém, use a forma indicada.)

2 – Se se considerar a construção estranha, em alguns casos (exemplo: A maioria dos soldados foi ferida), pode ser intercalada a expressão na maioria ou alguma das outras: Os soldados, na maioria, foram feridos. / Os trabalhadores, em grande quantidade, foram demitidos.Maior, menor. 1 – Não existem as expressões “a menor”, mas apenas a mais e a menosdinheiro a mais (e não “a maior”), quantia a menos (e não “a menor”). 2 – Uma pessoa é maior ou menor, e nunca “de maior” ou “de menor”. Assim: Ele é menor (e nunca “de menor”)

Conclusão: desta vez, não posso dizer PORRA, FOLHA! O texto tá certo… <– Atualização:
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTAQUEPAREEEEEEEEEEEEEEEEEOOOOOOOOOOOOOO!!! EU SÓ FUI REPARAR NO QUERER DEPOIS QUE A MARLA ME ALERTOU NOS COMENTÁRIOS!!!! PORRA DE ÓCULOS FRACO, MERDA!!!!

Marla, concedo-lhe portanto o sagrado direito de gritar PORRA, FOLHA aqui nos comentários. Grata pelo aviso, zifia! 😀

 

(P.S.: CADÊ O ZECA CAMARGO DE CALÇA RASGADA?!?!!?!? EU QUERO VEEEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRRR #numpresto #valhonada)

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Falar o quê mais?

segunda-feira, fevereiro 6th, 2012
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Daí que eu encontro no twitter link pro blog do Lino Bocchini, aquele terrorista difamador de jornal impresso 😉 , falando do rebolê de números no texto da Folha de SPaulo de hoje. Lino contava que a Folha deu um duplo twist carpado numérico pra não dizer que perdeu mercado prum jornal popular de minas etcetcetc pereré pão duro. Li o texto do Lino, e (claro) corri pro site da Folha pra ler a reportagem (sic) com os próprios olhos.

E olha, eu até ia mencionar a rebolança com números e o desprezo infantil pelo jornal mineiro, coisa e tal, mas fui surpreendida por um ectoplasma suíno dos bons nos comentários da Folha.

Depois desse comentário, nada mais que eu ou qualquer outro crítico da Folha diga, com ou sem embasamento, fará sentido. Portanto, aplausos para o zifio daqui de baixo. A observação foi épica! \o/

 

Continue assim, Zifio! E que Nossa Senhora da Coerência Textual lhe ilumine os caminhos de forma magistral!

Eu poderia terminar com um PORRA, FOLHA! Mas carece, não. Só quero um cafezinho agora… 😀

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Ortografia da Folha é reprovada por 100% das normas ortográficas

domingo, janeiro 29th, 2012
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Tava eu aqui superpreocupada por não encontrar mais assunto pra atualizar o blog e tals, daí vem sempre ela pra me salvar.

Na foto abaixo, o erro crasso. A seta indica a explicação do erro.

Agradeço à dileta amiga Cynara Menezes por indicar a teteia no Twitter.

 

 

 

E claro, vou encerrar o post com o clássico

 

PORRA, FOLHA!

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Acaba, não, 2011! Tem um morto atrasado chegando…

quarta-feira, dezembro 28th, 2011
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Quero dormir mas um jornal online não me deixa. Adivinha qual é? Esse mesmo!

A Giovana Valenza que me fofocou a história. A Folha de SPaulo criou um morto roteirista pra eu incluir correndo aqui no caldeirão, só pode! (sou megalomaníaca, me deixa!)

Acompanhe as idas e vindas do texto. E repare que o que fode tudo aqui é o preconceito contra a vírgula antes da conjunção e:

Ex-roteirista de “Saturday Night Live” é encontrado morto [Tá. então ele não era mais roterista quando morreu, certo?]

O corpo de Joe Bodolai, um antigo roteirista [certo!] do programa “Saturday Night Live” [agora vamos acompanhar o lumiar da bosta. Repare que o texto começa falando de um corpo, e que aqui deveria ter uma vírgula que faltou ao encontro do texto…]  e também quem escreveu o primeiro rascunho para “Wayne’s World” [… e pronto! Fez-se a bosta! O corpo foi quem escreveu o primeiro rascunho de Wayne’s World!] , foi encontrado morto [bosta número dois: o corpo foi encontrado morto! Queremos crer que corpos encontrados mortos são uma inovação no conceito de corpo….]  em um quarto de hotel em Los Angeles na segunda-feira à noite após aparentemente ter cometido suicídio[pensa que acabou? nananinanão! O corpo cometeu suicídio! Harekrishna….]. Ele tinha 63 anos [Agora imagine você, ectoplasma suíno de meu coração, um corpo de 63 anos que aparentemente comete suicídio! Assombração perde, né?] . As informações são do site TMZ.

Agora vamos remendar a merda com uma vírgula e um Bolodai no lugar certo. Ponham reparo:

Ex-roteirista de “Saturday Night Live” é encontrado morto

O corpo de Joe Bodolai, um antigo roteirista do programa “Saturday Night Live”-vírgula,  e também quem escreveu o primeiro rascunho para “Wayne’s World”, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Los Angeles na segunda-feira à noite após aparentemente ter cometido suicídio. Ele Bolodai tinha 63 anos. As informações são do site TMZ.

Então, tá, né?

Mas eu tenho pra mim que a Folha fez isso de propósito, só pra aparecer aqui mais uma vez… tavam com saudades de serem exorcizados… já que bateu saudadinha, dá licença:

PORRA, FOLHA!!!!

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Folhice crônica atinge Dilmavana

domingo, novembro 13th, 2011
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Ô MEU QUERIDO, ESSE TEXTO FICOU RIDÍCULO!

