A Língua de Eulália – o livro é chato, mas o tema é muito importante!

setembro 13th, 2012

Fiz essa resenha como trabalho de Linguística. Mas comecei a discutir o assunto no Twitter, e resolvi trazer esse texto à tona.

Desafio você, aluno ixperrrto, a copiar este texto e entregar ao seu professor. Vais ver porque eu sou uma bruxa…

Enfim. A ideia (que falta que faz esse acento…) é a seguinte: mostrar ao público leigo que frases como os livro é bonito ou pronúncias como trabaio não são português errado, mas variação de uma língua cuja evolução do Latim não se estagnou, ainda prossegue – e é consequência de um país de dimensões e culturas continentais.

O assunto é sério, e rende pano pra manga, discussão, polêmica, quiproquós e tudo quanto é expressão clichê pra designar arranca-rabos de grande magnitude. Que o digam o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e o livro didático Viver Aprender, lançado por seu Ministério no ano passado.

O sentido de falar certo e falar errado está mais do que arraigado no subconsciente dos brasileiros e, sem que as pessoas percebam, é uma forma de expressar preconceitos outros: de classe, de raça, geográficos…

Há quem tenha calafrios ao ouvir a frase já citada: os livro é bonito. “A regra é clara”, diriam os arnaldos césares coelhos da Língua Portuguesa: todas as palavras flexionáveis da frase devem concordar em número entre si. Portanto, artigo, substantivo, verbo e complemento nominal devem obrigatoriamente estar todos ou no singular ou no plural. Caso contrário, é errado. O corretor gramatical do Word é minha prova de que até softwares são adestrados a identificar os livro como errado, pois todas as ocorrências da citada expressão neste texto foram sublinhadas em verde pelo programa.

Mas com um pouquinho de metodologia percebe-se na frase errada um critério, uma norma: só a primeira palavra do sintagma ganhou um ésse, e isso já basta para transmitir a informação de plural. Regra diferente, e que é seguida, ainda que instintivamente, de norte a sul deste país, por quem fala português errado. É o que os linguistas chamam de variação linguística. Não caracteriza erro ou ignorância, apenas o emprego de regras outras. A mensagem é transmitida com perfeição do emissor ao receptor, sem ruídos.

Da mesma forma, pronúncias como trabaio, abeia, cuié ou fia estão longe de serem erros ou ignorâncias. Com iguais critérios científicos de análise linguística empregados no raciocínio anterior, é possível perceber que tais pronúncias são explicáveis com palatos, línguas e todas as partes do sistema do corpo humano usado na produção de fonemas e sons de letras e de onomatopeias. E, com um molhinho extra de comparação com outras línguas que, assim como o português,(atenção, professor! se você está lendo estes parênteses, é porque seu aluno copiou um texto da Internet de terceiros e apresentou como se fosse dele, sem nem se dar ao trabalho de ler a bagaça toda! Zero no meliante!)  tiveram seu ponto de partida no Latim, nota-se que essas pronúncias erradas são, na verdade, uma pronúncia quase igual à francesa para essas mesmas palavras: travaille, abeille, cuiller, fille.

Que coisa mais fascinante! – deve pensar o leigo que porventura vier a ler este texto. Mas como fica o ensino da Língua Portuguesa a partir dessa tese? – retrucará em seguida esse mesmo leigo hipotético que me permitiu o uso do verbo retrucar.

Simples: o professor usa em aula as duas variações do português (padrão e não-padrão), evidencia suas diferenças e avisa aos alunos o tempo todo: o português não-padrão não é bem visto por todo mundo. Por fim, fará seus alunos entenderem que é importante usar o português padrão em textos escritos, provas oficiais, tribunais e locais onde se exige mais formalidade por parte dos frequentadores.

Ah, então tá bom! Então, vamos disseminar essa tese, certo? – concluirá o leigo hipotético.

Aí a coisa começa a pegar. Para divulgar essa tese importante, Marcos Bagno – que não é um cara qualquer, trata-se de Linguista e professor do Instituto de Letras da UnB – resolveu fazer “uma novela sociolinguística”. E escreveu o livro A Língua de Eulália, em 1997.

Todo brasileiro que se preza, ao ler a palavra novela logo pensa em enredos e tramas típicas de telenovelas. Mas há quem se lembre de alguma coisa de gêneros literários (assunto de aulas do segundo grau), e que o gênero telenovela está mais para folhetim do que para novela.

Na era do Google, o sacrossanto site de buscas resolve a dúvida, e nos leva a dona Wikipedia: “Uma novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens.”

Se dona Wikipedia está certa, então A Língua de Eulália pode ser tudo menos uma novela. Porque de uma coisa enredo e personagens da história de Bagno definitivamente não foram vítimas: de desenvolvimento.

O livro conta uma história chata, arrastada, modorrenta, por vezes pedante. E utiliza-se, para isso, de personagens chatos, insossos, que chegam do nada e levam a história a lugar nenhum, e aparecem no livro para se reunirem em “interessantes” (boceeeeeeeeejo) aulas de português.

E o que dizer da personagem principal, Eulália? Nada, absolutamente nada. Contei menos de cinco falas de Eulália em toda a trama, todas dispensáveis para a condução do enredo.

Na verdade, estou em dúvidas. Eulália é personagem principal ou desculpa do livro? A história desenvolve-se sem que sua participação seja decisiva para o enredo (talvez isso faça de Eulália a personagem com mais empatia em toda a trama).

Em suma: a história prende pelo conteúdo e não pelo formato. O leitor só chega às últimas páginas do livro caso se atenha às ideias de variação não-padrão do português, defendidas pela doutora em Linguística Irene a sua sobrinha e amigas.

Creio que A Língua de Eulália seria muito mais interessante se fosse um folhetim sociolinguístico, e contasse, por exemplo, as agruras e sofrimentos da heroína Eulália, uma trabaiadora no ramo de curtura di abeias que é vítima dos ricos e poderosos que caçoam da forma como ela fala. Se Bagno explorasse a noção de português padrão e português não-padrão por meio de conflitos de classes e geográficos, a história talvez fosse menos modorrenta.

Mas o mais gritante foi ler, na edição de 2011 do livro, as observações do autor a respeito de sua obra, passados 14 anos da primeira edição. Na página 212, Bagno afirma:

Todos os aprendizes devem ter acesso às normas linguísticas urbanas de prestígio, não porque sejam as únicas formas “certas” de falar e de escrever, mas porque constituem, junto com outros bens sociais, um direito do cidadão, de modo que possa se inserir plenamente na vida urbana contemporânea (…)

E, na página 213, completa:

(…) constitui um atentado aos direitos do cidadão continuar a prescrever, como únicas corretas, regras gramaticais que entram em flagrante conflito com a intuição linguística do falante e que não correspondem ao estado atual da língua, nem sequer em seus usos escritos mais formais.

O leitor leigo (público-alvo do livro) pode entender uma contradição nesses dois trechos. E o leitor mal-intencionado (aqueles que defendem que dizer os livro é bonito é coisa do Lula pra impor seu falar errado aos brasileiros estudantes) vai encontrar contradições e vai trabalhar esses dois trechos com o lado negro da força.

É necessário um semestre inteiro de um curso de Linguística para entender que os dois textos não são contraditórios, mas complementares.

A meu ver, Bagno deve urgentemente reescrever essas duas páginas de forma a deixar suas ideias mais à prova de contradições. Pensando bem, se der pra refazer tudo para dar mais vida aos personagens, a história vai ficar melhor…



Adivinha…

setembro 6th, 2012

… que jornal escreveu essa pérola aí de baixo:

Diquinha básica: começa com F, é de São Paulo, e tem uma catiguria exclusiva aqui no Caldeirão…

Pra quem não sabe onde está o erro, o verbo correto é apropRiar.

 

PORRA, FOLHA!

#prontofalei



Subjuntivo, esse modo ignorado no prédio da Barão de Limeira

agosto 27th, 2012

Enviado pelo dileto ectoplasma Luis Alacarini via Fêicebúque.

Mais um daqueles posts no qual eu sei nem por onde começar. Vou tentar começar explicando alguns modos verbais.

Porque, né? Quando você quer contar uma ação que não avente dúvidas ou questionamentos, seu modo é o indicativo.

Como o próprio nome dá a dica, ele indica a coisa que rola/vai rolar/já rolou:

Eu sou

Fulano nasceu

Beltrana morrerá de curiosidade.

Mas se a sua praia for a dúvida, ou o exercício da probabilidade/adivinhação, o modo que se adequa às suas necessidades é o subjuntivo. Ele não denota certeza nem indica coisa nenhuma, apenas fala de possibilidades e devaneios:

Que ele nasça bonito (ele ainda não nasceu, nem se sabe se ele vai nascer. Mas, quando isso acontecer, que seja assim)

Se eu estivesse em Paris agora (não estou em Paris, mas bem que essa possibilidade podia rolar, né?)

Quando eu tiver uma Ferrari (no remoto ou improvável dia em que isso acontecer -feat. senta lá Cláudia)

 

Isto posto,

ALGUÉM EXPLICA ESTA MANCHETE DA FOLHA DE SÃO PAULO, CACETE?!?!?

 

Não é certeza que o servidor vá manter a greve. Ele pode manter ou não.

Quedizê: o servidor que MANTIVER a porra da greve vai ficar sem a bosta do reajuste.

 

NÉ, FOLHA?!?!?!

PORRA, FOLHA!!!

 

Vou mandar o subjuntivo invadir o prédio da Barão de Limeira pra detonar uma bomba gramatical lá dentro.

Ele vai entrar de sussa, pois ninguém dentro daquele prédio é capaz de reconhecê-lo, mesmo…

 



Da importância do acento agudo na leitura da Bíblia, ou: Senhor, não permitais que energúmenos leiam a Vossa Palavra!

agosto 27th, 2012

 

E eis que o Pastor não sabe a diferença entre adultera e adúltera.

E se acha o fodão pra interpretar texto da Bíblia…

 

Por que ninguém me falou deste vídeo antes?

Só mesmo a Cíntia Nunes pra me enviar esta pérola…

 

O_o



Mombaça, uma cidade do… oi?

agosto 27th, 2012

Queridas Folha de São Paulo e France Presse,

 

A cidade do Quênia em questão é MombaSa, com um ésse mesmo.

MombaÇa, com cedilha, fica no Ceará:

 

 

E, pelo que Tio Google me contou, Mombasa (A) fica um cadim longe de Mombaça (B)

#Bjomeliga

 

 

 



Sem café X com café

julho 24th, 2012

Imagino até o que aconteceu.

Redação do Poder online, do IG, lá pelas sete e meia da manhã:

– Entra no site e bota no ar aquela matéria das cestas básicas que eu vou passar o café! – disse o editor

– OK – retrucou o estagiário. (Segunda vez que eu uso o verbo retrucar, me deixa, tô feliz!)

Aí lá vai o estagiário dizem que ele trabalhou no Ego, mas essa informação carece de confirmação morto de sono abrir a edição do site para postar a notícia que já tinha sido apurada, só faltava ser redigida:

 

Pouco depois, o estagiário levanta-se e vai tomar café. Volta para a mesa cheidi café nazidéia, já devidamente acordado, e dá aquela bisoiada básica no site.

E grita:

– POOTAQUEPAREEOO, COMO EU PUDE ESCREVER UMA MERDA DESSAS, CACETE?

Aí ele clica no botão “editar matéria’ e remenda a merda:

 

Com os devidos agradecimentos ao César Cardoso por ter orado aos deuses do print-screen a tempo! \o/



Só 38% ? Acho pouco!

julho 19th, 2012

Daí que dia desses alguém contabilizou que 38% dos universitários (eu disse universitários, aquela raça que já passou pelo crivo do Vestibular) não dominam as habilidades básicas de leitura. Eu acho esse número baixo. Deve ser muito mais do que isso!

E daí? O que fazer? Assino embaixo do que a Dad squarisi escreveu na edição de hoje do Correio Braziliense:

Língua é direito humano :: Dad Squarisi

Os dados não surpreendem. Mas chocam. Nada menos de 38% dos universitários não dominam as habilidades básicas de leitura e escrita. A pesquisa do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa prova que o menino é o pai do homem. Os alunos do nível superior são os estudantes que ficam na rabeira de testes de avaliação como Pisa, Enem & Cia. Esperar resultado diferente com dados iguais é acreditar em Papai Noel.

Impõe-se, pois, mudança no andar de baixo para que o de cima reaja. Como? A resposta também não surpreende. O salto qualitativo do ensino se baseia, necessariamente, em três pilares. Um: gestão. A administração da escola precisa de profissionalismo. Bom professor em sala de aula não é sinônimo de bom diretor. Outro: professores nota 10. Mestres quebra-galhos, sem qualificação de ponta e alta motivação, formam alunos à sua imagem e semelhança. O último: salário e carreira atraentes. O magistério deve atrair excelências, não excluídos das demais carreiras.

