Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia

Daí que neste dia de casório real lá pelas terras inglas (copyright Barão de Itararé) de dona Elizabeth, recebo via twitter do @ramiro_fc o link para o site da Família Real Brasileira. Se você começou a rir só de ler o título, você vai chorar ao clicar no link. Porque para um tema do qual só se espera pompa e circunstância, o nível do português é de xurraxcão na laje. Isso, claro, é preconceito meu, porque aposto que frequentadores de churrascos em lajes devem falar português muito mais castiço do que o dos Orleans e Bragança versão brasileira.

Só pra dar uma idéia do nível da bagaça, permitam-me esculhambar reescrever o texto sobre a Casa Imperial brasileira, que pode ser lido aqui (antes de ler, reparem na quantidade de texto vermelho, original, e na quantidade de texto azul, minhas observações. Isso da idéia da quantidade de bosta que eu enfrentei…):

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial, [Vossas Altezas vão me desculpar, mas essa vírgula foge ao protocolo. Ponto funcionaria melhor, sabe?] os poucos que conhecem conheceram [conhece ou conheceram? As Altezas, certas de sua superioridade dinástica, furtaram-se ao simples ato de releitura e correção de uma redação? afff!] a face desta família, que fora construida [Aê, Altezas: vamos coroar esse verbo com um acentinho básico? Acento esse que, claro, é muito inferior à imperial Coroa – mas obrigação protocolar, sabe? cons-tru-Í-das. Grata.] sobre o imaginário republicano[não entendi como pode uma família real construir-se sobre o imaginário republicano, mas né? Diz o protocolo que não se deve questionar reis e rainhas – tampouco dizer HEIN? ACUMA? IXPLICA? E como eu não estou aqui pra quebrar protocolos, calo-me]. Depois de 114 Anos de República, e tendo nossa Pátria resistido os mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. [com todo o respeito, mas eu acho que Vossas Altezas não entenderam direito como se pontuam frases em bom Português. O ponto é como se fosse uma tecla de enter, pra jogar a informação da frase pra dentro do cérebro. Já a vírgula é pra arrumar as idéias dentro de uma mesma frase. Portanto, oh, altezas, esse ponto ficaria melhor se fosse vírgula, OK?] A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação [Aham, Altezas. Mas deixa isso prá lá. Não quero entrar no mérito do conteúdo do texto. Tô aqui pra corrigir a gramática e a pontuação…] . Nossos príncipes remontam a […, caso da crase faltante desse a aí do lado] época da Indepêndencia do Brasil, e poucos sabem que na realidade remontam a Hugo Capeto (940-996) que fora Rei da França em 987 [tá, geral na Família Imperial é tudo remontado, isso deu pra entender. Mas se vossas Altezas aceitassem um reinado de precisão redacional em vossos altivos neurônios, teriam explicado que a Casa Real Brasileira inaugurou-se na época da independência com a coroação de D Pedro I, monarca oriundo de uma linhagem (esta sim) que remonta a Hugo Capeto. Vou nem questionar vossos altivos conhecimentos de história. Tô só colocando os pingos no  is, OK? e ó, vou creditar como esbarrão de dedo: indepenDÊNcia tá com o acento na sílaba errada. tem que ver isso aí – Obrigada pelo aviso, Ana! 😀 ] . Isto a precisamente a 1017 Anos [Olha, Vossas Altezas que me perdoem a expressão chula, mas preposição a pra indicar tempo passado É O CARALHO vosso altivo membro peniano!! E ainda dizem “precisamente”!!! Atenção, portanto, monarcas e plebeus luso-parlantes: tempo passado é indicado com o verbo haver; tempo futuro é indicado com a preposição a. Juro por Deus que vou fazer um post especial só sobre isso! Mas o lance do Hugo Capeto foi HÁ precisamente 1017 anos!!!! Vou nem entrar no mérito de Anos grafado com maiúscula, nem que números maiores que 1.000 precisam desse pontinho pra separar as ordens de grandeza] !!
