Arquivo pela categoria 'Tio Antônio falou'

Dicionário ilustrado: confronto?

quinta-feira, abril 30th, 2015
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11074372_10205478487315133_2761837888318734621_nDaí que geral na velha mídia tá chamando o que houve ontem em Curitiba entre os professores e a polícia de confronto.

Então, vamos ver o que é, de fato, um confronto?

Tio Antônio Houaiss, fazfavô:

confronto 
substantivo masculino ( 1881)

ato ou efeito de confrontar(-se)

1 encontro face a face

2 ( 1881 ) comparação, paralelo

3 conferência, cotejo

4 choque de interesses ou de ideias; conflito, enfrentamento

5 enfrentamento de forças; conflito

       6 desp futb disputa, jogo, partida.

Tá.

então, temos que confronto é algo de igual pra igual: co-fronte.

Algo que, APARENTEMENTE, não aconteceu ontem no Paraná.

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O verbo assistir e a voz passiva

segunda-feira, fevereiro 23rd, 2015
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Pois bem. Vocês se lembram que eu larguei cêistudo com a pulga atrás da orelha, com a história de verbo que não pode ir pra voz passiva mas vai?

Então, acompanhem meu raciocínio.

Vamos transformar da voz passiva para a voz ativa a frase

O jogo foi assistido por duzentas pessoas

Duzentas pessoas assistiram o jogo.

Porque o objeto direto da voz ativa é o sujeito na voz passiva, e objeto indireto não entra nessa brincadeira de escravos de Jó.

 

Certo?

Er… Há controvérsias.

De acordo com a língua falada, tá certíssimo. Todos dizem “eu assisto televisão, eu assisto o jogo, ele assiste novela” e por aí vai. Taí o Google que não me deixa mentir.

Mas o verbo assistir no sentido de ver, acompanhar como espectador, não é transitivo direto.

Tio Antônio, ajuda:

Assistir

1 ( trans ind ) [prep.: a] estar presente a (determinado acontecimento, fato, ocorrência etc.), observando-o e acompanhando o seu desenrolar; presenciar, testemunhar, ver ver GRAM/USO a seguir

   ‹ a. ao acidente ›

2 (trans ind ) [prep.: a] ver e ouvir (um espetáculo, encenação teatral, concerto, dança etc.) ver GRAM/USO (b) a seguir

   ‹ a. ao concerto › ‹ a. à missa ›

3 ( t.d., trans ind. bitrans. ) [prep.: a, em] acompanhar (enfermo, moribundo etc.) para prestar-lhe socorro material ou moral

   ‹ a. o doente (em seus piores momentos) › ‹ é perito em a. aos enfermos mais graves

 

Gramática e Uso

 

  1. a) este v., com o sentido de comparecer, ver, tendo como complemento um pronome pessoal, não admite a forma lhe(s), somente a ele(s), a ela(s): assisti a ele (filme) em Nova Iorque; b) no português do Brasil, é comum o uso, mesmo pelas pessoas cultas e na literatura, deste verbo como t.d.: assistir o filme, a sessão etc.

 

Ou seja: se você assiste o jogo de futebol, dona Norma Culta quer porque quer que você preste assistência ao jogo em questão. [espaço aberto para você inserir a piadinha ah, mas o meu time tá mesmo precisando de assistência!]. Se você estiver só vendo o jogo em questão, dona Norma Culta manda (ela é muito mandona) que você use o verbo assistir acompanhado de preposição – logo, não existiria voz passiva do verbo assistir no sentido de ver, acompanhar.

Mas o verbo assistir não tem saco pra dona norma culta. Não aqui no Brasil. Não espalhem, mas ele anda tendo um caso com a voz passiva, e dona norma culta bem desconfia. Tá a fim de dar umas piaba nazidéia dos dois. Mas o casal promete resistir!

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Voz passiva: você está fazendo isso errado

sexta-feira, fevereiro 13th, 2015
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Na faculdade descobri que as aulas que a gente tem na escola sobre voz passiva são uma bosta. Não explicam nada, nem os motivos para se inverter uma frase e transformar vítima em sujeito comandante do verbo. Se vocês quiserem entender ostremtudo, dêem um pulinho aqui que eu já falei disso. Voz passiva é mais semântica do que sintática. Ideal mesmo seria 6 tudo assistirem à aula do professor Dioney sobre isso, iam todos cair pra trás.

Mas tem um lado sintático que, orasbolas, tem que ser respeitado, né? Vamos lá:

Na voz ativa, dizemos: Joana comeu banana. <– Joana é sujeito e agente, e banana é objeto DIRETO. OK?

Vamos passar a frase para a voz passiva: A banana foi comida por Joana. <– Banana virou sujeito, o verbo deu uma cambalhota morfológica, virou locução verbal, pediu ajuda pro particípio passado, tudo pra transformar a pobre da banana, que começou a frase lá em cima inteira e terminou devorada e destruída, em sujeito comandante do verbo.

Repare que Joana não virou objeto direto. A frase poderia muito bem ser “A banana foi comida” – PONTO. Por quem? Não interessa, tô falando do comido, não do comedor. É, cê tá vendo que o bicho pega, né? Então, se quiser entender mais da bagaça, clicaqui que eu já expliquei tudinho.

Mas se você voltar lá em cima, vai ver que eu enfatizei que, na voz ativa, banana é objeto DIRETO. O que acontece com o objeto indireto nesse caso? Vamos ver outra frase: “Eu gosto de sorvete“. <– passa pra “voz passiva”?

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Nem me venha com “sorvete é gostado”. Faça-me o favor! Desista! O fato é que o objeto indireto não vira agente da passiva. Existe uma explicação quilométrica pra isso. Mas aí eu teria que tergiversar sobre distância do sujeito, a frase em questão não é agentiva mas experienciadora, e a preposição que afasta o verbo do objeto, e hierarquia dos complementos / adjuntos, então vamos combinar que vocês podem acreditar em mim – mas depois eu dou munição pra vocês me desacreditarem.

Mas bruxa, por que você tá falando disso agora?

Ah, sim! É por causa desse meme do Ministério da Justiça. Uma empresa reclamada é uma empresa requisitada, exigida, cuja posse é reivindicada etc. Táqui no tio Houaiss:

 

reclamar

verbo ( sXV)

1 (trans. indireto e intransitivo) [preposição: contra, de, por] opor-se por meio de palavras; fazer reclamação; queixar-se: ‹ r. contra as injustiças › ‹ r. dos preços abusivos › ‹ temos o direito de r. ›

1.1 (trans. indireto) [preposição: de] fazer exposição (de estado físico ou moral); descrever (sofrimentos e agravos) por meio de lamentos; queixar-se, lamentar-se: ‹ reclamava das dores nas juntas, quando chovia › ‹ ela sempre reclama das grosserias do marido ›

1.2 ( trans. indireto ) [preposição: de] fazer reparos a (alguém ou algo); criticar: ‹ vive reclamando da comida ›

2 (trans. direto) exigir oralmente ou por escrito (o que lhe pertence); pedir ou mandar de maneira veemente; reivindicar  (ver GRAM) ‹ r. seus direitos ›

2.1 (trans. direto) reivindicar posse ou autoria de; pleitear  (ver GRAM) ‹ r. os direitos autorais de um livro › ‹ r. um legado ›

2.2 (trans. direto) tentar obter, através de pedido ou exigência; pedir, demandar, (ver GRAM) ‹ muitos reclamam a reforma agrária ›

3 ( trans. Direto e bitransitivo) [preposição: a] suplicar, pedir insistentemente; invocar, implorar, clamar: ‹ r. assistência › ‹ o filho reclamou perdão aos pais ›

4 (transitivo indireto) [prep.: por] exigir a presença ou a ação de (alguém), com urgência; clamar ‹ vários deveres reclamam por mim ›

Gramática as acepções. 2, 2.1 e 2.2 foram consideradas galicismo pelos puristas, que sugeriram em seus lugares: pedir, demandar.

 

Ou seja: no texto da arte ao lado, o ministério da Justiça diz que as empresas estão sendo exigidas, e não recebendon queixas. Dona Norma Culta tá aqui do meu lado tendo síncopes, coitada…

 

Mas tem UM caso em que a regência indireta de um verbo não o impede de ir pra voz passiva – dona Norma Culta não reconhece esse filho bastardo, mas ele já é celebridade no português brasileiro. Alguém arrisca a chutar que verbo é esse? (Atualização: o post-spoiler de verbo está aqui)

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A presidenta e os particípios

sábado, outubro 4th, 2014
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Esse post é muito 2010. Aquela discussãozinha ridícula mimimi presidenta tá errado mimimi não é assim que se fala mimimi presidanta e essa porra me dá uma gastura tão grande que eu vou fazer o ÚLTIMO POST a respeito da palavra presidenta. Daqueles pra imprimir, esfregar na cara dos ignorantes e fazer eles comerem o papel. Até porque geral teve QUATRO ANOS PRA ESTUDAR, CARALHO! Então vamos lá.

Pra começo de conversa, o particípio é uma forma verbal que não recebe esse nome à toa. Ele participa de outras classes de palavras, mais especificamente substantivos e adjetivos. E provo:

– Quando cheguei em casa, o marido já havia feito  comida – particípio passado em locução verbal com o verbo haver que equivale ao pretérito mais que perfeito.

– João está cansado – o particípio de cansar brincando de adjetivo pra qualificar João.

– A ida de minha mãe a Las Vegas – O particípio do verbo ir virou substantivo.

Observe pelos exemplos acima que, quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e vai pro feminino: João está cansadO / Maria está  cansadA. (E antes que vocês perguntem: estruturas passivas têm um quê de adjetivo: quando a gente diz Maria foi estupradA, esse estuprada tem um caldinho de adjetivo)

Aí você vai perguntar: mas o que que tem o particípio a ver com a presidenta, bruxa?

No latim, havia o particípio passado, o particípio presente e o particípio futuro. E os três chegaram ao português, mas só o particípio passado veio como forma verbal; os particípios presente e futuro vieram como forma nominal.

(Agora volte dois parágrafos e releia o trecho em que eu falo que quando não é verbo, o particípio varia em gênero, e volte logo.)

O particípio futuro é o mais fofo de todos. Tem que passar a ideia de atos que estão na iminência de ocorrer: vindouro (que está prestes a vir), nascedouro (que está prestes a nascer), casadouro (que está prestes a casar). Essas palavras também variam em gênero: mês vindouro / semana vindoura; moços casadoiros / moças casadoiras etcetcetc.

Deixei o particípio presente por último de propósito. o particípio presente derivou-se no português, em nomes de pessoas que devem ser reconhecidas / destacadas pelo ato que ora desemprenham.bart simpson

Então, se precisamos nos referir a um rapaz que deve ser destacado por exercer o ato de estudar no presente momento, falamos de um estudante (arrá! você começou agora a entender o espírito da coisa, né? Também queria saber por que não me deram essa aula no segundo grau…); se precisamos falar de um homem cuja característica que se destaca é o fato de crer, temos um crente. E se temos de falar de um cara cuja característica é pedir, temos um pedinte.

Se formos arrumar nazideia a fórmula morfológica para a criação de substantivos embebidos  de particípio presente, ela fica assim:

[raiz do verbo] + [vogal temática do verbo] + [-nte]

Mas espere! Reparem que ali em cima eu falei de propósito em homens a executar este ou aquele ato: um estudante, um crente e um pedinte.

E reparem mais em cima que eu falei que o particípio, quando vira forma nominal, varia em gênero.

Quem abrir a boca pra dizer “porque o dicionário não aceita presidenta”, além de ganhar um pescotapa e uma dicionariada na cara com o livro aberto na página do verbete presidenta, vai ficar de castigo e vai escrever mil vezes no quadro negro a frase da ilustração!

E aí, a gente chega no lado social – e perverso – de uma língua:

Você já parou pra pensar que não se usa estudanta porque estudar é, por tradição, coisa de homem, pra se formar doutor e ser chefe de família?

Se você não concorda com o argumento de estudanta, então por favor explique: qual a diferença entre uma governanta e um governante, se, morfologicamente, eu acabei de te comprovar que as palavras são equivalentes?

Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada para designar mulheres que governavam a casa. Nada além da casa.  Governanta é uma palavra que começou a ser largamente utilizada num tempo em que às mulheres era vedado o mundo. Era vedado o direito de viver e explorar o mundo para além de um casamento.

Ou seja: ainda que morfologicamente  governante e governanta sejam similares, LEXICAL e SOCIALMENTE as duas expressões acabaram por adquirir significados e sentidos diferentes.

E hoje em dia, em que à mulher é permitido presidir um país, mondigente – muitos, sem perceber a carga de machismo por trás dessa atitude – vêm dizer que presidenta não pode?

Eu já provei morfologicamente que presidenta pode, sim, senhor! Seja ela a Dilma do Planalto ou a Dilma da Sabesp!

E se você insistir em dizer que mimimi estudanta é uma anta que estuda, depois do pescotapa eu te dou este link aqui pra você ver o monte de idiota que foi corrigir o UOL, dizendo que “cão da pradaria” está errado, e o certo é “cão da padaria”.

Ah, você vai continuar insistindo?

Diminutivo da palavra: temos o presidentinhO e a presidentinhA

Aumentativo da palavra: emos presidentÃO e presidentONA.

Poi zé. Quando o grau varia, o gênero acompanha sem problemas, né?

Ou seja: vai estudar e larga de ser machista! É presidenta e não enche o saco!

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Realinhamento é beijinho; aumento é tijolada :P

terça-feira, agosto 12th, 2014
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O dileto Fernando Brito, do blog Tijolaço, pediu. Isso pra mim é uma ordem!

Pois bem. Ontem no Jornal Nacional, William Bonner perguntou a Aécio Neves se o candidato iria promover um realinhamento de preços. Mas a Guido Mantega, geral pergunta se vai haver aumento, mesmo, né?

Qual a diferença entre o realinhamento e o aumento? E quais os critérios de uso/emprego?

Calma que a Bruxa responde!

Vamos começar perguntando a Tio Antônio (Houaiss) que porra diabos merda é realinhamento?

Eis a resposta:

( t.d. e pron. ) alinhar novamente ou de modo diferente

    ‹ r. as rodas do automóvel › ‹ r. a turma para cantar o hino nacional › ‹ realinhou-se e, em seguida, foi à festa ›

2 ( pron. ) pol rever posição; formar novo arranjo, ordenamento ou agrupamento

    ‹ eleição é época de os partidos se realinharem ›

Então, temos que o uso do realinhamento já tá todo cagado errado quando a bagaça se refere a alteração de preços (qual a dificuldade em se usar alteração? Alguém explica, pfvr?). Algo comparável apenas ao emprego da palavra inverdade. (Véi, eu tenho uma síncope cada vez que eu ouço isso! Qual a diferença entre uma inverdade e uma mentira? Seria a gravidade da coisa? Então, porque nós temos a inverdade mas não temos, por exemplo, a desmentira? Essas dúvidas me consomem há anos!!!)

Mas voltemos à nossa querida mentira imprensa que adora falar em realinhamento de preços.

Pergunto: é pra se alinhar a quê? À realidade do mercado? Aos desejos da oposição? À bunda do Hulk?

Portanto, acredito que, assim como uma inverdade é uma mentira mais fraquinha, um realinhamento deve ser tipo assim um aumento, só que mais fraquinho. Critérios para a escolha de um ou de outro? Podemos pensar em critérios políticos, critérios de amizades, ou mesmo a diferença entre um beijinho e um tijolaço, ou o efeito de uma pílula azul-diamante. (Fulano? Dá no couro, não, só realinha…)

Tá parei.

Enfim. Espero ter atendido aos seus anseios, oh dileto Fernando!

Sem mais para o momento, subscrevo-me.

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Aluno: Rolando Lero / Tema da Redação: Programa de Governo do PSDB

domingo, julho 6th, 2014
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rolandoleroEu ameacei fazer isso em 2012 com os programas de governo dos candidatos à prefeitura de São Paulo, mas me enrolei e desisti.

Ontem eu abri o site do TSE e resolvi que não podia deixar de analisar o programa de governo dos PSDB. (clique no link  Aécio Neves da Cunha e na aba Propostas de Governo).

Antes que você prossiga: esta é uma análise de uma simpatizante do PT. Obviamente, a análise será parcial. Teje avisado e não me encha o saco, se continuar a ler estarás por tua conta e risco.

 

Enfim. Sabe quando você tem (tinha) que caprichar no trabalho final da escola pra passar de ano, mas você tá(va) pouco se lixando pra matéria, daí você faz(ia) um trabalho nas coxas, dando pouca atenção ao assunto?

Qualquer estudante conhece a receita: você copia(va) um monte de troço legal de tudo quanto é canto, mas não dá(va) a liga final no texto. O professor, óbvio, percebe(ia) suas intenções, mas ele tá(va) doido pra se ver livre de você, então te dá(va) uma nota qualquer pra você passar de ano?

Pois é. Cabei de descrever o plano de governo do PSDB, disponível no site do TSE. Sim, eu li tudo. De cabo a rabo. Não, não estou passando mal. O texto é bacana. Mal redigido, mas bacana. O problema é que o troço é um arrazoado de boas e teóricas intenções, que por vezes se tornam risíveis quando a gente pensa na prática dos governos do PSDB.

Como eu já disse, o texto é bem bacana. Tem um monte de propostas lindas e vagas. Mas metas, métodos, formas e maneiras de implementação de propostas? Virei, fucei, revirei, botei de cabeça pra baixo e sacudi. Encontrei nada.

Voltando pra metáfora do aluno ixperrto. Imagine que, além de querer se safar da matéria, o aluno em questão resolveu copiar o que o melhor aluno da sala está fazendo pra ver se consegue fazer que o professor lhe dê nota mais alta. Não entendeu a alusão? Traduzo:

– a expressão nos moldes aparece duas vezes, em alusão ao Minha Casa Minha Vida e ao Pronatec. No meio do texto, encontramos a sugestão de ampliação do programa Ciência sem Fronteiras
– A palavra aprimoramento surge em dois momentos, em ambos com complementos nominais diferentes: do modelo do Pronatec e do Enem.
– a expressão Manutenção e aprimoramento surge junto de Prouni e Fies.
– PSDB se garrô de amor pela expressão marco regulatório. Somando singular e plural, a bicha é citada sete vezes. No singular, são quatro vezes, para cuidar das regulações de Terceiro Setor, mineração, administração (no ponto de macroeconomia) e setor sucroalcoleiro. No plural, aparece em três momentos: regularização de imóveis ocupados por sem-teto, de maneira genérica no quesito empreendedorismo (Simplificação dos marcos regulatórios que impactam as atividades acadêmicas e empresariais de inovar e empreender.) e para regular o trânsito em pequenas cidades.

A receita da redação do texto é a seguinte:
1- um grande chavão que transmite uma verdade verdadeira e inquestionável
2- uma ou mais soluções vagas e inconsistentes para a questão.
Exemplo? Página 31, quando o texto fala de Ciência e Tecnologia:

A inovação é o grande agente que transforma conhecimento em riqueza. [1- chavão] Estabeleceremos programas que incentivem a pesquisa e a inovação nas empresas públicas e privadas, [2a- proposta vaga e inconsistente 1] e promoveremos a modernização e a celeridade no sistema de registro de patentes do País, via revitalização do INPI [2b- proposta vaga e inconsistente]. Apresentaremos proposta articulada no que virá a ser o Sistema Brasileiro de Inovação. [2c proposta vaga e inconsistente, que ainda cita a palavra-chave incluída no chavão que abre o parágrafo].

Então, faça o favor de estourar umas pipocas e pegar um guaranazinho, porque agora eu vou destacar alguns pontos das 76 páginas (é, eu li tudo isso. De nada.) do programa do PSDB.
A principal diferença entre o programa do PSDB e do PT está no seguinte trecho das respectivas redações:

(PT) – [o seguinte prograa de governo foi consolidado após um] processo de ampla consulta aos movimentos sociais e aos partidos aliados

Versus

(PSDB) – A elaboração deste documento decorreu do trabalho e da interlocução de inúmeros especialistas nas mais diversas áreas das políticas públicas

Eu tô até vendo a situação: a equipe do Aécio correndo atrás de especialista de tudo quanto é canto, pedindo propostas legais e bonitinhas para melhorar o Brasil na sua área de conhecimento. Conseguiram. É o tal do catadão de conteúdo maneiro em tudo quanto é canto que eu citei lá em cima.

Voltando ao nosso hipotético aluno ixperrto, ele está de posse de um conteúdo muito interessante, mas não sabe dar liga. Não sabe interconectar as informações. E isso fica bem claro no começo do texto, que não consegue se priorizar. Daí, o plano é dividido em diretrizes, e princípios, e políticas, e processos, e objetivos, e reformas…

E, como muitas sugestões se interligam, o aluno ixperto deixou bem claro que não conseguiu nem arrumar o texto de maneira complementar. Ficou tão perdido com tanta sugestão interconexa que organizou as diretrizes do governo em oito áreas, relacionadas em ordem alfabética.

ORDEM. ALFABÉTICA.

OK, houve um critério eleito. Mas é um critério que criou o seguinte mafuá:
1. Cidadania
2. Economia
3. Educação
4. Estado Eficiente [porque, né? Pra quê estado eficiente ficar dentro de economia?]
5. Relações Exteriores e Defesa Nacional
6. Saúde [depois de falar de exército e soberania nacional, vamos falar de dengue e genéricos…]
7. Segurança Pública [… pra logo a seguir voltar a falar de polícia. Superlógico! Só não percebe quem não quer!]
8. Sustentabilidade

Mais uma vez, o aluno não sabe dar liga, nem interconectar as ligações. Percebe a própria incompetência redacional. E aí, como proceder? Ah, a solução é facinha:

Estas áreas devem se integrar de forma holística, de maneira a se apresentar, ao final, um Plano de Governo que represente uma soma positiva de ações governamentais que se aliam na consecução do bem comum, e não um simples elenco de programas que não se conectam entre si [E antes de você se recuperar da gargalhada, o texto entabla a seguinte observação:] Deste modo, muitos dos temas tratados são repetidos em várias áreas, o que revela a sua prioridade e relevância. [Mas também revela ausência total de foco e capacidade de interconexão de trabalhos, né?]

Ah, deixa eu falar desse ponto da página 4! Propõe-se, especialmente, que haja ampla participação popular, através, inclusive, de mecanismos virtuais de participação, afirmou o candidato que quis censurar o Google.

