Você sabe com quem está falando? Então, descubra quem é seu público-alvo pra não passar vergonha!

Quando eu era aluna de jornalismo na UFRJ, fui assistir à prova de seleção para professor da Escola de Comunicação, a querida e estuprada Eco (vou nem falar que na minha época não havia site da Eco, porque eu comecei a navegar na Web ainda na faculdade, tá?). Dinossaurices à parte, estava eu na prova de seleção desse professor para o curso de jornalismo. Eram dois candidatos. Um, ruim. Outro, péssimo. Fiquei bege com a leniência dos cardeais teóricos da Faculdade com tamanha incapacidade de percepção jornalística das coisas.

Uma das questões da prova de ingresso era apresentar um projeto de jornal científico. O candidato queridinho dos cardeais da Eco (acho que as cartas já estavam marcadas, só pode) apresentou uma coisa linda: um jornal científico com seções lheeeandas, cartas dos leitores (leiam os parênteses do primeiro parágrafo e voltem rápido. Pronto!), novidades científicas, editorias de biologia, química, física, etcetcetc pereré pão duro, whiskas sachê blablabla. Eu, com o queixo caído, falei baixinho com a professora que babava pelo novo colhéga: “Mas Raquel, ele não determinou se esse jornal é voltado pra comunidade científica ou pras velhinhas evangélicas de Pirambeira do Assaré de Jesus! Como avaliar se o projeto é pertinente sem se determinar o público-alvo?

A Raquel me respondeu com um “psssit! Cala a boca, menina!” E eu calei. Fosse hoje, eu falaria em voz alta, na cara dura, e deixaria o idiota com cara de tacho na frente dos cardeais. (e me foderia ainda mais do que me fodi na época).

O indivíduo em questão foi o aprovado. E me deu aulas. Óbvio que eu jamais tive um pingo de respeito por esse cidadão, muito embora a totalidade de meus colegas (que não assistiram à prova) babassem um ovo descomunal por ele: “olha, o Fulano me deu um cinco!” eu dizia: “grandes merdas, ele não sabe nem o que faz da vida, quanto mais qual a nota que você deve ter”.

E, mais óbvio ainda, ele me reprovou. Grandes merdas número dois: no semestre seguinte, tive aulas na disciplina bombada com ninguém menos do que Muniz Sodré. Que me aprovou com um 8 e elogiou o meu texto.

Esse narigão de cera todo foi pra introduzir o texto enviado por uma querida ectoplasma suína de um blog muito bem escrito e bem acessado de cosmética e beleza. Só pra vcs terem uma idéia, há uns dois anos marromeno o blog contava com 2.000 (ou seriam 200.000? Ah, num sei! Só sei que é muito!) acessos diários. Desde então, é referência entre os blogs do segmento, e as meninas que nele escrevem mantêm uma coluna na revista TPM (#prontoentreguei).

Aparentemente, uma discípula do supracitado (ai, como eu adoro escrever essa palavra! Acho chyque!) professor da Eco resolveu assombrar o e-mail da querida ectoplasma suína. Enviou à blogueira esse texto com total ausência de noção ou de público-alvo (o que, neste caso, é a mesma coisa). Não resisto e vou comentar:

