O catadão da Folha e o meu remorso

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É sério, gente. Deu remorso.
Toda vez que fico sem postar eu volto com uma bostinha da Folha de SPaulo.
Agora, só porque deu creca grande aqui no meu caldeirão, a Folha resolveu me seguir à altura, e tá armando uma lambança daquelas que nem a publicação errada daquele anúncio na copa de 2010, que originou a criação da categoria “PORRA, FOLHA!” aqui no caldeirão (cejura que nunca se tocou que meu blog tem editorias categorias? Incréu… :/ ), vai conseguir superar.

Então vamo lá arrumar a bagaça.

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Encafifei com a pesquisa Datafolha. Fui no site do TSE pra ver se havia algue registro dela, ou mesmo se havia disponível  nalgum canto o PDF com o questionário, como sai sempre no TSE em época de eleição, por força da lei.

Achei foi nada.

Aí eu contei minha saga num post que mandei pro Britto, e colo aqui, porque né? Plágio é o cacete, o texto é meu, foi devidamente reconhecido lá no Tijolaço e o Brito inda deu uma editada perfeita nele! Eilo:

O catadão do Datafolha

O Datafolha foi a campo na semana passada,  dias 14 e 15 de julho. Catou 2.792 patos entrevistados em 171 (que número, senhores, que número!) municípios, com aquela já famosa “margem de erro máxima de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Isto significa que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista.

A dita pesquisa rendeu quatro posts no site do instituto: um sobre o tal índice histórico de confiança; um sobre intenção de voto em 2018; outro com a avaliação do governo Temer e mais um sobre a opinião do brasileiro sobre a Previdência.

Foram quatro textos com tabulações imensas, todas geradas geradas a partir desse único campo, dos dias 14 e 15, com os mesmos 2.792 cabras. A leitura pontual de cada um desses quatro textos daí de cima me permitiu fazer tipo uma engenharia reversa  do questionário que os cabras tiveram que responder: um calhamaço cuja última pergunta enunciada (já explico o que quero dizer com isso) é a de número 39.

Li o enunciado de cada uma das páginas com os levantamentos publicados. Quando encontrava um título “P. XX [pergunta número tal]”, copiava  e colava no Word. Percebi que estava arrumando os números fora de ordem. E, claro, que as perguntas não foram feitas na ordem em que foram tabuladas e seus resultados apresentados.

Daí eu fiz aqui um processo parecido com o que eu tô fazendo no meu mestrado: uma análise sintático-semântica e de contexto. Pra se ter uma ideia do que se passou pela cabeça de que cada cabra respondedor de pesquisa ao ouvir a ladainha, o interrogatório, o questionário.

Então vamos lá. Vocês vão perceber que tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo nesse questionário.

Das seis primeiras perguntas do questionário, quatro podem ser encontradas no texto sobre intenção de voto (aquele que diz que o Lula tem uma rejeição do caramba e tals). Vamos a elas:

P.1 Em 2018 haverá eleição para presidente da República. Em quem você pretende votar para presidente na eleição de 2018 ? (Resposta espontânea e única, em %)

P.2 Alguns nomes já estão sendo cogitados como candidatos a presidente EM 2018. Se a eleição para presidente fosse hoje e os candidatos fossem estes ______________, em quem você votaria ? E se os candidatos fossem estes ________, em quem você votaria para presidente ? (Resposta estimulada e única, em %)

[vamos partir do pressuposto de que o Datafolha tem critérios, e mostrou os nomes num cartão circular – sem risadinhas, por favor – porque se for em forma de lista beneficiaria os primeiros do rol. Como a pesquisa não é registrada no TSE,  não há acesso ao PDF com o questionário e a forma de apresentação das respostas]

Seria o mesmo na pergunta pra ver o índice de rejeição:

P.3 Em quais desses candidatos ____________ você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente da República em 2018 ? E qual mais ? (Resposta estimulada e múltipla, em %)

Não encontrei as perguntas 4 e 5 em nenhum dos documentos publicados. Portanto, não vou fazer nenhuma especulação. Nem mesmo a de que as perguntas 4 e 5 podem entrar no conjunto das perguntas referentes à corrida presidencial de 2018. Já, já vocês vão entender o porquê;

P.6 Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje e a disputa ficasse apenas entre _________________________ em quem você votaria ? (Resposta estimulada e única, em %)

[aqui é pra fazer previsões de segundo turno. Não me perguntem o porquê. Até aqui a pesquisa está meramente técnica.]

