Somatório diferenciado traz novo conceito em pesquisa e inaugura um novo olhar matemático sobre as eleições presidenciais (Ah, eu não resisto) ou PORRA, IBOPE!

NAONDE QUE 39+39+10+6+7 = 100 ?!?!!?!?!?!

Taqueopa… vou ter que dar aula de matemática de novo, é?

OK, crianças. Esta é mais uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa. Se você ainda não sabe o que é uma ___ aula de jornalismo para a ___ imprensa, clique aqui. Último item. Mas volte logo, por favor.

Pra começo de conversa, jornalista deve ser isento. Se, por algum acaso, ele resolve não ser mais isento, deve pelo menos disfarçar a cara-de-pau de forma eficiente, eficaz e matematicamente confiável, ou a casa cai.

Ou isso ou ele deve ter competência o suficiente pra apontar possíveis erros de apuração, e descobrir onde está o erro, por que o erro foi cometido, e como corrigir.

Porque, né? Instituto de pesquisa é uma coisa (não achei palavra melhor pra definir. Se você achar, os comentários aí embaixo são a serventia da casa!) que se respalda por números. E número é outra coisa que não suscita muita dúvida (Se você pensou em dizer “Os números não mentem jamais”, faça-se o favor de parar de pensar em clichês!). Pra manipular números, é bom pelo menos saber o que e como fazer.

Daí eu digo que se o erro não foi do Ibope, os cabras do G1 precisam trabalhar com uma calculadorazinha dando um rélpi, sabe? (diquinha da bruxa: clique em “iniciar” no windows, e digite “calc” na linha “executar. Tcha-ram! uma calculadora con-fi-á-vel!!)

Senão, vejamos o que diz esta pesquisa aqui:

Pesquisa Ibope mostra empate entre Serra e Dilma, ambos com 39%
Tucano tinha 35% no levantamento anterior. Dilma estava com 40%.[tá. o legal aqui é mostrar o crescimento do Serra e a queda da Dilma. Um cresceu três pontos percentuais, e a outra caiu um. Então, tá. Mas com isso outro monte de número cai no meio deste melangê de jenessequá matemático. Há quem diga que esses números ajudam o leitor a entender (sic) e comparar o crescimento / queda dos candidatos blablabla whiskas sache blablabla. Eu acho que confunde. Se for pra esclarecer, faz um gráfico e não enche o saco, pô!]
Marina Silva (PV) aparece com 10%. Margem de erro é de dois pontos.
(…)
Pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo[Tem sempre um mané pra endossar a esparrela…], aponta empate em 39% entre os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.[começaram a calcular? Seguinte: a soma de todos os percentuais aqui tem que dar 100, a despeito da margem de erro para mais ou para menos, OK?]
(…)
Marina Silva (PV) se manteve em 9% nas três pesquisas desde abril e agora tem 10%. Com a margem de erro, estaria entre 8% e 12% [quatro valores distintos aqui pra confundir inda mais nossas cabecinhas. Mas o número a ser anotado lá embaixo é 10. É quanto a Marina conseguiu nesta pesquisa. próximos números, por favor!]. Brancos e nulos somaram 6% e indecisos, 7%.[Ou seja, temos 39+39+10+6+7.]

Daí, a gente soma (pegue você também sua calculadora, pra ver se a soma sai diferente aí. Se sair, me avisa, por favor!!!!)

39+39+10+6+7 = 101 CENTO E UUUUUUUUUUUUUMMMMMMM

E se você ouvir o Ibope dizer que “esse resultado é perfeitamente factível (querem apostar quanto que a expressão factível estará no comunicado do Ibope?) dada a margem de erro de dois pontos percentuais”, esqueça. Essa margem de erro é a diferença entre o valor apurado pela pesquisa do Ibope e o suposto resultado de uma ainda mais suposta eleição que fosse realizada no período de apuração da pesquisa. Com margem de erro de dois pontos percentuais ou de cinquenta e nove pontos percentuais, os valores apurados no resultado de uma pesquisa eleitoral têm que somar 100 pontos percentuais. Porque os  números não mentem jamais (Pronto! Enfiei seu clichê aqui!).