Tendo [eu TENHO uma implicância especial com frases iniciadas por gerúndio] na sua árvore genealogica, [Façam o favor de rapar fora essa vírgula daí que ela não serve pra nada?: Gradicida! E genealÓgica tem acento, ô coisa! (deu pra reparar que eu tô perdendo paciência, pompa e circunstância com esse povinho, né?)] obviamente a Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI [contradição detectada: como pode a família real brasileira “remontar-se” à época da independência, e o parágrafo seguinte listar na família real Brasileira D. João VI, que nunca foi imperador do Brasil, mas do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVE? Coerência histórica, a gente não vê por aqui!]. Os príncipes do Brasil tem em linha varonil direta, [Não sei se me irrito mais com essa vírgula mal colocada ou com a linha varonil direta… tô aqui imaginando uma vara de quase 800 anos de comprimento, mas deixa isso prá lá. E eu fiquei tão impressionada com a vara de 800 anos 😮 que nem reparei que os príncipes do Brasil tÊm. Não fosse uma leitora pra avisar, passaria em branco! ] São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) pela parte Orleans. Pela parte Bragança remonta a Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que se casou com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal [Condestável? Pedi socorro pra tio Antônio Houaiss, que me contou que condestável é um posto militar que só perde em importância pro rei. Mas isso não aplacou minha sana por trocadilhos infames, ah, não aplacou!] .
[MA CHEEEE! Quebrou parágrafo por quê? O assunto continua o mesmo…. Outra coisa: começar frase com conjunção aditiva E não é pra qualquer um, não! Eu faço isso direto, mas releio meu texto e vou trocando sempre que possível! Esse e daí ficou HOR-RO-RO-SO!] E também pela parte Wittelsbach remontando [ô fixação por montaria, viu? Ticontá…] a Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). [De novo! Esse ponto daí não tem nada a ver com o andamento do texto! Taca vírgula, ô coisa! <– é, meu protocolo foi-se todo] Vemos bem que a nossa família imperial remonta a muito mais tempo do que imaginamos [eparrê-iansã! Essa frase tá tão mal construída, mas tão mal construída (culpa da fixação por montaria), que esse a daí tá mais pra verbo haver. Ou não? Na dúvida, melhor reescrever!] !
É sendo assim que com orgulho [<– É sendo assim que com orgulho? Esse texto deu foi Vergonha Alheia, isso sim!] divulgamos a nossa Causa [Ok, este trocadilho eu não perco: é pra divulgar a casa ou a caUsa? QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA prontopassou] , que é pela Restauração da Monarquia no Brasil [mentira, não passou, não! vou rir de novo aqui: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA], interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do Exército na aquela época [na aquela época? G-zuz! Mas enfim, aham, altezas. Acho só que vossas imperialezas já se esqueceram do plebiscito de 1993… tsk, tsk, tsk, memória seletiva, que coisa mais feia…] . Erram, e erram feio [e ó: aqui caberia uma vírgula, sabe? Cadência, elegância…] aqueles que pensam que a República fora [ai, que mais-que-perfeito feioso!] um regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes esta “democracia” fora[Pros que não entenderam a ironia, a palavra certa pra definir o mais-que-perfeito aqui e na outra frase não é “feioso”. É “errado’, mesmo!] interrompida por golpes, mandos e desmandos ! E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram aqueles que queriam a continuação do Regime Escravocrata. Sendo assim vamos libertar o Brasil de um jugo que ha 114 Anos [tá. Agora Vossas altezas podem explicar POR QUE AQUI VOCÊS USARAM O VERBO HAVER INDICANDO PASSADO CORRETAMENTE (ainda que sem o acento), E LÁ EM CIMA USARAM ERRADO? E por quê Anos foi grafado com letra maiúscula? Consistência, a gente não vê na Família Imperial!] o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Bom, vou só lembrar a Família Real que o Capítulo III, Artigo 13 da Constituição Federal determina que A Língua Portuguesa é o idioma da República Federativa do Brasil. Entendo que as altezas não reconheçam o país como uma República, mas CACETE, DÁ PRA ENTENDER QUE É NECESSÁRIO FALAR PORTUGUÊS FLUENTEMENTE PRA REINAR POR AQUI, DÁ?

E, como estou boazinha, vou reescrever essa coisorrorosa daí de cima, pra ver se vai ornar com um mínimo de classe e elegância típicos de um português bem escrito.