P.7 Você sabe o nome do atual ocupante do cargo de presidente da República ? (Resposta estimulada e única, em %)

[já a pergunta 7 apareceu em outro texto do site, o que faz a avaliação de Temer. Faz sentido gerar um outro texto, mas também seria bem sincero da parte do instituto dos Frias tabular tudo num catadão só, e depois fazer os catadinhos separados. Enfim, critérios.]

P.8 O presidente interino Michel Temer está completando dois meses de governo. Na sua opinião, Michel Temer está fazendo um governo: (Resposta estimulada e única, em %)

[Aqui o bicho começa a pegar. Ponha reparo na pergunta sete. Indaga sobre o atual ocupante do cargo de presidente da República. A pergunta oito fala sobre O presidente interino, Michel Temer. Vamos combinar que atual ocupante do cargo não é a mesma coisa que presidente interino. A Constituição prevê, nas Condições Normais de Temperatura e Pressão, um total de quatro manés cidadãos que podem ser presidentes interinos: o vice, o presidente da Câmara, o presidente do Senado e o presidente do STF.

Agora vamos pôr reparo no alto poder semântico dos verbos usados nas questões sete e oito. Na questão sete, saber dá muito poder ao entrevistado: ele S A B E. Ele tem conhecimento, domina a informação. Na oito, temos um gerúndio (corretamente utilizado, do ponto de vista sintático) taxativo: Temer está completando. Agora se coloque no lugar do cabra que disse que sabia e errou o nome do presidente da vez ( e foram 33% dos entrevistados, segundo a pesquisa). Na pergunta seguinte, as entrelinhas o informam de um processo que já começou há alguns meses, e que continua em andamento. Como você se sentiria se, sutilmente, um pesquisador te taxasse de desinformado, na sua cara? Você,defensivamente, vai posar de informadão, certo? E como fazer isso? Ora, você vai con-cor-dar com o que o pesquisador te perguntar.]

P.9 De zero a dez que nota você dá para o desempenho do governo Michel Temer ? (Resposta espontânea e única, em %)

[As maiores concentrações de respostas ficaram em números médios (5 e 6) e no número zero. Deu média 4. Se você acabou de descobrir quem é o teu presidente, assim, de chofre, você vai fazer média. Foi o que rolou.]

P.10 O Senado analisa um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Na sua opinião, os senadores deveriam votar a favor ou contra o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff ? (Resposta estimulada e única, em %)

[O cabra deve dizer se é a favor, contra, indiferente ou não sabe. Essas duas últimas respostas totalizaram seis pontos percentuais (três pra cada uma). Aqui o a favor ficou com 58%. Poderia dizer que é o início de uma concordância com a pesquisa, mas vou me abster por agora. Ademais, ponha reparo no micropoder estendido novamente ao entrevistado: como os senadores deveriam votar. Até agora, nada foi informado ao entrevistado sobre o processo de impeachment, a não ser sua existência. Nem mesmo ele foi convidado a responder se “está a par do processo de impeachment que corre contra Dilma Roussef”. (A não ser que essa pergunta seja uma das não reveladas)]

Como, aliás, sumiu também a pergunta 11;

P.12 E na sua opinião, a presidente Dilma vai ou não ser afastada definitivamente da Presidência ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Sim, 71% dos entrevistados! Na sua opinião, ó entrevistado, você que tem opinião formada sobre tudo, conte-nos o que você pensa? Raciocínio de resposta: já que o Temer está completando tanto tempo de governo, Dilma tem que ser afastada! Não, isso não é apelação minha. Há quem pense assim.]