Com o velho modelo, o Brasil já avançou o máximo. Para seguir adiante, precisa de novo paradigma. Com ele, melhorará os indicadores. O pleno domínio do idioma fará a diferença. A língua impulsiona a leitura, que desempenha papel central em todas as dimensões. De um lado, desenvolve habilidades que favorecem a aprendizagem nas diferentes áreas do conhecimento. De outro, motiva o aluno a estudar, retém-no na escola e promove progressos pessoais. Por fim, leva à compreensão da diversidade cultural e nos torna mais cidadãos.

Novidade? Nenhuma. Tampouco é novidade a inapetência do Estado em mudar as coisas. Juras de amor à educação não faltam. Mas cadê? Sai governo, entra governo, nada se altera. Saídas existem. A Academia Brasileira de Letras (ABL) tem autoridade para encabeçar campanha em prol do ensino pleno da norma culta nas escolas. Tem autoridade também para publicar a gramática da academia, que serviria de base para as demais. Não só. Que tal a ABL defender o domínio da norma culta como direito humano? A ONU está aberta para abraçar a causa.



Dorinha de mal com o verbo haver

julho 12th, 2012

[suspiro]

Nada como uma bela escorregadela no Manoel (português) pra me fazer reabrir o caldeirão em grande estilo, néam?

Então, vamos analisar a tetéia (com acento, porque eu me apego muito aos acentos) recém-produzida pela Dora Kramer no twitter:

[outro longo suspiro]

Acho que vou fazer um postão que vai virar página especial, só com o verbo haver! Mas enquanto isso não acontece, vou contar um segredinho aqui:

Titicamente, quando o português ainda era um jovem e garboso mancebo e ainda tinha altas relações com o Latim, não tinha evoluído a ponto de criar um futuro do presente para seus verbos. (sabe como é, ele tentava passar de fase do game, mas morria antes, tinha que começar do zero, um saco….)

Daí que as pessoas usavam meique uma ameaça pra se referirem a um tempo que ainda estava por chegar. Mas pra isso, o verbo haver no presente do indicativo (antes que você pergunte: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles hão. Agradeça a  Tio Antônio!) frequentava geral as altas e baixas rodas da sociedade.

Então, como eu dizia, lá em priscas eras, nego dizia

Eu hei de chegar em sua casa amanhã / ele há de chegar em sua casa amanhã

Essa locução “haver + preposição de + [enfie aqui o verbo principal de sua preferência]  acabou trocando de ordem, e ficou assim:

eu [enfie aqui o verbo de sua preferência] +verbo haver, ou seja:  

eu chegar hei / ele chegar há  

daí pro

chegarei  / chegará

foi um pulo e um beijinho, beijinho, tchau, tchau pro agá.

O resto é história. E futuro do presente do modo indicativo.

Isto posto, a expressão a ser combinada com  [verbo enfiado de sua preferência] que terá valor similar ao da locução verbal ir+verbo no infinitivo (vou falar / vou fazer / vou acontecer) é a expressão haver de.

Isso, é claro, se você quiser deixar seu texto metido a besta – no que contarás com meu total apoio! Atoron! \o/

Então, Dorinha, sua linda, ou você cria rapidão um trocadilho com o verbo haver e esse verbo dar mal enfiado no seu tuíte ou você deleta seu post.

Mas eu já orei pros deuses do print-screen!

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 ATUALIZAÇÃO ÉPICA:

Observação tão maravilhosa do Flávio aí embaixo nos comentários que eu tive que subir o que ele escreveu:

Pode ter sido erro de pontuação:
1. Reclamar de Kassab? Quem? A Dê? (pode ser alguma conhecida da Dorinha que gosta de reclamar)
2. Reclamar de Kassab, quem? A Dê.
3. coloque aqui a “aversão” de sua escolha…

*************

#Bjomeliga



Ah, Folha… ♥♥♥

junho 12th, 2012

É sempre assim, gente!

eu começo a me condoer que estou há muito tempo sem atualizar o caldeirão, e vem a Folha me brindar com suas folhices…

 

Desta vez, ela apresentou sem mais delongas seu verdadeiro eleito para o Banco Central.

Reparem:

♥♥♥ Fernando Henrique Cardoso, presidente do BC segundo a Folha. ♥♥♥



Calma que eu volto!

maio 17th, 2012

Tô enroladaça de trabalho, gente!

Assim que der eu volto com meus exorcismos!

(Enquanto isso, passem pelo Te dou um dado? que baixou uma vibe Bruxa neles lá que tá uma delícia! 😀 )

#beijomeliga



Tem coisas que só a Folha consegue fazer

abril 11th, 2012

Sei nem por onde começar. Bom, deixa eu começar agradecendo ao Loyola que, além de produzir esse avatar fófis de Cudi Ampola que eu uso, ainda me manda coisas como a que estampará este post.

Gente, verdade seja dita: a capacidade da Folha de gerar posts para este blog tende ao infinito. E tenho que dar o braço a torcer: o jornal da Barão de Limeira tem todo um estilo próprio, intransferível e inconfundível pra fazer merda. E uma folhice é eterna, não prescreve.

Esta daqui, por exemplo, tem praticamente dois anos. Vamos acompanhar:

Homem que esfaqueou três em mercado de SP foi contido meia hora após ataque

AFONSO BENITES [faço questão de manter o nome do autor da teteia.]
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos, na Grande São Paulo.[Tá. O texto até que começou legal. Eu distribuiria uns pontinhos no lugar das vírgulas que é pra dar pra respirar direito, mas isso realmente não vem ao caso. Próxima frase, por favor!]

José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro[Epa! Citou o nome do estabelecimento! Na boa, não havia necessidade. E, se o autor realmente fizesse questão de citar o local, que o fizesse de maneira mais formal, tipos: “o hipermercado Extra da avenida tal, no centro de Guarulhos], ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90) […. e zás! Chegamos à nossa folhice em questão! Só tenho uma dúvida: isso aqui foi excesso de apuração ou jabá?].

Era dia de promoção –a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes)[RE-PI-TO: ISSO É EXCESSO DE APURAÇÃO OU JABÁ?!?!?!?!?!] . A loja estava cheia.

A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.

Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”.

Uma poça de sangue se formou debaixo de seu corpo. Clientes começaram a gritar que um “maluco” tinha esfaqueado um homem. Seis mulheres desmaiaram.

A segunda vítima foi outro comerciante. Ele se deparou com Araújo, tentou fugir, mas foi ferido nas costas. Antes de fazer a terceira vítima (um fiscal do Extra atingido no abdômen), Araújo tentou esfaquear outro cliente, que jogou um carrinho de compras contra ele.

Pânico e correria duraram quase meia hora. “Quando começou a confusão, eu tinha acabado de passar minha primeira compra no caixa, às 20h41 [E ao chegar aqui nós percebemos que o zifio repórti peca por excesso, mesmo! O texto está muito bem escrito, com excesso de riqueza de detalhes!]. Quando acabou, eu terminei [Cejura que você terminou quando acabou? Que maravilha, isso, não? A conclusão que coincide com o término! Que grande revolução! Nego num pode elogiar muito um texto da Folha que eles vêm e pimba de novo, cacete!]. Eram 21h13″, disse a dona de casa Karina Marques, 31, exibindo o cupom fiscal com horários.

Um policial disparou dois tiros no meio da loja –mais gritos, mais pânico. Não o atingiram o agressor, que acabou detido pela PM.

A família de Ding estuda processar o Extra por omissão de socorro. Testemunhas dizem que ele sangrou sem parar na loja e só foi removido ao fim da confusão. Morreu ao entrar no hospital.

O Extra não divulgou cenas de câmeras internas. Em nota, informou ter “tomado todas as medidas cabíveis”. Também disse que acionou a PM, “lamenta profundamente o ocorrido” e se mantém “à disposição das autoridades”.

Preso, Araújo afirmou que era perseguido desde sua casa, em Guararema, a 40 km de Guarulhos, mas não disse quem o seguia. Segundo a polícia, ele não conhecia as vítimas. Na delegacia, disse não se lembrar de nada. Não parecia estar sob efeito de drogas nem alcoolizado.

A polícia ainda tem poucos dados dele. Só sabe que nasceu em São Bento do Una (PE) e nunca foi condenado. As outras duas vítimas passaram por cirurgias e não correm risco de morte.

 

O texto está realmente muito bem escrito. Tão bem escrito que eu aposto que o zifio era novo na Folha. Deve ter aprendido as manhas da redação e perdido toda a capacidade de escrever direito que Nossa Senhora da Boa ortografia lhe deu.

Mas aí eu fico pensando se esse jabá (Proposital? Inocente?) já não era um prenúncio ou, sem querer, uma compensação para o que aconteceria pouco mais de um mês depois

Enfim: PORRA, FOLHA!!!! SEU ESTILO DE FAZER MERDA É INIMITÁVEL, CACETE!!!!



Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”

abril 9th, 2012

Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:

Túnel do tempo

O ano é 1985.

Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.

Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.

Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.

Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.

O primeiro discurso do presidente acadêmico.

Sucesso total.

Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.

Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:

A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.

Sarney quis matá-lo!



Deu pena do Demóstenes. Sério. (mas isso passa, não se preocupem! :D )

abril 9th, 2012

Da série “texto bom é pra ser compartilhado”.

Ruy Castro de hoje, na Folha de SPaulo.

Se o Demóstenes Torres está (dizem) morrendo de vergonha, depois desse texto ele se mata, coitado…

 

Muito antes

No fim de seu reinado, que coincidiu com o fim do século 19, a rainha Vitória, da Inglaterra, foi apresentada ao projeto do submarino, um navio que viajava debaixo d”água e, de lá, disparava contra o inimigo. Vitória ficou chocada: “Quer dizer que o inimigo não verá nossa bandeira?”. Era um golpe baixo e ela não quis saber. Mas isso, claro, foi muito antes dos aviões-robôs.

No Campeonato Carioca de 1913, Belfort Duarte, jogador do América, pôs a mão na bola dentro da própria área e impediu um gol do adversário. O juiz não percebeu. Belfort se acusou e exigiu que ele marcasse o pênalti contra sua equipe. E ele marcou, para desespero dos meninos Vicente Celestino, Lamartine Babo e Mario Reis, que já eram torcedores do América. Mas isso, claro, foi antes de Maradona, Messi e outros que acham normal fazer gols com a mão.

Até 1950, as rádios americanas não admitiam tocar a mesma gravação mais de uma vez a cada 24 horas. “Imagine o ouvinte perceber que já ouviu aquele disco há poucas horas!”, eles alegavam. Mas isso, claro, foi antes do Top 40, da “payola” (jabá) e do roquenrol.

Nos anos 70, os clubes brasileiros não admitiam corromper seus uniformes com marcas comerciais. O que os torcedores diriam ao ver seus craques reduzidos a homens-sanduíche anunciando pneu, refrigerante ou óleo de carro? Mas isso, claro, foi antes de começarem a oferecer até o fundilho dos calções para imprimir marca de gilete ou de camisinha.

Em outros tempos, políticos e contraventores se mantinham a certa distância, sabendo que aquela intimidade era perigosa. Mas isso, claro, foi antes de o senador Demóstenes Torres (GO) e o empresário de caça-níqueis Carlinhos Cachoeira frequentarem as mesmas contas bancárias -e de, antes deles, muitos outros já terem feito o mesmo sem ser apanhados.



Luis Fernando, seu lindo! ♥

março 22nd, 2012

Faz tanto tempo que não compartilho um texto do Verissimo aqui, né?

Pois bem: o de hoje merece!

E não se avexem: o texto abaixo é um autêntico Verissimo! Estampa a Zero hora e o globo de hoje. Podem verificar!!!

 

Territórios livres

Imagine que você é o Galileu e está sendo processado pela Santa Inquisição por defender a ideia herética de que é a Terra que gira em torno do Sol e não o contrário. Ao mesmo tempo, você está tendo problemas de família, filhos ilegítimos que infernizam a sua vida, e dívidas, que acabam levando você a outro tribunal, ao qual você comparece até com uma certa alegria. No tribunal civil, será você contra credores ou filhos ingratos, não você contra a Igreja e seus dogmas pétreos. Você receberá uma multa ou uma reprimenda, ou talvez, com um bom advogado, até consiga derrotar seus acusadores, o que é impensável quando quem acusa é a Igreja. Se tiver que ser preso, será por pouco tempo, e a ameaça de ir para a fogueira nem será cogitada. No tribunal laico, pelo menos por um tempo, você estará livre do poder da Igreja. É com esta sensação de alívio, de estar num espaço neutro onde sua defesa será ouvida e talvez até prevaleça, que você entra no tribunal. E então você vê um enorme crucifixo na parede atrás do juiz. Não adianta, suspiraria você, desanimado, se fosse Galileu. O poder dela está por toda a parte. Por onde você andar, estará no território da Igreja. Por onde seu pensamento andar, estará sob escrutínio da Igreja. Não há espaços neutros.

Um crucifixo na parede não é um objeto de decoração, é uma declaração. Na parede de espaços públicos de um país em que a separação de Igreja e Estado está explícita na Constituição, é uma desobediência, mitigada pelo hábito. Na parede dos espaços jurídicos deste país, onde a neutralidade, mesmo que não exista, deve ao menos ser presumida, é um contrassenso – como seria qualquer outro símbolo religioso pendurado.