Prezado(a) sr(a).,
Um blog é um tipo de site [Cejura? Olha, eu sou blogueira há anos e não sabia disso! Muito obrigada por me passar esta informação, viu? Meu dia mudou após tão relevante notícia!] (assim como os flogs, páginas colaborativas desenvolvidas em wordpress, joomla etc. – pois todos se sustentam em pré-programações para que leigos possam expor seus conteúdos na web) [ai, que tudo! tão bom saber coisa que eu vivo diariamente e não preciso receber explicação inútil! Mas qual é o propósito desse seu e-mail inútil, mesmo?], ainda que muitas vezes de forma amadora [ó, zifia, eu sou a rainha-mestra dos parênteses escapulidores de tema central. Mas, como toda tagarela que se preza, eu faço questão de falar tudo o que me dá na telha por inteiro. O que não foi o seu caso, né? porque vamos combinar que você foi falar de flog e dar mais uma aula magna de definições e conceitos básicos à blogueira, e se perdeu no meio do caminho, né? Tá faltando pedacim de texto aqui, cáspita!] e sem estrutura. [Cejura (nº2) que blog é um troço amador e sem estrutura? Quem te contou isso? Foi o Estadão ou a Folha? E o blog em questão é amador? Sem estrutura? Cejura (nº3) que você vai querer ser contratada após chamar a autora do blog de amadora?]
Como seu blog/site não possui apenas impressões pessoais, pois apresenta cunho financeiro [Sei, sei. O blog não possui apenas impressões pessoais, e tem cunho financeiro! Nossa, você percebeu os anúncios aí? Ah, como você é esperta! Parabéns! Vai ganhar um doce!] (vide anúncios de iPhones, produtos Vichy, portal iG (anúncio camarão) etc.) estou certa de que interessa financeiramente sim, a despeito  de sua subclassificação [cejura (nº4) que você quer ser contratada? Chamou esse blog de subclassificado e a autora de amadora, e ainda quer ser contratada? Senta lá, Cláudia!] , aumentar o número de visitantes e, consequentemente os lucros gerados por essa iniciativa na web. [ai, que lindo! Agora você vai cagar regra ditar normas e me ensinar a ganhar dinheiro com o blog – coisa que eu já faço faz tempo! Puxa, muito obrigada mesmo, hein?]
Assim sendo [e ainda escreve assim sendo? Olha, eu emociono fácil, não faz isso não!] , como é o nosso trabalho [Cejura (nº jámeperdi) que esse é o seu trabalho? tem certeza?] , podemos gratuitamente explicar para o(a) sr(a). as diferenciações e similaridades de elementos da web [AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH, QUE TUDOOOOOOOOOOOOOOOO!!! Sou uma amadora subclassificada, e você vai me ensinar GRA-TUI-TA-MEN-TE diferenciações e similaridades? Puxa, que maravilha! Posso te ensinar a falar português fluente, posso? Então, diferenciações e similaridades é a $%&¨¨%&$&¨%$%&¨%$%¨%$, entendeu?] , bem como quais são as estratégias corretas para ganhar mais dinheiro e visibilidade com seu site (blog). [senão vejamos: você já me chamou de amadora desclassificada. Pra eu ganhar dinheiro, de acordo com sua inominável sapiência, devo chamar minhas leitoras de escrotas e imbecis? ou o xingamento tem que ser mais bonitinho?]
Mesmo que não fosse comercial, ainda assim [Aaaaahhhh! Não satisfeita com o Assim sendo, ela escreve ainda assim!] é sempre bom aumentar a visibilidade do que se coloca na Internet, a despeito de sua qualidade e profissionalismo [tradução: cê pode continuar a escrever a merda que você escreve. Eu vou é vender essa merda que você faz. Vergonha alheia master]. Afinal, se escreve para que alguém leia. [Cejura? Cejura? Cejura?]
Encontramo-nos inteiramente à disposição para sanar outras dúvidas que possam haver em relação à sua comunicação e sua classificação.[Classificação? Prá quê? Eu já fui subclassificada, mesmo!]

Inquestionável ectoplasma suína que é, a blogueira em questão respondeu à tchutchuca assim:

Gatinha, se vc tivesse mesmo entrado no [linkdoblog] veria que se trata de um BLOG, e não de um SITE.

Caso tenha alguma dúvida sobre a diferença entre ambos, podemos explicar sem custo nenhum.

E mais não conto, porque estou com pena da cidadã em questão.

Moral da história, zifios: em se tratando de redação de textos, o você sabe com quem está falando? não é uma forma de reduzir ou elevar artificialmente ninguém. É apenas a receita básica pra você não passar vergonha na frente dos outros. Até porque o vigário sabe de há muito como rezar o padre-nosso.

