Duff McKagan: roqueiro, colunista e pai de família

Ele era assim...

Imagine a seguinte história: o cara foi membro de uma das bandas que mais ganhou dinheiro na década de 1990 Fumou, cheirou, bebeu e injetou todas. Chegou ao ponto de, no auge do vício, comprar uma casa em sua cidade natal, Seattle, olhar para o forro de cedro que colocou no teto da casa e dizer: esse teto vai durar uns 25 anos, mais do que eu. Seria uma história com um final triste, se ele não estivesse sóbrio desde 1994 e se dando conta de que, 17 anos depois, tá na hora de trocar o forro.

É nessa linha que o ex-baixista do Guns n’Roses, Duff McKagan, escreve suas colunas toda quinta-feira na Seattle Weekly. Ele consegue falar de um puta drama (largar as drogas) a partir de um detalhe banal do cotidiano (tenho que trocar o telhado desta casa). Do cacete. Simplesmente. Aí ao ler os textos deliciosamente bem-escritos, você descobre que o sujeito largou as drogas, mas não largou o rock’n’roll. Virou pai babão de duas meninas pré-adolescentes, tem um casamento que já dura seus bons 15 anos, viaja pra cima e pra baixo com a banda Loaded, adora o cachorro que tem e nunca vai se esquecer da labradora que já teve. Rala pra caramba pra manter a família e a banda – e reclama dos dias em que a mulher liga pra ele levar leite pra casa e ele está de moto.

Teminhas triviais, bobinhos, tolinhos, dirá você. Mas o Duff escreve bem pra caramba. E você acaba se divertindo ao descobrir que esse roqueiro heavy metal leva as filhas aos show s de Justin Bieber (foram três colunas de Justin Bieber!) e Britney Spears. Ou do dia em que ele resolveu que a família iria se divertir no verão se fossem acampar todos juntos. Eu ri pra valer quando ele contou o que vai fazer com o primeiro namoradinho da filha. Ou como manter a sanidade sendo o único homem numa casa repleta de hormônios.

Por outro lado, ainda quando os temas da coluna se resvalem em assuntos pesados como o lado difícil e complicado de largar as drogas, o texto é leve e simplesmente flui. E você acaba suando frio junto com ele quando ele conta como foi a primeira vez em que ele foi sóbrio ao supermercado, depois de ficar duas semanas no hospital se recuperando de uma cirurgia de emergência no pâncreas (que não guentou a vida de viciado e pediu as contas). Foi a virada de que ele precisava.  Mas quando ele lamenta a morte de Amy Winehouse, você sente as dores dele e da Amy. E se dá conta do quanto a moçoila deve ter sofrido.

Em outra coluna, você vibra quando, ao citar Joe Strummer, ele dá uma lição de humildade não só para roqueiros, mas pra qualquer profissional que se acha o fodão.

... e ficou assim!

Mas há textos menos pessoais, nos quais ele analisa o atual mercado fonográfico, ou do dia em que o Obama foi eleito.

É, galera, malzaê. Obcequei com Duff McKagan. Mas a culpa é toda do Axl Rose. O ex- não, ele ainda é, só não avisaram pra ele que a banda acabou, mas deixa isso prá lá vocalista do Guns n’Roses andou falando bem da economia brasileira dia desses, mas eu tinha lido qualquer coisa há eras sobre não o vocalista, mas o baixista do Gun n’Roses, Duff McKagan, ter se matriculado numa faculdade de economia. Meus neurônios reclamaram a informação correta, e lá fui eu jogar o Duff no Google.

Por isos nem vou contar pra vocês que o cabra já escreveu sobre economia pra Playboy americana. Tambpem não vou contar que ele precisou de alguns parágrafos pra destruir ideologicamente o Tea Party.

Tudo isso pra dizer que eu recomendo dicumforça os textos do Duff. Toda quinta-feira, aqui. (aviso: tudo ininglix. Tem um site brasileiro que faz uma ou outra tradução, mas vale a pena mesmo ler no original!)

Só lembro de um roqueiro brasileiro chegar perto do que são as acolunas do Duff: o João Gordo era colaborador da revista eletrônica NoMínimo. Os textos dele eram igualmente leves e divertidíssimos. Ele também foi a um show da Sandy (“você descobre que vai precisar de alguns anos de análise no dia em que os fãs da Sandy não só te reconhecem como pedem pra tirar foto contigo“).
Também contou de como foi sua experiência num spa (ele contou que o melhor do spa foi ter se internado lá na mesma época em que o William Bonner estava por lá, porque o Bonner jogava videogame ao lado dele e, quando morria durante os joguinhos, falava palavrão no timbre do boa noite do Jornal Nacional.  Daí o João Gordo, que também tava tentando jogar o game dele, caía na na gargalhada e desistia de jogar).

Infelizmente os arquivos da No Mínimo não estão mais disponíveis na web, porque os textos do João Gordo eram maravilhosos.



5 comentários sobre “Duff McKagan: roqueiro, colunista e pai de família”

  1. Marlena comentou:

    Valeu a dica, Madrasta!

    Abraços

  2. anaSODIO comentou:

    SUPER, amei!
    vou postar como indicação d leitura COM CERTEZA! (agora q to d blog novo, to td animadinha… heheheheh)
    tb amava o Guns… (qdo a banda existis, perfeito! hehe) e me lembro desse cara na época! Q achado…!
    bjão!

  3. Denise comentou:

    Eu acompanhava as colunas semanais do Duff. Foi uma das primeiras celebs que segui no Twitter. Mas aí ele sumiu (não sei se mudou de perfil) e eu parei de acompanhar. (Obrigada pelas novas coordenadas, Madrasta!). Os textos do NoMínimo eram maravilhosos. Tb sinto falta!
    Beijos

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Aqui estão quase todas as colunas que ele escreveu pra Playboy: http://www.heretodaygonetohell.com/board/index.php?PHPSESSID=3bdc308d81dd346e655e92f4ae7ae008&topic=55908.0;all
    E aqui é o blog semanal dele. Toda sexta-feira: http://blogs.seattleweekly.com/reverb/duff_mckagan/

    E o perfil dele no twitter é @duffmckagan64
    divirta-se! \o/

  5. Daiani comentou:

    Adoro os textos do Duff também. Sempre fui fã do Guns e dele. Acho muito legal o modo como ele escreve, os temas tudo, concordo com vc Madrasta…acabei de comprar o livro e vou ler nas férias de julho. Vida longa Duff Mckagan!!!

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