A caminho da crase I – as várias facetas gramaticais do A

Iiiiiiiiiiiiiihhhhh, bruxa! Que título mais intelectual! entendi lhufas! Dirá você, dileto leitor ectoplasma suíno – barra – ameba escrevente. Mas calma. Eu estou aqui pra mastigar tudo procêis.

Tô aqui desconfiando que quem não entende ou desiste de entender a crase é porque, na verdade, não entendeu as funções gramaticais do a. Gente, não é à toa que o a designa o gênero feminino! Tal qual uma mulher das boas, ele superacumula funções em sua existência.

Se nós somos mulheres, mães, esposas, filhas, profissionais etcetcetc, o a é substantivo, artigo, preposição e, glórias das glórias, culmina por fazer jornada dupla numa frase como artigo e preposição – é a crase.

Mas vamos beeeem devagarzinho que é pra gente ir deglutindo a informação aos pouquinhos, como se fosse um bom drink cheio de gelo que vem naqueles copões…

Comecemos, pois, pelo artigo. Crianças, pra que serve um artigo? (Como eu sei que vocês não sabem e eu não vou ter uma resposta clara assim, de chofre, recorro à Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José de Nicola e Ulisses Infante:)

“Artigo é a palavra que precede o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, ao mesmo tempo em que generaliza ou especifica [o substantivo].”

Portanto, o artigo a indica e determina um substantivo:

A menina; A árvore; A bicicleta; A bola; A mulher; A [já deu, né?]

 

Ih, bruxa, isso é fácil, eu entendi!

GLÓRIA AO SENHOR NO REINO DOS CÉÉÉÉUS!!! \o/ 😀

Então, vamos pruma classe de palavras pouquinha coisa mais complicada (mas que a gente usa a rodo)

Crianças, pra que serve uma preposição? (Direto pra tios Nicola e Infante:)

Preposição é a palavra invariável que une termos de uma oração, estabelecendo entre eles várias relações. [Opa! Como diria a Katylene, é soorooba? \o/] (…) A preposição tomada isoladamente nada significa; ela só tem valor gramatical dentro de um contexto. Não exerce propriamente uma função sintática, é considerada um mero conectivo.

Lischeenha básica de preposições que vocês vão usar muito pra entender a crase:

ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás, e o a, que eu deixei por último de propósito.

O que os tios Nicola e Infante esqueceram de dizer sobre as preposições é que elas são, quase sempre, classe mó unida. Quando uma falta, outra corre e fica no lugar da primeira. O a preposição é useiro e vezeiro dessa união, já que faz tanta hora extra. Isso eu mostro mais tarde, no capítulo de crases!

Mas deixemos de lado as preposições outras. Vamos nos ater aqui apenas ao a. Segue outra lischeenha, em que o a atua única e exclusivamente como preposição:

Motor a explosão

Fogão a lenha

Movido a corda

Dia a dia

Vou a Brasília

Marcha a ré


Viram como ele ficou diferente, tá com um compromisso diferenciado (OK, podem me matar! Eu escrevi diferenciado!) na frase?

Então, fiquem por aí remoendo essas coisas todas que eu volto noutro post com uma lista de exercícios pra ajudar vocês a fixar bem esse negózdi a preposição.

Aí a gente entra noutro post só pra crase…



23 comentários sobre “A caminho da crase I – as várias facetas gramaticais do A”

  1. Mario Abramo comentou:

    Viximaripuribela….
    Num vai trocar os pezes pelas mõeses no filé à Camões, hein?!? Daí num tem F5 que resolva…
    Agora, essa mania de enfiar o “a” preposição regendo tudo quanto é verbo é uma modinha judienta lascada…
    []s

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ô, zifio! Essa parte do filé à camões eu já falei dela! Táqui, ó: http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=2786

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Outra coisa: ôxe, comentário purdimais avançado esse! Geral mal entende que o a é preposição, e ssuncê já desanca o dito diante de um verbo?
    Devagar com o andoooorrrr!!!!
    Deixa eu mastigar melhor a coisa, calmaê!!!

  4. Guiomar comentou:

    Não tem post pro hífen? Da crase eu até dou conta, mas esse hifen é um paunocu. Ah, eu tava até pensando em tomar umas gotinhas de Rivotril, mas achei seu blog e as gargalhadas me pouparam delas. Obrigada, meu fígado agradece.