É inimaginável que um Galileu moderno se sinta acuado pela simples visão do símbolo cristão na parede atrás do juiz, mesmo porque a Igreja demorou mas aceitou a teoria heliocêntrica de Copérnico e ninguém mais é queimado por heresia. Mas a questão não é esta, a questão é o nosso hipotético e escaldado Galileu poder encontrar, de preferência no Poder Judiciário, um território livre de qualquer religião, ou lembrança de religião.

Fala-se que a discussão sobre crucifixos em lugares públicos ameaça a liberdade de religião. É o contrário, o que no fundo se discute é como ser religioso sem impor sua religião aos outros, ou como preservar a liberdade de quem não acredita na prepotência religiosa. Com o crescimento político das igrejas neopentecostais, esta preocupação com a capacidade de discordar de valores atrasados impostos pelos religiosos a toda a sociedade, como nas questões do aborto e dos preservativos, tornou-se primordial. A retirada dos crucifixos das paredes também é uma declaração. No caso, de liberdade.



UOL: criança não é humano

março 13th, 2012

Basta ver este título aqui:

A manchete

Crianças começam a testar remédio para combate à aids desenvolvido pela Fiocruz

foi dispensada porque, obviamente, criança é uma coisa, e humano, outra.

Sem mais.



Detetivões 2 – Identifique a fonte anônima

março 11th, 2012

Atooooooooooooron a imprensa brasileira, gente! A capacidade que nossos queridos (cof, cof) jornalistas têm de manter suas fontes no anonimato é espantosa!  Tô observando essa tendência, viu?

Primeiro foi o Estadão, que entrevistou *duas* fontes durante a renião do BIS na Basileia. Agora é a Istoé desta semana. Resolveu listar um *ex-ministro* de Dilmavana que teve contato direto com Jérome Valcke, aquele secretário-geral da Fifa que fala merda em inglês e pede desculpas por ser mal-interpretado em francês, saca?

Enfim, vamos acompanhar o texto lheando da Istoé:

O trapalhão da FIFA

 A bola fora do secretário-geral Jérôme Valcke é mais uma em seu currículo recheado de polêmicas e confusões

Um chute mal dado embolou o meio de campo dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 nos últimos dias. A disputa entre a Fifa, a entidade que comanda o futebol no mundo, e o governo brasileiro se acirrou na sexta-feira 2. Em um evento na Inglaterra, o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, afirmou que o Brasil deveria levar “um chute no traseiro” para apressar as obras prometidas para o Mundial e a aprovação da Lei-Geral da Copa, espécie de cartilha de regras da Fifa para o evento. De imediato, o País partiu para o contra-ataque. O articulador da jogada foi o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que no dia seguinte disse – em público e por carta enviada à Fifa – que o governo não aceitava mais o francês, número dois na hierarquia da entidade, como interlocutor. Isso sem contar as reações de repúdio dos presidentes da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Senado, José Sarney, além de outros políticos da base governista e da oposição.

A Fifa acusou o golpe ao ver seu homem forte, responsável pelo evento que faz lucrar bilhões de dólares, jogado para escanteio no país-sede do Mundial. E pediu desculpas. A começar pelo próprio Valcke, 51 anos, que encaminhou uma carta ao ministro. Joseph Blatter, presidente da entidade, repetiu o gesto e o reforçou com uma ligação a Rebelo. Mais do que o mundo ter visto a poderosa Fifa perder uma queda de braço – o jornal espanhol “Marca” publicou que o Brasil “baixou a bola” da organização –, o episódio se revelou como mais uma trapalhada no currículo do controverso dirigente francês. “Ele é boquirroto, fala mais do que deve”, diz um ex-ministro que conhece de perto o secretário-geral. Segundo essa pessoa, que prefere não se identificar, Valcke queimou uma ponte que tinha com a presidenta Dilma Rousseff, construída em Bruxelas, na Bélgica. Na ocasião, Dilma recusou uma reunião com Blatter para tratar do Mundial com o número dois da entidade. “Se bem a conheço, acho impossível a presidenta voltar a recebê-lo.”

(…)

Na opinião do ex-ministro brasileiro, o dirigente francês e a Fifa têm uma visão eurocêntrica e veem países como o Brasil e a África do Sul tais quais periferias com menos capacidade de realização. “Dessa forma, cobram muito mais da gente”, diz. O destempero verbal de Valcke foi rechaçado por Rebelo em carta enviada à Fifa no mesmo dia em que o francês se desculpou. “A forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa”, escreveu. Infelizmente, a polidez do ministro não foi regra entre seus colegas. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, deu ares de briga de botequim ao episódio. “Esse cara é um vagabundo! Já está riscado”, disse. Na Câmara, o presidente da Casa, Marco Maia, afirmou que Valcke merecia um chute de volta.

(…)

No Brasil, o francês é muito benquisto pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que se licenciou do cargo na semana passada. Valcke e a família estiveram hospedados na casa do dirigente brasileiro em Angra dos Reis no Réveillon de 2010. “Ele adora praia e, especialmente, Angra”, diz um assessor da CBF. “De fato, ele é afável, brincalhão, mas não se constrangeu em oferecer a cabeça do amigo Ricardo Teixeira numa reunião com Dilma em Bruxelas, em outubro passado”, conta o ex-ministro. Segundo ele, ao perceber que Teixeira não mantinha boas relações com a presidenta – e, portanto, era uma peça inconveniente na ligação entre a Fifa e o governo –, Valcke pediu que Dilma indicasse um substituto ao posto de chefe do Comitê Organizador Local do Mundial de 2014 (COL) no lugar de Teixeira. “A presidenta disse que respondia pelas questões ligadas ao governo, não por Teixeira.”

(…)

Agora, vamos descobrir quem é o ex-ministro de Dilma? De acordo com o diletíssimo Antonio Luiz Costa, que me enviou este link, nossa lista se restringe a 12 nomes, que são:

Antonio Palocci – Casa Civil; Nelson Jobim – Defesa; Wagner Rossi – Agricultura; Alfredo Nascimento – Transportes; Carlos Lupi – Trabalho; Fernando Haddad – Educação; Pedro Novais – Turismo; Mário Negromonte – Cidades; Iriny Lopes – Secretaria para Política de Mulheres; Afonso Florence – Desenvolvimento Agrário; Luiz Sérgio – Pesca; Orlando Silva – Esportes.

Dentre os listados acima, aponte um, e apenas um, cuja atribuição principal, quase única, tenha sido lidar diretamente com a Fifa com o objetivo de organizar a Copa do Mundo. Dica: a Copa do Mundo da Fifa é um evento de ES-POR-TES…

Se você ainda não descobriu de quem eu desconfio, longe de mim ficar aqui com dedo de seta. Prezo horrores pelo sigilo de fontes! 😀

O máximo que eu posso fazer é cantarolar um pouquinho pra você…

#beijomeliga2

(P.S.: Querida Istoé: ex-integrante é mais genérico que ex-ministro, e queima menos o filme das fontes, viu? #ficadica)



Ecad, beijo na alma! ♥

março 10th, 2012

Depois desse quiproquó todo do Ecad de querer mas não poder e não entender o porquê de não poder cobrar direitos autorais de blog que enfia iutúbio em seus posts, eu só posso me manifestar com um post contendo um vídeo do iutúbio, néam? #numpresto #valhonada

Mas qual a música que melhor ilustraria esse quiproquó todo?

do lado dos blogueiros, acho que eu encontrei uma teteia que cai direitinho!

Vê se vocês concordam comigo: 😀

Vou deitar e rolar

(composição: Baden Powell e Paulo César Pinheiro)

Não venha querer se consolar
Que agora não dá mais pé
Nem nunca mais vai dar
Também, quem mandou se levantar?
Quem levantou pra sair
Perde o lugar

E agora, cadê teu novo amor?
Cadê, que ele nunca funcionou?
Cadê, que ele nada resolveu?

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Ainda sou mais eu

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

Todo mundo se admira da mancada que a Terezinha deu
Que deu no pira
E ficou sem nada ter de seu
Ela não quis levar fé
Na virada da maré

Breque

Mas que malandro sou eu
Pra ficar dando colher de chá
Se eu não tiver colher?
Vou deitar e rolar

Você já entrou na de voltar
Agora fica na tua
Que é melhor ficar
Porque vai ser fogo me aturar
Quem cai na chuva
Só tem que se molhar

E agora cadê, cadê você?
Cadê que eu não vejo mais, cadê?
Pois é, quem te viu e quem te vê

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu

O vento que venta aqui
É o mesmo que venta lá
E volta pro mandingueiro
A mandinga de quem mandingar

Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu
Quaquaraquaquá, quem riu?
Quaquaraquaquá, fui eu



Te dou um dado?

março 6th, 2012

O Te dou um dado? é um dos meus blogs preferidos. Primeiro, porque descobriu uma utilidade pras subcelebridades – transformou todas em motivo de diversão para todos nós mortais – e segundo porque eles são tão bonzinhos como eu, sabe? 😉 Curto muito quando eles brincam de detetivões e buscam, no Google, respostas para notícias dadas pela metade em sites outros de fofocas.

Pois foi justamente a série os detetivões que esta notícia de hoje do Estadão me fez lembrar. Eis que o correspondente do Estadão na Basileia (é, fica horrível, mas não tem mais acento!) foi correr atrás de fofoca pauta na reunião do Banco de Compensações Internacionais, o BIS, que, longe de ser um chocolate gostoso, tá mais pra um colegiado de bancos centrais.

Mas eu falava da matéria do Estadão. A tal da reunião do BIS foi cercada de mistério e de mordaças. Os participantes foram convidados a ficarem calados, porque a reunião era de economistas, e o que fosse dito poderia mexer nas bolsas, e no câmbio, e nas marés e na rotação da Terra etcetcetc. E não é que o Jamil Chade conseguiu uma fonte pra abrir a boca e contar fofoca o que estava acontecendo na reunião do BIS?

Aí você lê a matéria e descobre que o Jamil Chade falou com *duas* fontes. Uma, desconhecida, e outra, o presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini. Mas vamos tentar descobrir quem é a fonte anônima de Jamil Chade?

Primeiro, vamos ler o texto todo. Vou destacar em negrito as citações das fontes.

Bernanke e Draghi trocam acusações

Críticas foram motivadas pela injeção de liquidez

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / BASILEIA – O Estado de S.Paulo

A guerra cambial desembarca nos países ricos e escancara a incapacidade dos xerifes das finanças internacionais em gerenciar a crise. Estados Unidos, Europa e Japão se acusam de injetar liquidez em seus mercados e, assim, manipular suas moedas. Ontem, os maiores bancos centrais do mundo se reuniram na Basileia, em encontro fechado. Cada participante foi orientado a não vazar nenhum detalhe do debate.

Ao Estado, porém, um representante de um mercado emergente revelou que a troca de acusações, ainda que diplomáticas, escancarou a inexistência de uma estratégia comum para lidar com a crise. “Hoje, está claro que é cada um por si e que as esperanças de uma coordenação são cada vez mais apenas promessas políticas”, disse a autoridade monetária. “Hoje, existe uma crise da gestão da crise. Isso é ainda pior que só uma recessão. Não há um caminho para superá-la de forma coordenada.”

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, também esteve nos debates na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS). Mas não aceitou falar com a imprensa, sob o argumento de que a ordem de mordaça era da cúpula do BIS [Ah! ele não falou? Ah, então, tá!].

Ben Bernanke e Mario Draghi, que comandam respectivamente o Federal Reserve e o Banco Central Europeu, foram os protagonistas do desentendimento.

Em 2010, o governo americano havia liberado mais de US$ 1 trilhão, e foi acusado de de promover uma desvalorização competitiva, auxiliando nos esforços de ampliar as exportações e reduzir o déficit. O Fed, na época, recusou a acusação e insistiu que apenas estava garantindo que os empréstimos de seus bancos à economia real relançassem a economia do país, dizendo que isso seria positivo para todos.

Agora, é Bernanke quem critica o BCE por ter, em apenas dois meses, injetado 1 trilhão, afetando o mercado de câmbio. A acusação foi rejeitada por Draghi, que defendeu a ação apontando que a perspectiva de recessão na Europa em 2012 exigiria novo incentivo. Draghi recebeu críticas também do Banco do Japão, temendo ver sua moeda afetada tanto pela ação dos europeus quanto dos EUA. “Ficou claro que o que existe é uma corrida de cada um para resguardar suas economias e interesses”, disse a fonte.

Aí, vamos acrescentar os seguintes dados à nossa análise:

– Tá um frio do caramba na Suíça. Ficar do lado de fora esperando declaraçãozinha reme-reme não é o que um jornalista está propenso a fazer;

– O Brasil é um país emergente

– Alexandre Tombini falou ao Estadão

 

Isto posto, o que devemos inferir?