 

Página 7 Assistência Social

neste tópico são aludidas as diretrizes relativas a diversas políticas públicas fundamentais para a
nação. Lindo, isso! O moço fez uma alusão! Corrida rápida no dicionário, para constatar que alusão = “referência vaga, de maneira indireta / avaliação indireta de uma pessoa ou um fato, pela citação de algo que possa lembrá-lo”.
Então, tá.

 

Página 9, Combate à pobreza e desigualdade social

A pobreza vai muito além da ausência de renda Véi, se pobreza = resultado de desigualdade social, ela será sempre ausência de renda. Pobreza que vai além da ausência de renda é pobreza de espírito, cultural ou mesmo a pobreza da redação de um texto medíocre. #ficadica

[a pobreza é] um problema que mata todos os dias os sonhos e as esperanças de uma imensa parcela da população no Brasil” Nesse trecho, o aluno ixperto perdeu ponto no trabalho. Agarrou-se dicumforça no chavão a pobreza atinge grande parcela da população no Brasil e esqueceu-se de apertar o F5, pra descobrir o percentual atualizado. E ó: precisa nem de pedir ajuda aos órgãos governamentais. O PDF disponível neste link do insttuto IPC Marketing, dá conta de que pouco mais de 7 milhões de lares brasileiros pertencem às classes D e E. Num universo de 200 milhões de habitantes, considerando em média 4 moradores por domicílio, temos pouco mais de 10% da população em situação de pobreza. Imenso é um adjetivo pouco recomendado numa situação dessas, né?

 

Cultura, págs 10 a 13
Trecho mais vidaloka do texto. É um festival de robustecimento de protagonismo e fortalecimento de diálogo com as raízes que eu fui trocar o guaraná por cerveja pra poder acompanhar. Só pra vocês terem uma ideia:

Adoção do conceito de policentrismo, por meio da valorização de manifestações culturais regionais, no plano interno e, no plano externo, com robustecimento do protagonismo do Brasil, divulgando nossa cultura em suas diversas formas, como produto simbólico caracterizador de nossa singularidade.

 

Pág. 18 – Esporte e Lazer
Apoio a que os Jogos Olímpicos Rio 2016 sejam realizados em condições ideais de organização, mobilidade, sustentabilidade, hospitalidade e segurança e incentivo às equipes olímpicas e paraolímpicas
Aí eu me lembrei do “não vai ter copa” e melhor deixar pra lá, né?

 

Pág. 22 – juventude
Prioridade na redução da vulnerabilidade juvenil, mediante critérios objetivos e políticas integradas Aqui o moço abusou do direito de ser genérico no texto. O que diabos é uma vulnerabilidade juvenil? Em relação a quê? Por quê, onde, quando e como? Véi, explica melhor!!!

 

Pág. 23 – Mulheres
A questão das mulheres não é das mulheres, é dos homens também
Vou lembrar só da polhêmica do Tucanafro. Cerejinha do bolo: saber que a frase entre aspas é de dona Ruth Cardoso. [suspiro]. Logo abaixo, o texto fala da Transformação em realidade do Plano Nacional de Políticas para as
Mulheres [porque, né? Pra quê escrever aplicação, ou colocação em prática? Transformação em realidade é tão mais onírico, né?] garante a transversalidade de gênero entre ministérios. E mais uma vez a gente corre rapidinho ao dicionário pra descobrir que transversalidade = que cruza, atravessa, passa por determinado referente, não necessariamente na oblíqua em relação a ela. Ou seja: algo que não vai direto ao ponto, fica dando voltinhas.

 

Pág. 28 – Segurança alimentar e nutricional sustentável

Universalização do acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente para o consumo da população e para a produção de alimentos da agricultura familiar, de povos e comunidades tradicionais e da pesca e aquicultura, com prioridade para as famílias em situação de insegurança hídrica Você quer mandar beijinho pra quem? Ah, um beijo pra Sabesp, outro pro Sistema Cantareira e outro pro Aécio!

 

Pág. 34: Desburocratização – Simplificação

O capítulo de Desburocratização e simplificação é de uma contradição inacreditável. O texto diz que as pessoas têm que ter a vida simplificada, sem burocracias. E diz isso de forma repetitiva e burocrática, fazendo as pessoas lerem frases inúteis para a compreensão do texto:

Transformação do conceito de simplificação num valor permanente, observando sempre a possibilidade de melhorias contínuas. [OK, entende-se que a proposta é ficar o tempo todo em alerta para novas alterações] Trata-se de um processo de mudança contínua e, como tal, terá princípio e não terá fim. [e na frase seguinte eles repetem a mensagem da primeira frase.] Descomplicar o dia a dia das pessoas e das organizações reduz o desperdício de tempo e, consequentemente, os custos. [prefiro creditar esta última frase à zoeira. Melhor, né?]

(…)

Aumentaremos a confiança nas pessoas e nas instituições, valorizando e reconhecendo que a maioria das pessoas age corretamente, e responsabilizando claramente a minoria que age fora da lei[Percebe-se que o moço se perdeu bonito nessa hora, né? O_o]

 

No capítulo economia (assim como em todos os outros capítulos, diga-se a verdade) prometo não contar pra ninguém que o PSDB propõe fazer tudo o que o PT já faz (e bem), mas a imprensa diz que não faz ou faz mal. Oops, contei! /o\

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Chegamos à pág. 51 – Educação
Fortalecimento da Capes e de seu importante papel no apoio à pós- graduação e à qualificação de nosso sistema de ensino como um todo. [Por quê, onde e como vai se dar esse fortalecimento? Com quais objetivos? Quais as metas? Essas respostas, você NÃO VÊ no programa do PSDB].

 

Pág. 54 – Estado eficiente
Administração governamental:

Transformação das administrações governamentais, tornando-as mais leves, simples, transparentes e operantes, com foco e prioridade nas ações finalísticas e com eficiente coordenação intergovernamental. [OK, imaginei a administração governamental vestida com sapatilhas e um saiote de tule, lépida e fagueira, dançando a coreografia do Lago dos Cisnes. Mas parei nas ações finalísticas. Entendi BULHUFAS do que isso significa, mas parece ser um troço bem legal, porque leva a uma eficiente coordenação intergovernamental, um troço tão cheio de sílaba que parece ser importante.]

 

Pág. 55 – Defesa Nacional
Ampliação da coordenação entre o Ministério da Defesa, o Itamaraty e os órgãos de planejamento e gestão do governo federal em todas as dimensões de segurança, na construção de mecanismos de alerta e prevenção de conflitos, construção de medidas de confiança mutua, de cooperação com as nações amigas, de atualização tecnológica, de participação em organizações internacionais e de apoio a missões de paz em cumprimento a resoluções e iniciativas da ONU. [Mas véi, eles fazem isso desde que eles existem, caramba! E se eles não fizerem o trabalho empaca! O moço perdeu outro pontinho na redação!]

 

Pág. 55, Política externa
A política externa será conduzida com base nos princípios da moderação e da independência, que sempre nos serviram bem [Ah, isso aqui tá de bom tamanho! Não conseguimos nos desapegar… Vamos continuar usando, vai….]

 

Pág. 57
Revalorização do Itamaraty na formulação de nossa política externa, subsidiando as decisões presidenciais. É algo como dizer: O Hulk é atacante da seleção, sua função é pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Queremos uma revalorização do Hulk, na função de atacante, de maneira que sua função, reavaliada, seja pegar a bola no meio-de-campo e levar, em ataque, para o gol adversário. Ou: não escreve seis, escreve meia dúzia! O_o

 

Pág. 60, Saúde:
Redução das grandes reclamações da população usuária dos planos de saúde, que representa 25% da população brasileira, com elevado número de insatisfações e com uma grande desigualdade no acesso e qualidade dos planos. Legal, isso. Eles propõem “redução da reclamação”. Olha, das duas uma: ou você vai ser proibido de reclamar, ou sua reclamação vai ser nem registrada. Aposto na segunda opção.

 

E chegamos aos últimos pontos da análise da redação do programs de governo do PSDB.

Pág. 64, segurança pública
Trataremos da Impunidade, através da proposição de uma série de reformas legislativas Lindo, não? Como vai se resolver a impunidade? Ah, a gente vai lá no congreço e propõe umas lei lá, e tá tudo resolvido… ainda bem que eles se autodenominam competentões, né? Magina se não fossem… O_o

Estabelecimento de políticas eficazes de combate à violência e à impunidade, com especial ênfase aos crimes violentos. De novo: Que políticas? Por que elas serão eficazes? Quais as metas?

Estímulo ao policiamento em áreas de intensa criminalidade Como assim, estimular? O fato de a área ser de intensa criminalidade já não se constitui um estímulo pro policiamento?

Isto posto, só me resta dizer que: no caso do hipotético trabalho de escola, o hipotético aluno pode ser aprovado pelo professor que quer se ver livre dele. Mas, no caso da real escolha do eleitor, cabe a este escolher quem de fato não entrou em campo pra enrolar na análise da situação e das propostas de governo. Fica a dica pros tucanos.
E ó, próxima vez procurem levantar direitinho o que o PT vem fazendo e o que não vem fazendo, sim? A maioria das propostas do programa dee vocês já vem sendo praticada pelo PT há 12 anos.

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O pseudossofrimento e a canalhice da imprensa

terça-feira, maio 6th, 2014
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A regrinha é: geral só lê o título. Foda-se o resto. Como se aproveitar dessa máxima? Assim, ó:

Vamos começar com a definição do verbo sofrer. E, por favor, especial atenção à definição nº 6:

sofrer

1 ( t.d.,t.i.int. ) [prep.: de, por] sentir dores físicas ou morais; padecer

    ‹ s. a dor da dúvida › ‹ s. por orgulho › ‹ a ciática fazia-o s. ›

2 ( t.d. ) ser alvo de (golpe, pancada etc.); receber, levar

    ‹ s. uma pancada na perna › ‹ na cadeia, sofreu sevícias ›

(…)

6 ( t.d. ) passar por, experimentar

    ‹ desde que foi formado, o grupo sofreu várias alterações ›

7 ( int. ) ter danos ou prejuízos; decair, degradar, perder

    ‹ com a falta de chuva, a agricultura sofre ›

Agora, leia o discurso da Dilma num evento na manhã de hoje:

Eu tenho certeza que o Brasil daqui a 3 anos o país será melhor que o de hoje, porque hoje eu já tô sofrendo, ou melhor, me beneficiando das decisões tomadas no período Lula

OK? Entendeu? então, vamos ao chorume. Primeiro, blog do Josias de Souza:

josias

E o Uol Mais:

uolmais

 

E o UOL Mais ainda teve a PACHORRA de cometer este texto aqui:

No lançamento (…) a presidente Dilma Rousseff cometeu uma gafe ao dizer que estava “sofrendo” das decisões tomadas no período Lula. Dilma prontamente se corrigiu e afirmou que estava se “beneficiando”.

Nota-se que:

1- Josias nem se deu ao trabalho de escrever nada. Apenas mandou o título e apertou o “publicar”

2- O Uol Mais ainda enfiou uma legendinha descritiva safada.

3- Ambos sabem que quem vir esses posts vai apenas ler o título, e vai ficar o peso negativo da palavra sofrer, sem nem se darem conta de que em determinadas situações (como o discurso da presidenta), é possível usar essa palavra de forma positiva.

E outro dia mesmo meu professor tentava se lembrar de um exemplo de verbos com tipologia semântica benefactiva….

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Sabe de nada, inocente! – a análise sintático-semântica

domingo, maio 4th, 2014
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cumpadiNuma época em que Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino são o que de melhor a direita produz, e Valesca Popozuda é citada como pensadora numa prova de filosofia – e taí Shoppenhauer pra confirmar o fato- nada melhor do que usar Compadre Washington para dar aula de gramática.

A frase Sabe de nada, inocente! já virou febre. Mas você sabe analisar sintaticamente essa frase? Qual o sujeito? E qual a função sintática da palavra inocente?

Tragam a pipoca, amebas, pois a bruxa vai explicar tudo!

Vamos lá:

o que a flexão verbal sabe nos diz a respeito dela?saber

Tio antônio, Houaiss, ajuda por favor?

 

Então, já dá pra ver aí do lado que sabe é a forma do verbo saber no presente do indicativo,
3ª pessoa do singular. Então, se você consegue identificar ou recuperar  quem praticou o verbo a partir da conjugação dele, você tem um caso típico de sujeito oculto.

Mas espere! Cabem dois sujeitos nessa interpretação! Ó só:

(Ele) sabe de nada, inocente!

ou

(Você) sabe de nada, inocente!

Afinal de contas, você também é conjugado na 3ª pessoa do singular, né?

E é esse o pulo do gato pra responder a função sintática de inocente. Vamos acompanhar:

Antes de mais nada, vamos falar de duas funções sintáticas acessórias (portanto, dispensáveis para a completa compreensão do enunciado do verbo) que a gente vê na chulapada, o aposto e o vocativo.

aposto serve pra explicar ou esclarecer algo a respeito de um dos citados na frase, por assim dizer. Exemplo:

A Madrasta do Texto Ruim, a @bruxaod do Twitter, está dando uma aula sobre aposto e vocativo.

A Madrasta do Texto Ruim, mãe do Thiago, vai dar banho no filho daqui a pouco.

O Thiago vai tomar banho com sua mãe, a madrasta do Texto Ruim.

 

Já o vocativo serve pra chamar ou citar nominalmente a pessoa a quem você se refere, e geralmente vem seguido de um imperativo. Exemplo? Ah, pensa na sua mãe:

José Henrique da Silva Costa, venha já aqui!

Thiago José, eu não mandei ir tomar banho?

E lembre-se de que o vocativo também vem antecedido da interjeição Ó, como vocês podem ver nessa historinha aqui triste pacas!

Agora que a gente já se lembrou do que é aposto e do que é vocativo, qual a função sintática de inocente?

Arrá!

Acompanhem meu raciocínio:

Se assumirmos que o sujeito oculto é você, então temos uma frase em que Cumpadre Washington dirige a palavra á sua pessoa. Então, inocente é vocativo. Acompanhe:

Inocente, você sabe de nada…

Por outro lado, se assumirmos que o sujeito oculto é ele, temos uma frase em que Compadre Washington comenta com uma pessoa a respeito de uma terceira pessoa.  Portanto, não tem a quem chamar/convocar. Então, inocente é a explicação a respeito dessa terceira pessoa de quem Compadre Washington fala. Ó só:

Ele sabe de nada, inocente….

Então, temos uma análise sintática que vai depender do contexto. Se tomarmos como único o contexto do comercial,

então, ele se dirige ao marido.

sujeito = oculto (você)

inocente = vocativo.

E obrigada a Cumpadre Washington por tirar meu blog do marasmo!

Se vocês quiserem tentar explicar o slogan a cada um minuto quatro coisas vendem fiquem à vontade. Eu tenho algumas teorias a respeito (reparem que, em se tratando de língua falada, a gramática passa A QUILÔMETROS DE DISTÂNCIA, né?)

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O primo do vírgula-mas, a Folha e o desemprego no Brasil

quinta-feira, dezembro 19th, 2013
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Hoje não vou apenas exorcizar o texto da (adivinha?) Folha (RÀ!). Começo a treinar pro meu mestrado, então vou me concentrar na análise semântica da coisa.

Vamos começar com a frase João é bonito, mas tá velho. Se João ouve isso, certamente vai começar a pensar em botox. E essa frase é tão canalha que eu ainda posso, cinicamente, dizer: “Mas eu disse que ele é bonito!” O problema é que a última mensagem, que contradisse a primeira, foi a que ficou retumbando nos neurônios dos ouvintes. Pois o vírgula-mas tem um primo tão canalha quanto ele, o apesar. Olha só o que tio Antônio diz dele:
Apesar

advérbio ( sXIII)indica, na oração ou sintagma a que dá entrada, uma ideia oposta àquela expressa na outra parte do enunciado, contrariando uma provável expectativa

Locuções

a. de
não obstante, a despeito de, pesar de

‹ a. da idade avançada, trabalhava diariamente › ‹ a. de ser jovem, era bastante responsável ›

Isto posto, acho que já dá pra gente começar a ler o texto épico (pra não dizer outra coisa) da Folha de São Paulo de hoje.

A notícia é simples: desemprego foi medido hoje. O índice é o menor desde que a medição começou a ser feita.

Aí a Folha me apronta isso:

19/12/2013 – 09h10

Taxa de desemprego cai para 4,6% e retoma mínima histórica [ou seja: a maioria dos brasileiros está empregada]

PEDRO SOARES

DO RIO

Apesar [olha quem abriu o texto! O primo canalha do vírgula-mas! Vamos acompanhar o raciocínio do repórter pedro:] do menor ritmo da economia no terceiro trimestre, da freada do consumo e do crédito restrito [uau,a economia vai mal, hein?], as empresas não lançaram mão ainda de demissões [Ainda, gente! Ainda! Quer dizer, não houve demissões, mas nós tamos aqui tudo na torcida pra que haja! O_o] e a taxa de desemprego segue em níveis baixos.[O desemprego tá baixo, mas a sensação dessa frase é que repórter pedro quer que isso seja negativo!]

[Agora vamos pensar aqui nesse primeiro parágrafo como um todo: ele abre com um apesar, que enumera uma série de supostos fatos negativos (permito-me esse supostos daí. Ao chegar ao fim da leitura deste post, vocês terão entendido o motivo) e termina com uma mísera oração (nem frase é, coitada) positiva e que, no frigir dos ovos, traz a notícia em si. Outra coisa: como muito bem lembrou o Pedro Alexandre no Twitter, esse parágrafo tá com todo o jeitão de ter sido “feito” pelo bípede (viram como eu sou boazinha? Parto do princípio que esse texto não foi editado de quatro!) que editou a matéria, e não pelo repórter.

Então, um lead (primeiro parágrafo de uma notícia, que resume a informação respondendo às perguntas Quem? O quê? Onde? quando? como? Por quê?)  que tecnicamente deveria ser “O IBGE divulgou nesta quinta-feira o índice de desemprego nacional, de 4,6%, igual ao registrado em dezembro de 2012, o menor índice da série desde que o IBGE iniciou a medição, em 2001.” , virou esse mafuá de mau humor e de mau agouro daí de cima, que de notícia, mesmo, só teve a última oração (“e a taxa de desemprego segue a níveis baixos”). voltando à tese de que o 1º parágrafo foi “montado” pelo editor, digo mais: o texto original do repórter começava com o que terminou sendo a última oração do primeiro parágrafo. E foi a única coisa do lead do repórter que o editor manteve. Isto posto, vamos ver o que mais nos aguarda. Mas, antes, deixa eu postar aqui uma imagem pra combinar com o tom do texto, pera.] 

1463720_608587872510287_1907597210_nEm novembro, o índice ficou em 4,6%, abaixo dos 5,2% de outubro, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta quinta-feira(19). O resultado é o mais baixo para o mês e iguala a taxa de dezembro de 2012, a menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2001[ou seja, o que tecnicamente deveria ter sido escrito lá em cima, no primeiro parágrafo, veio pra cá. Quer dizer: esse segundo parágrafo tem tudo pra ser o resto do primeiro parágrafo original do repórter, que o bípede da edição preferiu jogar pra baixo. Vai entender….]

Tradicionalmente, a taxa de desemprego declina nos últimos meses do ano, com a injeção de recursos na economia –vindos, por exemplo, do 13º terceiro salário–e a contratação de trabalhadores temporários no comércio e em alguns ramos de serviços e da indústria [Isso aqui é de fato uma informação relevante. Com a proximidade das festas de fim de ano, o comércio se aquece e começa a catar trabalhadores temporários. Por esse motivo, o mês de dezembro é o que registra os menores índices de desemprego].

O emprego, porém, [terceiro primo da raça adversativa, o porém. Irmão do mas. O último parágrafo disse que dezembro registra índices baixos de desemprego. Isso é uma informação positiva. O porém nos introduz uma ponderação negativa. Vamos acompanhar.]  já não mostra o mesmo vigor de meses e anos anteriores [puxa, que coisa! Isto significa que ele começa a declinar, é isso?] e cresce [não, ele cresce! Licença, eu tenho que rir aqui QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA pronto, voltemos à análise semântica] numa intensidade mais moderada. De outubro para novembro, houve alta de apenas 0,1% no total de pessoas ocupadas nas seis maiores regiões metropolitanas do país, número que atingiu 23,293 milhões. Já em relação a novembro de 2012, o IBGE registrou recuo de 0,7%.[aqui eu saio da análise semântica e entro na análise jornalística da coisa. Não vou me dar ao trabalho de abrir sáites e googlar informações para desmentir o que está dito aqui, porque não precisa. Digo apenas que:

1- Para se ter o real espectro do crescimento de outubro para novembro, o texto deveria ter falado da evolução do índice de janeiro até novembro de 2013. Isso ambientaria melhor o comportamento e as oscilações da economia brasileira num intervalo razoável de tempo.

2- O texto ficou tão mal redigido que esse 23 e quebrados milhões ficou solto e perdido. Refere-se ao número de pessoas desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país [atualização das 20:00: reli o texto mal escrito bagarai e me dei conta de que esses 23 milhões são os EMPREGADOS, ao passo que o milhão lá de baixo são os DESEMPREGADOS. Texto mal-escrito tem dessas coisas: engana até editor-revisor! O_o #PORRAFOLHA!]. Ficou faltando informar quais são essas regiões metropolitanas, e qual o número total de pessoas economicamente ativas (portanto, aptas a trabalhar).