Ah, as folhices da Folha… tava dando saudades viu? (Melhor não usar mais essa expressão por aqui. Da última vez que eu disse que tava com saudades de mortos amestrados, foi quase um mês de assombração no caldeirão…)

Enfim, a Folha de SPaulo tem umas idiossincrasias em forma de manual de estilo que ajudam muito a desopilar o fígado, sabe?

Em algum canto daquele desconjurado Manual de Redação (que Deus proteja aqueles que ousarem tomar esse manual por verdade suprema), deve estar escrito que é legal fazer uns boxes com explicações – barra – conselhos em forma de didáticos textos ilustrativo-mastigatório-explicacional. A coisa beira os limites da patologia. E quando fica crônica, é melhor fugir pras montanhas. Ou ficar pra se escangalhar de tanto rir, você que escolhe…

Desta vez, a vítima é Dilmavana. A líder máxima do país (e eu sou obrigada a tirar o chapéu pra dilmavana, viu? ela conseguiu transformar o feminino de presidente em opção política! E eu sou obrigada a dar o braço a torcer e confessar que, por mais que odeie o verbete presidenta, acho muito estranho quando a chamam de presidente. Mas onde eu tava mesmo? Ah, sim, no meio de uma folhice…) teve seu perfil traçado pelo impresso da Barão de Limeira. Novidade zero, informação mínima. OK, eu ri ao imaginar a cena da presidenta brava porque teria que molhar o cabelo e dizendo pô, general!.

Mas o ápice do texto non-sense se dá neste link-tchutchuca aqui. Licença, vou copiar tudo pra lhe poupar o trabalho:

Como os ministros podem evitar problemas

1) Nunca vá a uma reunião com ela sem ler sobre o tema que será tratado. Ela lê tudo antes e vai certamente sabatiná-lo
2) Caso tenha cometido a temeridade de não ler, não tente enrolar. Ela vai perceber e pode ser bem pior
3) Nunca interrompa a presidente no meio de um raciocínio. Ela será ríspida e vai mandá-lo se calar
4) Não tente sugerir uma ação contrária ao que ela acaba de propor. O melhor é tentar convencê-la com jeitinho. Comece assim: “Não seria melhor…”
5) Não contrarie uma ordem argumentando que a repercussão na imprensa será ruim para o governo. É explosão na certa
6) Não dê declarações à imprensa sobre temas delicados do governo e que não tenham relação estrita com a sua pasta. Você será gravemente advertido por Dilma
7) Nunca, jamais, em hipótese alguma discuta alguma determinação comentando que “no governo Lula era assim”. Poucas coisas deixam a presidente mais irritada

Não é uma tetéia, jemt? A Folha virou conselheira espiritual-político-pessoal-sentimental-existencial-ministerial!

Claro que esse momento Ask Alice da Folha de SPaulo em nada se compara à Folhice das Folhices. Pensa que Dilmavana é vítima porque é a-presidenta-popular-que-ajuda-a-população-e-está-fazendo-um-bom-governo-apesar-de-o-pig-insistir-em-dizer-que-não-e (OK, parei.)? Claro que não! Dilma é apenas mais uma. Se eu te contar que anões também foram vítimas das Folhices crônicas vocês acreditam? Ah, então cliquem aqui. Aviso: não bebam nada ao ler o texto lincado, sob o risco de sérios engasgos.

Licença, mas eu vou encerrar este texto com um megalcichê deste caldeirão:

 

PORRA, FOLHA!!!

(P.S.: Curto muito o estilo de Dilmavana. Mal posso esperar pra ela começar a agir assim com a bancada evangélica. #prontofalei)

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A “hortografia pobremática” e a identificação da Folha

sábado, outubro 29th, 2011
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Seguinte, Folha:

Eu poderia gastar aqui horas de pesquisa e mostrar a origem etimológica da palavra identificar pereré pão duro blablablá whiskas sachê. Mas diante desta tetéia,

 

serei breve e brava:

PORRA, FOLHA! BANDO DE ANALFABETOS!

VAI, PROCESSA O PRIMEIRO QUE FIZER UMA TROCADILHO COM O SEU NOME E TE CHAMAR DE FALHA DE SÃO PAULO!!!

(Oh, wait!)

(com agradecimentos aos queridos ectoplasmas suínos que frequentam o caldeirão 😀 )

P.S.: Se identificado sai desse jeito, imagine as exceções

 

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Dilma é presa mas não grava depoimento para novela do Sílvio

sexta-feira, julho 15th, 2011
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Eparrê-iansã! Hoje as amebas surtaram!

Pô, já é o TERCEIRO POST NUM SÓ DIA! Cristorrei me dê Fendi!

Porque, né? Em dia de surto de ameba escrevente, a Folha tem que marcar presença, né? Hoje, vamos de coluna Outro Canal. Gentilmente enviada pelo Cardoso.

Uma das notas informa que o SBT não vai mais exibir depoimentos reais na novela Amor e Revolução e ninguém sabe o porquê blablabla whiskas sachê. Tudo seria apenas mais uma SBTice, mas aí vem a Folha e rouba a cena do nonsense bem no último parágrafo:

Vale lembrar que na época da estreia de “Amor & Revolução”, em abril, o SBT anunciou que faria de tudo para ter um depoimento da presidente Dilma Rousseff (PT) entre os que iriam ao ar. Militante política na época, Dilma chegou ser presa, mas não gravou nada para a novela.

Ô frasezinha infeliz, viu?

Não seria melhor dizer:

Dilma era militante política e chegou a ser presa na época da ditadura militar, mas não gravou nada para a novela. ?

Custa ser um pouquinho mais claro, custa?