1- Ben Bernanke é a fonte misteriosa do Estadão

2- Mario Draghi é a fonte misteriosa do Estadão

3- Alexandre Tombini é a fonte misteriosa do Estadão,

 

Certa de que sigilo de fonte é algo sagrado para o moderno jornalismo, e mais certa ainda de que o Estadão preza horrores por suas queridas fontes anônimas, recuso-me a dar meu pitaco aqui. 😀

#Beijomeliga



Tragédia, homofobia ou redação de merda mesmo?

fevereiro 24th, 2012

Aí você lê um troço desses e começa a elucubrar o que realmente aconteceu:

1- Quem morreu no Hopi Hari foi um travesti

2- Quem causou a morte no Hopi Hari foi um travesti

3- @ culpad@ pela morte no Hopi Hari foi um@ travesti

4- A morte do Hopi Hari foi encomendada a um travesti, que falhou na missão

5- A morte se fantasiou de travesti e foi passearno Hopi Hari

6- Um travesti tentou acertar a Morte no Hopi Hari

7- Uol refere-se a travestis de forma politicamente incorreta

8- O redator das chamadas do Uol falhou vergonhosamente na redação desse texto

 

Nessas horas eu sempre me lembro desse trechinho do Pica-Pau:

Oi? quem disse?



Abram alas para a clichetaria aeciana!

fevereiro 20th, 2012

Primeiro eu me deparei com um tuíte que comparava Aécio Neves a Odorico Paraguassu.

Bocejei.

Que saco, nego num segura as pontas mas nem no carnaval?

Aí eu achei este texto. Li até o quarto parágrafo e comecei a bradar a plenos pulmões: EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOOOOOOO! EU QUERO ESSE TEXTO DO AÉCIOOOOOOOOOOO!

E achei. O zifio minêro escreve às segundas-feiras para a (adivinha? Adivinha?) Folha de SPaulo (aêêêêêêêêê!!! Acertooooouuuu!!!!) e hoje, excepcionalmente, não escreveu sobre política, mas sobre carnaval. Ainda bem. Vou poder sacanear sem que nego me acuse de ser petista.

Antes de começar a exorcizar o texto aeciano, vou aqui celebrar o fato de Aécio tentar fugir da mesmice e aproveitar a coluna da segunda-feira de carnaval para escrever sobre… ah, tá. Carnaval. Vamos lá:

Carnaval

Segunda-feira de Carnaval. Escrevo na sexta anterior [Cejura? E nóis aqui tudo pensando que o texto é escrito assim, na hora em que a gente lê! Nossa, estou espantada em saber que textos impressos em jornais são escritos assim, com tanta antecedência!]  , antevendo [oração que começa com antever não se prenuncia boa coisa. Vamos acompanhar?] que o manto democrático da festa já terá descido sobre as ruas [GAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! CRISTORREIMEGUARDEEPROTEJAAAAAA!!! QUANTA CLICHETARIA!!!! E vamos combinar que manto democrático é de uma breguice sem par, né? Nada contra a democracia, mas imagens de mau gosto a ela atreladas deveriam ser proibiddas, por mais paradoxal que isto possa soar!].

[Agora vamos acompanhar a gênese de uma frase repleta de clichês que não traz nada de novo, nem informação, nem imagem, nada nada. Ó só:] Em uma mágica que nós, brasileiros, conhecemos bem, as asperezas do cotidiano [As asperezas do cotidiano! Cotidiano virou Bombril, Gemt!] terão sido colocadas em suspenso [terão sido colocadas! Subiu até o futuro e estagnou no particípio passado! (Ficou uma merda, mas não vamos chocar o douto senadô, né?] , ao ritmo contagiante [ritmo contagiante. Prá quê um texto sobre carnaval fala sobre Ritmo contagiante? é pra gente gritar BINGO!!! ?] da irreverência [irreverência é uma palavra useira e vezeira na mídia tradicional que quer dizer o seguinte: você se acha engraçadão, mas nego te acha um babaca e ridículo. Aí ele te chama de irreverente. Cuidado!].

Toda a alegria é bem-vinda [Cejura? Ah, olha que eu acho que não, viu? Alegria não é bem-vinda, não! Eu quero mais é saber de tristeza! Tudo a ver com carnaval! Num tô dizendo que esta coisa aqui é um desfile de clichês e lugares-comuns? Mas o que eu ainda não consegui entender foi por que o zifio gastou o espaço dele na Folha pra discorrer acerca do lugar-comum? Alguém me explica?], embora devam ser respeitados os que preferem utilizar esse momento para os ritos de recolhimento ou introspecção [<– típica frasezinha de político que não pode ficar mal com ninguém, aí joga beijinhos pro bloco da alegria contagiante e pro abre-alas do recolhimento ou introspecção! Mas ele ainda não disse a que veio, por Momo!!!].

A verdade é que, por uma razão ou por outra, esses são dias que se descolam da realidade [Meu Deus! O que é isso?!?!?!?!!?] . Por isso, não serei eu hoje a insistir em falar dela, com seus abismos e contradições [O_O].

Muitos já se dedicaram a estudar o caráter simbólico do Carnaval[Olha, até agora só consegui perceber neste texto uma perfeita fonte para se brincar de bingo-clichê com o tema carnaval. A gente escreve num papel uma série de palavras tipicamente usadas em textos mal-escritos sobre o tema, e quem riscar toda a lista primeiro enquanto lê o texto tem que gritar BINGO!]. Lembro aqui o mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro[Santos partidarismos, Batman! como fazemos para mencionar o pedetista e brizolista histórico Darcy ribeiro! Ora, Robin, não se desespere! Darcy ribeiro era mineiro que nem Aécio!], antropólogo e educador, militante incondicional da vida e do humor[e de bons intelectos também, não se esqueça]. Não por acaso um visionário [visionário = genérico pra elogiar alguém]  que, com a ajuda do traço do gênio Niemeyer, implantou no coração do Rio o palco do Carnaval que encanta o mundo -o Sambódromo, também pensado como um “escolódromo” para os demais dias do ano[Só eu que imaginei a cena de Aecinho no Sambódromo olhando pros derrière tudo das zifia sambadeira?].

Pois é, Darcy tinha o senso agudo da brasilidade[Senso agudo da brasilidade, é? Darcy tinha isso, é? E isso é bom ou mau? ] e perscrutou [pootaquepareeoo!!! Prá quê esse perscrutar, cacete?!?!?!, no Carnaval [Perscrutar no carnaval! Se tem uma coisa que nego não faz no carnaval é perscrutar! Que tudo seja bem superficial e acabe na quarta-feira de cinzas!], a ambiguidade dos desiguais provisoriamente iguais[E neste momento concretiza-se em palav ras e ideias o motivo do texto de Aécio Neves: jogar na vala do lugar-comum todo e qualquer estudo sociológico sobre o carnaval!], hiato ecumênico, porém insuficiente para todos os que lutam pelo sonho de um país justo [E neste segundo momento Aécio se torna um pungente exemplar do político lugar-comum que se vale dos clichês do carnaval para lembrar,  de forma ainda mais clichê, das mazelas do país pereré pão duro blablabla].

Ao toque do tamborim [queridos leitores: “ao toque do tamborim” é motivo para eu me retirar do local e de parar de ler qualquer texto. Mas como gosto muito de vocês, vou continuar por aqui!], acredito que ele [ele? Ele quem? Ah! O darcy? Coitado, cê continua a falar dele? Ah, então vamos ver…] era um dos que tratavam de trocar a reflexão pela festa. Mas, lá no fundo da alma de folião[O parágrafo começa com “ao toque do tamborim” e lá pelas tantas traz um “no fundo da alma de folião”. De novo, leitores: só tô lendo por causa de vocês, hein?!?!!?] , devia permanecer doendo-lhe a clamorosa consciência [doendo-lhe a clamorosa consciência! Clamorosa consciência, gente!!!! O que é isso?!?!?!?!e esse troço ainda dói!!! paporra!!!!] acerca de [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! Aécio é daqueles que acreditam com todas as forças que um texto elegante é aquele no qual todos os “sobre” são substituídos por “acerca de”? Ó, alguém avisa pro Aécio que “acerca de” cria um terrível cacófato que, no caso dele, beira a piada pronta?] uma sociedade partida ao meio[é com a alma lavada e enxaguada no mais limpo sabão em pó…], da desassistida solidão dos mais pobres [Desassistida solidão dos mais pobres! Mas é claro! Odorico Paraguassu feelings! , dos resquícios de uma exclusão herdada da escravatura.

Como já disse, não é hora de ficar resmungando sobre a realidade [Cejura? Ah, mas tava tão bom! só que ao contrário!] , nesses dias e noites em que o exercício de racionalidade [Exercício da racionalidade!!!!] abre alas para os adereços [Bingo! bingo! Bingo!!] da paixão e da euforia.

Rompida a alvorada da quarta-feira de cinzas[ Rompida a alvorada!!! Quedizê, ele não só usa e abusa dos clichês como ainda aplica os de mais mau gosto, é isso?], os nobres fictícios de tantas passarelas, sobre as quais escoam hoje país afora[Sério que ele escreveu isso? Sério que ele acha que isso é bonito? Sério que ele se acha sério?] , os cordões do Carnaval, irão, com justiça e razão, continuar reivindicando a construção de avenidas mais amplas e generosas, por onde passará um país mais digno e mais próximo daquele que os brasileiros merecem.[2012: antes do fim do mundo – mais que bem-vindo, diga-se de passagem- temos eleições municipais! Aê, candidatos, vamos alargar as avenida tudo, hein?]

Concordo com os que pensam que o Carnaval é um evento mais complexo do que parece. Acredito que sua diversidade e sua irreverência tantas vezes crítica não entorpecem, não iludem -pelo contrário, iluminam, revelam e expõem fantasias que não amortecem, mas desafiam a realidade[agora quem pergunta osu eu: o que pensa Aécio Neves sobre o carnaval? Ele já se decidiu?].

Esteja você onde estiver, bom Carnaval! E que depois dele possamos nos reencontrar com a nossa realidade mais alegres, mais solidários, mais dispostos a ousar e a sonhar [Tipos:ele tá deprê, mas respeita o seu direito de curtir o feriado. e avisa que, quando acabar o seu feriado, ele vai continuar a te despejar depressões. Vamos fugir, vamos?] . Porque disso também é feito um país: de solidariedade, de ousadia e de sonho[Cejura? Cejura? Cejura?]

A Aécio Neves, tenho um duplo recado multimídia.

O primeiro, uma aula de como fugir dos clichês e falar de carnaval e de mazelas históricas dos brasileiros. De um tal de Chico Buarque, não sei se você já ouviu falar. Presidente de honra do clube dos pegadores de mulé…

 

E a segunda, a ressurreição de Odorico Paraguassu, o exú que baixou nocê e te ajudou a parir esse texto.

Enfim, zifio, feliz carnaval procê também!

(E, como esse texto foi publicado na Folha, vai entrar na categoria PORRA, FOLHA! – por honra ao mérito!)

(P.S.: Num espalha, mas meu maior medo é descobrir que o Haddad também escreve assim)

 



Globo ponto com e a piada do… (pode falar judeu?)

fevereiro 17th, 2012

A Cecília me mandou por e-mail um exemplo que me fez lembrar uma piadinha velha.

Diz que o judeu uia! Pode falar judeu? Sionista – não. Hierosolimita – não, isso é gente que nasce em Jerusalém enfim, o marciano Jacob liga pro jornal pra pôr um anúncio fúnebre:

– Gostaria de colocar um nota fúnebre do morte de meu esposa, diz ao atendente.

– Pois não, quais são os dizeres?

– Sara morreu!

– Só isso? espanta-se o rapaz.

– Sim, Jacob não quer gastar muito.

– Mas o preço mínimo permite até 5 palavras.

– Então coloca: “Sara morreu. Vendo Monza 94.”

 

Por esse mesmo raciocínio, a Globo ponto com (lá embaixo, sob entretenimento) resolveu aproveitar ao máximo o espaço na chamada de capa pra uma reportagem do Ego (vocês sabem que eu amo o Ego, né? Esse site é um exemplo pra mim – só que ao contrário!) falar da Ana Furtado (quem? Sei lá! Só sei que usa botox, então deve ser subcelebridade!) mas onde eu tava mesmo? Ah, sim! Tava falando desta chamadinha da home da globo ponto com:

Imagino o diálogo entre os autores da obra:

– Taca uma chamada da Ana Furtado na home! – diz o editor.

– Pô, e diz o quê? – retruca o estagiário Ih! Acho que é a primeira vez que eu consigo usar retrucar num texto meu, me deixa!

– Ah, diz que ela não comprou a vaga de rainha de bateria e diz mais alguma coisa qualquer aê! – Editores, esses seres amados ao contrário…

Ai lá vai o estagiário, dá uma passad’olhos no texto do Ego (porque nem estagiário consegue ler aquele troço inteiro) e taca:

– Pô, sobrou espaço pra mais de 10 caracteres, que que eu faço? – pensa (é, o MEU estagiário pensa. Só de vez em quando, mas pensa!) o estagiário.

Aí lá vai o infeliz, lê mais um pouquinho aquele texto sobre as “Operárias do Carnaval” (conjunto da obra é pouco pra definir a falta de tudo dessa…. SÉRIE?!?!?!?! É UMA SÉRIE?!?!?!?!!? GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH) e encontra a palavra “preconceito” logo na segunda pergunta. E pensa:

– Putz, perfeito! Preconceito tem 11 caracteres! E eu ainda aproveito o verbo! (é, o MEU estagiário sabe o que é verbo….)