1450845_601867599848981_498426824_n3- Tradicionalmente, a comparação de índices é feita entre o período imediatamente anterior e igual período do ano anterior. Portanto, o índice de desemprego de dezembro de 2013 deve ser comparado com novembro de 2013 e dezembro de 2012. Comparações outras são permitidas, claro – desde que explicado o motivo. Se o único motivo que a Folha tinha para fazer essa comparação era mostrar um recuo de 0,7%, eu começo mentira, já comecei lá na primeira linha a me perguntar sobre a boa-fé das informações contidas nesse texto. Mas voltemos à nutiça:]

O total de pessoas em situação de desemprego (a procura [prometi análise semântica, então vou abstrair esse erro de crase. O certo é à procura de] de um trabalho) recuou 10,9% ante outubro e caiu 6,4% na comparação com novembro, atingindo um contingente de 1,131 milhão de pessoas. [ó só a informação que eu cobrei no item 3 da minha 

observação! Esse parágrafo diz que nas regiões analisadas, há um total de 1,131 milhão de pessoas desempregadas. Mas não informa o total de economicamente ativas. O que o texto diz – de maneira péssima – é que o número de desempregados é menor quando comparado com outubro e novembro deste ano! Mas meu Deus, isso é quase um cenário de pleno emprego! Cadê entrevista com economista pra falar sobre esses índices? Cadê entrevista com geral no IBGE pra falar sobre isso? Ah, peraí que eu vou pôr outra foteenha pra ilustrar esse texto] 

O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes [masgemt! Como pode? O desemprego lá embaixo do pé, reduzindo-se mês a mês, mas o mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor de antes? E que antes é esse? Qual o período a que o texto se refere?] diante de um cenário de juros mais altos[minha preguiça homérica de googlar Selic me impede de comentar isso aqui. Aumentou a Selic, gemt? Por que eu desconfio de que não aumentou? Ah, já sei: É PORQUE ESSE TEXTO TÁ UMA MERDA!] , confiança de empresários combalida e menor disposição de consumidores em gastar [Aposto um doce como em janeiro teremos o maior consumo evar em épocas natalinas, e empresários felizes da vida com tudo isso que está].

 

 

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Agora tentem me convencer de que acabamos de ler um texto jornalístico de qualidade. Não está fáceo, viu?

PORRA, FOLHA!

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Paulo Henrique Amorim e a perca [suspiro] do IPTU

segunda-feira, dezembro 16th, 2013
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Foi com este post daqui. Lá pelas tantas, o texto declara que

“A situação de não poder aumentar o IPTU acarreta em uma perca de 1 bilhão”

Perca, gente. Perca. PERCAAAAAAAAA

Duvidam?

Alá a imagem! Tá destacada….

Captura de Tela 2013-12-16 às 21.46.04

Ticontá, viu?

Oi? Você não entendeu o erro?

Tio Antônio, socorre aqui, por favor?

Perda \ê\ [/ê/ e D, cacete! é com D, cacete!!!!]

substantivo feminino ( sXIII)

1 ação ou efeito de perder

E antes que você me pergunte sobre a perCa, eu te aviso que perca é presente do subjuntivo do verbo perder. (que eu perca, que tu percas, que ele perca, que nós percamos, que vós percais, que eles percam. De nada.)

Quer dizer: O IPTU de São Paulo tá tão zicado, mas tão zicado, que até erro de português tá sendo cometido em nome dele, coitado!

Haddad, seu lindo, vá tomar um bom banho de descarrego, porque não está fácil procê, viu, zifio?

Mas eu não posso perder o foco: PORRA, PAULO HENRIQUE! QUER GANHAR TROFÉU #PORRAFOLHA, É?

E PORRA, FOLHA! Cê num tem culpa, mas merece ser culpada mesmo assim!

Atualização de 19/12: APRENDEU, HEIN, PAPUDO?

 atualizacaopha

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Contradição entre termos

quarta-feira, fevereiro 15th, 2012
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Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico

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Comemorar coisa triste: pode mas não pode!

sexta-feira, setembro 9th, 2011
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Daí que geral estrebuchou no twitter por causa disso aqui:

Eu concordo. O Fantástico errou. Mas acertou também! Calma que eu explico:

Primeiro, vamos ver a definição de Tio Antônio para

Comemorar:

 transitivo direto

1 trazer à lembrança; recordar, memorar

Ex.: os textos comemoravam datas históricas

 transitivo direto

2 fazer comemoração, realizar cerimônia de evocação de (um fato, um acontecimento, uma pessoa etc.)

Ex.: c. o centenário de uma cidade

Daí vai aparecer um idiota e vai dizer: “viu só? Está certo! Por isso que o dicionário é o pai dos burros e explica direito e blablabla whiskas sachê etc. e tal.

Esse discursinho é típico de quem não entende como se comunicar. E não entende que comunicar-se é fazer a mensagem chegar até o receptor sem ruídos. Porque se geral ao ouvir o verbo “comemorar” só pensa na definição nº 3 de Tio antônio:

3 Derivação: por extensão de sentido.

celebrar com festa; festejar

Ex.: ele comemorou seu aniversário numa casa noturna 

Então, se você diz As comemorações dos dez anos do 11/9, por mais certo que você esteja, sua frase será entendida de forma errada pelo seu leitor. E se o seu leitor entendeu errado um troço que você escreveu, em boa parte dos casos a culpa é sua e você sempre pode ser mais claro. Portanto, larga de preguiça, para de cagar sabedoria (geral dizendo olha quem tá falando em 5,4,3…) e reescreve esse texto sem que ele tenha margem a interpretações outras:

O mundo se lembra dos dez anos do 11/9

Combinado?

 

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Didática do trauma. aula nº4: por que não usar a expressão vis-à-vis

segunda-feira, julho 18th, 2011
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(Antes de começar o post, deixa eu pedir ajuda pro tio Antônio pra ele explicar que negózdi vis-à-vis é esse:)

vis-à-vis:
advérbio
1 em face; defronte
Ex.: sentamo-nos v. 

n preposição
2 em frente a
Ex.: uma janela v. à Baía de Guanabara
3 em relação a; em comparação com
Ex.: ativo bancário v. passivo anual

n substantivo de dois gêneros e dois números
4 pessoa que está colocada à frente de outra
Exs.: meu v. na quadrilha foi Virgílio
no escritório, meu v. é papai
5 tipo de carruagem cujos ocupantes se sentam face a face

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula da Madrasta do Texto Ruim.

Daí você curte horrores dar um tchan, um élan ao seu texto, e usa a expressão vis-à-vis, né?

A Madrasta do Texto Ruim avisa: faz isso não, zifio! Ssuncê num sabe que ssascoisa fica feio?

De jeito nenhum, Madrasta! é uma expressão chique e elegante, vou usá-la! – dirá você, ameba.

Aí eu venho e provo pra você que você num tá na melhor das companhia, não, zifio…

Digo marnada…

 

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Eu digo basta! – blogagem coletiva

domingo, junho 5th, 2011
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O Objetivando Disponibilizar é um blog sobre textos mal escritos e erros de português. A princípio, não teria motivos para participar de uma blogagem coletiva a favor da amamentação e contra estupidezes de machinhos pseudo-engraçados.

Mas eu encontrei uma ligação entre este tema e a blogagem. Tio Antônio, faz favor! O que é misoginia?

n substantivo feminino
1 ódio ou aversão às mulheres
2 aversão ao contato sexual com as mulheres

Pois Marcelo Tas e seus colegas do CQC estão sendo acusados de serem misóginos. Por quê? bom, por causa distodisto.

É ridículo ver como os homens não sabem se comportar diante das mulheres. Insistem em achar que, se elas não lhes servirem de colírio para os olhos, como objetos inanimados, sem opinião e sem ação própria, têm mais é que ficar em casa, e amamentar seus rebentos de forma privada. Afinal de contas, amamentar em público é muito chocante! (O_o).

Patético ver que eles não acompanharam a evolução da sociedade. Patético notar que esses seres não conseguem perceber a mulher de outra forma que não um objeto sexual, sem direito a opinião, raciocínio, inteligência, nada. Devemos nos limitar a satisfazer o prazer deles, e ai de nós se ousarmos pensar ou fazer algo diferente.

Seremos execradas. Seremos achincalhadas. Seremos vilipendiadas. Seremos ridicularizadas. Enfim, seremos excluídas.

Nossa independência, inteligência, atitude, capacidade de ter opinião própria lhes causam medo. Eles só conseguem conceber mulheres-objetos, lindas e prontas e lhes saciar os desejos sexuais (que eu não sei se devo classificar de primitivos ou de primatas. Temo faltar com o respeito aos macacos e gorilas). Isso lhes causa medo – daí a misoginia.

E vamos párar com esse textinho lindinho porque quem tá falando aqui é um bruxa, porra.

Quem Rafinha Bastos, Marcelo Tas e cia. pensam que são para determinarem que mulher não pode amamentar em público? Afinal de contas, quem decide isso somos nós, mulheres?

Ou é a fome de um bebê inocente, que nada tem a ver com a falta de noção de seja lá quem for? O bebê, aliás, é quem vai determinar se quer se alimentar em público ou num lugar mais calmo e reservado!  Se o bebê quiser no meio do vão do Masp, ótimo! Vai ser lá mesmo! Mas se ele preferir um local mais silencioso, calmo e escurinho – isso é decisão do bebê. Acreditem, bebês são capazes desse discernimento.

Seio só serve pra deixar paus duros? Qualquer outra aplicação é execrável e deve ser proibida e reprovada em público?

Eu poderia entrar naquela história de homens brancos cristãos heterossexuais e seus pontos de vista dominantes e machistas e etc e tal, mas a Lola sabe falar disso com muito mais precisão e maestria do que eu.

Na verdade, eu venho aqui mui humildemente (cof, cof, cof) oferecer aos machinhos do CQC um workshop de humor.

Porque, né? Eles acham engraçado comparar um mamilo a um rocambole! (Oi?)

Ou, então, dizem que mulher que gosta de pôr o peito pra fora pra amamentar é mulher feia que não tem seio, tem teta! (Que ano é hoje?)

Caros membros do CQC, é o seguinte: eu criei um personagem há alguns meses, a Doriana. Ela é a mãe perfeita, que vive num comercial de margarina. (Preciso explicar a piadinha pra vocês ou vocês conseguiram entender? Num tem sexo nem depreciação do outro, daí o meu receio de que vocês não tenham compreendido….)

Enfim, a Doriana vive num comercial de margarina e é a mãe perfeita. Por ser absolutamente perfeita, ela amamenta, porque mãe que é mãe amamenta. Sempre.

E seu discurso pró-amamentação faz rir quem realmente entende do assunto e pratica o ato de amamentar:

“Meu irmão foi amamentado antes de fazer a prova de direção, e foi aprovado de primeira! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Na semana seguinte, meu irmão foi amamentado antes da entrevista de emprego, e foi contratado! E tem gente que acha que amamentar não faz bem!”

“Nossa, me estressei tanto com minha mãe agora! Ela queria levar minhas filhas na esquina pra tomar sorvete sem a minha presença! Fiquei tão nervosa e chorei tanto que ela me ofereceu o peito pra eu me acalmar um pouco! Ainda bem, viu?”

A Doriana quase não fala em sexo.  Não precisa. Já existem estereótipos suficientes no ato de amamentar e no discurso pró-amamentação e pró-mães perfeitas. É só exacerbar tudo e trabalhar o discurso.

Se vocês fossem menos tacanhos (ou, pelo menos, fizessem realmente parte desse momento tão importante da vida de uma mãe e um bebê) teriam se dado conta de detalhes curiosos e mesmo risíveis do dia a dia de uma lactante. E daí saberiam fazer piadas engraçadas a respeito. Fico aqui a imaginar (e lamentar) que tipo de pais vocês são.

Seu colega (em tacanhez) da Folha de SPaulo comparou amamentação com masturbação. Sério, eu ainda não consegui relacionar uma coisa à outra. Que que tem a ver alimentar um bebê em público com proporcionar-se prazer em público? Ah, é porque a visão do seio deixa os homens excitados, e masturbar-se em público também é excitante? Isso é engraçado? Cejura? Mas é curioso, porque eu sempre entendi que boas piadas não precisam ser explicadas e… eu realmente consegui estabelecer uma lógica nessa piada? É pra rir disso? quer dizer, então, que vocês homens héteros não conseguem desligar a paudurescência ao verem um peito de fora com a função de alimentar um filhote de gente?

Quer dizer, eu sou capaz de compreender a linha de raciocínio até de piadas racistas – não concordo, mas entendo o mote. Mas essa piada de vocês é pior que piada racista. Se é que isso é possível, viu?

Enfim, se alguém ainda não disse isso pra vocês, tá na hora de vocês entenderem que apelar à fórmula

sexo + padrões repressivos de beleza feminina + burrice feminina

é muito Balança mas não cai – e isso é tão século vinte que vocês deveriam se envergonhar de se acharem muderrrnos.

Enfim, apertem o F5*. Vocês estão mais de meio século ultrapassados.

 

(pra quem não usa PCs: a tecla F5 é o atalho do teclado em navegadores Internet para atualizar as páginas web exibidas.)

Os outros posts desta blogagem coletiva estão neste post do blog  Rede Mulher e Mãe

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A caminho da crase IV – Estação final

sábado, maio 28th, 2011
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Ficou fresco esse troço aí em cima, né? Ah, mas eu gostei! Me deixa! 😀

Antes de começar este post, deixo uma perguntinha clássica:

Qual é o correto: Vai à merda ou vai para a merda?

Resposta no final deste post. Mas leia tudissaqui antes pra entender o porquê, né?

… Eis que eu terei, sim, a pretensão de publicar aqui a explicação de-fi-ni-ti-va para a crase.

Tadinha, uma menina tão útil, tão prestativa, tão femininamente acumuladora de funções, e nego faz pouco caso e desdenha dela! Vou sair por aí acusando geral de sexismo, hein? 😉

Vamos começar perguntando o que tio Antônio (Houaiss) tem a dizer sobre essa mocinha tão mal-compreendida. Tio Antônio, conta aqui pra gente: o que é crase?

 

Crase

n substantivo feminino

1 na gramática grega, fusão ou contração de duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido, e que é indicada na escrita pela corônis

2 Rubrica: fonética, gramática.
fusão de duas vogais idênticas numa só, que ocorre, p.ex.:, na evolução das línguas român. (lat. colore ‘cor’ > port. coor > cor)

3 Rubrica: gramática.
contração da preposição a com o artigo a ou com o pronome demonstrativo
(à = a + a; àquele = a + aquele)

4 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: gramática.
acento grave que marca na escrita a contração

 

Tio Antônio foi lá no intestino da coisa pra explicar direitinho! Se você pensa que crase é artigo mais preposição e tá tudo bem, você tem tudo pra errar a brincadeira, zifio!

Vamos entender aqui:

Quando, numa frase, logo após a preposição a vem outro a, o acento grave lhe poupa de escrever o a duas vezes. Quem diz que crase é artigo mais preposição é um Zé Ruela preguiçoso que acha que esta é aformamaisdidáticaeadequadadeexplicarcorretamente blablabla whiskas sachê pereré pão duro os negózdi crase. E não é.

 

A preposição perseguida

Entenda: a crase é SEMPRE UMA PREPOSIÇÃO seguida de um a. Se você pensar em crase como uma preposição com umas coisinhas mais, é meio caminho andado pra entender a bagaça. (E, se você não sabe como usar o a como preposição, aprenda no primeiro post da saga da crase aqui ou, se você estiver lendo a página especial sobre a crase, lá em cima).

Aliás, se nego entende as coisas quando tem besteira no meio, vou criar um slogan  para a crase: A PREPOSIÇÃO PERSEGUIDA. Pronto! Agora você vai ficar com preposição na cabeça toda vez que pensar em crase! #numpresto #numvalhonada 😀

Mas eu falava de preposição perseguida. Em 99,9999% dos casos, a preposição é perseguida por um artigo a. Mas, como nos mostrou tio Antônio, esse a perseguidor de preposição pode ser o a inicial de um pronome demonstrativo aquele (esse é um dos 0,0001% dos casos)! Mas vamos aos poucos, vamos nos prender aos 99,9999% dos casos primeiro, e depois eu explico O OUTRO. (num é nem exceção, coitado…)

Ah, dona Bruxa, esse troço é muito complicado, dirá você.

É nada, direi eu! 😀

Por exemplo: nossa missão aqui é dizer que  fulano resolveu tomar banho de mar na praia. Como a gente diz?

É. Ficou MUUUUUITO fresco. Mas eu curti, dá licença? 😀

Fulano foi para a praia.

Certo? Certo!

Reparem aí nessa frase a preposição para junto do artigo a. Vamos, então, substituir a preposição para pela preposição a? Cuméquifica?

Fulano foi a a praia

Certo? Tá certo, mas… pode ficar marfácil, né?

Fulano foi à praia <– e esse à indica que tem um a em cima do outro, fazendo dupla jornada no texto como preposição e artigo. RÁ!

E digo mais: a crase não é dispensável, não! Se você diz:

Foi a polícia

você está acusando a polícia de ter aprontado alguma. Mas se você diz

Foi À polícia

você afirma que alguém tomou o rumo da delegacia. Tá vendo como a crase é importante?

Acredite, a crase foi criada para ajudar a outrem. Ela simplifica a vida do autor da frase pra que ele não tenha que escrever um a em cima do outro.  E simplifica a vida do leitor para que ele entenda a mensagem em firulas como essa daí de cima.

Já viu, então, que a crase não foi feita pra encher o seu saco, né?

E ó, fui ver o Manual do Estadão, espécie de oráculo a quem eu quase sempre corro pra pedir penico ajuda, e descobri que a explicação especial sobre crase tá uma bosta, cheidi contradição! Vou ter que me virar sozinha cocêis tudo aqui! Mas vamos lá!

Antes de prosseguir (é, eu ameaço seguir mas paro e volto! De vez em quando baixa um caboclo ficadô em mim, liguem não! 😀 ), vou ensinar a cêistudo o macete DE-FI-NI-TI-VO pra ver se a crase é enfiável ou não.

Seguinte: crase é um bicho facilmente comprovável por substituição. Ou você troca a preposição a por outra preposição, ou troca a palavra feminina depois da crase por uma palavra similar masculina, e vê se você fez tudo direitinho ou se fez bosta. Vamos aplicar esse macetinho aí nosembaixo:

Onde NÃO usar crase

Pois bem. Estávamos nós casando preposição a com outras palavras que começam com a. Ajuda a pensar que, devido à síndrome dos 99,9999%, a palavra depois da crase terá que ser feminina. Ajuda muito, mas essa prescrição é que nem remédio controlado: você pode ficar viciado nela e não saber a hora de parar de usar. Mas vamos nos ater a esse viciozinho legaus… 😀

E vamos combinar outra coisa: em quase todos os casos do uso errado de crase, se você pensar só mais dois segundos vai perceber que tentou enfiar um artigo onde ele não deve ser enfiado. Quer ver só?

Vejamos, pois, a situação do verbo: não é nem feminino nem masculino. O coitado, de tão obrigado a lidar com suas desinências modo-verbal, e número pessoal, e tempos, e modos, e conjugações, e principalmente seus defeitos, não tem nem tempo nem saco pra escolher se quer ser masculino ou feminino. Às vezes, forçado por mais entendidos e/ou poetas, ele diz que é macho.  Mas deixemos a masculinidade do verbo prá lá. Isso não é da nossa conta. Então, como eu dizia, se verbo não é feminino nem masculino, ele não pede artigo antes dele, só preposição. Traduzindo: NUM ENFIA CRASE ANTES DE VERBO, AMEBA!

Vamos comprovar, então, pela substituição, por que não existe crase antes de verbo:

Exemplos:

Não temos nada à temer <– TÁ ERRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

Vamos enfiar outra preposição na frente do verbo temer

Não temos nada para temer <– cadê artigo depois da preposição para pra justificar a craseança?

Entenderam? Querem que eu desenhe de novo? Pois não:

Ainda temos salgadinhos à fritar <– paporra, que esse óleo deve estar todo saturado, os salgadinhos vão ficar uma bosta! Troca a preposição, ameba! Vê se tem artigo depois?

Ainda temos salgadinhos para fritar <– Viu? Viu? Viu? Viu? Num tem! Se ferrou! Rá!

 

Outra forma de NÃO se usar a crase: antes de pronome reto. Pronome reto é outra classezinha que nunca se deu bem com o artigo (dizem que foi caso de traição conjugal, mas isso já é fofoca da minha parte, deixa prá lá). Quer ver só? Na frase:

Joana é legal

vamos substituir Joana pelo pronome reto Ela:

Ela é legal.

Agora me diga: NAONDE que cê vai enfiar artigo antes de ela, zifio? Não seja malcriado, fazfavõ! Essa palavrinha que você pensou tem duas letras. O artigo a tem uma letra só e ela tem três letras. Num cabe, sô! 😀 (#numpresto #numvalhonada)

Pra você não ter dúvida nenhuma de que ANTES DE PRONOME RETO (eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas) NÃO VAI CRASE:

Fulano entregou um presente a ela – Se você usar aquele macetinho que eu ensinei de trocar o a preposição por outra preposição, teremos:

Fulano entregou um presente para ela <– cadê artigo? Tem não! Se num tem artigo, num tem companhia pra preposição; sem companhia pra preposição, num tem crase!

Fulano entregou um presente a ele – merma coisa se substituirmos a preposição: Fulano entregou um presente para ele. <- Cadê artigo? Tem não! Ele não pediu artigo, então não tem! E mesmo que pedisse, ele é macho, porra! 😀

 

É sempre legal fazer o teste da troca de preposição. Se a outra preposição pedir um artiguinho do lado pra acompanhá-la num chopinho, esta é a prova de que precisávamos para saber que, se usarmos a preposição a, temos que enfiar a crase na benedita.

Vamos ver o exemplo lá dosencima. Na frase

foi à polícia

se o caboclo quis dizer que o sujeito da frase rumou na direção da polícia, ele diria, com outra preposição,

foi para a polícia.

Viu a preposição para mais o artigo a tomando o chopinho juntinhos? Então, devolve o a preposição pra frase e craseia o benedito!

Quando a palavra depois do a em questão for masculina, quase sempre não se tem crase (é o caso do remédio controlado, mas vamos nos ater a esse viciozinho por ora!). Quer ver só? Vamos trocar polícia por barbeiro, na frase de exemplo.

Se o caboclo quer dizer que quem fez o cabelo dele foi o barbeiro, ele diz exatamente isso:

foi o barbeiro. <- artigo masculino. Puro e simples.

Mas se ele quiser dizer que ele dirigiu-se para o barbeiro, a frase fica assim:

foi ao barbeiro.

Reparou? Em palavras masculinas, o a preposição gruda-se bem grudadinho com o artigo masculino. É um caso típico de combinação. Lembre-se desse macetinho na hora de crasear um a. Substituição é o caminho para a resposta! (E crase não deixa de ser uma forma de combinação, né?)