A Família Imperial Brasileira

Muitos brasileiros ficam espantados com o simples fato de saber que no Brasil existe uma família imperial. Os poucos que conhecem a face desta família percebem-na a partir de uma imagem constituída em épocas republicanas, ao longo de 114 anos nos quais nossa pátria vem resistindo aos mandos e desmandos de infelizes mandatários que se estendem até os dias de hoje. A Família Imperial Brasileira ainda é tida como a reserva moral da nação. A fundação da Família Real brasileira ocorreu ainda na época da Independência do Brasil, com a coroação de D Pedro I Imperador do Brasil. Nosso primeiro monarca vem de uma linhagem real que começa em Hugo Capeto (940-996), Rei da França em 987 – uma linhagem de 1.017 anos!

A árvore genealógica da família brasileira divide-se em três ramos. Os atuais herdeiros descendem diretamente da Princesa Isabel, Dom Pedro II, Dom Pedro I e Dom João VI. Pelo lado Orleans, os príncipes do Brasil têm em linha varonil direta São Luiz (Luiz IX) Rei Cruzado da França (1214-1270) e, pela parte Bragança, seu primeiro membro foi Dom Afonso, Primeiro Duque de Bragança, que casou-se com a filha de Dom Nun’Alvares Pereira, Condestável de Portugal. O terceiro ramo da família real brasileira liga-se aos Wittelsbach, até Oto de Wittelsbach (Conde Palatino da Baviera em 1156). Percebe-se que nossa família imperial é muito mais tradicional do que se imagina!

Portanto, é com orgulho que divulgamos a nossa causa da Restauração da Monarquia no Brasil, interrompida por uma quartelada que não chegava a representar 1% do exército àquela época.

Erram, e erram feio, aqueles que pensam que a República foi o regime que trouxe a democracia ! Vejam quantas vezes essa “democracia” foi interrompida por golpes, mandos e desmandos!

E lembrai-vos que aqueles que quiseram a República eram os que queriam a continuação do Regime Escravocrata.

Portanto, vamos libertar o Brasil de um jugo que há 114 anos o entorpece em seu crescimento e sua soberania como nação.

Ainda assim, vamos combinar que esse estilo de redação é sofrível.



20 comentários sobre “Realeza remontada – ou a Real Vergonha Alheia”

  1. @wscitrin comentou:

    Poxa tia, sério que a senhora se deu ao trabalho de reescrever um texto desses? Mas eu reli ele TODO só em respeito à senhora. o/

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    te contá que deu mais trabalho desconstruir analisar a bagaça do que reescrever… 😀

  3. Ana comentou:

    E ainda sobrou um circunflexo fora de lugar na Independência! Caramba!

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Uia! É tanta coisa que eu nem vi! Valeu pelo toque! Já atualizei o texto e te citei nele! \o/ 😀

  5. Allan Moraes comentou:

    GENTEEEE QUIS COISA HORROSOSAS

  6. Angela Scott Bueno comentou:

    “Os príncipes do Brasil tem”. Não tem acento aê naum?

  7. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    uia! Tem sim! E esse acento não foi revogado pelo novo acordo ortográfico, não!
    Vou corrigir no texto obrigada!
    (Aff, é tanta coisa junta que eu não percebi!)

  8. João Paulo Cursino comentou:

    Alvíssaras, jovial @bruxaOD!

    Não é que eu queira ser, digamos, muito chato não, sabe? Só um pouquinho.

    É que — sabe? — no trecho “… que casou-se…”, não seria o caso de se dizer que o “que” é palavra atrativa do pronome “se”? Não seria o caso de uma — valha-me! — uma próclise?

    “… que se casou com a filha…”

    Que acha?

    Meus respeitos reiterados,

    @sratoz

  9. João Paulo Cursino comentou:

    Ah, sim, só mais um detalhe:

    “E lembrai-vos DE que…” Não? “Lembrai isto” versus “lembrai-VOS Disto”… Que tal?

    Sem mais,

    Homem feliz e sem desgostos na vida. 🙂

  10. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Caro João Paulo,
    você só está me provando que quanto mais escarafunchado esse texto for, mais ele irá feder.
    suas observações são todas pertinentes, mas sugiro que deixemos o dito do jeito que está…. 😀
    Eu vou jogar um Breeze (sou uma bruxa muderrrrna) aqu ino caldeirão que é pra coisa não feder mais.

    No mais, aprochegue-se e aceite um cafezinho. Cabei de passar! \o/ 😀
    Abração, e volte sempre!