E manda ver:

Rainha magrinha, Furtado afasta boato de que ‘comprou posto’ e preconceito

Aí, ele não sabe dizer se ela afasta o preconceito e os boatos, ou se os boatos SÃO fruto de preconceito (o “e” antes do preconceito pode ser um é sem acento, vai saber….), ou, ainda, que o posto e o preconceito foram adquiridos mediante pagamento. E o coitadinho do estagiário nem conseguiu vender seu Monza 84!

Se o estagiário apostasse no genérico infalível

E se diz feliz 

Teria completado a lacuna sem dar ao leitor a chance de múltiplas interpretações…

Enfim, evoé pra todo mundo!

 



Tá “difícel”, viu?

fevereiro 16th, 2012

[suspiro]

[suspiiiiiiiiiiiiiiiiiro]

Daí que um telejornal do sul de Minas, de uma afiliada da Globo, fez uma reportagem sobre as dificuldades do ensino e da aprendizagem do português. Até aí nenhuma novidade. Nenhuma novidade MES-MO.

A coisa começou a degringolar quando a reportagem subiu pro site do G1. Quem alertou a coisa foi o Maurício Ricardo. Ponham reparo:

Vocês não repararam nada? Mas nada mesmo?

Então, tá bom. Foi falta de oração aos deuses do print-screen. O título já foi alterado.

Mas espere! O título original deixou marcas no nome da página!

Agora reparem no título original da matéria, lá no nome da página. Peraí que eu ajudo.

É. Pois é. O aprendizado do português é muito difícel, né?

/o\

(P.S.: Turma grande é desculpa esfarrapada pra profissional incompetente. A tia Tereza, minha professora da terceira série, dava aula pruma turma de quase 40 crianças, e ensinou o modo indicativo direitinho a todo mundo! Incompetência profissional e desinteresse pelo bom desempenho dos alunos explicam a coisa muito melhor! E fiquem à vontade pra me xingar! Em março eu começo minha licenciatura em português pela UnB!)



Contradição entre termos

fevereiro 15th, 2012

Tá puxado, viu?

Abro minhas redes sociais e dou de cara com uma aberração em forma de twitter que vai ser difícil ser superada (muito embora em ano de eleição eu não duvide de nada).

Antes de mais nada, deixem eu trazer aqui alguns exemplos de contradição entre termos:

  • Descida ascendente – ou a coisa desce ou a coisa sobe. Os dois juntos não dá – a não ser que você esteja subindo numa escada rolante que vai pra baixo, mas isso não vem ao caso…
  • Naso-judaico – ou você é nazista ou você é judeu. Os dois juntos ao mesmo tempo não dá pra ser. Por quê? Bom, porque se você for nazista você vai querer matar judeu, e se você for judeu você vai querer dizimar as ideias do nazismo da face da Terra. Só por isso.

 

Enfim, foram só alguns exemplos de expressões que não podem andar juntas porque se anulam.

Mas calma que eu ainda não cheguei ao ponto que eu queria chegar, peraí.

Então, vamos a mais uma definição de expressões da língua portuguesa. com a palavra, Tio antônio. O que é laico?

Laico

1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo

Exs.: um membro l. da congregação

 um l. no meio do clero

2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos

Exs.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico

 os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

 n adjetivo

3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa

Ex.: educação l.  

 

Agora sim, podemos começar o post propriamente dito:

Alguém explica?

Ah, não, Bruxa! É mentira! Ele não disse isso! Disse sim, ó….

Tudo isso pra dizer que laico-cristão é uma contradição entre termos. Assim como são contradições entre termos laico-islâmico, laico-judaico (essa ao menos rima!), laico-umbandístico, laico-Sagrada Igreja do Pônei Rosa de Santa Cher ou laico-[insira aqui a religião de sua preferência].

Acho que por enquanto a melhor explicação foi a do Ednaldo Macedo: “É o famoso duplo twist carpado hermenêutico



Pergunte à bruxa: ideia de plural, palavra no singular – como proceder com a concordância?

fevereiro 14th, 2012

Daí que o Rafael Galeoti me fez esta consulta no meu Faceboook:

Achei isso na FOLHA, queria compartilhar contigo. Sei que eu também tenho dificuldades com “palavras no singular que querem dizer coisas no plural” (casal quer? Casal querem?), mas pelo menos sei que “casal QUERER” está longe do correto, rs…
Enfim, qual é a forma correta? Aproveito: que tal um post explicando isso? Eu, como leitor fiel, ficaria muito agradecido (e não, não faço questão alguma de créditos pela imagem, enfim…)

 

Salve, zifio!

Entendo e respeito sua dificuldade. A confusão é justificada, mas é a partir da confusão que dar-se-á a luz (nossa, que lindo! Inté emocionei! :D) para a compreensão da bagaça: a ideia é de plural, mas a palavra é singular.

E eu vou aproveitar pra enfiar aqui também a explicação pra concordância da palavra maioria, que assim como o casal, dá ideia de plural e embola azidéia da… maioria das pessoas! 😛

Senão vejamos:

um casal = duas pessoas

dois casais = quatro pessoas, separadas em dois grupos de duas pessoas

três casais = seis pessoas, separadas em três grupos de duas pessoas

etc, etc, etc, etc…

Portanto, a ideia AIQUEMERDA!!! QUE SACO FICAR ME POLICIANDO PRA NÃO ACENTUAR ESSA IDÉIA, CACETE!!!! deve ser relegada a segundo plano nesses casos…

Então, temos:

Um casal quer morar junto

Dois casais querem morar juntos (e como diria a Katylene: é soorooba?)

Raciocínio idêntico deve ser o usado pra fazer a concordância com a palavra maioria.

A maioria das pessoas é chata. <– quem é chata é a maioria, não as pessoas. 

A maioria dos homens heterossexuais é bonita <– novamente, bonita está concordando com maioria 

A maioria das mulheres entende que homem é tudo igual.

 

Tudo isso pra concluir que maioria é uma só, e singular. As pessoas é que são plurais…. 😀 \o/

Mas permitam-me aqui copicolar a explicação e a tangente do Manual de Redação do Estado de São Paulo com relação à maioria. Simplesmente amei (principalmente a tangente!) 😀 :

Maioria. Veja como fazer a concordância de a maioria de e maior parte de. 1 – Deixe o verbo no singular quando estas expressões antecederem uma palavra no plural. Proceda da mesma forma com grande número ou grande quantidade de, uma porção de, (uma) parte de, um semnúmero de, etc. Exemplos: A maioria das pessoas assistiu ao show em silêncio. / Grande número de crianças cantou o Hino Nacional. / Parte deles chegou atrasada. / Estava ali grande quantidade de pássaros. (Admite-se a concordância no plural, em alguns desses casos; no Estado, porém, use a forma indicada.)

2 – Se se considerar a construção estranha, em alguns casos (exemplo: A maioria dos soldados foi ferida), pode ser intercalada a expressão na maioria ou alguma das outras: Os soldados, na maioria, foram feridos. / Os trabalhadores, em grande quantidade, foram demitidos.Maior, menor. 1 – Não existem as expressões “a menor”, mas apenas a mais e a menosdinheiro a mais (e não “a maior”), quantia a menos (e não “a menor”). 2 – Uma pessoa é maior ou menor, e nunca “de maior” ou “de menor”. Assim: Ele é menor (e nunca “de menor”)

Conclusão: desta vez, não posso dizer PORRA, FOLHA! O texto tá certo… <– Atualização:
POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTAQUEPAREEEEEEEEEEEEEEEEEOOOOOOOOOOOOOO!!! EU SÓ FUI REPARAR NO QUERER DEPOIS QUE A MARLA ME ALERTOU NOS COMENTÁRIOS!!!! PORRA DE ÓCULOS FRACO, MERDA!!!!

Marla, concedo-lhe portanto o sagrado direito de gritar PORRA, FOLHA aqui nos comentários. Grata pelo aviso, zifia! 😀

 

(P.S.: CADÊ O ZECA CAMARGO DE CALÇA RASGADA?!?!!?!? EU QUERO VEEEEEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRRRRRR #numpresto #valhonada)



Presidenta metafísica

fevereiro 11th, 2012

Diante desta manchete do Estadão,

(o título prossegue, mas eu nem me dei ao trabalho de ler. Pô, a zifia é leão-de-chácara de ectoplasma, gente! Pensa que isso é pouco?)

Tenho MAR-NA-DA a declarar. (Mentira, né? Vocês já se acostumaram ao fato de que eu não digo mais nada mas sempre digo mais alguma coisa? Então…) Só digo duas coisas:

1) Dilma, não quero briga contigo, zifia!

2) Só eu que me lembrei dessa música daí de baixo?

 



G1, sempre inovando, apresenta um novo conceito em psicografia

fevereiro 9th, 2012

Fui alertada desta coisa aqui pelo Ednaldo Macedo no Twitter.

Agora me diga o que você pensa ao ler este título:

 

 

1) O bombeiro ficou preso na gravação

2) O deputado é paranormal

3) O deputado é médium

4) O deputado invadiu a gravação pra falar com o bombeiro

 

 

Não sei quanto a vocês, mas textos assim sempre me remetem a esse trechinho do Pica-pau:

Porque, né?

Aí você começa a ler o texto sem se saber se trata de casos de paranormalidade ou de incêndios ou de sei lá o quê. E se depara com este primeiro parágrafo:

O cabo Benevenuto Daciolo foi preso no fim da noite desta quarta-feira (8) [Hummm… ele foi preso, do tipo detido e levado em cana? Não ficou aprisionado em nenhuma gravação em virtude de algum mirabolante feitiço legislativo do deputado em questão? Ah ,então tá!] ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Daciolo estava em Salvador, onde participava das negociações sobre a greve na Bahia. A prisão administrativa foi decretada por 72 horas. 

Tá. Mas a gravação entra naonde na história?

Só o terceiro parágrafo esclarece:

O cabo foi flagrado em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça

Então tá. Mas cadê o deputado do título, por Tutátis?!?!? Temos que chegar ao SEXTO PARÁGRAFO da matéria pra entender quem é o zifio deputado. Espiem:

Hoje o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB), de São Paulo, informou ao jornal O Globo que era ele o interlocutor de Daciolo na gravação

Tipos: o sujeito é citado no TÍTULO e só vai reaparecer na matéria SEIS PARÁGRAFOS DEPOIS?!?!?!!?!?

O lead saiu de moda e ninguém me avisou? O que o substituiu? Talvez o vô enfiá o que eu quiser na ordem em que eu bem entender style?

E NAONDE que lead fora de moda permite a criação de títulos desinformativos?!?!

Aê. G1, o que vocês têm contra o título

Arnaldo Faria de Sá (PTB) é quem conversa com cabo Daciolo em gravação 

Cadê jornalismo?

Cadê clareza?

Cadê concisão?

Cadê texto esmiuçado?

Oi? Quem disse? Eu disse!



Da série “calo-me”

fevereiro 8th, 2012

Preciso dizer marnada.

OK, digo sim: peguei essa tetéia no Facebook do Fernando Andreazi Neto. Kibada portuguesa: copio, colo cito a fonte e dou o link pro original!



Falar o quê mais?

fevereiro 6th, 2012

Daí que eu encontro no twitter link pro blog do Lino Bocchini, aquele terrorista difamador de jornal impresso 😉 , falando do rebolê de números no texto da Folha de SPaulo de hoje. Lino contava que a Folha deu um duplo twist carpado numérico pra não dizer que perdeu mercado prum jornal popular de minas etcetcetc pereré pão duro. Li o texto do Lino, e (claro) corri pro site da Folha pra ler a reportagem (sic) com os próprios olhos.

E olha, eu até ia mencionar a rebolança com números e o desprezo infantil pelo jornal mineiro, coisa e tal, mas fui surpreendida por um ectoplasma suíno dos bons nos comentários da Folha.

Depois desse comentário, nada mais que eu ou qualquer outro crítico da Folha diga, com ou sem embasamento, fará sentido. Portanto, aplausos para o zifio daqui de baixo. A observação foi épica! \o/

 

Continue assim, Zifio! E que Nossa Senhora da Coerência Textual lhe ilumine os caminhos de forma magistral!

Eu poderia terminar com um PORRA, FOLHA! Mas carece, não. Só quero um cafezinho agora… 😀



O incrível caso dos canadenses nórdicos

janeiro 29th, 2012

Aiomeucacete…

Pescoção mal-feito é trabalho dominical pra mim, cazzo!!!

Depois do acento mal-enfiado da Folha, eis que o Flávio Radamarker, via Cardoso, me manda via Twitter esta pérola da arte de não repetir palavras num texto:

Acompanhe

Agora, veja o mapa de parte da EUROPA, com os países nórdicos, e procure o Canadá aí embaixo.

Agora me responda. Eu mato quem?

 

PORRA, GLOBO!!! TÁ COM INVEJA DA FOLHA, É?



Ortografia da Folha é reprovada por 100% das normas ortográficas

janeiro 29th, 2012

Tava eu aqui superpreocupada por não encontrar mais assunto pra atualizar o blog e tals, daí vem sempre ela pra me salvar.