E não me venham falar de espaço para o texto, porque a coisa foi publicada no blog, essa desculpa de espaço non ecziste!

 

 

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O dia em que a Folha resolveu analisar a velocidade dos imóveis

domingo, julho 10th, 2011
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Bosta, viu?

Tava toda contente aqui de voltar aos braços do Álvaro e tals, e planejava deixar Álvaro aqui nosencima do blog por um bom tempo, aí vem a Folha e fode com os meus planos.

PORRA, FOLHA!

Porque, né? Esse jornalzinho pede pra vir parar aqui pra ser exorcizado!

Senão, me digam: qual outra publicação da língua portuguesa consegue juntar as palavras imóvel e velocidade numa mesma frase com tamanha idiotice imbecilidade babaquice imprecisão maestria ?

Aí, você se pergunta: O imóvel tá andando mais devagar? Mas ora raios, ele não é imóvel, como ele se move então?

Ou então: Poxa, o imóvel é novo mas já vem com defeito no motor?

Ou ainda: Será que o Detran baixou norma pra reduzir a velocidade dos imóveis?

e eu respondo: não, ameba! É a folha que não sabe fazer títulos!

PORRA FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!

AGORA VAI E PROCESSA O LINO BOCHINNI, VAI!

Taqueopa….

 

Muito bem lembrado por um encosto via Twitter: o subtítulo segue a linha antológica (=lógica da anta)  do título: As unidades (…) são vendidOs.

Fiquei tão passada com o título que nem vi a merda do sub…

Valeu pela dica, Francisco!

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Os alvos negros

sexta-feira, junho 3rd, 2011
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Cabei de receber esta historinha de uma dileta ectoplasma suína do sul do país.

Eis que ela editava seus infográficos e o colega lhe mostra o texto que os jornalistas (ô, raça! © Tutty Vasques) mandaram pros gráficos:

29% dos alvos são negros.

Oi? Os alvos são negros? Isso quer dizer que, necessariamente, os negros são alvos? Ou não? Mas por que os alvos enegreceram? Hein ? Os negros esbranquiçaram?  Quem disse eu? Eu disse eu!

Pena que a zifia que me disse isso é ectoplasma suína mas tem noção: consertou o texto.

Por isso eu fico devendo a vocês a linda imagem que nunca existiu do infográfico dos alvos negros. 😀

[suspiro]

#numpresto #numvalhonada

 

*** ATUALIZAÇÃO***

Impressionante como essas coisas vêm até mim. A zifia fofoqueira daí de cima cabou de me mandar um tuíte com um adendinho dest’amanico à história do infográfico alvinegro…

É que o inforgráfico foi comprado de uma empresa de São Paulo… A FOLHAPRESS! QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Dá licença que eu vou incluir este post em mais uma categoria (a #PORRAFOLHA, claro!)

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Parabéns a todos os envolvidos

quinta-feira, junho 2nd, 2011
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Legendas, explicações e comentários fazem-se desnecessários diante de tão brilhantemente idiota manchete:

Mais desnecessário ainda citar qual jornal publicou essa tetéia, né?

#PORRAFOLHA!

(E só porque hoje eu tô boazinha, aviso: a crase tá certa! Ao menos isso, né?)

 

E obrigada a todos os que tuitaram esse troço aí hoje! 😀

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“Se eu fosse o Sílvio Santos abria uma consultoria para ministros: ‘Como dar entrevista para a Folha’. Ia ficar rica e daríamos muita risada”

sexta-feira, novembro 12th, 2010
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Sei que o título tá longo, mas ficou em menos de 140 caracteres. Então não amola. E não fui eu quem disse isso, foi a @maria_fro, no twitter. Simplesmente re-su-miu esta entrevista que é épica demais pra se perder por aí.

Silvio, aceite o conselho da Conceição Oliveira. Você é o senhor supremo do universo Media Training.

