O dia em que a vírgula transformou um objeto direto em vocativo (ou quando ir é imperativo para dar)

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Tanto já se disse que faltou uma vírgula nessa frase, e nada se falou que, ao final dela, o ponto de exclamação é igualmente importante.

Mas vamos falar também sobre imperativos. Levanta a mão quem sabe conjugar verbo no imperativo sem consultar nada! (cri cri cri cri cri). OK, sabichões, refaço a pergunta: é “Ei, você, fica quietinho” ou “Ei, você, fique quietinho”? ARRÁ! (resposta no final)

Há muito o imperativo virou terra de Marlboro no Brasil. E antes que vocês comecem a levantar as bandeiras do mimimi falta educação mimimi o ensino de português mimimi os alunos mimimi educação fraca, eu lembro a vocês que no século XVIII (dezoito, não precisa contar os palitinhos, vai…), os escravos absolutamente analfabetos e absolutamente impedidos de ter acesso a educação de qualidade falavam “tu vais” e “vós ides”. E você aí, trezentos anos depois, que nem lembrava de vós ides…10457955_10204550457227768_1437035622529457480_n

Então, vamos parar com essa balela de “falta ensino de qualidade no Brasil”, porque o que está acontecendo é a constante mutação da língua diante de nossos olhos, bocas e ouvidos. Aceitem isso e parem de sofrer.

Mas eu falava do imperativo. Tenho que contar a vocês que outro dia eu peguei um livro de português brasileiro para estrangeiros, mó grossão. Não lembro do título, mas sei que era para o ensino de português para estrangeiros. Fui ver como se ensina imperativo aos gringos e fiquei de cara ao descobrir que o imperativo não é ensinado pra gringaiada. Tipos: “ó, não tem lógica, a gente não sabe como explicar pros gringos, então desistimos!”

Mas eu abri esse post aqui pra falar dessa imagem do Aécio. Na frase, o presidenciável era objeto de manipulação das vontades e ambições e desejos da irmã e PARA, BRUXA! direto. Com a vírgula, virou vocativo. E a frase ficou muito malcriada.

Em tempo: ao dizer “vai dar”, estamos dando a Aécio o tratamento de segunda pessoa (tu). Se recebesse tratamento de terceira pessoa, seria (de acordo com o dicionário Houaiss, que foi loucamente consultado por mim pra que eu pudesse fazer esse post, porque sou normal e não sei conjugar direito em modo imperativo) vá dar, Aécio!

E por favor, não se esqueçam do ponto de exclamação.

Agora, só me resta agradecer ao Eli Vieira pela obra de arte! <3

(* é ei, você, fique quietinha. Fica é conjugação de tu. Beijinho no ombro.)

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