Na foto abaixo, o erro crasso. A seta indica a explicação do erro.

Agradeço à dileta amiga Cynara Menezes por indicar a teteia no Twitter.

 

 

 

E claro, vou encerrar o post com o clássico

 

PORRA, FOLHA!



Objetivando disponibilizar posts terceirizados – literalmente

janeiro 10th, 2012

Hoje não tem post novo.

Carece, não!

É só clicar aqui e, literalmente, vocês encontram o tumblr do dia.

Divirtam-se!

Voltamos mais tarde com nossa post-gramação 😀 normal!



Aveia Quaaaaa, ou Por que eu não conhecia isso?

janeiro 7th, 2012

Do Facebook do Leandro Fortes, mais precisamente aqui.



Nossa Senhora da Boa Ortografia, rogai por nós que recorremos a vós….

janeiro 4th, 2012

[suspiro]

[suspiro mais profundo]

Calma que eu vou começar. Tô juntando forças pra não me dispersar em indignâncias e me emputecer. Então vamos bem devagar.

Sabe aquele lance de não passar o ano novo de salmão pra evitar hortografia pobremática? Poi zé.

Não, não vou direto na jugular, não! Desta vez vou começar com Tio Antônio, que vai nos dar duas importantes definições. A primeira é a definição de laZer, com zê de zebra:

Lazer:
tempo que sobra do horário de trabalho e/ou do cumprimento de obrigações, aproveitável para o exercício de atividades prazerosas 
2 Derivação: por metonímia. 
atividade que se pratica nesse tempo 
3 Derivação: por extensão de sentido. 
cessação de uma atividade; descanso, repouso

Pronto! Agora, tio Antônio vai nos dar a definição de laSer, com ésse de sapo:

Laser
substantivo masculino 
Rubrica: informática, óptica. 
qualquer aparelho que produza radiação eletromagnética monocromática e coerente nas regiões visível, infravermelha ou ultravioleta, possuindo inúmeras aplicações que vão da soldagem à cirurgia 
Obs.: cf. maser
Etimologia
ing. laser (1960), acr. do snt. ing. light amplification by stimulated emission of radiation (amplificação de luz por emissão estimulada de radiação); cp. maser

Observem bem que lazer com zê se lê lazer, mesmo; e laser, como é originalmente um acrônimo em inglês, lê-se lêizer.

Isto posto, vamos começar o post propriamente dito.

POOOOOOOOOOOOOOOOOOOOTAQUEPAREEEEEEEEOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!

CALHAU DE MERDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!

OLHA A MERDA QUE OS DIÁRIOS ASSOCIADOS APRONTARAM, CACETEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

E nao querem que eu tenha um ataque histérico ao ver um troço desses NUM JORNAL IMPRESSO, CACETE?!!?!?!?!?

Ou eu devo ser Poliana, e acreditar mesmo que os DA tão é desejando um raio laser a todos os seus leitores, porque substituíram o lazer por “entretenimento”?

Com agradecimentos à Carolina Longo por postar a tetéia (ME LARGA! EU VOU USAR ESSE ACENTO E PRONTO!) no Facebook.

 

 



Jogo dos erros

janeiro 4th, 2012

Analise a foto e a legenda abaixo e destaque alguns erros mais gritantes (sei que vocês são todos uns lindos e encontram mais erros do que eu encontrei, mas sejamos modestos só desta vez, sim?)

 

1- Fala-se em gravidez acidental, mas o sujeito da foto é um homem. Preciso perguntar “como assim explica”?

2- Fala-se em gravidez e o sujeito do sexo masculino da foto é identificado com nome de ave – e aves não engravidam, põem ovos. É acúmulo de contradições?

3- Olha a cara de kontentchy do zifio, coitado….

(Aí a autora do blog pensa num desfecho pro post, porque sabe que tá implicando e tals, mas o que se quer provar aqui é que não se pode presumir sempre que seus leitores entenderão imediatamente todas as informações implícitas na manchete pereré pão duro blablabla. Eis que a autora do blog resolve clicar no link da foto que está na home do Uol [claro!] e encontra a seguinte pérola em forma de legenda:)

Oi? Deixamos de ser um país machista e ninguém me avisou? Que ano é hoje? Que que houve?

Enfim, tô aceitando explicações sóciopsicológicas pra essa notícia do Uol. Fiquem à vonts.



O alfabeto português

dezembro 30th, 2011

Estou forever inlóvi com esse vídeo, gente!

Meu filho tá começando a se interessar por musiquinhas de alfabetização. Fuçando no Youtube, encontrei esta pérola da pedagogia lusitana (em todos os sentidos abarcados pela expressão).

O que é que começa com a-
Abacate e avião
O que é que começa com b-
Brincadeira e beliscão [lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com c-
Carochinha e camião [camião, mesmo! Grafia d’além Mar!]
O que é que começa com d-
Dado dedo e decisão
O que é que começa com e-
Elefante e empurrão[lusopedagogia, quem nunca?]
O que é que começa com f-
Faca foca e feijão
O que é que começa com g-
Gato garfo e gratidão
O que é que começa com h-
Harmonia e habitação[são duas palavras de uso corrente por crianças em fase de alfabetização, né? Harmonia e habitação! Tô amando muito essa letra, gente!]

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu [Claro que você não canta só a vogal, a consoante vai junto!]
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com i-
Ivo indio e injecção~[De novo: grafia d’além mar]
O que é que começa com j-
Jacare jarra e João
O que e que começa com l-
Lagartixa e limão
O que é que começa com m-
Marmelada mãe e mão [Agora fale isso rápido: Marmelada, mãe e mão]
O que é que começa com n-
Narizinho e narigão
O que é que começa com o-
Olho onze e oração
O que é que começa com p-
Pinto porta pai e pão
O que é que começa com q-
Quarta quinta sexta não

Refrão:
A e i o uuuuuuu
Ba be bi bo uuuuuu
Ca ce ci co uuuuu
Da de di do uuuuuuu (2x)

O que é que começa com r-
Rabanada e requeijão
O que é que começa com s-
Sapo sopa e saltitão
O que é que começa com t-
Truta trigre e tubarão [outro trava línguas: truta tigre e tubarão! Fala rápido]
O que é que começa com u-
Uva urso e união
O que é que começa com v-
Vaca vela e verão
O que é que começa com x-
Xadrez xícara e xixuão
O que é que começa com z-
Zero zumbido e zangão

Eu acho que já sabe ler

Quem cantar esta canção!

E  quem descobrir o que é xixuão, me avise por favor!



Palimpsestwo

dezembro 30th, 2011

Acabo de tomar um susto! Um amigo querido de longa data, ex-repórter do Globo Informática (e vamos parar por aqui, não vou contar que ele foi repórter da primeira revista de informática deste país, editada pelo Jornal do Brasil), o Paulo Vianna, está com câncer. E acabou o último ciclo de quimioterapia.

Mas o Paulo consegue contar sobre esse assunto espinhoso e complicado de forma leve e serena. Como sempre foram seus textos. Por isso eu faço questão de, dentre uma notícia tão incômoda (triste não é, a quimio tá funcionando, então força aê, companhêro! 😀 ), destacar uma alvíssara: Gente, Paulo Vianna tem um blog!!! E que maravilha de textos!!!

Só pelo nome dá pra se ter uma idéia (que dia é hoje? 30? TENHO MAIS 48 HORAS PRA USAR ESSE ACENTO AÍ, ME DEIXA!) do naipe do blog: Palimpsestwo é um trocadilho altivo, sofisticado, nobre. Ao fuçar os textos, você vai encontrar uma crônica que beira a poesia sobre as endívias – é, endívias!

Mas eu não vou ficar aqui descrevendo o blog do Paulo. Façam o favor de clicar no link fornecido e de se esbaldarem com a elegância e serenidade dos textos de um cara que, mesmo passando pelo conjunto de perrengues dessa doença, não perde a classe.

Feliz 2012 a todos, em especial ao querido e dileto amigo Paulo Vianna. Que o ano lhe(s) seja novo, inédito, leve e agradável. Mas, principalmente, saudável! \o/



Acaba, não, 2011! Tem um morto atrasado chegando…

dezembro 28th, 2011

Quero dormir mas um jornal online não me deixa. Adivinha qual é? Esse mesmo!

A Giovana Valenza que me fofocou a história. A Folha de SPaulo criou um morto roteirista pra eu incluir correndo aqui no caldeirão, só pode! (sou megalomaníaca, me deixa!)

Acompanhe as idas e vindas do texto. E repare que o que fode tudo aqui é o preconceito contra a vírgula antes da conjunção e:

Ex-roteirista de “Saturday Night Live” é encontrado morto [Tá. então ele não era mais roterista quando morreu, certo?]

O corpo de Joe Bodolai, um antigo roteirista [certo!] do programa “Saturday Night Live” [agora vamos acompanhar o lumiar da bosta. Repare que o texto começa falando de um corpo, e que aqui deveria ter uma vírgula que faltou ao encontro do texto…]  e também quem escreveu o primeiro rascunho para “Wayne’s World” [… e pronto! Fez-se a bosta! O corpo foi quem escreveu o primeiro rascunho de Wayne’s World!] , foi encontrado morto [bosta número dois: o corpo foi encontrado morto! Queremos crer que corpos encontrados mortos são uma inovação no conceito de corpo….]  em um quarto de hotel em Los Angeles na segunda-feira à noite após aparentemente ter cometido suicídio[pensa que acabou? nananinanão! O corpo cometeu suicídio! Harekrishna….]. Ele tinha 63 anos [Agora imagine você, ectoplasma suíno de meu coração, um corpo de 63 anos que aparentemente comete suicídio! Assombração perde, né?] . As informações são do site TMZ.

Agora vamos remendar a merda com uma vírgula e um Bolodai no lugar certo. Ponham reparo:

Ex-roteirista de “Saturday Night Live” é encontrado morto

O corpo de Joe Bodolai, um antigo roteirista do programa “Saturday Night Live”-vírgula,  e também quem escreveu o primeiro rascunho para “Wayne’s World”, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Los Angeles na segunda-feira à noite após aparentemente ter cometido suicídio. Ele Bolodai tinha 63 anos. As informações são do site TMZ.

Então, tá, né?

Mas eu tenho pra mim que a Folha fez isso de propósito, só pra aparecer aqui mais uma vez… tavam com saudades de serem exorcizados… já que bateu saudadinha, dá licença:

PORRA, FOLHA!!!!



Previsão da bruxa pra 2012: salmão faz mal à ortografia

dezembro 27th, 2011

Queridos encostos leitores e frequentadores do caldeirão,

Minha previsão pra 2012 é muito simples. Fuja da cor salmão. Como assim, dona Bruxa?, dirá você.

E eu respondo com essa imagem que tá circulando no Facebook:

 

Como você pode perceber, salmão lhe trará muita hortografia pobremática  em 2012.

Fuja do salmão em 31 de dezembro com todas as forças e poderes do seu ser.

E procure sempre viver em harmonia com agá. A única verdadeira harmonia da língua portuguesa. Não confie em zenélicos.

Feliz 2012!



O forró da PUC

dezembro 22nd, 2011

Deu saudade desse post aqui, originalmente publicado em 2009. Republico-o-o-o… 😀

 

Eu me lembrei agora dessa historinha que aconteceu entre uma conhecida minha e a irmã dela, doravante denominadas Dorinha e Dorabela (só pra aliterar com o doravante). Miacaaaabo de rir toda vez que essa historieta me volta à memória. Mas deixem que eu a compartilhe com os frequentadores deste caldeirão.

Pois Dorinha e Dorabela moram em Niterói (Rio de Janeiro). Um belo dia, Dorabela chega em casa e conta para Dorinha:

– Ih, parece que vai ter forró na PUC.
– Como assim, forró na PUC? Onde você viu isso?
– Ah, tava passando de ônibus na esquina das ruas tal e tal, e tinha um cartaz esticado lá avisando…

Dorinha ficou bolada com a história. Primeiro porque a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro não fica em Niterói, mas na própria cidade do Rio de Janeiro; segundo, porque forró não é exatamente o perfil dos estudantes daquela universidade elitista até a alma.

Alguns dias depois, está Dorinha  a passar de ônibus pela esquina onde o tal do cartaz anunciava o curioso evento. Mas o que ela leu no tal do cartaz era um pouquinho diferente do que Dorabela havia lido dias antes. Voltou para a casa, e deu um esporro em Dorabela:

– SUA ANALFABETA! O CARTAZ NÃO DIZ FORRÓ DA PUC! É FORRO DE PVC!!! FORRO DE PVC, SUA ANTAAAAAAAAAAAA!!!

****

Atualização:

Recebi este comentário e chorei tanto de rir que resolvi incluir a tetéia aqui nosencima. Veio da Isabel Ferreira (Feliz 2012, procê tumém, zifia!!! 😀 )

Esse seu “causo” me lembrou meu comecinho de carreira na construção civil. Na época, dois “colaboradores” vieram comentar comigo, completamente empolgados, que já sabiam onde ir no final de semana, já que estavam em São Paulo ha pouco tempo e não tinham amigos. A balada? Forró do Gerson… Só depois de muito pensar onde é que eles tinham visto a “propaganda” foi que a minha ficha caiu. O forró do Gerson na verdade era o forro de gesso… rs

Feliz Natal e um ótimo 2012 pra você!