Outra coisa: não custa lembrar que o artigo que tem que vir depois da preposição pra justificar uma crase tem que ser, obrigatoriamente, DEFINIDO E FEMININO, né? A e AS, fazfavô. Portanto, DESISTA DE ENFIAR CRASE ANTES DE ARTIGO INDEFINIDO, POR MAIS FEMININO QUE ELE SEJA! Uma coisa é você dizer

Beltrano foi à festa de Narcisa (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para a festa de Narcisa. Tem preposição, tem artigo definido, então tem crase!)

e outra coisa é você dizer

Beltrano foi a uma festa qualquer. (ao se substituir a preposição, temos: Fulano foi para uma festa qualquer. Tem preposição seguida de artigo indefinido. A crase entra NAONDE? Olha a educação! 😀 )

Existe apenas um caso em que é possível crase antes da palavra uma. Mas aí esse uma não é mais artigo, virou horário:

Fulano saiu do escritório à uma hora da tarde.

e por falar em crases e horários e dias, vamos falar de…

Crase para indicar dia e horário – use com cuidado, raciocínio e parcimônia

Então, o professor Zé Ruela te ensinou a regrinha: antes de horas tem sempre crase. MANÉ! ZÉ RUELA! CARA DE CHUCHU! ORNITORRINCO! (#prontoxinguei). Não é bem assim…

Se você quer indicar com precisão o horário ( = momento do dia ou da semana) de um troço, é bom usar crase:

O show de Paul McCartney será às 22 h.

Suas aulas de inglês são às terças e quintas-feiras.

Marquei com meu namorado às sete.

Perfeito. A crase vai em tudissaí de cima. (quer substituição? Troque pela preposição em! Fica feio, mas cabe: O show será nas 22 h; As aulas são nas terças e quintas etc.)

Daí você chega e quer dizer, por exemplo, que a festa deve durar 22 horas e então acabar definitivamente, ou que determinado medicamento perde efeito deois de dez horas de tomada a primeira dose, ou que as aulas ocorrem em dias não específicos. E aí, comofas?

Reparem a diferença entre:

A festa acaba após 22 horas <– Isto significa que, se a festa começou às (olha a crase! Tá indicando precisão no horário) sete da noite de hoje, ela deve durar até cinco da tarde de amanhã.

A festa acaba às 22 horas <– quer dizer: não importa a que horas começou a festa. Deu dez da noite, cabô: A festa acaba após as 22 horas.

Também é evidente a diferença entre:

Se você tomar remédio contra febre, sua ação é eficaz de seis a oito horas. <– Contagem do tempo. Tomou o remédio ao meio dia? O efeito pode passar às seis ou às oito horas da noite.  Mas, se você tomar às duas da tarde, o efeito pode passar às oito ou às dez horas da noite. Quer dizer: o efeito dura de seis a oito horas, ou de 360 a 480 minutos.

Você deve tomar remédios às seis e às oito horas. <– você tá tomando um bandi remédio, e tem doses a tomar nesses horários aí ao lado.

Mas aí, quando você diz

Tenho aulas de segunda a sexta-feira. <– Repare que suas aulas vão DE – A. Mas você também pode dizer

Tenho aulas da segunda à sexta-feira <– Nesse caso, repare que suas aulas vão DA – À (ou até + a), e você está especificando A segunda e A sexta-feira.

 

São firulas, mas é importante entender como e por que se deve usar crase assim e não assado.

Por falar em firulas, eu já expliquei aqui a história de filé à Luis XIV e saída à francesa. E, pelamordedeus, preste atenção pra não repetir o erro vergonhoso cometido pelo fritador de fígados, sim?

Crase com os verbos ir e vir

Daí a fidumaégua da crase começa a exigir um cadim mais de raciocínio. Desistir, nunca; render-se jamais! Se você costuma ir até o fim nos videogames, por que desistir no meio da crase?

Seguinte: alguns nomes geográficos ou de lugares pedem preposição mais artigo; outros pedem só preposição (lembre-se: você vai pra Europa com um passaportezinho básico, e vai pros Estados Unidos com passaporte, visto, foto, autorização, carta de recomendação e duas trancinhas da Alcione. Há lugares que pedem o básico, outrs pedem um pouco mais. Mas isso é besteira. Ignorem esses parênteses.)

Por isso, temos:

Vou à Bahia

Vou a Brasília

Vou à França

Vou a Paris

Ah, bruxa! como eu sei quando tem e quando não tem crase?

É fássio! Vamos trocar de verbo! Sai o verbo ir, entra o verbo vir:

Venho DA Bahia <– Olha outra combinação aí, gente! Preposição de + artigo a. Se tem preposição MAIS artigo, vai ter sempre crase!

Venho DE Brasília <– cadê artigo pra justificar a crase? A preposição de ficou sozinha, coitada! Abstêmia, num vai tomar chopinho!

Venho DA França

Venho DE Paris.

 

Pra você não esquecer mais isso, vale aprender a seguinte trovinha:

Se quando eu venho, eu venho da,

quando eu vou craseio o a,

Se quando eu venho, venho de,

Crase no a pra quê?

 

Isso me lembra de um diálogo que eu travei com minha prima. Tadinha, ela provavelmente queria fazer alguma pegadinha comigo, esperando que eu estivesse desprevenida, mas não deu. Virou-se para mim e disse:

Qual o correto, vai à merda ou vai para a merda?

Eu respondi inocentemente, sem nem pensar no que dizia, crente que ela estava apenas a tirar uma dúvida comigo:

Se você crasear o a, tanto faz querida. Vai nas duas!

Tadinha, ela ficou de queixo caído, sem ter nem o que responder…

 

Crase antes de palavra masculina? Explica….

E finalmente chegamos aos 0,0001% dos casos. Crase antes de palavra masculina. Naonde que isso acontece?

Vamos acompanhar a evolução do meu raciocínio:

1- Fulano foi à confeitaria <- certim. Troca-se a preposição, Fulano foi para a confeitaria, temos preposição + artigo a, então temos crase. Próxima, por favor!

2- Fulano foi àquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou. <- Epa! Pode isso, Arnaldo?

Pode, sim! A regra é clara: Temos uma preposição seguida não de um artigo, mas de um pronome demonstrativo! (Ah, mas você disse lá em cima que não pode crase antes de pronome! (ô, ameba! Eu disse que era pronome RETO, e citei eles! Lê direito e não me estressa, saco!) Vamos substituir a preposição?

Fulano foi para aquela confeitaria que sua namorada lhe recomendou.

O que eu quero mostrar aqui é que os pronomes demonstrativos são uma classe que admite combinação:

Encontrei beltrano naquela situação (em+aquela = preposição + pronome demonstrativo). E, se admite combinação, admite crase, oras! então,

Fulano foi àquela confeitaria

pódji, simssinhô!

3- Fulano foi para aquele lugar. <- Epa de novo! Temos uma preposição, mas a palavra seguinte é masculina! Ah, eu não vou botar crase antes de palavra masculina porque eu aprendi que não pódji!

E eis que é chegado o momento de você largar seus remedinhos tarja preta e abandonar aquele vício que eu mesma incentivei lá em cima. Aqui é possível crase antes de uma palavra masculina, ameba! Você está diante de uma das raras situações em que isso é permitido! Vamos, pode escrever! Confie nesta Bruxa!

Fulano foi àquele lugar.

Viu? Não doeu nada! A crase atendeu a todas as exigências do mercado e necessidades do cliente! \o/

 

Espero de coração que você tenha entendido TUDO de crase. Se não, faça o favor de clicar aí nos comentários e encher esta Bruxa de dúvidas, perguntas e sugestões.

Eu juro que atualizo este post!

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O texto do querido Virundu

quinta-feira, maio 5th, 2011
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Descobri a necessidade deste post graças a uma consulta que o Wagner Fraga me fez via Twitter. Joguei a frase “ouviram do Ipiranga às margens plácidas”, assim mesmo, com essa crase errada, no Google. Descobri que em vários sites a letra do Hino Nacional Brasileiro está errada!

Oras bolas, não tem mais aula de interpretação do texto do Hino Nacional Brasileiro nas escolas, não? Antes que me respondam de forma negativa, faço outra pergunta: desde quando as escolas brasileiras deixaram de ensinar os símbolos e os valores de nossa pátria, hein?

Pra quem não conhece a história do Hino Nacional Brasileiro (ou O Virundu, pra quem curte um apelido carinhoso), melhor ir direto pra essa página da Wikipédia em português – e deleitem-se com a letra do Hino em língua tupi. Um arraso! \o/

Mas não tô aqui pra falar de Duque Estrada nem de Francisco Manuel. Vamos reler a letra do nosso Virundu, na tabela abaixo, à esquerda. Como vocês podem reparar, a coisa tá com ares de que tá fora de ordem (mais especificamente, em ordem indireta). Trata-se da figura da inversão:

Também é considerada como figura de construção a “Inversão”, aonde ocorre a mudança da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).
Exs.:”Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante” (Hino Nacional Brasileiro) (ordem direta: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.)

Então, vamos colocar o texto em ordem direta pra entender a bagaça.

Letra oficial Texto em ordem direta
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

 

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte!

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,

De amor e de esperança à terra desce,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

A imagem do Cruzeiro resplandece.

 

Gigante pela própria natureza,

És belo, és forte, impávido colosso,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

As margens plácidas do Ipiranga ouviramo brado retumbante de um povo heroico,

e, nesse instante o sol da Liberdade brilhou,

em raios fúlgidos, no céu da Pátria.

 

Se conseguimos conquistar com braço forte

o penhor desta igualdade,

em teu seio, ó Liberdade, o nosso peito

desafia a própria morte!

 

Ó Pátria amada ,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil , se a imagem do Cruzeiro resplandece

em teu céu formoso, risonho e límpido,

um sonho intenso, um raio vívido

de amor e de esperança desce à terra.

 

És belo, és forte, impávido colosso,

gigante pela própria natureza,

e o teu futuro espelha essa grandeza

 

Ó pátria amada,

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

Deitado eternamente em berço esplêndido,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Do que a terra mais garrida

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,

“Nossos bosques têm mais vida”,

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”. (*)

 

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

 

Terra adorada

Entre outras mil

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

 

Dos filhos deste solo

És mãe gentil,

Pátria amada,

Brasil!

Ó Brasil, florão da América,deitado eternamente em berço esplendido,

ao som do mar e à luz do céu profundo,

fulguras iluminado ao sol do Novo Mundo!

 

Teus campos lindos, risonhos, têm mais flores

do que a terra mais garrida; [e assim como]

nossos bosques têm mais vida,” [também]

“nossa vida” no teu seio [tem] “mais amores”

 

Ó Pátria amada,

idolatrada,

Salve! Salve!

 

Brasil, [que] o lábaro estrelado que ostentas

seja símbolo de amor eterno,

e o verde-louro dessa fâmula diga:

– Paz no futuro e glória no passado.

 

Mas se ergues a clava forte da justiça,

verás que um filho teu não foge à luta,

[e] quem te adora não teme nem a própria morte.

 

Ó pátria amada!

Brasil, [apenas ].tu,

entre outras mil [terras],

és adorada!

 

Pátria amada, Brasil,

és mãe gentil dos filhos deste solo!

 

 

O asterisco (*) indica as citações do Hino à Canção do Exílio, de Gonçalves Dias e que, por isso, devem ser grafadas com aspas.

E antes de eu seguir adiante, faz-se mister ah, eu acho essa expressão linda! O problema é como usá-la sem ficar ridículo. explicar essa história de arrumar a ordem das frases do Hino. Eu sabia que isso já tinha sido feito antes, e descobri a tarefa pronta neste site aqui. Mesmo sem a licença da digníssima autora, copiei o conteúdo. Mas faço questão de avisar que a autoria da ordem direta do Hino não é minha.

Isto posto, voltemos à letra. Ficou bem mais fácil de entender a mensagem, né? Espero que também tenha ficado claro por que não existe crase na frase ouviram do Ipiranga às margens plácidas. (É porque, em ordem direta, a frase vira as margens plácidas do Ipiranga ouviram (…) . Há quem interprete a frase como sujeito oculto: [eles] ouviram às margens plácidas do Ipiranga, mas essa interpretação está simples e solenemente errada. Foram as margens plácidas do Ipiranga que tiveram o trabalho de ouvir o brado retumbante de um povo heroico etc. e tal.)

Aliás, fico passada como tem gente que não sabe o que é um brado retumbante! Gente, brado retumbante é libertador, viu? Brado = grito; retumbante = que retumba, que ecoa. Não é um grito qualquer, é um belo de um grito. E com équio! 😀

Se nego ainda não percebeu que o tema da primeira estrofe é o grito de Independência, melhor tomar um cafezinho e voltar com neurônios renovados.  Mas a segunda estrofe já traz um certo complexo de vira-latas: “conseguimos conquistar na marra o penhor da igualdade” <– quer dizer, a igualdade é nossa, mas a gente pagou por ela um preço que a gente inda num sabe  se vai conseguir pagar. Penduramos as joias pra termos um cadim de igualdade. Medo, muito medo. (ou será que o braço forte da história indica que o penhor da igualdade acabou por ganhar um belo dum calote? enfim, quero só ver você, aluno copião e colão, se livrar dessa minha análise sozinho, por conta própria, sem perder o sentido e sem sue professor perceber sua kibada. RÁ!)

No mais, o Novo Mundo ou Novo Continente são as Américas (do Norte, Central e do Sul), em contraponto ao Velho Mundo ou Velho continente (a Europa). E o Cruzeiro que resplandece não é referência à antiga moeda brasileira, não. Trata-se da constelação do Cruzeiro do Sul, facilmente vista no céu brasileiro.

Quanto à coleção de palavrinhas que você deve estar se perguntando que raios significa (lábaro? florão? garrida?) prometo fazer um post só com os significados dessas palavras, porque este daqui já abusou do direito de ficar enorme!

E se você chegou até o fim deste texto perdidaço por não saber que negózdi O Virundu é esse, eu explico: O Virundu é o som criado no embalo do cantar das duas primeiras palavras do hino: “Ouviram do”. RÁ!

Mas espere! Você sabia que a primeira parte do Hino Nacional, que não é cantada, tem letra?

Vamos ouvir essa historinha deliciosa:

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O terrorista barbudo e o mar de terra

quinta-feira, maio 5th, 2011
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Agradeço ao Léo Jaime pela dica. Realmente, tava fazendo outras coisas e não me dei conta  da besteira coletiva do dia.

Vou nem entrar no mérito da veracidade da morte de Osama bin Laden. Quero nem saber como ele foi sair (vivo ou morto) do meião do Paquistão e foi parar no mar. Tenho nada a ver com isso, não sou americano, não comando a Casa Branca, então tô fora.

Tem apenas uma coisa que eu posso afirmar com toda a certeza do universo da filologia: o Osama não foi enterrado no mar. Isso eu posso garantir. Assino, reconheço firma e dou fé. Porque, né? Enterrar pressupõe enfiar terra nosencima do enterrado.

Tem outros verbinhos que são uma verdadeira casca de banana pra redator distraído (eu mesma já fui muito derrubada por eles na pressa). Permitam-me listá-los:

Aterrissar: zifio, na dúvida substitua este verbinho fidumaégua por pousar. Sempre. Sem pestanejar. Isso porque aterrissar é pousar em terra. Portanto, nada de usar esse verbo com hidroaviões, por exemplo. Nave espacial também não aterrissa, porque há malas quem diga que aterrissar é pousar na Terra (editores: ô, raça!). Há quem use e pra usar na minha frente vai ter que me matar primeiro! o verbo alunissar pra pousar na Lua.

Afundar: Nada contra esse verbo, mas cuidado com o sujeito dele. Se o sujeito dele for um navio ou qualquer outro tipo de embarcação projetada pra ser usada sobre a água, isso significa que deu xabu: O navio afundou / o barco afundou / a barca fundou etcetcetc.

Se o sujeito do verbo afundar for um submarino, não tem xabu na frase. Submarinos não fazem mais do que a obrigação ao afundarem. Aliás, graças a Deus que submarinos afundam, foram projetados para isso! O problema é se o que você quer dizer na frase é que deu xabu no submarino. Nessas horas, zifio, diga que o distinto naufragou. Fica mais claro…

Daí, vocês me expliquem como pode geral cair nessa esparrela do bin Laden? Num presta atenção ao que escreve? Não relê o que escreve? Inda bem que algumas boas almas conseguiram escapar do mico pela tangente do verbo genérico sepultar

Se eu lembrar de mais verbinhos casca de banana eu listo eles aqui, tá bem?

(P.S.: Imaginem vocês o que é trabalhar na AFP na época do naufrágio do Kursk, e ter que ler em T-O-D-O-S os textos produzidos em espanhol o último parágrafo que explicava que o mar de Barents, local do acidente com o submarino, era terreno de testes da marinha! GAAAAAAAHHHHH!!!)

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A madrasta e a paunocuzice alheia

segunda-feira, março 14th, 2011
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Google imagens de madrasta: Várias malvadas, apenas uma boazinha -e loura. (Favor não reparar no rapaz à direita).

(Aviso: tô puta.)

Quando eu criei este blog, escolhi um template no wordpress (o quê, dona bruxa?) er… um quadro-negro arrumadinho. Isso, um quadro negro… que me dava uma linhazinha pra explicar qual era a do site. Aí eu me empolguei: Aqui os textos mal-escritos serão devidamente consertados e sofrerão com etcetcetc whiskassachê pereré pão duro e lá se vão três linhas e estourou o espaço.

A idéia deste blog é fazer com que os textos mal-escritos sofram tanto quanto nos fazem sofrer  pereré pão-duro whiskasachê etcetcetc e tente novamente.

Nada se encaixava naquele espacim safado pra definir o Objetivando Disponibilizar. Daí eu apelei pros slogans. Pensei numa bruxa. Bruxa, não, uma madrasta. Logo veio o A madrasta do texto ruim. Eureca! Coube direitinho!

Daí foi partir pro abraço e manter o slogan que visceja viceja lindo e forte até hoje aí nosencima do blog,

***plim-plim!  Pausa para os comerciais!***

A Marlena me corrigiu com muita propriedade: o verbo é viCEjar, sem ésse-cê!

Valeu pelo toque, Marlena! (Espero me lembrar disso, porque, né? Uma vida letrada inteira dedicada a acreditar que o correto era viscejar…)

*** plim-plim!***

e que define e explica, sem maiores sofrimentos e sem margem para duplas interpretações a idéia deste blog. Depois da personagem que eu criei, parti pra criação das amebas escreventes, os ectoplasmas suínos, os encostos, o feitiço fez-se a bosta! etcetcetc… (mais detalhes ao lado nas páginas sobre o blog , sobre as categorias etcetcetc)

Até que no último fim de semana entrou no blog um paunocu pra cagar regra. E escreveu a seguinte pérola em forma de comentário:

Por que você se intitula “madrasta do texto ruim”????? Que conotação você dá ao termo MADRASTA? De quem “Desce o cacete”????? Desse modo reproduz algo que muitas mulheres (a incluir minha esposa) combatem. A de que madrastas são ruins, rigorosas, mal-humoradas, entre outros adjetivos menos publicáveis. Existem inclusive fóruns de debates sobre o tema, procure-os.

POOTAQUEPAREEOOO!!

É isso mesmo, senhor imbecil! Desço o cacete em texto ruim – e em redator idiota também. A conotação de madrasta que eu uso neste blog é a conotação que me permite usar o dicionário Houaiss:

Madrasta

substantivo feminino

1 mulher em relação aos filhos anteriores do homem com quem passa a constituir sociedade conjugal

2 Derivação: sentido figurado.mulher má, incapaz de sentimentos afetuosos e amigáveis

3 Derivação: por extensão de sentido.aquilo de que provêm vexames e dissabores em vez de proteção e carinho
Ex.: o destino será uma m. para aqueles que lhe oferecerem resistência

 

Pelo visto, a ameba politicamente correta anti-madrastas fugiu das aulas de interpretação de textos. Esqueceu-se da definição de estereótipo. Tio Antônio, faz favor:

Estereótipo

Rubrica: artes gráficas.chapa ou clichê us. em estereotipia; estéreo, estereotipia

2 Derivação: por metonímia. Rubrica: artes gráficas.trabalho impresso com chapas de estereotipia

3 algo que se adequa a um padrão fixo ou geral
Ex.: A Vênus de Willendorf é um e. da mulher na arte paleolítica

3.1 esse próprio padrão, ger. formado de ideias preconcebidas e alimentado pela falta de conhecimento real sobre o assunto em questão
Ex.: o e. do amante latino

3.2 ideia ou convicção classificatória preconcebida sobre alguém ou algo, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações

4 aquilo que é falta de originalidade; banalidade, lugar-comum, modelo, padrão básico

 

Por ter faltado a essa aula importante de interpretação de textos, você deixou de aprender que estereótipos e clichês são ferramentas importantíssimas para a formação do caráter moral e intelectual dos personagens de uma trama. Converse com qualquer escritor e você irá descobrir que, para expressar satisfatoriamente as características de cada personagem, todos os autores carregam nas tintas, forçam a barra mesmo. O malvado fica terrivelmente mau, e o bonzinho fica asqueirosamente doce e suspirante.

Por isso, ó ameba politicamente correta, TODAS as madrastas de histórias são malvadas; ou TODOS os amantes latinos são canastrões que acham que vão traçar todas as mulheres; TODOS os políticos brasileiros são ladrões corruptos e safados; TODOS os ladrões são mau-caráter; TODOS os padres usam batina; TODOS os príncipes encantados são lindos, louros, altos e andam em lindos cavalos azuis (porque naquela época ainda não existia a Mercedes-Benz ou equivalente); TODOS etcetcetcetc são assim assim assado. Entendeu?

Ah, mas eu combato isso! POOTAQUEPAREEOO!!! NÃO COMBATA, CARALHOOOO! ISSO NÃO É PRA COMBATER, ISSO É FERRAMENTA DE EXPRESSÃO, CACETE!!!

Ah, mas a minha mulher é madrasta e é boazinha ENTÃO ELA QUE SE EXPLIQUE E MOSTRE EM FORMA DE ATOS E PALAVRAS QUE ELA É DE FATO BOAZINHA, PORRAAAAAA!!!

Se a sua mulher é realmente uma pessoa inteligente, ela sabe rir dos estereótipos e clichês das madrastas. (Mas ela se casou com você, o que por derivação acaba com as minhas esperanças intelectuais por parte dela).

Ah, existem fóruns de discussão sobre a questão da boazicibilidade das madrastas em contraste com a malvadeza do estereótipo literário?

