Objetivando Disponibilizar





Alvaro Moreyra

Neste século XXI de internetes, blóguis e podiquéstis, Alvaro Moreyra (joguei direto pra busca do Google porque não sou besta de limitar esse gênio a apenas uma fonte de conhecimento) é praticamente um desconhecido. Talvez ajude se eu começar por informar que ele é o avô da Sandra Moreyra, uma das melhores repórteres da Rede Globo. Sandra é filha de Sandro Moreyra, antológico botafoguense e colunista esportivo. Pois foi Alvaro quem começou essa deliciosa dinastia, ao lado de Eugênia, que foi a primeira repórter policial do Rio de Janeiro e uma das primeiras feministas deste país. Familinha porreta, essa.

Alvaro, dentre outras tarefas intelectuais, era poeta. Ao completar 70 anos, publicou dois livros meio autobiográficos, meio de pensamentos e poesias, Havia uma oliveira no jardim e As amargas, não…  Desses dois, o meu preferido é o Havia uma oliveira. Vejam como ele começa o livro:

Não posso afirmar que cheguei ao mundo no bico de uma cegonha. Desconfio que vim num ramo de oliveira. Havia uma oliveira no jardim da casa onde nasci, e dava azeitonas. A oliveira é a árvore da paz. Sou homem da paz. Deve ter sido essa a minha origem espiritual. A gente, de verdade, sabe poucas coisas. Mas todas as coisas são possíveis.

Claro que o dono de alma tão bonita como essa foi preso pela ditadura de 1964 – um sujeitinho assim só podia ser subversivo, claro.

Como ele já estava velhinho, ficou poucos dias na cadeia. Quando ele saiu, o carcereiro virou-se para ele e disse: “Pode ir, o senhor é um homem livre agora!”. Prá quê? Ouviu dele a seguinte frase: “Engano seu, meu jovem. Eu jamais deixei de ser livre. O prisioneiro aqui é você.”

Alvaro Moreyra é um dos espíritos que me iluminam para que eu tire os encostos de amebas escreventes. Espero que vocês entendam que é em nome de gente tão boa, tão fina, que eu me predisponho a fazer com que os textos mal-escritos presentes neste blog sejam dignos da Língua Portuguesa. Faço isso, dentre outros, pela alma do Alvaro. Que Deus continue a lhe iluminar e abençoar, ó espírito de luz. Ah, só por isso vou dar mais um chorinho do Havia uma oliveira aqui:

Todas as idades ficam em nós e vão colaborando. Infância, adolescência, juventude, mocidade, maturidade, velhice – aparências do corpo. A alma faz coleção. (…)

Admirar é agradecer. A vida traz sempre coisas melhores quando lhe dizemos por uma flor, por uma canção, por uma mulher: – Obrigado, Vida! (…)

Escrever? Não, conversar.
Ler? Não, escutar.
Assim lhes digo e vocês me ouvem. Falo como aprendi quando me contavam histórias. Era uma vez sempre.
Já olhei tanto a vida, e na manhã aberta na janela vejo a primeira manhã do mundo. A noite foi ontem.



10 comentários sobre “Alvaro Moreyra”

  1. maria olimpia alves de melo comentou:

    Estou buscando um poema do qual só tenho uma lembrança fragmentada, mas onde ainda reside o nome do Autor: Alvaro Moreyra: preciso de confirmação e se possível o poema inteiro: “Vida, se eu fosse exagerado, olhando para o meu passado, era capaz de pedir bis.”

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