“Se pagar bem, claro que vendo o SBT”, diz Silvio Santos
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O empresário Silvio Santos atendeu ontem à noite, em sua casa, a um telefonema da Folha. Ele disse que, se alguém pagar o que ele deve ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que emprestou à sua holding dinheiro para cobrir o rombo do banco PanAmericano, pode comprar o SBT. Leia entrevista.
Folha – Eu gostaria que o sr. desse uma palavra para o público sobre tudo o que está acontecendo no banco.
Silvio Santos – Não posso porque eu assinei um termo de confidencialidade. Eu assinei um termo de conf… confidencialidade… é até difícil de falar! Não posso comentar nada. Só quem pode falar é o Fundo Garantidor de Crédito.
O sr. se encontrou com o Lula. Falou com ele sobre isso?
Que Lula?
O presidente.
Estive com ele falando sobre o Teleton [programa que arrecada recursos para a AACD]. Ele está me devendo R$ 13 mil [risos]. Tive que dar por minha conta porque ele prometeu e não deu os R$ 13 mil [que disse que doaria]. Eu falei para ele: “Se você der R$ 13 mil, a Dilma pode ganhar a eleição”. Porque é o número dela, não é? Não é 13 o número da Dilma? “Pode ser que Deus te ajude e ela ganhe a eleição.”
E ela ganhou do mesmo jeito.
Mas aí é que tá: agora tô preocupado [risos]. Ele fez a promessa e não cumpriu.
E o senhor votou nela?
Eu estou com 80 anos. Você acha que eu vou sair de casa para votar? Vou votar é em mim mesmo aqui em casa.
E aquela história da bolinha [reportagem do SBT afirmou que o candidato tucano, José Serra, foi atingido, numa manifestação, por uma bolinha de papel, e não por um objeto mais pesado, como ele dizia]? Todo mundo está falando que o SBT fez a reportagem porque estava com problema no banco.
Mas que bolinha?
A bolinha que caiu na cabeça do Serra.
Caiu alguma coisa na cabeça dele? [risos] Caiu alguma coisa na cabeça dele?
Na campanha.
Ah, não foi hoje?
Não.
Ah, eu não sei desse negócio de bolinha, não. Isso aí, olha, eu não vejo TV. Televisão, para mim, é trabalho. Só vejo filme. Agora que você ligou para mim eu estava vendo a Fontana di Trevi. Você já viu esse filme, “A Fonte dos Desejos” (de Jean Negulesco)? Eu estava vendo agora.
E essa informação de que o empresário Eike Batista quer comprar o SBT?
No duro?
É.
Ah, me arranja! Arranja para mim que eu te dou uma comissão.
O senhor venderia?
Se ele me pagar bem, por que não? Quem é? “Elque”?
Eike, um dos homens mais ricos do Brasil.
Ele é americano? Eike?
Brasileiro.
Não, não conheço. Mas, se ele pagar os R$ 2,5 bilhões que estou devendo, vendo, é claro que vendo. Não precisa nem pagar para mim, paga para o Fundo Garantidor de Crédito. Eu não posso vender nada sem passar pelo Fundo Garantidor de Crédito.
O senhor está bem? Triste? Chateado?
Eu estou sempre bem. Você já me viu mal?
O senhor ficou surpreso com tudo o que aconteceu?
Não posso falar.
Mas o senhor coloca o seu nome e a sua história como garantia de tudo…
É claro. A holding [do grupo Silvio Santos] só recebeu R$ 2,5 bilhões porque eu dei todos os meus bens em garantia. [A operação se realizou] Como se fosse num banco particular. Mas com banco particular seria mais difícil porque os bancos particulares não querem concorrência [do banco PanAmericano].
O Bradesco não emprestaria para o seu banco, né?
É claro [que não]! Acha que o Bradesco… eu não digo o Bradesco. Mas um banco particular não vai querer me emprestar R$ 2,5 bilhões por dez anos. Vai? Até vou tentar conseguir, quem sabe?
E o ex-superintendente do PanAmericano, Rafael Palladino?
Palladino? Que Palladino? Nunca fui ao banco. Nem sei onde é o prédio. Quando tenho dinheiro, abro uma empresa no Brasil. Aplico no mercado brasileiro. Mas não sou obrigado a ficar sabendo onde é a empresa. Eu tinha uma fazenda que era a segunda maior do Brasil, a Tamakavi, e nunca fui lá. Nem vi no mapa.
A única coisa com que me preocupo é com a televisão. Eu sou investidor. Se [o negócio] der certo, deu. Se não der certo, não deu. A TV é o meu negócio. Mesmo que não desse certo, é o meu hobby.
Agora, os outros são negócios. Eu não sou obrigado a entender de perfumaria, de banco. Eu não! Isso aí eu boto dinheiro, pago bem os profissionais e eles têm que me dar resultados. E, às vezes, falham. Desta vez, falhou.
E a auditoria não pegou…
Mas quem é que arranja a auditoria? Não é o próprio executivo do banco? Que culpa tenho eu? Você vai publicar isso na Folha? A Folha fez uma matéria muito boa hoje. Ninguém sabia o que era Fundo Garantidor de Crédito. Pensavam que era um órgão do governo. Aquilo ali é praticamente uma companhia de seguros. Nem jornalista sabia. Aquilo ali realmente é para poder emprestar dinheiro, garantir o que você tem no banco. Se você tem até R$ 60 mil, garante.
Não é dinheiro público…
Mas claro que não é. O dinheiro é particular. É uma empresa sem fins lucrativos.
E com o Henrique Meirelles, o senhor tem falado muito?
Nem conheço. Não sei quem é. Olha, capricha, bota uma foto minha bem bonita no jornal.
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Folha e a hipocondria da minha sogra

sexta-feira, outubro 1st, 2010
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E vez que outra este blog entra num loop de Tumblr. Só dá PORRAFOLHA….

Já saquei tudo, gente. Minha sogra e a Folha de SPaulo se alinharam politicamente.

Ela tá preocupada porque o feiticeirinho não se agasalha, e pode pegar friagem (Brasília, verão, clima tropical, calor duzinferno, eu deixo o pobre do menino calorento só de fraldinha e ela fica com dor de cabeça por causa disso), ter pneumonia, e se ele não se calçar pode ficar com reumatismo, e por aí vai. Um saco.

Daí vem a Folha e se alinha politicamente à minha sogra:

Se juntaram contra mim, né?

Diria minha sogra: “é bom evitar crises para não perder o braço direito!”

Ó, Obama, aproveita e agasalha os pés senão você pode ficar com reumatismo, viu?

(Obrigada ao César Cardoso e ao Rapha Prado pela imagem e pelo pio).

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101% arredondado tudo bem. Mas 109%?!?!?!!?

terça-feira, setembro 28th, 2010
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51+32+16+3+7 = 109. Expliquem esta soma, pois!

Quando eu fiz este post daqui, reclamando que a soma dos percentuais da pesquisa do Ibope dava 101%, muita gente me criticou. E eu entendi as críticas: numas de arredondar, arrodonda-se pra cima e, quando você soma os arredondamentos, todos os 0,33 e 0,66 se juntaram e chegaram a 1.

Entendi e mantenho minha crítica e minha reprovação: se você vai arredondar os números, forneça-os depois não-arredondados, no último parágrafo, pra que pentelhos como eu façam as contas e confiram o que você já conferiu. Não custa nada, e torna seu texto ainda mais preciso e confiável.

Mas daí vem o IG e o Datafolha numas de arredondamento e, no frigir dos ovos, a soma dos percentuais dá 109?!?!?!?!!? Tem explicação matemática, encostos, tem?!?!?!?