[Tio Antônio, chega mais! Temos que discutir a criação de um novo verbete para as suas páginas! É “paunocu“. Assim, escrito tudo junto. É, tio Antônio, é verbete chulo sim….]

Enfim, ameba, só pra resumir:

APAPORRA, BABACA! VÁ TORRAR OS PACOVÁ DE OUTRO! E ENFIE SUA CORREÇÃO POLÍTICA NUM LUGAR BEM MALCRIADO E DE SUA PROPRIEDADE!

Lembre-se que enquanto você luta para alteração de esterótipos, muitas meninas são estupradas em casa pelos padrastos, enquanto algumas madrastas jogam as enteadas pela janela

Louça que é bom você não lava, né, desocupado?

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Verbinho irrelevante, texto nem tanto

terça-feira, fevereiro 1st, 2011
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Bruxa, repita: Não devo negligenciar minha caixa postal. Não devo negligenciar minha caixa postal. Pronto! Agora pára de perder tempo repetindo idiotice e bora gerar conteúdo com os troço que geral te manda por e-mail! E larga de ser preguiçosa!

Enfim, recebi esta tetéia por e-mail. Como o querido ectoplasma suíno não se manifestou a respeito, vou seguir o procedimento padrão e não identificá-lo.

O negócio é que ameba se amarra num neologismo idiota e sem sentido para tirar o dar sentido a seu texto dela. Dessa lavra de criatividade duvidosa e mau gosto inconteste surgiram expressões assombrosas como o verbo objetivar (com um gerúndio passível de substituição por uma singela preposição) e o disponibilizar. Eu ao menos arranjei alguma utilidade pra essas aberrações, e batizei o meu caldeirão com elas.

O dileto ectoplasma suíno do e-mail identificou outro rococó-empolêixon de ameba escrevente neste site aqui. Olha só a tchutchuca:

Daí eu fui ter com tio Antônio, pra saber se esse negócio inzeste (não se dê ao trabalho de me avisar, eu sei! Tanto que pintei de vermelho!) mesmo ou se é invenção da ameba. Tio Antônio foi, pra variar, um gentleman ao identificar a ameba:

Fosse eu, diria: Verbete irrelevante. Quem foi o imbecil que escreveu isso? Mas tio Antônio é classudo. Eu é que sou uma bruxa.

Mas eu fui ver de que se tratava o texto em questão, e se a ameba criadora do neologismo imbecil era da espécie acadêmica (essas adouram um neologismo sem sentido, dá até medo ler os textos delas!). E olha que o acadêmico não é ameba, não! Ele fala em português claríssimo. Sai o

Acadêmico irreleva termo controle social (…)

e entra o

Não interessa que termo ou conceito seja empregado (a íntegra do texto táqui)

Quer dizer: é ameba pretensamente jornalística o autor dessa aberração.

Zifio, te digo só uma coisinha: esse verbo é irrelevante para a vida e saúde da Língua Portuguesa. Esqueça-o. Grata.

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Como não lograr a boa compreensão do seu texto

sábado, janeiro 29th, 2011
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Tava eu aqui pronta pra desligar o computador e o Noblat me tasca essa via twitter:

Como assim, LOGRAR?

A idéia aqui não é dizer que os Egípcios conseguiram vencer, transpor, driblar, burlar, enganar, enfim, qualquer um desses CINCO VERBOS que eu pensei em QUINZE SEGUNDOS às duas da manhã, morrendo de sono? Então, por que diabos o Noblat usou o verbo lograr? Será que funciona?

Fui ter com Tio Antônio, que quase me matou por tê-lo acordado às duas da matina:

LOGRAR
verbo
transitivo direto
1 obter o que se tem direito ou que se deseja; alcançar, conseguir
Ex.: fez o impossível para l. o consentimento das autoridades
transitivo direto
2 usufruir o que se conquistou; gozar, desfrutar
Ex.: logrou bela vitória
transitivo direto e pronominal
3 tirar proveito ou satisfação; aproveitar(-se)
Exs.: o trabalho foi dele, mas o lucro, outros o lograram
lograva-se da influência dos amigos para obter favores
intransitivo
4 surtir efeito, ter o resultado esperado
Ex.: o plano logrou
transitivo direto
5 enganar (alguém) através de artimanhas; iludir, burlar
Ex.: podia l. as pessoas, mas não a sua consciência
pronominal
6 Estatística: pouco usado.
render, aumentar
Ex.: com o passar dos anos, sua fortuna lograva-se

Mas ora bolas, o Noblat usou um verbo cujo significado primeiro é JUSTAMENTE O CONTRÁRIO DO QUE A MANCHETE QUER DIZER!!!

Na boa, prefiro este aqui:

BURLAR

n verbo

transitivo direto

1 enganar através de artimanhas; ludibriar

Ex.: b. a vigilância de alguém

transitivo direto

1.1 praticar fraude ou estelionato contra; defraudar, lesar

Ex.: burlou o estrangeiro em mais de 200 mil

transitivo indireto

2 pregar peça(s), partidas em (alguém)

Ex.: ao fazer-se passar por jornalista, só visava b. de ti

transitivo indireto

3 fazer zombaria de; escarnecer

Ex.: a fortuna burla dos jogadores

Esta sou eu a prestar consultoria em manchetes claras, diretas, precisas e concisas às duas da matina. E de graça.

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R7 invade o reino do UOL

domingo, janeiro 2nd, 2011
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Brasil acentuado. Legal, né?

Que que eu fiz a Deus, vocês podem me dizer?

Tava lá eu quieta no meu canto, sem fazer nada de mais. Só tava aqui na casa da tia do marido, esperando o almoço da família sair… (Enquanto isso, eu pego a pirralhada pelas canelas e viro de cabeça pra baixo pra oxigenar o cérebro. Pra deleite das crianças e alívio geral dos adultos, já que elas sossegaram um pouco…)

Aí o marido me chama e diz que o César Cardoso me mandou um pio avisando desta obra prima do R7. Gente, o R7. O portla que vivia nas minhas graças, issonão pode!!!

Daí eu pensei : ora, acento, em português de Portugal, é o equivalente ao brasileiro sotaque, então vai ser legal, Portugal quer imprimir um quê de Brasil à ONU e….

Nada disso! É hortografia pobremática, mesmo!!!!

Guardem bem esta data: 2 de janeiro de 2011. O dia em que o R7 invadiu o reino do UOL.

R7, aprenda:

Acento, com cê, ou é o equivalente português de sotaque ou são os símbolos ^ ´e `.

Assento, com dois ésses, é cadeira, lugar para se (as)sentar.

(E pensar que a autora dessa tetéia não quis me contratar pra trabalhar com ela…. Olha só Deus castigando, olha só!)

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Ah, as distrações…

domingo, dezembro 12th, 2010
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Cabei de me lembrar de um causo de minha saudosa avó.

Ela contava que uma amiga havia morrido de distração. Estava mal do estômago e foi na farmácia (primeira metade do século XX) comprar um remédio. Distraiu-se e, em vez de pedir sal amargo, pediu sal azedo. Pra quem não entendeu, a zifia trocou um singelo sal de frutas por soda cáustica. Tomou tudo e morreu, coitada…

Me lembrei desse causo no momentto em que o dileto Mário Abramo me enviou o link para esta tetéia (com acento) da Agência Estado. Mas não se avexe: eu também levei um tempinho pra identificar qual o errinho (colossal, depois de identificado) cometido pelo zifio-redatô:

São Paulo – Seis casas foram interditadas ontem à noite, em Jandira, no interior de São Paulo, após o trecho de uma rua desmoronar. O trecho da Rua José Bonifácio, no bairro Ouro Verde, é uma curva junto a um barranco. Pelo menos 25 pessoas desalojadas foram para a casa de parentes e vizinhos. Hoje, peritos da Polícia Civil e do Instituto Geológico farão uma inspeção na área para verificar quais serão as procedências, segundo informações da Defesa Civil.

Descobriu qual o erro, não? Ah, tio Antônio conta pra ssuncê:

Procedência
n substantivo feminino
1 ato ou efeito de proceder; processão
2 característica do que é procedente
3 lugar de onde provém (algo ou alguém); proveniência, origem, fonte, processão
Ex.: produtos de boa p.
4 característica daquilo que procede, que tem base; fundamento
Ex.: acusação sem p.
5 Rubrica: termo jurídico.
base sólida que legitima ou autoriza alguma coisa; fundamento

Procedimento
substantivo masculino
ato ou efeito de proceder
1 maneira de agir, modo de proceder, de portar(-se); conduta, comportamento
2 modo de fazer (algo); técnica, processo, método
Ex.: p. de análise química
3 Rubrica: termo jurídico.
forma estabelecida por lei para se tratarem as causas em juízo e para o cumprimento dos atos e trâmites do processo
Ficamos combinadíssimos, portanto, de jamais discutir propriedades dos sais com o redator da tchutchuca daí de cima. O erramos póstumo pode ser indigesto…
(E reconheçamos, também, que esse tipo de erro é de outra classe, sofisticado purdimais pra se enquadrar num porra, folha!, por exemplo… 😉 )
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UOL e a decadência de Vin Diesel

quinta-feira, novembro 11th, 2010
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Décadence sans élégance

 

Recebi esta tetéia do Luis zampollo por e-mail, e só fui ver séculos depois. Mas a teteíce desta tetéia não se perdeu com o tempo.  

Porque eu prefiro acreditar que esta chamada de capa do UOL foi uma forma de, sei lá, exprimir opinião pré-concebida a respeito do ator não, palavra forte demais pra designar o cidadão estrela não viado demais celebridade, pronto, celebridade. Que costuma estrelar filmes de merda bosta irritantes escrotos ridículos de ação. Pronto, de ação.  

Cair no samba é uma coisa. Decair no samba é algo que, francamente, depõe contra o samba.  

Né, tio Antônio?  

Decair  

n verbo
intransitivo
1 Diacronismo: antigo.
ir abaixo; cair, desabar
Ex.: tudo indica que esta parede vai d.
transitivo indireto e intransitivo
2 tombar (sobre); ir para baixo; estender-se; inclinar-se, pender
Exs.: seus cabelos decaíam pelos ombros
depois do vendaval, os galhos decaíram
intransitivo
3 diminuir de grau de intensidade (qualquer coisa mensurável com grandeza física); baixar
Ex.: o ritmo da música decai toda hora
intransitivo
4 Derivação: por metáfora.
passar a um estado ou condição qualitativamente inferior; tender para o fim ou ruína; descair
Ex.: o negócio, a moral, o estado de saúde, tudo decaiu a um só tempo
transitivo indireto
5 Derivação: por extensão de sentido.
deixar de ter (estado ou situação que represente um bem); perder
Exs.: d. das graças reais
d. de qualidade
intransitivo
6 Rubrica: termo jurídico.
perder causa ou processo
Ex.: a parte que decai paga as custas
intransitivo
7 Rubrica: termo de marinha. Estatística: pouco usado.
desviar-se (embarcação) do rumo; cair
Ex.: o navio decaiu para a direita

E não me venham com paunocuzices reclamações bestas de que cair e decair são sinônimos, porque decair é específico para se usar na hora de “passar a um estado ou condição qualitativamente inferior; tender para o fim ou ruína”.  

Quer dizer, se o UOL tivesse investido num trocadilho com velozes e furiosos, teria sido mais feliz.

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Ronnie Von e o intransitivo viado

segunda-feira, novembro 8th, 2010
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Por falar em língua em constante evolução que ganha novos verbetes e adquire novos ares etcetcetc, me lembrei deste fato aqui:

Eis que o príncipe da Jovem Guarda, Ronnie Von, hoje é um respeitável senhor de meia idade que apresenta um delicioso programa de variedades na TV Gazeta de São Paulo, o Todo Seu. Assistia quando morava em São Paulo. Às vezes, trazia momentos surpreendentes, como Miúcha se derretendo toda pra cima do apresentador, em meio a uma entrevista prá lá de cativante.

Mas o gerador de neologismos foi ligado em outra ocasião.

O programa em questão é gravado. Ronnie estava encerrando o programa, porque a fita estava quase acabando e o tempo tava mais que estourado. E tinha um borbotão de mensagens e perguntas de telespectadores pra ler ainda. Começou a ler as perguntas a jato. Até que se deparou com um dilema existencial de um telespectador. E deu nisso aqui:

Daí que a história caiu na web (como vocês podem perceber) e geral começou a usar o verbo significar na terceira pessoa do singular do presente do indicativo de forma intransitiva, como sinônimo de viado ou viadagem (Fulano significa). Simples assim. Tem como não amar?

Isso quer dizer o seguinte, gente: às vezes, significa não significa significa. Quer dizer que, se você ouvir que Fulano significa, assim, intransitivo mesmo, é sinal de que Fulano está aviadando…

Então, vamos acrescentar mais uma definição ao verbo significar. Ajudaê, tio Antônio:

Significar
n verbo
transitivo direto
1 ter o significado ou o sentido de; querer dizer
Ex.: dialogar significa falar e, principalmente, ouvir
transitivo direto
2 apresentar-se como expressão de; exprimir, traduzir
Ex.: que significa isso que você acaba de fazer?
transitivo direto
3 dar a entender; mostrar
Ex.: queria, com aquele gesto, s. a sua negativa
transitivo direto
4 ser sinal ou indício de; denotar
Ex.: o seu fracasso nas últimas eleições significou o fim da sua carreira política
transitivo direto e bitransitivo
5 Estatística: pouco usado.
fazer conhecer; participar, comunicar
Ex.: a diretoria significou(-lhes) a decisão de não fazer demissões
transitivo direto
6 Rubrica: linguística.
possuir determinado significado; denotar, designar
Ex.: sifonoide significa ‘semelhante ao sifão’

Eu acrescento:

Intransitivo

7. Viado, viadagem.

Ex.: Fulano significa. / Isso significa.

Mas por favor, não usem tal expressão em textos formais e/ou oficiais. Porque isso não significa nada. 😀

(P.S.: Confira abaixo a explicação do próprio Ronnie Von sobre o episódio)

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Presidenta – pode mas, por mim, não deveria

quinta-feira, novembro 4th, 2010
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Este post já deveria estar pronto, engatilhado pra entrar no ar no domingo, mas quem disse que deu tempo de pesquisar e escrever?

O correto é presidente ou presidenta? E, mais importante que isso, por que eu implico tanto com a palavra presidenta?

Enfim, lamúrias de falta de tempo à parte, toda vez que me pinta uma dúvida crucial dessas deixo pro Manual de Redação do Estado de SPaulo (a melhor coisa já produzida naquele prédio do clã dos Mesquita) resolver tais dilemas existenciais, e só questiono se o argumento deles for muito risível (por exemplo, o jornal dos Mesquita recomenda que a principal cidade dos Estados Unidos seja grafada como Nova York, com Y e k, porque Nova Iorque é uma cidade maranhense. Oi? Se é pra escrever York com ípsilon e cá , usem também o New que vem de brinde e orna com York, como fazem os franceses: Je suis à New York. Vamos combinar que York precedida de Nova é de uma jequice sem par, né? Mas vejam a minha capacidade de dispersão: pra falar do feminino de presidente, fui parar em Nova Iorque!)

Ao voltar de Nova Iorque, com meu Manual do Estadão em mãos, lá fui eu verificar. É presidente ou presidenta? O Manual foi lacônico:

Presidente. Use presidente para homem e mulher: o presidente da República, a presidente da Câmara dos Vereadores.

Mas por que a presidente, se qualquer dicionário da língua portuguesa aceita a grafia presidenta – ainda que alguns a definam como a mulher do presidente, e não aquela que preside?

Fui ter a respeito com a Giovanna Valenza, que entende do assunto de forma razoável, por assim dizer: professora de latim para o direito, bacharel  e mestre em linguística pela Universidade Federal do Paraná (nas horas vagas, mãe do Ulisses, o bebê Odisseu :D, doceira de mão cheia e exímia jogadora de guitar hero, mas deixa isso prá lá. Isso não latte 😉 )

Mas eu estava de prosa com a Giovanna, que revelou um detalhe básico: por sua morfologia, palavras terminadas em -ente podem simplesmente ser entendidas como:

o ente que [faz a ação do prefixo em questão].

em outras palavras (com trocadilho):

agente = o ente que age

ouvinte = o ente que ouve

palestrante = o ente que palestra

e, finalmente (que não vem a ser o ente que termina, fazfavor…)

presidente = o ente que preside.

Mas o que seria o ente, dona Bruxa?

de acordo com tio Antônio:

ente
substantivo masculino
1 o que existe, o que é; ser, coisa, objeto
1.1 o ser humano; pessoa, indivíduo
Ex.: e. querido
2 Derivação: por extensão de sentido.
tudo o que se crê existir
3 Rubrica: capoeira. Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
certo passo de capoeira
4 Rubrica: filosofia.
cada um dos múltiplos seres existentes e concretos da realidade circundante (os seres humanos, os seres vivos, os objetos do pensamento e da natureza etc.) que não se confundem com o ser em si, o Ser ou a realidade absoluta

Ou seja: o ser que preside, não importa seu sexo, é presidentE.

Presidenta é corruptela (o quê, dona bruxa?)

Corruptela

substantivo feminino

(…) 3 pronúncia ou escrita de palavra, expressão etc. distanciada de uma linguagem com maior prestígio social

Pra concluir, a opinião de um site português que (surpresa!) concorda comigo:
Quanto ao termo “presidente” (…) Deverá dizer-se “a presidente”. As palavras terminadas em -ente são comuns de dois. Nem estou a ver nenhuma excepção: a presidente, a consulente, a agente, a cliente, a parente, a regente, a servente, a suplente, a tenente, a combatente, a concorrente, a confidente, a delinquente, a descendente, a indigente, a paciente, a recorrente, a requerente, a adolescente, a sobrevivente, etc. Tal característica decorre do facto de estas palavras serem na generalidade provenientes do particípio presente dos verbos latinos, com o significado primitivo de “aquele ou aquela” que preside, que consulta a respeito de, que age, etc. A terminação da palavra tem que ver com a duração da acção, e não com quem a pratica (masculino ou feminino), que vem identificado apenas no artigo.
Mas boa mesmo é a conclusão no parágrafo anterior:
A língua é dinâmica, e a fortuna de um vocábulo advém do uso que lhe derem os falantes, sobretudo os falantes cultos da língua
Tudo isso pra concluir que minhas divagações de nada prestam, oras!
Se os dicionários aceitam presidenta, zifio, sijoga, faz o que você quiser.
Mas aqui neste caldeirão a Dilma será sempre presidente.
(Como é bom falar de coisas improdutivas que não envolvam o Vaticano, não?)
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A redundância redundante do procedimento administrativo e do processo de gestão

sexta-feira, outubro 1st, 2010
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Pra ninguém me acusar de ser esquerdista ou petista.

Processo de gestão e procedimento administrativo não é tudamermacoisa?

Marido tá aqui do lado falando que gestão tem a ver com pessoas, e procedimento administrativo não tem. Alguém por favor concorde com ele ou então eu boto ele de castigo?

Porque, no meu mundo, onde também vive tio antônio (Houaiss), processo e procedimento são sinônimos:

Processo
substantivo masculino
1 ação continuada, realização contínua e prolongada de alguma atividade; seguimento, curso, decurso
2 sequência contínua de fatos ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa regularidade; andamento, desenvolvimento, marcha
3 modo de fazer alguma coisa; método, maneira, procedimento
Ex.: um p. novo de fazer champanhe
4 Rubrica: administração.
conjunto de papéis, documentos, petições etc., relativos a um assunto qualquer, que se encaminha a um órgão oficial
Procedimento
substantivo masculino
ato ou efeito de proceder
1 maneira de agir, modo de proceder, de portar(-se); conduta, comportamento
2 modo de fazer (algo); técnica, processo, método
Ex.: p. de análise química
3 Rubrica: termo jurídico.
forma estabelecida por lei para se tratarem as causas em juízo e para o cumprimento dos atos e trâmites do processo

E gestão e administração também:

gestão
n substantivo feminino
1 ato ou efeito de gerir; administração, gerência
2 mandato político

administração
substantivo feminino
1 ato, processo ou efeito de administrar
2 governo ou gerência de negócios públicos ou particulares
2.1 modo como se rege, governa, gere tais negócios
3 a direção de um estabelecimento público ou particular
4 Rubrica: administração.
conjunto de normas e funções que disciplinam os elementos de produção, submetem a produtividade a um controle de qualidade, organizam a estrutura e o funcionamento de um estabelecimento
4.1 a prática, a execução de tais normas e funções
5 qualquer secretaria, repartição, divisão etc. que tenha em sua chefia um administrador
6 Derivação: por metonímia.
corpo de funcionários administrativos de uma empresa ou instituição
7 Derivação: por metonímia.
local onde funciona a gerência de uma empresa, repartição etc.
8 Rubrica: administração, pedagogia.
estudo das técnicas de administração em curso superior ou técnico
Ex.: curso de a. de empresas
9 ato de ministrar (remédio, sacramento)

Ou seja: Mercadante disse que vai informatizar seis e meia dúzia.

PORRA, MERCADANTE!!!

#prontofalei

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101% arredondado tudo bem. Mas 109%?!?!?!!?

terça-feira, setembro 28th, 2010
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51+32+16+3+7 = 109. Expliquem esta soma, pois!

Quando eu fiz este post daqui, reclamando que a soma dos percentuais da pesquisa do Ibope dava 101%, muita gente me criticou. E eu entendi as críticas: numas de arredondar, arrodonda-se pra cima e, quando você soma os arredondamentos, todos os 0,33 e 0,66 se juntaram e chegaram a 1.

Entendi e mantenho minha crítica e minha reprovação: se você vai arredondar os números, forneça-os depois não-arredondados, no último parágrafo, pra que pentelhos como eu façam as contas e confiram o que você já conferiu. Não custa nada, e torna seu texto ainda mais preciso e confiável.

Mas daí vem o IG e o Datafolha numas de arredondamento e, no frigir dos ovos, a soma dos percentuais dá 109?!?!?!?!!? Tem explicação matemática, encostos, tem?!?!?!?