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ô, zifia, dinada! Inda bem que meu caldeirão faz bem aos outros!
    ó só: Hífen eu resolvo na base do dicionário e do Manual de redação e estilo do Estadão (linque aí do lado na seção “isto é útil”). nunca decorei direito as regrinhas nem na ortografia velha, que dirá na nova… /o\
    Mas o Manual do Estadão inda tá desatualizado… quero ver o que eles vão fazer em 2012…

  6. Mario Abramo comentou:

    Dona Bruxa,
    É sério. Trodia vi “ler a Guimarães Rosa”. Juro, pedi penico pro tio Caldas: tá lá, verbo transitivo direto, em todas acepções. E quando “ir” é verbo auxiliar? “Vou a estar analisando seu caso, para poder estar objetivando a disponibilizar a resposta em tempo hábil para o senhor poder a estar providenciando seu bilhete rápidamente”.
    “Para” parece até proibido. “Em”? Feio demais, parece chulice.
    E só não mando a explicação de porque separar “de” de artigo definido em caso de verbo no infinitivo pq cê ia rogar hemorróida tripla na ameba escrevente que perpretou o “artigo”. Ela deve ter escrito depois de “distrair” o dente-de-siso. O siso todo deve ter ido embora junto.
    Em tempo: só “vou ao” banheiro. Garrei vício disso. De resto, vou danado pra Catende.
    []s

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    É, zifio… Nego abusa do objeto direto preposicionado – sem nem conhecer o bichinho, o que é o pior!
    Mas eu já conheci uma aberração em forma de jornalista (estufava o peito pra diizer que era “editora”, precisava ver!) que não aceitava a preposição “sobre” duas vezes num mesmo parágrafo. tinha que trocar por “acerca”. E foda-se o cacófato, né mesmo?

  8. Allan Moraes comentou:

    Acho que um dos grandes erros quando se ensina a crase é dizer que ela é “a fusão de artigo ‘a’ com preposição ‘a'” – nesse caso, acho que a ordem dos fatores altera o produto, pois é o “a”-preposição que sempre vem em primeiro lugar na formação da crase, logo, “crase é a fusão da preposição ‘a’ com artigo ‘a'”. Pode parecer pedantismo, mas pra quem não sabe diferenciar artigo de preposição/pronome demonstrativo, se memorizar essa regra “invertida”, pode se cafundí na hora de conferir se ali vai ou não crase.

    Outra coisa que acho interessante é mostrar pra ameba que o nosso “a”-artigo era “la” no português antigo – evoluiu, perdeu o “l”, ficou “a”: “Vamos a la > Vamos a a > Vamos aa > Vamos à praia”. 😉

  9. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    é, mas a gramática espanhola seguiu caminhos outros… vou explicar a coisa aqui beeem devagarinho, pra ficar bem mastigado, acho que vai rolar! 😀

  10. Mario Abramo comentou:

    Allan,
    Não acho pedantismo não, pelo contrário, dessa forma fica muito mais didático. Revela a funcionalidade da bagaça.
    Uma vez expriquei pra um garção: De segunda a sexta, da segunda à sexta, de segunda a domingo, da segunda ao domingo. Valeu um chorinho bão na cachaça. A gente podemos (silepse de número aí, gentem) ganhar pouco, mas se diverte ou agonia horrores…
    A questão “de o”, “de a” em vez de “do” e “da” é mais complexa. Dizem os luminares que a função é destacar o sujeito da frase. Ara vixe. Paulo Ronai se encantou com o Português por causa do uso analítico do “mente” em advérbios: em vez de falar “abertamente e claramente”, fala-se (na linguagem (o)culta), “aberta e claramente”. Ora, desmembrar “de” de “o” na recomposição da frase não requer absolutamente nenhuma habilidade especial. Tá, na revisão de tese eu respeito a arbitrariedade dos gramáticos, mas de resto quero mais é que eles se roçem nas ostras e sentem no sal grosso. :\

    []s

  11. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    O legal deste caldeirão daqui é que as altas discussões são sempre regadas a cachaça! \o/

  12. Mario Abramo comentou:

    E inda escrevo “roçem” com cêssidilha… já tou indo ajoelhar na tampinha de Crush.

