Detetivões 2 – Identifique a fonte anônima

Atooooooooooooron a imprensa brasileira, gente! A capacidade que nossos queridos (cof, cof) jornalistas têm de manter suas fontes no anonimato é espantosa!  Tô observando essa tendência, viu?

Primeiro foi o Estadão, que entrevistou *duas* fontes durante a renião do BIS na Basileia. Agora é a Istoé desta semana. Resolveu listar um *ex-ministro* de Dilmavana que teve contato direto com Jérome Valcke, aquele secretário-geral da Fifa que fala merda em inglês e pede desculpas por ser mal-interpretado em francês, saca?

Enfim, vamos acompanhar o texto lheando da Istoé:

O trapalhão da FIFA

 A bola fora do secretário-geral Jérôme Valcke é mais uma em seu currículo recheado de polêmicas e confusões

Um chute mal dado embolou o meio de campo dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 nos últimos dias. A disputa entre a Fifa, a entidade que comanda o futebol no mundo, e o governo brasileiro se acirrou na sexta-feira 2. Em um evento na Inglaterra, o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, afirmou que o Brasil deveria levar “um chute no traseiro” para apressar as obras prometidas para o Mundial e a aprovação da Lei-Geral da Copa, espécie de cartilha de regras da Fifa para o evento. De imediato, o País partiu para o contra-ataque. O articulador da jogada foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que no dia seguinte disse – em público e por carta enviada à Fifa – que o governo não aceitava mais o francês, número dois na hierarquia da entidade, como interlocutor. Isso sem contar as reações de repúdio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Senado, José Sarney, além de outros políticos da base governista e da oposição.

A Fifa acusou o golpe ao ver seu homem forte, responsável pelo evento que faz lucrar bilhões de dólares, jogado para escanteio no país-sede do Mundial. E pediu desculpas. A começar pelo próprio Valcke, 51 anos, que encaminhou uma carta ao ministro. Joseph Blatter, presidente da entidade, repetiu o gesto e o reforçou com uma ligação a Rebelo. Mais do que o mundo ter visto a poderosa Fifa perder uma queda de braço – o jornal espanhol “Marca” publicou que o Brasil “baixou a bola” da organização –, o episódio se revelou como mais uma trapalhada no currículo do controverso dirigente francês. “Ele é boquirroto, fala mais do que deve”, diz um ex-ministro que conhece de perto o secretário-geral. Segundo essa pessoa, que prefere não se identificar, Valcke queimou uma ponte que tinha com a presidenta Dilma Rousseff, construída em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, Dilma recusou uma reunião com Blatter para tratar do Mundial com o número dois da entidade. “Se bem a conheço, acho impossível a presidenta voltar a recebê-lo.”

(…)

Na opinião do ex-ministro brasileiro, o dirigente francês e a Fifa têm uma visão eurocêntrica e veem países como o Brasil e a África do Sul tais quais periferias com menos capacidade de realização. “Dessa forma, cobram muito mais da gente”, diz. O destempero verbal de Valcke foi rechaçado por Rebelo em carta enviada à Fifa no mesmo dia em que o francês se desculpou. “A forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa”, escreveu. Infelizmente, a polidez do ministro não foi regra entre seus colegas. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, deu ares de briga de botequim ao episódio. “Esse cara é um vagabundo! Já está riscado”, disse. Na Câmara, o presidente da Casa, Marco Maia, afirmou que Valcke merecia um chute de volta.

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No Brasil, o francês é muito benquisto pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que se licenciou do cargo na semana passada. Valcke e a família estiveram hospedados na casa do dirigente brasileiro em Angra dos Reis no Réveillon de 2010. “Ele adora praia e, especialmente, Angra”, diz um assessor da CBF. “De fato, ele é afável, brincalhão, mas não se constrangeu em oferecer a cabeça do amigo Ricardo Teixeira numa reunião com Dilma em Bruxelas, em outubro passado”, conta o ex-ministro. Segundo ele, ao perceber que Teixeira não mantinha boas relações com a presidenta – e, portanto, era uma peça inconveniente na ligação entre a Fifa e o governo –, Valcke pediu que Dilma indicasse um substituto ao posto de chefe do Comitê Organizador Local do Mundial de 2014 (COL) no lugar de Teixeira. “A presidenta disse que respondia pelas questões ligadas ao governo, não por Teixeira.”

(…)

Agora, vamos descobrir quem é o ex-ministro de Dilma? De acordo com o diletíssimo Antonio Luiz Costa, que me enviou este link, nossa lista se restringe a 12 nomes, que são:

Antonio Palocci – Casa Civil; Nelson Jobim – Defesa; Wagner Rossi – Agricultura; Alfredo Nascimento – Transportes; Carlos Lupi – Trabalho; Fernando Haddad – Educação; Pedro Novais – Turismo; Mário Negromonte – Cidades; Iriny Lopes – Secretaria para Política de Mulheres; Afonso Florence – Desenvolvimento Agrário; Luiz Sérgio – Pesca; Orlando Silva – Esportes.

Dentre os listados acima, aponte um, e apenas um, cuja atribuição principal, quase única, tenha sido lidar diretamente com a Fifa com o objetivo de organizar a Copa do Mundo. Dica: a Copa do Mundo da Fifa é um evento de ES-POR-TES…

Se você ainda não descobriu de quem eu desconfio, longe de mim ficar aqui com dedo de seta. Prezo horrores pelo sigilo de fontes! 😀

O máximo que eu posso fazer é cantarolar um pouquinho pra você…

#beijomeliga2

(P.S.: Querida Istoé: ex-integrante é mais genérico que ex-ministro, e queima menos o filme das fontes, viu? #ficadica)

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