Porque, se não tiver explicação matemática, eu explico o que houve à luz de Tio Antônio (Houaiss):

Em vez de

arredondar
Acepções

■ verbo
transitivo direto e pronominal
1    tornar(-se) redondo; dar ou assumir a forma esférica ou circular
Ex.: <a. uma peça no torno> <os contornos arredondaram-se>
transitivo direto, intransitivo e pronominal
2    Derivação: por extensão de sentido.
dar ou adquirir compleição redonda ou arredondada; tornar(-se) gordo ou mais gordo; engordar
Ex.: <o tempo iria a. as formas de seu corpo> <aquele corpo ainda vai a.> <era elegante mas, com o tempo, arredondou-se>
transitivo direto
(…)

6    Derivação: sentido figurado. Rubrica: matemática.
efetuar o arredondamento de um número
transitivo direto e transitivo indireto
6.1    calcular (número, soma etc.) deixando de lado as frações
Ex.: <arredondou a gorjeta por falta de troco> <a. para trinta>

O que o Datafolha fez foi

inflar
Acepções
■ verbo
transitivo direto, intransitivo e pronominal
1    inchar(-se) com ar, vento, gás; enfunar(-se), tornar(-se) pando, intumescer(-se)
Ex.: <i. um pneu, um balão, uma bola>
<em meio à calmaria, as velas recusavam-se a i.>
<as narinas se lhe inflavam traduzindo uma mal contida raiva>
transitivo direto, intransitivo e pronominal
2    encher(-se) de fatuidade; envaidecer(-se), ensoberbecer(-se)
Ex.: <o sentimento da própria importância o inflava>
<inflar(-se) com o sucesso do filho>
transitivo direto
3    tornar rebuscado; empolar
Ex.: i. um estilo

os números.

Aceitos provas em contrário.

Minha dúvida agora é uma só:

PORRA, PRA QUEM EU GRITO PORRA?!?!?!!?!?

(Na dúvida eu arquivo este post sob a catiguria PORRA FOLHA. Porque, né? Datafolha e tals…)

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Blog Poder Online e o salto triplo carpado verbo-temporal

quinta-feira, setembro 23rd, 2010
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E claro que isso tinha que acontecer.

Tudo começou quando o ministro do Superior Tribunal Federal, Dias Toffoli, resolveu pedir vistas do processo pra dar seu parecer sobre a Lei Ficha Limpa. Traduzindo: num li direito, vou levar pra casa e ver se consigo ler direito e entender esse negózdilei. Ou quero ir pra casa mais cedo, bora ler o texto de novo, coleguinhas?

Mas falando sério, o ministro encrencou com o tempo verbal da lei Ficha Limpa, cuja íntegra vocês encontram aqui. O meritíssimo abespinhou-se com o fato de a expressão tenham sido ter sido substituída pela expressão que forem sem que o Congresso tenha sido consultado sobre isso.

(Imagine agora o Tiririca dizendo qual expressão cabe melhor no texto de lei, e por quê. Imaginou? Pronto, de nada por estragar o seu sono.)

Até aí tudo bem, isso faz parte das funções do STF.

O Correio Braziliense contou a história certinha, como vocês podem conferir.

Mas o Blog Poder Online, hospedado no Ig, se embananou-se todo com a explicação, e confundiu o que o ministro acabou por definir como salto triplo carpado hermenêutico (post logo aqui abaixo, ou numa nova janela, se você clicar no link que eu dei). E, por sua vez, criou o salto triplo carpado verbo-temporal. Ó só o que o texto diz do questionamento do ministro:

(…) uma emenda de redação aceita na tramitação pelo Senado Federal, que alterou o tempo do verbo no texto do projeto – do particípio passado [tenham sido é particípio passado, OK] para o pretérito futuro [Oi? Pretérito futuro? Passado futuro? como é que rola o passado de uma coisa que inda num aconteceu? Alguém desenha, por favor?].

Particípio passado, tudo bem. a expressão está de fato nesse tempo verbal.

Mas o pretérito futuro é, por si só, uma contradição entre termos. Pretérito é passado, que é antônimo de futuro.  O moço estaria, por acaso, a referir-se ao futuro do pretérito? (eu seria, tu serias, ele seria…) Mas o texto alterado na lei em questão adotou a expressão que forem… e agora, comofas?

Tio Antônio, ajuda a desvendar essa conjugação?

Verbo ser, futuro do subjuntivo, terceira pessoa do plural

Valeu, tio Antônio!

Agora vejam vocês que eu tava aqui me preparando pra encerrar este texto com um PORRA, FOLHA!, e me dou conta de que desta vez a Folha é inocente!

PORRA, IG! COMETE UM ERRO DESSES E AINDA ME IMPEDE DE XINGAR A FOLHA?!?!?! PORRA, PORRA, PORRA!!!

Pronto, passou.

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A puta falta de sacanagem e a safadeza oculta são filhas do salto triplo carpado hermenêutico?

quinta-feira, setembro 23rd, 2010
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Gente, estou totalmente inlóvi com essas expressões que pululam Internet afora…

A primeira foi a puta falta de sacanagem. Surgiu num vídeo no qual um grupo de adolescentes aguardava um show de rock que acabou não acontecendo. No vídeo daí de cima, aos 1:35 aparece a menina proferindo a pérola. Puta falta de sacanagem é uma sacanagem exacerbada, né? O fato é que a expressão, por assim dizer, agregou valor (Ok, me crucifiquem) à já combalida sacanagem pura e simples.

Aí chegamos na safadeza oculta.

Tadinha, gente! Um protótipo de Madrasta do Texto Ruim, com hormônios à flor da pele! A menina num aprendeu a relevar os errinhos de dedo que esta que vos fala já ignora. Quer dizer, uma pessoa que escreve esotu em vez de estou não pode falar mal de quem escreve RDB no lugar de RBD, né? Pô, tava querendo ganhar dinheiro em vez de ir a show de banda adolescente, uai…

O fato é que a mocinha daí de cima cunhou uma nova e deliciosa expressão: safadeza oculta (aos 20 segundos). Mais uma vez, agregou valor (meus pulsos, podem cortá-los) à safadeza pura e simples, já tão banalizada neste país e aqui eu interrompo meu raciocínio pra não cair na esparrela do lugar-comum.

Pois então nós saímos do universo adolescente, repleto de hormônios e exageros e exacerbações e coisas do tipo, e após breve planagem sonífera, caímos estatelados por sobre o Supremo Tribunal Federal deste país, cujas paredes ouviram coisa muito mais complexa.

Porque quando você ouve puta falta de sacanagem, ou safadeza oculta, você pode até levar um tempinho pra entender como usar, mas basta dizer em voz alta duas ou três vezes que você já fica íntimo das expressões, e começa a usá-las sem pestanejar.

Mas quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, durante sessão plenária pra dizer se, no frigir dos ovos, a lei da Ficha Limpa tá valendo ou não tá, questiona a constitucionalidade por causa de um tempo verbal e ouve do colega Ayres Britto que o argumento dele é um salto triplo carpado hermenêutico, geral se arrepia e fica com medo da coisa, né?

Mas calma que esta bruxa que vos fala vai pedir ajuda ao tio Antônio. Vamos partir do princípio que o togadíssimo magistrado valeu-se de imagens de ginástica artística para construir seu neologismo. Então, todos sabemos que salto triplo é um salto dificílimo de dar.

Daí, vamos pedir ajuda pro tio Antônio explicar o que que acontece se o salto triplo fica carpado:

Carpado

executado com o corpo dobrado nos quadris, pernas esticadas sem flexão dos joelhos e pés distendidos (diz-se, p.ex., de salto ornamental)

Quer dizer, eu já me estrebuchei no chão e quebrei o pescoço. A manobra que já era difícil contraiu ares impossíveis.

E o hermenêutico? É pra travar a língua? Bom, tio Antônio avisa que hermenêutico é tudo o que for relativo à hermenêutica, que, por sua vez, é…

Hermenêutica

ciência, técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, esp. das Sagradas Escrituras

2 interpretação dos textos, do sentido das palavras

3 Rubrica: semiologia.

teoria, ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico

4 Rubrica: termo jurídico.

conjunto de regras e princípios us. na interpretação do texto legal

Ou seja: é tudo interpretação de textos… (ufa!)

Quer dizer, então, que o salto triplo carpado hermenêutico é um texto cuja interpretação difícil ficou mais difícil ainda?!?!?!  Ou é uma tentativa de complicar o que seria simples?

Ou seria um melangê de jenessequá? (do francês melangé de je ne sais quoi, ou mistura de não-sei-quê – copyright Madrasta do Texto Ruim. Autorizada a reprodução dessa expressão! 😀 )

Ah, desisto de entender. Mas nasceu hoje nesta terra de Cabral mais uma expressão recauchutada, o salto triplo carpado hermenêutico. Que, por sua pompa e circunstância, é pai (talvez avô, bisavô ou trisavô) das irmãs quase gêmeas puta falta de sacanagem e safadeza oculta. Os três adoráveis – ainda que o vôzinho seja meio estranho e de difícil… er… hermenêutica? 😉 Ainda assim, a-moooooooooo!

Mas aprecie com moderação.

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Pão de bunda

segunda-feira, setembro 20th, 2010
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Ufa!

Há quanto tempo não me aparecia uma hortografia pobremática de raiz! Finalmente, tava começando a ficar com saudades..

Favor notarem a diferença entre glúteos e glúten.

Assim que eu estiver no computador onde Tio Antônio mora, vou atualizar este post com as devidas definições, OK?

(Vou nem entrar no mérito de que o verbo conter, nas conjugações do plural, recebe acento circunflexo. Traduzindo: não é os produtos contém, é os produtos contêm)

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Palavras do dia

terça-feira, julho 20th, 2010
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Por falar em gente besta que empola o texto pra deixar o dito chique, deixemos que tio antônio explique dois verbetes usados por esta (besta) que vos fala no post abaixo.

Quiçá
n advérbio
possivelmente, mas não com certeza; talvez, porventura
Outrem
n pronome indefinido
pessoa que não participa do processo de comunicação e cuja menção é imprecisa ou indefinida (seja porque o falante não sabe, seja porque não lhe interessa dar a indicação precisa); outra pessoa
Ex.: não eram suas as frases, eram de o.
E se alguém souber como eu faço pra que o WordPress volte a me deixar riscar trechos dos meus textos, eu agradeço, viu? Haja malcriação!
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Os encontros reflexivos, a bestificação da linguagem simples e a noiva que dá detalhe

terça-feira, julho 20th, 2010
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Tá certo que aprazar é um verbinho metido a besta, que mais empola do que comunica quando usado num texto. É verbo para se usar em momentos de exceção, quiçá em poemas. Ainda assim, tem gente que curte usar o dito, e aproveita pra tirar onda de (cof, cof) linguagem técnica (cof, cof). Coisa de gente besta que,no afã de se exibir para outrem, empola o texto pra ficar chique, mas só consegue deixar o pobrezinho confuso.

O que eu gostaria de entender é por que o verbo encontrar foi incluído nessa… moda (porque tendência é o #$%$%¨$#%T#$%!) de bestificação verbal, em substituição ao verbo estar. Já repararam que Fulano não está no local, Fulano sempre encontra-se no local?

Aliás, eu só, não: a Ceci (nono comentário) também gostaria de entender isso.

Lembro que, numa de suas aulas, o professor Sérgio Nogueira Duarte chegou a brincar com o seguinte diálogo:

– Onde Fulano se encontra?

– No espelho. É lá que ele se encontra, todos os dias. Vai ver se ele está no espelho e ele está, invariavelmente!”

Aí começam as histórias de desavenças familiares.  Tio Antônio dá como certo o emprego do verbo encontrar no sentido de marcar presença. Espiem só o que esse tratante aprontou comigo:

Encontrar
verbo
transitivo direto
1 ver-se frente a frente com; deparar, achar
Exs.: encontrou a bolsa que procurava
a polícia encontrou os fugitivos
transitivo direto
2 passar a conhecer; descobrir, atinar
Exs.: não encontrou resposta para o enigma
fez as contas e encontrou o número exato
transitivo direto e pronominal
3 ir de encontro a; chocar-se
Exs.: o míssil encontrou o alvo
as motocicletas se encontraram em alta velocidade
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
4 ir ao encontro de
Exs.: iam e. a moça
encontrou com a moça na esquina
iam e.-se com ela
transitivo direto
5 deparar com (algo vantajoso ou desvantajoso)
Ex.: encontrou grandes obstáculos durante a carreira
transitivo direto predicativo
6 deparar com (algo ou alguém), percebendo seu estado, condição ou situação
Exs.: encontramo-lo bem melhor de saúde
encontrou a cidade natal muito mudada
pronominal
7 estar em determinado lugar, situação ou estado; achar-se, localizar-se
Exs.: no tórax encontram-se os pulmões e o coração
o inimigo encontra-se dentro da cidade
o país encontrava-se sob domínio estrangeiro
transitivo direto, transitivo indireto e pronominal
8 defrontar-se com (alguém ou algo) que representa obstáculo ou força hostil; enfrentar
Exs.: afinal, encontrava (com) o grande inimigo
encontrou-se com o adversário
transitivo direto
9 fazer entrar em união
Ex.: recuando, as águas encontraram as terras

Respeito tio Antônio, mas vou discordar. Ou pelo menos concordar com muita parcimônia.

Porque há verbos que comunicam uma idéia de forma simples, precisa, concisa, objetiva e direta. Com eles, seu interlocutor entende o que você quer dizer na hora, sem ter que gastar muita mufa pra isso, e não corre o risco de interpretações outras para a frase que você lhe proferiu.

Traduzindo:

prá quê dizer Fulano encontra-se no local

se você pode dizer Fulano está no local ?

São 11 caracteres contra 4 (seu dedo deixa de trabalhar 7 vezes na frase, pense nisso!), a pessoa que te lê/escuta vai entender sua mensagem muito mais rápido, e não vai ter margem para pensamentos outros, como Hein? Fulano encontrou com alguém? Quem? Por quê?

Mas já que o negócio é usar expressões da moda, vamos combinar o seguinte, então: o verbo encontrar, na voz voz reflexiva, deve ser usado em substituição ao verbo estar que nem sapatos de salto altíssimo na cor branca: permitido apenas para noivas (meu alter ego é uma perua, por isso a analogia. E acalmem-se, homens e desentendidos de plantão! Eu vou desenhar!)

Isto posto, temos os seguintes raciocínios:

1- Você é noiva? Não?

Então, não use o verbo encontrar em substituição ao verbo estar. Ponto.

2- Você é noiva? É? Que liiindo! Parabéns!

Mas me diga: que que o seu texto tem a ver com isso? Escreve direito e não enche o saco, bosta!
(Não me diga que você vai entrar de rosa na igreja?!?!?!?! Bafããããããoooo… 😉 )

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O índio militar, ou o dia em que o R7 capitulou

quinta-feira, julho 1st, 2010
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Ó, tô de luto. Tô com desgosto da vida. Culpa do R7. E também do Serra. E do DEM. E do PSDB. Ah, do mundo!

Vocês sabem o quanto eu me orgulhava do portal da Rede Record, né?

Pois é. Hoje meu mundo caiu.

Olha a tetéia digna de UOL que o R7 me aprontou aí em cima!

Porra, R7! isso é coisa que se faça?!?!?!!? A formação é de CARTEL, CAR-TEL!!!

Quartel num tem nada a ver com isso daí de cima, não, pô!!!

Falaê, tio Antônio!

Cartel
n substantivo masculino
1 carta que se envia a alguém para desafiá-lo; provocação
2 mensagem pública; anúncio, aviso, cartaz
3 relação de vitórias, títulos ou premiações obtidos por uma pessoa, uma entidade ou uma obra
Ex.: o c. de um lutador de boxe
4 Rubrica: comércio.
acordo comercial entre empresas, visando à distribuição entre elas das cotas de produção e do mercado com a finalidade de determinar os preços e limitar a concorrência
5 Rubrica: termo militar.
acordo realizado entre chefes militares beligerantes relativo à troca de interesses, em particular à troca de prisioneiros

Quartel
substantivo masculino
1 a quarta parte de um todo; quarta
Ex.: poupa anualmente um q. de seu salário
1.1 Derivação: frequentemente.
a quarta parte do ano; trimestre
1.2 Derivação: frequentemente.
a quarta parte de uma semana de trabalho
2 qualquer espaço de tempo; período, época
Ex.: costumavam reunir-se no último q. do dia
3 Rubrica: metrologia. Regionalismo: São Paulo.
alqueire (‘unidade de medida agrária’)
4 Rubrica: termo de marinha.
cada uma das seções desmontáveis de assoalho, tampo ou plataforma de uma embarcação
5 Rubrica: termo de marinha.
seção de amarra, de 12 ou 15 braças de extensão
6 Rubrica: termo de marinha.
m.q. alheta (‘parte curva’)

Mas acho que isso é vingança de tucano, viu? Pô, tava aqui gargalhando com a saga brancaleônica dos tucanos em busca de um vice-presidente pra compor a chapa com o Serra! O festival de piada pronta fervia meus neurônios! Primeiro foi o vice Dias que durou algumas horas; depois, geral começou a dizer que não há vice como Rubinho Barrichello. Tava quase apostando que o PSDB iria desistir do Brasil e chegar a Aurocastro (Não entendeu a história de Aurocastro? então, clicaqui. Mas eu recomendo mesmo clicar aqui e ver o filme todo. Imperdível. Até porque eu tenho cer-te-za que, no final do filme, você vai gritar: “Gente, o Brancaleone é o meu chefe!!!”).

Daí os tucanos vêm e rogam praga pra eu ficar com desgosto.

Magoei.

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As datas aprazadas e a efetuação da cópula

terça-feira, junho 29th, 2010
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Daí que eu me lembrei desta historinha que aconteceu há algumas eras com um certo marido, e tenho que compartilhá-la por aqui…

Estava o tal do marido a atualizar o site da empresa onde ele trabalhava. Ele precisava incluir informações sobre pagamentos de dívidas blablabla whiskas sache blablabla. O público-alvo da e-missiva (adooooro essa e-xpressão! 😀 ) eram autoridades que, embora autoridades fossem, não eram lá muito amigas do vernáculo. Amebas, portanto.

E o que me abespinha nessas horas é perceber que ameba é uma raça que não sabe se inter-comunicar. Elas têm uma dificuldade de conversarem entre si que é uma coisa. Pensando bem, não fosse assim não seriam amebas, né?

Maseutavafalandode… ah, sim! O texto que o tal do marido recebeu! Foi sofrivelmente escrito por uma ameba escrevente, cheio de gerúndios e clichês e, lá pelas tantas, falava em pagamento dos títulos nas “datas aprazadas”.

Tá certo que aprazar é verbo registrado por tio Antônio, que diz que:

Aprazar
n verbo
transitivo direto
1 marcar (tempo ou prazo) para realização de alguma coisa
Ex.: resolveram a. imediatamente o encontro
transitivo direto e bitransitivo
2 restringir, delimitar (o prazo, a duração) de
Exs.: era preciso a. o fim da obra
aprazou um ano para o término da dissertação
Mas se você pensar direitinho, e com a cabeça do público-alvo do texto (/amebas), chegará à conclusão que esse verbim daí não é de muita felicidade, não. Inda mais se o leitor em questão tiver inteligência suficiente para  entender que a palavra em questão foi fruto de um erro de digitação: em vez de aprazadas, deveria ser atrazadas. Porque, claro, atrazado se escreve com zê, né? (NÃO! É COM ÉSSE!!)

Então, o marido em questão resolveu trocar a expressão “datas aprazadas” por “datas combinadas”. E o autor do texto, ao refazer a releitura da redação antes de a bendita ser carregada para a página da empresa, voltou para a expressão original: “datas aprazadas”. E justificou:

– Isso é uma expressão técnica. Quem lê tem a obrigação de entender isso.

Argumento falho, fraco e errado, por alguns poucos mas excelentes motivos:

1- A obrigação maior e principal para a compreensão do texto é a do autor da redação. É ele quem tem que se fazer entender, sem dar margens a duplos sentidos ou duplas interpretações. Se você disser “bolinhas amarelas” e o seu leitor entender “listras azuis”, o erro foi principalmente seu por não saber como fazer o seu leitor entender “bolinhas amarelas”.

2- Aprazar não é expressão técnica. É apenas um verbo metido a besta, que pode – e deve – ser substituído por outro de maior clareza sempre que possível.

Mas o marido em questão não tinha autonomia pra alterar o texto. E a missiva em questão foi levada à página web da empresa com a expressão rococó empolêixon “datas aprazadas”.

Cansado, triste e frustrado, o marido em questão desabafa com a mulher, que costuma exorcizar textos mal-escritos (disse que fui eu? Então, não conclua coisas que eu não disse, detetivões! 😛 ), e conta a história de “datas aprazadas” ter virado “linguagem técnica”.

A esposa do marido, então, ensinou-lhe o seguinte:

– Meu amor, da próxima vez que alguém insistir em enfiar linguagem técnica onde não deve, diga a essa pessoa: “Fulano, efetue cópula”. Daí, quando o Fulano perguntar o que é “efetuar cópula”, você explica que é “vá se foder” em linguagem técnica…

Infelizmente, o marido nunca disse isso pro autor das “datas aprazadas”. Ah, o excesso de educação….

😉

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The funhanhation

quarta-feira, junho 16th, 2010
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Dominada e rendida que estou com caixas de mudança em minha nova residência, agora no Planalto Central, eu meique deixo amebas escreventes e ectoplasmas suínos se digladiando por aí sem minha intermediação, porque como vocês já sabem, meus poderes limitam-se apenas ao exorcismo do português meia-boca. Quisera eu ser uma Samantha Stevens, mexer meu nariz e ter minha casa limpa, arrumada e em ordem. [Suspiro].

Mas deixemos divagações de mudança de lado, porque eu a-mei a expressão que a candidata do PT à presidência da República, Dilma Roussef, abiscoitou do locutor da Rádio Planeta Diário, de São José dos Campos. Como você podem ver neste link aqui (da folha, malzaê…), por inspiração do locutor da rádio (Planeta Diário, já é uma piada pronta…), dona ex-ministra disse que o presidente Lula assumiu um país funhanhado.

A sonoridade da palavra é deliciosa.  Bem brasileira mesmo. Mas que diabos esse troço significa? Tio Antônio fez cara de ué (outra expressão deliciosa e irretocável, também abiscoitada por dona ex-ministra do locutor da rádio) pra mim. Quem resolveu o dilema foi o senhor Google, que me forneceu este link.

Então, se funhanhado significa leso, estragado ou amasiado (Fulano está funhanhado com fulana), essa expressão é prima do trubisco e do fuzilico, lembram?

