A essência do preconceito

(antes de começar a ler este post, ponha na sua cabeça que eu não defendo nem um discurso nem outro. Apenas pretendo demonstrar a construção de um discurso)

À primeira vista, esse discurso me irritou horrores. A deputada estadual Myrian Rios, do PDT do Rio de Janeiro, em nome de sua religião e de seu deus (e eu fçao questão de manter deus em minúscula aqui, porque o verdadeiro Deus, quem quer que seja Ele, jamais corroboraria de tão nefasto discurso) defendeu a homofobia durante a votação da PEC-23, que criminalizava o preconceito contra orientação homossexual no estado do Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 2011.

Mas como eu sempre tento entender a essência do texto, da palavra, em todo e qualquer discurso, percebi na fala da deputada (a íntegra está aqui) uma oportunidade de dar uma aula de estrutura do discurso preconceituoso.

O discurso está pronto. A argumentação é racionalizada (existe uma tentativa de inserir o preconceito dentro de uma linha de raciocínio pertinente que, para muitos, faz sentido – ou seja: a premissa torna-se verdadeira).

Bom, vamos ao discurso em questão. Destaquei em negrito as palavras-chave do discurso:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou orientação sexual”. Ou seja, se for discriminado por orientação sexual, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a orientação sexual dela é ser lésbica. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na orientação sexual dela como lésbica, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e orientação sexual – também.

Se o rapaz escolheu ser homossexual o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser homossexual; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a orientação sexual dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma orientação sexual que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é homossexual e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem orientação sexual homossexual. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma orientação sexual homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a orientação sexual com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a orientação sexual dos homossexuais?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação sexual pedófila, tem a orientação sexual de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha orientação sexual, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos homossexuais: lésbicas e homens homossexuais. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A orientação sexual pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a orientação sexual, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


 

Antes de você se irritar com esse texto como aconteceu comigo, vou lhe convidar a abstrair todo o lado nefasto desse texto para se ater exclusivamente à essência dele.

Esse texto, então, torna-se perfeito para demonstrar a definição principal de preconceito de Tio antônio (Houaiss):

ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão
sentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância

Quer ver como esse texto serve para qualquer tipo de discriminação?

Vamos substituir as palavras em negrito da seguinte forma:

homossexuais /homossexual – negros/negro

Lésbicas/lésbica – negras/negra

orientação sexual – raça (em dois casos, eu mantive apenas orientação, para manter o nexo da coisa)

E aí temos um discurso prontinho para ser lido na primeira quinzena de maio de 1888. Para não dizer que eu não fiz nenhuma alteração, vou deixar apenas uma frase que sobrou do texto original, e pode ser removida. Ela está destacada em lilás:

A SRA. MYRIAN RIOS – Graças a Deus, boa tarde, boa tarde Presidente em exercício, boa tarde a todos vocês, meus irmãos do Ministério de Madureira, sejam todos bem vindos, agradeço também a Deus por essa oportunidade de poder usar primeiro o Expediente Inicial; foi o próprio Senhor que reuniu os sete Deputados aqui para abrir a Sessão porque quase não abre, mas, quando é vontade de Deus é a vontade do Senhor que prevalece e não a do homem. Por isso estamos abrindo a Sessão para honra e glória do nome de Jesus.

Vocês que me acompanham de casa; vocês que estão aqui, meus colegas, sabem que eu sou missionária consagrada católica da Comunidade Canção Nova e como tal eu prego o respeito, o amor ao próximo, o perdão, a misericórdia de Deus. Como missionária eu viajo o Brasil todo pregando que Deus, claro, Deus ama todas as pessoas, Ele realmente não faz distinção, Ele ama e quer salvar todos.

Eu gostaria também de me pronunciar hoje neste Expediente Inicial como mulher, como mãe. Como mãe eu sou formadora dos meus filhos e como Deputada Estadual eu represento a população. Hoje, às 16h30, nós vamos votar a PEC-23 da qual já 32 Deputados se manifestaram contra, dentre eles eu. Sou uma delas e gostaria de convidar vocês que estão aqui na tribuna, para que permaneçam, por favor, até as 16h30, que é a hora da votação. Agora é só o momento dos pronunciamentos; a votação começa às 16h30.