P.13 Na sua opinião, o que seria melhor para o país: que Dilma voltasse à Presidência ou que Michel Temer continuasse no mandato até 2018 ? (Resposta estimulada e única, em %)

[mais uma vez apela-se à poderosa opinião do entrevistado, aquele que há cinco perguntas descobriu quem era o presidente desta bagaça. Todos os verbos estão em tempos que indicam ou suposições (futuro do pretérito, o nosso modo condicional) ou incertezas (modo subjuntivo). Dilma voltar ou Temer continuar são duas incertezas. O entrevistado nem pensa nisso, mas a função do modo subjuntivo é mostrar uma incerteza. Isso já está introjetado na nossa compreensão de língua. E ele, o entrevistado, tem o poder de acabar com essa incerteza.]

As perguntas 14 a 17 também foram abduzidas e não constam das tabulações do Datafolha.

P.18 Você diria que o Brasil é um país ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo para se viver ? (Resposta estimulada e única, em %)

Esta é a primeira pergunta que aparece no texto sobre o “Índice de Confiança do Brasileiro”. O verbo está no futuro do pretérito do indicativo, o nosso modo condicional. Quais condições o entrevistado está ponderando neste momento não dá pra dizer, pois falta o caminho de raciocínio das 4 perguntas anteriores.

P.19 Você diria que tem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de ser brasileiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

[perguntinha confusa! Temos quatro palavras-chave aqui, duas de semântica positiva (mais e orgulho) e duas de semântica negativa (menos e vergonha), que são embaralhadas na cabeça do entrevistado. Mais orgulho ou mais vergonha ou menos orgulho ou menos vergonha? Organizar o raciocínio semântico é meio confuso.

Véi, a pergunta 20 não foi recuperada no meu garimpo, mas a pergunta 21…

P.21 Na sua opinião qual é o principal problema do país hoje ? (Resposta espontânea e única, em %)

A pergunta 21 aparece computada não no texto do índice de confiança, mas no da avaliação do governo Temer. E começa a fase “Escravos de Jó” dos questionários. Interessante perceber nessa pergunta três respotas que não pontuaram, mas mesmo assim entraram no rol: habitação, falta d’água, reforma agrária/sem terra. Imagino que essas respostas pontuaram em levantamentos anteriores, por isso aparecem lá.

P.21A Como você avalia o desempenho do juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato: ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Calma. Sem surtos. Vamos pensar aqui. Você acabou de responder sobre vergonha e orgulho com o seu país, foi instado a responder espontaneamente sobre o principal problema e agora tem que falar sobre o desempenho de Sérgio Moro na Lava Jato. Lava Jato who, cara pálida? Que que tem a ver a Lava Jato com as calças? Depois de tanto problema, Sérgio Moro é a solução? E a pesquisa é isentona, né? Só um monte de número tabulado, com margem de erro de até dois pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de incerteza e armaria!!! Imagina se não fosse!!!]

P.22 Na sua opinião, daqui para frente a inflação vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? E o desemprego, vai aumentar diminuir ou ficar como está ? E o poder de compra dos salários vai aumentar, diminuir ou ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

[Num disse que a gente tinha entrado na fase “Escravos de Jó” dos questionários? Depois de falar sobre o Moro, que chegou de paraquedas nessa pesquisa, a pergunta 22 volta a responder ao questionário do índice de percepção do Datafolha. Olha que belezura, gente! Você tem que pensar sobre inflação, desemprego, poder de compra e salário, tudo ao mesmo tempo agora, indo pra cima e pra baixo e sempre pensando daqui pra frente (exercício de futurologia). Entenderam por que os resultados foram disparatados? A pergunta está confusa!!!]

P.23 Na sua opinião, nos últimos meses, a situação econômica do país melhorou, piorou ou ficou como estava ? E no seu caso pessoal, você acha que a situação econômica melhorou, pirou ou ficou como estava ? (Resposta estimulada e única, em %)

[outra pergunta do índice Datafolha. A sacrossanta opinião do entrevistado volta a ser convocada, mas ele tem que pensar no passado, logo depois de exercitar sua futurologia, ele tem que pensar no passado do país e da vida dele. E já volta correndo pro futuro que, se Deus quiser, vai ser melhor.]