Daí que eu sou obrigada a defender dona Dilma neste meu caldeirão. Estou desde o início do ano torcendo por uma derrapada de dona candidata com a Língua Portuguesa, pra que ninguém me acuse de ser contra o Serra. Não tenho culpa se quando o candidato do PSDB fala ou ele é defendido por jornalistas smartões ou ele dá detalhe com a Flor do Lácio…

Por isso, tenho que discordar do Augusto Nunes, que afirmou que a “Dilma não domina nenhum nível do idioma”. Naonde que ele concluiu isso? Olha, a Dilma sabe, sim, falar português fluentemente… Não tenho provas contra ela, e olha que eu tô atrás, viu?

No mais, antes de falar mal do português dos outros, legal mesmo é fazer um título mais claro e com menos palavras, né não?

Porque o título

UOL explica que Dilma disse ‘funhanhado’ e Celso Arnaldo desvenda mais um mistério

Embaixo da “seção direto ao ponto” nada mais é que uma piada pronta… a notícia é sobre quem, zifio? UOL, Dilma, Celso Arnaldo, funhunhação, declaração  ou mistério? Escolhe, pô!

Título mais funhanhado, credo…. 😀

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O ciso e o acordo celado

sábado, maio 22nd, 2010
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Carambolas! Patavinas! Pantufas! Será possível que essas amebas celibritivas não me deixam nem fazer mudança em paz?

Eu tentei ignorar o ciso operado do Luciano Huck no twitter. Esse já é caso perdido, meus exorcismos não têm poder sobre a hortografia pobremática do narigudo marido de Angélica. Mas o fato é que perdi a imagem desse pio, esqueci de orar aos deuses do print-screen na ocasião.

Mas não dá pra ignorar um acordo celado, né?

e o negócio inda tá no ar, aqui!

Alguém avisa ao Yahoo Notícias da existência do verbo selar, por favor?

Selar
n verbo
transitivo direto
1 apor sinete em; marcar
transitivo direto
2 Derivação: por extensão de sentido.
colocar estampilha, selo ou carimbo em
Ex.: s. uma carta
transitivo direto
3 Derivação: por analogia.
reproduzir figuras, estampas etc. em; estampar, imprimir
Ex.: s. um tecido
transitivo direto
4 cerrar, fechar (hermeticamente)
Ex.: s. um cofre
transitivo direto
5 Derivação: por metáfora.
tornar efetivo por meio de um sinal qualquer; confirmar, validar
Ex.: s. um contrato
transitivo direto
6 Derivação: por metáfora.
concluir, pôr fim a
Ex.: s. a tese
transitivo direto e pronominal
7 tornar(-se) sujo; emporcalhar(-se), sujar(-se), manchar(-se)
Exs.: s. a roupa
s.-se com tinta fresca
pronominal
8 aceitar de bom ou mau grado; submeter-se, sujeitar-se
Ex.: s.-se à realidade de uma situação difícil
transitivo direto
9 Derivação: por analogia (da acp. 2). Rubrica: futebol.
m.q. carimbar

Porque, quando perguntei ao Tio Antônio sobre o verbo celar, ele foi bem educado:

Pronto!

Aproveito para agradecer à Gabriela, dileta ectoplasma suína que me enviou o link celado.

Agora, amebas, pelamordedeus, comportem-se, porque eu tenho que acabar a minha mudança!

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Pela ordem, companheiros! inveja x despeito x desdém

quinta-feira, abril 29th, 2010
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Com tanta gente dizendo por aí, por exemplo, que o Bruno Mazzeo chamou Luan Santanna (um zé qualquer estrábico) de vesgo porque ele – Bruno – é invejoso, ou que fulana que teve o filho em uma cesariana com toda a segurança de uma maternidade é invejosa porque no fundo, no fundo, queria ter parido em casa dentro de uma banheira de prástico nma singela companhia de um patinho de borracha por opção própria (acreditem que fui eu mesma quem viu isso acontecer!), não custa pedir pra Tio Antônio botar ordem no galinheiro e definir direitinho o que é inveja, né?

Faz favor, Tio Antônio!

Inveja
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo feminino
1    sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade, prosperidade de outrem
2    desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outrem
3    Derivação: por extensão de sentido.
objeto da inveja
Ex.: os jovens liberados de preconceitos são a i. da velha geração
Etimologia
lat. invìdìa,ae ‘id.’, de invìdus,a,um ‘que tem ou lança mau-olhado, que tem inveja, invejoso’, de invidére ‘olhar de modo malévolo, lançar mau-olhado, donde invejar’; ver vid-; f.hist. sXIII enveja, sXIV ívega
Sinônimos
ciúme, invídia, zelotipia; ver tb. antonímia de desprendimento
Antônimos
ver sinonímia de desprendimento
Homônimos
inveja(fl.invejar)
************
Despeito
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
1    ressentimento produzido por desconsideração, desfeita, humilhação ou ofensa; pesar, melindre, amuo
2    desgosto motivado pela preferência dada a outrem ou por decepção; raiva, indignação, inveja, ciúme
Locuções
a d. de
não obstante, malgrado, apesar de
Etimologia
lat. despectus,ús ‘vista de alto para baixo, desprezo, desdém’, de despectum, supn. do v.lat. despicère ‘olhar de cima para baixo, desprezar’; ver espec; f.hist. sXIII despeito, sXIII despeyto, sXIV despeucto, sXIV despeto
Homônimos
despeito(fl.despeitar)
***************
Desdém
Datação sXIII
Acepções
■ substantivo masculino
ato de desdenhar(-se)
1    desprezo arrogante; altivez, soberbia, sobranceria
2    Derivação: por extensão de sentido.
comportamento distanciado; indiferença
Ex.: considerava o d. do companheiro falta de maturidade
3    ação ou dito depreciativo, sem afabilidade ou polidez; desabrimento, grosseria
Ex.: acostumou-se com os d. do instrutor
4    falta de trato ou esmero (para com algo ou si mesmo); desalinho, negligência
Obs.: f. geral não pref.: desdenho
Ex.: mesmo para encontrar o namorado, vestia-se com d.
Locuções
ao d.
com displicência, sem afetação ou cuidado; negligentemente
Ex.: ele usava suas roupas ao d.
Etimologia
provç. desdenh, regr. de desdenhar < lat.vulg. *disdignáre por dedignári ‘id.’, cf. fr. dédain (sXII), regr. de dédaigner (sXII) < dé + daigner < lat. dignáre ‘julgar digno’; Corominas considera o voc. de direta procedência do provç., argumentando que não seria de esperar que do esp. desdeñar e do port. desdenhar, cujos radicais terminam em nasal palatal, se gerassem os subst. regr. com nasal não palatal desdén (esp.) ou desdém (port.); ver desden-; f.hist. sXIII, sXIV desdeno, sXIV desdenho
Então, acho que o Bruno Mazzeo tem desdém pelo Luan Santanna que, por sua vez, tem todo o direito de ter despeito pelo Bruno Mazzeo (é só os dois olhos do pobrezinho encontrarem o Bruno ao mesmo tempo [#eunãopresto]), enquanto que a moça do patinho de borracha na banheira de prástico tem… quer dizer, não tem: noção.
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Didática do trauma: por que não usar a palavra “diferencial”

quinta-feira, março 11th, 2010
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Sei nem por onde começar.

No final das contas, acho que esta obra-prima do Ego, que pode ser encontrada aqui, me deu uma idéia: a didática por trauma.

Não gosto, jamais gostei e nunca admirarei (viu como fugir do cacófato nunca-gosto?) a expressão diferencial. É um modismo ridículo. As amebas escreventes usam porque a palavra é bonita e chama a atenção. Acabam por usá-la adequadamente, mas com intenções erradas.

Sei disso porque, certa feita, uma ameba perguntou pro meu marido por que ele havia retirado o diferencial do texto dela. Marido disse que não havia necessidade da palavra no texto porque não fazia nem falta nem diferença, e a ameba perguntou: Ué, mas diferencial não significa que o serviço ficou melhor? NÃO, AMEBA, NÃO SIGNIFICA!!!

Vamos lá, tio Antônio! Explica pra gente:

Diferencial

n adjetivo de dois gêneros
1 relativo a ou em que há diferença

2 que estabelece ou indica diferença
Ex.: traço d.

3 Rubrica: análise matemática.
que envolve derivadas
Ex.: cálculo d.

n substantivo masculino

4 aquilo que constitui diferença; diferença
Ex.: o d. entre eles é que um é presidencialista e o outro não

5 Rubrica: engenharia mecânica.
num automóvel, conjunto de engrenagens que transmite às rodas motrizes o movimento do motor, permitindo que, nas curvas, elas se movam com velocidade diferente uma da outra

n substantivo feminino

6 Rubrica: análise matemática.
função linear que associa a cada número o produto da derivada pelo número

Ah, dona Bruxa, a senhora é muito malvada! Se eu quero indicar que existe alguma diferença, eu posso usar diferencial, sim! Foi tio Antônio quem disse! dirá você.

Certo, certo.  Tio Antônio disse que pode usar, então você quer usar, né, ameba? Fique à vontade. Mas antes de te conceder autorização total e definitiva, vamos ao inovador método da Didática por Trauma recém-criado pela Madrasta do Texto Ruim!

Antes de escrever diferencial no seu texto, ameba, lembre-se desta manchete (e vamos às minhas canetadas):

elileso

Mamilo triplo de Eliéser vira diferencial para conquistar a mulherada
Apresentado nacionalmente no ‘BBB 10’, a anatomia peitoral será mantida pelo engenheiro agrônomo.
(…) o paranaense Eliéser falou com muito bom humor se pretende ou não fazer uma cirurgia estética para a retirada do seu terceiro mamilo.
“É interessante falar sobre isso. Acho interessante ser um cara com três tetas, é um diferencial no mercado. Não penso em operar, é uma coisa minha que não tiraria. Quero manter”, explicou o engenheiro agrônomo.
A quase imperceptível anomalia foi citada por Elíeser logo na primeira semana de confinamento, durante uma conversa ocasional com Elenita e Angélica. Na ocasião, o paranaense explicou que o terceiro mamilo não o incomodava.

Mamilo triplo de Eliéser vira diferencial [Pronto! Táqui! Viu só um exemplo CORRETO de uso do diferencial? Vai fundo, ameba, usa no seu texto…] para conquistar a mulherada

Apresentado nacionalmente no ‘BBB 10’, a anatomia peitoral [e lembre-se também que, para não repetir “mamilo triplo“, o redator do Ego substituiu a expressão por anatomia peitoral. E esqueceu-se de mudar o gênero do “apresentado” que abre a frase, coitado… tava indo tão bem!] será mantida pelo engenheiro agrônomo.

(…) o paranaense Eliéser falou com muito bom humor se pretende ou não fazer uma cirurgia estética para a retirada do seu terceiro mamilo.

“É interessante falar sobre isso. [espero que a frase a seguir lhe convença de uma vez por todas a nunca mais usar o diferencial na sua vida. Bisserve:] Acho interessante ser um cara com três tetas, é um diferencial no mercado. Não penso em operar, é uma coisa minha que não tiraria. Quero manter”, explicou o engenheiro agrônomo.

Pronto! E agora, continua curtindo falar em diferencial? Ah, não? De nada.

Hein? Você quer que eu reescreva esse texto? Carece, não! O objetivo de ele estar copi-colado aqui foi única e exclusivamente para lhe chocar, irritar e traumatizar! Grata.

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Chute com as mãos (?!?!)

segunda-feira, março 1st, 2010
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Não é à toa que Luis Fernando (/Verissimo) me surpreende a cada dia que passa.

Na crônica publicada hoje no blog do Noblat, mais precisamente aqui, Luis Fernando fala de futebol americano, e diz que nesse esporte os jogadores chutam a bola com os pés.

E avisou aos chatos de plantão (o/) que por acaso tenham estranhado a expressão (mas chutar não é com os pés? Isso é redundância, oras!):

A bola deles é oval (mais ou menos) e só é chutada com o pé em ocasiões especiais. Por sinal, antes que reclamem: “chutada com o pé” não é redundância, no basquete se chuta a bola com as mãos.

Quase caí dura. Primeiro pela sensação de que Luis Fernando falara diretamente a esta pouco humilde bruxinha.

Segundo, porque sempre associei o chute ao pé. Fui ter com tio Antônio:

Chute
s.m. (1908) 1  futb impulso enérgico dado com o pé para movimentar a bola 2  golpe com a ponta ou com o peito do pé; pontapé 3  B infrm. tentativa de acertar uma resposta sobre assunto que se desconhece ou conhece pouco 4  basq B m.q. arremesso ² c. de letra futb B  chute aplicado com o pé passando por trás do outro, este us. como apoio  • no c. B infrm.  às cegas, confiando na sorte por ignorar o assunto <responder no c.>  ¤ etim ing. shoot ‘lançamento, arremesso’ ¤ hom chute(fl.chutar)

Chute

s.m. (1908) 1  futb impulso enérgico dado com o pé para movimentar a bola
2  golpe com a ponta ou com o peito do pé; pontapé
3  B infrm. tentativa de acertar uma resposta sobre assunto que se desconhece ou conhece pouco
4  basq B m.q. arremesso
c. de letra futb B  chute aplicado com o pé passando por trás do outro, este us. como apoio
• no c. B infrm.  às cegas, confiando na sorte por ignorar o assunto <responder no c.>

E Tio Antônio elucidou de vez por que chute não tem a ver com os pés:

etimologia –  inglês shoot ‘lançamento, arremesso’

Tô beeeeege!

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Promessas promissoras e promissórias

quinta-feira, fevereiro 18th, 2010
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exorciza

Eis que adentra meu e-mail solicitação de uma ectoplasma suína que, segundo consta, teve os globos oculares queimados diante de tamanho disparate. Ela recebeu a pérola acima por e-mail marketing. A pobrezinha destacou apenas o item que queimou seus olhos, mas o material acima merece com louvor ser classificado como conjunto da obra. Vamos por partes, como diria Jack o Estripador.

Pra começar, abespinhou-me o nome da Faculdade, que está à beira de uma expressão imprópria. Joguei na web pra ver se é alguma abreviatura, e encontrei a deliciosa explicação:

O nome da instituição tem origem na grande amizade que nasceu entre eles [os fundadores da faculdade]: Epírito Santo Uniu Dois Amigos).

Lindo, lindo mesmo. Mas ainda bem que a grande amizade que uniu os dois não desembocou na frase Todo o Espírito Santo Uniu Dois Amigos, né? Tudo bem que essa abreviatura não supera o Encontro Regional de Jornalistas e Assessores de Imprensa do Rio de Janeiro (Erejai), nem o Movimento em Defesa do Ensino de Comunicação Social, que nasceu Fórum em Defesa do Ensino de Comunicação Social (Modecs / Fodecs). Mas tá no páreo.

Agora vamos à frase-bombril que abre o texto. Repare que o nome da área em questão está em negrito, ou seja, ele pode ser (e é) substituído por qualquer (eu disse qualquer, quê, u, a, éle, quê, u , é, érre) coisa. Repare só: troque Recursos Humanos por Informática, Recursos regionais... Viu só como cabe direitim?

Agora, divirta-se: troque Recursos Humanos por Tráfico de drogas, Contrabando de Armas ou Prostituição Internacional, por exemplo. Viu como ficou per-fei-to? Mas tudo bem, isso é coisa típica de e-mail marketing. O caboclo prepara um texto que serve pra tudo, e o adapta de acordo com as necessidades do cliente. Eu curto mesmo é ver o lado mau dessas frases que servem a gregos e troianos.

Me fez lembrar de uma entrevista que um cara da Globo (era o Wolf Maia? Não sei, pode ser…) deu pro Vídeo Show, falando de determinada pessoa:

Ah, Fulana é Fulana, é essa pessoa maravilhosa que ela é!

Não é maravilhoso? Você não sabe se a frase é ou não um elogio, e ela serve pra todos os seres humanos da face da Terra! quer ver só?  Troque Fulana por Papa João Paulo II ou por Adolf Hitler. Funciona da mesma maneira, impressionante! Eu uso essa frase direto quando preciso ser cínica e elogiar alguém que não merece ser elogiado…

Daí que nós finalmente chegamos ao ponto de queima do globo ocular da supracitada ecotplasma suína. Eu tenho cá pra mim que no lugar de promissória,  palavra certa seria promissora. Vamos conferir com tio Antônio?

promissor
\ô\ adj. (1899) 1  que faz promessas; que promete 2  que promete ser bom, feliz, bem-sucedido; propício <um negócio p.> <uma carreira p.>  3  que traz boas novas; auspicioso <notícias p.>  n adj.s.m. jur 4  m.q. promitente ¤ etim lat. promissor,óris, do rad. de promíssum, supn. de promittère ‘lançar, atirar longe’ ¤ sin/var prometedor; ver tb. sinonímia de favorável ¤ ant ver antonímia de favorável

Promissor \ô\

adj. (1899) 1  que faz promessas; que promete
2  que promete ser bom, feliz, bem-sucedido; propício <um negócio p.> <uma carreira p.>
3  que traz boas novas; auspicioso <notícias p.>  n adj.s.m. jur
4  m.q. promitente ¤ etim lat. promissor,óris, do rad. de promíssum, supn. de promittère ‘lançar, atirar longe’ ¤ sin/var prometedor;
ver tb. sinonímia de favorável ¤ ant ver antonímia de favorável

É, então eu tava certa! A palavra adequada pra essa frase é mesmo promissora.

Mas, tio Antônio, por que esse promissórias aí não tá de bom tom?

Promissória

s.f. jur  red. de nota promissória ¤ etim fem. substv. de promissório

Daí que neste site aqui você descobre direitinho o que é uma nota promissória:

A nota promissória é um título de crédito emitido pelo devedor, sob a forma de promessa de pagamento, a determinada pessoa, de certa quantia em certa data. A nota promissória, portanto, é uma promessa direta e unilateral de pagamento, à vista ou a prazo, efetuada, em caráter solene, pelo promitente-devedor ao promissário-credor.

Ou seja, pelo que tá escrito ali, a área de Recursos Humanos está lhe devendo alguma coisa, e vai pagar algum dia. E você que espere. Enquanto isso, você que pague duas parcelinhas de R$ 170, no cheque ou no cartão, faça o curso e viva com as promessas da área em questão.

(Mas será que a tal faculdade aceita o pagamento em nota promissória?)

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A bênção de Deus e de Dona Gramática

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010
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Esta bruxa que vos fala fica cada vez mais prosa com os e-mails que recebe, viu?

Posso ser uma bruxa, mas Deus me envia os Seus para falar comigo. E são gente da mais fina estirpe, tá bom? Pessoas gentis, finas, educadas e que querem estar nas bênçãos d’O Cara Lá de Cima sem deixar de lado a sintonia com Dona Gramática.

Olha só que e-mail batuta que eu recebi do Thiago Lamartin:

Caros Amigos (as),
Sempre quando oro à Deus, tenho um monte de dúvidas. Uma delas vocês podem responder. Quando faço um pedido ou ordeno algo, tenho que usar o modo imperativo. Portanto, seria errado dizer: Senhor, abençoa a minha família. O correto seria: Senhor, abençoe a minha família. Agora, se eu quiser trocar “a minha família” por um pronome, será “Senhor, abençoe a”. Isso parece estranho ao ouvido. Por exemplo: Abençoe ao Maurício ou Abençoe a Maurício? Abençoe-lhe ou Abençoe-o?
Esclareçam-me, por favor.
Abençoa tu
Abençoe você (é equivalente a abençoe ele?)
Abençoemos nós
Abençoas vós
Abençoem você

Caros Amigos (as),

Sempre quando oro à Deus, tenho um monte de dúvidas. Uma delas vocês podem responder. Quando faço um pedido ou ordeno algo, tenho que usar o modo imperativo. Portanto, seria errado dizer: Senhor, abençoa a minha família. O correto seria: Senhor, abençoe a minha família. Agora, se eu quiser trocar “a minha família” por um pronome, será “Senhor, abençoe a”. Isso parece estranho ao ouvido. Por exemplo: Abençoe ao Maurício ou Abençoe a Maurício? Abençoe-lhe ou Abençoe-o?

Esclareçam-me, por favor.

Abençoado seja, Thiago! Vamos então sanar suas dúvidas. Para começar a prosa, chamo para cá o tio Antônio (Houaiss), que vai nos fornecer as definições do verbo

Abençoar

n verbo
transitivo direto
1 lançar bênção a; abendiçoar
Ex.: o bispo abençoou os fiéis

transitivo direto
2 Derivação: por extensão de sentido.
desejar bem a, bem-fadar
Ex.: era capaz de amar e abençoar qualquer um, sem distinção

transitivo direto
3 Derivação: por extensão de sentido.
exaltar ou louvar (algo ou alguém)
Ex.: abençoou o jovem por seu ato de bravura

transitivo direto
4 Derivação: por extensão de sentido
conceder proteção a ou tornar próspero; amparar, auxiliar
Ex.: as pessoas de bem abençoam os que lutam pela justiça

Se você reparou aí em cima, em todas as definições do verbo abençoar, ele é transitivo direto. Verbos transitivos diretos são auto-suficientes, não precisam de preposição para se ligar ao resto do predicado. Traduzindo: não importa quem vai abençoar, o que importa é que vai abençoar alguém ou alguma coisa. E não abençoar a alguém ou a alguma coisa.

Para ser mais prática: Pede pra Deus abençoar o Gilmar, a Maricota, o Biro-Biro, o Maurício, a Giselda, sua casa, minha rua. Assim é o certo.

Nunca peça pra Deus abençoar ao Gilmar, à Maricota, ao Biro-Biro, ao Maurício, porque é errado.

Quanto à conjugação do verbo abençoar no modo Imperativo afirmativo, vamos falar de novo com tio Antônio, porque havia algumas incorreções na conjugação que você me enviou no e-mail (certeza que foi erro de digitação, porque você escreve muito bem, viu? Parabéns! Vou fazer uma ressalvinha porque ninguém é de ferro e eu estou aqui pra informar corretamente, né? Mas deixa isso pro final, peraí!) Humm… eu falava de… ah, sim! A conjugação do verbo abençoar! Faz favor, tio Antônio:

Abençoa            tu
Abençoe            ele (ou você)
Abençoemos    nós
Abençoai          vós
Abençoem       eles (ou vocês)

Isto posto, vamos primeiro escolher como vamos tratar o Todo-Poderoso.