Porque, se não tiver explicação matemática, eu explico o que houve à luz de Tio Antônio (Houaiss):

Em vez de

arredondar
Acepções

■ verbo
transitivo direto e pronominal
1    tornar(-se) redondo; dar ou assumir a forma esférica ou circular
Ex.: <a. uma peça no torno> <os contornos arredondaram-se>
transitivo direto, intransitivo e pronominal
2    Derivação: por extensão de sentido.
dar ou adquirir compleição redonda ou arredondada; tornar(-se) gordo ou mais gordo; engordar
Ex.: <o tempo iria a. as formas de seu corpo> <aquele corpo ainda vai a.> <era elegante mas, com o tempo, arredondou-se>
transitivo direto
(…)

6    Derivação: sentido figurado. Rubrica: matemática.
efetuar o arredondamento de um número
transitivo direto e transitivo indireto
6.1    calcular (número, soma etc.) deixando de lado as frações
Ex.: <arredondou a gorjeta por falta de troco> <a. para trinta>

O que o Datafolha fez foi

inflar
Acepções
■ verbo
transitivo direto, intransitivo e pronominal
1    inchar(-se) com ar, vento, gás; enfunar(-se), tornar(-se) pando, intumescer(-se)
Ex.: <i. um pneu, um balão, uma bola>
<em meio à calmaria, as velas recusavam-se a i.>
<as narinas se lhe inflavam traduzindo uma mal contida raiva>
transitivo direto, intransitivo e pronominal
2    encher(-se) de fatuidade; envaidecer(-se), ensoberbecer(-se)
Ex.: <o sentimento da própria importância o inflava>
<inflar(-se) com o sucesso do filho>
transitivo direto
3    tornar rebuscado; empolar
Ex.: i. um estilo

os números.

Aceitos provas em contrário.

Minha dúvida agora é uma só:

PORRA, PRA QUEM EU GRITO PORRA?!?!?!!?!?

(Na dúvida eu arquivo este post sob a catiguria PORRA FOLHA. Porque, né? Datafolha e tals…)

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Morreu mas passa tão bem que chega a estar vivo…

sexta-feira, setembro 24th, 2010
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Morreu, nada! Foi barriga da Folha! PORRA, FOLHA!!!

Eu tava cochilando. Tô cuma dor de cabeça duzinferno aqui. Daí vejo pulular no meu twitter a informação de que o Tuma havia morrido. OK, ele tava mesmo hospitalizado, foi a primeira coisa que me veio à cabeça. a segunda foi: como fica a candidatura dele pro Senado? Alguém entra no lugar dele, ou não dá mais tempo? Enfim, coisas práticas.

Até que começaram a surgir mensagens do tipo: “Tuma não morreu, gente, é mentira!” Aí eu pensei na família dele. Puta falta de sacanagem com os Tuma, né?

Daí, esta preconceituosa que vos fala pensou mais que imediatamente: só pode ser coisa da Folha!

Mas há quem diga que todo o preconceito tem um fundo de verdade, né?

A notícia – ca-la-a-ro – já saiu do ar. Uma barriga dest’amanho tem que ser escondida o mais rápido possível.

Mas é claro que meus diletos ectoplasmas suínos oraram aos deuses do print-screen e registraram a prova dos delitos de lesa-credibilidade, lesa-paciente de hospital e lesa-leitores. Um muito obrigada especial à @violinha pela imagem enviada.

Por isso, meu caros, eu conclamo o corinho. Digam junto comigo:

Um, dois, três e….

POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORRA,

FOLHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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Folha e o primeiro dia da primavera suíça (oi?)

quinta-feira, setembro 23rd, 2010
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Curto muito os ectoplasmas suínos que frequentam este caldeirão.

Vejam a @ju_freitas, por exemplo. Ela apiedou-se de mim por eu não ter conseguido xingar a Folha ontem, e me deu um motivo fresquinho, perfeitinho e inquestionável pra eu poder xingar o Eliézer Ambrósio dos jornais brasileiros hoje. Muito amor entre esta bruxa e os ectoplasmas suínos, muito amor.

Porque a tia Maricotinha, que nos deu aulas lááááá no primário (semana passada, o passado remoto aconteceu sempre na semana passada, aprendam!) nos contou que os hemisférios norte e sul do planeta Terra combinaram de trocar as estações do ano. Quando aqui no sul é verão, lá no norte é inverno e vice-cersa; quando aqui é primavera, lá é outono e vice-versa de novo.

Então, queridos ex-alunos da tia Maricotinha, o que comemoramos nós, aqui no hemisfério sul, no dia 23 de setembro? Isso, muito bem, crianças! O início da primavera! E lá no norte, qual é a estação que tá começando? É o outoooooooooooooooono, tia Maricotinha!

Isto posto, DÁ PRA ALGUÉM CONTAR PRA FOLHA QUE NA SUÍÇA É OUTONO, PORRA?!?!?!?!!?!?!?!?!?! (confiram a legenda da foto do campo florido…)

Mas não posso crucificar muito a Folha, não… quem viu o filme A casa dos Espíritos, com a Meryl Streep? Poi zé, o filme se passa no Chile (Hemisfério Sul). E, no natal, a produção fez NEVAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!