Eu venho usar do Expediente Inicial para deixar bem claro para as pessoas que me acompanham em casa; para as pessoas que me acompanham aqui no plenário, no Palácio, que eu não sou preconceituosa e não discrimino; que eu prego o amor e respeito ao próximo. Da mesma forma que prego o amor e respeito ao próximo, quero também ser respeitada pelas minhas decisões.

Na proposta de Emenda à PEC-23, o Deputado diz, no artigo 9º, primeiro parágrafo: “que ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado em razão de idade, raça ou raça”. Ou seja, se for discriminado por raça, idade ou raça, não pode ser prejudicado e nem privilegiado.

Da mesma forma, o nosso Deputado cita na justificativa dessa emenda que a Constituição da República Federativa do Brasil, no art. 5º, diz que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho o direito de não querer um funcionário negro na minha empresa.

Vou me posicionar de uma maneira muito franca e direta. Digamos que eu seja mãe de duas meninas e eu contrate uma babá e essa babá mostra que a raça dela é ser negra. É opção dela. Ela escolheu, ela é livre. E tenho duas meninas em casa que ela está cuidando. Se a minha raça não for essa, for contrária, e quiser demiti-la, eu não posso, pois vou estar enquadrada nessa PEC. Vou estar enquadrada como preconceituosa e discriminadora. São os mesmos direitos. O direito que a babá tem de se manifestar na raça dela como negra, eu tenho como mãe de não querê-la na minha casa como babá de minhas filhas. Dá-me licença? São os mesmos direitos.

Só que com essa PEC-23 e com essa emenda, eu não tenho esse direito. Eu vou ter que manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas e sabe Deus se ela não vai, inclusive, cometer a pedofilia com elas. Eu não vou poder fazer nada. Eu não vou poder demiti-la, porque está aqui: “ninguém será discriminado, prejudicado ou privilegiado”. Eu quero essa liberdade para minha escolha e raça – também.

Se o rapaz escolheu ser negro o problema é dele. Eu o respeito como próximo, como ser humano. Nós vamos orar e clamar a Deus por ele, porque a salvação é para todos, e Deus é misericordioso. Não é isso? Ele escolheu ser negro; ser travesti. Eu o contrato para ser motorista e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a vir trabalhar vestido de mulher, travestido, porque essa é a raça dele. Como mãe de dois meninos, opa, não é essa minha raça aqui em casa. Aqui em casa, gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuarem a espécie. É uma raça que eu concordo; que eu vivo e formo meus filhos assim. Mas, se no momento em que eu descobrir que o motorista é negro e poderia estar de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho… Não sei, pode de repente partir para uma pedofilia para com os meninos, não vou poder demiti-lo, porque a PEC-23 não me permite, porque causarei prejuízo a esse rapaz que tem raça negra. Mas, o direito não é para todos? Não está dizendo na Constituição, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei? Eu quero a lei para mim também. Quero a lei para mim para demitir sim; para explicar que na minha casa a raça é outra.

Meus queridos colegas Deputados, meus queridos companheiros que me assistem pela TV ALERJ, os direitos são iguais. Essa PEC vem tirar o nosso direito de sermos heteros e de termos uma raça homem com mulher e mulher com homem. Não podemos ter a raça com que fomos criados, para viver o homem com a mulher e a mulher com o homem? Só temos cuidar para que não se fira a raça dos negros?

Quero deixar isso bem claro, porque este momento do meu pronunciamento vai para o Diário Oficial. Sou uma missionária católica; sou mãe de dois meninos e sou Deputada representando o povo. Representando o povo, quero defender as crianças e os jovens inocentes. Se essa PEC passa, e um rapaz tem uma orientação pedófila, tem a orientação de transar, de ter relacionamento sexual, com menino de três a quatro anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei, pela PEC-23, meus queridos. Isso eu não vou permitir.

Vou votar contra a PEC-23, hoje, primeiramente como cidadã. Estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia, como bem manifestou o meu colega Deputado Samuel Malafaia. Vou votar contra porque também quero ter o direito de igualdade de demitir uma pessoa se ele não está de acordo com a minha raça, deixando bem claro que respeito o próximo, respeito o homem e a mulher.

