George Lakoff e a fila do pão francês

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E há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

George Lakoff – e há quem diga que ele é irmão gêmeo do Fernando Morais!

Vou fazer este texto aqui pro próximo texto não ficar quilométrico.

George Lakoff explica tudo e mais um pouco sobre o que tá com teseno  no Brasil de hoje. Então, faz-se míster (eu adoro essa expressão, então me deixa, o texto é meu, a vida é minha, o estilo é meu, a expressão cabe como uma luva aqui, então não torra) explicar um pouco do meu mais recente darling.

George Lakoff foi um dos pioneiros da linguística gerativa. Noam Chomsky dizia que a linguagem é inerente ao ser humano, e que estímulo é coisa behaviorista e não tem nada a ver e tals. Lakoff embarcou nessa, e começou a estudar, lá no meião dos anos 1960, como é que a parada da compreensão de um texto era resolvida nos neurônios.

Quinze anos depois, ele desistiu do gerativismo. Descobriu que estava trabalhando com conceitos movediços, e que se ele insistisse naquela história de que linguagem é coisa do cérebro e tals ele não iria muito longe na tarefa de ligar semântica com neurônio.metaphors

Essa guinada foi muito boa pro seu Jorge. Tanto que em 1980, ele publicou a primeira obra do que eu considero sua trilogia básica: Metaphors we live by (link pra você baixar o lindinho, ininglix), onde ele explica que o cérebro trabalha sempre um esquema de usar ideias de um campo pra explicar coisas em outro: tempo é dinheiro  (relação entre ganhar/perder dinheiro com ganhar/ perder tempo), a vida é um grande jogo (ambos com regras, jogadores, estilos e trapaças), a luta pelo poder (conquistas e perdas de uma guerra e relações interpessoais) e por aí vai. Tudo no nosos cérebro vira uma grande metáfora ou metonímia.

Estava fundada a Linguística Cognitiva.

Dez anos depois, Lakoff trouxe ao mundo a segunda obra de sua trilogia básica, Women, fire and dangerous things (Mulheres, fogo e coisas perigosas). O título é uma grande e brilhante provocação, que leva o papo das metáforas adiante e vai trabalhar a ideia de categorização, e como a gente passa o-di-a-in-tei-ro categorizando as coisas ao nosso redor: pessoas com óculos/sem óculos; folhas verdes/folhas de outra cor; homens com cabelo curto/mulheres com cabelos compridos etcetcetc. (A Linguística funcionalista pede a palavra e começa a explicar os protótipos nessa hora, mas deixemos meus amigos Funcionalistas de boas ali tomando a cervejinha deles).

WFDTO cabra ainda se vale de um cinismo delicioso pra alfinetar a sociedade americana e sua adoração por carros:

“Provavelmente a coisa mais chata que um professor de Linguística faz durante aulas pra calouros é ter de explicar as várias palavras que os Esquimós usam para se referir ao que nós chamamos simplesmente de neve. (…) Um esquiador também usa várias palavras diferentes pra se referir a neve. Qualquer um com um conhecimento especializado vai se valer de palavras específicas para se referir ao seu domínio de conhecimento. Marceneiros, jornalistas, advogados e até mesmo linguistas fazem isso. Quando uma cultura inteira torna-se especialista num domínio, eles adquirem um amplo vocabulário. Basta observar que os americanos têm mais de 200 palavras para se referirem a um carro.” (pág. 308)

Mas o livro que arremata lindamente o raciocínio iniciado em Metaphors e prosseguido em Women, fire é The Political Mind, de 2008. Eu já falei sobre esse livro e como ele se aplica ao Brasil no meu Facebook. Lourdes Nassif e Fernando Brito reproduziram esse texto no GGN e no Tijolaço, respectivamente.political mind

E o mais interessante: hoje eu reparei que oLakoff é AS-FU-ÇA do Fernando Morais! Que coisa…

 

Entenderam a quantas anda a fila do pão francês, quem É George Lakoff nessa fila, e como o cabra tarra coberto de razão quando falou que a gente usa metáfora e categorização o tempo inteiro? Taí a imagem da fila do pão francês na sua cabeça que não nos deixa mentir… 😀

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5 comentários sobre “George Lakoff e a fila do pão francês”

  1. » A beleza, o recato, o lar e um monte de framing mal trabalhado comentou:

    […] « George Lakoff e a fila do pão francês […]

  2. Marcos comentou:

    Ei ! ? No tijolaço não é o Fernando Brito ? Porque ele virou Antonio ?
    Abraço

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Afff…
    Antonio, Fernando, vamos todos morrer mesmo…
    (Obgda, já alterei o texto!)

  4. Marcos comentou:

    hahaha, mas no obtuário – obturário diria algum deputado – tem que estar certo. E na lápide também.

    E parabéns pelos ‘texto bão’.

  5. Cláudio Luiz comentou:

    Se mudou o ferando, melhor corrigir o nassif. Ou ele tem uma tia chamada Lourdes?
    Tudo bem, sempre temos a desculpa do corretor. eheheheheh

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