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Devassidão contábil

quinta-feira, setembro 9th, 2010
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Na boa, se eu fosse esse boy (Boy? Ele é old, isso sim!), eu processava o UOL

Na home do UOL e na manchete do jornal (adivinha? Adivinha?) Folha de São Paulo (sabiiiia que você ia adivinhar! 🙂 \o/ ) a coisa dá a entender que o boy e o contador são amantes, mas no primeiro parágrafo a responsabilidade jurídica fala mais alto. ó só:

Office boy confirma relação com contador [Aqui a irresponsabilidade jurídica…], mas nega participação em quebra de sigilo

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO

O office boy Ademir Estevam Cabral, 51, confirmou nesta quinta-feira em depoimento à Polícia Civil de São Paulo que já trabalhou com o contador Antonio Carlos Atella Ferreira […que foi corrigida imediatamente no lead da história], mas negou participação na quebra do sigilo fiscal de Veronica Allende Serra, filha do presidenciável José Serra (PSDB).

O interrogatório de Cabral ocorreu na Delegacia Seccional de Santo André (ABC paulista). Policiais ouvidos pela reportagem disseram que ele se apresentou sem advogado.

Não à toa a Folha tornou-se o primeiro jornal braisleiro a ser sumariamente sacaneado no Twitter.

Vou nem me dar ao trabalho de contar a quantidade de caracteres em cada linha da manchete do UOL. Limito-me a sugerir a substituição da palavra relação com conexão ou ligação. fica mennos pornográfico, né?

Ou, pelo menos, suscita menos piadinhas infames e pouco engraçadas.

E muito obrigada à nonna @nairbello por avisar da tetéia daí de cima.

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Quando os fatos aclamam a criação de uma nova categoria

quinta-feira, julho 1st, 2010
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Gente, foi maior que eu. Maior que minha opinião. Maior que o fato em si. Maior do que a cagada em si.

Eu vinha apenas ameaçando criar essa categoria. Mas, como diria Chrissie Hynde, foi uma circumstance beyond my control, quer dizer, um fato que escapou ao meu controle. Não me resta mais nenhuma alternativa.

Sou OBRIGADA a criá-la.

Eu ainda esperei UM DIA INTEIRO pra ver como é que a coisa iria se concluir. (O erramos nesses casos é extasiantemente divertido)

O curioso é que, desta vez, não houve nenhum erro de português. Nem de lógica redacional. Foi apenas um erro operacional. E que erro.

Pensando bem, o problema não foi nem o erro em si. Bostas acontecem.

O problema foi O PAÍS INTEIRO COMENTAR DO ERRO CRASSO E ELA NEM TCHUNS PRO QUE ACONTECEU.

O problema foi PUBLICAR ANÚNCIO DE UM PATROCINADOR OFICIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA LAMENTANDO UMA ELIMINAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU.

O problema foi O CLIENTE TER QUE FALAR MAL DA EMPRESA PRA DEFENDER A PRÓPRIA IMAGEM E ESSA EMPRESA NEM TCHUNS.

O problema foi O TWITTER INTEIRO COMENTAR O OCORRIDO E A EMPRESA NEM TCHUNS.

E, não satisfeita em publicar este anúncio

lamentando a eliminação do Brasil pelo Chile, quando o Brasil VENCEU O JOGO POR 3 X 0 E ELIMINOU O CHILE, ao invés de publicar este anúncio daqui

que comemora mais uma vitória da seleção brasileira, os JÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊNIOS responsáveis pelo ocorrido se dão por satisfeitos com a publicação, VINTE E QUATRO LONGAS E INTERMINÁVEIS HORAS DEPOIS de a desinteria ter ocorrido, do seguinte pedido de desculpas:

Comunicamos que erramos [Não diga! vocês erraram, é? Descobriram quando? O país INTEIRO DESCOBRIU UM DIA ANTES, CÁSPITA!!!!] na publicação do anúncio do Extra [e ainda fazem sem um mínimo de touché! “Erramos na publicação do anúncio dos supermercados Extra”, Folha! Explica que Extra é esse, seja específica, clara, não dê mais margem a duplas interpretações!] , referente ao resultado do jogo entre Brasil e Chile, publicado por este veículo de comunicação no dia 29 de Junho de 2010, página D11[tá bom. Eu perdôo o excesso de vírgulas. Esperar que alguém leia esse texto de forma racional e pausada é pedir demais, né? ‘Bora arfar até o ar faltar!] . Ao invés do anúncio de vitória do Brasil, foi publicado, equivocadamente, anúncio citando a derrota [que tal “anúncio citando uma derrota que não ocorreu”?]. Lamentamos o ocorrido.
Departamento Comercial da Folha de S.Paulo.”

Seres humanos são passíveis de cometer erros. A publicação equivocada de um anúncio, por mais desastrosa que seja, é fato a se lamentar e a se corrigir. Só que, em tempos como os d’hoje, em que os fatos são comentados por milhares de cidadãos anônimos na hora em que eles acontecem, o reconhecimento do erro e a retratação devem ocorrer o mais rápido possível, pra se reduzir ao extremo a repercussão negativa do erro. O Extra e o Abílio Diniz foram brilhantes no uso do Twitter para lamentar o ocorrido e preservar a imagem institucional da empresa. Ponto positivo.

O erro maior da Folha de SPaulo não foi ter publicado o anúncio que não devia. O problema foi demorar mais que demais para reagir ao erro lamentável e aos comentários negativos que seu nome e sua imagem institucional sofriam nos meios on-line. E, na hora de abrir a boca, o fazer de forma seca e fria, depois de o país on-line ter comentado o fato de forma bem calorosa. Ponto negativo.

E é por tudo isso que eu me limito a anunciar o nascimento espontâneo de mais uma categoria neste caldeirão:

PORRA, FOLHA!!!

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Objetivando modernizar (ou Porra, Folha!)

domingo, maio 23rd, 2010
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Gente, tadinha da Folha! O Eliézer Ambrósio dos jornais impressos tá perdidinho da silva! Num sabe quemcossô, oncotô, proncovô

Culpa dessa menina Internéte, que desvirtuou o belo caminho dos excelsos jornais impressos brasileiros. Agora, qualquer um tem acesso a qualquer tipo de notícias em qualquer lugar, a qualquer hor… CRISTORREIMESALVA! SAIPRALÁ, CLICHÊ!!!!