Ou isso ou a álgebra foi comprada pelo mensalão do governo. Quer dizer, tá tudo dominado…

[Ai, que vergonha dos coleguinhas…]



6 comentários sobre “Somatório diferenciado traz novo conceito em pesquisa e inaugura um novo olhar matemático sobre as eleições presidenciais (Ah, eu não resisto) ou PORRA, IBOPE!”

  1. Matias comentou:

    Olá Madrastra. Então, não, os números não precisam somar 100%.

    Pode acontecer que, depois de um arredondamento (processo perfeitamente aceitável, mais ainda se tratando de números com margem de erro tão grande), os números que deveriam somar 100% somem mais ou menos.

    O melhor jeito de demostrar isso é dividir um total em três terços. Teremos 33,33% + 33,33% + 33,33% = 99,99%. Arredondando, temos 33%+33%+33%=99%. Seria incorreto dar 1 ponto porcentual a qualquer um deles, afinal, os três são iguais.

    Jornalistas não gostam e até um matemático fez cara ruim quando perguntei, mas é isso.

    Abraços.

  2. Maurício comentou:

    Caro Matias, quando o assunto é *pesquisa eleitoral, isso não se aplica.O resultado, ainda que com a soma dos votos nulos e indecisos, *deve corresponder ao universo pesquisado, que totaliza obrigatoriamente 100%. Com todos os arredondamentos. Ou não, como diria o poeta.

  3. Fernando Guimarães comentou:

    Cara Madrasta,
    Matias tem razão: houve um arredondamento. Perfeitamente aceitável do ponto de vista técnico, mas deixa uma questão: o que exatamente foi arredondado? E por que para cima? E aí é onde falta jornalismo, pois uma análise rápida dos números brutos, principalmente na comparação com outros resultados de pesquisas, do mesmo instituto e de outros, poderia apontar para um viés político ou ideológico do instituto. Mas pra que todo esse trabalho não é verdade?
    Beijo,

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Prezados Matias e Fernando “Cardeal” Guimarães:

    Eu concordaria totalmente com o raciocínio de vocês se os números apresentados pela pesquisa fossem fracionários, e não absolutos. E digo mais: se os números originalmente apurados apresentaram-se fracionários e os caboclos no Ibope resoolveram arredondar os bichos, então que o fizessem com competência e inteligência, de forma que a soma dos pontos percentuais totalizasse 100%, e não 101%, que foi o que ocorreu.

    Digo mais ainda: se o Ibope tem por padrão arredondar resultados fracionados em suas pesquisas, e o somatório dos pontos percentuais sempre chega a 100, por que nesta pesquisa (e justo nesta, tão comentada antes de ser divulgada) a soma deu 101?

    Isto, claro, partindo do princípio de que o que houve aqui foi um mero lapso de álgebra, né?

  5. Matias comentou:

    Maurício, o que estou falando se aplica a qualquer coisa que tenha um universo de 100%, seja pesquisa eleitoral ou bactérias. E se constar em algum manual de redação está errado.

    Madrastra, mesmo com competência os números arredondados podem não somar 100%, como demostrei antes. Quanto a números quebrados, aqui é algo inútil, dada a margem de erro, e números fáceis de entender são preferíveis a números inutilmente precisos.

    Voltando ao meu exemplo, e dando nomes aos bois. Se num município com 300 habitantes, exatamente 1/3 deles escolher um candidato (e ninguém escolher brancos e nulos) temos: Dilma 33,3%, Serra 33,3% e Marina 33,3%. Arredondamos (processo necessário para comprender melhor os números, mais ainda quando os publicamos em meios massivos) e temos 33% para cada um. Soma 99%, e está certo. Querem arredondar para 34% cada um? Está incorreto. Querem forçar para 100%? Beleza, vão dar o 1% que falta (e a vitória) pra quem?

    O Ibope está correto. Não houve lapso de álgebra. Eles estão certíssimos, mesmo somando 101%, e isso me faz desconfiar menos dos números. Não que eu confie de fato em qualquer instituto de pesquisas, mas sei que eles arredondaram certinho.

  6. Matias comentou:

    Agora, se todas deram 100%, acho muita coincidência. Mas esta deve estar correta.

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