Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada”

Deu na coluna do Jorge Bastos Moreno do último sábado, no Globo:

Túnel do tempo

O ano é 1985.

Morto Tancredo, Sarney assume definitivamente o governo.

Beletrista, o novo presidente da República reúne seu sacro colégio de ghost-writers, Josué Montello e Joaquim Campello à frente.

Cada palavra, cada frase, cada parágrafo, milimetricamente medidos, examinados com lupas.

Enfim, uma obra-prima, uma obra de arte.

O primeiro discurso do presidente acadêmico.

Sucesso total.

Como um parnasiano, Sarney, depois, lambe as suas palavras como a vaca lambe a cria, principalmente o ápice: “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe“.

Dia seguinte, lá, no seu cantinho, como se fosse um mineirinho, Millôr, silenciosamente corrige:

A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico“.

Sarney quis matá-lo!



Um comentário sobre “Sarney, Millôr, a ordem invertida e a trolada épica – quando ainda não existia o termo “trolada””

  1. Vanessa Lampert comentou:

    Tenho um livro muuuuuito bom do Millôr em que ele analisa textos do Sarney e do FHC: “Crítica da razão impura ou O primado da Ignorância”. Já leu? Se não leu, procure, você vai se divertir horrores!

    Beijos!

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