O Mestre-sala dos Mares

Já que hoje é aniversário de morte da Elis Regina, vou publicar aqui uma letra muito linda, que ela ajudou a eternizar.

O conjunto da obra traz quiproquós e babados: A Música “O almirante Negro”, de João Bosco e Aldir Blanc, teve a letra censurada pelo regime militar. Fala sobre João Cândido, um dos líderes da Revolta da Chibata.

Vou colar aqui a versão original e a versão copidescada após a censura.

Esta é a versão original, com destaque em negrito para os termos “copidescados”

O Mestre-Sala dos Mares

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar apareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos negros
Entre cantos e chibatas
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que a exemplo do marinheiro gritava, então:
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias,
Glória à farofa, à cachaça, às baleias,
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esqueceram jamais………
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
(Mas, salve…)
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais

e esta é a versão aprovada pela censura militar:
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então
Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias
Glória à farofa
à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo


Um comentário sobre “O Mestre-sala dos Mares”

  1. Olinto comentou:

    Muito Boa.

    Atualíssima

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