Quando os fatos aclamam a criação de uma nova categoria

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Gente, foi maior que eu. Maior que minha opinião. Maior que o fato em si. Maior do que a cagada em si.

Eu vinha apenas ameaçando criar essa categoria. Mas, como diria Chrissie Hynde, foi uma circumstance beyond my control, quer dizer, um fato que escapou ao meu controle. Não me resta mais nenhuma alternativa.

Sou OBRIGADA a criá-la.

Eu ainda esperei UM DIA INTEIRO pra ver como é que a coisa iria se concluir. (O erramos nesses casos é extasiantemente divertido)

O curioso é que, desta vez, não houve nenhum erro de português. Nem de lógica redacional. Foi apenas um erro operacional. E que erro.

Pensando bem, o problema não foi nem o erro em si. Bostas acontecem.

O problema foi O PAÍS INTEIRO COMENTAR DO ERRO CRASSO E ELA NEM TCHUNS PRO QUE ACONTECEU.

O problema foi PUBLICAR ANÚNCIO DE UM PATROCINADOR OFICIAL DA SELEÇÃO BRASILEIRA LAMENTANDO UMA ELIMINAÇÃO QUE NÃO ACONTECEU.

O problema foi O CLIENTE TER QUE FALAR MAL DA EMPRESA PRA DEFENDER A PRÓPRIA IMAGEM E ESSA EMPRESA NEM TCHUNS.

O problema foi O TWITTER INTEIRO COMENTAR O OCORRIDO E A EMPRESA NEM TCHUNS.

E, não satisfeita em publicar este anúncio

lamentando a eliminação do Brasil pelo Chile, quando o Brasil VENCEU O JOGO POR 3 X 0 E ELIMINOU O CHILE, ao invés de publicar este anúncio daqui

que comemora mais uma vitória da seleção brasileira, os JÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊNIOS responsáveis pelo ocorrido se dão por satisfeitos com a publicação, VINTE E QUATRO LONGAS E INTERMINÁVEIS HORAS DEPOIS de a desinteria ter ocorrido, do seguinte pedido de desculpas:

Comunicamos que erramos [Não diga! vocês erraram, é? Descobriram quando? O país INTEIRO DESCOBRIU UM DIA ANTES, CÁSPITA!!!!] na publicação do anúncio do Extra [e ainda fazem sem um mínimo de touché! “Erramos na publicação do anúncio dos supermercados Extra”, Folha! Explica que Extra é esse, seja específica, clara, não dê mais margem a duplas interpretações!] , referente ao resultado do jogo entre Brasil e Chile, publicado por este veículo de comunicação no dia 29 de Junho de 2010, página D11[tá bom. Eu perdôo o excesso de vírgulas. Esperar que alguém leia esse texto de forma racional e pausada é pedir demais, né? ‘Bora arfar até o ar faltar!] . Ao invés do anúncio de vitória do Brasil, foi publicado, equivocadamente, anúncio citando a derrota [que tal “anúncio citando uma derrota que não ocorreu”?]. Lamentamos o ocorrido.
Departamento Comercial da Folha de S.Paulo.”

Seres humanos são passíveis de cometer erros. A publicação equivocada de um anúncio, por mais desastrosa que seja, é fato a se lamentar e a se corrigir. Só que, em tempos como os d’hoje, em que os fatos são comentados por milhares de cidadãos anônimos na hora em que eles acontecem, o reconhecimento do erro e a retratação devem ocorrer o mais rápido possível, pra se reduzir ao extremo a repercussão negativa do erro. O Extra e o Abílio Diniz foram brilhantes no uso do Twitter para lamentar o ocorrido e preservar a imagem institucional da empresa. Ponto positivo.

O erro maior da Folha de SPaulo não foi ter publicado o anúncio que não devia. O problema foi demorar mais que demais para reagir ao erro lamentável e aos comentários negativos que seu nome e sua imagem institucional sofriam nos meios on-line. E, na hora de abrir a boca, o fazer de forma seca e fria, depois de o país on-line ter comentado o fato de forma bem calorosa. Ponto negativo.

E é por tudo isso que eu me limito a anunciar o nascimento espontâneo de mais uma categoria neste caldeirão:

PORRA, FOLHA!!!

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2 comentários sobre “Quando os fatos aclamam a criação de uma nova categoria”

  1. Jefferson comentou:

    Bah, estava mesmo demorando pra criar essa categoria. A Folha (ou Falha seria mais correto?) faz um bom tempo que tem “viajado na maionese”.

    Abraço.

  2. » O catadão da Folha e o meu remorso comentou:

    […] meu caldeirão, a Folha resolveu me seguir à altura, e tá armando uma lambança daquelas que nem a publicação errada daquele anúncio na copa de 2010, que originou a criação da categoria “PORRA, FOLHA!” aqui no caldeirão (cejura que […]

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