P.24 E nos próximos meses, na sua opinião, a situação econômica do país vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? E no seu caso pessoal, você acha que a sua situação econômica vai melhorar, vai piorar ou vai ficar como está ? (Resposta estimulada e única, em %)

Na pergunta 22, o cabra foi pro futuro; na pergunta 23, foi pro passado; agora ele volta para o futuro, numa viagem de matar Michael J Fox de inveja. E sujeito a todo tipo de consideração pessoal…Ai, que pesquisa rigorosa essa, não? (é, eu sei…)

Pausa na citação, porque eu escrevi o texto pro Tijolaço na segunda (18/7) à noite, e o Brito publicou na terça (19/7) pouco antes do almoço. Horas depois, a Folha libera mais um catadinho do catadão, desta vez sobre a opinião dos brasileiros sobre as Olimpíadas. E foram reveladas mais quatro pergunta,s que eu analisei rapidinho:

P.25 O Rio de Janeiro será a sede da Olimpíada no próximo mês. Você é a favor ou contra a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.26 Você diria que tem muito, um pouco ou nenhum interesse pela Olimpíada ? (Resposta estimulada e única, em %)

P.27 Na sua opinião, a realização da Olimpíada no Rio de Janeiro traz mais benefícios do que prejuízos ou mais prejuízos do que benefícios: (Resposta estimulada e única, em %)

P.28 Na sua opinião, _______________ fará os brasileiros terem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho do país ? (Resposta estimulada e única, em %)

Mais quatro perguntas reveladas. O tema da vez é Olimplíadas. Foram originalmente apresentadas aos 2.792 cabras durante o passeio no De Lorean do Michael J Fox que foi pro passado, futuro e passado. Paramos nas Olimpíadas, que começam daqui a pouco. Futuro próximo. Novamente temos perguntas com construção semântica conflitante (mais orgulho, menos vergonha, tudo junto e misturado), e outra com uma organização conflitante, onde os antônimos prejuízo e benefício são apresentados sob o advérbio mais.

E a 28 ainda me traz que o orgulho ou vergonha vai ser não do desempenho dos atletas que vêm pra competição, mas sim a organização do evento e os sistemas de transporte e segurança!!! A pergunta 29 continua incógnita.

P.30 Com qual idade você espera se aposentar ? (Resposta espontânea e única, em %)

É a pergunta 30 que inaugura a série sobre a perspectiva dos brasileiros com relação à previdência. Como a resposta é individual, o cabra pensou nele só. É a idade com que ele espera se aposentar. É um verbo fraco, que confere pouco poder ao entrevistado. Sumiu da pergunta o na sua opinião, repararam? 60 anos foi a média obtida na resposta. Agora responda sinceramente: nos seus mais profundos desejos, você quer passar dos 60 anos ralando na labuta? Ninguém quer… O que se apreende disso? “Brasileiro não tem noção da realidade previdenciária.” Vaiveno

P.31 Na sua opinião, os trabalhadores brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo do que deveriam, mais tarde do que deveriam ou na idade adequada ? (Resposta estimulada e única, em %)

Aqui o cabra é convidado, sutilmente, a dizer se é vagabundo ou ralador.

P.32 Você é a favor ou contra o governo estabelecer uma idade mínima para os brasileiros se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

O cabra falou com que idade ele espera se aposentar. Deu um número baixo. A seguir, deu uma pensadinha se ele é realmente digno de ter controle sobre sua aposentadoria, pois “os brasileiros, em geral, se aposentam mais cedo”, conforme enuncia a ordem da pergunta 31. Aqui ele vai concordar que brasileiro é incapaz de decidir sobre a própria aposentadoria, melhor que o governo o faça por ele.

P.33 Você é a favor ou contra os homens e as mulheres terem a mesma faixa de idade mínima para se aposentarem ? (Resposta estimulada e única, em %)

A resposta é zero ou cem. Contra ou a favor. Não existe ponderação, não existe sequer espaço pra fazer alguma consideração. É sim ou não. Só que a questão não é de sim ou não. Tem muita variável envolvida.

P.35 Atualmente, em relação ao seu emprego, você diria que:

A questão 34 não foi recuperada, mas a questão 35 está no outro questionário, o do índice Datafolha. Você acabou de descobrir que não tem competência pra pensar em previdência, porque quer se aposentar cedo, e agora vai pensar sobre o seu emprego. Tremeu na tabela, né?