Ai, mals aê, galera! É que o texto de apresentação do novo (sic) formato da Folha de São Paulo é de uma ruindade contagiante. Ruindade não no sentido de maldade, é no sentido de troço ruim, mesmo!

As idéias estão concatenadas de forma a se desconectarem, e o texto se conclui num mega-chavão pra deixar bem claro que a Folha é e sempre será essa publicação… por assim dizer… smartona.

Senão, vejamos o texto disponível neste link aqui. E quando você se dá conta de que o autor é simplesmente o EDITOR-EXECUTIVO DO JORNAL a vontade de chorar só faz crescer. Mas vamos lá:

Informação exclusiva de cara nova [Tá bom. Então é só a informação exclusiva que vai ganhar roupagem nova? A informação que sair publicada na Folha e em todos os outros jornais do Brasil – quiçá do mundo – vai ficar com cara velha?]
SÉRGIO DÁVILA
EDITOR-EXECUTIVO [brrrrrrrrrrrrrrrr…. perdão, correu um arrepio por toda a minha espinha agora. só de pensar que o editor executivo do jornal escreve assim… brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr]
A Folha mudou [Taí um verbinho perigoso de se usar assim, intransitivo… suscita interpretações mil! Mas deixemos minha ansiedade de lado, dotô Sérgio vai se explicar. (Vai?)]. O jornal que você tem em mãos neste domingo traz as letras cerca de 12% maiores, em um formato e com uma diagramação que deixam a leitura mais fácil [as entrelinhas dizem: Leitor, você é cego, disléxico e burro. Pra quebrar o seu lado, aumentamos a letra. Na próxima reforma, vamos usar apenas desenhinhos, combinado?]. Os títulos são mais fortes [donde se conclui que os títulos anteriores eram fracos (leia-se uma bosta)] , a hierarquização das reportagens é mais clara [ai, que lindo isso! hierarquização clara de reportagens! É de comer ou de beber? E QUE DIFERENÇA ISTO FAZ PRO LEITOR, CÁSPITA?!?!?!?!?!?!?!?!?] , a identidade entre os cadernos [impressão minha ou ele disse aqui que todos os cadernos de diferentes editorias são idênticos entre si? ou seja: economia, política e cinema têm tratamento igual? Reparem que nós estamos na TERCEIRA FRASE DO TEXTO!!!] , mais evidente. As fotos ficaram maiores e os quadros informativos, mais limpos e didáticos.[lido nas entrelinhas: já estamos ensaiando a próxima reforma, viu leitor? Os desenhinhos estão ganhando espaço!]
As mudanças também são editoriais. O noticiário político passa a ser agrupado sob o título de Poder, o caderno de economia é rebatizado como Mercado [aproveito para parafrasear Luis Fernando Verissimo e lembrar que os cadernos poderiam se chamar Maria Helena e Luíza Renata, não faria diferença. O que importa é o conteúdo. Cadê o conteúdo? qual a diferença do conteúdo antigo pro conteúdo atual?], Esporte ganha formato tabloide [e isso lá é mudança editorial? zifio, essa informação deveria estar no parágrafo anterior ou, então, retrabalhada aqui, porque você começou este parágrafo com ênfase nas mudanças editoriais – que, diga-se de passagem, inda num deram as caras no seu texto…], menor e mais ágil [COMO ASSIM UM CADERNO É MAIS ÁGIL? ELE CORRE? TEM PERNAS? DOMINA A ARTE DO TELETRANSPORTE?!?!?!?! AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH, FUJAM PARA AS MONTANHAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSS], Tec reunirá às quartas-feiras tendências [TAVA DEMORANDOOOO!!! CHEGOU A TENDÊNCIAAAA!!! CADÊ O BONDE PRAS MONTANHAS QUE NÃO CHEGOU, DEUSDOCÉU?!?!?!?!?!] do mundo digital e o jornal estreia um novo suplemento, a Ilustríssima, que trará aos domingos o melhor em cultura, ensaios e reportagens de mais fôlego [é isso aí! Enquanto o caderno de esportes está mais ágil, o caderno Ilustríssima ganha mais fôlego! Mal posso esperar pra saber quem é o personal trainer dos cadernos da Folha!] .
Além disso, 29 novos colunistas passam a escrever no jornal. São nomes como o de Fabio Barbosa, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e do Banco Santander no Brasil, a atriz Fernanda Torres, que comentará as eleições presidenciais, a jovem escritora Vanessa Barbara, que resenhará programas de TV, e o cadeirante Jairo Marques, um sucesso do meio on-line.
O caçulinha João Montanaro, de 14 anos, levará o traço precoce de seu cartum à nobre página 2 do jornal, onde ocupará um espaço que já foi de Glauco (1957-2010), será vizinho de feras como Angeli e integrará um time de ilustradores que conta com Laerte, Adão Iturrusgarai e Caco Galhardo.
Eles vêm se juntar ao maior e mais eclético [vou poupar meus leitores de piadinhas e trocadilhos com este eclético daí, OK?] grupo de colunistas da imprensa brasileira, nomes conhecidos do leitor, gente como José Simão, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Eliane Cantanhêde, Gilberto Dimenstein, Janio de Freitas, Danuza Leão, Mônica Bergamo, Barbara Gancia e Tostão.