  13. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    é ssessedrilha, hômi!!! 😛

  14. Allan Moraes comentou:

    Abramo,

    Luft diz que essa questão de “de o/do” é pura questão de estilística, não tem nada HAVER com gramática, uma vez que é natural elidir a vogal da preposição na linguagem verbal, passando isso naturalmente para a escrita.

    abrass

  15. Jairo T. M. Abrahão comentou:

    Minha querida Madrasta.
    Imagino-a(credo!)jovem, em função de sua maneira manera de falar(maneira manera ficou muito bom, não?). Eu sou velho. Voce pode imaginar um Professor velho de Agronomia que tem birra de erros e frases e palavras “que pegam”? Sou vítima deles! Vamos lá: odeio “resgatar”!! Esses reporteres, iniciantes ou não, não podem se deparar com coisas antigas que lascam: A finalidade é resgatar tais costumes”! Por que não vão resgatar a porra de um afogado? Quanto a frases:” a chuva deu uma trégua”. Aproveitando a chuvarada que não dá trégua vem a indefectível “árvore arrancada pela raiz”!!!! Voce sabe o significado da frase crua? Será que alguem puxou-a pela raiz??? Outra dolorida: “morreu de falência múltipla dos órgãos” Pô! Órgão não pode ter falência múltipla!! Órgãos podem entrar em falência ao mesmo tempo!!!Outra: “colocação”. Vou fazer uma colocaçãaaaoo! Por que não coloca dois dedos no cu e assobia uma rancheira, como se dizia no Sul de Minas( Brazópolis minha terra!!!!).
    Já estou enchendo o seu saco!
    Madrasta, moro em Porto Seguro BA desde que me aposentei. Semana passada recebemos a visita de um casal de amigos. Entre os passeios que fizemos um foi para alem de Cabralia(ao norte).Fomos para Mujiquiçaba comer pastel de caranguejo! Delícia!No caminho passamos por Sto. André, Sto. Antonio(onde há a maior estátua do santo, do mundo!!!!) e Gaiú onde fica o Restaurante da Maria Nilza( o melhor arroz de polvo da região!). Fotografei duas placas que vou lhe enviar(só consigo enviar por e-mail, posso mandar para o seu?). Uma é oficial e errada. A outra é curiosa: uma nova maneira de abreviar palavras grandes!

    Continue nos brindando com aulas e bom humor.

    Jairo

  16. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ô, Jairo, bem-vindo, zifio!
    Aprochegue-se e aceite um cafezinho… 😀
    Pode mandar as imagens pro meu e-mail, sim!
    Objetivandodisponibilizar@gmail.com
    Abração!

  17. Mario Abramo comentou:

    ô dona Bruxa, libera as fotuchas do Jairo aê….
    Linhás, o paulistês tem a única frase completa composta apenas por vogais:
    Ó o auê aí, ô! Expressão de uso corrente e recorrente nas salas de aula 🙁
    Allan,
    Eu sei que é só uma questão de estilo, (se não tem HAVER, não tem DEVER…hmmm, fraquinha essa) mas o povo da Academia enquasquetou que essa é a regra (o)culta. E aí, né, já viu? Não tem nem cristão, nem muçulmano, nem zen-budista nem macumbeiro que convença essa turma do contrário.
    []s

  18. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Inda não recebi as fotos prometidas!!! Estou a esperá-las!!!! 😀
    (Perdão, é que acabei de ler 1 texto escrito em português de Portugal. E confesso: acho chyque gerúndio com preposição a + verbo no infinitivo! 😀 )

  19. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    (“Ó o auê aí, ô” é frase de surfista carioca. Virou música do Casseta e Planeta! /o\ )

  20. Allan Moraes comentou:

    Mario, eu sempre tive a curiosidade em saber qual é o pessoal da Academia que formula essas bagaça ae, como o VOLP e tudo mais, quem são esses tais “estudiosos” – são os mesmos das cadeiras? Se for, nem precisa me explicar de onde vem as pérolas desse antro de Highlanders.

  21. Mario Abramo comentou:

    Pois antão, dona Bruxa, enquanto ficas tu a esperá-las, ficamos nós a ver navios…. (perdão por tutear Vossa Bruxolescência, é q tava com saudade da segunda do singular… 🙂
    Bão, eu ouvi o auê aí em Sampa, em priscas eras (no tempo mitológico em que, acreditem se quiserem, Jô Soares era engraçado). Só sei que não era baianês. E ouvi em um esporro de professor. Não me lembro se era surfista ou não…
    @Allan, eu imagino uma catacumba, cheia de instrumentos de tortura e bonecos de vodu, um sabá de gente que gosta de criar dificuldades pros proto-amebas escreventes, só pra sacanear mesmo, e dar grana pra cursinho de preparação de concurso. []s

  22. GalileoGalilei comentou:

    Gostei da lembrança de que o nosso “a” origina-se do espanhol “la”.

    Mas aí, pergunto:

    A Pizza é à francesa, mas o arroz, então, seria a la grega?

  23. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    é arroz à grega e pizza (cortada) à francesa.
    fiz um post sobre isso. Táqui, ó: http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/?p=2786
    divirta-se! 😀

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