P.36 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem emprego é:

P.37 Atualmente, em relação ao seu trabalho, você diria que: (Resposta estimulada e única, em %)

P.38 Você diria que atualmente a possibilidade de ficar sem trabalho é: (Resposta estimulada e única, em %)

As perguntas 36 a 38 fazem indagação similar para categorias diferentes. Há uma sutil diferença entre emprego e trabalho. Nada sutil, aliás, num país onde o trabalho informalizado tem um peso imenso.

P.39 Você diria que o dinheiro que você e sua família ganham é: (Resposta estimulada e única, em %)

Aí eles fecham com uma pergunta que esqueceram de encaixar lá em cima, mas ia ajudar a compor os números. Poderiam ter encaixado na hora do medo de perder o emprego, mas aí muitos poderiam dizer que ganham muito pouco, o que daria problema com o patrão. Aqui ficou ótimo..

É óbvio que a indução e o “jeitinho”  do catadão não vão transformar urubu em meu louro, mas numa pesquisa que proclama um margem de erro de dois pontos, basta que influenciem 56 patos  dos 2.792 entrevistados para mandá-la para o espaço.

Faz a conta aí: se 14% ( entre 13,5 e 14,4%, por conta do arredondamento) acham Temer ótimo ou bom, isso são entre 378 e 403manés  entrevistados. Qualquer “trocado” importa, né?

Fora o “não sei que é, mas quero que fique” da pergunta sobre quem é o “atualocupante do cargo de presidente da República”. O importante é não passar frio de noite nesse inverno, né?

E eu concluí meu texto pro Tijolaço sem identificar as questões de números 4, 5, 11, 14, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Dez perguntas não reveladas.

Glenn Greenwald insistindo que os números da bagaça estavam errados. Também achei estranho, mas não tinha como correr atrás.

Aí o Britto do Tijolaço ficou encafifado. E foi fuçar no site do Datafolha. Apertou três vezes o botão de delete e descobriu simplesmente aquela que é, de longe, a maior de todas as merdas de toda a história da Folha de São Paulo (e olha que a Folha faz merda atrás de merda….)

Na matéria sobre a avaliação do governo Temer, ao clicar no link pro PDF com o estudo, ele viu este final de endereço:

delete

Tacou o cursor depois do r de Temer, e pá-pá-pá no delete. Enter.

CARACA, MANO, O OUTRO ARQUIVO TAVA LÁ NO SERVIDOR DO DATAFOLHAAAA!!! O TEXTO COMPLETO COM DUAS PERGUNTAS, JUSTAMENTE AS TABULAÇÕES QUE O GLENN TAVA RECLAMANDO!!!

Apareceram mais duas perguntas, a 11 e a 14, que eu vou colar aqui pra não te deixar lhouco:

P.11 NA SUA OPINIÃO, O PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA A PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF ESTÁ SEGUINDO A REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO OU ESTÁ DESRESPEITANDO AS REGRAS DEMOCRÁTICAS E A CONSTITUIÇÃO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

e

P.14 UMA SITUAÇÃO EM QUE PODERIA HAVER NOVAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NO BRASIL SERIA EM CASO DE RENÚNCIA DE DILMA ROUSSEFF E MICHEL TEMER A SEUS CARGOS. VOCÊ É A FAVOR OU CONTRA MICHEL TEMER E DILMA ROUSSEFF RENUNCIAREM PARA A CONVOCAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA AINDA NESTE ANO ? (RESPOSTA ESTIMULADA E ÚNICA, EM %)

Ou seja: Glenn estava certo. E o Datafolha, pra estar apenas errado, vai ter que acertar muito a mão.

Encerro este post aqui pra pegar guaraná, mas não sem antes lembrar que ainda faltam vir à tona oito perguntas: 4, 5, 15, 16, 17, 20, 29 e 34. Isso, claro, partindo do pressuposto de que o questionário acaba na 39.

Pipocas, aceitam? Alguém traz o guaraná?

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Oops! Passou o remorso…

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Um comentário sobre “O catadão da Folha e o meu remorso”

  1. Marcos José Zablonsky comentou:

    Obrigado. Uma analise primorosa e que vem contribuir para a resistencia ao cenário de agendamento e espiral do silencio que transformou a nossa midia.

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