A nova forma e o conteúdo renovado são resultado do esforço [pode ser preconceito meu, mas esforço é uma palavra que sempre me remete a prisão de ventre…] de centenas de profissionais, que trabalharam por milhares de horas durante os últimos 12 meses, sob orientação de Otavio Frias Filho, diretor de Redação, seguindo o projeto visual da designer gráfica Eliane Stephan, com a coordenação de Fabio Marra, editor de Arte do jornal, e do jornalista Naief Haddad. [Tá. Mas CADÊ AS MUDANÇAS EDITORIAIS PROMETIDAS, CRISTORREI?!?!?!?!?! Ou vai me dizer que a grande novidade aqui é o personal trainer dos cadernos?!?!?!?!?!]
A mudança acontece num momento em que a Folha promove a fusão orgânica [Alguém desenha, por favor? Como a Folha promoveu esse troço de fusão orgânica? Estou com medo disso… meus neurônios fervilham com as imagens de José Simão se fundindo organicamente com Eliane Catanhêde, ou Gilberto Dimenstein fundindo-se organicamente com Barbara Gancia… tô quase apostando que a Folha misturou Activia nessa fusão! Lembrem-se que esse troço todo é resultado do esforço da galera…] entre suas equipes de jornalistas do meio on-line e do impresso, o primeiro grande jornal brasileiro a fazer isso de fato.[HEIN?!?!?!? OS OUTROS JORNAIS JÁ FUNDIRAM JORNALISTAS?!?!?!?! COMO? POR QUÊ? PRÁ QUÊ?]
A ideia é transformar a Redação num centro captador de notícias que funcione 24 horas por dia e produza informação de qualidade para qualquer plataforma [Grito nº1:  E A FOLHA CHAMA ISSO DE FUSÃO ORGÂNICA?!?!?!?! TRAGAM UM PROFESSOR DE FÍSICA QUÂNTICA, PELAMORDEDEUS!!!! Grito nº2: E SÓ AGORA A FOLHA RESOLVEU TER UMA REDAÇÃO QUE PRODUZ NOTÍCIAS DE QUALIDADE?!?!?!?!!?!?! Meu Deus, será que ela vai conseguir tal feito? Ah, tô aqui na torcida, viu?] , seja ela o papel, que é e continuará a ser a vitrine [#facepalm. Tio, vou desenhar: papel é feito de celulose. Vidro é ooooooooooooooooooutra coisa, feita de sílica. O papel não é vitrine. Aliás, qualquer vitrinista sabe que papel serve pra TAPAR VITRINES. Ai, gente, sério que o editor executivo da Folha de SPaulo escreve com essa clareza âmbar?] principal da marca Folha, o on-line, agora rebatizado de Folha.com, ou em smartphones e tablets, por torpedos e e-mails e o que mais for inventado [quer dizer que até agora o que a Folha vinha fazendo na Internet era obra de amadores?].
[Preparem-se porque o âmago do quemcossô-oncotô-proncovô está no parágrafo que começa agora:] Parte dos textos está mais enxuta, maneira de resumir os acontecimentos da véspera sem fazer o leitor perder tempo e paciência [hhmmmpfff… sério que vocês vão conseguir isso? Ó, na boua, tô torcendo aqui pra vocês, viu?]. Parte está mais analítica [EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEPPPPPPPPPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!! A Folha tá bipolar? O texto tá enxuto mas tá analítico? o texto enxuto é resumido e não irrita o leitor, daí vem o analítico pra irritar o leitor, e tirar tempo e paciência dele?!?!?!?!?! Doctor Jeckyll and Mr. Hyde? Ou caberia aqui uma explicação mais delongada, mais pormenorizada, sobre como, onde e por quê (olha o lead aí geeeente!) os textos serão assim e/ou assado, né, senhor-doutor-editor-executivo? Taqueopa….], um dos pilares [iiiiiiiihhhhhhh…. um dos pilares… olha a clichetaria grudando no texto!] do projeto novo, que priorizará a contextualização e a interpretação do fato conhecido. [contextualização e interpretação do fato conhecido! vinte sílabas em seis pomposas palavras pra dizer um troço que é pura obrigação de todo e qualquer jornalista, quer ele escreva prum jornal de renome nacional ou um bilhetinho pra namorada!]
O leitor escolherá seu caminho [Ai, jura? Puxa, obrigada, viu? Cês são legais paca!], o mais rápido, mas de qualidade, ou o mais profundo, mas compreensível [leitura das entrelinhas: caberá à Folha largar o leitor na encruzilhada! Eparrê-iansã!] ; ambos serão contemplados pelo jornal.
Uma coisa, porém, não muda: o compromisso diário da Folha de buscar a informação exclusiva [rufar de tambores… preparem-se para a retumbância tonitruante do chavão dos chavões de toda e qualquer reforma editorial ou visual de veículo de imprensa…] , o furo de reportagem [a expressão cláááááááááááássica que aparece cada vez que surge um novo veículo de comunicação na face da Terra. Não, não é o furo de reportagem.] , o enfoque único [Tá chegaaando! Olha o enfoque único abrindo alas pro Uber-Deus de todos os chavões jornalísticos, gente! (Ai, eu até me emociono nessas horas!) é ele, oooooooooooooooooooo….], o olhar diferenciado [YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS! – NOT!]. A matéria-prima do jornalismo de qualidade é a informação única. Que você passa a receber de cara nova.
Novíssima! [Naonde, zifio? Naonde? Esse texto é espuma pura! Cadê o conteúdo?!?!?!?!?!?]
Tá pensando em acordar mais cedo pra comprar jornal com cara nova e notícia velha e bipolar? Dica: puxe o edredom pra cima da orelha, vire pro outro lado e estique o seu soninho. Vai por mim. Cê sai no lucro.
PORRA, FOLHA! PORRA, PORRA, PORRA!!!!
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