“Vamos ouvir as belas vozes…”

Adoro quando me bate saudades do Álvaro, e eu pego Havia uma Oliveira no Jardim para reler. Há quem faça isso com o Minutos de Sabedoria, e sinta que sempre é possível descobrir uma bela mensagem dos céus pereré pão duro blablabla whiskas sachê. Me desculpe, mas se pra você a referência de mensagens bonitas é o Minutos de Sabedoria, eu só posso ter pena de você e da sua alma repleta de lugares-comuns. (Até porque é muito mais gostoso garimpar em Havia uma Oliveira…)

Álvaro tem aquele filtro típico dos mais belos poetas. Ele sabe filtrar as coisas feias da vida, e sempre perceber a beleza. Das palavras, da Natureza, de uma cena banal, até mesmo de Deus.

Opa? Eu disse Deus? Mas Álvaro era comunista! Como ele percebia Deus?

Assim, ó (Havia uma Oliveira no Jardim, p. 107):

Vozes… tantas… desde as primeiras que soaram no mundo. Por que não as escutamos? A voz de Deus depois da criação disse que tudo era bom. Mais tarde, Jesus disse aos homens: Amai-vos uns aos outros. Mais tarde, Francisco de Assis, que ouvira essa voz, disse: Senhor, abençoado sejas, com todas as tuas criaturas!

Vozes… tantas. De Santos e de pecadores. Agora mesmo a voz de Goethe passou por mim: Quando não se fala das coisas com uma parcialidade plena de amor, o que se fala não deve ser repetido

Vamos ouvir as belas vozes…

E aí, ameba? Você sabe ouvir as belas vozes?

 

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