  11. Sony Santos comentou:

    “Lembrai-vos” combina com “VEDE quantas vezes esta ‘democracia’…”. 🙂

    Rolei de rir com seu blog; parabéns! Precisamos destas bruxarias.

  12. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Tá vendo só? Esse texto dái, quanto mais for mexido, mais erro vai aparecer… é conjunto da obra com louvor!

  13. Luiz Alberto comentou:

    Madrasta, a coisa não pára de apodrecer.

    Vi este post hoje e fui ao saite da nobre família real (a caixa baixa é proposital). Veja o que encontrei no comunicado oficial sobre a morte da “mãe do príncipe” (http://www.monarquia.org.br/donamariaelizabeth/):

    “O Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, profundamente consternado, comunica, em seu próprio nome, assim como em nome de seus irmãos, respectivos cônjuges, filhos e netos, bem como em nome de todos os demais familiares, o falecimento de sua muito querida mãe, sogra, avó e bisavó,

    Sua Alteza Imperial e Real, Dona
    Maria Elizabeth da Baviera de Orleans e Bragança”

    Caraca!!! A mulher era mãe, sogra, avó e bisavó do príncipe? Entendi mal? É implicância minha? Ou foi isso mesmo que ele escreveu?

    Adoro teu blogue! Abraços.

  14. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    O_o G-zuz, é muita gente pra comunicar uma morte só, né?
    Poderia simplesmente dizer “A Casa Imperial do Brasil vem a público anunciar o falecimento (…)”
    Coisas de quem tem pompa mas não tem assessoria de imprensa pq num tá fássio pra ninguém, né?

    Acho que vou ter que voltar sobrevoar o çáitchy da família real… valeu pela dica, zifio! Volte sempre!!!

  15. Pedro comentou:

    Bruxa, “Orleans e Bragança versão brasileira” também é pleonasmo. :o)

  16. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    uai, num tem versão portuguesa dos Orleans e Bragança, não? eu ACHO que sim, porque né? D Pedro I foi rei lá e aqui….

  17. Pedro comentou:

    Ah, sim, e apenas por questão de precisão protocolar:

    1) Dom João VI foi, sim, proclamado imperador do Brasil por meio da Carta Patente de 13 de maio de 1825 – a mesma pela qual Portugal reconheceu a independência. Era, na prática, um título honorífico e “pro forma”, mas ele teria chegado a ser imperador de direito se Pedro I morresse sem ter filhos homens, o que ainda era o caso quando da assinatura do documento (o Pedrinho II só nasceria em dezembro daquele mesmo ano).

    2) Dizer “Casa Real Brasileira” ou “Família Real Brasileira” hoje, é errado, porque o Brasil só foi reino entre 1815 e 1822. Só nesse período é que houve uma “casa real brasileira”, embora fosse exatamente a mesma de Portugal – os Bragança, sem Orleans. De lá pra cá, e inclusive pós-1889, o que temos é a Família Imperial, que só passou a ser Orleans muito tempo depois da proclamação da república, em 1921, quando a Princesa Isabel morre e o filho dela – o primeiro a ter o nome Orleans, do pai – assume a chefia da casa. Os Orleans e Bragança nunca reinaram no Brasil; só os Bragança.

    :o)

    Teu blog é o melhor que conheci nos últimos anos.

  18. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn….
    Valeu memso, Pedro!!! Adoro frequentador inteligente que ajuda a desasnar esta bruxa que vos escreve…..
    Então, não existe Orleans e Bragança versão portuguesa? Não existe família real portuguesa? Os primos portugueses dos Bragança brasileiros não são Orleans?

    E muito obrigada pelo elogio!! \o/ Volte sempre, mas antes aceite um cafezinho com bolo de fubá! 😀

    Abraços da
    Bruxa

  19. Harlei Cursino Vieira comentou:

    A Família Real Brasileira é originada dos dois filhos mais velhos da Princesa Isabel: Dom Pedro de Alcântara (1875-1940) e outro. Dom Pedro Gastão(1913-2007) era filho de Dom Pedro de Alcântara, filho da princesa Isabel e o atual responsável é Pedro Carlos de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel.

  20. Harlei Cursino Vieira comentou:

    Só são Orleans os descendentes da Princesa Isabel e do Conde D eu!

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