Vou conceder um aparte ao Deputado Xandrinho.

O SR. XANDRINHO – Deputada Myrian Rios, primeiramente, eu quero parabenizá-la por sua coragem e astúcia por manifestar o que o seu coração e a sua formação religiosa de ser humano indicam. É evidente que hoje há uma tendência da mídia muito grande em ter esse canal aberto.

Quando se pronuncia qualquer coisa que não seja a família em si, dentro da normalidade, a mídia vai por um caminho em que ela pega pesado. Eu estou gostando de ver a sua sinceridade, que é também a minha. Vamos votar aqui, hoje, simplesmente, um projeto de lei em que temos o direito de votar sim ou não.

A SRA. MYRIAN RIOS – Com certeza.

O SR. XANDRINHO – Então, não estamos, neste momento, discriminando ninguém.

A SRA. MYRIAN RIOS – Ninguém.

O SR. XANDRINHO – Gostaria de deixar isso bem claro porque parece que aqui, nós, numa votação, seja sim ou não, estaríamos discriminando alguém. Não. O que se fará na tarde de hoje é votar se isso vai se tornar uma lei ou não. Não é isso? Entendo dessa maneira.

Portanto, eu, que estou presidindo a Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional dentro da Assembleia Legislativa, gostaria de pedir às pessoas que atentassem bem a esse detalhe. Ninguém está discriminando. O que vai acontecer hoje será um ato democrático, no qual diremos se somos favoráveis ou não.

Parabéns, Deputada, por seu pronunciamento.

A SRA. MYRIAN RIOS – Obrigada, Deputado.

Gostaria de continuar, agora com um testemunho. Eu tenho na minha família primos negros: negras e homens negros. O que eu posso fazer? Na minha casa. Família; de sangue. Pessoas íntimas na minha família que eu respeito; que eu amo; que eu oro; que eu rezo e que eu clamo. Vou fazer o quê? É a opção deles. Eu não os desrespeito; não sou preconceituosa; não deixo de conversar com eles; não deixo de amá-los como ser humano e como filhos de Deus.

Mas, não vou permitir que, por desculpa de querer proteger ou para sacarem com violência à homofobia, abramos uma porta para a pedofilia. A raça pode ser qualquer uma. Como abordei antes, ela pode ser uma relação sexual com uma criança, com um menino e, assim, as crianças serão prejudicadas.

Então, para finalizar, agradeço a Deus a oportunidade, e deixo bem claro que hoje, às 16h30, haverá a votação e meu voto será contra. Convido as pessoas a permanecerem no plenário e mais uma vez esclareço que sou contra porque da maneira como está nossos jovens serão prejudicados. Quero ter a liberdade, a raça, aquela com que fui criada também, e aquela que tenho fé e sigo, sempre respeitando a orientação e a liberdade de cada um. Mas voto contra a PEC 23.

Deus abençoe a todos. Tenham todos uma boa tarde. Que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, descer fazendo cair fogo do céu aqui.

Muito obrigada. (Palmas)

Quero saudar os pastores presidentes do Ministério de Madureira, que estão sentados ali na tribuna. Esta Casa é a sua casa, onde exercemos o nosso direito de cidadania. Bem-vindos à Alerj, em nome de Jesus!


Viram só?

Agora, divirta-se: faça Myrian Rios discursar contra gordos, evangélicos ou, ainda, louras heterossexuais.

Você vai ver que o discurso ainda vai ter uma linha lógica.

E no dia em que geral entender que homossexualismo não é opção (NEM DOENÇA, CACETE!), esse país volta a andar pra frente.

Aleluia, irmãos!



22 comentários sobre “A essência do preconceito”

  1. Jardson comentou:

    Muito boa a análise. Só retiraria na ultima frase o “homossexualismo”… há um debate com relação a este termo, e substituiria por homossexualidade…

    abz

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Meu caro Jardson. Eu conheço esse debate e sou radicalmente (ou seja: a coisa é na raiz, mesmo) contra ele. O fato de considerar homossexualismo doença só por causa do “ismo” é, em sua essência, preconceito! Se homossexualismo é doença, heterossexualismo também é. Jornalismo, então, é o quê?
    Mas eu só vou fazer um post sobre isso quando o quiproquó passar, e a lei for definitivamente aprovada.

