Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo”

Olá, amebas! Sejam bem-vindas a mais uma aula traumatizante da Madrasta do Texto Ruim.

Hoje eu vou explicar pra vocês, de uma vez por todas, por que diferencial competitivo é uma expressão vaga e imprecisa, incapaz de passar uma mensagem direta, ela apenas insinua não sei bem o quê.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que as funcionalidades de uma solução são um diferencial competitivo de minha empresa”, dirá você, ameba escrevente.

“Ah, dona Bruxa, eu acho que diferencial competitivo é uma coisa que agrega valor”, completará sua coleguinha.

Daí eu mostro pra vocês, oh amebas, pra que serve a expressão diferencial competitivo. O ÚNICO CASO em que a coisa foi bem empregada.

Do Portal Correio:

Pastor troca esposa pelo cunhado e pede guarda dos filhos
Um caso no mínimo inusitado chamou a atenção dos 78 mil habitantes de Cacoal-RO. Um homem de 36 anos separou-se de sua esposa de 23 anos para ‘casar-se’ com o cunhado de 38.Flávio Serapião Birschiner estava casado há dois anos com Ana Paula Rochinha Birschiner.(…)
Ana Paula acredita que seu casamento se desfez pela constante recusa em praticar sexo anal com o marido. Ela revela que “ele era obcecado por sexo anal”. Ela ainda afirma que confidenciou isso ao irmão, que a apoiou. Ana Paula acha que seu irmão se valeu desta informação para oferecer ao marido um diferencial competitivo.

Entenderam, amebas?

Então, a menos que você queira referir-se à prática de sexo anal, não saia por aí falando em diferencial competitivo.

E aqui eu deixo meus cumprimentos à Adriana Bezerra, autora desse texto di-vi-no, e à Nalu Nogueira, que me avisou da existência dele via Twitter.

P.S.: Parece que essa notícia deve ser falsa (traduzindo: não tenho a mais vaga idéia se essa notícia é verdadeira ou  não). Verdadeira ou falsa, ela não invalida a didática do trauma. Grata. 😀



7 comentários sobre “Didática do Trauma. Aula nº3: como (não) usar corretamente a expressão “diferencial competitivo””

  1. Gustavo comentou:

    Que medo das pessoas com diferencial competitivo para potencializar suas carreiras no mercado. Em outras palavras, quer dizer que estão aptas para passar no teste do sofá.

  2. Moziel T.Monk comentou:

    Tem uma tira que ilustra bem esse “diferencial competitivo”: http://3.bp.blogspot.com/_vMrBHPPstAs/S_m-Xa4a0MI/AAAAAAAAAxY/iJpQ7OngsTI/s1600/doutor_ivan_cinza.jpg

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

  4. Isabel Ferreira comentou:

    Madrasta, vou aproveitar o seu post novo – e devidamente encaminhado ao pessoal de comunicação da empresa em que trabalho – pra te fazer uma pergunta e, de repente, sugerir um post também: o que você acha de parágrafos extremamente longos em livros, iguais aos que o João Ubaldo Ribeiro usa no livro “Viva o povo brasileiro”?

    Te pergunto isso porque as vezes fico incomodada com esses parágrafos. Não sei se é uma falha ou inaptidão minha, mas as vezes eu acabo me perdendo no meio do texto e preciso voltar umas vinte linhas pra finalmente absorver o que o autor pretendia dizer.

    Bem, nem precisa publicar meu post – mas também não é para ignorá-lo (risos). Era mais uma curiosidade mesmo.

    Abs,

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    concordo contigo, zifia. parágrafo longo é muito dispersivo.
    Tem que ser devidamente quebrado. Meus parágrafos têm, no máximo, cinco frases. Mas e já trabalhei numa redação onde era praticamente norma que um parágrafo fosse composto de apenas uma frase (cheeeeeeeeeeeeeeeeeeeia de vírgulas ensandecedoras)

    Bjoquinhas!

  6. Marcos comentou:

    Diferencial competitivo, meu cu.

  7. Marcos comentou:

    Ah, e já trabalhei em redação com essa norma do parágrafo de frase única, também. Felizmente, valia só para o lead. Mesmo assim às vezes complicava.

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