G1, sempre inovando, apresenta um novo conceito em psicografia

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Fui alertada desta coisa aqui pelo Ednaldo Macedo no Twitter.

Agora me diga o que você pensa ao ler este título:

 

 

1) O bombeiro ficou preso na gravação

2) O deputado é paranormal

3) O deputado é médium

4) O deputado invadiu a gravação pra falar com o bombeiro

 

 

Não sei quanto a vocês, mas textos assim sempre me remetem a esse trechinho do Pica-pau:

Porque, né?

Aí você começa a ler o texto sem se saber se trata de casos de paranormalidade ou de incêndios ou de sei lá o quê. E se depara com este primeiro parágrafo:

O cabo Benevenuto Daciolo foi preso no fim da noite desta quarta-feira (8) [Hummm… ele foi preso, do tipo detido e levado em cana? Não ficou aprisionado em nenhuma gravação em virtude de algum mirabolante feitiço legislativo do deputado em questão? Ah ,então tá!] ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Daciolo estava em Salvador, onde participava das negociações sobre a greve na Bahia. A prisão administrativa foi decretada por 72 horas. 

Tá. Mas a gravação entra naonde na história?

Só o terceiro parágrafo esclarece:

O cabo foi flagrado em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça

Então tá. Mas cadê o deputado do título, por Tutátis?!?!? Temos que chegar ao SEXTO PARÁGRAFO da matéria pra entender quem é o zifio deputado. Espiem:

Hoje o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB), de São Paulo, informou ao jornal O Globo que era ele o interlocutor de Daciolo na gravação

Tipos: o sujeito é citado no TÍTULO e só vai reaparecer na matéria SEIS PARÁGRAFOS DEPOIS?!?!?!!?!?

O lead saiu de moda e ninguém me avisou? O que o substituiu? Talvez o vô enfiá o que eu quiser na ordem em que eu bem entender style?

E NAONDE que lead fora de moda permite a criação de títulos desinformativos?!?!

Aê. G1, o que vocês têm contra o título

Arnaldo Faria de Sá (PTB) é quem conversa com cabo Daciolo em gravação 

Cadê jornalismo?

Cadê clareza?

Cadê concisão?

Cadê texto esmiuçado?

Oi? Quem disse? Eu disse!

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6 comentários sobre “G1, sempre inovando, apresenta um novo conceito em psicografia”

  1. Salamgnoni comentou:

    E essa colega?
    Não é o fino da bossa? No twitter do @estadao:

    bebe sai para trocar fralda e morre do coração em maternidade de SP: http://t.co/a3xblrEp

    Quem quase morreu do coração fui eu!!!

    bjs

  2. Alexandre comentou:

    Só Faltou:
    Cadê os Princípios editoriais das Organizações Globo…

  3. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Prá quê princípios editoriais das Organizações Globo? Eu só quero um título inteligível, isso já me satisfaz… 😀

  4. Luiz Prata comentou:

    Sujeito quer “enfeitar” demais, esquecendo-se de que a objetividade é fundamental ao se dar uma notícia.
    Mas, como sou meio leigo em alguns termos, pergunto: o que é “lead”?

    Fora isso, “eu disse eu”.

  5. Madrasta do Texto Ruim comentou:

    Ai, perdão! Erro crasso meu! Não posso partir do princípio de que todo mundo estudou jornalismo….
    Lead é a forma como 1 jornalista que se preze deve estruturar o primeiro parágrafo do texto da notícia. O Lead obrigatoriamente responde às perguntas básicas que se faz sobre qualquer assunto:
    – Quem?
    – O quê?
    – Onde?
    – Quando?
    – Como?
    – Por quê?

    Essa estrutura foi “inventada” na década de 1940, durante a II Guerra Mundial. As notícias eram enviadas às redações por Telex, e muitas vezes a recepção falhava no meio. Daí, um gênio teve a idéia de pedir pros zifios repórti resumir a notícia logo no primeiro parágrafo, pq se desse pau na recepção o essencial da notícia já teria chegado…

    Espero ter lhe esclarecido!!!

    Abraços e pedidos de desculpas da
    Bruxa

  6. Luiz Prata comentou:

    Obrigado, Madrasta, agora eu entendi o que é lead. Mas parece que o zifio do G1 faltou a essa aula…

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