Pasto bom, sô!

Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Como uma boa prosa no interior.

Simples, preciso, conciso, objetivo e direto. Como uma boa prosa no interior.

Texto de banco escrito para o queridocliente é tão ruim que, quando eu vejo um bom exemplo, chego até a me emocionar. Isso depois de conferir se eu estou delirando, claro.

O banco em questão tem uma considerável clientela no setor rural, e resolveu fazer um chameguinho com o queridocliente. Tá na home deles, que eu não vou lincar aqui porque, por mais emotiva que esteja, não vou gerar tráfego gratuito pra banqueiro. Mas o textinho acima é irretocável.

Começa com o porque junto no início da frase. Pooonto positivo! Ou milagre, sei lá.

Mas o texto deixa evidente que quem o escreveu não é ameba. Uma ameba autêntica teria colocado vírgula entre país e merece (quarta linha), para de vez assassinar a regra de que sujeito e predicado não se separam por vírgula em língua nenhuma do mundo. Não, não senhor: o texto acima foi escrito por um autêntico ectoplasma suíno! Ectoplasmas suínos deixam sua (boa) marca registrada por onde passam!

Embora seja meio longuinha, a primeira frase do segundo parágrafo tem ritmo, tem cadência. Tanto é que, mesmo sem a vírgula na quarta linha, você sabe que dá pra dar uma paradinha pra respirar ali mesmo. E o verbo merece, repetido na frase seguinte, reforça o ritmo e a cadência iniciados na frase anterior, e arremata a ideia do “vem cá, meu rei, que eu te dou um chamego”. E o que é melhor: não ficou piegas!

Como um cafezinho daqueles passados no coador, que regam as melhores prosas do interior.

Ai, eu estou ficando muito emotiva, viu? Mas a imagenzinha acima me prova que ainda existe esperança na humanidade!!



11 comentários sobre “Pasto bom, sô!”

  1. Débora comentou:

    Não vou fazer propaganda, mas é o meu ganha pão, não é?
    Bjos
    E as expectativas como estão? Sobre o neném…

  2. Bruxo Pai comentou:

    Minha bruxinha,

    Maravilha de texto. Simples, bonito (porque é simples) e gostoso de ler (porque é simples e bonito).
    Seu comentário emoldura e dá a cor que ele merece.
    Seu tivesse feito esta peça colocaria num quadro com o seu comentário.
    Beijos

    Bruxo Pai

  3. Miguel M. comentou:

    Só uns dois adendos: a peça não é tão perfeita assim. A considerar a quantidade de dinheiro de que dispõem esses bancos, a coisa deveria ter sido muito melhor. Por exemplo 1: vc louva o “porque” no começo da frase. Beleza. Mas porQUE QUEM causa um tremendo desconforto aos leitores com ouvidos/olhos mais sensíveis. Tem nome, essa repetição desagradável, mas não me peça pra lembrar agora, logo depois do almoço. Por exemplo 2 (e esse é grave): vc louva também a não separação, por vírgula, de verbo e sujeito. Lindo. Pouca gente não cederia à tentação de pespegar a vírgula ali, antes do “merece”. Só que… existem lugares em que a vírgula É OBRIGATÓRIA. Antes dos vocativos é um deles. E o texto tem lá, no final; PARABÉNS AGRICULTOR. Ora, “agricultor” aí é vocativo. Cadê a bendita da vírgula? Então ficamos assim: o texto é muito mais ou menos e só merece parte dos elogios que vc faz porque é propaganda de banco. De resto, é, digamos, de “ameba suína” (talvez gripada).

    Gosto muito desse blog.

    MM,

    PS: E eu nem falei da falta de paralelismo: o texto começa falando que o agricultor merece mais que um dia e termina dizendo que merece o reconhecimento da nação. Ora uma coisa não exclui a outra. Ele pode merecer todos os dias (como?) e mais o reconhecimento da nação. Qd se diz “merece mais que um dia: merece todos os dias”, aí existe paralelismo. Mas qual a relação entre merecer todos os dias e merecer o reconhecimento da nação? Pra mim, encheram linguiça com frase de efeito (pífio, mas de efeito).

  4.        » “Nossa única riqueza é ver” comentou:

    […] conhecimento dele exatamente no dia 29 de julho, quando ele comentou este post. Já chegou descendo o sarrafo, mas pegou o espírito destas bandas: uma vez que o estrago já tá […]

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