Há quem O considere Pai, Filho e Espírito Santo. Para essas pessoas, Deus (e Jesus Cristo e o Espírito Santo, os outros dois da Santíssima Trindade) é um ser plural, portanto é tratado na segunda pessoa do plural (Vós que estais à direita do Pai, só Vós sois o santo, etc, etc, etc.).

Há os que têm mais intimidade com O Cara, e o tratam por Tu.

Outros (eu me incluo nessa) acham meio estranho ficar falando vós pra cá, vós prá lá, porque esse pronome não é muito usado no Brasil. Mas não se sentem tão à vontade pra tratar o Hômi por Tu. Então, chamam Ele de Senhor – e usam a conjugação da terceira pessoa do singular (ele), que é mais facinha.

Portanto, fica a seu critério. Se você acha que Deus é digno de um vós, peça: “Abençoai o Pedrinho” (ou, se trocar por pronomes, abençoai-o; abençoai-os; abençoai-a; abençoai-as“.
Se você acordar num daqueles dias de profunda intimidade, ore: “Abençoa o Pedrinho“. (ou, se trocar por pronomes, abençoa-o; abençoa-os; abençoa-a; abençoa-as)
E, finalmente, se você quiser facilitar as coisas pro seu lado na hora da oração, é só dizer: “Senhor, abençoe o Pedrinho”. (ou abençoe-o; abençoe-a; abençoe-os; abençoe-as).

Ou seja: tanto faz você dizer “abençoa a minha família” quanto “abençoe a minha família“. Os dois modos estão corretos.

Só peço a você uma coisa, Thiago (eis a ressalvinha de que lhe falei agora há pouco): ore sempre a Deus, nunca ore à Deus.

É que essa crase (à) dá a entender que Deus é mulher, e Dona Gramática prefere tratar Deus como homem… então, não use a crase na frase “Orar a Deus“, OK?

Olha, espero ter esclarecido todas as suas dúvidas! Fique à vontade para me consultar mais vezes, sim? Foi, é e sempre será o maior prazer lhe atender!

E se esse papo da crase lhe trouxe ainda mais dúvidas, confira o que eu escrevi há quase um ano aqui).

Abração, e volte sempre! E que Deus abençôe você!

E a Deus eu agradeço por sempre colocar gente inteligente no caminho do meu caldeirão!

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Palavras aurelianas do dia [4 e última]

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010
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e, finalmente:

Autofagia
n substantivo feminino
1 ato de o homem ou animal nutrir-se da própria carne
2 Rubrica: biologia.
processo de autodestruição da célula

Autofagia

n substantivo feminino

1 ato de o homem ou animal nutrir-se da própria carne

2 Rubrica: biologia.

processo de autodestruição da célula

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Palavras aurelianas do dia [3]

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010
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Sou obrigada a confessar que eu sempre me confundo com essa. Tento analisar os prefixos e sufixos e mimbanano toda. Ave, tio Antônio!

Indeferir
n verbo
transitivo direto
1 não deferir, não atender a; desatender, desconsiderar, ignorar
Ex.: o diretor indeferiu a reivindicação de aumento salarial
transitivo direto
2 Rubrica: termo jurídico.
dar despacho contrário a; emitir decisão rejeitando (pedido, requerimento etc.)
Ex.: o juiz indeferiu a petição do advogado de defesa

Indeferir

n verbo

transitivo direto

1 não deferir, não atender a; desatender, desconsiderar, ignorar

Ex.: o diretor indeferiu a reivindicação de aumento salarial

transitivo direto

2 Rubrica: termo jurídico.

dar despacho contrário a; emitir decisão rejeitando (pedido, requerimento etc.)

Ex.: o juiz indeferiu a petição do advogado de defesa

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Palavras aurelianas do dia [2]

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010
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Outro lindo verbete usado pleo ministríssimo em seu texto de agora há pouco:

Expungir
n verbo
bitransitivo
1 fazer desaparecer (uma escrita) para pôr outra em seu lugar; apagar, delir, eliminar
Ex.: expungiu da carta a dolorosa palavra
bitransitivo
2 tornar limpo, isento, livre
Ex.: as autoridades expungiram de indesejáveis a cidade

Expungir

n verbo

bitransitivo

1 fazer desaparecer (uma escrita) para pôr outra em seu lugar; apagar, delir, eliminar

Ex.: expungiu da carta a dolorosa palavra

bitransitivo

2 tornar limpo, isento, livre

Ex.: as autoridades expungiram de indesejáveis a cidade

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Palavras aurelianas do dia [1]

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010
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Curti tanto o texto do ministríssimo Marco Aurélio Mello que estou aqui com tio antônio, a esta hora da noite (o feiticeirinho ca-bou de dormir), para conferir o significado d’alguns verbetes. Eis o primeiro:

Ensejar
n verbo
transitivo direto e bitransitivo
1 dar ensejo a, apresentar a oportunidade para; ser a causa ou o motivo de; possibilitar, justificar
Exs.: a ocasião enseja o ladrão
o dia de verão ensejou(-lhes) um piquenique
transitivo direto
2 aguardar a oportunidade de; almejar
Ex.: todos ensejavam que a festa começasse
pronominal
3 surgir ocasião de; apresentar-se, aparecer
Ex.: já se nos enseja uma imensa tarefa
transitivo direto
4 fazer tentativa de; experimentar
Ex.: ensejou as primeiras braçadas na aula de natação

Ensejar

n verbo

transitivo direto e bitransitivo

1 dar ensejo a, apresentar a oportunidade para; ser a causa ou o motivo de; possibilitar, justificar

Exs.: a ocasião enseja o ladrão

o dia de verão ensejou(-lhes) um piquenique

transitivo direto

2 aguardar a oportunidade de; almejar

Ex.: todos ensejavam que a festa começasse

pronominal

3 surgir ocasião de; apresentar-se, aparecer

Ex.: já se nos enseja uma imensa tarefa

transitivo direto

4 fazer tentativa de; experimentar

Ex.: ensejou as primeiras braçadas na aula de natação

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Café cultural

sexta-feira, janeiro 15th, 2010
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Mais uma de ectoplasma suíno.

Esse aviso leeendo está coladinho na máquina de café espresso da empresa onde a supracitada ectoplasma trabalha.

Vamos sorvê-lo aos poucos, como se um delicioso expresso fosse:

orly

Aí eu fico pensando: será que tem gente que acredita que, ainda que se use o aparelho de forma inadequada, ele vai funcionar direito? Tenho medo de pensar que tem gente que acredita nisso, viu?

Até porque, a correta utilização de QUALQUER aparelho leva a seu bom funcionamento (à exceção dos computadores, mas deixa isso prá lá).

Segundo que a expressão espresso é correta em italiano, mas não o é em português.

A palavra expresso (ex + presso) também pode significar retirado sob pressão. Querem ver só?

Falaí, tio Antônio:

Ex-

1) da prep.lat. ex/e ‘movimento para fora, tirado de’, (…);

2) do pref.prep.gr. eks- ‘fora de’ (conexo com ec-): exantema;

Daí que eu quero ver algum dicionário aceitar o espresso. Se aceitar eu chamo no braço!!!

E vai logo tomar seu café antes que esfrie, oras!!!

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De crepúsculos e prepúcios

segunda-feira, janeiro 11th, 2010
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Imagino que o subcitado colhéga do CAT estivesse a se referir ao prepúcio, né?

Bom, crepúsculo e prepúcio são duas palavras que têm em comum… apenas o pú. E não dá nem pra dizer que é apenas um a sílaba, porque em crepúsculo as duas letrinhas ainda são acompanhadas de um ésse, o que não ocorre no prepúcio (sem trocadilhos, sem trocadilhos…).

Tio Antônio, faz favor:

Crepúsculo
substantivo masculino
1 claridade no céu entre a noite e o nascer do Sol ou entre seu ocaso e a noite, devido à dispersão da luz solar na atmosfera e em suas impurezas
2 Derivação: por metonímia.
o tempo de duração dessa claridade, antes de se firmar o dia ou a noite
3 Derivação: sentido figurado.
período que antecede o fim de algo, momento em que se percebe este fim; declínio, decadência
Ex.: c. de uma civilização
Prepúcio
n substantivo masculino
Rubrica: anatomia geral.
prega cutânea que recobre a glande do pênis; acropóstia

Crepúsculo

substantivo masculino

1 claridade no céu entre a noite e o nascer do Sol ou entre seu ocaso e a noite, devido à dispersão da luz solar na atmosfera e em suas impurezas

2 Derivação: por metonímia.

o tempo de duração dessa claridade, antes de se firmar o dia ou a noite

3 Derivação: sentido figurado.

período que antecede o fim de algo, momento em que se percebe este fim; declínio, decadência

Ex.: c. de uma civilização


Prepúcio

n substantivo masculino

Rubrica: anatomia geral.

prega cutânea que recobre a glande do pênis; acropóstia

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Palavra do dia: mimetismo

terça-feira, janeiro 5th, 2010
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Tem muito tempo que não ponho uma palavra do dia aqui.

Achei estranho o mimetiza do texto da Folha de SPaulo sobre a Dilma Roussef.

Tio Antônio, explica por favor o que é …

n substantivo masculino
1 Rubrica: ecologia.
adaptação na qual um organismo possui características que o confundem com um indivíduo de outra espécie
2 Derivação: sentido figurado.
processo pelo qual um ser se ajusta a uma nova situação; adaptação
Ex.: m. político

Mimetismo

n substantivo masculino

1 Rubrica: ecologia.

adaptação na qual um organismo possui características que o confundem com um indivíduo de outra espécie

2 Derivação: sentido figurado.

processo pelo qual um ser se ajusta a uma nova situação; adaptação

Ex.: m. político

Aaaahhhh… começou a cubertura das eleissão… (/que saco)

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Equipe do cursinho Anglo “figurativiza” texto de Luis Fernando Verissimo

segunda-feira, janeiro 4th, 2010
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GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH

Peraí que eu ainda não acabei de gritar:

GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH

VOU CORTAR OS

PULSOOOOOOOOOOOOOOOOOSSSSSSSSSSSSSS

Eu juro que eu sou inocente. Estava aqui, no aconchego de meu computador, respirando e lendo a correção da prova de português da Fuvest, realizada ontem, domingo.

Ainda estou meio passada com o fato de nego considerar o tema da redação difícil. Eu faria umas vinte redações com esse tema proposto. Mas não vou me tomar como base, e não é nem por soberba, não, é porque eu sou tagarela, falo (e, por tabela) escrevo mais do que deveria, e…

Viram só? Já comecei a falar da redação, mas deixa a redação prá lá.

Caí da cadeira ao ler a correção da questão 3 sugerida pela equipe do cursinho Anglo. Gente, o texto grifado na imagem abaixo foi escrito por UM-PRO-FES-SOR! EU DISSE UM-PRO-FES-SOR!!!!!!!

Espiem só o estilo-quiabo do cidadão que respondeu à questão. Na boua, se eu sou da banca de correção da Fuvest, mando um cabra desses ir ofender a vovozinha dele…

Ô, tio! Fala "ilustra" que é mais bonitinho....

Ô, tio! Fala "ilustra" que é mais bonitinho....

Aí, os alunos desses caras saem do cursinho e começam a escrever objetivando disponibilizar um novo conceito em figurativização das funcionalidades, crentes que estão abalando Bangu, e a gente é obrigado a ler essas bostas…

Tio Antônio nem sabe me dizer o que significa figurativizar…. quase me botou de castigo, porque pensou que eu estivesse a xingar sua pessoa dele…

Bom, deixa eu ajudar o senhor professor do anglo a responder de forma menos ivizante à questão da Fuvest:

O trecho em destaque pode ser entendido em seu sentido literal, mas ao fazer isso o leitor deixará de perceber o charme do estilo de Luis Fernando Verissimo. Ao saborear com prazer o texto proposto, o leitor sente que meias e água-de-colônia barata adquiriram uma conotação diferente. Tornaram-se itens reles, sem importância, com os quais se presenteia aqueles a quem se tem pouca estima. As expressões, portanto, adquiriram nova extensão de sentido, além do literal.

Tá bom assim ou quer que embrulhe?

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Como é mesmo o nome, meu filho?

segunda-feira, dezembro 28th, 2009
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Jura que esse negócio vermelho é um pê maiúsculo? Não tem nada de mais aí, não?

Jura que esse negócio vermelho é um pê maiúsculo? Não tem nada de mais aí, não?

Cara, tem coisas que só acontecem comigo. Acho que eu atraio ameba, só pode ser!

Cá estou eu no litoral de São Paulo, a visitar a sogra. Na esquina da casa dela, coitada, tem uma igreja evangélica. Até aí tudo bem, a Constituição Brasileira garante que todos os cidadãos deste país têm o livre direito de professar a religião que quiserem [sabiamente corrigido pelo Sr. Anônimo Covarde. Muito obrigada, sim?].

Mas religião passa a ser problema deste Caldeirão a partir do momento em que a igreja em questão chama-se Igreja Peniel. Atentem para o pê maiúsculo do logotipo da igreja.

Abespinhada com a possibilidade de neopastores criarem umnovoconceito em Deus (não sei se os digníssimos transformaram Deus num grande e exuberante falo – nossa, isso é até pecado, cruzes!), fui em busca de explicações para o nome Peniel. Vai que sou eu que estou pensando besteira e não é nada disso, né?

Mas o texto do Quem somos não ajudou muito a iluminar meu Caminho em Busca da Verdade, não… Pelo contrário, o Caminho Deles Para a Verdade percorre esburacadas estradas de Língua Portuguesa.

Confiramos, pois, o texto peniano peniel:

O Ministério Peniel é uma organização religiosa composta por Igrejas Batistas Peniel , que tem por finalidade dar continuidade a uma visão evangelística de adoração e louvor a Deus, regado sempre pela oração e proporcionando muita comunhão para os irmãos que compõem esta família denominada família Peniel.
O Ministério Peniel tem na sua liderança , pastores, missionários, obreiros de formação teológica , bem como um caráter cristão altamente qualificado que visam cuidar das famílias e vidas que têm se filiado a essa organização.
Possui sua sede Internacional na cidade de São Vicente –SP ,onde ficam o presidente do ministério pr. Newton Gloria Lobato Filho e sua esposa Maura Braga Lobato .
A igreja Peniel tem por objetivo desenvolver múltiplos ministérios na área de ensino desenvolvendo vários projetos sociais. Além disso, realiza trabalhos com os jovens e adolescentes como:  AJOP – Jovens ( Ação Jovem Peniel)  , Revolution e Impacteen ( trabalhos voltados para a  participação dos adolescentes) ,  S.I.M ( Linguagem de Libras para deficientes auditivos), Casados para sempre, Cultos infantis ( realizados com as crianças no decorrer dos cultos e as células, que é o ponto forte do ministério, que visa o pastoreio, comunhão , evangelismo e edificação das vidas que ali se encontram.
O ministério Peniel desenvolve ainda na área de comunicação um programa de TV que vai ao ar diariamente de segunda a sexta na rede Santa Cecília as 9h da manhã, na rede VTV  aos sábados 13h30 e domingos 8h que vai ao ar  para todo litoral Sul e Norte, Vale do Ribeira e região de Campinas. O ministério possui também a TV pela Rede Mundial de Comunicação ( Internet) através do site www.portalpeniel.com que permanece 24 horas no ar.
O ministério Peniel  está face a face com DEUS e  esperando a sua visita para abençoar a sua vida .

O Ministério Peniel é uma organização religiosa composta por Igrejas Batistas Peniel , que tem [olha, seu pastor, o senhor vai me desculpar, mas o Caminho da Verdade Suprema da Língua Portuguesa estabelece em um de seus Mandamentos que o verbo Ter, quando conjugado nas primeira, segunda e terceira pessoas do plural, ganha um acento circunflexo indicativo de plural, OK? Amém!] por finalidade dar continuidade a uma visão evangelística [Temo muito visões evangelísticas. Mas tio Antônio já me disse que não preciso temer, não, porque evangelístico é uma palavra à qual ele dá fé.] de adoração e louvor a Deus, regado [temo ainda mais quando A visão evangelística em questão é regadO. A Língua Portuguesa costuma ser meio homossexual nessas horas, sabe? É menina com menina e menino com menino. então, A visão é regadA, e O olhar é regadO. Agora e sempre. Amém.] sempre pela oração e proporcionando [Eles levaram duas linhas pra enfiarem um encosto gerundol aqui. Nem posso reclamar muito, não…] muita comunhão para os irmãos que compõem esta família denominada família Peniel.[E essa tão bela família tem como padrinho Sigmund Freud? Hein? Quem? Esquece.]

O Ministério Peniel tem na sua liderança , [O Caminho da Verdade Suprema da Língua Portuguesa professa em seus primeiros mandamentos que é EXPRESSAMENTE PROIBIDO O USO DE VÍRGULAS para separar sujeitos de predicados. Agora e sempre. Amém.] pastores, missionários, obreiros de formação teológica , bem como um caráter cristão altamente qualificado [são dois tipos de liderança, como vocês podem perceber. A liderança física e a liderança de caráter. Não sei qual delas manda mais. Nem vou tentar saber, OK?] que visam cuidar das famílias e vidas que têm se filiado a essa organização. [Mas ambas tomam contas das vidas e das famílias. Na minha terra isso se chama fo-fo-ca. Mas não vou polemizar].

Possui sua sede Internacional na cidade de São Vicente –SP [Globalização é isso. O resto é pecado.],onde ficam o presidente do ministério pr. Fulano e sua esposa dona Beltrana.

A igreja Peniel tem por objetivo [Lá em cima era a finalidade. Cá embaixo é o objetivo. Sei, sei…] desenvolver múltiplos ministérios na área de ensino desenvolvendo [curto muito os filhos de Deus que desenvolvem desenvolvendo. É uma atitude de extrema redundância, saca?] vários projetos sociais. Além disso, realiza trabalhos com os jovens e adolescentes como:  AJOP – Jovens ( Ação Jovem Peniel)  , Revolution e Impacteen ( trabalhos voltados para a  participação dos adolescentes) ,  S.I.M ( Linguagem de Libras para deficientes auditivos), Casados para sempre, Cultos infantis ( realizados com as crianças no decorrer dos cultos e as células, que é o ponto forte do ministério [Se as células é o ponto forte do ministério, cer-te-za que o ponto fraco é a Língua Portuguesa. Cer-te-za.] , que visa o pastoreio, comunhão , evangelismo e edificação das vidas que ali se encontram.

O ministério Peniel desenvolve ainda na área de comunicação um programa de TV que vai ao ar diariamente de segunda a sexta na rede Santa Cecília as 9h da manhã, na rede VTV  aos sábados 13h30 e domingos 8h que vai ao ar  para todo litoral Sul e Norte, Vale do Ribeira e região de Campinas [Tem coisa que vai pra rede TV que não vai pra VTV, e tem coisa que vai pra VTV que não vai ao ar em Botucatu, por exemplo. Só não sei qual é qual. Senhor Pastor não explicou direito]. O ministério possui também a TV pela Rede Mundial de Comunicação ( Internet) [Não sei quanto a vocês, mas eu ge-lei e prendi a respiração aqui. Por um instante cheguei a pensar que o Senhor Pastor fosse dono da Rede Mundial de Comunicação] através do site www.portalpeniel.com que permanece 24 horas no ar.[curto muito os sites que ficam no ar 24 horas por dia. Lembro da professora Ju que, certa feita, prometeu a um queridocliente que queria seu site no ar de segunda a sexta, no horário comercial, que ela faria uma promoção especial pra ele: site no ar de domingo a domingo por preço de horário comercial. O queridocliente assinou contrato na-ho-ra… o maior negócio da vida dele, né?]

O ministério Peniel  está face a face com DEUS [Mas será que eles encaram Deus assim, olho no olho, mesmo depois de tanto erro de português junto? Ah, sei lá, eu ficaria envergonhada…] e esperando a sua visita para abençoar a sua vida . [O senhor me desculpe, Senhor Pastor, mas eu não posso visitar o senhor. Minha religião não permite que eu me misture com pessoas que usam tão mal a Língua Portuguesa. Fique em paz e que o Senhor vos acompanhe – Graças a Deus!]

Ó, Senhor Pastor, permite que eu pavimente teu Caminho da Verdade com impecável e impoluto asfalto gramatical que, com as bênçãos da Língua Portuguesa, ajudar-te-á a evangelizar teu rebanho. Agora e sempre. Amém.

Impoluto e impecável, ó Senhor Pastor, teu texto fica assim, ó:

O Ministério Peniel é uma organização religiosa composta por Igrejas Batistas Peniel , que têm por finalidade dar continuidade a uma visão evangelística de adoração e louvor a Deus, regada sempre pela oração e que proporciona muita comunhão para os irmãos que compõem esta família denominada família Peniel.

O Ministério Peniel tem na sua liderança sem vírgula , pastores, missionários, obreiros de formação teológica , bem como um caráter cristão altamente qualificado que visam cuidar das famílias e vidas que têm se filiado a essa organização.

Possui sua sede Internacional na cidade de São Vicente –SP,onde ficam o presidente do ministério pr. Fulano e sua esposa dona Beltrana.

A igreja Peniel tem por objetivo criar múltiplos ministérios na área de ensino, que por sua vez desenvolvem vários projetos sociais. Além disso, realiza trabalhos com os jovens e adolescentes como:  AJOP – Jovens ( Ação Jovem Peniel)  , Revolution e Impacteen ( trabalhos voltados para a  participação dos adolescentes) ,  S.I.M ( Linguagem de Libras para deficientes auditivos), Casados para sempre, Cultos infantis ( realizados com as crianças no decorrer dos cultos e as células, que são o ponto forte do ministério-ponto. Elas visam ao pastoreio, comunhão , evangelismo e edificação das vidas que ali se encontram.

O ministério Peniel desenvolve ainda na área de comunicação um programa de TV que vai ao ar diariamente de segunda a sexta às 9 da manhã pela rede Santa Cecília-ponto e vírgula; aos sábados às 13:30 pela VTV; e aos domingos, às 8 da manhã, o programa vao ao ar para todo o litoral Sul e Norte, Vale do Ribeira e região de Campinas. O ministério possui também a TV pela Rede Mundial de Comunicação (Internet), no site www.portalpeniel.com que permanece 24 horas no ar.

O ministério Peniel  está face a face com DEUS e esperando a sua visita para abençoar a sua vida.

E eu não consegui descobrir qual a origem e o destino da palavra Peniel. Acho melhor desencanar…

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