  3. Lucas Rodmo comentou:

    Isso! Exatamente aí que a bancada religiosa não se enxerga! Não é opção, e em uma democracia verdadeiramente desenvolvida,
    ‘Todo indivíduo sujeito a uma condição que não envolve escolha se torna incriticável’.

    É um conceito muito simples de se entender.

  4. Danilo comentou:

    Ótimo exercício de troca de termos que tem semelhança conceitual: são características físico-biológicas e, portanto, merecem a mesma proteção legal. Também poderíamos usar – além dos binômios “orientação sexual – homossexual” e “raça – negro” – outras obviedades que fundamentalistas não veem, como “habilidade manual – canhoto”, “cor de cabelo – ruivo” e outras tantas.

    Em relação ao termo “homossexualismo”, é o seguinte… Nem todo sufixo “-ismo” indica doença. Todavia, em alguns casos, sim. E o termo “homossexualismo” foi cunhado com esse sentido, quando a homossexualidade era encarada como patologia.

    Além disso, o sufixo “-ismo” é usado, além de doenças, para termos ligados à opção e à escolha de modo de vida, como religião (cristianismo, protestantismo, judaísmo, hinduísmo, espiritismo…), filosofia (iluminismo, marxismo, liberalismo, sofismo, tomismo, newtonianismo, idealismo, anarquismo, positivismo, existencialismo, etc.) e mesmo determinadas profissões e atividades (como o jornalismo)

    Não sendo nem patologia e nem opção, e sim uma sexualiDADE, o termo com sufixo “-ismo”, embora não signifique preconceito por parte de quem o usa, carrega uma carga preconceituosa histórica e é, sim, inadequado. Como são sexualidades e não sexualismos, todas devem adotar o sufixo “-idade”: homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade, assexualidade, transexualidade. E seria saudável que termos como “bissexualismo”, “homossexualismo” e “lesbianismo”, como reflexo de um conhecimento histórico de seus significados iniciais, fossem abandonados e relegados, no futuro, apenas às preconceituosas bocas.

    Abraços,
    Danilo

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Danilo,
    Pelo visto consegui provar que a estrutura do raciocínio preconceituoso é a mesma. Se essa estrutura é armada em nome de deus, ou da moral e dos bons costumes, é outra coisa. Mas ela é sempre a mesma. Podemos fazer com que o texto fique preconceituoso contra héteros brancos, louras canhotas e por aí vai. A linha de raciocínio é a mesma, só precisa fazer alguns ajustes.
    Quanto à questão homossexualismo = doença, eu discordo radicalmente. E já disse isso aqui nos comentários. Se homossexualismo é doença, então heterossexualismo também tem que ser!

  6. A Bruxa Lésbica comentou:

    Quero agradecer pelos inteligentes comentários, e este video da tal Sra.Deputada Myriam é exatamente o q ja foi dito…tem q ser usado como exemplo de discurso homofobico, racista, classicista, e eu adoraria processá-la, mandar lhe um baita processo, e seria otimo tb ter os videos dos discursos dos outros deputados pra que entendamos q precisamos votar com consciêencia politica e nao porque assistimos tv novela BeBoBão, sim existem pessoas na ativa como nós, lutando por um mundo melhor e q a consciência do ser humano passe a ser realmente humana. Viva PEC 23! Que Passe PEC 23! E q dona Myriam venha mexer meu caldeirão um dia desses, vou precisar de ajuda, pitadas de lágrimas de dona Myriam pra fazer antídoto contra a discriminação, quem sabe ela até teria proveito pra ela mesma de uma amostra gratis….

  7. Juliana Freitas comentou:

    Danilo quis dizer que se usava ‘homossexualismo’ quando acreditavam que isso era uma doença (assim como já juraram de pés juntos que a Terra era quadrada). Hoje a gente usa homossexualidade, que eu também nem gosto muito; prefiro homoafetividade 😉

  8. Bismak comentou:

    sensacional sua analise.

