… mas a Petrobras não foi feita pra vazar, meudeusdocéu?

Se os leitores tiverem meio neurônio a mais, já devem ter percebido que esta que vos fala saiu da faculdade com um canudo de jornalista. E eu estou miacabaaaaaaaaaaaando com essa história toda de blog da Petrobras pra cá, blog da Petrobras pra lá… então, eu vou fazer uma looonga divagação e concluir a coisa toda com uma observação bem Objetivando Disponibilizar. Se você tiver saco pra ler este post até o fim, óóótemo. Se não, vai navegar aí do lado direito na lista de blogs, ou então, vai jogar Letroca que você ganha mais…

Daí que eu estava cá a relembrar com meus neurônios que não há nada mais ofensivo para um jornalista do que um entrevistado virar pra ele ao final de uma entrevista e dizer: deixa eu ler o que você escreveu antes de publicar, pra ver se você escreveu alguma coisa errada, tá bom?. Por várias razões:

– Ele chama o jornalista de burro e incapaz de entender o que lhe explicam;
– ele coloca o jornalista numa posição submissa, do tipo: você  TEM que me deixar ler isso, senão eu te processo, ou algo do tipo, e
– ele fatalmente vai querer corrigir alguma coisa no texto do jornalista. Ou  por questão de conteúdo ou por achar que o texto dele pode ficar melhor (/ameba escrevente auto-imbuída de poderes mexendo num texto teoricamente bem escrito. Ou “fez-se a bosta!”, o que você preferir).

Eu o-dei-o que façam uma dessas comigo, porque não sou burra, sou capaz de entender o que me explicam, me RE-CU-SO  a me submeter a julgamentos de entrevistados meus, até porque uma das minhas funções de jornalista é exatamente fazer juízos de meu entrevistado (eu tenho que ter a capacidade de avaliar se a pessoa com quem falei é inteligente, burra, capaz, incapaz, sabe explicar sem se enrolar, etc, etc, etc.), e não o contrário. E definitivamente, eu não admito que alguém reescreva para pior um texto meu. Este caldeirão é a máxima expressão dessa não-admissão.

Mas, como boa e modesta jornalista que sou, eu entendo o outro lado da questão. Compreendo que há entrevistados que dizem bolinhas amarelas para um jornalista e, quando vão ler a reportagem, o cabra escreveu quadrados azuis. Esses entrevistados ficam para morrer com isso – e com razão. Eles sabem que explicaram tudo direitinho. A ameba, no caso, foi o jornalista, que não entendeu lhufas e escreveu de qualquer jeito. Existem casos inocentes de jornalistas que são simplesmente amebas e não sabem fazer o trabalho direito. Mas o que mais grassa entre os coleguinhas é o caboclo que sabe fazer o trabalho (razoavelmente) bem. Tão bem que sabe direitinho onde e como distorcer a informação a favor deste ou daquele ponto de vista. E aí, com é que fica o entrevistado nesse caso? Ele é obrigado a dar entrevista já sabendo de antemão (e não diante mão, como disse o sujeitim do post aqui embaixo) que o que ele disse vai ser fatalmente distorcido porpositalmente no texto final?

É por isso que EU QUE-RO SA-BER quem foi que teve a ideia GE-NI-AL de fazer o blog Fatos e Dados. Me desculpem, mas eu fico muito feliz em ver que há seres pensantes em meio ao funcionalismo público brasileiro. O Fatos e Dados foi o xeque-mate pra questão do entrevistado encurralado: escancarar nesta teia de alcance mundial (/web) pra quem quiser ler, ver e conferir, um monte de posts que, genericamente, contam: ó, me perguntaram isso, isso e isso. E eu disse A, B, C e D, tá bom?

Por que estão esperneando contra o blog? Por alguns bons motivos:
– o Fatos e Dados escancara a falta de ética da grande imprensa em tratar os assuntos que estampam suas vetustas páginas impressas na grande maioria dos casos;
– A grande imprensa não tem mais como distorcer informações (e não me diga que eles são os paladinos da verdade. Já vi coisas de arrepiar alma penada por essas redações afora)
– A grande imprensa não pode mais agir de forma arrogante com relação às empresas entrevistadas. Se, lá em cima, eu disse que eu tenho que ser capaz de avaliar um entrevistado meu, não posso usar esse poder de jornalista para o mal. É pra isso que a gente faz um juramento ético na faculdade etc, etc, etc…

Mas o bloco muito bem batizado de PIG (Partido da Imprensa Golpista) pelo Paulo Henrique Amorim argumentar que o blog fere a relação de confiança entre fonte e jornalista é risível. Primeiro porque essa relação tem que ser muito mais preservada pelo jornalista do que pela fonte: é o jornalista quem não pode revelar a fonte, e deve tratá-la muito bem para que tenha sempre informações confiáveis. Como o blog da Petrobras foi criado a partir da premissa de que essa relação já estava desgastada de há muito, perdeu-se no ar toda e qualquer argumentação a respeito. Além do quê, nunca nenhuma fonte de informação foi privada de dizer olha, Fulano me perguntou isso e eu disse isso. O único senão com relação ao Fatos e Dados é que os posts poderiam ser publicados junto com as notícias relacionadas às perguntas publicadas, pra preservar o direito que os coleguinhas têm de conseguir um furo de reportagem. Só isso. Nada que um clique em editar horário de publicação não resolva. 

[É aqui que o post vira um legítimo Objetivando Disponibilizar:]
E para defintivamente puxar a brasa toda pro caldeirão desta madrasta do texto ruim, alguém pode, por favor, me explicar o porquê de O Globo estampar em suas manchetes que A Patrobras não pode vazar?!?!!?!?!?

Cristorreimesalva!!!!! Essa é justamente a função primeira da Petrobras!!! Fazer o petróleo vazar de dentro pra fora do subsolo deste país!!! Ela foi criada para isso, cáspita!!!!

Pelamordedeus, se vocês querem brigar contra a Patrobras, fiquem à vontade. Vocês estão em seu pleno (e quixotesco) direito. Eu só apelo para que vocês façam isso com verbos mais adequados à empresa, para não caírem ainda mais no ridículo da discussão…



Um comentário sobre “… mas a Petrobras não foi feita pra vazar, meudeusdocéu?”

  1. Zig comentou:

    Essa história da Petrobras está gerando muita polêmica entre os coleguinhas. Mas a verdade é que só quem já esteve dos dois lados do jornalismo diário (imprensa x assessoria) consegue entender quem critica e quem incentiva o blog. Se o jornalista não conheceu ainda os dois lados da moeda, não adianta, não vai entender. Também detesto que corrijam meu texto, que peçam para ler o que escrevi. Mas quando troquei a redação pelo jornalismo empresarial, tive de lutar contra isso. Aprendi a ser menos radical. Nem por isso sou menos jornalista. Pelo contrário, acho que isso me tornou uma profissional mais completa. Adorei a análise!

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