Os magos patológicos do Copom (2)

[Você não fugiu? Problema seu… não diga que eu não avisei…]

‘ Bora trabalhar. Eis os trechos do texto do Kupfer:

(…)

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), como se diria em coponês, superou as expectativas do contexto comunicativo anteriormente registrado, abrindo perspectivas relativamente ainda mais complexas do que as localizadas na mediana das atas publicadas para o entendimento de seus propósitos. [E agora, com vocês, a tradução de José Paulo Kupfer:] Ou seja, a ata da reunião do Copom de fim de abril supera todas as outras no objetivo de complicar o entendimento do que pretende dizer[aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh…..].

(…)

Começamos, gloriosamente, pelo parágrafo 24 da última ata:

“O Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.”[Sei, sei… isso quer dizer, então, que o Ronaldo tava impedido naquele gol contra o Friburguense?]

[é melhor deixar o Kupfer explicar:] Coponaram a mexida na poupança! [Pfffffffffffffffffffff!!!!!!!!!!!!!!!]

Olhem agora o parágrafo 19:

“A avaliação de decisões alternativas de política monetária [Isso eu consegui entender: eles estão decidindo se pela enésima vez ao passar por aquela pracinha, continuam a virar à direita na banca de jornal e erram o caminho de novo, ou se param para perguntar por onde ir!] deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes observados para essa variável [o tal do cenário prospectivo é a virada à direita na banca de jornal; o privilégio de valores correntes equivale a perguntar o caminho pro jornaleiro. Ou será o contrário?].”

Precisava tudo isso para dizer que a análise da conjuntura econômica deve olhar para a frente e não para o presente ou o passado?[aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh…… e sem marcha-a-ré!]

[Prossegue o Kupfer:] São tão abundantes os casos de coponês na última ata do Copom que até os iniciados se confundiram.

Leiam o parágrafo 21:

“O Copom avalia que, diante dos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, no que se refere, por exemplo, aos indicadores de produção industrial (ainda que exacerbados, em alguns setores, pela continuidade do ajuste de estoques)[como é que alguns setores têm seu resultado exacerbado pela continuidade do ajuste de estoque? Isso é pornografia? As crianças podem assistir a uma cena dessas?], dados disponíveis sobre o mercado de trabalho e as taxas de utilização da capacidade na indústria, bem como sobre confiança de empresários e consumidores, e do recuo das expectativas de inflação para horizontes relevantes [impressão minha ou aqui rolou uma certa tentativa de poetização do Copom? Baixou o Panoramix na galera, é?], continuaram se consolidando as perspectivas de concretização [Imagine se, em vez do aviso “cuidado, concreto fresco”, você encontra na frente de uma calçada recém-trabalhada por um pedreiro o aviso “Atenção: calçada em processo de consolidação de concretização”. Até você descobrir do que se trata, você já pisou e estragou aquele seu saltinho liiindo, né?] de um cenário inflacionário [tome cinco cervejas e repita em voz alta e bem rápido: cenário inflacionário/cenário inflacionário/cenário inflacionário. Pronto. Se você conseguiu falar tudo rapidinho sem nenhum tropeção, vá dormir. Sua língua está com cãimbras.] benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas. Ainda assim, a despeito de haver margem para um processo de flexibilização [é aqui que eles falam em baixar os juros da Selic?!?!?!?! Pra mim, isso parece mais professor de academia de ginástica em aula de alongamento…], a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas.”

E este trecho do parágrafo 17:

“O efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo [segue o seco sem sacar que o caminho é seco, sem sacar que o espinho é seco, sem sacar que seco é o ser sol… uai, não tão falando dessa música da Marisa Monte, não?], até o momento, predominantemente benigno [repararam que este texto não é de autoria de nenhum oncologista, e ainda assim a palavra benigno aparece pela segunda vez? Magos druidas têm esse problema. Eles nunca sabem se são do bem ou do mal. Daí, em vez de se resolverem no divã do analista, tentam se resolver com esses textos. Ainda não entenderam que a coisa não rola desse jeito…]. O Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir que os resultados favoráveis obtidos nos últimos anos sejam preservados.” [No parágrafo 21, eles ficaram com medo de baixar os juros, aqui eles já não estão lá muito certos se é isso mesmo o que deve ser feito… algo como o Adriano no Flamengo, né? Ué, mas eles não são os iniciados em questão de juros?]

Entenderam? [Que todos os Deuses me socorram! Eu não entendi foi lhufas!] Bem, as consultorias e seus analistas de conjuntura, presumivelmente treinados para entender e traduzir o coponês, parece que, desta vez, boiaram.

A consultoria LCA, do primeiro time do ramo, distribuiu a seus clientes uma análise, a partir da ata do Copom, com o seguinte título: “Ata do Copom sugere que ciclo de redução da Selic terá continuidade”. Mas outra consultoria, a Rosenberg & Associados, também da primeira divisão, enviou a clientes, por e-mail, análise da ata do Copom com o seguinte título: “Ata sinaliza fim próximo da flexibilização monetária” [n. da r: “Flexibilização monetária” é o coponês da expressão em português “corte nos juros”]

Afinal, o BC continuará cortando os juros ou vai parar de cortar? Deu chabu no coponês.”[Meu caro Kupfer, permita-me discordar. O que baixou legal nas amebas escreventes foi o feitiço Faça-se a bosta! Tá feita, uai…]

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