  9. João Márcio Dias comentou:

    Madrasta, seu texto é primoroso, mas quanto a sua crítica ao sufixo ISMO ele vai além de denotar doença ou não. A questão aqui é histórica. Todo ser humano tem uma sexualidade (grifemos o DADE), este é um ponto. A questão de deixarmos de lado a expressão homossexuaLISMO vai de encontro com o momento histórico em que foi criado, em meio ao nazismo, para justificar tal “comportamento” como uma doença. O uso do sufixo IDADE, além de estar conectado a sexualidade humana, portanto seria correta sua utilização, visa resgatar a dignidade humana e apagar as marcas dos anos de nazismo. É muito mais um sinal de respeito do que um imbróglio linguístico, da mesma forma que o verbo JUDIAR.

  10. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Entendo perfeitamente a colocação dos que defendem o não-uso da expressão homossexualismo. Mas aqui no meu caldeirão eu vou falar em homossexualismo, sim! E acabo de me jogar no chão e me agarrar no poste pra gritar: DAQUI EU NÃO ARREDO O PÉ!” (sim, sou histérica. E Tô de TPM, favor não me provocarem!)

  11. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    E tem mais: só pra efeito de pingos nos is, essa “bruxa lésbica” dos comentários não sou eu, não (até porque, já que ela se intitula bruxa que nem eu, eu fiz-lhe o favor de dar umas canetadas no textim porque, né? shhhhh….)

  12. Marcelo comentou:

    Como é que alguém que, com a cara mais lavada do mundo, diz que não é preconceita, admitindo, no entanto, que todo homossexual pode ser pedófilo, como se o mundo hétero estivesse isento de praticar tal ato. Pedofilia independe de condição sexual. Foram tantas as asneiras que ela disse que talvez nem tenha percebido a generalização que fez. Alguém precisa dizer a essa senhora, que incita a homofobia, que pedofilia não é doença de homossexuais. A pergunta é: será que ela sabe a fundo o que a palavra PRECONCEITO significa? Pode ser que ela tenha perdido essa aula. Olha, eu nunca vi um discurso tão infeliz como o dessa senhora. Foi um desserviço à sociedade.

  13. Luisa comentou:

    O discurso não faz sentido. Ora, uma babá heterossexual não poderia abusar de um filho dela? Abuso infantil é coisa de homossexual? Por favor, né…

  14. Substantivo Plural » Blog Archive » A essência do preconceito comentou:

    […] aqui […]

  15. A Bruxa Lésbica comentou:

    afff agradeço a madrasta por ter me ajudado a coordenar e reeditar o texto q escrevi pois saiu assim num atchim de tao nervosa que fiquei ao assistir o video e ler os comentários postados aqui. Já fiz alguns posts pela net…desse caldeirão a dona Myriam nao escapará…pois direito por direito… como poderei confiar na dona Myriam depois de ter posado assim óh (tipo sentando na garrafinha)….será que ela ja mostrou essa foto delazinha pros filhos dela…http://comickeixon.blogspot.com/2010/09/famosos-que-posaram-nus-e-estao.html

  16. Luis comentou:

    Com todo o respeito, eu quibei dona Bruxa e desejei hemorroidas pra deputada.

  17. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Foram muito bem juradas, zifio! 😀

  18. Botelho Pinto comentou:

    O termo mais adequado ainda é homossexualismo. Eu só uso este termo, e sempre usarei, mesmo com a aprovação da lei. Quem não gostar que me processe, mas ninguém me calará.

  19. José Roberto Fogacho comentou:

    “Antes de se irritar com o texto?” Pô, quem se irrita com o texto e a postura da deputada são os gays e sua militância!

  20. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Não. quem se irrita com os argumentos da deputada Myrian Rios são pessoas com um mínimo de inteligência, independentemente de hábitos sexuais

  21. Lanton comentou:

    Realmente, essa deputada “Não” é preconceituosa. Que injustiça!!Que capacidade de discernimento ela tem! Vamos, então, voltar à época em que não se contratavam empregados homossexuais nas empresas, professores homossexuais nas escolas, comerciantes e todas as profissões!
    Parabéns pela análise, “Madrasta”do texto ruim!Livramo-nos de uma atriz mediocre para ganharmos uma política pior ainda.

  22. Jeabusy comentou:

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