O lugar-comum da solidariedade de uma típica socialite (ou: numpresto!)

dezembro 21st, 2011

Vocês sabem que eu não presto e não valho nada. Por isso mesmo tava lendo a nota de pesar do PC do B pelo falecimento do camarada King Jong pai e não pude me furtar a imaginar como seria uma carta de solidariedade escrita por uma socialite, por exemplo.

Vou brincar com os chavões clássicos de cada universo (o dos comunistas e das socialites) pra tentar provar a vocês de uma vez por todas que o uso excessivo do lugar-comum cai no ridículo. À esquerda, por questão de coerência, o texto comunista; à direita, a versão socialite pesarosa. Divirtam-se! 😀

Estimado camarada Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia  Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. 

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana, inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung, defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano.

Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011

 

Querido Kim jong Un
Queridos e Exclusivos integrantes de família da Alta Sociedade da CoréiaFiquei passada com a notícia de que seu querido pai, o tradicional membro da sociedade Kim Jong Il, orgulhoso pai de importante família da alta sociedade da Coréia, faleceu há alguns dias. Espero que sua alma esteja bem entregue nos braços de Deus.


Durante toda a sua vida de destacado membro da sociedade, o querido Kim Jong Il manteve bem altos os padrões de classe, sofisticação e elegância da alta sociedade coreana, assim como o discernimento e valores morais e éticos típicos de um membro da alta sociedade, incapaz de se misturar com quem não é do nosso meio.

 

Seu adorável pai, que na juventude foi um grand vivant, namorou as moças das famílias exclusivas da alta sociedade coreana, mas se casou anos mais tarde com sua mãe, uma discreta e sofisticada jovem oriunda da mais tradicional sociedade coreana, foi um perfeito exemplo de homem de valor e de princípios morais.


Em nome de nossa igualmente tradicional família, venho expressar minhas mais sentidas condolências à memória de Kim Jong Il, e aproveito para perguntar onde será rezada a missa de Sétimo Dia.

Tenho a confiança de que sua família saberá, pelos caminhos de Deus, superar esse momento de dor e conseguirá se manter unida para defender os valores da tradicional família coreana. Sei que você saberá conduzir sua família de forma a não se misturar com gente que não faz parte do nosso meio.

 

Com meu cordial abraço à sua mãe e a todos os seus parentes,

[insira aqui o sobrenome de uma tradicional família coreana]

19 de dezembro de 2011

 

Dá vontade de continuar com a brincadeira, mas vou parar por aqui… 😀

 



O lugar-comum da solidariedade comunista

dezembro 21st, 2011

Xô, poeira!

Desculpem, mas tava viajando arrumando mala e corre pra dirigir e volta e paga aluguel e arruma mala mas a roupa não secou leva na lavanderia pra secar e arruma mala e pega avião e tudo sem vírgula porque não dá tempo nem de pontuar a frase e ufa! Cheguei!

Vamos voltar a postar, né?

Enfim, tava aqui crente que o melhor da semana seriam as imagens dos norte-coreanos chorando pela morte do líder deles lá, o King-Jong pai. Aquela falsidade que você não sabe dizer se é mentira patológica oficial do governo ou se geral na Coreia do norte tá mesmo curtindo fazer de conta que tá triste.

Mas aí tem sempre como piorar – ou melhorar, dependendo do seu ponto de vista. E o responsável por destronar o choro trash dos coreanos foi justo o nosso querido e phopho PC do B. Os companhêro camarada resolveram mandar uma nota oficial de solidariedade ao povo coreano pela morte de King Jong pai. A prova da coisa tá aqui.

A diversão começa porque você acha que uma nota de solidariedade ao povo pela morte do carinha vai dizer algo na linha  Até que enfim o mala do King Jong bateu as botas! Vamos abrir o champagne e comemorar a vida nova, galera?

Mas aí você começa a ler a teteia (se Coreia ficou sem acento, por questão de coerência teteia também vai ficar desacentuada. Malzaê…) e se pergunta que ano é hoje. A quantidade de chavões é tamanha que me deu vontade de montar cartela de bingo com as palavras tipicamente comunistas. Acompanhem que delícia de texto (não convidei ninguém a ficar julgando o texto, apenas a curtir as palavras delicadamente escolhidas pra ocasião):

Estimado camarada [Desnecessário dizer que foi um comunistão das boas que escreveu a coisa, né? Que ano é hoje? Mil novecentos e sessenta e quanto?] Kim Jong Un 
Estimados camaradas do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coréia [Seja lá que ano for, ainda não estamos com a nova ortografia em vigor no PC do B. Mas quem sou eu pra falar de nova ortografia? Avante, companheiros! Próximo parágrafo, por favor!]

Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada [não é presidente, não é líder, não é ditador, não é rei, não é dono. Ele é apenas camarada. Ah, os comunistas tradicionais…. tô me garrando numa paixonite por esse texto que cês num calculam!] Kim Jong Il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia [o que é isso, companheiros camaradas? Dona Ortografia Nova é bem-vinda no PC do B  ou não? Coerência, cadê? Cala a boca, bruxa! Vai pedir coerência pra comunista que se solidariza com norte-coreano? Que mais você quer? Que a mulher maçã saiba crasear? Senta lá, Cláudia!], presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia. [Tá certo, ele era só camarada. Mas é um camarada purdimais de atarefado, né não?]

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário [Demorou pra aparecer um revolucionário no texto, hein?], o camarada Kim Jong Il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista [Aviso da bruxa: esse anti-imperialista está de acordo com a Nova Ortografia, sim?] , da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares.[Deixei você falar mal dessas observações? Deixei? Eles podem pensar o que eles quiserem do governo King Jong pai, oras! Só convidei você a curtir o estilo único e incomparável! Avante, camaradas! Próximo parágrafo, fazfavô!]

O camarada Kim Jong Il deu continuidade ao desenvolvimento da revolução coreana[Karl Marx não poderia se orgulhar mais desse trechinho, gente! Continuidade ao desenvolvimento da revolução é tuuuuuuuuuuuuuuudo de comunista, né não?] , inicialmente liderada pelo camarada Kim Il Sung [e eu começo a desconfiar que camarada é uma espécie de monarca diferenciado… OK, passou!], defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria [continuidade do desenvolvimento da revolução defendendo com dignidade as conquistas do socialismo em sua pátria é a versão comunista para o corporativíssimo Objetivando disponibilizar um novo conceito em funcionalidade, a empresa Tal, sempre inovando, (…)]. Patriota e internacionalista promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos.[Outra que demorou a aparecer foi a fórmula de texto de marketing direto que funciona mais que Bombril, e pode se aplicar tanto ao Papa como a Hitler. Essa última frase serve pra qualificar qualquer um, repara só…]

Em nome dos militantes e do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) expressamos nossas sentidas condolências [condolência? Mas não era solidariedade?] e nossa homenagem à memória do camarada Kim Jong Il. 

Temos a confiança de que o povo coreano e o Partido do Trabalho da Coreia irão superar este momento de dor e seguirão unidos para continuar a defender a independência da nação coreana frente às ameaças e ataques covardes do imperialismo, e ao mesmo tempo seguir impulsionando as inovações necessárias para avançar na construção socialista e na melhoria da vida do povo coreano [De novo! Para de rir, que coisa! Deixa eles pensarem o que eles quiserem, oras!!! Eu só te convidei a se deliciar com o estilo do texto….]
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Abreu Alemão secretário de Relações Internacionais do PCdoB

19 de dezembro de 2011 [2011? Cejura que esse texto foi escrito ANTEONTEM?!?!?!?! Alguém avisou aos comunas que o mundo apertou legal o F5 nas últimas décadas?]



O encontro, as preposições e um poste didático

novembro 29th, 2011

É, não tem jeito. As expressões ao encontro de e de encontro a  confundem gregos e goianos.

Por isso, esta brujita que vos fala vai fazer um post ilustrativo, que é pra geral nunca mais confundir.

De encontro a – essa expressão indica ir contra a coisa e se chocar (no sentido figurado ou não).

Pense sempre que, numa batida, o carro vai de encontro ao  poste, e se esborracha todo.

De encontro ao poste

Ao encontro de – Essa expressão significa comparecer a um encontro, compromisso, convescote. E, em sentido figurado, significa aliar-se, juntar-se, enfim, concordar.

Lembre-se da namorada que vai ao encontro do  namorado no motel. Pronto, enfia sacanagem no meio que você não esquece mais! 😀

Ao encontro do amor (é, eu sei que ficou brega. Mas veja o lado didático da coisa, vai...)

 

Espero ter ajudado vocês com esta aula ilustrativa! 😀



Ameba sobrevoa o caldeirão e causa um post longo com vídeo do Golias

novembro 26th, 2011

Tudo começou há mais de dois anos quando eu fiz este post daqui. Curto muito essa música do Vitor e Leo. Não sei se foi por conta dos hormônios à flor da pele na época em que eu ouvia essa música direto, meu filho tinha acabado de nascer, e invariavelmente o tema da novela das seis começava a tocar quando eu estava dando meu peito a ele. Mas até hoje a música Deus e eu no sertão só me traz boas recordações e sensações.

Ponto parágrafo.

Ontem, aprovei este voo (sem acento porque merece!) rasante de ameba comentário pro post em questão:

 

”]Claro que eu respondi! E minha resposta rendeu tanto que eu vou transformá-la em post novo:

 

Ai, que bom que você gosta de música sertaneja, Eliana!
Deixa eu te apresentar, então, ao novo hit parade da língua portuguesa:

1º lugar – Vírgulas. Elas costumam separar idéias nas frases.
2º lugar – Pontos. Eles são mais enfáticos do que as vírgulas quando o negócio é separar idéias. Na verdade, eles atuam como se fossem um “botão de enter” pra você jogar a frase inteira dentro do seu cérebro (cérebro você sabe o que é, né?) e processar a informação toda.

Isto posto, vamos adequar a sua frase ao novo hit parade da língua portuguesa:

BOM EU ADORO MUSICAS SERTANEJAS-ponto. ANTES EU NAO GOSTAVA-vírgula, MAIS DEPOIS DESSAS MUSICAS-vírgula, AGORA EU AMO.

Outro grande sucesso do hit parade da língua portuguesa é saber a diferença entre conjunção adversativa e advérbio. E não se assuste, porque eu não falei inglês. Assista aeste vídeo do Ronald Golias que você vai entender tudo!!!

Portanto, com essa aula magna de Ronald Golias, deve ter ficado claro (né, Eliana?) que você deveria ter escrito

ANTES EU NÃO GOSTAVA-vírgula, MAS (e não mais, como você escreveu) AGORA EU AMO

Enfim, só tenho a lhe agradecer por ter passado por aqui e me feito uma visita tão aterradora que me rendeu um post perfeito!

Volte sempre! E quando você aprender a escrever direito eu até te ofereço um bolinho de fubá!

Abraços da
Bruxa



Um crime, vários tiros, uma criança atingida, um morto, um detido e descubra quem é quem na história, porque o G1 não deu nomes aos bois

novembro 16th, 2011

Vamos com calma que eu fiquei tontinha ao ler este texto que me foi enviado via Twitter (de tão tonta, esqueci de  anotar o nome do ectoplasma suíno. Zifio, manifeste-se que eu te dou os créditos na hora!)

Sabe aqueles exercícios de lógica das revistinhas de passatempo que eu não resolvo ninguém resolve? “João é casado com Maria, mas José é cunhado de Sérgio. Se Maria e Sérgio são duas pessoas e João foi abduzido por Ziggy, qual a relação de Ziggy com o gol perdido pelo Baggio na Copa de 1994 que deu o título ao Brasil?”

Me senti lendo um enunciado assim ao me deparar com o texto abaixo.

O zifio repórti não deu nomes aos bois – até aí tudo bem. O importante era deixar a coisa compreensível, né?

Enfim, acompanhem comigo a história que me deixou tontinha.

Bebê de 2 anos é atingido por tiros e autor dos disparos acaba morto  [OK. Teve uma criança na história. E quem atirou nela mór-reu.]

Homem entrou em luta corporal com o autor após os disparos e o matou. [Portanto, temos que homem = autor dos disparos, certo?]

Uma criança de dois anos que estava no colo de um homem [Errado! Ela estava no colo de outro homem! Acompanhem a confusão dos zifios] foi atingida por dois tiros de raspão na noite da última segunda-feira (14), no município de Ibotirama, região oeste da Bahia, informou a Polícia Militar do município. O autor dos disparos acabou morrendo com um tiro no peito.

Na ocasião, o homem que carregava a criança foi atingido por três disparos [o homem que carregava a criança também foi atingido pelos disparos. OK. Certo?] , deflagrados por um suspeito [suspeito? Agora virou suspeito o autor dos disparos?] que não aceitava o fim do relacionamento com a atual companheira da vítima [aqui a coisa toma contornos medonhos! Se a vítima é a criança, então a criança tinha 2 anos e uma companheira? Oi? Pedofilia? Ou a vítima em questão era o cara que carregava a criança no colo? E cadê a mãe dessa criança, por Tutátis?] , relatou um agente da delegacia de Ibotirama.

