Mais de Monteiro Lobato e essa estranha mania da censura cômoda

Li este post da Mani e concordei totalmente com ela.

Um trechinho em especial me chamou atenção:

Deixem que as crianças questionem o que elas precisam, não o que vocẽs adultos gostariam de ensinar.

E isso serve pra tudo na vida de uma criança. Por que censurar esta ou aquela coisa que você não quer comentar com seu filho (sexo, drogas, religião, racismo, tabus)? Seu filho irá lhe agradecer muito mais se você for capaz de conversar diretamente com ele e disser o que você pensa a respeito e o que outras pessoas podem pensar a respeito daquele tema e por quê.

Censurar e proibir seu filho de ver/pensar certos assuntos irá privá-lo de construir a noção de certo/errado a partir de seu próprio raciocínio, e irá levá-lo ao perigoso mundo do desconhecido. “Uai, não sabia que podia chamar negro de tição! Vou chamar!”

Enfim, fugi de novo do tema deste blog. Estou dispersiva, viu?



7 comentários sobre “Mais de Monteiro Lobato e essa estranha mania da censura cômoda”

  1. Allan Moraes comentou:

    …e, até agora, nenhuma consideração sobre seu conto “Negrinha” – maIs num tem problema, não… peço licença e faço o favô de colocar aqui um link pro conto:

    http://www.bancodeescola.com/negrinha.htm

    A melhor parte é a que ele critica a moral degenerada do padre católico e da beata sinhá (influência de Nietzsche? Quem sabe… Narizinho como o Übermsnch nietzschiano é o mais próximo que o brasileiro já chegou de refletir profundamente sobre a condição humana – deveriam agradecer a Monteiro por isso).

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Obrigada pelo link, Allan!
    Acho que foi a primeira vez que li esse conto. é de arrepiar. Impressionante como hoje o politicamente correto torna as tintas desse texto tão carregadas. Ainda assim, é possível notar que Zé Bento aborda o tema de forma sutil e cínica. Hoje vai ser preciso muita saliva pra explicar o contexto – mas que os professores salivem, pois! Proibir a leitura desses textos é que não rola, né?

    Mais uma vez, brigada pelo link! E volte sempre! 😀

  3. Jefferson Alves comentou:

    Dona Bruxa,

    fico alguns dias fora e tem uma enxurrada de textos. Gostei de ver.

    Quanto a polêmica em torno da obra do Monteiro Lobato, concordo com o que o Sergio Leo tem escrito sobre o assunto. Li o post da Mani e não consegui concordar plenamente com ela, pois o que esta sendo pregado lá nada mais é do que o MEC pretende: Que o texto seja trabalhado de forma a demonstrar que aquela realidade não pode ser replicada atualmente.

    Monteiro é um grande escritor, mas nem por isso deve ser endeusado a ponto de deixarmos de lado seus defeitos. Produção cultural e liberdade de imprensa são tratados como deuses intocáveis no Brasil, o que é uma grande besteira, pois são faliveis e passiveis de apreciação pelo senso comum da “era” em que estão inseridos.

    Abraço.

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Verborragifiquei-me (oi?) nos últimos dias, é fato.
    Peço perdão…. 😀

    quanto ao seu comentário sobre o texto da Mani, discordo: o texto de Monteiro Lobato tem, sim, que ser lido dentro do contexto em que foi escrito – aliás os textos dele e de qualquer outro autor de qualquer idioma. E o que falar, então, dos filmes da década de 1960, ou das músicas dos Beatles versus as de Edith Piaf… [e se eu continuar aqui essa prosa vai pra mais de metro]?
    Até porque qualquer obra artística vai fazer muito mais sentido se você, leitor/consumidor , for capaz de compreender o contexto de sua produção, e tudo o que a causou …

    E, como disse no Twitter, gostaria muito de saber se os americanos condenam Mark Twain pelo racismo de Tom Sawyer ou de Huckleberry Finn.

    Porque se o negócio é adaptar tudo à realidade pós-internética e superindividualista do século XXI, então teremos um monte de reizinhos a acreditar que o mundo gira invariavelmente à sua volta, e que ponto de vista diferente do reinante não há.

    Vamos acabar por criar um monte de robozóides…

    Abração, e volte sempre. Com cuidado, porque a verborragia aqui tá pegando fogo, zifio!

  5. Allan Moraes comentou:

    =D

    De nada!

    Ah, e na parte que eu disse “Narizinho como o Übermsnch”, eu quis na verdade dizer “Emília como o Übermensch”, enfim… =/

    Concordo: o que não dá é não discutir. =D

    Abraço!

  6. Mario Abramo comentou:

    Ok, Dona Bruxa:
    Os americanos censuram sim Mark Twain.
    Mark Twain’s Huckleberry Finn: A History of Censorship for the Banned American Literature Classic
    http://www.suite101.com/article.cfm/canadian_tourism/49239
    []s
    Mario
    PS: e não me conformo que não consigo fazer strike aqui. Testando itálico e underline

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Itálico é com “em” entre ; underline num tem não sinhô;

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