(P.S.: Adivinhem em que Avenida fica a empresa da ameba sem-noção de público-alvo? Acertou quem disse Luis Carlos Berrini!)



11 comentários sobre “Você sabe com quem está falando? Então, descubra quem é seu público-alvo pra não passar vergonha!”

  1. Cristian comentou:

    Aff… depois desta, aprendi que eu não sou seu público alvo. Obrigado pela perda de tempo.

  2. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    De nada, ameba!
    Vá em paz e que Nossa Senhora da Locução Verbal lhe ilumine os caminhos, viu?
    Mané…

  3. carmen regina dias comentou:

    hahaha!!! OSHentiiiii…
    .
    .
    .

    Assim sendo [e ainda escreve assim sendo? Olha, eu emociono fácil, não faz isso não!]

    amei. seguro que sou teu público-alvo.

  4. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    ô, zifia, brigadim! Que bom que vc gostou!!! 😀
    volte sempre!
    \o/

  5. Loo comentou:

    Cristian, ainda assim vc trabalha na empresa em questão, aposto!

  6. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Xiiiii…
    sabe que eu não tinha aventado essa possibilidade, Loo?
    Mas se o Cristian trabalha na empresa em questão e não se considera meu público-alvo, então podemos contar que nossos e-mails blogueiros serão invadidos pr mais tetéias do gênero?
    Oh, meu Deus… será que eu vou receber mais e-mails como o que você me enviou o que a blogueira em questão me enviou?

    Pensando melhor ainda, será que o Cristian sabe escrever? E ele sabe PARA QUEM e COMO escrever?

    Oh, quantgas dúvidas assombram meu pobre humilde ah, deixa prá lá! coração…..

  7. Allan Moraes comentou:

    Ainda hoje lembro a primeira vez que ouvi “supracitado” – foi numa aula de Biologia: “Questão 5 – Dê dois exemplos para o caso supracitado”, ditou o professor. “HÃÃÃÃÃÃÃNNN???// SUPRA..OQÊ??/QQÉISSO PROFSORR???/”, bradou a horda de amebas – como eu não era o professor, tive de limitar minha reação a um humilde e desconsolado facepalm…

  8. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Gente que não tem classe, né, Allan?
    Quem tem classe curte escrever “supracitado” e “outrossim”… 😀

    Bjocas!

  9. Amanda Guerra comentou:

    huahauahuahua

    Não sei o que foi mais interessante, se a estruturação do e mail ou a forma nada eficaz de conquistar a simpatia da destinatária.

    Vou mandar um e mail pra moçoila propondo um curso em vídeo aulas com o tema “Gentileza e Networking – porque você está fazendo isso errado?”. Com explicações grátis de porque ela é uma anta.

  10. Marcos comentou:

    Pronto, agora lembrei daquela máxima atribuída a Graciliano Ramos: “Outrossim é a puta que pariu”.

    Mudando de assunto, o que são “práticas leolinas”?
    http://www.telesintese.com.br/index.php/plantao/16781-abinee-acusa-concessionarias-de-qpratica-leolinaq-o-que-provocou-queda-de-9-no-faturamento

  11. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    eu me acabo com Outrossim e supracitado! experimente falar isso! Ou seu interlocutor irá lhe lançar um olhar de espanto, pois entendeu o que você disse, só ão entendeu por que você disse isso, ou então vai te olhar com uma cara de ué daquelas, mas não vai dar o braço a torcer e te perguntar o que significa a coisa…
    em ambos os casos, você se diverte horrores!!! 😀

    No mais, não posso falar mal de Míriam Aquino… certa feita, estávamos no Paraguai e ela pagou pra mim uma compra que não passou no meu cartão de crédito…

    Corporativismo? Trabalhamos, sim senhor! Vai querer quantos quilos? 😉

    (é, eu num presto…)

    Abraços,
    Madrasta

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