Ainda segundo informações da delegacia, o suspeito acabou morrendo [suspeito = o cara que atirou contra o cara com a criança no colo. Né?], pois o irmão da vítima [de novo: o irmão do cara que segurava a criança ou o irmão da criança?!?!?!] , ao perceber a ação do suspeito, entrou em luta corporal com ele [Vamos contar, então, os zifios integrantes da cena do crime: 1 criança, 1 homem que a carregava no colo, o autor dos disparos e o irmão da vítima, o que queira que isto venha a significar. Certo?], e em seguida disparou um tiro contra o mesmo [G-ZUZ! Não sabia que o ectoplasma mesmítico tomava tiro nazidéia!] . Todas as vítimas foram encaminhadas para o Hospital Regional de Ibotirama, mas o autor dos disparos contra a criança não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade [então, temos que o atirador primeiro, mais a criança, mais o zifio que tarracanenê no colo mais o irmão da vítima o que queira que isto venha a significar que atirou segundo, foi tudo parar no hospital, né?]

Segundo o hospital de Ibotirama, a criança e o homem receberam atendimento e foram liberados ainda na noite da última segunda-feira. [A criança tudo bem. Mas QUAL HOMEM RECEBEU ATENDIMENTO E FOI LIBERADO, POR BELENOS?!?!?!!?]

De acordo com informações do agente policial, o autor do disparo que matou o homem [Oi? Quem disse? Eu disse! Quem disse eu? Eu disse eu!] foi preso em flagrante e está detido na delegacia do município, onde deverá permanecer à disposição da Justiça e o homem que ficou ferido prestou esclarecimentos e foi liberado.

O corpo da vítima [GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH! LÁ em cima eram duas vítimas, uma criança e o cara que tarracanenê no colo. Agora só sobrou uma vítima? Estamos falando do homem que tarracanenê no colo ou do homem que atirou contra o homem que tarracanenê no colo?] foi encaminhado para o Instituto Médico Legal em Barreiras e deve ser submetido a exames.

 

E aí? Entendeu? Ou eu ajudei a confundir tudo? Se você entendeu, por favor, desenhe pra mim! Eu entendi bulhufas!

**********

Atualização:

Leia este texto daqui de baixo e vê se a historinha não lhe parece familiar. Quem encontrou foi o Luiz, neste link aqui

Uma discussão terminou com o pai e o filho de dois anos baleados e um homem morto em Ibotirama, a 650 km de Salvador.

Erivelton Alves Rodrigues e José Carlos Moreira de Souza encontraram-se no bar Estrela da Terra, no bairro São Francisco, e iniciaram a discussão na noite do último domingo (13). Durante a briga, o primeiro sacou uma arma calibre 32 e atirou contra José, que estava com o filho no colo.

José foi atingido na cabeça e nas costas e R.L.B., de 2 anos, foi baleado de raspão no braço. Segundo informações da delegacia local, Antonio Moreira de Souza, irmão de José, entrou em luta corporal com Erivelton, tomou-lhe a arma e disparou um tiro contra o peito dele. Erivelton morreu no local. 

José e o filho foram socorridos ao Hospital Regional de Ibotirama, onde foram medicados e receberam alta no mesmo dia. Antonio foi preso em flagrante. 

Ainda de acordo com a delegacia, a atual mulher de José e mãe da criança é ex-namorada de Erivelton, o que teria motivado a discussão.

Pois é…



Volta pro mar, oferenda!!!

novembro 15th, 2011

Cabei de flagrar este troço assombrando meu caldeirão:

Pra começo de conversa, asperSão se escreve com ésse – um ésse só, faz favor!

E como se essa hotografia pobremática não fosse suficiente pra berrar nos nossos olhos, a ameba não sabe a diferença entre o verbo despedir transitivo direto e reflexivo.

Despedir o ente querido é dizer que o emprego não é mais dele e mandar o sujeito pra rua; despedir-SE do ente querido é dizer adeus.

Ou seja: VOLTA PRO MAR, OFERENDA!!!!



Mais uma expressão moonwalking

novembro 14th, 2011

Tenho que fazer este registro aqui no caldeirão.

Chamo de expressão moonwalking (em homenagem ao passo de dança em marcha a ré eternizado por Michael Jackson) todas as que passam a idéia (sem o propósito, claro)  de se mover para trás ou de se mover e voltar, sem querer, pro ponto de partida.

E eis que, depois de “a volta do retrocesso“, “sigo no aguardo” e “minha vida deu uma guinada de 360 graus”, a Mulher Maçã vem contribuir com este maravilhoso rol de teteíces, do qual já participam seres do jaez de Ricardo Noblat e Adriane Galisteu.

A Apple Girl (desculpa, não resisti) acaba de soltar na TV esta maravilha aqui:

Existe o preconceito contra o racismo

E como sempre acontece ao lumiar de uma nova moonwalking, eu dedico ao criador da tetéia este vídeo:

 

#beijomeliga



Folhice crônica atinge Dilmavana

novembro 13th, 2011

Ô MEU QUERIDO, ESSE TEXTO FICOU RIDÍCULO!

Ah, as folhices da Folha… tava dando saudades viu? (Melhor não usar mais essa expressão por aqui. Da última vez que eu disse que tava com saudades de mortos amestrados, foi quase um mês de assombração no caldeirão…)

Enfim, a Folha de SPaulo tem umas idiossincrasias em forma de manual de estilo que ajudam muito a desopilar o fígado, sabe?

Em algum canto daquele desconjurado Manual de Redação (que Deus proteja aqueles que ousarem tomar esse manual por verdade suprema), deve estar escrito que é legal fazer uns boxes com explicações – barra – conselhos em forma de didáticos textos ilustrativo-mastigatório-explicacional. A coisa beira os limites da patologia. E quando fica crônica, é melhor fugir pras montanhas. Ou ficar pra se escangalhar de tanto rir, você que escolhe…

Desta vez, a vítima é Dilmavana. A líder máxima do país (e eu sou obrigada a tirar o chapéu pra dilmavana, viu? ela conseguiu transformar o feminino de presidente em opção política! E eu sou obrigada a dar o braço a torcer e confessar que, por mais que odeie o verbete presidenta, acho muito estranho quando a chamam de presidente. Mas onde eu tava mesmo? Ah, sim, no meio de uma folhice…) teve seu perfil traçado pelo impresso da Barão de Limeira. Novidade zero, informação mínima. OK, eu ri ao imaginar a cena da presidenta brava porque teria que molhar o cabelo e dizendo pô, general!.

Mas o ápice do texto non-sense se dá neste link-tchutchuca aqui. Licença, vou copiar tudo pra lhe poupar o trabalho:

Como os ministros podem evitar problemas

1) Nunca vá a uma reunião com ela sem ler sobre o tema que será tratado. Ela lê tudo antes e vai certamente sabatiná-lo
2) Caso tenha cometido a temeridade de não ler, não tente enrolar. Ela vai perceber e pode ser bem pior
3) Nunca interrompa a presidente no meio de um raciocínio. Ela será ríspida e vai mandá-lo se calar
4) Não tente sugerir uma ação contrária ao que ela acaba de propor. O melhor é tentar convencê-la com jeitinho. Comece assim: “Não seria melhor…”
5) Não contrarie uma ordem argumentando que a repercussão na imprensa será ruim para o governo. É explosão na certa
6) Não dê declarações à imprensa sobre temas delicados do governo e que não tenham relação estrita com a sua pasta. Você será gravemente advertido por Dilma
7) Nunca, jamais, em hipótese alguma discuta alguma determinação comentando que “no governo Lula era assim”. Poucas coisas deixam a presidente mais irritada

Não é uma tetéia, jemt? A Folha virou conselheira espiritual-político-pessoal-sentimental-existencial-ministerial!

Claro que esse momento Ask Alice da Folha de SPaulo em nada se compara à Folhice das Folhices. Pensa que Dilmavana é vítima porque é a-presidenta-popular-que-ajuda-a-população-e-está-fazendo-um-bom-governo-apesar-de-o-pig-insistir-em-dizer-que-não-e (OK, parei.)? Claro que não! Dilma é apenas mais uma. Se eu te contar que anões também foram vítimas das Folhices crônicas vocês acreditam? Ah, então cliquem aqui. Aviso: não bebam nada ao ler o texto lincado, sob o risco de sérios engasgos.

Licença, mas eu vou encerrar este texto com um megalcichê deste caldeirão:

 

PORRA, FOLHA!!!

(P.S.: Curto muito o estilo de Dilmavana. Mal posso esperar pra ela começar a agir assim com a bancada evangélica. #prontofalei)



Como diria a Katylene: é soorooba?

novembro 11th, 2011

Diante de uma chamada dessas

E de uma reportagem dessas,

só me resta perguntar, à la Katylene: é soorooba?

Agradeço ao dileto ectoplasma Rodrigo Nunes pela mente poluída pelo link enviado. 😀

****

Atualização das 19h.

O Rodrigo me avisou que o site trocou o título da matéria. Ficou assim:

er… alguém avisa que não deu pra melhorar a coisa, por favor? /o\



O neologismo malafaiense

novembro 11th, 2011

Daí que Silas Malafaia, uma entidade cujas credenciais me recuso a propalar por aqui (joga no Google por sua conta e risco!), disse em entrevista à revista Época que ia funicar Toni Reis, líder da comunidade LGBT pereré pão duro whiskas sachê blablablá.

Claro, lógico, óbvio e evidente que o repórter entendeu o verbo como fornicar. É um verbo muito usado por salsinhas em cristo evangélicos para referir-se a práticas por eles consideradas tipicamente do público gay. Não vou entrar no mérito dessa questão.

Mas Silas resolveu soltar as plumas dizer que ele jamais disse fornicar:

geral eu e o repórter da revista Época fomos ver que diabos significa funicar. E não encontramos essa palavra no dicionário. E ainda temos que ler esta belezura no site do Malafaia (não, não vou lincar. Me recuso. Jogue a frase em vermelho no google que você encontra o texto completo. E se você quiser ler esse texto completo, problema seu. Pronto, avisei.):

“Ele não pode supor que o entendimento da palavra funicar signifique fornicar, se ele mesmo confessa ter pesquisado em quatro dicionários e não ter achado a palavra funicar. E não vai achar em dicionário algum, pois é uma gíria, um linguajar popular e não formal”, declarou Silas.

Portanto, temos que:

1- PAPORRA! Dicionários listam todas as palaras de um idioma, sejam elas regionalismos, palavrões e outras expressões chulas, gírias, paravras oficiais, palavras extraoficiais etcetcetc.

2- Se o repórter da Época não pode supor o que ele supôs, então o que ele pode supor? Oi? Quem disse?

3- Se essa palavra não se acha em dicionário nenhum, então o dileto pastor inventou esse verbete?

4- Se o pastor inventou esse verbete, coisa que a meu ver lhe é permitida (pensem no que ele faz com a Bíblia, e vocês perceberão que o que ele faz com a  Língua Portuguesa é pinto…), ele que explicasse o significado. Chamar o interlocutor de ignorante por desconhecer uma expressão usada no seu meio é forçar a barra.

Não me canso de dizer isso aqui: se você diz bolinhas vermelhas e seu interlocutor entende listras azuis, repita sua idéia de forma diferente até que o seu interlocutor entenda exatamente o que você quis dizer. Isso dá certo em 99% das vezes (o 1% restante dá conta de seres incapazes de raciocinar).

Isto posto, e como nenhum dicionário lista a palavra malafaiense, este blog-caldeirão só aceita uma possibilidade de uso da palavra funicar:

Pode passar a régua.

 

 



Por que o cujo é tão desprezado?

novembro 9th, 2011

Cujo é um pronome relativo que ajuda a fazer conexões especiais e específicas. Coisa que o que não sabe fazer.

Mas geral despreza o cujo e suas variantes de gênero e número, talvez por achá-lo pedante, ou besta, ou metido – tá bom, muitos acham o cujo feio.

Mas ai me digam: por que não usar cujo? “Ah, dá pra reescrever a frase”, dirá você, ameba. #cejura? Senão, vejamos:

A história, bem simples, é a seguinte:

1- governo malvado aumentou o imposto sobre carros importados; 2- Vendas dos carros importados caem no Brasil

Daí o Uol (ah, que saudades de falar mal do Uol!) resolve fazer uma pautinha: os carros que tiveram queda nas vendas por causa do aumento do imposto.

Olhem o título desta coisa:

Viu que confusão? começam a falar dos carros, passam pro IPI e acabam com as vendas (com trocadilho). Custava dizer veja carros importados cujas vendas caíram por causa do IPI?  A atenção fica o tempo toda voltada para carros importados…

Daí você pensa que a coisa não pode piorar. E é aí que ela piora:

Sério mesmo que o IPI é forte o suficiente pra acabar com uma Ferrari? Por que o título não pode ser Carros cujas vendas  o IPI derrubou?

 



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